sábado, outubro 25, 2014

Nos passos dos pioneiros: ideias em conflito

Fazenda de Hiran Edson
Em nosso terceiro dia de viagem pelos lugares históricos da Igreja Adventista nos Estados Unidos (24/10), pudemos conhecer quatro locais importantes que revelam a efervescência ideológica e religiosa que teve lugar na região da Nova Inglaterra, no século 19: a comunidade de Oneida, o Monte Cumorah e as cidades de Hydesville e Port Gibson. De certa forma, esses quatro lugares separados por pouco mais de dez minutos de carro ilustram um conflito que vem sendo travado neste planeta há alguns milênios. A mentira original descrita no livro de Gênesis se refere ao estado do ser humano na morte. Deus foi muito claro em dizer que o pecado levaria o ser humano à morte, ao passo que o inimigo de Deus, valendo-se de uma serpente como médium, procurou contradizer as palavras do Criador dizendo que, independentemente do que fizessem, Adão e Eva não morreriam. O primeiro casal duvidou das palavras de Deus e acreditou no anjo caído, o que deu origem à história do pecado em nosso planeta. 

A Comunidade Oneida foi fundada em 1848 por John Humphrey Noyes, cujo objetivo era criar o “céu na Terra”. Noyes reuniu um grupo de homens e mulheres que passou a morar num casarão. Ele dizia ter alcançado a perfeição e que pecado era o egoísmo. Portanto, ter um cônjuge era manifestação desse egoísmo, o que levou a comunidade, embora religiosa, a adotar os múltiplos relacionamentos. Ninguém era de ninguém e todos eram de todos. As crianças oriundas desses relacionamentos sequer sabiam quem eram seus pais, e eram criadas pela comunidade. Algumas daquelas pessoas adotaram uma dieta vegetariana. Depois de alguns anos, a comunidade foi desfeita por líderes locais, que não puderam aceitar esse tipo de distorção religiosa e comportamental.

O monte Cumorah fica em Palmyra e é tido pelos membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (mórmons) como o local em que o suposto profeta Joseph Smith teria, em 1831, recebido do “anjo” Moroni as placas de ouro das quais Smith teria copiado o conteúdo do Livro de Mórmom. Entramos no prédio bem cuidado e belamente decorado com quadros, displays luminosos e monitores com vídeos bem produzidos. Um senhor simpático vestido de terno e gravata nos recebeu e nos forneceu uma série de informações sobre a religião e a história dos mórmons. Eu já sabia que essa igreja acredita que as almas são imortais, geradas por um deus e uma deusa, e que eles praticam o batismo pelos mortos, sendo, portanto, espiritualistas. Quando perguntamos quem havia sido Moroni, aquele senhor nos explicou que o “anjo” tinha sido, na verdade, um ser humano ressuscitado, ou seja, um “espírito”. Smith, o profeta do mormonismo, teve uma história polêmica, foi polígamo, preso e morto por linchamento em 1844. 

A poucos minutos dali, está a pequena cidade de Hydesville. Nela, visitamos o discreto memorial que marca o começo do espiritismo moderno, em 1848, com as famosas batidas na casa da família Fox. A casa não mais existe. Foi destruída por um incêndio anos atrás, sobrando apenas a fundação de pedra por cima da qual foi construída uma casa de madeira, com amplas janelas de vidro. Há mais de cem anos, Ellen White revelou quem foi o verdadeiro autor daquelas batidas. E a placa em frente às ruínas da casa dos Fox confirma o que Ellen escreveu: aquela manifestação espiritual no século 19 marca o início da expansão do espiritismo no mundo. 

Por último, completando a programação do dia, visitamos, em Port Gibson, a fazenda que havia sido de Hiran Edson. Há uma pequena casa lá e uma réplica do celeiro dentro do qual alguns mileritas se reuniram para orar no dia 23 de outubro de 1844, um dia após o grande desapontamento. Edson saiu dali com um amigo com o objetivo de confortar outros mileritas tristes. Enquanto atravessava um milharal, Deus lhe concedeu a compreensão do que realmente havia acontecido no dia anterior: a profecia não anunciava a vinda de Jesus à Terra, mas, sim, Sua passagem do lugar santo para o lugar santíssimo do santuário celestial, dando início, assim, ao juízo investigativo. De certa forma, naquele dia em 1844, após a experiência amarga do desapontamento causado pela má compreensão do evento anunciado pelas profecias, nascia a Igreja Adventista do Sétimo Dia. Assim como, depois do desapontamento da cruz causado pela má compreensão das profecias messiânicas, nasceu a igreja cristã.

Você prestou atenção à data dos eventos mencionados acima? Oneida: 1848. Encontro de Smith com o “anjo” Moroni e linchamento do “profeta”: 1831 e 1844. Batidas na casa das irmãs Fox: 1848. Seria apenas coincidência? Em 1844, Ellen White teve sua primeira visão profética. Em 1848, foram organizadas as principais conferências bíblicas dos adventistas do sétimo dia. Lamentavelmente, a emergência do movimento adventista - com sua missão de restaurar as verdades do santuário celestial, do sábado, da mortalidade humana, do estilo de vida saudável, do criacionismo - acabou sendo ofuscada em parte pelo “espetáculo paralelo” de movimentos religiosos “proféticos”, moralmente condenáveis, pregadores da imortalidade. Na mente de muitas pessoas, o adventismo certamente foi visto como mais um movimento exótico. No entanto, a partir daquele pequeno começo, a Igreja Adventista cresceu, se espalhou pelo mundo e vem cumprindo sua missão de proclamar a volta de Jesus.

De Port Gibson, rumamos para Benton Harbor, Michigan. Mais 1.226 km nos aguardavam.  

Michelson Borges
Mansão da Comunidade Oneida; hoje é um museu e hotel

Memorial no Monte Cumorah

Interior do memorial em honra a Joseph Smit

Placa reconhece local do surgimento do espiritismo moderno

Casa da família Fox, em Hydesville

Antiga propriedade do pioneiro Hiran Edson


sexta-feira, outubro 24, 2014

Nos passos dos pioneiros: José Bates

Capitão José Bates
José Bates (1792-1872) é considerado um dos três principais fundadores da Igreja Adventista do Sétimo Dia e um grande defensor da reforma de saúde. Como capitão de navio, ele viajou por várias partes do mundo, inclusive o Brasil. Homem culto e respeitado, Bates deu grande contribuição ao movimento adventista, com seus recursos financeiros, sua influência e muita dedicação. Em 1839, Bates aceitou a mensagem pregada por Guilherme Miller e tornou-se parte do grupo milerita. José Bates manteve sua fé depois do desapontamento de outubro de 1844. Estudou mais profundamente as Escrituras e se tornou um observador do sábado.

