sexta-feira, outubro 31, 2008

A música nos últimos dias – louvando a quem?

Quero hoje apresentar uma profecia que tem sido objeto de minha preocupação nos últimos tempos. Foi feita por Ellen White, em janeiro de 1901, e entre outras coisas faz referência ao modo de adorar de um movimento adventista fanático que apareceu em Indiana (EUA), chamado de “Carne Santa”. Seus participantes achavam que na experiência do Getsêmani Jesus obtivera “carne santa”, isto é, como a de Adão antes da Queda. Durante os cultos, buscavam demonstrações físicas e desenvolviam alto grau de excitação com o uso de diversos instrumentos musicais (órgãos, flautas, violinos, tamboris, buzinas, e mesmo um grande tambor baixo), em som alto e estridente. Oravam e cantavam até que alguém da congregação caísse do assento, prostrado inconsciente. Vários se reuniam em volta dessa pessoa, cantando e orando, e quando ela voltava a si, era dito que havia obtido a “carne santa”, não havendo mais a possibilidade de pecar e que nunca haveria de morrer. Dois pastores, Haskell e A. J. Breed, foram enviados à reunião campal deles em Munice, Indiana, realizada entre os dias 13 e 23 de setembro de 1900, a fim de enfrentar o fanatismo.

Ellen G. White soube desses acontecimentos enquanto estava na Austrália, em janeiro de 1900, e, então, recebeu orientação de Deus quanto aos perigos dessas práticas. Mas entre outras coisas que o Senhor lhe revelou sobre o assunto, o que mais me impressiona é a comparação que Deus faz entre o que ocorria dentro do movimento e o que acontecerá no futuro, entre o povo de Deus:

“Demonstrar-se-á tudo quanto é estranho. Haverá gritos com tambores, músicas e dança. Os sentidos dos seres racionais ficarão tão confundidos que não se poderá confiar neles quanto as suas decisões retas. E isto será chamado operação do Espírito Santo” (Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 36). Um pouco antes, na mesma profecia, Ellen G. White aponta para o tempo em que essas manifestações voltariam a aparecer, afirmando: “O Senhor revelou-me que haviam de ter lugar imediatamente antes da terminação da graça.”

Note bem que nesta profecia, que foi escrita quando Ellen estava na Austrália, no ano de 1901 (mais precisamente no dia 17 de abril), Deus lhe revelou que essas coisas aconteceriam “imediatamente antes da terminação graça”. À semelhança do que ocorrera em Indiana, surgiria algo estranho, envolvendo “gritos com tambores, música e dança”. Portanto, temos aí mais um sinal da proximidade da volta de Jesus, e precisamos estar atentos.

Mas qual é a preocupação de Deus com o Seu povo? Em toda a história da humanidade e do povo de Deus, vemos a adoração como estando no centro do conflito entre o bem e o mal. A adoração sempre foi o campo mais cobiçado de Satanás. A questão é: a quem adorar e como adorar.

Após a Queda no Éden, foi travado o primeiro combate sobre a maneira correta de adorar. Caim, com os seus frutos, e Abel, com o seu cordeiro. Caim adorando como sua mente carnal orientava; Abel adorando como Deus havia ensinado (Gn 4:3-8). Ao longo da história do povo de Israel, a tentação foi constante para afastarem-se da forma correta e do verdadeiro objeto de adoração (Deus). Chegaram ao ponto de entregar seus filhos ao deus Moloque como ato de adoração (Jr 32:35 e 2Rs 23:10). Satanás, quando se apresentou a Cristo no deserto, pretendia até entregar o mundo e seus habitantes de volta ao Seu Dono, mas sempre à sua maneira, do seu jeito. “Tudo Te darei se prostrado me adorares” (Mt 4:9).

Meu querido companheiro cristão, uma das últimas batalhas que o povo de Deus terá que enfrentar é a de decidir a quem adorar e como adorar. A adoração será o ponto de conflito entre o bem e o mal, e todos os cristãos, sinceros e falsos, estarão envolvidos nesse conflito. Precisamos estar atentos, pois o inimigo nunca vem até nós de forma clara, aberta e já declarando suas intenções. Sempre virá de forma velada, escondida, sem revelar sua real intenção.

Querendo proteger a Igreja, Deus deixou uma profecia alertando sobre os problemas que ela enfrentaria bem perto da volta de Jesus. A profecia diz que nos cultos apareceriam “gritos com tambores, música e dança”.

Satanás conhece o valor da música e é por isso que faz tanto esforço para introduzir no culto esses elementos que, ao contrário de adorar ao Deus do Céu, adoram ao deus das trevas. Existem hoje músicas que nada mais são do que gritos estridentes, que ferem a muitos que as ouvem. Boa parte das músicas de agora não tem “tambores”, mas tem a bateria, que leva alguns ao delírio e outros às lágrimas de tristeza; não tem “tambores”, mas tem uma infinidade de instrumentos que são devidamente arranjados pelo inimigo dentro de alguns play-backs (nem todos).

Quando se termina a apresentação de algumas músicas com essas características, muitos não conseguem lembrar de uma frase sequer do texto, pois a “gritaria”, o barulho dos instrumentos e a excitação dos sentimentos acabaram por ocultar a mensagem. O que presenciamos hoje em alguns corais e conjuntos, em minha opinião, é o cumprimento exato dessa profecia. Assisti a uma apresentação, por exemplo, na qual maestro e os coralistas dançavam em pleno “culto”.

Minha querida Igreja, a profecia vai ser cumprida, mas ai de quem a cumprir. Jesus disse que os escândalos viriam, mas ai daqueles por quem vierem (Lc 17:1). Essa forma errada de adoração seria introduzida nos cultos, mas ai daqueles que a introduzissem. Este “ai” foi pronunciado pelo dono da Igreja, Jesus Cristo.

O que me choca é que muitos, hoje, não estão querendo enxergar o que de fato estão vendo, e outros simplesmente não estão percebendo nada, ou melhor, não vêem mal algum nesse tipo de música. Alguns chegam a dizer que os tempos mudaram e que os jovens precisam de algo mais alegre. É verdade, os tempos mudaram, mas essas mudanças não são, infelizmente, produzidas por Deus (Rm 12:2). Não estou combatendo a música e o uso devido dos instrumentos na adoração; estou alertando acerca de um problema que aparece cada vez mais em nosso meio. Sinto profunda tristeza ao ver que em muitas de nossas reuniões essa profecia já está se cumprindo.

Para alguns grupos musicais o importante é o show, o espetáculo, e não a adoração a Deus. Para outros, o êxito da apresentação é medido pela reação dos espectadores, sendo sinal de sucesso o balançar das mãos, palmas acompanhando o ritmo, e ao final da música, à semelhança de qualquer banda de rock, a explosão da multidão em gritos e assobios. Essas reações, e eu mesmo já as presenciei, são semelhantes às que se vêem nas reportagens de grupos musicais seculares, com a diferença de que se pretende prestar um culto a Deus.

Note o que Ellen White ainda diz sobre este assunto: “O Espírito Santo nada tem que ver com tal confusão de ruído e da multidão de sons como me foram apresentados em janeiro último [referindo-se à música do movimento da “Carne Santa”]. Satanás opera entre a algazarra e a confusão de tal música, a qual, devidamente dirigida, seria um louvor e glória para Deus. Ele torna seu efeito qual venenoso aguilhão da serpente” (Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 37).

Meu querido, é esse o tipo de culto que vai levar alguém a aproximar-se de Deus? Ele mesmo já declarou que o Espírito Santo não tem nada a ver com tal confusão. É Satanás quem está ali, podendo usar até boas pessoas para que o verdadeiro culto não aconteça. Veja o terrível risco que se corre ao brincar com estas coisas: “Esses [em Indiana] foram arrastados por um engano espírita” (Ellen G. White, Evangelismo, p. 595).

Até quando ficaremos covardemente calados diante do que está acontecendo em nosso meio? Quem vai se levantar e, com amor, ensinar a esses bons irmãos sobre qual é a vontade da Deus acerca deste assunto? Até quando seremos alimentados com músicas que não nos aproximam de Deus, mas nos ferem?

Eu suplico ao meu Deus que nos abra os olhos para que vejamos o perigo que nos está rondando e o engano que Satanás está tentando introduzir em nosso meio, de forma sutil, lenta e gradual. A profecia diz que haveria muitos gritos, música e dança, mas a pergunta que cada filho de Deus precisa fazer é: Serei eu o cumpridor dessa profecia? Note o alerta feito por Deus: “Essas coisas que aconteceram no passado hão de ocorrer no futuro. Satanás fará da música um laço pela maneira como é dirigida” (Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 38. A profecia, feita há mais de cem anos, é mais um indício de que estamos vivendo no fim da história deste mundo. A profecia esta aí, mas quem a cumprirá?

Espero que nenhum de nós seja o cumpridor dessa triste profecia, mas que nossas músicas nos cultos tenham um único objetivo, que é o de exaltar ao nosso Criador; que todos os que receberam de Deus o dom de cantar usem-no somente para engrandecer ao Doador da voz e ao Criador da música; que Ele seja o único a ser louvado com as músicas apresentadas, e que os espectadores possam, ao término da cada música, estar mais perto de Jesus; que a boa música prevaleça em todas as nossas reuniões campais, congressos e camporis. Onde o Senhor for adorado, que ali tenhamos sempre o melhor para o Melhor: Deus.

(Pastor Élbio Menezes, presidente da Associação Norte-Paranaense)

Nota: dias atrás, recebi o seguinte e-mail preocupante: “Em setembro, fui ao .........., para ouvir um musical. Eu estava muito empolgada e convidei duas visitas. Infelizmente, alguns cantores cantaram literalmente gritando! Isso é uma ofensa aos ouvidos! Um cantor gritou tanto que, no fim, a maior parte da platéia gritava exaltando-o! Juro que fiquei com medo e vergonha. As minhas visitas eram uma mulher de mais ou menos 45 anos e o filho, de 22 anos. No fim, ela saiu de lá com dor de cabeça e eu também. O filho dela disse que não se incomodou, pois ele estava acostumado a ir a shows de rock onde o pessoal grita muito também! Triste... muito triste mesmo! O que mais me deixa triste é que a direção [do evento] não fez nada para impedir um ‘show’ assim.”

Será que a profecia de um século não está começando a se cumprir em nossos dias?

