quinta-feira, dezembro 31, 2015

O herói do relativismo moral desaprova o relativismo

Em um mundo que se originou ao acaso, onde, no início, havia apenas matéria morta, e onde forças físicas juntaram essa matéria ao acaso de um modo tão particular que agora ela se move ao redor de si mesma, os conceitos de “certo” e “errado” são ficções sem sentido. É claro, deve haver uma forma objetiva de viver para essa coleção de moléculas que chamamos “humanos” que lhes possibilite viver mais ou maximizar seus sentimentos prazerosos, mas certamente não existe a obrigação de fazê-lo (viver mais tempo ou ter sentimentos de prazer não são coisas que devem ser feitas; elas são meras possibilidades). Obrigação requer um Doador Pessoal de Regras a quem estamos moralmente obrigados, que nos responsabilizará por essa obrigação. Sem obrigação, sem um padrão objetivo mais elevado para como as coisas deveriam ser, sem uma mente acima e perante nós, não há propriamente um “certo” e um “errado”. Há meramente coisas que você escolhe fazer ou não, de acordo com a sua preferência.

Neste mundo, quem é você para julgar as preferências dos outros? Se alguém começa com o materialismo ateísta, relativismo é a conclusão lógica. E, ainda assim, constatamos que esse relativismo não corresponde ao que apreendemos ser verdade sobre aspectos morais da realidade. Do livro de Greg sobre relativismo: “Dado um padrão particular de moralidade, a pessoa mais moral é aquela que pratica consistentemente a regra moral principal de um sistema específico... A qualidade do herói moral – aquele que vive o mais próximo do ideal – indica a qualidade moral do sistema. Que tipo de campeão moral o relativismo individual produz? O que é o melhor que o relativismo tem a oferecer? Como chamamos aqueles que mais perfeitamente aplicam os princípios do relativismo, não se importando com as ideias dos outros de certo ou errado, aqueles que não são movidos pelas noções dos outros de padrões éticos e, ao contrário, consistentemente segue a batida da sua própria bateria moral?

“Em nossa sociedade, temos um nome para essas pessoas, elas são o pior pesadelo de um investigador de homicídios. A excelência relativista é o sociopata, alguém sem consciência. Isso é o que o relativismo produz. Algo está terrivelmente errado com um alegado ponto de vista moral que produz um sociopata como sua estrela mais brilhante.”

Se não há nenhum vínculo moral mais elevado do que o indivíduo, então até mesmo o sociopata é moral. E colocar o padrão na sociedade ao invés de no indivíduo não o tira dessa confusão. Se não há nenhum comprometimento moral mais elevado do que a sociedade – se o padrão moral é a comunidade –, então, até mesmo a Alemanha Nazista foi moral. Pelo menos aqueles que concordaram com os nazistas eram morais. Qualquer alemão que lhes resistisse estava sendo imoral. E quem é você (ou qualquer outro país) para dizer que a Alemanha estava errada?

O relativismo é uma confusão, não importa a maneira como você olha para ele. Qualquer visão de mundo que não tem a capacidade de explicar o que sabemos ser verdade – de que existem fatos morais objetivos, independentemente se um indivíduo ou uma sociedade inteira os rejeite – é devastadoramente deficiente.

Tubarão martelo: Martelada mortal na evolução?

Acaso ou design inteligente?
Assisti hoje a coisa mais bizarra do mundo. E tô irritado até agora, pois foi demais da conta. Um documentário no NatGeo sobre tubarões chega ao seu ápice com os tubarões martelo e os descreve como uma maravilha sem-par de tecnologia e sofisticação. Mestres em manobras e capazes, com seu cérebro exótico, de detectar peixes enterrados no fundo do mar por variações de bilionésimos de volts. E aí o bizarro dos bizarros: sem medo de ser feliz e falar a maior estupidez do mundo, pois me desculpem, mas foi pura estupidez televisiva (quase liguei para o Procon), o sujeito diz que há algo muito “estranho” com os tubarões martelo, algo errado que não está certo, sim, e eu sei o que é, pois eles não evoluíram aquele “martelo magnífico” lenta, gradual e sucessivamente, mas o “martelo” teria surgido do “nada”, há mais de 400 milhões de anos e, de fato, seus martelos antes eram até maiores, a julgar pelo registro fóssil, sendo um exemplo “incrível” de “adaptação imediata”.

Gente, pode tal absurdo em “rede nacional de TV”?! Uma maravilha de tecnologia e sofisticação, um radar de altíssima sensibilidade, um cérebro hiper mega high tech surgindo do “nada”... Uns trocentos milhões de mutações benéficas todas de uma só vez e de primeira? Santa enganação! Devem achar que somos todos “retardados”.

Me desculpem pela falta de educação, mas tô irritado com tanta enganação e besteirol, tudo por culpa de uma vontade de negar o óbvio. Só porque idolatram Darwin, detestam a ideia de um designer e não gostam da inevitável conclusão de que tubarões martelo foram projetados por um ser de extrema inteligência e maestria sem-par neste Universo. Mas isso vai em breve acabar, ah vai...

(Dr. Marcos Eberlin, via Facebook)

quarta-feira, dezembro 30, 2015

Saltadores-do-lodo (mudskippers): maravilhas do lamaçal!

Pesadelo criacionista ou design?
Se você já viu um documentário da vida selvagem em manguezais tropicais, provavelmente deve ter observado mudskippers no trabalho e nas brincadeiras. Esse peixe incomum, com cerca de 15 cm de comprimento, pertence ao gênero Gobius (pequenos peixes marinhos).[1] Enquanto estão na água, eles não parecem mais notáveis do que outros peixes. No entanto, uma vez que a maré se vai para expor os alagados, se torna um assunto completamente diferente. As palhaçadas do mudskipper em terra são certamente divertidas de assistir. Para se mover, um mudskipper se joga para a frente, fazendo “flexões” com suas nadadeiras peitorais, um tipo de locomoção chamado crutching (termo relacionado ao ato de andar com a ajuda de muletas).[2] Quando dois mudskippers macho disputam território, eles estufam seus peitorais e mantêm a boca aberta, dando cabeçadas nas laterais do adversário. Essa cena cômica foi divertidamente capturada na série de TV sobre vida selvagem chamada “Life”.[3] O mais dramático é que um mudskipper pode tentar atrair a atenção de um companheiro por meio de um salto impressionante para o ar, seguido de um pouso deselegante.

O pior pesadelo de um criacionista?