Em nossa viagem cultural/denominacional pelos Estados Unidos, ontem, quinta-feira, 23 de outubro, visitamos outros lugares muito significativos. Logo cedo, deixamos Rutland e fomos para Fairhaven, em Massachusetts, onde está localizada a casa original em que Bates passou a infância e a escola em que ele estudou (hoje museu). Depois, fomos para Bedford, e vimos as ruínas da ponte sobre a qual foi travado um diálogo entre Bates e um cidadão da cidade, que lhe perguntou: “Capitão Bates, quais são as novas?” E ele respondeu: “As novas são que o sábado é o dia do Senhor.” 

A vida desse pioneiro é realmente uma inspiração para aqueles que desejam levar a vida religiosa a sério e viver de modo digno e correto. Juntamente com Tiago e Ellen White, Bates imprimiu sua marca nos primórdios da história do adventismo e ajudou a sistematizar as doutrinas bíblicas da denominação.

Saímos de Bedford, viajamos mais 51 km e chegamos a Plymouth, onde conhecemos a pedra de 1620 e o navio Mayflower, monumentos que ajudam a recordar a chegada dos pais peregrinos aos Estados Unidos, evento que marcou o início da nação norte-americana. Em seguida, fomos para Portland, Maine, a 235 km de Plymouth. Ali pudemos ver o prédio da escola em que Ellen White estudou, o provável local em que ela levou a pedrada que mudou sua vida e o parque Deering Oakes, ao qual ela costumava ir para orar. 

Fomos também ao local em que ficava o auditório no qual Guilherme Miller pregou, na Rua Casco, tendo convertido algumas pessoas, dentre as quais Ellen Gould Harmon (depois White). A maneira como Ellen descreve essas reuniões é realmente tocante. A esperança da volta de Jesus deu novo sentido para a vida dela. Ellen passou a ter uma experiência ainda mais profunda com Deus e pediu para ser batizada por imersão, como orienta a Bíblia. Conhecemos também o local do batismo, na Baía de Casco. 

Demos uma rápida passada no farol de Cape Elizabeth (paisagem linda!) e percorremos mais 443 km até Latham, Nova York, onde descansamos para poder enfrentar a maratona de visitas do dia seguinte.

Michelson Borges

Casa de José Bates, em Fairhaven

Parte de um muro de 1660, atrás da casa de Bates

Casa construída em 1742 

Ponte sobre a qual Bates contou a "novidade" do sábado

Marco da chegada dos pais peregrinos

Réplica do Mayflower

Lucas, Walter, Wellington, André, Eduardo, Vinícius, Alberto e Michelson

Escola em que Ellen White estudou na infância

Deering Oakes Park

Local do auditório em que Miller pregou

Nos passos dos pioneiros: um verdadeiro bereano

Antes de se tornar o pai do movimento adventista na América do Norte, o batista Guilherme Miller foi deísta e debochava das crenças cristãs. Convocado para a guerra de 1812 contra os ingleses, ele presenciou situações que o fizeram questionar seu ceticismo, chegando mesmo a admitir se tratar de milagres o que havia visto. Quando voltou para casa, ouviu seus amigos céticos fazerem comentários depreciativos em relação à Bíblia, e ele encarou isso como um desafio: começaria a ler as Escrituras desde o Gênesis e só avançaria se todos os textos lhe fossem claros o suficiente. Contando unicamente com uma concordância, ele encarou o desafio e se dedicou a um estudo profundo da Palavra de Deus, ficando especialmente impressionado com as profecias de Daniel e Apocalipse.

Miller foi um verdadeiro bereano, aquele povo que Paulo elogiou por conferir todas as coisas nas Escrituras (At 17:11). Foi um cético sincero, daqueles que duvidam de tudo, até de si mesmos. E foi por duvidar que ele creu. Viu milagres inexplicáveis do ponto de vista humano e partiu em busca de respostas. Teve coragem de encarar seus preconceitos e mudar de ideia. Como um verdadeiro reformador do século 19, ele se rendeu ao chamado de Deus e pregou em diversos lugares uma mensagem capaz de despertar dezenas de milhares de pessoas da letargia religiosa em que viviam.

Foi um tremendo privilégio conhecer no dia 22/10/2014 a fazenda que pertenceu a Guilherme Miller, entrar na casa dele e sentar-me à mesa em que ele estudava a Bíblia. Fiquei imaginando os anjos de Deus naquele cômodo, ajudando o pesquisador sincero das Escrituras, e pedi que o Senhor me ajudasse a ser como aquele grande homem - um bereano moderno.

Michelson Borges


quinta-feira, outubro 23, 2014

Nos passos dos pioneiros: Guilherme Miller

Pioneiro do movimento adventista
A Igreja Adventista do Sétimo Dia tem uma história riquíssima e seus pioneiros deixaram um tremendo legado de fé às gerações subsequentes. Ler de quando em quando sobre isso é importante, pois nos reconecta às nossas raízes proféticas, reafirma em nós o senso de missão e nos faz encarar o futuro com os olhos da esperança – a mesma visão pela qual viveram e morreram aqueles que se deixaram gastar por amor aos perdidos e para levar a mensagem de salvação a tantos quantos pudessem alcançar. Por isso Paulo escreveu: “Lembrem-se dos seus primeiros líderes espirituais, que anunciaram a mensagem de Deus a vocês. Pensem como eles viveram e morreram e imitem a fé que eles tinham” (Hb 13:7). Um desses líderes que marcaram profundamente a história do movimento adventista foi Guilherme Miller (1782-1849).

Conforme informações do site do Centro de Pesquisas Ellen G. White, Guilherme Miller teve uma forte formação religiosa, mas associou-se a companhias “erradas”. Seus amigos deixaram a Bíblia de lado e tinham vagas ideias a respeito de Deus e Sua personalidade. Aos 34 anos de idade, Miller ficou insatisfeito com suas ideias. O Espírito Santo impressionou seu coração e ele se dedicou ao estudo da Palavra de Deus. Em Cristo, Miller encontrou a resposta para todas as suas necessidades. Seu estudo o conduziu às grandes profecias que apontavam para o primeiro e o segundo advento de Jesus. As profecias com relação a tempo o interessavam, especialmente as profecias de Daniel e Apocalipse.

