segunda-feira, maio 25, 2015

A faringe humana: um tubo ou dois tubos?

Projeto bem pensado
São inúmeras as tentativas argumentativas dos neodarwinistas em afirmar que nossas supostas deficiências físicas existem porque a seleção natural nos faz sobreviver “apenas o tempo suficiente para se reproduzir”. São meras especulações, e hoje veremos que uma, em específico, também cairá por terra. Mais um exemplo da série de “bad design”: apresento-lhes a faringe humana. Mas será que ela é mesmo um projeto tão ruim? Consideremos algumas das implicações desse projeto.

A faringe é um órgão tubular que conecta o nariz e a boca à laringe e ao esôfago. É um canal comum ao aparelho digestivo e ao aparelho respiratório. Em humanos, a faringe é ponto de encontro entre esses dois aparelhos. Quando engolimos qualquer tipo de alimento, uma estrutura laminar chamada epiglote fecha e encobre a laringe para que esses materiais não cheguem à traqueia e entrem em nossos pulmões. Há casos em que ocorre engasgo com comida ou água que “desce o caminho errado”. Em alguns desses casos, a asfixia resultante do engasgo pode ser fatal. Entretanto, quando o alimento ou a água entram no tubo errado (laringe), não é porque o sistema está mal projetado, mas, ocasionalmente, não funciona devido ao abuso, como comer enquanto estiver sob a influência de álcool.[1] Repito: as pessoas não morrem por causa de uma faringe mal projetada, mas sim em consequência de seu abuso ou de doença.

Os seres humanos engolem cerca de mil vezes por dia ou 27.375.000 vezes em uma vida média.[1] Em relação à asfixia por engasgo, a taxa de mortalidade é de um caso para cada 100 mil indivíduos (crianças e adultos).[2, 3] Diante desse fato, eventos fatais de asfixia são, na verdade, acontecimentos relativamente raros, quando comparados com o número de deglutições durante toda a vida. A asfixia é mais comum em crianças de 0 a 4 anos, muitas vezes causada por ingestão de pequenos brinquedos, balas ou gomas - coisas que as crianças pequenas não devem ter.[4] O segundo maior problema é em idosos, muitas vezes causado por doenças, tais como eventos cardíacos, diabetes, doença de Parkinson, doença de Alzheimer e pneumonites.[5] Em adultos, a asfixia ocorre frequentemente quando a pessoa está alcoolizada. O comportamento irresponsável envolvendo a embriaguez é um fator importante na asfixia, como no caso de comer rápido demais e não mastigar devidamente a comida, ou ainda quando falamos/respiramos e engolimos ao mesmo tempo (minha mãe sempre disse para não falar com a boca cheia).[6]

Mesmo diante das evidências, os negacionistas sugerem que um “melhor design” seria ter dois tubos separados − um conduzindo a partir do nariz diretamente para os pulmões (laringe e traqueia), e o segundo conduzindo a partir da boca diretamente para o estômago (esôfago).[7] No entanto, há vários problemas com esse “melhor design”. 

Em primeiro lugar, ter dois tubos no pescoço exigiria mais espaço e sistemas extras (com custos adicionais de energia) para manter duas estruturas. Mas o mais importante é que seria muito difícil de respirar quando ocorresse uma infecção dos seios paranasais (sinusite). Uma simples congestão nasal devido a um resfriado seria uma ameaça à vida, impediria a respiração e causaria sufocamento, já que o nariz seria a única via de entrada de ar nos pulmões. Sabe-se que a respiração é indispensável e não pode ser interrompida, nesse sentido, no projeto atual, a boca serve como um mecanismo reserva de respiração, isto é, se o nariz ficar entupido, é possível respirar pela boca. Mas vale ressaltar que a respiração oral deve ser utilizada apenas por um determinado período de tempo (durante uma congestão nasal, por exemplo), uma vez que o projeto ideal da respiração, a fim de evitar doenças e complicações, é por meio do nariz.[8]

No projeto de dois tubos haveria também o problema de se livrar do líquido que entra acidentalmente nos pulmões. Esse líquido teria que ser empurrado por todo o caminho de volta até o nariz para ser expulso (mas, para isso, seriam necessárias estruturas adicionais no nariz, como uma língua e lábios). No sistema atual, basta ir até o topo da traqueia e descer no esôfago até o estômago. Outro problema no projeto de dois tubos é que, quanto mais aberturas existem no corpo, mais difícil é protegê-lo contra patógenos.[1] Usando três aberturas em lugar das que estão presentes no projeto atual, a probabilidade de infecções também iria aumentar significativamente, e a proteção contra patógenos teria de ser aumentada.

No projeto atual de comutação entre a laringe e o esôfago é permitido comer e respirar simultaneamente com maior eficiência e menos massa corporal do que se tivéssemos dois canais separados desconexos.[1] O mais importante é que não poderíamos respirar e engolir, ao mesmo tempo, se os dois sistemas estivessem separados. Ademais, a cooperação entre os sistemas também pode ser evidenciada pelo muco produzido nos seios paranasais. Esse muco, quando engolido, auxilia no revestimento do esôfago, uma vez que este possui poucas glândulas produtoras de muco. Esse reforço ajuda na proteção contra a acidez estomacal, caso ocorra um refluxo.

No projeto de dois tubos também haveria restrições na quantidade de atividade física que poderíamos fazer. Quando corremos, por exemplo, respiramos por meio da boca, uma vez que a abertura maior permite uma taxa de respiração mais rápida, embora não seja o ideal. No projeto de dois tubos, a maneira que permitiria uma grande taxa de respiração é o aumento no tamanho e nas aberturas do nariz. Além da aparência horrorosa, as aberturas maiores iriam apresentar problemas. Objetos poderiam entrar nessas grandes aberturas e teriam acesso direto aos pulmões (por exemplo, poderíamos inalar uma mosca). Passagens nasais maiores também reduziriam a temperatura do ar, uma vez que o ar não poderia ser aquecido de forma tão eficaz (importante para climas frios), como no caso do projeto atual. 

