terça-feira, abril 22, 2014

Igreja clube versus igreja perseguida

Banalização do culto
“Minha casa será chamada casa de oração para todos os povos” (Isaías 56:7). Esse foi um dos versos bíblicos lidos ontem no projeto Reavivados por Sua Palavra (#rpsp), e que me colocou para pensar em duas situações contrastantes. Recentemente, estive em uma igreja e, enquanto aguardava numa antessala o momento de assumir o púlpito e pregar, um jovem (não era um adolescente), sentado ao meu lado, jogava em seu smartphone. Era sábado e ele estava dentro da igreja. Infelizmente, essa não é uma situação isolada. Cada vez mais e mais pessoas, crianças e adultos, perdem a noção de que a igreja é casa de oração e de que ali Deus vem para encontrar Seus adoradores. Assistimos ao surgimento de uma geração irreverente, desconectada de Deus e cada vez mais conectada ao mundo virtual. Vivemos num país de tantas facilidades... Podemos cultuar a Deus em paz em nossas igrejas. Temos acesso fácil à Bíblia. Podemos comprar nossas lições da Escola Sabatina. Podemos com liberdade distribuir livros de casa em casa e transmitir nossos programas no rádio e na TV. Isso tem nos deixado acomodados e nos feito perder o senso da preciosidade que temos. Há pessoas que nem sequer imaginam como é servir a Deus com liberdade.

Ontem conversei um pouco com a jornalista e amiga Fabiana Bertotti, que está morando há alguns meses com o marido em Londres (confira). Perguntei-lhe como estavam as coisas e se eles já haviam se adaptado ao novo país e à nova cultura. A resposta dela me fez pensar no contraste com a nossa situação aqui no Brasil. Ela me escreveu:

“Aqui eles comemoram quando batizam um inglês (entenda-se branco, de pais e avós ingleses). Pra você ter ideia, há um ano e meio reformaram o tanque batismal da Central de Londres... e só inauguraram ontem. Quatro batismos, nenhum inglês. Tudo imigrante. O verdadeiro campo missionário é a Europa... Se bem que o mundo todo é bem diferente do que vemos aí na América do Sul. Estava conversando com o pastor Elbert Kuhn, que está na Mongólia (confira), pois estou num projeto da Associação Geral e estou conhecendo todas as Divisões [adventistas]. É outra vida. Até escrevi um post sobre uma amiga coreana da escola; leia lá no blog... Jesus é ‘alguém’ de quem já ouviram falar... só. Tem hora que dá um desespero, pois você não sabe o que fazer, como fazer... Como que nada funciona, por que tudo é lento? Tenso!

“Entrevistei pessoas para esse projeto que nem entrevista podem dar, pois podem morrer. Vou ter que contar a história do pastor Monteiro [adventista preso por mais de um ano no Togo] de uma forma supermascarada, pois a igreja pode ser fechada lá, dependendo do que se diz. É gente que faz culto escondido, para não ser morto pela milícia, pelos vizinhos, pelo governo.

“Última história: um garoto muçulmano sonhou com batismo, não sabia nada do assunto, descobriu o cristianismo, convenceu a família, que se converteu. Os mulçumanos radicais mataram um filho e ameaçaram matar toda a família. Eles saíram [de seu país], pediram asilo em Londres e vivem aqui protegidos pelo governo. Frequentam uma igreja em que fui dia desses. Vivem escondidos, pois, se os radicais descobrem onde estão, vêm pra matar o resto da família! Fiquei chocada. Isso é fé! O resto é conveniência...”

Fiquei pensando em tudo o que a Fabi me escreveu. Nas facilidades que temos por aqui e nas pessoas que não dão valor a tudo isso. Enquanto alguns entregam a vida por uma Bíblia, outros jogam videogame na igreja. Enquanto alguns suspiram por poder participar de um culto, outros tratam a igreja como um clube. 

Deus tenha misericórdia de todos nós!

Michelson Borges

Ex-traficante fala do poder da oração intercessora

Testemunho poderoso
Ao ser apresentado na Igreja Adventista do Guará, no Distrito Federal, a história do motorista Antônio de Souza Filho, 40 anos, surpreende a congregação. Afinal de contas, não é todo dia que se testemunha uma prova viva de oração intercessora como a desse homem, casado, pai de três filhos, e que mora em São Paulo. Por 18 anos, a mãe dele orou por sua conversão e, segundo ele mesmo diz, aos olhos humanos era improvável que ele, Tonico, como é mais conhecido, sobrevivesse em meio a uma vida de drogas, criminalidade e distanciamento de Deus. O ex-traficante e assaltante falou de sua conversão impressionante nesta entrevista concedida ao jornalista Felipe Lemos. [Continue lendo]

domingo, abril 20, 2014

Os 90 anos do mestre Orlando

Sessenta anos educando gerações
O sábado 19 de abril foi mais do que especial para mim. Tive a honra de participar, em Campo Grande, MS, da celebração dos 90 anos de um homem que influenciou diretamente milhares de pessoas no Brasil e no mundo – e a mim, também, de forma indireta. O professor Orlando Rubem Ritter dedicou dois terços de sua vida longa e produtiva ao magistério no Centro Universitário Adventista de São Paulo (na época, IAE). Orlando e o professor Nevil Gorski foram os primeiros adventistas brasileiros a ingressar num curso de ciências numa universidade pública (USP) a fim de se qualificarem ainda mais para a docência universitária, à qual se dedicaram com todas as suas energias, o que lhes garantiu lugar de honra na história do adventismo em nosso país.

Paralelamente ao seu trabalho acadêmico no Unasp, o matemático se dedicou à causa criacionista, tendo ministrado inúmeras palestras em todo o Brasil e escrito uma apostila intitulada “Estudos Sobre Ciência e Religião”, com a qual centenas de pastores adventistas se familiarizaram com temas importantíssimos que o professor Ritter apresentava em suas aulas de Ciência e Religião. Sua militância criacionista motivou, inclusive, o estabelecimento da Sociedade Criacionista Brasileira, no início da década de 1970.

Quando me tornei adventista, o primeiro material criacionista que tive a oportunidade de ler (na verdade, devorar) foi justamente a apostila do professor Ritter. Isso teve grande importância em minha vida e, de certa forma, me considero “aluno à distância” dele.

Fui enviado como representante da Casa Publicadora Brasileira à cerimônia em homenagem ao mestre e pude falar um pouco sobre o livro autobiográfico O Professor: Sessenta anos educando gerações, que será lançado em breve por nossa editora. Um justo tributo a um homem que dedicou a vida ao ministério do ensino.

O professor Ritter, no alto de seus 90 anos, mantém a mente lúcida e a clareza de ideias que sempre o caracterizaram. Tive até direito a uma aula de numismática e filatelia, quando o visitei em seu apartamento. Uma vez professor, sempre professor.

Michelson Borges

Pioneiro do criacionismo no Brasil

Tive uma verdadeira aula de filatelia 

Coleção de selos preciosos, incluindo o famoso Olho de Boi

Discurso apresentado por Orlando Mario Ritter

Orlando Rubem com a esposa e os quatro filhos

Quando o GPS erra e Deus acerta

Guiado pelo Céu
Estava indo com minha família para o Centro Adventista de Treinamento e Recreação (Catre) de Foz do Iguaçu, no Paraná, a fim de participarmos do retiro de Carnaval com os irmãos da igreja adventista central daquela cidade. Eu não conhecia o caminho e decidi confiar inteiramente em meu GPS. Quando já havíamos entrado na periferia da cidade, o aparelho me levou para uma estrada deserta, de pedras, que cortava imensas plantações. Alguns quilômetros depois de rodar por aquela rua esburacada, com o Sol já quase se pondo no horizonte verdejante, minha esposa avistou uma “placa” discreta, na verdade, uma simples folha de papel sulfite colada num muro, com o logotipo dos Jovens Adventistas, uma seta e a palavra “acampamento”. Pensamos: “Deve ser aqui.” Mas a estrada parecia levar para dentro do mato e não para o centro de treinamento. Resolvemos seguir a indicação, assim mesmo. Assim que entramos na estradinha de terra, vimos um carro parado e resolvemos pedir informações. Abaixei o vidro e perguntei:

– É aqui que fica o Catre?

