domingo, agosto 31, 2014

Isaac & Charles: homens de fé

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Seis maneiras de manter seus filhos seguros na internet

Quem tem filhos sabe que as crianças são ainda mais adeptas à tecnologia do que os adultos. Elas amam a internet e sabem que esse mundo é capaz de proporcionar muitas maravilhas, de joguinhos a videoclipes de suas bandas e desenhos favoritos. O que elas não sabem é como evitar vírus, cuidar da sua privacidade online, se comportar adequadamente em redes sociais, entre milhões de outros fatores que podem levantar questões de segurança. São os pais que têm que ensinar isso a elas. Confira seis dicas de especialistas em segurança para ensinar seus filhos a serem cidadãos responsáveis da internet:

1. Comece a discutir a segurança online em uma idade precoce. “Acho que uma das coisas fundamentais é iniciar o processo de discussão de segurança online com seus filhos em tenra idade, quando eles começarem a usar a internet”, diz David Emm, pesquisador sênior de segurança da empresa Kaspersky Lab Internet. Se eles ainda estiverem usando o computador com você, em vez de forma independente, isso oferece uma oportunidade para destacar o fato de que o mundo online é paralelo ao mundo real e que há coisas seguras e inseguras por lá. Você pode discutir assuntos como senhas e instalar softwares de proteção contra vírus. “À medida que [seus filhos] envelhecem e começam a fazer as coisas de forma independente, amplie o círculo. Por exemplo, ajude-os a criar uma senha sensata e explique por que eles devem usar senhas diferentes para cada conta e as possíveis consequências de não fazer isso”, explica Emm.

2. Não faça online o que não faria off-line. “O conselho que eu dou a minha própria família e amigos é: ‘Se você não faria cara-a-cara, não faça online’”, diz Shelagh McManus, advogada de segurança online para o software de segurança Norton by Symantec. “Por exemplo, você iria até um completo estranho e iniciaria uma conversa? Seria abusivo com amigos ou desconhecidos em um pub ou bar?”, explica. Explique aos seus filhos que, uma vez que eles tenham escrito algo online, não podem excluí-lo. É bom lembrar às crianças que tudo o que elas fazem na web é capturado para sempre e pode atrapalhá-las um dia. Muitos empregadores, por exemplo, “fuçam” perfis de mídia social ao pesquisar candidatos para empregos. Pode ser uma boa ideia ser amigo dos seus filhos em redes como Facebook, Instagram, Twitter, etc. Se eles pensarem em postar uma foto ou um comentário que acham que seus pais não deveriam ver, então é algo que provavelmente não pertence ao domínio público e eles serão menos propensos a compartilhar essa informação.

3. Cuidado com estranhos também vale online. Amichai Shulman, CTO da empresa de segurança de rede Imperva, costuma explicar a seus filhos que hackers são um tipo de criminoso que invade sua casa através do computador, em vez de através da janela. “É fácil para eles entenderem isso”, afirma. Ele ensina suas crianças a tomar cuidado com estranhos online tanto quanto deveriam no mundo físico. Por exemplo, ele não permite que seus filhos abram um e-mail se eles não souberem quem o enviou, da mesma maneira que eles não aceitariam um presente de um estranho. Vale também lembrar que muitas vezes crianças aceitam pedidos de contatos de pessoas que não conhecem porque o número de amigos em redes sociais se tornou uma espécie de “concurso de popularidade”. Pessoas que não têm boas intenções sabem disso e tentam se infiltrar dessa maneira no círculo íntimo das crianças e adolescentes. É bom lembrar aos seus filhos que eles não devem aceitar pedidos de amizade de estranhos em redes sociais.

Ainda, os pais podem explicar aos seus filhos o que é conteúdo impróprio e que na web também existem pessoas más. “Da mesma forma que, uma geração atrás, fomos informados para gritar alto quando éramos abordados por um desconhecido, nós dizemos às nossas meninas para nos contar imediatamente de qualquer abordagem online”, diz Dave King, executivo-chefe da empresa de gestão de reputação online Digitalis.

Do mesmo jeito que você conversa com seu filho sobre bullying, pode falar de bullying online (ou trolling), ou de pedófilos no mundo virtual. “Em última análise, queremos manter a inocência delas, mas se antes tínhamos que ter crianças que sabiam se virar na rua, agora precisamos de crianças que saibam se virar na internet”, argumenta King.

4. Comunicação é chave. “Eu falo com a minha filha regularmente sobre quais sites ela está usando e, dada a sua idade, eu pessoalmente veto todos os downloads de aplicativos. Desaa forma, eu posso fazer um julgamento sobre se acho que ele é seguro e apropriado para ela usar primeiro”, diz Samantha Humphries-Swift, gerente de produto da empresa de cibersegurança McAfee Labs. A comunicação é fundamental – seja aberto, acessível e compreensivo com seus filhos, para que se torne mais fácil para eles vir até você e pedir conselhos ou perguntar sobre algo que eles acharam estranho. Caso vocês tenham um bom diálogo, é provável que seu filho lhe pergunte primeiro antes de abrir um chat com um desconhecido, por exemplo.

5. Esteja junto com seus filhos quando eles usam a internet, ou os monitore de longe. Muitos pais não querem ser “espiões” nem ficar “fuçando” nas coisas dos filhos, o que é ok. Outros não podem estar sempre junto quando as crianças estão na internet, o que é normal também. Proibi-los de usar o computador na sua ausência não é uma boa ideia porque, no geral, proibido é mais gostoso. Sendo assim, peça para ver os dispositivos móveis dos seus filhos de vez em quando. Ou esteja por perto, vez ou outra, quando eles estiverem navegando a internet. Vale a pena dar uma olhada em quais aplicativos estão instalados no seu celular e, caso não esteja familiarizado com algum deles, faça uma investigação. Dessa forma, você pelo menos conhece os tipos de serviços de mídia social que seu filho está usando e para que servem.

6. Ensine seus filhos como evitar os principais problemas de segurança online. Não custa explicar aos seus filhos coisas como “sites podem te redirecionar para outros sites sem que você esteja consciente”, “não baixe aplicativos que você não sabe para que servem”, “baixar arquivos online traz um risco de vírus, use o software antivírus primeiro”, “não compartilhe informações pessoais, como telefone, através da internet, a não ser que você saiba que aquele compartilhamento é privado”, etc.

Outra dica é: para educar, é preciso aprender. Se você não sabe, aprenda primeiro, depois passe a informação a seus filhos.