Um peixe que passa a maior parte da vida na terra do que na água e “anda” sobre suas nadadeiras peitorais é certamente uma raridade. Alguns evolucionistas já se utilizaram do mudskipper como uma suposta evidência contra a criação bíblica. Em um conhecido site anticriacionista, um blogueiro alegremente respondeu a uma imagem de dois mudskippers indonésios com o comentário: “Oh, não! O pior pesadelo dos criacionistas: um peixe caminhando!”[4]

Um vídeo online também expressa isso como um grande “pesadelo dos criacionistas”.[5] Entre as razões dadas estão o método incomum de respiração dos mudskipper e seus olhos originais (no topo da cabeça). No entanto, o golpe de misericórdia, de acordo com certos evolucionistas, é que “as nadadeiras dianteiras já não podem mais ser chamadas de barbatanas: elas são, claramente, uma transição entre barbatanas e pernas mais complexas, para andar sobre a terra”. A conclusão triunfal alcançada? “Sabendo de tudo isso, como você pode sempre alegar que não existem espécies transitórias?”

Aceitando o desafio

Contrariamente a essas afirmações confiantes, esse peixe anfíbio fascinante e único não é, de forma alguma, um problema para aqueles que veem Gênesis 1-11 como um relato histórico literal. Periodicamente, a revista Creation tem confrontado noções evolucionistas sobre peixes estranhos e maravilhosos e animais como peixes, tais como o axolotl[6] e o brachionichthyidae,[7] semelhantemente mencionados como transições evolutivas ou atavismos. Então, o que dizer de mudskippers?

Suas nadadeiras peitorais robustas são distintas daquelas da maioria dos outros gobies, possuindo hipermobilidade articular devido à sua dupla articulação móvel. Os músculos das barbatanas também são incomuns, sendo divididos em seções que movem os raios superiores e inferiores da nadadeira independentemente.[8] Estudos têm demonstrado que os raios da nadadeira são parcialmente desfeitos quando se deslocam sobre a terra, mas estão posicionados para dar o máximo de apoio para o pé sobre a lama.[9] A anatomia e a implantação dessas barbatanas fornecem a força necessária, flexibilidade, controle e amplitude de movimento para o estilo de vida do mudskipper no lamaçal.

Modificação evolutiva lenta e gradual desses órgãos cruciais de movimento exigiria muitas mutações simultâneas para o acréscimo de informação ocorrendo apenas nos lugares certos e nos momentos certos – mutações que alterassem o sistema músculo-esquelético, a fiação dos nervos e, mais importante, o desenvolvimento embrionário das barbatanas. Em vez disso, uma extensa pesquisa sobre esses tipos de alterações genéticas complexas especificadas não forneceu nenhuma evidência de que essas alterações possam ocorrer, e muito menos em tais coincidências coordenadas, como seriam necessárias.[10] Além disso, cada mutação precisa fornecer uma vantagem distinta para os peixes, a fim de ser “fixada” pela seleção natural. A probabilidade de tudo isso ocorrer é muito pequena.

O peixe que pisca

Especializações de olhos em criaturas vivas são frequentemente reivindicadas para demonstrar a verdade da evolução, mas nada poderia estar mais longe da verdade. Por exemplo, o peixe de superfície anableps (que possui olhos com o equivalente a lentes bifocais)[11] e o peixe de profundidade Dolichopteryx longipes (com seus olhos telescópicos que funcionam como espelhos para refletir flashes da luz bioluminescente de outros animais)[12] são ambos criaturas cujos desenhos de olho não podem ser explicados por apenas uma estória contada.

Mudskippers têm visão excelente ao redor,[13] que faz todo o sentido para uma criatura que poderia facilmente se tornar um saboroso lanche para os predadores, e atesta contra a suposta evolução lenta dessa funcionalidade ao longo de milhões de anos. Todas as espécies mudskipper têm olhos proeminentes posicionados em cima da cabeça, mais para frente do que na maioria dos outros peixes. Isso lhes dá visão estereoscópica limitada, permitindo a percepção de profundidade como em seres humanos. Músculos oculares externos formam um assento para os olhos do tipo de uma rede, permitindo-lhes ser levantados ou abaixados à vontade[14] e até mesmo ser completamente fechados no interior da pele cheia de líquido, quando necessário. Essa característica é essencial para manter os olhos úmidos, e os torna únicos como peixes que piscam.

A retina sensível à luz de cada olho é inclinada, de modo que está mais longe da lente em direção ao topo do olho.[15] Isso significa que pode focar objetos a diferentes distâncias com as partes superior e inferior do olho, um recurso útil para um peixe que está tanto dentro quanto fora da água.

Para qualquer uma dessas especializações complexas surgir por erros genéticos não guiados é improvável, para dizer o mínimo. Consideradas em conjunto, essas características de olhos do mudskipper representam uma solução de design brilhante para seu estilo de vida peculiar. Basta supor que olhos salientes, de alguma forma, evoluíram, mas os copos especiais hidratantes ainda tinham que aparecer e/ou a relação especial lente-retina ainda tinha que surgir. Peixe tentando fazer isso na terra, sem que conseguisse focar corretamente em objetos, e cujos olhos estavam sujeitos a ser danificados pelo ambiente seco, teria sido extremamente desfavorecido e menos apto para sobreviver.

Especialistas em respiração pela pele

Mudskippers não respiram através de brânquias, as quais são utilizadas em vez de excretar resíduos de produtos como amônia.[16] Em vez disso, a troca gasosa ocorre em toda a superfície de toda a pele, que deve ser mantida úmida para o propósito. Isso inclui a mucosa interna da boca e da garganta, que, como nossos próprios pulmões, são superfícies umedecidas revestidas com capilares sanguíneos. Mudskippers podem engolir bocados de ar através do alargamento da cavidade da garganta ao fechar uma válvula especial às brânquias. Enquanto estão na água eles são, de fato, menos eficientes na troca gasosa do que a maioria dos outros peixes, mantendo seu batimento cardíaco e o metabolismo geral a um nível reduzido para conservar oxigênio. Esse conjunto de características especiais para respiração do ar faz sentido em uma criatura que vive o estilo de vida do mudskipper. No entanto, é difícil contemplar como as forças cegas da evolução poderiam gradualmente ter mudado um peixe de respiração branquial (perfeitamente adaptado à vida em água) em uma boca e corpo de peixe anfíbio de respiração em superfície. Em cada um dos numerosos passos intermédios distantes de um peixe verdadeiro, desafios fisiológicos e anatômicos deixariam sua cabeça feia, tornando qualquer alegação de benefício de sobrevivência um pensamento ilusório.

Nada foi deixado ao acaso no projeto do mudskipper. Por exemplo, peixes em geral devem manter um revestimento muco viscoso como uma barreira contra diversos parasitas. Isso é muito mais importante para mudskippers devido ao fato de ele deslizar sobre a terra e através de suas tocas (ver mais informações abaixo). O muco dos mudskippers faz mais do que apenas lubrificar a pele, reduzindo o arrasto. Pesquisas recentes têm mostrado que ele também tem atividade antimicrobiana contra uma vasta gama de bactérias.[17] Isso inclui muitos que infectam os seres humanos, de modo que estudar esse muco pode beneficiar a humanidade.

