sábado, fevereiro 28, 2009

Cíclotron de prótons é usado para combater câncer

Se tamanho é sinônimo de qualidade, o Cíclotron da empresa Sistemas Médicos Varian, é a melhor máquina destruidora de câncer do mundo. Por definição, um cíclotron é um acelerador de partículas e este foi desenvolvido para administrar um tratamento à base de prótons. A diferença é que este é um acelerador de prótons de 250 Volts. A máquina é tão grande que não pode ser colocada em um hospital – precisou que um hangar especial fosse construído para ela. O objetivo é procurar o câncer no corpo do paciente, mirar neles e tratá-lo com radiação. É importante controlar corretamente os tratamentos com prótons, já que eles têm um comportamento muito menos preciso do que os fótons, usados em outros tipos de tratamento. (...)

Nota: o Hospital Adventista de Loma Linda, na Califórnia, foi o primeiro a empregar a terapia com acelerador de prótons. Coisa de criacionistas atrasados que têm medo da ciência...[MB]

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Vem aí: Outra Leitura


Dentro de poucos dias você fará OUTRA LEITURA do mundo. Aguarde!

A pregação de Caio Fábio e Carla Perez

O ex-pastor e psicanalista Caio Fábio escreveu em seu site: "Comemoram-se os duzentos anos de Charles Darwin e de sua Teoria da Evolução das Espécies. Até ele a criação era vista como algo fixo, sem mudança desde o 6º Dia da Criação. Em momento algum, todavia, a Bíblia diz que o Pai já não cria e nem trabalha... Ao contrário, Jesus disse: 'Meu Pai trabalha até agora...' Os cristãos querem um Deus que intervenha na vida, mas não querem um Deus que continue criando... Sim! Querem um Deus de milagres para o homem, de criações novas para o homem; mas que não seja milagroso na criação. E mais: fazem diferença entre Jesus curando e criando um olho em um cego de nascença e Jesus criando um órgão em um peixe no fundo do mar...

"Assim, se são informados que animais estão ainda mudando e evoluindo, ganhando novos membros ou órgãos de adequação à vida, acham que isso seja blasfêmia. Deus criou em Dias Eras de tempo e de não tempo. Cada dia do Dia de Deus é feito de bilhões de anos humanos?... Por que não? Quem declarou tal impedimento? Deus não sofre o tempo; posto que o tempo exista Nele. (...)

"Uma coisa é o Autor. Outra a Obra. A fé lida com o Autor. A ciência lida com as Obras. Qual é o problema? Até no quintal de minha casa vejo as coisas mudando, se adaptando... (...)

"Entretanto, eu pergunto: E qual é o problema? Darwin não é meu inimigo. Celebro sua ousadia e fé. Todavia, lamento que os crentes tenham endiabrado o homem (...)

"Muito assustará os crentes quando e se virem, no Reino de Deus, Charles Darwin, Einstein, Newton, Copérnico, entre outros... – enquanto muitos bispos estarão de fora... Enquanto isto... o obscurantismo perdura.

"Já imaginou se Deus está interessado na briga entre criacionistas e evolucionistas? Ah, meus amigos, sem medo eu lhes digo que Ele não está. Assisto documentários sobre a Evolução das Espécies e me deleito no amor de Deus! Todavia, para mim, não há diferença se os 6 dias foram dias pequenos, mínimos de tempo ou se foram bilhões de dias e anos...

"Entretanto, e se um Dia se tornasse um Dia apenas quando cada processo estivesse parcialmente concluído a fim de iniciar um outro... Dia? Qual o problema? Você está com pressa? Não estou pedindo a sua opinião. Apenas expresso a minha. Afinal, quem pensa que cheguei aqui sem milhões de horas de oração e reflexão?"

Nota: conheço muitos cientistas e pesquisadores criacionistas cujas pesquisas se baseiam em dados que não vêm de observações feitas no quintal de casa... mas vêm da ciência, da racionalidade, da análise fria e imparcial de dados. Dos avanços científicos mais recentes, dos dados de genoma, da bioquímica, da química, dados científicos de fronteira. Esses dados mostram, agora de uma forma extremamente clara e inconfundível, como Deus criou. Não conhecemos exatamente todos os mecanismos, mas uma coisa sabemos com certeza: Ele não usou a evolução! Muitos aspectos do darwinismo ainda se sustentam graças à força da propaganda, pelas muletas e escoras do naturalismo filosófico. O que Caio Fábio escreveu mostra, infelizmente, que as muletas e escoras não são só colocadas pelos naturalistas filosóficos, mas que o obscurantismo infelizmente se alastrou e se instalou também entre cristãos. Guardadas as devidas proporções, o que o ex-pastor faz (cristianizar o darwinismo) é semelhante ao que a dançarina Carla Perez fez neste Carnaval. Deu no Terra: “A ex-dançarina do ‘É o tchan’ Carla Perez comemora 10 anos de seu bloco infantil ‘Algodão doce’, que neste ano tem o tema ‘Algodão doce no mundo encantado’. Sob um sol escaldante, a loira abriu o bloco, [no] sábado, 21 com a música evangélica ‘Entra na minha casa’. Vestida com uma fantasia de Minnie, ela falou sobre o desfile. ‘Estou arrepiada. É um presente de Deus’, disse a loira, que rezou o Pai Nosso antes de começar a folia.” Que tempos estes, hein?! Evolução biológica e Carnaval agora são “presentes de Deus”...[MB]

“Sexo surgiu com peixe pré-histórico”

O estudo do fóssil de um peixe que viveu há cerca de 365 milhões de anos [sic] sugeriu que a fertilização de óvulos dentro do corpo da fêmea evoluiu mais cedo do que se acreditava anteriormente. O peixe, conhecido como placodermo, pode ter sido o primeiro vertebrado a se reproduzir através da fertilização de óvulos dentro da fêmea [note o uso dos verbos “sugeriu” e “pode” em contraste com o verbo “surgiu”, no título desta matéria; quase sempre afirmam para depois dizer que “não é bem assim”]. Pesquisadores do Museu de História Natural de Londres (NHM, na sigla em inglês) disseram que foi encontrado um embrião de cerca de cinco centímetros de comprimento no fóssil de placodermo. “Este peixe fornece uma das evidências mais antigas de reprodução interna”, disse Zerina Johanson, curadora de fósseis de peixes do museu.

“Nós esperávamos que estes primeiros peixes tivessem um tipo mais primitivo de reprodução, onde espermatozoide e óvulo se combinam na água e os embriões se desenvolvem fora do peixe. Copulação parece ter sido a principal forma como animais pré-históricos primitivos se reproduziam, demonstrando que o ‘sexo’ começou muito mais cedo do que nós pensávamos”, afirmou Johanson.

O fóssil foi encontrado originalmente no oeste da Austrália e estava no acervo do museu desde a década de 80. Inicialmente os pesquisadores acreditavam que o fragmento no interior do fóssil fosse apenas um vestígio de um peixe que ele havia comido pouco antes de morrer.

O fóssil mostra uma modificação na nadadeira pélvica na barriga do peixe. Os autores do estudo, publicado na revista Nature, acreditam que essa estrutura, chamada clásper, teria sido usada pelo macho para se prender à fêmea durante a copulação – um órgão semelhante ao dos tubarões modernos. “O clásper é um órgão ereto de maneira intermitente que é inserido dentro da fêmea para transferir o sêmen”, disse o co-autor do estudo, o paleontólogo John Long do Museu Victoria, na Austrália.

Em um tipo de placodermo esse órgão é diferente. “Este novo grupo tem clásperes mais flexíveis. No artigo na Nature, nós sugerimos que esse é o começo da fertilização erétil masculina, porque parte daquele órgão foi tomado por cartilagem mole”, explicou Long.

O processo de fertilização interna e nascimento diferencia alguns peixes e mamíferos de outros animais tais como répteis e anfíbios. Johanson acredita que esse era o principal método reprodutivo dos primeiros peixe, como os placodermos e pode ter evoluído também em outros grupos de peixes.

(Terra)

Nota: é fácil conjecturar a respeito de modificações anatômicas; difícil é explicar como os primeiros animais sexuados “se deram conta” (por favor, as aspas indicam que estou falando figurativamente) de que a reprodução sexuada era evolutivamente vantajosa. Como podem ter ocorrido dois tipos de mutações em organismos diferentes e que possibilitaram aos seres resultantes delas – macho e fêmea – terem sistemas reprodutores tão diferenciados, mas plenamente compatíveis? Quando foi que espermatozóides e óvulos surgiram e como explicar sua compatibilidade desde o início? Se a fecundação do óvulo ocorria fora do corpo da fêmea, por que passou a ser interna e como explicar que a primeira “grávida” já possuía todos os requisitos necessários para o suporte da vida do embrião? Mesmo sem respostas darwinistas convincentes para essas perguntas, um detalhe na matéria parece que vem se repetindo em descobertas recentes: a evolução de sistemas complexos é “jogada” cada vez mais para o passado. Daqui a pouco, não haverá mais tempo para a macroevolução ter ocorrido.[MB]

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Deus ainda não morreu

Nos últimos tempos, o mercado literário tem sido inundado por títulos defendendo o ateísmo. Boa parte deles viraram best-sellers – caso de Deus, um delírio, de Richard Dawkins, o mais ruidoso lançamento recente nesta linha. Pode-se supor, à primeira vista, que seja impossível aos pensadores modernos defender intelectualmente a existência de Deus. Todavia, um exame rápido nos livros do próprio Dawkins, bem como de autores como Sam Harris e Christopher Hitchens, entre outros, revela que o chamado novo ateísmo não possui base intelectual e deixa de lado a revolução ocorrida na filosofia anglo-americana. Tais obras refletem mais a pseudociência de uma geração anterior do que retratam o cenário intelectual contemporâneo.

O ápice cultural dessa geração aconteceu em 8 de abril de 1966. Naquela ocasião, o principal artigo da revista Time, um dos maiores semanários da imprensa americana, foi apresentado numa capa completamente preta, com três palavras destacadas em vermelho: “Deus está morto?” A história contava a suposta “morte” de Deus, movimento corrente na teologia naquela época. Porém, usando as palavras de Mark Twain, a notícia do “falecimento” do Criador foi prematura. Ao mesmo tempo em que teólogos escreviam o obituário divino, uma nova geração de filósofos redescobria a vitalidade de Deus.

