domingo, janeiro 31, 2016

A pedofilia vai à escola

[Depois de bombardear as aulas de História {confira aqui}, o MEC leva a pedofilia às escolas.] Você já parou para pensar sobre o motivo dessa farta produção de literatura voltada à educação sexual nas escolas? Não vou nominar obras para não fazer publicidade de lixo pedagógico, mas há de tudo. O famoso kit gay não foi o primeiro nem o último material pernicioso. O Ministério Público chegou a intervir, em alguns casos, para impedir a distribuição. Há publicações que, explicitamente, estimulam experiências autoeróticas, heterossexuais e homossexuais. Um desses livrinhos vem com a recomendação, aos pequenos leitores, de que devem conservar o referido “material escolar” fora do alcance dos pais... A questão que me interessa aqui é a existência de uma pedagogia da educação sexual que anda a braços com a pedofilia. É estarrecedor. Todo esse material que de um modo ou de outro chegou a alunos ou a bibliotecas de escolas tem rótulo de coisa pedagógica. Quando suscita escândalo, é defendido com a afirmação de estar destinado a professores ou a adolescentes. Falem sério! Professores e adolescentes precisam de livro sobre sexualidade, com figurinhas para público infantil?

Estamos, portanto, diante de algo sistemático, reincidente e renitente, que passa por cima, atropelando (“problematizando”, para usar palavra da pedagogia marxista) a orientação dos pais. Essa educação sexual, se não está empenhada em antecipar o processo de erotização no desenvolvimento infantil, está dedicada a algo tão parecido com isso que se torna impossível perceber a diferença. Se não está dedicada a disseminar a ideia de que o corpo humano, já na mais tenra idade, é um parque de diversões eróticas, o produto de seu trabalho será inequivocamente esse. Se não pretende oferecer a crianças e adolescentes um cardápio de opções sexuais para escolherem como sanduíche no balcão do McDonalds, é a isso que levam suas propostas.

A simples ideia de que tais orientações encontrem guarida em receitas pedagógicas no ambiente acadêmico e educacional do país é repugnante. No entanto, já em 1998, no capítulo sobre Educação Sexual do documento intitulado “Parâmetros Curriculares Nacionais” elaborado pelo MEC, lê-se que (p. 292): “Com a ativação hormonal trazida pela puberdade, a sexualidade assume o primeiro plano na vida e no comportamento dos adolescentes. Toma o caráter de urgência, é o centro de todas as atenções, está em todos os lugares, na escola ou fora dela, nas malícias, nas piadinhas, nos bilhetinhos, nas atitudes e apelidos maldosos, no ‘ficar’, nas carícias públicas, no namoro, e em tudo o que qualquer matéria estudada possa sugerir.”

Ora, isso não parece exagerado? Talvez quem redigiu o texto acima padeça de tão solitário e totalizante apelo. Na faixa etária mencionada, os interesses são bem diversificados. Entre eles se incluem também os esportes, a escola, a turma de amigos, os jogos de computador e a própria família. Mais adiante, o texto afirma (p. 296): “Nessa exploração do próprio corpo, na observação do corpo de outros, e a partir das relações familiares é que a criança se descobre num corpo sexuado de menino ou menina. Preocupa-se então mais intensamente com as diferenças entre os sexos, não só as anatômicas, mas todas as expressões que caracterizam o homem e a mulher. A construção do que é pertencer a um ou outro sexo se dá pelo tratamento diferenciado para meninos e meninas, inclusive nas expressões diretamente ligadas à sexualidade, e pelos padrões socialmente estabelecidos de feminino e masculino. Esses padrões são oriundos das representações sociais e culturais construídas a partir das diferenças biológicas dos sexos, e transmitidas através da educação, o que atualmente recebe a denominação de ‘relações de gênero’. Essas representações internalizadas são referências fundamentais para a constituição da identidade da criança.”

Está aí a ideologia de gênero e a subsequente revogação que pretende promover da anatomia, da genética e dos hormônios, cujos efeitos estariam subordinados a padrões sociais. Tá bom! E o texto segue afirmando o direito das crianças ao prazer sexual, a naturalidade das manifestações e “brincadeiras” explícitas, de quaisquer natureza, às quais, na escola, se aplicaria apenas a jeitosa informação de que o ambiente não seria lá muito apropriado para isso. E adiciona: tais incontinências só deveriam ser levadas ao conhecimento dos pais quando “tão recorrentes que interfiram nas possibilidades de aprendizagem do aluno”. É o legítimo caso em que o pedagogo, com objetivos desviados, erra pelo que ensina e erra pelo que deixa de ensinar.

(Percival Puggina, Mídia Sem Máscara)

Nota: A sexualidade pura ensinada pela cosmovisão criacionista bíblica é desprezada por muitos (especialmente os marxistas culturais), quando, na verdade, seria a solução para este mundo corrompido e degenerado. Deus criou homem e mulher para uma relação sadia e para o correto exercício da sexualidade no tempo, no contexto e com a pessoa certos. O recato recomendado pelas Escrituras evitaria em muito a erotização precoce observada em nossa sociedade, na qual os estímulos sexuais estão por todos os lados. Os hormônios são liberados antes da hora e a escola tem que lidar com essa efervescência sexual, mas dizendo que é tudo normal e que as crianças devem dar vazão a esses instintos. Sim, instintos, afinal, a mesma escola ensina que somos apenas macacos pelados, fruto de uma evolução que prioriza a disseminação dos nossos genes por aí. O sexo perde sua aura de santidade, de instituição edênica, para virar mera diversão inconsequente. Bem, o crescente número de doenças sexualmente transmissíveis em jovens, o aumento alarmante da população de adolescentes grávidas e os casos de depressão e doenças emocionais relacionados à iniciação sexual precoce são apenas três consequências desse estado de coisas. Deus nos livre dessa educação que vai formar uma geração hedonista que desconhece sua história! [MB]

Programa Origens, segunda temporada


Clique aqui para assistir aos episódios da segunda temporada.

Confirmada relação entre sexo oral e câncer de garganta

Colhendo as consequências...
Um novo estudo publicado pela Faculdade de Medicina Albert Einstein (EUA) na revista Jama Oncology revelou que o papilomavírus humano (HPV), comumente transmitido no sexo oral, aumenta as chances de câncer de boca e garganta em até 22 vezes. O trabalho envolveu 96 mil pessoas que não tinham câncer no início da pesquisa. Os voluntários forneceram amostras de saliva a dois laboratórios oncológicos, e quatro anos depois, 132 casos de câncer de boca e garganta foram diagnosticados. Os pesquisadores observaram que pessoas detectadas com o HPV tipo 16, um dos mais agressivos, tinham 22 vezes mais chance de desenvolver os dois tipos de câncer do que aqueles sem o vírus. Uma importante conclusão da pesquisa, segundo o pesquisador principal, Dr. Illir Agalliu, é que o exame da saliva de pacientes pode ajudar no diagnóstico precoce desses tipos de câncer.