“Não entregue qualquer dispositivo conectado à internet a seus filhos antes de saber como ele funciona. Eu conheci pais que não estavam cientes de que um iPod podia se conectar à internet, deram um a seu filho de 10 anos de idade que, em seguida, conseguiu compartilhar um vídeo da filha de seu vizinho de biquíni. Os vizinhos ficaram, com razão, chateados”, explica François Amigorena, executivo-chefe da empresa de software IS Decisions.

sexta-feira, agosto 29, 2014

Resposta de um pai à proposta absurda de Dawkins

"Aborte isso e tente de novo"
“Aborte isso e tente de novo. Seria imoral trazer isso ao mundo se você tivesse escolha.” Assim tuitou o mais famoso cientista ateu do mundo, Richard Dawkins, distribuindo aconselhamento moral sobre bebês com Síndrome de Down. Para um cientista, ele não parece saber muito sobre bebês. Existem duas “variedades”: ele ou ela. Não existe “isso”, como ele escreveu na rede social. Dawkins postou a insensível declaração ao responder a outro tuíte, em que uma mulher tinha afirmado que enfrentaria um verdadeiro dilema ético se estivesse grávida de uma criança com Síndrome de Down. O comentário de Dawkins não surpreende. Afinal, ele tem uma longa história de utilitarismo. O autor de The God Delusion [Deus, um Delírio, na tradução brasileira] enxerga o mundo da seguinte forma:
 
“Num universo de elétrons e genes egoístas, de forças físicas cegas e de replicação genética, algumas pessoas vão se machucar, outras pessoas vão ter sorte, e você não vai encontrar nenhuma rima nem razão para isso, nem qualquer tipo de justiça. O universo que observamos tem precisamente as propriedades que são de se esperar que ele tenha, dando-se a premissa de que não existe nenhum desígnio, nenhum propósito, nenhum mal, nenhum bem, nada além de impiedosa indiferença.”

Para Dawkins, quem se encaixa nisso, intelectual e impiedosamente, sobrevive e tem o imperativo moral de passar por cima do resto. Além dessa visão de mundo, é bom lembrar também que Dawkins apoia o infanticídio, seja pelo motivo que for:
 
“E quanto ao infanticídio? De um ponto de vista estritamente moral, eu não vejo objeção alguma a ele. Eu seria a favor do infanticídio.”

Os usuários do Twitter ficaram horrorizados com o comentário de Dawkins sobre o “imperativo moral” de abortar crianças com a Síndrome de Down. É um comentário que vai muito além de defender que as mulheres possam abortar uma criança com deficiência.

É claro que Dawkins não está sozinho nessas crenças. Virginia Ironsides, escritora e provocadora britânica, chocou o público do canal BBC ao dizer: “Se um bebê vai nascer com deficiência grave ou é totalmente indesejado, o aborto é, evidentemente, o ato de uma mãe amorosa.” Ela não parou por aí: “Se eu fosse a mãe de uma criança que estivesse sofrendo profundamente, eu seria a primeira a querer colocar um travesseiro em cima do rosto dela. Se ela fosse uma criança que eu realmente amasse, que estivesse em agonia, eu acho que qualquer boa mãe faria isso.”

Voltemos a Dawkins. Depois do tuíte chocante, ele acabou publicando um pedido pouco convincente de desculpas:

“O que eu disse decorre logicamente da postura pró-direito de escolha que a maioria de nós, eu presumo, apoia”, escreveu ele. “A minha fraseologia, por falta de tato, pode ter ficado vulnerável ​ao mal-entendido, mas eu não posso deixar de achar que pelo menos metade do problema consiste na ânsia desenfreada de não entender.”

Ou seja: as palavras dele eram “vulneráveis ​​ao mal-entendido”, mas a culpa é nossa porque somos “desenfreadamente ansiosos por entender mal”. Dizer o quê?

O conselho de Richard Dawkins não era tão complexo a ponto de as pessoas comuns quererem desenfreadamente interpretar mal a declaração que ele fez: “Aborte isso e tente de novo. Seria imoral trazer isso ao mundo se você tivesse escolha.” É uma declaração mais do que clara para mim.

A melhor resposta para esse “conselho” veio de uma fonte inusitada: de um cientista e fã dos livros do próprio Dawkins. Esse leitor confessou que teria concordado com o conselho de “abortar isso”, caso o tivesse lido 18 meses antes. Ele explica:
 
“Eu entendo de forma implícita o ponto de vista do professor. O que ele diz continua fazendo todo o sentido lógico para mim. A conclusão dele é natural quando se aborda o dilema a partir de uma perspectiva lógica, usando-se as informações disponíveis, com uma mentalidade objetiva e (fundamentalmente) com um ponto de vista não religioso. Há 18 meses, eu teria até concordado.

“Mas a chegada da minha filha, que nos surpreendeu por ter precisamente essa condição [da Síndrome de Down], fez brilhar uma luz sobre o abismo da nossa ignorância, sem falar do preconceito factualmente incorreto que subjaz a esta opinião. Ao reler a opinião do professor, eu fico horrorizado, agora, ao pensar no que eu mesmo poderia ter feito se a doença [da minha filha] tivesse sido diagnosticada durante a gravidez [da minha mulher].

“Eu sei o quanto as nossas vidas são mais plenas, agora que os nossos olhos estão abertos. Mais do que isso: eu fico espantado ao ver que tudo continua sendo absolutamente normal, tanto para nós quanto para as outras famílias que conheci.

“Sem saber, o nosso bebê já nos ensinou as lições mais incríveis da nossa vida até aqui. E nós não mudaríamos literalmente nada em nossa filha, em especial no perfil genético dela. O que mudou completamente foram as minhas ideias sobre o que seria o sucesso na vida e sobre o que eu desejaria para todas as nossas crianças. Eu sempre chego à mesma conclusão: o que importa, no fim das contas, é a felicidade e a alegria, e eu sei que a Rosie vai ter isso em abundância.

“Graças a ela, eu acredito que nós teremos mais condições de incentivar o sucesso da irmã dela e do irmãozinho que ela vai ter, agora que estamos livres daquela ideia de que o sucesso na vida depende da realização acadêmica, da carreira e do dinheiro. Muitas dessas coisas podem levar uma pessoa ao fracasso total, mesmo que os pais dela comemorem o ‘trabalho bem feito’.”

Cientista brasileiro vai ao CERN da questão

Dr. Eberlin, em visita ao CERN
Nesta semana, participei do 20º Congresso Internacional de Espectrometria de Massas. Para um brasileiro, um grande privilégio, pois, como presidente da Sociedade, tive pela segunda vez, como em Kyoto, no Japão, o privilegio de presidir o congresso. No programa, tivemos uma visita ao CERN (Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear), em Genebra, na Suíça, que ficou ainda mais famoso por ter sido feita nele a descoberta da “partícula de Deus”, o bóson de Higgs. Foi uma visita espetacular e, ao mesmo tempo, chocante. Tivemos uma palestra com um dos diretores do centro. Falaram então que o big bang formou o Universo, mas que a energia, ao se transformar em matéria, formou a matéria e a antimatéria, da mesma forma que as colisões lá no CERN também formam, matéria e antimatéria, mas que, pasme, a metade do Universo que o big bang deveria ter formado simplesmente “desapareceu”. Veja bem! Pode, gente?

Cientistas anunciaram que descobriram a origem do Universo e aí apresentam um modelo que deveria formar duas coisas, mas que a gente só observa uma, e que a outra simplesmente sumiu? Será que eu, como cientista, posso falar, por exemplo, que identifiquei uma molécula como sendo cocaína, e aí o juiz me pergunta como, e eu digo que detectei só metade da molécula e que a outra metade simplesmente desapareceu do meu espectro? Ele vai acreditar e pôr o bandido na cadeia? Que a massa da molécula deveria ser 300, mas eu detectei 150 e a outra metade sei lá para onde foi, mas que é cocaína, sim?

