terça-feira, novembro 30, 2010

Eles nunca leram Cantares de Salomão...

Os paranaenses Roberto, 35, e Fernanda, 29, estavam quase se separando. A rotina corrida da médica colidia com o trabalho desgastante do advogado e os momentos íntimos do casal acabaram virando um balé sem graça debaixo dos lençóis, segundo eles. Mera necessidade. “Ele botava a culpa em mim, na minha falta de tempo. Mas ele também não me procurava, se é que você me entende”, conta Fernanda. Um dia, aconselhado por colegas, Roberto levou para casa uma mulher que falava abertamente sobre diferentes posições sexuais e que carregava em sua mala aquela coisa toda de sempre: algemas, vibradores, você sabe. Fernanda diz que achou estranho: “A gente estava cogitando a separação e meu marido ainda põe dentro de casa uma bonitona e que se dizia consultora sexual.”

A intrusa era (ainda é) Elis Medeiros, 34, curitibana que se formou em administração de empresas e fez curso de “sex coaching” nos EUA. As sessões com Elis, que se estenderam por três meses, rolavam três vezes por semana e duravam uma hora.

Nos primeiros encontros, ela ouviu as queixas de cada um separadamente. Depois, passou a dar dicas íntimas. Quais? Aquela coisa toda de sempre: mude o cenário, mude a roupa, você sabe. “Somos professores, ensinamos, eles fazem a lição de casa”, diz a “sex trainer”.

Nem todas as lições têm sucesso. Uma noite, Fernanda foi dançar para o marido sobre a cama, como mandou a treinadora. “Acabei não vendo a beirada e caí no chão. O sexo terminou ali.” Mesmo assim, o casal pagou R$ 2.500 para descobrir aspectos multifuncionais do chuveiro e da cozinha. “No começo, foi constrangedor, mas no fim, voltamos a ser como antes”, diz o marido. E Fernanda completa: “Hoje, algema é rotina.”

Orientadores sexuais desse naipe não faltam na praça - se é que alguém precisa de um, tendo TV e internet. Alguns desses fiscais da vida alheia, por sinal, se comparam aos conselheiros Tracey Cox e Michael Alvear, do programa inglês “Os Inspetores do Sexo”, que até agosto esteve na grade do GNT. No reality show, as relações sexuais do casal em crise são filmadas por câmeras instaladas na casa. Os apresentadores assistem às imagens gravadas, diagnosticam e depois passam a lição. “A única diferença é que eu não tenho câmeras para acompanhar o casal o tempo todo. Só fico sabendo pelo que eles me contam”, diz Rita Rostirolla, 45, que se apresenta como a “primeira personal sex trainer do Brasil”. [...]

Esse investimento todo em agradar o homem pode ser um desperdício, na opinião da sexóloga e psicanalista Regina Navarro Lins, autora do livro A Cama na Varanda (Best Seller). “O sexo tem que ser valorizado pelo prazer que ele proporciona, pela sua espontaneidade, e não a representação de um papel”, afirma ela. A terapeuta acha “abominável” a mulher se fantasiar ou dançar apenas para se ajustar ao desejo masculino.

O papel de treinadores sexuais também é questionado por sexólogos, em especial quando envolve aconselhamento de casais. “Elas dão conselhos sem ter nenhuma formação”, critica Maria Luiza Macedo de Araújo, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana. “Nós lidamos com coisas muito mais complexas do que isso de ‘beija aqui, põe a mão ali’, conselhos que qualquer amigo de bar dá”, diz.

Segundo a sexóloga, muitas insatisfações sexuais podem esconder problemas que só em uma psicoterapia a pessoa vai conseguir trabalhar, como traumas, repressões e até abusos.

A psiquiatra Carmita Abdo, do Programa de Estudos em Sexualidade do Hospital das Clínicas, concorda. “O trabalho de ‘personal’ pode ser interessante para casais que têm muita falta de percepção deles mesmos, mas se o problema é uma disfunção sexual ou um conflito psicológico, daí só o terapeuta é que pode resolver.” [...]

(Folha de S. Paulo, 30/11/10)

Nota: Orientadores profissionais para ensinar a usar... algemas [!]; TV e internet... É dessas fontes que virão boas dicas para uma vida sexual plena? Duvido. E os números mostram isso. Os brasileiros estão entre os que se declaram mais sexualmente ativos, no entanto, cerca da metade da população em nosso país se diz insatisfeita com sua vida sexual. Pelo visto, erotismo explícito e quantidade (como apregoado pelas revistas femininas e masculinas, por exemplo) não é o problema. Se a sociedade atual não descartasse a Bíblia como manual da vida, poderia ser muito mais feliz em várias áreas, inclusive a sexual. O livro Cantares de Salomão (ou Cântico dos Cânticos) é um poema de exaltação do amor erótico puro, do relacionamento abençoado entre homem e mulher. Ali há declarações de amor como estas: “Beija-me com os beijos de tua boca; porque melhor é o teu amor do que o vinho” (1:2); “O meu amado é para mim um saquitel de mirra, posto entre os meus seios” (1:13); “Qual o lírio entre os espinhos, tal é a minha querida entre as donzelas” (2:2); “A sua mão esquerda esteja debaixo da minha cabeça, e a direita me abrace” (2:6); “O meu amado é meu, e eu sou dele” (2:16); “Como és formosa, querida minha, como és formosa!” (4:1); “Sim, ele é totalmente desejável. Tal é o meu amado, tal, o meu esposo” (5:16); “Quão formosa e quão aprazível és, ó amor em delícias! Esse teu porte é semelhante à palmeira, e os teus seios, a seus cachos” (7:6, 7); “Eu sou do meu amado, e ele tem saudades de mim” (7:10); “Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura, o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, são veementes labaredas. As muitas águas não poderiam apagar o amor, nem os rios, afogá-lo” (8:6, 7). Não faltam assessórios eróticos, mais sexo ou “criatividade” nas relações. Falta verdadeira religião que banha o relacionamento conjugal com carinho, fidelidade, respeito, paixão e doação.[MB]

Leia também: “Sensualidade pura”

Legado dos anos 00: orgânicos, divórcios e “geração flex”

Se todo final de ano as pessoas fazem retrospectivas e balanços – e, claro, promessas para o novo ano –, imagine quantas considerações não podemos fazer sobre uma década inteira. O iG selecionou temas que marcaram os últimos dez anos e procurou especialistas para tentar entender o que passou e prever as tendências para os próximos dez. E encontrou boas e más notícias. Entramos no século 21 mais magros, mas desandamos. Estudos dizem que se as taxas de obesidade não diminuírem, em dez anos teremos 30% da população com sobrepeso, índice idêntico ao dos EUA, nação que mais sofre com essa epidemia no mundo. Para piorar, ficamos 24% mais sedentários, o que segundo a coordenadora do laboratório de obesidade da Escola Paulista de Medicina, Ana Damaso, pode diminuir o tempo de vida de uma pessoa em até 8 anos. Mas também ficamos mais orgânicos e sustentáveis. Produzimos e consumimos mais produtos sem agrotóxicos. Segundo a Federação Internacional de Agricultura Orgânica (IFOAM), o ritmo de crescimento desse setor deve permanecer em 30% ao ano. E contratamos personais tudo para nos ensinar a fazer ioga, comprar sapatos e levar os cachorros para passear.

Outra tendência foi a “geração flex”, de meninos e meninas que já começam a vida sexual com garotos e garotas do mesmo sexo. Segundo a sexóloga da USP, Carmita Abdo, isso não significa uma geração homossexual. “Quer dizer apenas que quem tem tendência deverá se descobrir mais cedo”, diz. Mas, para Regina Navarro, nossa colunista, a bissexualidade é sim outra tendência. Isso, e tantas outras coisas, só a próxima década poderá comprovar. [...]

Antes era só o analista. Você, ele e o divã. Havia também aulas de reforço do colégio ou de idiomas. Isso quando personal ainda era traduzido: chamava particular. Ao longo da última década, veio o personal trainner, shopper, stylist e até cachorros foram contemplados com personals walkers (mas pode chamar de passeador de cachorro, mesmo). Hoje, é possível começar o dia com um professor de ioga ensinando asanas só para você na sua sala, vestir-se para trabalhar com roupas que alguém comprou e definiu como “seu” estilo e terminar com uma personal sex trainner. Sim, você leu isso mesmo.

Segundo Luciana Saddi, psicanalista da Sociedade Brasileira de Psicanálise e autora do livro Perpétuo-Socorro, essa busca por serviços de qualidade nos remete a uma compartimentalização da vida. “Não acreditamos num simples saber surgindo de nossa experiência, recorremos aos especialistas, que nos tratam, na maioria das vezes, de forma infantilizada. Dizem o que e como devemos comer, transar, vestir e morrer”, diz. [...] “Esta é uma oferta que cumpre as necessidades da sociedade de massa de consumo, que cria pessoas que agem e agem e agem, sem pensar”, diz. Para a especialista, essa é uma tendência. “Cada vez menos passearemos com nossos cachorros ou cuidaremos de nossos filhos”, acredita.

Na última década, os números de divórcios bateram recordes atrás de recordes no Brasil, ano após ano. O único ano que isso não aconteceu foi em 2004, quando também não houve queda, apenas estabilização da taxa. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no ano passado foram registrados cerca de 188 mil divórcios no País, ou seja, para cada cinco casamentos há um divórcio. [...] Para Nelson Sussumo Shikicima, presidente da comissão de direito da família da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), a descomplicação da lei dos divórcios, que hoje podem ser feitos nos cartórios, ajuda a elevar ainda mais essas taxas. “Agora você pode casar em um dia e se divorciar no outro, de forma mais barata e sem complicações de justiça”, diz. [...] Entre 1984 e 2007, o aumento no número de divórcios foi de 200%. [...]

Se no começo dos anos 60 alguém dissesse que em 2010 seria tão fácil se divorciar quanto se casar, ou que as mulheres não subiriam virgens ao altar, essa pessoa provavelmente seria internada como louca. Por isso, quando a sexóloga Regina Navarro diz que a bissexualidade é uma tendência que deve predominar nas próximas décadas, é melhor não duvidar.

Não é novidade que os jovens iniciam a vida sexual hoje mais cedo, com cerca de 15 anos. Há uma década costumava ser por volta dos 17. O que mudou em 2010 foi o surgimento do que Carmita Abdo, coordenadora do programa de estudos do sexo da USP, chamou de “geração flex”. Meninos e meninas que iniciam a vida sexual com meninos e meninas do mesmo sexo. Regina acha que as barreiras entre o que é masculino e feminino estão se dissolvendo. [...]

