quinta-feira, dezembro 29, 2016

Cenas de um mundo que afunda (3)

Civis fogem da cidade de Aleppo
Todo fim de ano é a mesma coisa: as pessoas se desejam “muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender”; brindam com champanhe, alguns enchem a cara, se abraçam e sonham com um ano novo melhor. Mas os anos se sucedem, o tempo passa, e a humanidade continua em sua espiral de decadência, cavando mais e mais o fundo do poço. Você sabia que moradores do leste da devastada cidade síria de Aleppo estão pedindo permissão a religiosos para que os pais possam matar as filhas, mulheres e irmãs, antes que elas sejam capturadas e estupradas pelas forças do regime de Bashar al-Assad, da milícia libanesa do Hezbollah ou do Irã? Caiu nas redes sociais a carta de uma enfermeira da área cercada da cidade explicando por que havia escolhido o suicídio diante da possibilidade de “cair nas mãos de animais do Exército sírio”. E o mundo ficou sabendo de mais barbáries que estão sendo cometidas naquele país. Você consegue conceber uma realidade como essa? Consegue se colocar no lugar daquelas pessoas? É possível comemorar, quando sabemos que neste exato momento uma mulher pode estar tirando a própria vida para não ser estuprada, ou um marido ou pai pode estar matando a esposa ou a filha para não vê-la sendo violentada na sua frente?

Este é o planeta em que estamos vivendo. Enquanto cristãos no Ocidente celebravam o Natal com perus e guloseimas, outros cristãos, no Oriente, tinham suas casas invadidas e eram levados presos para serem enforcados, degolados ou crucificados - e insistentemente ignorados pela mídia do lado de cá. Enquanto alguns têm a mesa repleta de comida, outros tantos não têm o que comer ou vivem em precários campos de refugiados, tentando ficar longe dos horrores de guerras que não ajudaram a começar.

Claro que não há nada de errado em desejar para o próximo ano paz e prosperidade aos amigos e parentes, mas o maior desejo que deveríamos ter e expressar é o de que Jesus volte logo para nos tirar deste mundo de misérias, injustiças, crimes, dor e morte. Somente a volta de Jesus trará a paz definitiva e a justiça pela qual clamamos. Não apenas desejemos, mas trabalhemos para que esse dia chegue logo!

Conforme texto postado no blog Pensador Anônimo, “infelizmente, nós somos um tipo de vírus, porque somos muito egoístas em todos os sentidos; somos egoístas com o único mundo que temos e somos egoístas mesmo com as pessoas ao redor de nós e até mesmo com nós mesmos. O pior de tudo é que nós somos muito materialistas. [...] Podemos ver algumas universitárias que são capazes de vender o corpo apenas para obter o mais recente modelo de smartphone do mercado.”

O blog postou também algumas ilustrações que ajudam a representar a sociedade atual. Veja algumas delas aqui [MB]:













Violência em filmes triplicou desde os anos 80

Cuidado com a dessensibilização!
Um estudo do site Internet Movie Firearms Database, que cataloga cenas de violência com arma de fogo em filmes do mundo inteiro, informa que o número e a intensidade de cenas do tipo em filmes permitidos para menores triplicaram desde os anos 80. A pesquisa analisou filmes de 1985 a 2015. Segundo a pesquisa, a intensidade dessa violência mostrada nos filmes em questão (classificados como PG-13 nos EUA) aumentou ainda mais do que o mostrado em filmes para maiores (R-Rated). 11% mais armas foram vistas em filmes PG-13 entre 1995 e 2015. Segundo a pesquisa, o número aumentou depois que o uso de uma arma em Duro de Matar 2 aumentou as vendas de uma pistola da empresa Glock. O site ainda nota que o aumento das cenas de violência também tem a ver com a mudança do gênero mais popular de Hollywood – hoje em dia, 34% dos filmes produzidos pelos grandes estúdios são de ação ou aventura.


Nota: É interessante ouvir algumas pessoas dizerem que duas horas de um filme violento não são capazes de influenciar quem assiste. Então, por que será que as empresas gastam milhões em anúncios televisivos de alguns segundos apenas? Por que será que governos têm tanta preocupação com o que é exibido na mídia? Evidentemente que nem todos os que assistem a filmes violentos sairão por aí espancando ou atirando nas pessoas (alguns vão). Mas a frequente exposição a conteúdos violentos e/ou eróticos acaba por dessensibilizar a plateia, de tal modo que passa a ser aceito o que antes era visto com espanto e até indignação. É exatamente assim que as pessoas se acostumam com o que é errado e passam a tolerar o que é claramente pecado. É um verdadeiro processo de anestesiamento. Que tal tomar a decisão de assistir a menos filmes e menos séries no próximo ano e ler mais livros edificantes? Que tal dedicar mais tempo aos relacionamentos reais e passar a selecionar melhor as produções cinematográficas/televisivas que merecerão seu tão precioso tempo? Eis aí uma boa resolução para colocar em prática. [MB]

quarta-feira, dezembro 28, 2016

Mark Armitage obteve vitória judicial

Injustiça parcialmente reparada
O cientista microscopista demitido por ter publicado artigo científico com achados de tecidos moles em fóssil de dinossauro que embaraçou Darwin obteve uma decisão histórica contra a Universidade Estadual da Califórnia. Mark Armitage contou ao Creation Evolution Headlines (CEH) que seu caso contra a Universidade Estadual de Cal (CSUN, em inglês) resultou em um acordo após a juíza Dalila Lyons do Tribunal Superior da Califórnia ter decidido em seu favor em uma moção de adjudicação. Em vez de enfrentar uma perda provável perante um júri, os advogados da CSUN escolheram resolver tudo com o próprio Armitage. Armitage escreve: “Não foi simplesmente uma moção de julgamento sumário que o juiz decidiu contra. O juiz decidiu contra eles [universidade] em uma moção para julgamento. Há uma grande diferença. Em outras palavras, o juiz fez uma decisão sobre o caso e conclui, de fato, que nós provamos nosso caso, que eles me discriminaram contra a minha religião, e eles falharam em acompanhar ou investigar uma queixa por escrito de discriminação religiosa. Não havia sentido que a Universidade fosse arrastada para o julgamento do júri porque estava claro que eles iriam perder no julgamento e os ganhos teriam sido muito maiores do que são atualmente.”