Pior: aí falaram que entendemos somente 4% do Universo e que 96% de sua energia são desconhecidos. Uma vergonha (what a shame), o palestrante disse. E – pior ainda – aí veio a pior enganação, pois foi dito que após a grande explosão e o desaparecimento mágico de metade do Universo, a maior mágica: a formação do hidrogênio e do hélio, e que, pasme de novo, a “gravidade” foi que atraiu o H2 e o Hélio para formar estrelas. Mas que absurdo, gente! Bem ali na minha frente foi dito um absurdo desse! Posso não ser físico e não entender tão bem de matéria e antimatéria – que até entendo um pouco –, mas quanto à estrela eu sei bem que isso é pura ilusão. Gravidade mantém, mas não forma estrelas. Gravidade só pode ser invocada em cosmologia, mas em química temos que usar forças eletromagnéticas, se quisermos atrair moléculas e átomos. E, como eu discuto com detalhes no Fomos Planejados, não existe força neste Universo capaz de tornar em estrela uma nuvem gasosa de hidrogênio e hélio em expansão. Impossível. Tente comprimir gás e você verá que a pressão aumenta e ele escapa. Como cientistas podem falar uma inverdade dessas? 

Ou seja, além do milagre do desaparecimento da antimatéria, uma benção sem igual, pois senão o Universo colapsaria em si mesmo – eta, santo bom, milagroso e poderoso! –, temos outros grandes e enormes milagres; uma cascata deles, que acontecem por todo o Universo, de forças misteriosas que comprimem gases para formar estrelas. E mesmo que formadas, essa estrelas que explodiram no estágio de supernovas teriam espalhado um sem numero de buracões negros pelo Universo que, como a antimatéria também, simplesmente... desapareceram! Mais milagres sem santo!
 
Vista do acelerador de partículas do CERN
Aí tem outro problema que eles nem sequer comentaram, e eu como visitante fui educado em não perguntar: mesmo que estrelas milagrosamente se formassem e supernovas explodissem, o que elas formariam? Um puff cósmico fofo e poeirento que só... que jamais formaria os planetas rochosos incandescentes, a Terra. Sem falar de onde teria vindo a água e tudo o mais.

Ou seja, eu estava 99% convencido de que a ciência não tem a menor ideia de como este Universo foi formado. Hoje estou 110% convencido, racionalmente esclarecido. Pois não tenho essa fé, fé em milagres seguidos, múltiplos; milagres sem santo. E fui ao CERNe da questão para ter essa certeza.

quinta-feira, agosto 28, 2014

Encontradas semelhanças entre vermes, moscas e humanos

E as diferenças?
Biólogos afirmaram nesta quarta-feira (27) que a máquina genética de seres humanos, moscas das frutas e vermes nematódeos é surpreendentemente similar em muitas formas, em uma descoberta que pode ajudar as pesquisas básicas sobre doenças. Um consórcio formado por mais de 200 cientistas comparou o genoma do homem moderno com o de duas criaturas amplamente estudadas em laboratório: a mosca das frutas (Drosophila melanogaster) e uma criatura microscópica denominada nematódeo (Caenorhabditis elegans). Embora as três espécies sejam obviamente diferentes, a evolução usou [sic] “ferramentas moleculares notavelmente similares” para formá-las, afirmam os cientistas. As três compartilham muitos genes e grande parte das chaves para ativar e desativar esses genes, segundo artigos publicados na revista científica Nature.

“Quando observamos as moscas e os vermes, é difícil crer que os humanos tenham algo em comum com eles”, afirmou Mark Gerstein, professor de informática biomédica da Universidade de Yale. “Mas, agora, nós acreditamos que podemos ver semelhanças profundas neles que nos ajudam a interpretar melhor o genoma humano”, prosseguiu.

Cerca da metade dos genes associados com cânceres e outras doenças hereditárias em humanos também existem no genoma da mosca das frutas, afirmou Sarah Elgin, professora de Biologia da Universidade de Washington em St. Louis, no Missouri. A descoberta poderia ser usada para afinar as pesquisas sobre terapia epigenética, acrescentou.

A epigênese é a chave que determina se um gene é silencioso ou funcional. Eles são influenciados pela idade avançada e estresse ambiental, como a exposição a tabaco ou ao álcool. Empresas farmacêuticas estão amplamente interessadas em medicamentos capazes de “reparar” genes disfuncionais. Mais de 70 medicamentos para tratamento epigenético são projetados só para tratar o câncer. Outras doenças alvo importantes são diabetes e mal de Alzheimer. [...]

(UOL Notícias)

Nota: Imagine alguém que desconhecesse a história dos modernos meios de transporte e observasse um navio, uma motocicleta e um avião. Os três têm motor, estruturas metálicas e dois deles têm rodas, além de outras similaridades. E se esse indivíduo concluísse, com base nas semelhanças, que os três meios de transporte são estágios da evolução de um a partir do outro, ou dos três a partir de um suposto “ancestral comum”? Estaria correto? Ou se, ao contrário disso, concluísse que as semelhanças estruturais apontam para um mesmo designer que teria utilizado estruturas funcionais semelhantes em mecanismos diferentes? Como se pode ver, é uma questão de interpretação. Agora, e se o designer revelasse os fatos (a verdade) por meio de um manual confiável, dizendo que todas as criaturas revelam sua “assinatura”, embora haja tremendas diferenças entre elas, assim como há entre um navio e um avião, por exemplo? Entre um ser humano e uma mosca (ou macaco), as diferenças são qualitativas e não apenas quantitativas. [MB]

A formiga paulista e o plano B da evolução

Formiga evoluiu e se tornou formiga
Uma espécie de formiga parasita, descoberta no interior paulista, deu impulso para uma teoria de formação das espécies raramente comprovada. Encontrada no campus da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Rio Claro, o inseto – jamais visto em outro lugar do mundo – surgiu a partir de formigas de sua própria colônia, sem precisar se isolar geograficamente, de acordo com estudo publicado na última quinta-feira, na revista Current Biology. De acordo com a teoria mais comum do processo de especiação, entretanto, espécies novas aparecem a partir do isolamento geográfico de um grupo. “Conseguimos fortes evidências de que a especiação também pode acontecer dentro de uma mesma colônia. É raríssimo encontrar esse mecanismo”, diz Maurício Bacci Júnior, pesquisador do Instituto de Biociências da Unesp e um dos autores do artigo.

Especialista em formigas, Bacci descobriu a nova espécie em 2006, com o colega alemão Christian Rabeling, da Universidade de Rochester, ao escavar um formigueiro de Mycocepurus goeldii, espécie comum em toda a América do Sul. “Percebemos que havia formigas menores, o que geralmente é característica de parasitas”, explicou. Ao estudar o comportamento dos animais, os pesquisadores perceberam que a nova espécie – batizada de Mycocepurus castrator – é, de fato, parasita. Recebeu o nome de “castrator” por inibir a procriação da hospedeira. “Ela coloca todo o formigueiro a seu serviço. Enquanto as outras trabalham, ela come e se reproduz.”