Colostro contém anticorpos e vitaminas essenciais

O leite materno traz diversos benefícios para o bebê, que vão desde a prevenção de infecções até o aumento da imunidade. A maioria das pessoas reconhece os benefícios do leite materno, mas e o mel que sai antes? O valor do colostro, uma “vacina natural”, foi desprezado durantes séculos. Essa substância rica é produzida no final da gravidez e durante três dias após o parto. É quase invisível – muitas mães simplesmente têm de confiar que o estão produzindo. Quanto antes o bebê começar a sugar, melhor: por algumas horas depois do parto o colostro contém quantidades imensas de anticorpos. No primeiro dia, ele é abundante em ácidos graxos, fatores de crescimento, vitaminas e zinco; aumenta as defesas imunológicas e tem propriedades antiinfecciosas, além de ser particularmente rico em vitamina A, que suplementa as baixas reservas do fígado do recém-nascido. Porém, essa potência tem vida curta: à medida que o leite substitui o colostro, as células protetoras passam de milhões para milhares. A tribo gusii, do Quênia, valoriza o colostro, pois, segundo dizem, ele “engorda a criança”. ...

Além dos benefícios físicos para o bebê, a mãe também se beneficia com o aleitamento desde o início. Para dar certo, a amamentação deve ser “treinada” antes de o leite começar a fluir. Algumas mães são encorajadas a dar mamadeira para manter a taxa de glicose alta. Entretanto, é perfeitamente normal que o recém-nascido tenha pouca glicose no sangue durante algumas horas depois de nascer – a amamentação freqüente logo equilibra tudo. Mantenha o bebê por perto, dê a ele bastante contato corporal. Tente limitar o número de visitas até você se acostumar a amamentar o bebê.

(Folha Online)

Nota: ajuste perfeito entre as carências do bebê e os benefícios do leite materno. Como e de que forma esse coquetel da saúde foi ajustado para satisfazer as necessidades do recém-nascido? O colostro é rico em vitamina A que é exatamente o que o bebê necessita por ter inicialmente baixas reservas dessa vitamina. É uma vacina natural e beneficia a própria mãe. Se já é difícil, do ponto de vista darwinista, dar uma resposta para a origem da reprodução sexuada, imagine explicar o surgimento não planejado do colostro...[MB]

“Marx nunca teve tanta razão”, afirma Saramago

O escritor português José Saramago afirmou na segunda-feira que Karl Marx “nunca teve tanta razão como agora”, sobre a atual crise do sistema capitalista. O escritor fez a declaração em uma entrevista coletiva sobre o lançamento do filme “Ensaio sobre a cegueira”, de Fernando Meirelles, em Lisboa.

“Onde estava todo esse dinheiro [desbloqueado para resgatar os bancos]? Estava muito bem guardado. Logo apareceu, de repente, para salvar o quê? Vidas? Não, os bancos”, declarou o prêmio Nobel de Literatura de 1998.

“Marx nunca teve tanta razão como agora”, ressaltou José Saramago, acrescentando que “as piores conseqüências ainda não se manifestaram”.

Ao ser ouvido sobre o vínculo entre o tema de seu romance e a crise financeira, o escritor respondeu que “sempre estamos mais ou menos cegos, sobretudo, para o fundamental”.

(Folha Online)

quinta-feira, outubro 30, 2008

Crise de recursos naturais: pior que a das bolsas

O relatório "Living Planet", feito pela Ong WWF, revelou que o mundo está caminhando para uma "contração ecológica do crédito", que seria bem pior do que a atual crise financeira. Isso porque a humanidade está utilizando em excesso os recursos naturais do planeta. De acordo com o relatório, a população mundial está utilizando 30% a mais de recursos a cada ano do que a Terra é capaz de repor. Isso está levando ao desmatamento, à degradação dos solos, à poluição do ar e da água e a um declínio acentuado do número de peixes e de outras espécies.

Segundo a WWF, a cada ano há um déficit ecológico estimado entre US$ 4 trilhões e US$ 4,5 trilhões - o dobro do prejuízo previsto pelas instituições financeiras mundiais para a atual crise do crédito. Este número é baseado em um relatório da ONU que calculou o valor econômico dos ecossistemas destruídos todos os anos.

(Opinião e Notícia)

Nota: de qualquer forma (crise ecológica ou financeira), estão aí duas boas desculpas para se colocar em operação a engenharia social e reforçar o "espírito de manada". A "Mãe Terra" precisa de um dia para descansar. E logo ele será imposto.[MB]

Alcoolismo começa cada vez mais cedo

Pessoas que começam a beber cedo, na adolescência, estão se tornando alcoólatras também cada vez mais cedo, por volta dos 30 anos de idade. Três décadas atrás o vício acometia bebedores mais maduros, por volta da faixa dos 50 anos porque os jovens naquela época iniciavam o hábito de beber mais tarde do que as atuais gerações. É o que demonstra pesquisa do Centro de Referência em Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), da Secretaria Estadual da Saúde realizada de janeiro a setembro deste ano. O levantamento mostra que a maioria (41%) das pessoas que começou a beber na adolescência se tornou alcoólatra a partir dos 34 anos. Foram ouvidos 285 dependentes crônicos moradores da região central da capital atendidos pelos profissionais do serviço.

Segundo o levantamento, 41% dos 285 pacientes diagnosticados como alcoólatras, e que portanto passaram a fazer tratamento na unidade, tinham entre 34 e 44 anos. A grande maioria deles (89%) era homem. A faixa etária dos 45 aos 55 anos respondeu por 23% dos pacientes. Outros 18,2% tinham entre 23 e 33 anos.

(Yahoo notícias)

Colaboração: Thiago Leal

quarta-feira, outubro 29, 2008

Além da DOUTRINA do ancestral comum

Carl R. Woese, do Departamento de Microbiologia da Universidade de Illinóis, deixou escapar que há aspectos do darwinismo que estão mais para "religião". No artigo "On the evolution of cells", publicado na PNAS (PDF gratuito aqui), ele afirma: "Chegou a hora de irmos além da Doutrina do Ancestral Comum." Note que Woese não chamou a idéia do ancestral comum de hipótese, teoria ou modelo. Ele a chamou de DOUTRINA.

Depois o religioso sou eu...

Ciência inacreditável

Desde a década de 1950, a neutralidade da ciência passou a ser questionada. Afinal, se cada um de nós age em função de seus próprios pressupostos, por que excluir os cientistas dessa realidade, assumindo que sua atividade profissional deveria ser desempenhada com total isenção de conceitos pré-estabelecidos? Assim, encarar a ciência como produção humana motivada por conceitos a priori colocou em xeque alguns dos postulados científicos sustentados há décadas. Se o método científico se baseia em experimentação capaz de sintetizar determinado fenômeno em equações matemáticas, dentro de uma terminologia apropriada, o que fazer com aqueles conceitos da ciência que eram universalmente inquestionados, apesar de não se basearem em evidências inquestionáveis? [Leia mais]

Fórmula derruba teoria da formação das galáxias

A busca pelas verdades fundamentais, pelas explicações mais básicas, pelo entendimento dos mecanismos primordiais da natureza – mais do que o aspecto mais apaixonante da ciência, esta talvez seja a própria essência do modo científico de pensar. Normalmente, quando encontradas, essas explicações traduzem-se em fórmulas matemáticas. O exemplo mais conhecido é a famosa E = mc2, formulada por Einstein. Mas o que fazer quando se encontra uma fórmula matemática, capaz de expressar uma grandeza fundamental, e simplesmente não se sabe do que se trata essa grandeza?

Pois é justamente isso o que acaba de acontecer com os astrônomos que estudam a formação das galáxias. Da mesma forma que a vida, a existência das galáxias é um verdadeiro enigma – elas estão lá, mas como surgiram? A teoria atual estabelece que a gravidade de aglomerados maciços de matéria escura – algo que não sabemos exatamente o que seja – atraiu grandes quantidades de poeira e gases que se espalharam pelo Universo a partir do Big Bang. Ao se aglomerar em quantidades suficientes, as massas de matéria ordinária que se formaram giraram a chave da ignição da fusão nuclear, lançando os primeiros raios de luz no Universo.

Depois de formadas as estrelas, o processo teria prosseguido, aglomerando as próprias estrelas em galáxias pela atração gravitacional, a mesma atração que, ao longo de bilhões de anos, fez com que as galáxias nascentes engolissem as vizinhas ou se mesclassem, o que explica as enormes distâncias atualmente existentes entre elas.

É uma boa teoria, logicamente coesa e que faz sentido. O problema é que há exceções. E não são exceções distantes e longínquas. A nossa própria Via Láctea, como várias outras galáxias semelhantes, parece ser prematura, tendo nascido “cedo demais”, sem que houvesse transcorrido o tempo que essa teoria exige para que sua formação faça sentido.

Uma equipe de astrônomos, coordenada pelo professor Michael Disney, da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, resolveu então estudar as galáxias em busca de um elo perdido que pudesse explicar o que elas têm em comum. Ao encontrar essas características unificadoras, os cientistas acreditavam que poderiam descobrir uma regra geral que explicasse sua evolução e resolvesse o mistério da formação aparentemente precoce de algumas galáxias. E eles descobriram algo ainda mais surpreendente. Depois de analisar 200 galáxias, eles verificaram que elas diferem em virtualmente todas as suas características – tais como luminosidade, formato, tamanho e quantidade de gases.

Ocorre que todas essas características são reguladas por um único dado, um número, provavelmente uma quantidade. Se você medir uma das características de uma galáxia em particular, conseguirá calcular todas as outras propriedades fundamentais – luminosidade, formato, tamanho e quantidade de gases – usando esse parâmetro quase mágico.

Mas o que representa esse parâmetro agora descoberto? Bom, isso terá que ficar para o próximo capítulo, porque os cientistas simplesmente não sabem. Há uma verdade fundamental lá, uma solução simples e elegante, como eles gostam de dizer, mas que eles ainda não sabem explicar.

“O que mais nos surpreendeu foi a idéia de que uma população tão diversa é todavia controlada por um único parâmetro, ainda não identificado. Se você quer saber, isso atira toda a problemática teoria da formação das galáxias de volta na panela”, disse Disney à revista Science.

