segunda-feira, outubro 31, 2016

A “Era do Gelo”: uma perspectiva bíblico-científica

Aconteceu mesmo? Como foi?
Antes de adentrarmos diretamente no assunto, é necessário entender que o conceito de “era do gelo” é utilizado por geólogos ou glaciologistas uniformitaristas para designar um período geológico de longa duração, isto é, de centenas de milhares a milhões de anos. Por sua vez, o modelo criacionista tem dado preferência ao uso dos termos “época do gelo ou “idade do gelo”, porque esses termos caracterizarem melhor sua proposta. Mas a pergunta que permanece é a seguinte: Houve realmente uma “era do gelo”? De fato, há evidências convincentes de que, em certa época, o gelo cobriu grande parte do Canadá, as regiões norte e central dos Estados Unidos, Norte da Europa, Noroeste da Ásia, muitas cadeias montanhosas da Eurásia e do hemisfério sul e dos trópicos.[1: p.65, 2] O modelo uniformitarista afirma que houve pelo menos cinco grandes “eras do gelo” em nosso planeta. Já o modelo criacionista entende que houve apenas uma época do gelo.[3] Realmente são encontradas características da Idade do Gelo em mais de 30% da massa terrestre, indicando cobertura passada por camadas de gelo ou glaciares, ao passo que, hoje, apenas 10% são glaciadas (principalmente Groenlândia e Antártida).[4]

Principais categorias de evidências de uma época glacial

Geológicas. Caracterizada pela presença atual de glaciares nas regiões Ártica e Antártica. Contagem de camadas anuais no núcleo de gelo (por exemplo, na Groenlândia).[5] Evidências nas rochas de marcas de abrasão, sinais de desgaste e arrasto.[1: p. 65] Morenas de glaciares, que são depósitos de fragmentos de pedras empurrados pelo gelo.[1: p. 64] Fiordes, que são grandes entradas de mar entre altas montanhas rochosas que sofreram erosão devido ao gelo e que podem ser vistas, principalmente, na Groenlândia, Islândia e Noruega. Blocos erráticos.[1: p. 65] Entre outros.

Químicas. Caracterizada principalmente pelas variações nas proporções de isótopos em fósseis, sedimentos (inclusive marinhos) e rochas. Assim, pode-se chegar a uma temperatura aproximada do ambiente naquela época.

Paleontológicas. Caracterizada pelas evidências de associações desarmônicas, isto é, alterações na distribuição geográfica dos fósseis que são a regra e não a exceção. As associações desarmônicas podem ser entendidas, por exemplo, através de animais de ambientes quentes quando encontrados em outras regiões geográficas mais frias.[6]

Causas da época do gelo (cenário uniformitarista)

Atualmente, existem mais de 60 teorias sobre as causas dessa época do gelo. Diante de um número tão grande de teorias, percebemos que os uniformitaristas não sabem exatamente como aconteceu e não há uma explicação amplamente aceita sobre o que teria causado essa “era do gelo”. Isso porque não há eventos dessa proporção acontecendo hoje para que possamos utilizá-los a fim de explicar o passado. Os mantos de gelo, por exemplo, não estão atualmente se desenvolvendo e derretendo em grandes proporções.

Assim, não temos uma maneira eficiente de realmente observar como eles se formaram no passado.[2] Portanto, nesse contexto fica evidente que o “presente não é a chave para o passado”.

O cenário uniformitarista apresenta algumas dificuldades em interpretar as evidências disponíveis sobre a época do gelo. Esse cenário em que a geleira se expandisse cada vez mais por cem mil anos ou mais se torna impossível, pois ficaria cada vez mais frio, e quanto mais frio, menos evaporação de água e, portanto, um clima muito seco. Logo, faltariam dois requisitos necessários para que se estabelecesse uma “era do gelo”: umidade e neve, simultaneamente.

Além disso, o uniformitarismo tem dificuldades em explicar as evidências de grandes lagos e rios em regiões atualmente áridas e semiáridas de todo o planeta. Foram encontradas redes de drenagem extintas no deserto do Saara e restos de animais como elefante, hipopótamo, crocodilo, girafa, antílope e rinoceronte ao longo desses rios agora secos.[7] Outro grande problema que permanece é o fato da extinção em massa de milhares ou milhões de mamutes na Sibéria e no Alasca. As hipóteses correntes são as de que as extinções devem ter ocorrido devido à matança humana ou à mudança climática; todavia, ainda não há um consenso.

E como explicar as evidências de planícies não glaciadas, do Alasca, da Sibéria e do leste da Ásia? Isso tem sido outra dificuldade para a modelagem com base em uma escala de longo tempo em que supostamente deveria haver tempo suficiente para que até mesmo essas regiões ficassem totalmente cobertas por gelo. Outra pedra no sapato do modelo uniformitarista têm sido as associações desarmônicas, ou seja, presença de fósseis de animais aparentemente incompatíveis com a região geográfica em que foram encontrados.

E o que dizer das evidências massivas de vulcanismos intensos na maioria das regiões do planeta? Os uniformitaristas até reconhecem o vulcanismo intenso que ocorreu no Pleistoceno (suposto período na escala evolutiva compreendida entre 2,6 milhões de anos e 11.700 anos atrás, em que teria ocorrido uma “era do gelo”), porém, o vulcanismo não é tido como mecanismo principal para o estabelecimento dessa mesma “era do gelo”, devido à escala de tempo de longa duração de cem mil anos ou mais. Dado o tempo longo, é simples de entender que o vulcanismo se tornaria insignificante.

Causas da época do gelo no cenário criacionista

O modelo criacionista ou catastrofista apresenta o cenário ideal para explicar como e por que teria acontecido a época do gelo, pois descreve a ação simultânea de alguns requisitos essenciais: vulcanismo intenso e muita umidade e neve, simultaneamente. Apresentarei a seguir as etapas que, de acordo com o modelo, teriam dado início e mantido a época do gelo:

1. Vulcanismo intenso. Atualmente, existem 1.500 vulcões conhecidos e as estimativas é a de que existam mais de 50.000 vulcões em terra e no fundo dos oceanos. Logo, atividade vulcânica intensa é o primeiro requisito que teria ocorrido no período do dilúvio. Ao fim do dilúvio, o mundo estaria coberto por vasta quantidade de gases e cinzas vulcânicas aprisionados na estratosfera, que causariam a reflexão dos raios solares de volta para o espaço.

