sexta-feira, dezembro 09, 2016

Pequenas concessões, grandes tragédias

O que garante um voo seguro?
A ferida permanecerá aberta por muito tempo, e só Deus mesmo pode confortar devidamente as pessoas que perderam um ente querido vitimado pela tragédia aérea que levou à morte 71 pessoas em uma montanha na Colômbia, na madrugada do dia 29 de novembro de 2016. Os fideístas chegam ao ponto de dizer que “foi Deus que quis”. Será mesmo? A verdade é que a fatalidade poderia ter sido evitada se não tivesse havido uma série de pequenas concessões. A primeira concessão talvez tenha sido fruto da ganância misturada com autossuficiência. O piloto do Avro RJ-85 sabia que a autonomia de voo desse tipo de avião é de 3.000 km, e sabia também que a distância em linha reta entre os aeroportos de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, e Medelín, é de 2.975 km. Portanto, uma margem muitíssimo pequena e uma probabilidade muito alta de, em alguma eventualidade, a aeronave ficar sem combustível. Foi o que aconteceu naquela fatídica madrugada.

Num plano de voo adequado, é preciso que haja combustível suficiente para, se não for possível pousar no aeroporto de destino, voar até o aeroporto mais próximo dali e ainda ter combustível para mais cerca de 40 minutos de voo. Resumindo: é preciso ter combustível de sobra. O plano de voo tinha pelo menos cinco advertências, mas os responsáveis pela LaMia garantiram que não havia problema, que eles tinham experiência nesse tipo de voo. E foram autorizados. O plano previa a necessidade de reabastecimento em Bogotá, mas o piloto ignorou isso.

Concessão 1: plano de voo com falhas.
Concessão 2: autorização das autoridades bolivianas.
Concessão 3: não reabasteceram em Bogotá.
Concessão 4: demora em admitir a gravidade do problema.
Resultado: queda do avião e morte de 71 pessoas.

Isso faz lembrar do texto bíblico de Cantares 2:15: “Apanhem para nós as raposas, as raposinhas que estragam as vinhas, pois as nossas vinhas estão floridas.” Pense em algumas “raposinhas”, pequenas concessões que vão “corroendo” a vida e que podem levar a uma tragédia. Sugiro quatro áreas básicas da vida que frequentemente são afetadas negativamente por “pequenas concessões”:

Trabalho

E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens” (Colossenses 3:23).

“Devemos ser fiéis nas coisas pequeninas. Aquilo que merece ser feito, merece ser bem-feito. Seja qual for a sua obra, executem-na fielmente. Falem a verdade a respeito dos mais insignificantes assuntos” (Ellen G. White, Mensagens aos Jovens, p. 145).

1. Devemos ser fiéis no pouco.
2. Fazer bem feito o que tem que ser feito.
3. Falar sempre a verdade e agir com correção.

Toda e qualquer mentira traz em si algo suficientemente nocivo para atrapalhar a saúde mental de quem a pratica. Se partirmos do pressuposto de que a verdade liberta, a mentira é exatamente o que aprisiona. É uma prisão silenciosa, marcada no tempo, na memória, no hábito e, portanto, no caráter.

Ela pode iludir facilmente vendendo a ideia de caminhos mais curtos e fáceis, mas ela cobra os juros mais altos possíveis: os juros emocionais silenciosos de uma mente incoerente alimentada com mentiras cotidianas.

Quanto menos verdade alguém vive, menos coerência nas atitudes a pessoa cultiva e menos saúde mental ela pode colher. Saúde mental pressupõe honestidade consigo mesmo e com o outro, diálogo verdadeiro e interessado, comunicação franca e aberta, interesse legítimo, intenção autêntica, palavras inteiras, pessoas em busca de um convívio completo.

A verdade em qualquer nível promove saúde mental. Santificação é a autorização cotidiana que Deus recebe de mim para que todo tipo e tamanho de mentira seja varrido da minha vida. À medida que alguém cultiva a verdade, colhe coerência e, por consequência natural, saúde mental. 

Mesmo que venhamos a sofrer por isso, devemos sempre ser verazes e corretos. Nada de minimizar o que é errado, como, por exemplo, “roubar” a internet ou a TV por assinatura do vizinho; levar materiais do escritório; contar “mentirinhas” para se beneficiar; viver sob o lema do “jeitinho brasileiro”.

Lembre-se de que “a maior necessidade do mundo é a de homens – homens que se não comprem nem se vendam; homens que no íntimo da alma sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao polo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus” (Ellen G. White, Educação, p. 57).

Saúde

Cuidar da saúde é um dever religioso (3 João 2): “A transgressão da lei física é transgressão da lei de Deus. Nosso Criador é Jesus Cristo. Ele é o autor de nosso ser. Criou a estrutura humana. É o autor das leis físicas, assim como da lei moral. E o ser humano que se descuida, que descura dos hábitos e práticas atinentes à sua saúde e vida física, peca contra Deus” (Ellen G White, Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 43).

“Raposinhas”: água, luz solar, respiração, alimentação saudável, exercício físico, repouso, temperança, verdadeira religião. O descuido no uso de qualquer um desses “remédios” pode trazer problemas ao organismo, que é templo do Espírito Santo (1 Coríntios 6:19).

Família

É na família que as “raposinhas” e as concessões causam os maiores estragos. Primeiro, porque o lar nos deixa mais à vontade para ser quem realmente somos; segundo, porque Satanás tem grande interesse em destruir as famílias. A força de uma família começa com uma relação conjugal forte, cheia de amor, madura e abençoada.

Dez mandamentos do casamento feliz:

1. Protejam seu dia livre a todo custo e passem-no juntos como casal e como família. Nada é mais importante que o tempo que passam juntos.

2. Jantem juntos. Mesmo que tenham uma comida simples, transformem isso em uma ocasião especial. A conversa durante o jantar é para compartilhar e evocar recordações. Os assuntos de rotina podem ser comentados outra hora.