De acordo com o cientista, para confirmar a origem da parasita, a equipe realizou um procedimento de datação com base em biologia molecular, relacionando o número de mutações a referências geológicas encontradas no formigueiro. Com um teste estatístico, foi determinado que a M. goeldii surgiu há cerca de 2 milhões de anos [segundo a cronologia evolucionista], enquanto a M. castrator apareceu há apenas 37.000 anos [idem].

“Isso nos deu a evidência de um raro caso de especiação simpátrica, isto é, de surgimento de uma nova espécie sem presença de barreiras geográficas.” Segundo ele, ao relacionar parasitismo e especiação simpátrica, o estudo abre caminho para novas descobertas.

Todas as formigas do gênero Mycocepurus são “agricultoras”: levam folhas para o formigueiro e as depositam em uma colônia de fungos, que degradam os vegetais. As formigas se alimentam dos resíduos. A formiga parasita, no entanto, apenas come o que as outras produzem e sua única atividade é procriar. “As hospedeiras se reproduzem, mas passam a gerar apenas formigas estéreis, que trabalham para a parasita”, explica Bacci.

Assim, a Mycocepurus castrator usa todo o sistema do formigueiro em seu benefício, sem precisar despender energia para outras tarefas além de gerar mais parasitas. “Ela não se arrisca fora do formigueiro, diante de predadores, nem para buscar comida ou para se reproduzir.”

(Veja)

Nota: Descoberta interessante que leva os cientistas a perceber que a vida é mais adaptável do que se pensa, não dependendo a especiação apenas do isolamento geográfico. Mas note um detalhe: tudo o que se viu na pesquisa foi especiação e o “surgimento” de uma nova... formiga. Mesmo assim, fala-se em evolução, o que traz à cabeça do leitor não familiarizado com os termos e os fatos a ideia de que, de uma ameba primordial, teriam surgido as formigas, os répteis, as aves e os seres humanos. O título que usei acima foi usado também na matéria publicada no jornal O Estado de S. Paulo. Na verdade, todos os veículos que repercutiram a descoberta utilizaram a palavra “evolução”, quando o assunto trata apenas de adaptação e especiação. É a mídia a serviço do konsenso. De qualquer forma, ao utilizar “plano b”, estão admitindo que algumas descobertas contrariam “verdades” tidas como certas no meio darwinista. Daqui a pouco, terão que partir para o “plano c”, o “plano d”, “o plano e”... [MB]

O mito de Galileu e a Igreja Católica

História com muitas lições
A verdadeira história em torno de Galileu Galilei não se trata de um cientista iluminado perseguido pela mesquinha Igreja Católica, visto que essa história é (em grande parte) um mito. Não é também a história de um grande gênio científico, embora ele tenha sido (em grande medida) isso mesmo. Não é também a história de alguém reencarnado com a alma do antigo astrônomo, tal como se ouve na canção das Indigo Girls, de 1992, que eu julguei ser (em grande medida) profunda. (Devo ressalvar também que não é a história verdadeira, mas, sim, uma que teve suas origens em outras fontes.) Mas como todas as boas histórias, ela nos disponibiliza uma lição (em grande medida) valiosa. Nos dias de Galileu, a visão predominante na astronomia era o modelo inicialmente proposto por Aristóteles e desenvolvido mais tarde por Cláudio Ptolomeu, em que o Sol e os planetas giravam em torno da Terra. O sistema ptolomaico foi o paradigma dominante durante mais de 1.400 anos, até que um cônego da Igreja Católica chamado Nicolau Copérnico publicou sua obra pioneira, com o nome De revolutionibus orbium coelestium (Da revolução de esferas celestes).

Convém notar que a teoria heliocêntrica de Copérnico não era exatamente nova nem era somente baseada nas observações empíricas. Embora ela tenha tido um impacto enorme na história da ciência, sua teoria foi mais um reflorescimento do misticismo de Pitágoras do que um novo paradigma. Tal como todas as grandes descobertas, ele apenas pegou uma ideia antiga e deu-lhe novas roupagens.

Embora os colegas eclesiásticos de Copérnico o tenham encorajado a publicar seu trabalho, ele atrasou a publicação durante vários anos, devido aos seus receios de ser ridicularizado pela comunidade científica. A essa altura, o mundo acadêmico pertencia aos aristotélicos e eles não tinham planos de deixar esse absurdo passar pelo seu processo de “revisão por pares” (peer review).

Foi então que chegou Galileu, o protótipo do homem da Renascença – cientista, brilhante, matemático e músico. E embora ele fosse inteligente, encantador e espirituoso, era também argumentativo, debochado e vaidoso. Pode-se dizer que ele era um homem complexo. Seu colega astrónomo Johannes Kepler escreveu-lhe uma carta dizendo que havia se convertido à teoria de Copérnico. Galileu escreveu-lhe de volta dizendo que também ele havia se convertido a essa teoria, e que havia anos que já assinava embaixo dela (embora todas as evidências revelem que isso não era verdade). Seu ego não lhe permitiria que fosse suplantado por pessoas que não eram tão inteligentes como ele; e, para Galileu, isso incluía praticamente todas as pessoas.

Em 1610, Galileu usou seu telescópio para fazer algumas descobertas surpreendentes que colocaram em cheque a cosmologia aristotélica. Embora suas descobertas não derrubassem propriamente o paradigma dos seus dias, elas foram bem recebidas pelo Vaticano e pelo papa Paulo V. No entanto, em vez de dar seguimento aos seus estudos científicos e à solidificação das suas teorias, Galileu deu início a uma campanha de descrédito da visão aristotélica da astronomia. (Nos dias de hoje, isso seria o mesmo que tentar destronar a teoria da evolução). Galileu sabia que estava certo e queria se certificar de que todos soubessem que os aristotélicos estavam errados.

Tudo o que Galileu conseguiu quando tentou forçar o copernicanismo pela garganta abaixo dos seus colegas cientistas foi desperdiçar a boa vontade que havia sido estabelecida dentro da Igreja. Galileu estava tentando forçar os outros a aceitar uma teoria que, por aquela altura, ainda não estava provada. Graciosamente, a Igreja ofereceu-se para considerar o copernicanismo como uma hipótese razoável, embora uma hipótese superior ao sistema ptolomaico, até que mais evidências fossem disponibilizadas.

Galileu, no entanto, nunca chegou a apresentar mais evidências para apoiar sua teoria. Em vez disso, continuou a provocar guerras com seus colegas cientistas, embora muitas das suas conclusões estivessem sendo refutadas pelas evidências (por exemplo, a tese de que os planetas orbitam em torno do Sol em círculos perfeitos).

Os erros de Galileu – O primeiro erro de Galileu foi o de transladar a luta do campo da ciência para dentro da interpretação Bíblica. Num ataque de arrogância, Galileu escreveu a “Carta a Castelli”, de modo a explicar que sua teoria não era incompatível com a adequada exegese bíblica. Com a Reforma Protestante ainda fresca na mente, as autoridades da Igreja não estavam com vontade de ter outra figura perturbadora tentando interpretar as Escrituras por conta própria.

