domingo, outubro 31, 2010

Viva até 20 anos mais com cinco hábitos

Dois americanos parecem ter encontrado a fórmula para viver até 20 anos mais sem recorrer a tratamentos absurdos. No livro Diminua Sua Idade (editora Best Seller), o médico Frederic J. Vagnini e o jornalista Dave Bunnell apresentam hábitos que aumentam em décadas a longevidade - com justificativas cientificamente comprovadas. As principais recomendações dos americanos são: comer mais fibras, fugir do açúcar, cortar gorduras saturadas, dormir bem, fazer mais sexo e sorrir mais. No Brasil, a expectativa de vida é de 72 anos. No entanto, poucos são os que sonham viver somente até essa idade. Fomos conversar com um time de especialistas para entender como essas simples mudanças são capazes de garantir que você chegue à velhice com uma vida e saúde mais plenas. [Leia mais]

sexta-feira, outubro 29, 2010

A fantástica interação óvulo-espermatozoide

Cientistas do Instituto Karolinska, na Suécia, descreveram pela primeira vez a estrutura 3D de um receptor completo do óvulo que se liga ao espermatozoide no início da fecundação. Os resultados permitirão melhor compreensão da infertilidade e permitirão o desenvolvimento de tipos inteiramente novos de métodos contraceptivos. A pesquisa foi publicada na conceituada revista científica Cell. Durante séculos, o encontro dos gametas - óvulos e espermatozoides - tem desafiado a imaginação das pessoas. É essa união que dá origem a um novo indivíduo. No início da concepção, os espermatozoides ligam-se a proteínas no revestimento extracelular do óvulo, chamado zona pelúcida (ZP). Mas os detalhes moleculares desse evento biológico fundamental, até agora, permaneciam obscuros.

Luca Jovine e sua equipe agora conseguiram determinar a estrutura tridimensional do receptor molecular que se liga ao esperma, chamado ZP3. As informações estruturais detalhadas, baseadas em dados coletados no European Synchrotron Radiation Facility (ESRF), tornam possível começar a explorar em nível molecular como o óvulo interage com os espermatozoides no processo de fecundação.

O estudo sugere quais partes do receptor são susceptíveis de serem contactadas diretamente por um espermatozoide, e fornece novas pistas sobre como o receptor de esperma é montado e secretado pelo óvulo. Os resultados têm implicações importantes para a medicina reprodutiva humana, uma vez que podem explicar como mutações no gene do receptor de esperma podem causar a infertilidade. A pesquisa também poderá levar à criação de métodos contraceptivos não-hormonais, visando especificamente a interação espermatozoide-óvulo.

“Os resultados dão uma imagem notável do lado feminino da fecundação”, diz Luca Jovine, que liderou o estudo. “Mas esta é, naturalmente, apenas metade da história. O próximo passo será descobrir as moléculas correspondentes no espermatozoide que lhe permitem se ligar ao óvulo.”

(Diário da Saúde)

Nota: Essa é outra “caixa-preta” da biologia que vai sendo aberta. Já é extremamente complicado tentar explicar a origem da reprodução sexuada, agora imagine justificar como duas mutações aleatórias em dois indivíduos diferentes numa mesma época e mesma geração deram origem ao complexo mecanismo de interação entre óvulo e espermatozóide! São muitos os “milagres” necessários para que isso ocorresse da maneira darwinista. Sob o ponto de vista criacionista, é necessário apenas um milagre: “Homem e mulher os criou” (Gênesis 1:27). Quem precisa de mais fé?[MB]

Leia também: "Por que a mãe não rejeita o feto", "Segredos evolutivos do orgasmo feminino" e "O impulso extra do espermatozoide"

Xuxa versus Google

O Google Brasil já recorreu da liminar que o obriga a retirar do ar as 21 900 imagens e os 64 900 links que aparecem para quem digitar as palavras “Xuxa” e “pedófila”. A decisão judicial em favor de Xuxa foi tomada no início do mês pela Justiça do Rio de Janeiro. Xuxa quer que o Google não mostre qualquer desses links, nos quais aparece em boa parte deles nua ou em cenas de sexo tiradas do filme “Amor Estranho Amor”, de 1982. A decisão da 1ª Vara Cível do Foro Regional da Barra da Tijuca era clara: se não tirá-los do ar, o Google teria que pagar 25.000 reais por cada “resultado positivo” de busca. Além disso, teria que pagar outros 20.000 reais por foto ou vídeo de Xuxa “sem vestes”. Até a semana que vem, os advogados do Google apresentarão a contestação à decisão judicial. Mas antes disso, entre hoje e amanhã, Xuxa contra-atacará o maior site de buscas do mundo.

Vai entrar com uma petição alegando que o Google está desrespeitando uma decisão judicial, já que os links não foram retirados ainda. Seus advogados estimam que a multa, hoje, do Google já seria de cerca de 13 milhões de reais. Para manter tudo como está, o argumento do Google é o seguinte: “O Google não produz, altera, edita, monitora ou interfere nas informações indexadas pelo buscador. Usuários que desejam que alguma informação seja alterada ou removida da Internet podem entrar em contato com o webmaster da página em questão para saber mais sobre sua política de retirada de conteúdo”. É uma briga ainda longe de seu final.

(Lauro Jardim, Radar On-Line)

Nota: Por mais que Xuxa tenha se arrependido de seu passado, fica a lição: atitudes e escolhas têm consequências. Assim também é com o pecado: quando nos arrependemos e confessamos, Deus nos perdoa, mas nem sempre nos poupa dos resultados de nossas ações. Leia 1 João 2:1.[MB]

Leia também: "Sombras do passado"

“Brigam-se as comadres e aparecem as verdades”

Richard Dawkins, que costumeiramente se aproveita dos escândalos religiosos a fim de promover o ateísmo ao “patamar da moralidade plena e racionalista”, está provando do próprio veneno. Ele está acusando um ex-funcionário da Fundação pela Razão e Ciência (da qual é dono) de ter desviado cerca U$ 375.000,00, dinheiro esse obtido da venda de “santinhos” ou “quinquilharias” relacionados à teoria da evolução e ao ateísmo. Em consequência disso, o suposto usurpador, Josh Timonen, está sendo processado por Dawkins em U$ 950.000,00, inclusive por danos morais. Josh Timonen, por sua vez, acusa Dawkins de traição, afirmando ainda que está sendo perseguido. Segundo ele, “a verdade prevalecerá”.

Moral da história: suspeitas e suspeitos existem em todos os lugares – nos templos religiosos e nas instituições dos ateus.

(Humor Darwinista)

quinta-feira, outubro 28, 2010

Varella ou Pondé?

No caderno “Ilustrada” da Folha de S. Paulo de 10 de outubro do ano passado, o Dr. Dráuzio Varella publicou o artigo “Prêmio Nobel”. A certa altura, ele escreveu: “Como todos os seres vivos descendem de um ancestral comum, a estrutura química dos genes é sempre a mesma. Tanto faz se os genes são de eucaliptos, baleias, fungos, mosquitos, dinossauros extintos ou da mais reles das bactérias. Ao contrário do que pregam os místicos, a espécie humana não foi criada à imagem e semelhança de ninguém. Surgimos há 5 milhões ou 6 milhões de anos através de um percurso penoso, no qual os menos aptos foram eliminados impiedosamente” (Varella nunca perde a chance de usar o darwinismo para pregar seu ateísmo).

Bem, noutra “Ilustrada”, desta vez do dia 16 de novembro, li artigo do Luiz Felipe Pondé no qual ele escreveu que “ser recebido por moças bonitas em feiras melhora o dia e nos faz pensar, por breves minutos, que a vida sim faz sentido. A voz, a silhueta, o cheiro, cada gesto do corpo parecem indicar a evidência de que os criacionistas têm razão: o acaso cego não saberia fazer tamanha maravilha viva.”

Bem mais perceptivo o Pondé, não é mesmo? E quer saber, a vida faz muito mais sentido quando você chega em casa e encontra a mesma mulher linda todos os dias![MB]

Para o Dr. Varella pensar:

1. Ancestralidade comum - a Árvore da Vida de Darwin já era. Não sabemos se é monofilética ou polifilética.

2. A estrutura similar dos genes está mais para design inteligente do que para o lento processo gradualista darwiniano.

3. A afirmação de Varella de que não fomos criados à imagem e semelhança de ninguém não é científica, mas puro preconceito e viés ideológicos.

4. A incoerência de Varella: se surgimos através de um processo lento e penoso em que os menos aptos foram impiedosamente eliminados, por que, como médico, ele interfere no processo evolutivo no qual somente os mais aptos sobrevivem? Ele deveria deixá-los morrer impiedosamente e ver o "fato" da evolução ocorrer diante de seus olhos.

Gosto por álcool e pés pequenos – Darwin explica

Deu no blog Humor Darwinista: “Jeremy Atkinson e seus colaboradores da Universidade de Albany (Nova York) realizaram um estudo com 60 estudantes universitárias por meio do chamado “morphings” (modificações ou distorções de fotografias feita no computador), com o qual “comprovaram”, entre outras coisas, que os homens preferem mulheres com pés pequenos. O estudo foi apresentado há algum tempo num congresso sobre comportamento humano e evolução social, em Eugene (Oregon, EUA). Segundo Atkins o gosto masculino pelas formas “suaves” da mulher também pode ter uma explicação evolutiva, ligando-se eventos relacionados à seleção sexual. As proezas do darwinismo não têm limites. Como, afinal, uma teoria com tamanha abrangência explicativa pode ser considerada cientificamente legítima? Ou seja, na ausência de uma explicação razoável ou lógica, bota-se a “evolução” no meio, e pronto, acabaram-se todos os problemas!

Ainda segundo o blog, além da apreciação pela suavidade da mulher, o darwinismo também explicaria o gosto de alguns homens pelo álcool: “A capacidade intelectual, quem diria, esta diretamente relacionada ao ato de beber! Bom, pelo menos é o que andou dizendo o psicólogo evolucionista Satoshi Kanazawa. Segundo ele, os mais capazes intelectualmente são também excelentes bebedores. Estudos realizados pelo National Child Development Study (Reino Unido) e pelo National Longitudinal Study of Adolescent Health (Estados Unidos) apoiam esta tese evolutivamente bizarra: ‘Os pesquisadores mediram os hábitos alcoólicos de cada uma conforme elas iam envelhecendo. E eis que as crianças avaliadas como mais inteligentes em ambos os estudos, quando cresceram, bebiam com mais frequência e em maiores quantidades do que as menos inteligentes. No caso dos ingleses, os ‘muito espertos’ se tornaram adultos que consumiam quase oito décimos a mais de álcool do que os colegas ‘muito burros’. E isso mesmo levando em consideração variáveis que poderiam afetar os níveis de bebedeira, como estado civil, formação acadêmica, renda, classe social, etc. Ainda assim, o resultado foi o mesmo: crianças inteligentes bebiam mais quando adultos.’