3. Deitem-se ao mesmo tempo. Nada debilita a intimidade com maior rapidez do que se deitar em horários diferentes. Esse é também um momento para compartilhar e pôr-se em contato.

4. Não guardem rancor. Se insistirem em guardar as ofensas do passado, envelhecerão prematuramente e destruirão qualquer oportunidade de desfrutar o presente. A única esperança para o casamento está na capacidade de perdoar e esquecer.

5. Não tirem férias separados. As experiências compartilhadas unem firmemente, enquanto as experiências separadas distanciam um do outro. O tempo é um dos recursos mais valiosos no casamento. Não o gastem de forma insensata.

6. Não permitam que nada prive seu casamento da satisfação sexual que Deus criou. O sexo é um dom de Deus que deve ser desfrutado dentro dos vínculos sagrados do casamento. Foi dado como um meio de expressar amor e de proporcionar prazer, bem como com a finalidade de procriação.

7. Orem juntos. Nada é mais íntimo que a relação de uma pessoa com Deus. Ao convidar a esposa ou o esposo a compartilhar dessa experiência, você lhe está abrindo a parte mais profunda de seu ser.

8. Brinquem juntos. K. C. Cole escreveu em Psychology Today: “Apelidos secretos, humor compartilhado, simulação de lutas, isso tudo pode parecer uma série de atividades sem graça, no entanto, podem facilitar ou suavizar transações mais complexas e importantes, mas, potencialmente, dolorosas e até destrutivas.”

9. As pequenas coisas significam muito. Podem estabelecer a diferença entre um casamento medíocre e um casamento realmente bom. Uma mensagem de amor num bilhete ou um lindo cartão com pensamentos românticos. Uma expressão bondosa, ajudar no cuidado das crianças, escutar com atenção dão a sensação de que ele ou ela se preocupa com o outro.

10. Prometam-se mutuamente, não só fidelidade física, mas, também, fidelidade emocional. As necessidades emocionais dos cônjuges devem ser satisfeitas somente no casamento. Não permitam que os amigos, a família ou a carreira satisfaçam essas “necessidades pessoais”. Elas devem ser providas mutuamente e são a fortaleza da relação interpessoal.

O melhor presente e o maior legado que os pais podem dar aos filhos é seu exemplo de amor e de conduta orientados e alimentados por Deus. Os filhos tenderão a reproduzir em seus futuros lares o ambiente em que viveram.

Fatores que ajudam muito na criação e na manutenção de um ambiente feliz e abençoado são o diálogo amigo, as refeições compartilhadas e o culto familiar. Negligenciar essas coisas é como querer fazer um voo seguro sem combustível.

“Vida espiritual”

Coloquei entre aspas o “vida espiritual” porque, na verdade, para o cristão, tudo o que ele faz e cada aspecto de sua vida tem relação com o que é espiritual. Ele coloca Deus em tudo o que faz e vive em comunhão constante com o Criador.

Os três pilares para uma vida espiritual sadia são a oração, o estudo devocional da Bíblia e o testemunho. “Satanás bem sabe que todos quantos ele puder levar a negligenciar a oração e o exame das Escrituras, serão vencidos por seus ataques” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 519). Assim, se quisermos voar em segurança para a pátria celestial, precisamos estar com o tanque da fé bem cheio e reabastecê-lo constantemente. Do contrário, as pequenas concessões levarão à maior de todas as tragédias: a morte eterna.

Combustível de sobra

Quando o assunto é “vida espiritual”, não podemos nos contentar com pouco. Precisamos ter combustível mais que suficiente no tanque. Uma parábola de Jesus que ilustra bem isso está registrada em Mateus 25:1-13. Leia em sua Bíblia, medite nessa história, tire suas conclusões e tome uma decisão.

(Michelson Borges, com colaboração de Bárbara Berti, Nelson Wasiuk, Hélio Martins Furtado de Oliveira e Fernando Dias)

Depois de bruxos e vampiros, é a vez dos anjos caídos

Triângulo amoroso com demônios
Lucinda Price ou simplesmente “Luce” é uma adolescente desajustada que descobre um “fator místico” capaz de justificar sua existência. A história foi escrita para o público adolescente e, portanto, é carregada de romance e aventuras. A fórmula não tem mais nada de novo. Novos, mesmo, são os protagonistas “místicos” da história: desta vez são anjos. O filme Fallen foi lançado ontem e tem como base o best-seller homônimo de Lauren Kete. Na descrição do site da revista Veja, “Luce tem uma relação especial com Daniel Grigori, o clássico bonitão-solitário-enigmático, que, com a sua atitude hostil, esconde seu passado, quando era um anjo e se recusou a escolher um lado na luta entre Deus e o Demônio, em nome do amor por uma mortal (a Lucinda das vidas passadas). Descontente com a situação, Lúcifer jogou uma maldição sobre o casal, pela qual a garota iria morrer sempre que consumasse seu amor por Daniel, que viria a reencontrar pela eternidade, enquanto ele permaneceria vivo e jovem como um vampiro.”

Cam Briel é um anjo partidário de Lúcifer e tudo indica que a função dele era matar Luce, mas ele se apaixona pela moça e passa a lutar pelo amor dela. E assim está criado o triângulo amoroso: Daniel, o misterioso jovem, a mocinha mártir e Cam. O trio principal e os outros anjos caídos – daí o nome Fallen (caído, em português) –, frequentam o reformatório Sword & Cross para adolescentes problemáticos e reduto da juventude criminosa de Angel Groove, a cidade em que se passa a trama.

Em entrevista concedida anos atrás, Kete disse: “Eu não imaginava que histórias de anjos caídos pudessem se tornar tão populares, e tem sido realmente divertido e estranho ver quantos autores estão se debruçando sobre histórias de anjos neste momento. Eu creio num inconsciente criativo coletivo e faz sentido que as narrativas de anjos estejam no centro desse inconsciente coletivo, agora.”

