Por outro lado (o lado de baixo da linha do Equador), segundo o jornal Correio Braziliense de 24 de novembro de 2010, no Brasil um conjunto de material didático destinado a combater a homofobia nas escolas públicas promete longa polêmica. Um convênio firmado entre o Ministério da Educação (MEC), com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), e a ONG Comunicação em Sexualidade (Ecos) produziu kit de material educativo composto de vídeos, boletins e cartilhas com abordagem do universo de adolescentes homossexuais que será distribuída para seis mil escolas da rede pública em todo o país do programa Mais Educação.
No vídeo intitulado “Encontrando Bianca”, um adolescente de aproximadamente 15 anos se apresenta como José Ricardo, nome dado pelo pai, que era fã de futebol. O garoto do filme, no entanto, aparece caracterizado como uma menina, como exemplo de um travesti jovem. Em seu relato, o garoto conta que gosta de ser chamado de Bianca, pois é nome de sua atriz preferida e reclama que os professores insistem em chamá-lo de José Ricardo na hora da chamada.
O jovem travesti do filme aponta um dilema no momento de escolher o banheiro feminino em vez do masculino e simula flerte com um colega do sexo masculino ao dizer que superou o bullying causado pelo comportamento homofóbico na escola. Na versão feminina da peça audiovisual, o material educativo anti-homofobia mostra duas meninas namorando. O secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do MEC, André Lázaro, afirma que o Ministério teve dificuldades para decidir sobre manter ou tirar o beijo gay do filme. “Nós ficamos três meses discutindo um beijo lésbico na boca, até onde entrava a língua. Acabamos cortando o beijo”, afirmou o secretário durante a audiência.
O material produzido ainda não foi replicado pelo MEC. A licitação para produzir kit para as seis mil escolas pode ocorrer ainda neste ano, mas a previsão de as peças serem distribuídas em 2010 foi interrompida pelo calor do debate presidencial.
Nota: No caso do bloqueio à pornografia no Reino Unido, há quem pense que isso “cheira” a censura. Mas não é. Se as famílias não estão dando conta de proteger e orientar os filhos, que sejam tomadas medidas para evitar que as crianças sejam expostas indevidamente a conteúdos que têm o potencial de prejudicar a formação delas. Quanto ao polêmico kit anti-homofobia, criticá-lo soa homofóbico. Mas não é. Os pais têm o direito de educar os filhos e orientá-los sexualmente. Expor às crianças ao travestismo e a beijos gays não vai ajudá-las a ser tolerantes com pessoas que têm orientação sexual diferente da delas. Os pais de filhos héteros têm o direito de não querer que seus filhos sejam expostos a essas manifestações homoafetivas (quando isso acontece nas paradas gays, é só não ir a esses locais, mas o que fazer se ocorre nas escolas?). Só que esses mesmo pais têm também o dever de ensinar os filhos a respeitar todas as pessoas, mesmo que discordem do estilo de vida adotado por elas.[MB]
