sábado, junho 27, 2015

O “casamento gay” em uma nação “cristã”

Votação surpreendente nos EUA
Numa decisão histórica, a Suprema Corte dos Estados Unidos legalizou nesta sexta-feira (26) o casamento entre pessoas do mesmo sexo em todo o país. Os 13 estados que ainda proibiam não podem mais barrar os casamentos entre homossexuais, que passam a ser legalizados em todos os 50 estados americanos. A decisão veio por cinco votos contra quatro. O casamento tem sido uma instituição central na sociedade desde os tempos antigos, afirmou o tribunal, “mas ele não está isolado das evoluções no direito e na sociedade”. Ao excluir casais do mesmo sexo do casamento, explicou, nega-se a eles “a constelação de benefícios que os estados relacionaram ao casamento”. O tribunal acrescentou: “O casamento encarna um amor que pode perdurar até mesmo após a morte. Estaria equivocado dizer que estes homens e mulheres desrespeitam a ideia de casamento... Eles pedem direitos iguais aos olhos da lei. A Constituição lhes concede esse direito”, ressaltou, segundo a agência AFP. [...]

O caso analisado pela decisão desta sexta se referia aos estados de Kentucky, Michigan, Ohio e Tennessee, onde o casamento é definido como a união entre um homem e uma mulher. Esses estados não permitiram que os casais do mesmo sexo se casassem em seu território e também se negaram a reconhecer os casamentos válidos em outros estados do país. [...]

Como informa a agência EFE, o governo do presidente Barack Obama já tinha manifestado abertamente sua postura a favor do casamento homossexual depois que, pela primeira vez, o próprio líder declarou apoio à causa em 2012. Obama disse no Twitter que a aprovação é um grande passo para a igualdade de direitos. “Casais de gays e lésbicas têm agora o direito de se casar, como todas as outras pessoas. #Oamorvence”, disse o presidente. [...]


Casa Branca colorida
Nota: Levando em conta a notícia acima, que teve ampla repercussão em todo o mundo e grande apoio nas redes sociais, com pessoas e instituições (a Casa Branca mudou a imagem do seu perfil no Facebook) adotando as cores do arco-íris em apoio à causa gay, quero tratar aqui de, pelo menos, três pontos:

1. Já disse várias vezes aqui que não posso ser contra a união estável entre pessoas do mesmo sexo, pois cada um faz o que bem entende da sua vida e o Estado tem o dever de garantir certos direitos aos cidadãos, sejam eles quem forem, tenham a orientação sexual que tiverem. O que não posso aceitar é a redefinição da palavra “casamento”, e que isso venha de uma nação fundada sobre bases bíblicas, por protestantes vindos da Europa com o objetivo inicial de ser fiéis à Palavra de Deus. Embora Obama tenha cantado o tradicional hino evangélico “Amazing Grace” no funeral de uma senadora (confira), a verdade é que, com sua atitude em relação ao “casamento” gay, ele deixa claro que sua religião é nominal, não se importando com o que diz a Bíblia – exatamente como a maioria dos cristãos hoje em dia. Alguém poderia dizer: “Mas ele cantou sobre a graça de Deus, que é inclusiva e perdoadora.” Sim, é. Mas, como diz Judas 4, não é correto valer-se da graça de Deus para acobertar o pecado. A graça nos livra do pecado, nos dá poder para vencê-lo, não passa a mão na cabeça do pecador. E aqui é preciso deixar claro, também, outro detalhe nessa discussão: ter tendências homossexuais não é pecado, praticar relações homossexuais, sim. Todo ser humano tem seus pontos fracos e suas lutas contra tentações específicas. O que não podemos é nos render a essas tentações como se pecar fosse algo inevitável ou até desejável.

2. Essa aceitação da união entre pessoas do mesmo sexo como se fosse casamento igual ao dos heterossexuais é outra evidência de que a crença criacionista foi pro ralo nos Estados Unidos e em quase todo o mundo. A Bíblia apresenta o primeiro casamento tendo sido celebrado por Deus, envolvendo um homem (Adão) e uma mulher (Eva). E Jesus Cristo reforçou isso em Marcos 10:6-8: “Mas no princípio da criação Deus ‘os fez homem e mulher’. ‘Por esta razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne’. Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne.” Uma só carne (casamento) = homem + mulher. A descrença na literalidade dos primeiros capítulos de Gênesis levou não apenas à dissolução da crença no casamento monogâmico heterossexual, mas também à descrença no sábado bíblico, abrindo caminho para a aceitação do falso dia de guarda, o domingo. Está tudo no mesmo “balaio”: o falso casamento e o falso dia de guarda. Quando se abandonam as verdades sustentadas pela visão criacionista bíblica, escancara-se a porta para uma série de absurdos religiosos e comportamentais. Assim, as duas instituições edênicas – o casamento e o sábado – foram substituídas por contrafações.


Onda gay nas redes sociais
3. Com a doutrinação adequada, leis antes tidas como absurdas acabam sendo aceitas naturalmente. Anos de glamourização dos relacionamentos homossexuais em filmes, seriados e novelas acabaram “fazendo a cabeça” do povo. Isso também aconteceu no Brasil, com as novelas exibindo beijos gays em horário nobre, de forma que, com o tempo, praticamente todo mundo passou a ver isso como algo aceitável e até admirável. Você duvida que, com a insistência do Vaticano/papa na defesa do domingo como dia da família e da natureza, será bem fácil promulgar uma lei que o torne obrigatório? O Parlamento Europeu já concorda com isso. Outros países também. Assim como outros países já permitiam o “casamento” gay. Mas, quando os EUA tornam isso obrigatório, essas leis têm mais força e muitos outros lhe seguem o exemplo. Muitas pessoas adotaram as cores do arco-íris em seus perfis nas redes sociais simplesmente para embarcar na “onda”. Quantas outras ondas e leis virão por aí? [MB]



Assista também a este vídeo (aqui, em inglês) pata entender as possíveis consequências para as igrejas dessa decisão da Suprema Corte norte-americana.

Detalhe curioso sobre a bandeira gay: enquanto o arco-íris tem sete cores (número bíblico da perfeição), a bandeira gay tem seis.