2. Menor incidência de radiação solar. Como menos radiação solar penetrando esse escudo, resultaria no resfriamento da Terra, e manteria os verões frios. Mas será que existem evidências de que isso teria acontecido? As grandes erupções modernas podem servir de evidência para entendermos que elas normalmente resfriam uma região em cerca de 1 ºC, e esse resfriamento dura cerca de três anos até que as cinzas e os gases precipitem, considerado tempo suficiente para iniciar uma “era do gelo”.[1: p. 66, 2] Nos anos 536 e 540, ocorreram duas erupções de grande magnitude e o efeito combinado baixou em 2 ºC a temperatura, o que produziu a década mais fria em dois mil anos, e afetou todo o mundo.[8] A erupção do vulcão Laki em 1783-1784 é considerada por muitos geólogos como uma pequena inundação por erupção de basalto que criou um campo de fluxo de lava de cerca de 15 km3 em 8 meses (tamanhos comuns de erupções modernas são <0 km="" span="">3) e lançou cerca de 120 milhões de toneladas de dióxido de enxofre (cerca de três vezes a produção industrial anual na Europa, em 2016) e provocou a queda de temperatura na Europa de cerca de 1-3 °C [9]; o resfriamento resultou em invernos e verões rigorosos que conduziram à pobreza e à fome na Europa e a morte de milhares de pessoas [10]. A erupção do Monte Tambora, em 1815, na Indonésia, baixou a temperatura em cerca de 1 ºC e foi a maior já registrada, sendo responsável por provocar no ano seguinte aquilo que foi chamado de um “ano sem verão”.[11] Em 1883, por sua vez, a erupção do vulcão Krakatoa, na Indonésia, baixou a temperatura em cerca de 0,5 °C por 5 anos consecutivos.[12]

3. Vulcanismo contínuo. Para que se prolongasse o resfriamento e mantivesse a “era do gelo”, seria necessário que o vulcanismo intenso também fosse contínuo, não podendo ficar mais do que alguns anos sem erupções constantes, a fim de que os aerossóis fossem reabastecidos na atmosfera por centenas de anos após o dilúvio.[2] E, de fato, existem evidências científicas de que houve vulcanismo intenso por toda a Terra no Pleistoceno.[13] Foram encontradas numerosas camadas de cinzas, às vezes cobrindo grandes áreas. Somente no oeste dos Estados Unidos houve pelo menos 68 grandes quedas de cinzas durante a época glacial.[14]

4. Neve e a reflexão dos raios solares. Quando o chão ficou coberto de neve, passou a refletir (como espelho) a radiação solar (90% de reflexão). Isso teria esfriado ainda mais o ar, acelerando o processo.

5. Oceanos quentes. Para que muita neve (segundo requisito necessário) caísse, seria preciso muita umidade para que ela se condensasse e cobrisse todas as áreas afetadas naquela época. Gênesis 7:11 nos diz que as fontes do grande abismo se romperam. Logo, muita água quente subiu e se derramou sobre os oceanos pré-diluvianos, os quais provavelmente eram mais quentes do que os atuais. Sabe-se que a crosta terrestre aquece 30 °C a cada km de profundidade. Assim, o oceano estaria aquecido após o dilúvio, com uma temperatura máxima de 30 ºC para não ameaçar a vida marinha.[3]

6. Umidade em grande quantidade. O vapor de água se formaria nos oceanos mornos, e migraria para os continentes por meio de correntes de convecção, e aí precipitaria na forma de neve, principalmente nas regiões altas e nos polos. Outra parte dessa umidade viria de grandes lagos formados nos continentes, quando a terra emergiu vagarosamente das águas do dilúvio, sendo represados atrás de barreiras de material empilhado.[1: p. 67]

7. Máxima glacial. O ápice do resfriamento (máxima glacial) deve ter ocorrido 500 anos após o início da expansão do gelo. Depois disso, o oceano se esfriaria e diminuiria a precipitação de mais neve.[7]

8. Oscilação da atividade vulcânica. A atividade vulcânica também oscilaria, apresentando picos e vales, seguindo uma tendência geral ao declínio e derretimento do gelo.[1: p. 68, 69] Esses picos e vales formariam camadas que corresponderiam ao que os pesquisadores identificam hoje como as várias “eras do gelo”; mas que corresponderiam apenas às fases de avanço e recuo de geleiras durante essa época, dando a aparência de mais de uma.[15] De acordo com Flori e Rasolofomasoandro, uma evidência direta está relacionada à “pequena glaciação do século 18, nas regiões árticas e no norte da Europa, que fez oscilar o limite do gelo em torno de alguns milhares de quilômetros, de norte a sul. Essa oscilação ocorreu em um intervalo de tão-somente 150 anos”.[15: p. 275] Além disso, estudo publicado em 1994 por cientistas uniformitaristas mostrou que a ideia de várias “eras glaciais” é apenas suposição.[16] Acreditava-se que três ou quatro “eras do gelo” teriam ocorrido no Canadá. Porém, os cientistas concluíram que houve apenas uma. Ademais, fósseis do Pleistoceno são raros em áreas glaciais, o que é curioso, pois se houvesse muitos interglaciais, deveria haver mais fósseis. Praticamente todas as extinções da megafauna foram após a última.

O que teria acontecido antes da época do gelo?

A temperatura era parcialmente uniforme. De acordo com o modelo criacionista, o clima era quente antes da chegada dessa época do gelo. Antártida, Ártico e os oceanos do Pacífico Norte (EUA), por exemplo, ainda não eram cobertos por gelo.[17] Mas será que existem realmente evidências para essa afirmação? Têm sido encontradas florestas subtropicais no Ártico e na Antártica antes que o gelo tivesse se formado nessas regiões. Cientistas descobriram embaixo do gelo uma floresta subtropical, com palmeiras e árvores de macadâmia.[18, 19] Outra evidência se concentra nos mamutes da Sibéria fossilizados com capim florido na boca e no estômago.[20, 21]

Rápido repovoamento após o dilúvio. Outro ponto interessante teria sido o rápido repovoamento da terra após o dilúvio. Existem evidências de que tanto a flora quanto a fauna podem se restabelecer rapidamente em uma região atingida por catástrofes. A ilha vulcânica de Surtsey, no sul da Islândia, por exemplo, surgiu no meio do oceano em 1963, com mais de 2 km, e em 50 anos já havia fauna e flora exuberantes.[22, 23] Em 1973, a ilha vulcânica de Nishinoshima foi vista pela primeira vez em erupção no meio do oceano pacífico, a cerca de 1.000 km ao sul de Tóquio.[24] Dentro de um mês, a ilha subiu 25 metros acima do nível do mar e, em apenas 40 anos de existência, já existia ali vegetação. Em 1980, o vulcão do Monte Santa Helena entrou em erupção e destruiu grande parte da vida vegetal e animal daquela região. Em apenas 25 anos, a fauna e a flora voltaram a tomar conta do lugar.[25]

Ademais, sabe-se que os elefantes, em apenas 300 anos, poderiam chegar a seis milhões de outros exemplares.[21] Os seres humanos, por sua vez, em apenas 1.200 anos, usando a taxa de crescimento atual (1,7-1,8), poderiam chegar a bilhões de outros indivíduos. De igual modo, os coelhos, em apenas 76 anos, poderiam chegar a dez bilhões.

