quinta-feira, dezembro 27, 2018

A falta essencial


Lendo Platão, eu me recordo de que “a natureza humana é como um jarro rachado. Mal o enchemos, ele começa a se esvaziar”. Consequentemente, surge a carência, a mãe dos desejos dos mortais. Em cada vida existe uma falta significativa. Essa ausência fundamental constitui o dínamo de todas as buscas, a força que nos impele para a frente e nos leva à realização de atos nobres ou até absurdos e reprováveis. Perseguimos aquilo de que sentimos necessidade, não é mesmo? A humanidade, de todos os séculos, há de concordar comigo. Penso eu.

Do que o ser humano realmente precisa? As respostas multiplicam-se, conforme a carência nutrida. Para uns são as necessidades básicas – alimento, roupa, abrigo, etc. Ansiar tais coisas e exigi-las é legítimo. O clamor de milhões ecoa dia a dia pelo globo, como canção pungente – um réquiem prenunciador de morte –, rogando aos abastados o direito natural de possuir o fundamental para se viver. Privada dos bens de sobrevivência, a multidão padece à míngua, cercada, entretanto, de abundância. Na expressão apocalíptica, soa o apelo desses necessitados: “Quem tem ouvidos, ouça...” E quem tem coração ajude.

Outros não saberiam sobreviver sem coisas supérfluas, colocadas pela propaganda midiática como itens dos quais não se pode prescindir: celular, joias, carro novo, roupas “de marca”, e por aí vai. A lista prossegue ad infinitum... Muitos matam e morrem em razão de artigos perecíveis que “a traça rói e os ladrões roubam e minam”, consoante as palavras de Jesus Cristo. Ele também asseverou: “A vida de um homem não consiste na abundância de bens que possui.” A geração atual seria capaz de crucificá-Lo de novo, já que Sua incômoda afirmação choca-se frontalmente contra a era narcísica de consumismo voraz na qual nos encontramos.

De maneira perceptível, o consumidor pós-moderno, em seu estado crítico de carência, devora não só produtos, mas também informação, ideologias, tecnologia, ciência, filosofia e múltiplas espiritualidades. Ainda assim, permanece faminto, insatisfeito, um eterno glutão empanturrado de vazio. A realidade evidencia que o homem contemporâneo, imerso em seu conturbado processo histórico, assemelha-se ao mítico rei grego Erisícton. Somos acometidos de uma fome insaciável tanto pela matéria física quanto pelo material simbólico. Essa ânsia ameaçadoramente destrutiva, se não for controlada, tem o potencial de aniquilar o próprio eu.

Voltemos aos necessitados. Existem aqueles agrupados numa categoria sui generis, os quais não vivem sem o brilho do status. E o status assume variadas e disfarçadas feições: o mais inteligente, o mais poderoso, o mais influente, o mais conquistador, o mais bonito, o mais... Não devemos nos esquecer também dos indivíduos sob constante excitação e adrenalina. Prazeres, festas, luzes, sons e badalação, eis o alvo e referência desse grupo. Eu poderia inventariar outras classes de seres carentes; contudo, vou parar por aqui com mais uma afirmativa categórica de Jesus: “Filho, uma coisa te falta.” A carapuça que Sua declaração traz ajusta-se na cabeça de todos nós.
 
Entre inúmeras coisas importantes, pressinto a falta de uma que é suprema. Você, leitor, seria capaz de identificá-la em mim, em ti, em nós? Ai! A visão humana é tão míope, finita, embaçada, sempre desviando o olhar para outros elementos mais aparentes, mais atraentes, mais “necessários”. Eu vou lhe dizer em que consiste a falta essencial. Podemos classificá-la como um princípio latente, inconsciente, subjacente à estrutura do Homo sapiens (sapiens?). Não estranhe o eco (-ente) nos três adjetivos: enfatiza a insistência humana em querer ter sua carência basilar satisfeita.

A quintessência presente nas grandes almas não é algo além do alcance da frágil natureza humana. Está disponível a qualquer desejante em potencial, bastando apenas que se tenha boa vontade e decisão em adotá-la como princípio norteador da vida. Encontra-se por trás do silêncio; no inaudito diz tudo, mas também se revela nas palavras simples ou eloquentes. Esconde-se em ações pequenas e GRANDES e oculta-se à sombra de declarações corriqueiras e aparentemente envelhecidas pela banalidade dos superficiais. “Posso fazer algo por você? Eis aqui minha mão estendida”; “Choro com o seu sofrimento”; “Eu o entendo e o acolho, embora tenhamos diferenças”. Tais frases, entremeadas com a semântica da vida, afugentam o egoísmo natural que dá voltas em torno do próprio umbigo. Não se desgastam com o passar dos dias, não desaparecem diante das provas do quotidiano nem evaporam sob o calor massacrante da rotina; elas se renovam em cada enunciação e ação.

Apresento-lhe a falta essencial, a palavra-chave realçada e repetida, implícita ou explicitamente, neste texto: o amor, energia poderosa capaz de transformar o mais rígido e empedernido ser. Ele ultrapassa o sentimentalismo barato, indo além do discurso morto dos conceitos abstratos a fim de salvar a experiência humana do niilismo com seu abismo existencial. Em nossa contingência abissal, o amor é a corda lançada no poço sem fundo para de lá resgatar quem está caindo. Ou no pensamento que só a pessoa encharcada de poesia poderia expressar: “Tudo que sabemos do amor é que o amor é tudo que existe. É o tudo e o nada, o momento que passa e o infinito que fica, a transfiguração dos mundos.”

Na percepção de quem ama, a Terra vem saindo de sua “órbita” porque a força da gravidade do amor enfraqueceu-se, deixando de exercer controle sobre nós. Estranhamente, no planeta da abundância falta o tudo. Apesar de tal constatação desanimadora, em sinal de esperança e resgate da vida, o amor, sempre aqui conosco, paira sobre cada ser necessitado, oferecendo plenitude, querendo resgatar o sentido trans-histórico ofuscado e deixado para trás. Sendo o poder mantenedor do equilíbrio universal, como palavra na boca dos humanos, o amor, todavia, constitui um grande problema de interpretação. Talvez por isso ele se apresente simples e complexo, perfeito e imperfeito, ambivalente. Uma coisa é certa, porém: sem amor perde-se o espírito comunicativo e desponta a carência do bom, do belo, do que dizer.