Para entender melhor a questão, é preciso fazer uma pequena digressão. Nas décadas de 1940 e 50, muitos filósofos acreditavam que falar sobre Deus era inútil – aliás, verdadeira tolice –, já que não há como provar a existência dEle pelos cinco sentidos humanos. Essa tendência à verificação acabou se desfazendo, em parte porque os filósofos descobriram simplesmente que não havia como verificar a verificação! Esse foi o evento filosófico mais importante do século 20. O fim do império da verificação libertou os filósofos para voltarem a tratar de problemas tradicionais que haviam sido deixados de lado.

Com o renascimento do interesse nas questões empíricas tradicionais, sucedeu algo que ninguém havia previsto: o renascimento da filosofia cristã. A mudança começou, provavelmente, em 1967, com a publicação do livro God and Other Minds: A Study of the Rational Justification of Belief in God (“Deus e outras mentes: um estudo sobre a justificação racional da crença em Deus”), de Alvin Plantinga. Seguiram-se a ele vários filósofos cristãos, que militaram escrevendo em periódicos eruditos, participando de conferências e publicando suas obras nas melhores editoras acadêmicas. Como resultado, a aparência da filosofia anglo-americana se transformou. Embora talvez ainda seja o ponto de vista dominante nas universidades americanas, o ateísmo hoje é uma filosofia em retirada.

Em um artigo recente, o filósofo Quentin Smith, da Universidade Western Michigan, lamentou o que chama de “dessecularização” da academia, que no seu entender evoluiu nos departamentos de filosofia desde o fim dos anos 60. Ele se queixa da passividade dos naturalistas diante da onda de “teístas inteligentes e talentosos que entram na academia hoje”. E conclui: “Deus não está morto na academia; voltou à vida no fim da década de 60 e hoje está vivo em sua última fortaleza acadêmica – os departamentos de filosofia”.

Teologia natural – O renascimento da filosofia cristã foi acompanhado pelo ressurgimento do interesse na teologia natural, ramo que tenta provar a existência de Deus sem usar a revelação divina. O alvo dessa teologia natural é justificar uma visão de mundo teísta ampla, que é comum entre cristãos, judeus e muçulmanos – e, claro, deístas. Embora poucos os considerem provas atraentes da existência de Yahweh dos cristãos, todos os argumentos tradicionais a favor da veracidade de Deus, além de alguns novos, encontram hoje defensores hábeis.

O argumento cronológico, por exemplo, defende que tudo o que existe tem uma explicação para sua existência, seja na necessidade de sua natureza ou em uma causa externa. E, se há uma explicação para a existência do universo, essa é a existência de Deus. Trata-se de um argumento com validade lógica, já que uma causa externa para o universo tem de estar além do espaço e do tempo; portanto, não pode ser física nem material. O argumento cronológico é defendido por estudiosos como Alexander Pruss, Timothy O’Connor, Stephen Davis, Robert Knoos e Richard Swinburne, entre outros.

Já o argumento cosmológico considera que tudo que começa a existir tem uma causa; portanto, se o universo passou à existência, também ele tem uma causa. Stuart Hackett, David Oderberg, Mark Nowacki e eu, particularmente, o defendemos. A premissa básica com certeza parece mais plausível do que sua negativa – afinal, acreditar que as coisas simplesmente comecem a existir sem uma causa é pior do que acreditar em mágica. Ainda assim, é surpreendente o número de ateus que evitam tal explicação. Tradicionalmente, os ateus defendem a eternidade do universo. Há, porém, muitos motivos, tanto filosóficos quanto científicos, para duvidar dessa eternidade. Para a filosofia, por exemplo, a idéia de passado infinito é absurda; se o universo nunca teve início, então o número de eventos históricos é infinito. Essa ideia é muito paradoxal, e, além disso, levanta um problema: como o evento presente poderia acontecer se houvesse um número infinito de eventos para acontecer antes?

Além do mais, uma série notável de descobertas astronômicas e astrofísicas do século passado conferiu nova vida ao argumento cosmológico. Temos, hoje, evidências bem fortes de que o universo não é eterno no passado, mas que teve um início absoluto há cerca de 13,7 bilhões de anos, em um cataclismo conhecido como Big Bang. Esta tese é espantosa porque representa a origem do universo a partir de praticamente nada – afinal, toda matéria e energia, inclusive o espaço e o tempo físicos, teriam derivado dele. Os recentes experimentos com o LHC, o mega-acelerador de partículas instalado nos Alpes suíços, caminham justamente nessa direção. Alguns cosmólogos até tentaram fabricar teorias alternativas para fugir a esse início absoluto – porém, nenhuma delas foi aceita pela comunidade científica.

Em 2003, os cosmólogos Arvind Borde, Alan Guth e Alexander Vilenkin conseguiram provar que qualquer universo que exista, em estado de expansão como o nosso, não pode ter passado eterno; mas teve, necessariamente, um início absoluto. “Os cosmólogos não podem mais se esconder atrás da possibilidade de um universo com passado eterno”, diz Vilenkin. “Não há como fugir – eles têm de encarar o problema do início cósmico.” Segue-se, então, que precisa ter havido uma causa transcendente que trouxe o universo à existência. Uma causa plausível no tempo, acima do espaço, e, portanto, imaterial e pessoal.

“Assinatura de Deus” – Resta o argumento teleológico. Este permanece firme como sempre, defendido, em várias formas, por gente como Robin Collins, John Leslie, Paul Davies, William Dembski e Michael Denton. Ultimamente, com o movimento denominado Projeto [Design] Inteligente, boa parte desses pesquisadores prossegue na tradição de encontrar exemplos da “assinatura de Deus” nos sistemas biológicos. Todavia, o ponto sensível da discussão enfoca a recente descoberta da sintonia do cosmos com a vida. Essa sintonia assume dois aspectos – primeiro, porque quando as leis da natureza são expressas em equações matemáticas, como a da gravidade, apresentam certas constantes. Logo, não determinam esses valores. Segundo, há certas variantes arbitrárias que fazem parte das condições iniciais do universo – a quantidade de entropia, por exemplo. Essas constantes e quantidades se encaixam em um alcance extraordinariamente pequeno de valores que permitem a existência de vida. Se fossem alteradas em valor inferior ao da grossura de um fio de cabelo, o equilíbrio que permite a existência e sustentação da vida seria destruído – ou seja, não haveria vida.

A essência dessa argumentação é de que a existência do universo, tal qual o conhecemos, decorre do acaso ou de um projeto. Quanto ao acaso, teóricos contemporâneos cada vez mais reconhecem que as evidências contra a sintonia são quase insuperáveis, a não ser que se esteja pronto a aceitar a hipótese especulativa de o nosso universo ser apenas um membro de um hipotético conjunto infinito e aleatório de universos. Nesse conjunto, pode-se imaginar qualquer tipo de mundo físico, e obviamente só encontraríamos um onde as constantes e quantidades são compatíveis com nossa existência.

Claro que todos esses argumentos são objeto de réplicas e contra-réplicas – e ninguém imagina que algum dia se chegará a consenso. Na verdade, há sinais de que o gigante adormecido do ateísmo, após um período de passividade, vai despertando de sua soneca e entrando na briga. J. Howard Sobel e Graham Oppy escreveram livros grandes e eruditos criticando os argumentos da teologia natural, e a Cambridge University Press lançou Companion to Atheism (“Companheiro do ateísmo”) no ano passado. De toda forma, a simples presença do debate na academia prova como é saudável e vibrante a visão de mundo teísta hoje.

Relativismo – Muita gente pode pensar que a reaparição da teologia natural em nossos dias seja apenas trabalho desperdiçado. Afinal, não vivemos em uma cultura pós-moderna, onde o apelo a argumentos apologéticos como esses deixaram de ser eficazes? Hoje, não se espera mais que argumentos para defender o teísmo funcionem. Não por outra razão, cada vez mais cristãos apenas compartilham sua história e convidam outros a participar dela.

Esse tipo de raciocínio carrega um diagnóstico errado, desastroso para a cultura contemporânea. A suposição de que vivemos em uma cultura pós-moderna não passa de mito. Na verdade, esse tipo de cultura é impossível; não poderíamos viver nela. Ninguém é relativista quando se trata de ciência, engenharia e tecnologia – o relativismo é seletivo, só surge quando o assunto é religião e ética. Mas é claro que isso não é pós-modernismo; é modernismo! Não passa do antigo verificacionismo, que sustentava que tudo que não se pode testar com os cinco sentidos é uma questão de preferência pessoal.

Fato é que vivemos em uma cultura que continua profundamente modernista. Se não for assim, não haverá explicação para a popularidade do novo ateísmo. Dawkins e sua turma são inegavelmente modernistas e até científicos em sua abordagem. Na leitura pós-modernista da cultura contemporânea, seus livros deveriam ter sido como água sobre pedra – porém, as pessoas os agarram ansiosas, convictas de que a fé religiosa é tolice.

Sob essa ótica, adequar o Evangelho à cultura pós-moderna leva à derrota. Deixando de lado as armas da lógica e da evidência, deixaremos o modernismo nos vencer. Se a Igreja adotar esse curso de ação, a próxima geração sofrerá consequências catastróficas. O Cristianismo se tornará apenas mais uma voz em meio a uma cacofonia de vozes que competem entre si – cada uma apresentando sua narrativa e alegando ser a verdade objetiva sobre a realidade. Enquanto isso, o naturalismo científico continuará a moldar a visão da cultura sobre como o mundo realmente é.

Uma teologia natural consistente é bem necessária para que a sociedade ocidental ouça bem o Evangelho. Em geral, a cultura do Ocidente é profundamente pós-cristã – e este estado de coisas é fruto do Iluminismo, que introduziu o fermento do secularismo na cultura européia. Hoje, esse fermento permeia toda a sociedade ocidental. Enquanto a maioria dos pensadores originais do Iluminismo eram teístas, os intelectuais de hoje, majoritariamente, consideram o conhecimento teológico impossível. Aquele que se dedica ao raciocínio sem vacilar até o fim acabará ateísta – ou, na melhor das hipóteses, agnóstico.