“E o mais importante desta belíssima descoberta é que essa relação entre o álcool e a inteligência, acredite, também é um traço evolutivo, ligando-se ao romance (Psychology Today).”

“A teoria da evolução é, como costumo dizer, um verdadeiro espetáculo. Nada há debaixo da terra que não possa passar pelo rígido crivo de Darwin: dor de cotovelo, verruga no nariz, orelha de abano, pés-de-galinha, celulite, enfim, ‘Darwin’ só não explica como um australopiteco se transformou num australiano. De resto, pobre Freud!”

Jesus zumbi e a apelação de um desenhista meia-boca

Criador de personagens dos quadrinhos como o mercenário Deadpool e o grupo de super-heróis Youngblood, o americano Rob Liefeld - aquele responsável por desenhos de perspectivas tão assustadoras que lhe renderam até um tumblr - resolveu revelar o que aconteceu nas 48 seguintes à morte de Jesus Cristo em uma HQ chamada “Zombie Jesus”. A história, que será publicada semanalmente no blog do autor, parte de um trecho da Bíblia, do evangelho de Mateus: “A terra tremeu, e as rochas se partiram. Os túmulos se abriram, e muitas pessoas do povo de Deus que haviam morrido foram ressuscitadas e saíram dos túmulos. E, depois da ressurreição de Jesus, entraram em Jerusalém, a Cidade Santa, onde muitos viram essas pessoas.” E Liefeld completa: “Após a crucificação, a guerra sobrenatural rasgou as províncias romanas. Hordas de zumbis atacaram Jerusalém em busca do corpo de Cristo. Os discípulos estavam cercados e um herói improvável surgiu para combater a legião de mortos: Lázaro, o imortal!”

Se a história em quadrinhos de Liefeld será um sucesso de crítica ou de público, não se sabe, o certo é que ele terá uma dor de cabeça dos infernos por mexer em um tema tão delicado.

(O Globo)

Nota: Liefeld é um dos piores desenhistas que conheci em meus tempos de fã de quadrinhos (veja abaixo dois exemplos de “assassinato” da anatomia humana: o “Capeitão” América e a moça que vai quebrar ao meio). Além de polêmico, Liefeld foi responsável por fracassos editoriais. Agora, pelo jeito, está querendo faturar alguns dólares por meio da polêmica, se metendo onde não deve e escrevendo bobagens. Lamentável.[MB]

quarta-feira, outubro 27, 2010

Humanos surgiram na Ásia e não na África

O berço da humanidade, ao contrário do que sempre se acreditou a as pesquisas científicas confirmavam, não seria a África, e sim a Ásia. É o que diz um estudo publicado nesta quarta-feira no site da revista Nature. Paleontólogos de várias partes do mundo encontraram, na Líbia (norte da África), fósseis de três famílias diferentes de simiiformes — uma subordem dos primatas da qual descendem os seres humanos. Os fósseis encontrados pelos cientistas são de 38 a 39 milhões de anos atrás [segundo a cronologia evolucionista], um período classificado como Eoceno. Foi nessa época que as cordilheiras foram formadas e surgiram os primeiros mamíferos. As várias espécies encontradas no norte da África indicam que houve algum tipo de diversificação biológica anterior à data dos novos fósseis. O problema é que poucos simiiformes que tenham existido antes de 39 milhões de anos atrás foram encontrados na África. E não foi por falta de pesquisa, de acordo com os autores do estudo — o norte africano teria sido bem explorado no último século e nenhuma diversificação de espécies anterior aos novos fósseis foi encontrada.

Se os pesquisadores estiverem certos, esse aparecimento "repentino" de diferentes espécies no solo africano, dizem os autores, só pode significar que a África foi "colonizada" por outros simiiformes vindos da Ásia. Dentre as espécies encontradas, uma delas, Afrotarsius libycus, é alvo de debate na comunidade científica. Alguns pesquisadores dizem que ela pertence a uma família diferente daquela que originou os seres humanos, a Tarsiidae. Já os cientistas que encontraram os fósseis no norte da África afirmam que os dentes dos indivíduos pertencentes a essa espécie se parecem mais com os do simiiformes.

Outros estudos já apontaram que a Ásia seria uma melhor candidata para o surgimento dos seres humanos, mas ninguém sabe quando e como [criacionistas sabem...]. Sem pistas na África, os pesquisadores pretendem vasculhar melhor a Ásia atrás do "verdadeiro" berço da humanidade.

(Veja)

Nota: Finalmente! Eles demoram, mas chegam lá. Criacionistas sempre disseram que a humanidade atual (pós-diluviana) teve origem com a família de Noé e que o ponto de dispersão foi a partir das montanhas do Ararate. Que ficam em que continente? Exatamente: ÁSIA! Quem sabe agora que estão frustrados com a falta de evidências depois de tantos anos de pesquisa nas planícies da África, os pesquisadores se voltem para a Ásia e se deparem com algumas surpresas.[MB]

Crise na Física e na Biologia?

Em 27 de abril de 1900, na Royal Institution of Great Britain, o matemático e físico escocês William Thomson, Lorde Kelvin de Lars (1824-1907), fez um discurso que se tornou conhecido e resumido pelos historiadores da ciência nos seguintes termos: “Vejo apenas duas pequenas ‘nuvens’ no sereno céu do conhecimento científico: o experimento de Michelson-Morley, realizado em 1887, e a discordância entre os valores medidos e os valores teóricos previstos pela termodinâmica para os calores específicos em baixas temperaturas.” O discurso foi reproduzido pela Philosophical Magazine – Revista Brasileira de Ensino de Física, com o título de “Duas nuvens ainda fazem sombra na reputação de Lorde Kelvin”. Em dois trabalhos que publiquei, escrevi que essas “duas pequenas nuvens” transformaram-se em duas violentas tempestades: (1) A Teoria da Relatividade Restrita de Einstein (1905) e (2) a Teoria Quântica de Planck (1900). Ainda nesses trabalhos, considerei a existência de “outras nuvens” no “sereno céu” da física do final do século 20 que poderão desencadear novas tempestades agora. Uma delas está “ligada à cosmologia, relacionada com a existência da matéria e da energia escuras”. Vejamos a razão disso.

Em 30 de junho de 2001, a Nasa lançou o satélite Wilkinson Microwave Anisotropy Probe (WMAP) com o objetivo de examinar algumas anomalias na radiação cósmica de fundo de micro-onda (RCFM), detectada em 1965, indicando o resquício da “grande explosão” (Big Bang) observada pelo satélite Cosmic Background Explorer (Cobe), lançado em novembro de 1989. Com o término da missão do WMAP, em setembro de 2003, iniciaram-se as análises dos dados que ele enviou. Em março de 2006, a equipe desse satélite anunciou que o nosso Universo tem a idade aproximada de 13,7 bilhões de anos e é composto de 23% de matéria escura, 73% de energia escura e 4% de matéria bariônica, a matéria convencional.

As análises indicaram ainda que a velocidade de expansão do Universo é de 21,8 km/s, por milhão de anos-luz, e que a densidade de sua massa crítica vale Ω = 1,024, o que significa que a geometria do Universo é quase euclidiana (plana). Esses dados, no entanto, não são explicados pelo Modelo Padrão Cosmológico do Big Bang (MPCBB). Esse modelo foi proposto nos anos 40 e desenvolvido entre 1970 e 2000, supondo que o Universo começou com a “explosão” de uma singularidade.

Assim, creio que a não explicação (até agosto passado) de aproximadamente 96% de material cosmológico (matéria e energia) represente uma crise na cosmologia. Em contraposição, a não descoberta do bóson de Higgs (bH), (previsto em 1964), peça fundamental do Modelo Padrão da Teoria das Partículas Elementares (MPTPE) também ampliará a crise da cosmologia, pois é o bH que explica a origem das massas das partículas elementares, sendo estas os componentes da matéria convencional cosmológica observada.

A crise na física referida anteriormente, no meu entendimento, está associada a uma outra, agora na biologia, particularmente na genética. Vejamos como. A Teoria da Evolução formulada por Charles Robert Darwin (1809-1882) e Alfred Russel Wallace (1823-1913), exposta em 1859, tem como característica básica a evolução do homem em quatro grandes momentos: Homo erectus, Homo habilis, Homo sapiens e Homo sapiens sapiens. Além disso, existe muita controvérsia sobre a evolução do homem a partir dos macacos (principalmente de gorilas e chimpanzés). Mas a grande questão é saber por que o homem é dotado de consciência e os macacos não, considerando que o homem e os chimpanzés e gorilas têm aproximadamente 98% de genes idênticos [é bom que se diga que até nisso há controvérsias]. A crise na biologia, por intermédio da genética, é explicar se existe algum gene responsável pela consciência humana.

Os genes são segmentos do composto orgânico chamado DNA, molécula armazenadora de instruções que coordenam o desenvolvimento e o funcionamento de todos os seres vivos. A história dessa molécula começa, em 1869, quando o médico suíço Johann Friedrich Miescher (1844-1895) descobriu uma nova substância localizada no núcleo das células, denominada por ele de nucleína. Em 1889, o patologista alemão Richard Altmann (1852-1900) sugeriu que essa nova substância se chamasse ácido nucleico. Depois de vários estudos sobre os ácidos nucleicos, a estrutura molecular em dupla hélice do DNA foi finalmente descoberta, em 1953, pelos biólogos moleculares James Dewey Watson, americano, e Francis Harry Compton Crick, inglês.

(José Maria Filardo Bassalo, Scientific American Brasil)

Nota: É o tipo de artigo que mostra o quanto de humildade temos que ter para admitir o quanto ainda não sabemos. Aliás, se nosso cérebro é tão somente resultado de evolução animal – portanto, um amontoado de moléculas acidentalmente organizadas –, nada garante que realmente saberemos interpretar a realidade que nos cerca, ou que nossa interpretação corresponderá à realidade objetiva. Afinal, como um acidente (cérebro) poderá entender outro acidente (Universo)?[MB]

Universitários agridem colegas em “rodeio de gordas”

Um grupo de alunos da Universidade Estadual Paulista, uma das mais importantes do país, organizou uma “competição”, batizada de “Rodeio das Gordas”, cujo objetivo era agarrar suas colegas, de preferência as obesas, e tentar simular um rodeio – ficando o maior tempo possível sobre a presa. A agressão ocorreu no InterUnesp 2010, jogos universitários realizados em Araraquara, de 10 a 13 de outubro. Anunciado como o maior do país, o evento esportivo e cultural, que reuniu 15 mil universitários de 23 campi da Unesp, virou palco de agressão para alunas obesas. Roberto Negrini, estudante do campus de Assis, um dos organizadores do “rodeio das gordas” e criador da comunidade do Orkut sobre o tema, diz que a prática era “só uma brincadeira”.

