domingo, janeiro 20, 2019

Unasp cria pós-graduação em Arqueologia Bíblica

Para complementar as áreas de História, Arqueologia e Teologia para ensino e práticas pastorais, o Centro Universitário Adventista, campus Engenheiro Coelho, criou a pós-graduação História e Arqueologia do Antigo Oriente Próximo. O corpo docente do curso é formado por doutores, mestres e especialistas na área, com experiência profissional e acadêmica. O curso se destina a profissionais graduados de diferentes áreas interessados em estudar o passado do Oriente Médio por meio da arqueologia e de outras fontes históricas escritas. As aulas são projetadas para atender àqueles que estão perto e longe, sendo presencias, mas transmitidas online para os alunos que estão mais distantes, com algumas aulas inteiramente EAD.

Inscrições: 25 de outubro de 2018 até 3 de fevereiro de 2019
Início das aulas: 4 de março de 2019
Para mais informações clique aqui.

Disciplinas
Créditos
CH
Pesquisa Arqueológica
2
30h
Arqueologia e a Bíblia
2
30h
Teoria e Métodos Arqueológicos
2
30h
História e Historiografia de Israel
2
30h
Patrimônio Arqueológico
2
30h
Arqueologia do Antigo Testamento
2
30h
Arqueologia de Novo Testamento
2
30h
Egito e Mesopotamia
2
30h
Grecia e Roma
2
30h

Disciplinas Optativas
(mínimo 60h para número necessário de créditos)
Créditos
CH
Hebraico
2
30h
Grego
2
30h
Egípcio
2
30h
Epigrafia
2
30h
Numismática
2
30h
Antropologia
2
30h

sábado, janeiro 19, 2019

Cultura popular: criacionista e evolucionista

Ao falar de criacionismo e evolucionismo, não tem como não pensar nas imagens populares que representam essas cosmovisões. Minha mente já viaja para o teto da Capela Sistina, para a pintura de Michelangelo e a famosa imagem que mostra uma linha de evolução do pequeno macaquinho até a postura ereta do homem moderno. Mas, a título de informação e curiosidade, você sabe realmente o que essas imagens representam?

Criação de Adão pintada no teto da Capela Sistina
.
 Evolução do homem

A criação de Adão


Utilizando uma técnica chamada afresco, em que a pintura é feita sobre uma argamassa de cal e areia, o artista toscano Michelangelo Buonarroti ficou quatro anos, de 1508 a 1512, pintando a Capela Sistina. A obra tornou-se uma das mais importantes obras-primas da história e é, hoje, uma das maiores atrações do Vaticano.

O que pouca gente sabe é que, a princípio, Michelangelo não queria o serviço. Primeiro, porque considerava a pintura uma arte inferior. Ele gostava mesmo era de esculpir. Segundo, porque não se dava bem com o papa Júlio II, que fez a encomenda.

A divisão principal do teto está feita em nove painéis que representam cenas do livro do Gênesis. Essa escolha do tema teológico estabelece uma ligação entre os primórdios da história do ser humano e a vinda de Cristo, sendo que a figura de Cristo não se encontra presente na composição pictórica do teto.

Painéis da Capela Sistina

O quarto painel é a criação de Adão, uma das imagens mais difundidas e reconhecidas mundialmente. Adão está encostado, como se com preguiça e quase que obrigando Deus a um último esforço para conseguir tocar nos dedos dele e, assim, poder dar-lhe a centelha da vida. Deus é dotado de movimento e energia, e até Seus cabelos se movem com a brisa invisível. Debaixo do braço esquerdo Deus leva a figura de Eva que intimamente segura em Seu braço e pacientemente espera que Adão receba a centelha da vida para também ela poder recebê-la.

Existem várias teorias sobre o significado da composição original de "A Criação de Adão", levantadas principalmente por causa do amplo conhecimento que Michelangelo possuía em anatomia. Em 1990, um médico chamado Frank Lynn Meshberger, em artigo no Journal of the American Medical Association, afirmou que a figura em que Deus está apoiado tem o formato anatômico de um cérebro, incluindo lobo frontal, nervo ótico, glândula pituitária e cerebelo. Também observou que o manto branco de Deus tem o formato de um útero, e que a echarpe verde que sai de Seu ventre poderia ser um cordão umbilical.* Além do cérebro na criação de Adão, outros órgãos são encontrados nos demais painéis.

Era comum os artistas esconderem easters eggs em suas obras na época de Michelangelo. Leonardo da Vinci adorava fazer isso e foi popularizado pelos livros de Dan Brown. Acredito que Michelangelo também deixou a marca dele, já que gostava de anatomia. Talvez até tenha feito uma crítica ao sistema de crenças colocando a criação de Adão apoiada no cérebro humano. 

O teólogo John MacArthur afirma que Michelangelo, ao pintar "A Criação de Adão", teria dado um umbigo enorme a Adão, o que lhe trouxe observações repressivas por parte de alguns teólogos da época.

A realidade é que a pintura é apenas uma ilustração usada para tipificar a ideia da criação. Eu até usei diversas vezes em cartazes e ilustrações porque é a figura popular para falar do ato divino de Deus dando vida ao homem. Criacionistas não possuem nenhuma propriedade ou sentimento de idolatria pela imagem. Não passa de uma ilustração popular que usamos para aproveitar o "gancho" do marketing

Os pilares da criação

Muitos identificam essa formação com uma "mão criadora". Porém, os pilares da criação são aglomerados de poeira e gás com tamanho interestelar na nebulosa da Águia, situada a cerca de 6.500-7.000 anos-luz da Terra. Então por que eles foram apelidados de “Pilares da Criação”? Porque são o berço de um número incontável de novas estrelas. Os pilares, compostos inteiramente de gás e poeira, têm tão altas densidades que a gravidade faz com que o gás resultante se comprima e forme estrelas.


