sexta-feira, outubro 11, 2019

Terraplanista distorce palavras do Nobel de Física


O caçador de exoplanetas Michel Mayor, que recebeu o Prêmio Nobel de Física deste ano, alertou que não se deve esperar que um dia a humanidade possa emigrar para um exoplaneta, pois esses corpos celestes estão muito distantes daqui. O pesquisador suíço respondeu às perguntas da reportagem da agência AFP, e um conhecido terraplanista brasileiro deu uma conotação diferente às palavras do cientista, fazendo com que elas dessem a entender que o ser humano não pode deixar a Terra. Leia a entrevista a seguir e tire suas conclusões.

Pergunta: Qual pesquisa foi recompensada com este Nobel?

Resposta: “Há 24 anos, juntamente com um dos meus colegas (Didier Queloz, também premiado), descobrimos o primeiro planeta que girava em torno de uma estrela diferente (ao Sol). Era uma pergunta antiga debatida pelos filósofos: existem outros mundos no Universo? Desde então, cerca de 4.000 (exoplanetas) ou mais foram descobertos. Buscamos os planetas mais próximos (de nós), que possam se parecer com a Terra. Juntamente com meu colega, começamos essa busca e mostramos que era possível estudá-los.”

P: Existe vida em outra parte do Universo?

R: “Na Via Láctea, temos certeza de que existem muitos planetas rochosos com uma massa semelhante à da Terra a uma distância tal (da estrela) que a temperatura seria adequada para o desenvolvimento da química da vida, mas não sabemos mais nada. Ninguém pode oferecer uma probabilidade de vida em outro lugar [honestidade bem-vinda]. Alguns cientistas dizem que, se todas as condições forem cumpridas, a vida emergirá por conta própria, em uma espécie de emergência natural das leis do Universo. Mas outros dizem: ‘Não, não é verdade, é muito mais complicado.’ Não sabemos nada. A única maneira de conhecer é desenvolver técnicas que nos permitam detectar a vida à distância. A próxima geração terá que responder a essa pergunta!”

P: A humanidade pode emigrar para outro planeta?

R: “Se falarmos sobre planetas extrassolares, deixemos as coisas claras: não emigraremos para eles. Esses planetas estão muito, muito distantes [grifo meu]. Mesmo no caso muito otimista de um planeta habitável não muito distante, digamos algumas dezenas de anos-luz, como se fosse ‘nos arredores’, o tempo para chegar lá é considerável. Seriam centenas de milhões de dias com os meios atuais. Vamos prestar atenção ao nosso planeta. É muito bonito e ainda bastante habitável. [...] Todas as declarações do tipo ‘Um dia iremos a um planeta habitável se a vida não for possível na Terra’ devem ser descartadas. É algo completamente louco.”


Nota 1: De fato, com a tecnologia de que dispomos hoje, é impossível alcançar esses planetas distantes. No entanto, após a volta de Jesus, tudo será diferente. Veja o que escreveu Ellen White no fim do seu best-seller O Grande Conflito: “Todos os tesouros do Universo estarão abertos ao estudo dos remidos de Deus. Livres da mortalidade, alçarão voo incansável para os mundos distantes – mundos que fremiram de tristeza ante o espetáculo da desgraça humana, e ressoaram com cânticos de alegria ao ouvir as novas de uma alma resgatada. Com indizível deleite os filhos da Terra entram de posse da alegria e sabedoria dos seres não-caídos. Participam dos tesouros do saber e entendimento adquiridos durante séculos e séculos, na contemplação da obra de Deus. Com visão desanuviada olham para a glória da criação, achando-se sóis, estrelas e sistemas planetários, todos na sua indicada ordem, a circular em redor do trono da Divindade. Em todas as coisas, desde a mínima até à maior, está escrito o nome do Criador, e em todas se manifestam as riquezas de Seu poder” (p. 677, 678; grifos meus). Pois é: a Terra não é o centro do Universo, e existem, sim, estrelas e sistemas planetários longe daqui. Ellen White também sabia disso no século 19, e nos anima com a esperança de que um dia conheceremos esses mundos! [MB]