Segundo ele, mais de 50 rapazes de diversos campi participavam. Conta que, primeiro, o jovem se aproximava da menina, jogando conversa fora – “onde você estuda?”, entre outras perguntas típicas de paquera. Em seguida, começava a agressão. “O rodeio consistia em pegar as garotas mais gordas que circulavam nas festas e agarrá-las como fazem os peões nas arenas”, relata Mayara Curcio, 20, aluna do quarto ano de psicologia, que participa do grupo de 60 estudantes que se mobilizaram contra o bullying.

No Orkut, os participantes estipulavam regras para futuras competições, entre elas cronometrar as performances dos “peões” e premiar quem ficasse mais tempo em cima das garotas com um abadá e uma caneca. Há relatos de gritos de incentivo: “Pula, gorda bandida.” [...]

As vítimas não querem falar. “Uma das meninas está tão abalada que não teve condições de voltar à faculdade. Teme ficar conhecida como ‘a gorda do rodeio’”, afirma a advogada Fernanda Nigro, que acompanhou, na última terça-feira, uma manifestação de repúdio.

O grupo foi recebido pelo vice-diretor da Faculdade de Ciências e Letras, do Campus de Assis, Ivan Esperança. “Vamos ouvir os envolvidos e estudar as medidas disciplinares, mas não queremos estabelecer um processo inquisitório”, disse ele à Folha.

(Folha.com)

Nota: Se a “fina nata cultural” da nossa juventude (rapazes inteligentes e intelectualmente preparados) é capaz de atrocidades dessa natureza, isso é indício de que a formação moral e ética nem sempre caminha de mãos dadas com o preparo acadêmico. Infelizmente, esta é uma geração cuja moralidade vem sendo corroída por anos de exposição a filmes e outras mídias que apenas entretêm com violência e banalidades. Uma geração que até aprecia a espiritualidade, mas não o compromisso e a obediência que caracterizam a verdadeira religião. Moços e moças dessensibilizados, que encaram humilhação como “brincadeira”. Que futuro nos aguarda? Infelizmente, sei a resposta.[MB]

Leia também: "Alunos que começam mal"

Âmbar com insetos pode mudar história geológica

Um grande depósito de âmbar de 50 milhões de anos [segundo a cronologia evolucionista] encontrado na Índia pode mudar a história geológica da Terra e adiantar o surgimento [sic] de algumas espécies no planeta. Tudo porque os insetos encontrados presos no material mostram que o subcontinente não ficou tão isolado como antes se achava. Pesquisadores indianos, americanos e alemães passaram dois anos no nordeste da Índia examinando o que pode ser o maior depósito de âmbar já encontrado. O material encontrado na província de Gujarat está extremamente bem preservado e repleto de animais. Além disso, como a resina não foi completamente fossilizada, os pesquisadores conseguiram dissolvê-la de novo e ter acesso aos animais. Até agora, foram achados mais de 700 artrópodes de 55 gêneros diferentes; a maioria é de insetos (como abelhas e moscas), mas também aranhas, ácaros e partes de plantas.

Uma das teorias mais aceitas sobre a formação moderna dos continentes diz que o sub-continete da Índia “se separou” do leste africano há cerca de 160 milhões de anos [idem] e flutuou pelo oceano, isolado, à velocidade de 20 centímetros ao ano. Somente há cerca de 50 milhões de anos a Índia teria colidido com a Ásia em um impacto que resultou na formação da cadeia de montanhas do Himalaia.

Se fosse verdade, a Índia teria ficado completamente isolada do restante do mundo por 100 milhões de anos [idem], dando tempo para o surgimento de uma flora e uma fauna únicas. Sendo assim, o âmbar achado, que possui 53 milhões de anos [idem], mostraria como era a vida na Índia antes de sua ligação ao continente asiático. As espécies encontradas nele deveriam, portanto, ser diferentes das de quaisquer outros lugares.

Mas este não foi o caso. Insetos parecidos aos achados em Gujarat já foram encontrados na Europa e America Central, indicando um grande intercambio de espécies antes de o âmbar se formar. Os pesquisadores especulam então que poderia ter existindo uma série de ilhas continentais, como o Japão e Indonésia são hoje, que teriam permitido aos insetos passarem à Índia.

Outra descoberta interessante está na formação do âmbar, que vem de uma planta da família das Dipterocarpaceae. Os pesquisadores acreditavam que essa família havia surgido há 25 milhões de anos [idem], porém a datação do âmbar mostra que, na verdade, elas existem há pelo menos 50 milhões de anos [idem].

O trabalho foi publicado na Proceedings of the National Academy of Science.

(Info)

Nota: Que tal este cenário: havia um único continente (Pangea) que passou por um tremendo cataclismo hídrico acompanhado de enormes derrames de lava, fragmentação continental (tectônica de placas), tsunamis e consequente soterramento por água e lama de incríveis quantidades de animais e vegetais, que posteriormente se tornariam fósseis. O evento não durou mais do que semanas (ou mesmo poucos meses, se considerarmos eventos menores decorrentes da grande inundação), mas foi capaz de alterar drasticamente a configuração do planeta, originando em pouco tempo cadeias de montanhas, depressões (onde se acumularam imensas quantidades de água) e outras formações. Assim, os animais que acabaram aprisionados em âmbar ou sob a terra seriam provenientes de um mesmo ambiente antediluviano. As maiores variações verificadas nos seres vivos (microevolução) foram decorrentes dos ambientes diversificados surgidos após a catástrofe. Parece um cenário bastante razoável e compatível com as evidências observadas na Índia e em praticamente todas as partes do mundo. Aliás, plantas e animais fossilizados há supostos milhões de anos são muito parecidos com os atuais (quando não idênticos), variando mais no tamanho (geralmente maiores).[MB]

Leia mais sobre fósseis em âmbar aqui.

terça-feira, outubro 26, 2010

Vivendo a fé em um mundo incerto

O título desta postagem corresponde ao título do capítulo 11 do livro Take the Risk, do neurocirurgião de fama mundial Dr. Ben Carson. Nesse capítulo, Carson conta como integrou sua fé em Deus ao exercício da medicina e partilha algumas experiências pelas quais passou diante de auditórios e cientistas céticos e como foi possível testemunhar consistentemente para essas pessoas. Uma dessas experiências foi o debate em que estava presente o ultradarwinista Richard Dawkins. Carson descreve a cena, mas antes afirma que “algumas pessoas de fé pagam um preço terrivelmente alto por expressá-la. Por estar sempre diante do público, fazendo várias palestras e discursos, ouço alguns cientistas confessarem que partilham de minha fé cristã, mas não se sentem capazes de expressá-la abertamente. É arriscado demais ir contra as conveniências politicamente corretas da comunidade científica. Não posso deixar de desejar que mais pessoas criem coragem e se lembrem das palavras do apóstolo Paulo, registradas no oitavo capítulo do livro de Romanos: ‘Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?’ (verso 31).” Segue a descrição do debate:
“Esse é exatamente o tipo de coragem da qual precisei na ocasião em que a Academy of Achievement convidou-me para participar de outro painel de discussão sobre o mesmo tema [Fé e Ciência], em 2006. Baseado na reação positiva que obtive no ano anterior, não precisei pensar duas vezes. Não há dúvida de que o segundo painel foi ainda mais formidável do que o primeiro. Dividi o palco com mais três cientistas famosos: o companheiro de fé Dr. Francis Collins, diretor do Projeto Genoma Humano, um dos maiores empreendimentos de pesquisa da história da Ciência; o Dr. Daniel Dennett, que sintetizou pesquisas modernas no campo da Neurologia, da Linguística, da Ciência da Computação e da Inteligência Artificial a fim de construir um protótipo para explicar a sua teoria quanto à base neurológica evolucionária da consciência e da religião como um ‘fenômeno natural’; e o Dr. Richard Dawkins, que recebeu, por seu empenho em defender a teoria da evolução ao longo de sua carreira, o apelido de ‘Rottweiler de Darwin’. Dawkins expressou publicamente sua censura à fé religiosa e ao papel da religião na História no documentário televisivo ‘A raiz de todo mal’ e lançou recentemente um livro intitulado Deus, um Delírio. Sabia muito bem o que enfrentaria.

“A discussão provou ser divertida em todos os aspectos, assim como no ano anterior. Sempre que um dos cientistas presentes se referia à evolução como um fato e apontava algumas semelhanças entre espécies diferentes como uma evidência, parecia um pouco chocado ao me ouvir dizer que não acreditava na evolução e que cria ser possível que dois indivíduos imparciais olhassem para a mesma ‘evidência’ e chegassem a conclusões diferentes. Por exemplo, pedi para que imaginassem que a vida neste planeta tivesse chegado ao fim e que já se tivessem passado milhões de anos antes que exploradores de outra galáxia visitassem a Terra. Em meio à exploração, escavaram e encontram um Fusca e um Rolls-Royce. Os alienígenas, a princípio, notaram as diferenças, mas depois perceberam que os dois automóveis possuíam um motor e uma transmissão que serviam praticamente para a mesma função. Assim, será que chegariam à conclusão lógica de que o espécime mais complexo surgiu a partir do modelo mais simples? Ou seria mais lógico deduzir que o mesmo criador pensante do primeiro automóvel viu que o projeto básico para um sistema de locomoção – um motor e uma transmissão – poderia ser aperfeiçoado até chegar a uma versão mais sofisticada como o segundo automóvel? Às vezes, as conclusões que tiramos dependem completamente das hipóteses que tínhamos no início.

“Lembrei aos participantes do painel e aos ouvintes que passo muito tempo e gasto muita energia, estudando e lidando com o cérebro humano e o sistema nervoso. Quanto mais aprendo, mais impressionado fico com sua complexidade. Lido também com crianças e tenho motivos para levar em consideração o mistério do potencial humano. Cheguei à conclusão de que há um desenvolvimento adicional, uma dimensão extra, uma percepção mais profunda que distingue os seres humanos de todas as outras criaturas. Chamo isso de espiritualidade.