Megafauna extinta. Após o dilúvio, houve o estabelecimento de uma megafauna. Os animais cresceram em tamanho (gigantismo), pois havia muita oferta de alimento e pouca competição (predadorismo). Dessa forma, haveria maior chance de esses animais gigantes sobreviverem ao frio durante a migração que viria a seguir. E hoje temos evidências dessa megafauna extinta por meio da paleontologia (fósseis) e dos achados arqueológicos (artes rupestres).

Migração humana e animal após o desembarque no Ararat. A migração de animais e humanos que ocorreu logo após a saída deles da arca na região do Ararat, hoje conhecida como Turquia, se deu por caminhos de terra entre os continentes. Mas alguns podem perguntar: Como isso pode ter acontecido, visto que hoje vemos extensões de água entre alguns continentes? O modelo criacionista pode explicar facilmente esse cenário ao entendermos que boa parte da água foi atraída pelo gelo da glaciação; logo, o nível dos mares certamente baixaria em vários metros, criando corredores muito extensos de terra seca em algumas regiões. Assim, rebanhos de animais atravessariam uma planície gramínea com 1.609 km de largura que se estenderia da Ásia pelo Estreito de Bering para a América do Norte.[26] E, de fato, existem evidências dessas migrações, ao levarmos em consideração as associações desarmônicas entre os fósseis encontrados nessas regiões. Ao norte da Sibéria, por exemplo, foram descobertos mamutes e mastodontes fósseis em gelo. O que estavam fazendo lá? Provavelmente, eram regiões de climas temperados, mesmo na época do gelo, devido ao fato de essa região ficar próxima à costa do oceano, que estava quente logo após o dilúvio.

Na região da Beringia, por sua vez, foram encontrados lobo, raposa, leão, camelo, cervos, preguiça, alces, castor gigante, lemming, porco, coiote, antílope, ovelhas, ratazanas, lebre e coelho, além de muitas espécies de aves, roedores, cavalos e bisões.[21] No sul da Inglaterra, também foram descobertos fósseis de hipopótamo, rinoceronte lanudo, boi-almiscarado, veados e crocodilos.[7]

Início e duração da época do gelo

De acordo com o naturalista Harry Baerg, “a formação e o desaparecimento dos lençóis de gelo devem ter ocorrido entre o tempo do dilúvio e o começo da história registrada”.[1: p. 70] É, portanto, razoável admitirmos que o início da idade do gelo coincida com a história da Torre de Babel, construída no vale do Sinar (atual Iraque) entre 100 e 130 anos após o dilúvio. E o que dizer da Bíblia? Existem relatos bíblicos sobre essa época do gelo? Podemos perceber na narrativa do livro de Jó, nos capítulos 6:16; 38:22, 29-30, um clima mais frio no princípio da história bíblica, datado entre 300-500 anos após o dilúvio.

De acordo com os cálculos feitos pelo mestre em Ciências Atmosféricas Michael Oard, a época do gelo pode ter durado menos de mil anos, mais especificamente 500 anos de acúmulo de gelo e 70 anos para derreter as camadas de gelo ao longo da borda, e cerca de 200 anos no interior do Canadá e da Escandinávia.[4, 27, 28] Existem evidências históricas relativas ao ano 1.454 a.C. (cerca de 300 anos após o dilúvio) em que Partholan, líder do segundo grupo a conquistar a Irlanda, teria desembarcado nessa região e registrado o número de lagos e rios existentes. Pouco tempo depois, na segunda colonização, havia um número bem maior de lagos e rios. Provavelmente, os registros irlandeses antigos evidenciaram o derretimento das camadas de gelo do norte europeu.[29] Segundo Ussher, o dilúvio ocorreu em 2.348 a.C. Portanto, a era glacial teria terminado mil anos após a grande inundação.

Fim da época do gelo

Extinção da megafauna. Existem evidências de que a megafauna que prosperou durante a época do gelo pós-dilúvio, equivalente ao período Pleistoceno na escala evolutiva de tempo, composta por exemplares do mamute lanoso (que viveu na Sibéria e no Alasca), do tigre dente-de-sabre (América do Norte) e da preguiça gigante (América do Norte), existiu nessas camadas e desapareceu no fim desse período de tempo;[26] ademais, os mamutes lanosos realmente eram adaptados ao frio.[30] A hipótese mais aceita é a de que eles prosperaram durante a época do gelo, especialmente nas planícies não glaciadas da Beringia, pois as temperaturas eram mais equânimes.[21]

Extinção dos mamutes. A extinção dos mamutes tem sido motivo de controvérsia até mesmo entre a comunidade criacionista. De acordo com a teoria das hidroplacas, do engenheiro mecânico Walter Brown, ás águas subterrâneas ejetaram da ruptura criada na crosta terrestre no início do dilúvio, e essas águas, ao chegarem à estratosfera, teriam congelado rapidamente, produzindo cristais de gelo que, ao caírem, teriam originado uma forte chuva torrencial, ao mesmo tempo em que teriam promovido o congelamento instantâneo (ultrarrápido) de animais como o mamute, encontrado na Sibéria e no Alasca.[31: p. 118] Por outro lado, amostras de tecidos de mamutes revelaram que eles morreram (deterioração) antes de serem enterrados e congelados no Permafrost das tundras.[21] As possíveis causas da morte desses mamutes têm sido atribuídas a: (1) terem ficado atolados no pântano (por serem regiões de permafrost); (2) levados pelas enchentes produzidas pelo degelo; ou (3) congelamento durante tempestades de neve com ventos soprando pó, que iriam enterrá-los ao fim da época do gelo.[19, 28]

Fase do degelo. A partir do momento em que o gelo começasse a derreter, o clima tornar-se-ia mais continental, com invernos mais frios e verões mais quentes. O oceano possivelmente se tornou mais frio do que hoje, e o clima mais seco. Os grandes mamíferos teriam sido especialmente suscetíveis à seca.[21]