Quando o epílogo de tudo um dia chegar, o amor permanecerá como o “amém do Universo”, a palavra final, pois estamos informados mediante as reveladoras declarações inspiradas de que, ao término do grande conflito da vida, com a extinção do pecado – o opositor do amor –, o Universo inteiro será purificado. Nesse cenário de nova realidade, “uma única palpitação de harmonioso júbilo vibra por toda a vasta criação. DAquele que tudo criou emanam vida, luz e alegria por todos os domínios do espaço infinito. Desde o minúsculo átomo até ao maior dos mundos, todas as coisas, animadas e inanimadas, em sua serena beleza e perfeito gozo, declaram que Deus é amor”.

O amor – a alma do mundo – configura-se no caminho mais excelente e seguro a percorrer, sendo a prova da ligação do homem com o Transcendente. Somos capazes de viver sem muitas coisas, exceto sem o amor. Não se pode existir sem o desiderato da vida. Tem carência dele, caro leitor? O mundo inteiro tem.

Frank de Souza Mangabeira

Anel de dois mil anos ajuda a comprovar veracidade dos evangelhos


Pôncio Pilatos é, sem dúvida, um dos oficiais romanos mais conhecidos no mundo, especialmente por ter sido responsável pela sentença de morte de Jesus Cristo. Além dos relatos descritos nos Evangelhos, pouco se sabe sobre ele. A maioria das informações existentes referentes a ele provém do trabalho dos antigos historiadores Flávio Josefo e de Tácito.[1, 3] Nesse sentido, devido à escassez de documentos que comprovassem sua existência, para os céticos esse personagem que “lavou as mãos” não passava de lenda cristã.[1] Entretanto, no fim de novembro, a mídia internacional divulgou uma descoberta inesperada, especialmente no mundo arqueológico:[1] foi decifrada a inscrição de um artefato histórico que pode comprovar a existência desse procurador romano, ligado à morte de Jesus de Nazaré. Um intrigante anel de liga de cobre com dois mil anos de idade, com a inscrição “de Pilatus”, é indicado como o segundo artefato que atesta a historicidade do Pôncio Pilatos mencionado nas Escrituras.[4] Descoberto há 50 anos pelo arqueólogo israelense Gideon Förster, que liderou uma escavação na Colina do Herodion, a leste de Belém, o anel foi negligenciado até recentemente, quando o atual diretor de escavações Roi Porat solicitou que o artefato recebesse uma limpeza adequada e um olhar diferenciado. Através de câmeras especiais, com melhores recursos tecnológicos, o anel revelou seu segredo: além da imagem de um krater (vaso para armazenar vinho), pôde-se perceber a inscrição do nome Πιλᾶτο (Pilato) escrito em grego.[2, 3] A análise científica do anel foi publicada em 29 de novembro, no célebre Israel Exploration Journal.[2]

Existem ainda algumas especulações quanto à ligação do anel de vedação à figura de Pilatos, devido ao fato de o artefato ser de cobre e não de ouro, como era esperado, em virtude da posição hierárquica de Pilatos, mas, mesmo diante desse questionamento, o próprio Porat indica outra perspectiva: “E se, talvez, Pilatos tivesse um anel de ouro para tarefas cerimoniais e um simples anel de cobre para uso diário?” Os especialistas também avaliam a possibilidade de o anel ter sido usado por um membro da corte de Pilatos para assinar documentos em seu nome, como uma espécie de carimbo oficial.[2]

É importante salientar que “Pilatos” não era um nome comum na província da Judeia. “Eu não conheço nenhum outro Pilatos da época, e o anel mostra que ele era uma pessoa de estatura e riqueza”, diz o professor Danny Schwartz, da Universidade Hebraica.[4] Outro ponto importante é que o selo inscrito indica status de cavalaria na sociedade romana, levando os historiadores a acreditar que o anel realmente pertencia ao Pôncio Pilatos bíblico.[1, 2, 4] Na época em que Jesus foi crucificado, Pilatos era o “prefeito” romano da Judeia, o quinto da linha hierárquica, tendo respaldo legal para sentenciar penas de morte, como no caso de Jesus, que foi executado em seu governo.[2, 4]

Outro fator que também reforça a conexão do anel com a figura do governador romano bíblico está no local onde o anel foi encontrado. Sabe-se que ele usou os antigos palácios de Herodes, como suas próprias residências em Cesareia e em Jerusalém, portanto, há fortes razões para acreditar que o palácio de Herodes em Herodium tenha sido usado como centro administrativo romano.[3] 

A repercussão dessas informações também foi forte no Brasil, tendo destaque no programa “Fantástico” do domingo, dia 23. Mas, afinal, o que torna a descoberta do significado das escritas desse anel tão importante? Esse novo fato corrobora outros dados encontrados anteriormente, como a  Pedra de Pilatos, descoberta em 1961 nas escavações em Cesareia, relatos do historiador Josefo e a própria Bíblia, indicando que havia de fato um governador romano na Judeia, na época de Jesus, chamado Pilatos.[2]

Nota: Apesar das muitas evidências arqueológicas encontradas que relacionam fatos históricos mencionados na Bíblia, a veracidade das Escrituras Sagradas ainda é contestada por muitos céticos. A confirmação da existência de Pilatos é, de fato, extraordinária porque, por meio dessa informação, pode-se constatar a autenticidade dos Evangelhos bíblicos, bem como a existência de seus personagens. Esse simples anel de cobre, outrora esquecido, é responsável por dar credibilidade à existência do personagem principal de toda a Bíblia Sagrada, e autor de toda a vida: nosso Senhor Jesus Cristo. Resta o sentimento de que esse seja somente o primeiro capítulo das muitas descobertas que virão intensificar a concepção de que ciência e fé estão intrinsecamente conectadas, e que por meio das Escrituras podem-se obter não apenas genuínos dados históricos, mas também informações imprescindíveis à compreensão da origem da vida na Terra e da existência do plano de salvação.

(Liziane Nunes Conrad Costa é presidente do Núcleo Cascavelense da SCB [Nuvel-SCB], bacharel e licenciada em Ciências Biológicas com ênfase em Biotecnologia [UNIPAR], especialista em Morfofisiologia Animal [UFLA] e mestranda em Biociências e Saúde [UNIOESTE])

Referências:
2.Shua Amorai-Stark, Malka Hershkovitz, Gideon Foerster, Yakov Kalman, Rachel Chachy, and Roi Porat, “An Inscribed Copper-Alloy Finger Ring from Herodium Depicting a Krater,” Israel Exploration Journal 68:2 (2018), p. 217.

