quinta-feira, junho 22, 2017

Sopa primordial #5: laboratório vs. natureza

A experiência de Miller foi controlada em laboratório. Mas seria válida se fosse feita na natureza? Por exemplo, na natureza, os elementos químicos quase nunca são encontrados em estado puro. Como resultado, ninguém pode predizer com certeza que reações acontecerão. Substancias A e B podem reagir efetivamente no laboratório, onde formas purificadas e isoladas são usadas. Mas, na natureza, há quase sempre outros elementos químicos – C e D - ao redor, o que significa que a substancia A pode reagir com C ao invés de reagir com B, rendendo resultado completamente diferente do que o cientista esperava. Em outras palavras, na natureza há todo tipo de reação concorrente. Desse modo, como os cientistas evitam o problema das reações concorrentes? Eles destampam suas garrafas e derramam somente ingredientes puros e isolados. Quando a experiência envolve mais do que um passo, tal como ir de aminoácidos para proteínas, os pesquisadores reiniciam cada passo com ingredientes novos. Obviamente, isso frauda o experimento. 

Isso é o que dá ficar marcando datas para o fim

Ele estava no auge da carreira quando decidiu abandonar o futebol. A razão? Preparar-se para o fim do mundo. A religião sempre teve um papel central na vida de Carlos Roa, internacional argentino que, aos 29 anos, recusou propostas milionárias e desapareceu durante alguns meses. O tempo passado em isolamento, nas montanhas, permitiu ao goleiro “ficar mais próximo da família”. Quando sentiu falta do futebol, regressou “relaxado e feliz” – mas o tempo dele já tinha passado, e a carreira não voltaria a ser o que era. Carlos Roa não teve um início fácil: estreou no campeonato argentino aos 19 anos, pelo Racing Avellaneda. [...] A aventura europeia começou em 1997-98. [...] Veio o Verão e Carlos Roa juntou-se à seleção argentina para o Mundial 1998. Titular indiscutível na equipe de Daniel Passarella, não sofreu qualquer gol na fase de grupos e voltou a ser decisivo nos pênaltis, perante a Inglaterra, nas oitavas-de-final. [...]

Roa era um herói nacional e na época, 1998-99, foi eleito o melhor goleiro do campeonato espanhol. Havia sobre a mesa uma proposta milionária do Manchester United, mas o goleiro tinha tomado a decisão de abandonar o futebol para dedicar-se a “transmitir a palavra de Deus”, como pastor [sic] da Igreja Adventista do Sétimo Dia. À semelhança de outros crentes, acreditava que a mudança de milénio traria o fim do mundo. A camiseta 13 do Maiorca (“O 1 é Deus, a criação, e o 3 porque Cristo ressuscitou ao terceiro dia”) deixou de ter dono, Roa libertou-se de todos os bens e retirou-se para um lugar incerto.


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(Quase) tudo o que Ellen White disse sobre a natureza humana de Cristo

O assunto da natureza humana de Cristo representa uma das principais discussões teológicas no meio adventista desde a década de 1950. Cristo era semelhante a Adão antes da Queda (posição pré-lapsariana)? Ou semelhante a Adão depois da Queda (posição pós-lapsariana)? Além disso, Cristo tinha ou não propensões (tendências) para o pecado? Essas questões possuem a maior relevância teológica e prática, mas abordá-las vai além dos objetivos deste texto. Um dos estudos mais importantes sobre o tema é o livro de Woodrow W. Whidden, Ellen White e a Humanidade de Cristo (CPB, 2003). No apêndice B, “O que diz Ellen White sobre a humanidade de Cristo” (p. 139-198), Whidden busca reunir TODOS os textos escritos pela autora a respeito do assunto, incluindo todas as declarações usadas pelos defensores de ambas as posições. Há vários anos, quando li esse livro como requisito da faculdade de Teologia, tentei sistematizar o conteúdo do apêndice. Compilei todas as declarações significativas de Ellen White sobre a natureza humana de Cristo em quatro tópicos: (1) Sua natureza humana era sem pecado; (2) não tinha propensões para o pecado; (3) assumiu uma natureza humana caída e (4) conhecia as paixões humanas.

quarta-feira, junho 21, 2017

Outros planetas Terra? Astrônomo dá um banho de realidade



Como já havia feito no começo do ano (confira), a Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) anunciou a no último dia 19, em entrevista na Califórnia, a descoberta de dez planetas “semelhantes à Terra”. O documento tem como base dados do telescópio espacial Kepler. Segundo a Nasa, são apenas indícios e ainda é preciso mais dados para uma classificação acurada. Mesmo assim, como aconteceu no começo do ano, já foi o suficiente para a mídia espalhar a notícia de que foram descobertas mais “dez Terras” (parece que já se esqueceram da decepção com o sistema Trappist-1...). Descobertas de novos planetas e sistemas solares mexem com o imaginário das pessoas. Boris Casoy, Fernando Mitre e convidados discutem no vídeo abaixo se há vida fora da Terra com o astrônomo Jorge Meléndez [foto acima]. E recebem dele um banho de realidade.

terça-feira, junho 20, 2017

Deus me criou: palestra criacionista em Libras

Nesta palestra, apresentada na Igreja Adventista Central do Rio de Janeiro, conto um pouco da minha conversão de evolucionista a criacionista e dos principais argumentos que me fizeram mudar de cosmovisão. Trato especificamente das revelações natural e especial, ou seja, a natureza vista sob a ótica da ciência experimental e a Bíblia, analisada à luz da ciência e da arqueologia. Convido-o a assistir a este vídeo com a mente e o coração abertos, exercendo o mesmo ceticismo sadio que me fez duvidar para crer. O diferencial deste vídeo está na tradução para a Língua Brasileira de Sinais (Libras). [MB]

No Canadá, quem contestar ideologia de gênero poderá ser preso

Após o Canadá aprovar uma lei controversa que permite ao governo retirar as crianças de famílias que se recusam a aceitar a opção dos filhos por determinada “identidade de gênero” ou “expressão de gênero”, o Senado canadense vai mais fundo na imposição dessa agenda. Uma nova legislação poderá fazer com que todos aqueles que negam a ideologia de gênero sejam culpados de cometer “crimes de ódio”. Sendo assim, esses cidadãos poderão ser multados, obrigados a passar por um treinamento antipreconceito ou mesmo serem presos. O projeto de lei foi aprovado recentemente pelo Senado do Canadá por 67 a 11. Após mais de um ano de tramitação, essa nova lei visa oferecer “proteção à identidade e expressão de gênero”, adicionando isso ao Código de Direitos Humanos do país, usando as mesmas punições previstas pelo direito penal.