Nota 2: Como eu disse na introdução do texto acima, um dos mais famosos terraplanistas do Brasil (o pessoal que acredita que a Terra é plana e coberta por um domo sólido instransponível) valeu-se das palavras do Dr. Michel Mayor e postou um vídeo sugerindo que o cientista teria dito que ninguém pode deixar a Terra. Foi isso o que você leu nas respostas do Mayor? Ele deixou bem claro que o ser humano não poderá alcançar os exoplanetas por causa da distância, e não devido a um domo imaginário. [MB]

Nota 3: Terraplanistas adventistas (são poucos, mas lamentavelmente existem), mais uma vez vocês precisam decidir se ficam do lado dos defensores da Terra plana ou com a escritora inspirada e uma das pioneiras da igreja da qual vocês levam o nome, pois ela (Ellen White) não só afirma que nosso planeta é esférico (veja os textos abaixo), como escreveu que um dia poderemos voar para fora dele até os mundos distantes. [MB]

quarta-feira, outubro 09, 2019

Terra foi "martelada" por impacto duplo de asteroides

Todos nós já vimos filmes nos quais um asteroide vem até o nosso planeta, ameaçando a civilização. O que é menos conhecido é que, às vezes, esses pedregulhos espaciais vêm em pares. Pesquisadores encontraram algumas das melhores evidências disponíveis para um impacto espacial duplo, quando um asteroide e sua lua aparentemente atingiram a Terra um após o outro. Usando fósseis minúsculos semelhantes aos dos plânctons, eles concluíram que crateras vizinhas na Suécia têm a mesma idade: 458 milhões de anos (segundo a cronologia evolucionista). Detalhes desse trabalho foram apresentados no 45º Congresso de Ciências Planetárias e Lunares em The Woodlands, Texas (EUA), e os achados devem ser publicados no periódico científico Meteorics and Planetary Science Journal.

Porém, os cientistas chamaram a atenção para o fato de que crateras aparentemente contemporâneas podem ter sido criadas com semanas, meses ou mesmo anos de diferença entre umas e outras. Um punhado de possíveis impactos duplos ("doublets") são já conhecidos na Terra, mas o Dr. Jens Ormo diz que não existe consenso sobre a precisão das datas atribuídas a essas crateras. "Crateras de impactos duplos precisam ser da mesma idade, do contrário, elas podem ser apenas duas crateras próximas uma da outra", disse o pesquisador do Centro de Astrobiologia em Madrid (Espanha) à BBC News.

O Dr. Ormo e seus colegas estudaram duas crateras chamadas Lockne e Malingen, que repousam a cerca de 16 km de distância uma da outra no norte da Suécia. Medindo cerca de 7,5 km de diâmetro, Lockne é a maior das duas estruturas; Malingen, que está à sudoeste, é cerca de 10 vezes menor.

Considera-se que asteroides binários são formados quando um tipo de asteroide chamado "pilha de detritos" começa a girar tão rápido sob a influência da luz do Sol que alguma rocha solta é atirada do equador do objeto para formar uma lua pequena. Observações de telescópio sugerem que 15% dos asteroides próximos à Terra são binários, mas a porcentagem [desse tipo] de crateras de impacto na Terra provavelmente seja menor.

Apenas uma fração dos [asteroides] binários que atingem a Terra vão ter a separação necessária entre o objeto e sua lua para produzir crateras separadas (aqueles que estão muito próximos uns aos outros vão produzir estruturas [de impacto no solo] superpostas).

Cálculos sugerem que em torno de 3% das crateras de impacto na Terra devem ser "doublets" - um número que condiz com a quantidade de [asteroides] candidatos já encontrados pelos cientistas.

As características geológicas não usuais, tanto das crateras Lockne quanto Malingen, têm sido reconhecidas desde a primeira metade do século 20. Mas levou até meados dos anos 1990 para que Lockne fosse reconhecida como uma cratera de impacto terrestre.

Em anos recentes, o Dr. Ormo perfurou cerca de 145 m na estrutura da cratera Malingen, através dos sedimentos que a preenchem, até as rochas esmagadas conhecidas como breccias, e ainda mais fundo, alcançando a rocha intacta que está abaixo. Análises de laboratório das rochas breccias revelaram a presença de quartzo de impacto, uma forma do mineral quartzo criada sob a pressão associada com impactos de asteroides.