Fim do degelo. As águas doces do degelo seriam menos densas que a água do mar, e formariam uma camada superficial sobre o oceano, congelando essa camada durante a noite. É nesse momento que os grandes blocos de gelo sobre o mar do norte (com vidas preservadas neles) se formariam com as evidências de fossilização desarmônicas que vemos hoje. Muitos animais eram pesados e afundavam no gelo.[32] Inclusive, há evidências de animais da megafauna apresentando características de sufocamento e membros quebrados.[21]

Animais ilhados. Para Harry Baerg, “a água resultante do degelo fez com que o nível do mar subisse e algumas pontes de terra (estreito de Beringher e Australásia), que existiam durante o período glacial, submergiram”.[1: p. 70] Isso explicaria por que alguns grupos de animais como, por exemplo, os cangurus teriam ficado ilhados na ilha continental australiana. Aliás, é interessante pensarmos o por que dos cangurus terem se dirigido rumo à Austrália. Alguns criacionistas hipotetizam que talvez eles estivessem apenas retornando ao seu local de origem, uma vez que antes do dilúvio apenas um único continente não fragmentado.[33] Mas como eles teriam reconhecido o caminho de volta? A hipótese é a de que retornaram ao seu território nativo através de uma direção “especial”, ou seja, por meio de instintos de localização (GPS biológico) como os que se observam em pássaros, peixes, insetos e outros animais migratórios.

Formação dos desertos. Uma das consequências de uma época do gelo é o ressecamento, pois a umidade congela e resseca o ambiente (exemplo do ar condicionado). Esse ressecamento provavelmente deu origem ao processo de desertificação em algumas regiões do planeta.[7]

(Everton F. Alves é mestre em Ciências [Imunogenética] pela UEM e diretor de ensino do Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira [NUMAR-SCB]; seu e-book pode ser lido aqui)

Referências:
[1] Baerg HJ. O mundo já foi melhor. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1992.
[2] Oard M. The Genesis Flood Caused the Ice Age. Capítulo 7. In: Oard M. Frozen in time: The Woolly Mammoth, the Ice Age, and the Bible. Green Forest, AR: Master Books, 2004. 217p.
[3] Oard M. The Ice Age and the Genesis Flood. Acts & Facts. 1987; 16(6).
[4] Oard M. What caused the Ice Age? Journal of Creation 2014a; 36(3):52–55.
[5] Woodmorappe J. Greenland ice cores: implicit evidence for catastrophic deposition. Journal of Creation 2002; 16(3):14–16.
[6] Oard M. The puzzle of disharmonious associations during the Ice Age. Journal of Creation 2012; 26(3):15–17.
[7] Oard MJ. A post-flood ice-age model can account for Quaternary features. Origins 1990a; 17(1):8-26.
[8] Toohey M, et al. Climatic and societal impacts of a volcanic double event at the dawn of the Middle Ages. Climatic Change 2016; 136(3):401–412.
[9] Thordarson T, Self S. Atmospheric and environmental effects of the 1783-1784 Laki eruption: A review and reassessment. Journal of Geophysical Research. 2003; 108(D1):AAC7-1-AAC7-29.

[10] Grattan J, Durand M, Taylor R. Illness and elevated human mortality in Europe coincident with the Laki Fissure eruption. Geological Society, London, Special Publications. 2003; 213:401-414.
[11] Stothers RB. The Great Tambora Eruption in 1815 and Its Aftermath. Science. 1984 15;224(4654):1191-8.
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[13] Charlesworth JK. The Quaternary Era, Vol. 2, London, Edward Arnold, 1957, p.601.
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[15] Flori J, Rasolofomasoandro H. Em Busca das Origens: evolução ou criação? Brasília: SCB, 2002, p. 274.
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[21] Oard M. The extinction of the woolly mammoth: was it a quick freeze? Journal of Creation 2000; 14(3):24–34.
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[24] Maeno F, Nakada S, Kaneko T. Morphological evolution of a new volcanic islet sustained by compound lava flows. Geology 2016;44(4):259.
[25] La Corte R. 25 years afterblast, St. Helens comes back to life. NBC News.com (5/18/2005). Disponível em: http://www.nbcnews.com/id/7830509/#.WAVPRlQrI_5
[26] Snelling AA, Matthews M. When Was the Ice Age in Biblical History? Answers magazine, 2013.
[27] Oard M. An Ice Age Within the Biblical Time Frame. Proceedings of the First International Conference on Creationism, Vol.II, Technical Symposium Sessions and Additional Topics, Pittsburgh, Pennsylvania, 1986, pp. 157–166.
[28] Oard M. Setting the Stage for an Ice Age. Answers magazine, 2007.
[29] Cooper B. Depois do dilúvio. 1. Ed. Brasília: SCB, 2008, p.202.
[30] Oard M. Woolly mammoths were cold adapted. Journal of Creation 2014b; 28(3):15–17.
[31] Brown W. In the Beginning: Compelling Evidence for Creation and the Flood. 6. Ed. Phoenix, AZ: Center for Scientific Creation, 1995.
[32] Veith WJ. The Genesis conflict. 2. Ed. Canadá: Amazing Discoveries, 2002, pp. 143-147.
[33] ] Gibson LJ. Patterns of mammal distribution. Manuscrito não publicado, distribuído pelo Geoscience Research Institute, Loma Linda University, Loma Linda, CA.

E-mails que nos alegram (63)

“Olá, Michelson. Maranata! Meu nome é Gabriella, tenho 16 anos de idade e sou de Goiânia, GO. Acompanho seu blog há mais de dois anos, e fiquei muito feliz quando, pesquisando algum site ou blog que indicasse filmes realmente bons, me deparei com seu blog. Depois que fui para o 1º ano do ensino médio, passei a estudar em História a origem e a evolução dos seres humanos. Foi então que eu me apercebi do quanto seu blog informava e esclarecia sobre esse assunto. Graças a Deus Ele fez com que a ideia de criar e manter um blog como o Criacionismo.com.br surgisse em seu coração. Muito do que eu sei hoje e do interesse que tenho de conhecer mais para ‘dar a razão de nossa fé’ é resultado do trabalho do Espírito Santo sobre o senhor e seu blog  (e também de seus livros). Hoje posso dizer que tenho crescido em graça e no conhecimento do Senhor Jesus Cristo, porque sei de maravilhas do Universo, do planeta Terra e das criaturas que nele habitam que me fazem admirar e crer em Deus. Quero agradecer por aceitar e ser um ‘colaborador de Cristo para a salvação de almas’ (como diz a Bíblia que devemos ser e a irmã White enfatiza em seus escritos, não é mesmo?). Oro pelo senhor e sua família, para que Deus continue abençoando vocês. Antes de me despedir, quero dizer que o Criacionismo.com.br foi e continua sendo importantíssimo, não só para mim, sem dúvida. P.S.: conte para a Marcella que gosto muito das receitas dela!”