Leia mais sobre o assunto em:

Norte-americano cruza a Antártica a pé pela primeira vez na História


Um aventureiro norte-americano completou nesta quarta-feira (26) uma travessia inédita da Antártica. Colin O’Brady, de 33 anos, atravessou o continente sozinho e a pé, sem qualquer tipo de assistência – o primeiro na história a cumprir a tarefa. O norte-americano demorou 54 dias para percorrer 1,6 mil quilômetros. O aventureiro tinha a posição definida por um GPS, e podia ser conferida diariamente em seu site na Internet, colinobrady.com. O’Brady partiu em 3 de novembro, junto com o militar britânico Louis Rudd, de 49 anos, da geleira Union, na Antártica. Os dois competiram para ver quem conseguia completar a façanha de cruzar a pé, só e sem ajuda o continente gelado.

Em 1996-97, um explorador norueguês, chamado Borge Ousland, atravessou pela primeira vez a Antártica sozinho, mas recebeu ajuda de terceiros, sendo impulsionado com velas ao longo de sua travessia. O’Brady e Rudd, por sua vez, usaram somente trenós, chamados pulks, que pesam 180 quilos. O’Brady chegou ao Pólo Sul em 12 de dezembro. E, nesta quarta-feira (26), chegou à meta, no ponto Ross Ice Shelf do Oceano Pacífico, após percorrer um total de 1.482 km. Rudd está atrás, a um ou dois dias de distância do rival.

O’Brady percorreu os últimos 125 km em 32 horas após decidir, enquanto tomava o café da manhã, fazer a última etapa de uma vez. “Enquanto fervia a água para preparar meu café da manhã, uma pergunta aparentemente impossível surgiu na minha mente”, escreveu O’Brady no Instagram. “Me perguntei: seria possível fazer o caminho que me resta até a meta de uma só vez? Enquanto amarrava as botas, o plano impossível tinha se tornado um objetivo consolidado”, disse. “Vou fazer um esforço e tentar percorrer os quilômetros que me faltam de uma vez.”

O jornal The New York Times descreveu o esforço de O’Brady como um dos “feitos mais notáveis da história polar”, à altura da “corrida para conquistar o Pólo Sul”, do norueguês Roald Amundsen e do inglês Robert Falcon Scott em 1911.

Em 2016, um oficial do Exército inglês, o tenente-coronel Henry Worsley, tentou realizar a mesma proeza, mas morreu buscando terminar a travessia sem assistência.


Nota: Pois é... O Pólo Sul não é uma barreira de gelo circundando a hipotética Terra plana. Mas os terraplanistas vão dizer mais uma vez que é tudo mentira. [MB]


quarta-feira, dezembro 19, 2018

Dinosaur Research Project: pesquisa criacionista inovadora

O projeto intitulado Dinosaur Research Project é realizado na formação Lance, dentro do rancho da família Hanson em Wyoming. O sítio Hanson possui uma das camadas de fósseis de dinossauros mais ricas do mundo, com dimensão de cerca de um metro de espessura que se estende por muitos quilômetros quadrados, com milhares de fósseis já escavados. Inicialmente, o dono do rancho, o senhor Hanson, contatou um grupo de pesquisa evolucionista em Paleontologia para que fosse conhecer a formação rica em fósseis. O grupo se interessou e pediu um arrendamento das terras por meio de um contrato de 99 anos. Porém, o Sr. Hanson percebeu que os alunos estavam sendo ensinados apenas por meio de uma perspectiva evolucionista. Incomodado, ele propôs uma cláusula no contrato de que aos alunos fosse ensinada também a perspectiva criacionista.

O grupo não aceitou, a parceria foi concluída e o grupo deixou pichado na parede de um galpão, antes de sair, o seguinte: “Este é o ultimo dia em que a ciência verdadeira está sendo feita no rancho Hanson.” Em seguida, o dono do rancho entrou em contato com o Institute for Creation Research (ICR), que enviou os paleontólogos de vertebrados Dr. Lee Spencer e a sumidade Dr. Kurt Wise. A estação de pesquisa Hanson foi então configurada como uma organização sem fins lucrativos, com um conselho consultivo para garantir que a maior qualidade de pesquisa paleontológica fosse mantida.

No entanto, a ICR não conseguiu dar continuidade às escavações no local e entrou em contato com o geólogo e paleontólogo Dr. Arthur Chadwick, da Southern Adventist University que, juntamente com o Dr. Lee Spencer, elaboraram uma proposta de pesquisa sobre Tafonomia dos fósseis, que foi aprovada pela diretoria da estação de pesquisa Hanson, e então nasceu o Dinosaur Research Project.

Temporadas de escavações e suas descobertas

Em junho de 1997, quando começaram as primeiras escavações anuais com alunos, professores e outros voluntários, foram escavados cerca de cem fósseis por temporada. De lá pra cá, já são mais de cem voluntários que escavam cerca de mil fósseis por temporada.

Em 2019, alcançou o número histórico de 20 mil fósseis escavados. Em especial, ali foram descobertos fósseis de ossos e dentes desarticulados do Cretáceo superior, de dinossauros como Tiranossauro rex, Edmontossauro, Triceratops, misturados com fósseis de outros animais, como jacarés, crocodilos, tubarões, raias e plantas. Também foram descobertos alguns fósseis muito raros de Nanotyrannus e um dos maiores fêmures já descobertos na América do Norte de outros terópodes. Ademais, encontrou-se a fúrcula de um pequeno raptor.

