quinta-feira, março 31, 2016

O planeta poderia ser povoado a partir de um casal?

Sim, poderia
[Já tratei deste tema aqui, mas, como o UOL voltou ao assunto, resolvi postar novamente. Meus breves comentários seguem entre colchetes. - MB] Se sobrasse apenas um casal na Terra, ele seria capaz de povoá-la? Se você já se fez essa pergunta, não é o único. Cientistas de diversas épocas já questionaram o assunto, que permanece controverso, pois, obviamente, não será possível fazer a experiência na prática [assim como não é possível fazer “na prática” uma experiência que comprovasse a evolução da primeira forma de vida ou mesmo processos macroevolutivos]. O pesquisador de genética de populações da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Waldir Stefano, acredita que é possível, mas lembra que a primeira condição para que isso ocorra é que o casal seja fértil. “É possível, mas não é fácil”, ressalta. Isso porque o casal teria pouca variabilidade genética, o que está relacionado com diversos problemas. Um estudo feito com crianças nascidas na Tchecoslováquia entre 1933 e 1970 mostrou que quase 40% daquelas cujos pais eram parentes de primeiro-grau tinham graves deficiências - 14% morreram por conta de alguma delas [mas, se levarmos em conta que, antes do pecado, a genética de Adão e Eva era perfeita, não haveria problema algum na consanguinidade. Quando isso passou a ser um problema, devido à degeneração da vida pós-pecado, Deus proibiu casamentos entre parentes muito próximos, justamente para evitar o reforço dos defeitos genéticos]. 

Segundo Stefano, com o passar do tempo, essa variabilidade aumentaria, mas tudo depende de para que lado iria o processo de seleção natural. Ele explica que ao longo dos anos, mutações ocorrem no DNA dos descendentes e, caso as mutações vantajosas para a sobrevivência prevaleçam, a chance de povoar o planeta novamente é grande.

Existem exemplos de colonização com pequenas populações iniciais, como a do Havaí, em que havia muita consanguinidade e foi bem-sucedida. No entanto, as mutações que aparecem podem trazer desvantagens para os indivíduos. Há casos, como algumas famílias reais europeias, em que as mutações desvantajosas chegaram a causar esterilidade nos descendentes.

Stefano cita o livro As Sete Filhas de Eva, escrito por Bryan Sykes, professor de genética da Universidade de Oxford. “A obra mostra o estudo do DNA mitocondrial, que é herdado da mãe. Os pesquisadores chegam a sete grandes matrizes de ascendentes na Rússia”, diz. “Antes dessas sete, provavelmente havia menos ainda.”

Ele explica que, como o gameta feminino (óvulo) é muito maior que o gameta masculino (espermatozoide), quando o zigoto é formado, as mitocôndrias (responsáveis por “fabricar” a energia das células) são iguais às da mãe. O professor lembra que há doenças transmitidas geneticamente pelas mitocôndrias, como a doença de Leber, que provoca cegueira entre os 40 e 50 anos.

Na grande parte das vezes, as variações do material genético não trazem grande efeito no fenótipo (características visíveis, como cor dos cabelos e dos olhos) e não são percebidas de imediato. Se trouxerem vantagens maiores para a sobrevivência dos descendentes, serão passadas adiante. “A grande questão é em que período de tempo isso poderia acontecer”, disse, referindo-se a quantos anos seriam necessários para que os descendentes de um casal gerassem uma população de sete bilhões de pessoas.

Em 2002, o antropólogo John Moore publicou um estudo pela Nasa em que estima que seriam necessárias 160 pessoas para dar início a uma população estável para um novo planeta. O estudo partiu do modelo de pequenos grupos migratórios antigos da humanidade.

Ele recomendava começar com casais jovens sem filhos e sem genes recessivos perigosos. No caso, o número usado no cálculo vale para uma viagem ao espaço permite 200 anos de isolamento antes da volta à Terra, quando as pessoas teriam novamente contato com maior variabilidade genética.

Outra revista científica cita Deus e causa alvoroço

Se não é dom de Deus, é o quê?
A declaração não é sutil; de fato, é a primeira sentença da introdução em “[Energia] Solar com condensador – uma revisão detalhada”. “A água é um presente de Deus e desempenha um papel-chave no desenvolvimento de uma economia, e em todo o bem-estar de uma nação.” O artigo em si contém algumas poucas similaridades com um artigo de 2010 sobre o mesmo tópico, “Destilação solar ativa – uma revisão detalhada”, que também apareceu na Revista de Energias Renováveis e Sustentáveis. Mas a primeira sentença do artigo é dada de forma ligeiramente diferente: “A água é um presente da natureza, e desempenha um papel-chave no desenvolvimento de uma economia e, e em todo o bem-estar de uma nação. No início deste mês, a PlosONE retratou um artigo que citou “o Criador”; nesse caso, todavia, um autor declarou que a redação resultou de um erro de tradução.

Existem algumas outras similaridades entre os artigos de 2010 e 2016. Por sinal, veja-se alguns excertos dos dois resumos – o primeiro, de 2010, segue: “Por todo o mundo, o acesso à água potável para as pessoas está diminuindo dia a dia. A maior parte das doenças humanas se deve a fontes de água poluídas ou não purificadas. Mesmo hoje, nos países desenvolvidos e em desenvolvimento, encontra-se uma imensa escassez de água por causa de mecanismos não-planejados e poluição criada por atividades humanas. A purificação da água sem afetar o ecossistema é a necessidade do momento.”