Especialistas acreditam que 70% do câncer de boca e garganta são causados pelo HPV, e que em 2020 esse tipo de câncer deve ser mais frequente do que o de colo de útero, entre as doenças causadas pelo papilomavirus humano.

A boa notícia é que as vacinas contra o HPV oferecidas no Brasil incluem o tipo 16 do vírus, que é considerado o grande vilão desses tipos de câncer. Mas isso quer dizer que os meninos também deveriam ser vacinados. Atualmente, apenas as meninas fazem parte do programa de vacinação do Ministério da Saúde, pois o foco da ação é diminuir os casos de câncer de colo de útero.


Nota: Cada vez mais ficam evidentes os riscos do estilo de vida dissoluto estimulado pela sociedade e pela mídia. Com a iniciação sexual precoce (e todas as suas consequências psicológicas e físicas negativas) e a multiplicidade de parceiros, os riscos de contrair uma doença grave são cada vez maiores. Além do câncer de boca e garganta, cujo risco é grandemente aumentado pelo sexo oral, há também doenças como a DIP e a clamídia, que podem tornar uma mulher estéril. Assim, decisões aparentemente inconsequentes tomadas na adolescência e juventude podem prejudicar (ou destruir) a vida de alguém para sempre. Ainda que a moça tenha se preservado ou tomado a vacina, se seu futuro esposo não tiver feito o mesmo, ela corre riscos. Mesmo a tão exaltada camisinha (preservativo de látex) não é capaz de evitar o contágio pelo HPV, uma vez que se sabe que ele pode ser transmitido pelo simples contato da pele nas regiões genitais, como a virilha. O sexo oral somente seria totalmente seguro (para aqueles que concordam com ele, evidentemente) se ambos os cônjuges nunca tivessem tido relação sexual anterior ao casamento nem tivessem qualquer tipo de doença genital. Aliás, o sexo somente é cem por cento seguro e cem por cento pleno para aqueles que tomaram a decisão de se manter virgens até o casamento (e há inúmeras pesquisas que confirmam isso), conselho dado por Deus na Bíblia Sagrada. Como se pode ver, a Bíblia, de fato, é o manual da vida; e aqueles que se pautam por ela sempre são mais saudáveis e felizes. A decisão é sua. Só que, nesse caso específico, o da sexualidade, lembre-se de que sua decisão poderá afetar seu cônjuge e sua futura família. Pense bem. Seja forte. Não embarque na “onda” e tenha coragem de viver por princípios, não por instintos. [MB]

sexta-feira, janeiro 29, 2016

Os Dez Mandamentos e a incoerência da plateia

Nas telas é tudo muito bonito
Estreou ontem nos cinemas nacionais a superprodução “Os Dez mandamentos”, produzida a partir da novela de mesmo nome, exibida com sucesso na TV Record, no ano passado. Segundo reportagem do site Extra, transformar a novela em filme foi uma tática certeira da emissora. Na pré-venda dos ingressos, só no mês de janeiro, foram vendidos mais de cem mil ingressos por dia, um total de 2,3 milhões. A arrecadação extrapola os 34 milhões de reais, só na fase inicial. Claro que os membros da Igreja Universal do Reino de Deus deram uma boa força na divulgação e na venda de ingressos, conforme apontam alguns jornalistas. Mas o fato é que o filme está na boca do povo e não deixa de ser interessante ver o público comentando sobre a saga bíblica de Moisés e assistindo a algo bem diferente do que está acostumado a ver nas salas de cinema. Mas há o outro lado da moeda – sempre há.

Muitas pessoas que estão se emocionando diante das telas e se maravilhando com os efeitos especiais aplicados nas cenas das pragas e da abertura do Mar Vermelho se esquecem de que a Bíblia anuncia, no Apocalipse, nova devastação do planeta, desta vez com pragas globais que cairão sobre aqueles que desprezaram a graça divina e viveram para praticar o mal. Muitas pessoas que encaram “Os Dez Mandamentos” como mero entretenimento acham graça quando alguém lhes prega que o mundo enfrentará novamente a ira divina e que precisamos seguir nosso libertador Jesus, não mais simplesmente para fora do Egito, mas para fora de uma vida de pecado, para fora da Babilônia mística e para uma vida de confiança total na Palavra de Deus. Mas tem mais.

Na semana passada, o testemunho de um goleiro recém-convertido ao adventismo ganhou os meios de comunicação. Vítor escolheu a fidelidade a Deus em detrimento da carreira promissora de jogador na série A. Segundo ele, os mandamentos de Deus, que incluem a guarda do sábado, estão acima de seu trabalho, do dinheiro e da fama. Vítor disse que obedecer à vontade de Deus e guardar o sábado fez dele um melhor pai, com mais tempo para a família; um melhor cidadão e um melhor cristão. Sua comunhão com Deus se aprofundou e seu testemunho dividiu opiniões.

Foi interessante ler em sites e nas redes sociais alguns comentários de pessoas que consideram a atitude do Vítor fanática, extremista e até fundamentalista. Pessoas que dizem que Deus não quer que Seus filhos percam empregos ou oportunidades. Creio que entre esses críticos deve haver quem tenha acompanhado com interesse a novela da Record ou assistido com entusiasmo o filme derivado dela. Na tela, em forma de espetáculo, é muito bonito ver um homem abrir mão da vida palaciana para viver num deserto, pastoreando ovelhas. É muito bonito ver um homem obedecer a uma ordem aparentemente absurda de enfrentar o maior império da época para libertar seu povo da escravidão. É muito bonito ver os hebreus pintar com o sangue do cordeiro a porta de suas casas. É maravilhoso ver Moisés subir o monte para receber as tábuas com a santa lei de Deus que deveria nortear a vida da humanidade, não apenas dos judeus, dos adventistas ou de qualquer outra pessoa que queira guardar todos os mandamentos bíblicos.

Mas, quando um homem de verdade, na vida real, não nas telas, decide aplicar na vida dele o sangue do “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1:29) e resolve firmemente ser fiel à lei do Criador do Universo, passa a ser alvo de críticas e escárnio por parte de alguns telespectadores que se dizem cristãos, mas seguem uma religião conveniente, de fim de semana. Uma religião que mais parece filme feito para entreter.