No ano de 1818, como resultado de seu estudo das profecias de Daniel 8 e 9, Miller chegou à conclusão de que Cristo voltaria em algum momento durante os anos de 1843 e 1844. Ele hesitou até 1831, antes que começasse a anunciar suas descobertas. O início do movimento adventista na América do Norte pode ser marcado a partir da primeira pregação pública de Miller. Nos meses e anos que se seguiram, cerca de cem mil pessoas passaram a crer na iminência da segunda vinda de Cristo, e por volta de um milhão tiveram contato com essa mensagem. Para ter uma ideia do alcance desse reavivamento religioso, basta ter em mente que a população norte-americana na época era de 17 milhões de habitantes.

Miller viveu por vários anos após o grande desapontamento de 22 de outubro de 1844 (leia mais sobre isso aqui). Dormiu em Cristo em 1849. Uma pequena capela se encontra próxima a sua residência, em Low Hampton, Nova York, construída por Miller antes de ele morrer. Apesar dos equívocos a respeito do evento que estava para acontecer em 1844, Deus o usou para despertar o mundo para a proximidade do fim e preparar os pecadores para o tempo do juízo.

No dia 22 de outubro de 2014, exatos 170 anos depois do grande desapontamento, um grupo de cinco editores da Casa Publicadora Brasileira, um da Casa Editora Sudamericana (na Argentina) e o diretor associado do White Estate, Dr. Alberto Timm, visitaram o lugar em que um grupo de adventistas aguardou ansiosamente o encontro com Jesus em 1844. Esse dia especial para os viajantes do século 21 marcou o início de uma excursão inspiradora cujo objetivo é seguir os passos dos pioneiros.

Foi realmente inspirador orar sobre aquela rocha em que os mileritas aguardaram a vinda de seu Senhor. Foi marcante entrar na casa de Miller, ver sua mesa de estudos e, depois, visitar o cemitério no qual esse grande pregador está sepultado ao lado da esposa Lucy. Ellen White diz que um anjo guarda o túmulo de Miller. E o local é solene.

Deixamos a fazenda em Whitehall, Nova York, e rumamos para Washington, New Hampshire, a 149 km dali, a fim de conhecer a primeira igreja de adventistas guardadores do sábado. Ao lado do pequeno de templo de madeira está a sepultura de Rachel Oaks, a mulher que convenceu o pastor daquela comunidade de que o sábado é o verdadeiro dia do Senhor.

De Washington, fomos para New Bedford, Massachusetts (mais 251 km), onde planejamos visitar lugares relacionados ao pioneiro José Bates. Aguarde o relato, pois, a partir de agora, você acompanha diariamente os passos dos pioneiros, aqui no blog. Até amanhã.

Michelson Borges


Casa de Guilherme Miller, em Whitehall

Residência mantida pela IASD nos EUA

Mesa de estudos de Miller

Grupo de editores na Rocha da Ascensão: 170 anos depois

segunda-feira, outubro 20, 2014

Peixe pré-histórico foi o primeiro a fazer sexo?

De ladinho... Quanta imaginação!
Segundo um grupo internacional de pesquisadores, um peixe pré-histórico, o Microbrachius dicki, é o primeiro animal que se tem notícia de ter parado de se reproduzir com fertilização externa (em que os peixes inseminam seus ovos fora dos organismos) e começado a copular. O peixe, que viveu há 385 milhões anos [segundo a cronologia evolucionista] e media apenas 8 cm, vivia em lagos no que hoje é a Escócia. As conclusões dos cientistas foram publicadas da revista de ciência Nature. “Nós definimos o ponto da evolução em que teve início a fertilização interna nos animais”, afirma John Long, acadêmico da Flinder University, da Austrália, de um dos principais autores do estudo. Long revelou que sua descoberta ocorreu por acaso, enquanto observava alguns fósseis.

Ele percebeu que um dos espécimes do peixe tinha um apêndice em forma de “L”, diferentemente de outros fósseis, que continham uma espécie de abertura. “Esse apêndice era usado para transferir o sêmen para a fêmea”, explica o pesquisador. Por conta de sua anatomia, o Microbrachius precisava fazer uma estranha “dança” de acasalamento. “O peixe precisava copular de lado, como numa espécie de dança, em que as barbatanas serviam para dar apoio enquanto o macho introduzia seu membro na fêmea”, diz Long.

Curiosamente, essa forma de reprodução não durou. Os pesquisadores acreditam que o Microbrachius voltou a utilizar a inseminação externa. A copulação só voltaria a ocorrer no mundo animal milhões de anos depois [idem], em algumas espécies de tubarões e arraias.

Outra grande surpresa é o Microbrachius ter passado despercebido por tanto tempo pelos cientistas. “Esse peixe é bastante conhecido e seus fósseis são comuns. Não se trata também de um animal encontrado em alguma localização exótica. É incrível que não tenhamos percebido antes”, afirma o biólogo Matt Friedman, da Universidade de Oxford.

Em 2009, outro estudo apontara outro peixe, o Incisoscutum ritchiei, como o primeiro animal a tentar a reprodução pelo ato sexual, mas a criatura viveu pelo menos 20 milhões de anos [idem] depois do Microbrachius.


Nota: Não é impressionante perceber que a reprodução sexuada, que depende de uma série de mecanismos distintos, mas inter-relacionados, plenamente funcionais e perfeitamente compatíveis, tenha “surgido” em tempo tão remoto na Terra? Ou seja: complexidade desde sempre! Ainda que deixemos de lado a existência de órgãos copuladores distintos, o próprio fato de existirem células reprodutoras distintas e compatíveis já torna o “negócio” todo muito complicado para quem imagina que a complexidade da vida seja resultado de processos lentos e graduais. De onde teria surgido a tremenda quantidade de informação complexa da qual dependem os órgãos e as funções deles? O que teria ocorrido na bioquímica e na fisiologia de dois animais distintos e que acabou diferenciando a ambos, fazendo com que adquirissem funções diferentes, mas complementares, num mesmo espaço geográfico e numa mesma geração? E como que o primeiro Microbrachius sexuado já sabia exatamente o que fazer com seu novo apêndice surgido do nada? Finalmente: é impressionante ver como os cientistas evolucionistas conseguem criar histórias inteiras com base em apenas uns poucos fósseis, quando há seres vivos hoje cujo comportamento ainda é desconhecido dos pesquisadores. E é mais impressionante ainda como há revistas científicas dispostas a publicar essas peças. [MB]

sexta-feira, outubro 17, 2014

Papa NÃO pressionou Obama a assinar decreto dominical

Mais uma dos boateiros de plantão
De vez em quando, surgem por aí os mais estranhos boatos escatológicos. E com o advento das redes sociais, esse tipo de coisa se espalha como fogo no mato seco. A última “fofoca profética” ganhou terreno virtual no WhatsApp, e dava conta de que o papa Francisco teria pressionado o presidente norte-americano a assinar o decreto dominical, lei que imporá a observância do domingo como único dia de repouso semanal. Sim, isso (o decreto dominical) tem sabor de teoria da conspiração, eu sei. E eu mesmo achava isso lá pelos anos 1990, conforme conto no vídeo abaixo. No entanto, como você verá no vídeo, há fortes indícios de que uma lei dessa natureza contará com o apoio popular, motivo pelo qual ela jamais será assinada na surdina, de repente e, muito menos, divulgada apenas em redes sociais. Seria bom que os divulgadores desses boatos estudassem mais atentamente a Bíblia e, em especial, o livro O Grande Conflito. Note o que Ellen White escreveu a respeito do assunto:

“À medida que ganha terreno o movimento em favor do repouso dominical obrigatório, eles se regozijam, na certeza de que, por fim, todo o mundo protestante será reunido sob a bandeira de Roma” (p. 448).