Não há nada de divertido e estranho em brincar com demônios. Discordo de Kete quando menciona o tal “inconsciente criativo”. Acredito que existe por trás dessas histórias um ser bem consciente do que está fazendo ao inspirar escritores cuja temática tem que ver com bruxaria, vampirismo, reencarnação e demônios, sim, porque, se é que as pessoas não sabem, anjos caídos são demônios. Creio em uma clara orquestração cultural diabólica que vem encantando fortemente as gerações nos últimos dez, vinte anos. O que começou com o inocente bruxinho Harry Potter, avançou pelos românticos e belos vampiros e culminou com anjos caídos. Multidões de crianças e adolescentes cresceram lendo livros com essas temáticas. E foram brindadas com a transposição para o cinema de suas histórias favoritas, o que garantiu, também, que mais pessoas fossem “encantadas”, algumas das quais nunca haviam pego esses livros na mão. Numa retroalimentação, os livros alimentaram o cinema que, por sua vez, ajudou a promover maior venda dos livros.

O ápice dessa orquestração satânica chega agora às telas. Fallen tem tudo o que o diabo gosta: relativização do mal; identificação dos leitores/telespectadores com os demônios e sua causa (retomar seu lugar “injustamente” perdido no Céu); reencarnação e vidas passadas; fluxo temporal eterno, sem fim ou desfecho (volta de Jesus e destruição do mal); afastamento dos conceitos bíblicos relacionados com anjos, Deus, grande conflito, etc., substituídos por uma versão mítica, maquiada, distorcida e diabólica. Sem contar a falsa ideia de que anjos e pessoas pudessem permanecer neutros na luta entre o bem e o mal.

Você consegue imaginar a dificuldade em falar da Bíblia para uma geração que foi preparada para ouvir de tudo, menos a verdade? Esse é o desafio dos cristãos nos dias de hoje, e eles têm que encará-lo de frente, por amor aos que vivem e perecem na ilusão da mentira – ilusão tão grande e encantadora que faz com que mesmo jovens cristãos, depois de ler um texto como este, digam: “Nada a ver. É apenas um tipo de diversão sem maiores consequências.”

Somente com o poder do Espírito Santo e com muito trabalho evangelístico contextualizado e focado esse encanto poderá ser quebrado.

Michelson Borges




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quinta-feira, dezembro 08, 2016

Papa volta a criticar os “fundamentalistas”

Contra os "grupinhos" religiosos
O papa Francisco afirmou que a “Europa precisa de líderes” para continuar a defender o lema “nunca mais a guerra” dos fundadores da União Europeia, em entrevista publicada no semanário católico belga Tertio. “Esse ‘nunca mais a guerra’ penso que é algo que a Europa disse sinceramente. [Robert] Schumann, [Alcide] De Gasperi, [Konrad] Adenauer [fundadores da UE] disseram-no sinceramente. Mas depois... Hoje em dia, faltam líderes. A Europa precisa de líderes, líderes que avancem”, afirmou, de acordo com a transcrição literal da entrevista divulgada hoje pelo Vaticano. Francisco garantiu que “esse ‘nunca mais a guerra’ não foi levado a sério”. “Depois da Segunda Guerra Mundial, temos esta terceira que vivemos agora aos bocados. Estamos em guerra. O mundo está fazendo a terceira guerra mundial: Ucrânia, Oriente Médio, África, Iémen...” O papa denunciou que, enquanto se grita contra a guerra, os mesmos países fabricam armas que vendem aos mesmos beligerantes.

“Há uma teoria económica que nunca procurei confirmar, mas que li em vários livros: na história da humanidade, quando um Estado percebia que os seus balanços não avançavam, fazia uma guerra e equilibrava as contas. Ou seja, é uma das formas mais fáceis de enriquecer. Claro que o preço é muito elevado: sangue”, sublinhou.

Francisco retomou nessa entrevista o tema da guerra pela fé e reiterou que “nenhuma religião pode fomentar a guerra”, mas as “deformações religiosas” podem. “Por exemplo, todas as religiões têm grupos fundamentalistas. Todas. Nós também. E destroem com seu fundamentalismo. [...] Sempre há um grupinho”, acrescentou.

O papa defendeu também a “saudável laicidade do Estado”, ao afirmar que, “em geral, o Estado laico é bom. É melhor que um Estado confessional porque os Estados confessionais terminam mal”.

Sobre os meios de comunicação social, o papa advertiu como “podem ser tentados pela calúnia, especialmente na esfera da política; e podem ser usados como difamação”. “Uma coisa que pode ser muito prejudicial nos meios de comunicação é a desinformação. Quer dizer, perante qualquer situação, dizer uma parte da verdade e não a outra”, afirmou. Jorge Bergoglio pediu aos meios de comunicação que não procurem “sempre comunicar o escândalo, as coisas feias, apesar de serem verdade”.

Comentário do amigo Filipe Reis: “Não é a primeira vez – e certamente não será a última – que o papa Francisco se refere à existência de fundamentalistas em todas as religiões, o que naturalmente inclui o cristianismo. Desta vez, é interessante o uso da palavra ‘grupinho’, ou seja, um pequeno grupo, minoritário. Não evito recuperar um texto de Ellen White, no qual a mensageira do Senhor avisou: ‘A igreja remanescente será levada a grande prova e aflição. Os que guardam os mandamentos de Deus e têm a fé de Jesus, sentirão a ira do dragão e seus seguidores. Satanás conta o mundo como súdito seu, ele adquiriu domínio sobre as igrejas apóstatas; mas ali está um pequeno grupo que lhe resiste à supremacia’ (Conselhos Para a Igreja, p. 361). Dito de outra forma e como já sabíamos, os guardadores dos mandamentos de Deus e do sábado, em particular, cumprem à perfeição os requisitos para serem em breve considerados como os ‘deformados religiosos’ ou ‘pequeno grupo de fundamentalistas’ dentro do cristianismo.”

quarta-feira, dezembro 07, 2016

MEC estuda alteração no Enem para sabatistas

Mudança será muito bem-vinda
Floriano Pesaro, secretário de Estado de Desenvolvimento de São Paulo, fez uma solicitação formal nesta quarta-feira para Mendonça Filho, ministro da Educação, para que o Enem não seja realizado aos sábados. “Muitos alunos praticam religiões que impedem que escrevam durante o sábado sagrado, ficando impedidos da realização da prova ou diante de uma injusta escolha entre a obediência a sua fé e o exame tão importante em sua vida”, afirmou Pesaro. O ministro afirmou que as mudanças para os estudantes sabatistas estão sendo estudadas. [Veja no vídeo abaixo o posicionamento do ministro sobre os sabatistas e o Enem.]