– Não – respondeu o senhor simpático, de bigode e cabelos grisalhos. – Aqui também teremos um retiro de carnaval, mas o Catre fica alguns quilômetros adiante, seguindo pela estrada de pedras.

– O senhor conhece o Catre?

– Sim, sou adventista.

Quando me identifiquei como funcionário da Casa Publicadora Brasileira, ele me disse que é colportor (vendedor de livros da CPB) naquela região, o que, de certa forma, nos tornava colegas de trabalho. Conversamos um pouco mais e ele nos disse que estava precisando de orações e nos contou parte do problema pelo qual estava passando. Disse que Deus nos havia enviado ali.

Oramos por aquele irmão várias vezes naquela semana e trocamos algumas mensagens de texto.

Depois disso, fiquei pensando: “O GPS pode errar, mas Deus não erra nunca.” Se for preciso, Ele desvia nosso caminho, ainda que seja para encontrar uma pessoa no meio do nada para orar por ela.

Continuo confiando no GPS de Deus.

Michelson Borges

sexta-feira, abril 18, 2014

Projeto Passe Livre mobiliza alunos em Joinville


Alunos do Colégio Adventista de Joinville tiveram uma ótima ideia para uma ação missionária durante a Semana Santa. Eles foram até o terminal de ônibus e, junto com um DVD, distribuíram um passe de ônibus gratuito, com a seguinte frase: “Graça é o nosso PASSE LIVRE para o Céu.” O projeto teve repercussão na mídia local, como o jornal A Notícia e o site Notícias do Dia.

Encontraram mesmo "outra Terra"?

Concepção do planeta Kepler 186-f
Desde a descoberta do primeiro planeta a orbitar uma estrela similar ao Sol, em 1995, a humanidade estava à espera deste anúncio. Finalmente ele chegou, com toda pompa e circunstância, num artigo publicado no periódico científico Science: encontramos um planeta praticamente idêntico à Terra orbitando outra estrela numa região que o torna capaz de abrigar água líquida – e vida – em sua superfície. O anúncio foi feito na tarde de [ontem] numa entrevista coletiva conduzida pela Nasa [...]. O planeta orbita uma estrela chamada Kepler-186 e tem, segundo as estimativas, praticamente o mesmo diâmetro da Terra – 1,1 vez o do nosso mundo. Até onde se sabe, ele é o quinto a contar de seu sol e leva 129,9 dias terrestres para completar uma volta em torno de sua estrela. Ou seja, um ano lá dura mais ou menos um terço do que dura o nosso.

A estrela-mãe desse planeta é uma anã vermelha com cerca de metade do diâmetro do nosso Sol, localizada a cerca de 490 anos-luz daqui. Um dos aspectos interessantes dessa descoberta em particular é que, além de estar na chamada zona habitável – região do sistema em que o planeta recebe a quantidade certa de radiação de sua estrela para manter uma temperatura adequada à existência de água líquida na superfície –, o planeta está suficientemente distante dela para não sofrer uma trava gravitacional. Caso fosse esse o caso, o Kepler-186f, como foi batizado, teria sempre a mesma face voltada para a estrela, como acontece, por exemplo, com a Lua, que sempre mostra o mesmo lado para a Terra. Embora modelos mostrem que a trava gravitacional não é um impeditivo definitivo para ambientes habitáveis (a atmosfera trataria de distribuir o calor), é sempre melhor ter um planeta com dias e noites, em vez de um em que um hemisfério é sempre aquecido pelo Sol e outro passa o tempo todo na fria escuridão.

Numa nota pessoal, lembro-me de ter já conversado antes com Elisa Quintana, pesquisadora da Nasa que é a primeira autora da descoberta. Em 2002, ela produziu uma série de simulações que mostravam que o sistema Alfa Centauri – o trio de estrelas mais próximos de nós, sem contar o Sol – podia abrigar planetas de tipo terrestre na zona habitável. Imagino a realização pessoal dela de, depois de “conceber” por tantos anos mundos como esse em computador, finalmente poder reportar uma descoberta dessa magnitude. Não de uma simulação, mas da fria realidade da observação!

Trata-se de um momento histórico. A partir de agora, os astrônomos devem se concentrar cada vez mais na busca de outros mundos similares à Terra e a Kepler-186f, gerando alvos para futuras observações de caraterização – a efetiva análise da composição desses mundos e suas atmosferas –, em busca, quem sabe, de evidências de uma outra biosfera. Nosso planeta está prestes a ganhar muitas companhias.

(Salvador Nogueira, Folha)

Nota: Não basta estar na “zona habitável” e não ter trava gravitacional para que um planeta reúna as condições necessárias para manter a vida. Na Terra, são milhares de condições finamente ajustadas que possibilitam a existência da vida. O que os evolucionistas fazem é partir do pressuposto (complicadíssimo de ser evidenciado) de que a vida surgiu aqui em nosso planeta e que, portanto, poderia surgir também em planetas relativamente parecidos com o nosso. É uma fé dupla: em pressupostos questionáveis (e extrapolados para além do nosso mundo) e no hipotético encontro com seres extraterrenos. [MB]

Moscas evitam ataques usando táticas de jatos militares

Supermanobras e "nanocomputador"
Uma experiência científica realizada pela Universidade de Washington, nos Estados Unidos, concluiu que as chamadas moscas-das-frutas são capazes de mudar o curso de seus voos em breve frações de segundos, de modo semelhante à mudança súbita de trajetória que é feita por caças militares. Vídeos realizados com câmeras de alta velocidade revelaram o sutil movimento de asas das moscas, que permite que elas deem meia volta subitamente, de modo a evitar um possível ataque. Um dos autores do estudo, Michael Dickinson, disse que as moscas adquirem essa habilidade com extrema rapidez após seu nascimento. O cientista compara-a a um bebê colocado dentro de um caça, mas capaz de pilotar a aeronave. O motivo que as faz mudar de direção com tamanha rapidez, entretanto, permanece um mistério. “As moscas realizam um cálculo preciso extremamente rápido para evitar uma ameaça, mas elas fazem isso usando um cérebro que é do tamanho de um grão de sal”, diz Dickinson.

O voo das moscas foi captado usando três câmeras de alta velocidade colocadas dentro de uma gaiola. Os cientistas assustaram as moscas usando flashes de uma imagem de um predador se aproximando e observaram de perto como as moscas mudaram sua trajetória.

A experiência mostrou que as moscas começam a se afastar de ameaças na metade do tempo que leva para um ser humano começar a piscar para um flash de câmera. E conseguem mudar sua trajetória em um quinto do tempo que nós levamos para completar a piscada.

A experiência foi publicada na revista especializada Science.

(ne10)

Nota: Os modernos caças dispõem de poderosos computadores de bordo. As moscas fazem manobras tão complexas quanto às dos aviões, usando nanocomputadores (cérebro do tamanho de um grão de sal) e usam essa “tecnologia” há milênios. [MB]

quarta-feira, abril 16, 2014

Tecnologia e estudos: como equilibrar?

