quinta-feira, outubro 31, 2013

A vida na Terra não surgiu por acaso

Máquinas moleculares complexas
A origem da vida na Terra ainda é um grande mistério. Os pesquisadores não sabem dizer como ocorreu seu surgimento a partir de conjuntos de produtos químicos inanimados. Isso porque é difícil saber quais produtos existiam há mais de três bilhões de anos [segundo a cronologia evolucionista] – mas podemos estudar as biomoléculas que temos hoje para descobrir mais sobre o assunto. Máquinas moleculares presentes nas células, misturadas com produtos químicos gordurosos, formam uma versão primitiva de membranas celulares – o estudo dessas máquinas, por exemplo, pode ser uma descoberta fantástica que irá explicar como a vida se formou na Terra e como pode se formar em outros planetas [mesmo estudando máquinas moleculares os pesquisadores relutam em falar do Projetista dessas máquinas].

Em 1987, o Prêmio Nobel de Química foi dado a Donald J. Cram, que demonstrou como moléculas complexas podem executar funções muito precisas. Um dos comportamentos dessas moléculas é chamado de auto-organização, pois vários produtos químicos diferentes se juntam graças às muitas forças que atuam sobre eles, formando assim uma máquina molecular que permite a execução de tarefas complexas [complexidade e “software” de auto-organização. O que isso lhe sugere?]

Pasquale Stano e seus colegas da Universidade de Roma (Itália) estavam interessados em utilizar esse conhecimento para investigar as origens da vida. Para tornar as coisas simples, eles escolheram um conjunto que produz proteínas [se escolheram, se valeram de inteligência e organização, o que, de modo algum, sugere aleatoriedade e acaso, como desejam provar]. Esse conjunto é constituído de 83 diferentes moléculas de DNA, programadas [programação pressupõe um programador] para a produção de uma proteína fluorescente verde, que pode ser observada com um microscópio confocal. Esse conjunto só produz proteínas quando as moléculas estão próximas o suficiente a ponto de reagir uma com a outra. Porém, quando o conjunto é diluído com água, elas não podem mais reagir. É esse um dos motivos para o interior das células ser cheio.

Tentando recriar essa aglomeração molecular para entender a origem da vida, Stano adicionou um produto químico chamado POPC à solução diluída. Moléculas gordurosas, tais como a POPC, não se misturam com água, e quando colocadas no líquido, formam automaticamente os chamados lipossomas, que possuem uma estrutura parecida com a das membranas de células vivas, por isso são bastante utilizados para o estudo da evolução das células.

Com o estudo, Stano relatou que cinco em cada mil lipossomas tinham todas as 83 moléculas necessárias para a produção da proteína. Esses lipossomas produziram uma grande quantidade da proteína GFP e brilharam verde sob um microscópio.

Cálculos computacionais revelam que, mesmo por acaso, cinco lipossomas em mil não poderiam ter juntado todas as 83 moléculas do conjunto – a probabilidade calculada é essencialmente zero, o que significa que algo bastante singular está acontecendo.

Stano e os outros pesquisadores da sua equipe ainda não entenderam por que isso aconteceu. Pode ainda ser um processo aleatório que um modelo estatístico possa explicar [a esperança nunca morre...]. É possível que essas moléculas particulares estejam adequadas para esse tipo de automontagem por já estarem altamente evoluídas [o que piora a situação num cenário de moléculas mais simples, como propõe a teoria da evolução]. Um próximo passo importante é descobrir se moléculas semelhantes, mas menos complexas, são capazes de repetir o mesmo efeito.

Independentemente das limitações, o experimento de Stano demonstrou pela primeira vez que a automontagem em células simples pode ser um processo físico inevitável [sim, mas ainda permanece o enigma: Como teria surgido a primeira célula capaz de automontagem?]. Descobrir exatamente como isso acontece significa dar um grande passo para a compreensão de como a vida no planeta Terra se formou [não tem jeito: na cabeça deles a vida simplesmente “se formou”, e não consideram outra possibilidade mais lógica: a de que vida somente provém de vida, como demonstrou cientificamente Louis Pasteur].


Nota: Se a probabilidade de cinco em mil já é insuficiente, nem é preciso dizer sobre o resto que extrapola para mais de um em milhões/bilhões. Como diz o amigo físico Evandro Oliveira, “a fé cega no acaso é o paganismo deste século”. [MB]

A metralhadora giratória de Prates

Generalizações e preconceito religioso 
O gaúcho Luiz Carlos Prates é um conhecido comentarista de TV em Santa Catarina. Quando morava lá, de vez em quando eu o via no jornal da RBS (afiliada da rede Globo) “cuspindo fogo” em algo ou alguém. Esse é o estilo dele. Fala quase sempre de modo exaltado e com tons irados. Em 2010, ele conseguiu seus 15 minutos de fama nacional com um comentário pra lá de infeliz: disse que “hoje qualquer miserável tem um carro”, e atribuiu a isso o alto índice de acidentes de trânsito no País. Há quem diga que sua saída da RBS tenha sido motivada pelas muitas reclamações com respeito a seus comentários polêmicos, como outro, de 2009, em que ele teria supostamente defendido a ditadura militar, afirmando que o regime teria sido mais brando do que se noticia, e que o país nunca cresceu tanto quanto nessa época, especialmente sob o comando do falecido ex-presidente João Figueiredo. Recentemente, em sua coluna no portal Clica Tribuna (da minha cidade natal, Criciúma), ele publicou outra pérola de preconceito e generalizações. Acompanhe:

“Estou até aqui de ouvir sobre ‘religiosos’ corruptos, pedófilos, ordinários, safados e sem-vergonha. Até aqui... Acabei de ler sobre um professor que foi demitido de um colégio católico em Porto Alegre porque se negava a tratar de questões religiosas em sala de aula. O professor cuidava de lecionar, e bem, a matéria que lhe cabia; proselitismo religioso e ‘propaganda’ da cultura religiosa do colégio não era com ele. Foi demitido, ele tinha que tratar de mensagens religiosas, isto é, de condicionamentos terroríficos como costumam ser as doutrinas religiosas. E sobre isso sei muito bem, como ‘vítima’...

“Essa notícia me faz, mais uma vez, voltar ao meu ponto de vista, do qual não me afasto uma única vírgula: a melhor religião, a única a meu juízo, é a decência, a honestidade. E essa ‘religião’ tem que ser ensinada em casa pelo pai e pela mãe, por ninguém mais. Uma criança educada para ser decente, honesta, será boa, será confiável, será amiga leal, funcionária dedicada, boa cidadã, terá, enfim, cadeira no ‘céu’. Ando até aqui de sepulcros caiados, religiosos da boca para fora, mas ordinários da cabeça aos sapatos. Religiosos que se desmentem pelas ações, pelas intenções que lhes escapam no comportamento. Que vão mentir nos quintos...

“O que as religiões precisam fazer é dizer que a mulher é a geradora da vida, a verdadeira Natureza na natureza; precisam dizer que a mulher não é o resultado de uma costela, que não precisa nem deve ser submissa a um marido-chefe, a um mandão impotente. É isso o que ‘todas’ as religiões têm que pregar; se o fizerem, pronto, estará resolvido o problema da submissão da mulher. Sem essa de que a mulher é a malícia e a origem do pecado. Digam isso na minha delegacia e depois chamem o dentista... Safados.

