quarta-feira, junho 26, 2019

Adão e Eva iam ao banheiro?

Tenho aprendido muito acerca de criacionismo com livros, meditando e lendo a Bíblia. Tenho aprendido muito também enfrentando dilemas, corrigindo posicionamentos e, acima de tudo, tentando responder perguntas. Procurar uma resposta me traz enorme aprendizado, mesmo que após várias tentativas eu ainda não consiga conjecturar muitas questões.

No criacionismo bíblico, cremos que Deus orquestrou o início da vida em nosso planeta. E somente Deus tem a "foto" original do quebra-cabeça que estamos montando. Às vezes, temos uma peça solta aqui e lá, outras se encaixam perfeitamente, mas a verdade é que não conseguimos vislumbrar a imagem toda.

Estava palestrando para um grupo de pessoas, e o público era misto. Famílias com seus filhos, jovens e idosos. Quando abri para perguntas, no meio do público uma mãozinha pequena, branca e gordinha se ergueu. Era uma criança com seus sete a oito anos. E ele queria muito perguntar, pois acenava com as mãos de forma incansável. Quando dei o espaço para ele falar, a pergunta me surpreendeu e fez todos rirem no local. Ele queria saber se "Adão ia ao banheiro". Na verdade ele usou uma palavra bem coloquial, o que fez com que eu também desse uma boa gargalhada.

A pergunta podia entrar naquela classe das "inúteis curiosidades", como as clássicas "Adão tinha umbigo?", "Qual era a cor de Eva?", entre outras. Mas vi um grande potencial teológico na pergunta e decidi responder. Na hora prontamente respondi que sim, e sabia que viria um nova pergunta, pois já havia compreendido qual era a linha de pensamento do menino da mão gordinha. Ele queria saber se havia morte antes do pecado, pois se Adão comia, matava células dos alimentos; se havia células mortas, havia morte, então a confusão estava feita. Era um paradoxo excretor edênico. Antes de mais nada quero indicar um texto em que falei sobre esse assunto de forma resumida.

Falarmos de vida e morte com as definições biológicas ou sociais pode complicar nossa compreensão se aplicarmos esse princípio à Bíblia fora do contexto. No que se refere a seres vivos, vida e morte são bem definidas pela Bíblia. Mas, quanto à função dos alimentos, a coisa muda um pouco. As plantas são consideradas “alimento". Para a Bíblia, a planta não morre quando é ingerida. Apenas cumpre seu papel na criação, que é o de alimentar o ser humano e os animais. Em Eclesiastes 3:19, 20 vemos que o autor define a função de cada coisa, e que as plantas têm a função de alimentar os seres humanos e os animais. Logo, aqui nesse texto, ela não entra no contexto de "seres vivos", mas no contexto de "alimento".[1]

Quando comemos uma fruta, “matamos células” dessa fruta. O material ingerido deve ser devolvido à terra para reciclagem - ciclo biológico. Cada átomo que ingerimos ou é excretado ou é mantido no organismo. Nenhum átomo é desintegrado. Os átomos circulam entre o organismo e o ambiente.[2]

O fato de que as plantas tinham sido apontadas como alimento para animais faz com que seja muito óbvio que a "morte" ocorreu no Jardim do Éden, a "morte" das plantas. Cada grão, cada vegetal carnudo enraizado consumido como comida representava a vida de uma planta adulta. Aqui era a "morte" sem a sombra da morte. A morte, como é conhecida, antes da queda do homem, apenas significava que o protoplasma vivo de frutas, nozes, grãos, legumes e ervas era apropriado por algum animal para servir como uma refeição gostosa. A substância viva da planta "morre", é quebrada em substâncias mais simples, ou seja, é decomposta e, em seguida, usada na síntese de tecidos animais.

Aparentemente, não houve morte de animais no Éden. Podemos nos perguntar como Adão, em seu cuidado do jardim, poderia evitar pisar em uma formiga ou esmagar a pequena larva de um inseto, mas isso já entra na questão das curiosidades inúteis de que falamos anteriormente. Assim, a resposta à nossa primeira pergunta é "sim"; houve "morte" e decomposição de materiais de vida no Éden, mas essa "morte" foi apenas no reino vegetal.[3]

Lemos em Gênesis 2:1: “Assim os céus e a terra foram terminados.” Mais uma vez, em Hebreus 4:3b, lemos: “Embora as Suas obras estivessem acabadas desde a fundação do mundo...” O ensinamento desses versos parece expressar o pensamento de que depois que a primeira criação original foi concluída na sexta-feira não havia segunda criação tão profunda como aquela que seria necessária para reprogramar os corpos de todos os animais, a fim de fazer a manipulação de grande volume de materiais indigestos possível e instalar um sistema para a extração e eliminação de resíduos sólidos e líquidos.

A dieta era fisicamente a mesma antes da queda, como é a mesma hoje. Portanto, parece razoável supor que o padrão básico do corpo de Adão foi o mesmo em seu equipamento de sistemas de órgãos como é com o nosso corpo.

A Bíblia também conecta a questão do sangue à vida.[4] Podemos ver isso claramente em Gênesis 9:4 e Deuteronômio 12:23. Sendo assim, as plantas não entrariam nesse contexto de "vivo ou morto", podendo sem problema ser ingeridas por Adão e Eva no Éden. Essas plantas passariam por um processo complexo de digestão e seriam excretadas pelo processo "malcheiroso" que conhecemos.

Já ouvi alguns criacionistas dizerem que não havia excreção no Éden e os seres humanos absorviam todos os nutrientes do que era ingerido. Então, não tinha nada que sobrava. Afinal de contas, "cocô e paraíso não combinam né?". 

A comida de ser humano e dos animais é constituída por hidratos de carbono, gorduras, proteínas, vitaminas, minerais e água. Uma vez que esses produtos alimentares são os mesmos para o homem e os animais, as enzimas em seus corpos, as quais provocam a digestão, assimilação e oxidação dos materiais, são idênticas. Os hormônios ou mensageiros químicos do homem são os mesmos que os dos animais.

Encontramos ciclos importantes de substâncias químicas intimamente associados com a vida de plantas e animais. Ciclos como o do oxigênio, do carbono, ou o ciclo do azoto. No ciclo do azoto, por exemplo, a planta verde leva a água a partir do dióxido de carbono do solo e do ar, e por meio de energia de luz e a ação catalítica de clorofila, fabrica açúcar simples. Esse açúcar é então combinado com nitratos do solo e a planta forma aminoácidos. Esses aminoácidos são utilizados pela planta para a construção de novas protoplasmas e para a substituição de porções da substância viva que tenham sido oxidadas.

Alguns desses ácidos também são construídos em proteínas, por exemplo, nas sementes de leguminosas em amadurecimento. O animal come essas proteínas, digere em aminoácidos, e, em seguida, reconstitui para o protoplasma de seus próprios tecidos. Resíduos azotados do corpo do animal, bem como resíduos de plantas, são decompostos por bactérias e fungos.

Em seguida, as bactérias nitrificantes começam a construir essas substâncias simplificadas em nitritos e, eventualmente, em nitratos que estão prontos para ir ao redor do ciclo novamente. A extrema importância desse ciclo está no fato de que ele é a fonte de todos os materiais de crescimento e reparação para os seres vivos. 

Esses organismos de deterioração e as bactérias nitrificantes, em cooperação com bactérias fixadoras de azoto no solo e sobre as raízes das leguminosas, são responsáveis pela renovação constante da fertilidade do solo, ou seja, sua fertilidade no que respeita aos nitratos todo-importantes. Sem eles as plantas não seriam capazes de crescer. À luz desses fatos, parece razoável supor que o ciclo do nitrogênio foi instituído pelo Criador no início.

