terça-feira, junho 30, 2009

Álcool provoca mudanças no cérebro em seis minutos

Um estudo da Universidade de Heidelberg, na Alemanha, indica que três copos de cerveja podem “subir” rapidamente. Resultados de testes com ressonância magnética em oito homens e sete mulheres mostraram que, em apenas seis minutos após o consumo de uma quantidade de álcool similar a três copos de cerveja ou duas tacinhas de vinho, levando os níveis de álcool no sangue a 0,06%, há mudanças nas células cerebrais. “Nosso estudo oferece evidências de uma utilização alternativa de energia mediante a ingestão de álcool, por exemplo, o cérebro usa um produto da quebra do álcool em lugar da glicose para as demandas de energia”, destacaram os autores. E os efeitos nocivos também se estabeleceriam rapidamente – a concentração de substâncias como a creatina e a colina, que ajudam a proteger as células diminuíam com o aumento dos níveis de álcool.

O estudo mostrou também que os efeitos do consumo moderado de álcool no cérebro em pessoas saudáveis são completamente reversíveis. Porém, essa capacidade de se recuperar reduziria ou seria eliminada com o aumento do consumo, o que poderia levar aos danos cerebrais observados em alcoólatras. Mais estudos são necessários para avaliar os efeitos da “ressaca” no cérebro e os mecanismos envolvidos nos danos cerebrais causados pelo álcool.

(Journal of Cerebral Blood Flow & Metabolism (2009) 29, 891–902; doi: 10.1038/jcbfm.2009.12)

Nota: Em muitos textos, a Bíblia chama atenção para os perigos do consumo de álcool. Difícil é entender por que certos grupos religiosos defendem o uso moderado de bebidas alcoólicas, sendo que cada vez mais pesquisas apontam os malefícios do álcool, mesmo em pequenas quantidades.[MB]

Gays nascem gays?

No mundo gay há a defesa da ideia de que pessoas nascem homossexuais. Isso é comprovado pela ciência? É o homossexualismo determinado geneticamente? Ou será uma escolha de comportamento decidida ao longo dos anos, especialmente na infância e adolescência? Existe um "gen gay"? Essa discussão começou em 1993, quando a revista científica de respeito mundial, a Science , publicou um estudo feito por Dean Hamer dizendo que a ciência estava no limiar de provar que a homossexualidade seria inata (se nasce com ela), genética e, portanto, imutável, sendo uma variante normal de natureza humana. (Satinover, Jeffrey, "Is There a 'Gay Gene?'", National Association for Research and Therapy of Homosexuality (NARTH) Fact Sheet, March 1999, p. 1.)

A mídia logo jogou combustível no fogo. Revistas famosas, como a Newsweek, jornais como o The Wall Street Journal, e muitas outras publicações anunciaram em manchetes as sugestões de que cientistas haviam descoberto um “gen gay”. A revista Time intitulou sua matéria: “Born Gay?” (“Nascido Gay”) (26 julho de 1993).

Contudo, até agora não foi descoberto o tal “gen gay” pela ciência. O próprio Hamer, ele mesmo revelado como gay, mais tarde disse: “Fatores ambientais têm um papel [no surgimento da homossexualidade]. Não existe nenhum gen mestre que faça as pessoas gay. ... Não creio que seremos capazes de predizer quem será gay” (Hamer, Dean and Peter Copeland, The Science of Desire [Simon & Schuster, 1994]).

Hamer havia dito que a homossexualidade poderia ser ligada aos achados do cromossomo X. Ele encontrou que de 40 pares de irmãos homossexuais, 33 (83%) receberam a mesma sequência de cinco marcadores genéticos. Outros cientistas, contudo, tais como N. E. Whitehead, Ph.D., co-autor de My Genes Made Me Do It! (Meus Gens me Fizeram Fazer Isso!), encontraram uma série de problemas com o estudo de Hamer. Whitehead primeiro apontou que o estudo falhou no controle do grupo da população geral, notando que se a mesma sequência do cromossomo X que apareceu nos homens homossexuais também apareceu na população geral de homens heterossexuais, então o gen é insignificante.

Outro problema com o estudo é que Hamer não testou os irmãos heterossexuais dos homens homossexuais para ver se eles tiveram o gen, e alguns dados daqueles homens heterossexuais indicaram que eles tinham sequências de gens idênticas. Outro dado é que sete dos pares de homossexuais não possuíam a necessária sequência genética (Whitehead, Neil and Briar Whitehead, My Genes Made Me Do It! - Huntington House, 1999, p. 141).

Somando-se ao estudo de Hamer, dois outros grandes estudos atraíram a atenção da mídia no começo nos anos 90. Um deles, feito em 1991, por Simon LeVay, se tornou mais tarde conhecido como o “estudo do cérebro”. Em seu artigo "A Difference in Hypothalamic Structure Between Heterosexual and Homosexual Men" (“Uma Diferença na Estrutura Hipotalâmica Entre Homens Heterossexuais e Homossexuais”), LeVay tentou encontrar diferenças nos hipotálamos (região cerebral) de homens homossexuais e heterossexuais. Também publicado na Science(LeVay, Simon, "A Difference in Hypothalamic Structure Between Heterosexual and Homosexual Men", Science 253 [1991]: p. 1034-7). LeVay descobriu que o cérebro dos 19 homossexuais do estudo eram mais semelhantes em tamanho aos cérebros femininos. E agora? Isso comprovou ser a homossexualidade algo biologicamente determinado?

LeVay estudou cérebros de 41 pessoas, incluindo seis mulheres, 19 homossexuais e 16 homens presumivelmente heterossexuais. Ele examinou uma parte do hipotálamo chamada de INAH-3 e relatou que ela era mais do que duas vezes maior em homens heterossexuais do que em homens homossexuais. Deduziu que “a orientação sexual tem um substrato biológico” porque se os cérebros de homens homossexuais eram mais iguais em tamanho aos cérebros de mulheres do que aos dos homens heterossexuais, então os homens gays devem ser mais biologicamente semelhante às mulheres.

Porém, o que o público em geral não sabe é que muitos pesquisadores encontraram falhas nesse estudo, incluindo o próprio LeVay, que disse: “É importante enfatizar o que eu não encontrei. Eu não provei que a homossexualidade é genética, ou que encontrei uma causa genética para se nascer gay. Não mostrei que homens gays nascem desse modo, [que é] o erro mais comum que as pessoas fazem ao interpretar meu trabalho. Nem localizei um centro gay no cérebro” (Byrd, A. Dean, Shirley E. Cox and Jeffrey W. Robinson, "The Innate-Immutable Argument Finds No Basis in Science: In Their Own Words: Gay Activists Speak About Science, Morality, Philosophy" - September 30, 2002. Accessed 10 February 2006). Dos 19 homossexuais do estudo de LeVay todos morreram por complicações da aids, e é possível que a diferença no tamanho do cérebro deles tenha sido causada pela doença e não por serem homossexuais (LeVay, Simon, Queer Science (MIT Press, 1996), p. 143-45).

O terceiro maior estudo alardeado como “prova” da ligação entre homossexualidade e genética foi feito em 1991 pelo psicólogo Michael Bailey e pelo psiquiatra Richard Pillard. Usando pares de irmãos — gêmeos idênticos, gêmeos não-idênticos, irmãos biológicos e irmãos adotados —, Bailey e Pillard tentaram mostrar que a homossexualidade ocorre mais frequentemente entre gêmeos idênticos. Mais uma vez, o que a maioria das pessoas não sabe e a mídia não anunciou devidamente é que esse estudo na realidade provê apoio para os fatores ambientais e não para a genética! Se o homossexualismo estivesse enraizado na genética, então os dois gêmeos teriam que ser homossexuais 100% das vezes, o que não ocorre na realidade (Byne, William, "The Biological Evidence Challenged", Scientific American - May 1994: p. 50-55).

Bailey e Pillard verificaram no estudo que entre os gêmeos idênticos 52% eram ambos homossexuais, comparados com os não idênticos, entre os quais somente 22% compartilharam a mesma orientação homossexual. Em 9,2% do tempo, ambos os irmãos não gêmeos foram homossexuais, e em 10,5% do tempo ambos os irmãos adotivos foram homossexuais.

Dr. Whitehead explicou mais tarde: "Gêmeos idênticos têm gens idênticos. Se a homossexualidade fosse uma condição biológica produzida inescapavelmente pelos gens (como a cor dos olhos), então se um gêmeo idêntico fosse homossexual, em 100% dos casos seu irmão seria também. ... Os gens são responsáveis por uma influência indireta, mas, em média, eles não forçam as pessoas para a homossexualidade. Essa conclusão tem sido bem conhecida na comunidade científica por umas poucas décadas mas não tem alcançado o público geral. De fato, o público crê aumentadamente no oposto” (Whitehead, N.E., "The Importance of Twin Studies." Accessed 10 February 2006).

(Dr. Cesar Vasconcellos de Souza; matéria baseada no artigo de Melissa Fryrear)

TV no quarto de adolescentes

Ter uma TV no quarto pode ser arriscado para alguns adolescentes. Isso é o que revela um novo estudo com 781 adolescentes, advindos de 31 escolas secundárias do Estado americano da Minnesota. Quase dois terços dos estudantes - 62% - tinham uma TV no quarto, de acordo com inquéritos realizados com os alunos durante os anos letivos de 1998-1999 e 2003-2004. Foi verificado que os adolescentes com TV no quarto comeram frutas e legumes com menos frequência, fizeram menos refeições com a família, e apresentaram duas vezes mais probabilidades de assistir, pelo menos, cinco horas diárias de TV. Entre as meninas, aquelas que têm uma TV no quarto ingeriam mais bebidas doces e estiveram por menos tempo envolvidas em atividade física vigorosa, do que aquelas sem TV no quarto.

O estudo, publicado na revista médica Pediatrics, não prova que ter um aparelho de televisão no quarto fosse a causa desses padrões. Porém, os pesquisadores da Universidade de Minnesota e autores da pesquisa apoiam a recomendação da American Academy of Pediatrics de que não se devam instalar aparelhos de televisão no quarto dos adolescentes.