A medida ainda precisa ser aprovada pela Câmara dos Comuns do Parlamento – equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil. A Ministra da Justiça Jody Wilson-Raybould defendeu o projeto em nota oficial, na qual afirma: “No Canadá, celebramos a inclusão e a diversidade, pois todos os canadenses deveriam sentir-se seguros para serem eles mesmos. Os trans e as pessoas com diversas identidades de gênero devem ter o mesmo status na sociedade canadense. Este projeto faz com que esse status seja explícito.”

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Sopa primordial #4: o problema matemático

Muito antes da era da informação, pensava-se que as células eram muito simples, e era fácil raciocinar que a vida tivesse surgido por acaso. O próprio Darwin pensava que a célula era um simples protoplasma disforme, e ele concluiu que ela se desenvolveu em um “pequeno lago quente”. Mas, quando a humanidade começou a descobrir a maravilhosa complexidade da célula, tornou-se cada vez mais difícil se apegar a teorias do acaso. Os biólogos geralmente se refugiavam na ideia de um tempo quase infinito. Em razão disso - argumentavam - qualquer coisa pode acontecer. Ao longo de milhões de anos, o inesperado se torna provável e o improvável é transformado em inevitável. Por um período, os biólogos se saíram com essa argumentação - somente porque o número de milênios evocado era tão imenso que ninguém seria capaz de conceber o que aquele tipo de escala de tempo realmente significava.

Mas a revolução do computador colocou em xeque as hipóteses de que a vida tenha surgido por acaso. No início dos anos 1960, matemáticos começaram a escrever programas para simular cada processo debaixo do sol, e eles colocaram os olhos sobre a própria evolução. Debruçados sobre computadores de alta velocidade, simularam o processo de tentativa-e-erro da evolução neodarwiniana ao longo de equivalentes bilhões de anos. O resultado foi estremecedor: os computadores mostraram que a probabilidade de a evolução ter acontecido por um processo ocasional é essencialmente zero, não importando quanto tempo levasse.

segunda-feira, junho 19, 2017

As duas revelações (parte 4): o naturalismo e o niilismo

O problema da razão humana dissociada da ideia de Deus pôde ser apreciado, em pequena escala, durante a Revolução Francesa: seus ideais foram Liberdade, Igualdade, Fraternidade. A religião cristã tornou-se ilegal durante o período de descristianização[1] e foi instituído um culto à Razão, que teve até uma cerimônia realizada na Catedral de Notre Dame, em Paris, 1793.[2] A situação culminou no Reinado de Terror, durante o qual uma onda de execuções se seguiu contra qualquer suspeito de ser inimigo da Revolução. Milhares morreram em prisões ou sem julgamento.[3] Após isso, a religião foi restabelecida na França.

O filósofo grego Tales é considerado o pai do naturalismo. Ele acreditava que o cosmos era composto por modificações infinitas de uma única substância: a água. Nos séculos 17 e 18, os filósofos buscaram desmistificar as fontes de poder e hierarquia. “Com a gradual divulgação da visão de mundo naturalista por amplos setores da classe intelectual europeia no século 19, movimentos de reforma humanitária foram inaugurados, os quais entendiam a doença, a guerra, a fome, o crime, a insanidade, a escravidão, a desigualdade da mulher e a pobreza como patologias remediáveis causadas naturalmente, não como expressões do ‘pecado original’ ou o reflexo de uma hierarquia social inalterável.”[4]

Em 1859, Darwin publicou a Origem das Espécies, e forneceu à Biologia uma visão naturalista da origem dos seres vivos. As ideias de Darwin são baseadas em observações e deduções extraídas da natureza; não podem, contudo, ser entendidas como sendo Ciência no sentido em que a palavra foi usada por seus pioneiros. Contudo, suas conclusões “ajudaram a dar origem a uma nova escola de filosofia americana, conhecida como naturalismo, que emergiu como uma alternativa à filosofia tradicional, fundamentando o pensamento filosófico totalmente na natureza”.[4]

A sociedade pós-moderna é o resultado da filosofia preponderante de seu tempo. Acredita-se que as mentes pensantes que mais influenciaram nossa época foram Darwin, Marx, Nietzsche e Freud, cada um em sua respectiva área. Darwin estabeleceu a seleção natural, a luta pela sobrevivência e a vitória do mais forte. Marx colocou todas as crenças e valores subordinados aos modos de produção e descartou a religião como “ópio do povo”. Freud colocou toda motivação humana centralizada na libido reprimida. Nietzsche anunciou a morte de Deus e a falta de sentido em uma moralidade absoluta, mas previu que essa falta de valores redundaria em niilismo (do latim nihil, nada).[5]