Entender nossa cultura da forma correta é importante, porque o Evangelho nunca é ouvido isoladamente, mas sempre no cenário da cultura corrente. Uma pessoa que cresce em ambiente cultural que vê o Cristianismo como opção viável estará aberta ao Evangelho – mas, neste caso, tanto faz falar aos secularistas sobre fadas, duendes ou Jesus Cristo! Cristãos que depreciam a teologia natural porque “ninguém se converte com argumentos intelectuais” têm a mente fechada. O valor dessa teologia vai muito além dos contatos evangelísticos imediatos. Ao passo que avançamos no século 21, a teologia natural será cada vez mais relevante e vital na preparação das pessoas para receberem o Evangelho. É tarefa mais ampla da apologética cristã, incluindo a teologia natural, ajudar a criar e sustentar um ambiente cultural em que o Evangelho seja ouvido como opção intelectual viável para pessoas que pensam. Com isso, lhes será conferida permissão intelectual para crer quando seu coração for tocado.

Novos tempos para a apologética – Os princípios irrefutáveis da fé cristã continuam transformando vidas. A despeito de todos os ataques recentes à fé – ou, talvez, por causa deles –, os tempos de hoje constituem a melhor época para apologistas cristãos. Gente como Lee Strobel, William Lane Craig, Ben Witherington III, Darell Bock e J. P. Moreland tem escrito livros, gravado documentários, concedido entrevistas e participado de debates e conferências, sempre apresentando ao público o que, afirmam eles, é uma montanha crescente de evidências científicas e arqueológicas que documentam a verdade do cristianismo.

“A reação da apologética cristã tem relação direta com os desafios que o cristianismo enfrenta, quer na forma de ateísmo militante nas universidades, na internet, em documentários na televisão ou em livros da lista dos mais vendidos”, diz Strobel, ex-editor jurídico do jornal Chicago Tribune e, mais recentemente, autor do livro Em defesa de Cristo – Jornalista ex-ateu investiga as provas da existência de Cristo.

Dinesh D’Souza, que escreveu What’s So Great About Christianity? (“O que há de tão formidável no cristianismo?”), afirma que os novos ateístas levantam questões que requerem uma apologética do século 21. “A apologética dos anos 1970 e 80 é útil para quem ensina no ambiente das igrejas, mas não é relevante diante das alegações dos novos ateístas, que são muito diferentes”, diz D’Souza. “Os novos ateístas aproveitam a onda provocada pelos ataques do 11 de Setembro e igualam o cristianismo ao radicalismo islâmico. C.S. Lewis e Josh McDowell não trataram dessas questões.”

Essa enxurrada de ataques provocou um aumento inesperado no interesse dos jovens pela apologética. De acordo com Strobel, não faz muito tempo que os eruditos desprezavam a apologética e diziam que no mundo pós-moderno os jovens não se interessariam por assuntos como o Jesus histórico. No verão passado, a entidade Foco na Família, fundada e presidida por James Dobson, realizou uma conferência apologética para adolescentes. Uma multidão de 1.500 jovens ficou do lado de fora, sem conseguir vaga para participar. Enquanto isso, os berços da educação apologética – Universidade Biola e sua Escola de Teologia Talbot, o Seminário Evangélico do Sul e a Universidade Liberty – estão repletos de alunos em busca de formação em filosofia e apologética.

Fascinação – Ao mesmo tempo em que essa fascinação com a evidência do cristianismo toma conta da mente do povo, Craig, D’Souza e outros debatem com os principais filósofos ateístas e liberais estudiosos da Bíblia em universidades e outros fóruns, nos Estados Unidos, Canadá e Europa. Esses debates costumam atrair milhares de universitários. Os jovens querem saber se é possível defender o cristianismo racionalmente, em pleno século 21. No ano passado, mais de 2 mil estudantes lotaram o Central Hall, em Londres, na Grã-Bretanha, para assistir o debate entre Craig e o biólogo Louis Wolpert sobre o tópico “Deus é uma ilusão?” O moderador foi John Humphrys, comentarista da BBC.

“Ele ficou atônito”, contou Craig. “E comentou: ‘Olho para esse mar de rostos jovens diante de mim e, quer acredite em Deus ou não, reconheço que alguma coisa está acontecendo. Nunca vi antes tal interesse em assuntos religiosos na Inglaterra.’”

John Bloom, professor de física em Biola, moderou o que foi chamado de “debate selvagem” entre o Projeto [Design] Inteligente e o darwinismo. Ele afirma que os desafios recentes ao cristianismo coincidem com o 150º aniversário de publicação da obra A Origem das Espécies, de Darwin. Há, ainda, os ataques à imagem neotestamentária de Jesus como Filho de Deus. Witherington, professor de Novo Testamento no Seminário Teológico Asbury, diz que as alegações do Seminário Jesus e outros semelhantes dispararam alarmes entre os estudiosos ortodoxos da Bíblia.

Darrell Bock é professor pesquisador de estudos do Novo Testamento e autor de Dethroning Jesus (“Destronando Jesus”). Bock faz palestras por todos os Estados Unidos sobre os evangelhos de Judas e Tomé, usados para alegar que o Cristo do cristianismo foi inventado e que o verdadeiro Jesus é uma figura, digamos, menos divina. “Foi criada uma indústria para desautorizar a Bíblia”, diz Bock. “O alvo é tirar essa leitura cética da Palavra de Deus da torre de marfim e levá-la às praças públicas”.

Do ateísmo à fé – Enquanto isso, os apologistas cristãos começam a avançar no sentido de mostrar o outro lado da história. D’Souza, ex-analista político na Casa Branca durante a presidência de Ronald Reagan (1980-88), recebeu atenção da mídia internacional ao debater com o bufão ateísta Christopher Hitchens, com o editor da revista Skeptic, Michael Shermer, e outros. Embora Strobel e os outros apelem em primeiro lugar para o intelecto, as pessoas respondem com o coração. Strobel diz que a recente agressão contra a fé abriu uma oportunidade excelente para apresentar Jesus aos não-cristãos. Ele está convicto de que a apologética ajuda a levar as pessoas ao Senhor. Muitos têm alguma dificuldade espiritual – uma dúvida sobre a fé. Mas o autor diz que, assim que encontram uma resposta, o mais comum é cair a última barreira que os separava de Deus.

Uma dessas pessoas foi Evel Knievel, o motociclista ousado que morreu em novembro de 2007. No início daquele ano, ele havia telefonado para Strobel, depois que um amigo lhe deu um exemplar de A Defesa de Cristo. Knievel afirmou que o livro foi o instrumento que o levou a se converter do ateísmo à fé cristã. Strobel, que é fanático por motocicletas desde a infância, tornou-se amigo de Knievel, e conversava com ele toda semana por telefone. Strobel conta que ele foi transformado de forma “surpreendente”: “Sei que a última entrevista que concedeu foi para uma revista só para homens, e ele acabou em pranto, contando sobre o relacionamento com Cristo que havia acabado de descobrir”, aponta. De acordo com o escritor, o rapaz se mostrava imensamente grato. Sabia que havia levado uma vida imoral e se arrependia disso. “Disse-me muitas vezes que gostaria de poder viver de novo para Deus”, continua Strobel, “mas que o Senhor preferiu alcançá-lo em seus últimos dias e levá-lo para o Reino. Ele ficou atônito diante da graça divina. Foi maravilhoso contemplar aquele machão ousado se transformar em um seguidor de Jesus, humilde, cheio de amor e de coração sincero”, encerra.

(Troy Anderson é repórter do Los Angeles Daily News. William Lane Craig é professor pesquisador de filosofia. Texto publicado no site Cristianismo Hoje)

Discursos


Detalhe: o Zédassilva, autor da charge acima, foi meu amigo de infância. Estudamos juntos no ensino fundamental, em Criciúma, e ambos fizemos Jornalismo na UFSC. Hoje ele mora no Rio de Janeiro.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Deus ou Darwin?

Minha resposta à pergunta acima é taxativa: Fico com Deus e jamais abrirei mão dEle. Excluo Darwin porque sua teoria transformista pressupõe o alijamento de Deus, ou, pelo menos, O considera um boneco inoperante na vastidão do Universo. Já afirmava o salmista: “Diz o insensato no seu coração: Não há Deus” (Sl 14:1). Colocar Deus numa gaiola é tão grave quanto afirmar que Ele não existe.

Na edição do dia 18 de fevereiro, a revista Veja (p. 32) divulgou apenas três das 236 cartas que recebeu de leitores em relação à matéria “Uma guerra de 150 anos”, publicada na semana anterior. Dom Edvaldo G. Amaral escreveu: “Eu sou evolucionista, mas creio firmemente que antes de todas as explosões da matéria, antes dos Big Bangs, que não sei com que calendário os cientistas fixam em bilhões de anos atrás, antes de tudo, no princípio de tudo, existe o Ser infinitamente poderoso, infinitamente sábio e infinitamente santo, que nós, cristãos, chamamos de Deus, autor do Universo.”

Discordo de alguns pontos dessa carta e totalmente das outras duas, mas respeito o direito que os leitores têm de exprimir o que pensam. Mas a referida revista, que se ufana de sua suposta isenção, é preconceituosa ao lidar com o que costuma chamar de “guerra” entre criacionismo e evolucionismo. Além disso, vale-se do deboche, marca de pessoas e instituições que veem os criacionistas na contramão da ciência.

Esse tipo de jornalismo está muito longe do modelo preconizado pelos defensores de uma imprensa livre e isenta. Apenas dois exemplos:

1. Visão unilateral. Os paladinos do evolucionismo ficam perplexos quando uma escola confessional adota livros de ciências que abordam os dois lados da questão: evolucionismo e criacionismo. Ora, a exposição das duas posições é prova de maturidade e democracia. Eles, porém, acham que apenas se deve ensinar o lado que defendem com unhas e dentes, estribando-se na hipótese de que tudo que afirmam é rigorosamente científico. Mas, por trás dessa insistência, se vê uma ditadura ideológica. Ora, se ficam indignados com a exposição, lado a lado, das duas abordagens, imagine o leitor se os livros de ciências editados pela Casa Publicadora Brasileira apresentassem apenas a visão criacionista!

Por que setenta por cento dos alunos que frequentam escolas adventistas são provenientes de outras denominações religiosas? E o que dizer de famílias que, embora acolham a teoria da evolução, mantêm os filhos em nossa rede escolar? Isso demonstra que somos um povo de mente aberta, mas sem renegar convicções bíblicas e valores éticos.