“Durante a discussão, admiti ser impossível provar cientificamente a existência de Deus. Mas concordei com Francis Collins, que lembrou os outros dois participantes de que é impossível provar o contrário. ‘Como’, Collins perguntou, ‘podem afirmar com tanta certeza que não existe Deus? Isso soa como a falácia do mais baixo nível. O agnosticismo é uma abordagem intelectual mais honesta. Já o ateísmo extremo, que afirma que ‘Deus não existe, e ponto final’, contradiz o debate lógico… e realmente deveria ser considerado por si só como uma forma de fé cega.’

“Daniel Dennett retrucou dizendo: ‘Não conheço ninguém que declare seguir o que você chamou de ateísmo extremo.’ Fiquei tão surpreso ao ouvir a resposta de Dennett quanto Francis Collins, que perguntou com incredulidade: ‘Não conhece Deus, um Delírio?’, observou, referindo-se ao título do livro escrito por Richard Dawkins.

“Muitas pessoas na plateia riram. Então eu disse, olhando para Collins: ‘Acho que acabamos de converter uma pessoa!’ A gargalhada da plateia foi tão alta que creio que ninguém ouviu Dawkins gritar: ‘Isso é ridículo!’

“Dawkins começou a argumentar que pelo nosso raciocínio supunha que até mesmo o ‘pastafarianismo fosse possível’. A essa altura, o Dr. Collins e eu respondemos, rindo ainda, que nesse caso nos considerávamos agnósticos. Fiz questão de enfatizar: ‘Por mais sofisticados que sejamos, munidos com nossos aparelhos de tomografia por ressonância magnética e tomografia por emissão de pósitrons, ainda não fomos capazes de descobrir a origem do pensamento. Não sabemos a origem dos sentimentos. Podemos falar sobre reações eletrofisiológicas, mas não podemos levar esse assunto ao próximo nível; não podemos analisar isso nem mesmo através de um aparelho ultramoderno. Penso que isso é uma das coisas que nos torna diferentes.

“Embora eu acredite que a complexidade de nossos pensamentos e sentimentos são evidências de um Deus Criador, admiti que não era capaz de provar minha crença. Mas, de igual modo, os outros membros do painel não podiam provar sua teoria também. Tudo se resume na questão do tamanho de nossa fé e onde escolhemos depositá-la. Afirmei: ‘Simplesmente não tenho fé suficiente para crer que algo tão complexo como a habilidade humana de raciocinar, pensar, planejar e ter um senso moral do que é certo ou errado tenha surgido por força do acaso. [...]

“Foram concedidos 15 segundos a todos os membros do painel para ‘resumir’ a discussão sobre fé e ciência. Acho que todos riram diante do absurdo da exigência.

Usei meus 15 segundos para desafiar a plateia: ‘Façam as seguintes perguntas a si mesmos: Se há um Deus, qual é o risco de não crer versus o risco de crer nEle? Se não há um Deus, qual é o risco de não crer versus o risco de crer nEle? Façam essas perguntas hoje à noite antes de dormir.’ [...]

“Faça a análise. Se há um Deus e você acredita nEle, você sabe que o melhor ainda está por vir. Se há um Deus e você rejeita completamente a ideia e segue a sua vida de maneira contrária, o risco eterno é incalculável. Se não há um Deus e você crê nEle, o pior que pode acontecer é passar a sua vida com alguns níveis elevados de endorfina ao pensar que acredita numa coisa boa. Se não há um Deus e você não acredita nEle, da mesma forma não haverá nenhuma consequência séria.

“Creio – assim como Pascal – que quando paramos para pensar nisso dessa maneira, faz muito mais sentido colocar a fé em Deus do que rejeitá-Lo, simplesmente porque há muito mais a perder se você estiver errado e Ele realmente existir do que se você estiver errado e Ele não existir.”

A propósito, quer uma boa notícia? O livro Take the Risk será lançado em breve pela Casa Publicadora Brasileira, com o título Risco Calculado – Aprenda a decidir com ousadia. Aguarde!

Política e religião: um “namoro” perigoso

Qual a situação, força de atuação e influência que a religião tem sobre a política hoje?

A força é muito grande, não tanto da religião institucionalizada, como foi no passado e será no futuro, mas da religião popular. Os políticos, sabedores da força que a religião exerce sobre nações religiosas como o Brasil e os Estados Unidos, por exemplo, enveredam por esses temas tentando conquistar votos e apoio. Às vezes, até misturam temas que não são necessariamente religiosos, como aborto e ensino do criacionismo. Essa confusão e esse enfoque religioso trazem de novo a sombra ameaçadora da união entre Igreja e Estado. Essa união nunca foi boa e nunca será.

Por que os políticos de hoje em dia têm utilizado tanto a religião para atingir as grandes massas?

Políticos utilizam qualquer fonte de mobilização que estiver ao alcance deles. Pode ser a religião ou mesmo a identificação de um inimigo comum. Joseph Goebbels fez isso com terrível maestria nos tempos do nazismo, colocando muita gente em seu país contra judeus, negros e outras etnias. Goebbels se aproveitou do antissemitismo secular na Alemanha, agravado pelo ódio que Lutero promoveu contra os judeus ao perceber que eles não se converteriam em massa ao cristianismo. No caso do Brasil, país de maioria católica, é bastante vantajoso para os políticos e candidatos atrair para a arena política temas que envolvem fé e ética religiosa. Vencerá aquele que conseguir se identificar mais fortemente com as crenças do povo. Por isso é tão comum ver candidatos comparecendo a missas e a cultos religiosos nesta época de campanha eleitoral. Isso não é bom, pois o foco da discussão acaba sendo desviado das questões mais importantes num Estado laico, como educação, saúde e liberdade.

É importante que os cristãos participem da política?

Os cristãos devem ser sal da terra e luz do mundo, e creio que esse imperativo passa pelo exercício da cidadania. Votar faz parte disso. E se temos que votar, que o façamos com consciência e esclarecimento. Para o verdadeiro cristão, a solução definitiva de todos os problemas da humanidade é a volta de Jesus. Assim, o ponto mais importante a ser considerado nas propostas dos candidatos políticos é a postura deles com relação à liberdade religiosa e de expressão. Isso porque enquanto desfrutarmos dessa liberdade poderemos pregar sobre a vinda de Cristo e sobre as verdades bíblicas, sem nos esquecermos de que, evidentemente, enquanto estivermos neste mundo, temas como saúde, educação e justiça social devem ser tratados com muita seriedade.

Por que os cristãos devem participar da política?

Porque eles, talvez mais do quaisquer outras pessoas, devem ajudar a promover a ética e a honestidade em todas as esferas da sociedade. E devem não apenas fazer isso votando nos melhores candidatos possíveis, mas também cobrando deles depois de eleitos. Os profetas bíblicos anunciavam as verdades divinas, mas também denunciavam corajosamente os desmandos das autoridades, especialmente quando elas falhavam com os pobres e menos favorecidos. Isso deixava Deus triste, irado e inconformado, e deve nos entristecer e inconformar também.

Deixar de participar das decisões políticas não seria uma espécie de omissão ou conformismo?

Sem dúvida. E é bom lembrar que podemos pecar por ação e omissão. Como disse Edmund Burke: “Para que o mal triunfe basta que os bons fiquem de braços cruzados.” O temor que muitos cristãos têm de se envolver com questões políticas possivelmente seja herança dos anabatistas, que dividiam a realidade em “coisas sagradas” e “coisas profanas”. Tudo que dizia respeito à política se encaixava no segundo caso.

Como explicar o poder que a política teve, através da igreja, para implantar movimentos tanto para o bem, como para o mal? Alguns exemplos: Inquisição, nazismo, fascismo, ditadura militar, etc.

Foi bom você ter dito “igreja” em lugar de “cristianismo”. Muita gente confunde as duas coisas. O verdadeiro cristianismo nunca assassinou ninguém. Nunca utilizou a violência e nunca fez concessões a poderes políticos para se favorecer disso. Pelo contrário, os verdadeiros cristãos sempre foram perseguidos e incompreendidos, pois entendem que o reino que almejam não é deste mundo e que devem prestar obediência e submissão, sobretudo a Deus. Igrejas sedentas de poder humano é que firmaram alianças espúrias que acabaram trazendo perseguição e morte a muitas pessoas. Com o poder estatal nas mãos, a igreja medieval condenou muitas pessoas à fogueira. E, quando se aliou a regimes como o fascismo, ela fez vistas grossas à crueldade e à injustiça. Claro que não devemos nos esquecer de que regimes ateus, como o da ex-União Soviética, levaram à morte muito mais pessoas do que a Inquisição e as Cruzadas juntas. Isso é mais uma prova de que o Estado deve ser laico (nem religioso, nem ateu); e que deve manter as liberdades de culto e de expressão, para que a democracia seja garantida.

(Entrevista concedida pelo jornalista Michelson Borges à rádio Novo Tempo)

Meu texto no OI: pedofilia

A revista Ciência Hoje de outubro traz como matéria de capa a reportagem “Pedofilia: imposição de um desejo único”. Segundo o texto, “pedofilia seria um problema de cunho psicológico originário de um trauma ou de pressões culturais que levam a pessoa a procurar uma forma de gozo exclusivamente focada em crianças. [...] aqueles que procuram as mais jovens as veem como objetos fracos e totalmente dominados, sobre os quais podem exercer seu poder”. Depois, uma entrevistada pergunta: “Como impedir que jovens rapazes e moças façam sexo com pessoas mais velhas se tudo é permitido?” Sexo não é mais assunto moral, mas de saúde. Pedofilia deve ser combatida por ser doentia, e não por ser moralmente incorreta (ou mesmo pecado). [Continue lendo este meu texto publicado no Observatório da Imprensa. Deixe seu comentário lá.]

[Continue lendo meu texto no site Observatório da Imprensa, e deixe seu comentário lá.]

segunda-feira, outubro 25, 2010

As ex-namoradas do Príncipe William

Kate Middleton passou por uma verdadeira prova de etiqueta real no fim de semana. Andando lado a lado com o príncipe William, ela foi fotografada entrando na igreja onde aconteceria o casamento de amigos, em Gloucestershire, no interior da Inglaterra. Ali, ela encontrou nada menos do que três ex-namoradas do seu atual namorado. Há 104 dias sem fazer uma aparição pública, Kate e William agiram como manda a cartilha da aristocracia: muito naturalmente. Eles “enfrentaram” na mesma Jecca Craig, a primeira namoradinha do príncipe, ainda adolescente. Rose Farquhar, a primeira namorada séria de William; a relação aconteceu entre a escola e a faculdade. E Olivia Hunt, com quem ele, já na universidade St. Andrews, teve um relacionamento rápido. Segundo reportagem do Daily Telegraph, a decisão dos dois de entrar em um casamento juntos é pouco usual e, portanto, significativa, já que a dupla costuma chegar separada aos lugares que frequenta. Para completar, amigos contam que eles têm testado a vida de casados longe dos olhos do público, morando juntos na ilha de Anglesey, onde ele treina como piloto de helicóptero de busca e salvamento. Isso tudo ajuda a reforçar o forte boato de que eles devem anunciar noivado até fevereiro de 2011. Uma moeda já estaria sendo desenhada para ser cunhada em comemoração à união.