Mudskippers atestam a criação

Mudskippers realmente são maravilhas dos mangues e alagados. Quer nos concentremos em seus olhos especiais, em sua respiração única ou reflitamos sobre sua divertida barbatana caminhante, esses peixes parecem ter uma combinação ideal de características para as criaturas que vivem na água e sobre a terra. Seus vários “desvios” da anatomia dos peixes normais mostram uma economia de design, com as partes complexas de cada sistema do corpo claramente especificadas (por instruções do DNA) e afinadas. Mudskipper certamente não é a razão para os criacionistas ter pesadelos! Aqueles que optarem por acreditar no contrário parecem ser voluntariamente ignorantes (2 Pedro 3:5).

Um pouco mais sobre o mudskipper

- Mais de 30 espécies de mudskippers existem (em cinco gêneros) e compõem a maior parte da subfamília Oxudercinae, classificadas na família Gobiidae (gobies). A especialização em mudskippers torna improvável que todos os gobies façam parte do mesmo tipo criado, no entanto.
- Mudskippers no gênero Periophthalmus fazem aquaristas gostar de alimentá-los com insetos, aranhas e outros alimentos vivos pela mão.[16]
- O tamanho médio de adultos depende das espécies, em média de 15 a 25 cm de comprimento.
- Mudskippers têm muitas especializações para a vida anfíbia. Por exemplo, em terra, eles escavam tocas em forma de J nas quais podem criar seus filhotes.
- A escavação de tocas envolve o carregamento com a boca cheia de lama macia, cuspindo-a para fora na superfície – um trabalho constante em uma zona intertidal (isto é, entre marés).[3]
- A lama e a toca aquática é muito pobre em oxigênio, então o ar de fora é engolido e liberado na parte interna da toca para arejar os ovos.[18]

(Texto traduzido do original Bell [2012] por Everton Fernandes Alves, mestre em Ciências [Imunogenética] pela UEM e diretor de ensino do Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira [NUMAR-SCB]; seu e-book pode ser lido aqui)

Referências:
[1] Outros nomes são “kangaroo fish” e “johnny jumpers”.
[2] Pace CM, Gibb AC, Mudskipper pectoral fin kinematics in aquatic and terrestrial environments, J. Exp. Biol. 2009; 212(14):2279–2286.
[3] Episódio 4 “Fish, Série “Life” da BBC, Minutos: 17:10s-21:35s, apresentado por David Attenborough, no YouTube. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=03lFLBPkmf4
[4] Comentários em pandasthumb.org. Disponível em: http://pandasthumb.org/archives/2009/02/periophthalmus.html
[5] Acessado no Youtube. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=4fJaxBT52u0
[6] O peixe axolotl pode transformar (em poucas semanas) seu estilo de vida aquático para terrestre, incluindo o encolhimento de suas brânquias e um aumento na função pulmonar. In: Dykes J. The Axolotl: The fish that walks? Creation 2005; 27(4):21–23. Disponível em: http://creation.com/the-axolotl-the-fish-that-walks
[7] May K. Rare Australian fish has fins like hands, Creation 2006; 28(3):28–29. Disponível em: http://creation.com/rare-australian-fish-has-fins-like-hands
[8] Ref. 2, p. 2279. Em outros gobies, estes músculos abdutores superficialis são músculos simples (não-divididos).
[9] Ref. 2, p. 2285.
[10] Sarfati J. Refuting Evolution 2. Powder Springs, GA: Creation Book Publishers, 2011, capítulo 5. Disponível em: http://creation.com/refuting-evolution-2-chapter-5-argument-some-mutations-are-beneficial
[11] Grigg R. The fish with ‘four eyes’ (Anableps). Creation 1995; 18(1):52. Disponível em: http://creation.com/the-fish-with-four-eyes-anableps
[12] Sarfati J. Four-eyed spookfish has mirror eyes. Creation 2009; 31(4):32–33. Disponível em: http://creation.com/four-eyed-spookfish-mirror-eyes
[13] Seus campos visuais abrangem quase 180 graus para cada olho!
[14] Schwab IR. Janus on the mudflats. British Journal of Ophthalmology 2003; 87(1): 13. Disponível em: http://bjo.bmj.com/content/87/1/13.full.pdf+html
[15] Ver site do pesquisador Gianluca Polgar. Seção: Ecophysiology. Vision and mechanoreception, 2013. Disponível em: http://www.mudskipper.it/VisMech.html
[16] Muitas das informações neste parágrafo é cortesia do pesquisador Gianluca Polgar. In: Polgar G. Mudskippers: an introduction for aquarists. Disponível em: http://www.wetwebmedia.com/ca/volume_7/volume_7_1/mudskippers.html
[17] Em muitos peixes, ação antibacteriana do seu muco é muito mais específico para uma determinada bactéria. In: Ravi V, Kesavan K, Sandhya S, Rajagopal S. Antibacterial activity of the mucus of mudskipper Boleophthalmus boddarti (Pallas, 1770) from Vellar Estuary. AES Bioflux 2010; 2(1):11–14. Disponível em: http://www.aes.bioflux.com.ro/docs/2010.2.11-14.pdf
[18] Lee HJ, Martinez CA, Hertzberg KJ, Hamilton AL, Graham JB. Burrow air phase maintenance and respiration by the mudskipper Scartelaos histophorus (Gobiidae: Oxudercinae). J. Exp. Biol. 2004; 208(1):169–177. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15601887
[19] Bell P. Mudskippers—marvels of the mud-flats! Creation 2012; 34(2):48-50. Disponível em: http://creation.com/mudskipper

segunda-feira, dezembro 28, 2015

Papa Francisco: Ateus vão para um Céu em que não creem?

Salvação é assunto de Deus
Mais um comentário do papa Francisco elevou a popularidade do líder religioso, que tem sido considerado um dos sacerdotes mais adorados que comandou a Igreja Católica. Desta vez, em uma carta aberta ao fundador do jornal italiano La Reppublica, Eugenio Scalgari, ele escreveu que Deus perdoaria aqueles que não creem, caso eles tenham seguido suas consciências durante a vida. Em resposta a uma série de perguntas feitas por Scalgari, Francisco escreveu: “Você me perguntou se o Deus dos cristãos perdoa aqueles que não acreditam nele e que não buscam o perdão. Eu começo - e isto é uma coisa fundamental - dizendo que o perdão de Deus não tem limites se você vai a ele com um coração sincero e penitente. O problema para esses que não creem em Deus é obedecer a consciência.”