(Pediatrics, april 2008; v. 121: p. 718-724)

segunda-feira, junho 29, 2009

O que merece ser escrito, merece ser bem escrito

O escritor português José Saramago, que está prestes a publicar um livro com os artigos que escreveu em seu blog, diz acreditar que com o crescimento desse tipo de espaço na internet “está se escrevendo mais, embora pior”. “A prática do blog levou muitas pessoas que antes pouco ou nada escreviam a escrever. Pena que muitas delas pensem que não vale a pena se preocupar com a qualidade do que se escreve”, disse Saramago em entrevista publicada pelo jornal argentino Clarín. O escritor português reuniu os artigos publicados durante os seis primeiros meses de sua atividade como blogueiro em Caderno de Saramago, um livro vetado na Itália por Silvio Berlusconi e que reflete o espírito crítico de seu autor.

“Pessoalmente cuido tanto do texto de um blog como de uma página de romance”, completou o Nobel português, de 86 anos e que apresentará o livro em um encontro com blogueiros aberto a internautas de todo o mundo no próximo dia 25 em Lisboa. Quanto a seu blog, o escritor disse que não destina ao espaço “nenhuma ideia em particular”, para depois expressar que “os sismógrafos não escolhem os terremotos, reagem aos que vão ocorrendo, e o blog é isso, um sismógrafo”.

“Aqueles que me leem sabem que podem encontrar-se a cada dia diante de algo totalmente inesperado”, reforçou Saramago, que respondeu às perguntas do diário argentino por e-mail da Espanha, onde mora.

[Saramago] avaliou que “se o blog é um espaço para a reflexão, não deve surpreender que ilumine aquele que o escreve”.

(G1 Notícias)

Nota: Concordo com Saramago que se deva tratar o texto com carinho, não importa se se escreve um livro, uma postagem num blog ou um simples e-mail. Faz parte da boa educação pelo menos reler o que se escreve, antes de publicar/enviar (quanto à correção/precisão de um texto, um colega editor mais experiente sempre me dizia: tenha certeza de suas dúvidas e duvide de suas certezas). Quem se aventura na arte de escrever deveria procurar aprimorar a capacidade de redação lendo alguns manuais (aliás, lendo de tudo um pouco e muito) e praticando bastante. Os leitores merecem – e você cresce.[MB]

domingo, junho 28, 2009

Vida na Terra está em risco (e o coletivismo vem aí)

Quem ainda não acredita que a vida no planeta corre perigo é melhor ficar atento. A emissão de gás carbônico nunca esteve tão alta e está levando a mudanças climáticas severas que afetam a autossustentabilidade da Terra. Foi com essa preocupação na cabeça que Kofi Annan, ex-secretário geral da ONU, e Bob Geldof, músico realizador do Live Aid, concerto que reuniu grandes nomes da música no combate à fome na Etiópia, vieram ao Festival Internacional de Publicidade, em Cannes. Os dois, ao lado de David Jones, CEO da agência Euro RSCG, e de Hervé de Clerck, líder da Act Responsible, estão na Riviera francesa para fazer o lançamento mundial da campanha “TCK TCK TCK”, cujo objetivo é sensibilizar os líderes mundiais, que vão se reunir em dezembro, na Conferência Mundial sobre Mudanças Climáticas das ONU, para decidir quais diretrizes irão substituir o Protocolo de Kyoto. “Nossa meta é criar o maior abaixo-assinado online que já foi feito e enviá-lo aos líderes mundiais que estarão na Dinamarca, exigindo que tomem decisões justas e de peso que resultem em um acordo climático justo”, explicou Annan. [Quando falam em acordos "justos", os líderes têm em mente o coletivismo, segundo o qual o bem da maioria se impõe até mesmo sobre os direitos das minorias.]

“TCK TCK TCK” une a linguagem da internet ao tic tac do relógio. “Não há tempo a perder”, declarou ao falar da proximidade da Conferência de Copenhague e dos efeitos das mudanças climáticas, destacando que a poluição tem um preço e que os poluidores precisam assumir essa responsabilidade. O Prêmio Nobel de 2001 fez questão de ressaltar que a criatividade e as agências têm papel importante na sensibilização dos consumidores para a questão. [A publicidade é um tremendo recurso para promover a engenharia social e estimular o medo nas pessoas; num clima assim, é mais fácil aprovar leis restritivas ou que visem ao bem da maioria.] “As escolhas que fazemos no momento da compra também são uma forma de pressão e a pressão leva a mudanças mais rápidas na agenda dos líderes”, ressaltou.

Mas a fala mais apaixonada sobre o tema foi a de Bob Geldof. Notabilizado pela sua atuação no filme The Wall, do Pink Floyd, o músico e ator irlandês não deixou passar em branco a morte do cantor Michael Jackson, e lembrou sua importante participação no Live AID, era uma das principais vozes no clipe da música “We are the World”. Depois de lamentar a perda, Geldof foi taxativo ao falar do quanto as mudanças climáticas afetam e vão afetar as pessoas. “Estamos falando sobre a morte da humanidade, e eu adoro o ser humano”, disse.

Os números apresentados pelo músico não são nada animadores. A cada ano, mais de 300 mil pessoas morrem em consequência direta das alterações no clima. No continente africano, há um movimento migratório que está levando 16 milhões de pessoas para fora de seus países por conta da inviabilidade de viver em ambiente tão seco. Lugares no sul, que há 20 anos tinham água, não têm mais, e isso leva ao deslocamento para o norte; a incidência de chuva no deserto do Saara caiu 25% nos últimos 30 anos.

“Precisamos reduzir em 50% a emissão de carbono até 2020 e em 80% até 2050, se isso não acontecer estamos caminhando para a morte. As emissões hoje excedem as dos últimos seis mil anos e a Terra não tem capacidade para processá-las”, disse. Entre a plateia de publicitários e profissionais da comunicação que lotaram o auditório Debussy, a campanha e os dados apresentados parecem ter provocado algum sentimento. O quarteto foi aplaudido de pé.

(Terra)

Nota: Que melhor lugar para dar maior visibilidade aos planos do movimento ECOmênico do que o Festival Internacional de Publicidade? Ninguém nega que a Terra está se deteriorando, mas que há interesses outros por trás dessa bandeira ecológica, isso há. Clique aqui e leia mais sobre o ECOmenismo.[MB]

sábado, junho 27, 2009

Pérolas de Chesterton (5)

"Houve muitos poemas panteístas sugerindo deslumbramento, mas nenhum bem-sucedido. O panteísta não pode deslumbrar-se, pois não pode louvar a Deus ou louvar o que quer que seja como sendo realmente distinto dele mesmo" (p. 219).

"Não existe uma possibilidade real de extrair do panteísmo nenhum impulso especial para ações morais. Pois o panteísmo implica, por sua natureza, que uma coisa é tão boa quanto outra; ao passo que a ação implica, por sua natureza, que uma coisa é muito preferível a outra" (p. 220).

"Se queremos reformas, devemos aderir à ortodoxia: especialmente nesta questão, a de insistir na divindade imanente ou na transcendente. Insistindo especialmente na imanência de Deus, temos instrospecção, auto-isolamento, quietismo, indiferença social - Tibete. Insistindo especialmente na transcendência de Deus, temos deslumbramento, curiosidade, aventura moral e política, indignação justa - cristianismo. Insistindo que Deus está no interior do homem, o homem está sempre no interior de si mesmo. Insistindo que Deus transcende o homem, o homem tem de transcender a si mesmo" (p. 221, 222).

Leia também: "Pérolas de Chesterton (4)"

Maurício de Souza leva Jackson para o "Céu"

Deu no portal Terra: "Mauricio de Sousa e sua equipe vão prestar uma homenagem a Michael Jackson. O rei do pop vai chegar ao cemitério da Turma do Penadinho na historinha 'À Espera de um Astro', com roteiro de Paulo Back. A revista com a história especial chega às bancas em setembro, mas uma prévia do rascunho já caiu na rede. Ao que tudo indica, no fim da história, Michael Jackson sairá do cemitério e fará uma passagem no céu, onde se reunirá com a turma de Anjinho. Mauricio de Sousa afirmou que a história está 'emocionante'." Abaixo da figura, no site, se lê: "Michael Jackson anima anjos no céu em Turma da Mônica."

Não é de hoje que Maurício de Souza trata do Céu com irreverência e desrespeito. Basta conferir na tirinha abaixo, em que ele apresenta a versão de Céu dele como um lugar monótono:

Por outro lado, quando trata de temas espíritas, como nesta história da Magali, a visão é sempre positiva:


Bem, pelo menos de uma coisa podemos ter certeza: Maurício sabe como usar sua principal "ferramenta" para divulgar suas opiniões.[MB]

Comentário do leitor Marco Dourado, de Curitiba: "Michelson, você reparou que, não obstante os acordos milionários feitos pelo popstar para encerrar os processos que sofreu por pedofilia, para Maurício de Souza o céu de Jackson é composto exclusivamente de crianças? Será que lá no 'céu' Michael oferecerá bebida alcoólica para o personagem Anjinho - além de otras cositas más? (Detalhe: tenho como item de coleção uma história em que a CRIANÇA Chico Bento se entope de cachaça, passa mal e desmaia de bêbado.)"