“Dignidade, decência e honestidade bastam. Quem for educado por esses valores, insisto, tem cadeira garantida no ‘céu’, o mais é firula de condicionamentos indevidos para fazer de pessoas ‘rebanhos’ e ‘contribuintes’ de dinheiro de fins escusos...”

Nota: Sempre deixei pra lá esse comentarista, porque não concordo com seu estilo espalhafatoso bem de molde a agradar as massas que acabam se sentindo “vindicadas” pelo homem bravo da televisão, e porque poucas vezes concordei com suas opiniões extremadas e superficiais – embora defenda o direito que ele tem de emiti-las. Mas não posso deixar de comentar o que ele escreveu acima, nesse texto eivado de preconceito, generalizações e tergiversações. E faço isso em partes:

1. Também estou “até aqui” de jornalistas, apresentadores, comentaristas que se valem de sua tribuna midiática para destilar ódio, preconceito e generalizações. Como Prates, também detesto religiosos que jogam o nome de Jesus na latrina; que se valem de seu posto e de suas vantagens para enriquecer de forma ilícita ou obter diabolicamente a satisfação de seus desejos doentios. Mas isso não me faz tapar os olhos para os muitos religiosos que doam a vida a uma causa nobre; que se deixam gastar em amor ao semelhante; que não ficam apenas falando, mas que fazem algo de relevante pelos menos favorecidos. Não deixo de discernir entre o joio e o trigo e procuro não julgar o todo pela pior parte. Era de se esperar de um jornalista visão mais ampla das coisas e das pessoas; que não pensasse com o fígado e sim com o cérebro. Que fosse mais analítico e menos apaixonado.

2. Qualquer um sabe (ou deveria saber) que escolas confessionais defendem e ensinam as doutrinas e a filosofia da instituição que as mantêm. É assim com as escolas evangélicas e é assim também com as católicas. E quem aceita trabalhar numa delas (ou se matricular numa delas) deve saber que a lei permite esse tipo de coisas e que se espera do funcionário um mínimo de identificação ou, pelo menos, aquiescência com os ideais da instituição. Não sei exatamente o que aconteceu naquela escola católica de Porto Alegre, mas sei que a imprensa costuma exagerar quanto o assunto é religião; que os fatos costumam ser distorcidos e que o Prates pode ter ampliado a questão para servir de gancho para seu comentário. E, se for um fato isolado, pior ainda.

3. Doutrinas religiosas não são, necessariamente, “condicionamentos terroríficos”, especialmente se se tratam de doutrinas bíblicas, pois têm como âmago a redenção em Cristo e não a escravidão. Doutrinas bíblicas corretamente compreendidas têm, na verdade, libertado milhões e milhões de pessoas escravizadas pelos vícios, pelo pecado e pela falta de esperança. Mas Prates deixa escapar o motivo (talvez inconsciente) de sua ira virulenta: “Sobre isso sei muito bem, como ‘vítima’.” Prates, por favor, trate primeiro desse seu trauma (e não questiono a legitimidade de sua revolta, pois desconheço o que a motivou e motiva) antes de avacalhar com religiosos que nada lhe fizeram de mal. Se você foi vítima de algum sistema religioso ou de algum falso cristão, não apedreje quem nada tem que ver com isso.

4. “Essa notícia me faz, mais uma vez, voltar ao meu ponto de vista, do qual não me afasto uma única vírgula.” Isso é intransigência imprópria para um homem da comunicação, que deveria ter a mente aberta e estar disposto a mudar de ideia, quando necessário ou quando os fatos assim o determinarem. Ao ler a notícia, Prates volta ao seu ponto de vista inamovível em lugar de se permitir ver a situação com outros olhares. Julga e sentencia por meio de sua visão apriorística, em lugar de analisar o fato isolado, dentro de seu contexto.

5. Decência e honestidade não são religião, embora possam (e devam) derivar dela. Decência e honestidade são qualidades que devem ser ensinadas no lar e reforçadas pela escola e (quem dera) pela mídia. Prates não é totalmente honesto em sua análise (posto que coloca todos os religiosos no mesmo “saco”), mas prega a honestidade como religião. Será que a educação para a decência e a honestidade é suficiente? Tenho lá minhas dúvidas... Por quê? Porque conheço um pouco da natureza humana (afinal, conheço-me um pouco) e sei que nossa inclinação natural é para o mal e não para o bem, a despeito de quão polidos tenhamos sido pela boa educação. Posso trazer à memória vários nomes de ditadores, déspotas, tiranos que tiveram boa educação no lar e na escola e, no entanto, fizeram o que fizeram. Decência e honestidade ajudam? Claro que sim, mas sei que não são suficientes. A atração do pecado é muito maior do que a força de vontade e precisa de uma força opositora muito maior. E essa força não está em nós.

6. Jesus também “andava até aqui” com os sepulcros caiados do tempo em que Ele andou na Terra – aliás, foi Ele quem cunhou essa expressão. E foi Ele quem fundou uma religião que visava, entre outras coisas, tornar as pessoas íntegras, amorosas, perdoadoras, convertidas. Pessoas que fossem por fora o que são por dentro. Mas Prates, infelizmente, parece desconhecer esse tipo de pessoas – ou prefere não mencioná-las para não estragar sua crônica.

7. Prates não entendeu nada de sua leitura do Gênesis. Deus criou a mulher a partir da costela de Adão justamente para evidenciar a igualdade dela com ele. O osso usado não foi da cabeça (superioridade) nem do calcanhar (inferioridade), foi retirado do lado do homem (igualdade, companheirismo, mesma essência). E, de fato, nenhuma mulher deveria ser submissa a um marido-chefe, mas respeitar e amar um marido que fosse a verdadeira imitação de Cristo, assim como os cristãos convertidos se “submetem” por amor ao senhorio de um Deus que morreu por eles. O homem que amar uma mulher a ponto de dar a vida por ela e viver por ela terá conquistado o respeito dela e ambos exercitarão a mútua submissão motivados pelo amor. Prates deveria estudar a Bíblia em lugar de ficar julgando a religião pelo comportamento inapropriado de alguns cristãos mal intencionados, machistas e não convertidos. Para não cometer o mesmo erro dele, não vou dizer por aí que comentaristas de TV são todos preconceituosos, injustos e generalistas.

8. “Sem essa de que a mulher é a malícia e a origem do pecado. Digam isso na minha delegacia e depois chamem o dentista... Safados.” Quem diz que a mulher é a origem do pecado não sabe o que diz. A origem do pecado está com um anjo que se rebelou contra Deus (mas Prates também deve achar que isso é um mito e aí fica sem uma explicação apropriada para a origem do mal). Na verdade, quem mais associa mulher à malícia são justamente as emissoras para as quais Prates já trabalhou e trabalha (hoje ele está no SBT). São as emissoras que levam ao ar humorísticos maliciosos que transformam a mulher em objeto de exposição com roupas sumárias, tudo para alavancar a audiência. São as emissoras que veiculam comerciais que comparam mulheres a automóveis e a bebidas alcoólicas, coisificando-as e as transformando em algo que deve ser consumido, usado. Mas por que Prates não vocifera contra isso? Por que ele não pode falar contra a “doutrina” (linha editorial) de sua empresa? Talvez pelo fato de que o salário dele vem, também, dos milhões injetados na conta de seus empregadores pelos anunciantes.