(Delas)

Nota: Não gosto de usar negritos demais num texto. Isso “polui” e torna a leitura desagradável. Mas abri uma exceção aqui já que, se você reler os trechos que grifei acima, poderá ter uma ideia dos tempos que nos esperam.[MB]

segunda-feira, novembro 29, 2010

Depoimentos sobre os cinco anos do blog Criacionismo

Os seis depoimentos abaixo foram escolhidos entre dezenas por uma comissão formada por escritores, jornalistas, pastores, professores e editores. Leia-os e depois vote na enquete (clique aqui para saber o que eles vão ganhar). A data limite para votação será o dia 13 de dezembro. Aproveito para agradecer a todos os que participaram do concurso em comemoração aos cinco anos do blog www.criacionismo.com.br (não foi fácil escolher entre tantos e bons depoimentos). Espero poder continuar contando com suas visitas a este blog pelos próximos anos, até a concretização da grande esperança de todo criacionista: o encontro pessoal com o Criador.[MB]

“Sem dúvida alguma, conhecer o blog Criacionismo criado pelo jornalista cristão Michelson Borges foi uma das grandes bênçãos que recebi de Deus nestes últimos anos. Desde então, o site se tornou inseparável de meu programa de estudo e um importantíssimo instrumento de reflexão. Como um incansável estudioso dos postulados criacionistas bem como de todo assunto relacionado às questões das origens, sempre me interessei em fazer leituras que abordavam o tema. Sentia necessidade de aprofundar meus conhecimentos, mas via certa limitação nas informações disponíveis. A descoberta deste site possibilitou a ampliação de meus estudos e a extensão de minhas pesquisas de maneira mais rica e atualizada, além de me proporcionar prazer intelectual e crescimento espiritual. Outro acréscimo significativo que este blog trouxe para mim foram os artigos referentes aos fatos do cotidiano que se destacam na mídia. Após serem analisados de maneira crítica, com fundamentação adequada, porém com um olhar cristão (sempre trazendo uma nota de advertência, conselho, estímulo ou reprovação), levava sempre em conta a exaltação dos valores morais e espirituais, contribuindo cada vez mais para a formação de uma mentalidade cristã e lúcida. Como cristão, criacionista e assíduo frequentador deste blog, tenho feito descobertas relevantes. Entre muitas outras coisas, tenho aprendido que não basta nos opormos ao evolucionismo, temos também que saber defender ou apresentar corretamente o criacionismo; não basta saber por que creio, preciso saber por que os outros não creem. Mais do que isso: preciso conhecer pessoalmente meu Criador para refletir ao meu próximo Sua imagem e santo caráter.” – Eziquel de Almeida Santos, Alagoinhas, BA

“O blog Criacionismo, desde que conheço o evangelho, contribuiu para meu desenvolvimento espiritual, mental e, muitos podem até não acreditar, para meu crescimento físico. Matérias sobre sexo, drogas, jovens têm chamado muito minha atenção, pois falam de maneira simples daquilo que nós, jovens, precisamos ouvir, pensar e até mesmo deixar de lado. Alguns temas abordados no blog têm uma ‘cara’ diferente do que vemos nos telejornais ou em revistas. Nestes, há uma realidade ‘nua e crua’, sem esperança, sem solução. O blog mostra, sim, essa realidade, mas com uma mensagem de esperança, de salvação a todos que estão em desgraça e não veem solução para seus problemas. É um blog com a nossa cara, o nosso jeito. Parabéns ao Michelson Borges, e gratos temos de ser por Deus usar Seus filhos na pregação.” – Gabriel Saturnino Ribeiro, Hortolândia, SP

“‘Sou ateu, graças a Deus.’ Quando estava no 2º ano do ensino médio, um professor de filosofia me surpreendeu com essa afirmação e com a ideia de que Deus é uma ficção. Eu estava longe da igreja (IASD) e consegui muito material que me ajudou a dar passos para longe de Deus e cada vez mais para perto do ateísmo. Sempre fui fã de ciência e pensava ter encontrado nela uma fé sem Deus onde tudo estava explicado, não era necessário nenhuma mudança de caráter, não existia nenhum Deus que viria me buscar e, ao contrario do que a igreja dizia, os ateus na verdade eram sábios e cientistas com razões firmes para acreditar que Deus não existe. Passaram-se então cinco anos até que eu pudesse perceber que nem todos os cientistas pensavam dessa forma. Um amigo cristão me emprestou um livro que falava sobre tecnologia e ciência, e ao longo do livro foi-me apresentada uma teoria sobre um tal de Designer Inteligente, que seria um ser superior que dera origem à vida. Vi que é cientificamente possível a existência do Deus bíblico e percebi que grandes homens da ciência sempre acreditaram nEle. Eu estava fadado à morte natural sem esperança, mas agora tenho a opção de viver eternamente com Cristo Jesus. O site www.criacionismo.com.br me ajudou a enxergar que o Deus em que eu acreditava na infância é possível e real, e que as coisas impossíveis dentro da proposta ateísta são reais para Deus.” – Jesiel Sopzak Campos, Curitiba, PR

“Qual a razão do nosso existir? / É constante a busca por esta verdade / Como resultado encontramos a Deus / Quando buscamos com toda sinceridade.

“Cremos na Origem do Universo / Como resultado da Criação / Não somos órfãos, não viemos do acaso / Temos um Pai que nos leva em seu coração.

“Parabéns ao blog Criacionismo / Que nos ajuda este caminho trilhar / Nos proporcionando bastante informação / Auxiliando nosso caráter formar / Oh! Que lindo será o dia / Quando nos encontrarmos no eterno lar.” – Vera Bregalda da Cruz, Chapecó, SC

“O blog Criacionismo mudou completamente meu jeito de pensar sobre o mundo, sobre a igreja e sobre Deus. Antes, tudo era mastigado e entregue a mim; hoje possuo opinião formada. Na minha faculdade de Geografia, muitas vezes fui ‘bombardeado’ com citações, palestras e artigos evolucionistas, mas sempre me lembrava de muitos artigos do blog e algumas vezes cheguei até a questionar, e hoje me considero criacionista convicto. O blog serviu de inspiração para um trabalho missionário em uma área de que gosto e tenho certo domínio, a internet: resolvi criar um blog para minha igreja. Esse blog é usado para dar notícias, estudos bíblicos e mensagens de esperança. Tento fazer algo semelhante ao trabalho do Michelson.” – Eduardo Silva, Porto Nacional, TO

“Sou cristão e logo percebi que o blog Criacionismo está muito preocupado em se aproximar dos indecisos, a tornar o criacionismo mais palpável, clareando e ajudando a formar opinião. Com o blog passei a dar mais atenção à matéria e sou grato pelo conteúdo que já tenho para explicar os assuntos tabus. Tenho filhos e me sinto mais seguro para discutir assuntos mais complicados. Fiz amigos e ajudou a desmistificar a web; percebi o quanto ela pode ser eficaz para os cristãos; já tenho até um blog. Eu agradeço a inspiração que tiveram em criar tal canal.” – Roberto Carvalho Lima, Rio de Janeiro, RJ

Clique aqui para votar.

A dança perfeita da divisão celular

A dança da divisão celular é cuidadosamente coreografada e possui pouco espaço para erros. Informações genéticas emparelhadas são alinhadas no meio da célula na forma de cromossomos. Os cromossomos devem então ser cuidadosamente separados de modo que cada célula-filha resultante tenha uma cópia idêntica do DNA da célula-mãe. A maquinaria molecular que guia e, literalmente, puxa os cromossomos para o lado consiste de microtúbulos emparelhados que irradiam pólos opostos da célula em divisão e um enorme, mas preciso, complexo molecular chamado cinetócoro. Esse “gigante gentil” se agarra a uma única região especial do cromossomo conhecida como centrômero. Paradoxalmente, quanto maior a tensão nos microtúbulos, mais forme é a força exercida pelo cinetócoro. É semelhante ao mecanismo de certas armadilhas em que, quanto mais você tenta retirar o dedo, mais ele é apertado. Em realidade, a quantidade adequada de tensão pode ser uma pista para a célula de que tudo está ocorrendo conforme o planejado. Na ausência de tensão, a célula é alertada sobre danos ou mutações tais como câncer e, como resultado, é frequentemente levada à autodestruição.

Em outro feito de acrobacia molecular e precisão, à medida que o microtúbulo atrai o cromossomo capturado em direção ao pólo, ele na verdade é encurtado ao perder subunidades de tubulina. Para tornar a situação um pouco mais complicada, o microtúbulo é desmontado no ponto exato em que o kinetochore é fixado. Em outras palavras: imagine-se subindo em uma corda, mas à medida que você sobre, a ponta da corda vai desaparecendo bem debaixo de onde a segurou. Isso é o que esse mecanismo hábil realiza. Sendo que o cinetócoro possui muitos pontos de contato (como a armadilha que mencionamos), é bom não deixar de ir ao microtúbulo enquanto percorre a distância.

Com 100 nanômetros de diâmetro, o cinetócoro é um verdadeiro gigante. Uma das moléculas mais complexas funcionais na célula é o ribossomo, mas que em comparação mede apenas 25 nanômetros de diâmetro.

Essa perspectiva de tamanho e complexidade moleculares são exemplos das descobertas que Bungo Akiyoshi (do Fred Hutchinson Cancer Research Center, Seattle) e seus colegas estão relatando ao realizarem o isolamento do cinetócoro para fora da célula e com ela executar as mesmas tarefas que in vitro são vistas serem realizadas ao vivo. As descobertas estão relatadas na edição de 25 de novembro da revista Nature. A pesquisa foi, em parte, subsidiada pela National Science Foundation.

Sue Biggins, que participou da pesquisa, declara: “Isolar essa molécula para fora da célula é tão emocionante hoje, como era ver um ribossomo 50 anos atrás!”