“E então o grande enganador persuadirá os homens de que os que servem a Deus estão motivando esses males [catástrofes ambientais]. A classe que provocou o descontentamento do Céu atribuirá todas as suas inquietações àqueles cuja obediência aos mandamentos de Deus é perpétua reprovação aos transgressores. Declarar-se-á que os homens estão ofendendo a Deus pela violação do descanso dominical; que este pecado acarretou calamidades que não cessarão antes que a observância do domingo seja estritamente imposta; e que os que apresentam os requisitos do quarto mandamento, destruindo assim a reverência pelo domingo, são perturbadores do povo, impedindo a sua restauração ao favor divino e à prosperidade temporal” (p. 590).

Os trechos grifados por mim servem para mostrar que haverá uma “agitação” em torno da controvérsia sábado versus domingo. Haverá um “movimento”, discussões, perseguições e, por fim, a imposição da lei. E é obvio que seja assim, pois as pessoas terão que tomar sua decisão (pela lei de Deus ou pelas leis humanas) com base em fatos, em conhecimento, em informação. Se esse tema for tratado de forma secreta, em redes sociais às quais nem todos têm acesso, como as pessoas poderão se posicionar?

O pior de tudo são as consequências em curto e em longo prazo desses boatos. Em curto prazo, geram sensacionalismo, preocupações desnecessárias, arroubos de fanatismo, “reformas” motivadas pelos motivos errados (especialmente pelo medo), e atraem a desconfiança e o opróbrio sobre a igreja. Em longo prazo, trazem o desânimo e o ceticismo. Uma vez desmascarado o boato, fica a sensação de que foi apenas mais um, e se instala na mente a desconfiança, de tal forma que, quando vierem os verdadeiros sinais de que estão às portas os eventos finais há tanto aguardados pelo povo de Deus, muitos os compararão aos boatos do passado e duvidarão.

Levando tudo isso em conta, não tenho dúvida de quem está por trás desses criadores e espalhadores de mentiras. E percebo, com tristeza, que o povo de Deus “se perde por falta de conhecimento” (Os 4:6).

Michelson Borges



Leia também a nota de esclarecimento divulgada no Facebook da IASD.

O testemunho dos sabatistas no Enem

Fidelidade à Palavra de Deus
[O portal G1 publicou uma matéria destacando a queda no número de guardadores do sábado inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), em comparação com a edição de 2013. Mas o que me chamou a atenção mesmo foram as informações dadas na sequência do texto. Confira:] Os candidatos sabatistas precisam chegar ao local de provas antes das 13h (horário de Brasília), como todos os demais estudantes inscritos. A diferença é que eles passam a tarde em uma sala sem acesso a materiais de leitura, por motivos de segurança, e só começam a fazer a prova após o pôr do sol. [...] Isso acontece porque os chamados “guardadores de sábado” seguem à risca os ensinamentos da Bíblia no livro do Êxodo [não apenas ali, evidentemente. Praticamente toda a Bíblia apresenta o sábado como mandamento divino]. O texto diz que, entre o pôr do sol da sexta-feira e o pôr do sol do sábado, as únicas atividades que devem ser feitas são as ligadas diretamente à adoração de Deus. Trabalho e outras tarefas para benefício próprio, portanto, não são realizadas por adventistas, judeus e seguidores de outras religiões que guardam o sábado.

O recorde de sabatistas no Enem do ano passado chegou a inspirar a criação de um abaixo-assinado pela internet, pedindo que as datas das provas do MEC fossem mudadas para domingo e segunda-feira [os detentos, por exemplo, têm direito a fazer o exame em dia diferente], garantindo assim que guardadores de sábado não precisassem ficar confinados durante horas antes de poder fazer as primeiras provas [enquanto os detentos têm essa “regalia”, os guardadores do sábado têm que ficar “detidos”...]. Mais de 38 mil pessoas tinham assinado a petição on-line até esta quinta-feira

Mas nem todos os sabatistas são favoráveis à mudança das datas. Para a adventista do sétimo dia Ísola Anjos Saggioro de Almeida, de 26 anos, fazer o sacrifício de guardar o sábado antes do Enem é uma prova de fé. “Depende muito da pessoa, algumas podem se sentir um pouco cansadas. Mas justamente por ter que aguardar, para nós é uma grande vitória, porque podemos dessa forma demonstrar a nossa fé e a comunhão com Deus”, disse ela, que é formada em direito com uma bolsa do Programa Universidade para Todos (Prouni), mas pretende agora fazer faculdade de veterinária.

Ela é contrária à proposta de mudar a aplicação do Enem para o domingo e a segunda-feira seguinte por causa do efeito que isso vai ter nos demais candidatos. “Isso acabaria prejudicando todo o Brasil, porque tem pessoas que trabalham segunda-feira e não poderiam fazer a prova.”

Ísola explica como é o confinamento no Enem: “A partir das 13h nós ficamos na sala de aula. O que podemos fazer é levantar para ir ao banheiro com autorização. Não pode ler nada, ter celular, conversar. É como se já estivéssemos fazendo a prova. O mais cansativo mesmo é não poder ter contato um com o outro.”

No ano passado, a jovem de Barueri, na Grande São Paulo, fez a prova em uma sala com outros 40 sabatistas. Veterana no Enem, ela diz ter feito quase todas as provas nas últimas oito edições, com poucas exceções. Ísola conseguiu três vezes nota suficiente para garantir uma vaga no curso de veterinária em universidades federais pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), mas ainda não conseguiu deixar o emprego em um escritório de advocacia e mudar de Estado para fazer o curso. Em São Paulo, segundo ela, não há vagas em cursos de veterinária pelo Sisu. Neste ano, ela se inscreveu de novo, e espera ter um resultado parecido para conseguir seguir o sonho de ser veterinária.