De acordo com FreedomX, para o advogado Bill Becker, que litigou o caso Coppedge vs JPL em 2012, uma moção para adjudicação significa que o juiz confirmou que certas provas são verídicas e, portanto, não precisa de debate antes de um juiz de fato. Essas provas podem, assim, ser estipuladas como factuais no início de um processo judicial. Quaisquer que fossem os fatos, eles devem ter sido suficientemente significativos para assustar os advogados da CSUN de apresentarem um julgamento perante um júri.

Mark foi contratado como microscopista e instrutor de laboratório na universidade, mas foi abruptamente demitido em 2014, sem explicação, depois que ele e o Dr. Kevin Anderson publicaram um artigo científico na Acta Histochemica descrevendo o tecido mole que encontraram em um chifre de Triceratops em Montana, EUA. Esse paper não menciona nada sobre design inteligente ou criacionismo, mas Mark é bem conhecido como um jovem criacionista, sendo membro do conselho da Creation Research Society (CRS), juntamente com Anderson. O caso chamou a atenção da revista Nature (11/5/2014). Encontrar tecido mole preservado dentro de um osso de dinossauro causa problemas óbvios para a escala de tempo geológica padrão (6/10/2015). Desde sua demissão, Mark continuou o trabalho de microscopia eletrônica em tecido mole de dinossauro sob o patrocínio da CRS.

Há indícios de que houve e contínua a haver tentativa de baixar o valor antes de chegar a um acordo final. Mark e seu advogado, Alan Reinach, do Church State Council, aparentemente permaneceram firmes, de acordo com o Dr. Jay Wile, que falou com Mark e escreveu sobre isso em um post de blog. Mark disse a CEH que todas as partes assinaram, cheques foram escritos, e, “oh, meu Deus, alguns deles eram muito grandes”: “Então esse é um negócio concluído e conseguimos uma nítida vitória. Como meu advogado disse, especialmente a um grupo de seus pares em uma reunião de advogados trabalhistas, tivemos uma vitória histórica.”

Maiores detalhes do acordo não estarão disponíveis até Reinach emitir um comunicado de imprensa formal. Mark disse à CEH que não houve nenhum acordo de não divulgação, “então eu sou livre para relatar toda a história, incluindo o incrível testemunho de deposição”, disse ele. Até agora, no entanto, a única notícia online sobre o caso como esta entrada se encontra em um blog do Jay Wile, um vídeo caseiro no YouTube elaborado por Mark e postado em 1º de outubro, e as conversas por e-mail com Mark citadas aqui. [...]

(Texto traduzido do original Creation Evolution Headlines por Everton F. Alves, mestre em Ciências [Imunogenética] pela UEM e diretor de ensino do Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira [NUMAR-SCB])

Advogada adventista faz petição de fim de ano

EXMO SR.DR. PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL CELESTIAL DO PLANETA TERRA

RAQUEL DE SOUZA LIMA SARMENTO, brasileira, casada, guardadora de todos os Mandamentos Pétreos, advogada devidamente inscrita nos quadros da OAB, e graduando-se para constar sua inscrição junto à LV – Livro da Vida, neste ato representando a todos de boa vontade, bem como advogando em causa própria, vem mui respeitosamente à presença de Vossa Excelência, propor a presente Ação de Modificação de Espírito, Alma e Amor ao Próximo c/c com Obrigação de Fazer a Missão, cumulada com multa pecuniária

em face ao:

CONFLITO CÓSMICO, em especial ao vindouro de 2017, que é encontradiço em qualquer local desta jurisdição, invocada no preâmbulo da presente exordial, pelos motivos de fato e de direito, que passa a expor articuladamente:

DOS FATOS:

É cediço de toda a humanidade o caos no qual nos encontramos, em razão dos atos perpetrados pelo polo Requerido da presente demanda, também conhecido pela alcunha de MAL.

Não é crível a forma pela qual a humanidade se encontra, vez que vem ultrapassando comportamentos levianos de antigas sociedades, já extintas, tais como Sodoma, Gomorra e Babilônia.

DO DIREITO:

Vossa Excelência, em sua Carta Magna Humana, in casu, a Bíblia, exarou todas as formas pelas quais deveríamos caminhar e zelar por este mundo, inclusive nos indicando as profecias corretas que nos sinalizariam o término de tudo.

É fato que haverá um fim, mas, para que tenhamos a devida resiliência, mister se faz o presente pedido como medida da mais lídima e serena Justiça.

DOS PEDIDOS:

A total Procedência da presente ação requerendo desde já, em sede acautelatória, seja em tutela de urgência ou de emergência, o que segue:

1 – O total indeferimento de pensamentos negativos;
2 – A obrigação de fazer, tais como atos de carinho, respeito, fé, compaixão e missão, e em caso de inadimplemento ou negação, a imposição de multa diária;
3 – A imediata expedição de Mandado de Alegria, convocando o Sr. Oficial de Justiça Celestial para o devido cumprimento, nos moldes da lei processual bíblica;
4 – O deferimento da produção antecipada de provas de amor;
5 – O chamamento à lide, da ordem e boa vontade, como terceiros interessados;
6 – Que seja deferida a manifestação das boas-novas de salvação de Cristo Jesus, tendo como escopo primordial de atuação o coração dos Requeridos, que se encontram elencados no polo passivo: a humanidade.
7 – Requer a decretação imediata do período de 2017 como um ano de boa vontade, missão e fé, promovendo o acesso irrestrito aos corações da humanidade.

Nestes termos, pede deferimento.