Vida real x online
Seja sincero: quantas vezes você já acessou o Facebook ou o Twitter hoje? Quanto tempo gastou no videogame? Quantas vezes disse para si mesmo “só mais cinco minutinhos” antes de colocar o celular de lado e ir estudar? Hoje em dia é normal que esse tipo de situação aconteça com frequência. No entanto, é preciso tomar cuidado para que a compulsão por internet não acabe se tornando um vício que pode prejudicar não só os seus estudos, mas também toda a sua vida. Pode parecer exagero, mas não é: casos de vício em internet e redes sociais são cada vez mais frequentes. Segundo um estudo do Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo, cerca de oito milhões de pessoas são afetadas pela dependência no Brasil. Desses, a maioria é de jovens e adolescentes a partir de 14 anos, como afirma a psicóloga Dora Sampaio Góes, do Grupo de Dependências Tecnológicas do Instituto de Psiquiatria do HC. Quando se trata de vestibulandos, a situação piora. “O ano já exige muito do adolescente, que está muito vulnerável, enfrentando pressões e dúvidas de carreira”, enfatiza a psicóloga. “O vício provoca isolamento social, prejuízos nas atividades escolares, deslize nas relações familiares e falta de contato com o mundo real. É comum vermos jovens com déficit de relacionamento, que não conseguem conversar cara a cara ou mesmo paquerar alguém.”

Devido ao acesso cada vez mais fácil à internet, os números de dependentes não param de crescer. De acordo com o jornalista Pedro Burgos, em seu livro Conecte-se ao que importa: um manual para a vida digital saudável, o problema é comum porque as pessoas ficam nervosas quando não estão fazendo alguma coisa. É aí que entra o celular. “Estamos com um déficit de tédio. A minha obsessão por ficar sempre ‘informado’ ou com a mente ocupada com novas informações piorou com as redes sociais. Aquilo estava me fazendo bastante mal: tinha sono o tempo todo, estava mais irritadiço e menos saudável”, conta ele.

Para quem não está sofrendo com uma dependência séria, há maneiras simples de evitar o uso excessivo do celular ou do computador. Primeiramente: pare de enrolar. Quando temos que estudar ou fazer algum trabalho de uma matéria chata, qualquer coisa parece interessante, até o movimento das nuvens no céu. Por isso, é importante afastar qualquer distração e evitar o impulso de “ver rapidinho qual é a notificação” no celular.

“O mais importante é o estudante estar inteiro no que estiver fazendo. Desligar o computador e desativar as notificações do celular é o melhor jeito de não dispersar a atenção, porque o uso constante estimula a ansiedade por mais interações”, recomenda Dora. Mas não vá correndo para o celular ou computador assim que terminar o estudo. É importante também reservar momentos com a família e com os amigos (fora do WhatsApp e do Facebook!), [...] para que seu tempo livre não seja consumido pelo tempo online.

Procure reservar, no seu dia, os momentos adequados para acessar a internet. O planejamento anterior pode ajudar a diminuir a ansiedade e evita que aqueles pequenos acessos de cinco minutos acabem durando uma hora. Além disso, entenda que as coisas vão continuar as mesmas independentemente do quanto você entra no Facebook, e aquela notificação ou e-mail não precisam ser vistos ou respondidos agora. Ainda vão estar lá tanto dali a cinco minutos quanto em cinco horas.

Melhorar a relação com as redes pode te ajudar a concentrar mais nos estudos, mas, acima de tudo, pode melhorar sua vida como um todo, proporcionando experiências reais em vez de posts no Facebook que você vai esquecer em seguida. Sabe aquela hora que você nem viu passar porque estava jogando Candy Crush ou assistindo ao milésimo vídeo no YouTube? Que tal trocá-la por aquele livro que você queria conseguir terminar [...] ou mesmo pelo amigo que você não vê há um tempo? “Ao vivo, temos mais tolerância com as imperfeições, entendemos melhor o que os outros têm a dizer, relevamos erros e seguimos a conversa. [...]”, diz Burgos.

Veja os principais sintomas da dependência de internet:

- Tentar diminuir o uso e não conseguir.
- Mentir a respeito do tempo que usa o computador, as redes sociais ou o videogame.
- Precisar ficar cada vez mais tempo online para ter o mesmo prazer.
- Perceber que o humor melhora quando está conectado ou jogando.
- Usar a tecnologia como refúgio dos problemas.
- Abrir mão de sair ou passar tempo com outras pessoas para ficar na internet.
- Colocar em risco os estudos ou o trabalho.

terça-feira, abril 15, 2014

O Universo veio do nada?

Do nada veio tudo?
O mundo da cosmologia foi abalado no mês passado pelo bombástico anúncio de que um experimento norte-americano havia detectado confirmação da expansão violenta do Universo após o Big Bang [confira aqui] – um processo que teria acontecido no primeiro bilionésimo de bilionésimo de bilionésimo de bilionésimo de segundo após o nascimento do cosmos. Agora, um trio de físicos chineses diz que pode explicar o instante inicial, o momento exato do surgimento do Universo. E o cosmos inteiro, tudo que existe, teria nascido do nada. É isso mesmo. Do nada. Deixe essa conclusão assentar por alguns segundos, porque é de abalar todas as estruturas. Agora, vamos qualificar essa ideia. Nem é preciso dizer que se trata de uma afirmação para lá de controversa. Como a expansão inicial – chamada de inflação cósmica – teria “apagado” qualquer sinal de algo que aconteceu naquela minúscula fração de segundo antes dela, não existe esperança de encontrar confirmação observacional desse fato. [E existe “ciência” sem confirmação observacional? – MB]

Por outro lado, é exatamente a conclusão a que você chega quando aplica a mecânica quântica ao estudo da origem do Universo. E não existe na física uma teoria mais testada e retestada que essa. Todos os nossos estudos da física de partículas – incluindo a recente descoberta do bóson de Higgs, tão celebrada – confirmam sua solidez.

Há tempos os cientistas já sabem que o que chamamos de vácuo não é realmente a ausência completa de tudo. Isso porque a mecânica quântica nos confronta com uma ideia muito maluca: coisas podem existir e não existir ao mesmo tempo. Todas as partículas são, na verdade, ondas de probabilidade.

Isso significa que no vácuo, a cada dado momento, existe uma probabilidade não nula (ou seja, maior que zero) de que uma partícula esteja ali. E tudo bem, contanto que essa partícula só exista por uma minúscula fração de segundo antes de ser destruída, preservando assim um dos pilares da física, que é a lei de conservação de matéria/energia do Universo. É a proibição do almoço grátis, que se manifesta da seguinte maneira: a cada vez que a lei das probabilidades faz o vácuo gerar partículas, elas nascem aos pares, que logo se aniquilam e desaparecem. Por essa razão, elas são chamadas pelos físicos de partículas virtuais.

Disso tiramos duas conclusões importantes. A primeira: não existe nada de mágico no surgimento de partículas a partir do nada – o vácuo faz isso o tempo todo. [Lembre-se de que essa afirmação não está fundamentada em observação.] E a segunda: como essas partículas em geral desaparecem numa mínima fração de segundo, isso tem efeito zero no total de energia no cosmos. [Então fica claro que o “nada” dos físicos e cosmólogos não é realmente nada, mas no senso comum é isso: do nada surge tudo e esse tudo se aprimora, “evolui”. Abracadabra!]

É bom lembrar que as partículas virtuais são mais que uma hipótese. Elas são confirmadas, por exemplo, nas colisões promovidas no LHC. Ninguém duvida que o vácuo possa parir coisas do nada. Há demonstração experimental desse fato. E por isso a ideia de que o Universo nasceu do nada sempre foi atraente para os cientistas. [Perguntar não ofende: no LHC, eles colidem partículas que existem a fim d investigar subpartículas provenientes dessas colisões. Como um experimento dessa natureza poderia provar que do nada absoluto poderiam surgir partículas?]  