E a versão de 2016: “O acesso à água potável às pessoas está diminuindo dia a dia por todo o mundo. A maior parte das doenças humanas são causadas por fontes de água poluídas ou não-purificadas. Purificação da água sem afetar o ecossistema é a necessidade do momento.”

Para ser justo, o artigo de 2016 cita a versão de 2010 na lista de referências – a despeito de que a referência aparece no fim da introdução, não onde as similaridades textuais aparecem primeiro. O artigo de 2010 foi citado 70 vezes, de acordo com o [índice] Thomson Reuters Web of Science; o artigo de 2016 não tinha sido ainda indexado.

A linguagem do [artigo] de 2016 recebeu uma forte reação no Twiter: “É preciso alguma audácia ao fazer plágio de um artigo – no mesmo periódico – e também ao jogar uma referência a Deus!”

Nós contatamos um representante da Elsevier, que publica a revista, o qual nos disse: “Há apenas uma referência a ‘Deus’ na primeira sentença da Introdução, onde diz ‘a água é um dom de Deus’ – isso parece ser uma referência ampla, talvez similar à referência ‘a água é um dom da natureza’, na primeira linha da introdução do artigo de 2010. Então, não pensamos que o artigo de 2016 seja um artigo criacionista, pois o resto do artigo fala sobre a ciência da destilação solar, etc. Nós também estamos pesquisando o artigo de 2016 por duplicação, mas essa é outra história.”

(Retraction Watch; tradução: Alexsander D. da Silva)

Nota: Deixando de lado o assunto do plágio (que deve mesmo ser condenado), mais uma vez chama a atenção a celeuma criada pelo simples fato de o artigo mencionar Deus. Quando se escreve que a “natureza é sábia” ou que a água é um “dom da natureza”, tudo bem, ainda que se atribuam, com isso, características quase divinas à natureza, numa espécie de adoração pagã repaginada. Se a água não é um dom de Deus, o que é, então? Fruto do acaso? Dois gases que se uniram casualmente para formar um líquido singular e vital (confira)? [MB]

quarta-feira, março 30, 2016

Fósseis de crânios revelam: cérebro está encolhendo

Sinais de involução
Darwin foi o primeiro a propor a relação de parentesco evolutivo entre os seres humanos e os grandes macacos, incluindo o crescimento gradativo da capacidade craniana e do volume do cérebro. Para os evolucionistas, a evolução dos humanos é um fato e está relacionada ao grande cérebro que estes possuem. Para eles, a maior evidência pode ser encontrada no registro fóssil.[1] Pois bem, infere-se que a capacidade craniana aumentou de 500 cm³ para 1.200 cm³ entre os primeiros Homo habilis e o Homo erectus, em pouco mais de um milhão de anos. Seus sucessores, o Homo sapiens neandertalensis (nomenclatura usada para considerar o homem de Neandertal uma subespécie do homem atual), surgido há supostos 300 mil anos, e o Homo sapiens sapiens (homem moderno), há 120 mil anos, aumentaram a capacidade craniana para o valor atual de 1.450 cm³. Por outro lado, como podemos ter certeza de que essas inferências são reais? O que não faltam são evidências mostrando que “especialistas” têm erroneamente classificado fósseis como sendo de espécies de hominídeos, tal como afirma Ian Tattersall, antropólogo do Museu Americano de História Natural de Nova York: “Novos fósseis têm sido acidentalmente atribuídos a espécies de Homo, com o mínimo de atenção aos detalhes de morfologia.”[2]

Além disso, um fato contrário à perspectiva evolucionista do aumento gradativo da capacidade craniana apareceu no tempo de Darwin. Em 1856, isto é, três anos antes da publicação de A Origem das Espécies, os restos fósseis da espécie Neandertal foram descobertos na Gruta de Feldhofer, no Vale de Neander, Alemanha. O curioso é que a calota craniana do homem de Neandertal é aproximadamente 10% maior em volume que o do homem moderno.[3] Darwin tinha ciência desse fóssil, mas, mesmo assim, se esforçou para tornar primitivos e abrutalhados nossos supostos ancestrais. Para ele, os Neandertais eram subumanos, quase bestas. Nesse sentido, ele foi um péssimo observador, pois não entendeu o significado da capacidade craniana de 1.600 cm³ do Neandertal em relação aos 1.450-1.500 cm³ dos humanos de hoje.

Em 1868, por sua vez, o geólogo Louis Lartet descobriu cinco esqueletos de Homo sapiens no abrigo de Cro-Magnon, em Dordogne, no Sudoeste de França. Dentre eles, o crânio do famoso Cro-Magnon (de um homem idoso) era o que tinha o melhor crânio.[4] Em relação aos nossos ancestrais mais próximos, o crânio de Cro-Magon é considerado o fóssil mais antigo de Homo sapiens conhecido na Europa. Forte e musculoso, o homem de Cro-Magnon tinha o crânio grande e estreito, a fronte reta e a face curta e larga. A altura média do Cro-Magnon era de 1,80 m, enquanto os neandertais clássicos tinham uma altura média de 1,65 m.