Um dia fora de casa

Bernardo estava entusiasmado porque ele ia passar o dia na casa de um amigo chamado Gustavo, e depois dormir na casa desse amigo. E a irmã de Gustavo se chamava Lívia. Bernardo arrumou sua mala, se despediu de seus pais e foi para a casa de Gustavo. Chegando lá eles brincaram e brincaram. Quando chegou a noite, A mãe de Gustavo mostrou o quarto de visitas e Bernardo ficou no quarto de visitas, enquanto cada um ia para o seu quarto. Bernardo lembrou de seus pais e sentiu muita saudade, então ele orou: “querido Jesus abençoa que eu consiga dormir, e que eu possa parar de sentir saudades dos meus pais. Amém”. [Leia mais]

sexta-feira, junho 26, 2009

Michael Jackson e a efemeridade da vida

Ontem à noite, fiquei sabendo que o ídolo da música pop que marcou uma geração, Michael Jackson, havia morrido de parada cardíaca, aos 50 anos. É difícil conhecer um rapaz da minha geração que não tenha tentado (mesmo que escondido) imitar os passos de dança break do cantor. Jackson fez parte do "espírito" de uma época. Por isso, quando lemos esse tipo de notícia, levamos alguns instantes para assimilar. Mesmo não sendo admirador dele, é como se um pedacinho da gente tivesse morrido junto. Mas isso nos faz lembrar que a vida é assim mesmo: uma sucessão de pontos de luz mais ou menos brilhantes que vão se apagando à medida que o tempo passa.

Há 15 anos, senti algo parecido. Três amigos e eu embarcamos no ônibus que nos deixaria próximo à pensão (onde morávamos na época da faculdade). Ouvimos algumas moças falando algo sobre a morte do famoso corredor de Fórmula 1 Ayrton Senna. Era o dia 1º de maio de 1994 e havíamos participado de um retiro espiritual com os jovens da Igreja Adventista Central de Florianópolis. Durante aqueles três dias, tínhamos ficado alheios ao que se passava no mundo - e eu mais ainda, já que a Débora, então minha namorada, havia ido comigo. Naquele domingo, em nossos primeiros dias de namoro, o Brasil estava em transe e não sabíamos.

– O que vocês estão dizendo? – um dos meus amigos não se conteve e perguntou às moças.

– Vocês não sabem? O Senna bateu o carro e morreu.

O ídolo da nossa geração que levava o patriotismo dos brasileiros até as nuvens a cada corrida que vencia; o jovem corredor que tinha orgulho de passear com a bandeira nacional na pista de corrida; o Ayrton Senna do Brasil estava morto. O jovem campeão que tinha a vida pela frente não mais existia.

A vida é frágil e passageira, como bem descreve o salmista: “O ser humano é como um sopro; a sua vida é como a sombra que passa” (Salmo 144:4). Ou, nas palavras do filósofo e matemático Blaise Pascal, no livro Pensées: “Não existe nada mais real que isto, nada mais terrível. Por mais heróicos que sejamos, este é o fim que aguarda a vida mais nobre do mundo. Vamos refletir nisto e, então, dizer se não é indiscutível que não existe bem nesta vida. A não ser a esperança de outra; que somos felizes apenas na proporção em que nos aproximamos dela; e que, como não existem mais aflições para os que têm plena certeza da eternidade, não existe mais felicidade para os que não têm essa esperança.”

Senna e Jackson tinham tudo nesta vida, menos a própria vida, que não lhes pertencia. Embora a morte exista desde que o pecado entrou neste mundo, o ser humano nunca conseguiu acostumar-se a ela. Não fomos feitos para morrer, e nossa inconformidade com esse inimigo mostra isso. Tentamos ignorar essa triste realidade levando a vida sem pensar muito no fato de que o destino final de todos é a sepultura. Mas, quando alguém famoso ou muito próximo de nós deixa de existir, a vida nos joga no rosto essa crua realidade, chamando-nos mais uma vez à reflexão. Nesses momentos, entendemos que o que realmente importa são as pessoas, os relacionamentos e Deus. De uma hora para outra, tudo – formação acadêmica, status social, posses, fama – fica tão pequeno...

Michelson Borges

Leia também: "A música mais triste do mundo"

quinta-feira, junho 25, 2009

Arqueólogos acham flauta de supostos 35 mil anos

Uma flauta de osso de pássaro encontrada em uma caverna da Alemanha foi entalhada há cerca de 35 mil anos [sic] e é o mais antigo instrumento musical artesanal já descoberto, oferecendo a mais nova evidência de que as primeiras populações humanas da Europa tinham uma cultura complexa e criativa. Uma equipe liderada pelo arqueólogo Nicholas Conard, da Universidade de Tübingen, na Alemanha, montou a flauta a partir de 12 fragmentos de osso de abutre, espalhados por uma pequena área da caverna de Hohle Fels, no sul da Alemanha.

As peças formam um instrumento de 22 centímetros com cinco furos e uma extremidade em forma de "V". "É, sem dúvida, o mais antigo instrumento musical do mundo", disse o pesquisador. A descoberta está nesta semana na revista científica Nature. Outros arqueólogos concordaram com a avaliação de Conard. O pesquisador brasileiro Walter Alves Neves, da Universidade de São Paulo (USP), considera a descoberta um "grande achado". "Mas ela faz parte de um pacote de criações conhecido como revolução artística do Paleolítico Superior", explica Neves.

Há 40 mil anos [sic], o homem usou signos pela primeira vez para representar conceitos. Surgiram as pinturas nas cavernas [que também são um show de arte complexa] e as primeiras esculturas. O período também conheceu o nascimento da linguagem. "Esperávamos que a música estivesse no pacote", aponta Neves. A flauta de Hohle Fels é mais completa e um pouco mais velha que fragmentos de osso e marfim de outras sete flautas, também encontradas no sul da Alemanha. A equipe escavou o instrumento em setembro de 2008, mesmo mês em que descobriu seis fragmentos de marfim em Hohle Fels que compõem uma estatueta feminina que, acredita-se, é a mais antiga escultura de uma forma humana.

(BOL Notícias)

Nota: Como se pode ver, o "homem primitivo" era tudo, menos primitivo.[MB]

terça-feira, junho 23, 2009

Pessoas com maiores propósitos na vida vivem mais

Ter um propósito na vida está associado a menores taxas de mortalidade entre os idosos, segundo estudo da Universidade Rush, nos EUA. "Um propósito na vida reflete a tendência de aferir significado das experiências de vida e ser focado e planejado", destacou a pesquisadora Patricia A. Boyle. A análise de mais de 1,2 mil idosos que não tinham demência indicou que aqueles que relatavam terem propósitos maiores na vida tinham a metade do risco de morte, comparados aos voluntários com menos propósitos. E os resultados persistiam após os pesquisadores considerarem renda, sintomas depressivos, incapacidade, neuroticismo e número de condições médicas.

Segundo os autores, a mortalidade foi mais significativamente associada a três itens do questionário de propósito na vida, que mediu a concordância dos participantes às seguintes questões: "algumas vezes, sinto como se eu já tivesse feito tudo que há a fazer na vida"; "eu costumava propor metas para mim mesmo, mas que agora parecem perda de tempo"; "minhas atividades diárias frequentemente parecem triviais e sem importância para mim".

"Estamos animados com essas descobertas, porque sugerem que fatores positivos, como ter um senso de propósito na vida, são importantes contribuintes para a saúde", destacaram os autores. Porém, os pesquisadores admitem que mais estudos são necessários para avaliar se outras características demográficas podem modificar a relação entre propósitos de vida e mortalidade e para observar se isso pode ser modificado.

(Rush University Medical Center, 12 de junho de 2009)

Nota: Quando li essa matéria, lembrei-me das pesquisas do psicanalista Viktor Frankl. Durante sua estada em campos de concentração nazistas, ele percebeu que os presos que mantinham viva a esperança e que tinham propósitos acabavam tendo maiores chances de sobreviver. E que maior propósito do que se preparar e modelar o caráter para herdar a vida eterna? O livro Nisto Cremos, página 496, traz interessante comparação a esse respeito: "O homem sábio terá mais cuidado em esculpir uma estátua no mármore do que em fabricar um boneco de neve." Ou seja, o cristão que planeja viver para sempre, naturalmente estruturará sua vida com maior cuidado do que a pessoa que imagina ser descartável, que vive apenas para este mundo.[MB]

Especialistas colocam em dúvida “benefícios” do álcool

Até agora, trata-se de uma ladainha familiar: vários estudos sugerem que o álcool, se consumido com moderação, pode promover a saúde cardíaca e até mesmo prevenir a diabetes e a demência. São tantas evidências que alguns especialistas consideram o consumo moderado da bebida – cerca de uma dose por dia para mulheres, duas para os homens – um componente central de um estilo de vida saudável. Porém, e se tudo isso for um grande engano? Para alguns cientistas, essa pergunta nunca vai embora. Nenhum estudo, afirmam os críticos, jamais provou uma relação causal entre o consumo moderado de álcool e a diminuição no risco de morte – somente que os dois elementos geralmente estão juntos. Pode ser que o consumo moderado de álcool seja apenas algo que as pessoas saudáveis tendem a fazer, não algo que as torna saudáveis. [Leia mais]

Como tornar o cristianismo relevante

Terminei a leitura de Alma Sobrevivente, do escritor evangélico Philip Yancey. Fazia tempos que não lia algo declaradamente cristão, mas vindo de alguém que escreveu Decepcionados com Deus, pode-se esperar algo mais pensante do que a média das publicações evangélicas. Já conhecia Philip Yancey, do Perguntas que Precisam de Respostas, que li no período mais “xiita” de meu cristianismo. O livro é uma coletânea de artigos publicados na revista Christianity Today. Yancey, mesmo declarando sua crença nas bases do cristianismo, tem coragem de fazer perguntas que a maioria dos crentes não se permite fazer. Por exemplo...

Por que tão poucos cristãos demonstram alegria? Uma pessoa alegre seria mais parecida com a Madre Teresa ou com a Madonna?

Como pode uma religião que inclui um texto como Cantares de Salomão entre seus escritos sagrados ser conhecida como inimiga do sexo?

Como podem os evangelistas da televisão promover com tanta animação a teologia da prosperidade em um mundo cheio de injustiça e sofrimento como o nosso?

Na fase em que eu estava – de jogar fora qualquer objeto relacionado à Disney, queimar livros do Paulo Coelho (não pela qualidade literária, o que seria compreensível, mas por tratar de temas relativos a pseudo-bruxaria) e queimar fotos de baladas antigas (“as coisas velhas se passaram” e eu queria livrar-me das lembranças do pecado) – Yancey apareceu para dar uma arejada na minha mente que já estava bem estreita e alienada.