Robert Mickens, o correspondente no Vaticano para o jornal católico The Table, contou que os comentários do pontífice são mais uma evidência de que a Igreja Católica está trabalhando para retirar a imagem manchada que foi reforçada após o período de conservadorismo extremo liderado por Bento XVI. “Francisco ainda é parte dos conservadores, mas isso tudo é uma forma que ele tem buscado de dialogar de uma forma mais significativa com o mundo”, escreveu Mickens.

Esta não foi nem de perto a declaração com teor de liberdade e convalescência que o papa fez neste ano. Em julho, ele levantou uma polêmica ao questionar a si mesmo: “Se alguém se declara gay e está olhando para o Senhor, quem sou eu para julgá-lo.”

Realmente, parece que Francisco, assim como o jornalista Saclfari comentou na resposta à carta, está fazendo comentários que provam “sua habilidade e desejo de ultrapassar barreiras e estabelecer um diálogo com todos”.


Nota: Esse é realmente um tema delicado... Há muitos ateus sinceros e de boa consciência (embora uma boa consciência já seja, para muitos apologetas, indicativo da existência de um Deus legislador, autor da lei moral que rege os seres conscientes). Mas será que a consciência, apenas, pode ser um guia moral infalível e confiável? No primeiro capítulo da carta de Paulo aos Romanos, ele diz que os incrédulos são indesculpáveis, uma vez que há evidências abundantes para os que procuram sinceramente por Deus. O verdadeiro cético duvida até de seu ceticismo; o cético sincero permanece aberto à possibilidade da crença. Para o incrédulo, nem um caminhão de evidências seria suficiente, pois ele já se fechou para a possibilidade da crença; já fez sua escolha. É um crente no não. Como o Criador vai lidar com esse tipo de pessoa que teve acesso à verdade, mas a rejeitou? Deus sabe. E não é o papa, em busca de mais popularidade, quem vai determinar isso. Levada às últimas consequências, as palavras do líder católico acabam tornando praticamente sem sentido os esforços evangelísticos no sentido de partilhar a fé cristã com todas as pessoas, dando a elas a oportunidade de conhecer a mensagem de Cristo e tomar a decisão que bem entenderem.

Falando em ateísmo, chamou atenção o artigo de Marcelo Gleiser, professor titular de física, astronomia e filosofia natural no Dartmouth College, nos EUA, publicado ontem na Folha de S. Paulo. Veja alguns trechos:

“Nossas convicções mudam com a idade e, entre elas muda, também, nossa relação com a fé. [...] Na realidade, existe todo um espectro de modalidades da fé humana que ocupa um rico espaço entre o radicalismo dos dois polos. Por exemplo, Francis Collins, diretor do Instituto Nacional da Saúde nos EUA – o órgão governamental que administra o maior número de bolsas de pesquisa nas áreas da medicina e da biologia – não vê conflito algum entre ser cristão e ser cientista. Como ele, muitos cientistas veem a prática científica como mais um meio de admirar a obra divina, como uma forma de devoção religiosa. Essa é uma tradição antiga, que inclui, por exemplo, alguns dos patriarcas da ciência moderna, como Copérnico, Newton, Kepler e Descartes. A ruptura veio mais tarde, com o Iluminismo do século 18.

“Para ateus conhecidos do público, como Richard Dawkins, Sam Harris e Christopher Hitchens (1949-2011), esse tipo de posição intermediária é inconsistente com os fundamentos da ciência: a natureza é material, e a matéria é organizada segundo leis quantitativas. O objetivo da ciência é descobrir essas leis; não existe espaço para mais nada. Segundo eles, essa posição metafísica conciliatória cria uma série de problemas filosóficos. Embora atraente, ela força a coexistência incompatível do natural com o sobrenatural. Como a natureza pode ser tanto natural quanto sobrenatural? [...]

“O fato é que a ciência e a religião claramente se superpõem na cabeça das pessoas, nas escolhas que fazemos na vida, nos desafios morais que a sociedade moderna enfrenta. É por demais ingênuo negar o poder da religião no mundo, com bilhões de pessoas declarando-se seguidores de algum tipo de fé, mesmo que muitos deles definam sua fé de forma vaga.

“Além disso, a posição dos ateus radicais também é inconsistente com os parâmetros do método científico, algo que talvez surpreenda muita gente. Basta ver que o ateísmo é a crença na não crença, já que a possibilidade da existência de qualquer tipo de divindade é negada categoricamente. Ora, a ciência não pode negar a existência de algo categoricamente, apenas após observações absolutamente conclusivas. E como podemos ter certeza do que ainda não medimos?

“A posição mais consistente com o método científico é a do agnóstico, como haviam já percebido Thomas Huxley e Bertrand Russell, entre muitos outros: não vejo qualquer razão para crer, mas, com base no que sei não posso negar absolutamente a possibilidade de que alguma entidade divina exista. Como escreveu Huxley, criador do termo ‘agnóstico’: ‘É errôneo afirmar que se tem certeza da verdade objetiva de uma proposição, a menos que seja fornecida evidência que justifique logicamente esta certeza.’ [...]

“Como descreveu o psicólogo americano William James em sua obra-prima As Variedades da Experiência Religiosa, a experiência religiosa atinge seu clímax na subjetividade da experiência individual, na comunhão da pessoa com o desconhecido, na percepção de transcendência dos limites da existência humana, delineada pelas barreiras do espaço e do tempo. As visões e revelações dos profetas e dos santos, a experiência emocional do divino ocorre no indivíduo, mesmo quando induzida pelo grupo – por exemplo, através de rituais. Existe muito mais no mundo do que o que percebemos ou podemos medir, e essas características ‘ocultas’ são igualmente importantes na nossa construção do que definimos como realidade.

“Como escreveu James, ‘toda a sua vida subconsciente, seus impulsos, suas crenças, suas necessidades são a premissa da sua existência consciente; existe algo dentro de você que sabe de forma absoluta que o resultado disso tudo deve ser mais verdadeiro do que qualquer tipo de argumento lógico, por mais articulado que seja, que tente contradizer essas convicções subconscientes’.

“Mesmo que o filósofo George Santayana (1863-1952) e outros tenham criticado James por ‘encorajar a superstição’, ninguém pode negar que a razão tem alcance limitado. A ciência, se vista como expressão da razão humana, espalha-se por todos os cantos do conhecimento de forma magnífica, mas seu alcance não é ilimitado. Existe outra dimensão da fé, separada dos rituais tribais, da religião organizada, que dá expressão a uma necessidade primária que temos de comunhão com o desconhecido. Esse é o aspecto mais universal da necessidade humana de crer, que transcende as divisões arbitrárias da fé criadas no decorrer da história; as religiões, as tradições, os cultos, as tribos e suas regras. Não existe aqui qualquer menção a uma supersticiosidade irracional ou mística. O que identificamos é a necessidade individual da crença, expressa por cada um de forma variada.”