Se não fosse o caso, teria sido necessário que o Criador desenvolvesse uma espécie de barril de nitrato para reconstituir, através de um processo sobrenatural, o fornecimento constante de encolhimento desse componente. Em um mundo projetado para durar para sempre, a instituição de um ciclo de nitrogênio seria ainda mais importante no contexto do cuidado de Deus com Sua criação.

O fato é que existe a necessidade de organismos de deterioração, tais como leveduras, fungos e bactérias, para quebrar esses materiais em substâncias mais simples para que eles pudessem voltar ao ciclo novamente. Parece muito necessário concluir que, a fim de manter a terra organizada a partir dos produtos de suas próprias formas orgânicas imortais, o Criador deva ter instituído o ciclo do nitrogênio na criação. 

Alguém pode questionar que os animais e o homem não produziam resíduos no estado original, porque tal ideia exigiria um sistema de esgoto no Paraíso, aparentemente uma ideia repugnante. Mesmo se há alguma conexão aqui, eu não gostaria de fazer muitas suposições sobre os tipos de corpos ou como será a mudança para um estado imortal. Podemos imaginar com bastante precisão o estado original, porque esta é a mesma Terra, e mortal, em que Adão estava inserido. O corpo humano na nova Terra pode diferir do seu estado atual, e até mesmo a partir de seu estado original, de muitas maneiras. No entanto, parece razoável supor que o estado restaurado do homem e dos animais será análogo ao que foi originalmente criado. Pelo menos esse parece ser o caso em matéria de alimentos.

A eliminação de resíduos não precisa estragar um Éden. Vemos muitos animais hoje com hábitos curiosos de eliminação de resíduos. Possivelmente essa seja uma sombra de um instinto bem desenvolvido que foi usado por animais no Éden. A simplicidade do cotidiano de Adão e Eva e sua proximidade com a terra e seus produtos são difíceis para entendermos sem criar uma grande complexidade e artificialidade. Muitas vezes encontramos indivíduos que pensam que os remidos passarão a eternidade sentados numa nuvem tocando harpa. Mas será que os santos farão somente isso no Céu?

Da mesma forma, alguns são propensos a assumir que o estado original era uma existência etérea, longe das realidades da vida. Mas vemos o contrário. Foi extremamente a existência real e muito perto da natureza que suas vidas foram vividas na mesma terra sobre a qual caminhamos, uma terra cujos processos foram, se julgado à luz da situação atual, inteiramente exercidos por leis naturais, que são os instrumentos de Deus. Parece muito razoável, de fato, bastante necessário assumir que o poder de sustentação do Criador foi manifestado nos mesmos ciclos vitais que em nossos dias e ainda mantém as substâncias químicas essenciais sempre renovadas para que a vida possa continuar.

E suponhamos que os seres humanos possuíssem originalmente trato digestivo, de tal modo constituído para digerir completamente todas as partes dos grãos, frutas, nozes, vegetais e ervas que compunham sua dieta. Isso exigiria mais enzimas digestivas do que aquelas que o homem agora possui. Ao considerar essa questão, é muito necessário que tenhamos em mente as profundas mudanças corporais que seriam necessárias para mudar um sistema construído tal como os animais possuem hoje.

No caso do homem, o cólon com sua abertura, os rins, os ureteres e a bexiga teriam de ser adicionados, para não listar estruturas como vasos sanguíneos e nervos que teriam que ser fornecidos. O tubo digestivo moderno em si é construído com todos os recursos para lidar com matéria indigesta, isto é, trabalhá-la e passá-la adiante. De fato, a maior parte de tais partes indigestas de nossa comida, como a celulose, é quase tão importante para a saúde quanto os próprios alimentos. O significado de nosso atual sistema digestivo e excretor é que se ele não foi originalmente criado com a presente estrutura, uma segunda criação algum tempo depois que o pecado entrou teria sido necessária.

A conclusão desse problema é bem simples: Adão e Eva iam ao banheiro. Comiam plantas e processavam essas plantas em seus sistemas complexos digestivos. A "morte" dessas plantas/células não era problema e esse ciclo perfeito para manter a criação foi feito pelo próprio Deus. Assim, pode-se concluir, com razão, que as plantas não possuem vida bíblica. Se elas não estão "vivas", os animais que comem plantas na criação original não causariam a morte. Então, o que possui "vida", de acordo com a Bíblia, parece ter certos parâmetros. Eles são: consciência, carne, respiração e sangue.

(Alex Kretzschmar, baseado no texto "Studies in Creationism", de Frank Lewis Marsh)

Referências:

[1] Stambaugh, James, Creation’s original diet and the changes at the Fall, TJ 5(2):130–138, 1991.

[2] Rubim, M. A. L. 1995 Ciclo de vida, biomassa, e composição química de duas espécies de arroz silvestre da Amazônia Central. Dissertação de mestrado, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia/ Fundação Universidade do Amazonas. Manaus, Amazonas. 126 p.

[3] Ross, Hugh, The Fingerprint of God, Promise Publishing Company, Orange, CA, p. 154, 1989.

[4] Hamilton, ref. 37, vol. 1, p. 190, sv Dam . 

segunda-feira, junho 17, 2019

Será o fim do terraplanismo e da negação de que o homem foi à Lua?

Em pleno século 21, há pessoas que defendem a ideia de que a Terra seria plana e coberta por um “domo” sólido. Assim, o Sol e a Lua seriam muito menores que o nosso planeta e estariam girando e flutuando dentro da atmosfera. Logo, como o domo representa uma barreira, é impossível enviar satélites e naves ao espaço e, claro, os americanos não pisaram na Lua em 1969. Foi tudo armação. Aliás, a Nasa investe bilhões de dólares todos os anos só para manter as pessoas enganadas, pensando que a Terra é um globo. Por mais que sejam apresentados argumentos bíblicos, científicos e com base em textos claríssimos de Ellen White, há pessoas que preferem acreditar em vídeos de YouTube e teorias da conspiração. Mesmo que se diga que a Coreia do Norte e a China comunistas já enviaram, respectivamente, um foguete (que fotografou a curvatura da Terra) e uma sonda ao lado escuro da Lua, e que os russos, os maiores interessados em negar a alunissagem, não duvidam do feito dos americanos, os terraplanistas insistem em suas ideias e nunca nos mostram uma foto da borda do mundo.

Os próximos anos poderão representar o sepultamento definitivo dessa ideia. 

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quarta-feira, junho 05, 2019

O mínimo que você precisa saber sobre ciência e intuição

"Mais pessoas acreditam em Einstein do que nos seus próprios olhos." - Olavo de Carvalho

A maioria das pessoas não tem ideia do que Einstein disse ou deixou de dizer. Quanto aos físicos, nenhuma das informações que usam tem Einstein como origem. Ele apenas reuniu informações já conhecidas em uma única teoria (sistema de equações diferenciais). E ele mesmo não acreditou inicialmente em todas as consequências das equações que reuniu.

Mas em quem devemos acreditar, na Matemática ou em nossos próprios olhos? Quando estamos mergulhados em uma piscina e, de lá vemos um objeto a dois metros de altura, se fizermos os cálculos levando em conta o índice de refração da água e do ar obteremos que o objeto está a um metro de altura e não dois. Mas nossa visão nos mostra que sua altura é de dois metros. Se colocarmos a cabeça para fora da água, nossa visão concordará com o nosso cálculo. Em quem vamos acreditar, em nossa visão sob a água ou em nossa visão acima da água? Esse é um exemplo simples e cotidiano (pelo menos para quem costuma mergulhar e olhar para fora da água a partir de um ambiente subaquático, como eu) que mostra que nem sempre nossos sentidos são confiáveis, que temos meios de calcular correções a nossas distorções de percepção, correções essas que podem ser testadas e confirmadas.