Uma alternativa seria supor que o Universo nasceu de outro Universo, mas isso só transfere a pergunta deste para a encarnação cósmica anterior. Uma terceira opção, menos favorecida pelos físicos [por que será?], é a de que um Criador teria concebido o cosmos, 13,8 bilhões de anos atrás. Naturalmente, não é a favorita da maioria dos cientistas, e nem é por desgostarem das religiões. O problema aí é que, quando você evoca Deus para explicar alguma coisa, a ciência termina [e quando evoca o “nada”?]. Não há como testar essa hipótese – nem por matemática, nem por observação. [Como assim não dá para “testar” por observação? E o que dizer das muitas evidências de design inteligente e de complexidade irredutível? Como na ciência forense, pode-se partir das evidências para a causa.] É um beco sem saída do ponto de vista científico. (Não quer dizer que não seja verdade; só quer dizer que a ciência jamais pode chegar a essa conclusão, por definição. E a atitude de dispensar Deus das explicações tem sido recompensadora para os cientistas durante séculos – pelo menos desde que eles decidiram que trovões não eram manifestações de uma divindade furiosa.) [Dispensar Deus faz com que os cientistas deixem de acreditar em milagres e passem a usar palavras como “singularidade”. Crer em Deus não significa se acomodar e aceitar o tal “deus das lacunas”. Crer em Deus faz com que o pesquisador sincero saia em busca de respostas para o como: Como Deus fez isso e aquilo? Assim nasceu a ciência experimental, com cientistas cristãos como Galileu, Copérnico e Newton.]

Pois bem. Por essas razões todas, a noção de que o Universo nasceu do nada é atraente. Mas ninguém havia apresentado uma prova matemática rigorosa de que podia funcionar desse modo. Até agora.

“Neste trabalho, nós apresentamos essa prova, baseados nas soluções analíticas da equação de Wheeler-DeWitt”, afirmam corajosamente Dongshan He, Dongfeng Gao e Qing-yu Cai, físicos da Academia Chinesa de Ciências, num artigo recém-publicado na rigorosa revista científica Physical Review D. O título do trabalho? “Criação espontânea do Universo a partir do nada.” [Põe corajosa nisso! Usar a palavra “prova” quando o que se tem é “apenas” uma indicação vinda de modelos matemáticos é, no mínimo, arrogância.]

A tal equação mencionada é um instrumento importante que está sendo usado no desenvolvimento das teorias de gravidade quântica – uma tentativa de reunir a relatividade geral (que descreve a gravidade) e a mecânica quântica (que explica todo o resto) no mesmo balaio. Ninguém sabe ainda qual versão dessas teorias vingará, mas aproximações ocasionais são possíveis. É o caso aqui. [“Aproximações ocasionais” são prova?]

Seguindo rigorosamente a matemática, os pesquisadores concluem que, a partir de flutuações quânticas de um “falso vácuo metaestável”, um desfecho natural é a criação de uma pequena bolha de vácuo verdadeiro, que então infla agressivamente por uma fração de segundo e então para, exatamente como previsto e confirmado nas observações que temos à disposição.

Ok, para tudo. Meu reflexo aqui foi: bacana, mas que diabos é um “falso vácuo metaestável”, o suposto fabricante do Universo? Perguntei a Qing-yu Cai, e ele me explicou que é chamado de falso porque ele teria mais energia do que a presente num vácuo verdadeiro (embora ainda fosse vácuo), e metaestável porque é um estado que não se sustenta por muito tempo. “Ele pode decair para um estado de vácuo verdadeiro por flutuações quânticas”, afirma Qing-yu Cai. “No artigo, demonstramos [matematicamente, não se esqueça] que uma vez que uma pequena bolha de vácuo verdadeiro seja criada por flutuações quânticas de um falso vácuo metaestável, ela pode expandir exponencialmente. Quando a pequena bolha de vácuo verdadeiro se torna grande, a expansão exponencial termina, e o Universo-bebê aparece.”

Incrível, não é? Mas ainda falta uma coisinha. Descobrimos [descobrimos?!] aí de onde veio o espaço-tempo em que habitamos – é a tal pequena bolha de vácuo verdadeiro que se expandiu durante o período de inflação cósmica. Mas não está faltando alguma coisa, não? E toda a matéria do Universo? Sem ela, isso aqui não teria a menor graça. De onde ela pode ter vindo?

Os pesquisadores explicam isso de maneira graciosa ao final de seu artigo. E a chave está nas partículas virtuais, que já mencionamos anteriormente. Veja o que eles dizem: “Em razão do princípio da incerteza de Heisenberg, deve haver pares de partículas virtuais criadas por flutuações quânticas. Falando de maneira geral, um par de partículas virtuais irá se aniquilar logo após seu nascimento. Mas duas partículas virtuais de um par podem ser separadas imediatamente antes da aniquilação pela expansão exponencial da bolha. Logo, haveria uma grande quantidade de partículas reais criadas conforme a bolha de vácuo se expande exponencialmente.”

Ou seja, a expansão súbita (lembre-se, por uma mínima escala de tempo, o Universo cresceu mais depressa que a velocidade da luz!) converteria os pares de partículas virtuais em reais, ao separá-las e levá-las a cantos opostos do cosmos. Eis aí a matéria-prima para tudo que existe, inclusive você e eu. Vamos combinar que pode até não ser verdade, mas é uma história convincente e bem fundamentada. [A mim não convence, pois partem de uma hipótese, criam-se modelos matemáticos para testar a hipótese crida a priori e depois afirmam a hipótese com os resultados da modelagem. Além disso, a linguagem empregada neste artigo que você está lendo também me soa suspeita. Começam usando termos que sugerem uma ideia hipotética para, depois, dar a impressão de que se trata de quase um fato.]

Ao navegar por essas águas complicadas, contudo, o Mensageiro Sideral ficou com uma preocupação. Se o vácuo pode parir um Universo inteiro do nada, quem garante que não vai acontecer agora, neste instante, e rasgar o nosso espaço-tempo em favor desse novo bebê cósmico? Perguntei a Qing-yu Cai, mas ele me tranquilizou. “Quando a bolha de vácuo se torna suficientemente grande, seu potencial quântico é tal que a energia para expansão exponencial será muito pequena, e portanto a expansão exponencial irá parar. O escalar do vácuo atual é muito grande, e seu potencial quântico é negligenciável”, disse. “Em minha opinião, se o espaço pudesse ser dividido em pequenas partes diferentes, isso iria rasgar o nosso Universo. Mas o espaço-tempo é um todo, não pode ser separado arbitrariamente. Isso impede nosso vácuo atual de passar por esse processo de novo.”

Ótima notícia. Seja lá qual for sua crença a respeito da origem do Universo, todas as alternativas apontam para o fato de que ele foi feito para durar.

(Mensageiro Sideral, Folha)

Comentário do Dr. Marcos Eberlin, da Unicamp: “Nunca vi uma afirmação mais tabajara e desprovida de qualquer lógica ou precisão filosófica que a feita por esse tal de Salvador Nogueira no lixo de artigo acima. De onde esse sujeito tirou essa? Onde ele estudou filosofia da Ciência? Na universidade Tabajarense, só pode ser... Comprou seu diploma? Bota essa cara aí, senhores e senhores, para estudar um pouco e deixar de falar asneira na Folha de S. Paulo. Ai, caramba! No dia em que a Ciência descobrir a resposta certa, a Ciência termina. Pode? Pode só terminar o domínio do materialismo filosófico, e de suas definições tabajaras de ciência, que só servem para eles de consolo. Não sabe esse tal de Salvador Nogueira que foi exatamente a noção de que Deus existe, e que Ele governava seu Universo com leis, e que assim seu Universo seria racional e consistente, que fez a Ciência nascer? Que a Existência de Deus é o único pressuposto científico? Que redescobrir Deus é redescobrir a própria Ciência livre e sem pré-conceitos? Que essa noção nada prejudica, de que Deus existe, alia purifica a Ciência de besteiróis como esse que acabei de ler? Vade retro ignorância científica de repórter que se acha no direito de definir ciência e de decretar a morte dela! Ou seja, na opinião do ilustre ‘jornalista científico’, e só na dele, vamos que vamos na Ciência nos enganando procurando a resposta errada. Que besteirol mas besteirento esse repórter tem coragem de falar. A ciência é paga por mim e por você para encontrar a resposta certa, e se alguém deixa de fazê-lo, você e eu devemos demiti-lo, pois então iria torrar nossos suados impostos em busca de uma ilusão naturalista. Chamem o Procon, se assim for! A ciência jamais pode chegar a essa conclusão, por definição! Vade retro ignorância, de novo! Que definição seria essa que nos proibiria de concluir pela resposta certa? Reproduzo aqui o que li e que me irou ao extremo, pois foi ignorância demais, petulância demais, e conhecimento de menos, de nada: ‘Naturalmente, não é a favorita da maioria dos cientistas, e nem é por desgostarem das religiões. O problema aí é que, quando você evoca Deus para explicar alguma coisa, a ciência termina. Não há como testar essa hipótese – nem por matemática, nem por observação. É um beco sem saída do ponto de vista científico. (Não quer dizer que não seja verdade; só quer dizer que a ciência jamais pode chegar a essa conclusão, por definição.)’”