(Inovação Tecnológica)

Beleza cristalina


Esta microfotografia mostra um cristal de neve natural, que caiu na cidade de Burlington, nos Estados Unidos, e foi fotografado pelo físico Kenneth Libbrecht, do Instituto de Tecnologia da Califórnia.

O cristal de neve mede apenas 3 milímetros de ponta a ponta e se desenvolveu em várias camadas de gelo. Olhando com cuidado, é possível distinguir as quatro camadas que formam o cristal. Ao centro, a formação criou uma estrutura que lembra um olho.

Cristais de neve podem crescer em inúmeros formatos, dependendo principalmente da temperatura onde eles se cristalizam ou das variações de temperatura que eles sofrem à medida que cristalizam.

(Inovação Tecnológica)

O Capitão não é mais o mesmo

O Capitão América, velho personagem dos quadrinhos criado em 1940, não é mais o mesmo. O soldado Steve Rogers morreu misteriosamente no gibi e foi substituído por outra pessoa. Detalhe: o escudo vermelho e branco ainda está lá, mas agora o Capitão também usa revólver e faca. Um reflexo dos novos e violentos tempos? É o que acredita Fernando Lopes, editor-sênior das revistas da Marvel no Brasil. Veja o que ele disse à Folha de S. Paulo do dia 5 de maio de 2008: “A versão original do Capitão América era utópica: um homem que vai à guerra com um escudo e vence sem matar. É tudo o que os Estados Unidos queriam: ganhar uma guerra sem derramar sangue. ... Acho que essa visão mais agressiva pode estar relacionada, sim, com o momento atual dos EUA.”

Os quadrinhos de super-heróis via de regra refletem o momento histórico pelo qual passa a humanidade. Um Capitão América (símbolo norte-americano) mais violento e armado é um indicativo do caminho tomado por essa nação.

Tremor no Paquistão deixa pelo menos 160 mortos

Pelo menos 160 pessoas morreram em um terremoto de 6,4 graus na escala Ritcher na província do Baluquistão, no sudoeste do Paquistão. Os tremores foram sentidos a 70 km da cidade de Quetta, capital da província, às 4h09 (horário local) desta quarta-feira. O epicentro foi registrado a uma profundidade de 10 km, de acordo com o centro americano de monitoramento geológico US Geological Survey. Um alto funcionário da província do Baluquistão disse esperar que o número de mortos suba ainda mais.

Muitas casas foram destruídas pelo terremoto e outras sofreram danos por causa dos deslizamentos de terra que se seguiram ao tremor. Informações dão conta de que o governo da província pediu ajuda ao Exército e que tropas e helicópteros foram enviados à região. ...

A cidade de Quetta foi completamente destruída em um grande terremoto em 1935, que deixou cerca de 30 mil mortos. Outros 73 mil morreram em um terremoto no Paquistão em outubro de 2005.

(BBC Brasil)

Governo vai revisar “cartilha para profissionais do sexo"

O Ministério do Trabalho disse nesta terça-feira (28) que irá rever a cartilha sobre a profissão de prostituta, divulgada no site oficial do ministério. A profissão ganhou um código na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) há seis anos. A cartilha dá dicas de saúde e detalhes do passo a passo da prostituição: da abordagem à satisfação do cliente. As atribuições dos profissionais do sexo foram definidas em conjunto com associações de prostitutas.

No capítulo “Batalhar Programa” existem dicas de como “seduzir com o olhar”, “oferecer especialidades” e “elogiar o cliente” e, ainda, “fazer strip-tease”, “ajudar o cliente com carência afetiva” e “representar papéis”.

A riqueza de detalhes da cartilha preocupa o jurista Luiz Flávio Gomes. “O que está ali no site dá uma sensação de uma apologia ao delito de exploração da prostituição, portanto cabe ao Ministério Público, a quem nós temos que nos dirigir neste instante, pedir providências concretas e imediatas de ajustar os termos do que está dentro do site, para que ele não seja uma fonte estimulante de prostituição.” [Até que enfim alguém se deu conta dessa baixaria oficializada!] ...

O Ministério do Trabalho decidiu atualizar a cartilha e, com isso, pode rever alguns termos e expressões. Um novo documento já está sendo negociado com a comissão nacional que representa os profissionais do sexo e deve ficar pronto em janeiro do ano que vem. ...

(G1 Notícias)

Colaboração: Thiago Leal

terça-feira, outubro 28, 2008

Escavações podem confirmar minas do rei Salomão

A velha briga para determinar o que é fato e o que é lenda nos textos bíblicos acaba de passar por mais uma reviravolta - e quem saiu ganhando foi o glorioso reino de Salomão, filho de Davi, que teria governado os israelitas há 3.000 anos. Escavações na Jordânia sugerem que a extração de cobre em escala industrial no antigo reino de Edom - região que, segundo a Bíblia, teria sido vassala dos reis de Israel - coincide, em seu auge, com a época do filho de Davi. Em outras palavras: as célebres "minas do rei Salomão" podem ter existido do outro lado do rio Jordão. [Leia mais]

A ambivalência da mídia

“Hoje não há pensamento sem a mídia, mesmo a utopia democrática depende dela. Desde suas origens até hoje, de espelho do mundo, a mídia passou a moldar o mundo: as concepções de pensamentos, os comportamentos, os projetos, os afetos, os diagnósticos psicológicos e pedagógicos, tudo é pauta. Existe algo nela que vá além da aparência? Seria a mídia o pior de todos os instrumentos de produção de ambivalência na pós-modernidade?”

(Rubens Fernandes Junior é jornalista, doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, professor titular e diretor da Faculdade de Comunicação da Fundação Armando Álvares Penteado)

Nota: a nota que acabei de postar sobre astrologia/criacionismo é uma evidência disso.[MB]

Zodíaco chinês é esperança para John McCain

Há cerca de uma semana das eleições e, de acordo com pesquisas, Obama está na frente na corrida presidencial dos EUA com uma vantagem de oito pontos percentuais. McCain, no entanto, pode contar com uma previsão menos convencional: seu símbolo no zodíaco chinês. O republicano John McCain nasceu no ano do rato, assim como cinco ex-presidentes norte-americanos, incluindo George Washington e Jimmy Carter. Em contrapartida, Barack Obama foi precedido apenas por três ex-presidentes que nasceram no ano do boi, sendo que um deles, Gerald Ford, só assumiu o cargo após a renúncia de um presidente cujo símbolo era o rato. Os EUA também tiveram cinco presidentes que nasceram no ano do porco e outros cinco no ano da cobra.

(Opinião e Notícia)

Nota: essa notícia me fez lembrar de uma reportagem que foi ao ar no domingo, no programa Fantástico. O repórter se esforçou para dar ar de seriedade a uma matéria sobre as "previsões" dos "astros" para a Fórmula 1. Um astrólogo foi entrevistado e não disse nada com nada. Só (pra variar) fez "previsões" vagas. Lembro-me de uma vez em que o Pedro Bial torceu o nariz diante da câmera ao falar do criacionismo. Mas os apresentadores e repórteres raramente tratam com desdém esses prognosticadores que erram pra valer em suas previsões (pena que dificilmente os mesmos repórteres voltem a esses falsos profetas para conferir os resultados e só destaquem eventuais acertos). Essa parcialidade da mídia dá nos nervos.[MB]

Leia também: "Escrito nas estrelas?"

segunda-feira, outubro 27, 2008

Muito café pode diminuir os seios

Segundo o site da BBC Brasil, o consumo de café em excesso pode provocar diminuição no tamanho dos seios de algumas mulheres, afirma um estudo na Suécia. Tal diminuição ocorre por conta de uma variação genética que atinge, aproximadamente, metade das mulheres entre as que tomam três ou mais xícaras de café por dia e não usam pílulas anticoncepcionais. A pesquisa foi publicada na revista científica British Journal of Cancer, onde se pode ler que a mutação genética seria a responsável pela relação entre o consumo de café e o tamanho dos seios por afetar os hormônios femininos. Uma das explicações oferecidas pelos cientistas é de que o café contém estrogênios que afetariam diretamente o funcionamento dos hormônios das mulheres, causando um impacto no tamanho dos seios.

Para a coordenadora do estudo, Helena Jernstrom, da Universidade de Lund, na Suécia, "beber café pode ter um impacto grande no tamanho dos seios". No entanto, os pesquisadores alertam que as mulheres que bebem café não precisam se preocupar porque a diminuição não é repentina e não fará com que os seios percam todo o volume.

Os pesquisadores analisaram 300 mulheres que não tomavam pílulas anticoncepcionais e não tinham histórico de câncer. Entre elas, 50% possuíam a variante genética. Durante dez anos, essas mulheres responderam questionários periódicos sobre consumo de café, uso de contraceptivos e hábitos como o fumo, por exemplo.

Além disso, os pesquisadores mediram os níveis hormonais e o tamanho dos seios das mulheres. Os seios foram medidos como se fossem pirâmides - multiplicando o tamanho da base e das laterais para indicar o volume.

Ao fim da pesquisa, os cientistas puderam notar que as mulheres que tinham a variação genética e tomavam uma quantidade moderada ou alta de café (pelo menos três xícaras por dia) apresentaram uma diminuição no tamanho dos seios.

(Yahoo Notícias)

Colaboração: Thiago Leal

Visita à Igreja Adventista Nipo-Brasileira

No sábado, fui com minha esposa e filhas visitar a Igreja Adventista Nipo-Brasileira, em São Paulo. Preguei de manhã e apresentei palestra à tarde. Quando avistei tantos irmãos de origem japonesa e chinesa, me lembrei da reportagem de capa que escrevi para a Revista Adventista alguns anos atrás (“A toda tribo, língua e povo”), falando sobre o trabalho das igrejas adventistas étnicas no Brasil, como a Comunidade Árabe Aberta, a Comunidade Judaico-Adventista, a Igreja Adventista Coreana, a Igreja Hispana, e outras (qualquer hora publico o texto aqui).

A igreja nipo tem cerca de 100 membros que vivem como uma verdadeira família. Eles almoçam juntos no recinto da igreja todos os sábados. Cada família leva um prato especial e todos compartilham da refeição. É uma festa. O clube de desbravadores também realiza ali atividades de cunho espiritual no sábado à tarde. Das 28 crianças, apenas três são membros batizados. É um trabalho muito bonito, reconhecido pelos pais dos garotos e garotas, muitos dos quais se deslocam de bairros distantes para participar do clube.