2. Incoerência. A imprensa tendenciosa se contradiz ao alardear que os criacionistas se acham na contramão da ciência. Então, por que não divulgam que os cientistas criacionistas não descartam fatos cientificamente comprovados? Os pesquisadores criacionistas é que são coerentes, pois rejeitam apenas o que não resiste ao rigoroso crivo das ciências verdadeiras, cujos princípios se estribam nas leis naturais estabelecidas pelo Criador.

Grandes universidades, como Harvard, Yale e Cornell, são centros de saber cujas raízes se alimentam da seiva criacionista. Por que essa imprensa unilateral não divulga as pesquisas de combate ao câncer, desenvolvidas pela Universidade de Loma Linda? Por que não exalta os feitos do neurocirurgião adventista Ben Carson? Ao invés disso, é mais provável que esse tipo de imprensa reescreva o primeiro verso do Salmo 14 assim: “Diz o insensato Ben Carson em seu coração: Deus existe.”

Conclusão. Quem é unilateral nessa “guerra”? Ora, diante da ofensiva de influentes meios de comunicação contra o criacionismo, a propósito do sesquicentenário do lançamento da obra intitulada Sobre a origem das espécies por meio da seleção natural (1859), de Charles Darwin (1809-1882), deve o criacionista ficar com a autoestima arranhada? Sem qualquer laivo de presunção, eu não me sinto diminuído. Creio em Deus e em Sua intervenção imprescindível no Universo. Ele cuida do infinitamente grande e do infinitamente pequeno.

Você e eu já conhecemos o desfecho do filme sobre a luta entre o bem e o mal. Um dia, após o milênio, os criacionistas redimidos pelo sangue de Cristo e os rebelados contra a soberania de Deus estarão diante do Criador de todas as coisas. (Abro um parêntese para perguntar: De que lado estarão os alunos e professores de nossas escolas?) Bem, naquele dia, todos os habitantes da Terra reconhecerão a soberania divina. Mesmo assim, haverá duas multidões opostas. Quem prevalecerá?

(Rubens Lessa é redator-chefe da Casa Publicadora Brasileira e editor da Revista Adventista. Texto publicado com autorização)

Nota: o editorial acima faz parte da edição de março da Revista Adventista. A revista traz ainda reportagem sobre o 6º Encontro Nacional de Criacionistas, realizado em janeiro, no Unasp, campus São Paulo, e entrevista com o biólogo Dr. James Gibson, presidente do Geoscience Research Institute. Já fez a sua assinatura?[MB]

O Cético: Por que confiar na lógica?

Música estimula vida sexual dos jovens

Um estudo conduzido por pesquisadores americanos sugere que adolescentes que escutam músicas de conteúdo sexual depreciativo têm uma vida sexual mais ativa. A equipe da Universidade de Pittsburgh entrevistou 711 jovens dos 13 aos 18 anos de idade sobre suas vidas sexuais e hábitos musicais. Eles perceberam que os que ouviam músicas com versos sobre sexo explícito e agressivo regularmente, cerca de 17h por semana, tinham o dobro das chances de fazer mais sexo do que os que ouviam músicas apenas 2,7h no mesmo período. Os especialistas classificaram como letras vulgares as que descrevem o sexo como um ato puramente físico e relacionado a relações de poder, diz o estudo divulgado na publicação especializada American Journal of Preventative Medicine. (...)

(BBC Brasil)

Nota: cada vez mais pesquisas deixam evidente o poder da música sobre a mente humana, o que deve chamar a atenção dos cristãos para os critérios de seleção do conteúdo musical ao qual eles se expõem. Some-se a isso a notícia recente sobre a maneira como o homem vê as mulheres semi-nuas, a influência dos programas de TV com conteúdo erótico na iniciação sexual precoce dos jovens, as letras depreciativas das músicas tipo funk e a maneira como a mulher é exposta em festas populares como o Carnaval (veja foto ao lado), e teremos uma ideia do tipo de sociedade em que estamos vivendo. Nossa dívida com Sodoma e Gomorra só aumenta...[MB]

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Por que não sou fã de Charles Darwin

As festividades bilionárias em comemoração aos duzentos anos de nascimento de Charles Darwin tornam momentaneamente invisíveis alguns fatos essenciais da vida e da obra desse homem de ciência. Desde logo, Darwin não inventou a teoria da evolução: encontrou-a pronta, sob a forma de doutrina esotérica, na obra do seu próprio avô, Erasmus Darwin, e como hipótese científica em menções inumeráveis espalhadas nos livros de Aristóteles, Sto. Agostinho, Sto. Tomás de Aquino e Goethe, entre outros.

Tudo o que ele fez foi arriscar uma nova explicação para essa teoria – e a explicação estava errada. Ninguém mais, entre os autoproclamados discípulos de Darwin, acredita em “seleção natural”. A teoria da moda, o chamado “neodarwinismo”, proclama que, em vez de uma seleção misteriosamente orientada ao melhoramento das espécies, tudo o que houve foram mudanças aleatórias. Que eu saiba, o mero acaso é precisamente o contrário de uma regularidade fundada em lei natural, racionalmente expressável. O darwinismo é uma ideia escorregadia e proteiforme, com a qual não se pode discutir seriamente: tão logo espremido contra a parede por uma nova objeção, ele não se defende – muda de identidade e sai cantando vitória. Muitas teorias idolatradas pelos modernos fazem isso, mas o darwinismo é a única que teve a cara de pau de transformar-se na sua contrária e continuar proclamando que ainda é a mesma.

Todos os celebrantes do ritual darwiniano, neodarwinistas inclusos, rejeitam como pseudocientífica a teoria do “design inteligente”. Mas quem inventou essa teoria foi o próprio Charles Darwin. Isso fica muito claro nos parágrafos finais de A Origem das Espécies, que na minha remota adolescência li de cabo a rabo com um enorme encantamento e que fez de mim um darwinista, fanático ao ponto de colocar o retrato do autor na parede do meu quarto, rodeado de dinossauros (só agora compreendo que ele é um deles). Agora, graças à amabilidade de um leitor, tomei conhecimento dos estudos desenvolvidos por John Angus Campbell sobre a “retórica das ciências”. Ele estuda os livros científicos sob o ponto de vista da sua estratégia de persuasão. Num vídeo fascinante que vocês podem ver aqui, ele demonstra que o “design inteligente” não é apenas um complemento final da teoria darwinista, mas a sua premissa fundamental, espalhada discretamente por todo edifício argumentativo de A Origem das Espécies. O “design inteligente” é, portanto, a única parcela da teoria darwiniana que ainda tem defensores: e estes são os piores inimigos do darwinismo.

É certamente um paradoxo que o inventor de uma explicação falsa para uma teoria preexistente seja celebrado como criador dessa teoria, porém um paradoxo ainda maior é que a premissa fundante da argumentação darwiniana seja repelida como a negação mesma do darwinismo.

Puramente farsesco, no entanto, é o esforço geral para camuflar a ideologia genocida que está embutida na própria lógica interna da teoria da evolução. Quando os apologistas do cientista britânico admitem a contragosto que a evolução “foi usada” para legitimar o racismo e os assassinatos em massa, eles o fazem com monstruosa hipocrisia. O darwinismo é genocida em si mesmo, desde a sua própria raiz. Ele não teve de ser deformado por discípulos infieis para tornar-se algo que não era. Leiam estes parágrafos de Charles Darwin e digam com honestidade se o racismo e a apologia do genocídio tiveram de ser enxertados a posteriori numa teoria inocente:

“Em algum período futuro, não muito distante se medido em séculos, as raças civilizadas do homem vão certamente exterminar e substituir as raças selvagens em todo o mundo. Ao mesmo tempo, os macacos antropomorfos... serão sem dúvida exterminados. A distância entre o homem e seus parceiros inferiores será maior, pois mediará entre o homem num estado ainda mais civilizado, esperamos, do que o caucasiano, e algum macaco tão baixo quanto o babuíno, em vez de, como agora, entre o negro ou o australiano e o gorila.”

Imaginem, durante as eleições americanas, a campanha de John McCain proclamar que Barack Hussein Obama estava mais próximo do gorila do que o candidato republicano!

Tem mais: “Olhando o mundo numa data não muito distante, que incontável número de raças inferiores terá sido eliminado pelas raças civilizadas mais altas!”

Para completar, um apelo explícito à liquidação dos indesejáveis:

“Entre os selvagens, os fracos de corpo ou mente são logo eliminados; e os sobreviventes geralmente exibem um vigoroso estado de saúde. Nós, civilizados, por nosso lado, fazemos o melhor que podemos para deter o processo de eliminação: construímos asilos para os imbecis, os aleijados e os doentes; instituímos leis para proteger os pobres; e nossos médicos empenham o máximo da sua habilidade para salvar a vida de cada um até o último momento... Assim os membros fracos da sociedade civilizada propagam a sua espécie. Ninguém que tenha observado a criação de animais domésticos porá em dúvida que isso deve ser altamente prejudicial à raça humana. É surpreendente ver o quão rapidamente a falta de cuidados, ou os cuidados erroneamente conduzidos, levam à degenerescência de uma raça doméstica; mas, exceto no caso do próprio ser humano, ninguém jamais foi ignorante ao ponto de permitir que seus piores animais se reproduzissem.”

Notem bem: não sou contra a hipótese evolucionista. Do que tenho observado até hoje, devo concluir que sou o único ser humano, no meu círculo de relações próximas e distantes, que não tem a menor ideia de se a evolução aconteceu ou não aconteceu. Todo mundo tem alguma crença a respeito, e parece disposto a matar e morrer por ela. Eu não tenho nenhuma.

No entanto, minha abstinência de opiniões a respeito de uma questão que considero insolúvel não me proíbe de notar a absurdidade das opiniões de quem tenha alguma. Há muito tempo já compreendi que os cientistas são ainda menos dignos de confiança do que os políticos, e os paradoxos da fama de Charles Darwin não fazem senão confirmá-lo. Meus instintos malignos impelem-me a pegar os darwinistas pela goela e perguntar-lhes: "Por que tanta onda em torno de Charles Darwin? Ele inventou o 'design inteligente', que vocês odeiam, e a seleção natural, que vocês dizem que é falsa. Ele pregou abertamente o racismo e o genocídio, que vocês dizem abominar. Para celebrá-lo, vocês têm de criar do nada um personagem fictício que é o contrário do que ele foi historicamente. Não vêem que tudo isso é uma palhaçada?"