Lua de sangue é sinal da volta de Jesus?

Coloração causada pelos raios do Sol
O continente americano viu nesta terça-feira (15) um eclipse lunar, ou a “Lua de sangue”, quando a Lua fica na sombra da Terra em relação ao Sol e ganha um tom avermelhado. No Brasil, o eclipse total poderia ser visto a partir das 3h, por cerca de 78 minutos, nas regiões Norte e Centro-Oeste, se as condições meteorológicas permitissem. Os eclipses totais da Lua, quando o satélite cruza o cone de sombra da Terra, são pouco frequentes. O último ocorreu no dia 10 de dezembro de 2011. A última vez que aconteceu uma série de quatro eclipses lunares totais foi entre 2003 e 2004, segundo a agência espanhola EFE. Este é primeiro de uma série de quatro eclipses lunares que deve ocorrer, aproximadamente, a cada seis meses e se repetirá apenas sete vezes neste século. O próximo eclipse total está previsto para o dia 8 de outubro. Ainda neste ano, também será possível observar dois eclipses do Sol - um em abril e outro em outubro.

A agência espacial americana (Nasa) explicou que a Lua de sangue ocorre quando a região periférica da Lua ingressa no centro da sombra da Terra, que é de cor âmbar. É durante esse período que o satélite é visto da Terra com uma cor avermelhada, causada pela luz do Sol e matizada por sua passagem pela atmosfera terrestre - algo similar à coloração que a luz solar adquire nos crepúsculos.

Ao longo da história, os eclipses solares e lunares estiveram rodeados de muitas superstições e referências a profecias sobre desastres naturais de grande magnitude (com informações do site G1). E não faltaram pessoas que especulassem sobre a possível relação dessa Lua de sangue com as profecias de Mateus 24 e Joel 2, que diz: “O Sol se converterá em trevas, e a Lua em sangue, antes que venha o grande e temível dia do Senhor.” Afinal, será que há alguma relação? O texto abaixo, escrito pelo teólogo Dr. Alberto Timm, é bastante esclarecedor a esse respeito:

O texto bíblico declara que a segunda vinda de Cristo seria precedida por um grande terremoto, bem como por sinais cósmicos no Sol, na Lua e nas estrelas (ver Jl 2:31; Mt 24:29; Mc 13:24, 25; Lc 21:25; Ap 6:12, 13). Os adventistas creem que esses sinais se cumpriram respectivamente com o terremoto de Lisboa, no dia 1º de novembro de 1755; o escurecimento do Sol e a Lua em cor de sangue, em 19 de maio de 1780; e a queda das estrelas, na noite de 13 de novembro de 1833. Mas pelo menos três argumentos básicos têm sido usados contra tais identificações. Um dos argumentos é que esses acontecimentos não passariam de fenômenos naturais, reincidentes e explicáveis cientificamente, que não poderiam ser considerados cumprimentos proféticos. Devemos reconhecer, no entanto, que esses fenômenos são “sinais” (Lc 21:25) mais importantes pelo seu significado do que pela sua própria natureza. Além disso, em várias outras ocasiões Deus usou meios naturais com propósitos espirituais. Por exemplo, o dilúvio envolveu água e uma arca (Gn 6-8); e entre as pragas do Egito havia rãs, piolhos, moscas, pestes, úlceras, saraiva, gafanhotos e trevas (Êx 7–12). De modo semelhante, os sinais cósmicos, mesmo podendo ser explicados cientificamente, apontavam para importantes realidades espirituais.

Outro argumento usado contra as identificações acima mencionadas é que elas já estão demasiadamente distantes da segunda vinda de Cristo para ainda ser consideradas sinais desse evento. Mas Cristo deixou claro que esses sinais deveriam ocorrer “logo em seguida à tribulação daqueles dias” (Mt 24:29), ou seja, próximo ao término dos 1.260 anos de supremacia papal (Dn 7:25). Apocalipse 6:12-14 esclarece que a sequência terremoto/sol/lua/estrelas ocorreria no contexto da abertura do sexto selo, e não do sétimo selo, que é a segunda vinda de Cristo.

William H. Shea, em seu artigo “A marcha dos sinais”, Ministério, maio-junho de 1999, p. 12, 13, identifica a seguinte sequência profética: (1) o grande terremoto de 1755; (2) o dia escuro de 1780; (3) o juízo sobre a besta em 1798; (4) a queda das estrelas em 1833; e (5) o início do juízo investigativo pré-advento em 1844. Assim como o grande terremoto e o dia escuro precederam o juízo sobre a besta, a queda das estrelas antecedeu o início do juízo investigativo.

Um terceiro argumento contra tais identificações é que o terremoto de Lisboa em 1755 não foi o mais intenso abalo sísmico já registrado. Independentemente de sua intensidade, o terremoto de Lisboa foi o mais significativo, em termos proféticos. Como prenúncio do término dos 1.260 anos de supremacia papal, o terremoto ocorreu em um domingo, Dia de Todos os Santos, quando os devotos católicos estavam reunidos em suas igrejas, e nenhum dos supostos santos os conseguiu proteger.

Otto Friedrich, em sua obra O fim do mundo (Rio de Janeiro: Record, 2000), p. 227-271, afirma que alguns padres e freiras anteviram em sonhos e visões que Lisboa seria destruída. A posição tradicional adventista é confirmada em Nisto Cremos: as 28 Crenças Fundamentais da Igreja Adventista do Sétimo Dia, 8ª ed. (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2008), p. 417-419; e no Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia (Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2012).

Ellen G. White, em O Grande Conflito, p. 636, 637, reconhece que, por ocasião da segunda vinda de Cristo, “o Sol aparecerá resplandecendo” à meia-noite e um “grande terremoto” abalará a Terra (Ap 16:18). Mas na mesma obra (p. 304-308, 333-334), a Sra. White assegura que os sinais cósmicos mencionados especificamente pelo profeta Joel (Jl 2:31), por Cristo (Mt 24:29; Mc 13:24, 25; Lc 21:25) e pelo apóstolo João (Ap 6:12, 13) se cumpriram respectivamente em 1755, 1780 e 1833. Portanto, a Igreja Adventista do Sétimo Dia aceita os eventos ocorridos nessas datas como sendo os sinais preditos em Mateus 24:29.

(Alberto Timm, Centro White)

segunda-feira, abril 14, 2014

Russell Crowe teve educação adventista na infância

O ator neozelandês Russell Crowe
Russell Ira Crowe [ator principal do filme “Noé”] nasceu em Wellington, Nova Zelândia, mas tem ascendência britânica, norueguesa e maori. Dois de seus tios, Martin e Jeff Crowe, são antigos capitães da seleção de críquete neozelandesa. Crowe cresceu seguindo as orientações da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Quando tinha quatro anos, seus pais se mudaram para a Austrália, onde frequentou a Sydney Boys High School. Aos 14, retornou à Nova Zelândia, onde não completou a educação secundária, abandonando os estudos para ajudar financeiramente sua família. Crowe voltou à Austrália aos 21 anos, para ingressar no Instituto Nacional de Arte Dramática, plano do qual desistiu, passando a trabalhar como ator de teatro mambembe. Depois de aparecer nas séries de televisão “Neighbours” e “Living With the Law”, Crowe obteve seu primeiro papel em um filme: “The Crossing”, dirigido por George Ogilvie.