Um detalhe que me chamou a atenção e até emocionou foi ver, após o almoço, um grupo de jovens se dirigir a um canto do terreno da igreja, debaixo de uma sombra, e animadamente estudar a Bíblia por algumas horas.

Havia muitas crianças ali e minhas filhas adoraram passar o sábado com elas. Foi realmente um dia especial. Uma antecipação da festa que será a volta de Jesus e o encontro com nossos irmãos de todo o planeta – e de todo o Universo!

Michelson

Experiência missionária em Ruanda

Simone Carvalho de Azevedo é formada em Relações Internacionais, trabalha como analista de projetos de cooperação internacional do British Council (BC), organização internacional do Reino Unido para oportunidades educacionais e relações culturais. Simone trabalhou na equipe de planejamento, implementação, monitoramento e avaliação de projetos de educação, governança/direitos humanos e mudanças climáticas. Relaciona-se principalmente com o MEC, MCT, Unesco, Consed, União Européia e embaixadas européias em Brasília. Ela fala fluentemente inglês, francês, espanhol, italiano, além do português; e entende “um pouco” de romeno, swahili e kinyaruanda. Teve algumas experiências missionárias marcantes, sobre as quais fala um pouco nesta entrevista. [Leia mais]

Candidato do medo

Chamado de Messias pelo líder radical muçulmano Louis Farrakhan e de Meu Jesus pela editora-chefe de um jornal universitário, Barack Hussein Obama informa: “Contrariamente ao que diz a opinião popular, não nasci numa manjedoura.” Já pensaram se ele não avisasse? Qualquer que seja o caso, pelo menos um milagre confirmado ele já fez: é o primeiro candidato presidencial que obtém o aplauso de todos os inimigos dos EUA sem que isso desperte contra ele a menor desconfiança do establishment americano. Entre seus entusiastas, contam-se o Hammas, o presidente iraniano Ahmadinejad, Muammar Khadafi, Fidel Castro, Hugo Chávez e o canal de TV Al-Jazeera. Imagino o que aconteceria à candidatura de Franklin D. Roosevelt em 1932 se ele recebesse o apoio ostensivo de Josef Stalin, Adolf Hitler e Benito Mussolini.

É verdade que Obama promete desmantelar o sistema de defesa espacial dos EUA, desacelerar unilateralmente o programa americano de pesquisas nucleares, transformar em derrota a vitória no Iraque, vetar a abertura de poços de petróleo e oferecer carteiras de motorista e assistência médica gratuita aos imigrantes ilegais, aquele povinho patriota que quer transformar o Texas e a Califórnia em estados mexicanos. Mas, se você insinua que qualquer dessas coisas é um bom motivo para os comunistas e radicais islâmicos gostarem dele, a mídia em peso diz que você “passou dos limites” e é virtualmente culpado de crime de ódio. ...

A partir do instante em que os republicanos, em vez de abrir mil processos como o de Philip Berg, aceitaram como adversário eleitoral legítimo e decente um candidato sem nacionalidade comprovada, com uma biografia nebulosa e repleta de mentiras flagrantes, ajudado e subsidiado pelos mais odientos inimigos do país, ficou claro que haviam abdicado de todo sentimento de honra e consentido em legitimar uma farsa. Se perderem as eleições, eles merecerão tantas lágrimas quanto aqueles que preferiram antes deixar Lula conquistar a presidência do Brasil do que contar o que sabiam sobre o Foro de São Paulo.

Quanto à campanha de Obama, seu perfil é claro. O amálgama de promessas utópicas, propaganda avassaladora, beatificação psicótica do líder, apelo racial, controle da mídia [a propósito, o New York Times já declarou seu apoio a Obama] e intimidação sistemática do eleitorado é idêntico nos mínimos detalhes à estratégia eleitoral de Hitler em 1933, mas para dizer isso em público – ou mesmo conscientizá-lo em voz baixa – é preciso mais coragem do que se pode esperar do eleitor médio hoje em dia.

(Olavo de Carvalho, Diário do Comércio)

Nota: Líder “messiânico”... Manipulador da mídia... Apoiado por “todos”... Com contornos de intimidação assemelhados aos do ditador nazista... Se ele vencer as eleições, o que poderá vir por aí?

Poetas adventistas

Muito da Bíblia é de natureza poética. Embora a poesia oriental tenha suas peculiaridades, o fato de que as Escrituras contêm tanta matéria poética inspira há muito os poetas ocidentais cristãos. Pense em grandes nomes da Literatura, como Dante e Milton; sem a influência das histórias bíblicas, esses e outros autores não teriam uma fonte de inspiração para suas grandiosas produções.

Quando falamos do Adventismo, verificamos que também esses cristãos, ao longo de sua existência, vêm compondo versos em homenagem Àquele que inspirou a Bíblia, o mais poético de todos os livros. Alguns dos poetas adventistas são bem conhecidos, como o casal Waldvogel (Isolina e Luiz). Outros se consagraram em outras atividades (como o apologista e ex-redator chefe da CPB, Arnaldo B. Christianini), sendo que sua produção poética ficou restrita a um público seleto.

Aliás, mesmo os vates mais prolíficos se encontram relegados às bibliotecas ou ao acervo de admiradores fiéis. Com o objetivo de preencher a necessidade de divulgar o que poetas denominacionais escreveram ao longo de mais de um século de Adventismo no Brasil, o Pr. Tercio Sarli organizou uma coletânea reproduzindo parte da obra de mais de 50 poetas – de Carlos A. Trezza a Joubert Perez, passando pelos laureados Moysés Nigri, Edith Teixeira, Albertina Simões e muitos outros. Poetas Adventistas do Brasil, publicado pela Certeza Editorial (certezaeditorial@terra.com.br), promete resgatar a memória da poesia adventista, além de fomentar a prática da escrita em versos, despertando jovens talentos.

Abaixo vai uma amostra dos poemas contidos no livro. Este é de autoria do Pr. Douglas Reis (também autor da postagem acima):

INESTINGUÍVEL MISTÉRIO

Quem seria capaz de explicar a razão
De Deus ter posto em risco os mundos não caídos
Quando deixou o Céu e à Própria condição,
Preferindo à canção de anjos nossos gemidos?

As marcas que Jesus exibe em cada mão,
De cravos em lugar de quem salvou sofridos,
Não doem como as marcas que em Seu coração
Existirão pela saudade dos perdidos.

Meu Salvador demonstra, ao optar por espinhos,
Riqueza que me faz questionar os valores
Sustentados por nossa escolha de caminhos:

Sendo que o orgulho ordena a todos que subamos,
Jesus desce e suporta agonias e dores,
Amando com amor tal que não lhe entendamos.

domingo, outubro 26, 2008

O Cético: nanomotores milenares

sábado, outubro 25, 2008

Justiça gaúcha condena Coca-Cola

A Coca-Cola foi condenada a pagar indenização por danos morais no valor de R$ 6 mil a dois consumidores que ingeriram a bebida e, depois, perceberam que havia um corpo estranho dentro da garrafa. Na ação, Rodrigo da Silva Machado e Luciane Santoni afirmaram que eram partes de um inseto, com "pequenas patas e massa cinzenta". Eles anexaram uma foto para comprovar a acusação. Segundo a Vonpar Refrescos, franqueada da Coca-Cola no Rio Grande do Sul e alvo da ação, uma perícia particular constatou tratar-se de um corpo vegetal.

Mesmo assim os magistrados do Tribunal de Justiça gaúcho condenaram a empresa porque a ingestão do produto defeituoso teria causado "abalo de ordem psíquica" aos consumidores. A decisão foi tomada pela Nona Câmara Cível da Corte no último dia 8 e ainda cabe recurso. ...

(O Globo)

Nota: Segundo o Jornal Online da Universidade de Coimbra, "os efeitos [da cafeína] são sentidos enquanto estiver presente na corrente sanguínea. A classificação entre não utilizadores, consumidores pontuais, consumidores regulares e consumidores impulsivos está diretamente ligada ao fato de, para além de causar dependência, a cafeína provocar o efeito de tolerância, pelo que progressivamente maiores doses dessa droga têm de ser ingeridas para atingir um mesmo efeito. Dores de cabeça, irritabilidade, cansaço e incapacidade de concentração são alguns dos sintomas provocados pela interrupção abrupta da ingestão de cafeína".

Do ponto de vista da saúde, a Coca-Cola já é um produto "defeituoso". A cafeína tem efeito comprovado sobre o sistema nervoso. Portanto, independentemente de haver ou não "corpo estranho" numa garrafa, seu conteúdo pode acarretar "abalo de ordem psíquica".

E já que foi a Justiça gaúcha que condenou a Coca-Cola, é bom lembrar o que diz o site do Imesc: "Erva mate - Nativa da América do Sul, contém, relativamente, uma grande quantidade de cafeína. É consumida principalmente como chá ou chá mate, ou chimarrão, bebida popular dos pampas, ou tererê, este aqui popular no Paraguai."

Cuidado com os "corpos estranhos" que podem causar "abalos psíquicos"![MB]

sexta-feira, outubro 24, 2008

Ei, você aí, me dá um dinheiro aí?

Vou fazer um slideshow para você. Está preparado? É comum, você já viu essas imagens antes. Quem sabe até já se acostumou com elas. Começa com aquelas crianças famintas da África. Aquelas com os ossos visíveis por baixo da pele. Aquelas com moscas nos olhos. Os slides se sucedem. Êxodos de populações inteiras. Gente faminta. Gente pobre. Gente sem futuro. Durante décadas, vimos essas imagens. No Discovery Channel, na National Geographic, nos concursos de foto. Algumas viraram até objetos de arte, em livros de fotógrafos renomados. São imagens de miséria que comovem. São imagens que criam plataformas de governo. Criam ONGs. Criam entidades. Criam movimentos sociais. A miséria pelo mundo, seja em Uganda ou no Ceará, na Índia ou em Bogotá sensibiliza. Ano após ano, discutiu-se o que fazer. Anos de pressão para sensibilizar uma infinidade de líderes que se sucederam nas nações mais poderosas do planeta. Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários para resolver o problema da fome no mundo. Resolver, capicce? Extinguir. Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em nenhum canto do planeta. Não sei como calcularam esse número. Mas digamos que esteja subestimado. Digamos que seja o dobro. Ou o triplo. Com 120 bilhões o mundo seria um lugar mais justo. Não houve passeata, discurso político ou filosófico ou foto que sensibilizasse. Não houve documentário, ONG, lobby ou pressão que resolvesse. Mas em uma semana, os mesmos líderes, as mesmas potências, tiraram da cartola 2,2 trilhões de dólares (700 bi nos EUA, 1,5 tri na Europa) para salvar da fome quem já estava de barriga cheia.