Tecnologia utilizada

A fim de preservar o maior número de dados possíveis, o grupo de pesquisa criacionista, liderado pelo paleontólogo adventista Dr. Arthur Chadwick, decidiu que faria algo a mais em relação ao que os outros paleontólogos já haviam feito até aquele momento, em termos de controle de dados. Passaram a utilizar, então, uma tecnologia própria que usa alta resolução de GPS para mapear cada osso encontrado, de acordo com as posições exatas, e usando também o Geographical Information System (GIS), em que as imagens fotografadas em 3D são integradas com os pontos reais para facilitar a recuperação de todos os dados e reconstruir a formação do jeito que os ossos realmente estavam no chão (veja a imagem abaixo)


Um dos pontos que torna esse projeto único e de última geração é a tecnologia de ponta desenvolvida pelo astrofísico Dr. Larry Turner especialmente para esse trabalho, a fim de que fosse o método ideal a ser usado para mapear os fósseis. Essa tecnologia de alta precisão chamada “GPS Rover” passou a ser usada oficialmente no ano 2000, três anos após o início do projeto, tornando o grupo de pesquisa pioneiro em pesquisa de GPS e visualização das peças em 3D podendo o catálogo de fósseis inclusive ser consultado online por meio da base web de dados da estação de pesquisa Hanson por paleontólogos de qualquer lugar do mundo.

Em 2004, o Dr. Arthur Chadwick e o Dr. Turner foram convidados para uma escavação arqueológica na Jordânia, durante a qual eles ajudaram a implantar essa técnica inovadora e pioneira no campo da Arqueologia. Essa técnica foi publicada e apresentada na forma de artigos, pôsteres e resumos na Sociedade de Paleontologia de Vertebrados e na Sociedade Americana de Geologia (clique aqui e aqui).

Atualmente, ela é usada também por esses profissionais, tornando-se um padrão nesse campo. Isso faz com que aquela ideia de que “criacionistas não fazem boa ciência” caia por terra diante do desafio à inovação nesse projeto bem-sucedido. Parece que aquela frase deixada na parede do rancho por um grupo de pesquisa evolucionista de que ali não mais seria feita “ciência verdadeira” foi uma falácia diante do novo padrão estabelecido de excelência no campo fóssil em Tafonomia geológica e paleontológica, estratigrafia e sedimentologia.

Hoje a Southern Adventist University é referência nessa área. Devido à importância de suas pesquisas, o Dr. Arthur Chadwick chegou a ser entrevistado no documentário Is Genesis History? Caso você tenha interesse em fazer escavações de dinossauros em alguma temporada anual em Wyoming, basta acessar o site do Dinosaur Research Project. Quer saber mais sobre a história e as descobertas feitas por meio desse projeto? Leia a matéria intitulada “DiscoveringDinosaurs”. Para mais informações, assista aos vídeos abaixo:




Everton Fernando Alves é especialista em Paleontologia e Cultura e autor dos livros Revisitando as Origens e Teoria do Design Inteligente.

Pterossauros e o dilema das penas: fato ou suposição?

A revista Nature Ecology & Evolution publicou nessa segunda (17) um artigo polêmico que foi noticiado em vários meios de comunicação. Essa repercussão midiática se deveu ao fato de a pesquisa levantar a hipótese de um novo visual para os pterossauros. Um grupo de pesquisadores encontrou no nordeste da China dois exemplares de fósseis de pterossauros, excepcionalmente bem preservados. O que causou grande surpresa é que os cientistas acreditam que esses répteis podem ter penas, assumindo uma aparência como de um “morcego com asas felpudas”, bem diferente da imagem que conhecemos.

Sobre as “supostas” penas, “os pesquisadores verificaram nos pterossauros quatro tipos diferentes de cobertura, incluindo pele peluda na maior parte do corpo e, em partes da cabeça e asas, três tipos de fibras, semelhantes às penas”. O pesquisador Zixiao Yang, da Universidade de Nanjing, relatou à revista: “Exploramos cada parte dos exemplares usando potentes microscópios e descobrimos quatro tipos de penas.”

No mesmo artigo, o professor Mike Benton, que também participou desse trabalho na China, se refere às fibras como algo relacionado a pêlos: “Essas estruturas no pterossauro fazem com que pareça um morcego frugívoro, ou algo parecido, uma criatura ‘cabeluda ou peluda’.” Nesse ponto cabe questionar a estrutura das fibras encontradas. Afinal, são pêlos ou penas? Os pesquisadores atribuem aspectos morfológicos diferentes para uma mesma estrutura, mas pêlos e penas possuem “arquiteturas” bem distintas.

O paleontologista do Instituto de Paleontologia de Vertebrados e Paleontologia da Academia Chinesa de Ciências Jimgmai O’Connor disse que interpretar penas e estruturas “semelhantes a penas”, encontradas em fósseis, não é tarefa fácil. “Não sei se as morfologias descritas para as picnofibras dessa espécie são válidas”, afirmou. Para o biólogo evolutivo Matthew Shawkey, da Universidade de Ghent, na Bélgica, “os dados encontrados não são provas conclusivas”, apesar de algumas imagens darem a impressão de serem filamentos ramificados. Ele ainda ressalta que na natureza existem variadas formas de ramificação, como os galhos de arvores, por exemplo, e que “tal fator não implica estarmos diante de penas”. Já a paleontologista da Universidade do Texas, Julia Clark, sugere outra nomenclatura para as estruturas em questão: “filamentos ramificados ou estruturas tegumentárias ramificadas”.

Além da evidente divergência de opiniões sobre o assunto no próprio meio evolucionista, outro fator nos faz refletir sobre as incoerências dos processos evolutivos: a inconsistência da ancestralidade comum proposta por essa teoria, uma vez que esse “parentesco” dos indivíduos é questionada a cada nova descoberta: “Surpreendentemente, a descoberta sugere que as penas evoluíram não em pássaros, nem em dinossauros, mas em tempos mais distantes.”

Ainda é válido ressaltar outro detalhe mencionado no artigo em questão. Os cientistas relataram ter encontrado tecido mole nos fósseis. Esse “achado” corrobora os estudos do pesquisador criacionista Mark Armitage, que encontrou tecidos moles “ao examinar o chifre de tricerátops, através de um potente microscópio na Universidade Estadual da Califórnia (UEC). Essa descoberta causa espanto no meio científico por ser um indicativo de que os dinossauros não foram extintos há 60 milhões de anos, mas, sim, que viveram na Terra há milhares de anos, o que é notoriamente um problema para a escala de tempo geológica padrão evolucionista.