Em 1992, Crowe protagonizou o primeiro episódio da segunda temporada da série “Police Rescue”. No mesmo ano, atuou em “Romper Stomper”, um filme australiano dirigido por Geoffrey Wright.

Depois de seu êxito na Austrália, Crowe começou a aparecer em filmes norte-americanos. Primeiro, esteve ao lado de Denzel Washington em “Assassino Virtual”, de 1995. Mas Crowe tornou-se uma estrela depois de trabalhar com Kevin Spacey, Guy Pearce e Kim Basinger no filme “Los Angeles - Cidade Proibida”, em 1997.
 
Nos anos seguintes, Crowe receberia três indicações ao Oscar de melhor ator: por “O Informante”, “Gladiador” e “Uma Mente Brilhante”. Ganhou o prêmio, em 2001, por sua atuação em “Gladiador”. Seu trabalho em “Uma Mente Brilhante” lhe valeu um prêmio Bafta. Em 2005, voltou a filmar sob a direção de Ron Howard, em “A Luta Pela Esperança”. E foi dirigido por Ridley Scott em dois filmes: “Um Bom Ano” e “American Gangster”.

Na maior parte do ano, Crowe mora na Austrália. Ele também é cantor e compositor. Foi vocalista e guitarrista da banda de rock “30 Odd Foot of Grunts” e hoje colabora na banda canadense “Great Big Sea”. Publicou um álbum no iTunes, intitulado “My Hand, My Heart”.

Russell Crowe também é co-proprietário da South Sydney Rabbitohs, uma equipe da Liga Nacional de Rugby da Austrália.


Nota: No Brasil, Luana Piovani também teve começo semelhante ao do ator neozelandês (confira aqui e aqui) e Angus Jones fez caminho inverso ao dos dois (confira). [MB]

Confira abaixo o ator Russell Crowe, bem jovem, num antigo comercial do colégio adventista australiano de Avondale:

domingo, abril 13, 2014

O sexo como ele (não) é

Ideias distorcidas sobre sexo
Na era “analógica”, eram os papos entre amigos, os parcos e entrecortados conselhos dos pais e, principalmente, a prática - sempre repleta de muitas tentativas e muitos erros. Na era digital, são os filmes pornográficos. Numa sociedade cuja educação sexual é falha, cercada de tabus, a internet de alta velocidade inundou computadores, tablets e smartphones de adolescentes e jovens com uma quantidade sem precedentes de filmes de conteúdo explícito, tornando as distorções, os estereótipos e a performance espetacularizada dessas obras, muitas vezes, a referência principal de quem está começando a vida sexual. A objetificação da mulher, a supremacia do contato genital sobre as trocas afetivas e o raro uso de camisinha são características dos filmes pornô que se reproduzem na vida real, atestam especialistas.

A publicitária e empresária inglesa Cindy Gallop, de 54 anos, foi das primeiras “autoridades” no tema a observar o fenômeno global. Criadora de um site [...] de vídeos e textos com um contraponto “mais humano” à robótica pornografia tradicional, ela diz ter notado um crescente comportamento sexual caricato nos homens com quem sai, a maioria na casa dos “vinte e poucos anos”. “O que eu estava encontrando eram as ramificações da onipresença do pornô hardcore na nossa cultura”, lembra essa filha de pai britânico e mãe chinesa, criada em Brunei e, hoje, moradora de Nova York.

Cindy não é, nem de longe, uma puritana. No seu site, em palestras mundo afora e no livro de 2011 Make Love Not Porn: Technology’s Hardcore Impact on Human Behavior (Faça amor, não pornografia: O impacto do pornô hardcore no comportamento humano, em tradução livre), ela usa linguagem e conceitos libertários. Mas critica a exposição de crianças e adolescentes desde cedo ao material pornográfico da web: “Está se formando uma geração inteira de meninos que crescerá acreditando que aquilo que veem nos vídeos é a forma como se deve fazer sexo. Os programas de educação sexual são precários, e os pais continuam tendo dificuldade de tratar desse assunto com os filhos. Isso não é nada bom.”

De acordo com levantamento da consultoria Nielsen, dois em cada três consumidores de pornografia na internet são homens. Assim, não é raro que as fantasias masculinas extrapolem o mundo digital e acabem na rotina sexual dos casais. O programador carioca Rodrigo, de 27 anos, conta ser um consumidor assíduo de pornô. E admite que isso influencia as relações com a namorada. “Com certeza em algum momento da vida rola aquele instante em que você percebe que a pornografia está para o sexo como (o filme) ‘Velozes e furiosos’ está para dirigir”, compara o jovem, para quem o caráter espetacular e emocionante dos filmes pornô pode tornar frustrantes as relações reais. “Vale mais uma boa masturbação do que uma transa ruim.”

As mulheres já estão se adaptando aos desejos dos parceiros sob influência dos filmes. Com isso, formam-se casais que só sentem prazer se seguirem o roteiro do mercado pornô, explica a inglesa Cindy: “No mundo real, uma das coisas mais prazerosas é o contato de pele. É uma delícia transar com os braços envolvendo o parceiro, com os corpos apertadinhos. Só que isso é inadmissível no hardcore, pois estaria obstruindo o olhar da câmera, que quer focar bem o famigerado ponto de entrada. Se tomarmos a regra desses filmes, todos os homens gostam de dar tapas, todas as mulheres gostam de sexo anal e de xingamentos, e basta uma mínima estimulação do clitóris para que elas estejam prontinhas. Sem falar no clichê de que elas têm orgasmos o tempo todo, e nas mais esdrúxulas posições.”

O estudo “Pornografia, desigualdade de gênero e agressão sexual contra mulheres”, feito pela pesquisadora brasileira Lylla Cysne Frota D’Abreu, da Universidade de Potsdam, na Alemanha, lançou um outro olhar sobre a questão. Para o trabalho, publicado ano passado, Lylla entrevistou estudantes universitários brasileiros do sexo masculino e revelou que 99,7% deles já haviam acessado conteúdo pornô on-line, 54,3% o faziam com frequência e, entre os mais assíduos, eram maiores os casos de agressões sexuais contra mulheres. “O fenômeno inclui uma ampla variedade de comportamentos, desde passar a mão e tirar peças de roupa, passando por coerção sexual e até estupro”, ela define. [...]

Uma pesquisa recente revelou que, no Reino Unido, um terço das crianças de até 10 anos já havia acessado algum tipo de conteúdo pornográfico on-line. Mais de 80% dos adolescentes de 14 a 16 anos o faziam regularmente, dois terços deles por meio de smartphones. Ao mesmo tempo, 70% dos entrevistados disseram nunca ter feito sexo, o que torna a experiência na internet sua única referência sexual.

Segundo Junia de Vilhena, psicanalista do Departamento de Psicologia da PUC-Rio, a visão distorcida sobre o sexo tem raízes antigas e só foi agravada pela disseminação do pornô on-line. “Essa pressão sobre a mulher, que tem que satisfazer o homem na cama, é fruto da educação machista comum em vários países. A maior característica da pornografia é suprimir a fase de sedução. Pornografia é a antítese do erotismo”, diz Junia. “A pressão pelo desempenho faz com que rapazes de menos de 19 anos consumam Viagra, com medo de falhar.” [...]

X., 23 anos, [escreveu anonimamente a site]: “A partir dos 13 anos, quando comecei a usar computador, virei uma ávida consumidora de pornografia em vídeo. Lentamente subi na escala, assistindo a perversões mais doentias, até chegar ao que poderia definir como meu limite final. Nunca tive uma relação sexual funcional. Nem creio que um dia terei. Ninguém me leva ao orgasmo. Só chego ao clímax sozinha e me envergonho das minhas fantasias. Pré-adolescentes precisam de educação sexual de verdade, para não virar capachos ou vítimas inconscientes dos caprichos alheios.”