(National Science Foundation; tradução: Matheus Cardoso)

Nota: Ao ler artigos como esse e tomar conhecimento de pesquisas que descem a esse nível de minúcias do mundo celular (a “caixa-preta” de Darwin), só posso dizer que não tenho fé suficiente para crer no acaso cego e na seleção natural como mecanismo evolutivo agregador de complexidade e informação genética. Curiosamente, nesse tipo de pesquisa/artigo a palavra “evolução” geralmente não é usada; fica fora de contexto.[MB]

Uma em cada três mulheres é violentada no mundo

Hoje, nossa convidada de Mulheres pelo Mundo é Renata Neder, 30 anos, que trabalha para a ONG internacional Action Aid – de suas viagens a trabalho para outros países, ela sempre nos traz observações e descobertas pessoais. “Com o meu pai nunca tive problemas. Ele morreu cedo, morto no conflito armado no país. Ficamos só minha mãe, eu e minhas oito irmãs. Mas com meu companheiro de vida, ah… com esse sim eu sofri. Ele sim me batia. E na época eu ainda não tinha me desenvolvido bem, não tinha aprendido nada, não sabia de muitas coisas… tive que aguentar. Ele me bateu várias vezes.” Marta Lidia Campos é de El Salvador, na América Central, é trabalhadora rural e tem dois filhos, um menino e uma menina. Conheci a Marta em 2007, quando ela me deu um longo depoimento sobre sua história de vida. De lá pra cá, conheci muitas mulheres de diferentes países que sofrem diversas formas de violência. Nesses anos, aprendi que a violência contra a mulher não é uma exceção, um caso isolado. É um problema global, que ultrapassa fronteiras.

O dia 25 de novembro foi o Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher. Embora eu tivesse pensado em fazer o post deste sábado sobre outro tema, mais leve, diante da data achei que deveria falar disso mesmo. Ainda mais já tendo ouvido tantos relatos e histórias de mulheres vítimas de violência em países tão diferentes.

Uma em cada três mulheres será estuprada, violentada ou espancada em algum momento da sua vida. Uma em cada três. Algo em torno de 2 milhões de meninas entre 5 e 15 anos são “traficadas”, vendidas ou coagidas a se prostituir. Os dados chocam, não é? São da Unifem, Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher. [...]

El Salvador, África do Sul e Índia. Três países, três continentes, uma realidade: discriminação e violência contra a mulher. Uma realidade que ultrapassa fronteiras, classes sociais, identidades culturais. Uma realidade global. Que tal fazermos a nossa parte para mudar essa realidade pelo menos falando sobre o assunto, discutindo, debatendo e, acima de tudo dizendo NÃO para todas as formas de violência contra a mulher?

(Mulher 7x7)

Nota: Certos tipos de violência (como os praticados por traficantes) são mais midiáticos e chamam mais atenção. Mas é a "violência silenciosa" que mostra o tipo de mundo em que vivemos; que o câncer do pecado não poderá ser resolvido com batidas policiais. A solução, nesse caso, começa com a mudança do coração (conversão) e termina com o resgate final, na volta de Jesus.[MB]

domingo, novembro 28, 2010

Ateus fazem campanha para celebrar “mito do Natal”

A organização American Atheists, fundada em 1963, está gerando polêmica com uma campanha de Natal neste ano. Na entrada do Lincoln Tunnel, que liga o estado de New Jersey com a cidade de Nova York, foi colocado um outdoor com a imagem de um presépio que diz: “Você sabe que é um mito. Nesse fim de ano, celebre a razão”. Milhares de pessoas passam pelo local todos os dias. Como era esperado, a mensagem causou polêmica. Em uma reportagem da rede Fox fica clara a indignação dos cristãos que consideram a imagem “traiçoeira”, pois à primeira vista seria apenas uma das muitas mensagens de Natal espalhadas pelo país. A organização ateísta pagou 20 mil dólares para exibir essa mensagem no outdoor durante um mês. Os representantes da American Atheists dizem que seu objetivo não é “converter” cristãos, mas sim estimular aqueles que não creem a admitirem isso publicamente. Os motoristas entrevistados divergem. Alguns encaram com naturalidade, enquanto outros mostram descontentamento. Um dos entrevistados declarou: “Natal é um tempo para a família, a união e a esperança. O que eles [ateus] estão fazendo está errado. Errado.”

A rede Fox News afirma que a empresa que aluga o espaço dos outdoors ofereceu um outdoor do outro lado da rua para que organizações cristãs divulgassem uma mensagem contrária, mas não encontrou interessados.

(Pavablog)

Nota: Quando amigos ateus me perguntam por que critico o ateísmo neste blog, digo que minha “cruzada” é contra o ateísmo fundamentalista do tipo do Richard Dawkins et caterva, que reclama da doutrinação religiosa, mas organiza acampamentos para doutrinar crianças no ateísmo; se irritam com a “panfletagem” cristã, mas espalham mensagens como essa do outdoor em New Jersey (à semelhança do que já foi feito na Inglaterra). Não é de hoje, portanto, que esses ateus fanáticos se valem de campanhas apelativas e desrespeitosas para atacar os que creem. Por isso, mais do que nunca, é necessário apresentar a fé racional mantida por muitos dos cristãos que, à semelhança dos pais da ciência – como Newton, Galileu e Copérnico –, se valem de duas importantes lentes para compreender a realidade: a teologia e o método científico.[MB]

Casa On Line de Natal: livros com descontos especiais

Clique aqui e confira minha sugestão de livros da Casa Publicadora Brasileira, com descontos especiais. A série Grandes Impérios e Civilizações é uma ótima maneira de aprender história por meio de aventuras com personagens interessantes. São livros paradidáticos para alunos de 5ª série ao ensino médio, e, para crianças e adolescentes que gostam de livros de aventura, é uma ótima dica para as férias. Nos Bastidores da Mídia analisa a influência dos meios de comunicação sobre a mente e a importância de se tornar consciente disso. A História da Vida traz em linguagem simples os principais assuntos relacionados com a controvérsia entre o criacionismo e o evolucionismo. Por Que Creio reúne 12 entrevistas com pesquisadores criacionistas que trazem fortes argumentos a favor da visão criacionista bíblica. Se Deus Fez, Se Deus Não Fez é um livro infantil ricamente ilustrado que apresenta das visões criacionista e evolucionista para crianças do ensino fundamental. Esperança Para Você é um livreto missionário que trata de maneira simples e concisa de temas bíblicos como a volta de Jesus, o estado do ser humano na morte e a importância e a validade dos dez mandamentos. Faça sua escolha e boas compras!

“Anjos” devem ser a nova febre da literatura

O flanco de mercado aberto por Harry Potter no Brasil, há dez anos, vem sendo dominado nesta última década por personagens com características sobrenaturais, cujo poder principal é o de arregimentar leitores entre o público jovem. O nicho já foi protagonizado por bruxos, por seres mitológicos e por vampiros, os atuais mandatários do pedaço. E tudo indica que em breve será tomado por criaturas celestiais [sic]. “Os anjos são o filão do momento”, diz Gabriela Nascimento, editora de títulos juvenis da Agir/Ediouro, que acaba de lançar no Brasil a trilogia Halo, da australiana Alexandra Adornetto. Na última semana, com pouco mais de um mês de mercado e cerca de 20.000 exemplares comercializados, Halo (472 páginas, 39,90 reais), o livro que inaugura a série homônima, entrou para a lista dos mais vendidos de Veja, onde agora figura Beijada por um Anjo, da Novo Conceito. Lá, na semana passada, Halo encontrou outro best-seller do segmento: Fallen, inglês para “caído” (Record, 406 páginas, 39,90 reais), da americana Lauren Kate. Desde que foi publicado por aqui, no final de julho, o título vendeu mais de 50.000 cópias, reprisando o bom desempenho alcançado nos Estados Unidos, onde entrou para a lista de best-sellers do New York Times e teve seus direitos para o cinema comprados pela Disney. E marcou a entrada da robusta Record no segmento. Em outubro, a editora carioca daria partida a uma segunda série de anjos, com o lançamento de Cidade dos Ossos (462 páginas, 39,90 reais), de Cassandra Clare, famosa por seus fanfictions (derivações livres) de Harry Potter. Cidade dos Ossos, que nos EUA inspirou até uma linha de joias, teve 10.000 cópias comercializadas por aqui.

“De fato, depois da linha de Harry Potter, que une magia e fantasia, passamos pelos vampiros da Stephenie Meyer e agora há uma movimentação para o lado dos anjos”, diz Fabio Herz, diretor de marketing e relacionamento da Livraria Cultura. “Esse filão pode não atingir a força do nicho vampiresco, mas certamente vai continuar crescendo, porque há um interesse claro do público e porque o segmento dos vampiros uma hora vai saturar.”

Se é o interesse do público quem dita os rumos do mercado, não faltam indícios de que os anjos têm um céu aberto pela frente. Sussurro (264 páginas, 29,90 reais), pontapé inicial da saga americana Hush Hush, de Becca Fitzpatrick, foi lançado em junho pela Intrínseca, a mesma editora dos hits Crepúsculo e Percy Jackson, e, de acordo com a empresa, já contabiliza quase 41.000 exemplares vendidos. Sussurro foi tão bem recebido pelos leitores que sua tiragem inicial de 30.000 exemplares precisou ser repetida e agora a Intrínseca planeja uma tiragem duas vezes maior para Crescendo, o segundo título da série. O livro sai em janeiro com 60.000 cópias.

Outra saga angelical bem sucedida lá fora e importada pelo mercado nacional é Beijada por um Anjo, da americana Elizabeth Chandler, sobre um casal metade humano metade anjo. A trilogia teve seus dois primeiros livros, Uma Inesquecível História de Amor e Suspense (Novo Conceito, 263 páginas, 29,90 reais) e A Força do Amor (Novo Conceito, 263 páginas, 29,90 reais), entregues às lojas em outubro. Desde então, segundo Milla Baracchini, vice-presidente da editora Novo Conceito, de Ribeirão Preto, venderam, cada um, dezenas de milhares de exemplares. Almas Gêmeas, o último volume da série, tem lançamento previsto para 1º de dezembro. [...]

“O leitor brasileiro de modo geral ainda é um jovem leitor, então, se o livro for fácil, tem boa aceitação. No caso dos anjos, contribui o fato de eles não serem tão diferentes dos vampiros, que estão em alta: são personagens com poderes especiais, vivendo histórias de amor”, [diz Milla].

Para Gabriela Nascimento, da Ediouro, além de envolvidos em histórias românticas, os anjos [caídos = demônios] estão imersos em crises que permitem ao leitor, ainda mais adolescente, se identificar com eles. “Os anjos atraem pela dicotomia entre o bem e o mal, especialmente os caídos, que fazem bobagens e enfrentam dilemas. Na adolescência, os questionamentos éticos são mais acentuados e a identificação é maior com esses personagens de dois lados, que precisam escolher entre agir bem ou mal, assim como o vampiro bonzinho [!] de Crepúsculo deseja, mas tem pudor de morder a amada.”