Nota: Na leitura do artigo relacionado percebe-se que ainda existe muita “suposição” e pouca afirmação sobre o assunto. De acordo com as imagens e descrições registradas, e considerando o divergente posicionamento dos pesquisadores supracitados, os filamentos encontrados não podem ser considerados penas por falta de provas. Além disso, é importante verificar que os evolucionistas ainda não encontraram uma criatura com um sistema intermediário. As estruturas descobertas já se mostram finalizadas, sem qualquer traço de sistemas inacabados ou em fase de transição. Existe um grande abismo entre as fibras que vêm sendo encontradas e as penas das aves. A explicação para isso ainda continua um mistério. Com o passar do tempo e por meio das descobertas científicas, percebe-se que as lacunas presentes no evolucionismo estão aumentando, e novos argumentos devem ser postulados para sustentar a teoria evolucionista.

Fontes: BBC News e The New York Times

(Liziane Nunes Conrad Costa é formada em Ciências Biológicas com ênfase em Biotecnologia [UNIPAR], especialista em Morfofisiologia Animal [UFLA] e mestranda em Biociências e Saúde [UNIOESTE]. É diretora-presidente do Núcleo cascavelense da SCB [Nuvel-SCB]))

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segunda-feira, dezembro 17, 2018

Darwin presidente: liberalismo econômico tem a ver com evolucionismo?

O liberalismo econômico teria algo de evolucionismo em sua origem ou na fundamentação de suas ideias? Ou seria esta uma filosofia política e econômica segura para ser defendida pelos cristãos? Na primeira matéria da série "Darwin Presidente" foi abordado o socialismo e como o darwinismo social influenciou a visão de mundo que embasa os movimentos de esquerda atualmente. Na segunda postagem da série, falou-se sobre a influência da evolução no fascismo, e como a teoria darwinista pode embasar o racional por trás da ideia da supremacia racial com toda a tragédia que essa visão traz consigo. Neste texto será apresentado um assunto pouco conhecido e, talvez para alguns, surpreendente: a influência do darwinismo na filosofia neoliberal.

Como o darwinismo proveu uma justificativa moral para o capitalismo liberal


Em 1851, portanto cerca de oito anos antes da publicação de A Origem das Espécies [...] por Darwin, Herbert Spencer (o mesmo cujas ideias fundamentaram o socialismo e a terceira posição) havia publicado um livro contendo já as ideias de seleção natural do mais apto. Apenas lembre-se de que foi Spencer, e não Darwin, quem cunhou a expressão "survival of the fittest" - a sobrevivência do mais apto. Nesse livro o autor tratou de defender o "capitalismo laissez-faire". Laissez-faire é uma expressão francesa usada frequentemente para representar algo que deve ser deixado por si só, ou "do jeito que quiser", sem interferência. A ideia básica por trás dessa primeira publicação de Spencer, portanto, era a de que os mercados deveriam operar com o mínimo de interferência dos governos.[1] Como racional embasando essa ideia, o autor dizia que toda a história social humana havia sido cunhada por meio da competição entre indivíduos. Pelas vias da competição, os agentes sociais mais aptos se apropriariam dos recursos e os controlariam sem obstáculos. De acordo com Spencer, quanto mais os atores fossem deixados a competir livremente, sem interferências de quem ou do que quer que fosse, mais rápido a sociedade evoluiria. Em termos, os governos e as organizações sociais, e mesmo os demais indivíduos, não deveriam interferir na luta entre competidores e nos resultados da vitória do mais apto sobre o menos apto. Portanto, para Spencer, não se deveria impedir que os mais fracos morressem (ou fossem destruídos em qualquer instância - econômica, social ou emocional), pois isso prejudicaria a "evolução" da sociedade como um todo.[1]

Spencer, posteriormente inspirado em grande medida pelo trabalho de Darwin e com financiamento de amigos, escreveu mais uma dúzia de livros.[1] Nessas obras Spencer reforçou a ideia de que o destino da civilização estava nas mãos dos espécimes mais aptos. Diferentemente de Darwin, Spencer acreditava que características aprendidas pelas pessoas poderiam ser transmitidas para a sua descendência. Assim, os indivíduos "mais aptos" da sociedade nasceriam com uma tendência natural de "industriosidade, frugalidade, o desejo natural de deter propriedades e a habilidade de acumular riqueza".[1] Por outro lado, os "menos aptos" seriam nascidos já com a preguiça, estupidez e imoralidade em suas veias.[1] Assim, pode-se concluir que as pessoas mais evoluídas formariam clãs de indivíduos desenvolvidos, dando-se o oposto com os menos afortunados.

Para Spencer, deixado per se, esse "populacho" de seres "inferiores" seria naturalmente extinto, vencido pelos "melhores" da civilização e, caso o governo e demais instituições interviessem para equilibrar o disparate social, estariam impedindo que a sociedade evoluísse para um melhor estado de coisas. O autor, que era britânico, criticou o parlamento de seu país por entender que havia uma interferência excessiva na sociedade por causa da legislação que protegia os fracos, os pobres e os trabalhadores. Spencer acreditava que o então império estava rumando para se tornar uma sociedade industrial evoluída e que o governo deveria "sair da frente" dos mais aptos para deixar espaço para que os "inferiores" fossem naturalmente eliminados e a plenitude econômica e social se instaurasse. Para o autor, a única regra que o governo deveria se esforçar por garantir seria a de que todos os agentes devem ter igualdade de condições de competir.[1]

Aliás, Spencer acreditava que o governo teria como missão apenas defender o território nacional contra as invasões estrangeiras e atuar combatendo a criminalidade, para que a propriedade privada fosse garantida. O autor via também a ajuda que o Governo provia aos pobres como sendo um estímulo à preguiça. Spencer também se manifestava terminantemente contra a educação pública, pois esta seria uma forma de fazer os contribuintes pagarem pela educação dos filhos dos outros (mais uma vez estimulando a preguiça e perpetuando a classe "inferior"). Essa inimizade contra a legislação em favor do social se estendia ainda a outros assuntos, como salário mínimo, limitação de jornada de trabalho, formação e manutenção de sindicatos, políticas sociais de moradia, saneamento básico e saúde. Essas ações do governo feririam (de alguma forma) os direitos de propriedade dos detentores dos recursos na sociedade. O pensamento do autor ia a extremos de dizer que as doenças eram penalidades naturais que sobrevinham aos imbecis e ignorantes, e que não se deveria impedir que as pestes seguissem o seu curso natural.[1]

Para surpresa geral, porém, Spencer acreditava que mesmo o Império Britânico deveria se retirar de suas intenções colonialistas, muito embora seus escritos tenham sido justamente utilizados por figuras do poder britânico para justificar essa expansão. A explicação é a de que o colonialismo, para o autor, demandava uma expansão da burocracia estatal (por causa da dificuldade de controlar os territórios conquistados), o que faria com que o Estado adquirisse uma estrutura custosa e que tendia a mais interferências indesejadas na economia e no mercado[1].