(Updateordie)

Colaboração: Renato Jungbluth

Nota: Isso me fez lembrar dos 80 mil dólares doados por ateus da Inglaterra para financiar sua campanha “Provavelmente Deus não existe. Então, pare de se preocupar e aproveite a vida”. Que dinheiro mais mal empregado...

Novo fóssil de possível elo réptil-ave

Cientistas chineses encontraram um fóssil de uma nova espécie que seria o elo da evolução dos dinossauros terrestres para as aves [sic], o Epidexipteryx hui, que era coberto de penas, mas não podia voar. A equipe de pesquisadores da Academia de Ciências da China explica hoje [22/10] na revista científica britânica Nature que a descoberta traz mais complexidade à história da evolução dos dinossauros para as aves e dá suporte à hipótese que a transição aconteceu a partir dos terópodes.

O estranho dinossauro com penas viveu na China entre os Jurássicos Médio e Superior e tem várias características do grupo dos terópodes, bípedes carnívoros. Este animal, do tamanho de uma pomba e que pesava cerca de 160 gramas, viveu pouco antes que o Archaeopteryx, considerado a ave mais antiga do mundo.

Muitas de suas características são as de uma ave, como dois pares de penas muito longas com o aspecto de laços que nasciam de sua pequena cauda.

Os cientistas, liderados por Fucheng Zhang, indicam, no entanto, que o Epidexipteryx hui não podia voar, pois tinha penas no contorno das extremidades.

(UOL)

Comentário do blog Desafiando a Nomenklatura Científica: A coisa realmente importante sobre este fóssil se encontra “enterrada” quase no fim do artigo da BBC: “Em primeiro lugar, enquanto outros dinossauros com penas datam após o surgimento da primeira ave conhecida, este fóssil parece ser mais próximo no tempo, abrindo assim uma nova janela sobre os eventos evolutivos na transição crítica dos dinossauros para as aves.”

O problema com a seqüência dromeossauro a dinossauro com penas a aves é que este fóssil aparece numa seqüência reversa quase que perfeita no registro fóssil. Este novo fóssil coloca um dinossauro com penas aparentemente antes da primeira ave, sendo assim uma grande notícia.

Este fóssil está abaixo do Archaeopteryx que geralmente é relatado como sendo do Jurássico Superior, e a primeira ave. Eu me pergunto se eles [os pesquisadores] não têm algo mais em suas mangas. Esta descoberta não será tão significativa se eles descobrirem somente aves com este fóssil. Na verdade, descobrir aves no estrato abaixo do Archaeopteryx seria, sem dúvida, uma grande manchete, e colocaria ainda mais em confusão as atuais teorias darwinistas sobre a evolução das aves.

O declínio do império americano

“Os Estados Unidos são uma potência hegemônica em declínio.” Essa frase não foi dita ontem por um analista econômico. Quem a disse foi um dos mais respeitados cientistas sociais, Immanuel Wallerstein, no livro O Declínio do Poder Americano (Contraponto, 2004). Ele continua: “Poucas pessoas acreditam nessa afirmação. Os únicos que acreditam são os ‘falcões’ dos Estados Unidos, que defendem políticas para inverter o declínio.”

Observador atento dos processos econômicos e culturais, Wallerstein já remava contra a opinião dominante de que os Estados Unidos navegavam sem medo por águas turbulentas. O poder nas mãos americanas ainda é grande, mas já é bem menor do que há cinqüenta anos. Os Estados Unidos cresceram vitaminados pelo monopólio comercial, pela pujança financeira e pela legitimação ideológica após duas grandes guerras (1914-18 e 1939-45), mas nos últimos anos sua economia enfrenta forte competição, sua agenda política é contestada até por antigos aliados e sua superioridade militar tem sido abalada por sucessivas derrotas (Vietnã, Somália) e por críticas ao intervencionismo (Nicarágua, Iraque).

A propalada conduta de excelência norte-americana nos campos do investimento em pesquisas acadêmicas, da liberdade de expressão e da eficiência produtiva tem sido sistematicamente contraposta pelo abandono da educação básica, pelo cerceamento do pensamento crítico e pela lucratividade exacerbada das megacorporações. Não é como se o rei agora estivesse nu, mas já se visualiza seus trapos de imundície e seus farrapos de lobo que estavam por baixo de seu traje de cordeiro a rigor.

O abalo no coração do sistema financeiro mundial, resultante do entupimento das artérias do mercado imobiliário e da ganância especulativa nas bolsas de valores, não é visto como crise passageira pelas análises mais sérias. Noam Chomsky, autor de O Império Americano, diz que “estamos caminhando em direção a uma grande depressão”; o economista John Williamson afirma que “a recessão nos EUA é inevitável”, e ainda que “estamos vendo as conseqüências do modo como os Estados Unidos vêm se comportando há anos”. Recém-premiado com o Nobel, o guru da economia Paul Krugman prevê que estamos “a um passo do derretimento econômico global”. Mais? O historiador Harold James, no jornal Financial Times, garante que “a crise americana não tem precedentes históricos”.

A crise recessiva de proporções mundiais estaria criando condições para o aparecimento de uma nova frente hegemônica? Seria a China? Os analistas se dividem, mas nem tanto. Enquanto alguns acreditam numa hegemonia oriental com a China na dianteira, outros consideram as muitas fraquezas chinesas. Ainda em 1999, Callum Henderson publicava o polêmico, revelando os mitos e a realidade do modelo “asiático”. O alto grau de endividamento doméstico e o irrestrito subsídio oficial a boa parte das empresas no vermelho também levaram o especialista Peter Cohan a afirmar que a China pode estar vivendo à beira da explosão de seu sistema.

Somem-se as perdas causadas pelo desastre ecológico advindas da industrialização veloz e o recente esfriamento do crescimento econômico e entende-se porque alguns analistas não enxergam a China como a próxima primeira-potência. Vale considerar sua falta de legitimidade moral diante de outros países, que geralmente é conquistada por meio da exportação do estilo de vida – mas a China importa a cultura ocidental seja pelo modelo musical ou pela penetração do cristianismo e da corrente ideológica. Segundo Robert Solow, premio Nobel de economia do MIT, “a China por não ser democrática, consegue manter uma enorme população rural em situação de extrema pobreza, salários baixos e uma disciplinada força de trabalho”.

O historiador Boris Fausto diz que os olhos do mundo ainda se dirigem esperançosamente para os Estados Unidos, na expectativa de que a crise mundial, e por tabela o declínio americano, sejam revertidos. Noam Chomsky ainda vê os Estados Unidos, e o clube das nações dominantes (o G7), como os principais engenheiros da reforma do sistema, em que o capitalismo de Estado exercerá maior “regulação e controle sobre instituições financeiras”.

Ainda se dirá que não é a primeira vez que se põe a hegemonia americana em xeque e que a conjuntura religiosa é normal. Porém, durante a crise de 1873 e na depressão de 1929, o Vaticano desempenhava um papel mundialmente pouco relevante; durante os colapsos financeiros dos anos 1970 e 1980, já ocorria uma notável conjunção entre Estado e religião (observado nas viagens papais e nas nações islâmicas), mas a polarização ideológica capitalismo/comunismo mal permitia os acordos econômicos mundiais. Atualmente, a iminente recessão econômica global requer ações coordenadas globais, levando os países a compromissos que exigem uma ética igualitária nas relações comerciais e diplomáticas.

Cada vez mais o cenário profético de declínio moral e financeiro e de busca de entendimento mundial se observa por meio dos abalos nos sistemas políticos e econômicos e no estabelecimento de paradigmas globais como a ecologia e a ética. Deus não deixou suas criaturas sem uma guia clarividente através da história. Sua Palavra revela-se o nosso norte. A interpretação dos Seus profetas, nossa confirmação de que o planeta se dirige para os eventos finais.

“Não olhemos para trás com ódio, nem para frente com temor; mas, ao redor, com atenção” (J. Thurber).

(Joêzer Mendonça, editor do blog Nota na Pauta)

Leia também: "O fim da democracia norte-americana: a imprensa leva a culpa"

quinta-feira, outubro 23, 2008

Da concepção ao nascimento

No domingo passado, no Fantástico, o Dr. Dráuzio Varela abordou o tema atração sexual e gravidez. A reportagem começou informando que a atração sexual também depende do nariz, pois ele detecta a “compatibilidade genética” por meio dos feromônios. Segundo a matéria, essa substância carrega informações detalhadas sobre genes, saúde e capacidade de resistir a doenças. Depois, Varela descreveu a “química da paixão”, explicando que uma descarga de adrenalina ocorre quando vemos a pessoa amada, e isso faz o coração bater acelerado e dilata a pupila. Em seguida, a dopamina, um neurotransmissor que causa o bem estar, leva a euforia. A dependência desse coquetel químico nos faz querer ficar mais tempo perto da pessoa amada.

Com o tempo, o casal deseja algo mais duradouro: o casamento. Segundo o médico, um bom relacionamento existirá apenas se a química (entre outros fatores) for favorável. O sexo causa encantamento e reforça a relação. Durante a relação sexual é liberado o hormônio oxitocina, que aumenta a afetividade e os laços entre o casal. Ele é importante também para a sobrevivência do feto e na produção do leite materno.

Com imagens do interior do corpo humano e recursos 3D, a reportagem prosseguiu descrevendo a maravilha da concepção. Explicou que o óvulo é a maior célula humana, ao passo que o espermatozóide é a menor. Cerca de 300 milhões deles são expelidos em cada ejaculação. Na vagina, a missão deles não é fácil, pois têm que sobreviver às condições hostis ácidas do ambiente. Milhões de espermatozóides são destruídos ali. Os mais fortes que sobrevivem e chegam ao colo do útero são beneficiados por suaves contrações musculares. Apenas uns poucos milhões chegam perto do óvulo e um único espermatozóide o fertiliza: o mais preparado e saudável. Um verdadeiro controle de qualidade.

