terça-feira, junho 14, 2016

Atentado na boate gay e o oportunismo de Jean Wyllys

Qualquer vida perdida é uma tragédia
Como se não bastasse o comentário infeliz do deputado Jean Wyllys, quando do ataque terrorista ao Boeing-777 da Malaysia Airlines, que o brasileiro disse ter sido um “ataque homofóbico” (lembra?), agora ele aproveita a comoção em torno do massacre ocorrido numa boate gay em Orlando, EUA, para hastear mais uma vez sua bandeira da homofobia e manifestar seu oportunismo político. Ele postou o seguinte texto no Facebook: “Se Omar Sadiqqui Mateen ficou ‘muito chateado’ porque viu dois homens se beijando, como contou seu pai, foi porque aprendeu um ódio que, pertencesse ele ou não ao Estado Islâmico, não pode ser desvinculado de sua origem religiosa. Da mesma forma que as centenas de assassinatos homofóbicos que ocorrem a cada ano no Brasil não podem ser desvinculadas dos discursos homofóbicos dos pastores evangélicos fundamentalistas. Da mesma forma que tudo o que a minoria homossexual sofreu no mundo ocidental nos últimos séculos não pode ser desvinculado dos discursos escritos no Vaticano e repetidos por essa gigantesca rede de difusão do ódio anti-gay e da repressão da sexualidade chamada Igreja Católica. E da mesma forma que a pena de prisão e até de morte para os homossexuais na maioria do mundo árabe não pode ser desvinculada do discurso da maioria dos líderes religiosos muçulmanos.”

Wyllys continua confundindo com homofobia o direito de discordar. O que aconteceu em Orlando, sim, é homofobia. Mas dizer que discorda do “casamento” de pessoas do mesmo sexo é tão homofóbico quanto dizer que não concordar que a Bíblia é a Palavra inspirada de Deus é uma atitude cristofóbica. O que alguns países muçulmanos fazem com gays é homofobia, mas querer comparar isso com certas atitudes mantidas por certas pessoas num país cristão como o Brasil é confundir “alhos com bugalhos”. Um cristão nunca decapitou um homossexual por causa de sua orientação sexual. Um cristão de fato nunca vai atirar num homossexual – ou em qualquer pessoa.

Pertenço a uma igreja que muitos qualificam injustamente de “fundamentalista”, mas nunca ouvi entre nós um líder ou pregador promover o ódio aos homossexuais. Nunca li uma linha sequer em nossa literatura com conteúdo homofóbico. Pelo contrário, sempre se prega e se escreve sobre o amor aos pecadores, a despeito da discordância com o pecado. Nossa atitude é de acolhimento para com aqueles que querem deixar o pecado e viver com Cristo.

Por que Wyllys não conclama a militância LGBT a ser mais respeitosa com as religiões e com os símbolos sagrados dessas religiões? Por que ele não reprova homossexuais que, nas paradas gays, vilipendiam símbolos religiosos, indo contra a lei? É esse tipo de atitude que vai promover a tolerância e a paz?

O que se percebe é que essa comoção é seletiva, mais ou menos como aconteceu após o massacre naquela casa de shows francesa (relembre). Só que deste massacre, por exemplo, quase ninguém falou (confira). Qualquer massacre, independentemente do motivo, é algo triste e reprovável, pois seres humanos – cristãos, muçulmanos, ateus, homens, mulheres ou gays – perdem a vida nessas situações. E toda vida é preciosa, pois se trata de uma pessoa por quem Cristo morreu e que poderá ser eterna, caso compreenda e aceite o plano do Criador para a vida dela. [MB]

Nota 1: A propósito, a igreja “fundamentalista” adventista central de Orlando se ofereceu para fazer o serviço funerário gratuito de vítimas da boate Pulse. Confira.

Nota 2: Jean, e se o atirador também fosse gay? (veja isto)