(Direto da Fonte, O Estado de S. Paulo)



Fósseis de Galápagos: pedra no sapato dos evolucionistas

Revelações importantes
Afloramentos vulcânicos no arquipélago de Galápagos não parecem fornecer a riqueza de exemplares encontrados em outras localidades ricas em fósseis ao redor do mundo. No entanto, os fósseis estão, de fato, presentes nas Ilhas Galápagos. Esta breve revisão aborda o onde, o que, quando e por que de haver fósseis nas Ilhas Galápagos, e fecha com uma discussão sobre sua potencial contribuição para o desenvolvimento de modelos sobre as origens.

Onde estão os fósseis encontrados nas Ilhas Galápagos?

1. Os sedimentos depositados em águas rasas ao redor das ilhas e posteriormente levantados acima do nível do mar, muitas vezes contêm fósseis de organismos marinhos (tais como conchas de moluscos).[1]

2. Tubos de lava se formam durante as erupções vulcânicas, quando o topo de um fluxo de lava resfria e solidifica, mas a lava continua a fluir por baixo. Quando drenos de lava se esvaem desses condutos tubulares, um espaço vazio é deixado no subsolo. Esses túneis e fissuras muitas vezes contêm sedimentos com restos fósseis de vertebrados terrestres.[2]

3. O interior de algumas das ilhas é caracterizado por um clima mais consistentemente úmido. Pequenos lagos e pântanos, formados dentro de crateras vulcânicas inativas, podem ser encontrados. Os sedimentos que enchem o fundo dessas pequenas depressões contêm material vegetal fóssil.[3, 4]

Que tipo de fósseis são encontrados nas Ilhas Galápagos?

Os fósseis encontrados nos depósitos marinhos emergidos rasos são dominados por invertebrados marinhos como moluscos bivalves, gastrópodes, briozoários, corais e cracas.[1, 5-7] Não são visíveis a olho nu, mas muito abundantes nos sedimentos também são os microfósseis planctônicos, pequenos animais (2 mm) exóticos que habitam locais inferiores, como os ostracodes, além de grupos específicos de protozoários, como os foraminíferos.[5] Raros, mas às vezes encontrados nesses sedimentos, são fragmentos de esqueletos de vertebrados marinhos e terrestres, como pássaros, lagartos e leões-marinhos.[1, 5, 7] 


A carcaça de um leão-marinho parcialmente decomposto em uma praia, Ilha Norte Seymour, Galápagos. Escala em centímetros. Elementos esqueléticos de carcaças podem ser incorporados em depósitos de praia e, eventualmente, se tornar fossilizados.

Os fósseis coletados dos tubos de lava incluem dezenas de milhares de ossos e fragmentos de ossos de aves, répteis e mamíferos, bem como conchas de caracóis terrestres.[2, 8, 9] Os restos de vertebrados incluem espécimes das espécies de Galápagos mais emblemáticas, tais como a tartaruga gigante, iguana terrestre, tentilhões e sabiás, juntamente com espécies de roedores, cobras, lagartos, lagartixas, morcegos e aves. Curiosamente, a maioria desses ossos representa restos de presas regurgitadas por corujas de celeiro de Galápagos, uma espécie que constrói poleiro e ninhos em bordas dos tubos de lava. Ossos de organismos maiores (como tartarugas gigantes), por outro lado, representam animais que caíram e morreram presos nos tubos.

Material vegetal fóssil recuperado de sedimentos de pântano e lago consiste principalmente de pólen e esporos microscópicos.[3, 4] No entanto, de tamanho pequeno (restos macroscópicos tais como sementes de plantas e fragmentos) também foram encontrados.[10]

Quando os fósseis das Ilhas Galápagos se formaram?

A questão da idade é sensível para os criacionistas. Existem duas abordagens para datar um objeto geológico, como um fóssil ou uma rocha. O primeiro, denominado datação absoluta, visa a atribuir uma idade numérica para o objeto. O segundo, chamado de datação relativa, tenta estabelecer se o objeto é mais jovem ou mais velho do que outros objetos, mas sem atribuir uma idade numérica específica.

Idades absolutas em geologia são baseadas em métodos de datação radiométrica. Idades radiométricas têm valores que sugerem uma longa cronologia da vida na Terra, criando um conflito potencial com o registro bíblico.[11] Por essa razão, os criacionistas tendem a rejeitar esses valores absolutos, à procura de formas alternativas que expliquem esses resultados. Em geral, no entanto, existe um consenso de que a ordem relativa das datas (mais jovem versus mais velhas) pode ser um indicador fiável da sua idade relativa, independentemente dos valores absolutos. Nas Ilhas Galápagos, as idades de radiocarbono obtidas a partir de alguns dos ossos fósseis são quase invariavelmente mais jovens do que oito mil anos,[12] com apenas um par de exceções dando valores em torno de 20 mil anos.[2, 8] Idades de radiocarbono de matéria orgânica associada com os materiais vegetais fósseis também são consistentemente mais jovens do que 26 mil anos,[4, 13] com exceção de uma camada mais antiga datada em 48 mil anos.[3]

Fósseis em depósitos marinhos são considerados mais jovens do que dois milhões de anos,[14] com base em idades radiométricas de rochas vulcânicas intercaladas com os depósitos.[1] No geral, a cronologia de longa idade dessas datações se correlaciona com os intervalos muito superiores da coluna geológica (Pleistoceno e Holoceno). Em resumo, uma abordagem mista de datação absoluta e relativa parece sugerir que os fósseis de Galápagos se formaram durante uma parte mais recente da história da Terra, sendo restritos às camadas superiores da coluna geológica.