Essa área era coberta por um mar raso à época do impacto relativo à cratera Lockne, então sedimentos marinhos devem ter começado a preencher quaisquer crateras de impacto imediatamente após elas terem sido criadas. [N.T.: interessantemente... os impactos ocorreram em uma área que hoje é terra, mas que à época era mar. Não é difícil imaginar esse cenário ocorrendo em um contexto de dilúvio global, como descrito na Bíblia.]

A equipe do Dr. Ormo definiu a data para a estrutura Malingen usando fósseis de criaturas marinhas minúsculas chamadas quitinozoários, encontrados em rochas sedimentares naquele local. O método da equipe, conhecido como bioestratigrafia, permite aos geólogos associar datas relativas às rochas associadas ao tipo de criaturas encontradas no meio delas. [N.T.: um método subjetivo e totalmente exposto ao viés evolucionista de interpretação da paleontologia e da geologia.]

Os resultados revelaram que a estrutura da cratera Malingen era da mesma idade que a de Lockne - cerca de 458 milhões de anos (segundo a cronologia evolucionista). Isso parece confirmar que a área foi atingida por um impacto duplo de asteroides durante o Período Ordoviciano (de acordo com a coluna geológica evolucionista).

O Dr. Gareth Collins, que estuda impactos de crateras no Colégio Imperial de Londres, e que não estava envolvido na pesquisa, disse à BBC News: "Como nos faltam testemunhas dos impactos, é impossível provar que duas crateras próximas foram formadas simultaneamente. Mas a evidência, nesse caso, é muito convincente. A proximidade e a consistência nas estimativas de idade fazem com que um impacto duplo seja a causa provável."

Simulações sugerem que o asteroide que criou a cratera Locke tinha cerca de 600 metros de diâmetro, enquanto o que produziu a cratera Malingen tinha cerca de 250 metros. Essas medidas são um pouco maiores do que o que poderia ser sugerido pelas suas crateras devido às mecânicas de impactos em ambientes marinhos.

O Dr. Ormo adicionou que as crateras Malingen e Lockne estavam na distância correta para terem sido criadas por um asteroide binário. Como mencionado, se duas rochas espaciais estão muito próximas, as crateras irão se sobrepor. Mas para serem classificadas como um "doublet", as crateras não devem estar muito longe uma da outra, porque elas excederiam a distância máxima a que um asteroide e sua lua podem estar presos por forças gravitacionais.

"O asteroide que causou o impacto Lockne era grande o suficiente para gerar o que é conhecido como uma explosão atmosférica, em que a atmosfera acima do ponto de impacto é expelida", disse o Dr. Ormo. Isso pode fazer com que o material do impacto do asteroide seja espalhado ao redor do globo, como aconteceu durante o impacto Chicxulub, considerado o que matou os dinossauros há 66 milhões de anos (sic).

O evento do Ordoviciano não foi poderoso o suficiente para que aquele material pudesse ser rastreado, pois possivelmente estava muito diluído na atmosfera. Mas o impacto teria produzido efeitos regionais; por exemplo, todas as criaturas marinhas suficientemente sem sorte para estarem nadando por ali naquele momento devem ter sido vaporizadas instantaneamente.

Outras crateras candidatas a impactos duplos incluem Clearwater Leste e Oeste, em Quebec, Canadá; Kamensk e Gusev, no sul da Rússia; e Ries e Stenheim, no sul da Alemanha.

Nota: Impressiona o fato de que a Terra foi acossada por numerosos impactos de asteroides que causaram profundas transformações no clima e na geologia do planeta, com consequências drásticas à vida em todos os lugares. O modelo criacionista do dilúvio bíblico prevê que uma das principais causas ou "ferramentas" da grande inundação tenha sido o choque de objetos espaciais com o nosso planeta. 

Impactos duplos de asteroides são evidências que fortalecem essa ideia, embora os métodos de datação evolucionistas dificultem ver como essa sequência de eventos pode ter sido produzida em um curto espaço de tempo. 