Por fora a gravidez é inicialmente imperceptível. Em 40 semanas, uma única célula se especializa em diferentes tipos de células, tecidos, órgãos... e se transforma em um bebê.

Através de uma membrana, a mãe passa os nutrientes para o bebê. Ele ganha mais de 850g em 10 semanas. O útero aumenta muito para poder abrigar o feto. O corpo materno tem que se reorganizar para poder abrigar o bebê em crescimento. Os órgãos são rearranjados: eles ficam apertados nas costas ou pressionados contra o tórax. Eles também têm que trabalhar em dobro, como os pulmões e coração.

Os músculos das costas relaxam e se curvam. O estomago gira e é “esmagado”. A mãe consegue comer pouco a cada vez, mesmo que o bebê esteja exigindo dela muito mais nutrientes do que antes.

Depois de nove meses (em média) um bebê de mais de três quilos vai ser expulso. A musculatura pélvica relaxa e o corpo do bebê gira para passar pelos ossos da bacia da mãe.

A reportagem deixou claro que a concepção, gestação e nascimento de uma nova vida depende de uma série de fatores que deveriam funcionar corretamente desde o início ou, do contrário, o primeiro bebê jamais teria vindo ao mundo. É um processo que precisou ser inteligentemente planejado para funcionar corretamente já na primeira vez. Alguns dias atrás, citei o livro Crer Para Ver: “Parece ser muito mais fácil se acreditar em um Deus que criou homem e mulher do que em uma mutação simultânea que produziu um macho e uma fêmea humanos em uma mesma geração, em um mesmo local.” Já é difícil explicar o surgimento simultâneo de dois sexos totalmente compatíveis. Agora imagine explicar pela ótica darwinista a origem casual e por etapas sucessivas do complexo processo da concepção e da gravidez...

E o Dr. Dráuzio é darwinista e ateu...

“Filme é muito mais do que simples distração”

Quem nunca se surpreendeu ao se ver irado na sala de cinema, torcendo pelo castigo do vilão? E quem nunca se debulhou em lágrimas quando, finalmente, a mocinha conseguiu se casar com o mocinho no final da trama? Você já teve a estranha sensação de que a história contada nas telas de cinema retratava alguns dilemas da sua vida? O fato de nos emocionarmos com a trama retratada nas telas é extremamente comum e, atualmente, o cinema é visto pelos psicólogos como um importante instrumento no estudo das emoções e tem sido adotado com um auxílio no estudo da psicoterapia. ...

O princípio da cinematerapia foi inspirado no teatro grego que, por meio da representação dramática, é capaz de proporcionar uma espécie de libertação emocional. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a catarse é o processo no qual o espectador sofre uma descarga de desordens emocionais obtidas através da jornada do herói nas telas e liberta-se de seus conflitos pessoais, revivendo suas experiências e atingindo um estado de tranqüilidade perante a vida.

Para o doutor em psicologia Jacob Goldberg, autor do livro Psicologia em Curta-metragem, assistir a um filme é muito mais do que uma simples distração. Na obra, o autor faz uma análise comportamental de diversos filmes, como Matrix, Dois Filhos de Francisco, O Segredo de Brokeback Mountain, Meu Nome Não é Johnny e Tropa de Elite.

Goldberg afirma que, ao assistir a uma história contada por meio de um filme, o telespectador deixa o seu mundo repleto de problemas pessoais para viver uma outra realidade, navegando por meio de novas emoções. Desta forma, as pessoas acabam incorporando um personagem em seu dia-a-dia e seguem um roteiro inconscientemente, passando a ser atores de sua própria história. Todo mundo constrói seu filme e ninguém consegue escapar do script, afirma do psicoterapeuta. ...

(Yahoo)

Colaboração: Francis Giovanella Valle

Nota: Taí mais um motivo para sermos criteriosos quanto aos filmes a que assistimos e as influências a que nos submetemos. Não deixe de conferir a lista de bons filmes aqui no blog.

Mais filosofia, menos religião?

Chamamos de idealistas aqueles que aspiram a uma sociedade utópica, acreditando na boa vontade inerente aos homens. Talvez a caracterização sirva como uma luva para o filósofo e best-seller Luc Ferry. Ele é o entrevistado da revista Veja desta semana. Em seu livro Famílias, Amo Vocês, que chegou ao Brasil, o autor francês propõe que a família preencha na atualidade o requisito de único bem sagrado. Apesar de interessante, a definição do autor sobre o que seja sagrado (“algo pelo qual vale a pena morrer”) tem sua aplicação restringida às relações familiares. Para Ferry, ocorreu a sacralização do gênero humano, porque todos nós “arriscaríamos a vida” por “aqueles próximos de nós: a família, os amigos e, em um número bem menor, pessoas mais distantes que nos causam grande comoção”, ao contrário de outros tempos, quando se dava a vida em nome da Religião ou do Estado. [Leia mais]

quarta-feira, outubro 22, 2008

"Ateus missionários" fazem campanha

Alguns ônibus de Londres poderão levar, a partir de janeiro, pôsteres com um slogan pouco comum: "Provavelmente, Deus não existe." A campanha ateísta é da British Humanist Association (BHA, na sigla em inglês) e tem o apoio do acadêmico britânico Richard Dawkins, autor do livro Deus, um Delírio e conhecido pelos seus documentários questionando o papel das religiões. O objetivo da BHA com a campanha é "promover o ateísmo na Grã-Bretanha, encorajar mais ateístas a assumirem publicamente a sua posição e elevar o astral das pessoas a caminho do trabalho".

Com o dinheiro levantado em doações, o grupo quer colocar pôsteres em dois grupos de 30 ônibus por quatro semanas.

O slogan completo diz: "There's probably no God. Now stop worrying and enjoy your life" ("Provavelmente, Deus não existe. Agora, pare de se preocupar e curta a vida", em tradução livre).

"Nós vemos tantos pôsteres divulgando a salvação através de Jesus ou nos ameaçando com condenação eterna, que eu tenho certeza que essa campanha será vista como um sopro de ar fresco", disse Hanne Stinson, presidente da BHA. "Se fizer com que as pessoas sorriam, além de pensar, melhor", concluiu.

Como os organizadores conseguiram arrecadar mais do que planejavam, eles pretendem colocar os pôsteres também do lado de dentro dos ônibus.

A BHA também estuda a possibilidade de estender a campanha para outras cidades, incluindo Birmingham e Manchester, na Inglaterra, e Edimburgo, na Escócia.

"A religião está acostumada a usufruir de benefícios tributários, respeito não merecido, o direito de não ser ofendida e o direito de fazer lavagem cerebral nas crianças", disse Dawkins. "Mesmo nos ônibus, ninguém pensa duas vezes quando vê um slogan religioso. Esta campanha fará com que as pessoas pensem - e pensar é um anátema perante a religião", completou.

Mas Stephen Green, da organização Christian Voice (Voz Cristã, em uma tradução livre), disse que "ficará surpreso se uma campanha como essa não atrair pichação". "As pessoas não gostam de receber sermão. Às vezes, é bom para elas, mas, ainda assim, elas não gostam", afirmou.

No entanto, a Igreja Metodista agradeceu Dawkins por incentivar um "interesse constante em Deus". "Esta campanha será uma coisa boa se fizer com que as pessoas pensem nas questões mais profundas na vida", disse Jenny Ellis, reverenda metodista. "O Cristianismo é para pessoas que não têm medo de pensar sobre a vida e seu significado", completou a religiosa.

(G1 Notícias)

Nota: Dawkins precisa decidir se, afinal, Deus é um delírio ou se Ele provavelmente não existe. De qualquer forma, esse pessoal confirma o que nega: as profecias bíblicas. "Contudo quando vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?" (Lucas 18:8).

Chile discute projeto sobre descanso dominical

Establecer el descanso dominical como obligatorio para los trabajadores, fundamentalmente los del comercio y servicios, es el objetivo central del proyecto del senador Juan Pablo Letelier (foto), que comenzó a ser estudiado por la Comisión de Trabajo del Senado, que preside el senador Andrés Allamand. En la primera sesión dedicada a la iniciativa, el ministro del Trabajo, Osvaldo Andrade, y los representantes de la Confederación de Trabajadores del Comercio y Servicios, dieron conocer su opinión sobre la propuesta parlamentaria que apunta a establecer dicho descanso como un derecho irrenunciable del trabajador.

Según explicó el representante de la agrupación de trabajadores, Leandro Cortez –quien estuvo acompañado por las dirigentes Teresa Riquelme, Margarita Moraga, Sara León y Gloria Galarce - “este proyecto apunta a consolidar el tiempo familiar, porque una de las crisis que se vive en el comercio, es que justamente no hay tiempo para la vida familiar”.

El dirigente señaló que se estima que el 40% de los trabajadores está separado o divorciado y que incluso algunos caen en la drogadicción, debido a la carga laboral a la que se ven sometidos.

“Creemos que al legislar sobre el descanso dominical, vamos a poder tener tiempo para disfrutar una vida familiar y que la familia pueda aspirar a cosas tan básicas como pasear o ir al cine. Cosas que en esta sociedad tan consumista se han perdido”, sentenció Cortez.

Por su parte el senador Allamand explicó que le solicitó formalmente al Ministro Andrade que el Ejecutivo considerara un proyecto que presentó junto a otros senadores de la Alianza y que apunta a aumentar las remuneraciones de quienes trabajen los días domingos.

“Hay dos propuestas arriba de la mesa. Una es la del senador Letelier que está destinada fundamentalmente al comercio, en orden a que no haya trabajo los días domingos, lo que significaría cerrar todos los mall el día domingo. Y está la que presentamos el año pasado, para aumentar la remuneración de quienes trabajen el día domingo”, explicó el parlamentario. ...

Creemos que es importante volver a establecer la obligatoriedad del descanso semanal, salvo sólo los casos que establezca la ley y aquellas en que se presten servicios que cubran necesidades básicas para la comunidad”, explicó el senador Letelier.

Esto, precisó, porque el día domingo es un día descanso para gran parte de la sociedad, que puede ser dedicado o utilizado en actividades de carácter familiar, esparcimiento y descanso.