Por que os paleontólogos estão interessados em estudar fósseis das Ilhas Galápagos?

Fósseis de Galápagos são explorados como um arquivo da vida passada e da ecologia nas ilhas. Tópicos sendo perseguidos pelos paleontólogos incluem: (a) padrões documentados na diversidade de espécies e tendências morfológicas, com potencial de visão sobre a origem da fauna e flora endêmicas;[2, 15] (b) estudo do impacto sobre o ecossistema da introdução de flora e fauna não nativas, com implicações para a ecologia e conservação;[2, 10] e (c) reconstrução de tendências climáticas passadas e eventos na ilha e no sistema do Oceano Pacífico tropical.[3, 4]

Implicações para modelos criacionistas

Embora não sejam tão icônicos e bem conhecidos como seus homólogos vivos, os fósseis das Ilhas Galápagos podem realmente oferecer algumas contribuições valiosas para a discussão das origens, quando abordados a partir de uma perspectiva criacionista. Os seguintes pontos resumem algumas das considerações mais importantes:

Correlação com a cronologia bíblica: uma das questões-chave levantadas a partir de uma perspectiva criacionista seria se os fósseis de Galápagos se formaram antes, durante ou depois do dilúvio bíblico. Dois elementos importantes informam uma possível resposta que, provavelmente, a maioria dos criacionistas abraçaria. Em primeiro lugar, os fósseis parecem ser relativamente jovens, sendo encontrados em depósitos que são muitas vezes dentro de características recentes da paisagem (por exemplo, tubos de lava, crateras) e associados com idades radiométricas do Holoceno e do Pleistoceno. Em segundo lugar, as assembleias de fósseis consistem quase completamente de espécies modernas, e não tipos extintos.[8, 15] A maioria dos criacionistas concorda que espécies modernas diferem das espécies pré-diluvianas, devido ao fato de elas se adaptaram às novas condições ambientais após o dilúvio. Portanto, ao considerar esses dois aspectos, uma conclusão razoável em um modelo criacionista seria a de que esses fósseis se formaram durante o período pós-diluviano.

Estase e taxas de evolução: desde a época de Darwin, as espécies modernas em Galápagos têm sido apresentadas como uma ilustração paradigmática de especiação e origem de novas espécies a partir de uma forma ancestral comum. No entanto, os fósseis conhecidos atualmente em Galápagos não corroboram significativamente essa narrativa. A esmagadora maioria dos fósseis recuperados pertence a espécies modernas conhecidas, com muito poucos exemplos de formas extintas.[2, 6, 15, 16] Portanto, em vez de documentar a mudança gradual, os fósseis de Galápagos ilustram estase. Pode-se objetar que a série de fósseis de transição não é observada, porque o registro fóssil das ilhas é fragmentado e representa apenas o intervalo de tempo mais recente. No entanto, essa é uma sugestão baseada em dados que não temos. O que é observável não captura transições evolutivas.

Ordem no registro fóssil: diferentes tipos de fósseis não são distribuídos aleatoriamente na coluna geológica, mas seguem um padrão específico de aparecimento e desaparecimento. Fósseis de Galápagos podem ser usados como um modelo para explorar por que vários tipos de fósseis não estão todos misturados nos estratos, mas seguem certa ordem. Dois fatores principais parecem estar em jogo: tempo e espaço. Não há fósseis de dinossauros ou leões africanos em Galápagos. Sabemos que os leões africanos não estão extintos, mas eles vivem apenas no continente Africano. Portanto, a razão pela qual os leões não estão fossilizados em Galápagos está ligada à sua distribuição geográfica (espaço). Por outro lado, os dinossauros estão extintos. Portanto, pode ser que eles nunca fossilizaram em Galápagos, porque eles não estavam presentes na Terra no momento da formação dos fósseis de Galápagos (tempo). A presença ou ausência de certos grupos de organismos no tempo e no espaço determina a distribuição ordenada de fósseis, tanto em interpretações criacionistas quanto evolucionistas do registro fóssil.

O processo de fossilização: fósseis de Galápagos podem ser usados para mostrar como o processo de fossilização depende de ambas as características de um organismo e seu ambiente deposicional. Por exemplo, as criaturas marinhas mais bem representadas nos fósseis de Galápagos são aquelas com conchas e partes duras. Animais de corpo mole, como pepinos do mar, apresentam menor probabilidade de ser fossilizados. O meio de deposição também é crucial para a fossilização. Por exemplo, lavas vulcânicas não são favoráveis para a preservação de organismos mortos, mas se armadilhas onde os sedimentos podem acumular estão presentes (por exemplo, os tubos de lava), fósseis podem ser encontrados mesmo em terreno vulcânico. Além disso, os ambientes terrestres (por exemplo, lagos e pântanos) são mais propensos a preservar fósseis de organismos terrestres (por exemplo, plantas terrestres), e ambientes marinhos tendem a ser dominados por fósseis de organismos marinhos. Usando as Ilhas Galápagos como estudo de caso, pode-se concluir que a fossilização certamente não é onipresente e não preserva todos os tipos de organismos, mas mesmo em ambientes desfavoráveis (por exemplo, províncias vulcânicas), a fossilização não é tão improvável quanto se poderia pensar. Representar o registro fóssil como altamente fragmentado e incompleto pode ser uma má caracterização de um arquivo muito rico de formas de vida passadas.