Mas, para crédito da Igreja Católica, eles não reagiram de forma inadequada. A “Carta a Castelli” foi por duas vezes apresentada à Inquisição como um exemplo da heresia do astrónomo, e por duas vezes as acusações foram rejeitadas. No entanto, Galileu não estava satisfeito e deu continuidade aos seus esforços de forçar a Igreja a conceder que o sistema de Copérnico era um assunto de verdade irrefutável.

Em 1615, o cardeal Robert Bellarmine educadamente apresentou a Galileu uma opção: evidências ou boca fechada. Como por essa altura ainda não haviam sido apresentadas evidências de que a Terra orbitava em volta do Sol, não havia motivo para que Galileu andasse um pouco por todo o lado tentando alterar a leitura aceita das Escrituras. Mas se ele tinha algum tipo de evidências, a Igreja estaria disposta a reconsiderar sua posição. A resposta de Galileu foi a de apresentar a teoria de que as marés dos oceanos eram causadas pela rotação da Terra. A ideia não só estava cientificamente errada, como era tão ridícula que foi rejeitada até pelos seguidores de Galileu.

Farto de ver suas alegações rejeitadas, Galileu regressou a Roma para apresentar seu caso ao papa. O pontífice, no entanto, meramente passou o assunto ao Santo Ofício, que emitiu a opinião de que a doutrina copernicana era “ridícula e absurda, filosoficamente e formalmente herética, visto que contradizia de modo expresso a doutrina da Santa Escritura em muitas passagens”. O veredito foi rapidamente anulado por outros cardeais da Igreja.

Galileu, no entanto, não estava com disposição para abandonar as coisas, e, para irritação geral, voltou a forçar o assunto. O Santo Ofício educadamente, mas firmemente, disse-lhe para se calar em torno do assunto copernicano e proibiu-o de adotar a teoria ainda não provada. Claro que isso era mais do que ele estava disposto a fazer.


Quando seu amigo finalmente tomou conta do trono papal, Galileu pensou que por fim teria um ouvido simpático. Ele discutiu o assunto com o papa Urbano VIII, um homem com conhecimento nas áreas da matemática e da ciência, e tentou usar sua teoria das marés para convencer Urbano da validade da sua teoria. O papa não ficou convencido com a tese de Galileu, e chegou até a dar-lhe uma resposta (embora inválida) que refutou a noção.

Depois disso, Galileu escreveu Dialogo sopra i due massimi sistemi del mondo (Diálogo sobre os dois principais sistemas do mundo), no qual ele iria apresentar os pontos de vista de Copérnico e o de Ptolomeu. Três personagens estariam envolvidos: Salviati, o Copernicano; Sagredo, o Indeciso; e Simplício, o Ptolomaico. (O nome “Simplício” escolhido com o propósito de implicar “simplório”).

E foi nessa ocasião que o nosso herói cometeu seu maior erro: Galileu pegou nas palavras que o papa Urbano tinha usado para refutar sua teoria das marés, e colocou-as na boca de Simplício. O papa não gostou nem um pouco disso.

Galileu, que era agora velho e doente, foi mais uma vez chamado perante a Inquisição, e ao contrário da maioria das pessoas acusadas de heresia, ele foi tratado de uma forma surpreendentemente boa. Enquanto esperava pelo julgamento, Galileu foi alojado num apartamento luxuoso com vista para os jardins do Vaticano, e foi colocado ao seu dispor um criado pessoal.

Na defesa que ele mesmo fez durante o julgamento, Galileu tentou usar uma tática peculiar: tentou convencer os juízes de que ele nunca havia mantido nem defendido a opinião de que a Terra gira em torno do Sol, e de que o Sol está imóvel, e que, na verdade, ele havia demonstrado o oposto, mostrando que a hipótese copernicana estava errada. O Santo Oficio, sabendo que essa linha de defesa era uma forma de tomar por tolos os membros do Santo Ofício, condenou-o por ser “altamente suspeito de heresia”, uma decisão claramente injusta, levando em conta que o copernicanismo nunca havia sido considerado herético.

A sentença de Galileu foi a de renunciar à sua teoria e viver o resto da sua vida numa agradável casa de campo, perto de Florença. Claramente, o exílio fez-lhe bem porque foi aí, sob os cuidados da sua filha Maria Celeste, que ele continuou suas experiências e publicou seu melhor trabalho científico: Discorsi e dimostrazioni matematiche, intorno à due nuove scienze. Por fim, Galileu morreu tranquilamente com a idade madura de 77 anos.

Tal como o filósofo Alfred North Whitehead escreveu: “Numa geração que viu a Guerra dos Trinta Anos, e se lembrou [do Duque] de Alva na Holanda, a pior coisa que aconteceu a um homem da ciência foi que Galileu sofreu uma detenção honrada e uma repreensão suave antes de morrer em paz na sua própria cama.”

Tal como diria Paul Harvey, agora sabemos o resto da história.

Momento de aprendizagem – O que se pode reter da história envolvendo Galileu? O que se pode aprender é que ela providencia lições diferentes para grupos diferentes:

- Para os cientistas, essa história demonstra que se você esta de acordo com a maior parte dos seus colegas, quase com certeza será esquecido ao mesmo tempo que a história se lembrará de um rabugento qualquer.
- Para os proponentes de posições não consensuais (por exemplo, céticos do aquecimento global, teóricos do Design Inteligente, etc.), ela ensina que alegar que a sua teoria está correta não é substituto para a apresentação de experiências e dados (mesmo que se esteja certo).
- Para as pessoas agressivamente autoconfiantes, a lição a aprender é que às vezes ser persistente e acreditar no que se diz pode causar problemas.
- Para os católicos, a história de Galileu ensina que não se deve insultar o papa (muito menos quando existe uma Inquisição).

Desconfio que muitas outras lições podem ser aprendidas dessa história, mas acho que a verdadeira moral não é tanto aquela que se encontra dentro dela, mas, sim, no fato de ela precisar ser contada. Embora eu tenha ouvido essa história pela primeira vez quando me encontrava na escola primária, só muito depois de me ter licenciado é que finalmente aprendi a verdade.

Sem dúvida que há pessoas que estão agora mesmo conhecendo dos detalhes da história pela primeira vez. Como isso é possível? Desconfio que seja porque, durante muitos séculos, pessoas tais como Bertrand Russell, George Bernard Shaw, Carl Sagan, Bertolt Brecht e as Indigo Girls têm passado o mito de geração em geração. Não acredito que alguns deles estivesse mentindo intencionalmente.

De fato, tenho sérias duvidas de que algum deles se tenha dado ao trabalho de investigar os fatos. Eles nem tinham necessidade de fazer isso, visto que a história oficial estava de acordo com o que eles já acreditavam – que a ciência e a religião são inimigos naturais –, e isso é tudo o que eles precisavam saber.