(Senado República do Chile)

Nota: Quer seja para "salvar" a natureza do aquecimento global ou a família da desagregação, uma coisa é certa: o caminho para a imposição do descanso dominical no mundo está cada vez mais fácil. Enquanto isso, a Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Brasil reluta em aprovar uma lei que beneficia os guardadores do sábado. Dias piores virão - para o segundo grupo.[MB]

Leia também: "Querem impor o 'dia da família'"

Senado discute projeto sobre concursos aos sábados

O Projeto de Lei do Senado 261/04, que proíbe a realização de vestibulares e concursos públicos aos sábados, dividiu as opiniões dos convidados para audiência pública sobre o tema realizada nesta quarta-feira (22) pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE). Os que defendem a proposta, apresentada pela então senadora Ana Júlia Carepa, recordaram o princípio da liberdade religiosa. Os contrários lembraram dificuldades práticas para implantar a proibição.

O principal defensor do projeto foi o assessor jurídico da Igreja Adventista do Sétimo Dia, Alcides Coimbra. Em defesa da proposta, ele recordou a existência, na Constituição, do princípio da objeção de consciência. E citou como exemplo a prestação, já regulamentada, de atividades alternativas ao serviço militar obrigatório por aqueles que se recusam a cumpri-lo por questão de consciência.

Coimbra disse não concordar apenas com a proibição da realização aos sábados de vestibulares e concursos. Em sua opinião, deveria se estabelecer, também nesse caso, uma solução alternativa. O assessor recordou ainda, "sem nenhum preconceito", que sete, dos 11 feriados nacionais de 2008, são de natureza religiosa. "Não se pede privilégio, mas prestação alternativa", afirmou Coimbra.

O diretor-executivo da Confederação Israelita do Brasil, Luiz Sérgio Steinecke, lembrou que os judeus - especialmente os "mais observantes" - não poderiam exercer nenhum tipo de trabalho aos sábados. Mesmo assim, muitas vezes precisam, por exemplo, freqüentar aulas aos sábados. Ele considerou o projeto "interessante", mas disse ser contrário a regras muito rígidas, como o horário estabelecido na proposta para a proibição da realização dos exames.

O projeto foi elogiado pelo presidente do Sistema Universal de Comunicações e Relações Institucionais da Igreja Universal do Reino de Deus, Jerônimo Alves Ferreira. "Em nome de minha instituição, desejo manifestar meu apoio a esse projeto. Nosso país tem avançado e respeitado a pluralidade religiosa", disse Ferreira.

Após observar que o vestibular é o principal processo seletivo para o acesso às universidades, o assessor jurídico da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação, Daniel Pitangueiras Avelino, disse já existir um parecer do Conselho Federal da Educação que isenta de amparo legal o abono de falta a candidatos que se ausentem de exames por convicção religiosa.

Por sua vez, o advogado Hugo Sarubbi, da Associação Nacional de Educação Católica do Brasil, ponderou que existem dificuldades para colocar em prática a proibição prevista no projeto. Ele questionou como se poderia permitir que um grupo de candidatos faça o mesmo exame que os demais candidatos em data diferente.

"Nossa postura não tem viés religioso. Mas essa fórmula não resolverá o problema, causará outros problemas e é vulnerável a qualquer exame de constitucionalidade. Existe ainda o argumento do risco da ditadura das minorias. A exceção não pode ser a regra", advertiu Sarubbi.

(Agência Senado)

Crise expõe perigo de fortalecimento da direita

O britânico Eric Hobsbawm, considerado um dos historiadores mais influentes do século 20, disse à BBC nesta terça-feira que o maior perigo da atual crise financeira mundial é o fortalecimento da direita. “A esquerda está virtualmente ausente. Assim, me parece que o principal beneficiário deste descontentamento atual, com uma possível exceção – pelo menos eu espero – nos Estados Unidos, será a direita”, disse Hobsbawn, em entrevista à Rádio 4. O historiador marxista comparou o atual momento “ao dramático colapso da União Soviética” e ao fim de “uma era específica”.

“Agora sabemos que estamos no fim de uma era e não se sabe o que virá pela frente.”
Hobsbawn diz não acreditar que a linguagem marxista, que lhe serviu de norte ao longo de toda sua carreira, será proeminente politicamente, mas intelectualmente, “a análise marxista sobre a forma com a qual o capitalismo opera será verdadeiramente importante”. Abaixo, os principais trechos da entrevista:

Muitos consideram o que está acontecendo como uma volta ao estadismo e até do socialismo. O senhor concorda?

Bem, certamente estamos vivendo a crise mais grave do capitalismo desde a década de 30. Lembro-me de um título recente do Financial Times que dizia: “O capitalismo em convulsão.” Há muito tempo não lia um título como esse no FT. Agora, acredito que esta crise está sendo mais dramática por causa dos mais de 30 anos de uma certa ideologia “teológica” do livre mercado, que todos os governos do Ocidente seguiram. Porque como Marx, Engels e Schumpter previram, a globalização – que está implícita no capitalismo –, não apenas destrói uma herança de tradição como também é incrivelmente instável: opera por meio de uma série de crises. E o que está acontecendo agora está sendo reconhecido como o fim de uma era específica. Sem dúvida, a partir de agora falaremos mais de (John Maynard) Keynes e menos de (Milton) Friedman e (Friedrich) Hayek. Todos concordam que, de uma forma ou de outra, o Estado terá um papel maior na economia daqui por diante.

Qualquer que seja o papel que os governos venham a assumir, será um empreendimento público de ação e iniciativa, que será algo que orientará, organizará e dirigirá também a economia privada. Será muito mais uma economia mista do que tem sido até agora. ...

O senhor ... estava na Alemanha quando Adolf Hitler chegou ao poder. O senhor acredita que algo parecido poderia acontecer como conseqüência dos problemas atuais?

Nos anos 30, o claro efeito político da Grande Depressão a curto prazo foi o fortalecimento da direita. A esquerda não foi forte até a chegada da guerra. Então, eu acredito que este é o principal perigo. Depois da guerra, a esquerda esteve presente em várias partes da Europa, inclusive na Inglaterra, com o Partido Trabalhista, mas hoje isso já não acontece. A esquerda está virtualmente ausente, Assim, me parece que o principal beneficiário deste descontentamento atual, com uma possível exceção – pelo menos eu espero – nos Estados Unidos, será a direita.

O que vemos agora não é o equivalente à queda da União Soviética para a direita? Os desafios intelectuais que isto implica para o capitalismo e o livre mercado são tão profundos como os desafios enfrentados pela direita em 1989?

Sim, concordo. Acredito que esta crise é equivalente ao dramático colapso da União Soviética. Agora sabemos que acabou uma era. Não sabemos o que virá pela frente. Temos um problema intelectual: estávamos acostumados a pensar até então que havia apenas duas alternativas: ou o livre mercado ou o socialismo. Mas, na realidade, há muito poucos exemplos de um caso completo de laboratório de cada uma dessas ideologias. Então eu acho que teremos de deixar de pensar em uma ou em outra e devemos pensar na natureza da mescla. E principalmente até que ponto esta mistura será motivada pela consciência do modelo socialista e das conseqüências sociais do que está acontecendo.

O senhor acredita que regressaremos à linguagem do marxismo?

Desde a crise dos anos 90, são os homens de negócio que começaram a falar assim: “Bem, Marx predisse esta globalização e podemos pensar que este capitalismo está fundamentado em uma série de crises.” Não acredito que a linguagem marxista será proeminente politicamente, mas intelectualmente a natureza da análise marxista sobre a forma com a qual o capitalismo opera será verdadeiramente importante. ...

(Estadão)

Colaboração: Fernando Machado

Leia também: "Governo autoriza bancos públicos a estatizarem instituições financeiras privadas"

Nota: Uma igreja hegemônica e um Estado forte fazem parte do panorama profético pintado no Apocalipse.

terça-feira, outubro 21, 2008

A intolerância dos centros do “pensamento livre”

Deu no blog do professor Orlando Tambosi: “Em boa parte de suas áreas, as universidades estão mais próximas das ideologias que do conhecimento, notadamente o científico. Não é raro o ressentimento contra as ciências naturais, um instrumento que se revelou poderoso tanto na acumulação quanto na aplicação do conhecimento. Essas ideologias estão a serviço de causas e partidos que a história já rechaçou, mas ainda habitam mentes pouco inquietas e mais afeitas ao dogmatismo.

“Não bastasse o que vem da política, agora surgem também tentativas de fazer da universidade espaço para discussão de pseudociências com base em visões fundamentalistas das religiões. É o caso do criacionismo – defendido particularmente por fundamentalistas cristãos nos EUA –, inimigo ferrenho da teoria da evolução. Aos poucos, o criacionismo penetra também no Brasil. Na USP de São Carlos, por exemplo, está prevista para [16/10] uma palestra em defesa da última versão do velhíssimo argumento teleológico, a ‘teoria do Design Inteligente’.

“Isto gerou, justamente, reação por parte dos cientistas. A propósito, recebi duas correspondências – entregues às autoridades universitárias – que me foram enviadas pelo professor Marco Antônio Batalha, do Departamento de Botânica da Ufscar, e que reproduzo abaixo, na íntegra. ...”

Fui aluno do professor Tambosi, quando cursei Jornalismo na UFSC, nos idos anos 90. Na época, cheguei a fazer um trabalho sobre criacionismo (datilografado em laudas e devolvido por ele) como um dos requisitos para a disciplina dele. Tirei nota razoável e ele não teceu comentário algum sobre o conteúdo. Não sei se essa postura belicosa dele em relação aos criacionistas se fortaleceu de lá para cá (espero que não por minha causa...) ou se ele apenas quis ser tolerante com um calouro cristão. O fato é que, com todo respeito ao meu ex-professor (de quem sempre apreciei as aulas), ateus também podem ser exageradamente fundamentalistas (ex.: “o devoto de Darwin” [Veja], Richard Dawkins) e igualmente se valem de argumentos “velhíssimos” (mesmo em fase de revisão não divulgada) para defender sua visão darwinista filosófico-naturalista.

O foco de toda a discórdia e exasperação darwinista/atéia é a tentativa de se debater o criacionismo nos campi universitários. Curiosa essa resistência rabiosa. Lembro-me de que nos tempos de faculdade volta e meia via um cartaz de divulgação de palestras de um mestre hindu, astrólogo ou de algum “guru” da medicina alternativa, ou coisa que o valha. Nunca ouvi alguém questionar o fato de um campus secular abrigar esse tipo de gente e assunto. Mas criacionismo, não. Esse é “pseudociência”.