Porém, o maior problema não são as distorções sensoriais a que todos estamos expostos. São as generalizações equivocadas que a intuição humana faz com frequência. Uma pessoa que passa a vida toda em ambiente semiárido sem acesso a informações sobre outras regiões tende a imaginar que o mundo todo é igual a sua vizinhança. Uma pessoa que nunca viajou a velocidades comparáveis à da luz no vácuo tende a imaginar que o tempo é absoluto e qualquer ideia diferente disso é absurda (como os próprios físicos pensaram no século 19). Na verdade, nos últimos séculos temos nos deparado com diversas situações em que as previsões resultantes das equações das leis físicas pareciam absurdas à intuição, mas a experimentação mostrava que a previsão matemática estava correta e a previsão da intuição é que era incompatível com a realidade.

Isso significa que devemos jogar fora a intuição e tudo o que depende dela, como a Filosofia? De maneira nenhuma. A intuição é um importante instrumento que nos permite entender o ambiente imediato e suas principais interações, e tende a funcionar razoavelmente bem nesse contexto. A Filosofia é uma importante maneira de organizarmos socialmente esse entendimento. Mas a intuição tem-se mostrado tão mais enganosa quanto mais os assuntos se afastam do cotidiano.

O fato de haver pessoas que estudam, testam e descobrem fenômenos que desafiam a intuição humana (e consequentemente correntes filosóficas com muitos adeptos) e divulgam esses resultados tende a irritar pessoas que preferem pensar diferente. É um direito que têm. Porém, apesar de não acreditar no que lhes parece contraintuitivo, elas se beneficiam direta ou indiretamente de tecnologias que só funcionam graças a fenômenos que essas pessoas consideram absurdos e inexistentes.

Esse ceticismo não é exclusivo de pessoas que desconhecem Física. Os próprios descobridores dessas coisas foram muito céticos com elas inicialmente. A previsão (a partir das equações do eletromagnetismo) de ser absoluta a velocidade da luz no vácuo foi inicialmente considerada absurda e foram buscadas alternativas. Entre elas, pensou-se na possibilidade de que essa velocidade fosse em relação a um suposto éter luminífero, o que implicaria em que as equações do eletromagnetismo só funcionam no referencial do éter e falham em outros referenciais (o que é falso, pois verifica-se que aquelas equações são válidas nos demais referenciais). O experimento de Michelson e Morley mostrou que, ou estamos sempre parados em relação ao éter (se as equações do eletromagnetismo só valem no referencial do éter), ou a velocidade da luz é realmente absoluta. Mesmo com esses resultados, os físicos demoraram muito tempo para fazer as pazes com aquele "absurdo" em função das consequências sobre a relatividade do tempo e do espaço. Chegaram mesmo a calcular essas consequências sem aceitá-las. O mérito de Einstein foi o de parar de dar murro em ponta de faca, aceitar as descobertas e organizá-las na forma de uma teoria.

Outro exemplo foi a descoberta, feita independentemente por Hilbert e Einstein, de uma equação que mostra como o espaço e o tempo se encurvam por causa da energia. Essa equação também tem consequências que o próprio Einstein não aceitou; entre elas a de que o próprio tempo teve uma origem, que o Universo está em expansão e que a luz que chega até nós vinda de um aglomerado de galáxias distantes será tão mais avermelhada quanto mais distante estiver o aglomerado. Esses resultados foram desprezados por Einstein, até que ele viu observações confirmando essas previsões. Só então aceitou as previsões de sua própria teoria.

A visão ingênua de ciência que muitos têm, como se fosse uma construção social, impede que se perceba que ela permite lidar com informações externas à humanidade e que desafiam nossa filosofia, provendo a todos nós, inclusive físicos, uma oportunidade para sermos humildes e reconhecer o quão limitados somos e que muitas vezes o que nos parece razoável é absurdo e o que nos parece absurdo é a realidade.

Eduardo Lütz

terça-feira, junho 04, 2019

Como olhamos para a natureza?


A natureza chama a atenção de todos: do cientista que procura investigá-la para descobrir suas intrincadas e inteligíveis leis à criança que faz curiosas e interessantes perguntas acerca de seus múltiplos aspectos. Os olhos humanos são cativados por ela, pois fascina, instiga, deslumbra e também amedronta as pessoas. Mesmo as criaturas irracionais têm um olhar instintivo voltado à natureza, sendo envolvidos e governados por seus princípios universais. Costuma-se afirmar que a natureza é um compêndio, “livro” sobre o qual homens e mulheres de ciência se debruçam a fim de estudar sua linguagem – codificada matematicamente –, com o objetivo de transformá-la em conhecimento. Esse tipo de trabalho requer um mergulho cognitivo muito profundo no mundo natural, por meio do método que permitiu o nascimento e desenvolvimento da ciência moderna. Segundo Galileu Galilei, “o Universo não poderá ser lido até que tenhamos aprendido e nos familiarizado com os caracteres com os quais foi escrito. E ele foi escrito em linguagem matemática, e as letras são triângulos, círculos e outras figuras matemáticas, e sem tais recursos é humanamente impossível compreender uma única palavra”.

Inclinam-se também para a natura poetas, literatos, músicos e outros artistas, extraindo dela inspiração para suas criações. Não só esses: filósofos a observam mediante a razão, muitas vezes especulativa. Fazendo uso do pensamento reflexivo, elaboram questionamentos sobre a realidade e essência dos seres e das coisas, engajando-se na procura pela verdade. E os teólogos? Eles a veem uma obra de Deus, fonte de espiritualidade e via argumentativa a favor da existência do Criador. Assim, a physis desperta no ser humano várias reações que vão desde o anseio investigativo por desvelar sua origem e estrutura até a simples ação de escrever este texto acerca dela, como o faço. De fato, qualquer observador perspicaz vê na natureza um signo grandioso repleto de informações e mensagens indicadoras de certo mistério supranatural nela presente. Todavia, apesar desse fascínio atrativo, que quadro geral da natureza nossa visão tem formado? Seria uma imagem nítida ou embaçada e distorcida por algum modelo explicativo limitador?

Quando Charles Darwin realizou sua famosa viagem de cinco anos a bordo do H.M.S. Beagle, esse naturalista inglês observou muitas cenas e paisagens naturais que lhe imprimiram significativos sentimentos e pensamentos, ajudando-o a estabelecer a teoria geral da evolução das espécies: cosmovisão aplicada ao estudo da natureza, dominante no meio científico e paradigma central não só da Biologia, mas também de muitas outras disciplinas. Diz-se que “ele visitou as ilhas de Cabo Verde, vários pontos do Brasil e da Argentina, incluindo Rio de Janeiro e Buenos Aires, e as ilhas Malvinas, a Patagônia, a Terra do Fogo, o estreito de Magalhães, a área central do Chile, Chiloé e as ilhas Chonos, a região de Valdívia, muito propensa a terremotos, no Chile, o norte do Chile e do Peru, o arquipélago das Galápagos, o Taiti, a Nova Zelândia, a Austrália, as formações de corais da ilha de Keeling e as ilhas Maurício. De tempos em tempos, durante a viagem [...], Darwin pôde passar um total de três anos e um mês em terra, viajando muito, coletando exemplares de botânica, de vida orgânica, animais, fósseis, metais e minerais de todo tipo, registrando suas observações sobre fauna, flora e habitantes humanos. Ele caçou uma enorme variedade de pássaros e animais, perseguiu avestruzes, estudou os efeitos de um terremoto de grande escala, observou uma forte erupção vulcânica e visitou grandes extensões de florestas tropicais, altas montanhas, serras, pampas e outras savanas, rios, lagos e diversas regiões repletas de arbustos e matagais, bem como vilarejos de nativos, assentamento de colonos, minas e cidades”. Que expedição! Essa jornada darwiniana resultou na obra-prima A Origem das Espécies por Meio da Seleção Natural ou a Preservação das Raças Favorecidas na Luta Pela Vida, título tão extenso quanto a odisseia do Beagle.