Araras-SP – Brasil – Planeta Terra

RAQUEL DE SOUZA LIMA SARMENTO
OAB/SP 199684

terça-feira, dezembro 27, 2016

A mídia em descompasso com a realidade

Discursos prontos
Os meios de comunicação, no Brasil e numa porção de países do Primeiro Mundo, muito civilizados, prósperos e democráticos, estão com uma doença que pelo jeito não tem cura. Publicam notícias, comentários e “conteúdo” segundo uma tábua de mandamentos que não deixa nenhuma dúvida sobre o que está certo e o que está errado, o que é bom e o que é ruim, o que é permitido e o que deveria ser proibido – só que não combinam com o público se ele próprio, o público, está de acordo com isso tudo. Os comunicadores estão cada vez mais convencidos de que a sua maneira de ver o mundo é a melhor, não apenas para o mundo, mas para leitores, espectadores e ouvintes; não parecem ter nenhuma dúvida a respeito. O resultado é que estão sendo cada vez menos representativos do público que imaginam representar. Dão informações que esse público não está interessado em receber e opiniões que não está disposto a compartilhar. Ensinam coisas que ele não quer aprender. Falam de valores que não são os seus – ou não necessariamente os seus. Torcem por causas que não são obrigatoriamente as suas. Elogiam uma série de comportamentos, condenam outros tantos, e em ambos os casos deixam uma advertência clara: é assim que nós, órgãos de comunicação, esperamos que vocês, público, se comportem. Só existem duas maneiras de avaliar as coisas neste mundo. Uma é a maneira errada. A outra é a nossa. Qual é a surpresa, então, em que a mídia esteja com tantos problemas?

Não é preciso, para ver o tamanho do problema, recorrer a casos extremos como a eleição de Donald Trump para a Presidência dos Estados Unidos. Depois de atacar a sua candidatura como o pior momento da humanidade desde a ­vinda da peste negra, a imprensa americana e a internacional têm certeza, agora, de que sua vitória nos levará de volta à Idade da Pedra. Deveria estar mais do que óbvio, se fosse assim mesmo, que só um débil mental votaria nesse homem. Mas é claro que não foi isso que aconteceu, como é claro que ninguém está em pânico só porque a imprensa diz que todo mundo deveria estar em pânico.

No Brasil de hoje, então, o descolamento entre meios de comunicação e público parece caminhar para o modo mais extremo. O que dizer quando nas últimas eleições para prefeito os vencedores nas duas maiores cidades do Brasil foram justo os dois candidatos mais detestados pela mídia? Estão operando lado a lado, aí, duas linguagens opostas – a dos jornalistas e a de dezenas de milhões de cidadãos comuns.

Os exemplos se aplicam a um mundo de coisas. Os comunicadores, em sua maioria, são a favor da ocupação de escolas por grupos de organizações de estudantes, ou a veem com compreensão quase ilimitada; fazem um voto de confiança sem restrições no idealismo dos jovens e sua vontade de reformar o nosso ensino. São a favor da ocupação dos espaços públicos por marginais de todo tipo – acham que seu direito é maior que o direito do restante da população de utilizar em paz o mesmo espaço. São a favor de praticamente todo tipo de invasão (que chamam de “ocupação”), de lugar público ou privado; são contra a liberação desses locais pela polícia, mesmo com ordem judicial, e sua devolução aos legítimos donos; estão convencidos de que a polícia, sem exceção, age “com brutalidade”.

Há um critério rigoroso na escolha das palavras. A imprensa fala sempre em “manifestantes”, “militantes”, “estudantes”, “desabrigados” e até em “camponeses” – nunca, em nenhum caso, são “invasores”. Não fala mais “favela”, palavra hoje condenada como preconceituosa, elitizante e fascista; tem de ser “comunidade”. A imprensa brasileira continua falando do golpe militar de 1964 como se fosse algo que aconteceu ontem, e alerta para os “perigos” de se voltar, a qualquer momento, à mesma situação; esquece que só tinham chegado à maioridade, em 1964, pessoas que têm hoje pelo menos 70 anos de idade.

Nossa mídia dá a entender, cada vez mais, que ter um automóvel é uma falha moral – e que o importante, hoje, não é a propriedade, e sim o uso do veículo. Jamais lhe ocorre que para milhões de brasileiros o carro é um instrumento de liberdade, e sua propriedade um sonho individual importante. Ao contrário da imprensa, a população não acha que o problema do Brasil é ter gente demais na cadeia; acha que é ter gente de menos. Não acha que o principal problema da segurança pública seja a polícia – acha que são os bandidos. Não acha que a fé evangélica seja uma ameaça. [E talvez não ache o criacionismo uma bobagem e a arca de Noé história da carochinha, como tentou apresentar o programa “Fantástico”. Confira.]

Dá para escrever um “Manual de Redação” inteirinho com essas regras. Só que não são as regras do público.

(J.R. Guzzo, Veja)


Atriz realiza tratamento em centro médico adventista



O programa Domingo Espetacular da Rede Record mostrou neste último domingo a luta de uma das maiores comediantes do Brasil. Cláudia Rodrigues sofre de uma grave doença e optou por começar um tratamento experimental. Ela esteve por um mês no Centro Médico de Vida Saudável (CEVISA), e além de ter uma melhora que apenas 1/4 dos portadores de esclerose consegue, ela também se sente disposta e animada. O CEVISA coloca em prática os conselhos de saúde da Igreja Adventista do Sétimo Dia, que observa uma rotina de hábitos saudáveis, comunhão com Deus, bons relacionamentos interpessoais e terapias naturais. É com exercícios físicos, workshops de saúde que realmente despertam consciência para a saúde, alimentação funcional, reeducação alimentar, ar puro, luz solar, entre outros “remédios”, que essa clínica conquista seus resultados.

(Com informações de Megaphone Adventista)

E-mails que nos alegram (65)

“Querido irmão, espero que esteja de boa saúde você e sua família. Sou Noel Carlos Cabrita De Carvalho, moçambicano, conheci a Cristo num passado recente (2012), e, com muita vontade de conhecer a verdade por mim (longa história), no mesmo ano, nas minhas pesquisas, encontrei seu blog www.criacionismo.com.br. Como estava a terminar a faculdade pedagógica no curso de ensino de Biologia da Beira, foi interessante conhecer seu blog, porque em muito me atualiza, não só dos assuntos acadêmicos da área, mas em muito do que nos interessa como adventistas do sétimo dia para o crescimento espiritual. Assisti e tenho assistido seus vídeos como ‘Decreto Dominical: Cenários possíveis’, ‘Metamorfose’, ‘A mídia e a mulher’, entre outros. Sempre ou quase todos dias visito seu blog. Espero lhe ver pessoalmente um dia, ou aqui ou na Jerusalém Celestial. Que Jesus continue arquitetando sua vida junto com sua família para cumprir o propósito pelo qual o chamou, aliás sua abordagem sobre o Santuário me ajudou muito (as sete festas). Enfim, é muita coisa. Melhor ficar por aqui. Maranata!”