(Traduzido do original Geoscience Research Institute[17] por Everton Fernando Alves, mestre em Ciências da Saúde pela UEM e diretor de ensino do Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira [NUMAR-SCB])

Notas e referências:
1. Hickman, C.S. and J.H. Lipps, Geologic youth of Galápagos Islands confirmed by marine stratigraphy and paleontology. Science, 1985. 227(4694): p. 1578-1580.
2. Steadman, D.W., et al., Chronology of Holocene vertebrate extinction in the Galápagos Islands. Quaternary Research, 1991. 36(1): p. 126-133.
3. Colinvaux, P.A., Climate and the Galapagos Islands. Nature, 1972. 240(5375): p. 17-20.
4. Collins, A.F., M.B. Bush, and J.P. Sachs, Microrefugia and species persistence in the Galápagos highlands: a 26,000-year paleoecological perspective. Frontiers in Genetics, 2013. 4: p. 269.
5. Finger, K.L., et al. Pleistocene Marine Paleoenvironments on the Galapagos Islands. in GSA Abstracts with Programs. 2007.
6. Ragaini, L., et al., Paleoecology and paleobiogeography of fossil mollusks from Isla Isabela (Galápagos, Ecuador). Journal of South American Earth Sciences, 2002. 15(3): p. 381-389.
7. Johnson, M.E., P.M. Karabinos, and V. Mendia, Quaternary Intertidal Deposits Intercalated with Volcanic Rocks on Isla Sombrero Chino in the Galápagos Islands (Ecuador). Journal of Coastal Research, 2010: p. 762-768.
8. Steadman, D.W., Holocene vertebrate fossils from Isla Floreana, Galápagos. Smithsonian Contirbutions to Zoology, 413: 104 pp.
9. Chambers, S.M. and D.W. Steadman, Holocene terrestrial gastropod faunas from Isla Santa Cruz and Isla Floreana, Galapagos: evidence for late Holocene declines. Transactions of the San Diego Society of Natural History, 1986. 21(6): p. 89-110.
10. Coffey, E.E.D., C.A. Froyd, and K.J. Willis, When is an invasive not an invasive? Macrofossil evidence of doubtful native plant species in the Galápagos Islands. Ecology, 2011. 92(4): p. 805-812.
11. Uma discussão sobre abordagens criacionistas para a datação radiométrica está além do escopo deste artigo, mas um resumo útil pode ser encontrada em: https://grisda.wordpress.com/2013/07/29/radiometric-dating/
12. ka = milhares de anos antes do presente
13. van Leeuwen, J.F., et al., Fossil pollen as a guide to conservation in the Galápagos. Science, 2008. 322(5905): p. 1206-1206.
14. Ma = Milhões de anos antes do presente
15. James, M.J., A new look at evolution in the Galapagos: evidence from the late Cenozoic marine molluscan fauna. Biological Journal of the Linnean Society, 1984. 21(12): p. 77-95.
16. Steadman, D.W. and C.E. Ray, The Relationships of Megaoryzomys curioi, an Extinct Cricetine Rodent (Muroidea: Muridae) from the Galapagos Islands, Ecuador. Smithsonian Contributions to Paleobiology, 51: 24 pp.
17. Fossils of the Galápagos: A review with implications for creationist models. Geoscience Research Institute (29/05/2016). Disponível em: https://grisda.wordpress.com/2016/05/29/fossils-of-the-galapagos-a-review-with-implications-for-creationist-models/


Donald Trump nomeia Ben Carson secretário

Primeiro adventista no cargo
O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira, 5 de dezembro, a nomeação de Ben Carson como secretário da área de Habitação e Desenvolvimento Urbano. Se for confirmado pelo Senado, Carson se tornará o primeiro adventista do sétimo dia a integrar a equipe de chefes de departamento de um presidente norte-americano, segundo noticiou a Adventist Review. Apesar das duras críticas feitas a Carson durante a disputa das primárias republicanas, Trump declarou que o ex-adversário “tem uma mente brilhante e é apaixonado por fortalecer comunidades e famílias dentro dessas comunidades”. “Conversamos de maneira longa sobre minha agenda de renovação urbana e nossa mensagem de revitalização econômica, que incluem amplamente as cidades do interior”, acrescentou o presidente eleito.

Mitch McConnell, líder da maioria republicana no Senado, manifestou apoio à indicação de Carson para uma pasta que, de acordo com ele, precisa de reformas para melhor servir a todos os americanos. “Estou confiante que sua carreira de serviço abnegado irá acrescentar ao próximo governo”, ressaltou.

Carson respondeu ao anúncio com uma breve declaração aceitando a nomeação. “Estou honrado e ansioso para trabalhar duro em nome do povo americano”, declarou.

Há algumas semanas, a possível nomeação de Carson para compor a equipe de governo do 45° presidente dos EUA foi um assunto bastante comentado na imprensa e redes sociais. Porém, inicialmente ele se mostrou relutante diante da possibilidade de chefiar uma área distinta de sua formação profissional.

Carson disse que reconsiderou sua posição depois de discutir mais profundamente o assunto com a equipe de transição do governo. “Sinto que posso dar uma contribuição significativa, particularmente fortalecendo comunidades que têm grandes necessidades”, disse em entrevista ao canal de TV Fox News no fim de novembro, ao lembrar que veio de uma região marginalizada e que teve oportunidade de atender muitas pessoas de comunidades carentes ao longo de sua trajetória.

Natural de Detroit, Carson foi criado por uma mãe analfabeta que se casou aos 13 anos e foi abandonada pelo marido. Símbolo do “sonho americano”, ele teve a chance de começar a mudar de vida ao ganhar uma bolsa para estudar na Universidade Yale e cursar medicina na Universidade de Michigan. Com apenas 33 anos, se tornou diretor de Cirurgia Pediátrica da Universidade Johns Hopkins. Em 1987, ganhou fama mundial ao realizar a primeira cirurgia bem-sucedida de separação de siameses unidos pela cabeça.