Ainda em relação à atividade física, nota-se que, no projeto atual, é importante a comutação entre os sistemas devido à necessidade de lavagem de CO2 pela boca. Se tivéssemos um tubo separado somente para a entrada e saída dos gases, o CO2 demoraria muito para sair. Isso, atrelado ao ato de prender a respiração durante o esforço físico, levaria ao desmaio por narcose. Ademais, se a saída do ar não ocorresse de forma rápida em treinos de força, como no caso da manobra de Valsalva (forçar a saída do ar, estando com a boca e narinas fechadas) realizada por praticantes de atividade física em academias, acarretaria lesão timpânica e hipertensão arterial.[9]

Outro grande problema seriam a fala e a linguagem. No projeto atual, precisamos usar a boca e a língua, a fim de produzir a fala.[10] No projeto de dois tubos, o ar impactando diretamente as cordas vocais, na ausência de uma língua, de lábios e dentes, só seria capaz de produzir um número muito limitado de sons.[11] Podemos fazer um teste simples: mantenha a boca aberta e não mexa a língua enquanto tenta se comunicar. Complicado, né? Assim, ao contrário da alegação evolucionista, o projeto de comutação entre a laringe e o esôfago é um exemplo de um sistema complexo elegantemente concebido.[12] A faringe serve como única passagem para três sistemas − respiratório, digestivo e comunicativo - por muitas boas razões. Como vimos, a principal, ao contrário do que ocorre nos primatas, é a fala.

Enfim, suponhamos que devêssemos, sim, ser projetados com dois tubos. Qual seria nossa aparência? Nossa traqueia iria continuar até o nariz, exigindo que o pescoço fosse mais largo. Teríamos um nariz enorme, e nele haveria outras estruturas. É claro, o rosto teria que ser muito maior também para acomodar as estruturas adicionais. Pensando bem, estou feliz de não ter sido projetado por um proponente do neodarwinismo!

(Everton F. Alves é enfermeiro e mestre em Ciências da Saúde pela UEM)

Referências:
1. Bergman J. “Is the human pharynx poorly designed?” Journal of Creation 2008; 22(1):41-43. http://creation.com/is-the-human-pharynx-poorly-designed
2. Tarrago SB. “Prevention of choking, strangulation, and suffocation in childhood.” WMJ. 2000; 99(9):43-6. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/11220195
3. Gregori D. “Saúde Pública e Prevenção de Acidentes com Corpos Estranhos: Ocorrências do Registro Europeu ‘Susy Sã e Salva’”, p. 43-62. In: Sih T. VIII Manual de Otorrinolaringologia Pediátrica da IAPO. São Paulo: Vida & Consciência, 2009. http://www.iapo.org.br/manuals/viii_manual_br_05.pdf
4. Chapin MM, Rochette LM,  Annest JL, Haileyesus T,  Conner KA,  Smith GA. “Nonfatal Choking on Food Among Children 14 Years or Younger in the United States”, 2001–2009. Pediatrics. 2013; 132(2):275-81.
5. Kramarow EWarner MChen LH. “Food-related choking deaths among the elderly.” Inj Prev. 2014; 20(3):200-3. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24003082
6. Berzlanovich AMFazeny-Dörner BWaldhoer TFasching PKeil W. “Foreign body asphyxia: a preventable cause of death in the elderly.” Am J Prev Med. 2005; 28(1):65-9. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15626557
7. Olshansky SJ, Carnes B, Butler R. “If Humans Were Built to Last.” Sci Am. 2001; 284(3):50-5. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/11234506
8. Projeto “Respire pelo nariz e viva melhor”, da Academia Brasileira de Rinologia. Disponível em: http://www.respirepelonariz.org.br/acampanha.asp
9. Entrevista concedida por Fabrizio Romano. “Respiração correta é essencial para garantir resultados desejados” [Set. 2014]. JM Online, 2014. Disponível em: http://www.jmonline.com.br/novo/?noticias,7,SAUDE,99022
10. Laitman J. “The anatomy of human speech.” Natural History 1984; 93(8):20-27.
11. Gordon-Brannan ME, Weiss CE. Clinical Management of Articulatory and Phonologic Disorders. Philadelphia: Lippincott Williams and Wilkins, 2007.
12. Walter C. Thumbs, Toes, and Tears and Other Traits that Make Us Human. New York: Walker and Company, 2006. 

Animal extinto é encontrado vivo

Aberturas em que o Protulophila vive
Um pequeno animal marinho que os cientistas pensavam estar extinto pelos últimos quatro milhões de anos acaba de ser encontrado vivinho da silva na Nova Zelândia. Esse “fóssil vivo” é um pólipo de tentáculos do gênero Protulophila. Anteriormente, ele só havia sido encontrado em depósitos fósseis no hemisfério norte, especificamente na Europa e no Oriente Médio. Os cientistas pensam que sua história se estende 170 milhões de anos de atrás [segundo a cronologia evolucionista], no Jurássico Médio, antes de eles terem sido supostamente “extintos” no Plioceno. O último vestígio conhecido desses animais foi visto em rochas de [supostos] quatro milhões de anos de idade. Os paleontólogos pensavam que os Protulophila eram hidróides coloniais (semelhantes a uma hidra) relacionados com os corais e anêmonas do mar. O animal forma uma rede de canais e furos microscópicos no interior de tubos de vermes marinhos chamados de serpulídeos.

Neste ano, exemplos fósseis mais novos foram descobertos por pesquisadores do Instituto Nacional de Água e Pesquisa Atmosférica da Nova Zelândia, do Museu de História Natural de Londres, na Inglaterra, e da Universidade de Oslo, na Noruega, durante um trabalho de campo em Wanganui, na costa oeste da Ilha do Norte, na Nova Zelândia. Eles encontraram evidências fósseis de pequenos pólipos Protulophila em tubos fossilizados em rochas jovens (geologicamente falando), com menos de um milhão de anos de idade [idem].

Depois de encontrar os animais “extintos” nessas rochas, a equipe examinou o interior de tubos serpulídeos da coleção do Instituto Nacional de Água e Pesquisa Atmosférica e encontrou exemplos de Protulophila que tinham sido negligenciados. Essas amostras tinham sido coletadas tão recentemente quanto em 2008, em águas com profundidade de 20 metros perto da cidade de Picton, no canto nordeste da Ilha do Sul, na Nova Zelândia.

Agora, os cientistas sugerem que Protulophila seja a fase de pólipo de um hidróide cujo apenas o estágio de medusa é conhecido.