Nietzsche acreditava que o cuidado dos doentes e sofredores por religiosos faria com que a raça europeia degenerasse. “Eles se esforçam por preservar e manter vivo o que quer que possa ser preservado; de fato, quanto às religiões para sofredores, elas assumem a estes por princípio; estão sempre a favor daqueles que sofrem tanto na vida quanto de uma doença, e se afanam por tratar todas as outras experiências da vida como falsas e impossíveis. Conquanto possamos estimar altamente essa indulgência e esse cuidado preservador (na medida que se aplicando a outros, tem sido aplicada, e se aplica também ao mais intensamente e usualmente sofredores tipos de homem), as até agora supremas religiões – para dar uma apreciação geral delas – estão entre as principais causas que têm mantido o tipo do ‘homem’ em um mais baixo nível – elas têm preservado muito o que deveria ter perecido. Deve-se agradecer a elas por inestimáveis serviços; e quem é suficientemente rico em gratidão para não se sentir pobre na contemplação de tudo o que os ‘homens espirituais’ do Cristianismo têm feito pela Europa até aqui! Mas quando eles têm dado conforto aos sofredores, coragem ao oprimido e desesperado, esteio e apoio ao desamparado, e quando eles atraem da sociedade para conventos e penitenciárias espirituais os de coração partido e maltratados: o que mais eles fazem a fim de trabalhar sistematicamente dessa forma, e com uma boa consciência, para a preservação de todos os doentes e sofredores, que significa, de fato e em verdade, trabalhar para a deterioração da raça europeia?”[6]

Ao longo do século 20, o otimismo anterior dos filósofos com relação aos resultados de uma sociedade fundada sobre a razão humana e o naturalismo deram lugar ao pessimismo e a uma visão catastrófica do futuro. Basta que comparemos com os filmes contemporâneos os primeiros filmes e as séries de ficção científica, como, por exemplo, Star Trek, em que o ser humano supera todas as desigualdades, guerras e fome, e a humanidade próspera e, evoluída, parte em busca de novas civilizações. Já os filmes mais recentes exploram realidades pós-apocalípticas, sociedades em que não existem sentimentos, liberdade, privacidade, etc. O mundo que seria regulado pela razão, igualdade, liberdade e fraternidade viveu duas grandes guerras e experimentou os horrores do Nazismo, que cria poder desenvolver uma raça superior (acreditava basear-se na evolução darwiniana). Testemunhou, também, o efeito da ameaça nuclear, e, atualmente, uma das epidemias que destrói mais vidas é a onda crescente de suicídios.

Nietzsche tinha razão quando previu a sociedade desfazendo-se no vazio devido à ausência de valores morais absolutos. É possível construir valores morais relativos na ausência de Deus, e valores relativos dependem da sociedade em que se vive. Só que esses valores, como a sociedade humana, são mutáveis e circunstanciais, e não podem ser mais fortes que os impulsos humanos sem Deus. O resultado é o mundo atual: ecologicamente falido, violento, economicamente instável e repleto de medo e loucura.

(Continua…)

(Graça Lütz é bióloga e bioquímica)

Referências: 
[1] KALTHOFF, M. Faith and terror: Religion in the french revolution. http://scholar.colorado.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=2091&context=honr theses 1 4 2015
[4] PRADO, I. Ionian enchantment: A brief history of scientific naturalism. http://www.naturalism.org/worldview-naturalism/history-of-naturalism 6 2006
[5] HORN, P. Twentieth-century perspectives on culture. https://www.eolss.net/Sample-Chapters/C04/E6-23-05.pdf
[6] NIETZSCHE, F. Beyond good and evil. http://www.gutenberg.org/cache/epub/4363/pg4363.txt 7 12 2009

sexta-feira, junho 16, 2017

Criacionismo para crianças?

A pesquisadora Anne Lizie Hirle, editora associada da revista Nosso Amiguinho, da Casa Publicadora Brasileira (CPB), apresenta nesta palestra uma pesquisa que ela desenvolveu como resultado de sua pós-graduação pelo Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), sob orientação do jornalista e mestre em Teologia Michelson Borges. Seu estudo derruba certos mitos como o seguinte: "Ciência não é assunto para crianças." A pesquisa mostrou que a criança, a partir dos sete anos de idade, já se mostra apta para entrar em contato com conceitos científicos, pois já conta com recursos cognitivos variados, como observação, formulação e teste de hipóteses, e processos de generalização e abstração.

Incoerências da evolução teísta


Os evolucionistas teístas tentam misturar o conceito bíblico de criação com a teoria da evolução das espécies, evitando, assim, os debates inerentes à controvérsia entre os dois modelos. Será que essa fusão é possível? Se não, que incoerências e aberrações teológicas são geradas por essa tentativa de conciliação? Neste vídeo, gravado no arquipélago de Galápagos, o jornalista Michelson Borges trata desse assunto e mostra que o evolucionismo teísta é, na verdade, a união de má ciência com péssima teologia. Assista e tire suas conclusões.

quarta-feira, junho 14, 2017

Pássaro de “cem milhões de anos” era um... pássaro

Um pássaro do período Cretáceo, com idade estimada em cem milhões de anos [segundo a cronologia evolucionista], foi encontrado em ótimo estado de conservação por cientistas. Sorte dos palentólogos, azar do passarinho: de acordo com os pesquisadores, a ave tinha apenas alguns dias de vida quando ficou presa em uma poça de seiva de uma árvore, o que permitiu a conservação por tampo tempo. Na amostra, a cabeça, o pescoço, as asas, a cauda e as patas puderam ser analisadas. Uma recriação do animal à lá Jurassic Park infelizmente não será possível, já que não foram encontrados vestígios de DNA utilizável – a pele do pássaro também desapareceu e se converteu em carbono ao longo dos [supostos] milhões de anos. Foi possível, no entanto, encontrar os vestígios das tonalidades de cor das penas, que eram marrons. Os paleontólogos afirmam que essa espécie de animal conviveu ao lado dos [supostos] ancentrais dos pássaros modernos e foi extinta junto dos dinossauros, há 66 milhões de anos. Resta saber por que os tataravós dos passarinhos de hoje conseguiram sobreviver e ter melhor sorte do que seus colegas voadores. A amostra de âmbar estava havia alguns anos em posse de um museu da China, mas só recentemente os pesquisadores se deram conta da importância do registro palentológico. Lida Xing, cientista da Universidade de Geociências de Pequim, liderou os estudos para pesquisar o animal.  
Detalhes da asa; à direita, acima, uma aranha que era uma... aranha