9. Finalmente, no último parágrafo de seu texto, Prates parte para o lugar comum segundo o qual religião é sinônimo de roubalheira. Outra generalização infeliz que iguala os televangelistas da teologia da prosperidade (que, aliás, também dão muito lucro para emissoras seculares) com religiosos sérios que administram sábia e responsavelmente os recursos a eles confiados, haja vista as muitas obras de caridade levadas avante com esses recursos e os grandes esforços para levar a mensagem de esperança a todos os cantos do mundo. E tudo isso é feito com muito sacrifício por pessoas desprendidas, enquanto outros pensam que estão dando grande contribuição à sociedade apontando suas metralhadoras giratórias carregadas de palavras de ódio (“safados”, “chamem o dentista”, “vão mentir aos quintos”), sentados em suas bancadas e garantindo o salário no fim do mês.

Abelhas usam “piloto automático biológico”

Sistema de aterrissagem avançado
As abelhas possuem uma espécie de piloto automático biológico que permite à espécie aterrissar sem problemas, concluiu um estudo divulgado nesta terça-feira na Austrália, que analisou essa habilidade nos insetos com o objetivo desenvolver novos sistemas de aterrissagem em robôs aéreos. O neurocientista australiano Mandyam Srinivasan, da Universidade de Queensland, e sua equipe analisaram a habilidade de aterrissar com precisão das abelhas, que têm um cérebro do tamanho de uma semente de gergelim e não possuem visão binocular. De acordo com a emissora local ABC, os cientistas utilizaram câmeras de alta velocidade para gravar as aterrissagens das abelhas em suas colmeias e posteriormente calcular as diferentes velocidades utilizadas em pontos distintos da trajetória aérea.

Srinivasan explicou que quando uma pessoa vai em direção a um objeto, ele vai se parecendo maior. E quando o movimento de aproximação é feito a um ritmo constante, o objeto vai aumentando a uma velocidade cada vez maior e em um ritmo exponencial conforme se aproxima do objeto. Porém, as abelhas não permitem que isso aconteça porque ajustam a velocidade reduzindo-a à medida que se aproximam do objeto e fazem com que a velocidade seja proporcional à distância do ponto de aterrissagem, explicou a ABC.

“E se a distância é duplicada, as abelhas aumentam na mesma proporção sua velocidade de aproximação”, acrescentou o cientista ao enfatizar que esse mecanismo de regulação é como um “belo piloto automático”.

Além disso, os cientistas utilizaram também uma pista de aterrissagem com o design de uma espiral giratória para alterar a impressão do tamanho do objeto de acordo com o ângulo de aterrissagem, o que em alguns casos fez com que as abelhas freassem ou acelerassem até cair na superfície.

Atualmente, Srinivasan e seus colegas tentam aplicar esses conhecimentos para desenvolver sistemas de aterrissagens para aparelhos voadores autônomos que não dependam de radares ou sonares.


Nota do blog Criacionista Consciente: “Imagine se uma pessoa, ao visitar a Embraer e ver os testes de pousos e decolagens de uma aeronave, chegasse até um engenheiro e exclamasse: ‘Incrível como essa aeronave e todo o seu aparato sofisticado, como o piloto automático, evoluíram ao longo de milhões de anos pelo acaso e pela seleção natural!’ Certamente o engenheiro pensaria que a pessoa estivesse com problemas mentais. O que dizer, então, da origem das abelhas com seus sistemas muito mais sofisticados e eficazes que uma máquina feita pelo homem, como no caso do referido ‘piloto automático biológico’? Será mesmo que o suposto empilhamento de novas informações genéticas feitas por mecanismos da seleção natural teria dado às abelhas essa ‘mãozinha’ nos pousos? Se é difícil explicar até mesmo como teriam surgido novas informações genéticas boas e os mecanismos de aprimoramento, o que diremos, pois, quanto aos supostos ancestrais das abelhas modernas terem vivido sem recursos tão importantes ao voo como esse ‘AP’ a bordo? Do contrário, as abelhas se chocariam constantemente com as superfícies de pouso, em lugar de realizar um pouso suave, podendo danificar suas asas. É mais racional entender que as abelhas foram criadas com todos os sistemas que possuem e que são essenciais a um voo seguro. Deus é fantástico em Suas criações, não acha?”

quarta-feira, outubro 30, 2013

Cérebro está repleto de microcomputadores

Dendritos realizam cálculos 
Neurocientistas da Universidade da Carolina do Norte (EUA) descobriram que os dendritos, extensões semelhantes a ramos no início de neurônios que aumentam a área de superfície do corpo celular, fazem mais do que apenas fornecer “fiação” ao cérebro. Esses conectores de células nervosas também processam informações, essencialmente funcionando como computadores minúsculos. Isso sugere que o cérebro humano possui mais poder de computação do que supúnhamos antes. “De repente, é como se o poder de processamento do cérebro fosse muito maior do que tínhamos pensado originalmente”, observou Spencer Smith, um dos autores do estudo. “Imagine que você faça engenharia reversa de um pedaço de tecnologia alienígena, e o que você pensava que era fiação simples acaba por ser transistores que computam informações.”

Dendritos são pequenos prolongamentos que recebem informações de outros neurônios e transmitem estimulação elétrica para o corpo celular. Agora, cientistas estão aprendendo que essa não é toda a extensão da função dendrítica. Ou seja, eles fazem mais do que apenas transferir informações: também as processam ativamente, o que multiplica o poder de computação do cérebro.

Estudos anteriores mostraram que os dendritos usavam certas moléculas para gerar autonomamente picos elétricos. Mas os cientistas não tinham certeza se esses picos eram simplesmente o resultado da atividade cerebral normal.

Em um esforço para entender melhor o que estava acontecendo, pesquisadores usaram técnicas de eletrofisiologia para “ouvir” os processos de sinalização elétrica de dendritos no cérebro de camundongos. Eles anexaram delicadamente um eletrodo microscópico aos neurônios de ratos, e, depois de diversas tentativas e erros, conseguiram obter gravações elétricas de dentro do cérebro dos animais anestesiados e conscientes.

Conforme os ratos assistiam informação visual em uma tela de computador, os pesquisadores registraram estranhos padrões de sinais elétricos provenientes dos dendritos. Eles perceberam que os picos elétricos eram seletivos e dependiam do estímulo visual, uma indicação de que os dendritos estavam processando informações sobre o que os ratos estavam vendo.

Após o desenvolvimento de uma técnica de visualização, os pesquisadores observaram que os dendritos emitiram picos enquanto outras partes dos neurônios não fizeram isso, o que significava que era o resultado de processamento local. Modelos matemáticos subsequentes validaram essa interpretação.

“Todos os dados apontam para a mesma conclusão”, disse Smith. “Dendritos não são integradores passivos de estímulos sensoriais, eles parecem ser uma unidade computacional em si.”

