quarta-feira, setembro 03, 2014

Gênero e política de gêneros

Questão de estereótipos?
Não é normal sentir repugnância de um ser humano só porque ele vive no pecado. Muito menos expressar essa repugnância com orgulho. A repugnância física pelas práticas sexuais que nos desagradam é inteiramente natural. A censura moral a comportamentos pecaminosos também. O que não tem sentido é mesclar as duas coisas, expressando a segunda, que é racional, na linguagem da primeira, que é animal. Nisso consiste a verdadeira “homofobia”, que, nesse sentido, é tão pecaminosa quanto aquilo que condena.  

Lembro-me dos homossexuais machões que, uns anos atrás, protestavam contra a invasão de travecos na sua querida sauna gay. Um dos indignados dizia: “A gente vem aqui procurar homem e aparecem essas bonecas com esses peitões. Me dá nojo.” Dava a uma repugnância animal o valor de um protesto moral.

O inventor da “política de gênero” não quis destruir a família ou a moral cristã. Quis destruir o senso imediato das formas, que é a capacidade intuitiva mais básica e mais necessária à sobrevivência da espécie humana. O cristianismo tem muitos inimigos, mas a humanidade como um todo tem um só: o diabo.

As identidades de “macho” e “fêmea” dependem apenas da forma do corpo, que é constante e, no essencial, imutável. “Identidade gay”, “identidade trans” e similares baseiam-se na orientação do desejo, que é intermitente e mutável, e portanto não são identidades de maneira alguma. Daí a necessidade de reiterá-las obsessivamente: precisamente porque não existem e têm de ser a todo momento reconvocadas à existência por meio da autopersuasão.

Se entre os corpos do macho e da fêmea não houvesse diferenças objetivas, visíveis com os olhos da cara e fisicamente irredutíveis, a simples ideia de “gênero” não poderia existir. O gênero baseia-se no sexo, e não ao inverso. Tanto os estereótipos de gênero quanto a possibilidade mesma da sua negação ocasional nascem daí. Se os meninos não fossem educados como meninos e as meninas como meninas, como haveria o infeliz intersexuado de “escolher” entre dois modelos inexistentes? A “política de gênero” baseia-se na negação da sua própria possibilidade, e deve ser considerada, por isso, uma forma extrema de estupidez criminosa.

Mais claramente ainda: a possibilidade de uma “política de gênero” depende da existência dos estereótipos e desaparece junto com eles.

(Olavo de Carvalho; colaboração: Marco Dourado)