O tipo de discussão presente nesses livros, diz Gabriela, é capaz de atrair leitores do campo da autoajuda. “Há uma migração clara de um segmento para o outro”, conta. Não se trata, portanto, de uma literatura apenas para adolescentes. “Leitores de até 30 anos, e às vezes de mais idade, também podem se interessar.”

Outro sintoma da febre dos anjos foi a distribuição pela Rocco, na última semana, dos primeiros 15.000 exemplares brasileiros de Tempo dos Anjos (288 páginas, 34,50 reais). O livro abre uma trilogia angelical da veterana Anne Rice, mais conhecida por seu envolvimento com a literatura vampiresca – em especial, pelo já clássico Entrevista com o Vampiro. A chegada de Rice ao pedaço coroa a sua ascensão. E mostra que o formato de série lançado e consagrado por J. K. Rowling e seu Harry Potter continua ditando os lançamentos para o público jovem.

De fato, apesar da mudança dos protagonistas dos livros, que agora têm asas em vez de dentes afiados ou varas de condão, a estrutura geral é semelhante. São séries de universos fantásticos dotados de verossimilhança interna e profundidade psicológica. “Harry Potter teve o mérito incontestável de ter feito as editoras no mundo inteiro olharem para o público jovem e de ter criado espaço para livros seriados”, diz Jorge Oakim, editor da Intrínseca. “A saga mostrou que livro para jovem não precisa ser simples, de menos de 200 páginas e personagens ralos. O importante é que seja um livro capaz de agradar. Se o leitor jovem gosta de um livro, ele não para mais de ler.”

(Veja)

Nota: É impossível deixar de notar que há uma orquestração por trás dos rumos que a literatura popularesca (especialmente focada no público jovem) vem tomando nos últimos anos. Primeiro foi a popularização do ocultismo e da bruxaria com personagens como Harry Potter. Depois vieram os vampiros “bonzinhos” e açucarados de Crepúsculo arrancando suspiros de leitoras devoradoras de páginas, que passaram a ver o vampirismo (sinônimo de satanismo) com outros olhos. Agora, ao que tudo indica, vem uma leva de “livros fáceis” sobre anjos, distorcendo completamente os conceitos bíblicos sobre esses seres, aproximando-os dos vampiros e, pior, fazendo com que os adolescentes se identifiquem mais com os anjos caídos (demônios), que, segundo esses livros, vivem dilemas semelhantes aos dos leitores. Becca Fitzpatrick, autora de Sussurro, disse em entrevista que "mesmo que vampiros e anjos tenham mitologias muito diferentes, eles compartilham temas como o do amor proibido”. Agora, anjos, como os vampiros, são seres mitológicos... Se isso não é o preparo da última geração para o último grande engano, não sei o que mais pode ser.[MB]

Leia também: “Anjos de baixo”

Saiba o que a Bíblia ensina sobre os verdadeiros anjos.

sexta-feira, novembro 26, 2010

Existem erros na Bíblia?

Os cristãos, ao longo dos séculos, têm aceitado a Bíblia Sagrada como a Palavra da verdade. Porém, especialmente desde o Iluminismo no século 17, muitos estudiosos afirmam que a Bíblia contém uma variedade de erros – equívocos doutrinários, erros científicos, contradições, discrepâncias relacionadas a nomes e números, bem como linguagem imprecisa. Antes de analisar essa ideia, precisamos compreender qual é a origem da Bíblia. De acordo com o próprio testemunho das Escrituras, “toda a Escritura é inspirada por Deus” (2Tm 3:16). Pedro afirmou que “nenhuma mensagem profética veio da vontade humana” (2Pe 1:21, Nova Tradução na Linguagem de Hoje). Essa verdade não se limita ao Antigo Testamento, porque os apóstolos consideravam sua mensagem como possuindo autoridade divina. Paulo, por exemplo, escreveu: “Ao receberem de nossa parte a palavra de Deus, vocês a aceitaram, não como palavra de homens, mas conforme ela verdadeiramente é, como palavra de Deus” (1Ts 2:13, Nova Versão Internacional). [Leia mais]

Israelenses e palestinos se unem para explorar Mar Morto

A lama e o sedimento do Mar Morto podem estar escondendo objetos com 500 mil anos de idade e de grande valor arqueológico e geológico - alguns dos quais forneceriam novas abordagens sobre a mudança climática contemporânea. O projeto de investigação, conduzido pelos cientistas israelenses Zvi Ben-Avraham e Mordechai Stein, recebeu aprovação para ser levado adiante somente neste ano. Apresentado uma década atrás, o projeto foi adiado várias vezes devido ao conflito político entre Israel e a Palestina, que agora formam parceria com outros quatro países - incluindo a Jordânia - para tornar o estudo científico viável. A maior parte dos sedimentos do Mar Morto permanece intacta. Isso ocorre porque o rio Jordão é o único a despejar suas águas e nenhum outro desemboca no local. Essas características permitem aos cientistas analisar e determinar a época e o tipo de clima predominante em certos períodos da história.

As camadas também podem mostrar possíveis ocorrências de terremotos descritos em textos bíblicos e elucidar os fluxos migratórios humanos. Com custo estimado em US$ 2,5 milhões, o projeto deve se estender por 40 dias. Os trabalhadores vão participar das escavações, revezando-se em escalas de 12 horas contínuas. Posteriormente, camadas do solo serão retiradas e enviadas para a Universidade de Bremen, na Alemanha, para serem refrigeradas e preparadas para estudos posteriores.

(Folha.com)

Nota: Espero sinceramente duas coisas dessa pesquisa: (1) que ela sirva de exemplo de que é possível a paz entre povos tidos como rivais; que eles podem trabalhar pelo bem comum e deixar de lado as diferenças; e (2) que possamos ter muitas boas surpresas do ponto de vista da arqueologia bíblica em decorrência dessa pesquisa. De qualquer forma, os 2,5 milhões serão bem empregados.[MB]

E-mails que nos alegram (23)

“Olá, Michelson. Desde pequeno, sempre gostei de temas relacionados ao meio ambiente e sua preservação, biodiversidade, ecossistemas, fauna, flora, documentários da BBC, fotografia em geral e sobre a natureza. Como cristão adventista, claro, sempre acreditei na criação, mas tinha algumas dúvidas a respeito da teoria da evolução (como é frequentemente divulgada), até encontrar fontes confiáveis que me esclarecessem muito bem respeito do assunto. Eu já conhecia o site da Sociedade Criacionista Brasileira, mas quando vi o blog Criacionismo pela primeira vez, fiquei fascinado pela linguagem e temática dos artigos ali publicados. Impressiona-me a qualidade das informações e explicações do seu blog a respeito de tudo o que é divulgado na mídia em geral por aí, das teorias científicas, estudos, comportamento, tendências, publicações a notícias variadas. Logo comecei a fazer compilações das questões mais intrigantes de debates entre fé e ciência, cujo tema também me desperta a atenção. Esse novo hábito de ler o seu blog e outras páginas correlacionadas me induziu a estudar um pouco mais a respeito de conceitos gerais da ciência e suas teorias diversas. Pude identificar, então, de onde vêm as ideias nas quais se baseiam as opiniões dos ateus, agnósticos ou pós-modernos (com as quais me deparei em minhas andanças pelo mundo). Tudo o que sei agora a respeito de apologética cristã, da própria definição de criacionismo e o que é, realmente, o evolucionismo, dentre outros ‘ismos’, aprendi através das suas páginas e das da SCB. Foi nesse importante contexto de questionamentos, pesquisas e aprendizado, que me tornei mais confiante e orgulhoso das minhas convicções de cristão protestante, adventista. Quero adquirir os seus livros e também uma série de outras publicações indicadas no blog. Se me tornar um dia cientista (que pretensão! rsrs), certamente serei criacionista (defensor da causa). Se não tiver condições para isso, ao menos agora já me considero um pouco mais esclarecido. E isso se deve, principalmente, ao seu trabalho e de outros cristãos inteligentes que foram capacitados pela maravilhosa obra de Deus para nos auxiliar, esclarecer, confortar e corroborar o que Sua revelação divina bíblica/natureza tem a nos dizer: o amor de Deus dura para sempre. ‘Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom; porque a Sua benignidade dura para sempre’ (Salmo 136:1). Obrigado por sua imensa dedicação. Deus o abençoe muito!”

(João A. Santos)

quinta-feira, novembro 25, 2010

Daniel 2: zona do euro enfrenta “crise de sobrevivência”

A União Europeia enfrenta uma “crise de sobrevivência” por conta dos deficits na zona do euro, advertiu na terça-feira o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy. Em discurso pouco antes da reunião, em Bruxelas, de ministros das Finanças do bloco europeu para tratar de sua estabilidade econômica, Rompuy disse que, se o euro fracassar, a UE também fracassará. Países como Irlanda e Portugal vivem situação preocupante, e não se sabe se conseguirão lidar com seus deficits sem a ajuda de fundos da UE. Suas crises são alvo de escrutínio na reunião desta terça. E, na segunda-feira, estatísticas da UE mostraram que a dívida da Grécia – país que já está recebendo empréstimos bilionários do FMI – é ainda maior do que se pensava anteriormente. Rompuy se disse “muito confiante” de que os problemas serão resolvidos, mas afirmou que “todos temos que trabalhar juntos para que sobrevivamos com a zona do euro. Caso contrário, não sobreviveremos com a União Europeia”. [...]

(BBC Brasil)

Nota: Por mais que sejam feitos esforços para manter coesa a Europa, o mínimo que podem fazer (e parece que nem isso está dando certo) é manter a moeda única e algum tipo de estabilidade econômica. Essa fragmentação política e territorial impossível de ser reagrupada está descrita há 2.500 anos na profecia de Daniel. Confira aqui.[MB]

Desarmaram a pobre Lucy

Recentemente o site Ciência Hoje divulgou matéria que tinha por título “Lucy e suas ferramentas”. Observe o texto: “Eram dois ossos fossilizados de grandes mamíferos: um pedaço de costela e um trecho de um fêmur. Os depósitos vulcânicos onde foram encontrados em Dikika, na Etiópia, indicam que são de 3,42 a 3,24 milhões de anos atrás. Mas o fator decisivo para a descoberta foram as falhas em suas superfícies: marcas de cortes, talhos e golpes, que não poderiam ter sido feitos por outro animal nem pelas mãos humanas. A conclusão dos pesquisadores – liderados por Shannon McPherron, do Instituto de Antrolopogia Evolutiva Max Planck, na Alemanha, e Zeresenay Alemseged, da Academia de Ciências da Califórnia – é que estavam diante de ossos de animais que serviram de jantar aos Australopithecus afarensis.