Nota: Sempre que um ser vivo é encontrado bem preservado na forma fóssil, uma pergunta fica no ar: Como podem animais (ou plantas) supostamente tão antigos ser tão parecidos com suas versões atuais? Como podem ser já tão complexos há tantos supostos milhões de anos e não haver ancestrais evolutivos menos complexos? No caso do passarinho acima, pelo que tudo indica, ele já tinha capacidade de voo, o que significa que dispunha desse complexo mecanismo de locomoção (confira). Além das penas, da anatomia própria e de outros detalhes necessários, o pássaro precisava de neurônios especializados que lhe possibilitassem controlar a habilidade de voar. Tudo isso há “cem milhões de anos”, igualzinho aos pássaros atuais (o que lembra mais Gênesis 1:21). Ou a datação falhou ou a árvore evolutiva falhou. Os evolucionistas estão constantemente criticando, revisando e alterando detalhes na árvore evolutiva, removendo um ramo de um lugar e colocando em outro, revendo ordem de coisas, conectando coisas que antes estavam separadas, separando coisas que antes estavam conectadas. O que não aceitam questionar é a existência da árvore em si. Assim, não há como refutar a evolução porque ela é vaga o suficiente para permitir explicação ad hoc para qualquer coisa. Na nomenclatura de Popper, não é falseável. 

Outra coisa que fica evidente é a questão de uso/não-uso de métodos da ciência. Comparemos, por exemplo, o framework chamado Mecânica Quântica com o framework do neodarwinismo. Ambos lidam com fenômenos envolvendo aleatoriedade. No experimento da dupla fenda, não se pode prever onde o elétron vai interagir com o anteparo final, mas se consegue calcular uma distribuição de probabilidade que pode ser confirmada/refutada pelo resultado de muitos eventos. Existe uma previsão feita pelo framework, não apenas explicações ad hoc depois de se observarem fenômenos. Já no framework neodarwiniano, observam-se fenômenos e formulam-se explicações ad hoc. Pode-se até imaginar em que uma espécie pode se transformar com o tempo, mas o modelo sozinho não gera um espectro de possibilidades com suas respectivas probabilidades dadas as condições ambientais ao longo do tempo. Esse é um exemplo clássico de diferença entre um framework científico e um meramente conceitual. O mesmo tipo de diferença existe entre teorias científicas e modelos meramente conceituais.

Finalmente, é bom que fique cada vez mais claro que aves e répteis como os dinossauros parece que sempre foram contemporâneos; portanto, eles não foram ancestrais delas. [MB, EL, AK]

Leia outros textos reveladores sobre seres vivos presos em âmbar (clique aqui).

Design inteligente, criacionismo e outras coisas

Nesta entrevista concedida a um representante do Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira (Numar-SCB), o jornalista, escritor e mestre em Teologia Michelson Borges conta um pouco de sua experiência como ex-evolucionista, como conheceu o criacionismo e fala também sobre a teoria do design inteligente e as evidências de que Deus é esse designer, que deixou clara, de modo especial, Sua mensagem na Bíblia Sagrada. 

terça-feira, junho 13, 2017

As duas revelações (parte 3): a Idade Média e a Revolução Científica

Comumente se acredita que a Idade Média, também conhecida como Idade Escura, foi uma época de trevas e superstição, uma época em que houve pouco progresso no conhecimento e na qualidade de vida. Os pensadores racionalistas dos séculos 17 e 18 rejeitaram aquela visão de mundo baseada no poder da Igreja e do rei.[1] [2] Junto com o abuso de poder pela Igreja e pela Monarquia, porém, um grande número deles rejeitou a religião e o Deus bíblico, acreditando que foram eles a causa daquele tipo de mundo. Foi a religião da Idade Média fruto dos ensinamentos bíblicos? Estava ela seguindo as instruções deixadas por Cristo e os apóstolos? A Igreja Cristã fundada por Cristo e os apóstolos foi perseguida em seu início pelos imperadores romanos. A mudança ocorreu quando o imperador Constantino, aparentemente, se converteu ao Cristianismo.

“A adesão de Constantino ao Cristianismo assegurou a exposição de todos os seus súditos à religião e ele obteve não pouco domínio. Ele também estabeleceu o domingo como um feriado romano oficial de modo que mais pessoas pudessem comparecer à igreja e tornou as igrejas isentas de impostos. No entanto, muitas das mesmas coisas que ajudaram o Cristianismo a se espalhar subtraíram dele seu significado pessoal e promoveram corrupção e hipocrisia. Muitas pessoas eram atraídas à Igreja por causa do dinheiro e das posições favoráveis que Constantino disponibilizava para elas, ao invés do que pela piedade. [...] Constantino acreditava que a Igreja e o Estado deviam ser tão íntimos quanto possível. De 312 a 320, Constantino foi tolerante com o paganismo, mantendo deuses pagãos nas moedas e retendo seu título pagão de sumo sacerdote, ‘Pontífice Máximo’, a fim de manter a popularidade com seus súditos, indicando que possivelmente ele nunca entendeu a teologia do Cristianismo. De 320 a 330, ele começou a atacar o paganismo por meio do governo, mas, em muitos casos, persuadia o povo a seguir as leis combinando a adoração pagã com o Cristianismo.”[3]

A religião cristã manteve-se relativamente pura e fiel aos ensinamentos de Cristo e dos apóstolos enquanto era perseguida, mas quando obteve o favor do Estado, ela começou a fazer concessões em troca de favores. A pureza da mensagem foi obliterada em favor da popularidade e do poder. A religião cristã absorveu muito do paganismo.