O crânio do Cro-Magnon é literalmente o mais velho antepassado Homo sapiens (com supostos 28 mil anos) descoberto até hoje na Europa. Daí a importância de seu estudo. Mas o que nos intriga em relação ao fóssil do Cro-Magnon é sua medida craniana de 1.700 cm³, volume grande quando comparado à média craniana de 1.450-1.500 cm³ dos humanos atuais. Aqui vemos nitidamente mais um fato contrário à perspectiva evolucionista do aumento gradativo da capacidade craniana.

Em 2010, dois paleoantropólogos franceses conseguiram, pela primeira vez, reconstituir em 3D o formato do cérebro do homem de Cro-Magnon. A observação imediata por parte dos investigadores foi a de que aquele cérebro “era claramente maior do que a média atual”.[4] Aquele “era uma cérebro muito musculoso”, de acordo com os cientistas franceses. A conclusão foi a de que, “ao longo da evolução nos últimos 50 mil anos, a dimensão corporal do homem diminuiu um pouco e seu crânio também acompanhou em média essa tendência”, explicou o paleoantropólogo Antoine Balzeau, do Museu Nacional de História Natural, em Paris.

Em 2008, uma pesquisa realizada por geneticistas evolucionistas já havia confirmado que o homem de Cro-Magnon é o ancestral dos europeus modernos.[5] Está bem estabelecido que sua semelhança com os humanos modernos está presente tanto em nível anatômico quanto em nível genético. Segundo a pesquisa, o Cro-Magnon saiu da África há supostos 40 mil anos e se estabeleceu no continente Europeu. Teria vivido há supostos 28 mil anos no sul da Itália, e coabitado com os neandertais.

Se essa hipótese evolutiva estiver correta, como explicar o fato de que, em 40 mil anos de existência, só nos últimos seis mil anos é que o Cro-Magnon desenvolveu a habilidade de registrar sua história de maneira mais significativa? Para os criacionistas, o homem de Cro-Magnon pode ter sido um homem das cavernas pós-diluviano, responsável por algumas pinturas rupestres notáveis (verdadeiros artistas) em cavernas também pós-diluvianas, como a gruta de Lascaux, na França.[6] Sob essa perspectiva, não há chances de que eles sejam semelhantes às figuras que se veem em livros didáticos ou caricaturas de histórias em quadrinhos. Para os criacionistas, o homem de Cro-Magnon é essencialmente o mesmo que os europeus modernos, apenas representando uma geração mais antiga.[7]

Em 2003, foram descobertos os fósseis cranianos do homem de idaltu, espécie humana anatomicamente moderna mais antiga que se conhece (cerca de 160 mil anos atrás), escavados em um sítio paleontológico na Etiópia.[8] O estudo descreveu três crânios fossilizados, dois adultos e uma criança, encontrados na vila de Herto, 230 quilômetros a nordeste da capital da Etiópia. A nova subespécie foi chamada de Homo sapiens idaltu. O homem de idaltu se situa, na escala evolutiva de tempo, entre hominídeos mais primitivos (também encontrados na África) e os humanos atuais – da subespécie Homo sapiens sapiens. O resultado da análise dos fósseis revelou que o homem de idaltu era mais alto que os homens atuais e seu cérebro era ligeiramente mais volumoso.[9] Portanto, ele também está fora do esquema evolutivo clássico. Para os criacionistas, o homem de idaltu também é um ser humano pós-diluviano.

Em 2014, um estudo realizado por pesquisadores chineses evolucionistas analisou 500 moldes de cérebros criados a partir das impressões no interior de crânios dos últimos sete mil anos na escala de tempo evolutiva.[10] Os resultados confirmaram o que se suspeitava: o cérebro humano está ficando menor. E não é apenas uma área particular do cérebro que está encolhendo, o cérebro inteiro foi ficando cada vez menor. Para os autores, essas alterações podem estar sendo causadas por mutações genéticas aleatórias e mudanças epigenéticas em resposta a alterações no ambiente.

É interessante esse resultado, pois há dezenas de anos os criacionistas vêm afirmando que, após o dilúvio, o ser humano foi degenerando (involuindo) em estatura e em longevidade, devido a um conjunto de fatores: (1) pecado; (2) passagem da alimentação natural (vegetarianismo) para o consumo emergencial de carne diante da escassez de vegetação pós-diluviana; (3) mudanças climáticas pós-diluvianas, tais como a diminuição do oxigênio na atmosfera e a maior incidência de radiação cósmica;[11-13] (4) doenças devido ao acúmulo de mutações genéticas rápidas que passaram a ocorrer em uma mesma geração devido à ação de transpósons; essas mutações deletérias forçaram uma explosão da variação do genoma humano há cerca de cinco mil anos atrás.[14, 15]

Cabe ressaltar, ainda, que o conceito de “homem das cavernas” geralmente é atribuído a descobertas de restos fósseis de ossadas humanas em grutas e abrigos sob rochas. Diante disso, é interessante fazer um apanhado dos textos bíblicos que se referem a cavernas, para analisar seu contexto em comparação com o conceito já mencionado de “homem das cavernas”. Em diversos textos (Gênesis 19:30; 23:3-20; 25:09; 49:29-33), vemos que as cavernas constituíam abrigos emergenciais, sepulturas e locais de habitação de certo tipo de população marginalizada expulsa das cidades em virtude de certas patologias (lepra ou distúrbios mentais). Por isso, não seria de admirar que esses fósseis humanos encontrados em cavernas viessem hoje a ser considerados pelos evolucionistas como sendo seres que não tivessem ainda atingido sua “plenitude evolutiva”.[16]

O ser humano está ficando mais burro?