Jesus voltará em breve para buscar o povo que O aguarda com perseverança e que guarda Seus mandamentos, conforme está escrito em Apocalipse 14:12. E isso não é filme. Não é novela nem ficção. É uma promessa do Criador.

Michelson Borges




Ciência e fé se encontram

Abertura do Encontro de Criacionistas
Cientistas, professores e teólogos se reúnem em São Paulo para apresentar pesquisas e evidências que confirmam o relato bíblico das origens

O Núcleo de Estudo das Origens organizou entre os dias 21 e 24 de janeiro o 8º Encontro Nacional de Criacionistas. O evento é realizado a cada três anos no Unasp, campus São Paulo, e atrai cientistas, professores, pastores e outros interessados de todo o país. Com o tema “A Complexidade do Mundo Vivo e as Digitais do Criador”, o encontro atraiu mais de 350 participantes. Logo no início da programação, o Dr. James Gibson, diretor do Geoscience Research Institute (Instituto de Pesquisa em Geociência), destacou as diversas evidências de design inteligente que podem ser encontradas no Universo. Para ele, uma abordagem mais ampla do Universo, abrangendo tanto o macrocosmo (as galáxias e sistemas solares) quanto o microcosmo (partículas quânticas e o DNA), é a melhor estratégia para discutir as evidências de um Criador inteligente.

O próprio surgimento do Universo, a atuação de forças universais (como a entropia), a regulagem precisa de todos os parâmetros e propriedades matemáticas que governam a matéria, as características especiais que permitem a existência da vida no planeta e a complexidade da linguagem e dos processos genéticos, são elementos que constroem um argumento convincente para a existência de um Criador.

Para ele, as dificuldades enfrentadas pelos evolucionistas para explicar a origem da vida, a reprodução sexual, o surgimento de novos órgãos, ou as características que são tão peculiarmente humanas, como a autoconsciência, a moralidade, a religiosidade e a capacidade de planejar atividades futuras, apenas reforçam a improbabilidade de um processo natural ter produzido a vida e toda a sua variedade.

Entre os palestrantes nacionais, Tarcísio Vieira, biólogo e doutorando em Química, discutiu a inviabilidade de algumas propostas para a origem espontânea da vida mais comuns e presentes nos livros adotados em escolas e universidades no Brasil. Ele argumentou que, embora seja possível produzir aminoácidos espontaneamente, como foi demonstrado, por exemplo, nos experimentos de Stanley Miller, em 1952, a organização dessas moléculas em moléculas maiores, de importância biológica (biopolímeros), como proteínas e enzimas, é inviável do ponto de vista químico.

Como proposto por muitos simpatizantes da ideia de uma origem espontânea da vida, sob as condições certas, dado tempo suficiente, a vida poderia ter surgido a partir de compostos orgânicos, como aminoácidos e proteínas, formados em um ambiente primordial. No entanto, Tarcísio mostra que a mera possibilidade da formação espontânea de aminoácidos não deveria ser associada à ideia de um suposto surgimento espontâneo da vida.

Segundo ele, é fato que fenômenos naturais, como relâmpagos e raios, podem, sob certas condições, produzir aminoácidos. No entanto, ele explicou que as características químicas dessas moléculas e as reações necessárias para a formação de proteínas, tornam quimicamente inviáveis quaisquer reações de agrupamento espontâneo de aminoácidos visando à formação de biopolímeros de interesse biológico. “Contudo, todas essas restrições e obstáculos são superados no ambiente celular dos seres vivos de forma muito inteligente, revelando a existência de projeto e intencionalidade”, afirmou o pesquisador.

Outra restrição discutida por Vieira teve que ver com os longos períodos de tempo sugeridos para a hipotética geração espontânea da vida. De acordo com ele, o processo de formação de moléculas orgânicas encontradas no RNA é muito instável nas condições propostas para a suposta Terra pré-biótica. “Conforme o próprio Miller confessou mais tarde, adenina, citosina, guanina e uracila ‘não poderiam ter sido utilizadas no início da vida na Terra’”, ponderou. Portanto, afirmar que a vida é fruto do acaso, da mera ação das leis naturais, concluiu Tarcísio, “não está em acordo com o conhecimento químico, sendo, na verdade, crença e superstição”.

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quinta-feira, janeiro 28, 2016

Harvard, MIT e Museu de Ciências de Boston

Estátua de John Harvard
Em outubro de 2013, fui convidado a dirigir uma semana de oração (série de pregações) na cidade de Worcester, a 75 km de Boston, no estado de Massachusetts. Foi minha primeira viagem aos Estados Unidos e minha primeira oportunidade real de “gastar” um pouco do meu inglês de escola. Do Brasil até Miami, foi tranquilo. Muita gente falava espanhol. Mas no voo de Miami a Boston bateu aquele friozinho na barriga. “Agora não tem jeito. Se alguém puxar assunto comigo ou se eu tiver que pedir alguma informação, vai ter que ser.” E foi. O negócio é controlar o medo e meter a cara mesmo. Deixar a vergonha de lado e, se necessário, pedir: “Can you repeat, please?” Worcester (pronuncia-se “Uuster”) tem pouco menos de 200 mil habitantes e é a segunda maior cidade da Nova Inglaterra, no Nordeste dos Estados Unidos, ficando atrás apenas de Boston. Apesar de não muito grande, a cidade tem várias faculdades e universidades, destacando-se a Clark University, onde ensinaram Franz Boas, Robert Goddard e Albert Abraham Michelson. Sim, Michelson. O cientista que inspirou meu nome, quando minha mãe, grávida de mim, folheava uma enciclopédia científica. Na Clark University foi fundada a American Psychological Association, por G. Stanley Hall.