Então, Philip Yancey foi responsável por atiçar a semente questionadora, que sempre existiu em mim, e me fazer perceber que eu estava agindo como um robô. Talvez lá tenha começado o início de minha desconversão ou do meu abrir de olhos.

Dessa vez, com Alma Sobrevivente, ele me fez voltar a ter algum respeito por alguns tipos de evangélicos. No livro, que tem o subtítulo de Sou Cristão, Apesar da Igreja, o autor fala de pessoas que foram exemplos de fé para ele. A boa notícia é que ele não cita só evangélicos. Entre os nomes que fizeram com que ele compreendesse melhor a mensagem de amor do cristianismo estão Gandhi, Dostoievski, Tolstoi e a escritora católica Annie Dillard. Philip Yancey não escolhe seus exemplos de vida por causa de seus currículos de santidade, mas baseado no quanto de amor e compreensão aquelas pessoas transmitiram em suas vidas. Apesar de continuar não crendo na Bíblia ou na salvação da alma, posso afirmar que fiz um pouco as pazes com o cristianismo ao ler Alma Sobrevivente. Foi um livro que me fez lembrar que, independente da cruz de Cristo ou da remissão dos pecados, a mensagem cristã é uma mensagem de amor, humildade, compreensão e paz.

Yancey é um autor que faz com que cristãos radicais não engulam qualquer fórmula pronta vinda dos púlpitos e, ao mesmo tempo, mostra aos decepcionados com o cristianismo que existe vida inteligente no meio evangélico.

(Juliana Dacoregio, no blog Heresia Loira)

Nota: Juliana é jornalista, blogueira e criciumense. Ela diz ter abandonado a religião e abraçado o ceticismo. O que ela escreveu sobre Yancey deveria acender uma luz amarela no meio cristão. Será que a pregação do evangelho está sendo relevante para as mentes mais inquiridoras? Será que os cristãos estão mostrando ao mundo que o cristianismo de fato lhes mudou a vida, trazendo paz, alegria e uma vida mais plena? Muitos estão mais preocupados com sua vida na igreja do que com a viva comunhão com o Senhor da igreja. Resultado? Sofrem e não vivem a religião. Mostram ao mundo um arremedo de cristianismo, intolerante e sem poder de atração e convencimento. Deus nos ajude a trazer as Julianas de volta ao rebanho.[MB]

segunda-feira, junho 22, 2009

Amigo animal

Outro dia, vi uma cena que me deixou realmente aborrecido. Da sacada de um sobrado de classe média um grupo de adolescentes desocupados fazia pontaria na rolinha, pousada em uma árvore em frente de casa. De repente, ouvi um estampido seco vindo da espingarda de pressão e alguns risos de triunfo. No instante seguinte, o pobre animal indefeso estava no chão, debatendo-se inutilmente contra a morte. Creio ter lançado um olhar gélido e involuntário aos rapazes, pois eles se esconderam dentro da casa, até que eu entrasse em minha residência. A "política da boa vizinhança" me impediu de ir até eles e dizer algumas coisas.

Depois comentei com a Débora, minha esposa, enquanto acariciava nossa cadelinha Laila, contente por ver-me chegar do trabalho: "Como o ser humano se tornou insensível."

Enquanto conversávamos sobre o triste ocorrido, outra cena me veio à mente. Lembrei-me de quando fui visitar uma pessoa considerada um bom cristão, bastante missionário. Ao chegar à casa dele, fui convidado a entrar, mas havia um cachorro distraído obstruindo o acesso. Sem pensar duas vezes, o homem desferiu um pontapé no bicho, expulsando-o do jardim. Engoli em seco e prossegui em minha visita.

O que ocorre conosco? Mesmo pessoas que se dizem religiosas comportam-se, por vezes, de maneira mais selvagem que certos animais. [Leia mais]

Futilidade sem crise

Editor da People, um dos maiores títulos do segmento, diz que o apetite pelo que chama de “notícias de entretenimento” vinha sendo subestimado. Os anunciantes tradicionais das revistas de fofocas são empresas de setores que vêm resistindo bem à recessão, como os de alimentação, farmacêutico e de higiene pessoal, de maneira que estas publicações perderam menos anunciantes no ano passado do que as revistas generalistas e de negócios. 43 milhões de pessoas dão pelo menos uma olhada na People toda semana, dois terços deles são mulheres. Isso não deixa de ser estranho, porque a internet, uma das culpadas pelo declínio da imprensa tradicional, também abriga grande variedade de opções para os curiosos pela vida das celebridades.

(Opinião e Notícia)

Nota: No Brasil, a coisa não é diferente, levando-se em conta os milhões de exemplares de revistas como Minha Novela, Ti-ti-ti e outras impressos toda semana. Como se vê, a futilidade não vê crise.[MB]

domingo, junho 21, 2009

Preservativos não conseguem frear epidemia de aids

Quando Bento XVI afirmou que a distribuição de camisinhas não resolveria o problema da aids, muitos disseram que ele estava errado. As evidências mostram o contrário. Estudos importantes, como pesquisas demográficas e de saúde, não conseguiram encontrar uma associação entre uma maior disponibilidade ou o uso de preservativos e menores taxas de infecção pelo HIV na África.

Na prática, os preservativos mostraram não ser a melhor política para conter a aids. As camisinhas não têm funcionado para frear a epidemia que se abate sobre o continente africano. Por mais católico [na verdade, cristão] que possa soar, a melhor política para epidemias generalizadas consiste em promover a fidelidade e a monogamia. O que vemos como resultado é uma redução do número de parceiros. O que também tem funcionado e deve se promover é a circuncisão masculina, que comprovadamente reduz as chances de contágio.

Um exemplo claro é o que aconteceu em Uganda. O país promoveu a política ABC, sigla em inglês para abstinência, fidelidade ou camisinha. A população contaminada com o HIV foi reduzida em 66%. No entanto, o governo sofreu grande pressão para seguir a linha de prevenção de outros países. Como resultado, Uganda deixou a ênfase na redução do número de parceiros e passou a adotar a fórmula batida de preservativos + testes + remédios. Nos últimos anos, os índices de contaminação voltaram a aumentar.

O Brasil está em uma situação diferente, com uma chamada "epidemia concentrada". Preservativos têm mais chances de sucesso em lugares assim. No entanto, ainda faltam programas que desencorajem sexo casual ou com prostitutas e múltiplos parceiros.

De maneira geral, a imprensa foi bastante irresponsável ao criticar o papa. E não culpo o público por estar confuso. Não seria errado pensar que muitos líderes e parte da mídia que "crucificaram" o papa deveriam checar antes os dados científicos mais recentes.

Logo, logo, as provas passarão a ser tão contundentes que a maioria dos mitos sobre a aids serão destruídos. Assim, poderemos começar a implementar programas de prevenção com base em evidências científicas. Com ou sem a bênção do papa.

(Galileu)

Estudo liga homem a orangotangos

Os orangotangos, não os chimpanzés, como se pensava, são os ancestrais mais próximos do homem, segundo um estudo realizado por antropologos americanos, publicado ontem [18/6] na revista Journal of Biogeography. Os cientistas afirmaram que, segundo as análises de DNA e de fósseis, a ideia de que os chimpanzés seriam os primatas mais próximos do homem é “problemática” [mas antes era tão certa...]. Jeffrey Schwartz, professor de antropologia da Universidade de Pittsburgh, e John Grehan, presidente da Academia de Artes e Ciências, analisaram centenas de características físicas de chimpanzés, gorilas e orangotangos. Depois de analisar 63 exemplares, determinaram que os seres humanos compartilhavam 28 características com os orangotangos, mas somente duas com os chimpanzés e sete com os gorilas.

(Zero Hora)

Nota: Qual será o próximo candidato a parente do ser humano, o mico-leão dourado? Assim como ocorreu com a "história evolutiva das aves" que, pelo jeito, precisa ser reescrita, a evolução do homem vive sendo revista. Só que antes da revisão, o que se tinha eram "certezas"...[MB]

Colaboração: Cássio Medeiros

Relógios moleculares são confiáveis?

Leigos (e cientistas de outras áreas) frequentemente supõem que os biólogos evolucionistas já dataram com êxito os pontos históricos divergentes das espécies usando os dados moleculares - e que tais datas fornecem evidências da confirmação independente das hipóteses evolucionistas. Assim, o tão chamado “relógio molecular” transmite uma aura de precisão analítica na estimativa filogenética. Contudo, neste artigo, Michael Lee (evolucionista molecular da Universidade de Queensland, Austrália) explica que os relógios moleculares verdadeiramente se apoiam em suposições paleontológicas para calibração, e que assim a sua confiança pode não ser melhor do que os dados de fósseis (e as hipóteses) que eles empregam. Como Lee explica:

“Os relógios moleculares não precisam ser calibrados, e isso pode ser feito somente por recurso direto às datas (esperançosamente confiáveis) no registro fóssil. A calibração de relógios indiretamente através do uso de datas inferidas de outros estudos de relógios moleculares (que por sua vez são, em última análise, baseados no registro fóssil) é menos desejável, pois adiciona uma camada extra de incerteza, especialmente se essas inferências moleculares forem altamente controversas” (p. 386).

Analisando diversos estudos de relógios moleculares, Lee está preocupado que somente um único ponto de calibração fóssil é usado, e ainda assim “parece que nenhum desses estudos moleculares tem examinado criticamente a confiabilidade dessa datação fóssil consultando-se a principal literatura paleontológica, o que é surpreendente à vista de suas conclusões de que o registro fóssil tem uma tendência de ser muito enganador” (p. 386). Resumindo, Lee exige grande cuidado em colocar muita importância nos relógios moleculares, considerando-se a confiança deles na calibração paleontológica:

“Mesmo que alguém faça a suposição audaciosa de que os modelos de relógios moleculares têm pouco erro, parece haver pouca razão objetiva em aceitar como sacrossantas algumas datas fósseis usadas na calibração e rejeitar como não confiáveis as datas de fósseis muito mais numerosas que contradizem os cálculos moleculares resultantes. ... Infelizmente, os estudos de relógios moleculares ainda têm que fornecer um quadro de critérios rigorosos para justificar quais datas fósseis devem ser usadas nas calibrações e quais as que devem ser tratadas ceticamente” (p. 389).