Isaac & Charles: ceticismo seletivo

Conheça a página da tirinha no Facebook e o blog.

quinta-feira, abril 10, 2014

“Noé” é um show de cabala e gnosticismo

Noé cabalístico
Em “Noé”, a nova e épica produção cinematográfica de Darren Aronofsky, Adão e Eva são apresentados como seres luminescentes e descarnados, até o momento em que comem do fruto proibido. Essa versão não é a da Bíblia, é claro. E, em meio a muitas outras licenças imaginativas de Aronofsky, como os monstros gigantes de lava, essa imagem levou muitos críticos de cinema a coçar a cabeça. Evangélicos conservadores se queixaram de que o filme toma muitas liberdades com o texto do Gênesis. Grupos mais liberais concederam suas indulgências ao diretor: afinal de contas, não devemos esperar que um ateu professo tenha as mesmas ideias de um crente a respeito dos textos sagrados. O caso é que os dois grupos se perderam na avaliação. Aronofsky não tomou liberdade alguma com o texto bíblico. O filme simplesmente não foi baseado na Bíblia.

Aliás, em defesa do diretor, devemos reconhecer que o filme nem sequer foi anunciado como se fosse. “Noé” não é uma adaptação do Gênesis. O filme nunca foi anunciado como “Noé da Bíblia” ou como “A História Bíblica de Noé”. Os escombros da cristandade continuam quentes o suficiente em nossos dias para que, quando alguém diz que vai fazer “Noé”, todo o mundo já presuma que vai ser uma versão da história da Bíblia. Eu tenho certeza de que Aronofsky ficou muito feliz em deixar seu estúdio pressupor isso mesmo, porque se o estúdio soubesse o que ele realmente pretendia, nunca teria permitido que ele fizesse o filme. Aronofsky tinha outras coisas em mente.

Vamos voltar à versão luminescente dos nossos primeiros pais. Eu reconheci o “motif” instantaneamente: é uma visão típica da antiga religião gnóstica. Eis uma descrição, do século 2 d.C., de algo em que a seita dos chamados ofitas acreditava: “Adão e Eva, originalmente, possuíam corpos sutis, luminosos e, por assim dizer, espirituais. Mas, quando chegaram aqui, seus corpos se tornaram escuros, pesados e desidiosos” (descrito por Irineu de Lyon, em Contra Heresias, I, 30,9).

Ocorreu-me que uma tradição mística mais estreitamente relacionada com o judaísmo, chamada cabala (que a cantora Madonna popularizou há cerca de uma década), teria certamente conservado uma visão semelhante, já que ela é, essencialmente, uma forma de gnosticismo judaico. Eu sacudi o pó do meu exemplar da obra The Kabbalah, escrita no século 19 por Adolphe Franck, e confirmei rapidamente as minhas suspeitas: “Antes de serem seduzidos pela sutileza da serpente, Adão e Eva não apenas eram isentos da necessidade de um corpo, mas sequer tinham corpo; ou seja, eles não eram da Terra.”

Franck cita o Zohar, um dos textos sagrados da cabala: “Quando nosso pai Adão habitava o Jardim do Éden, ele vestia, como todos no Céu, uma roupa feita de luz superior. Quando foi expulso do Jardim do Éden e obrigado a submeter-se às necessidades deste mundo, o que aconteceu? Deus, dizem as Escrituras, fez para Adão e para a sua esposa túnicas de pele e os vestiu; antes disso, eles vestiam túnicas de luz, da luz mais alta que havia no Éden...” [Até aí, tudo bem. Ellen White também diz que Adão e Eva usavam “vestes de luz”, mas não que fossem espíritos ou coisa parecida. – MB]

Isso é uma coisa obscura, eu sei. Mas a curiosidade tomou conta de mim e eu fui a fundo. Descobri que o primeiro longa de Darren Aronofsky foi “Pi” (de 1998; não confundir com “Life of Pi”, que não tem nada a ver com isso). Quer saber qual era o assunto? Tem certeza? Cabala. Consegui chamar a sua atenção? Ótimo.

O universo do “Noé” de Aronofsky é completamente gnóstico: um universo com graus “superiores” e “inferiores”. O “espiritual” é bom, e muito, muito, muito elevado: é lá onde mora o deus inefável; e o “material” é ruim, e muito, muito, muito inferior: é aqui, onde os nossos espíritos estão presos em carne material. Isto vale não apenas para os filhos e filhas decaídos de Adão e Eva, mas também para os anjos caídos, descritos explicitamente como espíritos aprisionados em “corpos” materiais feitos de lava derretida resfriada.

O filme criou personagens muito bacanas, mas sua evocação gnóstica também é notória. Os gnósticos os chamam de arcontes, seres divinos ou angelicais de menor escalão, que ajudam “O Criador” na formação do universo visível. E a cabala tem um panteão todo próprio de seres angelicais que sobem e descem pela “escada do ser divino”. E anjos caídos nunca são totalmente caídos nesse tipo de misticismo. Para citar de novo o Zohar, um texto central da cabala: “Todas as coisas de que este mundo é composto, tanto o espírito quanto o corpo, voltarão ao princípio e à raiz de onde vieram.” Engraçado: é exatamente o que acontece com os monstros de lava de Aronofsky. Eles se redimem, mudam até de pele e voam de volta para os céus. Aliás, eu notei que, no filme, quando a família de Noé vai caminhando por uma terra desolada, Sem pergunta ao pai: “Esta é uma mina Zohar?” Pois é: o nome do texto sagrado da cabala.

O filme inteiro é, figurativamente, uma mina Zohar.

E, se havia alguma dúvida sobre os “Vigilantes”, Aronofsky dá nome a vários deles: Samyaza, Magog e Ramil. Todos são demônios conhecidos da tradição mística judaica, não só da cabala, mas também do Livro de Enoc.

O quê? Demônios redimidos? Adolphe Franck explica a cosmologia da cabala: “Nada é absolutamente mau; nada é maldito para sempre, nem mesmo o arcanjo do mal ou, como ele é chamado às vezes, a fera venenosa. Chegará um tempo em que até ele recuperará o seu nome e a sua natureza angelical.”

Sim, isso é estranho, mas, por outro lado, todo mundo no filme parece adorar “O Criador”, certo? E isso é um ponto a favor do filme, não é? Não.

Acontece que, quando os gnósticos falam do “Criador”, eles não estão falando de Deus. Aqui, em nosso mundo que colhe os frutos da cristandade, o termo “Criador” geralmente denota o Deus vivo e verdadeiro. Mas, no gnosticismo, o “Criador” do mundo material é um filho bastardo de uma divindade de baixo nível, ignorante, arrogante, ciumento, exclusivista, violento e rasteiro. Ele é o responsável pela criação do mundo “não espiritual”, de carne e matéria, e ele mesmo é tão ignorante do mundo espiritual que se imagina como o “único Deus” e exige obediência absoluta. Os gnósticos geralmente o chamam de “Javé”. Ou de outros nomes, como Ialdabaoth, por exemplo.

Este “Criador” tenta manter Adão e Eva longe do verdadeiro conhecimento do divino e, quando eles desobedecem, fica furioso e os escorraça do paraíso.

Em outras palavras, caso você tenha se perdido no enredo: a serpente estava certa o tempo todo. Esse “deus”, “O Criador”, a quem eles adoram, está retendo para si algo que a serpente poderia lhes proporcionar: nada menos que a própria divindade.

O universo do misticismo gnóstico tem uma desconcertante infinidade de variedades. Mas, em geral, elas têm em comum o fato de chamar a serpente de “Sophia” [Sabedoria, em grego] ou “Mãe”. A serpente representa o divino verdadeiro. As declarações do “Criador” é que são falsas. Então a serpente é um personagem importante no filme?

Vamos voltar ao filme. A ação começa quando Lamec está prestes a abençoar seu filho, Noé. Lamec, de modo muito estranho para um patriarca de uma família que segue a Deus, puxa uma relíquia sagrada, a pele da serpente do Jardim do Éden. Ele a enrola no braço e estende a mão para tocar no seu filho; neste momento, um bando de saqueadores interrompe a cerimônia. Lamec é morto e o “vilão” do filme, Tubal-Caim, rouba a pele da serpente. Noé, em resumo, não recebeu o suposto benefício que a pele da serpente lhe concederia.