A estudante de pedagogia Viviane Santos, de 28 anos, fez o Enem em 2013 e também faria as provas novamente, mas acabou perdendo o prazo de inscrição. Ela está no último ano da faculdade, mas agora deseja complementar sua formação com um curso de graduação em assistência social, ou uma pós-graduação.

Atualmente, Viviane é auxiliar de sala de aula em uma escola adventista em Registro (SP), e tem o sonho de um dia vir a ser professora. “Também quero trabalhar em horas vagas como assistente social, porque envolve crianças”, explicou a jovem, que também é adventista e precisou suportar o confinamento no primeiro dia de provas do Enem. “É muito cansativo para a gente”, disse.

A jovem defende que o Enem mude suas datas e aplique provas apenas no domingo. “Na verdade não estou favorecendo os adventistas, mas tem pessoas que trabalham no sábado e não conseguem fazer a prova no sábado, eles também têm que ter o direito de fazer”, explicou ela. [...]

Neste ano, o governo também garante, pela primeira vez, que candidatos e candidatas transexuais sejam tratados apenas pelo nome social, e não o nome civil ou de registro. Neste ano, 95 candidatos fizeram essa solicitação e devem ter seu nome social impresso nos cadernos de prova e folhas de respostas, além de ser esse o nome usado pelos fiscais ao se dirigirem aos candidatos, segundo o Inep. [...]

O que é a Teoria do Design Inteligente?

Evidências de projeto
Muitos têm perguntando: “Mas, afinal, o que é a TDI?” O Teoria do Design Inteligente (TDI) é uma teoria científica que emprega os métodos comumente usados por outras ciências históricas para concluir que muitas características do Universo e dos seres vivos são mais comumente explicadas por uma causa inteligente, não por um processo não guiado como a seleção natural. Os teóricos da TDI argumentam que o design pode ser inferido estudando-se as propriedades informacionais dos objetos naturais para determinar se eles portam o tipo de informação que, em nossa experiência, se originam de uma causa inteligente. A forma de informação que observamos é produzida por uma ação inteligente, e assim indica seguramente o design, que é geralmente verificado por características como a “complexidade especificada” ou a “informação complexa e especificada” (ICE). Um objeto ou evento é complexo se ele for improvável, e especificado se corresponder a algum padrão independente. 

Ao contrário do que muitos supõem, o debate sobre o design inteligente é muito maior do que o debate sobre a teoria da evolução de Darwin. Isso porque muito da evidência científica a favor do design inteligente vem de áreas científicas que a teoria de Darwin sequer aborda. Na verdade, a evidência a favor do design inteligente vem de três áreas científicas importantes: Física e Cosmologia, a Química da Origem da Vida e a Bioquímica do Desenvolvimento de Complexidade Biológica.

Evidência a favor do Design Inteligente em Física e Cosmologia

O ajuste fino das leis da Física e da Química que permitem a existência de vida avançada é um exemplo de níveis extremamente altos de Informação Complexa Especificada na natureza. As leis do Universo são complexas porque são altamente improváveis. Os cosmólogos têm calculado que as probabilidades de um universo favorável à vida surgindo ao acaso são menores do que uma parte em 1010^123. Isso é dez elevado à potência de 10 com 123 zeros a seguir! As leis do Universo são especificadas correspondendo à banda estreita de parâmetros requeridos para a existência de vida avançada. Como o cosmólogo ateu Fred Hoyle observou, “uma interpretação de senso comum dos fatos sugere que um superintelecto brincou com a Física, bem como com a Química e a Biologia”. O Universo mesmo demonstra forte evidência de ter sido planejado intencionalmente.

Saiba mais lendo o artigo de Jay Richards, “Is there merit for ID in Cosmology, Physics, and Astronomy? Maybe, but most likely not”, e do Stephen Meyer, “Evidence of Design in Physics and Biology”.

Evidência a favor do Design Inteligente na Química da Origem da Vida

Bernd-Olaf Kuppers destacou no seu livro Information and the Origin of Life [Informação e a Origem da Vida] que “o problema da origem da vida é claramente basicamente equivalente ao problema da origem da informação biológica”. Como previamente destacado, o design inteligente começa com a observação de que agentes inteligentes geram grandes quantidades de informação complexa e especificada (ICE). Pesquisas sobre as células revelam grandes quantidades de informação bioquímica armazenadas em nosso DNA, na sequência dos nucleotídeos. Nenhuma lei física ou química dita a ordem das bases de nucleotídeos em nosso DNA, e as sequências são altamente improváveis e complexas. Além disso, as regiões codificadoras do DNA exibem disposições sequenciais das bases necessárias para produzir proteínas funcionais. Em outras palavras, elas são altamente especificadas no que diz respeito às exigências independentes da função e da síntese de proteínas. Assim, quase todos os biólogos moleculares agora reconhecem que as regiões codificadoras do DNA possuem um “conteúdo de informação” – onde o “conteúdo de informação” em um contexto biológico quer dizer exatamente “complexidade e especificidade”. Até o zoólogo ateu Richard Dawkins admite que “a biologia é o estudo de coisas complicadas que dão a aparência de terem sido planejadas intencionalmente para um propósito”. Ateus como Dawkins creem que processos naturais não guiados fizeram todo “planejamento intencional”, mas o teórico do design inteligente Stephen C. Meyer destaca: “Em todos os casos onde sabemos que a origem causal do ‘conteúdo de alta informação’, a experiência tem demonstrado que o design inteligente desempenhou um papel causal.”

Saiba mais lendo os artigos de Stephen Meyer, “DNA and other designs”, ou “DNA and the origin of life”.

A evidência a favor do Design Inteligente no Desenvolvimento de Complexidade Bioquímica

O método científico é comumente descrito como sendo um processo de quatro etapas envolvendo observações, hipóteses, experimentos e conclusão. Nesse sentido, a TDI usa o método científico para afirmar que muitas características da vida são intencionalmente planejadas – não apenas a informação no DNA. Após iniciar com a observação de que os agentes inteligentes produzem informação complexa e especificada (ICE), os teóricos do design inteligente hipotetizam que, se um objeto natural foi intencionalmente planejado, ele conterá altos níveis de ICE. Então os cientistas realizam testes experimentais sobre os objetos naturais para determinar se eles contêm informação complexa e especificada. Uma forma de ICE facilmente testável é a complexidade irredutível, que pode ser testada e descoberta experimentalmente pela engenharia reversa de estruturas biológicas por meio de experimentos de silenciamento genético para determinar se eles requerem o funcionamento de todas as suas partes. Quando o trabalho experimental descobre complexidade irredutível em Biologia, eles concluem que tais estruturas foram planejadas intencionalmente.