“Muitas espécies de hidrozoários têm um ciclo de vida de dois estágios e, em muitos casos, essas duas fases acabam não sendo relacionadas [pelos cientistas]. Nossa descoberta pode, portanto, significar a resolução de dois quebra-cabeças ao mesmo tempo”, explica Dennis Gordon, do Instituto Nacional de Água e Pesquisa Atmosférica da Nova Zelândia.

A equipe agora espera coletar amostras frescas do animal “ressuscitado” para realizar um sequenciamento genético.


Nota: E mais uma vez livros terão que ser reescritos. Já estão se tornando frequentes descobertas de animais vivos supostamente extintos há milhões de anos, e que não passaram por evolução alguma durante todo esse suposto tempo. Assim, parece estar se tornando regra o seguinte: quando fósseis vivos são descobertos, diz-se que não sofreram pressão evolutiva por muitos milhões de anos; quando se supõe que algum animal está extinto, “viaja-se” bastante em sua história, coletam-se fósseis de animais diferentes, mas que guardam alguma semelhança, e se diz que são “parentes evolutivos”. Até que são descobertos exemplares vivos exatamente iguais aos fossilizados. E a história tem que ser modificada outra vez. Já imaginou se algum descobrem-se exemplares vivos de animais como o trilobita! [MB] 

Interesse por Bíblias de estudo vem crescendo no Brasil

Reverendo Paulo Teixeira
Em novembro, a Casa Publicadora Brasileira deve lançar, em parceria com a Sociedade Bíblica do Brasil, a Bíblia de Estudo Andrews

O interesse por Bíblias de estudo vem crescendo no Brasil. No ano passado, o segmento foi responsável por cerca de 10% dos 8 milhões de exemplares completos das Escrituras distribuídos no país. Segundo o secretário editorial da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), Paulo Teixeira, o fenômeno reflete a busca dos leitores por ferramentas que auxiliem na compreensão do texto sagrado. Depois da palestra realizada na manhã da quinta-feira [passada], 21 de maio, na Casa Publicadora Brasileira, o teólogo e linguista, especialista em Língua e Literatura Hebraicas, conversou com a Revista Adventista sobre a contribuição que a Bíblia de Estudo Andrews, que vem sendo preparada pela CPB em parceria com a Sociedade Bíblica, deve dar como incentivo à leitura aprofundada das Escrituras.

Após ser traduzida, a Bíblia Andrews entra nas últimas etapas do processo de produção. A versão em português vem sendo diagramada pela SBB e deve ser lançada em novembro deste ano.

Na conversa, Paulo Teixeira também destacou o fato de que a Igreja Adventista está entre as denominações que mais incentivam o estudo da Bíblia, e lembrou a importância de programas como a Escola Sabatina para aproximar as pessoas da Palavra de Deus.

Qual será contribuição da Bíblia de Estudo Andrews?

Nós sempre nos alegramos quando podemos realizar parcerias com uma igreja cristã a fim de promover o estudo mais aprofundado da Palavra de Deus. A Bíblia de Estudo Andrews é um marco na cooperação, já de muitas décadas, entre a Sociedade Bíblica do Brasil e a Igreja Adventista. O estudioso das Escrituras vai ter na Bíblia Andrews um recurso valioso para se aprofundar nas verdades bíblicas.

Quanto as Bíblias de estudo representam hoje nas vendas de exemplares do Livro sagrado?

No contexto da Sociedade Bíblica do Brasil, nós distribuímos no ano passado aproximadamente 8 milhões de Bíblias completas. No caso das versões de estudo, atingimos quase um milhão de exemplares. Acreditamos que a Bíblia Andrews irá alavancar ainda mais esses números.

As Bíblias de estudo apontam para uma necessidade do leitor comum de ter ferramentas de apoio para a compreensão do texto bíblico?

Hoje, graças a Deus, o acesso ao texto já não é mais um problema, uma vez que a Bíblia está disponível, inclusive, em várias traduções. Mas a lacuna existente é a de ferramentas para se estudar o texto. E as Bíblias de estudo casam como a mão na luva porque trazem, de maneira muito simples, por meio de notas de rodapé, explicações sobre o texto bíblico. Isso dá ao leitor não só noções sobre o texto, mas também quanto ao contexto histórico, social, econômico e religioso em que o texto foi revelado.

Quais são as versões das Escrituras disponíveis em português que mais se aproximam dos originais em hebraico, aramaico e grego?

Se você for olhar uma tradução um pouco mais literal/formal, a edição Revista e Atualizada de João Ferreira de Almeida se aproxima bastante dos originais. Mas as versões Linguagem de Hoje, Revista e Corrigida, e mesmo a Tradução Brasileira – que tem um valor histórico muito grande – também trazem um alto grau de comprometimento com os textos originais. Às vezes, no entanto, a tradução foge daquela literalidade. Mas isso não a torna menos fiel.

De forma geral, a distribuição de Bíblias tem crescido no Brasil?

Cresce não só no Brasil, mas no mundo. No caso do Brasil, esse aumento tem ocorrido de maneira significativa entre aquelas pessoas que não são crentes. Eu me alegro com isso porque uma das traduções que contaram com a participação da SBB é a Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH), que foi adequada especialmente para novos conversos. Essa é a tradução cuja distribuição mais cresce no Brasil desde o ano 2000. Dos 8 milhões de exemplares de Bíblias que distribuímos em 2014, 30% deles foram da NTLH. Pensando especialmente nesse público, também lançamos a versão O Livro dos Livros: edição literária da Bíblia Sagrada. A publicação, que está diagramada no formato de um livro comum, foi concebida especialmente para destacar ao leitor o caráter literário das Sagradas Escrituras, um livro que venceu o tempo, é considerado o Livro dos livros e deve ser conhecido e lido por todos.

Qual a contribuição da Igreja Adventista para a divulgação da Bíblia?