(Noel Carlos Cabrita De Carvalho, de Moçambique)

segunda-feira, dezembro 26, 2016

“Fantástico” tenta desconstruir arca de Noé

História bíblica vira circo midiático
De vez em quando, a mídia popular secular escancara seus preconceitos, suas contradições e seus paradoxos. A título de comparação, quando a rede Globo de televisão veicula reportagens sobre espiritismo, astrologia e/ou festas católicas que envolvem romarias, adoração de imagens e coisas afins, geralmente o faz em tons positivos, quase com reverência. Certa vez, em um programa matinal, a emissora expôs a fé da apresentadora em sua peregrinação religiosa e em suas demonstrações de penitência. A matéria foi exibida sem críticas, com todo o respeito que, evidentemente, essas coisas merecem. Ocorre que esse respeito e essa “imparcialidade” são relativos, e isso pode ser visto claramente quando o assunto em questão são eventos ou conceitos bíblicos e, pior, quando o tema em pauta é o criacionismo. Aí realmente mudam de tom, deixando claro que preferem respeitar a crença na suposta influência dos astros e dos búzios, nas aparições de supostas almas penadas e na pretensa energia mística de pedaços de madeira, a acreditar que o Universo tenha sido criado pelo Deus da Bíblia e que as histórias de Gênesis sejam factuais.

Vimos um claro exemplo disso ontem à noite. Em pleno Natal, o programa semanal de variedades “Fantástico” levou ao ar uma reportagem sobre a réplica da arca de Noé construída no Estado do Kentucky, nos Estados Unidos. A seguir, vamos analisar alguns pontos da reportagem que pode ser vista aqui. Confira também os links fornecidos ao longo do texto e que proveem conteúdo adicional.

1. O vídeo começa com a frase “qualquer criança conhece essa história”, numa possível tentativa de logo de cara infantilizar o assunto. Sim, as crianças conhecem a história de Noé, mas adultos também se dedicam ao estudo do tema, e há muitas pesquisas sobre isso que poderiam ter sido mencionadas na matéria (confira aqui e aqui). 

2. O repórter Felipe Santana mostra a cozinha da arca e diz que seus criadores acreditam que a família de Noé era vegetariana, “apesar de ter muitos animais dentro da arca”. Mas é evidente que deveriam ser vegetarianos, afinal, os animais mantidos na embarcação (um par de animais “impuros” e sete pares de animais “limpos”) eram um verdadeiro patrimônio, e, naquele momento, uma raridade. Se a família de Noé se pusesse a comê-los, poderia acabar por extinguir algumas espécies. É bom lembrar que a dieta originalmente determinada por Deus para os seres humanos e para os animais foi a vegetariana. A permissão para comer carne veio somente após o dilúvio, em caráter de emergência. Daí a quantidade maior de animais liberados para consumo humano (ou “limpos”).

3. O repórter diz, também, que os criadores da arca não acreditam que animais possam ter sido extintos pela seleção natural. Não sei de onde ele tirou isso, pois os criacionistas acreditam, sim, nos efeitos da seleção natural e em seu potencial de eliminar organismos menos adaptados às condições em que vivem. Não acreditam é no poder “criador” às vezes atribuído à seleção natural, como mecanismo promotor de evolução. Como o nome já diz, ela apenas seleciona o que já existe, mas não promove aprimoramentos que dependeriam de novos aportes de informação complexa e específica, o que é cientificamente improvável, pois informação depende de uma fonte informante.

4. A matéria comete o erro clássico de confundir ciência com cientistas, e afirma que a evolução é “a teoria mais aceita pela ciência”. A ciência não “aceita” nada, não “pensa” nada, não “supõe” nada. Ciência é método, é ferramenta, é um ótimo recurso não inventado pelo ser humano, mas usado por ele para compreender a realidade que o cerca. Os cientistas (com toda a sua subjetividade, suas crenças e seus pressupostos) é que “aceitam”, “pensam” e “supõem”. Assim, o correto seria dizer que a evolução é a teoria mais aceita por muitos cientistas, não todos, afinal, há aspectos dessa teoria que sequer são científicos (são filosóficos) e há muitos cientistas que não aceitam todos os aspectos do evolucionismo, justamente por não serem científicos. A matéria do “Fantástico” simplifica demais a questão e promove o clássico ufanismo darwinista.

5. Citam o conhecido exemplo do pescoço da girafa e afirmam que as mais altas foram selecionadas pelo fato de conseguirem alcançar as folhas verdes do alto das árvores. E os animais que não dispunham de pescoções, como “se viravam”? Por que não se tornaram extintos? E os mecanismos complexos de que a girafa dispõe para poder viver com aquele pescoção (confira aqui)? Teriam “surgido” assim complexos nas girafas altas e não nas mais baixas? Nas baixas seria desnecessário. Nas altas seria vital desde o princípio, pois a girafa não sobreviveria sem esses mecanismos. Fica fácil apresentar uma teoria simplificando tudo como se fosse uma historinha para crianças (e tiveram a coragem de começar a matéria dizendo que a arca de Noé é história infantil!).

6. Em seguida, Santana diz que o “pessoal” (intenção de descredibilização?) que criou a arca acredita no criacionismo, segundo o qual “tudo” e “todos” foram feitos por Deus. Outra simplificação generalista. Criacionistas não acreditam, por exemplo, que Deus criou o tubarão, o leão e o mosquito Aedes aegypti do jeito que são. Deus criou os tipos básicos de animais e estes passaram por modificações morfológicas, fisiológicas e comportamentais. Sofreram diversificação de baixo nível, de modo que os seres vivos que hoje habitam a Terra (nós, inclusive) são descendentes modificados das primeiras criaturas. Criacionistas não são fixistas, como tenta afirmar nas entrelinhas a matéria do “Fantástico” (confira material adicional aqui, aqui, aqui e aqui).