“As marcas teriam sido deixadas por instrumentos de pedra, usados para raspar a carne do osso e tirar a medula de seu interior, também para a alimentação. De acordo com o estudo, é a primeira evidência de que os australopitecos usavam ferramentas, e também que comiam carne.”

E ênfase para: “‘Agora, quando imaginamos a Lucy caminhando pela paisagem do leste africano em busca de comida, pela primeira vez podemos imaginá-la com uma ferramenta de pedra na mão, e procurando carne’, disse o arqueólogo Shannon McPherron, em comunicado do Instituto Max Planck.”

Pois bem. Três meses se passaram e, pobre Lucy, tiraram-lhe sua preciosa arma. Segundo matéria publicada hoje pelo jornal espanhol El Mundo, “la ‘Australopithecus’ Lucy pierde su cuchillo para la carne”. A notícia afirma que a espécie Australopithecus afarensis, conhecida por Lucy, perdeu sua capacidade de fazer ferramentas. Um estudo realizado por um arqueólogo espanhol levou à bancarrota uma pesquisa publicada na revista Science, a qual assegurava que tais hominídeos, que teriam vivido há 3,5 milhões de anos, eram capazes de usar pedras como ferramentas para obter carne.

O novo trabalho liderado por Manuel Domínguez-Rodrigo, diretor do projeto espanhol paleoantropológico em Olduvai (Tanzânia), concluiu que as marcas dos ossos nada mais eram do que pisoteios de animais, em vez de uma atividade para obtenção de carne.

Ênfase para: “‘Vistas por el microscopio, encajan a la perfección con otros huesos pisoteados, hasta el punto que cualquier alumno mío puede verlo. Así que, de momento, no podemos retrasar un millón de años la capacidad humana de hacer herramientas. Sigue estando relacionada con la necesidad de consumir más carne debido a que el cerebro era más grande, y eso se sabe que ocurrió hace 2,5 millones de años’, explica el científico.”

Pois é. O que seria dos bolsos e das contas-correntes de muitos desses cientistas do ramo da paleontologia se não fosse esse tipo de especulação? Teoria da conspiração? Vá lá, que seja, porém, não há dúvidas de que o negócio realmente dá dinheiro.

(Humor Darwinista)

Meu texto no OI: ossuário de Tiago

Quando descobre um fóssil duvidoso tido por algum especialista como "elo perdido" ou coisa que o valha, a mídia geralmente faz aquele estardalhaço. Por que, então, silenciaram sobre a primeira descoberta arqueológica referente a Jesus e Sua família? O ossuário (urna funerária) de Tiago data do século 1 e traz a inscrição em aramaico "Tiago, filho de José, irmão de Jesus" (Ya´akov bar Yosef achui d´Yeshua). Oculto por séculos, o ossuário foi comprado muitos anos atrás pelo engenheiro e colecionador judeu Oded Golan, que não suspeitou da importância do artefato. Só quando o renomado estudioso francês André Lemaire viu na urna, em abril de 2002, a inscrição na língua falada por Jesus, foi que se descobriu sua importância. O ossuário foi submetido a testes pelo Geological Survey of State of Israel e declarado autêntico. Segundo o jornal The New York Times, "essa descoberta pode muito bem ser o mais antigo artefato relacionado à existência de Jesus". [Leia mais e deixe seu comentário lá.]

quarta-feira, novembro 24, 2010

13,7 bilhões de anos: tempo insuficiente

A atual teoria amplamente aceita do começo vida e do universo diz que tudo que existe agora nasceu de um “pacote pequeno e apertado” a partir do qual houve a explosão conhecida como Big Bang, cerca de 13,7 bilhões de anos atrás. Essa explosão arremessou violentamente tudo à existência. Mas 13,7 bilhões anos para chegar onde estamos não é suficiente para alguns especialistas. O físico Roger Penrose tem uma teoria diferente: ele acredita poder provar que as coisas não são ou não foram tão simples assim. Com base em uma evidência encontrada na radiação cósmica de fundo, o físico afirma que o Big Bang não foi o começo do universo, mas um em uma série de Big Bangs cíclicos, sendo que cada um desses Big Bangs gerou o seu próprio universo.

Apesar de haver teorias meio malucas, a ideia do físico parece ser relativamente possível. Ele afirma ter encontrado as provas de que precisava para sustentar sua hipótese do universo cíclico na radiação cósmica. A radiação cósmica de fundo deve ter começado a existir quando o universo tinha apenas 300 mil anos de idade, e por isso é tratada como uma espécie de registro do estado do universo naquele momento.

Pela estimativa do cientista, o nosso universo não é o primeiro, e mais importante, nem será a último. Na verdade, é esse alto grau de ordem aparentemente presente desde o nascimento do universo que levou o físico a essa linha de pensamento.

O atual modelo do Big Bang não fornece um motivo para que um estado altamente ordenado e uma baixa entropia existissem no momento do nascimento do nosso universo, a menos que as coisas fossem colocadas em ordem antes de ocorrer o Big Bang.

De acordo com Penrose, cada universo retorna a um estado de baixa entropia à medida que se aproxima do dia final da sua expansão ao nada. Os buracos negros, devido ao fato de que sugam tudo o que encontram, passam suas vidas trabalhando para “limpar” a entropia do universo. E, conforme o universo se aproxima do seu fim, os buracos negros se evaporam, colocando as coisas de volta em um estado de ordem. Incapaz de se expandir mais, o universo “se colapsa” e volta a ser um sistema altamente organizado, pronto para disparar o próximo Big Bang.

O modelo atual do universo diz que qualquer variação de temperatura na radiação cósmica de fundo deve ser aleatória, mas o físico afirma ter encontrado círculos concêntricos muito claros dentro dessa radiação, sugerindo regiões onde a radiação tem faixas de temperatura muito menores. Essas seriam as evidências esféricas dos efeitos gravitacionais das colisões de buracos negros durante o universo anterior. Os círculos se encaixam bem em sua teoria, mas não são tão coerentes na teoria padrão do Big Bang.

Ainda assim, não é possível afirmar que a nova teoria seja mais verdadeira. O físico ainda tem que “ligar” algumas pontas soltas de seu trabalho, e provar alguns pressupostos. Seus estudos vão ser examinados cuidadosamente, e quem sabe um dia sua teoria pode vir a revolucionar os fundamentos da física moderna.

(Hypescience)

Nota: É pouco o tempo para se obter a complexidade atual do universo; esse alto grau de ordem aparentemente está presente desde a origem do universo; as coisas foram “colocadas em ordem” lá no princípio. Ok. Mas como Deus não pode existir (pelo menos para os cientistas naturalistas), então o universo teve que existir antes do universo. A matéria é eterna. A matéria é Deus! Capisce? Interessante é que alguns pesquisadores e matemáticos mais corajosos também afirmam que três bilhões de anos seja pouco tempo para a “evolução” da vida na Terra até o presente estado, mas ninguém fala disso abertamente por aí. Pelo jeito, há mais liberdade para se falar e publicar na cosmologia do que na biologia.[MB]

Alguns fatos sobre a evolução

A evolução é uma teoria amplamente conhecida, e mesmo aqueles que nunca estudaram ciência têm alguma ideia sobre ela. Tanto assim, que é comum palestrantes que falam sobre a Bíblia e a Ciência e encontrar pessoas do meio comercial, ou com conhecimentos de história, interessadas em saber as questões relacionadas com a evolução e a fé cristã. Neste artigo, alguns dos fatos e verdades mais importantes sobre a teoria da evolução são apresentados para benefício tanto do especialista quanto do estudante geral desses assuntos.

Em primeiro lugar, ao contrário do que muitos acreditam, a teoria da evolução é apenas uma hipótese da ciência. Não é um fato comprovado da ciência. Sendo uma hipótese, significa que ela é uma proposta que tem de ser estabelecida pela ciência experimental e empírica. Normalmente, os manuais escolares e universitários sobre evolução dão a ideia errada de que ela é um fato ou uma lei da ciência, mas isso está longe da verdade. Assim como existem várias outras hipóteses em ciência, a evolução também é mera hipótese.

Segundo ponto. Diz-se que a evolução é resultado do acaso cego. Mas o estudo dos processos de acaso mostra que este só irá destruir a ordem, e não evoluí-la. Quando a matéria é deixada a si mesma neste universo, como os evolucionistas supõem que tenha sido o caso, a ordem sempre tende à desordem e sistemas complexos sempre se desintegram em confusão desordenada. A informação sempre acaba sendo destruída, o que significa que não há nenhuma maneira de que a informação presente nos genes pudesse vir à existência por acaso.

Terceiro. Mais de um século e meio de pesquisas renderam milhões de fósseis, mas nem mesmo um único deles apoia a teoria da evolução. De acordo com a evolução, deve haver inúmeros fósseis que demonstram a evolução de uma espécie de animal ou planta em outra espécie, mas tais fósseis nunca foram encontrados. Todos os fósseis que foram reivindicados como formas intermediárias foram desacreditados pelos cientistas em estudos mais aprofundados.

Quarto. Ninguém jamais demonstrou que o homem evoluiu de criaturas simiescas. Mais de uma dezena de tipos de fósseis de “homens-macacos” foram expostos ao mundo pelos evolucionistas, mas, num pensamento posterior, seus próprios companheiros cientistas competentes rejeitaram esses achados. Os cientistas descobriram que alguns desses fósseis representam macacos, enquanto outros representam verdadeiros seres humanos, mas nenhum deles vem de um homem-macaco. Curiosamente, nenhum dos fósseis apresentados vem de um homem-macaco.