O cardeal Gibbons explica o que aconteceu com a Igreja nesse tempo: “Constantino concedeu à Igreja Romana munificentes doações de dinheiro e estado real, os quais aumentaram por subvenções adicionais de imperadores subsequentes. Consequentemente, o patrimônio dos pontífices romanos logo se tornou bastante considerável. [...] Um acontecimento que ocorreu no reinado de Constantino pavimentou o caminho para a jurisdição parcial que os pontífices romanos começaram a experimentar sobre Roma e que eles continuaram a exercer até que obtiveram plena soberania nos dias do rei Pepino da França. No ano 327, o imperador Constantino transferiu o trono do império de Roma para Constantinopla, a atual capital da Turquia. [...] Abandonada a si mesma, Roma se tornou uma presa tentadora para aquelas numerosas hordas de bárbaros do Norte que então devastavam a Itália. [...] Sem poder obter auxílio do imperador no leste ou do governador em Ravena, os cidadãos de Roma recorreram aos papas como seus únicos governadores e protetores, e como sua única salvação dos perigos que os ameaçavam. [...] ‘Em pouco tempo encontramos este colossal império se despedaçando e a Cabeça da Igreja Católica dispensando leis para a Cristandade na própria cidade na qual os césares imperiais haviam promulgado seus editos contra o Cristianismo!’”[4]

A Igreja obteve o favor do mundo. As profecias do Apocalipse revelam que a Igreja desse período se corrompeu e se tornou “prostituta”, forma como a Bíblia representa o povo de Deus quando este faz aliança com os poderes do mundo (Apocalipse 17:1-6; Apocalipse 19:1, 2; Isaías 1:1, 4 e 21; Ezequiel 23:1-5 e 11; Oseias 1:1, 2). A mensagem e os mandamentos de Deus na Bíblia foram misturados e, muitas vezes, modificados para se adaptar às tradições e à autoridade humanas.

Diz o cardeal Gibbons: “Uma regra de fé ou um competente guia para o Céu deve ser capaz de instruir em todas as verdades necessárias para a salvação. No entanto as Escrituras, somente, não contêm todas as verdades que um cristão é levado a crer, nem prescrevem explicitamente todos os deveres que ele é obrigado a praticar. Para não mencionar outros exemplos, não está cada cristão obrigado a santificar o domingo e se abster nesse dia de desnecessária obra servil? Não está a observância dessa lei entre os mais proeminentes de nossos deveres sagrados? Mas você pode ler a Bíblia de Gênesis a Apocalipse e não encontrará uma única linha autorizando a santificação do domingo. As Escrituras requerem a observância religiosa do sábado, um dia que nós nunca santificamos. A Igreja Católica corretamente ensina que nosso Senhor e Seus apóstolos inculcaram certos deveres religiosos importantes que não foram registrados pelos escritores inspirados. [...] Devemos, portanto, concluir que as Escrituras sozinhas não podem ser um suficiente guia e regra de fé porque elas não podem, em tempo nenhum, estar dentro do alcance de cada inquiridor; porque elas não são por si mesmas claras e inteligíveis, mesmo em questões da mais alta importância e porque elas não contêm todas as verdades necessárias para a salvação.”[4]

E ele prossegue afirmando o que é considerado seguro para a salvação das pessoas: “A Igreja tem autoridade de Deus para ensinar a respeito da fé e moralidade, e em seu ensino ela é preservada de erro pela especial guia do Espírito Santo. Essa prerrogativa de infalibilidade é claramente deduzida dos atributos da Igreja já mencionados. [...] Quando uma disputa surge na Igreja com relação ao sentido da Escritura, o assunto é referido ao Papa para adjudicação final. O Soberano Pontífice, antes de decidir o caso, reúne ao redor de si seus veneráveis colegas, os cardeais da Igreja; ou ele convoca um conselho de seus juízes de fé associados, os bispos da Cristandade; ou ele recorre a outras luzes que o Espírito Santo possa sugerir-lhe. Então, após deliberação madura e com oração, ele pronuncia juízo e sua sentença é final, irrevogável e infalível.”[4]

Contudo, na Bíblia, é declarado inequivocamente que ela provê a sabedoria necessária para a salvação, que nada deve ser acrescentado a ela e que se alguém falar algo que não está de acordo com ela, essa pessoa não tem iluminação (direção do Espírito Santo): “E que desde a infância sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus. Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente preparado para toda boa obra” (2 Timóteo 3:15-17).

“Toda palavra de Deus é pura; Ele é um escudo para os que nEle confiam. Nada acrescentes às Suas palavras, para que Ele não te repreenda e tu sejas achado mentiroso” (Provérbios 30:5, 6).

“A Lei e ao Testemunho! se eles não falarem segundo esta palavra é porque não têm iluminação” (Isaías 8:20).

“Deixai-vos pois do homem cujo fôlego está no seu nariz; porque em que se deve ele estimar?” (Isaías 2:22).

E Jesus falou claramente aos sacerdotes de Seu tempo quando eles instituíram preceitos que não estavam nas Escrituras e que se opunham à lei que o próprio Deus havia dado: “E vós, por que transgredis o mandamento de Deus por causa da vossa tradição? Pois Deus ordenou: Honra a teu pai e a tua mãe; e, Quem maldisser a seu pai ou a sua mãe, certamente morrerá. Mas vós dizeis: Qualquer que disser a seu pai ou a sua mãe: O que poderias aproveitar de mim é oferta ao Senhor; esse de modo algum terá de honrar a seu pai. E assim por causa da vossa tradição invalidastes a palavra de Deus. Hipócritas! bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: Este povo honra-Me com os lábios; o seu coração, porém, está longe de Mim. Mas em vão Me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homem” (Mateus 15:3-9).