(LEE, Michael S. Y., “Molecular Clock Calibrations and Metazoan Divergence Dates”, Journal of Molecular Evolution 49 [1999]: 385-391)

Um ano sem sexo. Melhores relacionamentos

Quando resolveu fazer um voto de castidade, a jornalista Hephzibah Anderson foi bombardeada por perguntas de conhecidos estupefatos: “Você se masturba?”, questionou um amigo; “Foi por minha causa?”, quis saber um ex. Hephzibah contou, em um artigo publicado no jornal inglês The Guardian, que tomou a decisão de ficar um ano sem fazer sexo pouco após completar 30 anos. Logo depois de ver um namorado dos tempos de faculdade com outra mulher e, em seguida, ouvir do homem com quem estava saindo que ele não estava apaixonado. “Uma das minhas motivações para abraçar a castidade foi um sentimento de que o sexo tinha se tornado impessoal”, escreveu Hephzibah no Guardian. “Às vezes minha decisão de fazer sexo parecia baseada mais no que era apropriado ao momento do que no que era certo para mim.”

Durante o período de castidade, a jornalista diz que enfrentou algumas tentações e alguns encontros que normalmente terminariam em sexo, mas não terminaram e tudo bem. Como quando se despediu rapidamente com um beijo depois de sair com um vizinho. Não fosse o voto, ela acredita que as coisas teriam ido mais longe. “É claro que teria algo a ver com desejo, mas também com educação, afabilidade, uma vontade de agradar – uma série de sentimentos fora de lugar.”

Os 12 meses se passaram e Hephzibah sobreviveu para contar que seus relacionamentos agora duram mais e que passou a lidar com eles com mais leveza. Ela também escreveu um livro, Chastened - No More Sex In The City, previsto para sair em julho. E, a julgar pelos mais de 180 comentários dos leitores do Guardian, Hephzibah pode se preparar: mais questionamentos vêm aí.

(Mulher 7 x 7 - Época)

Nota: Vez após vez surge alguém afirmando que viver de acordo com os princípios divinos exarados nas Escrituras (princípios que talvez essas pessoas até desconheçam) torna a vida mais prazerosa, feliz e "leve". Está mais que provado que sexo sem compromisso e sem romantismo leva a frustração, baixa autoestima e até depressão. A verdade é que ninguém gosta de se sentir usado como objeto. Deus criou o ser humano para desfrutar do sexo num contexto de compromisso, entrega exclusiva, fidelidade e amor, ou seja, no casamento. Somente assim o ser humano é verdeiramente feliz. Os fatos atestam o que a Bíblia já aconselha há muito tempo.[MB]

sábado, junho 20, 2009

Jesus e a mitologia pagã

O movimento do Pensamento Livre, que alimenta a objeção popular de que as crenças cristãs sobre Jesus são derivadas da mitologia pagã, está empacado entre os estudos do final do século 19. De certa forma isso é impressionante, já que existem muitos estudiosos contemporâneos céticos, como os do Seminário Jesus, cuja obra os livre pensadores poderiam utilizar a fim de justificar seu ceticismo sobre a compreensão tradicional de Jesus. Mas isso só serve para mostrar como esses popularizadores não têm contato com o trabalho de estudiosos sobre Jesus. Eles estão um século desatualizados.

Voltando à época da chamada escola de História de Religiões, estudiosos em religiões comparadas encontraram paralelos a crenças cristãs em outras religiões, e alguns pensaram em explicar que essas crenças (incluindo a na ressurreição de Jesus) foram influenciadas por esses mitos. Hoje, no entanto, raramente algum estudioso pensa em mitos como uma categoria importante para se interpretar os Evangelhos. Os estudiosos perceberam que a mitologia pagã é simplesmente o contexto interpretativo errado para se compreender Jesus de Nazaré. [Leia mais]

Leia também: "Osíris e Hórus: protótipos do Jesus da fé?"

sexta-feira, junho 19, 2009

Signature in the Cell

No livro Signature in the Cell (Assinatura na Célula), o Dr. Stephen Meyer mostra que o código digital embutido no DNA aponta poderosamente para o design inteligente e ajuda a desemaranhar o mistério que Darwin não conseguiu: Como a primeira forma de vida surgiu? As pesquisas do Dr. Meyer mostram que as novas descobertas científicas estão apontando para o design inteligente como a melhor explicação para a complexidade da vida e do Universo.

Agora é torcer para que alguma editora brasileira tenha disposição (e coragem) para publicar essa obra que merece ser lida por todos os interessados na controvérsia entre o acaso cego e o planejamento inteligente.

Se você não quiser esperar para ler em português, clique aqui.

Dúvidas sobre a evolução dinossauros-aves

Pesquisadores da Universidade Estadual de Oregon, EUA, fizeram uma nova descoberta fundamental sobre como as aves respiram e sobre sua capacidade pulmonar que lhes permite voar – a descoberta significa que é improvável que as aves descendam de qualquer dinossauro terópodo conhecido. As conclusões se somam a outras evidências que podem forçar muitos paleontólogos a reconsiderar sua antiga crença de que as aves modernas são descendentes diretas de antigos dinossauros carnívoros, afirmam os investigadores da UEO. “É realmente espantoso que após séculos de estudos sobre os pássaros e seu voo ainda não entendemos um aspecto básico da biologia das aves”, disse John Ruben, professor de zoologia da UEO. “Essa descoberta provavelmente significa que as aves evoluíram em um caminho paralelo ao lado dos dinossauros, iniciando esse processo antes que muitas espécies de dinossauros existissem.” Esses estudos foram publicados apenas no Journal of Morphology, e foram financiados pela Fundação Nacional de Ciências. [Minha pergunta é: Por que não saíram na Nature ou na Science?]

Sabe-se há décadas que o fêmur, ou osso da coxa, das aves limita os movimentos das aves e as tornam “corredores de joelho”, ao contrário de quase todos os outros animais terrestres, afirmam os especialistas da UEO. Apesar disso, o que acabou de ser descoberto é que essa posição fixa dos ossos das aves e a musculatura impedem que os alvéolos pulmonares entrem em colapso quando o pássaro respira.

Aves necessitam de cerca de 20 vezes mais oxigênio do que répteis de sangue frio, e evoluíram [sic] uma estrutura pulmonar única que permite alta taxa de troca gasosa e alto nível de atividade. O complexo da coxa é o que ajuda a apoiar os pulmões e evita seu colapso. “Isso é fundamental para a fisiologia das aves”, disse Devon Rapido, instrutor de zoologia da UEO que realizou essa pesquisa como parte dos estudos de seu doutorado. “É muito estranho que ninguém tenha percebido isso antes. A posição do fêmur e músculos nas aves é fundamental para o funcionamento pulmonar, que por sua vez é o que lhes dá capacidade pulmonar suficiente para voar.”

Entretanto, todos os outros animais que caminharam em terra, afirmam os cientistas, têm o fêmur móvel que se desenvolveu com a sua locomoção [sic] – incluindo seres humanos, elefantes, cães, lagartos e – no passado – dinossauros.

O resultado, disseram os pesquisadores, é quase certo que as aves não descenderam de dinossauros terópodos, como o Tiranossauro rex ou Alossauro. As descobertas somam-se a um crescente corpo de evidências nas últimas duas décadas que desafiam algumas das crenças mais arraigadas sobre a evolução animal. “Para começar, as aves são encontradas mais cedo no registro fóssil do que os dinossauros dos quais supostamente descenderam”, disse Ruben. “Esse é um problema muito sério, e há outras inconsistências nas teorias da evolução de aves a partir de dinossauros.”

“Mas uma das razões primárias que faz com que muitos cientistas afirmem que as aves descenderam de dinossauros são as semelhanças em seus pulmões”, disse Ruben. “No entanto, dinossauros terópodos têm fêmures móveis e, portanto, não poderiam ter pulmões que funcionassem como os das aves. Seu diafragma, se tiveram algum, teria entrado em falência. Essa evidência enfraquece um importante argumento sobre a relação entre dinossauros e aves. “Um velociraptor não brotou penas em algum lugar e saiu voando pelo céu”, disse Ruben.

As recentes descobertas, afirmam os pesquisadores, são mais consistentes com as aves tendo evoluído [sic] separadamente dos dinossauros e desenvolvido suas próprias características, incluindo penas, asas, um pulmão único e sistema de locomoção. (...)

A pesquisa da UEO sobre a biologia e fisiologia aviária esteve entre as primeiras no país a começar a colocar em cheque a ligação dinossauro-pássaro desde a década de 1990. Outras descobertas foram feitas desde então, na UEO e em outras instituições, que também suscitam dúvidas. Mas antigas teorias são difíceis de superar, disse Ruben, especialmente quando se trata de algumas das mais distintas e romantizadas espécies animais na história mundial.

“Francamente, há muitas políticas históricas envolvidas, e muitas carreiras empenhadas em um determinado ponto de vista mesmo que novas provas científicas levantem dúvidas”, disse Ruben. Em algumas exibições de museus, disse ele, a teoria da evolução das aves a partir de dinossauros tem sido retratada como um fato amplamente aceito, com um asterisco apontando em letras miúdas que “alguns cientistas discordam”.

“Nosso trabalho na UEO costumava ser basicamente o único ao qual os asteriscos faziam menção”, disse Ruben. “Mas agora há mais asteriscos surgindo o tempo todo. Isso é parte do processo científico.”