Segundo o historiador e jornalista Paul Johnson, “Darwin nunca buscou compreender o Universo como um todo, mas apenas seu conteúdo orgânico. [...] Não era apenas um homem cerebral e intuitivo, mas também altamente emocional. Ele sofreu muitos choques durante a viagem que alteraram permanentemente a forma como enxergava as coisas. [...] Darwin já notara que a natureza tendia a operar, e tudo acontecia tão gradualmente que o progresso natural pôde ser descrito como uma infinita sucessão de pequenos eventos, não de vibrantes atos de criação”. Conforme ele próprio concluiu em A Origem das Espécies, “há uma grandeza nessa noção de vida, com seus vários poderes [...]; e que, enquanto o planeta girava de acordo com a lei fixa da gravidade, a partir de um início tão simples, um número infinito de formas, as mais belas e maravilhosas, evoluiu e continua a evoluir”.

A meu ver, os olhos de Darwin, ainda que perspicazes e analíticos, não enxergaram as nuances mais profundas da natureza. Com olhar epistemológico anuviado, ele se deixou conduzir por certa interpretação duvidosa e parcial a respeito da origem e desenvolvimento das formas de vida na Terra, não percebendo na história da natureza as intervenções do Deus do Gênesis. Na postura de naturalista sistemático, envolveu-se tanto com os assim chamados “processos evolutivos” que perdera de vista os evidentes vestígios do Criador registrados em todo o planeta. Assim, por lhe faltar uma visão paradigmática de longo alcance, Darwin cometeu tremendos equívocos interpretativos resultantes de inferências erroneamente tiradas de fatos observados na natureza. Como alguém ponderou, ele “acertou no varejo e errou por atacado”.  

No raciocínio de Alister McGrath, “o mundo natural é conceitualmente maleável. Ele pode ser interpretado, sem nenhuma perda de integridade intelectual, de várias maneiras distintas. Alguns ‘leem’ ou ‘interpretam’ a natureza de forma ateísta. Outros a ‘leem’ de um modo deísta, vendo-a apontar para uma divindade criadora, que não está mais envolvida nos assuntos da natureza. [...] Outros adotam uma visão mais especificamente cristã, acreditando em um Deus que tanto cria quanto sustenta a natureza. Outros adotam uma visão mais espiritualizada, mencionando de forma mais vaga alguma ‘força de vida’. [...] Uma vez que a natureza pode ser interpretada de muitas maneiras, qual é a melhor interpretação? Uma vez que o Universo pode ser explicado de diferentes maneiras, qual dessas explicações é a melhor? Quão bem alguma dada estrutura extrai sentido do que é de fato observado? [...] O processo de observação, quer científico quer religioso, envolve tentar casar o que é observado com o que é acreditado e, depois, fazer quaisquer ajustes necessários”.

Do ponto de vista cristão, bíblico e criacionista, somos convidados à contemplação e ao estudo da natureza usando lentes que ultrapassem o horizonte materialista e darwinista, ampliando-o para uma teologia natural cujo empreendimento “é de discernimento, de ver a natureza de certa maneira, de enxergá-la por meio de um conjunto específico e particular de lentes teóricas”. Nesse sentido, o cristianismo, caracterizado por “sua elegância intrassistêmica e por sua fecundidade extrassistêmica”, funciona como um potente catalisador, conferindo estímulo e sentido à humanidade sempre em busca incessante por suas origens. Ou, na expressão de C. S. Lewis, o cristianismo é um sol iluminador “porque através dele eu vejo tudo ao meu redor”. Para quem adota tal perspectiva, aparecem perguntas desafiadoras e honestas: “Será que a fé cristã pode oferecer um relato mais rico e profundo do mundo natural do que suas adversárias pagãs ou ateias, já que os cristãos veem o mundo natural por um prisma teológico? O que dizer sobre a ambiguidade moral e estética da natureza? Ela não é caracterizada igualmente pela feiura e pela beleza? Pela violência, destruição e dor, bem como pela bondade? Como essa diversidade moral e estética da natureza pode ser disposta de forma teórica?”

Precisamos aprender a enxergar a natureza como um todo, visão que só a fé cristã é capaz de conferir. Nesse aspecto, resumidamente, Alister McGrath recomenda as lentes expansivas do cristianismo direcionadas ao mundo natural: “A fé cristã oferece uma forma alternativa de ver a natureza, que às vezes pode questionar as versões exageradas do método científico; contudo, ela acolhe a busca humana pela verdade e se vê como parte dela, seja científica, seja religiosa. [...] Ela espera encontrar, e de fato encontra, uma ressonância explicativa relevante com o que é conhecido da natureza por meio de outras fontes, ao mesmo tempo que insiste em seu direito de retratar e descrever a natureza em sua forma especial – como criação de Deus. [...] O cristianismo oferece um sol intelectual que ilumina um mundo que, do contrário, seria obscuro e enigmático: fornece uma ‘adequação empírica’ profundamente satisfatória entre a teoria e a observação, sugerindo que o mapa da realidade é fiel e passível de confiança.”

Verdadeiramente, “a coisa mais extraordinária que uma alma humana faz neste mundo é ver algo e relatar o que viu de forma clara”. Imbuídos do discernimento e dos insights da teologia natural e da revelação cristã, nossas perguntas acerca da natureza – muitas ainda não respondidas – servem de estímulo científico, filosófico e religioso, bem como de incentivo à pesquisa, lançando-nos numa viagem mais interessante e empolgante do que a circunavegação evolucionista feita por Charles Darwin. Para quem adota tal visão omnidirecional, a natureza revelar-se-á o “teatro da glória de Deus”.

Frank de Souza Mangabeira

sexta-feira, maio 31, 2019

Marcelo Gleiser: panteísta?


Em março, publiquei aqui no blog Criacionismo.com.br e no meu canal no YouTube um texto e um vídeo nos quais comentei a respeito da premiação do físico brasileiro Marcelo Gleiser com o Prêmio Templeton 2019. No passado, Gleiser se declarou ateu, e por isso a premiação causou certa estranheza, afinal, o Prêmio Templeton é uma espécie de “Oscar da espiritualidade”, ou seja, reconhece desde 1972 pessoas que, na opinião dos juízes, deram “uma contribuição excepcional para a afirmação da dimensão espiritual da vida, seja por meio de introspecção, descoberta ou trabalhos práticos”. Além de Gleiser, Madre Teresa, Dalai Lama, o Arcebispo Desmond Tutu e outros figuram no rol dos laureados.

Em março, eu disse que, como brasileiro, sinto-me orgulhoso pela conquista de Gleiser. Como admirador de seu primeiro livro A Dança do Universo (que li logo após seu lançamento, nos anos 1990), alegro-me com ele por essa premiação. Mas, como criacionista, não posso me esquecer das muitas críticas que ele fez ao modelo conceitual que eu advogo há quase 30 anos. A pior delas foi chamar de “criminosos” os que ensinam o criacionismo (confira). Mas tudo bem. Quem sabe sejam águas passadas, já que o físico tem se mostrado bem mais flexível em assuntos de fé, talvez até mesmo motivado pela premiação.