Os racionalistas dos séculos 17 e 18 rejeitaram toda religião e o Deus cristão, e idealizaram um mundo fundado sobre a razão humana que viveria um progresso constante em meio a liberdade, igualdade e fraternidade. Eles imaginaram que a causa para a opressão e a tirania estava na existência da religião e da monarquia. Não perceberam que a causa para a corrupção está no coração humano que se desviou de Deus no início da história da humanidade. De forma que o ser humano pode se desviar de Deus e seguir seus impulsos dentro da religião ou fora dela. Na prática, o resultado é o mesmo.

Os pioneiros da Revolução Científica nunca viram oposição entre a Ciência e a Religião, pelo contrário, era sua religião que os levava a apreciar melhor os fenômenos da natureza. Copérnico foi um cônego da Igreja até o fim de sua vida e dedicou sua obra De Revolutionibus Orbium Coelestium ao papa Paulo III.[5] O caso de Galileu com a Igreja foi mais uma questão política de desconsiderar a autoridade do Papa do que uma controvérsia entre Ciência e Religião. Galileu nunca abandonou a religião até o fim de sua vida.[6] Newton passou grande parte de sua existência estudando a Bíblia e suas profecias. Ele produziu uma extensa obra sobre esses temas e a Universidade de Oxford disponibilizou seus escritos religiosos em um site denominado The Newton Project.[7]

Giordano Bruno é por muitos considerado um mártir da Ciência. Ele foi condenado pelo tribunal da Inquisição e morreu queimado em 1600.[8] Contudo, ele foi mais um filósofo do que cientista. Hilary Gatti escreveu que ele tinha uma “bem conhecida e claramente expressa aversão pela nova matemática, que ele via como uma abstração esquemática tentando aprisionar as vicissitudes vitais da matéria em fórmulas estáticas de validade universal”.[9] E Alessandro G. Farinella declara que, “com relação à doutrina de Bruno sobre conhecimento, os termos e as referências que ele emprega se aproximam, na maior parte, especificamente, da linguagem neoplatônica. O mundo é considerado como um todo dividido em uma série de graus, que a tradição neoplatônica encapsulava na imagem da schala naturae, graus que estão presentes nos processos e funções cognitivos. Bruno enfatiza que tais funções são espontaneamente despertadas na alma quando a atenção do sujeito está livre do peso e corporalidade do conhecimento sensorial.”[10]

A Catholic Encyclopedia afirma o seguinte sobre o motivo de sua condenação pela Inquisição: “Bruno não foi condenado por sua defesa do sistema copernicano de astronomia, nem por sua doutrina da pluralidade de mundos habitados, mas por seus erros teológicos que eram os seguintes: que Cristo não era Deus, mas meramente um pouco comum mágico habilidoso, que o Espírito Santo é a alma do mundo, que o Diabo será salvo, etc.”[11]

A Encyclopaedia Britannica, como mencionado anteriormente, declara que a descoberta de Newton do Cálculo alavancou o desenvolvimento de todas as ciências e tecnologias atuais. O estudo das leis básicas da Física depende do Cálculo, assim como as da Química, da Biologia e de outras áreas de conhecimento da natureza.

É comum que pessoas que lidam com diferentes áreas de estudo da natureza não tenham consciência plena das leis que regem os fenômenos básicos com os quais elas lidam diariamente, pois, normalmente, usam aplicações dessas leis sem pensar expressamente sobre isso. Basta pensar que a descoberta do Cálculo tornou possível a dedução de relações que geram fórmulas usadas em diversas áreas e que levaram ao desenvolvimento dos microscópios eletrônico e de tunelamento, entre outros; os exames de tomografia, ressonância magnética e ultrassonografia; os equipamentos de laboratório; a exploração do espaço; os computadores e a internet, os celulares; enfim, tudo o que facilita as pesquisas e produz os confortos modernos.

Além disso, é bastante comum o pensamento de que a Relatividade e a Mecânica Quântica invalidaram as leis de Newton quando se consideram velocidades próximas à da luz, campos gravitacionais muito intensos ou fenômenos microscópicos. O que ocorreu, na verdade, foi que essas novas teorias podem ser entendidas como especializações da Mecânica de Newton, pois coincidem com ela acrescida de postulados que tornam o sistema mais específico. O que se fazia anteriormente com as leis de Newton era acrescentar-lhes postulados implicitamente, postulados esses baseados apenas em noções filosóficas que não faziam parte da teoria newtoniana em si, tais como a ideia de que o tempo é absoluto e de que as grandezas físicas podem ser bem representadas por números. A Relatividade e a Mecânica Quântica apenas contradizem esses conceitos extras, não a Mecânica de Newton em si.

Notemos, portanto, que enquanto os filósofos racionalistas idealizavam um mundo de progresso fundado na razão humana e na liberdade à parte de Deus, o homem, que com sua descoberta do Cálculo foi o principal responsável pelas maravilhas do mundo moderno, passou grande parte do seu tempo entre o estudo da Bíblia e da natureza. As duas revelações de Deus foram estudadas diligentemente por ele e isso o habilitou a transformar o mundo!

(Continua...)