(A publicação na qual este artigo se baseia pode ser encontrada aqui. A Academia de Ciências da Universidade Estadual do Oregon é uma das maiores unidades acadêmicas da UEO, tem 14 departamentos e programas. Seu corpo docente é composto por líderes internacionais em pesquisa científica.)

Nota: A despeito dessas vozes discordantes de peso, a grande imprensa contribui para perpetuar o mito. Confira aqui (e essa saiu na Nature).

Leia também: "Aves - maravilhas aladas", "Dinossauros tiveram penas desde a sua origem" e "'Penas primitivas' surgiram depois das 'modernas'?"

O delírio de Dawkins exposto


Dr. William Lane Craig expõe as fragilidades dos argumentos do ultradarwinista Richard Dawkins. Assista à segunda parte aqui.

Jornalista criacionista

Concedi esta entrevista à aluna de jornalismo Ana Manoela Reis Rios, do Centro Universitário Adventista (Unasp), campus Engenheiro Coelho. [Leia aqui]

Diploma, questão de caráter

Duas profissões chamaram a atenção do Brasil nos últimos sete meses: Direito e Medicina. No Espírito Santo, a Polícia Federal prendeu desembargadores, juízes e advogados, acusados da venda de sentenças - como era de se esperar, os magistrados saíram da prisão. Antigamente se tratava de uma prática baseada no compadrio. Hoje se transformou em negócio. Em Londrina, no Norte do Paraná, graduandos de Medicina da Universidade Estadual (UEL) resolveram promover uma arruaça dentro do pronto-socorro do hospital universitário, soltando fogos, agredindo verbalmente pacientes e funcionários. Tudo em nome das comemorações pela conclusão da residência e do curso.

O envolvimento e prisão de magistrados, promotores e demais profissionais das leis não é mais novidade no País da impunidade. Eles nunca duram muito tempo atrás das grades. E quando permanecem um pouco mais que o razoável, recebem todo o tipo de privilégio. Seria inédito se houvesse punição exemplar, inclusive com a destituição do direito ao exercício profissional, mesmo depois de cumprida a sentença. Mas no reino dos intérpretes da lei, só pichador pega 52 dias de cana. Afinal, o Brasil é o paraíso dos advogados e isso não tem a menor possibilidade de se tornar uma praxe. Eles sequer são conduzidos aos tribunais. Em relação aos "médicos", apesar de provas contundentes, também não vão para a cadeia, mesmo que esquartejem seus pacientes. A Justiça pode prender o doutor Jekyll, mas nunca colocará no banco dos réus o senhor Hyde. [Leia mais]

quinta-feira, junho 18, 2009

O fim do mundo em 2012: brincadeira de mau gosto

Existem várias teorias e profecias sobre o fim do mundo, mas a mais recente tem um detalhe que faz com que uma grande empresa de mídia tente ganhar dinheiro em cima disso. A história começa com Mike Brown, astrônomo da empresa Caltech, que encontrou mais planetas fora do nosso sistema solar que qualquer outra pessoa. Ele recebe vários e-mails de pessoas preocupadas, perguntando se o mundo vai acabar em 2012. As preocupações das pessoas começam com informações falsas que afirmam que um planeta (que não existe, de acordo com Brown) chamado Nibiru, ou planeta X, entrará no sistema solar, atingirá e destruirá a Terra. Há muito tempo, Brown achava que essas pessoas são apenas ignorantes ingênuos.

Bem, seu ponto de vista mudou um pouco. Um pai, preocupado com a segurança de sua família, mandou uma mensagem de voz para o astrônomo. “Esse homem era cético quanto às afirmações sobre 2012, (…) mas alguma coisa fez com que ele ficasse preocupado o bastante para procurar um astrônomo que ele não conhecia para saber se tudo ficaria bem”, disse Brown em seu blog.

Depois disso, Brown encontrou um e-mail na sua caixa de spam, que afirmava ter sido enviado pelo diretor do Instituto de Continuidade Humana (ICH). O e-mail afirma que o Instituto confirmou evidências que indicam que o “desastre de 2012 é real e inevitável”, diz. “Acreditamos com 94% de certeza que eventos cataclísmicos irão devastar nosso planeta e muitos dos que o habitam. O dia 21 de dezembro de 2012 não pode ser ignorado”, continua o e-mail. O link para o site do ICH realmente leva a um site bem formulado, e quem não reconhece os atores na página acredita que o ICH é real.

A verdade é que o site foi criado pela Sony Pictures. Brown afirma que, ao contrário de muitos sites mal feitos que existem pela web, este realmente parece ser verdadeiro. “É profissional. Não tem sinais óbvios de que foi uma criação de brincadeira”. E brincadeiras às vezes vão longe demais. Em janeiro, algumas pessoas soltaram balões de ar no céu de New Jersey, nos Estados Unidos. Um juiz considerou-os culpados de potencial risco de incêndio e de risco ao tráfego aéreo e multou as pessoas em 250 dólares. Nenhum dos riscos chegou a acontecer, mas o mal que isso poderia ter causado foi suficiente para o juiz.

Brown afirma que isso pode ir longe demais: assustar as pessoas que podem nunca ficar sabendo da verdade, que poderia tranquilizá-las. “Como podemos chamar um e-mail que me assusta e me convence a entrar em um site que então tenta me assustar mais ainda e não admite ser uma simples propaganda de um filme?”, afirma Brown, que diz que o e-mail é simplesmente de mau gosto.

Uma empresa do tamanho da Sony (lembre-se, recorrendo a spam) poderia simplesmente colocar um link para um trailer do filme, ao invés de mostrar um site falso. Eu irei fazer a minha parte para não estimular que nenhum produtor de filmes faça algo assim novamente e não assistirei o filme.

(Hypescience)

Leia também: “O mundo vai acabar em 2012?”

“Batman é Deus, cara!”

A respeito da postagem "Capitão América ressuscita nos quadrinhos", o leitor Marco Dourado, de Curitiba, escreveu: "A ressurreição do Super-Homem foi mais acintosa: ele ressuscitou no terceiro dia e, diante do sepulcro vazio, a Supermoça foi literalmente voando avisar os discípulos, digo, os outros super-heróis: 'O corpo desapareceu!' No seriado Smallville, o jovem Clark Kent é chamado por uma personagem de 'o nosso Salvador' e ainda se dá ao luxo de rebater com ironia: 'Eu não sou um novo Jesus...' Incrível como os quadrinhos vêm conseguindo refletir o espírito de época nos últimos 70 anos. Da minha infância, lembro que as histórias antigas espelhavam os valores tradicionais da sociedade wasp (branca, anglo-saxônica e protestante). As personagens pareciam basear suas condutas na parábola dos talentos: ou usavam suas habilidades estritamente em benefício do próximo (heróis) ou danavam a predar e extorquir a humanidade (vilões). Então vieram a Era de Aquário, o Vietnã, Woodstock, a contracultura, Watergate, a discoteca, os yuppies, a aids, a Queda do Muro, a internet, o ambientalismo e a Al-Qaeda. A tudo isso os quadrinhos se adaptaram. Você não acreditaria em alguns enredos de sucesso feitos na última década. Lembro-me que há exatos 20 anos entrei em uma banca de revistas para comprar um jornal. A meu lado, dois adolescentes folheavam, sôfregos, uma minissérie de luxo do Homem-Morcego, curiosamente intitulada 'O Messias'. Um deles exclamou: 'Pô, meu! Dá uma sacada!' O outro se entusiasmou: 'Sóóóóóó! Batman é Deus, cara!' Bom, se lembrarmos que na Argentina fundaram uma religião com igreja, vitrais góticos e até liturgia para venerar o jogador Diego Maradona... Como diria Asterix: 'Por Tutátis!'"

Gleiser usa Dan Brown para falar de ciência e religião

Como não podia deixar de ser, hoje escrevo sobre o filme “Anjos e Demônios”, baseado no romance homônimo de Dan Brown. Para os leitores que não tiveram a oportunidade de assistir ao filme ou ler o livro, a narrativa trata de um complô para assassinar a cúpula da Igreja Católica durante a escolha de um novo papa. Uma bomba extremamente poderosa foi escondida em algum lugar da famosa basílica de São Pedro, no Vaticano, e irá explodir, a menos que nosso herói, o professor de Harvard especialista na interpretação de símbolos Robert Langdon (Tom Hanks), consiga desvendar uma série de mistérios e pistas.

A bomba, e aqui entra o tema principal do filme, é um artefato que usa uma amostra de antimatéria criada pelos cientistas do Cern, o centro europeu de física de partículas, a casa do LHC, o gigantesco colisor de partículas que deverá entrar em funcionamento em alguns meses. O filme retrata o conflito entre os magistérios que supostamente disputam o domínio da sociedade: a religião e a ciência.

A cena inicial se passa no templo da ciência, onde os seus sacerdotes, os cientistas do Cern, preparam-se para acionar a maior máquina já construída na história. A bela física italiana Vittoria Vetra (Ayelet Zurer) e seu colega, um padre físico (vejam que essa união não é impossível), planejam isolar um pouco de antimatéria.

O ponto é que antimatéria é extremamente rara: o Universo é composto quase exclusivamente de matéria, os átomos formados de partículas elementares como elétrons e quarks (componentes dos prótons e nêutrons). Ainda bem.

Partículas de matéria desintegram-se imediatamente quando entram em contato com partículas de antimatéria, transformando-se em raios gama, uma forma de radiação eletromagnética de altíssima energia. Se você apertasse a mão da sua antipessoa, o Brasil desapareceria em instantes.

A bomba que ameaça destruir o Vaticano é feita de antimatéria, roubada do experimento no Cern. No livro, fica claro que a intenção dos físicos é recriar o Big Bang, o momento da criação, transformando mistério em ciência.

O padre físico quer provar que Deus existe; os cientistas, que a ciência explica até mesmo o mistério da criação sem a necessidade de interferências sobrenaturais. No meio tempo, a liderança da Igreja Católica pode desaparecer do mapa: o fim da religião pelas mãos da ciência.

Não vou contar o que acontece no filme, para não estragar a surpresa.