Unir e dividir para conquistar

Desunidos somos mais fracos
Vivemos em dias tremendamente paradoxais. Há os que argumentam que homens e mulheres não nascem homens e mulheres, ao passo que defendem com unhas e dentes que homossexuais, sim, nascem homossexuais. Há os que afirmam crer na Bíblia, ao mesmo tempo que relativizam sua mensagem e advogam o evolucionismo de Darwin. São tempos de contrastes, de inversões de valores e de guinadas históricas espetaculares! Uma delas está sendo vista exatamente no dia de hoje. No dia 31 de outubro, celebra-se o dia da Reforma Protestante, que teve como principal ato simbólico a afixação das 95 teses de Lutero da porta da igreja de Wittenberg, na Alemanha, em 1517. Meio milênio depois, a Suécia é palco de um evento marcante: com a presença do papa Francisco, a Igreja Católica Romana e a Federação Luterana Mundial celebram um importante evento ecumênico alusivo aos 500 anos da Reforma Protestante – uma prévia do que vai acontecer em 2017.

Lutero disse que preferia ver a igreja dividida pela verdade a vê-la unida pelo erro. O que ele diria desse megamovimento em favor da união de todos debaixo de um mesmo guarda-chuva sob o qual não importam os dogmas e as crenças de cada um? O que ele diria dessa indiferença em relação à Bíblia Sagrada em detrimento das tradições, das crendices, dos costumes, tudo isso justificado pela bandeira do amor, dos tapinhas nas costas, dos apertos de mão e do “vamos deixar essas coisas pra lá”? Homens e mulheres deram a vida pelo amor que tinham à verdade. Hoje o que menos importa é a verdade, desde que se mantenham a paz, a união e o poder.

O inimigo de Deus procura promover a unidade em torno do erro, fazendo com que os poucos defensores das verdades bíblicas sejam vistos como discordantes, “fundamentalistas”, “rígidos”, sem amor, rebeldes – exatamente como foram considerados os primeiros protestantes. E qual é a outra frente de atuação dele? Uma que é curiosamente o oposto da outra.

Se, por um lado, o inimigo une para conquistar, por outro, ele divide com o mesmo propósito. Enquanto o mundo é unido por causas comuns como o ecumenismo e o ECOmenismo ambientalista (lá na Suécia, católicos e luteranos falaram hoje sobre aquecimento global), a igreja da profecia bíblica, aquela que “guarda os mandamentos de Deus, e [tem] o testemunho de Jesus Cristo” (Apocalipse 12:17), vem sendo desunida, fragmentada e em grande parte neutralizada por “picuinhas” internas. Adoração vs. show gospel; perfeição vs. perfeccionismo; vestuário impróprio vs. modéstia cristã; entretenimentos vs. recreação sadia; trinitarianismo vs. antitrinitarianismo; sermões bíblicos vs. sermões existencialistas açucarados; estudo aprofundado das Escrituras vs. fragilidade doutrinária; e por aí vai. São questões que merecem atenção, sim, mas não devem esgotar nossas energias nem desviar o foco. Ao mesmo tempo em que amplos setores da igreja estão focados na missão porque querem ver Jesus voltar e querem ajudar a preparar uma geração para encontrá-Lo (amém por isso!), multidões perdem tempo com as distrações satânicas que visam unicamente a estorvar e dividir.

O mundo se une e a igreja da profecia corre o risco da fragmentação. Sejamos agentes promotores da união em torno da verdade e pelo motivo correto. Oremos por reavivamento e reforma e ouçamos os apelos inspirados:

“O amor-próprio, o orgulho e a presunção são a base das maiores lutas e desinteligências que têm aparecido no mundo religioso. Uma vez após outra, o anjo me disse: ‘Uni-vos, uni-vos, sede de um mesmo pensamento e do mesmo parecer.’ Cristo é o dirigente, e vós sois irmãos; segui-O” (Ellen G. White, Carta 4, 1890).

“Deem os crentes ouvidos à voz do anjo que disse à igreja: ‘Uni-vos.’ Na união está a vossa força. Amai como irmãos, sede compassivos, corteses. Deus tem uma Igreja, e Cristo declarou: ‘As portas do inferno não prevalecerão contra ela’ (Mateus 16:18). Os mensageiros que o Senhor envia apresentam as credenciais divinas” (The Review and Herald, 19 de setembro de 1893).

“Em nossa separação uns dos outros estamos separados de Cristo. Precisamos unir-nos. Oh! quantas vezes, quando me tem parecido estar na presença de Deus e dos santos anjos, tenho ouvido a voz do anjo dizendo: ‘Uni-vos, uni-vos, uni-vos. Não deixeis Satanás lançar sua sombra infernal entre irmãos. Uni-vos; há força na união’” (Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 374).

domingo, outubro 30, 2016

Sons de trombetas nos céus de Jerusalém?

Sinal do fim ou fraude viral?
Anda circulando por aí desde o começo do mês um vídeo em que supostamente são ouvidos sons de trombetas nos céus de Jerusalém, o que alguns rapidamente já associaram com mais um sinal da volta de Jesus ou do fim do mundo. O site Catholicus repercutiu o assunto e as redes sociais trataram de viralizá-lo. No vídeo, pode-se ver uma espécie de arco nas nuvens que se movimentam no céu ao som de algo metálico. Segundo o site, o som já havia sido ouvido em 2013, e a Nasa teria explicado o fenômeno ao dizer que se tratava de placas metálicas (?) se chocando no espaço próximo à Terra. Desta vez, o frenesi foi maior, porque simplesmente se trata de Jerusalém, e tudo o que vem de lá sempre causa mais alvoroço. E aí? Sinal do fim? Fenômeno natural? Mais um boato internético como os que já denunciei aqui e aqui?

A primeira coisa que vem à mente é: Por que há apenas um vídeo do “fenômeno”? Com milhares de turistas que visitam a cidade de Jerusalém todos os dias, munidos de câmeras e celulares, por que apenas um vídeo? Isso não lhe soa suspeito? E por que nenhum jornal local nem mesmo um blogueiro que seja teria divulgado assunto tão alarmante?

Na verdade, essa história de sons estranhos no céu começou em 2011, com um vídeo registrado em Kiev, na Ucrânia. Depois disso, outros vídeos apareceram no YouTube, tendo sido feitos em outras cidades. Uma das explicações é de que se trata de ondas radiofônicas, sendo, portanto, algo natural, uma espécie de som de fundo na Terra. Outros vídeos são apenas montagens mesmo, como aconteceu com um feito no Canadá, e que se tratava de um viral espalhado por uma agência.