Esse método tem sido usado para detectar complexidade irredutível em diversos sistemas bioquímicos, tais como o flagelo bacteriano. Além disso, quanto mais descobrimos sobre a célula, mais estamos aprendendo que ela funciona como uma fábrica em miniatura, repleta de motores, usinas elétricas, trituradores de lixo, pontos de identificação, corredores de transporte e, mais importante de tudo, CPUs. A maquinaria de processamento de informação central da célula opera em um código baseado em linguagem, composto de circuitos e máquinas irredutivelmente complexas: a quantidade inumerável de enzimas usadas no processo que converte a informação genética em proteínas no DNA, elas mesmas são criadas pelo processo que converte o DNA em proteínas. Muitos sistemas bioquímicos fundamentais não funcionarão, a menos que sua maquinaria básica esteja intacta. Assim, como que tal complexidade evoluiu por meio de um processo darwinista “cego” e “não dirigido”, por numerosas, sucessivas e pequeníssimas modificações? Desde que a linguagem celular exige um autor, e as máquinas microbiológicas requerem um maquinista, e os programas geneticamente codificados requerem um programador, um número crescente de cientistas pensa que a explicação mais extraordinária seja a do design inteligente.

Saiba mais lendo o artigo de Michael Behe: “Molecular machines: experimental support for the design inference”, ou de Stephen Meyer: “The Cambrian Explosion: Biology’s Big Bang”.

(Dr. Marcos Eberlin é químico e dirige o Laboratório Thomsom, da Unicamp; saiba mais sobre ele aqui)

Galáxia enigmática desafia astrônomos

Galáxia jovem com "cara" de velha
Quando olham para o espaço, os astrônomos geralmente fazem uma associação entre distância e tempo - quanto mais longe estiver um corpo celeste, mais antigo ele é. Isso porque a teoria do Big Bang estabelece uma idade do Universo. Ora, se a luz do objeto demorou determinada quantidade de anos para chegar até nós, então essa distância é usada para calcular quantos anos aquele objeto tinha, contados a partir do Big Bang, quando emitiu essa luz. É por isso que os astrônomos falam em “galáxias primordiais”, criadas apenas alguns milhões de anos após o Big Bang. Contudo, esta nova imagem captada pelo telescópio Hubble mostra uma galáxia que parece oferecer uma exceção a essa regra. A peculiar DDO 68, também conhecida como UGC 5340, parece-se em tudo com uma galáxia primordial, formada pouco tempo após o Big Bang. Ocorre que ela está muito próxima de nós, ou seja, sua luz saiu de lá há muito pouco tempo, o que indica que ela é uma galáxia jovem.

A DDO 68 fica a cerca de 39 milhões de anos-luz de distância da Terra. Embora essa distância pareça enorme, ela é cerca de 50 vezes mais perto do que as distâncias habituais para galáxias recém-formadas, geralmente fotografadas pelo Hubble a vários bilhões de anos-luz.

Isso é uma pedra no sapato dos teóricos porque o oposto também já aconteceu, ou seja, astrônomos já localizaram galáxias distantes demais, mas muito “evoluídas” para serem tão antigas.

Galáxias mais velhas tendem a ser maiores, graças a colisões e fusões com outras galáxias, e são repletas de uma variedade de diferentes tipos de estrelas - incluindo estrelas velhas, jovens, grandes e pequenas. Sua composição química também é diferente. As galáxias recém-formadas têm uma composição rica em hidrogênio, hélio e um pouco de lítio, enquanto as galáxias mais antigas têm elementos mais pesados, forjados ao longo de várias gerações de estrelas.

A DDO 68, contudo, questiona esses modelos, apresentando todas as características de uma galáxia primordial no universo local.

Intrigados, os astrônomos planejam novos conjuntos de observações para tentar decifrar o mistério.


quinta-feira, outubro 16, 2014

Mundo tem 60 dias para frear epidemia de ebola

Projeção: dez mil casos por semana
Até o fim desta semana, o planeta atingirá a marca de 9 mil casos de ebola e 4.500 mortes. A informação foi revelada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em uma reunião que aconteceu nesta manhã. A batalha do mundo contra a pior epidemia já registrada desta doença ganhou novos contornos nesta semana, depois que a Organização das Nações Unidas (ONU) emitiu alertas preocupantes sobre a seriedade da situação e disse que os esforços atuais da comunidade internacional “não são suficientes”. “Ou paramos o ebola agora ou enfrentaremos uma situação sem precedentes e para a qual não temos um plano”, alertou Anthony Banbury, chefe da missão da ONU que se dedica ao combate da doença. Ainda segundo ele, considerando o início de outubro, o mundo tem 60 dias para colocar 70% das pessoas infectadas em tratamento e 70% dos mortos enterrados de forma adequada. Caso contrário, a quantidade de novos casos aumentará e sobrecarregará a capacidade de resposta que é possível promover hoje.

No início da semana, a OMS revisou as estimativas futuras sobre a epidemia e prevê que, até o fim do ano, podem ser registrados entre 5 mil e 10 mil novos casos por semana. O aumento é significante, especialmente considerando que atualmente a incidência está na casa de mil.

“Levará meses antes que seja possível frear esta epidemia. Enquanto isso, temos que garantir que a doença não se espalhe para outros países”, declarou uma porta-voz da OMS na reunião desta quinta-feira. Portanto, a entidade decidiu endurecer os esforços para conter os avanços do ebola em 15 países considerados prioritários: Costa do Marfim, Guiné-Bissau, Mali, Senegal, República do Benim, Burkina Faso, Camarões, República da África Central, República Democrática do Congo, Gâmbia, Gana, Mauritânia, Nigéria, Sudão do Sul e Togo.

A segunda quinzena de outubro começou com o surgimento de novos casos de ebola em diferentes partes do mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, uma segunda enfermeira teve o diagnóstico confirmado da doença. Amber Vison trabalhou com Nina Phan, a primeira contaminada, no caso de Thomas Duncan, o liberiano que faleceu em decorrência do ebola no Texas há alguns dias.