Mesmo que o enredo não faça muito sentido do ponto de vista científico, Dan Brown consegue trazer o conflito entre ciência e religião ao grande público, o que acho notável.

Infelizmente, no filme vemos uma tendência a manter estereótipos que me parecem injustos. Existe uma aura de inocência nos cientistas e de sapiência nos cardeais, como se cientistas fossem imaturos e irresponsáveis perante a autoridade moral da igreja.

O templo da ciência parece um brinquedo perante o majestoso templo da igreja. (E, em termos de beleza, não há mesmo o que comparar. Mas a questão aqui é a função de cada um.) Mas o que define a sociedade moderna? Os “brinquedos” digitais da ciência ou a moral ancestral da religião?

A sabedoria e a moralidade não são província exclusiva da religião. Muitas pessoas sábias e altamente morais não são religiosas. Todos sabem que matar é errado (mesmo que as religiões se esqueçam disso com frequência), e a maioria sabe que devemos amar o nosso próximo. Os desafios que enfrentaremos ao longo deste século, do aquecimento global à crise de energia, serão resolvidos nos templos da ciência e não nos belos templos da religião.

(Marcelo Gleiser. Artigo publicado na Folha de S. Paulo e republicado no Jornal da Ciência)

Nota: Marcelo Gleiser deveria repensar suas fontes (se bem que, como físico pop, ele precisa de “ganchos” atuais nos quais pendurar suas ideias e para atrair leitores). Dan Brown lá é fonte para discutir história da ciência?! Esse escritor sequer menciona suas fontes e comete “assassinatos históricos” em nome de uma boa história (confira aqui). Gleiser se apoia em Brown para “explicar” o suposto (e artificialmente alimentado) clima de conflito entre ciência e religião. Pena que procure evitar a verdade de que a ciência experimental se desenvolveu em um ambiente ocidental cristão protestante (confira aqui).[MB]

quarta-feira, junho 17, 2009

Gay Talese: por uma visão ampla do mundo

A revista Veja desta semana traz uma breve entrevista com o jornalista e escritor Gay Talese. Tornei-me admirador dele desde o tempo da faculdade, quando tive contato com grandes nomes do New Journalism, como Tom Wolfe, Truman Capote e o próprio Talese. Seus textos são deliciosos. De vez em quando, leio a narração feita por Wolfe da queda de um caça americano pilotado pelo legendário Chuck Yeager, o primeiro homem a quebrar a barreira do som. Quase dá para sentir o cheiro de fumaça na cabine do avião em pane. Esse texto magistral foi publicado no ótimo livro Os Eleitos. A reportagem feita por Talese sobre a construção da ponte Verrazano Narrows, no Brooklin, também é de cair o queixo e pode ser conferida no delicioso Fama e Anonimato. São reportagens para inspirar (e deixar morrendo de inveja, no bom sentido) qualquer jornalista e/ou escritor.

Na entrevista de Veja, Talese afirma que, “com as novas tecnologias, e sobretudo com a criação da internet, o público hoje é informado de modo mais estreito, mais direcionado. Na internet, os jovens se informam de modo muito objetivo, no mau sentido. Eles têm uma pergunta na cabeça, vão ao Google, pedem a resposta, e pronto. Estão informados sobre o que queriam, mas é um modo linear de pensar e ser informado, que não dá chance ao acaso. Quem está interessado em saber sobre o presidente do Paquistão vai à internet, fica sabendo que ele andou visitando Washington, quem é o seu principal oponente, essas coisas. Quem lê um jornal impresso lê sobre tudo isso e depois, ao virar a página, lê sobre a mulher do Silvio Berlusconi, depois sobre as chinesas que perderam seus filhos naquele terremoto, depois sobre o desastre do Air France que saiu do Rio para Paris. Enfim, lê histórias que não procurou e, por isso, acaba adquirindo um sentido mais amplo do mundo. Claro que você também pode fazer isso na internet, mas o apelo da internet é o oposto. É oferecer informação rápida. A internet é o fast-food da informação. É feita para quem quer atalho, poupar tempo, conclusões rápidas, prontas e empacotadas. Quem se informa pela internet, de modo assim estreito e limitado, pode ser muito bem-sucedido, ganhar muito dinheiro, mas não terá uma visão ampla do mundo. Para piorar, surgiram esses blogs com blogueiros desqualificados, que apenas divulgam fofoca. São como uma torcida num jogo de futebol que fica o tempo todo gritando para os jogadores, para o juiz. É gente que não apura nada, só faz barulho”.

O jornalista, que agora está escrevendo sobre seu casamento de 50 anos com Nan, aconselha: “De todas as profissões, se um jovem estiver interessado em honestidade e não estiver interessado em ganhar muito dinheiro, eu aconselharia o jornalismo, que lida com a verdade e tenta disseminar a verdade. Há mentirosos em todas as profissões, inclusive no jornalismo, mas nós não os protegemos. Os militares acobertam mentirosos. Os políticos, os partidos, o governo, todos fazem isso. O escândalo do Watergate é uma crônica de acobertamento. Os jornalistas não agem assim, não toleram o mentiroso entre eles. Acho uma profissão honrosa, honesta. Tenho orgulho de ser jornalista.”

Capitão América ressuscita nos quadrinhos

O Capitão América está ressurgindo da sepultura. O super-herói da editora Marvel Comics retornará às bancas norte-americanas a partir de 1º de julho em uma minissérie de cinco partes intitulada “Captain America reborn” (Capitão América renascido, em tradução literal). Mas a Marvel não revela como ele volta dos mortos. O editor-executivo Tom Brevoort indica que o personagem passou por uma “jornada metafísica” que inclui uma busca por seu lugar no mundo. Brevoort afirma que “enquanto parecia que ele estava morto, sua mente e espírito” estavam ativos em outro lugar.

O Capitão América, alter-ego de Steve Rogers, foi baleado e aparentemente morto dois anos atrás nas escadarias de um tribunal de Manhattan.

O aliado de Rogers, Bucky Barnes, tomou seu lugar na série. Segundo Breevort, Barnes embarcará em uma missão para reviver o herói.

A história só deve ser publicada no Brasil em 2010.

(G1 Notícias)

Nota: De uns anos para cá, a temática espírita e mesmo o ocultismo tomaram conta dos quadrinhos estrangeiros e nacionais. O Capitão América não é o primeiro a “ressuscitar” dos mortos nesse universo ficcional das HQs. O Superman e a Elektra, por exemplo, também voltaram da morte. A Bíblia afirma que a imortalidade é um dom que será conferido àqueles que mantiverem relação íntima com o doador da vida, Jesus Cristo (Jo 14:6). Esses, mesmo que morram, serão ressuscitados na segunda vinda de Cristo (1Ts 4:17). Portanto, imortalidade e ressurreição não são dons/capacidades inerentes ao ser humano, por mais que a mídia ajude a reforçar esse engano originado no Éden (Gn 3:4).[MB]

Budismo e cristianismo

Levando em conta a exposição que a religião budista vem recebendo na mídia (quase sempre de forma positiva), principalmente por conta da adesão de figuras famosas de Hollywood, vale a pena evidenciar alguns contrastes entre aquela filosofia e o cristianismo bíblico:

 

1. Buda era filho de um rei humano; Jesus é o unigênito Filho de Deus (Mc 1:1).

2. Buda precisou ser iluminado; Jesus é a Luz do mundo (Jo 8:12).

3. Buda desencarnou para tornar-se deus; Jesus é o Deus verdadeiro (1Jo 5:20).

4. Buda buscou a verdade; Jesus é a Verdade (Jo 14:6).

5. Buda viveu; Jesus é a Vida (Jo 1:4).

6. Buda indicou o caminho; Jesus é o Caminho (Jo 14:6).

7. Buda cometeu erros; Jesus nunca pecou (1Pe 1:19).

8. Buda está morto; Jesus ressuscitou e é eterno (1Co 15:1-8; Hb 7:24).

9. O homem está só no Universo; Deus chama os homens de filhos (Rm 8:15).

10. O destino final do homem deve ser o nada; o destino final do homem deve ser o Céu (Jo 6:39).

11. Reencarnar para pagar pelos erros; arrependimento e perdão para ser salvo (2Pe 3:9).

12. O corpo é mau, um empecilho; o corpo é templo do Espírito Santo e deve ser usado para a glória de Deus (1Co 6:20).

Religião self-service

Creio que o estudante de Jornalismo Gabriel Marquim, em texto publicado no Observatório da Imprensa, matou a "charada": "O jornalismo caiu no abismo pós-moderno. Não entendo, portanto, por que o trato superficial da mídia poderia trazer ganhos às religiões. Ao contrário. O jovem, hoje, volta-se ao transcendente, mas não quer compromissos que o tirem de sua vidinha comum ou que o faça preocupar-se, realmente, com o outro. A capa da Época resume tudo: o jornalismo apresenta uma religiosidade coloridinha, pop, do mistureba, do self-service."

terça-feira, junho 16, 2009

Mercúrio pode colidir com a Terra em 1 bi de anos

Uma recente simulação de computador projetou um fim catastrófico para o nosso Sistema Solar em um futuro muito distante. A Terra poderá entrar em rota de colisão com os planetas Mercúrio, Vênus ou Marte daqui há pelo menos 1 bilhão de anos, segundo estudo publicado na revista britânica Nature e citado pelo canal de TV Fox. Cálculos astronômicos realizados durante o experimento indicam que a possibilidade é remota, mas pode acontecer. "É possível, mas improvável", afirma Gregory Laughlin, professor da Universidade da Califórnia e investigador convidado pela Nature para comprovar a natureza dos resultados apresentados pela simulação.

Conforme a investigação, transtornos ocorridos na órbita de Mercúrio poderiam fazer com que ele se chocasse contra outros planetas, provocando uma desestabilização nos demais corpos que giram ao redor do Sol. Os argumentos foram dados depois que os responsáveis pelo estudo, Jacques Laskar e Mickael Gastineau, do Observatório de Paris, analisaram 2.501 cenários possíveis no computador. No entanto, em outra projeção, os cientistas concluíram que há 99% de chances de a Terra e seus vizinhos viverem em paz durante 3,5 bilhões de anos.