7. Santana diz que, para trabalhar na arca do Kentucky, é proibido ter outra religião, ser a favor do aborto ou ser gay. É evidente que é preciso haver identificação do funcionário com a ideologia que ele vai defender. Ou são permitidos em universidades públicas professores criacionistas para lecionar a cadeira de Evolução, por exemplo? Michael Behe, em seu livro A Caixa Preta de Darwin, conta o caso de um cientista que perdeu a chance de assinar uma coluna sobre ciência em um grande jornal norte-americano pelo simples fato de ter dito que acredita no Gênesis. Por que a reportagem tenta destacar o que seria um tipo de preconceito criacionista, ao passo que ignora situações semelhantes “do outro lado”?

8. Pouco depois da metade do vídeo, é apresentada aquela que é considerada a maior polêmica relacionada com a réplica da arca: a presença de dinossauros a bordo. Na sequência do erro cronológico de dizer que a Bíblia localiza a história da arca há seis mil anos vem outro erro conceitual: Santana diz com ênfase na narração que “a ciência acredita que os dinossauros foram extintos há 65 milhões de anos”. Já vimos que a ciência não acredita em nada. Quem acredita são os cientistas. Pelo menos Santana utilizou o verbo correto: “acredita”. Sim, porque, apesar do relativo consenso, não é unanimidade entre os cientistas que os dinossauros tenham vivido e se tornado extintos há tantos milhões de anos. O “Fantástico” perdeu a oportunidade de discutir e esclarecer esse assunto. Na verdade, acabaram por complicar ainda mais. Depois de Santana afirmar categoricamente que “isso aqui nunca aconteceu”, referindo-se à presença de dinossauros na arca, a matéria exibe enquetes com pessoas mal informadas sobre criacionismo, que dão respostas superficiais, e, em seguida, traz uma entrevista com o doutor em biologia genética pela Universidade de Harvard Nathanael Jeanson. Ele menciona a descoberta de tecidos moles em fósseis de dinossauros e pergunta como isso é possível, se esses fósseis têm tantos milhões de anos? Na busca de resposta, Santana entrevistou Alexander Kellner, pesquisador do Museu Nacional do Rio de Janeiro, que simplesmente se limitou a explicar o processo de fossilização, quando matéria orgânica é substituída por minerais. Nada disse ou explicou sobre a presença de tecidos moles não fossilizados nesses fósseis supostamente tão antigos – isso, sim, é fantástico! Mas o “Fantástico” ficou devendo essa explicação aos seus telespectadores. (Leia mais sobre os achados de tecidos moles em fósseis de dinossauros. Clique aqui.)

9. Santana afirma também que, “segundo a ciência, o homem nunca viveu no mundo dos dinossauros”. Nem vou repetir que a ciência não diz nada (ops! Já repeti), vou apenas dizer que existem, sim, evidências da convivência entre humanos e dinos (confira aqui e aqui). O que ocorre é que, infelizmente, os cientistas evolucionistas e setores da mídia comprometidos com a cosmovisão naturalista-darwinista ou ignoram essas evidências ou as minimizam, porque não se encaixam em seu modelo conceitual preestabelecido.

10. Santana diz que a instituição que construiu a arca quer que o criacionismo e o evolucionismo sejam ensinados nas escolas, a fim de que os alunos conheçam os argumentos de ambos os lados e possam decidir em que acreditar. Há algo de errado nisso? Não é no ensino do contraditório que realmente se pode aprender, e aprender a pensar, inclusive? Por que esse receio de promover a discussão crítica das insuficiências da teoria da evolução? (Na verdade, essa é exatamente a proposta de entidades como a SCB e deste blog, que não apoiam o ensino do criacionismo em escolas públicas. Saiba por quê.)

11. A reportagem termina com estas palavras do repórter: “Com uma estrutura deste tamanho [a arca], eles querem tentar convencer que a deles é a história certa. E você? Em qual você acredita?” Mas o que a matéria passa é a seguinte ideia: “O evolucionismo é sinônimo de ciência, o criacionismo é essa bobagem que lhe mostramos. Em que você acredita?” A reportagem comete o clássico equívoco “vendedor de jornais” de apresentar a ciência em conflito com a religião, sem mencionar que ambas podem andar juntas e em harmonia, mesmo com metodologias distintas (confira aqui, aqui, aqui, aqui e aqui).

O lado bom da matéria (porque nem tudo são espinhos) é que deram certa visibilidade ao criacionismo e chamaram a atenção dos telespectadores para o assunto do dilúvio e da arca de Noé. Que cada um busque as informações corretas a fim de formar sua opinião. Para a infelicidade de certos setores da mídia, hoje a informação e os dados estão mais disponíveis para os que desejam conhecer a verdade.

Michelson Borges





Assista também à entrevista com o geólogo Dr. Nahor Neves de Souza Jr. e ao vídeo "Origens dos Dinossauros" (compacto).

Conheça o livro Terra de Gigantes, sobre o dilúvio e os dinossauros (clique aqui).

E-mails que nos alegram (64)

“Bom dia, Michelson. Que Deus banhe abundantemente você e sua família com Seu Santo Espírito e Amor. Me chamo Diogo, fui batizado na Igreja Adventista há apenas dois anos, aqui em Juazeiro do Norte. Acompanho seu blog há uns seis anos, e nosso Deus, por meio de sua dedicação, me fez abrir os olhos para a realidade de um mundo caído, porém, que será restabelecido.
  
“Minha profissão é projetista de móveis e interiores de ambientes, e ao ver seu trabalho, pude perceber que realmente, para longe de qualquer questionamento, este mundo foi projetado. Quando vamos desenvolver projetos, sempre pensamos nos usuários dos ambientes, na função e nas peculiaridades, beleza, funcionalidade, durabilidade, matéria-prima, etc. Nada é aleatório, e é exatamente o que você apresenta aqui: um Deus que pensou antes de fazer e resolveu cada detalhe, desde a matéria-prima até suas peculiaridades, tudo bem resolvido, bem ajustado, e tudo fez com proposito e maestria.