Os grandes historiadores concordam que os documentos históricos encontrados até o presente momento apontam para uma história humana recente. A humanidade surgiu há aproximadamente cinco mil anos, em termos de documentos históricos comprovados.[6] Essa é uma evidência forte no apoio à historicidade do relato bíblico, com um detalhe importante: o surgimento das antigas civilizações, demonstrando grande conhecimento e domínio profundo de diversas áreas. É fato que muitas construções do passado não podem ser reproduzidas com a tecnologia que temos hoje. As mentes mais “brilhantes” do mundo atual não conseguem conceber que seres humanos do passado possam ter sido mais fortes e inteligentes do que os de hoje, levando-os a formular a hipótese de que extraterrestres tenham trazido grandes conhecimentos à Terra.[17]

Civilizações extintas são conhecidas por terem tido incríveis conhecimentos tecnológico, astronômico, matemático, agrícola, pecuário e médico. É compreensível o fato de que os naturalistas modernos não consigam entender como grandes construções foram levantadas, tais como as pirâmides do Egito, as mais altas estruturas feitas pelo ser humano, recordistas por mais de 3.800 anos. Além de outras pirâmides (México, China e Peru), monumentos e projetos arquitetônicos Incas (Machu Picchu, por exemplo), grandes construções escavadas em cavernas, obras imensas de engenharia, tais como a Arca de Noé e a Torre de Babel, entre muitos outros.

O fato de o cérebro humano ter encolhido 10% nos últimos 30 mil anos (isso segundo o modelo evolucionista; o que equivalente a cerca de quatro mil anos no modelo criacionista) levou os pesquisadores a uma conclusão radical: “Com a emergência de sociedades mais complexas, o cérebro humano foi se tornando menor, porque os indivíduos já não necessitavam ser tão inteligentes para sobreviver”, explicou o professor de Psicologia David Geary, da Universidade de Missouri.[18]

Fica evidente aqui o pressuposto evolucionista do autor ao sugerir que a sociedade moderna seria bem mais complexa que as antigas civilizações, crença essa que está na contramão dos fatos. Será que o autor se esqueceu de que a história está repleta de registros que mostram que povos antigos tinham capacidades cognitivas extraordinárias? Ao comparar as imensas construções de civilizações antigas tão duradouras com as nossas, pergunto-me: Quanto tempo duram os prédios hoje? Para os criacionistas, é nítida a lacuna existente entre o alto nível de capacidade cognitiva que tinham as gerações passadas e o que restou para o ser humano moderno.

Uma forte evidência a favor disso pode ser encontrada nos registros sobre a capacidade artística que eles possuíam. Em 2012, cientistas fizeram comparações entre desenhos e concluíram que [supostos] homens das cavernas desenhavam melhor o movimento dos animais do que os artistas modernos.[19, 20] Para tanto, os autores examinaram as pinturas “pré-históricas” de bois e elefantes em muitas grutas como a de Lascaux, na França, e também nos quadros e estátuas modernas, também representando quadrúpedes em movimento. Foi analisada a exatidão da reprodução do movimento nessas pinturas e esculturas com relação às observações científicas dos movimentos desses animais. Segundo o autor de um dos estudos, “são as mais antigas e as mais elaboradas já descobertas, desafiando nosso conhecimento atual sobre a evolução cognitiva humana”.[20: p. 8.002]

E o que dizer do pensamento crítico, transmissão de ideias e tecnologia para produção de armas dos [supostos] homens das cavernas? Em 2012, uma pesquisa comprovou que o homem “arcaico” era um pensador “avançado”.[21] “As descobertas sugerem que nossos antepassados tinham uma capacidade maior para o pensamento complexo e a produção de armas”, afirma um dos autores do estudo.[22] “A tecnologia complexa [dos supostos homens da caverna] demonstra a capacidade para ideias complexas e para a transmissão dessas ideias, e, consequentemente, para a linguagem”, analisa a antropóloga Sally McBrearty.[23: p. 531]

Em 2012, um estudo sugeriu que os seres humanos estão lentamente perdendo capacidades intelectuais e emocionais devido ao fato de a intrincada teia de genes – ligados à inteligência – no cérebro humano ser suscetível a mutações que não estão sendo selecionadas contra pela seleção natural.[24, 25] Para o autor, o fato de a seleção natural não estar “peneirando” as mutações nesses genes provavelmente se deve à perda da pressão evolutiva necessária sofrida pelo ser humano moderno, uma vez que ele passou a viver em assentamentos agrícolas densos milhares de anos atrás. Em outras palavras, o ser humano não precisaria mais de inteligência para sobreviver.