(Graça Lütz é bióloga e bioquímica)
  
Referências: 
[1] ENCYCLOPEDIA, N. W. Age of enlightenment. http://www.newworldencyclopedia.org/entry/Age_of_Enlightenment
[2] OF PHILOSOPHY, S. E. Enlightenment. https://plato.stanford.edu/entries/enlightenment/ 20 8 2010
[3] GRIESMER, J., B., P., MCCARTY, E., MOSBO, E. M., FERGUSON, C., GRUPP, A. N. Constantine converts to christianity. http://www.thenagain.info/WebChron/EastEurope/ConstantineConverts.html
[4] GIBBONS, J. C. The faith of our fathers. John Murphy Company Publishers, 1917.
[5] Nicolaus copernicus biography.com. http://www.biography.com/people/nicolaus-copernicus-
[6] FERGUSON, K. Historical notes: Galileo insulted the pope, not the church. http://www.independent.co.uk/news/people/historical-notes-galileo-insulted-the-pope-not-the-church-1084369.html  31 3 1999
[7] ILIFFE, R., MANDELBROTE, S. The newton project. http://www.newtonproject.ox.ac.uk/texts/newtons-works/religious
[8] AQUILECCHIA, G. Giordano bruno italian philosopher. https://global.britannica.com/biography/Giordano-Bruno 22 12 2016
[9] GATTI, H. Giordano bruno and renaissance science. Cornell University Press, 2002.
[10] FARINELLA, A. G. Giordano bruno: Neoplatonism and the wheel of memory in the de umbris idearum. Renaissance Quarterly, v. 55, p. 596-624, 2002.
[11] ENCYCLOPEDIA, C. Giordano bruno. http://www.newadvent.org/cathen/03016a.htm

A natureza numérica e os códigos inteligentes

Como ficamos fascinados ao contemplar os detalhes do mundo que nos rodeia. Nossas emoções são facilmente ativadas quando encontramos formas com estética e beleza. E são essas as características que facilmente percebemos em todas as estruturas espalhadas na natureza, sejam elas animadas ou inanimadas. Veja, por exemplo, as espiras de um girassol, as medidas das nossas mãos, a proporção das asas de uma borboleta, do desenvolvimento de um ser vivo no ventre de sua mãe, o desabrochar de uma flor ou a distribuição das estrelas em uma galáxia. Certamente todos eles têm algo de estético, pois despertam a apreciação do belo em cada indivíduo. Existe algum modo de determinar se uma forma é bela e estética?

Os gregos criaram três critérios básicos para determinar se algo era belo ou não. Devia ter ordem, simetria e proporcionalidade. E, por incrível que pareça, essas três características estavam associadas aparentemente a um único número, o número áureo, ϕ, cujo valor fixo é ϕ = 1.6180339...

O número áureo, ou número de ouro, representa a proporcionalidade de duas medidas de comprimentos, e essa relação é conhecida hoje como proporção áurea. No livro Elementos, de Euclides de Alexandria, é chamado de média e extrema razão. Lá é escrito da seguinte maneira: “Uma linha reta se diz dividida em média e extrema razão quando o todo está para o maior, assim como o maior está para o menor.”

E mais adiante, no mesmo livro, Euclides ensina o passo a passo da construção da média e extrema razão. Nós o faremos de uma forma mais simples. Veja o desenho:




Imagine uma linha reta dividida em duas partes, uma parte maior e outra menor, de modo que a razão entre o comprimento total com a maior seja exatamente igual à razão entre o comprimento maior da reta com a menor. Ou seja,


A equação acima (na verdade, são três equações) deixa claro que os comprimentos estão relacionados proporcionalmente através do número ϕ, cuja expressão numérica é dada por ϕ = (1 + 5 )/2 = 1.6180339...

Desse modo, para que dois comprimentos consecutivos sejam considerados belos e estéticos, eles devem estar relacionados proporcionalmente segundo a média e extrema razão, ou, em outras palavras, obedecendo à proporção áurea: X = ϕY; é por isso que o ϕ leva o nome de número áureo. Curiosamente, a natureza parece gostar desse número. Veja o corpo humano: ele parece inteiramente estar moldado segundo a proporção áurea; e não só nós, muitos dos seres vivos também parecem ter sido moldados segundo essa proporção.

E mais curioso ainda é o apreço da natureza pelas séries numéricas; séries como as de Fibonacci.

A sequência de Fibonacci é uma sucessão infinita de números em que cada valor é obtido somando-se apenas dois números precedentes da série. Ela começa com 0 e 1. Então, a soma de 0 e 1 resultará no próximo valor da série, o número 1. Somando-se esse resultado com o valor precedente, ou seja, 1 e 1, obtemos 2, que é o valor seguinte. O próximo valor é 3, que é a soma de 2 e 1, e assim sucessivamente. Como resultado, os valores da sucessão são

0, 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, 89, 144, ...

Podemos associar uma localização (coordenada linear) a cada valor da sequência tal qual mostra a tabela abaixo,


onde n é a coordenada e F(n), seu respectivo valor. Assim, F(4) = 3 significa que 3 é o valor numérico da série na posição 4.
           
A lei de crescimento, mencionada acima, pode ser escrita matematicamente como

F(n) =  F(n + 1) + F(n)
(I)

Ou seja, o valor em uma posição é a soma dos valores nas posições precedentes. Vamos escolher a posição n = 6, cujo valor é 8. Então, somando o valor dessa posição com o próximo, isto é, F(6) + F(7), iremos obter F(8). Ou seja, 8 + 13 = 21. E é assim que podemos encontrar todos os outros valores: 13 + 21 = 34, 21 + 34 = 55, 34 + 55 = 89, 55 + 89 = 144, ...
           
A lei de crescimento da sequência de Fibonacci, a equação (\ref{eq.I}) acima, tem muitas propriedades, mas a que mais chama a atenção é a sua relação com o número áureo. Essa propriedade diz que dividindo qualquer valor numérico da série pelo seu antecessor podemos obter resultados que convergem para o número ϕ = 1.6180339... Veja os exemplos,

3/2 = 1.5;       5/3 = 1.6666...;       8/5 = 1.6;       13/8 = 1.625;       21/13 = 1.6153846...;
34/21 = 1.6190476...;       55/34 = 1.6176470...;       89/55 = 1.61818181...

Ou seja, quanto maior for o valor numérico da série, mais próximo do ϕ será o resultado. Resumidamente, essa característica pode ser escrita simbolicamente como F(n + 1)/F(n) ≈ ϕ.
           