Na carta reproduzida no blog do professor Tambosi, o professor Batalha reclama de o Instituto de Física de São Carlos (IFSC) ter abrigado palestra do físico criacionista Adauto Lourenço e afirma que “tentativas como esta são um retrocesso a um passado distante, onde o homem atribuía fenômenos físicos naturais, como uma tempestade ou um eclipse, a um castigo divino e não a fenômenos físicos hoje elucidados”. Batalha bate num espantalho, ou seja, ataca uma religião há muito superada, coisa que alguns ex-ateus já perceberam (confira aqui).

Ao contrário do que o Sr. Batalha e outros afirmam, a Teoria do Design Inteligente (TDI) não é sinônimo de Criacionismo, e chega a abrigar em suas fileiras até mesmo agnósticos e ateus como David Berlinski. Na verdade, a idéia é blindar o darwinismo de qualquer discussão e a melhor maneira de se conseguir isso é associando à TDI o preconceito já infelizmente e sedimentado contra o Criacionismo.

Calar seres pensantes e discordantes, não lhes dando acesso à “grande imprensa” (postura adotada pelo Marcelo Leite, da Folha, por exemplo) e impedi-los de falar nos centros que deveriam ser universitários (de saberes universais) não é novidade em nosso país. Algumas universidades já impediram o Dr. Marcos Eberlin (a despeito do currículo e da importância dele como cientista) de falar sobre o design inteligente (isso que nem criacionismo era...), e eu mesmo já senti na “pele” a hostilidade que pode se levantar quando se questiona o pensamento darwinista. No ano passado, “maculei” o “templo sagrado” do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS) da Ufscar, quando fui convidado pela pós-graduação em Fisioterapia para falar sobre criacionismo e as razões filosóficas que embasam o teísmo. O convite me foi feito pela Dra. Eloísa Tudella. Ambos fomos hostilizados por palavras e em e-mails que foram parar até mesmo no MEC. Isso tudo a despeito do fato de termos sido rigorosamente educados e abertos ao diálogo em nossa exposição do assunto no auditório do CCBS.

Voltando à carta do Sr. Batalha, ele diz que “não podemos aceitar que ideais religiosos de qualquer vertente sejam apresentados a nossa comunidade como alternativa ao pensamento racional, crítico e científico”. E quem disse que toda religião é irracional, acrítica e não científica? Batalha incorre no erro (ou preconceito) da generalização. Essa oposição entre pensamento científico e religioso não precisa e não deve ser alimentada. Cientistas de renome do passado e do presente conseguem harmonizar bem essas duas facetas da realidade.

Batalha também acusa: “Esse tipo de evento, que visa a promover uma ideologia religiosa disfarçada de ciência alcança a inconstitucionalidade, segundo a Constituição Federal do Brasil (CF/88 – Art. 19). O Brasil é um país laico, e assim, nenhuma crença ou religião pode exercer pressão ideológica junto aos cidadãos livres, nem imprimir sua presença em órgãos e espaços públicos.” A velha confusão entre laicismo e ateísmo. O Brasil é, sim, um país laico, mas isso não é sinônimo de “país ateu”. E, infelizmente, o que se vê é um grupo de pessoas se valendo do darwinismo para propagar a visão ateísta/materialista. Batalha ainda erra ao dizer que o criacionismo seria uma “suposta alternativa ao método científico universalmente aceito pela comunidade acadêmica mundial”. Nada mais errado. Se dissesse que o criacionismo é tido como alternativa ao darwinismo, até vá lá. Mas não ao método científico. Todos os criacionistas que conheço adotam e respeitam o método científico. São, portanto, naturalistas quanto ao método. Mas não aceitam o naturalismo filosófico, pois esse sim extrapola os limites do método científico (aliás, os criadores do método científico – Galileu, Copérnico, Newton, et al – eram cristãos).

E a maior das contradições na carta do Sr. Batalha: “Ressaltamos que não se trata de uma restrição à liberdade de expressão, mas é imperativo respeitar a missão desta e de toda a universidade: a busca do saber e a propagação do pensamento crítico e racional e não a divulgação de ideologias religiosas como contraponto ao pensamento científico e racional.” Repito: ninguém quer esse contraponto. A batalha que o Sr. Batalha aponta não é desejada por nenhum criacionista esclarecido. E nada melhor, no processo de propagação do pensamento crítico e racional, do que o contraste/comparação entre idéias e o contato com pensamentos e ideologias alternativos/discordantes.

Dar espaço aos criacionistas para falar nas universidades “laicas” é, segundo Batalha, aplicar “um verniz de respeitabilitade” nesse pessoal de “idéias retrógradas”. Verniz de respeitabilidade são palavras do ultra-darwinista fundamentalista Richard Dawkins, talvez uma das fontes amargas onde o professor brasileiro tenha bebido...

Agora note a pressão e a ameaça sutis: “Pelas razões acima, consideramos que a palestra ‘Criacionismo Científico’ [do professor Adauto] deva ser cancelada, outrossim, sentir-nos-emos na obrigação de relatar o uso indevido de recursos públicos junto a autoridades competentes.”

Sei que meu ex-professor Orlando Tambosi pensa que a velha máxima jornalística de se ouvir os dois lados se trata de uma bobagem. Penso diferente: para entender a fundo uma controvérsia é preciso ouvir e ouvir bem os dois lados. Sem preconceitos. De mente aberta. Acho que está faltando isso a nossa mídia e a muita gente nos centros “universitários”.

Michelson Borges

"If there is a dangerous delusion in the world, it is not so much moderate religion, as Dawkins would have it, but fundamentalism in all its forms — ideological, scientific and religious — as the imposition of dogma that brooks neither doubt nor respect for disagreement." John Cornwell

Ensino religioso, uma proposta válida?

Deu no jornal Folha Dirigida do dia 15: “E no início, fez-se o debate. Se antes o antigo conflito entre ciência e religião parecia envolver dois lados completamente antagônicos do conhecimento, hoje ele se faz presente – e de forma saudável – no mais laico dos ambientes modernos: a escola. Enquanto algumas instituições de ensino optam por seguir o modelo tradicional de grade curricular, muitas das que estão originalmente envolvidas (desde sua criação) com religiões encontram grande relevância em não abandonar o Ensino Religioso de seus currículos escolares. ...

“É possível aplicar o Ensino Religioso sem ferir questões e avanços da ciência moderna? Por unanimidade, as escolas católica Marista Arquidiocesano, a Adventista Alvorada e uma profissional de Física formada na USP dizem que não há conflito entre as duas áreas do conhecimento. E, ainda que sejam aplicadas de maneira diferente entre escolas de linhas religiosas distintas, possuem o mesmo objetivo na formação dos alunos: desenvolver a consciência de coletividade e senso moral. ...

“A legitimidade da escola [Marista] consiste em apresentar para os alunos as mais diversas idéias humanas – desde o criacionismo, passando pelo evolucionismo, neo-evolucionismo e também passa pela criação do mundo, além das formas geológicas e geográficas – com uma ligação com as aulas de Ensino Religioso.

“A diversidade de temas presente dentro da matéria também busca abraçar as pessoas de outras crenças que freqüentam a escola. ...

“Na sala de aula com poucas cadeiras, um slideshow e o professor formado em Teologia e pastor da Igreja Adventista do Sétimo Dia, cerca de 18 alunos de 3ª série ficam atentos às palavras e à tecnologia empregada no Ensino Religioso da escola. Seguindo um tema extraído das páginas da Bíblia, que é distribuída em sala de aula, o professor Rafael Cabral, da Escola Adventista Alvorada, no Capão Redondo, faz uma associação direta entre equipamentos modernos e conhecimentos bíblicos.

“Ao problematizar e ilustrar com imagens, perguntas e vídeos, o professor procura fazer com que as crianças, mesmo pequenas e pouco vividas, questionem suas próprias ações e pensamentos. O slide no computador diz ‘Tenho que fazer a minha parte!’, e é a partir dessa idéia que a disciplina busca influenciar o pensamento dos alunos na coletividade.

“O estudo moral de causa e efeito é uma constante nas aulas de Ensino Religioso do ensino adventista, e segue uma metodologia na aplicação: cada tema ocupa quatro aulas da grade curricular, na qual uma delas será de exemplos e reforço do que foi ensinado nas outras três através do livro sagrado.

“E o que é ensinado através dele? Crescimento integral do aluno e a noção de responsabilidade são alguns pontos destacados pelo professor, formado em Teologia e pós-graduado em Educação em Aconselhamento, na Inglaterra. ‘Abraçar áreas além do acadêmico possibilita a formação de um caráter fortalecido nos alunos’, também cita Rafael. O respeito das crianças pelas outras crenças e mesmo por idéias diferentes das suas também é desenvolvido, e auxilia a convivência do aluno dentro da pluralidade de idéias.

“Porém, o também pastor Rafael Cabral se importa em reforçar que ‘não se busca um programa evangelístico’, tanto com aulas, quanto com o contato com a capela da escola. Em todos os momentos, Rafael repete que a importância maior dessas interações é mostrar ao aluno que ele faz parte de um mundo repleto de interações, escolhas e diferenças, e que ele deve saber enxergá-las de modo tolerante.

“Ao não abordar religiões específicas, o Ensino Religioso Adventista também busca evitar a formação de possíveis conflitos entre os próprios estudantes. Essa preocupação se mostra marcante devido aos 70% de alunos da rede no Brasil que não são membros da Igreja. Mas a matéria não é tão simples quanto parece: se até a 4ª série, os alunos só assistem à aula sem nenhum tipo de avaliação, da 5ª a 8ª eles realizam provas e têm seus conhecimentos da Bíblia e das aulas testados através de provas.

“Dentro das demais matérias, também existe uma aplicação do conteúdo religioso, mas não de maneira doutrinária. Também nessa área pedagógica, uma das crenças da Igreja é reforçada no meio didático: o livre-arbítrio. Ainda que a própria lógica religiosa cristã leve a uma afinidade maior pela teoria do criacionismo, nenhuma das formas do pensar é dispensada. Rafael explica que os alunos são independentes para escolher suas crenças diante das possibilidades expostas, e que ‘a obrigação da escola é colocar o aluno em contato com as diferentes teorias do saber – a partir disso eles aprendem a fazer escolhas no ensino e a ter pontos de vista fortes para a vida’.”