A Igreja Adventista está entre as que mais incentivam o estudo da Bíblia. Eu me alegro muito ao ver, a cada sábado, as pessoas abrindo suas lições da Escola Sabatina, buscando os detalhes dos textos bíblicos. É emocionante ver como os adventistas gostam de ler as Escrituras. Isso é um testemunho muito impactante, inclusive para mim e a minha família.

domingo, maio 24, 2015

Em votação histórica, Irlanda aprova “casamento” gay

"Mensagem para o mundo"
A Irlanda aprovou, na tarde deste sábado, a legalização do “casamento” entre pessoas do mesmo sexo. Com o resultado confirmado, o país, que tem forte tradição católica, se tornou o primeiro a legalizar a união por voto popular. Uma multidão se reuniu no centro da capital Dublin para acompanhar a contagem dos votos - e casais começaram a celebrar e a se beijar à medida que os resultados mostravam a vitória do “sim”. Mais de 62% dos eleitores votaram a favor de uma mudança constitucional para permitir que casais gays possam se casar. Ativistas pró-“casamento” gay disseram que esse é um dia histórico para o país onde a homossexualidade era crime até 1993.

Políticos gays, incluindo ministros, que lideraram campanhas pela causa disseram que o resultado marca uma mudança de geração em um país que era conservador. “Somos um pequeno país com uma grande mensagem para o mundo”, disse o primeiro-ministro Enda Kenny.

Mais de 3,2 milhões de pessoas foram às urnas - muitos irlandeses que não moram no país voltaram só para participar da votação. [...]

O arcebispo católico de Dublin, Diarmuid Martin, disse que o referendo era uma afirmação dos jovens e que, agora, a igreja tem “uma imensa missão diante de si”. “Eu acho que a igreja precisa fazer uma revisão da realidade”, disse o líder religioso. “Eu fico feliz de ver como os gays e lésbicas estão se sentindo hoje, pelo fato de que isso seja algo que enriquece a maneira como vivem. Eu acho que é uma revolução social.” [...]

O ministro da Saúde, Leo Varadkar, que no início do ano foi o primeiro ministro na história da Irlanda a se assumir abertamente como gay, disse que a campanha foi “quase uma revolução social”. [...]

Em 2010, o governo aprovou uma lei de união civil que deu reconhecimento legal a casais gays. Mas há diferenças entre união civil e casamento. A principal delas é que o casamento é protegido pela Constituição, enquanto a união civil não é.

Mesmo com a medida aprovada, as igrejas católicas ainda vão poder decidir se celebram esse tipo de “casamento”. O líder da Igreja Católica na Irlanda, Eamon Martin, disse que a igreja poderá analisar se continuará a fazer a parte civil da cerimônia se a mudança for aceita.

Atualmente, o “casamento” entre pessoas do mesmo sexo é legal em 20 países do mundo, inclusive no Brasil.


Nota: Atente especialmente para estes trechos: “Ativistas pró-casamento gay disseram que esse é um dia histórico para o país onde a homossexualidade era crime até 1993.” Vivemos num mundo de mudanças rápidas. Em 1950, no Brasil, até o espiritismo era crime!

Somos um pequeno país com uma grande mensagem para o mundo.” A ideia vai pegando e o casamento heterossexual estabelecido no Gênesis vai sendo descaracterizado. Se a católica Irlanda deu esse passo, o que se pode esperar dos demais países cristãos? A população foi doutrinada pela mídia (filmes, novelas, seriados, etc.) a fim de aceitar aquilo a que antes se opunha.

“O arcebispo católico de Dublin, Diarmuid Martin, disse que o referendo era uma afirmação dos jovens e que, agora, a igreja tem ‘uma imensa missão diante de si’.Eu acho que a igreja precisa fazer uma revisão da realidade’, disse o líder religioso.Eu fico feliz de ver como os gays e lésbicas estão se sentindo hoje, pelo fato de que isso seja algo que enriquece a maneira como vivem. Eu acho que é uma revolução social.’” De fato é uma revolução, e a Igreja Católica, que abandonou sua visão criacionista e relativizou o relato da criação, tendo abraçado o evolucionismo teísta, terá cada vez mais dificuldade para defender o casamento monogâmico entre um homem e uma mulher. Se o casamento é apenas um dogma, uma tradição religiosa, e não uma instituição divina que remonta à criação, por que não revisá-lo e adaptá-lo aos tempos modernos?

As aspas na palavra “casamento”, na matéria acima, foram acrescentadas por mim, porque continuo não aceitando a apropriação indevida da palavra pelos homossexuais. Eles são livres para viver como quiserem e não tenho como me opor à união civil entre pessoas do mesmo sexo. Cada um faz o que bem entende de sua vida. Mas não posso concordar com a redefinição de uma palavra, de um conceito que tem que ver com uma instituição criada e abençoada por Deus. [MB]

Remanescentes esquecidos por Deus?!

Hollywood confunde de novo
Não assisti nem quero ao filme “Remanescentes esquecidos por Deus”, até porque filmes de terror estão definitivamente fora da minha lista de preferências (veja aqui por quê). Mas o cartaz me chamou muito a atenção. E a sinopse diz: “A cerimônia de casamento de um casal de amigos é interrompida pelo apocalipse e eles são obrigados a examinar a vida, o amor e a fé, enquanto devem escolher entre a redenção e a sobrevivência.” Como assim escolher entre a redenção e a sobrevivência? Nenhum não redimido viverá no reino de Deus. A morte eterna é o destino de todos os perdidos – daqueles que rejeitaram o plano de Deus e Seus insistentes apelos. Essa é mais uma contribuição hollywoodiana – entre muitas – que parece ter o único propósito de confundir as pessoas (além de tirar dinheiro delas, é claro). Deixados Para Trás é outro filme desserviço que mais confunde e entretém do que esclarece (confira). Pelo menos o subtítulo de Remanescentes Esquecidos por Deus é mais realista, sem querer: “Depois do julgamento final, existem destinos piores do que a morte.” Sim, o pior destino é a morte eterna; não mais existir.

O filme expõe a doutrina do arrebatamento como uma grande e instantânea mortandade global que ceifa muitos adultos e todos os adolescentes e crianças do mundo. No roteiro, a interpretação dessa crença é explicada pelos pastores “deixados para trás” como consequência das sete trombetas. Sim, é uma perversão da interpretação futurista do Apocalipse, que por si já é suficientemente equivocada. Os “arrebatados” da trama têm sua “alma” levada para o céu, enquanto os corpos jazem por todo o planeta.

Os protagonistas (pois não há mocinhos, já que todos os “remanescentes” morrerão ao final) começam a analisar suas vidas e admitir - sem confessar - os pecados que cometeram. As ruas começam a ser tomadas por demônios alados com as características dos escorpiões da 5ª trombeta. O fim da história mostra centenas de pessoas buscando histericamente algum tanque batismal, nos quais se atiram em busca do batismo supostamente redentor.