Aparentemente, picos dendríticos acionados por informações visuais contribuem para algum tipo de computação fundamental no córtex visual. Ou seja, podem ser um componente essencial de cálculos comportamentalmente relevantes nos neurônios.


Nota: Quanto mais avançam as pesquisas sobre as complexidades da vida, mais os cientistas ficam estupefatos. Logo agora que os pesquisadores estavam se gabando de conseguir simular em muito pequena escala o funcionamento de um cérebro de rato... Ficou tudo mais difícil, já que se percebeu que a capacidade de processamento do cérebro é muito maior do que se supunha. Muito interessante esta frase de Smith: “Imagine que você faça engenharia reversa de um pedaço de tecnologia alienígena, e o que você pensava que era fiação simples acaba por ser transistores que computam informações.” Por que, nesse caso, a análise de determinada tecnologia deveria apontar para seres alienígenas e não para o acaso cego dos processos evolutivos? E quando fazem “engenharia reversa” do tremendamente complexo cérebro humano, por que os cientistas não chegam à mesma conclusão – de que uma “inteligência alienígena” projetou os seres vivos? [MB]

Linhagem de tubarões sobreviveu à Grande Extinção

Concepção artística de cladodonte
Uma linhagem de pequenos tubarões pré-históricos [sic], que acreditava-se que tivesse desaparecido na Grande Extinção, ocorrida há 250 milhões de anos [segundo a cronologia evolucionista], pode ter sobrevivido outros 120 milhões de anos [idem], sugere estudo publicado no periódico Nature Communications. Cientistas encontraram amostras fósseis de seus minúsculos dentes nas proximidades de Montpellier, na França e, com isso, conseguiram verificar que os tubarões teriam vivido após a calamidade escondendo-se em mares profundos. A estranha criatura não tinha mais que 30 centímetros de comprimento e provavelmente ostentava uma protusão similar a um gancho no lugar da barbatana dorsal. A pior extinção em massa que o planeta viveu acabou com 95% das espécies marinhas e 70% das terrestres no final do período Permiano, quando se acredita que a Terra tivesse um único continente cercado por um único oceano. Entre as explicações para a catástrofe estão o impacto de um asteroide que sufocou o planeta em uma nuvem de poeira que ocultou o sol e fez a vegetação secar ou um período de intensa atividade vulcânica que causou uma mistura letal de chuva ácida e aquecimento global.

Entre as criaturas que se acredita terem desaparecido nesse evento estavam os tubarões com dentição cladodonte, parentes distantes dos tubarões modernos, que tinham mandíbulas com várias fileiras de dentes minúsculos e afiados. Mas, agora, uma equipe de cientistas do Museu Natural de Genebra e da Universidade de Montpellier, na França, encontrou seis dentes desse tipo, que datam do período Cretáceo inferior em sedimentos, perto dessa cidade do sul francês. Essa área pode ter ficado submersa durante esse período da história do planeta.

Os dentes, com menos de dois milímetros, eram de diferentes espécies do tipo cladodontes, agora extintos, que viveram há 135 milhões de anos atrás [idem]. “Nossas descobertas mostram que essa linhagem sobreviveu a extinções em massa, mais provavelmente, por buscar refúgio no fundo do mar durante eventos catastróficos”, destacou o estudo.


Nota: Extinção em massa na terra e na água; um único continente; impactos de meteoritos; atividade vulcânica sem precedentes e sem igual em anos posteriores; evidência de área submersa; preservação de fósseis. Com exceção das datas mirabolantes, esses eventos estão todos previstos na teoria diluviana apresentada na Bíblia. Mais um detalhe: mesmo há tantos supostos milhões de anos, o tubarão já era tubarão. [MB]

Suécia sem palmadas sofre com crianças mimadas

Marie Märestad, o marido e as filhas
A Suécia, primeira nação do mundo a proibir as palmadas na educação das crianças, se pergunta agora se não foi longe demais e criou uma geração de pequenos tiranos. “De certa forma, as crianças na Suécia são extremamente mal educadas”, afirma à AFP David Eberhard, psiquiatra e pai de seis filhos. “Eles gritam quando adultos conversam à mesa, interrompem as conversas sem parar e exigem o mesmo tratamento que os adultos”, ressalta. O livro Como as Crianças Chegaram ao Poder, escrito por Eberhard, explica porque a proibição das punições físicas – incorporada de forma pioneira ao código penal da Suécia em 1979 – levou, pouco a pouco, a uma interdição de qualquer forma de correção das crianças. “É óbvio que é preciso escutar as crianças, mas na Suécia isso já foi longe demais. São elas que decidem tudo nas famílias: quando ir para a cama, o que comer, para onde ir nas férias, até qual canal de televisão assistir”, avalia ele, considerando que as crianças suecas são mal preparadas para a vida adulta.

“Nós vemos muitos jovens que estão decepcionados com a vida: suas expectativas são muito altas e a vida se mostra mais difícil do que o esperado por eles. Isso se manifesta em distúrbios de ansiedade e gestos de autodestruição, que aumentaram de maneira espetacular na Suécia”, diz o psiquiatra. [Continue lendo.]

terça-feira, outubro 29, 2013

Quando evolucionismo e espiritismo convergem

Charles Darwin e Allan Kardec
Sempre tenho dito que evolucionismo e espiritismo têm tudo a ver, afinal, ambos pregam que o ser humano está fadado a evoluir (biológica ou espiritualmente) e ambos dispensam a redenção, pois a história da criação em Gênesis é considerada um mito e, portanto, pecado não existe (leia mais aqui). Recentemente, o jornal Minuano publicou um texto de José Artur M. Maruri dos Santos, colaborador da União Espírita Bageense, que confirma “minha tese” de que espíritas são evolucionistas teístas e ambas as ideias, de fato, convergem em certos aspectos. Segundo Artur, “as questões colocadas pelas teorias evolucionista e criacionista também foram objeto de estudo de Allan Kardec. E suas dúvidas foram levadas aos Espíritos [a letra maiúscula em ‘espíritos’ está lá no texto dele], o que pode ser acompanhado na obra O Livro dos Espíritos”.

E o texto continua: “Kardec explica na questão 37 de O Livro dos Espíritos que ‘diz-nos a razão não ser possível que o Universo se tenha feito a si mesmo e que, não podendo também ser obra do acaso, há de ser obra de Deus’. Nessa linha, os Espíritos relatam nas questões seguintes, 43 e 44, que ‘no começo tudo era caos, os elementos estavam em confusão. Pouco a pouco cada coisa tomou o seu lugar. Apareceram então os seres vivos apropriados ao estado do globo, pois a Terra lhes continha os germens que aguardavam momento favorável para se desenvolverem. Os princípios orgânicos se congregaram, desde que cessou a atuação da força que os mantinha afastados, e formaram os germens de todos os seres vivos. [...] Os germens estavam em estado latente’.

“Mas de onde vieram tais germens?” – pergunta Artur – “Segundo a mesma plêiade de Espíritos Iluminados, respondendo à questão 45, eles achavam-se em estado de fluido no Espaço, no meio dos Espíritos, ou em outros planetas, à espera da criação da Terra para começarem existência nova em novo globo. Deve ser ressalvado que as respostas dadas pelos Espíritos já datam de mais um século e meio! [Note como os espíritas ajudam a respaldar, também, a teoria da panspermia cósmica.]