Já na Espanha, uma enfermeira está isolada para tratamento e 15 pessoas que tiveram contato direto com ela encontram-se internadas. Há ainda 68 pessoas em vigilância.

quarta-feira, outubro 15, 2014

Papa Francisco fala da volta de Jesus

Pedir que Maria nos mantenha atentos?
O papa Francisco deu uma pausa nos trabalhos sinodais para se encontrar nesta quarta-feira, 15 de outubro, com cerca de 30 mil fiéis para a Audiência Geral. Antes de tomar a palavra, como sempre, o pontífice percorreu toda a Praça S. Pedro a bordo do seu papamóvel para receber e retribuir o carinho dos peregrinos. Ao se dirigir a eles, Francisco discorreu sobre “A noiva à espera do seu noivo”, prosseguindo seu ciclo de catequeses sobre o tema da “Igreja”. A Igreja, explicou o papa, é o povo de Deus que segue o Senhor Jesus e que se vai preparando dia após dia para o encontro com Ele, como uma noiva para o seu noivo. E não se trata de simples retórica, mas são verdadeiras núpcias, porque Cristo, fazendo-Se homem como nós e fazendo de todos nós um só com Ele, com a Sua morte e ressurreição, desposou verdadeiramente a nossa humanidade e fez de nós a sua esposa.

“‘E assim estaremos sempre com o Senhor’: essas palavras de São Paulo estão entre as mais belas do Novo Testamento”, disse o papa. “Palavras simples, mas com uma densidade de esperança muito grande”, prosseguiu Francisco, pedindo que a multidão repetisse três vezes essa frase.

Já o livro do Apocalipse apresenta a Igreja como uma noiva preparada para o seu noivo: a noiva, porém, é apresentada não como simples indivíduo, mas como uma cidade, “a nova Jerusalém”. [...]

“Queridos irmãos e irmãs, eis então o que esperamos: a volta de Jesus!”, disse o papa, perguntando, porém, se nossas comunidades vivem essa espera numa atitude calorosa, ou de maneira cansada e resignada.

“Estejamos atentos”, exortou o Pontífice, dirigindo-se a Maria, para que Ela [sic] nos mantenha sempre numa atitude de escuta e espera, para participar um dia da alegria sem fim, na plena comunhão com Deus. “E assim estaremos sempre com o Senhor”, finalizou o papa, pedindo novamente que os fiéis repetissem mais três vezes essa frase. [...]

(Rádio Vaticana)

Nota: Em meus tempos de católico militante da Teologia da Libertação, nunca ouvi falar na igreja em volta de Jesus. Falava-se muito em “reino de Deus”, que, no nosso imaginário utópico, seria “implantado” quando a justiça social, a igualdade e a fraternidade reinassem entre as pessoas. Nem preciso dizer no que deu nosso sonho alimentado por um marxismo travestido de cristianismo... Por isso, considero interessantes as palavras de exortação do papa para que seu rebanho se prepare para a volta de Jesus, uma mensagem tipicamente adventista (de advento = vinda). Oremos para que essa mensagem papal faça com que muitos católicos despertem para a realidade da volta de Jesus e desejem se preparar para esse grande evento. Mas há um detalhe na fala do papa que destoa da Palavra de Deus e, infelizmente, leva as pessoas para uma direção equivocada: rogar a Maria que mantenha o povo “numa atitude de escuta e espera”. Em nenhum lugar na Bíblia lemos algo dessa natureza. O único para quem devemos orar é Deus, em nome de Jesus (João 14:13). Somente Ele, por meio de Seu Santo Espírito, pode nos manter vigilantes com respeito à volta de Jesus. [MB]

Leis alimentares bíblicas no livro 1001 Ideias

“Recentemente, adquiri um livro extraordinário intitulado 1001 Ideias que Mudaram Nossa Forma de Pensar. Ele faz parte de uma série bastante popular que inclui livros como 1001 Músicas Para Ouvir Antes de Morrer1001 Livros Para Ler Antes de Morrer1001 Filmes Para Ver Antes de Morrer. 1001 Ideias apresenta inúmeros temas bíblicos e religiosos, mas dois são particularmente interessantes para este blog: ‘O grande conflito’ (Ellen G. White) e ‘Leis alimentares’ (Moisés). Outro texto muito interessante trata da ‘Apologética cristã moderna’ e menciona Alvin Plantinga como ‘o maior filósofo vivo’” (Matheus Cardoso).

Extraído do livro 1001 Ideias que Mudaram Nossa Forma de Pensar:

“c. 1250 a.C. [uma datação mais apropriada seria c. 1450 a.C.], Leis alimentares
(Moisés): orientações religiosas para o preparo e consumo de alimentos

“Leis alimentares restringindo o preparo e o consumo de determinados alimentos marcaram várias tradições religiosas. Na tradição judaica, mandamentos transmitidos por Deus pelos profetas referentes a uma dieta adequada (especialmente os mandamentos dados a Moisés no Monte Sinai durante o século XIII a.C.) consistem num elemento central dos ensinamentos da Torá. Partindo da tradição judaica de textos religiosos, as tradições cristã e muçulmana também incluem regras alimentares que regulam o que os crentes podem consumir, assim como o preparo adequado.

“Na tradição judaica, as leis alimentares são chamadas de kashrut, e a comida preparada seguindo essas orientações é chamada de kosher. Regras alimentares nos ensinamentos judaicos, cristãos e muçulmanos incluem tanto questões que dizem respeito à higiene no preparo da comida quanto a proibições completas de alguns alimentos. Comidas proibidas costumam incluir ‘animais impuros’, normalmente porcos, alguns frutos do mar e animais mortos (que não foram mortos especificamente para consumo). Nas tradições judaica e muçulmana existem orientações adicionais às leis definidas nos textos religiosos.

“Leis alimentares também aparecem em tradições religiosas orientais. O hinduísmo defende uma dieta vegetariana, visto que vacas são consideradas sagradas. O vegetarianismo também consta no jainismo, devido ao princípio central de não violência. [Em textos como Gênesis 1:29, 30, a Bíblia também apresenta a alimentação vegetariana como o propósito original e ideal de Deus para o ser humano.]

“A justificação de leis alimentares liga práticas religiosas de fé a descobertas modernas sobre saúde alimentar. Analistas modernos descrevem várias relações entre a salubridade do consumo alimentar e os alimentos específicos restringidos por tais leis.”