No entanto, como comentei em meio ao texto da reportagem traduzida, em todos os casos os métodos de datação evolucionista são subjetivos ou inferenciados sobre premissas naturalistas. 


De qualquer forma, o registro geológico da Terra permite concluir que esses impactos celestes foram em número e magnitude suficientes para terem produzido reações geológicas em cadeia, com potencial mais do que suficiente de eliminar a vida em escala global. 


Examinar essas evidências à luz da Bíblia não apenas satisfaz uma curiosidade do estudante das Escrituras sobre a história não contada do nosso lar terrestre, mas, também, e principalmente, fortalece a fé no relato sagrado. Relato esse que pode ser confirmado por elementos reais e que são amplamente estudados pela ciência secular. 


Link para a matéria original: https://www.bbc.com/news/science-environment-26172181

Terraplanistas são destruidores de reputação

Ao assistir (muito a contragosto, admito) a alguns canais defensores da ideia da Terra plana, tenho percebido um padrão na argumentação deles: (1) a Terra plana é um “fato inquestionável”, tornando-se praticamente uma religião; (2) como a Terra, para eles, é plana, a força da gravidade não pode existir; (3) Isaac Newton e outros cientistas demonstraram a existência da gravidade, logo, são impostores; (4) como matemática e ciência profunda não interessam aos terraplanistas e seus seguidores, é preciso destruir a reputação dos cientistas “globalistas”; (5) por outro lado, quem defende a Terra plana, independentemente do que pense sobre outros assuntos, está no grupinho e é defendido a todo custo.
Aconteceu de novo recentemente. O canal terraplanista e negacionista da ida do homem à Lua “Inteligentista” apresentou uma defesa de Isaac Newton e contestou o geofísico terraplanista Afonso Vasconcelos, afirmando que ele teria exagerado em suas opiniões sobre o cientista inglês descobridor do cálculo e responsável por avanços científicos em diversas áreas do conhecimento e da tecnologia. Afonso gravou um vídeo novo com mais forçação de barra para tentar “provar” que Newton não teria sido um cristão sincero (como se pudesse ler o coração de alguém), depois de ter insinuado em um vídeo anterior que ele seria mais inteligente que Newton, pois este não sabia programar computadores como ele (!).

quinta-feira, outubro 03, 2019

O criacionismo e o novo espetáculo paralelo de Satanás

Em meados do século 19, Deus despertou pessoas em várias religiões com uma mensagem de advertência ao mundo: Jesus estava voltando e Seu juízo era iminente. Homens e mulheres sinceros e dedicados a Deus se puseram a estudar a Bíblia. Nos Estados Unidos, o ex-deísta e pregador batista William Miller foi figura de destaque. No Chile, o padre jesuíta Manuel Lacunza escreveu um livro sobre a volta de Jesus. Na Europa também houve os que tiveram a atenção voltada para as profecias apocalípticas. O mundo (especialmente a América) experimentou um verdadeiro reavivamento espiritual. Multidões aguardavam com expectativa a segunda vinda de Cristo (de acordo com a revista Reader’s Digest, cerca de um milhão de pessoas, só nos Estados Unidos, que na época tinham uma população na casa dos 17 milhões). O estudo das profecias de Daniel levou os mileritas (como ficaram conhecidos os seguidores de Miller) a concluir corretamente que algo especial ocorreria em 22 de outubro de 1844. Eles acertaram a data, mas erraram o evento. E disso decorreu grande decepção – o evento que passou para a história como o Grande Desapontamento de 1844.

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Isaac Newton era ocultista?

Já escutou que Isaac Newton, que para muitos foi o maior cientista de todos os tempos, não era cristão? Há bons esclarecimentos no vídeo abaixo (essa moça cursou doutorado em Física na França e faz pós-doutorado no CERN do Japão). Ela não é religiosa, mas é mais equilibrada que muitos ditos cristãos, inclusive não vendo problema nos estudos que Newton fez da Bíblia. Chega mesmo a comentar a visão dele de buscar unir ciência e religião como não sendo algo anticientífico, mas uma motivação pela curiosidade, pelo rigor e pela busca por desenvolver tudo que fez em direção à verdade. Ela também comenta a acusação de que Newton era da Rosa-Cruz.

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