(Veja)

Nota: O problema não é encontrar ex-namoradas(os), é querer com elas/eles “testar a vida de casados” antes de casar. Quando li essa nota aparentemente fútil no site da revista Veja, me lembrei de um livro em que Josh McDowell conta sobre o dia em que a esposa encontrou uma ex-namorada dele no cabeleireiro. A mulher contou para a senhora McDowell que ele sempre havia sido um namorado respeitador e que ela era afortunada por ter casado com homem tão cristão e correto. Quando chegou em casa, a esposa beijou o marido e agradeceu o fato de ele ter sido fiel mesmo antes de conhecê-la. Josh diz que não podia imaginar que sua vida de solteiro lhe traria alegrias mesmo anos depois de casado. Obviamente que é constrangedor encontrar ex-namoradas(os) quando com elas/eles foram mantidas intimidades próprias da vida conjugal. Mas, quando o namoro é vivido dentro dos princípios bíblicos, não existe constrangimento algum. A vida de casado não deve ser “testada”. Quem faz isso antes de casar já reprovou no teste.[MB]

Leia também: "O marido deve ser o dono do manual", "Beijar o mesmo homem protege contra doença" e "Consequências do adultério"

O preço de discutir doutrina religiosa na arena política

Em 25/8/2010, em um artigo intitulado “Pior do que a Gripe Suína” (publicado no site Observatório da Imprensa), apontei os nefastos perigos da fusão Igreja-Estado promovida pelo governo Lula, que assinou uma concordata com o Papa Bento 16. Articulistas de vários jornais questionaram energicamente esse primeiro desmando da diplomacia brasileira – que, aliás, fez outros desmandos lamentáveis: o segundo apoiando um presidente bandido (Zelaya, de Honduras) que passou pelo que passou por descumprir a Constituição do próprio país; o terceiro apoiando um regime ditatorial, belicista e desumano como o do Irã, sendo por isso forçado pela ONU a voltar atrás.

Convém lembrar que Lula não foi o primeiro a, por motivos politiqueiros, buscar ganhar votos religiosos prestando favores a autoridades religiosas em troca de outros favores escusos destas, em favor do seu plano de governo eterno. Constantino, a partir de 313 d.C., iniciou um processo de “conversão” do Império Romano ao cristianismo, e ao mesmo tempo promoveu a “conversão” do cristianismo ao romanismo e seu paganismo. Depois disso, todos sabem, o Império se esfacelou e teve origem a Europa medieval, um continente cheio de guerras religiosas, superstições e atraso.

Depois, a partir do fim do século 13, Portugal e Espanha, leais à Roma, expulsaram os judeus e árabes dos seus territórios, perderam muitas riquezas e muita massa pensante, e se empobreceram tremendamente, apesar das vastas colônias que tinham na América. Mas a Inglaterra de Henrique VIII rompeu com a Igreja, e em 1534 também outros países fizeram o mesmo, seja por motivação religiosa (Alemanha e países nórdicos da Europa) ou política (a França revolucionária, dentre outros).

Contudo, em 1929, o ditador Mussolini tomou providências para que o Vaticano voltasse a ser um Estado político. Hitler sabia das negociações e também assinou uma concordata com a Santa Sé em 20/07/1930. Isso foi bom para os católicos? E para a Igreja? Só sabemos que isso foi um sinal verde para o Furher silenciar, perseguir, massacrar e matar a maior oposição que se erguia contra suas ambições (o Partido de Centro, cujos membros eram católicos alemães); o que, desnecessário dizer, ele fez mais do que prontamente.

Vale lembrar que o ditador fascista Francisco Franco, que prometera matar até a metade do povo espanhol, se essa metade fosse comunista – o que fez promovendo a encarniçada guerra civil espanhola –, assinou a concordata com o Vaticano. Além do ditador português, Salazar também assinou o mesmo tipo de concordata com a Igreja nos anos 40 do século 20.

Nessa época, Roosevelt tentava reatar laços políticos entre os EUA e a Santa Sé, mas seus desígnios foram bloqueados pelos imensos protestos dos protestantes conservadores. Truman também tentou, mas teve que recuar pelo mesmo motivo. Vale lembrar que quem rompeu laços diplomáticos com a Santa Sé foi Abraham Lincoln, tido até hoje como o maior presidente da história dos Estados Unidos.

Contudo, finalmente em 1984, o então presidente Ronald Reagan reatou os laços políticos entre EUA e Vaticano. Para isso, teve que alterar a legislação do País, que proibia esse tipo de laço. Mesmo assim, muitos questionam a legalidade disso, haja vista a primeira emenda constitucional que separa definitivamente a Igreja e Estado. Vários países seguiram o exemplo norte-americano.

Quando o então senador Arthur Virgílio (PSDB) disse que leu a concordata feita com Mussolini e que a nossa foi feita de modo a não ferir a democracia, isso desperta, no mínimo, três questionamentos sérios:

1. É lamentável que um legislador brasileiro espelhe as políticas que há de promover em exemplos como o de um fascista. Esse exemplo deveria ser categoricamente rechaçado

2. Historicamente, países que se envolvem em querelas teológicas gastam suas energias e recursos inadequadamente, causando a fuga de cérebros e meios de crescimento.

3. Seria mais produtivo para ele e todo o Senado, bem como para a câmara dos deputados, espelharem-se em bons exemplos advindos daqueles que trouxeram luzes novas, crescimento institucional ao País, como José Bonifácio, Rui Barbosa (patrono do Senado), Joaquim Nabuco; todos contra essa mistura que causa atraso. Ou então inspirar-se em grandes nomes internacionais, tais como Lincoln, Jonh Kennedy, rainha Elisabeth I da Grã-Bretanha, para citar alguns. Fora os pais fundadores dos Estados Unidos, como Washington, Jefferson, Madison e Roger Williams; esses também contra essa mistura que causa atraso.

Há grandes temas a serem discutidos e, infelizmente, com o envolvimento do Brasil em aspectos religiosos que ferem a ética laica, caminhamos para o atraso. Além de Rui Barbosa, promotor dos mais significativos conceitos sobre o real sentido das leis, e José Bonifácio, que levantou a importância da preservação e bom uso das riquezas naturais do nosso País, podemos citar também Darcy Ribeiro e Paulo Freire, que promoveram movimentos que culminaram em grandes mudanças e melhorias em nossa legislação educacional; os irmãos Villa-Boas, que promoveram a importância de se respeitar a cultura indígena e integrar o índio ao Brasil moderno; Juscelino Kubitschek, com a ideia de modernização rápida deste País e a integração de todos os rincões que o compõem; Teotônio Vilela e Ulisses Guimarães, que promoveram o direito às eleições diretas.

Quando a religião bajula o governo, ela se silencia diante das tremendas injustiças sociais que ele promove (quando ela deveria combater essas injustiças). Tapa os olhos para escaramuças e enganações, quando deveria exigir dos governantes a ética cívica. Faz vista grossa para assassinatos e violência, quando deveria exigir a proteção dos cidadãos e defender os direitos humanos. Mantém a mesma atitude diante de roubos e extorsões dos cidadãos por tributações pesadíssimas, quando deveria exigir que os homens investidos de autoridade fossem zelosos guardiões da fazenda pública em favor do fortalecimento de melhores condições de vida para seus cidadãos.

Parece uma responsabilidade pesada a uma entidade espiritual, mas, falando em cristianismo, devemos lembrar que Jesus é o Bom Pastor que zela por Suas ovelhas. Cada cristão deve zelar pelo seu próximo (seja esse cristão ou não), pois ele deve imitar seu Mestre e Senhor.

Infelizmente, no Brasil atual, temos visto muitos líderes religiosos católicos, protestantes e evangélicos rodeando os palácios do poder. Nesse processo, adulando e lisonjeando os políticos, deixando de cumprir seu papel de exigir que valores éticos comuns ao bom senso e a todas as crenças sejam seguidos. Por isso, as opressões e injustiças são perpetradas energicamente, sem ser contestadas.

Fruto dessa adulação e omissão, esses líderes recebem auxílios para seus projetos, sejam eles televisivos, “missionários”, etc. Projetos esses que pouco têm feito para desfazer ou diminuir as opressões, injustiças e pobreza; embora promovam o marketing das igrejas e apareçam muito. Além disso, muitos serviços sociais têm sido jogados pesadamente sobre os ombros do governo e as igrejas têm faltado com a liderança para assumir responsabilidades nessa área, responsabilidades que envolvem o contato direto com as pessoas necessitadas, como escolas, auxílio às famílias carentes, auxílio médico, etc.

Historicamente, o catolicismo brasileiro é muito criticado por silenciar ante as opressões dos poderosos, desde o período colonial até hoje; por outro lado, muitos têm elogiado os setores da Igreja que contestaram o regime militar. Há notória diferença aí: os católicos que lutaram contra a ditadura acreditavam num Estado laico; já os ditadores, num Estado apoiado pela religião que se submetia à sua tirania em troca de favores especiais.

Quando a religião se amesquinha para agradar a um governo, ou se ensoberbece para impor dogmas sem motivar corações, o espírito público não é refrigerado. Ao contrário, ela se torna cúmplice das tremendas injustiças, escaramuças, assassinatos, desvios éticos, pois fica calada e como um atalaia adormecido sobre o muro de uma cidade prestes a sofrer ataque, será trucidada com todos pelo voraz e cruel inimigo que invade. Aconteça o que acontecer, a religião será culpada, pois não teve a ousadia que suplanta os interesses momentâneos para apontar rumos para o bem de todos sob sua influência.

“A religião, apoiada no monopólio civil (do governo), não pode senão adulterar-se, enfraquecer-se, decair.” “À medida que a influência temporal da igreja se amplia, declina sua autoridade moral.”[1]

Discussões de cunho ideológico e religioso inevitavelmente ocorrem em todos os ambientes, inclusive no ambiente político. Na verdade, a política deve ser uma arena de livre discussão e de sincera busca de soluções a fim de socorrer os milhares de homens e mulheres, adultos, crianças, jovens e idosos. Esse pragmatismo deveria comover nossos líderes a se empenharem por grandes projetos.