Quinto. A Terra não tem, necessariamente, milhões ou bilhões de anos, contrariamente às suposições dos evolucionistas. Eles tentam retratar a Terra como muito antiga, mas esse é um resultado de sua teoria, que exige uma idade muito longa para a Terra. Naquilo que diz respeito às experiências, elas fornecem ampla gama de resultados. De acordo com alguns métodos de determinação da idade da Terra, nosso planeta tem apenas alguns milhares de anos. Outros testes dão uma idade de 10.000 ou 20.000 anos e alguns apontam milhões ou bilhões de anos. Um cientista honesto e objetivo levará em consideração todas essas datas na sua discussão, mas os evolucionistas selecionam as longas eras apenas porque isso lhes é conveniente.

Sexto. Um bom número de darwinistas competentes abandonou sua crença no darwinismo: alguns deles são cientistas altamente respeitados, os quais publicaram as suas conclusões em livros e artigos científicos. E o fizeram porque não conseguiram encontrar uma única prova científica a favor do darwinismo [macroevolução].

Sétimo. Alguns evolucionistas altamente competentes abandonaram todas as formas de evolução. Eles descobriram que qualquer que seja a forma de evolução, darwiniana ou outra, ela simplesmente não funciona. Cientificamente as evidências são nulas. Muitos deles tornaram isso conhecido da comunidade científica.

Oitavo. Há muitos cientistas agora que aceitam que a evidência científica favorece a criação. Essas pessoas não são cristãs, nem crentes na criação. No entanto, a partir de suas observações científicas são obrigadas a acreditar na criação.

Nono. Várias descobertas científicas têm demonstrado que a evolução não é possível. Em outras palavras, cada vez mais as descobertas científicas falam contra a possibilidade de evolução da vida por mero acaso. É por isso que cientistas famosos como Fred Hoyle e Chandra Wickramasinge abandonaram sua fé na teoria da evolução. Cientistas de renome mundial têm amplamente divulgado as razões pelas quais a vida na Terra não poderia ter evoluído por processos de acaso.

Décimo. Enquanto as descobertas da ciência vão contra as teorias da evolução, elas têm dado cada vez mais apoio à Bíblia. Existem numerosas evidências de apoio em favor da Bíblia - da física, química, lógica, ciência da informação, arqueologia, história e, claro, também da biologia.

Décimo primeiro. Nenhum fato conhecido da ciência contradiz a Bíblia, e a Bíblia não contradiz nenhum fato estabelecido pela ciência. Todo estudante sério de ciências deve considerar seriamente a Bíblia e suas afirmações.

(Dr. Johnson C. Philip é físico, com conhecimentos em física quântica nuclear. É também especializado em apologética cristã, arqueologia bíblica e em vários outros campos. Ler Pra Crer [o artigo original pode ser lido aqui]).

Comemoraremos o centenário da morte de Wallace?

Dentro de três anos, terá se passado um século desde a morte de Alfred Russel Wallace, o outro “pai” da teoria da evolução por seleção natural. Como é sabido, Darwin e Wallace coincidiram seus objetivos quando propuseram ao mesmo tempo uma teoria científica idêntica, sendo ambos aceitos nos círculos acadêmicos da época como co-autores de uma só proposta; seus trabalhos foram lidos simultaneamente perante a Sociedade Linneana de Londres, em 1º de julho de 1858. Todavia, o prestígio e a autoridade de cada um deles não foram histórica e cientificamente contrabalançados com a devida justiça ao longo dos anos. E a razão disso já é conhecida de sobra. Darwin concedeu à sua teoria um valor adicional: a certeza de que “tudo”, desde o surgimento imprevisível da vida até o aparecimento das características racionais humanas, seria explicado à luz da evolução por meio da acumulação gradual de novidades surgidas ao acaso. A seleção natural se transformaria, pois, para Darwin, num fator preponderante para explicar todas as manifestações relacionadas à vida no decorrer dos tempos.

Quanto a Wallace, não obstante compartilhasse com Darwin dos mesmos ideais de evolução por seleção natural, negou-se a acreditar que vida, mente e consciência humanas pudessem ser explicadas pela exclusiva ação da matéria. Wallace defendeu durante toda sua vida um entendimento espiritualista da realidade, algo que transcendesse a visão meramente materialista amparada pelo seu conterrâneo Darwin. A explicação de Wallace pode muito bem ser designada como “criacionismo racionalista”, ou seja, a ideia de que as manifestações relacionadas à vida não podem ser estritamente reduzidas ao mundo natural, às leis físico-químicas como as conhecemos.

(Humor Darwinista)

terça-feira, novembro 23, 2010

A evolução planejada do Super Mário

E se personagens de videogames evoluíssem como seres vivos, sobrevivendo e se reproduzindo somente os que sabem “jogar” melhor? A reposta está no projeto “The Mario Genome” (O genoma do Mário), em que vários “espécimes” de Mário tentam passar sozinhos de uma fase, sem qualquer comando do usuário [mas quem programou os Mários?]. Para isso, os controles de cada Mário são definidos por computador e “evoluem” usando um algoritmo genético, que reproduz a mesma lógica proposta por Darwin para a seleção natural. O desafio do Mário é passar de uma fase simples e curta, mas com algumas alternativas de trajeto - a mais difícil de acertar é também a mais rápida, assim como a mais fácil é extremamente demorada. Para chegar ao fim da fase cada Mário é programado [programado?] com um “DNA” que diz que movimentos ele deve fazer, gerando um “genoma” para o personagem do videogame.

No início da simulação, mil Mários iniciam o jogo, se movendo aleatoriamente pela tela. Os 500 com pior resultado são extintos e os 500 restantes se reproduzem para ocupar as vagas, repassando seus genes (os comandos programados [programados?]) com pequenas variações aleatórias. Então, o processo de seleção e reprodução se repete sucessivamente para cada nova população, de maneira análoga à evolução das espécies na natureza.

Os resultados da simulação foram publicados pelo programador Oddball: depois de 19 35 gerações os Mários já conseguiam terminar a fase sozinhos. Para conseguir o menor tempo matematicamente possível, foram necessárias 7.705 iterações do algoritmo. O resultado final é o genoma do Mário: um banco de dados de “DNA” que melhor se adaptaram ao desafio de passar da fase. [...]

(Terra)

Nota: E se fossem “jogados” milhões de números 1 e 0 (binários, portanto) aleatoriamente num computador (só o fato de haver computador já seria uma tremenda “vantagem evolutiva”, mas deixemos isso pra lá) e esperássemos bilhões de anos pelo resultado, sem interferir nem organizar, depois de transcorrido esse tempo obteríamos um ancestral rudimentar do Mário? Assim como a seleção natural de Darwin, esse projeto (The Mario Genome) somente demonstra como o mais apto chegou até o presente, mas nada diz sobre a origem desse mais apto (se bem que, no caso do Mário, ninguém pode negar que sua origem é inteligente, como fazem alguns em relação à vida, infinitamente mais complexa que um joguinho de computador). Além do mais, sempre fico com dois pés atrás quando tentam me convencer de processos tidos como casuais (como a origem da vida) usando modelos computacionais que dependem de uma fonte informante (ser humano), controle de processos previamente determinados (projeto) e uso de tecnologia de última geração para a obtenção de resultados esperados. Isso é design inteligente, oras![MB]

Provinhas de “mintira”

Saiu na Folha de S. Paulo de 18/11/2010: “Alunos de escola top de SP boicotam Saresp [...]. Os 200 alunos, 100% dos matriculados no 3º ano do ensino médio da Escola Técnica Estadual de São Paulo, Etesp, considerada a melhor escola estadual paulista, boicotaram ontem a prova do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar (Saresp). A Etesp é a mais bem colocada dentre todas as estaduais paulistas. O ingresso se dá por vestibulinho e o boicote foi organizado pelo grêmio estudantil.” É de se lamentar o boicote, mas vale lembrar que foi promovido por estudantes de alto desempenho, cujo senso crítico foi despertado. E pela atitude deles somos forçados a admitir algumas verdades. Infelizmente, desde quando foi instituído o Saresp, a educação de São Paulo pouco melhorou. Na verdade, teve avanços mesquinhíssimos em Capacidades de Leitura e Interpretação, e retrocessos em Raciocínio Lógico e conhecimentos matemáticos. Também temos que levar em conta que na parte de Leitura e Interpretação muitas vezes os textos apresentados foram facilitados.

Além disso, as escolas estaduais de São Paulo apresentaram um aumento significativo da reprovação, da falta de docentes ao trabalho, da violência no ambiente escolar e, principalmente, da evasão escolar. O mesmo se pode falar da Prova Brasil e do Enem. Nenhuma medida séria foi tomada para melhorar a educação básica e o ensino médio. O Enem a cada ano traz uma trapalhada, erros em provas, sumiço de provas, cola disseminada, extravio de documentos, erros na elaboração e a maior delas é a de desrespeitar o sábado bíblico, forçando pessoas que o guardam a ficar trancadas em salas até a noite, para então fazer a prova. Ao contrário disso, há mais de 30 anos os Estados Unidos têm o SAT (Standard American Test), e você não vê imposições desconfortáveis associadas à aplicação dessa prova.

Veja as reclamações de alguns dos estudantes da Etesp contra o Saresp, mas que podem ser estendidas ao Enem e à Prova Brasil.

1. A não aplicação de remédios sugeridos pelo diagnóstico, deixando tudo exatamente como está. “Segundo o estudante Daniel, 16, os alunos da Etesp, no Bom Retiro (centro de SP), não são contra as avaliações periódicas. “Mas isso tem de ser acompanhado por melhorias efetivas na educação. Do jeito que está, é só uma prova sem função alguma.”

2. Fazer politicagem com o tempo pedagógico dos jovens e crianças para causar falsa calma na opinião pública. “Bruno, 16, acredita que o Saresp ‘visa apenas a dar uma satisfação à opinião pública, descontente com os resultados pífios da educação pública paulista’. É um ‘me engana que eu gosto. Eles fazem o Saresp ao mesmo tempo em que entregam livros didáticos que mostram o continente americano com dois Paraguais. Isso é sério?’, pergunta o estudante (refere-se ao episódio ocorrido em 2009, quando a Secretaria Estadual da Educação distribuiu livro de geografia com mapa errado da América do Sul).” [Sem contar, evidentemente, os livros de Biologia que ainda trazem “evidências” desacreditadas sobre a evolução – MB.]

Esse último argumento é significativo, pois desde 1996, quando foi instituído o Saresp, o Estado de São Paulo caiu em seu desempenho, perdendo para Estados mais pobres como o Acre, Pernambuco, Rio de Janeiro e Rondônia, para citar alguns. A medida de fornecer material didático se demonstrou uma fonte de desentendidos, desvios de verbas e retrocesso, como assinalamos no artigo “Descumprindo a lei para cercear a liberdade”, publicado no Observatório da Imprensa, em 24/3/2009.