As palavras de Gleiser me soam quase como um passo atrás no ateísmo que ele vinha advogando em anos recentes. Estaria de novo flertando com o agnosticismo? Ele está com 56 anos... Acho que a idade/maturidade está fazendo bem a ele.

Creio que pessoas assim, que continuam na busca com a mente aberta, poderão ser vistas no Céu. [MB]

quinta-feira, dezembro 24, 2015

O que será que as primeiras pessoas imortais vão comer?

Ficção com conselhos úteis
Para o geriatra e biomédico Aubrey de Grey, vai chegar um ponto de desenvolvimento em tratamentos antienvelhecimento em que as pessoas se dividirão em dois grupos: as que vão morrer e as que não vão. Já parou para pensar no que uma sociedade dividida entre mortais e imortais faria? Como esses dois grupos de seres humanos interagiriam entre si? O que a imortalidade mudaria em questões relacionadas a emprego e casamento, por exemplo? A verdade é que ainda não há suposições suficientes para essas questões relacionadas à vida em sociedade. Entretanto, já é possível saber o que os primeiros imortais comerão. Grey ainda arrisca alguns palpites no quesito comportamental dos imortais e acredita que as pessoas do futuro assumirão menos riscos: o número de motocicletas tende a diminuir, e as pessoas possivelmente fumarão menos e, claro, terão mais critérios na hora de escolher o que colocar no prato.

Ainda que seja possível encontrar todo tipo de dieta específica para quem quer viver mais, a dica que todo especialista em envelhecimento dá, quando o assunto é alimentação, é realmente simples: restringir o número de calorias, o que basicamente significa comer menos.

Testes realizados em ratos revelaram que os animais que, na juventude, ingerem 15% menos da quantidade calórica recomendada tinham mais tempo de vida. Em termos humanos, essa diferença de tempo seria de cinco anos – a comparação, para Eric Ravussin, que se dedica a estudar a evolução da saúde humana, é mais do que verdadeira.

Nesse sentido, podemos dizer que os primeiros imortais comerão pequenas porções, mas de quê? De acordo com o explorador Dan Buettner, que acompanhou de perto os costumes de alguns povoados com grandes números de centenários, a alimentação das pessoas que vivem muito é baseada em alto consumo de vegetais, leguminosas e frutas, ingestão moderada de álcool e baixo consumo de carnes.


Ao tentar prever padrões alimentares futuros, precisamos levar em consideração o fato de que alguns itens, com o passar do tempo, ou deixarão de ser consumidos ou serão consumidos em proporções muito menores, como é o caso das carnes e dos laticínios. Acredita-se que os tradicionais hambúrgueres, por exemplo, serão consumidos apenas em ocasiões especiais em 2050, e não de forma tão popular como acontece hoje.

Com relação aos alimentos naturais, a expectativa é de que exista aumento no consumo de itens populares em regiões quentes, como é o caso do milho, do pepino, do melão, do pimentão e da abóbora. Por outro lado, folhas como alface, repolho e espinafre podem deixar de existir.

Essas mudanças estão sendo previstas já há algum tempo. Só para você ter ideia, em abril de 2014 foi publicado um relatório, encomendado pela Food Network ClimateResearch, que repassou algumas recomendações sobre alimentação: comer mais itens de origem vegetal; diminuir o consumo de carne; beber água da torneira; evitar gordura, açúcar e sal; e valorizar a comida, buscando saber sua origem e evitando o desperdício.

Com base em todas essas informações, o colunista Duncan Geere elaborou uma lista com os principais itens da dieta dos primeiros imortais. Confira:

Vegetais: além de itens baratos e frescos, são saudáveis e, em breve, serão mais populares do que nunca.
Leguminosas: feijão, ervilha e lentilha são itens ricos em proteínas, fibras, vitaminas e minerais e, obviamente, serão consumidos pelos imortais.
Pouquíssima carne: os imortais escolherão fontes alternativas de proteína e darão espaço ao tofu e à soja também. A carne como consumimos hoje contribui para aumentar nossa resistência a antibióticos, polui o meio ambiente e influi muito negativamente nas alterações climáticas.
Água e vinho: um pouco de vinho não faz mal a ninguém [mas pra que arriscar?], e água é, definitivamente, a melhor maneira de manter o corpo bem hidratado.
Pequenas porções: vale frisar que os imortais consumirão esses itens em pequenas quantidades. É bem provável que futuramente a contagem de calorias dos alimentos seja mais popular ainda.


Nota: Os conselhos do texto acima são realmente válidos e importantes, embora o “gancho” da matéria (imortalidade) seja pura ficção científica. É evidente que o ser humano não alcançará a imortalidade com base em seus esforços. A imortalidade será um presente conferido pelo Criador àqueles que aceitarem Seu projeto de vida eterna (João 3:16). Do contrário, você consegue imaginar o caos que seria uma Terra em que algumas pessoas (as mais ricas, sempre) pudessem ser imortais e outras, não? Teríamos um planeta dividido em duas classes em constante atrito. Um mundo com pecadores “imortais”, o que seria? Quanta maldade se poderia produzir numa vida de 300, 400, 500 anos? Ou a imortalidade por si só seria garantia de que as injustiças, a corrupção, o ódio, a inveja, a vaidade, etc., desapareceriam? Bem, como essas especulações são pura bobagem, nem vale a pena perder tempo com elas. Fiquemos com as boas dicas dadas acima, cuja aplicação já nos traz benefícios aqui e agora. Respondendo à pergunta do artigo: as primeiras pessoas imortais vão comer os alimentos originalmente determinados por Deus para a dieta humana (confira em Gênesis 1:29). Definitivamente, não comerão carne de animais, pois a morte será coisa do passado. As pessoas imortais terão que passar antes pelo processo de conversão, aqui nesta vida, a fim de possam viver para sempre num mundo de paz, para pessoas que amam a paz. Que tal irmos nos preparando para essa vida imortal que nos será dada de presente por Aquele que tem a vida em Suas mãos? [MB]

O estranho fóssil de baleia: evidência do dilúvio universal?

Um desafio ao atualismo
A fossilização é um evento raro e, para tanto, deve haver soterramento de forma rápida, antes que o animal morto comece a apodrecer, a se decompor ou a ser consumido no ambiente – devido a animais carniceiros, a microorganismos, à ação da chuva e do sol, etc. Em abril de 1976, foram encontrados os restos fósseis de uma baleia de cerca de 25 metros no interior de um depósito de diatomáceas (esqueletos minúsculos de algas unicelulares), na mina Miguelito, em Lompoc, Califórnia, EUA. Infelizmente, naquele mesmo ano, o fóssil ainda não tinha sido completamente desenterrado quando o artigo descrevendo o achado foi publicado.[1] Mas ao longo do período de escavação a equipe do Museu de História Natural de Los Angeles teve uma surpresa em relação à posição em que o fóssil da baleia se encontrava.