(Olavo de Carvalho, Diário do Comércio, 20/02/2009)

Nota: não concordo com todas as ideias expostas no texto acima, mas tiro o chapéu para a coragem de Olavo de Carvalho.[MB]

Teoria-explica-tudo justifica pecado

A revista Época desta semana aproveitou como "gancho" a polêmica criada em torno da brasileira Paula Oliveira - acusada de inventar um ataque neonazista na Suíça - e publicou a matéria de capa "Por que as pessoas mentem". O texto afirma que "a ciência ajuda a entender o que nos leva a enganar os outros – e a nós mesmos". Assim que vi a capa da semanal num restaurante, enquanto voltava com minha família de um retiro espiritual, já imaginei o tipo de "explicação científica" que eles apresentavam. Abri a revista e passei os olhos pela reportagem. Bingo! Lá estava a típica resposta nesse tipo de assunto: o darwinismo garante que mentir é uma vantagem evolutiva, por isso os seres humanos têm esse comportamento até hoje. Simples assim...

No ano passado, publiquei aqui o texto "Superinteressante mata a razão", no qual destaquei o seguinte trecho da matéria de capa publicada então pela revista: "O desejo de variedade sexual nos homens é insaciável. Quanto maior for o número de mulheres com quem um homem tiver relações, mais filhos ele terá (pelo menos é o que ‘pensam’ os genes)." E comentei: "Já pensou o cara chegando em casa de madrugada, mancha de batom no colarinho, a mulher o encara com olhar fulminante e ele solta com o maior cinismo: 'Querida, foram os genes. Eu sou apenas a máquina de sobrevivência deles, que me usam para se reproduzir [palavras da Super]' Depois a Bíblia é que é machista..."

Cada vez mais o darwinismo é usado para justificar comportamentos que, na Bíblia, são considerados pecado, como a mentira e o adultério. Se se trata de uma herança evolutiva, que culpa temos quando cometemos esses erros? Por que procurar solução (perdão, redenção) para "problemas" contra os quais é inútil lutar?

Realmente é um grande inconveniente quando a filosofia (de vida) se intromete em assuntos científicos...

O debate científico que ainda não ocorreu

O Observatório da Imprensa é um dos poucos veículos que praticam jornalismo pluralista aqui no Brasil. Não podia ser diferente: é dever do OI observar objetivamente (em tese) a prática jornalística no Brasil, louvá-la ou criticá-la. Depois das comemorações dos 200 anos de Darwin, o OI vem concedendo espaço nunca antes concedido aos criacionistas para expressarem suas idéias:

"Rivalidade ou mal entendido?", da jornalista Ágatha Lemos

"A Darwin o que é de Deus", do pastor Douglas Reis

"Endeusando Darwin em clima de guerra", do jornalista Michelson Borges

O que a Grande Mídia Tupiniquim (GMT) publicou no Brasil celebrando os 200 anos de Darwin é simplesmente abominável como prática de jornalismo, enquanto jornalismo científico. Os artigos foram ideologicamente motivados por um positivismo e demarcacionismo epistemológico há muito superados. Polarizaram novamente a questão como sendo apenas ciência (racional) versus religião (irracional). [Leia mais]

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Descoberto fóssil de mamute em plena Los Angeles

O esqueleto quase completo de um mamute foi descoberto em plena cidade de Los Angeles, anunciaram paleontólogos nesta quarta-feira. Batizado de “Zed”, o mamute, com presas de 3 m de comprimento, faz parte de uma série de dezenas de milhares de fósseis encontrados na escavação de um terreno perto de La Brea. No mesmo lugar, cientistas encontraram troncos de árvore, tartarugas, serpentes, conchas, peixes e até folhas de carvalho preservadas em areia mesclada com hidrocarbonetos. Esses fósseis “nos dão a oportunidade de obter uma fotografia detalhada do que foi a vida entre os anos 10 mil e 40 mil antes de nossa era [sic], assinalou John Harris, curador do museu que abriga os fósseis descobertos em La Brea. Segundo o cientista, este local representa “uma biblioteca de como foi a vida no pleistoceno”.

Único no mundo em ambiente urbano, La Brea é resultado de um fenômeno natural de afloramento de hidrocarbonetos, onde caíram numerosos animais, muito antes de que a zona estivesse no meio da segunda cidade dos Estados Unidos.

(Terra)

Nota: curioso acharem um mamute numa região não comum a esse tipo de animal de latitudes mais frias... Além disso, o fato de haver outros animais e troncos de árvores soterrados juntos parece indicar uma atividade catastrófica de sepultamento rápido. Isso não lhe sugere nada?[MB]

Homens veem mulheres sensualizadas como objeto

Cientistas analisaram o cérebro de homens enquanto eles olhavam para a foto de uma moça de biquíni, e descobriram que as seções do cérebro que reagem a objetos ficaram mais ativas. A parte do cérebro responsável pela interação social foi desativada quando os voluntários foram expostos à foto. Ou seja, eles não estavam interessados em se relacionar com a mulher da foto. Apenas pensavam nela como uma “coisa”.

A professora da Universidade de Princeton, Susan Friske, que conduziu os estudos, afirmou que os homens não veem mulheres sensualizadas como humanas. “É claro que eles sabem que a modelo da foto é humana, mas é a reação deles a ela que é comparada com a reação diante de um objeto”, explica. Para Friske as constantes aparições de mulheres seminuas, na sociedade e na mídia é que são as grandes responsáveis por esse tipo de reação. “É como a violência na televisão. Estamos tão acostumados que acabamos ficando insensíveis, amortecidos. Não nos chocamos mais”, compara a professora. “Vemos muitas mulheres seminuas. Ficamos acostumados com isso”, completa.

(Telegraph)

Nota: portanto, não é à toa que a Bíblia recomende o pudor e incentive o uso de vestuário decente. A extrema erotização da sociedade, infelizmente, tem contribuído para a desvalorização do ser humano, cada vez mais visto como objeto. O que dizer da absurda exposição do corpo feminino em época de carnaval?[MB]

Blog da Gi: Temos que perdoar uns aos outros

Oi hoje vou contar a história de Paula de 7 anos e Fernando de 7 também. Mas antes quero falar algumas coisas com você, você perdoa os outros? Se não perdoa ouça essa história! [Leia mais]

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Consumir álcool causa câncer

O mito de que uma taça diária de vinho não faz mal caiu por terra na França. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) no país publicou um documento que orienta os profissionais de saúde a combater o hábito de beber diariamente, que concerne 13,7% da população. O motivo: em qualquer medida, bebidas alcoólicas podem causar câncer. O relatório se ampara nas conclusões de três institutos: o National Alimentation Cancer Research, o Fundo Mundial de Pesquisa contra o Câncer e o Instituto Americano para a Pesquisa sobre o Câncer. O Inca coordena na França os estudos, além de orientar médicos na luta contra a doença.

Segundo o texto, o consenso acadêmico sobre os riscos do álcool são suficientes para que campanhas de esclarecimento sejam realizadas. “O consumo de bebidas alcoólicas está associado ao aumento do risco de diversos cânceres: de boca, de faringe, de laringe, de esôfago, colo-retal, do sangue e do fígado.”

O documento alerta que o porcentual de aumento do risco está estimado tendo como base cada copo de álcool consumido por dia. O risco varia entre 9% a 168%. “Em particular, o aumento do risco de cânceres de boca, de faringe e de laringe é estimado em 168% por copo de álcool consumido por dia.” O relatório descarta até a ingestão diária de pequenas doses, tradição no país. “O aumento do risco é significativo a partir do consumo médio de um copo por dia. O efeito depende do volume consumido, não da bebida alcoólica.”

Dominique Maraninchi, presidente do Inca, e Didier Houssin, diretor-geral de saúde, autores do texto, alertam que o etanol é metabolizado em acetaldeído (etanal), que pode gerar mutações no DNA.

Na França, a recomendação tem peso de choque cultural. Desde 1960, o volume de consumo de bebidas alcoólicas vem caindo, mas o nível atual – de 12,9 litros por habitante por ano – é dos mais elevados. Em 2006, a Organização Mundial da Saúde indicou que 20,3% dos homens e 7,3% das mulheres com idades entre 12 e 75 anos bebem todos os dias no país.

(O Estado de S. Paulo, 18/2, republicado no Jornal da Ciência)

Homens e mulheres cometem pecados diferentes

Um estudo realizado na Itália e confirmado pelo Vaticano mostra que a soberba é o pecado mais comum entre as mulheres, enquanto a luxúria é o mais freqeente entre os homens. No lado masculino, a gula e a preguiça aparecem em seguida. Entre as mulheres, a inveja e a ira são também os pecados mais usuais. A pesquisa foi baseada em uma análise de confissões de fiéis da Igreja Católica, realizada pelo padre jesuíta e professor Roberto Busa, 96 anos. O resultado foi comentado pelo monsenhor Wojciech Giertych, teólogo pessoal do papa Bento XVI, no jornal do Vaticano L'Osservatore Romano. "Os homens e as mulheres pecam de maneira diferente", escreveu Giertych. "Quando olhamos os vícios do ponto-de-vista das dificuldades que eles criam, descobrimos que as experiências masculinas são bastante distintas das femininas." Segundo o teólogo, essas diferenças se explicam por causa de contextos sociais distintos. "Eles geram hábitos diferentes, mas a natureza humana permanece a mesma", escreveu. "A fraqueza humana pode purificar a fé se for admitida diante de Deus", afirmou Giertych.

Entretanto 30% dos católicos não consideram mais que a confissão a um padre é necessária - 10% deles acreditam ainda que o ato "atrapalha seu diálogo direto com Deus".

O sete pecados capitais - soberba, avareza, inveja, ira, luxúria, gula e preguiça - teriam sido apresentados no século VI pelo papa Gregório e revisados por São Tomás de Aquino no século XVII.

(Terra)

Nota: "Se confessarmos os nossos pecados, ELE é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" (1 João 1:9).