Considerando que o País tem índice de desemprego que beira os 7%; que temos imensa massa de desempregados que trabalham como camelôs e ambulantes sem qualquer garantia profissional decente; que temos imensa massa de profissionais trabalhando em condições difíceis por não ter qualificação; que muitas multinacionais abrem montadoras aqui, mas a produção e criação de tecnologia é feita fora, o que tira lucros do País; que estamos perdendo o mercado externo por falta de produto com alto valor agregado (produtos de alta tecnologia feitos aqui, são poucos); que o desempenho nos testes internacionais como o PISA continuam vergonhosos e mesmo assim as autoridades em geral só têm um blá-blá-blá sem medidas sérias – isso tudo nos faz pensar que esses estudantes foram ousados e corajosos e que a causa deles faz sentido. As atitudes ditatoriais dos governantes, no quesito educação, é que são sem sentido.

(Silvio Motta Costa, professor da rede pública em Campinas, SP)

De olho no darwinismo

Sérgio Miguel P. Mats mora em Caxias, perto de Oeiras, a mais ou menos dez quilômetros de Lisboa, Portugal. Ele é técnico em informática e trabalha há cerca de dez anos na área de instalação de sistemas informáticos. Nas horas livres, mantém o ótimo blog Darwinismo, no qual tece críticas à teoria da evolução e aborda outros assuntos de seu interesse. Nesta entrevista, concedida ao jornalista Michelson Borges, Sérgio fala um pouco desse seu hobby internético: [Leia mais]

Astrônomos descobrem planeta “improvável”

Um novo planeta, originário de fora da Via Láctea, orbitando ao redor de uma estrela sem elementos pesados, e que não mais deveria existir, está desafiando o conhecimento da formação desses corpos celestes. Ele atualmente orbita ao redor da estrela HIP 13044, mas deveria ter sido destruído quando a estrela se transformou numa gigante vermelha, quando ela multiplica diversas vezes seu tamanho e engole tudo que estiver por perto. “Provavelmente detectamos um sobrevivente sortudo no sistema”, afirmou o iG Johny Setiawan, do Instituto Max Planck, na Alemanha, principal autor do estudo publicado quinta-feira na revista Science. Além disso, apesar de atualmente o planeta, chamado HIP 13044 b, estar dentro da Via Láctea, sua origem é de uma galáxia que existiu em torno dela, mas se desmanchou há bilhões de anos. Isso faz com que ele seja o primeiro planeta vindo de outra galáxia a ter sua existência confirmada após mais de 15 anos de pesquisas que descobriram mais de 500 planetas orbitando estrelas dentro da Via Láctea.

O HIP 13044 b também tem outra peculiaridade: foi encontrado em torno de uma estrela que tem poucos elementos pesados, além de hidrogênio e hélio, como ferro. “No modelo mais aceito de formação de planetas isso é incomum. Ele prevê que quanto maior a abundância de metais maior a probabilidade de formar um planeta. A descoberta é uma evidência de que há mecanismos alternativos para a formação de planetas que permite a formação de planetas em torno de estrelas muito pobres em metal”, explicou Setiawan.

Uma das explicações para a sobrevivência é que o planeta, que tem massa maior que a de Júpiter, estava em uma órbita segura quando sua estrela passou pela fase de gigante vermelha. “Há evidências de que havia outros planetas mais perto da estrela, mas que não sobreviveram”, disse Setiawan.

Agora o sobrevivente HIP 13044 b pode não estar totalmente seguro. O próximo estágio de evolução de sua estrela a levará a uma nova expansão e ele pode ter o mesmo destino de seus planetas irmãos.

(Último Segundo)

Nota: Assim como aconteceu com a matéria escura, a descoberta desse planeta deveria aumentar o grau de humildade que deve caracterizar os cientistas. O HIP 13044 b mostra que ainda temos muito que aprender sobre o universo e seu funcionamento. Mas, como parece que alguns ainda não aprenderam a ter prudência e não resistem a uma especulaçãozinha sem base factual, afirmam que esse “planeta improvável” proveio de uma galáxia que se “desmanchou” há bilhões de anos e poderá ser destruído num futuro distante. Quando exercício de imaginação baseado em tão poucos fatos![MB]

segunda-feira, novembro 22, 2010

Cientista cético de Darwin lança livro

O cientista cético de Darwin, Donald E. Johnson, publicou mais um livro sobre como a programação da vida se assemelha à programação nos computadores. O título é Programming of Life (Programação da Vida). Cada célula do organismo tem milhões de computadores lendo e processando informação digital, usando programas digitais e códigos digitais para comunicar e traduzir informação. A vida é uma intersecção da ciência física e da ciência da informação. Ambos os domínios são críticos para qualquer vida existir, e é necessário investigar usando os princípios desses domínios. No entanto, a maior parte dos cientistas tem tentado usar a ciência física para explicar o domínio da informação da vida, uma prática que não tem nenhuma justificação científica.

Programming of Life vem no seguimento do livro anterior de Johnson, Probability’s Nature and Nature’s Probability, que dá uma introdução muito bem referenciada ao design inteligente. Programming of Life procura elucidar o funcionamento celular semelhante ao que encontramos nos computadores e as implicações que isso tem para as teorias sobre a origem da vida baseadas no materialismo.

Com doutoramentos tanto em química como em ciências da computação e da informação, Johnson é a pessoa ideal para escrever sobre as tentativas de usar simulações de computador para dar suporte ao neo-darwinismo.

O livro tem citações de um vasto - e em crescimento - corpo de literatura técnica de cientistas que são céticos das explicações materialistas sobre a origem da vida. Qualquer pessoa que segue esta importante tendência científica deve ler este livro.

(Design Inteligente)

Evolução explica até psicopatia!

As prisões estão repletas de psicopatas. Dizem as más línguas que os conselhos empresariais também. A combinação de uma propensão a correr riscos de maneira impulsiva com a ausência de culpa ou vergonha (as duas principais características da psicopatia) pode levar o indivíduo a uma carreira no crime ou no mundo dos negócios. Essa conclusão levou a um debate se o fenômeno é uma aberração ou se algo favorecido pela seleção natural, ao menos nos casos em que a incidência é rara entre a população. Afinal, o conselho é um local desejável, e, antes da invenção das prisões, o crime compensava. Para analisar o caso, Elsa Ermer e Kent Kiehl da Universidade do Novo México, em Albuquerque, decidiram testar as sensibilidades morais dos psicopatas e suas atitudes em relação aos riscos. Os resultados não provam que a psicopatia é adaptável, mas sugerem que ela depende de mecanismos específicos (ou de uma ausência específica deles). Essa especificidade costuma ser um resultado da evolução.

Estudos anteriores mostraram que os psicopatas têm níveis normais de inteligência (eles raramente são gênios como Hannibal Lecter, o sinistro serial killer de filmes como “O Silêncio dos Inocentes”). Sua ausência de culpa e vergonha não é fruto de concepções erradas sobre o certo e o errado. Pergunte a um psicopata o que ele faria em uma situação específica, e ele certamente lhe dará aquilo que os não-psicopatas chamariam de resposta certa. A grande questão é que o psicopata não agiria de acordo com esse conhecimento.

Ermer e Kiehl suspeitam que embora os psicopatas tenham a habilidade de dar a resposta apropriada quando confrontados com um problema moral, eles não chegam a essa resposta pelo processo psicológico normal. Em particular, os pesquisadores creem que os psicopatas talvez não tenham a noção instintiva dos contratos sociais – as regras que regem as obrigações – que outros têm. [...]

Ermer e Kiehl recrutaram 67 prisioneiros e os testaram para avaliar se eles exibiam traços de psicopatia. Dez deles eram inegavelmente psicopatas. Trinta não eram. O resto teve resultados intermediários. Quando a dupla testou as habilidades dos prisioneiros no teste geral, eles perceberam que os psicopatas foram tão bem quanto os outros. No caso de problemas apresentados como contratos sociais, ou questões envolvendo riscos a serem evitados, os não-psicopatas tiveram um índice de acertos próximo dos 70%, os psicopatas acertaram uma média de 40%, e os intermediários tiveram resultados entre esses níveis.

Os testes Wason sugerem que a análise dos contratos sociais e dos riscos representa o que os psicólogos evolucionários chamam de “pacotes de módulos cognitivos” de adaptações mentais que atuam como órgãos especializados para algumas tarefas. Os novos resultados sugerem que, nos psicopatas, esses módulos teriam sido desligados.

Pesquisas mais aprofundadas serão necessárias para determinar como os módulos de risco e contrato social que governam a psicopatia são controlados. Mas outros fenômenos que se assemelham a doenças são comprovadamente mantidos pela seleção natural. A anemia falciforme, causada por genes que protegem o organismo contra a malária, é o melhor dos exemplos. A explicação para a psicopatia pode estar aí.

(Opinião e Notícia)

Nota: Como evolução é uma palavra tremendamente elástica e adaptável aos mais variados contextos (desde a sobrevivência das bactérias a antibióticos ou a diferenciação de formato no bico dos tentilhões – microevolução –, até o surgimento de um dinossauro a partir de um ser unicelular – macroevolução), mesmo a perda, a desvantagem ou a doença podem ser consideradas como “evolução”. Já dissemos aqui que o darwinismo “explica” o adultério e outros comportamentos. Agora até a psicopatia tem explicação darwinista.[MB]

Leia também: "Teoria-explica-tudo justifica pecado""Adúlteros – é como a evolução nos torna" e "Pecado cientificamente 'explicado'"

O exemplo da educação adventista

Em meio a todo o alvoroço na reforma da educação, o sistema escolar adventista do sétimo dia pode parecer um lugar inesperado para procurar modelos para melhorar o desempenho dos alunos. Mas ao educar a mente, o corpo e o espírito, as escolas adventistas superam a média nacional através de todas as demografias. Ultimamente, a reforma de educação tem estado no centro do palco à medida que os americanos lutam para fechar o frequentemente criticado gap de êxito. Mas calmamente em nosso meio o segundo maior sistema escolar cristão no mundo tem estado firmemente superando a média nacional – através de todos os dados demográficos. O currículo holístico (integral) dos adventistas do sétimo dia serve como um modelo para superar essa lacuna – a disparidade no desempenho acadêmico entre estudantes de baixa renda e de minoria e seus colegas nas comunidades de alta renda. Mas, ainda mais, ele mostra como estreitar a lacuna entre a mente, o corpo e o espírito, verdadeiramente educando os alunos para o sucesso.