Durante a semana de pregações, pude visitar de dia alguns lugares, como a bela estação de trem da cidade (Union Station) e o Worcester Art Museum, onde descobri que o criador da mundialmente famosa carinha amarela com um sorriso (o smiley) era cidadão “worcestiano”. Na década de 1960, o designer Harvey Ross Ball foi contratado pela companhia de seguros State Mutual Life Assurance com o objetivo de desenvolver uma campanha para combater o ambiente depressivo da cidade. Assim nasceu a carinha amarela que passou a estampar o crachá dos funcionários. Reza a lenda que Ball não levou mais do que dez minutos para criar a carinha e recebeu 45 dólares pelo desenho. Se ele soubesse o sucesso que ela faria…

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Más escolhas podem afetar genética das próximas gerações

Estudos recentes sugerem que o comportamento e os maus hábitos de futuros pais e mães podem afetar a geração seguinte. Essa transferência de características adquiridas para os descendentes pode ser explicada pela epigenética – campo de estudo da genética que trata da variação de traços celulares e fisiológicos em decorrência da ação de fatores ambientais externos, capazes de ativar ou desativar a expressão de determinados genes. O assunto será tema da próxima edição da revista Vida e Saúde, editada pela Casa Publicadora Brasileira. Segundo o editorial, assinado pelo jornalista Michelson Borges, editor da publicação, “as más escolhas na vida já seriam suficientemente ruins se tivessem apenas consequências sobre nós mesmos, mas a coisa pode ser ainda pior”. 

Estudos apontam que algumas alterações epigenéticas podem permanecer no indivíduo por toda a vida, embora grande parte delas seja apagada quando os óvulos e o esperma são produzidos, para que o feto comece o seu desenvolvimento como uma folha em branco. Algumas dessas alterações, porém, acabam não sendo apagadas e podem ser transferidas para a próxima geração.

Uma pesquisa realizada na Dinamarca, por exemplo, sugere que o peso de um homem afeta as informações contidas nos espermatozoides, o que pode fazer com que os filhos tenham propensão à obesidade. O autor da pesquisa, Romain Barres, afirma que “quando uma mulher está grávida, precisa se cuidar. Mas, se as implicações do estudo forem comprovadas, as recomendações devem ser dirigidas aos homens também”. 

Assim, pode-se afirmar que parte dos fatores aos quais estamos expostos no dia a dia, tais como a dieta, a poluição atmosférica, o consumo de drogas e a exposição aos pesticidas e fungicidas podem promover alterações epigenéticas e consequentemente influenciar as gerações seguintes.

(Silaine Bohry, ASN)

quarta-feira, janeiro 27, 2016

Colunista da Folha de S. Paulo explica o princípio do sábado

Sábado é bíblico, domingo é tradição
Os adventistas do sétimo dia são conhecidos como uma das poucas denominações cristãs no mundo a ensinar e a ressaltar a validade do sábado como dia de guarda. A argumentação adventista é baseada no próprio texto bíblico, em livros como Gênesis e Êxodo. E esse princípio foi destacado, na edição do dia 26 deste mês da Folha de S. Paulo, na coluna de Reinaldo José Lopes. O jornalista assina a coluna “Darwin e Deus” na qual se propõe escrever sobre teoria da evolução, ciência e religião. Nessa edição, ele respondeu a duas perguntas de leitores. Uma relacionada à [suposta] fundamentação bíblica para canonização dos chamados santos. E a outra que questiona se é correto a maioria dos cristãos ter escolhido o domingo, e não o sábado, como dia santo. Em sua resposta, Lopes afirma que “de fato, a versão bíblica dos Dez Mandamentos se refere ao sábado, o último dia da semana, e não ao primeiro (que não se chamava domingo porque essa palavra significa originalmente ‘dia do Senhor’ e Senhor nesse contexto quer dizer Jesus, não Deus Pai)”. Por outro lado, o colunista explica que “Jesus, segundo a crença cristã, teria ressuscitado no primeiro dia da semana. Isso fez com que, logo nos primeiros séculos do cristianismo, reuniões para rememorar a morte e a ressurreição de Jesus acontecessem no domingo”.

O jornalista afirma ainda, na resposta ao leitor, que “nem todos os cristãos seguem essa tradição – os adventistas, por exemplo, advogam que ainda se deve guardar o sábado”.

O pastor Herbert Boger, diretor da área de Mordomia Cristã da Igreja Adventista em oito países sul-americanos, comentou a matéria. A área dirigida por Boger contempla ações de motivação para que as pessoas compreendam a importância da guarda do sábado e vejam essa prática como uma evidência de fidelidade aos princípios deixados por Deus. Na avaliação dele, a menção foi importante porque, “como adventistas do sétimo dia, seguimos todos os princípios, valores e ensinamentos de Jesus Cristo registrados na Bíblia. O pastor lembra, ainda, que no próprio relato dos primeiros cristãos, depois da morte e ascensão de Jesus, o sábado é apresentado como um dia especial de adoração e descanso. “No livro dos Atos dos Apóstolos, por exemplo, existem mais de 80 referências ao sábado pós-morte de Jesus. Cremos que o sábado é eterno. Ele foi criado para o bem de todos que descansam nesse dia de renovação espiritual e antiestresse”, salienta.

(Felipe Lemos, ASN)

Se quiser saber mais sobre o sábado e sua vigência ao longo da História, assista ao vídeo abaixo.

terça-feira, janeiro 26, 2016

Querem mudar o currículo educacional do Brasil

Uma educação ruim que pode piorar
Se isso acontecer, será muito difícil dar estudos bíblicos, porque ninguém saberá que existiram Babilônia, Grécia, Império Romano, Revolução Francesa...

Uma proposta que está sendo gestada em Brasília pode apagar a Grécia da História. Ironicamente ela não afetará nenhum cidadão grego, mas pode ser devastadora para os brasileiros. Não, o Brasil não mandará tropas ao mar Egeu. A proposta se refere a mudanças no que as quase 200 mil escolas brasileiras deverão ensinar aos seus alunos em todas as disciplinas, a chamada Base Nacional Comum Curricular. Uma organização assim é bem-vinda. Entretanto, para ser benéfica, deve ser muito cuidadosa nos conteúdos propostos. E aí está o problema. A íntegra da proposta está disponível para consulta pública no site do Ministério até o dia 15 de março e o documento vem sendo bombardeado por especialistas. Qualquer brasileiro pode deixar lá sua opinião. Neste artigo, vou me concentrar em História. É importante também deixar claro que este texto trata apenas de aspectos educacionais, fugindo de qualquer discussão política ou partidária. Mas é impossível não mencionar a característica fortemente ideológica e doutrinária do documento do MEC.

Evidentemente a educação é a mais poderosa ferramenta de controle de um povo. E a disciplina de História tem papel crucial nessa tarefa, pois apresenta elementos capazes de moldar a moral do cidadão. Não é de se espantar, portanto, que todos os regimes totalitários lancem mão desse recurso odioso.