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Se Deus Fez, Se Deus Não Fez

Tive uma surpresa quando conheci o criacionismo. Tinha 17 anos e estava no ensino médio (na época, segundo grau). Desde criança, sempre ouvia falar da tal "sopa primordial" e via em meus livros didáticos a famosa ilustração dos primatas "evoluindo" até o ser humano moderno. Quando cheguei ao ginásio (é, sou do tempo do "ginásio"...), já aceitava tranquilamente toda essa história. No ensino médio, durante as aulas de química orgânica (no curso técnico de Química), me ensinaram que a vida poderia surgir de compostos inorgânicos. Se eu não tivesse conhecido o criacionismo e me aprofundado na controvérsia a respeito das origens entre esse modelo e o darwinista, teria chegado à faculdade sem questionar a validade do evolucionismo. Pensando nisso, resolvi escrever um livrinho infantil narrando de forma bem humorada, levemente poética, as duas versões sobre as origens. O livro, intitulado Se Deus Fez, Se Deus Não Fez, começa de um lado contando como teria sido a origem da vida pela ótica darwinista. Chegando ao meio dele, o leitor é convidado a virar e começar a história do outro lado, agora na versão criacionista. O livro é todo ilustrado em cores pelo meu amigo Andrei Vieira, desenhista da Turma do Nosso Amiguinho.

Adquira já o seu.

Artigos criacionistas no Observatório da Imprensa

O Observatório da Imprensa é um dos poucos veículos que praticam jornalismo pluralista. Prova disso é o espaço que vem concedendo aos criacionistas, permitindo que expressem suas ideias. Na edição desta semana, foram publicados mais três textos. Confira e deixe seu comentário lá:

"Rivalidade ou mal entendido?", da jornalista Ágatha Lemos
"A Darwin o que é de Deus", do pastor Douglas Reis
"Endeusando Darwin em clima de guerra", meu

Gazeta do Povo dá espaço a biólogo criacionista

Deu no blog Tubo de Ensaio, do Marcio Campos (exemplo raro de bom jornalismo): “Uma das coisas que eu percebi no debate sobre o ensino do criacionismo nas escolas confessionais era que praticamente não se deu espaço aos criacionistas para explicar no que eles realmente acreditam. Por isso, procurei a Sociedade Criacionista Brasileira (SCB), que intermediou uma entrevista por e-mail com o biólogo Tarcísio da Silva Vieira [já entrevistado por este blog], mestre pela Universidade de Brasília e professor universitário de Química Orgânica. Membro colaborador da SCB, Vieira expõe uma das vertentes do criacionismo, aponta compatibilidades com o evolucionismo e se diz contrário ao ensino do criacionismo nas escolas públicas.” Confira a íntegra da entrevista, que teve trechos publicados no jornal Gazeta do Povo (um dos maiores jornais do Paraná). [Leia mais]

domingo, fevereiro 15, 2009

Jogo simula estupro e aborto de mulher e filhas

Os criadores garantem que é apenas diversão. Para mim, um terrível equívoco. A produtora japonesa Illusion lançou um jogo em que o objetivo é estuprar uma mulher e suas duas jovens filhas em uma estação de metrô. E não fica só nisso. Depois do ataque sexual, o jogador tem que fazer com que as suas vítimas abortem. O nome do game bizarro é “Rapelay”. Se o jogador não conseguir que as vítimas abortem ele perde e o seu personagem é jogado na linha do metrô. O game permite que vários jogadores “brinquem” ao mesmo tempo contra apenas uma mulher. Inicialmente restrito ao mercado japonês, onde foi lançado em 2006, o jogo começou a chegar ao Ocidente em versões piratas ou por sites de venda. A Amazon, que chegou a vender o “Rapelay”, tirou o game das suas prateleiras. Estupro e aborto viraram brincadeira?

(Page Not Found)

Nota: E ainda dizem que o ser humano está “evoluindo”... Na moral é que não é. “Por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará” (Mt 24:12).

Revista vesga

O estrabismo (vesgueira) ocorre quando um olho fica mal alinhado impedindo que os dois olhos sejam direcionados para o mesmo objeto ao mesmo tempo. Normalmente, ambos os olhos se movem juntos, de maneira que o cérebro produz uma única imagem tridimensional daquilo que os dois olhos veem. No caso do vesgo, as imagens recebidas pelo cérebro são tão diferentes que, para evitar a diplopia (visão dupla), o cérebro pode eliminar a imagem do olho desviado. Isso faz com que a visão desse olho seja gradualmente perdida, perdendo-se também a visão de profundidade.

Com todo respeito aos portadores desse defeito visual, algumas publicações brasileiras têm se mostrado igualmente vesgas. Como era de se esperar, a matéria de capa da revista Veja da semana passada (sobre Charles Darwin) foi o assunto mais comentado, com 236 e-mails/cartas. Em segundo lugar veio a matéria sobre o PMDB, com 16 manifestações. O polêmico Diogo Mainardi ficou em terceiro, com 11.

Mais uma vez, a revista de maior circulação nacional mostrou sua visão sem profundidade ao publicar apenas quatro mensagens de leitores – todos darwinistas. São elas:

“A reportagem ‘A Darwin o que é de Darwin...’ (11 de fevereiro) é de uma didática excepcional. Por influência da religião, fui ‘acordar’ e conhecer Darwin apenas no colegial. Hoje, analiso e vejo que é muito triste privar uma criança do conhecimento de um mundo tão fascinante como o de Darwin, muito mais fascinante que as histórias da Bíblia – que não fornecem respostas lógicas para o desenvolvimento da vida no planeta” (Eduardo Diaz, Valinhos, SP).

“Sou monge beneditino, acredito em Deus, acredito na Igreja – e também em Charles Darwin. Qual o problema? As Escrituras não são, nem querem ser, um livro descritivo do funcionamento da natureza. A Bíblia não é um manual de ciências, e é um grande erro lê-la desse modo. No livro do Gênesis, a narrativa da Criação (por sinal duas, escritas com séculos de diferença) é apenas uma reflexão sobre a condição espiritual humana, dentro do quadro de uma introdução teológica à Aliança entre Deus e seu Povo. Os autores não tinham a mínima intenção de ‘informar’ os leitores a respeito de como o homem apareceu no mundo, mas do porquê da Aliança e da necessidade da redenção. A ciência, por sua vez, nada tem a dizer a respeito de Deus, nem a favor nem contra. Um bom cientista pode ser mau teólogo e, apesar disso, fazer boa ciência; por outro lado, um bom teólogo não pode contradizer a ciência, sob pena de fazer péssima teologia. A ciência e a fé não se opõem porque respondem a perguntas diferentes” (Dom Mateus de Salles Penteado, Ponta Grossa, PR).

“Eu sou evolucionista, mas creio firmemente que antes de todas as explosões da matéria, antes dos Big Bangs, que não sei com que calendário os cientistas fixam em bilhões de anos atrás, antes de tudo, no princípio de tudo, existe o Ser infinitamente poderoso, infinitamente sábio e infinitamente santo, que nós, cristãos, chamamos Deus, autor do universo” (Dom Edvaldo G. Amaral, Arcebispo emérito de Maceió, Recife, PE).

“Quando Albert Einstein afirmou que a ciência sem a religião é manca e a religião sem a ciência é cega, vaticinou que, em alguns aspectos, criacionismo e evolucionismo podem caminhar de mãos dadas” (Edvaldo Araújo, Salvador, BA).

Sem dúvida, e-mails convenientemente escolhidos, como aconteceu na semana passada.

Se Veja dá esse tratamento ao assunto das origens, o que me garante que é honesta quando trata de outros temas? Cancelei minha assinatura faz tempo. E não me arrependo.

O Cético: macacos pelados?


Veja mais tirinhas do Cético aqui.

sábado, fevereiro 14, 2009

Igreja Católica volta a oferecer indulgências

Perto dos 500 anos da Reforma protestante, dioceses católicas do mundo inteiro, segundo o jornal New York Times, vêm oferecendo aos católicos um benefício espiritual que saiu de moda há muito tempo: a indulgência, que é uma espécie de anistia da punição na vida após a morte. Comenta o NYT: "O fato de que muitos católicos de menos de 50 anos nunca ouviram falar em indulgências exceto nas aulas de história européia que tiveram no colégio (em que Martinho Lutero denunciou a venda de indulgências em 1517, deslanchando a Reforma protestante) simplesmente torna sua reintrodução mais urgente, na opinião de líderes da igreja determinados a restaurar as tradições perdidas da penitência num mundo que vêem como sendo demasiado satisfeito consigo mesmo.

"Perguntaram a um dos bispos de Nova York, Nicholas A. DiMarzio, a razão desta restituição. Ele respondeu: 'Porque existe pecado no mundo. A ideia da indulgência perdeu força, juntamente com muitas outras coisas na igreja, mas nunca foi abandonada. Estava sempre ali. Queremos só que as pessoas retornem às idéias que conheciam no passado.'"$

O jornal explica: segundo os ensinos da Igreja Católica, "mesmo depois de o pecador ser absolvido no confessionário e cumprir a penitência, ele ainda enfrenta o castigo após a morte, no purgatório, antes que possa ingressar no paraíso. Em troca de determinadas orações, devoções ou romarias em anos especiais, um católico pode receber uma indulgência, que reduz ou apaga esse castigo instantaneamente. Há indulgências parciais, que reduzem o tempo de purgatório por determinado número de dias ou anos, e indulgências plenárias, que eliminam o tempo de purgatório todo, até que seja cometido outro pecado. O fiel pode obter uma indulgência para ele mesmo ou para uma pessoa que já morreu. Não se podem comprar indulgências (proibidas as vendas em 1567), mas contribuições caridosas, associadas a outros atos, podem ajudar o fiel a fazer jus a uma delas. As indulgências plenárias são limitadas a uma por pecador por dia".

Ainda segundo o jornal mais importante do mundo, "a volta das indulgências começou com o papa João Paulo 2º, que em 2000 autorizou os bispos a oferecê-las como parte das celebrações do terceiro milênio da igreja. Fazer os católicos voltarem ao confessionário foi uma das motivações que levou à reintrodução das indulgências".

Entrevistado pelo jornal, o jesuíta Tom Reese lembrou que as confissões vêm diminuindo ano após ano. "Numa cultura secularizada, onde predomina a psicologia popular de autoajuda, a Igreja Católica quer pôr a idéia do 'pecado pessoal' de volta na equação. As indulgências são uma maneira de lembrar aos fiéis a importância da penitência. A boa notícia é que não as vendemos mais."

Para entender a posição protestante, nada melhor que ler AS 95 TESES DE LUTERO.