Quanto ao vídeo de Jerusalém, é interessante destacar que a versão ou postagem mais antiga dele foi feita no canal RevMichelleHopkinsMann, no dia 3 deste mês. Mas nesse canal há a explicação de que o filme original é de autoria do produtor israelense de vídeos virais Ronen Barany, que postou o tal vídeo alguns dias antes, tendo, em seguida, retirado do ar. O canal de Barany já foi denunciado no passado por uma fraude relacionada com um suposto ataque nuclear no Irã. Apesar de Barany ter negado a autoria do vídeo das “trombetas”, vários canais e youtubers apontam para ele como o autor.

Alguns internautas chegaram a relacionar esse vídeo de Jerusalém com outro assunto polêmico e digno das melhores teorias de conspiração, o tal Projeto Blue Beam (veja o vídeo abaixo). A propósito, o som nem se parece com o de um instrumento musical. É preciso ter muita imaginação para relacioná-lo com o som de trombetas.

Mais uma vez fica a lição de que a melhor atitude a ser tomada nesses casos é não espalhar esses vídeos de origem e conteúdo duvidosos. Isso só traz descredito para quem os divulga e coloca em dúvida as crenças dessas pessoas. Muita gente, com certeza, vai pensar: “É mais um sinal falso da volta de Jesus.” E isso vai dessensibilizando as pessoas de tal forma que, quando elas se depararem com os verdadeiros sinais de que as profecias bíblicas de fato estão se cumprindo (confira), manifestarão igualmente a desconfiança e a descrença.

Às vezes, ser cético é uma boa atitude, especialmente quando se trata de boatos internéticos sem fundamento.

Michelson Borges

sexta-feira, outubro 28, 2016

31 de outubro: Halloween ou Reforma Protestante?

Ataque em duas frentes
Há algum tempo vem sendo ouvida entre os defensores do ecumenismo a frase “o protesto acabou”. O bispo anglicano Tony Palmer (lembra dele?), grande amigo do papa Francisco, antes de falecer em um acidente trágico, foi um dos maiores defensores dessa ideia. As igrejas Católica e Luterana resolveram alguns detalhes teológicos e passaram a encabeçar esse movimento pela união de todos os cristãos, jogando para debaixo do tapete as 95 teses que o ex-padre Martinho Lutero afixou em 1517 na porta da igreja de Wittenberg como ato de protesto contra os desmandos teológico-eclesiásticos do Vaticano. Certamente, Lutero ficaria espantado ao ver que, quase 500 anos depois do ato pelo qual foi excomungado e perseguido, o papa em pessoa está tomando parte nas comemorações da Reforma Protestante, que culminarão em outubro do ano que vem.  

Diante de milhares de evangélicos em um culto nos Estados Unidos poucos anos atrás, Tony Palmer perguntou: “Se não há mais protesto, como pode haver uma igreja protestante?” Roma e seus dogmas antibíblicos foram aceitos. O caminho para isso foi preparando lentamente, e os primeiros passos foram dados justamente pelos protestantes, como havia previsto Ellen White, em seu best-seller do século 19 O Grande Conflito – aliás, um livro que descreve claramente as lutas dos reformadores e a morte do protestantismo, exatamente como está acontecendo.

Neste ano, os Estados Unidos sediaram dois megaeventos ecumênicos intitulados Together e Gathering. Por meio de um vídeo, o papa enviou uma saudação aos milhares de evangélicos reunidos em Washington. A união, independentemente de crença ou credo, é a palavra de ordem. Não importa o que você crê, desde que se una. Mas, se não se unir, aí, sim, importa o que você crê...

No dia 24 deste mês, Francisco disse, durante um sermão no Vaticano, que são hipócritas aqueles que “têm uma atitude de rigidez em cumprir a lei”. Ele se valeu da passagem bíblica em que Jesus cura uma mulher no sábado, sendo criticado pelo chefe da Sinagoga. E disse mais: “Por trás da rigidez há algo escondido na vida de uma pessoa. A rigidez não é um dom de Deus. A mansidão, sim; a bondade, sim; a benevolência, sim; o perdão, sim. Mas a rigidez não! Por trás da rigidez há sempre algo escondido, em tantos casos uma vida dupla; mas há também algo de doentio. [...] Parecem bons, porque seguem a lei; mas por trás tem alguma coisa que não os torna bons: ou são maus, hipócritas ou são doentes. Sofrem!”

É claro que sempre existiram os fariseus “rígidos”, para usar a palavra do papa, que colocaram a observância da lei acima de tudo, como se pudessem ser salvos pelas obras, coisa que, ironicamente, o próprio Vaticano vem estimulando há séculos. É claro que o legalismo é um câncer na vida dos que o vivem. Mas não podemos minimizar a importância da lei de Deus nem deixar de notar que as palavras do papa poderão ser usadas, inclusive, contra aqueles que procuram obedecer aos dez mandamentos pelo motivo certo (João 14:15).

O fato é que Satanás conseguiu ofuscar a importante data de 31 de outubro, substituindo-a por uma comemoração amena para a qual Lutero não foi convidado. Mas tem mais: o inimigo trabalhou também em outra frente, envolvendo religiosos, cristãos e mesmo não cristãos. Ele vem usando para isso a festividade pagã do Halloween. Em que dia? Isso mesmo: 31 de outubro. Assim, mesmo sem o saber (ou sabendo), católicos, protestantes, pagãos, os sem religião, uma nação inteira e boa parte do mundo estão se esquecendo ou ignorando um evento de importância tremenda – a Reforma Protestante – para celebrar a bruxaria e o culto aos mortos, em tom de brincadeira, do jeito que o diabo gosta.

A Igreja Adventista do Sétimo Dia nasceu no século 19 com o objetivo de trazer à luz verdades bíblicas que haviam sido sepultadas pela poeira do tempo, pelos dogmas religiosos, das tradições e negligenciadas até pelos reformadores. No espírito da Reforma, o adventismo despontou para restaurar a guarda do sábado do sétimo dia; a crença na imortalidade condicional do ser humano, no sono da morte e na ressurreição por ocasião da volta de Jesus; o estilo de vida saudável que abre a mente ao Criador; a verdade do santuário celestial e do juízo; o criacionismo; enfim, exaltar a Bíblia como única regra de fé e prática. Isso colocará essa igreja na contramão do mundo? Infelizmente, sim. Assim como Lutero, os reformadores do século 21 serão mal vistos, criticados, chamados de “fundamentalistas”, “rígidos”, e, por fim, perseguidos. Que tenham a força de dizer, como o ex-padre alemão, que jamais violarão sua consciência por ceder à pressão popular e das autoridades. Que fiquem firmes ao lado de Cristo e de Sua Palavra, custe o que custar!