No Brasil mesmo, temos o exemplo do currículo imposto pelo governo militar, que distorceu à vontade a história do país para criar uma geração dócil e pouco contestadora. O próprio currículo atual está longe de ser perfeito, sendo resultado de um arremedo do que sobrou do currículo militar com discussões mal-ajambradas da academia desde então, além da ideologia de cada autor.

No século passado, tivemos também outros excelentes exemplos de doutrinação pela escola, na Alemanha nazista, na União Soviética e na China. E atualmente temos o caso da Coreia do Norte, “o país sem cidadãos tristes”.

Claro que podemos afirmar que não há um currículo escolar sem viés político, pois a História nos mostra (pelo menos para aqueles que tiveram a oportunidade de ter uma visão mais ampla dela) que ela é contada sempre pelo vencedor. Seja o vencedor de uma guerra, seja o vencedor das últimas eleições. E nem precisa ser algo de grande monta: estamos cansados de ver prefeitinhos mequetrefes criando “conteúdos pedagógicos” para as escolas de seus municípios que desqualificam seus opositores e o que pensam.

Mas, afinal, o que o MEC está propondo para História?

A proposta do MEC parte de um pressuposto interessante e válido: como os fatos culminaram na atual sociedade brasileira. Mas a situação se deteriora rapidamente quando observamos os conteúdos propostos para se atingir esse objetivo pedagógico. Pela proposta, o ensino de qualquer coisa anterior às Grandes Navegações foi eliminado, incluindo aí a formação dos povos mesopotâmicos, egípcios, hebreus, gregos, romanos, além de todos os Estados europeus, pedras fundamentais da cultura ocidental, inclusive da brasileira.

O currículo atual, bastante centrado na Europa, daria lugar a uma proposta fortemente focada em civilizações ameríndias e africanas. Todo o estudo da Antiguidade, Idade Média, Renascimento é eliminado, incluindo o surgimento e a disseminação do Cristianismo, do Judaísmo e do Islamismo. Em seu lugar, entram o contexto político dos povos indígenas brasileiros e da África subsaariana às vésperas da Conquista. E até temas para lá de questionáveis para a formação do cidadão brasileiro, como a independência do Haiti e a Revolução Boliviana ocupariam as aulas de história. [!]

É inegável a influência dos índios e dos africanos em nossa cultura e eles merecem ser mais bem apresentados do que são hoje. Mas de forma alguma isso pode acontecer em prejuízo de outros elementos definidores dela, a maioria mais importantes que os agora propostos. Pois, queiram ou não, nossa cultura e nossas organizações social, política, legal têm base europeia.

Pela nova proposta, eventos históricos europeus só são considerados naquilo que, de alguma forma, se relacionem com o Brasil. Mas como entender a independência do nosso país sem entender que a Corte portuguesa só veio ao país fugindo das Guerras Napoleônicas? É como entendê-las sem compreender a formação do Estado francês, que por sua vez está ligado, em suas raízes, ao fim do Império Romano. Esse, por sua vez, construído sobre a cultura de um país por eles dominado militarmente (mas não culturalmente) séculos antes: os mesmos gregos do início deste artigo.

A própria Revolução Francesa, que ajudou a moldar todo o Ocidente - e posteriormente parte do Oriente, por influência de nações como Inglaterra e EUA - fica reduzida a um estudo no 8º ano de como ela influenciou o nosso processo de independência e do pensamento liberal no país. E não há sequer menção à Revolução Industrial, que cristalizou os conceitos do Capitalismo e abriu espaço para a luta de classes e, portanto, do Socialismo. Que dizer então da Guerra Fria e sua influência decisiva na formação geopolítica global? Também não está lá. E estes são apenas alguns exemplos.

Essa proposta, que, a despeito da consulta pública, é completamente desconhecida da população, precisa ser, portanto, discutida e modificada dramaticamente! Entretanto, o pouco tempo disponível (cerca de seis meses) e a falta de divulgação e transparência nos processos me fazem sinceramente temer pelo resultado final.

A História, apresentada de maneira ampla e sem viés ideológico, é essencial para a formação, manutenção e evolução de qualquer sociedade. Estamos em um momento precioso para fazer isso direito, mas a proposta atual corre exatamente em sentido contrário.

Afinal, como nós estudamos na escola, conhecendo a história, compreendemos o presente e criamos um futuro melhor para todos. Mas, com a proposta em questão, temo que nossos filhos e netos não terão a mesma oportunidade de desenvolver essa visão crítica do mundo.

(O macaco Elétrico, Estadão)

Nota: Conforme apontou meu colega de trabalho e editor de livros didáticos pastor Fernando Dias, “essa nova base curricular comum promete ser uma arma de doutrinação marxista. Querem omitir toda a história do surgimento do cristianismo e da Reforma Protestante dos livros de História e, no lugar, valorizar a cultura de povos pagãos. A história dos países que cumprem as profecias da Bíblia também não terá lugar. Se isso acontecer, será muito difícil dar estudos bíblicos, porque ninguém saberá que existiram Babilônia, Grécia, Império Romano, Revolução Francesa, etc.”

Clique aqui e manifeste sua opinião lá no site do Ministério da Educação.

segunda-feira, janeiro 25, 2016

Mitos de criação: verdades e mentiras

Mito egípcio da criação
A Bíblia pinta o quadro da criação e da queda de forma simples e direta. E se os primeiros capítulos de Gênesis fossem aceitos como relato histórico fidedigno, muitas dúvidas a respeito dos efeitos da maldade sobre o mundo e mesmo sobre o caráter de Deus seriam desfeitas. Afinal, como explicar a existência da morte, das doenças, das tragédias, da violência e de todas as mazelas que parecem fazer parte inerente da história da humanidade? Como aceitar que um Deus de amor crie flores e espinhos? Como aceitar que, para sobreviver, animais tenham que se alimentar uns dos outros? Teriam a cadeia alimentar e a morte sido criadas como elementos constitutivos normais da criação de Deus? Difícil aceitar essas contradições e fácil entender por que muitos acabam enveredando pelos caminhos do ceticismo e do ateísmo.

Mas por que será que essa resistência quanto à historicidade do livro bíblico de Gênesis tem se intensificado cada vez mais? É comum ver livros, artigos, filmes e estudiosos de diversas áreas – inclusive teólogos – apresentando o relato da Criação como uma alegoria ou “conto da carochinha”. Na verdade, Satanás vem preparando o terreno para isso faz muito tempo. E começou com os chamados mitos de criação.

