terça-feira, dezembro 11, 2018

Drauzio Varella outra vez


[O Dr. Drauzio Varella, a quem respeito como médico e autor, publicou na semana passada o texto “Criacionismo outra vez”, expondo novamente suas ideias equivocadas com respeito ao criacionismo, algo que ele já fez e que eu comentei aqui. No texto abaixo, meus comentários seguem entre colchetes. – MB]

Voltamos a falar no ensino do criacionismo nas escolas. A mania de andar para trás teima em nos perseguir. Até 1859, quando Charles Darwin publicou o livro sobre a origem das espécies, todos acreditavam que Deus os havia criado num único dia. Essa crença começou a ser questionada no século 19, época em que os museus ingleses passaram a exibir plantas e esqueletos de animais já extintos. Como justificar o desaparecimento de tantas espécies tão semelhantes às que ainda povoavam a Terra? A explicação corrente era a de que a ira divina exterminava periodicamente algumas espécies para criar outras, parecidas com as anteriores. [Não, a explicação criacionista sempre foi a de que a Terra sofreu as consequências de uma catástrofe chamada dilúvio, que levou à extinção de toda forma de vida não preservada na arca de Noé, daí por que há tantos fósseis espalhados pelo planeta e hoje seus descendentes mais ou menos limitadamente modificados vivem sobre a Terra.]

Darwin entendeu que a ciência devia estudar a grande variabilidade existente entre os indivíduos da mesma espécie, característica que não era levada em consideração pelos naturalistas da época. Suas observações sobre os pássaros das ilhas que visitou a bordo do Beagle, bem como a leitura dos trabalhos de Malthus a respeito da finitude dos recursos naturais, levaram Darwin a concluir que a vida é uma eterna competição pelo acesso a eles, na qual os indivíduos que não se adaptaram às exigências do ambiente foram eliminados por seleção natural. [Também estive em Galápagos e tudo o que vi foi variação limitada. Exemplo: tentilhões variam em plumagem e tamanho de uma ilha para outra, mas continuam sempre sendo tentilhões. Diversificação de baixo nível é algo perfeitamente aceito pelos criacionistas; o que não podemos aceitar é a ideia da macroevolução, para a qual não há comprovação nem evidências. Trata-se de uma premissa filosófica.]

Como consequência, todos os seres vivos deviam ter ancestrais comuns [aí está a extrapolação filosófica macroevolutiva]. O homem, por exemplo, seria descendente do mesmo ancestral que deu origem aos demais primatas [evidências, Dr. Drauzio, por favor].

Imaginem o furor que essa ideia provocou na Inglaterra vitoriana e no mundo religioso. Negar que fôramos criados à imagem e semelhança de Deus era uma blasfêmia inaceitável (ainda hoje considerada como tal por muitos religiosos). [Em uma Inglaterra em ebulição social, com uma igreja hegemônica corrompida e revoluções ocorrendo, qualquer ideias que colocasse em dúvida a religião tradicional acabaria sendo bem aceita. Esse foi o terreno fértil em que a teoria da evolução vicejou.]

Desde então, a teoria que Darwin enunciou naquele tempo foi exaustivamente testada e confirmada [outra declaração de fé, pois nem todas as premissas do darwinismo podem ser “testadas e confirmadas”]. O conceito de mutação gênica, a descrição da molécula de DNA e as descobertas da genética e da biologia molecular nos séculos 20 e 21 demonstraram que a seleção natural está presente até nos mecanismos moleculares das funções fisiológicas das células [vamos lá: (1) mutações não aprimoram, não adicionam informação nem são responsáveis pelo surgimento de novos planos corporais; experimentos científicos têm demonstrado isso (confira); (2) a descrição do DNA e os avanços da genética e da biologia molecular apenas fizeram fortalecer a ideia do design inteligente (confira); (3) criacionistas aceitam a seleção natural, pois ela é fato; mas entendem que a seleção natural apenas explica como o “mais apto” sobrevive, não como ele “apareceu”, já que ela obviamente somente age sobe algo que já existe].

Theodosius Dobzhanski [sic], um dos maiores geneticistas do século passado, afirmou: “Nada em biologia faz sentido senão à luz da evolução.” [Com certeza o Dr. Drauzio não deve saber disto sobre Dobzhansky...]

A seleção natural é um mecanismo universal que explica a evolução da vida na Terra e em qualquer planeta em que venha a ser encontrada [wow! O evolucionismo é uma ideologia tão forte que vale até para planetas aos quais ainda nem chegamos; se aconteceu aqui, aconteceu lá também]. Ao contrário do pensamento científico, o religioso está alicerçado na fé [outra falácia, já que criacionistas se valem da boa ciência e da fé]. Como não preciso de experimentos para provar que Deus existe, que Jesus Cristo foi seu filho e que a vida eterna é o nosso destino, posso crer que a Terra tem dez mil anos e que Eva foi criada a partir de uma costela de Adão. [Quem disse que criacionistas desprezam a boa ciência como auxílio no sentido de validar suas crenças? A biologia, a física e a arqueologia estão aí para provar o contrário do que afirma o Dr. Drauzio.]