Darwinismo social nos Estados Unidos
No entanto, as ideias de Spencer não ficaram apenas para dentro das fronteiras do arquipélago de Sua Majestade. Isso apesar de que a ampla aceitação das suas ideias no que seria a grande potência mundial do século 19 seria, por si só, um feito e tanto. O período compreendido entre as décadas de 1870 e 1900 viu o surgimento de um capitalismo fortemente influenciado pelas ideias darwinistas sociais inglesas nos Estados Unidos da América. Grandes nomes do capitalismo no Novo Mundo, como John Rockefeller e Andrew Carnegie eram não apenas seguidores, mas promulgadores das ideias do darwinismo social. Todavia, ao adotarem a filosofia que fora tão eficientemente promovida por Spencer na Inglaterra, o que os EUA viram no período não foi, contraditoriamente, a destruição de monopólios comerciais pela competição, conforme profetizava o autor. O que ocorreu, na realidade, foi a formação de cartéis e o controle dos meios de produção pelas rédeas de poucas famílias industriais e investidoras norte-americanas. As condições dos trabalhadores à época, nos Estados Unidos, eram inimagináveis para a sociedade ocidental capitalista de hoje. Horas diárias de trabalho infindáveis, baixíssimos salários, exploração do trabalho infantil, condições insalubres em minas e fábricas, e péssima segurança no trabalho. No entanto, as cortes judiciais norte-americanas, naquele período, tendiam a dar ganho de causa à visão darwinista social de Spencer. Assim, os movimentos trabalhistas eram reprimidos violentamente pela justiça, por meio da ação policial.

Por causa das condições injustas e mesmo desumanas de trabalho, revoluções sindicais explodiram nos EUA pela década de 1880. Os protestos eram violentos e, frequentemente, deixavam um saldo elevado de mortos e feridos. Muitos políticos e pessoas de influência dos Estados Unidos temeram que uma revolução marxista estivesse em curso em seu país. Então, o governo americano finalmente começou a ceder em favor de leis como as da taxação de grandes fortunas e que favorecessem não apenas o lado do empregador nas disputas entre grandes industriais e os sindicatos de trabalhadores. Mas a década seguinte na América trouxe um recrudescimento da legislação em favor do Estado laissez-faire, que inclusive declarou inconstitucionais as leis trabalhistas estaduais que tinham sido criadas para proteger mulheres e crianças, e que limitavam as horas da jornada semanal para "apenas" 60[1] (comparar com as atuais 44h semanais no Brasil, máximo permitido pela CLT, para pessoas que trabalham de segunda à sábado, oito horas por dia de semana e quatro no sábado).

Ainda assim, políticos como Theodore Roosevelt (não confundir com Franklyn Roosevelt) continuavam a labutar com ideias progressitas para se contraporem aos ensinos de Spencer, que eram tidos como uma espécie de bíblia entre os legisladores americanos. Pouco a pouco as ideias progressistas ganharam espaço entre os homens influentes dos EUA, tendo como resultado o desenvolvimento de condições um pouco mais humanas aos trabalhadores do País.[1]

Spencer morreu em 1903, pessimista e desiludido ao ver os governos cada vez mais atuantes nas sociedades britânica e norte-americana, com o objetivo de proteger os "menos aptos" da extinção preconizada nos seus escritos.

O darwinismo social no século 21

Apesar de a morte de Spencer ter ocorrido há mais de 100 anos, suas ideias continuam presentes na sociedade atual e os efeitos mais funestos do darwinismo social estão longe do seu fim. É difícil delinear precisamente o quanto as ideias darwinistas sociais se entreteceram no comportamento ocidental ao longo das décadas após sua publicação. No entanto, alguns números podem dar um diagnóstico da extensão da desigualdade gerada pelo liberalismo econômico levado ao seu extremo:

De acordo com a rede de comunicação britânica BBC, a distância entre pobres e ricos no mundo só vem aumentando. A previsão era, à época da reportagem, que já em 2016 o 1% mais rico da população mundial detivesse mais capital que todo o resto dos humanos. O fórum econômico de Davos, de acordo com a Oxfam - uma organização internacional que luta pelo fim da pobreza -, deveria ser alertado e instado para atuar no sentido de que a desigualdade social fosse abordada como um tema de primeira importância na pauta política e econômica internacional.[2]

Ainda mais, de acordo com a Oxfam, como reportado pela BBC, as 85 pessoas mais ricas do mundo teriam mais dinheiro do que os 50% mais pobres (parcela esta que representa quase quatro bilhões de pessoas). Mas a conta mais estarrecedora é um pouco difícil de compreender, todavia nem por isso menos alarmante. A Oxfam denuncia que, em 2014, de toda a riqueza que não é detida pelo 1% mais rico do mundo, 52% dela é possuída pelos outros 20% mais acima no topo da pirâmide. Assim, de acordo com a Oxfam, cerca de 80% da população mundial deve sobreviver com cerca de 5,5% da riqueza total produzida na Terra.

Um estudo publicado em 2011 por pesquisadores do Instituto Federal de Tecnologia de Lausane, na Suíça, analisou bases de dados que detêm informações de mais de 73 milhões de empresas ao redor do mundo. Traçando as relações entre as estruturas de capital dessas empresas, os pesquisadores concluíram que 1.318 grandes companhias detêm a maioria das ações das maiores organizações do mundo. Isso significa que essas 1.318 empresas estão no controle de 60% de tudo que é vendido em todos os países. Mas ainda não é o fim: aprofundando a análise dessas 1.318 companhias, os pesquisadores descobriram um núcleo de 147 empresas (a maioria grandes bancos) que controlam 40% do capital do primeiro grupo. Em termos, 147 empresas, cujos sócios representam uma fração ínfima da população mundial, controlam quase a metade de tudo que é vendido no Planeta.[3]

Esse cenário apenas reforça o que já se havia visto no século 19, de concentração de renda e espalhamento não da riqueza, mas da miséria. Como visto, embora os discursos políticos (neo)liberais sejam inflamados e cheios de promessas de prosperidade, justiça e igualdade de oportunidades, baseados em uma retórica muito convincente, o fato é que o mundo - e não apenas o Brasil - está cada vez mais desigual e injusto. A menos que você concorde com Spencer.