O autor estima que em três mil anos, cerca de 120 gerações, o ser humano adquire duas ou mais mutações permanentes prejudiciais à sua estabilidade emocional e intelectual.[24, 25] Em geral, pesquisas recentes trazem estatísticas bem maiores que essas em relação à taxa de mutações adquiridas. Em humanos, as estimativas atuais são de que ocorram entre 100 a 200 novas mutações por indivíduo a cada geração.[26-28] Dessas, os dados variam entre 1-15% de mutações deletérias que causariam a perda direta de informação genética em humanos a cada geração.[26, 28-31]

Essas taxas elevadas de mutações que afetam muito rapidamente o ser humano nos ajudam a entender a conclusão de um estudo publicado em 2013 no qual se afirma que os seres humanos perderam, em média, 14 pontos de quociente de inteligência (QI) desde o fim da era vitoriana.[32] O trabalho analisou 14 estudos de inteligência feitos entre 1884 e 2004, que se centraram na velocidade de reação visual dos participantes. O tempo de reação reflete a velocidade dos processos mentais de dada pessoa e é considerado um sinal geral de inteligência.

Porém, segundo um dos autores, os resultados são atribuídos, sobretudo, ao fato de as pessoas mais educadas passarem a ter menos filhos, o que deixaria as gerações subsequentes com maior número de pessoas menos inteligentes.[33] Ao fazer uma análise dessa leitura, pergunto: Seria esse mesmo o real motivo? Embora os criacionistas concordem com a conclusão do estudo, eles rejeitam a interpretação que o autor faz de o controle de natalidade ser o responsável pelo declínio da inteligência humana.

O autor ainda alerta que outros estudos recentes têm sugerido um aumento aparente no QI a partir da década de 1940.[33] Porém, o especialista sugere que esses levantamentos refletem a influência de fatores ambientais – como melhor educação, higiene e nutrição –, que podem mascarar o verdadeiro declínio na inteligência herdada geneticamente no mundo ocidental. Por fim, como afirma o jornalista de ciência Michelson Borges, “não fossem a medicina e os remédios, creio que nossa expectativa de vida seria comparável à das pessoas da Idade Média. Pelo visto, evolução biológica (no sentido “ascendente”) não é o que vem ocorrendo. Degeneração, sim”.[34]

(Everton Fernando Alves é mestre em Ciências [Imunogenética] pela UEM e diretor de ensino do Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira [NUMAR-SCB]; seu e-book pode ser lido aqui: link)

Referências:
[1] Cardoso SH, Sabbatini RME. O Que Nos Faz Unicamente Humanos? Cérebro e Mente (15/01/2000). Disponível em: http://www.cerebromente.org.br/n10/editorial-n10.htm
[2] Schwartz JH, Tattersall I. Defining the genus Homo. Science. 2015 Aug 28;349(6251):931-2.
[3] Burgierman DR. Meio sapiens, meio neandertal. Super Interessante (Setembro de 1999). Disponível em: http://super.abril.com.br/historia/meio-sapiens-meio-neandertal
[4] Naves F. Cérebro de Cro-Magnon reconstituído em 3D. Diário de Notícias, (11/03/2010). Disponível em: http://goo.gl/q6GE0y
[5] Caramelli et al. A 28,000 Years Old Cro-Magnon mtDNA Sequence Differs from All Potentially Contaminating Modern Sequences. PLoS One 2008; 3(7):e2700. http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0002700
[6] Azevedo RC. ABC das Origens. São Paulo: Kits, 2006.
[7] Arsuaga JL. El collar del Neandertal: en busca de los primeros pensadores. Madrid: Ediciones Temas de Hoy, 1999; ver também: Prideaux T. Cro-Magnon man. NY: Time-Life Books, 1973.
[8] White TD, et al. Pleistocene Homo sapiens from Middle Awash, Ethiopia. Nature. 2003 Jun 12;423(6941):742-7.
[9] Vieira CL. Mundo de ciência – O homem moderno mais antigo. Revista Ciência Hoje, n.196, agosto de 2003, p.8.
[10] Liu C, et al. Increasing breadth of the frontal lobe but decreasing height of the human brain between two Chinese samples from a Neolithic site and from living humans. Am J Phys Anthropol 2014; 154(1):94–103.
[11] Berner RA, Landis GP. Gas bubbles in fossil amber as possible indicators of the major gas composition of ancient air. Science. 1988; 239(4846):1406-9.
[12] Bellis D, Wolberg DL. Analysis of gaseous inclusions in fossil resin from a late cretaceous stratigraphic sequence. Global and Planetary Change 1991; 5(1-2):69-82.
[13] Berner RA, Petsch ST. The Sulfur Cycle and Atmospheric Oxygen. Science. 2000; 282(5393):1426-7.
[14] Tennessen JA, et al. Evolution and functional impact of rare coding variation from deep sequencing of human exomes. Science. 2012 Jul 6;337(6090):64-9.
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[18] McAuliffe K. If Modern Humans Are So Smart, Why Are Our Brains Shrinking? Discover Magazine, 2010. Disponível em: http://goo.gl/K4t7s8
[19] Horvath G, Farkas E, Boncz I, Blaho M, Kriska G.  Cavemen were better at depicting quadruped walking than modern artists: erroneous walking illustrations in the fine arts from prehistory to today. PLoS One. 2012;7(12):e49786.
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[26] Nachman MW, Crowell SL. Estimate of the Mutation Rate per Nucleotide in Humans. Genetics. 2000; 156(1):297-304.
[27] Dolgin E. Human mutation rate revealed. Nature News (27 Ago. 2009). Disponível em: http://www.nature.com/news/2009/090827/full/news.2009.864.html
[28] Lynch M. Rate, molecular spectrum, and consequences of human mutation. Proc Natl Acad Sci U S A. 2010; 107(3):961-8.
[29] Eyre-Walker AKeightley PD. High genomic deleterious mutation rates in hominids. Nature. 1999;397(6717):344-7.
[30] Shabalina SA, Ogurtsov AY, Kondrashov VA, Kondrashov AS. Selective constraint in intergenic regions of human and mouse genomes. Trends Genet. 2001;17(7):373-6.
[31] Keightley PD. Rates and Fitness Consequences of New Mutations in Humans. Genetics. 2012; 190(2):295-304.
[32] Woodley MA, te Nijenhuis J, Murphy R. Were the Victorians cleverer than us? The decline in general intelligence estimated from a meta-analysis of the slowing of simple reaction time. Intelligence. 2013; 41(6):843-850.
[33] Entrevista concedida por Jan te Nijenhuis. People Getting Dumber? Human Intelligence Has Declined Since Victorian Era, Research Suggests. Entrevistadora: Macrina Cooper-White. The Huffington Post, 2013. Disponível em: http://goo.gl/9BUakL
[34] Borges M. Pesquisa indica que a humanidade ficou mais burra. Blog Criacionismo, 2013. Disponível em: http://goo.gl/BG90sU