O fóssil estava na posição diagonal, apoiado sobre a cauda, ultrapassando vários estratos geológicos. Como poderia esse fóssil de baleia ter mantido essa posição e integridade ao longo de centenas de milhares de anos, sendo enterrado gradual e lentamente milímetro após milímetro? Uma investigação no local, a partir de uma perspectiva atualista, revelou que a unidade de diatomito (rocha porosa e absorvente) que enterrou a baleia também estava inclinada no mesmo ângulo, portanto, a baleia deve ter sido enterrada no diatomito quando ambas estavam na posição horizontal, e mais tarde os movimentos de terra foram elevando-as e inclinando-as em sua orientação atual.

Portanto, a explicação atualista é a de que houve um deslizamento de terra submarino durante um dos inúmeros terremotos da Califórnia e o conjunto rochoso se deslocou e soterrou o animal, porém, o que o atualismo não explica satisfatoriamente é a sedimentação que teria de ser muito rápida para poder preservar cada osso da baleia em sua posição original, sem qualquer deslocamento com relação à sua orientação.[2] O modelo criacionista prevê um enterro catastrófico e, também, uma rápida deposição das camadas de sedimentos, sepultando as diatomáceas; isso somente ocorreria por meio de um enorme episódio catastrófico: um dilúvio universal.[3]

De fato, para ser evitada a dispersão dos ossos, o soterramento deve ter ocorrido no máximo em três anos. Parece que as correntes marinhas teriam acumulado enormes quantidades desses seres (isto é, de diatomáceas) para formar o que alguns chamaram de “um purê de organismos”. Aliás, se esse diatomito foi depositado gradualmente, como reivindicado por geólogos atualistas, o diatomito não seria puro, como ele é. Ademais, a taxa de deposição lenta resultaria em corrosão e eliminação dos ossos da baleia, porque a caixa torácica, por exemplo, teria ficado aguardando sepultamento por eras. 

Se não bastasse, a deposição Lompoc não apresentou moradores de fundo do mar (moluscos, mexilhões e caracóis), em vez disso foram encontrados no local outros companheiros fósseis para a baleia, tais como “bacalhau, peixes arenque, peixes-agulha [parente dos cavalos-marinhos], leões marinhos e pássaros, nenhum dos quais é morador do fundo do mar”, tornando-se evidente que “o conjunto Lompoc representa um cemitério fóssil catastroficamente enterrado, não o enterro progressivo de um habitat.”[2: p. 256]

O curioso é que, de acordo com o pessoal do museu, até meados de 1997, a camada de rocha de diatomito contendo o fóssil da baleia permanecia sobre um vagão no fundo do museu devido à falta de dinheiro e ao espaço necessário para que fosse curadoriada.[4] Será mesmo esse o real motivo de o achado ter sido ignorado por décadas? Talvez uma evidência como essa que aponta para uma catástrofe de grande escala e contraria o atualismo vigente não ofereça mesmo um bom motivo para curadoriá-la.

(Everton Fernando Alves é mestre em Ciências [Imunogenética] pela UEM e diretor de ensino do Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira [NUMAR-SCB]; seu e-book pode ser lido aqui)

Referências:
[1] Reese KM. “Workers find whale in diatomaceous earth quarry.” Chemical and Engineering News 1976; 54(41):40.
[2] Snelling AA. “The Whale Fossil in Diatomite, Lompoc, California.” CEN Tech. J. 1995; 9(2):244-58. Disponível em: http://creation.com/images/pdfs/tj/j09_2/j09_2_244-258.pdf
[3] Ackerman PD. It’s a Young World After All. Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1986, p. 81-83.
[4] South D. “A Whale of a Tale.” The TalkOrigins Archive, 1997. Disponível em: http://www.talkorigins.org/faqs/polystrate/whale.html

terça-feira, dezembro 22, 2015

O maior presente


O nascimento de Cristo

O maior presente
Novamente nos aproximamos do período em que muitos lembram do Natal. Infelizmente costumes populares se desenvolveram independentemente da comemoração do nascimento de Jesus Cristo e se perdeu de vista a revelação divina nas Escrituras Sagradas. Shopings e casas comerciais, belamente adornados e ao som de músicas natalinas, sensibilizam o curacao de muitos. Apesar da crise, comerciantes reforçaram o estoque de mercadorias, e, a fim de garantir a festa, milhares finalmente afluirão às lojas e aos supermercados em busca dos presentes, alimentos e bebidas. Sem muita dificuldade, é possível perceber que meras tradições natalinas não promovem um verdadeiro reavivamento espiritual entre o povo, que em geral concebe o Natal como um evento social, ocasião para comilanças e bebedices. Portanto, atualmente também deveríamos atender o convite: “Vamos até Belém e vejamos isso que aconteceu e o que o Senhor nos revelou” (Lucas 2:15). Mas, não necessitamos literalmente ir a Belém literalmente a fim de saber o que foi revelado aos antigos pastores. Basta irmos à Palavra de Deus.

Matemáticos e a evolução

A matemática é uma área da academia em que o ceticismo científico do neodarwinismo pode sobreviver ao atual clima político! O Discovery Institute recebeu um e-mail de alguém comentando a lista dos dissidentes de Darwin (Scientific Dissent from Darwin List), na qual mais de 600 cientistas PhDs de várias áreas concordam que são “céticos quanto à afirmação de que mudanças aleatórias e a seleção natural poderiam explicar a complexidade da vida”. O autor do e-mail, cético do ceticismo-evolucionista, escreve: “Eu sou um matemático e certamente NÃO estou qualificado para assinar tal lista. Apenas biólogos evolucionistas estão qualificados para dar respostas.” Uma vez que a lista dos dissidentes de Darwin contém indivíduos formados em biologia evolucionária, a questão é: “A objeção do autor do e-mail é válida?” A verdade é que a matemática tem uma forte tradição em fazer críticas convincentes da biologia evolucionária. Afinal de contas, a teoria de Darwin da evolução através da seleção natural é fundamentalmente baseada em um algoritmo que usa um processo matemático de tentativa e erro para tentar produzir complexidade. A genética de populações é repleta de matemática. De fato, uma das críticas sobre os alegados fósseis transicionais de baleias é que eles representariam mudanças evolutivas em uma escala de tempo muito rápida para ser matematicamente factível. Ao que parece, não há boas razões para que formados em matemática não possam comentar sobre a habilidade do processo de seleção-mutação neodarwiniano em gerar a complexidade da vida.