Mas o cúmulo do acinte se dá quando o último sobrevivente do casamento que inicia o filme compreende a “lógica” dos ataques demoníacos: como os demônios destroem Bíblias e matam as pessoas que clamam e oram a Deus, o rapaz conclui que as tais criaturas são atraídas pela fé. Então ele sai desesperado, instando os penitentes a interromper as orações, os batismos e a não manifestar nenhum tipo de fé. Nisso, uma horda infindável de espíritos malignos desce (!) do céu para exterminar o ajuntamento religioso. Fim.

Esse parece ser, até agora, o filme que mais deturpou as doutrinas bíblicas escatológicas.

O livro do Apocalipse (12:17), de fato, apresenta um povo remanescente nos últimos dias. São pessoas fieis à Palavra e à lei de Deus; que aguardam a volta de Jesus e vivem à luz dessa esperança. São remanescentes, o restante de um processo de purificação da igreja ao longo da história. Deus sempre teve e sempre terá Seu povo fiel, que O ama acima de tudo. Você acha que esse povo seria esquecido por Ele? De forma alguma! O Apocalipse deixa claro que Deus vela por esse remanescente, e Jesus prometeu que estará com esse povo todos os dias, até o fim de tudo (Mt 28:20). 

Michelson Borges e Marco Dourado

sexta-feira, maio 22, 2015

O papa em alta e o Vaticano que dá “pitaco” nos EUA

Um líder para este momento
Deu no site do Portal Comunique-se: “Conhecida por produzir e comercializar álbuns de figurinhas, como o da Copa do Mundo de 2014, a Panini apresentou ao mercado sua revista mensal com o “santo padre” em destaque - sempre. Trata-se da publicação O Meu Papa, disponível em bancas do país e na internet desde 6 de maio. Comercializado a R$ 4,90 o exemplar, o novo impresso é a versão nacional do título que já circula em 13 países, tendo como pauta divulgar as ações realizadas pelo papa Francisco. Atualmente, o veículo de comunicação está presente na Alemanha, Áustria, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Itália, Lichtenstein, Nicarágua, Panamá, Polônia, República Dominicana e Suíça. A primeira edição brasileira da revista dedicada exclusivamente ao pontífice é dividida em 64 páginas e apresenta, em reportagem de capa, a preocupação de Francisco para com as pessoas que de alguma forma convivem com o sofrimento. No estilo, a editora garante que a revista é feita com textos simples e de fácil leitura, com amplo espaço a imagens. ‘O lançamento da revista O Meu Papa no Brasil nos gera grande satisfação. A editora, que já está presente no lar dos brasileiros por meio de produtos voltados à família que atingem crianças, jovens e adultos lança agora esse título inovador sobre a vida do papa Francisco no Vaticano’, disse, no começo do mês, o diretor-presidente da Panini Brasil, José Eduardo Severo Martins. O executivo ainda afirmou que a novidade demonstra a importância que a empresa dispensa aos mais variados assuntos. ‘Com esta publicação, a Panini reforça seu posicionamento de estar sintonizada com os principais lançamentos mundiais e sua preocupação com investimentos em produtos que reforçam valores humanos universais.’”

A notícia acima é mais uma que mostra a crescente influência de Francisco em todo o mundo. Isso com certeza vai favorecer as ações dele em setembro deste ano, quando discursará em três lugares nos Estados Unidos: o Senado, a Casa Branca e a ONU, oportunidade ímpar de propor “soluções” para problemas graves como o aquecimento global (aliás, a essa altura a nova encíclica papal terá sido publicada e estudada).

Mas o Vaticano quer mais, e recentemente chegou a dar “pitaco” no gerenciamento dos EUA e da ONU e fez sugestões bem interessantes, do ponto de vista profético. Veja alguns trechos: “Conselheiro do Vaticano diz que documento fundador dos EUA não é mais aceitável.” O que sugerem, então, mudar a Declaração de Independência e, depois, a Constituição norte-americana? Hmm... “Organizações globais como a ONU devem ditar o rumo das nações e os direitos individuais devem ser sacrificados em favor do bem maior.” Já li isso em algum lugar... Eles andam dizendo com insistência que o aquecimento global é um problema de ordem moral. E problemas morais devem ser tratados moralmente, com base em leis morais, não apenas na legislação humana ou na política.

O artigo completo (em inglês) pode ser lido aqui (America Magazine é uma publicação jesuíta). Vale a pena ler também este e este artigos (ambos também em inglês). 

Mais alguns trechos interessantes:

“Estamos presos numa indiferença que ironicamente tem sido aumentada pela exagerada defesa da liberdade na América em detrimento da virtude.” Exagerada defesa da liberdade?! Prestou atenção nisso? Para promover a virtude (e salvar o planeta), será necessário, então, reduzir a liberdade individual? Você já leu o livro O Grande Conflito? Isso já estava previsto há mais de um século!

“O papa Francisco irá aos Estados Unidos e às Nações Unidas, em Nova York, por ocasião do 70º aniversário das Nações Unidas, e num momento em que 193 governos do mundo estarão decididos a dar um passo em solidariedade para com um mundo melhor. No dia 25 de setembro, o papa Francisco vai falar com os líderes mundiais – muito provavelmente o maior número de chefes de Estado e de governo na história – em que esses líderes deliberam para adotar novas metas de desenvolvimento sustentável para a próxima geração. Essas metas serão um novo compromisso mundial para construir um mundo que tem por objetivo harmonizar a busca da prosperidade econômica com os compromissos para a inclusão social e sustentabilidade ambiental.”

“A mensagem do papa Francisco ajudará a prover uma linguagem universal de virtude e felicidade para que os objetivos sejam adotados pelos estados membros da ONU.” Qual será essa “linguagem universal de virtude”?

Setembro vem aí...