“Não bastasse isso, seu trabalho ainda nos mantém antenados no termômetro escatológico, trazendo informações atuais sob a ótica das profecias, nos mantendo alerta e revelando temas como ECOmenismo, terrorismo, feminismo, que têm tudo a ver com os últimos dias e como eles interferem em nossa vida e em nossa pregação.

“Primeiramente, obrigado pelo seu belíssimo trabalho; ele traz honra ao nosso Deus. Gostaria de compartilhar o que venho percebendo em nossas igrejas, que é a crescente declaração de adventistas do sétimo dia serem socialistas ​ao mesmo tempo. Sei do delicado momento da política nacional e mundial que estamos passando, e também percebo preferencias políticas distintas em nosso meio. Todos têm uma opinião para a situação, alguns assustados, outros mais otimistas. A política se tornou um assunto popular, inclusive entre nossos amados membros. Mas o que me preocupa são as ideologias e as pequenas concessões...

“Sei também que em nosso país está cada vez mais difícil apontar para longe de qualquer questionamento um político com caráter louvável, com ideias que contribuam para o propósito de Deus. Por causa dessa dificuldade, estamos escolhendo defender o ‘menos pior’ e, com isso, as portas para o erro ganham possibilidades que antes não tinham.

“Falo isso por conta das ideologias socialistas que ganham força pela declaração de minorias e menos favorecidos, porém, vêm com uma carga totalmente imoral, e nós não estamos percebendo isso. Fico pensando se essa foi mais uma forma que o inimigo encontrou de nos afastar de Deus. Estamos cegos, somos ludibriados, pois, defendendo proposito louvável, estamos abrindo as portas para o inimigo e apontando soluções para todos os problemas em sistemas de governo humanos, quando devíamos estar mais preocupados com o evangelho.

“Como verdadeiramente combater isso? Não devemos falar de política em púlpito, mas doutrinas marxistas não são meras politicas socioeconômicas. É um assunto muito delicado. Compartilhei os vídeos da Paula Marisa (que conheci por meio do seu blog) nos grupos de discursão, mas a ideia de o socialismo ser algo doentio por conta de suas concessões é absurda aos olhos de muitos. Sua palestra ‘Cosmovisões em Conflito’ é surpreendente, mas nem todos querem dedicar tempo ao assunto.

“Michelson, muita paz e um novo ano para a glória do Senhor. Um dia nos encontraremos, se não aqui, lá no Céu.”

(Diogo Oliveira, de Juazeiro do Norte, Cariri)

sexta-feira, dezembro 23, 2016

O primeiro Natal da minha nova vida

Ele veio para nos salvar
Antes de terminarem as aulas, falei para meus alunos sobre o verdadeiro sentido do Natal e de como devemos ser gratos a Jesus por ter escolhido nascer aqui neste mundo e ser o nosso Salvador. Eles ficaram comovidos e, com a pureza e sinceridade das crianças, prometeram que nunca iriam esquecer disso e que iriam entregar o coraçãozinho a Jesus para sempre. Fiquei ainda mais emocionada ao lembrar que foi em um Natal que eu também abri meu coração para Jesus pela primeira vez. Desde então, Ele entrou em minha vida e me fez trilhar um novo caminho. Por isso eu pude falar do nascimento do Filho de Deus para aqueles pequenos aprendizes, anos atrás.

Aquele poderia ter sido mais um Natal que teria passado praticamente despercebido, envolvido pelo clima de consumismo. Mas meus sentimentos foram impressionantemente arrebatados para pensar no Deus que Se fez homem; no Deus que Se tornou bebê! Eu havia completado 15 anos no dia 23 de dezembro e, como era tradição de adolescente naquela época, fui escrever em um diário que tinha recebido de presente. Como a data inspirou o assunto, me vi completamente absorta tentando compreender por que Jesus viveu neste mundo. Por que Ele morreu daquela maneira? 

Lágrimas corriam pelo meu rosto ao imaginar as cenas do sacrifício de Jesus. Mas eu não entendia como Ele havia nos salvado, Se o mundo continuava (e continua) o mesmo – cheio de dor e maldade. Fiquei com dó, achando que a “tentativa” de Deus não tinha dado certo... Eu realmente não conhecia o plano de salvação. E como poderia conhecer?

Nos meses seguintes, Deus providenciou para que várias circunstâncias me levassem a ler a Bíblia pela primeira vez. Depois Ele enviou dois mensageiros para responder as infindáveis perguntas que haviam se formado em minha mente. Não foi um processo fácil, porque nós mesmos dificultamos as coisas e relutamos em aceitar e confiar que o caminho que Deus nos propõe é o melhor. Depois de tanto me debater e sofrer, finalmente me entreguei a Jesus e experimentei a paz. Pude constatar que Suas promessas nunca falham.

O plano da salvação, o nascimento de Jesus, Sua morte, tudo aconteceu exatamente como tinha que ser. Mas o plano ainda não terminou. Realmente, tudo o que Ele fez seria em vão se Ele não fosse voltar para buscar Seus filhos (João 14:1-3). Ainda estamos cumprindo partes desse plano em nossa vida, e logo veremos o desfecho dos propósitos de Deus, quando estaremos com Ele para sempre, sem a sombra da dor e da maldade.

Faz 25 anos que ouvi a voz do Espírito Santo me convidando a pensar no verdadeiro sentido do Natal. A voz dEle se tornou muito familiar ao longo desses anos e neste Natal só tenho que agradecer por Sua presença, por Seu tão grande amor que me faz conhecer meu Deus, meu Salvador, que decidiu nascer aqui e dar a vida por mim.

(Débora Borges é pedagoga e pós-graduada em Aconselhamento Familiar)

quinta-feira, dezembro 22, 2016

Qual a origem do Natal? Devemos celebrá-lo?