Conclusão

A sobrevivência do mais apto no marxismo e no fascismo gerou o totalitarismo. No liberalismo, o totalitarismo não ocorre no governo, mas nos feudos econômicos, onde poucas pessoas controlam a maior parte da produção industrial. O egoísmo da natureza humana culmina com o totalitarismo e o absolutismo, quando os adversários são eliminados. Isso se verificou no comunismo, quando os "opressores do povo" (burguesia) foram esmagados apenas para dar lugar a ditadores como Stálin. O egoísmo foi visto, também, na terceira-posição, quando as "raças inferiores" foram caçadas como animais e mortas de forma ainda pior.

E no liberalismo econômico? Não seria o clamor pelo estado mínimo uma prova de que essa sede de poder irrestrito, visto nas outras ideologias, estaria longe de uma filosofia possivelmente segura para que os cristãos a sigam?

Como visto acima, infelizmente não. Nos fundamentos do liberalismo econômico, o Estado simplesmente é um dos inimigos a serem vencidos para que os ditadores do capital possam seguir "peneirando" as classes "inferiores" rumo a uma estrutura em que poucos estão no topo de uma pirâmide que esmaga cruelmente sua base. Esse topo não estaria no plano político, mas no plano econômico e financeiro, chamado Mercado.

Obviamente tratamos nesses posts dos fundamentos evolucionistas dessas ideologias. Alguns conceitos apresentados por cada uma delas surgem em contextos que até justificariam algumas posturas e ações. Além disso, não se avaliaram aqui as motivações e o caráter de todos os seus seguidores. Existem pessoas honestas e benfazejas defendendo cada uma dessas três vertentes. Todavia, o destaque aqui é para a fonte comum entre todas as três, uma fonte evolucionista e, portanto, reducionista da figura humana. Uma fonte que legitima a competição e a destruição do "menos apto".

Como Jesus disse: "O Meu reino não é desse mundo" (João 18:36). Os cristãos devem, de acordo com a Bíblia, seguir votando com consciência e prudência, trabalhando com e apoiando as autoridades civis em tudo o que não for contrário aos mandamentos de Deus. Mas devem lembrar que "todos estes morreram na fé [...] confessaram-se estrangeiros e peregrinos na Terra [...] claramente mostram que buscam uma pátria [...] mas agora, desejam uma melhor, isto é, a celestial. Por isso também Deus não Se envergonha deles, de Se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade" (Hebreus 11:13-16).

Alexsander Silva
Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra.
Porque, os que isto dizem, claramente mostram que buscam uma pátria.
E se, na verdade, se lembrassem daquela de onde haviam saído, teriam oportunidade de tornar.
Mas agora desejam uma melhor, isto é, a celestial. Por isso também Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade.

Hebreus 11:13-16
Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra.
Porque, os que isto dizem, claramente mostram que buscam uma pátria.
E se, na verdade, se lembrassem daquela de onde haviam saído, teriam oportunidade de tornar.
Mas agora desejam uma melhor, isto é, a celestial. Por isso também Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade.

Hebreus 11:13-16
Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra.
Porque, os que isto dizem, claramente mostram que buscam uma pátria.
E se, na verdade, se lembrassem daquela de onde haviam saído, teriam oportunidade de tornar.
Mas agora desejam uma melhor, isto é, a celestial. Por isso também Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade.

Hebreus 11:13-16
Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra.
Porque, os que isto dizem, claramente mostram que buscam uma pátria.
E se, na verdade, se lembrassem daquela de onde haviam saído, teriam oportunidade de tornar.
Mas agora desejam uma melhor, isto é, a celestial. Por isso também Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade.

Hebreus 11:13-16
Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra.
Porque, os que isto dizem, claramente mostram que buscam uma pátria.
E se, na verdade, se lembrassem daquela de onde haviam saído, teriam oportunidade de tornar.
Mas agora desejam uma melhor, isto é, a celestial. Por isso também Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade.

Hebreus 11:13-16

Referências:
[1] BRIA (2003). Social darwinism and American laissez-faire capitalism. Disponível em: http://www.crf-usa.org/bill-of-rights-in-action/bria-19-2-b-social-darwinism-and-american-laissez-faire-capitalism.html
[2] BBC (2015, January 19). Richest 1% to own more than the rest of the world, Oxfam says. Disponível em: https://www.bbc.com/news/business-30875633
[3] Inovação Tecnológica (2011). Matemáticos revelam rede capitalista que domina o mundo. https://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=rede-capitalista-domina-mundo&id=010150111022#.W94Q2SdRfEo

terça-feira, dezembro 11, 2018

Drauzio Varella outra vez


[O Dr. Drauzio Varella, a quem respeito como médico e autor, publicou na semana passada o texto “Criacionismo outra vez”, expondo novamente suas ideias equivocadas com respeito ao criacionismo, algo que ele já fez e que eu comentei aqui. No texto abaixo, meus comentários seguem entre colchetes. – MB]

Voltamos a falar no ensino do criacionismo nas escolas. A mania de andar para trás teima em nos perseguir. Até 1859, quando Charles Darwin publicou o livro sobre a origem das espécies, todos acreditavam que Deus os havia criado num único dia. Essa crença começou a ser questionada no século 19, época em que os museus ingleses passaram a exibir plantas e esqueletos de animais já extintos. Como justificar o desaparecimento de tantas espécies tão semelhantes às que ainda povoavam a Terra? A explicação corrente era a de que a ira divina exterminava periodicamente algumas espécies para criar outras, parecidas com as anteriores. [Não, a explicação criacionista sempre foi a de que a Terra sofreu as consequências de uma catástrofe chamada dilúvio, que levou à extinção de toda forma de vida não preservada na arca de Noé, daí por que há tantos fósseis espalhados pelo planeta e hoje seus descendentes mais ou menos limitadamente modificados vivem sobre a Terra.]