Segundo a escritora Ellen White, no livro O Grande Conflito, os dois grandes enganos que tomarão conta da humanidade são a observância do domingo como suposto dia de descanso e a suposta imortalidade da alma. E evolucionismo e o espiritismo de mãos dadas ajudam a promover de uma vez só ambos os erros. Se a história da criação segundo a Bíblia fosse um mito, de fato, a observância do sábado como memorial dessa criação não faria sentido. Mas, conforme indica um estudo atento da Bíblia, todos os patriarcas, os profetas, Jesus e Seus seguidores próximos guardaram o sábado e creram na literalidade/historicidade de eventos como a criação e o dilúvio e de personagens como Adão, Eva e Noé.

De modo semelhante, se o relato dos primeiros capítulos da Bíblia não é histórico, a mentira original do inimigo de Deus (“certamente não morrereis”) está num contexto mítico e não precisa ser levada a sério. Daí a ideia de que os seres humanos são inerentemente imortais, independentemente de Deus, aquele que unicamente lhes pode conceder a imortalidade.

Creio que você já deve ter percebido que, aos poucos, o mundo vai se polarizando entre aqueles que, de um lado, creem em doutrinas humanas (ou “espíritas”), filosofias e ideologias e, de outro, aqueles que sustentam a credibilidade bíblica e se pautam pela Palavra de Deus. De que lado você quer estar? [MB]

domingo, outubro 27, 2013

Deus existe? Testemunho da Dra. Wanessa Machado

Anos de busca e, por fim, a paz
A fé em Deus pode ser alcançada de diferentes maneiras. Algumas pessoas já nascem com ela. Outras se tornam crentes pelo testemunho de colegas, amigos, celebridades. Algumas pessoas presenciam acontecimentos ou até têm revelações que as levam a crer em Deus. Outras pessoas, como eu, só conseguem alcançar a fé através do estudo, da lógica e da razão. Eu faço parte desse último grupo de pessoas. Fui criada em uma família católica e aprendi desde cedo a acreditar em Deus. No entanto, talvez por conhecer maus cristãos, ou por ser muito curiosa, estudar e ler muito (provavelmente as duas coisas), aos poucos fui perdendo a minha fé em Deus. Por outro lado, eu nunca me contentei com as explicações evolucionistas que aprendi na escola sobre as questões elementares da vida. De onde viemos, para onde vamos, como tudo o que conhecemos surgiu. Vivi, pois, durante muitos anos, em um conflito interno solitário e silencioso.

E o mais engraçado é que esse pensamento me acompanhava desde a infância, desde muito cedo mesmo. Me lembro da primeira vez que eu descobri o que é a morte. O fim da minha vida aqui na Terra. O fim do meu eu, de tudo o que eu era. Eu tinha por volta de cinco, seis anos, não sei ao certo. Mas desde então o mundo mudou para mim.

Às vezes, eu sentia um vazio enorme dentro de mim, diante da cruel realidade de que minha vida era insignificante e nula, breve como um piscar de olhos na eternidade. E que após esse piscar de olhos eu não mais existiria, para todo o sempre. Com sorte seria lembrada por filhos e netos. E só. Em duas ou três gerações já não mais se lembrariam do meu nome completo e com mais alguns anos, se eu tivesse sorte, a única coisa que restaria de mim seria algum registro histórico e nada mais.

Eu me apagaria para sempre. E o mais aterrorizante, isso aconteceria também com as pessoas que eu mais amava. E com o tempo, com o planeta e com todo o Universo. E tudo voltaria a ser o vazio e o nada que fora um dia.

Esse sentimento era tão atordoante que não raras vezes eu me perguntava: Por quê? Por que isso foi acontecer? Tão melhor seria se nada tivesse existido, nunca. De que adianta existir todo este Universo se ele veio do nada e para o nada irá voltar?

No fim da minha infância e início da adolescência, comecei a desacreditar da religião ainda com mais vigor. No começo, sentia muita culpa por não mais crer em Deus. Era um sentimento confuso, constrangedor, pois se eu não acreditava em mais nada, contra quem eu estaria pecando?

Mas essa culpa foi se atenuando a cada dia. Eu me tornei adulta e com o passar dos dias, meses e anos, fui me acostumando com o fato de não acreditar em nada. Sempre ficava, porém, aquele vazio lá no fundo, aquela saudade da época em que eu era criança e o mundo parecia mais rico e colorido, e eu nunca estava sozinha.

Com o tempo, fui me ocupando com os afazeres do dia a dia e deixando essas questões um pouco de lado. Quanto mais avançava em minha vida acadêmica mais ateísta eu me tornava. Já quando cursava meu mestrado na Unicamp, uma das melhores universidades públicas do Brasil, comecei a perceber um vasto abismo que separava pessoas religiosas de pessoas, digamos, inteligentes e racionais, que liam e se informavam, que tinham uma boa relação com a ciência. Pra mim, o conflito entre ciência e religião estava cada vez mais evidente. Eu acompanhava de perto todos os avanços da ciência, acreditava muito na autoridade daqueles que eu imaginava serem os porta-vozes da verdade. E fui me acostumando com a ideia de que eu teria que me contentar com as explicações toscas que eu recebia da mídia convencional acerca da origem da vida e do Universo.

Mas, como mencionei acima, sempre fui muito curiosa, muito estudiosa e sempre adorei pesquisar sobre todos os assuntos. Decidi que eu queria saber a verdade sobre Deus, mesmo que a resposta correta fosse me desagradar. Não queria viver pela metade, sem acreditar em Deus, mas também sem acreditar na geração espontânea e toda a historia dos meus livros de ciência. Decidi de uma vez por todas: “Quero saber a verdade, mesmo que isso me faça muito triste.”

Mas como descrobrir a verdade? Já que a questão “Deus existe?” nunca tinha sido respondida antes, pelo menos não satisfatoriamente, no meu ponto de vista, nem por cientistas nem por religiosos.

Nessa época eu já estava quase terminando meu doutorado. Comecei a pesquisar com a ajuda da internet vários sites de notícias e blogs, de físicos, psicólogos, religiosos. Todos defendiam o seu lado, o seu ponto de vista, talvez todos cegos pelos seus próprios argumentos bestas e sem sentido. E ninguém conseguia me responder o que eu procurava.

Foi quando por acaso li a manchete de uma notícia da Folha: “Por que duvidam da evolução?” Pensei na hora: “Poxa, isso serve para mim!” Cliquei mais do que depressa no link, mas a notícia era apenas para assinantes (naquela época). Então aconteceu o milagre, a inspiração divina, o segundo que me fez alterar o rumo da minha vida toda. Copiei e colei o título da notícia no Google para ver se achava algum comentário a respeito e o primeiro link do Google me levou até o blog do Michelson Borges. Foi um achado. O blog reunia notícias de várias fontes, todas sobre o assunto evolução x criação, e quase sempre trazia um comentário do Michelson.