Quando se analisam os relatos de culturas antigas a respeito da criação do mundo, logo de início se pode perceber a diferença entre eles e o texto bíblico sobre as origens. Veja alguns desses relatos mitológicos:

Após Anu ter criado os céus,
E os céus terem criado a terra,
E a terra ter criado os rios,
E os rios terem criado os canais,
E os canais terem criado o pântano,
E o pântano ter criado o verme,
O verme procurou Shamash chorando,
Suas lágrimas se derramando diante de Ea:
“O que me darás como comida,
O que me darás para beber?”
“Eu te darei o figo seco
E o damasco.”
“O que representam eles para mim? O figo seco
E o damasco!
Eleve-me, e entre os dentes
E as gengivas deixe-me morar!...”
Por teres dito isto, ó verme,
Possa Ea destruir-te com a força da
Sua mão!

Esse texto faz parte de um encantamento contra o verme que os assírios de 1000 a.C. imaginavam que provocava a dor de dente. Ele começa com a origem do Universo e termina com a “cura” da dor de dente.

Agora leia estes outros:

Os primeiros homens criados e formados foram chamados de Feiticeiros do Riso Fatal, Feiticeiros da Noite, Os Desleixados e Feiticeiros Negros... Foram dotados de inteligência e sabiam tudo o que havia no mundo. Quando olhavam, viam instantaneamente tudo ao redor, e eles contemplaram a volta do arco dos céus e da face arredondada da terra... [Então o criador disse]: ‘Eles sabem tudo... o que deveremos fazer com eles agora? Deixe que a visão deles alcance somente uma pequena parte da face da terra! [...] Não são eles, pela própria natureza, simples criaturas resultantes de nosso trabalho? Deverão ser deuses também? (Popol Vuh dos Maias Quiché).

“O que são vocês? De onde vieram? Nunca vi algo como você.” O criador Raven olhou para o homem e ficou... surpreso em descobrir que aquele novo ser estranho era muito parecido com ele (Mito esquimó da criação).

Na Arean estava sozinho no espaço como uma nuvem que flutua no nada. Não dormia porque não havia sono, não estava faminto porque não havia fome. Assim permaneceu por muito tempo, até que veio um pensamento à sua mente. Disse a si mesmo: “Eu farei uma coisa” (Mito do Maiana, Ilhas Gilbert).

No início esse [Universo] não existia. De repente, ele passou a existir, transformando-se em um ovo. Depois de um ano incubando, o ovo chocou. Uma metade da casca era de prata, a outra, de ouro. A metade de prata transformou-se na terra; a metade de ouro, no firmamento. A membrana da clara transformou-se nas montanhas; a membrana mais fina, em torno da gema, em nuvens e neblina. As veias viraram rios; o fluido que pulsava nas veias, oceano. E então nasceu Aditya, o Sol. Gritos de saudação foram ouvidos, partindo de tudo que vivia e de todos os objetos do desejo. E desde então, a cada nascer do Sol, juntamente com o ressurgimento de tudo que vive e de todos os objetos do desejo, gritos de saudação são novamente ouvidos (Chandogya Upanisad, III, 19 [hinduísmo]).

Primeiro havia o grande ovo cósmico; dentro do ovo era o caos, e flutuando no caos estava P’an Ku, o Não Desenvolvido, o divino Embrião. E P’an Ku brotou do ovo, quatro vezes maior do que qualquer homem de hoje, com um martelo e um cinzel em suas mãos, com os quais moldou o mundo (Mito de P’an Ku, China [por volta do século 3]).

A criação do mundo não terminou até que P’an Ku morreu. Somente sua morte pôde aperfeiçoar o Universo: de seu crânio surgiu a abóbada do firmamento, e de sua pele a terra que cobre os campos; de seus ossos vieram as pedras, de seu sangue, os rios e os oceanos; de seu cabelo veio toda a vegetação. Sua respiração se transformou em vento, sua voz, em trovão; seu olho direito se transformou na Lua, seu olho esquerdo, no Sol. De sua saliva e suor veio a chuva. E dos vermes que cobriam seu corpo surgiu a humanidade (Mito de P’an Ku, China [por volta do século 3]).

Embora seja um erro usar valores e símbolos de nossa própria cultura na interpretação de mitos de outras culturas, há detalhes que se repetem nos diversos mitos e que é impossível passar por alto. Invariavelmente, os mitos fazem referência a deidades limitadas, que por vezes não sabem exatamente o que fazem, criam as coisas por acidente ou até morrem. Noutros casos, os deuses são violentos, vingativos e cheios de paixão (como os deuses do panteão grego, por exemplo). Há mitos que mencionam animais falando e coisas inanimadas dando origem espontaneamente à vida, isso quando a própria natureza, ou elementos dela, não são divinizados, conforme escreveu Marcelo Gleiser, em seu livro A Dança do Universo, página 20:

“Os pormenores desse processo de deificação da natureza variam de acordo com a localização, clima ou com o grau de isolamento de um determinado grupo. Em certas culturas, vários deuses controlavam (ou até personificavam) as diferentes manifestações naturais, enquanto em outras a própria natureza era divina, a ‘deusa-mãe’. Rituais e oferendas procuravam conquistar a simpatia divina, garantindo assim a sobrevivência do grupo.”

Sem querer fazer uma análise do ponto de vista da antropologia cultural (deixemos isso para os antropólogos), quero apenas ressaltar que, à medida que o tempo passava e as comunidades humanas se espalhavam a partir do ponto de origem, os relatos a respeito da criação iam tomando contornos próprios e incorporando elementos que, comparados ao relato bíblico, soam bastante estranhos. (Embora praticamente todos os mitos concordem num ponto: o Universo teve um início.)

Apesar das discrepâncias, há também coincidências que surpreendem. Em meu livro Por Que Creio (CPB), publiquei uma entrevista com o doutor em Teologia e Arqueologia Rodrigo Pereira da Silva. Nela, Rodrigo mostra algumas dessas “coincidências” impressionantes. Ele aponta documentos como o Enuma Elish, o Épico de Atrahasis e o Épico de Gilgamesh como tendo fortes paralelos com a descrição bíblica da criação do mundo, a queda do ser humano e a vinda de um dilúvio sobre a Terra. Especialmente com relação ao Enuma Elish e o Gênesis, há a seguinte relação de paralelos: (1) em ambos os livros a água está presente nos estágios iniciais da Criação; (2) no Enuma Elish, a luz emana dos deuses, enquanto no Gênesis é Yahweh quem a cria; (3) o firmamento é criado; (4) aparecem as terras secas; (5) as luminárias celestiais são estabelecidas; (6) o homem é criado no sexto dia, enquanto no Enuma Elish a Criação é descrita no tablete número 6; e (7) no Enuma Elish os deuses descansam após a Criação e a celebram, enquanto no Gênesis, Deus também “descansa” no sétimo dia e celebra a Criação.

