quinta-feira, abril 07, 2011

Humanidade perde batalha contra superbactérias

A incidência de infecções resistentes a drogas atingiu níveis sem precedentes e supera nossa capacidade atual de combatê-las com as drogas existentes, alertam especialistas europeus. A cada ano, mais de 25 mil pessoas morrem na União Europeia em decorrência de infecções de bactérias que driblam até mesmo antibióticos recém-lançados. Para a OMS (Organização Mundial da Saúde), a situação chegou a um ponto crítico e é necessário um esforço conjunto urgente para produzir novos medicamentos. Sem esse esforço, a humanidade pode ter que enfrentar um “cenário de pesadelo” global, de proliferação de infecções incuráveis, de acordo com a OMS. Um exemplo é a superbactéria NDM-1, que saiu de Nova Délhi (Índia) e chegou ao Reino Unido em meados de 2010, trazida por britânicos que fizeram tratamentos médicos na Índia ou no Paquistão.

No Brasil, em outubro de 2010, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) reforçou o controle sobre receitas médicas de antibióticos, na tentativa de conter o avanço da superbactéria KPC, que atacou principalmente em hospitais.

A resistência das superbactérias a antibióticos mais fortes causa preocupação entre os especialistas. Pesquisadores da Universidade de Cardiff, no País de Gales, que identificaram a NDM-1 no ano passado, dizem que as bactérias resistentes contaminaram reservatórios de água de Nova Délhi, o que significa que milhões de pessoas podem ter se tornado portadoras do micro-organismo.

A equipe do médico Timothy Walsh coletou 171 amostras de água filtrada e 50 de água de torneiras em um raio de 12 quilômetros do centro de Nova Déli, entre setembro e outubro de 2010. O gene da NDM-1 foi encontrado em duas das amostras de torneira e em 51 das amostras de água filtrada. Isso se torna mais preocupante porque, segundo a equipe de Walsh, o gene se espalhou para bactérias que causam diarreia e cólera, doenças facilmente transmissíveis através de água contaminada.

“A transmissão oral-fecal de bactérias é um problema global, mas seu risco potencial varia de acordo com os padrões sanitários”, disseram os pesquisadores em artigo no periódico científico Lancet Infectious Diseases. “Na Índia, essa transmissão representa um problema sério [porque] 650 milhões de cidadãos não têm acesso a vasos sanitários, e um número provavelmente maior não tem acesso a água limpa.”

Os cientistas pedem ação urgente das autoridades globais para atacar as novas variedades de bactérias e para prevenir epidemias globais.

A diretora regional da OMS para a Europa, Zsuzsanna Jakab, diz: “Os antibióticos são uma descoberta preciosa, mas não lhes damos valor. Os usamos em excesso e os usamos mal. [Por isso], agora há superbactérias que não respondem a nenhuma droga.”

“As pessoas precisam estar cientes de que, até que todos os países enfrentem [o problema das superbactérias], nenhum país por si só estará seguro”, comenta ela ante o crescimento no número de viagens internacionais e de trocas comerciais no mundo.
Autoridades sanitárias britânicas dizem estar monitorando a NDM-1, que, segundo registros oficiais, já contaminou 70 pessoas no país.

(Folha.com)

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