Seria bem fácil desfrutar tal credulidade e preguiça intelectual, mas a verdade é que muito provavelmente eu também sou culpado do mesmo com relativa frequência. Talvez seja pelo fato de eu ser jornalista (mais ou menos) e estar mais disposto a acreditar na versão mais interessante da história. Como editor de um jornal, favoreci Davi sobre Golias, mesmo quando o poderoso Filisteu era mais crível que a pessoa a atirar as pedras. “Rapaz pastor mata gigante poderoso” sempre é um título melhor de jornal.

No entanto, como cristão, não tenho a opção de favorecer a posição que irá vender mais jornais. Em vez disso, minha obrigação é me colocar do lado da verdade. Quando me deparo com uma história que se ajusta com os meus planos, é meu dever investigar todos os fatos relevantes antes de aceitá-la como um evangelho.

Nem sempre posso ter a certeza absoluta sobre em que lugar a verdade se encontra, mas uma coisa é certa: é aí que Deus estará.

Sócrates e o design inteligente

As digitais do grande Artífice
Trecho extraído do livro Ditos e Feitos Memoráveis de Sócrates, escrito por Xenofonte. No capítulo IV, em um diálogo com Aristodemo, o filósofo do V século a.C. (Sócrates) interroga-o da seguinte maneira:

– Das obras sem destinação manifesta e daquelas cuja utilidade é incontestável, quais consideras como produto do acaso ou de uma inteligência?

– Justo é atribuir a uma inteligência as obras que tenham fim de utilidade.

Logo após, Sócrates inicia uma descrição da complexidade da espécie humana. Apesar das limitações do conhecimento, pois falamos do V século a.C., podemos perceber que o ilustre filósofo consegue ver nesse design as digitais de um Criador. Observe: 

– Não te parece então que aquele que, desde que o mundo é mundo, criou os homens lhes haja dado, para que lhes fossem úteis, cada um dos órgãos por intermédio dos quais experimentam sensações, olhos para ver o que é visível e ouvidos para ouvir os sons? De que nos serviriam os odores se não tivéssemos nariz? Que ideia teríamos do doce, do amargo, de tudo o que agrada ao paladar, se não existisse a língua para os discernir? Ao demais, não achas dever olhar-se como ato de previdência que sendo a vista um órgão frágil, seja munida de pálpebras, que se abrem quando preciso e se fecham durante o sono; que para proteger a vista contra o vento, essas pálpebras sejam providas de um crivo de cílios; que os supercílios formem uma goteira por cima dos olhos, de sorte que o suor que escorra da testa não lhes possa fazer mal; que o ouvido receba todos os sons sem jamais encher-se; que em todos os animais os dentes da frente sejam cortantes e os molares aptos a triturar os alimentos que daqueles recebem; que a boca, destinada a receber o que excita o apetite, esteja localizada perto dos olhos e do nariz, de passo que as dejeções, que nos repugnam, têm seus canais afastados o mais possível dos órgãos dos sentidos? Trepidas em atribuir a uma inteligência ou ao acaso todas essas obras de tão alta previdência?

– Não, por Júpiter! – respondeu Aristodemo – Parece, sem dúvida, tratar-se da obra de algum artífice sábio e amigo dos seres que respiram.

(Colaboração: Gabriel M. Vasconcelos)

terça-feira, agosto 26, 2014

Adventistas reafirmam crença na criação divina

Dois participantes no Grand Canyon
O presidente da Igreja Adventista do Sétimo Dia, pastor Ted Wilson, expandiu seu recente apelo feito aos educadores da igreja – para reafirmarem sua convicção de que Deus criou a Terra há milhares de anos –  a fim de incluir todos os 18 milhões de membros da denominação, dizendo que a questão “envolve o destino eterno de cada um de nós”. Os comentários de Wilson foram feitos no fim da conferência internacional de dez dias sobre a Bíblia e Ciência, em St. George, Utah, onde cerca de 400 educadores aprovaram uma resolução comprometendo-se a ensinar a compreensão bíblica acerca das origens, e ficaram prontos para compartilhar com seus alunos as últimas pesquisas científicas que aprenderam. Em uma entrevista, Wilson disse que todos os membros da igreja devem ponderar cuidadosamente um apelo que ele fez em seu discurso na abertura da conferência, em 15 de agosto, de rejeitar a versão evolutiva das origens.

“Isso é tão intrínseco às crenças dos adventistas do sétimo dia que é vital para todos os membros da igreja reafirmar sua convicção de que Deus realmente é o Criador e criou este planeta em seis dias literais recentemente”, disse ele. “Essa é certamente uma decisão pessoal que tem de ser feita, e com toda a bondade e amor peço a cada membro da igreja que tome essa decisão, pois isso envolve o destino eterno de cada um de nós.”

Wilson, reiterando seu discurso de 15 de agosto, disse que os educadores e os pastores que aceitaram os ensinamentos de que a Terra evoluiu durante milhões e milhões de anos não devem ser autorizados a conduzir salas de aula e igrejas adventistas. Quanto aos membros regulares da igreja, disse ele, o assunto é pessoal, mas as pessoas que não têm isso resolvido em sua mente devem orar fervorosamente e tomar uma decisão.

“Essas decisões por parte de cada indivíduo vão ajudar a determinar como eles se relacionam com essa extraordinária missão confiada às nossas mãos pelo Céu, a proclamação das mensagens dos três anjos, que incluem a mensagem do primeiro anjo para adorar a Deus e dar-Lhe glória, porque Ele fez tudo”, disse ele, referindo-se a Apocalipse 14 e ao chamado à preparação para a volta de Jesus.

O discurso de Wilson – no qual ele disse que qualquer um que rejeitou a criação literal em seis dias descrita em Gênesis não poderia ser descrito como um verdadeiro adventista do “sétimo dia”, porque “sétimo dia” se refere às 24 horas do dia de sábado, no qual a semana da criação findou – provocou muitos comentários em sites adventistas do sétimo dia, durante os últimos dez dias.

Alguns adventistas têm adotado uma teoria popular de que cada dia da criação pode ter durado milhões de anos, em vez de 24 horas, misturando assim o relato bíblico com os ensinamentos evolucionistas. Essa linha de raciocínio, disse Wilson, não só invalida o sábado, mas também coloca em dúvida a inspiração do relato da criação e, por extensão, toda a Bíblia.

“É vital que cada funcionário – seja um administrador, pastor, professor, ou quem for –acredite fortemente na compreensão fundamental da criação como ensina a Igreja Adventista”, disse Wilson, no domingo. [...] E acrescentou: “Para os membros da igreja em geral, é uma questão pessoal que eles precisam discutir a sério com o Senhor.”

Wilson também mencionou a igreja em geral, em um discurso de encerramento no domingo, que se concentrou principalmente sobre os educadores. “Como professores adventistas do sétimo dia, educadores, pastores e funcionários da igreja que vivem no fim dos tempos – e não apenas os funcionários, mas todos os membros da igreja –, não devemos reduzir nossa singularidade ao sétimo dia, mas sim alardear isso como uma característica maravilhosa de vida”, disse ele.