A pele não se acende magicamente no braço de Tubal-Caim: aparentemente, ele também não fica “iluminado”. E é por isso que todo mundo no filme, incluindo o protagonista Noé e o antagonista Tubal-Caim, adora “O Criador”. Todos eles estão enganados.

Vou esclarecer uma coisa: muitos críticos manifestaram perplexidade ao ver que não há nenhum personagem “apreciável” no filme e que, de quebra, todos parecem adorar o mesmo Deus. Tubal-Caim e seu clã são maus e do mal, mas o próprio Noé também se mostra muito mau quando abandona a namorada de Ham e quase mata duas crianças recém-nascidas. Alguns acharam que essa passagem era uma espécie de profunda reflexão sobre o mal que existe em todos nós. Mas aqui vai outro trecho do Zohar, o texto sagrado da cabala: “Dois seres [Adão e Nachash, a serpente] tiveram relações com Eva [a segunda mulher] e ela concebeu de ambos e deu à luz dois filhos. Cada um seguiu um dos progenitores masculinos e seus espíritos se separaram, um para um lado, o outro para o outro, assim como, similarmente, seus caráteres. No lado de Caim estão os da espécie do mal; no de Abel, uma classe mais misericordiosa, mas não ainda totalmente benéfica: são vinho bom misturado com vinho ruim.” Soa familiar?

De qualquer forma, todo mundo está adorando a “divindade do mal”, que quer destruir a todos (na cabala, diga-se de passagem, acredita-se que muitos mundos já foram criados e destruídos). Tanto Tubal-Caim quanto Noé tem cenas idênticas, olhando para o céu e perguntando: “Por que não falas comigo?” “O Criador” abandonou a todos porque tem a intenção de matar a todos.

Noé tinha tido uma visão da vinda do dilúvio. Ele está se afogando, mas vê animais que flutuam na superfície, na segurança da arca. Não há nenhuma indicação de que Noé se salvará. Ele não sabe como explicar as coisas para a sua família: afinal, ele está afundando enquanto os animais, “os inocentes”, se salvam. “O Criador”, que proporciona essa visão a Noé, quer que todos os seres humanos morram.

Muitas resenhas críticas estranharam a mudança de Noé, que, na arca, se torna um maníaco homicida querendo matar as duas netas recém-nascidas. Não há nada de estranho nisso. Na opinião do diretor, Noé está adorando um deus falso que também é um maníaco homicida. Quanto mais Noé se torna fiel a esse deus, mais ele se torna homicida. Ele vai se transformando cada vez mais na “imagem do deus”, a mesma “imagem do deus” constantemente mencionada (e encarnada) pelo vilão Tubal-Caim.

Mas Noé decepciona “O Criador”. Ele não acaba com todas as vidas, do jeito que seu deus quer que ele faça. “Quando eu olhei para aquelas duas meninas, meu coração se encheu somente de amor”, diz ele. Agora Noé tem algo que “O Criador” não tem: amor. E misericórdia. Mas de onde ele tirou isso? E por que agora?

Na cena imediatamente anterior, Noé matou Tubal-Caim e recuperou a relíquia da pele de cobra: “Sophia”, a “Sabedoria”, a verdadeira luz do divino. Apenas uma coincidência, claro...

Bom, estou quase terminando.

Falemos do arco-íris. Ele não aparece no final só porque Deus faz uma aliança com Noé. O arco-íris aparece quando Noé fica sóbrio e abraça a serpente. Ele enrola a pele em volta no braço e abençoa a família. Não é Deus que os encarrega de se multiplicar e encher a Terra, mas sim Noé, em primeira pessoa, usando o talismã-serpente (a propósito, não é casual que os arco-íris sejam todos circulares. O círculo do “Um”, o Ein Sof, na cabala, é o sinal do monismo).

Observe esta mudança: Noé estava bêbado na cena anterior. Agora ele já está sóbrio e “iluminado”. Um cineasta nunca monta uma sequência dessas por acidente. Noé transcendeu e superou aquela divindade ciumenta e homicida.

Faço algumas advertências depois de tudo isso.

Primeiro, a especulação gnóstica tem várias perspectivas. Alguns grupos se mostram radicalmente “dualistas”, com “O Criador” sendo de fato um “deus” completamente diferente. Outros são mais “monistas”, com Deus existindo em uma série de emanações descendentes. Outros, ainda, consideram que a divindade inferior pode “crescer”, “amadurecer” e ascender na “escala” do ser, rumo a maiores alturas. Noé, provavelmente, se encaixa um pouco em cada categoria. É difícil dizer.

Minha outra advertência é esta: há uma tonelada de imagens, citações e temas da cabala neste filme e eu não conseguiria citar todas elas neste único texto. Por exemplo: a cabala geralmente se baseia em letras e números hebraicos; os “Vigilantes” pareciam ter, deliberadamente, a forma de letras hebraicas.

Eu não veria este filme de novo para escavar detalhadamente todas essas referências, nem sequer se você me pagasse (até porque, de um mero ponto de vista cinematográfico, achei a maior parte do filme insuportavelmente chata). O que posso dizer, tendo visto a produção somente uma vez, é o seguinte: Darren Aronofsky produziu uma releitura da história de Noé sem embasamento algum na Bíblia. É uma releitura totalmente pagã da história de Noé, baseada em fontes gnósticas e da cabala. Para mim, não resta simplesmente nenhuma dúvida sobre isso.

Agora deixem-me dizer qual é o verdadeiro escândalo em tudo isso.

Não é o fato de que o filme foge à versão bíblica. Não é o fato de que os críticos cristãos, decepcionados, tinham expectativas altas demais. O escândalo é este: de todos os líderes cristãos que fizeram um grande esforço para endossar esse filme (pelo motivo que fosse: “Porque é um início de diálogo”, “Porque Hollywood está pelo menos fazendo alguma coisa ligada à Bíblia”, etc.) e de todos os líderes cristãos que o condenaram por “não seguir a Bíblia”, nenhum conseguiu identificar uma subversão flagrantemente gnóstica da história bíblica, por mais que ela estivesse bem debaixo dos seus narizes.

Eu acho que Aronofsky se propôs a experiência de nos fazer de bobos: “Vocês são tão ignorantes que eu sou capaz de colocar Noé (Russell Crowe!) nas telas e retratá-lo literalmente como a ‘semente da serpente’ e, mesmo assim, todos vocês vão assistir e apoiar.”

Aronofsky está dando risada. E todos os que caíram no trote deveriam se envergonhar. E olhem que foi uma experiência gnóstica impressionante! No gnosticismo, somente a “elite” possui “o saber” e o conhecimento secreto. Todo o resto das pessoas é um bando de ingênuos e tolos ignorantes. O “grande evento” desse filme é ilustrar esta premissa gnóstica: nós, “o resto”, somos ingênuos e tolos.

Será que a cristandade poderia acordar, por favor?

Em resposta, eu tenho uma sugestão simples: de hoje em diante, nenhum seminarista deveria avançar de etapa se não demonstrasse que leu, digeriu e entendeu o texto Contra Heresias, de Irineu de Lyon. Afinal de contas, estamos novamente no século 2 d.C.

Post scriptum: alguns leitores podem achar que eu estou sendo duro demais com as pessoas porque elas não perceberam o gnosticismo no coração desse filme. Eu não espero que os espectadores em geral percebam essas coisas. O que eu esperava deles, aliás, era exatamente o que vimos: uma confusão de coçar a cabeça. Mas espero, sim, uma reação muito diferente dos líderes cristãos: professores de seminários e de universidades, párocos, doutores. Se uma pele de serpente enrolada no braço de um personagem bíblico não dispara nenhum alarme diante deles... eu não sei nem o que dizer.