Michelson Borges

Cosmovisões em conflito

O que a Bíblia fala sobre masturbação e pornografia

quinta-feira, outubro 27, 2016

Sua religião está pronta para lidar com alienígenas?

A verdade está la fora?
Como a humanidade reagirá quando astrônomos encontrarem evidências sólidas da existência de vida além da Terra? Sem especulação. Sem dúvidas. No momento em que os cientistas anunciarem essa descoberta, tudo mudará. No mínimo, nossas filosofias e religiões precisarão incorporar essa nova informação. Até o momento astrônomos identificaram milhares de planetas na órbita de suas estrelas. Nesse ritmo de descoberta, milhões de outros serão descobertos ainda neste século. Agora que já encontraram planetas físicos, os astrônomos estão procurando por nossos vizinhos biológicos. Ao longo dos próximos 50 anos, eles darão início ao estudo provocador e detalhado de milhões de planetas, em busca de evidência da presença de vida acima ou abaixo das superfícies ou nas atmosferas desses planetas. E é bem possível que os astrônomos encontrarão o que buscam.

Apesar do fato de mais de um terço dos americanos acreditarem que alienígenas já visitaram a Terra, a primeira evidência de vida além do nosso planeta provavelmente não será descoberta por meio de sinais de rádio, homenzinhos verdes ou discos voadores. Em vez disso, um Galileu do século 21, usando um telescópio enorme, de uns 50 metros de diâmetro, coletará luz das atmosferas de planetas distantes, em busca de sinais de moléculas biologicamente significantes. 

Astrônomos filtram essa luz distante por meio de espectrógrafo – prismas de alta tecnologia que permitem uma análise da luz em vários comprimentos de ondas diferentes. Eles estão em busca do que vai identificar moléculas que não existiriam em abundância nessas atmosferas na ausência de seres vivo. Os dados do espectrógrafo dirão se processos biológicos alteraram o ambiente do planeta. 

Com a descoberta da luz de espectro em planetas distantes de elementos que só poderiam ser produzidos por seres vivos, a humanidade terá a oportunidade de ler uma nova página no livro do conhecimento. Nós não estaremos mais especulando sobre a possibilidade de existirem outros seres no Universo. Saberemos que não estamos mais sozinhos.

Uma resposta afirmativa para a pergunta: “A vida existe em algum lugar no Universo além da Terra?” levantará algumas questões imediatas e profundas cosmológicas e éticas sobre o lugar que ocupamos no Universo. Se seres extraterrestres existirem, a minha religião e minhas crenças e práticas religiosas podem não ser universais. Se minha religião não é universalmente aplicável para seres extraterrestres, talvez minha religião não precise ser oferecida ou forçada nos seres terrestres. Basicamente, talvez nós aprendamos algumas lições importantes aplicáveis em casa só de considerar a possibilidade de vida em outro planeta além do nosso. 

No meu livro, investiguei os escritos sagrados das religiões mais praticadas ao redor do mundo, questionando o que cada religião tem a dizer sobre a singularidade e não singularidade da vida na Terra e como, ou se, uma religião em particular funcionaria em outros planetas em partes distantes do Universo.

Vamos analisar a questão teológica aparentemente simples, ainda assim muito complexa: Extraterrestres poderiam ser cristãos? Se Jesus morreu com o objetivo de resgatar a humanidade do estado do pecado no qual os humanos nascem, a morte e ressurreição de Jesus, na Terra, também redime outros seres perdidos que são nascidos em um estado parecido de pecado? E, se for assim, por que os extraterrestres seriam tão pecadores? O pecado é algo construído no tecido do espaço-tempo do Universo? Ou a vida pode existir em partes do Universo sem ser em um estado de pecado e, logo, sem a necessidade de redenção que não necessita do cristianismo? Várias soluções diferentes para os quebra-cabeças que envolvem a teologia cristã vêm à tona. Nenhuma delas satisfaz todos os cristãos. [...]

Não importa quais informações oferecem a sua teologia, você talvez tenha que lutar com os dados que astrônomos trarão para dentro de nossas casas no futuro próximo. Você precisará perguntar: É o meu deus o deus de todo o Universo? A minha religião é terrestre ou universal? Conforme as pessoas trabalham para reconciliar a descoberta de vida extraterrestre com suas visões teológicas e filosóficas de mundo, a adaptação às notícias de vida além da Terra será desconfortável e talvez até perturbador. 


Nota: Vamos às respostas: “É o meu deus o deus de todo o Universo?” Sim, meu Deus é o Deus de todo o Universo, já que é o criador de tudo o que existe. A Bíblia assim O descreve. “A minha religião é terrestre ou universal?” A primeira resposta praticamente responde esta. Sim, minha religião é universal, pois meu Deus é o criador e mantenedor do Universo. Os adventistas do sétimo dia entendem que existem mundos habitados nos quais o pecado não vingou, por isso mesmo nosso planeta se tornou um “espetáculo ao mundo [universo], aos anjos, e aos homens” (1 Coríntios 4:9). Quanto a esse assunto, por favor, leia este artigo. Mas é bom destacar que o artigo acima, publicado no site da revista Galileu, entra no pacote de divulgação constante do tema “extraterrestres”, que atende a outros objetivos. Assista ao vídeo abaixo e você vai entender o que estou dizendo. [MB]

O professor ateu evolucionista e a aluna criacionista

Posicionamento firme e respeitoso
Anos atrás, quando eu ainda estava fazendo o curso de Ciências Biológicas na UFRGS, enfrentei o desafio que me pareceu o mais difícil de todo o curso. Estava cursando a disciplina de Evolução. Eu e outra colega éramos as únicas criacionistas na turma e, às vezes, saíamos bastante desanimadas das aulas. O professor apresentava muitas “evidências” da evolução em cada aula. Os argumentos eram bem construídos e ele apresentava argumentos criacionistas e os desmantelava em cada aula. Os argumentos criacionistas que ele apresentava para desmantelar pareciam frágeis e ridículos. Algumas vezes saíamos perplexas das aulas! Ele fazia provas do tipo argumentativo. Colocava algumas questões sobre o que era dito por criacionistas e tínhamos que responder às questões. O problema é que aqueles argumentos criacionistas não eram realmente bons e eu não podia defendê-los.