Robert Arp (ed.), 1001 Ideias que Mudaram Nossa Forma de Pensar (Rio de Janeiro: Sextante, 2014), p. 122. O artigo foi escrito por Timothy Dale, professor auxiliar de ciência política na Universidade de Wisconsin-La Crosse. Leciona na área de filosofia política, e seus interesses de pesquisa incluem teoria democrática, mensagens políticas na cultura popular e ensino e aprendizado. Foi co-organizador de Homer Simpson Marches on Washington: Dissent in American Popular Culture (2010) e coautor de Political Thinking, Political Theory, and Civil Society (2009) e da coletânea Homer Simpson Ponder Politics: Popular Culture as Political Theory (2013).

terça-feira, outubro 14, 2014

Cientistas colocam teoria da evolução em cheque

Haverá coragem para mudar?
Notícias sobre biologia voltadas ao público geral com frequência fazem referência à briga de acadêmicos contra o criacionismo – o movimento defensor de que seres vivos foram criados por Deus, não pelos processos descritos na teoria da evolução. Ofuscado por essa discussão infrutífera de cientistas lançando argumentos racionais contra mentes religiosas impenetráveis [o velho argumento ciência x religião; mas deixemos isso de lado], porém, existe um debate sério sobre se a biologia evolutiva está ou não carente de atualização. Esse movimento defende que a chamada ‘nova síntese’ – a teoria da evolução de Darwin reformulada à luz da genética e, depois, da biologia molecular – precisa ser recauchutada. Liderados por biólogos como Gerd Muller, da Universidade de Viena, e Eva Jablonka, da Universidade de Tel Aviv, esses pesquisadores defendem aquilo que batizaram de EES (Síntese Evolucionária Estendida). É um corpo de conhecimento baseado em fenômenos que correm paralelamente aos descritos pela seleção natural de Darwin. Mas seria esta nova biologia algo com força suficiente para tornar a nova síntese uma teoria ultrapassada?

Para defender uma mudança radical, Jablonka recorre a fenômenos como a epigenética – transmissão de características que não requer mudança do DNA – e à construção de nichos – capacidade de animais de alterarem seu próprio ambiente e, portanto, modificar as pressões que a seleção natural exerceria sobre eles mesmos. Também são alvo de estudo da EES o “viés de desenvolvimento” – a impossibilidade de organismos de adquirirem certas formas enquanto evoluem – e a plasticidade – capacidade de um indivíduo de adquirir diferentes formas reagindo a seus ambientes.

Todos esses fenômenos, que são tratados pela (velha) nova síntese apenas como processos marginais, seriam sinal de que uma teoria de evolução com excesso de foco na biologia molecular se tornou incapaz de dar conta da explicação de processos que ocorrem sem interação com o DNA. Só a incorporação desses outros fenômenos, argumentam, pode salvar a teoria da evolução de se tornar algo ultrapassado.

Entrevistei Jablonka em 2007 e achei interessante e bem fundamentada  sua defesa de que a epigenética reabilita ideias malditas do naturalista francês Jean-Baptiste Lamarck (1744-1829). Mas fiquei incomodado com sua crítica ao conceito de “gene egoísta”, a expressão criada pelo biólogo Richard Dawkins para descrever a centralidade da biologia molecular no processo evolutivo.

No ano seguinte, um congresso organizado por Jablonka e outros correligionários em Altenberg (Áustria) mostrou com mais clareza qual era a intenção do grupo. Os 16 cientistas presentes finalmente cunharam ali a sigla EES, para colocá-la em oposição ao que chamavam de SET (Teoria Evolucionária Padrão), rebatizando a nova síntese com um nome que a faz parecer algo ultrapassado. Ninguém ali se atreveu a usar o palavrão iniciado com “P”, mas a intenção era claramente a de declarar que a EES seria um novo paradigma na biologia.

Muita gente se impressionou. Outros, incluindo Dawkins, nunca deram muita bola. Desde então, deixei de acompanhar essa escaramuça, e confesso que a maior parte do conhecimento de almanaque que tenho sobre evolução acabei adquirindo como ouvinte no curso de Hopi Hoekstra e Andrew Berry, professores de Harvard que não simpatizam com o grupo de Jablonka.

Foi só lendo a edição desta semana da revista Nature que finalmente tomei pé de como está essa discussão agora, ao me deparar com dois artigos, um a favor e um contra decretar que a teoria da evolução precisa ser repensada. Em contraposição estavam justamente as duas biólogas que já tive o privilégio de ouvir pessoalmente, Jablonka e Hoekstra, além de seus coautores.

Vale a pena ler. Como já deixei transparecer meu viés aqui, posso dizer que a argumentação de Hoekstra me convenceu de que a sigla EES é mais um adendo teórico do que uma revolução. É uma tentativa de alguns biólogos de se autoatribuírem a responsabilidade por uma mudança de paradigma, quando, na verdade, o que ocorre é um avanço gradual, no qual epigenética, construção de nicho, plasticidade etc. vão se integrando à teoria da evolução tradicional.

Mas o grupo da EES não quer saber de se render. “Essa não é uma tempestade num copo d’água acadêmico, é a luta pela própria alma da disciplina [da evolução]”, escreve o grupo de Jablonka, num texto com Kevin Laland como autor principal. Hoekstra retruca: “Nós também queremos uma síntese evolucionária estendida, mas para nós essas palavras estão em letra minúscula, porque nosso campo sempre avançou assim.”

Talvez seja tudo uma questão de nome. Darwin, por exemplo, publicou um livro inteiro sobre como minhocas alteram seu próprio ambiente por meio de sua ação no solo. “Hoje nós chamamos esse processo de construção de ninho, mas o novo nome não altera o fato de que biólogos evolucionários têm estudado feedback entre organismos e seu ambiente por mais de um século”, diz Hoekstra.

O problema, talvez, seja o de achar que a biologia precisa de uma grande ruptura, para seguir em frente apenas por meio de grandes saltos. A quebra de paradigma, o modelo de avanço científico descrito pelo filósofo Thomas Kuhn, não se aplica muito bem à biologia, já defendia o saudoso Ernst Mayr, biólogo com importantes contribuições filosóficas à disciplina. “Precisamos também lembrar que Kuhn era físico e que sua tese reflete o pensamento ‘essencialista’ e ‘saltacionista’ tão disseminado na física”, escreveu.

Mesmo a teoria de Darwin, a coisa que mais próxima de uma revolução que já ocorreu dentro da biologia [uau!], levou quase um século de debates e avanços graduais para se consolidar na forma da nova síntese. Não se estabeleceu de forma tão brusca quanto a relatividade de Einstein, por exemplo [não será porque as evidências da macroevolução não são assim tão empíricas e observáveis quanto as da relatividade?]. E mesmo a física pós-Einstein não parece estar avançando em saltos tão grandes. Não há nada de errado com a ciência feita por Jablonka, Muller e seus colegas, que têm dado boas contribuições para entender processos biológicos complexos. Mas vender o advento da epigenética e companhia como uma revolução me parece algo um tanto caricaturesco.

(Rafael Garcia, Folha.com)

Nota: Garcia tenta colocar panos quentes numa controvérsia que pode crescer; mas, como ele mesmo admite que seus conhecimentos de evolução são de almanaque, prefiro aguardar mais pesquisas e conhecer opiniões mais abalizadas. Ficarei atento a essa possível revolução paradigmática. [MB]