Um dos mais conhecidos debates matemáticos sobre evolução ocorreu no Simpósio Wistar (Wistar Symposium), em 1966, na Filadélfia, em que matemáticos e outros cientistas de áreas afins congregaram para avaliar se a teoria neodarwiniana é matematicamente viável. A conferência foi presidida pelo ganhador do prêmio Nobel, Sir Peter Medawar. O consenso geral de muitos participantes da reunião foi de que o neodarwinismo simplesmente é matematicamente insustentável.

Os registros daquela conferência, Mathematical Challenges to the Neo-Darwinian Interpretation of Evolution (“Desafios Matemáticos à Interpretação Neo-darwiniana da Evolução”, Wistar Institute Press, 1966, n. 5), reportam vários desafios à evolução, apresentados por respeitados matemáticos e outros acadêmicos da conferência. Por exemplo, o presidente da conferência, Sir Peter Medawar, afirma logo no início:

“A causa imediata para esta conferência é o senso difundido de insatisfação com relação ao que tem sido aceito como teoria evolucionária no mundo de língua-inglesa, a chamada Teoria Neodarwiniana... Há objeções feitas por colegas cientistas que sentem que, na teoria atual, algo está faltando... Essas objeções à teoria neodarwiniana atual são muito amplamente difundidas entre os biólogos em geral; e não devemos, penso eu, solucioná-las. O simples fato de realizarmos esta conferência é evidência de que não iremos solucioná-las” (Sir Peter Medawar, “Remarks by the Chairman”, in Mathematical Challenges to the Neo-Darwinian Interpretation of Evolution, Wistar Institute Press, 1966, n. 5, p. xi, emphasis in original).

Vários cientistas, dentre eles alguns matemáticos, comentaram sobre alguns problemas com o neodarwinismo:

“Uma maneira alternativa de olhar para o genótipo é como um algoritmo gerador, ao invés de um diagrama; uma receita para produzir um organismo vivo do tipo certo no ambiente adequado para seu desenvolvimento é um exemplo. Assumindo esta hipótese, o algoritmo deve ser escrito em alguma linguagem abstrata. A biologia molecular pode ter nos fornecido o alfabeto dessa linguagem, mas é um longo trajeto do alfabeto até à compreensão do idioma. Não obstante, uma linguagem tem regras, e estas são as maiores restrições num conjunto de mensagens possíveis. Nenhuma linguagem formal existente pode tolerar mudanças aleatórias nas sequências de símbolos que expressam as sentenças. Seu significado é quase que invariavelmente destruído. Quaisquer mudanças devem seguir leis sintáticas. Eu poderia conjecturar que o que alguém pode chamar de ‘gramática genética’ tem uma explicação determinística e não deve sua estabilidade à pressão da seleção atuando em variações aleatórias” (Murray Eden, “Inadequacies as a Scientific Theory”, in Mathematical Challenges to the Neo-Darwinian Interpretation of Evolution, Wistar Institute Press, 1966, n. 5, p. 11).

“Requerer-se-iam milhares, talvez milhões de mutações sucessivas para produzir até mesmo a mais simples complexidade que observamos na vida hoje. Parece que, ingenuamente, não importa o quão grande seja a probabilidade de uma única mutação, ainda que fosse tão grande quanto à metade, ter-se-ia esta probabilidade elevada à milionésima potência, o que é tão próximo a zero que as chances de o processo ocorrer parecem ser inexistentes” (Stanislaw M. Ulam, “How to Formulate Mathematically Problems of Rate of Evolution”, in Mathematical Challenges to the Neo-Darwinian Interpretation of Evolution, Wistar Institute Press, 1966, n. 5, p. 21).

“Não conhecemos qualquer princípio geral que explique como unir o diagrama visto por objetos tipográficos e as coisas que eles supostamente controlam. O único exemplo que temos para uma situação similar (fora da evolução da vida) é a tarefa de profissionais de inteligência artificial em criar sistemas adaptáveis. Sua experiência converge com a maioria dos observadores: sem uma programação prévia, nada de interessante pode ocorrer. Assim, para concluir, acreditamos que há uma falha (gap) considerável na teoria neodarwiniana da evolução, e que esse gap não pode ser solucionado com a atual concepção de biologia” (Marcel Schutzenberger, “Algorithms and Neo-Darwinian Theory”, in Mathematical Challenges to the Neo-Darwinian Interpretation of Evolution, Wistar Institute Press, 1966, n. 5, p. 75).

Esses são fortes argumentos de acadêmicos qualificados para avaliar a habilidade matemática de processos aleatórios/seletivos para produzir complexidade. Enquanto biólogos evolucionistas e outros tipos de biólogos podem produzir vários insights em biologia evolucionária, cientistas de outras áreas, não biólogos, bem como matemáticos, estão certamente qualificados para comentar sobre a falseabilidade da evolução neodarwiniana.


Nota do blog Engenharia Filosófica: “O matemático Granville Sewell, da Universidade do Texas, El Paso, aponta em um de seus artigos: “Conheço muitos matemáticos, físicos e cientistas da computação que, como eu, estão atônitos por a explanação de Darwin para o desenvolvimento da vida ser tão aceita nas ciências biológicas” (“A Mathematician’s View of Evolution”, The Mathematical Intelligencer, v. 22 (4) (2000)). O motivo para a “cegueira” dos biólogos evolucionistas, apesar das evidências de outros campos da ciência, foi muito bem resumido pelo jornalista Michelson Borges, ao comentar sobre o Simpósio Wistar, de 1966, no debate entre matemáticos e darwinistas sobre  a probabilidade de o olho ter evoluído por meio da acumulação de pequenas mutações: ‘Ou seja: a evolução é um fato; o olho está aqui; então, independentemente do que digam os matemáticos, o olho evoluiu. Ponto final’ (A História da Vida, p. 46).”

Astrônomos descobrem galáxia que não deveria existir

Galáxia pronta desde o início
Era uma vez uma galáxia muito, muito distante, que existia quando o Universo era muito, muito jovem, apenas 400 milhões de anos após o Big Bang. Era uma galáxia muito antiga, a mais distante jamais observada. Seus raios de luz viajaram pelo espaço por mais de 13 bilhões de anos – 96% da idade do Universo ou três vezes a idade do Sistema Solar – até serem coletados pelos observatórios espaciais Hubble e Spitzer. Aquela galáxia tão distante foi apelidada de Tainá, “recém-nascida”, no idioma aimará, falado por povos andinos. A análise de sua luz revelou uma galáxia muito jovem e maciça, compacta e repleta de estrelas gigantes azuladas, uma galáxia que não deveria existir... pelo menos de acordo com o modelo atual da evolução do Universo.