Em 2008, chegou a receber do então presidente George W. Bush a Medalha da Liberdade, a maior honra civil do país. Carson, que frequenta a Igreja Adventista do Sétimo Dia de Spencerville, em Silver Spring, Maryland, também é autor de vários livros. Entre suas obras mais conhecidas publicadas em português estão Risco CalculadoSonhe Alto e a autobiografia Ben Carson.

terça-feira, dezembro 06, 2016

Tremendo desafio: pregar a uma sociedade que afunda

Enquanto em Portugal aborto pode ser matéria para alunos do 5º ano e educação sexual pode ser dada no pré-escolar (confira aqui), no Brasil, em Juazeiro do Norte, uma peça teatral apresentada no Sesc Cariri de Culturas, tem uma parte em que os atores andam nus no palco, em círculo, enquanto cada um deles enfia o dedo no ânus do outro (confira). Sim, é isso mesmo o que você leu. E tudo indica que essa “arte” tem financiamento do Governo Federal. Mas tem mais. Veja este relato de Leonardo Bruno:

“Passeava eu pela livraria da editora da UFPA, no campus da universidade, folheando livros, quando me deparei com um exemplar cujo título era, no mínimo, chamativo: ‘Abuso sexual’. Supus a princípio que fosse mais um trabalho acerca dos malefícios da pedofilia, dos transtornos psicológicos causados contra crianças abusadas ou violentadas sexualmente. Um simples detalhe não ficou despercebido: o livro coloca o abuso sexual entre aspas, como se o termo não fosse real. O autor, pesquisador da universidade, relativiza o abuso sexual como mero discurso moral, mais do que uma realidade. A partir dessas premissas e falsificando o próprio sentido das palavras, diz que a tentativa de proteger as crianças do sexo é apenas uma visão dentro de uma moralidade burguesa e cristã, e que, na prática, não corresponde aos anseios dos menores, já que, em outras épocas, a prática sexual entre adultos e crianças é tolerada. Aquilo me deixou espantando, embora não totalmente perplexo. Pois já sabia que a campanha ideológica a favor da pedofilia é outra mazela acadêmica que veio para nos aterrorizar” (confira).

E ele prossegue: “Que o movimento gay seja um grupo de sociopatas e dementes, isso já é bem sabido para quem o conhece. Todavia, o incentivo cada vez mais explícito da agenda gay de transferir a subcultura homossexual para o ambiente escolar já passou dos limites. Seria caso de polícia, se este país fosse decente.”

Leonardo destaca as palavras sintomáticas de certa professora universitária: “As ‘brincadeiras infantis’ também podem envolver outros: meninos buscando conhecer o corpo de outros meninos e meninas buscando conhecer os próprios corpos e de outras meninas e meninos. Então, quando meninos e meninas brincam sexualmente com seus corpos, com outros meninos e meninas, eles não estão sendo gays ou lésbicas, quando fazem isso com pares do mesmo sexo. Não é disso que se trata. Que deixem as crianças brincarem em paz, isso as tornará adolescentes e adultos mais inteligentes e potencialmente mais perspicazes no enfrentamento e na transformação do mundo que lhes deixamos.”

Dentro da lógica acima, as crianças mais velhas terão passe livre para abusar sexualmente das crianças mais frágeis. As meninas não escaparão disso, já que podem ser bolinadas, manipuladas ou seviciadas por meninos mais velhos e até adultos. A tal professora entende que isso é apenas uma “descoberta” e que vai transformá-las em indivíduos mais inteligentes e potencialmente perspicazes! “Poucas vezes se viu uma apologia tão descarada do estupro infantil e da corrupção de menores. Que mundo maravilhoso [a professora] deixa como herança, não é mesmo?”, pergunta Leonardo.

No outro lado do espectro da sexualidade, aqueles que procuram ter relações íntimas apenas com pessoas com as quais tenham afetividade, num contexto de romantismo, são tidos como “demissexualizados”, ou algo assim (confira). Ou seja, o sexo que deveria ser o mais próximo do ideal, segundo os valores cristãos, é considerado anômalo. Na sociedade em que vivemos, homossexualidade, aborto, sexo entre crianças e coisas afins são tidas como normais, ao passo que a sexualidade expressa em um contexto de amor, fidelidade e compromisso passa a ser encarada como algo ultrapassado e até anormal. Total inversão de valores!

E, para concluir, outro tipo de decadência que desencadeia uma série de males: Brasil cai em ranking mundial de educação em ciências, leitura e matemática. Os dados são do Pisa, prova feita em 70 países, e foram divulgados nesta terça-feira; Brasil ficou na 63ª posição em ciências, na 59ª em leitura e na 66ª colocação em matemática (confira).

Arranca-se da família (em franca desestruturação) o papel educador quanto ao caráter e à sexualidade e entrega-se essa missão ao sistema educacional com sua agenda. Nas áreas humanas, nas universidades, perde-se tempo considerável discutindo “questões de gênero” e sexualidade, concluindo, assim, a modelagem do “cidadão do futuro”, esse mesmo que mal sabe interpretar um texto, fazer um cálculo ou discutir temas ligados à ciência (no caso específico do Brasil e de outros países desafortunados).

Alguma dúvida sobre quem está há um bom tempo orquestrando tudo isso? Percebe o tamanho do desafio que se impõe àqueles que receberam a ordem de Cristo de ir e pregar o evangelho a todas as pessoas (Mc 16:15)? Cada vez mais a mensagem do evangelho (que pode, de fato, nos dar esperança e garantir a mudança de dentro para fora) torna-se contracultural. Cada vez mais os cristãos serão vistos como “intrusos” em um mundo que desejam abençoar e salvar. Cada vez será mais difícil falar de criacionismo para quem não sabe o que é ciência; falar de lógica e linguagem divina para quem não compreende matemática; e falar de profecias e estudo bíblico para quem não sabe ler. Mesmo assim, a despeito de tudo isso, o desafio evangelístico de Cristo permanece e a promessa de que Ele estará conosco até o fim, também.