Nasceu o menino-Deus!
O bispo Romano Libério foi quem instituiu oficialmente a celebração do Natal, no ano 354 d.C. Tempos depois, especialmente no Ocidente, a data se fundamentou como uma tradição religiosa e não religiosa. Talvez a maior dúvida esteja relacionada à data do festejo, uma vez que ele é direcionado ao nascimento de Jesus. É importante ressaltar que a data de 25 de dezembro não foi escolhida como princípio cronológico, mas como mero símbolo permeado por motivos cristãos. A alusão de Cristo simbolizado como o Sol da justiça (Ml 4:2) e a luz do mundo (Jo 8:12), e as primeiras celebrações da festa na colina vaticana – onde os pagãos tributavam homenagem às divindades do Oriente – expressa, na verdade, o sincretismo das festividades pagãs adotadas por Constantino e absorvidas pelos cristãos.

Segundo historiadores, a razão mais plausível para a adoção de 25 de dezembro se deu porque a data coincidia com a festa pagã dos romanos dedicada ao nascimento do Sol inconquistado, o solstício do inverno. No mundo romano, a Saturnália, que no passado era comemorada em 17 de dezembro, era um período de alegria e troca de presentes. Costume que hoje ocorre nos períodos relativos às festas natalinas. A data de 25 de dezembro também foi conhecida como o nascimento do famoso e misterioso deus iraniano Mitra, o sol da virtude. Do ponto de vista histórico, a razão da escolha da data, para se comemorar o dia do nascimento de Jesus, parece misteriosa, mas não é mistério algum quanto aos variados significados pagãos em torno desse dia festivo. Quanto às confraternizações, no ano novo romano, comemorado em 1º de janeiro, havia o hábito de enfeitar as casas com folhagens e dar presentes às crianças e aos pobres. Acrescentaram-se a esses costumes os ritos natalinos germânicos e célticos, quando as tribos teutônicas penetraram na Gália, na Grã-Bretanha e na Europa central. A acha de lenha, o bolo de Natal, as folhagens, o pinheiro, os presentes e as saudações comemoravam diferentes aspectos dessa festividade.

O fato de a festividade de Natal estar misturada com elementos pagãos torna proibitiva sua celebração pelos cristãos? Não poderíamos utilizar a data de maneira a aproximar as pessoas de Jesus?

Alguma confusão tem sido levantada quanto ao que Ellen White escreveu sobre o Natal. Normalmente, seus escritos são erradamente procurados numa tentativa de provar a opinião pessoal e não tanto para perceber o que ela quis aconselhar. Cremos que seria de grande valia fazer uma leitura ampla, abrangente acerca de como devemos nos comportar nessa época.

“O dia 25 de dezembro é supostamente o dia do nascimento de Jesus Cristo, e sua comemoração tem se tornado costumeira e popular. Porém, não há certeza de que se esteja celebrando o verdadeiro dia do nascimento de nosso Salvador. A história não nos dá certeza absoluta disso. A Bíblia não nos informa a data precisa. Se o Senhor tivesse considerado esse conhecimento essencial para nossa salvação, teria Se pronunciado através de Seus profetas e apóstolos, para que pudéssemos saber tudo a respeito do assunto. Mas o silêncio da Bíblia sobre esse ponto nos mostra que ele nos foi ocultado por razões sábias. [...] Ele ocultou o dia preciso do nascimento de Cristo, para que o dia não recebesse a honra que deve ser dada a Cristo como Salvador do mundo. Ele é quem deve ser recebido, em quem se deve crer e confiar como Aquele que pode salvar perfeitamente todos os que vão a Ele. A adoração deve ser prestada a Jesus como o Filho do infinito Deus” (Ellen G. White, Review and Herald, 9 de dezembro de 1884).

Esse texto deixa perfeitamente claro que não é vontade de Deus que o dia em si receba alguma homenagem ou deferência especial; pelo contrário, fica nítida a intenção de desviar a atenção do dia e focá-la em Cristo. Assim, perguntamos: Quer isso dizer que devemos ignorar completamente a data em que o mundo assinala o nascimento de Jesus? Eis a resposta:

“Sendo que o dia 25 de dezembro é lembrado em comemoração ao nascimento de Cristo, e sendo que as crianças têm aprendido por palavras e exemplo que esse é um dia de alegria e contentamento, será difícil passar por alto esse período sem lhe dar alguma atenção. Ele pode ser utilizado para um bom propósito. As crianças devem ser tratadas com muito cuidado. Não devem ser deixadas no Natal a buscar seus próprios divertimentos em prazeres vãos, em diversões que prejudicarão a espiritualidade. Os pais podem controlar essa questão voltando a mente e as ofertas dos filhos para Deus e a salvação de pessoas. O desejo de divertimentos não deve ser contido e arbitrariamente sufocado, mas guiado e dirigido por meio de paciente esforço da parte dos pais. O desejo de dar presentes deve ser bem conduzido para levar bênçãos ao próximo graças à manutenção do dinheiro na grande e ampla obra para a qual Cristo veio ao mundo. Altruísmo e espírito de sacrifício marcaram Sua conduta. Que isso também caracterize os que afirmam amar a Jesus, porque nEle está centralizada nossa esperança de vida eterna” (Ellen G. White, Review and Herald, 9 de dezembro de 1884).

Percebemos que seria uma tarefa quase impossível esconder a ocasião, tanto de nós como de nossos filhos. Portanto, a data pode ser assinalada através de atos de altruísmo, beneficência, honra e louvor a Deus. O texto anterior menciona, inclusive, o uso de presentes. Essa ideia é desenvolvida no seguinte texto:

“Como os magos do passado, vocês podem oferecer a Deus seus melhores presentes e mostrar por suas ofertas a Ele que apreciam o Presente dado por Ele a um mundo pecaminoso. Levem os pensamentos de seus filhos ao longo de um caminho novo, altruísta, motivando-os a apresentar ofertas a Deus pela dádiva de Seu único Filho” (Ellen G. White, Review and Herald, 13 de novembro de 1894).