Prova disso foi que na quarta-feira (29), durante a entrega do prêmio e do polpudo cheque de mais de cinco milhões de reais, Gleiser disse o seguinte: “Mantenho a mente aberta para surpresas. Depende do que você chama de Deus. Tem gente que diz que é a natureza. Então, se Deus é a natureza, eu sou uma pessoa religiosa.” Assim, de ateu ou agnóstico, Gleiser passa a ser uma espécie de panteísta – aqueles que veem deus “diluído” na natureza. Ao mesmo tempo que continua provavelmente resistindo à existência de um Deus pessoal como o bíblico, Gleiser abre-se para a devoção ao deus natureza dos panteístas.

Espero que a mente brilhante do físico continue aberta para supressas, e que logo ele possa realmente ter uma grande surpresa, como tiveram homens da ciência e da filosofia como Francis Collins e Antony Flew, ateus expoentes em seus campos de atuação que acabaram por reconhecer a existência de Deus – não o deus-natureza, mas o Criador dela.

Michelson Borges

Não existe pôr do sol na Terra plana

Ontem, ao sair do meu trabalho na Casa Publicadora Brasileira, deparei-me com esse espetáculo da natureza: um lindo pôr do sol. É impossível não pensar no Criador ao ver nossa estrela mais próxima desaparecer no horizonte terrestre pintando o céu com cores de fogo. Saindo do estado poético, pensei também em outra coisa…
Conforme meu amigo astrofísico Eduardo Lütz, não existe pôr do sol assim em modelos terraplanistas coerentes. Isso porque, geometricamente, é impossível que o Sol desapareça no horizonte se ele está apenas circulando sobre o disco. Mas ele não poderia simplesmente parecer tão próximo do horizonte que desapareceria, na prática? Depende da altura dele, do tamanho da Terra e do raio da trajetória do Sol. Temos dados sobre isso para usar no contexto terraplanista? Temos. E precisamos usar esses dados para verificar se o modelo terraplanista é coerente internamente e com o que se observa.
É comum que terraplanistas apresentem um modelo no qual vivemos sobre um disco com centro no polo norte e borda na Antártida. O Sol seria como um holofote que percorre uma trajetória aproximadamente circular sobre o disco (mas que estranhamente não assume formato de elipse nem diminui de tamanho à medida que se afasta de nós). Precisa ser um holofote, pois, se não fosse, seria dia o tempo todo em toda a Terra, por causa dos resultados que mostraremos a seguir.

quinta-feira, maio 30, 2019

Criacionismo é ciência?


Podem os cientistas ser imparciais e objetivos em suas pesquisas em busca da verdade? Francis Bacon acreditava que sim. Na concepção dele, os cientistas deveriam esvaziar a mente de quaisquer ideias preconcebidas e simplesmente se deixar guiar pelos dados rumo à verdade. Mais tarde, Karl Popper referiu-se a essa ideia como “o dogma ingênuo de Bacon”. Para Popper, o método mais adequado a ser adotado na pesquisa científica era exatamente o oposto: ao deparar-se com algum problema, o cientista não deveria esvaziar a mente, mas buscar nela alguma teoria que pudesse explicar sua observação.[1]

Popper afirmou ainda que a crença de que a ciência avança da observação para a teoria (como as pessoas costumam pensar que acontece) é absurda. Ele argumentou que a observação nunca é neutra, sendo sempre influenciada pelos interesses teóricos, as conjecturas e antecipações, e as teorias aceitas como pano de fundo pelo cientista.[2] Ou seja, a ideia de Popper é que o cientista, assim como qualquer outra pessoa, não é imparcial e que sua imparcialidade afeta suas pesquisas, já que seu ponto de vista acaba direcionando em algum grau suas observações, tornando-as, portanto, seletivas. Como forma de corrigir esse viés inevitável na ciência, Popper propôs o princípio da falseabilidade (adotado até os dias atuais), que consiste na tentativa, por parte da comunidade científica, de refutar, através de experimentos, hipóteses defendidas em pesquisas acadêmicas.[3] Caso essa tentativa seja bem-sucedida, diz-se que tais hipóteses foram falseadas (rejeitadas). Caso contrário, elas ganham o status de corroboradas. É dessa forma que a ciência progride, apesar do viés inerente a cada cientista.

O princípio da falseabilidade foi definido por Popper como o “critério de demarcação” da ciência – o delimitador do que é ou não ciência.[3] Logo, o que define o caráter científico de uma teoria não é sua origem, mas, sim, sua capacidade de fazer previsões (hipóteses) testáveis.[1] Sendo assim, podemos concluir que é cientificamente válido para um cientista adotar a cosmovisão criacionista ou evolucionista em suas pesquisas. A questão que surge aqui, portanto, é: O criacionismo pode fornecer hipóteses que possam ser submetidas à prova por meio de experimentação?

O projeto de pesquisa que vem sendo desenvolvido há cerca de 20 anos em uma região desértica, próxima à cidade de Ocucaje, no sul do Peru, por um grupo de cientistas criacionistas, que tem resultado na publicação de artigos em renomadas revistas científicas,[4, 5, 6] pode nos ajudar a responder essa pergunta. Leonard Brand, Raúl Esperante, Arthur Chadwick e outros analisaram minuciosamente centenas de fósseis de cetáceos (principalmente baleias) e outros animais marinhos dessa região, os quais são encontrados em várias camadas de rochas sedimentares da Formação Pisco (das épocas geológicas Mioceno e Plioceno). A pesquisa lhes permitiu constatar que tais espécimes fósseis apresentam, em geral, ótimo estado de preservação, o que os levou a concluir que essas baleias foram soterradas rapidamente, em um período de semanas a meses. Os dados que lhes permitiram formular essa hipótese são apresentados, de forma resumida, a seguir:

- Os sedimentos em que as baleias foram soterradas contêm inúmeras frústulas (carapaças de silício) de diatomáceas (algas marinhas) que não apresentam evidência de dissolução.

- Várias baleias fossilizadas caracterizam-se pela excepcional ocorrência de barbatanas fósseis (como as barbatanas não são tão resistentes quanto os ossos, elas rapidamente são deterioradas, sendo raras no registro fóssil) e ainda na posição de vida (observações em oceanos modernos demonstram que após a morte da baleia as barbatanas se destacam da gengiva da mandíbula superior em um intervalo de horas a semanas).

- Os ossos das baleias em geral estão bem articulados (em sua posição original), e não apresentam sinais de corrosão ou perfuração por vertebrados ou invertebrados, ou qualquer outro dano pós-morte.

- A maioria das baleias fósseis apresentam esqueleto completo e estão com o ventre virado para baixo (observações de carcaças de baleias à deriva no oceano demonstram que durante o processo de putrefação gases são produzidos em seu interior, fazendo-as inchar e rotacionar, chegando ao leito oceânico com o ventre virado para cima; o fato de as baleias da Formação Pisco não estarem nessa posição sugere que não houve muito tempo entre sua morte e soterramento).

- Não há evidência de bioturbação por invertebrados marinhos nos sedimentos que circundam os fósseis de baleias (nos dias de hoje, carcaças de baleias situadas no fundo oceânico são rapidamente colonizadas por invertebrados marinhos que, além de remover a carne e degradar os ossos, também perturbam os sedimentos adjacentes em busca de compostos orgânicos lixiviados das baleias).

Apesar de a geologia convencional (evolucionista) já admitir também a possibilidade de catástrofes ao longo da história geológica do planeta (atualismo), ainda é evidente a preferência de geólogos que trabalham dentro dessa cosmovisão por explicações que demandam muito tempo (milhões de anos), o que muito provavelmente se deve à grande confiança que depositam na datação radiométrica. No caso dos fósseis da Formação Pisco, por exemplo, inúmeros pesquisadores já os haviam estudado, no decorrer de décadas, mas nenhum deles havia notado (ou aceitado) as várias evidências que apontam fortemente para um rápido soterramento. As evidências sempre estiveram diante dos olhos deles, mas suas pressuposições os guiaram para longe da verdade. Por outro lado, em função da hipótese criacionista de altas taxas de sedimentação e rápida fossilização (derivada da crença no dilúvio e na vida recente na Terra, e da suspeita de um erro sistemático na datação radiométrica), os pesquisadores criacionistas puderam realizar descobertas significativas.