Existem provas científicas do dilúvio?



Herlon da Silva Costa e pesquisador criacionista,mestrando em Geologia Exloratória e membro do Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira (NUMAR-SCB) sendo entrevistado pelo Canal Pode Crê acreca das evidências de um Dilúvio Universal

O cérebro dá preferência à ciência ou à religião?

Compatibilização possível
O mundo parece estar dividido entre pessoas religiosas e pessoas que acreditam na ciência. De acordo com um novo estudo, essa divisão não é acidental: nosso cérebro se comporta de forma diferente quando vê o mundo através dos dois posicionamentos. Os pesquisadores da Universidade Case Western Reserve e da Faculdade Babson (EUA) chegaram à essa conclusão através de oito estudos independentes que envolviam questionários e experimentos. Cada um tinha entre 159 e 527 adultos e comparava os resultados daqueles com crenças em um deus ou em um espírito universal e aqueles sem religião. A pesquisa indica que aqueles com crenças espirituais ou religiosas aparentam suprimir uma rede cerebral usada para o pensamento analítico. Assim, podem se engajar no pensamento empático. Igualmente, os não religiosos suprimem o pensamento empático para usar o analítico.

Tony Jack, o principal pesquisador desse trabalho, explica que deixar de lado o pensamento crítico para acreditar no sobrenatural faz sentido para nos ajudar a atingir a compreensão social e emocional. Essas duas redes do cérebro se revezam para encarar as diferentes situações do nosso dia a dia. Apesar disso, os pesquisadores afirmam que nenhum dos dois tem o monopólio para trazer as grandes respostas da vida. A natureza humana permite que exploremos nossas experiências usando os dois padrões de pensamento.

“A religião não deve nos falar sobre a estrutura física do mundo; esse é o trabalho da ciência. A ciência deve informar nossa razão ética, mas não pode determinar o que é ético ou como devemos construir sentido e objetivo para nossas vidas”, acrescenta Jack.

Os pesquisadores também argumentam que a ciência e a religião não devem ser sempre vistas como forças opostas. O estudo aponta que vários grandes cientistas tiveram crenças religiosas, incluindo 90% dos ganhadores do Prêmio Nobel. Entender a interação entre esses dois tipos de pensamento, porém, pode enriquecer os dois lados.

“Longe de estar sempre em conflito com a ciência, dentro das circunstâncias corretas as crenças religiosas podem promover a criatividade científica”, conclui o pesquisador.


Nota: E dentro das “circunstâncias corretas”, a ciência pode ser perfeitamente aceita pela religião. É o que ocorre com o método científico, por exemplo, uma ferramenta muito útil para investigar o mundo que nos rodeia. É o que ocorre, também, com as conclusões a que chegamos com base em evidências concretas, derivadas de observação direta da natureza. Assim, a verdadeira ciência e a boa teologia dão-se as mãos para nos ajudar a entender a vida e o Universo em que vivemos, em seus domínios material e espiritual, que, na verdade, são uma coisa só. Agora, quando se trata de filosofias que posam de ciência, como a hipótese da macroevolução ou mesmo o naturalismo metafísico, a coisa muda de figura. A boa teologia jamais poderá concordar com essas visões de mundo ateias que, obviamente, negam a religião e a existência do Criador. Entre os grandes cientistas que não dicotomizaram ciência e religião – na verdade as compatibilizaram e, por isso, enxergaram mais longe – estão Galileu Galilei, Isaac Newton, Johannes Kepler, Nicolau Copérnico, Blaise Pascal e muitos outros. Assim, o mundo não precisa estar dividido entre pessoas religiosas e pessoas que acreditam na ciência. Podemos ser pessoas que se valem das duas e que promovem um “culto racional” (Romanos 12:1). [MB]

terça-feira, março 29, 2016

Cientistas “simplificam” bactéria e falam em evolução!