Contra fatos e imagens não há argumentos. Sendo assim, muito embora Tainá não devesse existir, ela existe. Logo, quem está incorreta é a teoria, que parece precisar de ajustes, de acordo com o cosmologista madrilenho Alberto Molino Benito, pós-doutorando no Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG/USP). Molino colaborou com o trabalho publicado no periódico The Astrophysical Journal. Seu pós-doutorado é apoiado pela Fapesp e supervisionado pela cosmóloga Claudia Mendes de Oliveira, que estuda a formação e a evolução das galáxias.

Apesar do poder tecnológico combinado do Hubble e do Spitzer, Tainá é tão distante e tão tênue que se torna invisível mesmo para aqueles poderosos observatórios. “Para detectar Tainá, nosso grupo teve que recorrer a técnicas sofisticadas, como a lente gravitacional”, um fenômeno previsto por Albert Einstein na sua Teoria Geral da Relatividade.

Segundo Einstein, a força gravitacional exercida por um corpo de grande massa, como um aglomerado de galáxias, distorce o espaço ao seu redor. Essa distorção acaba funcionando como uma monstruosa lente virtual (ou gravitacional), que deflete e amplifica a luz de objetos muito mais distantes posicionados atrás do aglomerado que se observa.

“Nós vasculhamos o espaço à procura de aglomerados de galáxias maciços que possam agir como lentes gravitacionais para conseguir observar objetos que não deveríamos enxergar de tão tênues”, explica Molino. No caso, os astrônomos usaram o aglomerado gigante de galáxias MACS J0416.1-2403, que fica a 4 bilhões de anos-luz da Terra. O aglomerado tem a massa de um milhão de bilhão de sóis. Essa massa descomunal funcionou como o zoom de uma câmera, tornando 20 vezes mais brilhante a luz de Tainá, posicionada exatamente atrás do aglomerado.

Uma vez que Tainá foi detectada, era preciso determinar sua distância. Para calculá-la, os astrônomos estudaram sua luz por meio de um recurso chamado “desvio para o vermelho fotométrico”. Funciona deste jeito: quanto mais distante se localiza um objeto astronômico, menor é a frequência de sua luz que chega até nós. Em outras palavras, mais avermelhada a luz fica. Assim, calculou-se que Tainá ficava a 13,3 bilhões de anos-luz de distância da Terra. Sua luz viajou durante esse tempo todo para chegar até nós. Vale dizer que observamos Tainá como ela era há 13,3 bilhões de anos, quando o Universo contava apenas 400 milhões de anos.

A luz de um objeto distante não conta apenas sua localização, idade e distância. “Seu estudo pode revelar o tamanho da galáxia, sua massa, quantas estrelas ela possui e qual a proporção de estrelas jovens e velhas nessa população estelar. Quanto mais estrelas jovens, azuis e brilhantes a galáxia possui, mais jovem ela é”, explica Molino.

No caso de Tainá, trata-se de uma galáxia repleta de estrelas gigantes azuis muito jovens e brilhantes, prontas para explodir em formidáveis supernovas para virar buracos negros. Quanto ao seu tamanho, Tainá era similar à Grande Nuvem de Magalhães, uma pequena galáxia disforme que é um satélite da nossa Via-Láctea.

400 milhões de anos é muito pouco tempo para a existência de uma galáxia tão bem formada”, diz Molino. “Os modelos mais recentes da evolução do Universo apontam para o surgimento das primeiras galáxias quando ele era bem mais velho.” Por mais velho, Molino entende um Universo adolescente de 1 bilhão de anos – não um recém-nascido de 400 milhões.

Só existe uma explicação para a existência de Tainá – a mais antiga das outras 22 galáxias muito tênues detectadas pelo estudo. “Elas só poderiam se formar tão rapidamente após o Big Bang se a quantidade de matéria escura no Universo fosse maior do que acreditamos”, pondera o cosmólogo.

Matéria escura é um tipo de matéria que compõe 80% da massa do Universo. Vale dizer, há cinco vezes mais matéria escura do que a massa de todos os 100 bilhões de galáxias do Universo observável. O problema é que esta matéria, como o nome indica, é escura, ou seja, invisível, ou melhor, desconhecida. Não sabemos do que é feita. Trata-se de uma das questões mais cruciais da cosmologia atual.

Há várias teorias para explicar o que seria matéria escura. Porém, como ela não interage com a luz, não conseguimos enxergá-la nem conhecer sua substância. Sabe-se apenas que a matéria escura existe devido à sua ação gravitacional sobre as galáxias. Não fosse a matéria escura, as galáxias já teriam há muito se estilhaçado. Sem matéria escura, o Universo não seria como o conhecemos. Talvez não existíssemos.

“A única explicação para Tainá existir e ser como era quando o Universo tinha 400 milhões de anos é graças à matéria escura, que deve ter acelerado o movimento de aglomeração de estrelas para a formação das primeiras galáxias”, explica Molino. “Se existe mais matéria escura, as galáxias podem se formar mais rápido.”

Não é possível pesquisar mais a fundo sobre Tainá e suas irmãs proto-galáxias no Universo recém-nascido, pois a tecnologia à disposição foi empregada até o seu limite. “Para saber mais, para enxergar melhor as primeiras galáxias e inferir a ação da matéria escura, temos que aguardar até 2018, quando será lançado o sucessor do Hubble, o telescópio espacial de nova geração James Webb”, diz Molino.

O James Webb terá um espelho de 6,5 metros de diâmetro, muito maior que os 2,4 metros do Hubble. Esse aumento de tamanho se traduz em aumento de acuidade. Molino e seus colegas contam com a sensibilidade do futuro telescópio espacial para continuar contando galáxias distantes e formar o maior banco de dados tridimensional do Universo. “Só assim poderemos confirmar como se processou a formação e evolução do Universo.”

O artigo “Young Galaxy Candidates in the Hubble Frontier Fields”, de Leopoldo Infante e outros, publicado em The Astrophysical Journal (DOI: 10.1088/0004-637X/815/1/18), pode ser lido em arxiv.org/abs/1510.07084


Nota: Dois detalhes chamam a atenção: (1) a existência de galáxias “velhas” (já formadas) num Universo “jovem”, o que sugere que elas possam ter sido criadas para ser o que são, e não passado por longos processos evolutivos; (2) como não conseguem explicar o fenômeno da atração e estabilidade das galáxias, os astrônomos propõem a existência de algo puramente teórico: a matéria escura. Não há evidência alguma para a suposta existência dessa tal matéria, mas, como ela parece ser necessária, tem que existir. Essa atração das galáxias me faz lembrar de um texto escrito por uma autora norte-americana, há mais de cem anos, segundo a qual tudo no Universo gira em torno de um centro de atração: o trono do Criador. [MB]