quarta-feira, junho 10, 2015

Neymar não pode, ativista gay pode?

Isso não pode...
Os valores estão mesmo invertidos e poucos se dão conta disso. Enquanto muitos cristãos ficaram indignados com o uso da cruz por parte de um transexual para se manifestar contra a homofobia durante a Parada Gay do último domingo (e houve muitos argumentos a favor e contra essa atitude), parte da mídia brasileira (que silenciou diante da cruz) manifestou contrariedade com a atitude do jogador de futebol Neymar, quando ele exibiu uma faixa na testa com a inscrição “100% Jesus”, comemorando a conquista da Champions League. Não vou julgar aqui se estavam certos ou errados o ativista gay e o Neymar. O que me chama a atenção é a parcialidade de algumas pessoas e de segmentos da imprensa.

...isso pode
Algum tempo atrás, a Fifa proibiu os jogadores de usar dentro de campo camisetas com dizeres religiosos, mas ninguém jamais proibiu que manifestantes utilizassem símbolos religiosos de maneira indevida. Os mesmos jornalistas que reclamaram do Neymar devem ter defendido a liberdade de expressão do indivíduo “crucificado” na Avenida Paulista. Um dos colunistas do jornal O Estado de S. Paulo chegou a escrever que Neymar está “100% mal assessorado” e que a faixa era “100% desnecessária”. E a manifestação na Paulista, era necessária? O articulista do Estadão disse que os dizeres na testa de Neymar podem ser ofensivos para as pessoas que não seguem o cristianismo. E usar símbolos religiosos em passeatas gays também não ofende um país de maioria declaradamente cristã?

A liberdade de expressão deve continuar a ser defendida em nosso país, a todo custo. Mas a liberdade religiosa e o direito de ser respeitado em suas crenças (desde que sua religião não represente perigo para ninguém) também são inegociáveis. E a imprensa, para ser coerente, deveria defender os dois.

Que Neymar tenha liberdade de manifestar sua fé, assim como os gays de expressar seu desejo de respeito. Mas que todos façam isso com decência e responsabilidade diante da liberdade que lhes é de direito.

Michelson Borges

Em tempo: Numa entrevista, o manifestante gay disse: “Se minha intenção fosse escarnecer, eu iria dançar, ficar rebolando, mas fiquei com expressão de dor o tempo todo. Eu não quis desrespeitar. Quis mostrar que as pessoas nos crucificam todos os dias e ninguém vê.” De qualquer forma, antes de qualquer manifestação ou uso de símbolo religioso, é bom pensar na sensibilidade das pessoas, a fim de não criar um mal-estar desnecessário.

Leia também: Liberdade de expressão sem respeito?