Nada contra os crentes, a ciência não é a única forma de entender o mundo, as religiões procuram fazê-lo por outros caminhos. No entanto, assim como os cientistas têm obrigação de respeitar crenças alheias, os religiosos não devem se opor ao conhecimento científico [e não se opõem; opõem-se, sim, ao conhecimento que posa de científico, embora seja filosófico]. O problema não está no ensino do criacionismo como pensamento religioso que ainda influencia muitas pessoas, mas em apresentá-lo como alternativa em pé de igualdade à evolução das espécies por seleção natural [criacionistas bem informados não concordam com o ensino do criacionismo em aulas de ciências ou de biologia nas escolas seculares].

Questionar a veracidade da teoria da origem das espécies enunciada por Darwin e Wallace há mais de 150 anos, desculpem, é ignorância. É o mesmo do que duvidar da gravitação universal de Newton, colocar outra vez a Terra no centro do universo sem levar em conta Copérnico e Galileu, negar a relatividade enunciada por Einstein ou a teoria quântica de Max Planck. [Chega a ser irônico criticar o criacionismo e mencionar no mesmo parágrafo cientistas pioneiros criacionistas como Newton, Copérnico e Galileu! Isso, sim, é ignorância científica e histórica.]

A Terra não tem dez mil anos, mas 4,5 bilhões. A vida surgiu a partir das moléculas primordiais de RNA que se formaram há uns quatro bilhões, assim que o planeta esfriou [leia mais sobre isso aqui, e saiba também que cientistas gabaritados admitiram recentemente que a vida não poderia ter surgido aqui como propõem os evolucionistas (confira)]. Chimpanzés e bonobos compartilham conosco mais de 95% dos genes que herdamos de nosso ancestral comum [ah, é?]. Não fosse um meteorito cair na península de Yucatán, no México, há 65 milhões de anos, os dinossauros ainda dominariam a Terra e, nós, dificilmente estaríamos por aqui [tem certeza, Dr. Drauzio?].

Há os que preferem crer que a mão de Deus deu origem ao homem e a todos os seres vivos. Alguns não negam as evidências da evolução, mas propõem que Ele está por trás de todas as mutações gênicas adaptativas que selecionaram as espécies [esses são os mais contraditórios]. Para eles, admitir que surgimos como resultado dos acasos envolvidos na seleção natural não faz sentido. [E faz sentido crer que a ordem proveio do caos? Que a vida surgiu da não vida, mesmo depois dos experimentos de Pasteur? Que informação complexa e específica teria surgido do nada? Quem é o verdadeiro crente aqui?]

Para mim, imaginar que um ser superior criou tudo num passe de mágica reduz a complexidade da biologia que através de mecanismos seletivos chegou ao único animal que se atreveu a desvendar os mistérios da criação da vida. [O fato é que Drauzio Varella crê na teoria da evolução porque decidiu não crer em Deus. Que opção lhe resta?]

segunda-feira, dezembro 03, 2018

Anel de Pôncio Pilatos é descoberto perto de Jerusalém

Um anel descoberto perto de Jerusalém foi atribuído a Pôncio Pilatos, o governador romano que, segundo textos bíblicos, condenou Jesus a ser crucificado. O objeto descoberto há cinquenta anos em uma escavação traz uma inscrição “de Pilatus” em letras gregas, revelada agora em análises recentes de pesquisadores, de acordo com um artigo publicado no Israel Exploration Journal. Datado com cerca de 2.000 anos, o anel, que servia de selo, pode comportar uma das poucas menções escritas de Pôncio Pilatos de sua época, afirma o Instituto de Arqueologia da Universidade Hebraica de Jerusalém. A peça foi descoberta em Herodium, um antigo palácio construído na época do rei Herodes, perto de Jerusalém e de Belém, uma cidade da Cisjordânia ocupada [veja a foto]. O palácio serviu de fortaleza para os insurgentes judeus que se rebelaram contra os romanos.

“Na medida em que a inscrição menciona Pilatos, a primeira ideia que vem à mente é que se trata de Pôncio Pilatos, governador da província romana de Judeia, entre o ano 26 e 36 d.C., na época do imperador Tibério”, afirmam os autores no artigo.

Os pesquisadores consideram que é pouco provável que o anel tenha pertencido pessoalmente a Pôncio Pilatos por seu material, um metal e uma liga de cobre, parecer demasiado comum para uso pessoal de um governador romano. O mais provável é que ele fosse usado por um membro da administração dirigida por Pôncio Pilatos.

A única outra inscrição com o nome de Pôncio Pilatos, que data da época em que era governador da Judeia, é uma pedra descoberta em Cesareia, na costa mediterrânea de Israel. É o que informa em sua página on-line o Museu de Israel em Jerusalém, cuja coleção inclui essa pedra.


Nota: Trata-se de mais uma (entre inúmeras outras) descoberta arqueológica que confirma o pano de fundo histórico da Bíblia, o que faz dela o documento antigo mais respaldado por evidências materiais/documentais. [MB]