As pessoas nas igrejas achavam que era muito fácil desarmar os argumentos evolucionistas e não se davam ao trabalho de estudar o que era ensinado na universidade; acabavam combatendo a visão popular do que é a evolução. E era essa a visão que minha colega e eu tínhamos quando chegamos, totalmente despreparadas, ao nosso primeiro contato com a teoria da evolução ensinada nos meios acadêmicos.

Um dia cheguei em casa e comecei a falar com o Eduardo, meu marido, sobre o assunto, e resolvemos estudar teoria da evolução em mais profundidade. Eu precisava saber mais do que os meus colegas e, se possível, mais do que meu professor.

O professor fazia três tipos de avaliação da turma: uma prova escrita de cada área, um seminário feito em grupo em que era escolhido um dentre os assuntos propostos por ele e uma espécie de resenha de algum artigo ou capítulo de livro. A resenha era a última tarefa a ser entregue antes do fim do semestre e eu escolhi a introdução do livro texto que ele recomendou para a turma e para o qual ele tinha conseguido um preço especial, de tal forma que toda a turma o comprou, inclusive minha colega e eu.

Escolhi a introdução do livro porque ela dava uma visão panorâmica de tudo o que o livro ensinava sobre evolução. Rebati cuidadosamente um a um dos argumentos apresentados no capítulo, verificando o que cada capítulo que tratava do assunto aprofundava. Para essa tarefa, pedi conselhos para o meu marido sobre alguns assuntos.

O resultado é que nesse trabalho acabou até aparecendo uma fórmula da ação mínima, que o Eduardo forneceu para mim. Tudo isso aconteceu muito antes de o Eduardo realizar sua primeira palestra criacionista para a Sociedade Criacionista Brasileira.

No último dia de aula, quando eu estava saindo da sala, o professor se aproximou para conversar comigo. Ele me perguntou se eu tinha feito o curso de Física. Respondi que meu marido era físico. Ele parecia desconfortável e incomodado, mas ao mesmo tempo havia uma enorme curiosidade nos olhos dele.

Depois disso, cada vez que passava por ele nos corredores do Instituto de Biociências, ele me cumprimentava de um modo simpático.

Alguns semestres depois, minha cunhada, que também fez o curso de Ciências Biológicas na UFRGS, estava cursando a disciplina de Evolução. Naquele semestre, ele colocou o tema “Ciência vs. Religião” para ser escolhido entre os temas a serem apresentados em seminário pelos grupos. O grupo da minha cunhada escolheu esse tema.

Ela me disse que em certa aula uma aluna perguntou ao professor se ele acreditava em Deus. A resposta dele foi mais ou menos assim: “Bem, eu não acreditava, mas agora já não tenho tanta certeza. Tive uma aluna que entendia de evolução, ela respondia muito bem às questões da prova, mas não acreditava em nada daquilo, e ela me fez pensar.”

Essa experiência me fez perceber que não sabemos nada do que vai no coração humano. Quem pode saber quem está além das esperanças? Um professor ateu convicto que trabalha para destruir as convicções religiosas dos alunos?

(Maria da Graça Friedrich Lütz, bióloga e bioquímica)

quarta-feira, outubro 26, 2016

Gênesis 1 e sua estrutura em blocos

Deus preparou nosso lar
Um dos pontos importantes, ao analisarmos Gênesis 1, é sua estrutura em blocos. Existe uma introdução e, depois, um bloco para cada dia. Esses blocos são englobados por um superbloco. No fim de cada um dos primeiros blocos, define-se exatamente o que foi feito ali. Os primeiros blocos dizem que Deus separou entre si coisas para dar estrutura ao ambiente para os seres vivos. O verso 2 fala de escuridão e de águas. No verso 3, Deus diz: “Haja luz.” O verso 5 explica que o que foi feito no primeiro dia foi a separação entre a luz e as trevas, sendo que Deus definiu a escuridão como sendo a noite (parte escura) e a luz como sendo o dia (parte clara). E foi a tarde (parte escura, verso 2) e a manhã (parte clara) do primeiro dia. A menos que tenhamos um viés muito estranho, ficará claro para nós que o que está sendo feito nesse bloco é o ciclo noite-dia. Não é a criação de fótons pela primeira vez no Universo, até porque, se fosse, não existiria água no segundo dia (não existe água sem fótons*).

No segundo dia, por meio do firmamento, Deus faz separação entre as águas de baixo e as águas de cima, que Ele chama de “céus”.

No terceiro dia, Deus separa a porção seca (que chama de “terra”) da porção com água (que chama de “mares”).

Nos blocos seguintes, Deus preenche o ambiente estruturado pelas separações dos primeiros dias.

No primeiro dia, separou a noite do dia; no quarto, fez aparecer os dois grandes luzeiros para marcar os tempos.

No segundo dia, criou os céus, separando as águas de cima das de baixo; no quinto, criou as aves, para voar nos céus, e animais marinhos, para povoar as águas.

No terceiro, separou a terra da água; no sexto, criou os animais terrestres e a raça humana.

No sétimo, não há paralelo. Ele descansou (para nos dar o exemplo), abençoou e santificou esse dia.

O assunto de Gênesis 1 é a preparação da Terra e, possivelmente, do Sistema Solar, tudo isso para que houvesse um ambiente adequado para Suas novas criaturas.

Teria a criação do Universo ocorrido no primeiro dia? Só por Gênesis não é possível ter certeza. Mas em outras passagens a Bíblia nos mostra que não. Deus criou todo o Universo? Sim. Exemplo: Hebreus 11:3. O universo já existia quando Deus começou a preparar a Terra para ser habitada? Sim, e já era habitado. Exemplo: Jó 38:7. A Bíblia menciona um tempo ainda anterior a isso? Sim. Exemplo: Provérbios 8:26, que diz que houve uma época (se existe tempo, existe Universo) em que nem mesmo o princípio do pó deste mundo existia. Isso tem que ser muito antes da existência da água mencionada em Gênesis 1:2.

Resumindo: segundo o que entendo da Bíblia, o Universo é muito mais antigo do que a Terra e já era habitado antes da semana de Gênesis 1.

É possível entender de outras maneiras? Sempre, mas às custas de criar hipóteses imaginativas altamente complexas, violando o princípio da busca pela interpretação mais simples.

(Eduardo Lütz é físico e engenheiro de software)

* A água e feita de moléculas, que são feitas de átomos. Para existirem, os átomos dependem da atração eletromagnética entre os elétrons e o núcleo. Para existirem, as moléculas dependem de interações eletromagnéticas entre átomos. Sem fótons, não existem interações eletromagnéticas. A química toda deixa de existir.