De acordo com o relato bíblico, quando do nascimento de Jesus, foi Ele quem recebeu os presentes. Semelhantemente, podemos ensinar a nossas crianças que o primeiro e melhor presente que tivermos pode e deve ser entregue a Deus, colocando-O como objetivo maior até do que é material em nossa vida, e usando isso para avanço de Sua obra nesta Terra. Repare bem:

“Vocês podem ensinar uma lição a seus filhos enquanto lhes explicam a razão por que fizeram uma mudança no valor dos presentes deles. Digam que vocês percebem que têm até então pensado mais no prazer deles do que na glória de Deus. Digam-lhes que têm pensado mais em seu próprio prazer e satisfação deles e em se manter em harmonia com os costumes e tradições do mundo, em dar presentes aos que não necessitam deles, do que em ajudar no progresso da missão dada por Deus” (Ellen G. White, Review and Herald, 13 de novembro de 1894).

Essa é a postura correta, da qual Deus Se agrada, não apenas no lar, mas também na igreja, incluindo com o uso da tradicional árvore de natal. Leia atentamente a constatação disso:

“Deus Se alegraria muito se, no Natal, cada igreja tivesse uma árvore de Natal sobre a qual pendurar ofertas, grandes e pequenas, para esses locais de adoração. Têm chegado a nós cartas com a pergunta: ‘Devemos ter árvores de Natal? Não seria isso imitar o mundo?’ Respondemos: Vocês podem fazer isso à semelhança do mundo, se escolherem isso. Mas podem fazê-lo de modo muito diferente. Não é pecado selecionar um pinheiro e pô-lo em nossas igrejas, mas o pecado está no motivo que induz à ação e no uso que é feito dos presentes postos na árvore. [...] Os galhos dela devem estar carregados com o fruto de ouro e prata da bondade de vocês, e apresentem isso a Deus como seu presente de Natal. Que suas doações sejam santificadas pela oração” (Ellen G. White, Review and Herald, 11 de dezembro de 1879).

Repare bem que Ellen White não dá valor a árvores enfeitadas “à semelhança do mundo”, ou seja, com luzes, fitas, bolas, estrelas, etc. Aquilo que agrada ao céu é ver essas árvores cheias de ofertas para a casa de Deus, Sua obra, os carentes e necessitados. Ainda assim, algumas pessoas têm mantido a ideia de que ter uma árvore de natal seria uma paganização dos locais de culto a Deus. Além do texto anterior, essa ideia é contrariada por esta declaração:

“Os pais não devem pensar que uma árvore de Natal posta na igreja para alegrar os alunos da Escola Sabatina seja pecado, pois pode ela ser uma grande bênção. Falem às crianças sobre bondade e generosidade. O mero divertimento não deve ser o objetivo dessas reuniões. Embora possa haver alguns que transformarão essas reuniões em momentos de frivolidade, e cuja mente ainda não foi tocada por Deus, para outros essas reuniões trarão grande bem. Tenho certeza de que pode haver substitutos sadios para muitas reuniões que, de outra forma, seriam impróprias” (Ellen G. White, Review and Herald, 9 de dezembro de 1884).

A existência de uma árvore de Natal dentro da igreja, enfeitada com o critério que vimos anteriormente, diferentemente do habitual pelo mundo afora e usada para um bem maior que não frivolidades e futilidades, pode ser de muito enriquecimento moral e espiritual para os membros da igreja, especialmente para as crianças.

Em resumo, podemos concluir com toda a segurança que os conselhos que Ellen White deixou sobre o Natal indicam não propriamente uma celebração da ocasião, mas, sim, um aproveitamento da data, das festividades, para falar e testemunhar sobre Jesus, prestando-Lhe as honras que Lhe são devidas.

O nascimento de Jesus é uma história bíblica. Esta é uma ocasião para apresentar o que a Bíblia diz sobre esse acontecimento, incluindo as impressionantes profecias que o anunciaram com séculos de antecedência. É uma ocasião para falar de toda a vida de Jesus, desde o nascimento, Seu ministério, Sua morte e ressurreição. É uma ocasião para ensinar às crianças princípios de bondade e altruísmo. E, ao contrário do que muitos parecem insistir, é uma excelente ocasião para nos distanciarmos das práticas do mundo e preservarmos uma santa e apreciada adoração ao Deus do Céu e a Seu Filho que Ele enviou para nos salvar.

Deus mesmo nos deu exemplo de como aproveitar datas e elementos pagãos e/ou religiosos para pregar o evangelho (com bom senso e sabedoria, claro). Lembra-se da estátua de Daniel 2? Deus usou um elemento típico da cultura do rei Nabucodonosor a fim de impressionar o monarca, chamar a atenção dele e tornar a mensagem mais compreensível: uma estátua pagã. Lembra-se da parábola do rico e Lázaro? Jesus Se valeu de uma crendice da época para transmitir uma mensagem que, claro, nada tinha que ver com o dogma da imortalidade da alma. Isso se chama contextualizar a mensagem. Seguindo esses e outros exemplos bíblicos, podemos e devemos utilizar elementos lícitos e apropriados da nossa cultura para comunicar as verdades e os princípios do evangelho. É o que a Igreja Adventista faz, por exemplo, na época da chamada Semana Santa. Os estudantes da Bíblia sabem que, depois da morte de Cristo, o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”, a celebração da Páscoa se tornou desnecessária. No entanto, sabendo que, nessa época do ano, as pessoas estão mais voltadas para temas espirituais, a igreja realiza séries de pregações e procura levar a mente das pessoas para a realidade da morte de Jesus, da salvação e da promessa de Sua vinda.

Por que não fazer algo parecido no Natal? Por que não realizar um culto de gratidão com os parentes que estiverem em sua casa? Que tal cantar hinos natalinos na chamada “noite de Natal” e elevar a Deus uma prece de gratidão pelo grande presente que o Céu nos ofertou? Que tal, nessa data, presentear com livros que falem sobre Jesus, como O Desejado de Todas as Nações ou o Vida de Jesus, por exemplo? Em lugar de satanizar a data, como fazem alguns, criando ainda mais aversão à nossa mensagem, aproveitemos o momento para falar do Deus encarnado na pessoa de Jesus Cristo e do profundo significado de Seu nascimento lá em Belém, cerca de dois mil anos atrás.

(Gilberto Theiss, Filipe Reis e Michelson Borges)