Este exemplo (que é apenas um de vários) demonstra que, além de fornecer hipóteses testáveis, o criacionismo tem ainda sido corroborado quando submetido à prova por meio de experimentos, podendo ser classificado, portanto, como ciência.

(David Ramos Pereira é geólogo e mestre em Geologia e Geoquímica pela UFPA)

Referências:
1. Brand, L. (2009). Faith, reason, and earth history: a paradigm of earth and biological origins by intelligent design. Andrews University Press.
2. Popper, K. R. (1982). Conjecturas e Refutações: o progresso do conhecimento científico; trad. Sérgio Bath. Brasília: Editora Universidade de Brasília.
3. Popper, K. (2005). The logic of scientific discovery. Routledge.
4. Brand, L.R., Esperante, R., Chadwick, A.V., Poma, O., Alomía, M., 2004. Fossil whale preservation implies high diatom accumulation rate in the Miocene–Pliocene Pisco Formation of Peru. Geology 32, 165–168.
5. Esperante, R., Brand, L.R., Nick, K.E., Poma, O., Urbina, M., 2008. Exceptional occurrence of fossil baleen in shallow marine sediments of the Neogene Pisco Formation, Southern Peru. Palaeogeogr. Palaeoclimatol. Palaeoecol. 257, 344–360.
6. Esperante, R., Brand, L. R., Chadwick, A. V., & Poma, O. (2015). Taphonomy and paleoenvironmental conditions of deposition of fossil whales in the diatomaceous sediments of the Miocene/Pliocene Pisco Formation, southern Peru–A new fossil-lagerstätte. Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology417, 337-370.

quarta-feira, maio 29, 2019

A [R]evolução científica de 29 de maio de 1919

29 de maio de 1919 é a data chave para a abertura de um capítulo importante da história, não apenas da ciência, mas de toda a humanidade. O registro fotográfico da deflexão da luz correspondente ao eclipse ocorrido nessa data, abriu um amplo campo de possibilidades de desenvolvimento científico, influenciando o cotidiano do ser humano de forma direta e profunda há exatamente cem anos. As fotografias desse eclipse estabeleceram uma das primeiras bases experimentais para a confirmação de aspectos fundamentais da Teoria Geral da Relatividade, de Albert Einstein (1879-1955). A partir de então, ferramentas tecnológicas que favorecem a instrumentalização da energia nuclear e o uso do GPS, entre outras inovações, tornaram-se possíveis, mudando efetivamente o modus operandi da Idade Contemporânea.

O princípio da Teoria Geral da Relatividade está no coração de muitos dispositivos médicos, como os scanners para tomografia por emissões de pósitrons (PET), usados para encontrar tumores; também está em aparelhos domésticos, como televisores e alarmes de fumaça. Ainda nesse sentido, uma perspectiva significativa para a teoria de Einstein está no seu poder para a explicar como as estrelas se inflamam e nosso planeta se aquece; e como buracos negros são criados.[1]

No entanto, as peças da linha de montagem da teoria que revolucionou a história dos dois últimos séculos não começam a ser engendradas por um funcionário público alemão em um escritório de patentes em Berna, na Suíça de 1905. Einstein desenvolveu a teoria geral “para explicação da realidade”, como uma metonímia da busca da ciência ao conhecimento pleno do mundo físico, e ele próprio menciona que essa odisseia científica é semelhante a uma história de mistério perfeito em que se procura por “uma solução completa antes de sua revelação pelo autor no fim do livro”.[2]

Segundo Einstein e Infeld, a despeito de todos os volumes lidos e compreendidos, ainda estamos longe de uma solução completa, e em cada etapa tentamos encontrar uma solução geral compatível com todas as pistas conhecidas. Quanto mais lemos, tanto mais plenamente apreciamos a perfeita construção do livro, muito embora a solução completa pareça recuar ao avançarmos. Para obter até mesmo uma solução parcial o cientista tem de coligir os fatos desordenados disponíveis, tornando-os coerentes e compreensíveis pelo pensamento criador.[3]

A linha histórica de montagem da Teoria Geral Relatividade possui peças que podem nos remeter à formação dos rudimentos da linguagem matemática, entretanto, Galileu Galilei (1564-1642) e Isaac Newton (1643-1727) são catalisadores na aceleração do processo de descoberta científica quando substituem o ponto de vista intuitivo pelo pensamento consistente com uma observação padronizada pela linguagem matemática, ao desenvolverem a lei da inércia em contrapartida à definição intuitiva de movimento de Aristóteles. Dentro dessa perspectiva, conforme afirma Einstein, há apenas quatrocentos anos os cientistas começaram a entender a linguagem da história:

Desde esse tempo, a época de Galileu e Newton, a leitura prosseguiu rapidamente. Foram desenvolvidas técnicas de investigação e métodos sistemáticos de encontrar e seguir pistas. [...] A descoberta e o uso do raciocínio científico por Galileu foram uma das mais importantes conquistas da história do pensamento humano e marcam o começo real da Física. Essa descoberta nos ensinou que as conclusões intuitivas baseadas na observação imediata nem sempre devem merecer confiança, pois algumas vezes conduzem a pistas erradas. [...] A experiência idealizada jamais pode ser realmente levada a efeito, embora conduza a uma profunda compreensão das experiências reais. O pensamento humano cria um quadro sempre mutável do Universo. A contribuição de Galileu consistiu em destruir o ponto de vista intuitivo, substituindo-o por outro novo.”[4]

Partindo desse pressuposto, é possível estabelecer um esboço com uma breve descrição histórica da linha do tempo que conduz a ciência do raciocínio científico de Galileu à Teoria Geral da Relatividade de Einstein:

 1607 – Galileu Galilei (1564-1642) chega a uma formulação matemática da lei da queda de objetos com base em suas experiências anteriores.[5]
 1609 – Johannes Kepler (1571-1630) descreve o movimento dos planetas ao redor do Sol, conhecido atualmente como “as leis do movimento planetário de Kepler”.[6]
 1640 – Ismaël Bullialdus sugere uma lei de força gravitacional quadrática-inversa.[7]
 1676 – Ole Rømer (1644-1710) estabelece a primeira medida quantitativa da velocidade da luz.[8]
 1665 – Isaac Newton (1643-1727) introduz a lei quadrática-inversa em sua lei de gravitação universal, unificando as teorias de movimento terrestres e celestes, e usando esse princípio para calcular a órbita da Lua e o arco parabólico de projéteis.[9]
 1684 – Isaac Newton prova que os planetas se movem sob uma lei de força gravitacional quadrática-inversa, que obedece às leis de Kepler.[10]
 1686 – Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716) afirma que a energia cinética é proporcional à velocidade ao quadrado ou que a velocidade é proporcional à raiz quadrada da energia.[11]
 1744 – Pierre Louis Moreau de Maupertuis (1698-1759) publica seu tratado concernente ao princípio da ação mínima, proposto com base em ensinamentos bíblicos sobre Deus e o que Ele faz. Esse princípio estabelece a otimização das leis físicas, o que permite deduzir equações que as descrevem, como as da mecânica newtoniana, da Teoria Eletromagnética e da Relatividade Geral.[12]
 c.1755 – Leonhard Paul Euler (1707-1783) e Joseph-Louis Lagrange (1736-1813) instrumentalizam o princípio da ação mínima para deduzir as equações diferenciais das leis físicas, representadas pelas equações de Euler-Lagrange.[13]
 1749 – Emilie du Chatêlet (1706-1749) completa sua tradução para o francês do Philosophiae Naturalis Principia Mathematica de Newton, incluindo sua noção de conservação de energia, e ampliando a visão concernente à relação entre massa e velocidade.[14]
 1833 – William Rowan Hamilton (1805-1865) desenvolve a mecânica hamiltoniana, ampliando o método de Euler e Lagrange, estabelecendo a definição moderna de energia. A partir de Hamilton, a energia é conceituada como um sistema físico responsável por qualquer alteração ao longo do tempo.[15]
 1774 – Antoine-Laurent de Lavoisier (1743-1794) comprova a Lei da Conservação das Massas.[16]
 1798 – Henry Cavendish (1731-1810) mede a força da gravidade entre duas massas, apresentando o primeiro registro histórico de um valor preciso para a constante gravitacional.[17]
 Michael Faraday (1791-1867), um influenciador direto de James Clerk Maxwell, começa a estudar as relações entre a eletricidade e o magnetismo.[18]
 1827 – André-Marie Ampère (1775-1836) publica Mémoire sur la théorie mathématique des phénomènes électrodynamiques uniquement déduite de l'experience, fundando a eletrodinâmica.[19]
 1855 – James Clerk Maxwell (1831-1879) começa a desenvolver um trabalho teórico visando a unificar a luz, a eletricidade e o magnetismo.[20] As equações dele serão fundamentais para o desenvolvimento da Teoria Geral da Relatividade.[21]
 1855 – Urbain Le Verrier (1811-1877) observa uma precessão no periélio de Mercúrio e atribui erroneamente à existência de outro planeta, que supostamente interferiria em sua órbita.[22]
 1867 – Os estudos de Georg Friedrich Bernhard Riemann (1826-1866) sobre Geometria Diferencial, essenciais para a formulação da Teoria Geral, são publicados postumamente.[23]
 1892 – Hendrik Lorentz (1853-1928) publica uma pesquisa sobre o movimento relativo da terra e do éter, sendo esse último um conceito hipotético em voga, na época.[24]
 1900 – Formulação do Cálculo Tensorial, por Gregorio Ricci-Curbastro (1853-1925) e Tullio Levi-Civita (1873-1941), elemento-chave para o conceito de curvatura do espaço.[25]
 1904 – Henri Poincaré apresenta o princípio da relatividade, que havia sido denominado quatro anos antes de o princípio do movimento relativo.[26]
 1905 – Albert Einstein completa a Teoria da Relatividade Especial e determina a lei da proporcionalidade entre energia e massa: E = mc2.[27]
 1915 - Albert Einstein completa a Teoria Geral da Relatividade, explicando com precisão a precessão do periélio de Mercúrio.[28]
 1919 – Arthur Eddington lidera uma expedição que afirma detectar a deflexão gravitacional da luz do Sol, por meio do registro de algumas fotografias do eclipse de 29 de maio de 1919.[29]

A partir da data de confirmação da deflexão da luz com o ângulo previsto, a Teoria Geral da Relatividade ganhou vida própria. Em 1939, no limiar da Segunda Guerra Mundial, Lise Meitner (1868-1978) publicou, juntamente com Otto Robert Frisch (1904-1979), uma pesquisa referente à desintegração do urânio, como o prenúncio de um desdobramento sombrio para a aplicação prática da teoria de Albert Einstein.[29]

Seis anos depois, duas bombas atômicas caíram sobre Hiroshima e Nagasaki e, nos últimos trinta anos, testemunhamos duas grandes catástrofes com usinas nucleares. Como diria Einstein, todo o nosso progresso tecnológico parece ser “como um machado nas mãos de um demente”.[30] Essa é uma prova patente de que uma grande força necessita de grande autocontrole.

IMPLICAÇÕES CRIACIONISTAS DA TEORIA GERAL DA RELATIVIDADE

As equações das leis do eletromagnetismo permitiram a dedução de características fundamentais do espaço-tempo por Lorentz e Poincaré, as quais foram utilizadas por Einstein na formulação da Relatividade Especial. Uma das consequências da Relatividade Especial é a famosa fórmula E=mc².

Esses estudos desdobraram-se em pesquisas que resultaram na formulação da Relatividade Geral. Einstein utilizou o princípio da ação mínima para deduzir a equação de uma lei que relaciona energia com a curvatura do espaço-tempo. Combinando-se essa equação com as leis da Relatividade Especial aplicadas ponto a ponto no espaço-tempo, obtém-se a Relatividade Geral.

Essa teoria (ou conjunto de leis), por sua vez, possui várias implicações notáveis. Entre elas, podem-se citar buracos negros, “buracos de minhoca” (buracos de verme), ondas gravitacionais, lentes gravitacionais e equações que dizem que o Universo foi criado e vem se expandindo desde então. Este último conjunto de equações é popularmente conhecido como “Teoria do Big Bang”, e é um dos modelos mais mal-entendidos do último século.

O modelo do Big Bang é possivelmente o desdobramento da Relatividade Geral com maiores implicações para o materialismo e para o criacionismo. Até à época da formulação da Relatividade Geral, era comum a crença de que o Universo fosse eterno. A descoberta da Relatividade Geral implica, por meio de constatação, no princípio de que o Universo não pode estar em equilíbrio desde sempre e que tende a se expandir ou se contrair.

Diversos pesquisadores, como o próprio Einstein, Friedmann e outros, trabalharam para encontrar uma solução na qual o Universo fosse estável e eterno. Não foi possível. Einstein chegou a pensar que havia cometido erros de cálculo na dedução da equação da Relatividade Geral. Na verdade, ele havia mesmo omitido um termo que poderia ser importante, mas o acréscimo daquele termo não modificou as consequências da equação quanto à eternidade do Universo. É importante destacar que, quando falamos em Universo nesse contexto, não nos referimos ao material presente no Universo, mas ao tempo e ao espaço em si.

Em 1927, o padre belga Georges Henri Joseph Édouard Lemaître (1894-1966) publicou um trabalho no qual refazia os cálculos com cuidado e incluía também as leis da Termodinâmica. Isso permitiu a formulação de um modelo mais realista com a eliminação de soluções da equação de Einstein que fossem incompatíveis com aquelas leis.

O conjunto de equações resultante mostrava um universo que foi criado em algum momento do passado e expandia-se desde então. Lemaître verificou ainda as consequências mensuráveis daquele sistema de equações, e uma delas é o fenômeno que ocorre ao observarmos grupos de objetos muito distantes no Universo. Quanto maior for a distância desses objetos, maior será o avermelhamento deles. Isso pode ser observado pelas medidas dos comprimentos de onda do espectro de elementos conhecidos presentes na luz vinda de objetos distantes. Lemaître incluiu em seu trabalho essas observações e notou que a curva de avermelhamento observada estava de acordo com a previsão teórica do modelo.

Ainda sobre a lei do avermelhamento, Edwin Powell Hubble (1889-1953) publicou, em 1929, observações que a confirmavam e, por meio desse estudo, o próprio Einstein convenceu-se de que o Universo (espaço-tempo) não é eterno. O modelo de Lemaître continuou a ser visto com grande ceticismo e até desdém por parte de muitos no mundo acadêmico, chegando mesmo a ser chamado de “Big Bang” em um deboche feito por Fred Hoyle (1915-2001). E o modelo ficou conhecido por esse nome até os dias atuais. Com o tempo, porém, mais e mais previsões do modelo foram observadas até o ponto em que praticamente deixou de ser razoável desprezá-lo.