Para entender melhor as implicações das notícias acima, assista aos dois vídeos abaixo. [MB]


quinta-feira, maio 21, 2015

Vegetarianismo de Ben Carson já chamou a atenção

Estilo de vida polêmico
Conforme já era de se imaginar e prever, aspectos particulares da vida do candidato adventista à presidência dos EUA, o Dr. Ben Carson, começaram a chamar a atenção da mídia. Desta vez foi sua dieta vegetariana. O jornal Huffington Post destacou isso em sua edição de ontem (confira). Segundo a matéria, isso pode colocá-lo contra a indústria da carne em Iowa, um Estado importante nas eleições primárias. Só para lembrar, a indústria da carne em Iowa e em todo o país tem feito lobby agressivo contra as diretrizes federais que incentivam as pessoas a comer mais vegetais e menos carne vermelha e processada. Carson disse ao Vegetarian Times, em 1990, que uma dieta sem carne acabaria “pegando”, e que os animais poderiam respirar aliviados.

“Infelizmente, para os animais, a taxa de vegetarianismo nos Estados Unidos não subiu. Em 1999, apenas seis por cento dos americanos disseram ao Gallup que evitavam a carne. Em 2012, foram apenas cinco por cento. E talvez, infelizmente para Carson, quase um terço dos eleitores republicanos tenham uma visão desfavorável dos vegetarianos. [...] Em contraste, 68 por cento dos eleitores democratas têm uma visão favorável aos vegetarianos”, informa a matéria.

E diz mais: “Enquanto Carson é o único candidato vegetariano, seu potencial concorrente republicano Jeb Bush provavelmente está comendo carne suficiente para duas pessoas. O ex-governador da Flórida tem mantido uma dieta paleolítica na campanha eleitoral, que adere a carnes, nozes e frutas em uma dieta cada vez mais popular, inspirada nos supostos benefícios para a saúde de se viver como um homem das cavernas.”

Curiosa polarização entre um defensor criacionista da dieta vegetariana e um carnívoro adepto de uma dieta evolucionista... Por enquanto, as divergências estão no campo dietético. Mas o que virá a seguir? E quando for destacado o fato de que Carson guarda o sábado e é criacionista? Que ele crê na volta de Jesus e nas profecias bíblicas? Que a igreja a que pertence sustenta a posição de que os EUA são a segunda besta do Apocalipse? Será um cenário bem interessante, sem dúvida. [MB]

A propósito, a revista Vida e Saúde do mês que vem fará uma análise aprofundada desse modismo dietético conhecido como “dieta paleolítica”. Não perca!

Álcool: um pouco por dia também faz mal

Os médicos que fizeram o experimento
Há pesquisas que dizem que tomar um pouco de vinho por dia faz até bem para a saúde. Outras afirmam que fazer uma pausa de 48 horas após uma bebedeira ajuda seu corpo a se recuperar. E há quem acredite que beber só aos fins de semana não faz mal a ninguém. Diante de tantas informações desencontradas, os irmão gêmeos Chris e Alexander Van Rulleken, que são médicos, resolveram tirar essa história a limpo e fazer um experimento científico para descobrir o que é pior para a saúde: tomar um porre uma vez por semana ou beber socialmente todo dia? Os dois tomavam a mesma quantidade de bebida por semana, mas com uma diferença. Todos os sábados durante um mês, Chris tinha como companhia muitos copos – e garrafas – de vodca, vinho e cerveja. Já Alexander passou o mês bebendo socialmente, um pouco por dia. Os dois já haviam feito uma experiência semelhante, para medir os efeitos do açúcar e da gordura na saúde.

Durante esses 30 dias, ambos foram monitorados de perto, com testes que iam de simples bafômetros a exames detalhados sobre toxinas na corrente sanguínea. A experiência dos gêmeos – e a conclusão a que se chegou – foi transformada em uma edição especial do programa da BBC Horizon, com o título “Is binge drinking really that bad?” (Bebedeiras fazem mesmo tão mal?), que foi ao ar nesta quarta-feira.

Antes de começar o teste, Alexander disse que estava empolgado, porque, em última instância, estava sendo pago para ficar bêbado. “Mas foi horrível”, disse. Chris também relatou sua frustração: “Eu admito que consumir álcool pode ser algo envolvente. Mas não dessa vez.”

Os dois ficaram um mês sem beber uma gota de álcool, para começarem de igual para igual. Em seguida, foram submetidos a uma bateria de testes médicos, a começar com um exame de fígado. “Enquanto eu esperava o resultado, fiquei apreensivo, lembrando de todos os litros de cerveja e vinho que eu já havia tomado na vida”, afirmou Chris. “Mas, surpreendentemente, depois de um mês de abstinência total de álcool, meu fígado e o do meu irmão estavam em ótimo estado. Passamos no teste com louvor. Mas estão começou a bebedeira...”

Chris conta que ficou feliz com sua “missão” de tomar uma taça grande de vinho (250 ml), todas as noites. Isso equivale a três unidades por dia, ou 21 por semana. “Confesso que, no saldo final, isso é menos do que eu bebo normalmente. Mas a diferença é que nunca havia bebido tão frequentemente, sem nenhum dia de folga.”

Alexander também não reclamou, já que achava que a bebedeira de sábado (incluindo as 21 unidades de bebida de uma só vez) teria como consequência apenas uma ressaca no domingo, mas que ele ficaria bem no restante da semana. No primeiro sábado, ele optou por tomar vodca, acreditando que seria mais rápido tomar 21 doses do destilado do que de outra bebida. “Até certo ponto, eu estava me divertindo ao ver o Alexander ficar cada vez mais incoerente. Mas quando eu comecei a pensar no que o álcool estava fazendo com o cérebro, o fígado e o coração dele, não foi nada engraçado”, conta Chris. “Eu tive de fazer o papel do irmão responsável e até colocá-lo para dormir, porque ele ficou imprestável.” Alexander contou que não se lembra de nada nas últimas duas horas da bebedeira e que ficou feliz que a equipe de filmagem só chegou em sua casa no fim da manhã seguinte.

Os exames mostraram que Alexander, apesar de ter se recuperado rápido da ressaca, realmente ficou em uma situação arriscada durante a bebedeira. O nível de álcool em seu sangue era alto o suficiente para, de acordo com pesquisadores, colocá-lo em risco de morte. Já Chris disse que a princípio se irritou um pouco quando sua taça esvaziava e ele ainda queria beber um pouco mais de vinho. “Mas percebi que eu comecei a não render tanto no trabalho”, conta o médico, que é infectologista, dizendo que passou então a espalhar suas três unidades de bebida no decorrer do dia.