Além da crise religiosa já mencionada, estamos vivendo algumas crises gravíssimas que, ao invés de serem enfrentadas, têm sido abafadas e estão aumentando. Eis aqui as principais:

1. DÍVIDA PÚBLICA. Devido aos mecanismos de juros altos e maquiações feitas para atrair capitais, tem aumentado essa dívida, o que impede que tenhamos bons serviços públicos na Previdência, infraestrutura, saúde, segurança e educação; pois, por causa desse ônus, o governo pouco tem a seu dispor para essas áreas.

2. DESEMPREGO. Apesar de o nível de emprego ser positivo atualmente, ainda temos muitos desempregados, e mais: muitos subempregados, ou seja, pessoas que trabalham sem carteira assinada e em condições aviltantes. A isso agrega-se o despreparo escolar da maioria dos trabalhadores.

3. GLOBALIZAÇÃO. Na concorrência por mercados globais, o Brasil está perdendo, pois o custo-produção dos nossos produtos os tornam caros diante dos similares de outros países; além do mais, temos baixíssima produção de itens de média e alta tecnologia, que são aqueles que trazem valor agregado, ou seja, geram mais empregos no mercado interno. Nossa maior produção continua sendo a mesma dos tempos do Brasil Colônia: os insumos agrícolas como café, milho, açúcar.

Acrescente-se a isso as políticas atrasadas que mantêm imensos latifúndios; as indústrias irresponsáveis, que, juntos, estão poluindo e destruindo a natureza.

Mas, tendo o respaldo do discurso dispersivo promovido por um espírito de falsa religiosidade dentro do Estado, somos forçados a “ver santificar a violação dos direitos mais invioláveis, dourar e amar a todas as deformidades legislativas, desconceituar e procrastinar ilimitadamente as mais instantes reformas com a simulação de reformas premeditadamente agravadoras do mal”.[2]

As atitudes politiqueiras e não políticas dos representantes dos vários entes do poder têm agravado as crises supracitadas e isso nos leva a tecer os comentários abaixo.

Como foi dito, Ronald Reagan reatou laços especiais com a Santa Sé em 1984. Reagan alcançou o poder afagando os mais ricos e os conservadores católicos e evangélicos. Ele desestatizou tudo o que pôde encolhendo o poder do Estado. Dentro de suas possibilidades, desfez todas as conquistas de socorro social promovidas pelo New Deal (de Roosevelt) e pela Grande Sociedade (de LBJ). Cortou os impostos dos milionários; combateu as políticas de inclusão racial como as cotas (assim como nos anos 60, juntamente com o senador Goodwater, colocara-se na porta de uma escola para que alunos negros não entrassem). Assumiu o País que era o maior credor do mundo em 1980. Sob seu governo a bolsa de Nova York quebrou duas vezes e entregou para Bush pai o país que era o maior devedor do mundo em 1988.

Bush pai sabia que seu antecessor alçara as alturas com apoio religioso e por isso não desperdiçou a mesma oportunidade. Assim, questões como o aborto (que num viés radicalmente conservador envolve proibir pesquisas com células tronco e proibição de quaisquer meios de controle de natalidade como laqueadura ou vasectomia), casamento gay e divórcio tomaram à frente do discurso político. A motivação para guerras, com brados de ufanismo, foi exacerbada e temas mais importantes para o governo foram abandonados.

Temas como infraestrutura, gastos públicos, inclusão social, imigração e desvios de dinheiro promovidos pelo sistema financeiro foram deixados de lado. Houve alívio com Bill Clinton, mas foi passageiro. Contudo, Bush filho exagerou em todo o conservadorismo e agora o país caiu nessa crise da qual todos sabem.

A questão religiosa no Brasil

Diante do exemplo acima, além de outros, não fica difícil constatar que mau agouro nos espera; até porque a estrutura política e econômica brasileira é bem mais frágil que a norte-americana.

Falando especificamente do PT, vale lembrar que foi Lula quem assinou a concordata com a Santa Sé, em Roma. Juntamente com Dilma, fizeram-se fotografar, também percebendo a intrusão da religião. Dilma ressalta seus supostos valores morais em sua propaganda política; enquanto o PT reclama da mistura que ele mesmo promoveu.

Já Serra se apresenta como fiel cristão, homem de bem e honesto. O assunto do aborto toma a frente, quando já temos uma legislação conservadora, mas equilibrada sobre o tema, que permite aborto em caso de estupro ou perigo para a vida da mulher, além de muitos hospitais estaduais e municipais promoverem a laqueadura em mulheres de baixa renda.

Contando com marqueteiros, com estardalhaços da mídia (que, infelizmente, anda muito desnorteada em alguns casos), os últimos quatro anos de Lula se demonstraram não progressivos, assim como o governo Serra em São Paulo, pois não mudou muito a politicagem que há no resto do Brasil. Esperava-se mais de São Paulo, até porque na bandeira da Grande São Paulo (capital), onde Serra foi prefeito, se lê: NON DUCOR DUCO” (Não sou conduzido, conduzo).

Seria mais interessante se tivéssemos uma séria disputa entre dois gigantes com ideias diferentes, mas positivas. Líderes que tivessem histórias e feitos a contar e não discursos e declarações de fé a declarar.

Voltando à pergunta-título deste ensaio, vemos que a mistura Igreja-Estado no Brasil já está cobrando um preço alto de todos nós, com alguns juros e dividendos:

1. Esvaziando um discurso político sério sobre as prioridades nacionais. Trazendo à tona o aborto, que está equilibradamente resolvido nas várias legislações, tanto a nacional quanto a da maioria dos Estados.

2. Minando a ética pública, pois os desmandos e as politicagens continuam e as lideranças religiosas, por estarem recebendo favores dos governantes, acabam se omitindo e se calando.

3. Silenciando a contestação das questões de gestão, projeto de governo, gastos públicos; colocando no lugar temas como ser religioso, apoiar esta ou aquela fé.

Como todos os modismos e superficialismos, o modismo religioso vai dar em nada e em decepção. Sobre isso Rui Barbosa diz: “Não há falsidade imaginável, que, apoiada no dinheiro ou nas dependências privadas, não tenha, graças à barateza das testemunhas mercenárias ou às complacências particulares, meio fácil de triunfar, ou de dificultar as indagações judiciais, transviando ou embaraçando as decisões da justiça, sob a protetora capa do juramento religioso.”[3]

Permanece a máxima: “Pelos seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má dá frutos maus” (Mateus 7:16, 17).

(Silvio Motta Costa, professor da rede pública em Campinas, SP)

Notas:

1. Barbosa, Rui. Introdução ao livro O Papa e o Concílio de Janus, p. 276, 277. Editora Elos, Rio de Janeiro, 3ª edição.

2. Ibid., p. 15.

3. Ibid., p. 304, 305.

Nota: Há quem pense que sou anti-Dilma, outros imaginam que sou ou anti-Serra. Nada disso. Não tenho nada contra esses dois candidatos, pessoalmente. Tenho publicado aqui alguns textos mostrando os dois lados da discussão política pela qual passa nosso país. Para fazer contraponto ao texto de Júlio Severo, sugiro a leitura do artigo “Dilma e a fé cristã”, de Frei Betto. Repito: temos que votar de maneira consciente e esclarecida, não baseados em boataria que desvia o foco das reais necessidades de um Estado laico: saúde, educação e liberdade.[MB]

domingo, outubro 24, 2010

O que a Bíblia ensina sobre uso de imagens?

Muitos cristãos utilizam desenhos e pinturas de personagens bíblicos, inclusive de Jesus. Alguns têm chegado a fazer esculturas representando cenas bíblicas. Isso não é proibido pelo segundo mandamento?

No segundo mandamento da lei de Deus, lemos o seguinte: “Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto” (Êx 20:4, 5). Um dos princípios mais importantes para entender a Bíblia é jamais ler apenas o trecho de uma frase, deixando de lado seu contexto. Somente quando lemos o texto completo, podemos entender seu sentido. [Leia mais]

Ter filhos pode “turbinar” o cérebro da mulher

Um estudo do Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos sugere que as novas mamães apresentam modificações no cérebro que podem ajudá-las a enfrentar essa nova fase da vida. Avaliando imagens de exames de ressonância magnética do cérebro de 19 mulheres que tiveram filhos, os cientistas descobriram que o cérebro das “mães de primeira viagem” tem um aumento significativo de volume em áreas associadas à motivação materna, ao processamento das emoções, à integração sensorial e a razão e julgamento. A comparação das imagens retiradas do cérebro das novas mães de duas a quatro semanas e de três a quatro meses após o nascimento mostrou que a massa cinzenta havia crescido um pouco - mas significativamente - em diversas regiões do cérebro. E aquelas que classificavam seu bebê como especiais, bonitos, ideais e perfeitos eram mais propensas a desenvolver mais a região central do cérebro do que as mães “menos corujas”.

Segundo os cientistas, mudanças hormonais após o nascimento e o estímulo sensorial do contato com o bebê podem ser os fatores responsáveis pelo desenvolvimento em algumas áreas do cérebro dos adultos - o que permite que as novas mães “orquestrem um novo e maior repertório de comportamentos interativos complexos com os bebês”.

“A motivação para cuidar de um bebê e os traços característicos da maternidade podem ser menos uma resposta instintiva e mais um resultado da construção ativa do cérebro”, escreveu o neurocientista Craig Kinsley, em editorial da revista Behavioral Neuroscience, onde o estudo foi publicado.

(Behavioral Neuroscience, outubro de 2010)

Nota: Quem construiu a "construção ativa do cérebro"? Se isso não é evidência de design inteligente, o que é? A propósito, o cérebro da minha esposa está tri-turbinado![MB]

Blog da Gi: Um diário lido

Ana Paula era uma menina de nove anos que tinha uma irmã chamada Pâmela de 15 anos. A família delas morava em uma casa branca com grafiato e fachada de pedra que no bairro era conhecida como casa grande (por ser a maior casa da rua e do bairro). Ana Paula tinha cabelos lisos, até a cintura e castanhos, pele clara e olhos verdes. Pâmela tinha cabelos até o queixo, lisos e quase loiros, pele clara e olhos castanhos. Na escola Ana Paula aprendia que Deus não existe e que o mundo surgiu de uma explosão. Os pais dela ensinavam a mesma coisa. Ana Paula não gostava muito dessa teoria, ela pensava: “Eu não queria ter vindo do macaco, é esquisito e pra onde eu vou e o que eu faço aqui?” [Leia mais]

sábado, outubro 23, 2010

“Senhor das Armas” quer combater crime organizado

O ator Nicolas Cage fez na quinta nas Nações Unidas um pedido para que a organização coopere na luta contra o crime organizado, mas que essa batalha não passe por cima dos direitos humanos nem deixe de lado as vítimas de grupos mafiosos. Cage é embaixador de boa vontade da ONU para a justiça mundial e participou de Viena em uma conferência sobre os dez anos da Convenção de Palermo, o maior instrumento legal internacional contra o crime organizado. “Em minha carreira fiz muitos papéis: heróis e vilões, amantes, perdedores e até criminosos e combatentes do crime. Mas ser embaixador da boa vontade para a justiça mundial é meu papel mais difícil e significativo”, afirmou o ator diante de dezenas de diplomatas.