Acontece que a sequência de Fibonacci não é a única. Existem outras tantas. A sequência de Lucas é da mesma família de Fibonacci, pois obedece à mesma lei de crescimento e tem o mesmo número ϕ como valor de convergência. Essa sequência começa com o par de números 2 e 1. Então, a série numérica é 2, 1, 3, 4, 7, 11, 18, 29, ...
           
Tanto o número ϕ quanto a sequência de Fibonacci têm sido uma ferramenta útil e, até certo ponto, necessária para o entendimento de muitos aspectos da natureza. Ajudou a entender, por exemplo, particularidades da distribuição das sementes de um girassol. Explico isso rapidamente.
           
As sementes de girassol estão distribuídas em espirais no sentido horário e anti-horário, seguindo o padrão de espirais de Fibonacci. E o responsável por esse padrão é o hormônio chamado auxina [Matthew Pennybacker and Alan C. Newell, Phys. Rev. Lett. 110, 2013]. Esse hormônio é o responsável pelo alongamento da célula. Quando a auxina flui, as sementes crescem sendo empacotadas de modo a maximizar o acesso à luz, e o modo mais eficiente de fazer isso é seguindo o padrão das espirais de Fibonacci. A grande surpresa é que nem todos os girassóis seguem essa sequência como padrão, também seguem a sequência de Lucas; outros girassóis seguem sequências bem diferentes. Por quê? Essa questão ainda está em aberto, sem resposta. Quem sabe seja você, caro leitor, quem dará essa resposta...
           
Bom, padrões de sucessões numéricas também encontramos no couve-flor, nas pétalas das equináceas, nos pinheiros e em muitos outros lugares, que não necessariamente seguem as sequências de Fibonacci ou as de Lucas. Sendo assim, podemos generalizar a lei de crescimento da equação (I), com algumas pequenas modificações. Escrevemos essa modificação como,

F(n)αF(n + 1) + βF(n)
(II)

onde α e β são dois números reais que podem ter valores positivos ou negativos. E o valor de convergência geral para essa lei de crescimento modificada é escrita em termos de α e β.


Complicou, não é? Não. Eu explico.

A equação de crescimento (II) contém dois grupos numéricos para iniciar uma série. O primeiro grupo é o par (α, β), cujos valores estão associados às condições iniciais; o segundo grupo é o par (x0, x1), o qual chamaremos de semente. Desse modo, quando falarmos de semente estaremos nos referindo ao par de números com que a série começa.
           
Particularmente, se α = 1 e β = 1, o valor de convergência sempre será ϕ = (1 + √5 )/2 = 1.6180339..., que não é nada mais do que o número de ouro; e apenas para esse grupo obtemos inúmeras sequências, mudando apenas os valores das sementes x0 e x1. No caso em que x0 = 0 e x1 = 1, obtemos a sequência de Fibonacci. A sequência de Lucas corresponde ao caso em que x0 = 2 e x1 = 1.
           
Bom, agora você pode brincar um pouco mudando os valores de α, β, x0 e x1 e obter uma infinidade de séries particulares. E para calcular seus respectivos valores de convergência, ϕ, naturalmente, precisará de uma calculadora.
           
Outra particularidade interessante das séries que acabamos de descrever é sobre sua relação com o trapézio aritmético (o nome Trapézio Aritmético é conveniente porque a forma com que aparece não possui a “ponta” superior de um triângulo usual). Cada sequência tem apenas um único trapézio. Por exemplo, a sequência de Fibonacci está associada ao trapézio


A camada de zeros, se for eliminada, corresponde exatamente ao triângulo de Pascal. A relação do triângulo de Pascal com a sequência de Fibonacci já foi muito bem explorada e pode ser encontrada em diversas fontes na internet.
           
A sequência de Lucas está relacionada ao trapézio,


 E é aqui que a coisa fica mais interessante ainda, pois, a partir desses trapézios, podemos construir estruturas estatísticas que podem nos ajudar a entender melhor o porquê de as coisas serem como são. Infelizmente, caro leitor, não pretendo escrever agora a expressão geral para os trapézios porque não seria muito atrativo escrever tantas equações em um texto relativamente curto, até porque cada equação que escrevêssemos necessariamente mereceria alguma boa explicação. Mas isso pode ficar para outro momento.
           
Por enquanto, quero dizer que o “gosto” da natureza pelas séries numéricas parece estar relacionado com alguma eficiência. No caso do girassol, a eficiência está associada à absorção da luz solar. Mas essa absorção poderia também estar vinculada a outros fatores ambientais e nutricionais que, naturalmente, alterariam o fluxo dos hormônios responsáveis pelo crescimento de sementes na cabeça da planta, e, claro, alterariam a semente da sequência. Seria essa a razão do porquê diferentes padrões de sequências numéricas aparecem em diferentes girassóis? Não sabemos, ainda. E o mais atrativo é que esses casos não estão limitados apenas aos girassóis.
           
Porém, independentemente de qual seja a espécie e de qual seja a lei de crescimento, o certo é que a sucessão numérica está presente nesses organismos biológicos. Ela está lá. O que eu vejo em tudo isso é que, à medida que compreendemos mais como a natureza funciona, mais surpresos ficamos com o design envolvido nas estruturas de cada desenvolvimento biológico. Imagino Deus planejando tudo com antecedência. Cada detalhe de cada espécie sendo muito bem elaborado na “pasta de projetos dentro do escritório divino”, e dizendo a Seu Filho: “Perfeito. É assim que será essa espécie.” Ambos concordando e, no fim de cada dia da semana da criação, o Filho vendo que aquilo que fora feito correspondia exatamente ao que havia sido planejado. Não encontro palavras para descrever tudo isso, a não ser na frase: “E viu Deus que era bom.”

(Victor Viscarra é PhD em Física pela Unesp, na área de Partículas Elementares)