Involuir é fácil...
Segundo matéria publicada no jornal Folha de S. Paulo, “pela primeira vez na história, pesquisadores conseguiram projetar do zero o genoma de um ser vivo (uma bactéria, para ser mais exato) e ‘instalá-lo’ com sucesso numa célula, como quem instala um aplicativo no celular”. Como era de esperar, a notícia foi veiculada nos meios de comunicação populares dando a impressão de que os cientistas teriam criado uma forma de vida a partir do nada, começando, como diz o texto da Folha, do “zero”. Ocorre que a bactéria syn3.0, como foi apelidada pela equipe do geneticista americano Craig Venter, contém 473 genes e 531 mil “letras”. Com menos que isso, ela dificilmente existiria. E é bom lembrar que essas letras e esses genes, ou seja, essa informação genética não foi criada a partir do “zero”. O que os cientistas fizeram foi “desligar” os genes de uma bactéria já existente e implantar isso numa célula também já existente. Apagaram informação para ver com quanto a bactéria sobreviveria. Criaram absolutamente nada; apenas simplificaram o que já era complexo.


segunda-feira, março 28, 2016

“Microevolução” é realmente um termo necessário?

Diversificação de baixo nível
Nos últimos anos, no meio criacionista, a utilização de um termo tem chamado a atenção, e particularmente tem me deixado incomodado. Trata-se da palavra “microevolução”. A análise e o uso dessa palavra, o significado do termo, podem nos levar ao contraditório, como veremos a seguir.

“Micro” (milésima parte do milímetro, segundo o Dicionário Aurélio) provém da palavra grega mikros e significa pequeno; “evolução” (transformação gradual e progressiva, aperfeiçoamento, crescimento, segundo o Aurélio) conjunto de modificações em direção a um determinado sentido, que remete a um desenvolvimento gradual e progressivo. Literalmente micro + evolução = evolução em pequena escala. Mas realmente é isso que os criacionistas querem dizer?

Os principais problemas do uso desse termo:

1. Pouco utilizado no meio evolucionista brasileiro. Participo de alguns eventos ligados ao debate criacionismo x evolucionismo, além de acompanhar alguns sites que debatem o assunto com diferentes perfis ideológicos. O termo microevolução basicamente é utilizado em materiais criacionistas (o próprio Michelson explica por que o termo é de baixo uso entre os evolucionistas: confira).    

2. O significado do termo não é de tão fácil explicação. Microevolução é a ocorrência de mudanças evolutivas em pequena escala, como as mudanças de frequências gênicas dentro de uma população, ao longo de um número reduzido de gerações. E essas alterações acontecem ao nível ou abaixo do nível taxonômico da espécie. Os processos microevolutivos se devem a quatro diferentes processos: mutação, seleção natural, deriva genética e fluxo gênico (migração). Ou seja, para realmente compreender e explicar o termo de maneira clara e objetiva, o indivíduo deve possuir um conhecimento básico sobre genética, populações e taxonomia.

3. A mutação e a seleção natural levam a uma evolução? Existem diversas instituições e organizações (sociedades criacionistas, etc.) que debatem esse assunto, com maior propriedade e profundidade. Algumas considerações apenas: como engenheiro agrônomo, utilizo o melhoramento genético (não considerarei a transgenia), as leis de Mendel, na busca de variedades mais produtivas. Quando em uma determina espécie (milho, por exemplo) ocorre o cruzamento dos indivíduos para a criação de uma nova variedade, procuram-se indivíduos que expressem características de interesse agronômico, como tamanho de espiga, peso de grãos, resistência hídrica, resistência a doenças. Normalmente, esses indivíduos perdem outras características. Exemplo: uma variedade altamente produtiva pode ser mais sensível a determinadas pragas e doenças, ou ser mais sensível ao déficit hídrico, ou não possuir a melhor morfologia para a atividade agrícola. O melhoramento genético não está evoluindo essa espécie, apenas adaptando os indivíduos a um determinando ambiente altamente competitivo e para um fim especifico (a produção). Esse raciocínio vale tanto para a produção vegetal quanto animal. No ecossistema, também ocorre a seleção dos indivíduos mais aptos a sobreviver nos diferentes ambientes. Logo, não ocorre evolução, mas, sim, adaptação.  

4. Ipsis litteris. O significado (ou, segundo o Aurélio, o “sentido”, ou “aquilo que uma coisa quer dizer”) do termo. Como citado anteriormente, microevolução = evolução em pequena escala. Os criacionistas acreditam que está ocorrendo essa evolução? Acredito que não! No ambiente de debate que permeia os assuntos sobre criacionismo e evolucionismo, que muitas vezes beira ao passional, os termos utilizados devem ser claros, e preferencialmente objetivos, para não dificultar a relação e o entendimento de indivíduos que creem em visões opostas de mundo/filosofia. 

5. O fator teológico. Os criacionistas que creem no relato literal da criação bíblica em sete dias (ex.: adventistas) acreditam que Deus criou tanto o mundo quanto o ser humano perfeitos, e o pecado degenerou (e ainda está degenerando) o homem e a criação. O ser humano e o planeta Terra só serão restaurados após o retorno de Jesus Cristo. Então, como pode haver evolução (mesmo em pequena escala, ou evolução horizontal e não vertical), se ocorre a degeneração pelo pecado?

Outro ponto a ser considerado é em relação aos membros leigos – um individuo que não tem o conhecimento acadêmico adequado pode acreditar que determinada denominação religiosa que anteriormente tinha o criacionismo como uma de suas crenças agora aceita a teoria evolucionista.

A ciência se desenvolve, mudam-se as nomenclaturas, as definições, etc., mas realmente o termo microevolução tem levantado mais dúvidas e dificuldades do que os termos utilizados anteriormente para o mesmo fim.