É claro que a minha, digamos, conversão, não ocorreu somente por causa dessa notícia. Levou ainda muito tempo para que eu pudesse finalmente afirmar para mim mesma: “Deus existe! E Ele me ama!” Mas o site do Michelson foi a porta de entrada, o início de uma linha de pesquisa que eu trilhei para encontrar a minha fé em Deus. Tempo depois troquei algumas mensagens com o Michelson, que me indicou excelentes livros. Concomitantemente, comecei a seguir as publicações de Olavo de Carvalho, Reinaldo Azevedo e outros jornalistas e cientistas cristãos.

Hoje me sinto feliz e em paz, de verdade. Sei que minha busca foi orientada por Deus, mas me sinto grata por aqueles que foram o Seu veículo para que eu encontrasse Deus em mim. Quero deixar o meu testemunho como um marco, não do fim, mas do início de uma nova vida e de um novo trabalho. Assim como fui gentilmente guiada por aqueles que trilharam o mesmo caminho que eu, antes de mim, quero que meus atos e palavras sejam testemunhos para que, quem sabe, eu possa ajudar as pessoas como eu a também se encontrarem com Deus.

O site do Michelson tem várias dicas de livros (inclusive alguns de sua autoria). Mas de todos os livros que eu li e que me fizeram acreditar, cito o livro Em guarda, de William Lane Craig. Além do livro, os vídeos do autor na internet, com suas palestras e debates com escritores ateus (sim, isso existe fora do Brasil!) estão disponíveis no YouTube.

(Wanessa Machado, mestre e doutora em Engenharia da Computação pela Faculdade de Engenharia Elétrica da Unicamp. Atualmente leciona no Instituto Federal de São Paulo, campus Piracicaba)

sábado, outubro 26, 2013

Deus fora da Unicamp

O arqueólogo Rodrigo Silva (à esq.), um dos palestrantes do evento cancelado, 
e o físico Leandro Tessler, que mobilizou acadêmicos contra o Fórum

Marcado para a quinta-feira 17, o “1° Fórum de Filosofia e Ciência das Origens”, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foi cancelado na véspera, sob uma enxurrada de e-mails indignados de professores da própria instituição de ensino, uma das mais respeitadas do País. O motivo? Os cinco convidados a falar sobre filosofia e ciência eram nomes ligados ao “criacionismo científico”, que nega a teoria da evolução de Charles Darwin, mas, ainda assim, busca evidências científicas para desvendar o universo – sem contradizer a existência de Deus ou os preceitos da Bíblia. “Que façam isso numa igreja”, disse o professor de física Leandro Tessler. “É embaraçoso dar credibilidade a esse tipo de doutrina não científica.” Seu blog chamou a atenção de outros professores. A pró-reitoria, que havia dado aval ao evento, recuou. O físico americano Russell Humphreys, convidado internacional, já tinha passagem comprada. Veio então a resposta dos palestrantes.“Fomos boicotados por um grupo de professores ateus”, afirma o professor de arqueologia Rodrigo Silva, da Universidade Adventista de São Paulo (Unasp). “Hoje, quem discorda de Darwin é queimado na fogueira.”

Em nota oficial, a Unicamp justificou o cancelamento dizendo que “faltavam integrantes que pudessem debater o tema sob todos os pontos de vista”. Além de Silva e Humphreys, o fórum também teria a presença de um geólogo, um jornalista e um bioquímico, Marcos Eberlin, o único pertencente aos quadros da Universidade. Após a polêmica, Eberlin escreveu em um blog [criacionismo.com.br]: “É interessante notar que, em uma universidade pública, pessoas que se autointitulam ‘guardiões do saber’ cancelem palestras”. Outro que reclamou à reitoria, o professor de matemática Samuel Oliveira, negou a “orquestração” de um “lobby ateu” nos bastidores. “Criacionistas não têm formação para falar de ciência”, diz.

A “batalha da fé” em uma faculdade como a Unicamp, reconhecida pela qualidade da pesquisa científica, chama a atenção. Mas esse tipo de conflito não é novidade no meio acadêmico. Em 2008, depois de uma série de reclamações, a Universidade Federal de São Carlos (SP) cancelou uma palestra do físico Adauto Lourenço sobre “criacionismo e teoria da evolução”. Em 2007, o bioquímico americano Fazale Rana esteve na mesma Unicamp para falar de “design inteligente”, linha de pensamento que atribui a um criador a existência da vida na Terra. Professores conseguiram retirar o logo da universidade dos cartazes da palestra de Rana, mas não impediram a conferência.


Nota: Essa matéria publicada na IstoÉ é precisa quanto à descrição dos fatos. Faço apenas uma ressalva quanto ao subtítulo "Grupo de ateus impede que evento religioso [sic] com especialista dos EUA se realize na universidade e dificulta o debate acadêmico": o evento não era "religioso", conforme expliquei aqui. [MB]

sexta-feira, outubro 25, 2013

Modernidade real e imaginária

Olavo de Carvalho
A história das origens da modernidade está entremeada de mitos e lendas que os historiadores já demoliram faz tempo, mas que constituem ainda a substância do que se transmite a respeito nas escolas, na mídia e no show business. Tão forte é a impregnação dessas balelas na mente popular – incluída aí a classe dos cientistas profissionais sem especial cultura histórica –, que a simples iniciativa de informar ao público o estado atual das pesquisas historiográficas sobre aquele período é recebida com ataques apopléticos e ainda acusada de ser uma tentativa maligna de “desmoralizar a ciência” em nome de algum “fundamentalismo religioso”. Que essas reações sejam elas mesmas fundamentalistas no mais alto grau, é algo cuja evidência salta aos olhos e não necessita de nenhuma prova suplementar. A fé na “ciência” como fonte de toda autoridade é um dogma inabalável até mesmo entre os que se impregnaram de desconstrucionismo na universidade e teriam todas as razões para abandoná-la por completo. 

É que aí não se trata da ciência no sentido efetivo, seja do método experimental, seja, mais genericamente, da busca sistemática do conhecimento, e sim de um símbolo aglutinador destinado a infundir um senso de identidade e autoconfiança nos grupos sociais empenhados em espalhar a ideologia do anticristianismo militante. 

Desses grupos não se pode esperar nem um mínimo de racionalidade, mas sim o uso descarado de rotulagens pejorativas e, em casos extremos, o apelo à intervenção da autoridade policial.

Um daqueles mitos é que o advento da ciência moderna substituiu, ao puro raciocínio silogístico, o método indutivo. Joseph de Maistre demonstrou a completa absurdidade dessa alegação no seu Exame da Filosofia de Bacon, obra póstuma publicada em 1836, mas ninguém lhe prestou muita atenção, porque de Maistre, um esquisitão de marca, tinha a especial capacidade de desagradar aos maçons e progressistas por ser católico e aos católicos por ser maçom. 

David Hume, sem tocar na questão histórica, já havia feito picadinho das pretensões da indução, mas, como não colocava nada no lugar dela, foi recebido com desconversas piedosas da parte daqueles que, sem ela, se sentiam nus e desamparados. Foi só no século 20 que, juntas, a confiança na indução e o empenho de fazer dela a marca distintiva da ciência moderna foram sepultados de vez no melhor livro de Sir Karl Popper, A Lógica da Pesquisa Científica (1934), onde ele demonstrou que a indução nada vale sem um raciocínio silogístico prévio que a sustente, que portanto o método da ciência era ainda, no fundo, o bom e velho silogismo analítico de Aristóteles. 