“Por causa dessas similaridades, alguns historiadores têm sugerido que o relato bíblico não passa de um plágio de documentos mais antigos. Entretanto, as diferenças (que são muito mais significativas que as similaridades) fazem supor não uma cópia de material, mas antes uma referência múltipla aos mesmos eventos”, comenta Rodrigo.

K. A. Kitchen escreveu, em Ancient Orient and Old Testament: “A suposição comum de que este relato [bíblico] é simplesmente uma versão simplificada de lendas babilônicas é um sofisma em suas bases metodológicas. No antigo Oriente Próximo, a regra é que relatos e tradições podem surgir (por acréscimo ou embelezamento) na elaboração de lendas, mas não o contrário. No antigo Oriente, as lendas não eram simplificadas para se tornar pseudo-história, como tem sido sugerido para o Gênesis.”

Muitos pesquisadores, como Levi Strauss, que consideram o relato da criação mero mito, admitiram que grande surpresa e perplexidade surgem do fato de que esses temas básicos para os mitos da criação são mundialmente os mesmos em diferentes áreas do globo.

A. G. Rooth analisou cerca de 300 mitos de criação encontrados entre tribos indígenas norte-americanas e concluiu que, a despeito de certa variação de costumes e outros fatores culturais, os mais variados grupos concordam em alguns temas principais. Por que essas similaridades de ideias míticas e imagens abundam em culturas tão distantes umas das outras? Rodrigo responde: “A resposta, creio, não poderia ser outra senão a de que todas as tradições se encontram num mesmo evento real que, de fato, ocorreu em algum ponto da história antiga. Esse evento tem que ver com uma criação divina do planeta Terra e uma conseguinte queda moral da humanidade, que então se coloca à espera da redenção prometida.”

As similaridades dos mitos, portanto, apontam para o mesmo evento: a criação do mundo por uma Divindade. As diferenciações, “floreios” e distorções ficam por conta dos homens que se encarregaram de redigir suas versões da história da criação. E é aqui que começa o problema.

Acredito que tenha havido um dedo do inimigo de Deus aí. E como tudo o que ocorre neste mundo tem relação direta ou indireta com o grande conflito cósmico entre o bem e o mal, não seria demais supor que Satanás ajudou a difundir as mais absurdas ideias sobre a origem do Universo e da vida. Assim, numa era mais esclarecida, fundamentada no pensamento científico, nivelar os mitos de criação com o relato de Gênesis seria algo quase inevitável. E foi, de fato, o que ocorreu.

Mas qual é o interesse do inimigo nisso? Simples. O livro de Gênesis é a base de toda a cosmovisão do cristianismo, bem como do judaísmo e do islamismo, religiões que, juntas, abarcam grande parte da população mundial. Especialistas em Novo Testamento dizem que a doutrina de Cristo está edificada sobre a revelação do Antigo Testamento, que, por sua vez, repousa inteiramente sobre o relato de Gênesis. Se a história da queda não aconteceu de fato, Adão e Eva não cometeram pecado e não havia do que a humanidade ser salva. Assim, a crença na morte expiatória de Cristo perde completamente seu significado. Você compreende as implicações? Entende por que modelos científico-filosóficos como o evolucionismo ganharam tanto espaço, especialmente entre as culturas de formação judaico-cristã? Entende por que o ceticismo, o materialismo e o ateísmo avançaram tanto? Minimizando o relato da criação de Gênesis e igualando-o aos demais mitos das culturas ancestrais, Satanás conseguiu fazer com que as pessoas considerassem a Bíblia um alicerce frágil, incapaz de prover respostas para as grandes questões sobre a origem de tudo.

Satanás sabe que Deus é o Criador todo-poderoso que pode, pelo mesmo poder que trouxe tudo do nada à existência, recriar o ser humano pecador à Sua imagem. Sabe que homens e mulheres só podem ser plenamente realizados numa relação de amizade e comunhão com seu Criador; por isso faz de tudo para que as pessoas se afastem do único caminho que pode torna-las verdadeiramente felizes. 

Com os diferentes mitos de criação, o inimigo de Deus começou a preparar o palco chamado Terra para seus diabólicos atos seguintes, sempre com o mesmo objetivo: afastar homens e mulheres do Criador e de Sua revelação escrita, distorcendo-Lhe o caráter e arrebanhando mais e mais figurantes para sua peça macabra.

Não se esqueça: o anjo caído é um grande estrategista. Seus planos vêm sendo arquitetados há muito tempo, e logo chegarão a um desfecho. Precisamos estar apercebidos disso.

Declarações bíblicas sobre a criação

“Tu, Senhor, no princípio fundaste a Terra, e os Céus são obra de Tuas mãos” (Hebreus 1:10). Paulo, aqui, reafirma o que Moisés já havia escrito muito tempo antes: “No princípio criou Deus os céus e a terra” (Gênesis 1:1).

“Só Tu és Senhor, Tu fizeste o céu, o céu dos céus e todo o seu exército, a terra e tudo quanto nela há, os mares e tudo quanto há neles; e Tu os preservas a todos com vida” (Neemias 9:6). A Bíblia afirma que Deus não “apenas” criou o Universo, como também o mantém. Se a Terra permanece orbitando em torno do Sol, assim como os demais planetas; se a atmosfera terrestre, com seus gases na proporção exata para a manutenção da vida, se mantém em torno do planeta, sem se dissipar no vácuo sideral; se você está respirando e pensando neste exato momento; lembre-se: tudo isso ocorre porque Deus assim o quer.

“Faça perguntas às aves e aos animais, e eles o ensinarão. Peça aos bichos da terra e aos peixes do mar, e eles lhe darão lições. Todas essas criaturas sabem que foi a mão do Deus Eterno que as fez” (Jó 12:7-9 BLH). Numa linguagem poética, Moisés está aqui apontando uma ironia: o ser mais inteligente da Terra parece (ou quer) ignorar algo que até os animais, ditos irracionais, de alguma forma sabem – que Deus os trouxe à existência.