Devido aos problemas citados acima, defendo que se faça a substituição desse termo por outras expressões técnicas, como, por exemplo, ADAPTAÇÃO, VARIAÇÕES BIOLÓGICAS ou DIVERSIFICAÇÃO DE BAIXO NÍVEL, expressões que já são utilizadas na literatura acadêmica e que são de fácil compreensão, e são aceitas pela comunidade científica.     

(Jetro Salvador é doutor em Produção Vegetal e mestre em Ciência do Solo. Gerência de Apoio Técnico, Agência de Defesa Agropecuária do Paraná – ADAPAR)

O enigma da informação

sexta-feira, março 25, 2016

Ovos de chocolate ou uma tumba vazia

Papa superpop pede a conversão dos fundamentalistas

A Terra se maravilha cada vez mais
Clique aqui para assistir à reportagem sobre a aprovação mundial (inclusive entre judeus e ateus) do papa Francisco como líder incontestável. Num mundo que carece de liderança moral, tão imerso em corrupção e injustiças, a figura do chefe da Igreja Católica só ganha força. Na quarta-feira, o pontífice apelou: “Que o Senhor converta o coração das pessoas cegas pelo fundamentalismo cruel.” Conforme noticiado pela Rádio Vaticanareferindo-se aos atentados em Bruxelas, Francisco dirigiu um apelo a todas as pessoas de boa vontade para se unirem numa unânime condenação desses “cruéis abomínios, que estão causando somente morte, terror e horror”.

De fato, as ações terroristas devem ser condenadas e abominadas, mas é bom lembrar que, para o papa, fundamentalistas não são apenas os terroristas islâmicos (leia atentamente isto aqui), e que, quando esteve na ONU, no ano passado, Francisco apelou aos líderes mundiais para que combatessem os fundamentalismos, assim, no plural. Quem lê entenda... [MB]

quinta-feira, março 24, 2016

Existe mesmo loira burra?

Burros são os estereótipos
O estereótipo da “loira burra” está simplesmente errado, garantem cientistas. Uma pesquisa entre 10.878 norte-americanos revelou que as mulheres brancas que disseram que a cor natural do seu cabelo era loira apresentaram um QI médio que varia apenas três pontos do QI médio das morenas e das mulheres de pele clara com cabelo vermelho ou preto. Embora as piadas sobre loiras possam parecer inofensivas para alguns, na verdade elas podem ter implicações no mundo real. “Pesquisas mostram que os estereótipos frequentemente têm um impacto sobre a contratação para um emprego, promoções e outras experiências sociais”, afirma Jay Zagorsky, autor do estudo e pesquisador da Universidade do Estado de Ohio (EUA). “Este estudo fornece evidências convincentes de que não deve haver qualquer discriminação contra as loiras com base em sua inteligência”, adicionou.

O estudo mostrou que o QI médio das loiras foi na verdade ligeiramente maior do que o QI das mulheres com outras cores de cabelo, mas o dado não é estatisticamente significativo, disse Zagorsky. “Eu não acho que você possa dizer com certeza que loiras são mais inteligentes do que as outras, mas você definitivamente não pode dizer que elas sejam mais burras”, comparou.

Os resultados para os homens brancos loiros foram semelhantes - eles também têm QIs mais ou menos iguais aos homens com outras cores de cabelo.

O estudo foi publicado na revista Bulletin Economics.


Nota: A verdade é que burro é todo tipo de estereótipo. Certa vez, tomei um táxi em Santiago, capital do Chile. Assim que soube que sou brasileiro, o taxista perguntou: “Cómo van las chicas.” Ingenuamente, me perguntei: “Como ele sabe que sou casado e tenho filhas?” Vendo minha expressão de dúvida, ele prosseguiu: “As mulheres, aquelas que sambam.” Aí fiquei indignado! Expliquei para ele que nem todos gostam de samba no Brasil. Disse-lhe que nosso país é muito grande e que aqui há culturas e preferências variadas. Mesmo assim ele insistiu e disse que queria conhecer o carnaval do Rio de Janeiro e, claro, as “chicas”. E eu o convidei a conhecer, além do Rio, outras partes do Brasil, e disse que, na verdade, a grande maioria dos brasileiros nem gosta de carnaval.

Existem, sim, aquelas que gostam de expor o corpo para as câmeras dos ávidos fotógrafos em busca do melhor ângulo, da melhor foto, contribuindo assim para a manutenção do triste estereótipo da “mulher brasileira”; mas também existem aquelas que preferem o recado e a discrição.

Há também os estereótipos de natureza religiosa, do tipo “todo crente é burro”. Embora haja mesmo religiosos que façam por merecer, é preciso reconhecer que muitos crentes amam o conhecimento e têm dado grande contribuição em suas áreas de atuação.

Portanto, esqueça coisas do tipo “sulistas são muito fechados” e “nordestinos são preguiçosos”, além, é claro, do mito da “loira burra”. Afinal, pior que o estereótipo é o preconceito.

O apóstolo Pedro disse certa vez: “Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas” (Atos 10:34). E se Deus não faz, quem somos nós para fazer? Não somos todos filhos de um mesmo Pai, iguais por natureza?

E pra concluir, quero dizer que sou casado com uma loira e tenho uma filha também loira. E elas são muito inteligentes! [MB]