Não foi fácil para Noé. Não foi fácil para os primeiros cristãos no Império Romana. E não será fácil para nós. Mas temos que prosseguir mesmo assim. [MB]

Suécia não quer ofender muçulmanos com Natal

Respeito só para eles?
A esquerda socialdemocrata que governa a Suécia escreveu mais um capítulo da história de uma das nações mais prósperas da civilização ocidental que está se rendendo e capitulando sem lutar ante ao hegemonismo muçulmano. O órgão encarregado da administração do transporte público no país emitiu uma ordem proibindo a instalação de iluminação natalina nos postes de luz e de energia elétrica administrados pelo poder público. A alegação oficial é de que a proibição se deve a razões de segurança: segundo Eilin Isaksson, dirigente da entidade nacional de transportes, os postes de iluminação pública não teriam sido projetados para sustentar o peso da iluminação natalina, daí o motivo da proibição. Trata-se obviamente de um argumento que beira ao surrealismo. Não é preciso ser engenheiro para saber que a colocação de iluminação natalina em postes metálicos ou de concreto nunca representou risco à segurança em lugar algum do mundo. O fato é que a Suécia é uma sociedade que vive sob um transe mental criado pelo multiculturalismo e pelo politicamente correto, no qual as afirmações delirantes a respeito da realidade são tomadas como sendo expressão dessa realidade.

Exemplo disso são as chamadas “crianças” muçulmanas constantemente acusadas de práticas de crimes sexuais: essas supostas crianças são em geral homens muçulmanos na faixa etária de vinte anos ou mais, e que ingressam no país como refugiados mentindo na hora de declarar sua idade. Essa mentira é tomada como verdade e passa a ser repetida e difundida pelas autoridades do estado socialista que reina no país há décadas. A Suécia é também o lugar onde a lei permite, em nome da liberdade de expressão, ostentar a bandeira do Estado Islâmico. Mas essa mesma lei possibilita que qualquer cidadão seja preso e condenado por racismo ou islamofobia se emitir uma opinião contrária à política imigratória pró-muçulmana adotada há anos pela socialdemocracia que governa o país.

A Suécia é ainda o país onde autoridades religiosas supostamente cristãs defendem a remoção de símbolos cristãos das igrejas, para possibilitar que muçulmanos utilizem os templos para práticas religiosas islâmicas. E, por fim, é o país onde as mulheres vítimas de estupros praticados por muçulmanos são aconselhadas por lideranças feministas e por assistentes sociais a se acostumarem com o risco e adotar precauções, uma vez que o risco recorrente de estupro é um preço que valeria a pena pagar para a construção de uma sociedade multiculturalista.

A bem da verdade, a proibição de iluminação natalina nas vias públicas vem no bojo de medidas que visam, na prática, a adoção da sharia, a lei muçulmana que basicamente estabelece a superioridade dos muçulmanos em relação aos demais integrantes da sociedade. O objetivo último da proibição é o mesmo de outras medidas semelhantes: não ofender os muçulmanos. E para que a sharia se imponha, como querem e desejam os muçulmanos e a esquerda que governa o país, é necessário praticamente banir o que ainda resta de vestígio de cristianismo no país, e a imposição de restrições a celebrações natalinas faz parte desse esforço. A proibição irá afetar principalmente as pequenas cidades, tanto em termos de tradição quanto em termos de atividade econômica.

A perseguição cultural ao cristianismo e a concessão permanente de direitos excepcionais aos muçulmanos são uma constante na vida pública sueca. No ano passado, a programação especial de véspera de Natal na televisão pública sueca foi transmitida por uma mulher muçulmana. Ainda esse ano, algumas localidades suecas iniciaram um programa de benefícios sociais, que incluem até mesmo a concessão de carteira de motorista a custo zero para militantes jihadistas do Estado Islâmico originários da Suécia que desejassem retornar ao país, sob pretexto de ajudá-los a se reintegrar na sociedade.

A Suécia é um país de 9,5 milhões de habitantes, cuja população muçulmana corresponde a 5% desse total. Somente em 2015, o país recebeu oficialmente 163 mil supostos refugiados muçulmanos. Os números podem ser maiores, pois o controle de imigração não é tão rígido. Tomando-se o número oficial de supostos refugiados e comparando com a população, seria o mesmo que o Brasil receber em um único ano cerca de 3,5 milhões de estrangeiros, em sua esmagadora maioria homens em idade militar, a quem fossem assegurados uma Bolsa Família e benefícios sociais de todo tipo, incluindo moradia e previdência social.

Não existe estrutura ou estado de bem-estar social capaz de suportar tal demanda. O resultado inevitável será o colapso do sistema e o acirramento de tensões sociais, como já ocorre na Suécia há anos com a onda de estupros e violência de gangs muçulmanas. Mas é exatamente para isso que a política de abertura de fronteiras para invasores muçulmanos foi adotada pela esquerda marxista de extração socialdemocrata que governa o país há décadas. Resta aos suecos perceber que o inimigo da sociedade sueca é a esquerda que quer desmantelar essa mesma sociedade, e que os muçulmanos [radicais] são o Cavalo de Troia trazido para dentro de seus portões.


Nota: Não quero, com a reprodução desse texto aqui, dar a ideia de que sou contra os praticantes da religião de Maomé. Não ignoro o fato de que muitas dessas pessoas são pacifistas e ordeiras, e que precisamos manter um diálogo respeitoso com elas. E também não ignoro outro fato: de que há cristãos que não merecem esse nome. Mas uma coisa é certa: a islamização da Europa ocorre porque o cristianismo lá está perdendo sua força. E por quê? Porque os cristãos, de modo geral, perderam a noção do poder do cristianismo; do Jesus cuja tumba está vazia; da religião que abalou o império romano e pode mudar vidas. O cristianismo se tornou apenas uma tradição. Na França, houve até proibição de se montarem presépios nas ruas, também para não ofender os muçulmanos. Alguém está preocupado com os cristãos que vêm sendo sistematicamente mortos por radicais islâmicos em países de maioria muçulmana? Alguém está preocupado em lutar pelos direitos dos cristãos nesses países? Mundo injusto... [MB]