Darwin entendeu que a ciência devia estudar a grande variabilidade existente entre os indivíduos da mesma espécie, característica que não era levada em consideração pelos naturalistas da época. Suas observações sobre os pássaros das ilhas que visitou a bordo do Beagle, bem como a leitura dos trabalhos de Malthus a respeito da finitude dos recursos naturais, levaram Darwin a concluir que a vida é uma eterna competição pelo acesso a eles, na qual os indivíduos que não se adaptaram às exigências do ambiente foram eliminados por seleção natural. [Também estive em Galápagos e tudo o que vi foi variação limitada. Exemplo: tentilhões variam em plumagem e tamanho de uma ilha para outra, mas continuam sempre sendo tentilhões. Diversificação de baixo nível é algo perfeitamente aceito pelos criacionistas; o que não podemos aceitar é a ideia da macroevolução, para a qual não há comprovação nem evidências. Trata-se de uma premissa filosófica.]

Como consequência, todos os seres vivos deviam ter ancestrais comuns [aí está a extrapolação filosófica macroevolutiva]. O homem, por exemplo, seria descendente do mesmo ancestral que deu origem aos demais primatas [evidências, Dr. Drauzio, por favor].

Imaginem o furor que essa ideia provocou na Inglaterra vitoriana e no mundo religioso. Negar que fôramos criados à imagem e semelhança de Deus era uma blasfêmia inaceitável (ainda hoje considerada como tal por muitos religiosos). [Em uma Inglaterra em ebulição social, com uma igreja hegemônica corrompida e revoluções ocorrendo, qualquer ideias que colocasse em dúvida a religião tradicional acabaria sendo bem aceita. Esse foi o terreno fértil em que a teoria da evolução vicejou.]

Desde então, a teoria que Darwin enunciou naquele tempo foi exaustivamente testada e confirmada [outra declaração de fé, pois nem todas as premissas do darwinismo podem ser “testadas e confirmadas”]. O conceito de mutação gênica, a descrição da molécula de DNA e as descobertas da genética e da biologia molecular nos séculos 20 e 21 demonstraram que a seleção natural está presente até nos mecanismos moleculares das funções fisiológicas das células [vamos lá: (1) mutações não aprimoram, não adicionam informação nem são responsáveis pelo surgimento de novos planos corporais; experimentos científicos têm demonstrado isso (confira); (2) a descrição do DNA e os avanços da genética e da biologia molecular apenas fizeram fortalecer a ideia do design inteligente (confira); (3) criacionistas aceitam a seleção natural, pois ela é fato; mas entendem que a seleção natural apenas explica como o “mais apto” sobrevive, não como ele “apareceu”, já que ela obviamente somente age sobe algo que já existe].

Theodosius Dobzhanski [sic], um dos maiores geneticistas do século passado, afirmou: “Nada em biologia faz sentido senão à luz da evolução.” [Com certeza o Dr. Drauzio não deve saber disto sobre Dobzhansky...]

A seleção natural é um mecanismo universal que explica a evolução da vida na Terra e em qualquer planeta em que venha a ser encontrada [wow! O evolucionismo é uma ideologia tão forte que vale até para planetas aos quais ainda nem chegamos; se aconteceu aqui, aconteceu lá também]. Ao contrário do pensamento científico, o religioso está alicerçado na fé [outra falácia, já que criacionistas se valem da boa ciência e da fé]. Como não preciso de experimentos para provar que Deus existe, que Jesus Cristo foi seu filho e que a vida eterna é o nosso destino, posso crer que a Terra tem dez mil anos e que Eva foi criada a partir de uma costela de Adão. [Quem disse que criacionistas desprezam a boa ciência como auxílio no sentido de validar suas crenças? A biologia, a física e a arqueologia estão aí para provar o contrário do que afirma o Dr. Drauzio.]

Nada contra os crentes, a ciência não é a única forma de entender o mundo, as religiões procuram fazê-lo por outros caminhos. No entanto, assim como os cientistas têm obrigação de respeitar crenças alheias, os religiosos não devem se opor ao conhecimento científico [e não se opõem; opõem-se, sim, ao conhecimento que posa de científico, embora seja filosófico]. O problema não está no ensino do criacionismo como pensamento religioso que ainda influencia muitas pessoas, mas em apresentá-lo como alternativa em pé de igualdade à evolução das espécies por seleção natural [criacionistas bem informados não concordam com o ensino do criacionismo em aulas de ciências ou de biologia nas escolas seculares].

Questionar a veracidade da teoria da origem das espécies enunciada por Darwin e Wallace há mais de 150 anos, desculpem, é ignorância. É o mesmo do que duvidar da gravitação universal de Newton, colocar outra vez a Terra no centro do universo sem levar em conta Copérnico e Galileu, negar a relatividade enunciada por Einstein ou a teoria quântica de Max Planck. [Chega a ser irônico criticar o criacionismo e mencionar no mesmo parágrafo cientistas pioneiros criacionistas como Newton, Copérnico e Galileu! Isso, sim, é ignorância científica e histórica.]

A Terra não tem dez mil anos, mas 4,5 bilhões. A vida surgiu a partir das moléculas primordiais de RNA que se formaram há uns quatro bilhões, assim que o planeta esfriou [leia mais sobre isso aqui, e saiba também que cientistas gabaritados admitiram recentemente que a vida não poderia ter surgido aqui como propõem os evolucionistas (confira)]. Chimpanzés e bonobos compartilham conosco mais de 95% dos genes que herdamos de nosso ancestral comum [ah, é?]. Não fosse um meteorito cair na península de Yucatán, no México, há 65 milhões de anos, os dinossauros ainda dominariam a Terra e, nós, dificilmente estaríamos por aqui [tem certeza, Dr. Drauzio?].

Há os que preferem crer que a mão de Deus deu origem ao homem e a todos os seres vivos. Alguns não negam as evidências da evolução, mas propõem que Ele está por trás de todas as mutações gênicas adaptativas que selecionaram as espécies [esses são os mais contraditórios]. Para eles, admitir que surgimos como resultado dos acasos envolvidos na seleção natural não faz sentido. [E faz sentido crer que a ordem proveio do caos? Que a vida surgiu da não vida, mesmo depois dos experimentos de Pasteur? Que informação complexa e específica teria surgido do nada? Quem é o verdadeiro crente aqui?]

Para mim, imaginar que um ser superior criou tudo num passe de mágica reduz a complexidade da biologia que através de mecanismos seletivos chegou ao único animal que se atreveu a desvendar os mistérios da criação da vida. [O fato é que Drauzio Varella crê na teoria da evolução porque decidiu não crer em Deus. Que opção lhe resta?]