Mas, popularmente, o mito continua vivo e passa bem, e não só se mostra duro de matar como alimenta e reforça, por contágio, a subsistência de outros tantos mitos irmãos e congêneres, que às vezes saltam as fronteiras da cultura de massas e penetram nas altas esferas do pensamento. 

No seu estudo sobre Bacon em On Modern Origins: Essays in Early Modern Philosophy (Lexington Books, 2004), Richard Kennington falha à sua habitual competência ao escrever esta monstruosidade: “A filosofia e a ciência pré-modernas... não produziram nenhuma tecnologia significativa. Ao contrário, os expoentes do racionalismo no século 17 – Bacon, Descartes, Hobbes e Locke – são unânimes em declarar que ele pretende dominar a natureza, e portanto criar uma ‘infinidade de artifícios’, para usar a expressão de Descartes, que vão aliviar a condição humana. Seguramente, pode-se dizer que a razão, na sua formulação pós-cartesiana, cumpriu sua promessa.”

A escolha desses pioneiros da tecnologia não poderia ter sido pior. John Locke não fez descoberta nenhuma nas ciências físicas, Hobbes criou uma série de teorias falsas que só são úteis para a comunidade dos humoristas, e Bacon, do qual se pode também dizer coisa idêntica, acabou demonstrando completa ignorância e incompreensão até mesmo da ciência existente no seu tempo, da qual ele fala com o desprezo característico do apedeuta presunçoso. 

Thomas Bodley, o fundador da célebre biblioteca de Oxford, escreveu-lhe a respeito: “Não posso compreender as vossas queixas. Jamais se viu mais ardor pelas ciências do que nos nossos dias. Censurais aos homens o negligenciar as experiências, e no globo inteiro não se fazem senão experiências.”

Dos quatro, só Descartes fez alguma coisa pelo progresso da tecnologia, sobretudo com a criação da geometria analítica, mas, no campo estrito das matemáticas, não se pode dizer que tenha superado espetacularmente seus antecessores Viète, Kepler, Galileu, Tycho de Brahe e tantos outros. 

É também um tanto ridículo depreciar a tecnologia pré-moderna diante das prodigiosas realizações da arquitetura gótica ou diante do fato de que até hoje a ciência do Egito antigo espanta e desnorteia os investigadores. Mais inexplicável ainda, nessa perspectiva, é que toda a fundamentação teórica da moderna economia capitalista já estivesse pronta entre os escolásticos, alegadamente os piores inimigos da modernidade, dois séculos antes que Adam Smith arranhasse as primeiras noções a respeito. 

A relação de causa-e-efeito entre a filosofia racionalista e o progresso tecnológico parece cada vez mais evanescente e subsiste antes como slogan de propaganda do que como realidade histórica. O mais curioso, para não dizer doentio, é que esse slogan seja brandido como arma até mesmo pelos mais ferozes antirracionalistas, como os discípulos de Nietzsche, de Paul Feyerabend ou de Jacques Derrida. Sepultaram a modernidade, mas não cessam de invocar o seu fantasma para assustar cristãos.

(Olavo de Carvalho, Diário do Comércio, 9 de outubro de 2013)

quinta-feira, outubro 24, 2013

Falam de complexidade irredutível mas não citam Behe

Michael Behe
“The existence of complex (multiple-step) genetic adaptations that are ‘irreducible’ (i.e., all partial combinations are less fit than the original genotype) is one of the longest standing problems in evolutionary biology. In standard genetics parlance, these adaptations require the crossing of a wide adaptive valley of deleterious intermediate stages. Here we demonstrate, using a simple model, that evolution can cross wide valleys to produce ‘irreducibly complex’ adaptations by making use of previously cryptic mutations. When revealed by an evolutionary capacitor, previously cryptic mutants have higher initial frequencies than do new mutations, bringing them closer to a valley-crossing saddle in allele frequency space. Moreover, simple combinatorics imply an enormous number of candidate combinations exist within available cryptic genetic variation. We model the dynamics of crossing of a wide adaptive valley after a capacitance event using both numerical simulations and analytical approximations. Although individual valley crossing events become less likely as valleys widen, by taking the combinatorics of genotype space into account, we see that revealing cryptic variation can cause the frequent evolution of complex adaptations. This finding also effectively dismantles ‘irreducible complexity’ as an argument against evolution by providing a general mechanism for crossing wide adaptive valleys.”

Subjects: Populations and Evolution (q-bio.PE) Cite as: arXiv:1310.6077 [q-bio.PE] (or arXiv:1310.6077v1 [q-bio.PE] for this version) Submission history. From: Meredith Trotter [view email] [v1] Tue, 22 Oct 2013 23:34:57 GMT (989kb). PDF grátis: ArXiv

Nota do blog Desafiando a Nomenklatura Científica: “Repare que esse artigo que afirma ter desmantelado o conceito de ‘complexidade irredutível’, como argumento contra a evolução gradualista darwinista, nenhuma vez cita Michael Behe. NOTA BENE: NENHUMA VEZ! A não ser pejorativamente - intelligent design lobby! Ora, se é lobby, como que você se propõe demonstrar cientificamente falsa a tese do Design Inteligente se você não cita um trabalho do seu oponente? Estranho esse comportamento dos autores. Todavia, nessa tentativa de falsificar a tese do Design Inteligente, em termos popperianos, esses autores estão confirmando que a tese do DI é uma tese científica, pois se sujeita à falsificação/falseamento. Mas não citar quem trouxe para o centro da discussão científica a complexidade irredutível de sistemas biológicos é CENSURA DITATORIAL da Nomenklatura que não vê, não ouve nem fala em Design Inteligente. Só quando lhe convém! Ah, adaptação não explica a macroevolução - um Australopithecus afarensis se transmutar em antropólogo amazonense... E, sem isso, Darwin continua blefando teoricamente... Torquemadas pós-modernos, chiques e perfumados a la Dawkins... Pobre ciência...”

Cientistas desconhecem origem evolucionária dos dinos


“As origens evolucionárias do dinossauro, por exemplo, ainda são um mistério. Pesquisadores estão tentando avidamente determinar como esses reis do período Cretáceo (que se estendeu por [supostos] 145 a 66 milhões de anos atrás) surgiram de uma linha de dinossauros pequeninos durante o período Jurássico (201 a 145 milhões de anos atrás [idem]).”

Biólogos se surpreendem com estrutura de formigueiro


Quando você avistou um formigueiro em um terreno, já teve a curiosidade de saber como ele é por dentro? Pois essa também era uma das dúvidas de alguns biólogos, que resolveram fazer uma experiência surpreendente a fim de descobrir como eram essas colônias subterrâneas. Primeiro, uma pesquisa de campo vasculhou onde teria um formigueiro para realizar os estudos sem prejudicar o ecossistema das formigas. Feito isso, eles partiram para a experiência. Para isso, eles encheram o local com bastante cimento (numa forma mais líquida) durante três dias. Foram cerca de 10 toneladas de cimento usadas para essa ação e ele desaparecia totalmente no decorrer do processo, tamanha era a extensão dos túneis do formigueiro.