Falando diretamente aos participantes da conferência, Wilson incentivou-os a trabalhar duro, mostrar o amor e se apegar à Bíblia. “Cientistas: continuem a fazer uma boa pesquisa científica. Façam o trabalho que Deus lhes deu de uma maneira profunda e cuidadosa”, disse ele. “Teólogos: façam a mesma coisa. Estendam a mão para aqueles que podem não concordar com o que votamos hoje e com o que a Igreja Adventista do Sétimo Dia representa. Estendam a mão para essas pessoas no cuidado e no amor – não de uma forma condescendente, mas de forma amorosa.” “Mas”, disse ainda, “quero dizer a vocês: por favor, não fiquem relutantes de qualquer maneira em defender a verdade bíblica. Sejam abertos, seja cuidadosos, mas sejam ousados.”

No fim do discurso de 42 minutos, Wilson pediu que os educadores reafirmassem sua convicção na criação bíblica, levantando-se e orando com seus companheiros.

Pouco antes do discurso de Wilson, os participantes da conferência aprovaram em uma votação verbal quase unanimemente uma declaração que afirma que a Bíblia apresenta um relato confiável de uma criação recente em seis dias literais, e que um dilúvio global destruiu a Terra, exceto uma família e animais em uma arca.

“Rejeitamos essas visões de mundo que intencionalmente removem a verdade bíblica do discurso público e do esforço científico”, diz o comunicado. “Afirmamos a necessidade de um ambiente intelectual em que as teorias concorrentes sobre as origens sejam apresentadas e discutidas abertamente dentro do contexto de uma cosmovisão bíblica. Comprometemo-nos a ensinar e defender os entendimentos bíblicos sobre as origens, em nosso papel como profissionais e como educadores adventistas.”

O documento, que foi desenvolvido durante o evento de dez dias, será submetido a uma comissão administrativa de fim de ano da Igreja, no Concílio Anual, em outubro, disse Michael L. Ryan, vice-presidente mundial da Igreja Adventista e presidente do Conselho de Fé e Ciência, que patrocinou a conferência. [...]

Lisa Beardsley-Hardy, diretora do Departamento de Educação da igreja mundial, disse na conferência que ela iria usar a instrução para pressionar por financiamento para produzir e distribuir mais recursos que suportem a criação. A resolução pede “uma abordagem coordenada para o contínuo desenvolvimento, em todos os principais idiomas, de recursos de mídia de alta qualidade sobre o relato bíblico das origens e das ciências naturais e da Terra”.

Falando em uma entrevista, Beardsley-Hardy disse que os participantes da conferência têm feito muitos pedidos de materiais e criação de temas. [...] “Eles querem livros didáticos, querem PowerPoints, querem ser capazes de fazer download de algumas das apresentações feitas aqui, para que possam estudá-las por si mesmos e traduzi-las em várias línguas.”

Beardsley-Hardy disse que alguns materiais podem ser encontrados no site da conferência (fscsda.org), e mais será divulgado nas próximas semanas e meses.

Mas, como em qualquer grande conferência, algumas apresentações podem não estar disponíveis por algum tempo, porque seus autores estão preparando a pesquisa para publicação nas principais revistas científicas, disse Beardsley-Hardy, que ajudou a organizar a conferência e é membro do Conselho de Fé e Ciência.

“Algumas das apresentações feitas aqui são pesquisas de ponta, e os apresentadores não podem ter essas apresentações mostradas em outro lugares até que elas sejam publicadas na literatura peer-reviewed”, disse ele. [...]


Leia aqui um PDF da declaração (em inglês).

Atividade solar pode influenciar métodos de datação

Neutrinos alteram taxa de decaimento
Segundo pesquisadores, o Sol, 150 milhões de quilômetros distante, parece estar influenciando a decomposição dos elementos radioativos no interior da Terra. Dado o que sabemos sobre a radioatividade e os neutrinos solares, isso não devia acontecer. Dois cientistas das universidades de Stanford e Purdue acreditam que há uma chance de que uma partícula solar, até então desconhecida, esteja por trás de tudo isso. A grande novidade é que o núcleo do Sol – onde as reações nucleares produzem neutrinos – gira mais lentamente do que a superfície. Esse fenômeno pode explicar a evolução das taxas de decaimento radioativo observada em dois laboratórios distintos. Mas isso não explica por que a mudança acontece. Isso viola as leis da física como as conhecemos. Ao examinar os dados de isótopos radioativos, os investigadores descobriram um desacordo nas taxas de decaimento medidas, o que vai contra a crença de que essas taxas são constantes [grifos meus]. Enquanto procuravam uma explicação, os cientistas se depararam com outra pesquisa, que observou variação sazonal nessas taxas de decadência. Aparentemente, a radioatividade é mais forte no inverno que no verão.

Uma labareda solar sugeriu que o Sol estava envolvido de alguma forma. Um engenheiro nuclear percebeu que a taxa de decaimento de um isótopo médico caiu durante a tempestade solar.

A descoberta poderá ser útil para proteger os astronautas e os satélites – se existe uma correlação entre as taxas de decomposição e a atividade solar, as mudanças nas taxas de decaimento podem fornecer um aviso antecipado de uma iminente tempestade solar.

Mas enquanto isso é uma boa notícia para os astronautas, é má notícia para a física. Os pesquisadores procuraram provas de que as mudanças no decaimento radioativo variam de acordo com a rotação do Sol, e a resposta foi sim, sugerindo que os neutrinos são responsáveis. Mas como o neutrino, que não interage com matéria normal, está afetando o índice de decaimento ninguém sabe.

O que os pesquisadores sugerem é que algo que realmente não interage com nada está mudando algo que não pode ser mudado. Apesar disso, eles dizem que não devemos ter preocupações com os neutrinos solares influenciando o aquecimento do núcleo da Terra. Mas talvez devamos nos preocupar que a nossa compreensão do Sol e da física nuclear é mais fraca do que pensávamos.


Nota: Essa também é uma péssima notícia para os evolucionistas, que sempre acreditaram que fossem constantes as taxas de decaimento dos elementos radioativos dos quais dependem para chegar aos supostos milhões e bilhões de anos de suas datações. Se for confirmada essa influência dos neutrinos, imagine o que aconteceria com a geocronologia evolucionista, levando em conta que a Terra tem estado sob a influência dos neutrinos há milhares de anos. Espero que algum cientista se atreva a tocar nessa crença, digo, nesse assunto. [MB]

Nota do químico Marcos Eberlin, da Unicamp: Raios cósmicos transformam 14N em 14C, que é absorvido pela vida na Terra em uma cascata de eventos extremamente dependente das condições atmosféricas; umidade, por exemplo. Aí o método de detecção de 14C forma íons negativos de 14C que tem sua carga invertida para 14C+3 e depois e depois e depois... são nove processos de separação e manipulação de íons. Um sinal escondido sobre uma corrente iônica doze ordens de grandeza superior a ele. Bilhões de vezes menor. E, no final, o melhor espectro mostrado foi mais ruído que sinal, fora os problemas imensos de contaminação na amostragem e preparação da amostra. Milhões de vezes pior do que achar agulha em um palheiro. Sou da área. Sou espectrometrista de massas. Sou químico analítico, e tenho uma ideia hoje do que é a datação com 14C. Não digo que não funciona. Funciona, sim. Só digo que a chance de o resultado final parecer certo, mas estar errado, é da mesma ordem de grandeza; uns 99,9999999999999999999%.

