terça-feira, fevereiro 04, 2014

Engenharia social favorece aceitação do estilo de vida gay

O que se está se passando em Portugal [e não somente lá] com o debate sobre a coadoção revela a anomia cívica da nossa sociedade e, sobretudo, a degradação a que chegou o nosso regime democrático. Um setor ultraminoritário da sociedade, que age como uma seita, impõe arrogantemente suas certezas e insulta e escarnece dos que exprimem opiniões diferentes. O fanatismo heterofóbico dos seus prosélitos os leva a apelidar de “ignorantes”, “trogloditas” ou “homens das cavernas” todos os que ousam pôr em xeque suas certezas. O que se viu no programa Prós e Contras da RTP, na semana passada, foi a atuação de um grupo bem organizado de pessoas lideradas por um fanático que, no intervalo do programa, subiu ao palco e se dirigiu a mim para me dizer que eu estava usando no debate os mesmos métodos que os nazis tinham usado contra os judeus (!). Esse delírio injurioso foi depois retomado em alguns órgãos de comunicação social, blogs e redes sociais, por outras pessoas imbuídas do mesmo fanatismo e da mesma desonestidade intelectual. 

Já, em tempos, uma das próceres da seita, a Dra. Isabel Moreira, me chamara PIDE, para assim “vingar” a atual ministra da Justiça das críticas certeiras que eu lhe dirigia. Afinal, parece que é nazi dizer que o movimento LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) atua como um lobby que influencia os centros de decisão política devido à preponderância que muitos dos seus elementos têm no governo, no parlamento, na comunicação social, nas empresas e nos partidos políticos.

Sublinhe-se que os partidos de Esquerda aprovaram a lei sobre a coadoção exatamente no momento em que o povo está mais preocupado (distraído) com a austeridade que lhe é imposta pelo governo e pelo presidente da República. [Aqui no Brasil os políticos também são especialistas em aproveitar a distração do povo a fim de levar vantagem.]

Foi, portanto, assim, à sorrelfa, com a ajuda cirúrgica da Direita, que se aprovou uma lei que ofende a consciência da esmagadora maioria da população.

O que se viu naquele programa da RTP foram exercícios de manipulação, de intolerância e de vitimização por parte dos defensores dessa lei e quem manifestou opiniões contrárias foi sumariamente apelidado de “ignorante” ou então brindado com estridentes risadas de escárnio. 

Eu próprio fui, no fim do programa, veementemente apelidado de ignorante pelo líder da seita e por algumas histéricas seguidoras que o rodeavam.

O casal de lésbicas que ali foi exibir triunfantemente a gravidez de uma delas e proclamar seu orgulho pelo fato de a futura criança ser órfão de pai é bem o exemplo da heterofobia que domina a seita. Que direito tem uma mulher de gerar, deliberadamente, por fanatismo heterofóbico, uma criança duplamente órfã de pai (sem pai e sem nunca poderem vir a saber sequer a identidade dele)? Com que fundamento o Estado se prepara para entregar a essas pessoas crianças que, por tragédias familiares, perderam os verdadeiros pais? É para que sejam destruídas (ou impedidas de nascer), no imaginário dessas crianças, todas as representações que elas têm (ou possam fazer) do pai ou da mãe que perderam?

Esse fanatismo mostra bem o que essas pessoas são capazes de fazer em matéria de manipulação genética com fins reprodutivos - como, aliás, uma das lésbicas deixou sutilmente anunciado no Prós e Contras. Mas isso será mais tarde.

Para já o que importa é garantir que, em nome da felicidade onanística de alguns adultos, se possam entregar crianças a “casais” em que o lugar e o papel da mãe são desempenhados por um homem e os do pai por uma mulher.

Seguidamente, para não discriminar os gays e as lésbicas, substituir-se-ão nos documentos oficiais as palavras “mãe” e “pai” pelo termo “progenitores”, tal como já se substituíram as palavras “paternidade” e “maternidade” pela neutra “parentalidade”.

E quando estiver concluído o processo de “engenharia social” em curso, então passar-se-á à engenharia reprodutiva com vista a permitir que duas mulheres possam gerar filhos sem o repugnante contributo de um homem ou então que dois homens possam fazê-lo também sem a horrorosa participação de uma mulher.

Estarão, então, finalmente, corrigidos dois “erros grosseiros” da evolução: o de ter dividido os seres humanos em dois gêneros e o de exigir o contributo de ambos para a fecundação e para a criação dos seus filhos. [Aqui, naturalmente, discordo do articulista e reescreveria o parágrafo da seguinte forma: “Estarão, então, finalmente, corridos dos ‘erros grosseiros’ do Criador: o de ter criado os seres humanos em dois gêneros e o de exigir a contribuição de ambos para a fecundação e para a criação dos seus filhos.”]


Nota: No Brasil, na última semana, o que se viu foi um tremendo exercício de engenharia social protagonizado pela maior emissora de TV do país. Com audiência absoluta (o que significa centenas de milhões de televisores ligados ao mesmo tempo), a Globo levou ao ar o último episódio da novela “Amor à Vida”, e marcou a história da teledramaturgia brasileira com a exibição do primeiro beijo gay entre dois homens (o SBT saiu na frente, anos atrás, com um beijo lésbico). É claro que houve toda uma preparação para esse momento, com a dessensibilização do público, de tal forma que agora crianças, adultos e até idosos conservadores já aceitam bem os “casais” gays em programas de TV. Os militantes gays estão eufóricos, mas engana-se quem acha que eles estão satisfeitos. Vão querer “direitos iguais”, o que, nesse caso, significará que os brasileiros em breve vão assistir a “casais” homossexuais nus se exibindo para as câmeras em cenas eróticas. Afinal, isso já não acontece com os casais heterossexuais nas novelas? Direitos iguais... [MB]