Ele ressaltou que o crime organizado só pode ser combatido por uma frente internacional comum, já que as redes ilegais são muito poderosas para qualquer Estado sozinho enfrentar sozinho. [...] Cage, que viajou como embaixador da ONU a África, Uganda e Quênia, e se reuniu com vítimas do crime organizado, definiu este mal como “uma infecção mortal” que se expande com rapidez por todo o mundo.

(Terra)

Nota: Conforme o leitor Wagner Aguiar bem recordou, em 2005 foi lançado o filme “Senhor das Armas”, no qual Cage é um contrabandista internacional de armas – o que não deixa de ser uma apologia ao crime organizado. Agora ele quer combater aquilo que apregoou no filme? Participando de produções cinematográficas desse tipo, Cage age como um adventista que estivesse vendendo bacon ou cerveja. Ou seja, é pura incoerência.[MB]

Lua tem ou não tem água?

Algum tempo atrás, cientistas foram categóricos em afirmar que a Lua não tem água (confira aqui). Agora estão dizendo que apenas numa cratera do nosso satélite há quatro bilhões de litros do líquido precioso. E agora? Quando vão se decidir? Segundo reportagem no site Folha.com, a estimativa representa apenas o que os cientistas puderam observar depois do impacto do Lcross (Satélite de Sensoriamento e Observação de Cratera Lunar) ao pólo sul da Lua, em 9 de outubro do ano passado, para abrir a cratera. A missão envolveu o arremesso, a uma velocidade de 9.000 km/hora, de um foguete vazio contra a cratera Cabeus. Da colisão, surgiu uma enorme nuvem de material do fundo da cratera, que permaneceu intocado pela luz do sol durante bilhões de anos [como eles sabem disso?]. Uma segunda nave mergulhou na nuvem de destroços levantada pela colisão e usou instrumentos para analisar sua composição, antes de também atingir a Lua. O solo lunar é mais rico do que se pensava até agora, com vestígios de prata em meio a uma mistura complexa de elementos e componentes encontrados dentro da cratera. Além de água, a nuvem continha monóxido de carbono, dióxido de carbono, amônia, sódio, mercúrio e prata.

A atitude mais prudente é esperar novas pesquisas. Vai que não é água, de novo...

sexta-feira, outubro 22, 2010

A opção pela amoralidade

O filósofo Joel Marks parece ser um homem honesto. Durante a maior parte de uma longa carreira, ele não teve nenhuma dificuldade em harmonizar seu ateísmo com o compromisso com uma filosofia moral essencialmente kantiana. Naturalmente, ele havia sido obrigado a ignorar a alegação de Kant de que Deus e a alma são postulados necessários da razão prática (que, francamente, sempre me pareceu algo de uma falha no vidro deontológico da segunda Crítica), mas, em outros aspectos, ele seguiu em grande parte o script de Kant. Ao longo dos últimos anos, porém, Marks passou por uma espécie de conversão, que o deixou, segundo ele, na curiosa posição de ter de “aprender a viver tudo de novo”. Como explica em um artigo na última edição do periódico Philosophy Now, ele demorou a perceber que, durante muito tempo, afadigou-se debaixo de uma ilusão, e que ele deveria ter analisado antes a hipótese de que existe o certo e o errado.

Para sua própria surpresa, ele agora concorda com todos os “fundamentalistas” que afirmam que, sem Deus, não pode haver moralidade. Sem um “comandante”, ao que parece, realmente é impossível existir qualquer norma moral. E assim, como um ateu convicto, Marks se vê compelido – apenas por honestidade intelectual – a “abraçar a amoralidade” [ausência de moral; não imoralidade, que viola os princípios da moral].

Ele afirma não ter simplesmente abandonado seus antigos princípios morais em troca do egoísmo predatório prudente; nem deixou a compaixão para se tornar adepto de um hedonismo mais bem elaborado (como Michel Onfray). Ele agora acredita que o que chamamos de moralidade é apenas o resíduo de processos evolutivos e que o “propósito” real dela é promover a sobrevivência da espécie. Mesmo assim, de acordo com ele, é possível escolher a compaixão, porque lhe agrada fazê-lo. Ele deu a essa teoria o nome de “desirismo”.

Dessa maneira, ele pode até tentar persuadir outros a adotar as causas que ama, tal como a bondade para com os animais, sem estar sujeito a obedecer à Verdade (misticamente escrito com inicial maiúscula). Tudo o que ele tem a fazer é se reconciliar com uma ética no modo condicional. [Leia mais]

(David B. Hart, filósofo cristão, contribui para o periódico First Things. Seu livro mais recente é Atheist Delusions: The Christian Revolution and Its Fashionable Enemies [Ilusões ateístas: a revolução cristã e seus inimigos da moda], Yale University Press, 2009)

Nota: O artigo de Joel Marks, “An Amoral Manifesto” [Um manifesto amoral] pode ser lido aqui.

Ilusão de ótica e de conceito

Um cientista americano afirma que, ao tentar decifrar como as ilusões de óticas “enganam” nossas mentes, é possível revelar detalhes sobre o funcionamento do cérebro humano. Professor de neurociência da University College de Londres, Beau Lotto diz que têm sido crucial para a evolução humana o órgão e sua capacidade de processar constantemente as informações que recebe do mundo que nos cerca. Lotto apresentou imagens que ajudam a entender melhor essa capacidade, começando com a importância de se enxergar em cores. Acompanhe a apresentação do cientista: a imagem [acima] mostra uma versão em preto e branco de uma cena em uma selva. Nesta versão da cena, é mais difícil encontrar o grande predador, uma pantera que parece estar prestes a atacar. Isso ocorre pela razão de o observador enxergar apenas as superfícies de acordo com a quantidade de luz que elas refletem.

A segunda imagem, da mesma cena, está com todas as cores. E, dessa vez, o observador poderá ver o animal imediatamente (no canto inferior direito). A razão disso é que a imagem em cores mostra as superfícies de acordo com a qualidade da luz que elas refletem (e não apenas a intensidade). Com isso, o cérebro recebe muito mais informações.

A cor nos torna capazes de ver um número maior de semelhanças e diferenças entre os objetos, o que é necessário para a sobrevivência. Encontrar a pantera na imagem colorida é incrivelmente fácil para os humanos. Mas, os melhores computadores não conseguem fazer isso. Compreender como vemos é um dos principais objetivos da neurociência. [...]

(Folha.com)

Nota: Uma coisa é dizer que o olho ou a capacidade de ver em cores evoluiu, outra é explicar como. Em seu livro A Origem das Espécies, Darwin admitiu que pensar no olho o fazia “esfriar todo”. No livro A Caixa Preta de Darwin, o bioquímico Michael Behe prova que Darwin tinha razão em ficar preocupado: mais do que um problema do ponto de vista da morfologia, explicar a origem da bioquímica irredutivelmente complexa da visão torna as coisas ainda mais complicadas para os darwinistas (leia o livro). As células visuais capazes de identificar a cor são diferentes daquelas que captam outras informações. Como surgiram? Se existiam antes, que função tinham e por que e como mudaram? E todos os demais mecanismos e partes interconectadas (como neurônios especializados, para citar apenas um exemplo), como surgiram e se interligaram? Crer que mutações aleatórias e seleção natural sejam capazes de originar toda a informação genética necessária para possibilitar a formação e funcionamento da visão, isso sim é ilusão de ótica.[MB]

Alarme ECOmênico: um planeta é pouco

O Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na sigla em inglês) é taxativo: devido à excessiva exploração e poluição, precisaremos de um novo planeta Terra até 2030 se mantivermos as mesmas taxas de danos à natureza. Metade de nossa população de 6,8 bilhões de pessoas, segundo a ONG internacional, vive em desacordo com os padrões sustentáveis de estilo de vida. Isso sem falar que a estimativa da organização leva em conta as estimativas de crescimento populacional feitas pela ONU, que segundo eles estão abaixo do que realmente deve acontecer. O cálculo que os levou a fazer tal afirmação diz respeito à poluição. Daqui a 20 anos, precisaremos do dobro da capacidade atual em capacidade de capturar CO2. Sem isso, haverá um inevitável desequilíbrio nas taxas de recursos naturais do ecossistema, e (ponto para os apoiadores da teoria de aquecimento global) no clima do planeta.

O cálculo ainda dá uma grande alfinetada nos norte-americanos: eles afirmam que, se o mundo todo tivesse a mesma taxa de consumo da população dos EUA, não precisaríamos apenas de mais um planeta Terra até 2030, e sim de quatro Terras e meia. O relatório indica que tivemos uma queda média de 30% na biodiversidade no mundo. Considerando apenas os trópicos, essa taxa é de 60%.

A receita para evitar que precisemos de um novo planeta (já que dificilmente teremos) já é conhecida: sustentabilidade. Investir em meios de manter o mesmo nível de qualidade de vida explorando menos os recursos naturais. Em suma, o desafio é garantir o uso desses mesmos recursos para as próximas gerações sem precisar diminuir o nosso próprio. [USA Today]

(Hypescience)

Nota: A preocupação com o meio ambiente é válida e deve estar entre as prioridades dos cristãos. O que preocupa é o que está por trás
da motivação dos ECOmenistas. Clique no marcador "ECOmenismo", abaixo, para ler mais sobre o assunto.[MB]

Tem horas que não tiro a razão de alguns ateus...

"Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos" (Mateus 24:24).

quinta-feira, outubro 21, 2010

Duvidas sobre o mal, milagres e livre-arbítrio

Certa vez, quando perguntaram a Jesus quem havia pecado, Ele respondeu que o homem nascera daquele jeito [cego] para ser manifestar a glória de Deus. Ou seja, Deus colocou o problema apenas para se manifestar a glória dEle? É Deus quem coloca a dor, a doença, para, depois, curar ou matar? Jesus disse coisas como: “Não se preocupem com o dia de amanhã.” Mas Ele Se preocupou tanto que chegou a suar sangue! Outra coisa que me incomoda é a respeito de milagres, da probabilidade matemática. Cálculo simples: dois milhões de pessoas têm câncer, duas são curadas do nada. Milagre? Matematicamente falando, sim. Mas milagres acontecem aos que não são cristãos também... Mas o que mais me incomoda mesmo é sobre o livre-arbítrio. Como entender isso? – J.

Prezado J., primeiramente, entendo que não podemos simplificar tanto assim uma realidade que é muito mais complexa. Assuntos como livre-arbítrio, determinismo, milagres, etc. não podem ser resolvidos numa frase, num parágrafo e talvez nem mesmo em milhares de páginas. Fé não é confiar no que não vemos? Não é ter certeza do que esperamos? (Hebreus 11:1). [Leia mais]

Aborto e o Estado Laico

Recebi através do grupo de discussão da Red Iberoamericana por las Libertades Laicas um pretensioso manifesto contra o uso da religião nas eleições presidenciais de 2010. O texto desse manifesto é arrogante, tendencioso, dogmático e notadamente antidemocrático ao preconizar que “não é aceitável que essa questão [aborto] seja usada nos processos eleitorais com o objetivo de que prevaleça um Brasil arcaico, hipócrita e conservador sobre interesses republicanos e de promoção da igualdade entre os sexos”. Certamente a questão do aborto é de grande interesse da população; nesse ponto estou de acordo com o manifesto. Por esse mesmo motivo, entretanto, o tema não deve ser afastado dos debates neste momento da política brasileira. Será que o povo brasileiro não tem o direito de debater essa questão tão importante e de se posicionar contrariamente à institucionalização do aborto? Ora, a intenção de censurar a liberdade de expressão das igrejas e dos religiosos brasileiros nessa área é atitude sensivelmente despótica.

Não subscrevo esse manifesto em razão das flagrantes distorções do princípio constitucional do Estado laico apresentadas no texto. A defesa do estado laico não está atrelada necessariamente à legalização do aborto. De igual sorte, argumentos contrários a essa descriminalização não são exclusivamente religiosos.

Quem é que está pretendendo fazer o uso antidemocrático para fins eleitoreiros? Ora, o fato é que a maioria dos brasileiros, independentemente de classe social ou crença religiosa, não admite a descriminalização do aborto. Assim, esse debate (aborto) só se tornou relevante em razão da iniciativa popular.

Ironicamente, como observa o Pe. Paulo Ricardo, quando a Igreja Católica ajudou o PT a chegar ao poder, ela era elogiada e até mesmo chamada engajada, crítica e pujante. Mas agora, quando a Igreja passa a criticar esse mesmo partido, ela é acusada de praticar ingerência da religião no Estado laico.

Ademais, quando essa instituição religiosa apoiou o surgimento do MST por meio da Pastoral da Terra e das Campanhas da Fraternidade, ninguém rechaçou tal comportamento sob alegação de violação do Estado laico. O inconformismo só aparece agora, no momento em que alguns de seus padres tomam a iniciativa de mostrar a pretensão totalitária do Partido dos Trabalhadores de eliminar a liberdade de expressão e de religião e, também, de levar a cabo a revolução comunista na América Latina.

Após ter declarado ser a favor da legalização do aborto, em recente sabatina promovida pelo jornal Folha de S. Paulo, a candidata Dilma Roussef mudou de opinião e afirma ser contra essa prática controvertida, justamente na reta final das eleições. Essa altamente suspeita mudança de opinião de Roussef destoa das metas estabelecidas pelo governo petista no Plano Nacional de Direitos Humanos 3 (PNDH 3). Diversos documentos anteriores já determinavam a legalização do aborto incluindo “Diretrizes para Elaboração do Programa de Governo”, de 2006. O mais grave em tudo isso, porém, é a tentativa de enganar a opinião pública brasileira em relação ao pensamento da candidata petista, contando, aliás, com a colaboração de Gabriel Chalita, que a acompanhou durante a dissimulada peregrinação à cidade de Aparecida do Norte.

Se a repentina mudança de opinião de Roussef é sincera, então ela deveria abandonar o PT antes que sobrevenha a sua expulsão. Como é sabido, o partido dos trabalhadores fechou a questão em torno do tema do aborto e já expulsou os deputados federais Luiz Bassuma e Henrique Afonso por se mostrarem contra a legalização do aborto e por defenderem o direito à vida desde a concepção (Cf. documento da CNBB, disponível aqui.)

Sou contra a descriminalização generalizada do aborto e meu argumento nem é religioso. Penso que a vida deve ser protegida. Hoje a mulher já tem o direito de abortar, mas tão-somente nas hipóteses excepcionais previstas pelo Código Penal, ou seja: gravidez resultante de estupro e para salvar a vida da mulher. Almeja-se, no entanto, ampliar as possibilidades de aborto além das exceções já admitidas. O feto não tem direito à vida? O direito de dispor do próprio corpo, como os demais direitos, não pode ser absoluto. Ademais, o feto se distingue do organismo materno. Trata-se de outro indivíduo, por isso é merecedor de respeito e consideração.

A legalização do aborto não é pressuposto (ou requisito) do Estado laico. Em outras palavras, o Estado laico, por si só, não constitui argumento a favor da legalização do aborto, tema polêmico e responsável por intensos, atuais e, por vezes, apaixonados debates. O fato é que argumentos desfavoráveis à prática do aborto podem ser extraídos dos valores e direitos assegurados pela Constituição Federal de 1988 e, também, do Código Civil. Assim, não é preciso recorrer à religião para a sustentação de uma tese contrária ao aborto. Portanto, associar a legalização do aborto ao princípio da laicidade é no mínimo desonestidade intelectual. Ora, esse engodo está implícito quando se sugere a ideia fantasiosa de que abortar é uma liberdade laica.

O princípio da laicidade requer apenas que os argumentos religiosos não sejam diretamente utilizados nas atividades estatais legislativas, administrativas, executivas e jurisdicionais. Por outro lado, todos os segmentos da sociedade devem ser ouvidos. O cerceamento da liberdade de expressão das opiniões religiosas e, até mesmo, anti-religiosas existentes na sociedade não é procedimento democrático. O cidadão, religioso, ateu ou agnóstico, tem todo o direito de não votar em partidos políticos abertamente contrários às suas convicções, sejam elas de ordem política, religiosa ou filosófica. Por que os padres e pastores não podem manifestar sua opinião? A liberdade de expressão não viola o princípio da laicidade, muito pelo contrário, ela fortalece a democracia e equilibra as divergências existentes da sociedade.

A Constituição assegura o direito à vida: art. 5º, caput. Não se pode negar que há vida em fetos e embriões humanos. Por outro lado, existe o direito de escolha (autonomia individual). Então, a polêmica reside na colisão entre o direito à vida do feto e o direito de escolha da gestante. Não se pode deixar de ressaltar que o direito de escolha – autonomia individual – não é absoluto, mesmo sob o ponto de vista liberal. Além disso, o artigo 2º do Código Civil assegura os direitos do nascituro: “A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro.” Segundo Ives Gandra da Silva Martins, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, “seria ridícula a interpretação do dispositivo que se orientasse pela seguinte linha de raciocínio: Todos os direitos do nascituro estão assegurados, menos o direito à vida”!

Cumpre ainda ressaltar que o manifesto abortista parte de premissa equivocada ao dizer que aborto é questão de saúde pública. Tanto é assim que o filósofo Olavo de Carvalho, em artigo publicado no jornal Diário do Comércio, clarifica as mentes mais confusas, nos seguintes termos: “Para o abortista, a condição de ‘ser humano’ não é uma qualidade inata definidora dos membros da espécie, mas uma convenção que os já nascidos podem, a seu talante, aplicar ou deixar de aplicar aos que ainda não nasceram. Quem decide se o feto em gestação pertence ou não à humanidade é um consenso social, não a natureza das coisas. [...] Também não é de espantar que, na ânsia de impor sua vontade de poder, mintam como demônios. Vejam os números de mulheres supostamente vítimas anuais do aborto ilegal, que eles alegam para enaltecer as virtudes sociais imaginárias do aborto legalizado. Eram milhões, baixaram para milhares, depois viraram algumas centenas. Agora parece que fecharam negócio em 180, quando o próprio SUS já admitiu que não passam de oito ou nove. É claro: se você não apreende ou não respeita nem mesmo a distinção entre espécies, como não seria também indiferente à exatidão das quantidades? Uma deformidade mental traz a outra embutida.”

Nessa esteira, a ex-candidata Marina tem sustentado que a maioria das mulheres pobres não deseja abortar. No mais das vezes, elas acabam praticando o aborto por circunstâncias alheias a sua vontade. Assim, descriminalizar o aborto não é solução para nenhum problema social ou de saúde pública. Além disso, o aborto descriminalizado está longe se ser pressuposto do Estado laico como sustentam o fundamentalismo ateísta.

O verdadeiro Estado laico deve proteger a sociedade tanto do fanatismo religioso quanto do fanatismo ateu. Ambos os fanatismos são igualmente virulentos e restritivos às liberdades democráticas. Negar a liberdade de expressão religiosa, como nessa situação em que se pretende colocar uma mordaça naqueles que não concordam com a legalização do aborto pelo Estado, representa um atentado à democracia e ao Estado laico. A liberdade de expressão não deve ser privilégio dos ativistas favoráveis ao aborto, como sugere o manifesto. Essa liberdade também deve alcançar aqueles que por razões jurídicas, morais ou, até mesmo, religiosa pensam de forma diferente.

(Aldir Guedes Soriano, advogado e membro da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB-SP. É coordenador da obra coletiva Direito à Liberdade Religiosa: desafios e perspectivas para o século XXI, Editora Fórum, 2009)

Nota: Vale a pena ler também o artigo “PT vs. PSDB: e onde fica o Reino de Deus?”, de Julio Severo. Como disse em outra ocasião, não concordo com todas as ideias e opiniões do Severo, mas esse texto dele faz pensar. E mostra que, a despeito dos sonhos ilusórios de alguns, nossa esperança não vêm da política. Sem querer, Severo também se aproxima da posição de Ellen White, para quem o cristão não deve ser partidarista e deve votar naqueles candidatos que se mostram, acima de tudo, comprometidos com a liberdade religiosa (i.e. de expressão).[MB]

Leia também: “O evangelho segundo Serra”