Após um mês, os irmãos contam que ambos ficaram chocados com os resultados de seus exames. Aliás, até mesmo os hepatologistas que os acompanharam ficaram surpresos. Eles já sabiam que as bebedeiras de Alexander iam prejudicar sua saúde, mas não esperavam que seus efeitos no corpo perdurassem por tantos dias, o que significava que ele nunca se recuperava totalmente entre um sábado e outro. “Mas até mais surpreendente do que isso foram os meus resultados, que foram quase tão ruins quando os de Alexander. Ficamos chocados”, conta Chris.

“Mas e agora? Noites com ou sem bebedeiras? Bem, nós aprendemos duas coisas após essa experiência. A primeira é que as recomendações atuais de três ou quatro unidades por dia não me fizeram nada bem”, disse o médico. Ele acha ótimo que o governo britânico esteja atualmente revisando essas sugestões e deve anunciar novos parâmetros em poucos meses. “A segunda lição é que nosso fígado pode voltar à forma atual, mas precisa de muito mais tempo para se recuperar. Isso ficou tão claro que os médicos que conduziram nossos testes agora vão fazer um estudo clínico aprofundado sobre isso.”

Ferramentas mais antigas que os humanos?

Sonia Harmand analisa um artefato
Pesquisadores encontraram junto do Lago Turkana, no Quênia, artefatos de pedra que vão reescrever a história da tecnologia. São pedaços de pedras que foram talhadas e afeiçoadas, e sua datação não deixa dúvidas: têm cerca de 3,3 milhões de anos. Ou seja, essas ferramentas, as mais antigas até hoje identificadas, são anteriores ao aparecimento na Terra do gênero Homo, o ramo da árvore dos primatas e hominídeos que, bem mais tarde, veio a dar origem ao Homo sapiens, há cerca de 200 mil anos. A conclusão seguinte é de uma lógica linear: a tecnologia, ao contrário do que sempre se acreditou, não nasceu, como originalidade única e exclusiva, das mãos dos nossos antepassados mais diretos. Um hominídeo anterior, que poderia ter sido o Austrolopithecus afarensis, mais conhecido como a nossa “avó Lucy”, ou outro, foi o criador dessas ferramentas que ao olhar do leigo poderiam parecer simples pedras.


Nota: A situação é a seguinte: ou nossos “ancestrais” eram bastante “tecnológicos” ou os métodos de datação não são assim tão precisos. A mesma situação vem sendo observada há anos no estudo dos neandertais. Eles eram capazes de feitos bastante “modernos”, como escovar os dentes, por exemplo. [MB]

terça-feira, maio 19, 2015

Programa Origens: O primeiro livro da natureza

O poder do sexo no fortalecimento das espécies

Mistério insolúvel para a evolução
O sexo é o principal mecanismo de reprodução dos organismos mais complexos da Terra. Isso apesar de muitas vezes vir acompanhado de significativos custos biológicos, como cores, sons e cheiros que atraem parceiros, mas também predadores, e do fato de apenas cerca da metade da prole, as fêmeas, ser capaz de gerar outras proles. Assim, a dominância e manutenção da reprodução sexual diante de tais ineficiências do ponto de vista evolutivo da seleção natural intriga os cientistas. E embora se observe que a chamada “seleção sexual” – caracterizada geralmente pela competição entre os machos e pela escolha dos parceiros pelas fêmeas – contribui para aumentar a diversidade genética e fortalecer uma população, poucos experimentos procuraram demonstrar até onde vai sua força nesse sentido.

Para preencher pelo menos parte dessa lacuna, uma equipe de cientistas da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, passou sete anos cuidadosamente criando em separado populações de besouros da espécie Tribolium castaneum com a mesma ascendência sob diferentes níveis de pressão de seleção sexual. Durante cerca de 50 gerações, essas populações foram submetidas a condições que variaram desde nenhuma seleção sexual, em que fêmeas e machos eram “casados” em relações monogâmicas sem disputas entre eles ou escolha por elas, a ambientes de alta competição, com 90 machos buscando a atenção de apenas dez fêmeas e vice-versa.

Após esse período de criação, todas as populações foram então forçadas a enfrentar o estresse genético da endogamia, ou seja, a reprodução apenas entre parentes próximos. Nessa fase do experimento, que durou mais cerca de três anos, os cientistas observaram que as populações criadas sob baixa pressão de seleção sexual se extinguiram em menos de dez gerações, enquanto as que foram criadas em ambientes de alta competição sexual continuaram a proliferar passadas mais de 20 gerações.

“Nossa pesquisa mostra que a competição entre machos pela reprodução fornece um benefício realmente importante, pois ela melhora a saúde genética das populações”, diz Matt Gage, professor da universidade britânica e líder do estudo, publicado on-line nesta segunda-feira no site da revista Nature. “A seleção sexual faz isso ao agir como um filtro para remover mutações genéticas prejudiciais, ajudando a população a florescer e evitar a extinção a longo prazo.”

Gage destaca que o experimento apoia a noção de que o sexo, apesar de suas ineficiências, persiste como principal mecanismo para a reprodução justamente por levar a essa competição: “Para ser bom, vencer os rivais e atrair as parceiras na luta para se reproduzir, os indivíduos têm que se sair bem em quase tudo, então a seleção sexual é um eficaz filtro nesse sentido.”

Nota: Que o sexo ajuda a fortalecer as populações promovendo a diversidade genética, e que é grandemente vantajoso em relação à reprodução assexuada, todo mundo já sabe (especialmente os usuários autorizados). Mas a pergunta que insiste em permanecer no ar é esta: Como surgiu? Como pode ter havido mutações diferentes em organismos diferentes numa mesma época e numa mesma região a ponto de dar origem a novos órgãos diferentes, mas compatíveis, e a todo um sistema capaz de gerar e abrigar uma nova forma de vida derivada de duas? Cri, cri, cri, cri... Nada de resposta convincente. [MB]

Leia também: "A origem do sexo"

Por que tantas crianças passam horas no Minecraft?

Nova onda viciante
Minecraft, o mundo virtual que a maioria dos pais simplesmente não entende como funciona, é oficialmente o jogo de maior audiência de todos os tempos no YouTube. Segundo o portal de vídeos, o nome do game, uma espécie de Lego digital que permite ao jogador construir mundos virtuais, tornou-se o segundo termo mais buscado no site, atrás apenas de “música”. Nada disso é uma surpresa para os pais de meninos e meninas que se acostumaram a suplicar para que seus filhos fechem as janelas de Minecraft no computador para andar de bicicleta, jogar bola, ir para a praça ou fazer qualquer outra coisa além de passar horas assistindo a outras pessoas construírem mundos virtuais pela internet.