Depois de um mês, eles começaram uma escavação e o que foi surgindo nas semanas seguintes era de um visual fantástico: uma megalópole das formigas com estruturas perfeitas e minuciosas formadas pelo cimento, que esculpiu a cidade-formigueiro. Tudo construído pela organização impressionante das formigas. Confira no vídeo acima.

Reviravolta na origem dos peixes (outra)

Mais uma hipótese que muda
Uma questão que tem recebido bastante atenção dos paleontólogos é a origem de um grupo de vertebrados que alcançou um sucesso muito grande ao longo de sua história evolutiva. Trata-se dos gnatostomados, animais que possuem as arcadas superior e inferior bem individualizadas. Esse interesse dos cientistas não é para menos. Basta olhar ao redor para encontrar um integrante dos Gnathostomata. Peixes – desde os tubarões e raias até os ósseos –, aves, anfíbios, lagartos e mamíferos, incluindo a nossa própria espécie (Homo sapiens), todos pertencemos a esse agrupamento. Pensando apenas nos peixes cartilaginosos e nos peixes ósseos, havia uma teoria que acabou ficando enraizada na mente dos pesquisadores. Acreditava-se [acreditava-se, mas falava-se como se fosse fato] que o ancestral desses gnatostomados deveria ter sido predominantemente cartilaginoso e ter tido um aspecto geral bem semelhante ao dos tubarões.

Com isso, veio a noção de que diversas características dos peixes ósseos, como a existência de placas ósseas na cabeça e nas arcadas dentárias, formariam um conjunto de novidades evolutivas. Devido à falta dessas características, os peixes cartilaginosos como o tubarão seriam formas muito primitivas. Mas uma descoberta feita por Min Zhu (Institute of Vertebrate Paleontology and Paleoanthropology, Pequim) e colaboradores publicada com destaque na Nature mostra que talvez não tenha sido bem assim.

Sempre que enfocamos um grupo muito diversificado e que possui uma história geológica bem antiga, acabamos esbarrando em um monte de termos e nomes de agrupamentos que não fazem parte do nosso cotidiano, nem mesmo o de muitos pesquisadores. O caso dos Gnathostomata é assim: há diversas espécies e grupos extintos que a maioria das pessoas nunca ouviu falar.

De uma forma simplificada, os gnatostomados são divididos em quatro grupos principais. Os mais conhecidos e que possuem representantes atuais são os Chondrichthyes, onde são classificados os tubarões, as raias e as quimeras, e os Osteichthyes, que são os peixes ósseos – além, é claro, dos tetrápodes (animais com quatro membros). Também fazem parte dos Gnathostomata os placodermos, que são peixes com uma armadura óssea bem típica, e os Acanthodii, peixes cujo crânio e as arcadas dentárias são formados por dezenas de pequenas placas ósseas.

Quanto aos peixes, as relações de parentesco tradicionais apresentavam os placodermos na base, seguidos pelos acantódeos, depois pelos tubarões e formas aparentadas, e, finalizando, pelos peixes ósseos. Dessa forma, segundo essa teoria, as placas dérmicas encontradas nos placodermos não seriam as mesmas presentes nos peixes ósseos. Assim, primeiro teriam surgido os placodermos com placas ósseas que vieram a ser perdidas nos acantódeos e novamente adquiridas pelos peixes ósseos de forma independente. Uma das conclusões dessa hipótese é que os peixes cartilaginosos seriam formas muito primitivas.

Já há alguns anos, Min Zhu e colegas trabalham coletando fósseis na região de Yunnan, na China, mais especificamente em depósitos da Formação Kuanti. Essas rochas representam um mar que existia na região há 419 milhões de anos [segundo a cronologia evolucionista], um tempo que chamamos de Siluriano. Essas camadas já revelaram muitos fósseis importantes, incluindo os mais antigos peixes ósseos, que também foram estudados pela equipe de Min Zhu em outro trabalho publicado na Nature.

Entre o material coletado estavam alguns exemplares que Min Zhu e colegas denominaram de Entelognathus primordialis. Após um primeiro olhar no crânio dessa espécie, se tem a nítida impressão de que se trata de um placodermo, com grandes placas ósseas formando uma armadura bem típica do grupo. Como o material é muito completo, o achado por si só já seria digno de destaque, particularmente quando se pensa na idade bem antiga das rochas [lembra-se do velho pensamento circular? Os peixes são antigos porque as rochas em que estão são antigas; e as rochas são antigas porque contêm esses peixes antigos].

Porém, a surpresa maior vem quando se observa a parte lateral da cabeça de Entelognathus. Ao contrário das grandes placas da arcada inferior típica dos placodermos, a nova espécie apresenta placas menores totalmente integradas com outros ossos da face lateral do crânio, bem parecidas com o que se observa nos peixes ósseos. Ou seja: o Entelognathus tinha a cabeça de um placodermo e as arcadas dentárias de um Osteichthyes, algo totalmente inesperado.

O impacto da descoberta sobre o entendimento da evolução dos peixes gnatostomados é tremendo. Primeiramente, a relação de parentesco estabelecida no estudo de Min Zhu e colegas demonstra que os acantódeos não estão mais na base da evolução dos peixes, mas sim proximamente relacionados aos tubarões e demais peixes cartilaginosos.

A posição basal de Entelognathus e o estabelecimento de que pelo menos algumas placas ósseas dos placodermos eram compartilhadas pelos Osteichthyes necessariamente leva à conclusão de que, na realidade, o ancestral dos gnatostomados não deveria ter um aspecto similar ao do tubarão, mas sim ter sido revestido por placas ósseas que foram perdidas ao longo do tempo nos peixes cartilaginosos. Ou seja, o tubarão passou de um animal mais basal e primitivo para uma forma bastante evoluída.

As consequências do novo achado ainda estão sendo “digeridas” pelos pesquisadores. Muita coisa na história evolutiva dos gnatostomados terá que ser revista. Mas uma coisa é certa: Entelognathus demonstra, mais uma vez, a importância do estudo dos fósseis para tentar entender a evolução e diversificação da vida no nosso planeta [ou seja, as evidências mudam, os golpes vêm, mas a teoria da evolução permanece em pé, sustentada por escoras epistêmicas insistentemente colocadas por seus defensores].

Outro ponto que merece destaque é a constatação de que a China continua surpreendendo o mundo científico com novas descobertas, desde as mais midiáticas, como os dinossauros com penas e outras partes de tecido mole excepcionalmente bem preservadas [o que sugere que foram sepultados de forma instantânea sob água e lama], até peixes e invertebrados de todos os tipos [que catástrofe os teria soterrado?]. Esses resultados figuram nas principais revistas científicas do mundo, como Nature e Science. [...]


Nota: Interessante notar como as hipóteses evolutivas vêm sendo alteradas pela pesquisa de campo, como aconteceu com os “homos” (confira) e agora com os peixes. E alguns ainda têm a pretensão de achar que sabem muito sobre essa estória... [MB]