A maioria dos resultados obtidos nas simulações não incluíram colisão entre planetas, mas 25 deles mostraram uma forte instabilidade na órbita de Mercúrio. A perturbação poderia provocar uma reação em cadeia com proporções fatais ao passar pela Terra, seguindo por Vênus, Marte e o resto do Sistema Solar.

Os astrônomos já sabem calcular o movimento dos planetas com bastante precisão há muito tempo, com centenas e até milhares de anos de antecedência - é assim que são calculadas as datas dos eclipses, por exemplo.

Mas olhar tão adiante no futuro da mecânica celestial com exatidão ainda está além de nosso alcance, afirmou Laskar. "As mais precisas soluções de longo prazo para o movimento orbital do Sistema Solar não valem para muito além de algumas dezenas de milhões de anos", estimou.

(Terra)

Nota: Na verdade, todos os cenários naturalistas para o futuro (ainda que distante) da Terra e da espécie humana são sombrios. Se nosso planeta não se chocar com um vizinho no sistema solar, nem for atingido por um asteroide, segundo os astrônomos, nosso Sol terá esgotado boa parte do seu combustível em cinco bilhões de anos. Num último "suspiro", antes de colapsar e se tornar uma estrela anã, o Sol, numa espécie de espasmo, alcançaria a Terra, torrando-a. Outros dois cenários: (1) se houver massa suficiente para conter a expansão do Universo, toda a matéria do cosmo poderá se encontrar, contrair e formar um super buraco negro; (2) mas, caso não haja matéria suficiente para conter a expansão, o Universo se expandirá indefinidamente; as estrelas se afastarão umas das outras e, por fim, terão consumido todo o seu combustível. De qualquer forma, de acordo com o cenário pintado pelos cientistas, não temos muitas esperanças de sobreviver além de alguns bilhões de anos neste universo (isso se o ser humano não der um jeito de se destruir muito antes disso, pois capacidade para isso não falta). Será que é por isso que a máxima de muita gente é: "comamos e bebamos porque amanhã morreremos"? O fato é que a única alternativa que traz esperança trata-se da volta de Jesus (Jo 14:1-3) e da posterior transformação deste planeta na Nova Terra (Ap 21). Portanto, há solução para o mundo e seus habitantes, e ela vem do Alto.[MB]

Credo da sociedade pós-moderna

Nós cremos em Marx, Freud e Darwin.
Cremos que tudo está bem
Enquanto você não esteja machucando alguém,
Até a sua melhor definição de machucado,
E até sua melhor definição de conhecimento.

Cremos em sexo antes, durante e depois do casamento.
Cremos em terapia do pecado.
Cremos que sodomia é legal.
Cremos que tabus são um tabu.

Cremos que tudo está ficando melhor
Apesar da evidência contrária.
A evidência deve ser investigada
E você pode provar qualquer coisa com evidência.
Cremos que há algo no horóscopo,
Extraterrestres e colheres dobradas.

Jesus foi um homem bom como Buda,
Maomé e nós mesmos.
Ele foi um bom mestre moral apesar de pensarmos
Que sua boa moral era ruim.

Cremos que todas as religiões são basicamente a mesma coisa –
Pelo menos aquela que lemos era.
Todos acreditam em amor e bondade.
Eles apenas diferem no assunto da criação,
Pecado, céu, inferno, Deus e salvação.

Cremos que depois da morte vem o nada
Porque quando você pergunta para o morto o que acontece
Eles dizem nada.
Se a morte não é o fim, se os mortos mentiram, então é
Céu obrigatório para todos, exceto, porém,
Hitler, Stalin e Genghis Khan.

Cremos em total desarmamento.
Cremos que existe uma conexão direta entre guerra e derramamento de sangue.
Nós cremos que o homem é essencialmente bom.
Apenas seu comportamento é que desaponta.
A culpa é da sociedade.
Sociedade é a culpa das condições.
Condições são a culpa da sociedade.

Nós cremos que cada homem deve encontrar a verdade
Que é certa pra ele.
Realidade irá se adaptar de acordo.
O universo irá se reajustar.
História será alterada.

Nós cremos que não há verdade absoluta,
Exceto a verdade de que não há verdade absoluta.
Nós cremos na rejeição de nossas crenças,
E o florescimento do pensamento individual.

Se o acaso é o Pai de toda carne,
Desastre é seu arco-íris no céu,
E quando você ouve:

Estado de Emergência!
Franco atirador mata dez!
Tropas enlouquecidas!
Brancos saem para roubar!
Bomba explode escola!

Não é nada senão o som do homem adorando seu criador.

(Steven Turner, jornalista britânico; tradução: Marina F. Garner)

A Wallace o que é de Wallace

Em fevereiro de 1858, o naturalista Alfred Russel Wallace encontrava-se na ilha de Gilolo capturando insetos para vender, quando uma doença o impediu de continuar trabalhando. O ofício de entomólogo financiava seu verdadeiro objetivo: levantar dados para fundamentar uma teoria sobre a origem das espécies, motivação que o conduzira da Inglaterra para a floresta amazônica e, naquele momento, para o arquipélago Molucas (região da Nova Guiné, Oceania). Durante o repouso forçado, ele pôs-se a refletir sobre a natureza viva e, subitamente, ocorreu-lhe uma intuição, assim descrita em recordações datadas de 1905:

"Naqueles dias eu sofria de um ataque agudo de febre intermitente; todo dia (durante os acessos de frio e posterior calor) tinha de repousar por algumas horas, tempo durante o qual nada tinha a fazer senão pensar sobre alguns assuntos que então me interessavam particularmente. Um dia algo fez-me recordar os Princípios de população, de Malthus, que eu havia lido doze anos antes; pensei em sua clara exposição dos ‘impedimentos positivos ao aumento’ – doença, acidentes, guerra e fome – que mantêm a população das raças selvagens tão abaixo da média das pessoas civilizadas. Então, ocorreu-me que essas causas (ou suas equivalentes) também estão continuamente agindo no caso dos animais e, como eles usualmente reproduzem-se muito mais rapidamente do que os humanos, a destruição anual devido a elas deve ser enorme para controlar a população de cada espécie (posto que os animais, evidentemente, não aumentam regularmente de ano para ano, pois de outra maneira o mundo de há muito teria sido densamente povoado pelos que procriam mais rapidamente). Pensando vagamente sobre a enorme e constante destruição que isso implica, ocorreu-me formular a questão: por que alguns morrem e alguns vivem? E a resposta foi claramente que, no todo, o melhor adaptado vive. ... Então, subitamente me lampejou que esse processo autoativo necessariamente melhoraria a raça, porque a cada geração o inferior inevitavelmente seria destruído e o superior permaneceria – ou seja, o melhor adaptado sobreviveria."

Nota do blog Desafiando a Nomenklatura Científica: "Alguns especialistas consideram o texto de Wallace sobre a seleção natural superior ao texto de Darwin. Mas Wallace não tinha QI [Quem indica - Lyell e Hooker] junto às sociedades científicas inglesas da época, e deu no que deu..."

Leia também: "O homem que não era Darwin" e "Darwin plagiou a teoria da evolução?"

Beija-flor acelera mais do que caças militares

Pesquisadores descobriram que o voo do beija-flor da espécie Calypte anna durante o acasalamento é comparativamente mais rápido que um jato em potência máxima ou até um ônibus espacial voltando à atmosfera. Foi descoberto que o pássaro, nativo da América do Norte, faz uma volta durante o voo que chega a suportar 10 vezes a força da gravidade – um piloto de jato, por exemplo, não aguentaria essa força G sem desmaiar. A incrível aceleração do pássaro foi medida com o uso de câmeras de alta velocidade, que calcularam que o beija-flor macho, que tem apenas sete centímetros de comprimento, chegava a quase 93 km/h fazendo um “mergulho” no ar para impressionar as fêmeas.

A equipe da Universidade da Califórnia, que fez o estudo, afirma que o pássaro voa a 385 vezes o próprio tamanho por segundo, o que é mais rápido que um jato militar – que voa a 150 vezes o próprio tamanho, e um ônibus espacial, que voa a 207 vezes o próprio tamanho por segundo.

O fenômeno acontece quando o beija-flor está em época de acasalamento e uma fêmea chega em seu território. O macho então voa alto e faz um “mergulho” no ar. Quando chega ao fim do voo, quando tem sua maior velocidade, o pássaro produz um barulho alto com as asas do rabo, descrito como um “chio explosivo”.

(Hypescience)

segunda-feira, junho 15, 2009

O fortalecimento do neoateísmo

Há alguns meses, foi publicado no Brasil o livro Deus, um Delírio, do maior expoente do ateísmo moderno, o biólogo Richard Dawkins. O que me preocupa em livros como o de Dawkins é a visão extremamente reducionista da realidade, como se tudo o que existe pudesse ser explicado pelo materialismo filosófico.

Ariel Roth, no livro Origens, sustenta que "a verdade precisa ser buscada, e devia fazer sentido em todos os campos. Devido a ser tão ampla, a verdade abrange toda a realidade; e nossos esforços para encontrá-la deveriam também ser amplos".

Deus, um Delírio é, sem dúvida, uma obra panfletária, na qual o autor destila todo o seu ódio à religião. Conheço ateus mais sensatos que se disseram "embaraçados" com a publicação desse novo livro do "devoto de Darwin". Aliás, esse apelido dado a Dawkins pela Veja torna-se ainda mais apropriado quando se lê Deus, um Delírio. Isso é coisa de devoto fundamentalista que acha que a única visão de mundo correta é a sua.

Para o ex-ateu Alister McGrath, também professor em Oxford, como Dawkins, e autor de O Delírio de Dawkins, a estridência das afirmações contidas no livro do biólogo apenas mascara os argumentos gastos, fracos e reciclados. [Leia mais]