Os pais reclamam que o jogo parece ter se tornado o centro da vida destas crianças; que elas ficam irritadiças quando não estão “ligadas” no jogo, que se mostram displicentes em relação aos deveres da escola e a tarefas do dia a dia em suas casas. Alguns decidiram proibir completamente o jogo ou limitar fortemente o tempo das partidas. Um desses pais, ao explicar por que restringiu o acesso de seus dois meninos gêmeos ao game, simplesmente disse: “Minecraft, assim como os principais vícios, não tem fim. Por sua vez, a infância de meus filhos não é infinita, e quero que eles a passem aprendendo sobre o mundo real, não sobre um mundo virtual.”

Mas, para outros, o jogo não faz mal às crianças - contanto que, ao menos, façam algo criativo. Mas passar horas e mais horas assistindo a outras pessoas jogarem representa um nível inédito de obsessão.

Há um vasto catálogo de conteúdo relacionado a Minecraft no YouTube. São cerca de 42 milhões de vídeos, de clipes que dão o passo a passo para construir coisas novas ou novas formas de modificar mundos já existentes ou então aqueles que simplesmente mostram gravações de partidas.

“É importante que pais ajudem seus filhos a aproveitar o Minecraft de forma saudável, conversando com eles sobre como saber a hora de fazer intervalos e estabelecendo regras, recompensando-os quando elas foram cumpridas”, aconselha Bec Oakley, fundadora do MineMum, um blog que ajuda pais a entenderem o que é o Minecraft.

Pesquisadores na China fizeram exames de ressonância magnética no cérebros de 18 universitários que passavam uma média de dez horas por dia jogando World of Warcraft, um RPG online. Em comparação com outro grupo que passava menos de duas horas por dia jogando, o primeiro apresentou menos massa cinzenta, a parte do cérebro responsável pelo raciocínio.

E, no início dos anos 1990, cientistas alertaram que, como videogames estimulam as regiões do cérebro que controlam a visão e o movimento, outras partes responsáveis pela emoção e o aprendizado poderiam ficar menos desenvolvidas.

Em termos de pesquisas específicas sobre Minecraft, um artigo assinado pelos psicólogos Jun Lee e Robert Pasin na revista Quartz sugere que ele pode não ser tão criativo como alguns pais esperam. “A criatividade é limitada pelas combinações de ferramentas e materiais disponibilizados pelo jogo para a construção de mundos. Então, os jogadores têm apenas uma missão: criar estruturas cada vez mais complexas. Apesar de isso parecer ser uma experiência muito criativa, crianças que estudamos relataram se sentir irritadas e com emoções à flor da pele após partidas de Minecraft.”

Crianças costumam ficar obcecadas com certas coisas. Há uma longa lista de brinquedos e games que se tornaram uma obsessão para elas, apenas para serem descartados sem cerimônia alguns anos depois. Talvez este acabe sendo também o destino de Minecraft, e as crianças voltem a assistir vídeos de animais fofinhos no YouTube.


Nota: Talvez essa nova onda Minecraft realmente passe, como tantas outras antes dela. O maior problema, nesse caso específico, é que com essa onda terão sido desperdiçadas também horas e horas num entretenimento cuja utilidade é discutível. Fica mais uma vez evidente que os pais precisam acompanhar o dia a dia dos filhos e propor-lhes atividades mais educativas e úteis, como jogos em família, leitura e aprofundamento das relações. Que Minecraft pode ser infinitamente melhor que GTA e outros games violentos não há dúvida. Pode até ser considerado algo bom, se utilizado com limites. Mas quem disse que precisamos trocar o ótimo pelo bom? [MB]

segunda-feira, maio 18, 2015

Criacionismo, ciência e religião

Bate-papo animado
Entrevista concedida pelo jornalista e mestre em teologia Michelson Borges a Rafael Lopes (professor de Física do IFMA, mestre e graduado em Física pela Universidade Federal do Maranhão e doutorando em física pela USP), Felipe Forti (estudante de teatro e criacionista progressivo), Camilli Martins (pré-vestibulanda de Joinville que está em São Paulo há três anos) e Tales Moura (advogado em São Paulo). O programa foi realizado na Igreja Adventista Central Paulistana, no dia 16 de maio de 2015, às 18h. As perguntas foram feitas ao vivo pelos quatro participantes, com interação do auditório.

Camilli: Existem evidências do dilúvio? A genealogia pós-dilúvio é compatível, no tempo, com a quantidade e diversidade de etnias que existem hoje?

Existem várias evidências. Vou mencionar apenas cinco: (1) Praticamente metade dos sedimentos continentais são de origem marinha. (2) A abundância de fósseis em todo o mundo, como os fósseis de peixes encontrados em Crato, no interior do Ceará, na Chapada do Araripe, ou mesmo os fósseis de baleias encontrados em Pisco, no Peru, a 30 km do litoral, ou no deserto do Atacama, no Chile. (3) As evidências de que muitos dinossauros fossilizados morreram afogados, em agonia, sufocando. (4) Os estratos plano-paralelos na coluna geológica, que sugerem enorme deslocamento de sedimentos e uma estratificação rápida. (5) A existência de relatos de uma grande inundação preservados em mais de 200 culturas espalhadas pelo mundo.

Quanto à diversidade de etnias, acredito que o tempo após o dilúvio foi suficiente para essa diversificação. Mutações, seleção natural e isolamento geográfico podem muito bem explicar essa diversificação que, no entanto, foi bem limitada. Em bem menos tempo, mas com uma “mãozinha” humana, foi possível causar modificações bem mais acentuadas em cães e gatos, por exemplo.

Tales: Rolam pela internet, no YouTube, alguns vídeos que noticiam terem encontrado a arca de Noé. Mostram fotos tiradas por pilotos de avião de quando sobrevoavam um local, durante a guerra, que viram um pedaço de madeira de um barco. Após alguns anos, expedições foram feitas no local e há os que afirmam terem encontrado a arca congelada. Alguns cristão dizem que a arca seria encontrada no tempo do fim. Isso tudo é verdade? Se for, por que não há uma repercussão maior?