“Pela fé entendemos que o Universo pela palavra de Deus foi criado; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é visível” (Hebreus 11:3). Deus não precisou de matéria preexistente para modelar o Universo físico. Sua palavra é poder. Ao dizer Ele: “Haja luz”, a luz passou a existir, e assim todos os componentes da criação. Albert Einstein já demonstrou convincentemente que energia e matéria são intercambiáveis (E=mc²). Matéria pode ser transformada em energia (basta pensar nas bombas nucleares). E com a adequada fonte de energia, matéria também pode ser obtida. Deus, portanto, proveu a energia necessária para dar origem ao vasto cosmos.

(Michelson Borges, jornalista e mestre em Teologia)

Minha história eterna (testemunho de Michelson Borges)

Resenha: Teoria do Design Inteligente, de Everton Alves

Em entrevista ao programa Inspire-se, Everton F. Alves, mestre em Ciências pela Universidade Estadual de Maringá e autor do e-book Teoria do Design Inteligente: Evidências Científicas no Campo das Ciências Biológicas e da Saúde, afirma: “[A teoria do Design inteligente] pode ser compreendida como o estudo dos padrões na natureza que carregam as marcas de causalidade inteligente. [...] A proposta do Design Inteligente é apenas detectar design na natureza. [...] É importantíssimo esclarecer que o Design Inteligente não se preocupa em esclarecer ou explicar questões sobre a origem da vida, do Universo, sobre a idade da Terra. [...] A proposta do Design Inteligente é apenas observar design inteligente num objeto na natureza hoje, a qualquer coisa que pode ser observável, pesquisada e identificada em laboratório. A gente não olha pra trás; a gente não analisa o passado pra tentar explicar as origens.”

A declaração do autor na entrevista está em harmonia com o argumento central de Darwin no Banco dos Réus, de Phillip E. Johnson, quem, “formalmente”, iniciou o Movimento do Design Inteligente (MDI) no início da década de 1990.[1] A inferência (ou detecção) de design nos sistemas biológicos dá-se através de arcabouços lógicos, matemáticos e analíticos que, quando comparados à teoria neodarwiniana, mostram-se mais sólidos para explicar a realidade dos dados observados.[2]

Como pesquisador comprometido, Alves fez o dever de casa – e bem feito. Em 30 capítulos, fundamentados em mais de 350 artigos científicos (revisados por pares), ele expõe evidências que, antes mesmo de apoiar a Teoria do Design Inteligente (TDI), refutam a teoria neodarwiniana lançando mão apenas de pesquisas e resultados científicos, nos quais a proposta causal evolucionista não pode ser bem-sucedida.

Pode-se notar uma divisão “temática” na obra, em que, sequencialmente, são analisadas as insuficiências do modelo darwinista (e.g., a fraude dos embriões de Haeckel, as moscas-das-frutas, os tentilhões de Darwin, etc.), os supostos órgãos vestigiais, mitos genéticos (“DNA-lixo”), o despontar da Epigenética, supostos exemplos de bad design (o polegar do panda, a faringe humana, o apêndice, etc.), evidências de projeto (biomimética, complexidade irredutível, projeto capilar humano) e, para finalizar, algumas conclusões que cientistas honestos (especialmente na medicina) têm chegado à luz de tanta informação obtida nos últimos anos.
Sem querer revelar spoilers, alguns capítulos e citações em especial saltaram-me aos olhos. Em “O design inteligente e o ritmo biológico (circaceptano)”, há algo curioso:

“À primeira vista, pode parecer que o ciclo semanal de sete dias foi herdado por uma cultura humana de milhares de anos atrás. Mas essa teoria não se sustenta quando se percebe que o ciclo circaceptano ocorre em outros seres vivos além de humanos. Portanto, a Biologia, não a cultura, é, provavelmente, a fonte da semana de sete dias. [...] Campbell afirma que o ciclo de sete dias tem a ver com a lógica interna do corpo, não com a lógica externa do mundo.”

Outro capítulo que destaco é “A faringe humana: um tubo ou dois tubos?”, em que o autor demonstra como a ciência, feita e interpretada com seriedade, vai contra alegações esdrúxulas de “bad design” dos neodarwinistas. O fato de a faringe ser um canal comum ao aparelho digestivo e ao aparelho respiratório tem levado os evolucionistas a supor que um “melhor design seria a existência de dois tubos separados – um conduzindo a partir do nariz diretamente para os pulmões (laringe e traqueia), e o segundo conduzindo a partir da boca diretamente para o estômago (esôfago)”. Entretanto, além do funcionamento exímio existente de ambas as funções em apenas um único canal, as implicações da proposta darwinista para o uso de dois canais seriam fatais (tudo isso evidenciado por pesquisas científicas).

Como não poderia faltar, e até por conta de sua formação, Alves acrescenta uma posição interessante sobre os profissionais da medicina com relação à teoria da evolução (TE). Apresentar a visão dos médicos e cientistas da saúde, que está além dos costumeiros biólogos advogados de Darwin, denota o quanto a evidência de projeto e as inutilidades da teoria neodarwiniana têm levado aqueles profissionais a rejeitar o darwinismo. Após apresentar um histórico da “medicina darwinista”, com suas pressuposições e resultados absurdos e catastróficos, o autor é enfático ao concluir, com base em artigos recentes, que “a medicina darwiniana não acrescenta nada à caixa de ferramentas do médico”.

A contribuição principal da obra de Alves é a confirmação de um modelo científico através das pesquisas recentes. O avanço da ciência, sobretudo da bioquímica, tem mostrado o grau de sofisticação dos sistemas biológicos que, na época de Darwin, era pouco conhecido. As suposições lógicas da teoria darwiniana há tempos têm sido confrontadas por outras ciências (como a matemática), e em Teoria do Design Inteligente Alves mostra que os resultados não têm apoiado a TE. Pelo contrário, a TDI desponta como uma solução lógica e cientificamente exequível. O cheque pré-datado de Darwin era sem fundos.

(Jônatas Duarte Lima, Engenharia Filosófica)

Notas:
[1] Na página 119, Johnson atesta, ao comparar a possibilidade de uma criação [ou design] ao invés do processo estocástico darwinista: “O ponto essencial da criação não tem nada a ver com o tempo ou o mecanismo que o Criador [designer] escolheu empregar, mas com o elemento de design ou propósito. [...] Com o ponto definido desse modo, a questão se torna: A ciência convencional se opõe à possibilidade de que o mundo natural foi planejado por um Criador com um propósito? Se for assim, em qual base?”
[2] Confira o artigo “Um modelo testável para o Design Inteligente”, no TDI Brasil.

Ficha Técnica:
Teoria do Design Inteligente: Evidências Científicas no Campo das Ciências Biológicas e da Saúde
Autor: Everton Fernando Alves
Ano: 2016
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