segunda-feira, dezembro 20, 2010

Pornografia bloqueada e kit anti-homofobia

Segundo matéria publicada no site Folha.com, o governo do Reino Unido pretende bloquear a pornografia na internet para proteger as crianças, que estão cada vez mais expostas a esse conteúdo. Segundo o jornal The Sunday Times, em vez de serem os pais a controlarem o acesso dos filhos à pornografia, ela será bloqueada na fonte, e os adultos que quiserem acessá-la terão de solicitá-la expressamente. O governo quer que os provedores de serviços de internet utilizem tecnologia similar à utilizada para impedir que os usuários da internet se vejam expostos sem desejá-lo à pornografia infantil. Os sites pornográficos serão bloqueados na origem, a menos que um usuário expressamente queira receber esse tipo de conteúdo. Segundo uma enquete da revista Psychologies, uma em cada dez crianças britânicas de dez anos já viu pornografia na internet.

Por outro lado (o lado de baixo da linha do Equador), segundo o jornal Correio Braziliense de 24 de novembro de 2010, no Brasil um conjunto de material didático destinado a combater a homofobia nas escolas públicas promete longa polêmica. Um convênio firmado entre o Ministério da Educação (MEC), com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), e a ONG Comunicação em Sexualidade (Ecos) produziu kit de material educativo composto de vídeos, boletins e cartilhas com abordagem do universo de adolescentes homossexuais que será distribuída para seis mil escolas da rede pública em todo o país do programa Mais Educação.

No vídeo intitulado “Encontrando Bianca”, um adolescente de aproximadamente 15 anos se apresenta como José Ricardo, nome dado pelo pai, que era fã de futebol. O garoto do filme, no entanto, aparece caracterizado como uma menina, como exemplo de um travesti jovem. Em seu relato, o garoto conta que gosta de ser chamado de Bianca, pois é nome de sua atriz preferida e reclama que os professores insistem em chamá-lo de José Ricardo na hora da chamada.

O jovem travesti do filme aponta um dilema no momento de escolher o banheiro feminino em vez do masculino e simula flerte com um colega do sexo masculino ao dizer que superou o bullying causado pelo comportamento homofóbico na escola. Na versão feminina da peça audiovisual, o material educativo anti-homofobia mostra duas meninas namorando. O secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do MEC, André Lázaro, afirma que o Ministério teve dificuldades para decidir sobre manter ou tirar o beijo gay do filme. “Nós ficamos três meses discutindo um beijo lésbico na boca, até onde entrava a língua. Acabamos cortando o beijo”, afirmou o secretário durante a audiência.

O material produzido ainda não foi replicado pelo MEC. A licitação para produzir kit para as seis mil escolas pode ocorrer ainda neste ano, mas a previsão de as peças serem distribuídas em 2010 foi interrompida pelo calor do debate presidencial.

Nota: No caso do bloqueio à pornografia no Reino Unido, há quem pense que isso “cheira” a censura. Mas não é. Se as famílias não estão dando conta de proteger e orientar os filhos, que sejam tomadas medidas para evitar que as crianças sejam expostas indevidamente a conteúdos que têm o potencial de prejudicar a formação delas. Quanto ao polêmico kit anti-homofobia, criticá-lo soa homofóbico. Mas não é. Os pais têm o direito de educar os filhos e orientá-los sexualmente. Expor às crianças ao travestismo e a beijos gays não vai ajudá-las a ser tolerantes com pessoas que têm orientação sexual diferente da delas. Os pais de filhos héteros têm o direito de não querer que seus filhos sejam expostos a essas manifestações homoafetivas (quando isso acontece nas paradas gays, é só não ir a esses locais, mas o que fazer se ocorre nas escolas?). Só que esses mesmo pais têm também o dever de ensinar os filhos a respeitar todas as pessoas, mesmo que discordem do estilo de vida adotado por elas.[MB]

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