(Prazer da Palavra)

Nota: segundo a Bíblia, tanto o inferno quanto o purgatório não existem. A Palavra de Deus ensina que aqueles que se apegarem ao pecado e rejeitarem todos os convites de Deus ao arrependimento, escolhendo, assim, conscientemente a exclusão da vida eterna, deixarão de existir após o milênio. Além disso, o perdão dos pecados somente pode ser concedido por Deus, graças à intercessão de Jesus, nosso único e suficiente Salvador. Neste momento, Ele está no santuário celestial, como verdadeiro sumo sacerdote, oferecendo perdão a todo pecador arrependido. Quando homens pecadores assumem para si essa prerrogativa divina - de perdoar pecados - estão blasfemando o nome de Deus.[MB]

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Para entender o criacionismo

Neste ano em que se comemoram os 200 anos de nascimento de Charles Darwin, muitas reportagens têm sido publicadas em jornais e revistas e veiculadas em programas de TV. A maior parte delas extrapola os limites das explicações darwinistas e tenta explorar o que pensam os criacionistas. São evolucionistas interpretando o pensamento criacionista, quando o correto - e justo - seria permitir que os próprios criacionistas defendessem seu ponto de vista. Que tal levar pra casa um time de estudiosos do assunto? O DVD "Criacionismo", produzido pelo programa Está Escrito, da Rede Novo Tempo, traz entrevistas com o presidente da Sociedade Criacionista Brasileira, Dr. Ruy Carlos de Camargo Vieira, o especialista em arqueologia Dr. Rodrigo Silva, a doutora em microbiologia Marcia Oliveira de Paula, o matemático e educador Orlando Ruben Ritter, o geólogo Dr. Nahor Neves de Souza Jr. e o jornalista Michelson Borges. [Saiba mais clicando aqui.]

Aproveite e leia a série "Perguntas frequentes sobre criacionismo".

A Globo e seu jornalismo preconceituoso

Durante a semana, a Rede Globo levou ao ar reportagens sobre os 200 anos de Darwin. Foi a “darwinlatria” esperada, com textos de louvor e nada de contestação séria ao “maior cientista de todos os tempos”. Hoje o Bom Dia Brasil levou ao ar um compacto da reportagem apresentada no Globo News, procurando - como faz a maior parte dos meios de comunicação - polarizar a discussão entre ciência e religião, evitando manter o assunto nos domínios da ciência empírica. Com isso, a emissora do BBB deixou mais do que evidente seu preconceito e falta de interesse em se aprofundar em certos temas desconhecidos e já cristalizados na cabeça dos editores. Infelizmente, eles não conhecem o criacionismo. Pensam que todos os criacionistas são fixistas e querem unir a Igreja e o Estado. Dão a impressão de que os maiores (e únicos) exemplos de criacionistas são os evangélicos da linha George Bush. Isso não é verdade. Infelizmente, nenhum meio de comunicação, nenhum repórter ainda se deu ao trabalho de investigar as nuances do assunto e abordá-lo com a seriedade e o mínimo de imparcialidade que ele requer. Assista ao vídeo e tire suas conclusões:



O jornalista e professor Ruben Holdorf, do Unasp, enviou o seguinte e-mail à redação do Bom Dia Brasil:

“A ‘reportagem’ opinativa de Uchôa transmite a impressão preconceituosa de que os criacionistas não atuam na ciência, não fazem ciência, não acreditam na ciência. Tendenciosa e debochada, a dita ‘matéria’ não cumpriu com os requisitos básicos de um jornalismo que se preze. Deveria ouvir os dois lados. Não foi isso o que se percebeu. Nas matérias a respeito do darwinismo, muitos ‘cientistas’ foram ouvidos, mas na abordagem de hoje, o que se viu foi uma vergonhosa tentativa de ridicularizar o criacionismo. Por que Uchôa não foi à Universidade de Loma Linda verificar a engenharia de combate ao câncer desenvolvida pelos professores criacionistas? [Ou então, por que não conversou com o Dr. Ben Carson, um dos maiores neurocirurgiões do mundo, que faz boa ciência e é adventista e criacionista?] E que tal citar Harvard, Yale, Cornell e tantas outras como centros do saber com raízes confessionais no criacionismo? Por que a Globo não enjaulou Bento XVI entre os evolucionistas, também? Qual é o receio de se praticar um jornalismo de credibilidade com dignidade? O que se testemunhou nesta semana denigre ainda mais a imagem da profissão. É bem verdade que os repórteres e editores recebem ordens. Neste caso, todos os deméritos aos diretores e patrões. PS: Não foi a primeira vez que Uchôa se demonstra debochado com assuntos sérios. Quando da invasão do Iraque, ele afirmou ‘ser um prazer’ se encontrar naquela guerra. Lamentável!”

Vote: Você acredita no postulado de que o mundo foi criado em seis dias? Clique aqui.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

"Os céus declaram a glória de Deus" (Sl 19:1, NVI)

O Observatório Europeu do Sul (ESO) divulgou nesta quinta-feira em seu site a imagem de uma das maiores e mais brilhantes nebulosas, situada a 7,5 mil anos-luz da Terra. Conhecida como Carina, a nuvem de gás e poeira é constituída por poderosas estrelas massivas que convivem em cerca de 100 anos-luz de diâmetro. Segundo o ESO, Carina é quatro vezes maior que a famosa nebulosa de Orion - que tem 25 anos-luz de diâmetro -, além do brilho muito mais intenso. A nebulosa abriga mais de uma dúzia de estrelas gigantes que podem ter entre 50 e 100 vezes a massa do Sol. Os pesquisadores estimam que esses grandes corpos celestes tenham uma vida curta, de apenas alguns milhões de anos, enquanto o Sol tem uma previsão de dez bilhões de anos.

O brilho intenso da nebulosa é o resultado da interação entre o hidrogênio e os raios ultravioleta, identificada pela coloração vermelha e púrpura na foto. Na região mais escura, corredores de poeira e gás superaquecidos circundam os aglomerados de estrelas.

A nebulosa é o lar de Eta Carinae, uma das estrelas mais massivas e luminosas já encontradas na Via Láctea. A gigante tem 100 vezes a massa do Sol e é quatro milhões de vezes mais brilhante.

De acordo com o ESO, apesar de ser altamente instável e propensa à violentas explosões, Eta Carinae sobreviveu até agora. Porém, os cientistas acreditam que ela deva explodir em breve, se transformando em uma potente supernova.

As nebulosas são espécies de nuvens de gás, poeira e plasma geradas pelos resquícios da morte de uma estrela. Possuem uma intensa formação de estrelas e desaparecem gradualmente ao longo de dezenas de milhares de anos.

(Terra)

Nota: algumas das mais belas nebulosas lembram pinturas surrealistas misturadas com técnicas pontilhistas. O conceito de "morte" das estrelas é uma aproximação humana e pode se tratar apenas de algum tipo de ciclo estelar de transformação de matéria. Mesmo o choque de galáxias pode ser visto de maneira diferente do aspecto geralmente destrutivo associado a esses tremendos eventos cósmicos.[MB]

Boa ilustração do conceito de graça

O aniversário mais festejado do ano


Sabe por que a imprensa evita temas polêmicos sobre Darwin? Porque Darwin é o INTOCÁVEL FAVORITO DA GRANDE MÍDIA.

Membros da UE querem consagrar o domingo

O Secretariado da Comissão das Conferências Episcopais da União Européia (Comece), as Igrejas Alemãs protestantes e a Igreja da Inglaterra saudaram a iniciativa de vários membros do Parlamento Europeu, que solicitam o pronunciamento dos restantes membros sobre a declaração escrita acerca da “proteção do Domingo livre como pilar essencial do Modelo Social Europeu e como parte da herança cultural da Europa”. Num comunicado enviado à Agência Ecclesia, os bispos da UE indicam que tal declaração “pode constituir um importante compromisso para a ‘Europa social’. Seria agora importante encontrar a maioria necessária para essa resolução para além dos partidos subscritores”. A Declaração para a Proteção do Domingo foi lançada pelos parlamentares europeus Anna Záborská, Martin Kastler, Jean Louis Cottigny, Patrizia Toia, Konrad Szymański, de diferentes partidos políticos, no dia 2 de fevereiro.

Os bispos da UE afirmam que “a crise econômica e financeira nos tornou mais conscientes de que nem todos os aspectos da vida podem ser sujeitos a forças de mercado”, e indicam que “homem e mulher, que trabalham aos domingos, estão em desvantagem nas suas relações sociais: na família, no desenvolvimento e até a saúde estão comprovadamente afetados”. A Comece sublinha ainda que o domingo livre “faz parte da herança cultural da Europa e advém de uma longa tradição”.

“O domingo livre de trabalho é um fator decisivo no equilíbrio entre o trabalho e a vida familiar. É de fundamental importância para as relações familiares, mas também para a vida social e cultural, salvaguardar uma das poucas ocasiões em que pais e crianças se podem encontrar”.

Segundo a lei da UE, o domingo é um dia de descanso semanal para crianças e adolescentes. Por isso, segundo os bispos, “o respeito pelo domingo tem o potencial de se tornar no pilar do modelo social europeu”.

O episcopado da UE alerta para o fato de a proteção do domingo “estar sendo esquecida em alguns Estados membros, com o objetivo de aumentar a produção e o consumo. Os trabalhadores experimentaram a fragmentação das suas vidas privadas, enquanto as pequenas e médias empresas, que não permitem horários ininterruptos, perderam terreno no mercado”.

A declaração, agora introduzida no Parlamento Europeu, apela aos Estados membros e às instituições da UE que “protejam o domingo como um dia de descanso, nas legislações nacionais e internacional, para reforçar a proteção dos trabalhadores em áreas como a saúde e a conciliação entre a vida profissional e familiar”.

Para que seja adotada, é necessário que a Declaração seja assinada pela maioria dos membros do Parlamento Europeu, ou seja, 394 membros, antes de 7 de maio de 2009.

O artigo 116, que se refere às regras de procedimento do Parlamento Europeu, estipula que uma Declaração Escrita seja um texto com no máximo 200 palavras e seja apresentada por no máximo cinco membros parlamentares, submetida a todos os membros durante um período de três meses.

Se a Declaração recolher a maioria das assinaturas, torna-se um ato oficial do Parlamento Europeu, sendo transmitida aos destinatários citados.