Um fator fundamental, que induz muitos criacionistas a combater o Big Bang, está contido na ideia de que esse modelo nos diz que o Universo tem quase 14 bilhões de anos de idade; no entanto, o modelo do Big Bang não determina essa idade para o Universo e a Bíblia também não fornece uma datação precisa. O que converge para a hipótese de que o  Universo é realmente antigo é o grande número de observações do espaço profundo.

Resumindo, em contraposição aos erros conceituais, resta o fato de que uma lei física importante, correspondente à equação fundamental da Relatividade Geral, implica em um universo criado,[31] o que marca pontos para o criacionismo. Se o desenvolvimento científico tem sido mal-utilizado, em algumas ocasiões, “como um machado nas mãos de um demente”, a premissa de um Criador que ama até o fim conduz aquele que assim desejar para a segurança de Quem conhece o fim desde o começo.

(Flávio Pereira da Silva Filho, pós-graduado em Teologia Bíblica pelo Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp); bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela UFMA-MA e em Teologia pelo Unasp)

Referências:
1. Ver: Bodanis, David. E=Mc²: A Biography of the World's Most Famous Equation. New York: Walker, 2000. p. ix.
2. Ver: Einstein, Albert; Leopold Infeld. The Evolution of Physics: The Growth of Ideas from Early Concepts to Relativity and Quanta. Cambridge: U.P., 1971. p. 3.
3. Einstein, Albert; Leopold Infeld. A Evolução da Fisica. Rio de Janeiro (RJ): Zahar, 1976. p. 14.
4. Idem, pp. 15-17.
5. Ver: Drake, Stillman. Galileo at Work: His Scientific Biography. Chicago: University of Chicago Press, 1982. pp. 126, 127.
6. Ver: Kepler, Johannes; Tycho Brahe. Astronomia Nova Aitiologetos. Heidelberg: G. Voegelinus, 1610.
7. Boulliau, Ismael. Astronomia Philolaica. Parisiis: Piget, 1645. p. 23.
8. Römer, Ole. Vitesse de la Lumière. Disponível em: https://archive.org/details/47Romer. Acesso em 28 de maio de 2019. Ver também: Francis Beaubois, “Rœmer et la vitesse de la lumière”, Bibnum [En ligne], Physique, mis en ligne le 01 juillet 2014. Disponível em: http://journals.openedition.org/bibnum/688. Acesso em 28 de maio de 2019.
9. Ver: Jeans, James. The Growth of Physical Science. Cambridge: University Press, 1947. pp. 184, 185.
10. Ver: Newton, Isaac. De motu corporum in gyrum. The Newton Project. University of Oxford. Disponível em: http://bit.ly/motucorporum. Acesso em: 28 de maio de 2019. Ver também: Newton, Isaac. MS Add.3965. Cambridge University Library. Disponível em: http://bit.ly/motucorporum0. Acesso em 28 de maio de 2019.  
11. Iltis, Carolyn Merchant. The Controversy Over Living Force: Leibniz to D'Alembert. Ph.D. diss., University of Wisconsin, 1967. pp. 1, 4, 69-71.
12. A expressão formal (fórmula) deste princípio permite deduzir leis físicas e tem tido importância estratégica para as pesquisas mais avançadas até os dias atuais. Trata-se de uma contribuição criacionista à pesquisa científica. Ver: P. L. M. Maupertuis. Accord de différentes loix de la nature qui avoient jusqu'ici paru incompatibles. Institut de France, 1748. pp. 417-426.
13. Lagrange, J. L. Mécanique analytique, v. 1 e 2. Paris: Librairie Pour Les Mathématiques, 1811.
14. Du Châtelet, Gabrielle Emilie; Newton, Isaac. Principes mathématiques de la philosophie naturelle, 1. Paris: Desaint & Saillant, 1759. Du Châtelet, Gabrielle Émilie; Newton, Isaac (1642-1727). Principes mathématiques de la philosophie naturelle, 2. Paris: Desaint & Saillant, 1759. Ver também: Du Châtelet, Gabrielle Emilie; Chazal, Gérard. Institutions de physique. Paris, France: Prault, 1740. Du Châtelet, Gabrielle Emilie. Dissertation sur la nature et la propagation du feu. Prault. Paris, France: Prault, 1744. p. 31.
15. Estas pesquisas tornaram-se significativas especialmente em futuros estudos na área da Mecânica Quântica. O seu trabalho em quatérnios, um sistema numérico desenvolvido  por ele, é seminal para os futuros avanços na área da relatividade. Ver: Hamilton, Sir William Rowan. On a general method in dynamics. London: Richard Taylor, 1834. Ver também: Hamilton, William Rowan. Elements of quaternions. London: Longmans, Green & Company, 1866.
16. Lavoisier, Antoine. Traité élémentaire de chimie, v. 1.  París: Chez Cuchet Libraire, 1789. pp. 140, 141.
17. Newton, Isaac et al. The Laws of Gravitation: Memoirs by Newton, Bouguer and Cavendish, Together with Abstracts of Other Important Memoirs. New York: American book Company, 1900. pp. 57-102.
18. Faraday, Michael; Martin, Thomas. Faraday's Diary. London: G. Bell and Sons, 1932. pp. 49-57.
19. Ampère, André Marie. Mémoires sur l'électromagnétisme et l'électrodynamique. Les maitres de la pensée scientifique, v. 9. Paris: Gauthier-Villars, 1921.
20. Maxwell, James Clerk. On Faraday's Lines of Force. Transactions of the Cambridge Philosophical Society, v. 10. Cambridge: University Press, 1856. pp. 155-229.
21. Maxwell formulou a Teoria Eletromagnética, permitindo a descoberta de consequências contraintuitivas das leis do eletromagnetismo, tais como a dilatação do tempo e a contração do espaço, conforme demonstrado por Lorentz. Isso foi o que realmente abriu as portas para a Relatividade Especial.
22. Le Verrier, U. J. Recherches sur l'orbite de Mercure et sur ses perturbations. Détermination de la masse de Vénus et du diamètre du Soleil. Journal de mathématiques pures et appliquées, Paris: Bachelier, 1843. p. 273-359.
23. Riemann, Bernhard.  Ueber die Hypothesen, welche der Geometrie zu Grunde liegen. Disponível em: http://bit.ly/riemann1867. Acesso em 29 de maio de 2019.
24. Lorentz, H. A. The Relative Motion of the Earth and the Aether. Disponível em: http://bit.ly/relativemotion. Acesso em 29 de maio de 2019.  
25. Tullio Levi-Civita. Encyclopædia Britannica. Disponível em: http://bit.ly/tensorcalculus. Acesso em 29 de maio de 2019.  
26. Poincaré, Henri. The principles of mathematical physics. The Monist, v. 15, 1. Boston: Houghton, Mifflin: 1905. pp. 1-24.
27. Einstein, Albert. Zur elektrodynamik bewegter körper. Annalen der physik, v. 322, 10. Leipzig: 1905. pp. 891-921.
28. Einstein, Albert. Die Grundlage der allgemeinen Relativitätstheorie. Annalen Der Physik, v. 49, 7. 1916. pp. 769-822.
29. Lights All Askew in the Heavens. Men of Science More or Less Agog Over Results of Eclipse Observations. Einstein Theory Triumphs. New York Times, May 29, 1919.
30. Meitner, Lise; Frisch, Otto Robert. Disintegration of uranium by neutrons: a new type of nuclear reaction. A Century of Nature: Twenty-One Discoveries that Changed Science and the World, p. 70-72, 1939.
31. Einstein, Albert. Albert Einstein, the human side: New glimpses from his archives. Princeton University Press, 1981. p. 88.
32. Nesse sentido a fundamentação grega da expressão “κατηρτίσθαι τοὺς αἰῶνας ῥήματι θεοῦ”, de Hebreus 11:3, converge para o conceito de criação do tempo.