Sugestão de leitura: A História da Vida. O livro tem um capítulo que trata especificamente dos métodos de datação.

segunda-feira, agosto 25, 2014

Grand Canyon: uma lição sobre a Criação

Participante contempla o Canyon
Centenas de professores adventistas fizeram uma expedição de campo ao Grand Canyon durante todo o dia 20 – e agora tenho uma aula de ciências em primeira mão sobre por que o dilúvio bíblico, em vez de um processo geológico que dura bilhões anos, criou o sítio impressionante no estado americano do Arizona. Mais de 400 pessoas saíram de ônibus de St. George, Utah, na quarta-feira, para uma viagem de três horas para o Grand Canyon. O passeio foi parte da Conferência Internacional de dez dias sobre a Bíblia e a Ciência [confira], que começou na sexta-feira, 15, e contou com a presença de líderes criacionistas adventistas e não adventistas. A conferência, patrocinada pela Igreja Adventista do Sétimo Dia, tem como objetivo reforçar a fé dos educadores adventistas e equipá-los com a mais recentes evidências científicas que suportam os ensinamentos da Bíblia de que Deus criou a vida na Terra em seis dias literais, há cerca de seis mil anos. Com esse objetivo em mente, os organizadores decidiram realizar a conferência perto do Grand Canyon, para que os participantes pudessem ter uma visão em primeira mão de um sítio usado por criacionistas e não criacionistas, para justificar suas posições sobre a idade da Terra.

“Este é um lugar em que você pode ver uma paisagem dramática, que é o resultado do que aconteceu na inundação”, disse Leonard Brand, paleontólogo adventista que estudou o Grand Canyon por quatro décadas e atuou como um guia turístico. “Podemos compreender melhor as origens do Grand Canyon dessa forma”, disse ele. “Não existem boas explicações, se não entendermos nesse contexto.”

Os não criacionistas e os criacionistas concordam em dois pontos gerais sobre o Grand Canyon: foi corroído pela água, e se formou porque a área circundante se ergueu para formar uma montanha larga ou um planalto. Mas não criacionistas dizem que foi o rio Colorado que esculpiu os 277 quilômetros de extensão do Grand Canyon, ao longo de milhões de anos. Eles dizem que as faixas vermelhas, amarelas e marrons expostas na rocha, e que medem cerca de um quilômetro de profundidade, revelam um registro longo da história da Terra, e que cada camada de rocha representa milhões de anos.

Brand, que é professor na Universidade de Loma Linda, ofereceu cinco razões para a interpretação criacionista de que o Canyon é o resultado de uma inundação que devastou o mundo cerca de cinco mil anos atrás.

1. Rio x dilúvio. “Como o Grand Canyon foi esculpido?” Brand, segurando um microfone no banco da frente do Tour Bus nº 7, perguntou a um grupo de 43 participantes, à medida que se aproximava do Canyon: “Qual foi a fonte de água para toda a erosão?” Ele disse que viu problemas com a visão popular de que o rio Colorado poderia ter formado o Canyon. Disse também que muitos cientistas acreditam que o Canyon foi criado ao longo de um período relativamente curto de 17 mil anos. Mas até mesmo em 100 milhões de anos dificilmente haveria tempo suficiente para que o rio realmente realizasse a tarefa gigantesca.

“Pensamos que a melhor explicação é que o Canyon foi esculpido pelo dilúvio: a enorme quantidade de água que cobriu toda a área e se deslocou rapidamente, escavando o Canyon muito rapidamente”, Brand explicou em uma entrevista durante o passeio. “Isso parece mais promissor do que todas aquelas teorias sobre como um rio esculpiu gradualmente ao longo de milhões de anos.”

2. O que criou os cânions laterais? Outra característica do Grand Canyon que é intrigante para as teorias não criacionistas envolve muitas gargantas laterais, que se projetam para fora do cânion principal, disse Brand. A maioria desses cânions laterais não tem uma fonte de água para causar sua erosão, levantando questões sobre como eles foram formados. “Mais uma vez, isso é mais fácil de explicar se você tem uma enorme quantidade de água que flui sobre o Canyon esculpindo-o”, disse Brand.

Reforçando essa teoria, os cientistas reproduziram a forma do Grand Canyon em experimentos de laboratório, cobrindo uma grande área com água e, em seguida, baixando o nível da água, como se a água escorresse, “cortando formas em garganta, como vemos no Arizona”, disse ele.

3. O enigma do Arenito Coconino. As camadas de rocha no Grand Canyon, que muitos cientistas dizem que representam milhões de anos da história da Terra, também contêm evidências contraditórias, disse Brand. Os não criacionistas dizem que um deserto de areia cobria a área do Grand Canyon, e uma camada do Arenito Coconino é o que resta das dunas do deserto, uma vez soprado pelo vento. Mas o Arenito Coconino contém fósseis de animais nas camadas, e as pesquisas mostram que só poderia ter sido formado por animais que estavam andando debaixo d’água, não sobre a areia levada pelo vento, disse Brand, que realizou estudos aprofundados nas trilhas e apresentou suas descobertas numa palestra durante a conferência. “As pegadas de animais são mais bem explicadas como tendo sido feitas debaixo d’água, como seria no dilúvio do Gênesis”, disse ele.

4. Pacote de fóssil calcário. Abaixo, no Grand Canyon, há outra formação rochosa curiosa: uma camada de metros de espessura de pedra calcária com muitos nautilóides, as cascas duras de um antigo animal extinto relacionado com lulas. Um fluxo maciço de água e sedimento parece ser a única maneira de explicar como uma grande camada de nautilóides teria se acumulado em uma camada, e se espalhou por várias centenas de quilômetros. “Não pode haver acúmulo de fósseis em uma camada através de um processo lento, durante longos períodos de tempo”, disse Brand. “Isso tem que ser uma camada que foi inundada de uma vez e de forma bastante rápida.”
 
Luís Daniel Strumiello, diretor da Fadminas, observa os estratos plano-paralelos

5. Camadas de rocha uniformes. Formações rochosas do Grand Canyon, que cobrem milhares e, às vezes, centenas de milhares de quilômetros quadrados, representam a quinta evidência apontanda para uma inundação catastrófica, disse Brand. “Você tem uma camada de arenito que é uniforme ao longo de milhares de quilômetros quadrados”, explicou. “Em nenhum lugar da Terra você pode ver sedimento sendo depositado dessa forma em rios ou lagos hoje. Então, o que aconteceu no passado é muito diferente do que está acontecendo agora”, disse ele. “É preciso um processo geológico especial para explicá-lo, e a inundação é uma excelente maneira de explicá-lo.” [...]

“Minha impressão do Grand Canyon é de admiração”, disse Urias Echterhoff Takatohi, professor de Física do Centro Universitário Adventista de São Paulo, Brasil. Essa foi sua segunda visita ao Canyon, mas ele disse que não estava menos impressionado do que na primeira vez, também durante uma viagem organizada pela igreja. [...]