O texto original da proposta pode ser consultado aqui.

(Agência Ecclesia)

Nota: as crises econômica e ambiental têm se mostrado terreno fértil para a aprovação de leis que, de início, parecem representar a “salvação” do planeta. O perigo está no coletivismo, na formação de um consenso global que acabará por até mesmo hostilizar os que por motivo de consciência e convicção se opuserem a essa unificação de pensamento e procedimentos. Note que o fortalecimento da propaganda darwinista e o apoio católico à teoria da evolução também contribuem para o esquecimento do sábado como memorial bíblico da Criação e o estabelecimento do domingo como falso dia de descanso. Para os religiosos darwinistas, nunca é demais lembrar: Jesus era criacionista, afinal, Ele se referiu a Adão e Eva e ao Dilúvio como personagens e eventos históricos. Ele também estava “embrutecido”, como escreveu Petry? Estava enganado por interpretar como históricos eventos que seriam alegóricos, como diz o Vaticano? Nessa história toda, continuo ao lado de Jesus.[MB]

Conforme escreveu Ellen White: “As calamidades em terra e mar, as condições sociais agitadas, os rumores de guerra, são portentosos. Prenunciam a proximidade de acontecimentos da maior importância. As forças do mal estão-se arregimentando e consolidando-se. Elas se estão robustecendo para a última grande crise. Grandes mudanças estão prestes a operar-se no mundo, e os acontecimentos finais serão rápidos” (Eventos Finais, p. 11).

Editorial da FSP: um tiro no pé de Darwin

No editorial “Darwin, 200” (Folha de S. Paulo, 10/02/2009), Darwin foi mencionado como sendo o único dentre os pensadores mais influentes dos séculos 19 e 20, como sendo o único que sobreviveu incólume ao teste do tempo. Nada mais falso. Marx e Freud já foram para a lata do lixo da História. Darwin não se sente muito bem, e só sobrevive porque é blindado de quaisquer críticas pela Nomenklatura científica e a Grande Mídia Internacional e Tupiniquim.

Ao contrário do afirmado no editorial, os 200 anos de seu nascimento comemorados nesta semana encontram sua reputação em excelente forma somente nos arraiais darwinistas onde Darwin apenas será louvado. O editorial da FSP denuncia seu lado folhetim ao aceitar sem nenhum ceticismo (condição sine qua non para se fazer ciência) que nunca foi tão válido o mantra surrado de Theodosius Dobzhansky (1900-1975): “Nada em biologia faz sentido a não ser sob a luz da evolução.” Contrariando Dobzhansky e o editorial da FSP: “Nada em biologia faz sentido a não ser sob a luz das evidências.”

O editorial afirmou que a teoria darwiniana sofreu aperfeiçoamentos, mas que a seleção natural, seu cerne principal permanece intacto. Ninguém discute o fato de a teoria darwiniana ter sofrido aperfeiçoamentos e nem que o mecanismo foi exposto em obra clássica, Origem das Espécies (150 anos em novembro) como sendo a diversidade observável nos organismos fruto da acumulação de incontáveis e discretas características hereditárias que tenham contribuído para a sobrevivência e a reprodução de seus portadores. O que se discute, e a Nomenklatura científica, a FSP e a Grande Mídia se recusam discutir publicamente, é a robustez da seleção natural como mecanismo evolutivo em explicar a diversidade e a complexidade dos objetos bióticos. A seleção natural de Darwin, como mecanismo evolutivo, está em baixa entre os cientistas desde 1859.

Eu não sei quem orientou o editorial da FSP nas questões científicas (Marcelo Leite? Cláudio Ângelo?), mas afirmar que o outro pilar da teoria darwiniana da ancestralidade comum (os milhões de espécies de plantas, animais e micro-organismos que vivem e já viveram sobre a Terra descendem todos de um ancestral comum, que surgiu há mais de 3 bilhões de anos) e que durante um século e meio reuniram-se inúmeras comprovações empíricas desses princípios, é ser encontrado em flagrante descompasso com a verdade científica dessas “inúmeras comprovações empíricas”. A hipótese do LUCA já foi por água baixo em Down há muito tempo. A Árvore da Vida está mais para gramado do que outra coisa.

Não se discute a universalidade do DNA como sendo a substância presente no núcleo das células portadora de hereditariedade, mas Darwin esta nu até hoje porque não sabemos a origem do DNA, código digital de informação par excellence que não é apenas um, mas vários. O editorial da FSP revela ignorância primária nessas questões científicas.

A afirmação de que a teoria da evolução é “uma ideia poderosa, em sua simplicidade” é retórica vazia. Em ciência o que vale é uma teoria ser corroborada em um contexto de justificação teórica. O mais novo aperfeiçoamento da teoria da evolução de Darwin – a Síntese Evolutiva Ampliada (2010) – dará um papel inferior à seleção natural. Daniel Dennett, retoricamente afirmou que essa foi a maior ideia que toda a humanidade já teve. É, parece que está mais para pífia do que poderosa ideia.

O editorial da FSP revela onisciência ao afirmar que “os organismos não são como são em obediência a um desígnio superior” e que “sua diversificação resulta do entrechoque de eventos inteiramente naturais – sobretudo mutações genéticas e modificações no ambiente – ao longo de um tempo muito profundo”.

Engraçado, a teoria da evolução é uma teoria de longo alcance histórico, e o editorial da FSP sequer menciona as dificuldades epistêmicas de teorias assim. Será que ninguém na Folha de S. Paulo sabe a respeito do “Dilema de Haldane”? Em quantas gerações essas mutações genéticas aleatórias se instalariam nas populações? Umas 300.000? E a relação custo-benefício dessa pressão seletiva “ao longo de um tempo muito profundo” nessas populações? Nada disso a FSP discute em suas páginas sobre ciência.

O editorial da FSP destaca que esse modo de encarar a biosfera torne problemáticas outras explicações para a miríade de formas que povoam o mundo, como as inspiradas na literalidade de textos religiosos, mas, e aí vem o Cavalo de Tróia para cooptar os de concepções religiosas: “é possível conciliar o mecanismo da seleção natural com a noção de um Deus que o tenha criado.”

Parem o mundo da Lógica que eu quero descer! Os crentes de subjetividades religiosas afirmam: Deus criou ex-nihilo. Os crentes de subjetividade naturalista afirmam: “Se eu precisar de alguma ajuda externa, a minha teoria seria ‘bulshit’ (Darwin). Ora, a seleção natural é um processo cego e aleatório, que nem Deus pode guiá-lo. Como que agora, em pleno declínio heurístico da seleção natural explicar a evolução, Deus entra em cena e pode guiar o processo? Evolução guiada (Argh, isso é como cometer um assassinato!) é heresia para Darwin e seus atuais discípulos.

O editorial da FSP acerta sobre “Darwin, ateu ou agnóstico, jamais fez de sua teoria uma arma antirreligião”, mas erra ao afirmar que é uma caricatura dele construída nos últimos 150 anos: St. George Jackson Mivart, protegido de Thomas Huxley, do círculo de Darwin, foi expulso e perseguido academicamente por Huxley e Hooker com o aval de Darwin (existem cartas sobre este affair, mas elas ainda não estão disponibilizadas online) por ter criticado a seleção natural no seu livro Genesis of Species (1872).

O editorial da FSP pede aos crentes de subjetividade religiosa que digam amém para Darwin e que aceitem a insignificância do ser humano: “Deixar-se arrastar por ela não faz jus à grandiosidade de sua visão da vida, que está na raiz do enorme avanço da biologia nas últimas décadas e que tanto fez para dissipar ilusões sobre o lugar da espécie humana no universo.”

O editorial da FSP não diz quem promove e a quem interessa essa “Kulturkampf”, mas isso fica bem nítido nos artigos de jornalistas da FSP e nas entrevistas de cientistas que defendem um naturalismo filosófico como se fosse ciência e os de concepções religiosas são atacados em suas crenças. Quanto às ilusões sobre o lugar da espécie humana no universo, aqueles crentes não precisam de Darwin, pois um texto sagrado oriental milenar, se não me engano, afirma: “pulvis es et in pulverem reverteris”.

Fui, nem sei por que, pensando: a Folha de S. Paulo não é mais aquele jornal em que se possa confiar intelectualmente.

(Desafiando a Nomenklatura Científica)

Google adere à "darwinlatria"


O maior site de buscas da internet presta homenagem ao "maior cientista de todos os tempos". Viva a "darwinlatria"!

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Sugestão de pauta

Enviei o e-mail abaixo à redação das três principais semanais do Brasil (Veja, IstoÉ e Época). Fiz isso outras vezes no passado. Vejamos o que acontece agora...

Prezados Srs. Editores:

Estamos vivendo um momento interessante no que diz respeito às discussões sobre as origens. Darwinistas e criacionistas estão imersos numa batalha ideológica que poderia ser evitada, se ambos os lados pudessem expor devidamente suas ideias, divergências e convergências. Infelizmente, nota-se que a grande imprensa no Brasil não tem dado espaço para os proponentes do criacionismo, nem do movimento do design inteligente (DI). Concorde-se ou não com eles, não dá para ignorar que, como fenômeno cultural, o assunto tem interesse jornalístico. Via de regra, o que se tem publicado por aí são artigos com uma interpretação (quase sempre preconceituosa) do que seja criacionismo e/ou DI. Por que não entrevistar um teórico de peso de uma dessas correntes a fim de que tenha a oportunidade de elucidar os argumentos e o modelo que defende?

Assim, sugiro uma entrevista com alguém como o Dr. Michael Behe (autor do best-seller A Caixa Preta de Darwin), Pillip Johnson (conhecido defensor do DI, autor de Darwin no Banco dos Réus), Dr. Marcos Eberlin (diretor do Laboratório Thomson de Espectrometria de Massas, na Unicamp), Dr. Ruy Vieira (presidente da Sociedade Criacionista Brasileira) ou o Dr. Nahor Neves de Souza Jr. (professor do Unasp e diretor da filial brasileira do Geoscience Research Institute). Qualquer um deles daria o contraponto necessário à festa que vem sendo feita em louvor a Darwin.

Se quiserem manter contato com essas pessoas, posso ajudar.

Atenciosamente,

Michelson Borges
Jornalista

Leia também: "Apedrejando a própria liberdade"