Agora, eu não estou advogando para que a instrução religiosa seja incluída no currículo escolar. Pelo contrário, o que a minha pesquisa indica é que a aprendizagem holística – uma educação que não ergue barreiras artificiais entre as disciplinas e entre a mente, o corpo e o espírito – realmente resulta em maior desempenho do aluno.

As escolas adventistas superam suas concorrentes

Desde 2006, como parte do estudo Cognitive Genesis (estudo da Gênese Cognitiva), dois colegas e eu reunimos dados sobre mais de 50 mil alunos matriculados nas escolas adventistas do sétimo dia. (Desconhecida para muitos, a Igreja Adventista opera um sistema escolar cristão que, em tamanho, fica atrás somente das escolas paroquiais católicas romanas.) Enquanto temos acreditado há muito tempo na efetividade da abordagem holística que as escolas adotam, queremos quantificar, empiricamente, quão bem os alunos das escolas adventistas se saem.

Mesmo nós ficamos surpresos com os resultados. Nosso estudo de quatro anos e com financiamento independente mostrou que os alunos em escolas adventistas superaram seus pares na média nacional em cada área.

Entre 2006 e 2010, meus colegas e eu analisamos pontuações de testes de 51.706 alunos, baseados no Iowa Test of Basic Skills para as séries 3-8, no Iowa Test of Educational Development para as séries 9 e 11, e o Cognitive Test Abilities para todas as séries, assim como pesquisas preenchidas pelos alunos, pais, professores e administradores escolares.

Em cada categoria, os alunos que frequentam as escolas adventistas pontuaram mais alto que a media nacional. Eles também pontuaram mais alto que seu êxito esperado baseado na habilidade individual – um fator que poucas escolas medem.

Um dos achados mais dramáticos é que os alunos que se transferiram para escolas adventistas viram uma melhora marcante no desempenho acadêmico. Quanto mais anos um aluno frequentou a escola adventista, mais seu desempenho melhorou.

Condições socioeconômicas e financiamento não são fatores determinantes

Um cético poderia argumentar que as escolas particulares como essas dirigidas pelos adventistas são compostas principalmente por alunos saudáveis e de classe média alta; consequentemente, a razão do desempenho mais alto. Não é assim. Nossa pesquisa mostra que os dados demográficos das escolas adventistas estão mais perto daqueles das escolas públicas, com alta diversidade econômica e socioeconômica. A matrícula é aberta, o que significa que os alunos são admitidos sem o tipo de seleção de habilidade que muitas outras escolas particulares aplicam. Na América do Norte, a Igreja Adventista administra quase mil escolas, muitas das quais são pequenas e rurais. Não encontramos relação entre o tamanho da escola que os alunos frequentavam e o desempenho.

De modo significativo, nesta época de orçamentos decrescentes para as escolas públicas, não encontramos nenhuma ligação entre gasto por aluno e rendimento do aluno. A pesquisa feita por Dave Lawrence, aluno da graduação na Universidade La Sierra, em Riverside, Califórnia, indica que alunos em escolas adventistas que gastam de 2.000 a 4.000 dólares por aluno estão quase no mesmo nível de rendimento que alunos em escolas que gastam 12.000 dólares por aluno. O Sr. Lawrence não encontrou correlação significativa entre o orçamento da escola e a realização do aluno.

As vantagens de uma abordagem holística

Então como explicamos a vantagem adventista? Acreditamos na abordagem holística que essas escolas adotam – um compromisso de educar a mente, o corpo e o espírito. Ao contrário das escolas públicas, as escolas adventistas em todo o país têm um currículo padrão. Essa abordagem inclui os “três Rs” tradicionais com ênfase no desenvolvimento espiritual e físico. Há uma coerência e uma ligação entre as escolas adventistas que não existem com frequência em outros sistemas.

Alguns dos maiores indicadores da realização do aluno, de acordo com modelos estatísticos que desenvolvemos, incluem se os alunos têm uma percepção espiritual positiva, se têm um relacionamento saudável com seus pais, e se cuidam de sua própria saúde. Essas são atitudes que podem ser cultivadas e apontam para a importância de uma abordagem holística da educação.

Nos últimos anos, a Igreja Adventista tem sido assunto de muita fascinação pública por causa do seu foco na saúde, longevidade e integridade. (O canal PBS [Public Broadcasting Service] exibiu um documentário no início deste ano, “Os Adventistas”, e o livro The Blue Zones [As Zonas Azuis] foi publicado em 2008.) Mas nossa pesquisa mostra que a educação adventista também pode ser um laboratório de aprendizagem, mostrando como estudantes do jardim da infância até o terceiro ano do ensino médio podem ultrapassar as expectativas.

A verdadeira reforma do sistema de escolas públicas precisará de trabalho árduo e inovação, mas os adventistas dão um exemplo que pode ajudar os reformadores a apertar o botão de “reset” (reiniciar). Eliminar as barreiras artificiais entre os sujeitos e ajudar os alunos a verem o link entre como eles vivem e como aprendem são passos fundamentais, mas cruciais, para estabelecer a fundação para a verdadeira reforma.

(Elissa Kido é professora de educação na Universidade La Sierra, The Christian Science Monitor)

sexta-feira, novembro 19, 2010

A capa que as semanais não deram

Quando descobre um fóssil duvidoso tido por algum especialista como “elo perdido” ou coisa que o valha, a mídia geralmente faz aquele estardalhaço. Por que, então, silenciaram sobre a primeira descoberta arqueológica referente a Jesus e Sua família? O ossuário (urna funerária) de Tiago data do século 1 e traz a inscrição em aramaico “Tiago, filho de José, irmão de Jesus” (Ya’akov bar Yosef achui d’Yeshua). Oculto por séculos, o ossuário foi comprado muitos anos atrás pelo engenheiro e colecionador judeu Oded Golan que não suspeitou da importância do artefato. Só quando o renomado estudioso francês André Lemaire viu na urna, em abril de 2002, a inscrição na língua falada por Jesus, foi que se descobriu sua importância. O ossuário foi submetido a testes pelo Geological Survey of State of Israel e declarado autêntico. Segundo o jornal The New York Times, “essa descoberta pode muito bem ser o mais antigo artefato relacionado à existência de Jesus”.

O livro O Irmão de Jesus (Editora Hagnos, 247 p.) trata justamente da descoberta do ossuário de Tiago. A autoria é de Hershel Shanks, fundador e editor-chefe da Biblical Archaeology Review, e de Ben Witherington III, especialista no Jesus histórico e autor de vários livros sobre Jesus e o Novo Testamento. O prefácio é do próprio Lemaire, especialista em epigrafia semítica e autoridade incontestável no assunto. Hershel conduz a história de maneira muito interessante, revelando os bastidores da descoberta e as reações a ela, afinal, o ossuário, além de autenticar materialmente o Jesus histórico, afirma que Ele tinha um irmão chamado Tiago, filho de José e, possivelmente, também de Maria. Segundo a revista Time, trata-se de “uma história de investigação científica com alta relevância para o cristianismo”, talvez por isso mesmo deixada de lado por setores da mídia secular e antirreligiosa.

A despeito de todas as evidências a favor da autenticidade do ossuário, somente agora, depois de muita investigação, o veredito foi dado: a urna mortuária é autêntica. Mas o assunto foi capa de alguma semanal? Apenas a revista IstoÉ fez menção ao assunto, mas preferiu falar sobre “sedução” na matéria de capa. Estaria a mídia tão seduzida pelo naturalismo/secularismo que prefere não destacar matérias que confirmam fatos relacionados com o cristianismo? A título de contraponto, isso mereceria também reportagem de capa na Superinteressante ou na Veja, já que o neoateísmo militante e as especulações teológicas liberais sempre passeiam pelas páginas dessas publicações.

Segundo a revista IstoÉ desta semana, a discussão em torno do ossuário nasceu em 2002, quando Oded Golan revelou o misterioso objeto para o mundo. “A possibilidade da existência de um depositário dos restos mortais de um parente próximo de Jesus Cristo agitou o circuito da arqueologia bíblica. Seria a primeira conexão física e arqueológica com o Jesus do Novo Testamento”, diz a semanal. “A peça teve sua veracidade colocada em xeque pela Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA). Em dezembro de 2004, Golan foi acusado de falsificador e a Justiça local entrou no imbróglio. No mês passado, porém, o juiz Aharon Far-kash, responsável por julgar a suposta fraude cometida pelo antiquário judeu, encerrou o processo e acenou com um veredito a favor da autenticidade do objeto. [...]. Nesses cinco anos, a ação se estendeu por 116 sessões. Foram ouvidas 133 testemunhas e produzidas 12 mil páginas de depoimentos.”

Um dos entrevistados da reportagem foi o professor do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp) e especialista em arqueologia pela Universidade Hebraica de Jerusalém, Rodrigo Pereira da Silva. Ele acredita que todas as provas de que o ossuário era falso caíram por terra. “A paleografia mostrou que as letras aramaicas eram do primeiro século”, diz. “A primeira e a segunda partes da inscrição têm a mesma idade. E o estudo da pátina indica que tanto o caixão quanto a inscrição têm dois mil anos.”

“A participação de peritos em testes de carbono-14, arqueologia, história bíblica, paleografia (análise do estilo da escrita da época), geologia, biologia e microscopia transformou o tribunal israelense em um palco de seminário de doutorado”, compara IstoÉ. “Golan foi acusado de criar uma falsa pátina (fina camada de material formada por microorganismos que envolvem os objetos antigos). Mas o próprio perito da IAA, Yuval Gorea, especializado em análise de materiais, admitiu que os testes microscópicos confirmavam que a pátina onde se lê ‘Jesus’ é antiga. ‘Eles perderam o caso, não há dúvida’, comemorou Golan.”

De certa forma, foi bom que tantos especialistas – entre os quais muitos céticos quanto à autenticidade da urna – tenham estudado o artefato. Assim, as dúvidas que pairavam sobre o objeto foram dissolvidas. Resta, agora, esperar que a imprensa dê o braço a torcer a admita tudo o que o ossuário nos revela.

(Michelson Borges, jornalista e mestre em teologia)