Para descrever o comprimento dos pilares temos de recorrer a anos-luz. O pilar mais à esquerda tem uma estimativa de quatro anos-luz de comprimento. Vamos fazer alguns cálculos. 60 segundos em um minuto. 60 minutos em uma hora. 24 horas em um dia. 365 dias em um ano. 4 anos.


60 x 60 x 24 x 365 x 4 x 299.800 (velocidade da luz) = 37.817.971.200.000 quilômetros. 37 trilhões, 817 bilhões, 971 milhões e 200 mil quilômetros.

Mas espere! Os "Pilares da Criação" deixaram a melhor surpresa para o final. Se houvesse alguma forma de se teletransportar para lá agora, você veria essas belas estruturas, certo? Na verdade, não. Sabemos que elas não existem mais. Na verdade, elas não existem há quase seis mil anos, mas nós ainda podemos vê-las aqui da Terra. Parece impossível?

Acontece que a luz leva tempo para viajar, como dito acima. Estamos vendo essas estruturas agora como elas eram sete mil anos atrás, pois somente agora a luz que foi emitida naquela época está chegando à Terra. O mesmo pode ser dito do Sol. Se ele, hipoteticamente, deixasse de existir agora, somente veríamos a escuridão daqui a oito minutos, pois esse é o tempo que a luz solar demora para chegar à Terra. Ver os "Pilares da Criação" é como fazer uma viagem ao passado.

Ilustração da evolução

É uma ilustração do volume Early Humans, da enciclopédia Life Nature Library, publicado em 1965. O título original da ilustração é "O Caminho para Homo sapiens". Foi chamada de "Marcha para o Progresso", e o autor é Clarck Howell. 

A ilustração original (1965) com propagação estendida (superior) e dobrada (parte inferior)

A imagem se popularizou e originou diversas paródias e muitas críticas da comunidade evolucionista. Alguns comentam que a imagem está errada do ponto de vista científico, como também serve de combustível para criacionistas alegarem nossa evolução como o inevitável progresso até o ser humano. A proposta que mais bem atende à ideia evolucionista permite a observação de chimpanzés e outros chamados macacos atuais em outros ramos evolutivos de onde possuem um ancestral comum. 

Imagem que, segundo evolucionistas, representa
melhor o esquema da ancestralidade comum

O fato é que como a pintura de Michelangelo a ilustração de Clarck Howell é apenas algo popular que exprime uma ideia. 

O peixe Ichthus com pernas

O Ichthus é um símbolo que consiste em dois arcos que se cruzam para formar o perfil de um peixe, sendo um dos símbolos mais antigos do cristianismo.
Ichthus, símbolo cristão


O peixe Darwin é um símbolo de peixe com pernas e pés "evoluídos", e muitas vezes aparece com a palavra "Darwin". Simboliza as teorias científicas da evolução, para as quais Charles Darwin estabeleceu um fundamento, em contraste com o criacionismo, que é uma marca registrada do cristianismo norte-americano. É uma sátira ao criacionismo. Uma provocação.

Peixe com pernas de Darwin
Claro que nessa briga de marketing surgiram diversas variações desse símbolo. Os cristãos mais "briguentos" produziram uma versão em que a verdade engole o peixe Darwin.
 Versão em que a verdade (Truth) devora o pequeno peixe com pernas
Em todos esses casos não existe nenhum apego a nenhuma simbologia popular desses símbolos. São utilizados nos dias atuais apenas como gatilho para ideias, já que estão enraizados na mente visual das pessoas. É necessário que estudemos mais a fundo as cosmovisões para que saibamos o que realmente dizem. Devemos colocar as cartas sobre a mesa e avaliar as evidências. Apenas dessa forma podemos saber realmente o que cada visão de mundo quer dizer. 

Como criacionista, posso dizer que tenho a vantagem de ter a revelação natural por meio da qual posso conhecer pelo estudo da ciência o mundo físico ao meu redor, que é a criação de Deus (Rm 1:20, Sl 19:1-4). E tenho a revelação especial, direta, que é a Palavra de Deus. E por essa Palavra tenho a certeza de que escolhi muito bem minha cosmovisão, pois as duas revelações não entram em contradição e apontam para o Criador.

segunda-feira, janeiro 14, 2019

Terraplanistas fretam cruzeiro para ir até a beirada da Terra

A Conferência Internacional da Terra Plana (FEIC, na sigla em inglês) decidiu fretar um navio de cruzeiro no ano que vem com o absurdo propósito de chegar aos limites da Terra. Segundo uma parte dos seguidores dessa corrente, que defende que a Terra não é esférica, o planeta acaba num muro de gelo que nos separa do espaço exterior, aonde pretendem chegar nesse cruzeiro. Será “a maior, mais audaz e melhor aventura já feita”, alardeia o site da organização. A FEIC anunciou o projeto em sua conferência anual, conforme noticiou o jornal britânico The Guardian. O ex-capitão naval Henk Keijer lembrou a esse jornal que todas as cartas náuticas e os sistemas de navegação foram desenvolvidos sob a premissa de que a Terra é esférica, a que navegação desse cruzeiro deverá ser “muito complicada” se a tripulação discordar disso.

“Os navios navegam baseando-se no princípio de que a Terra é redonda. As cartas náuticas são desenhadas com isso em mente: que a Terra é redonda”, recorda o ex-capitão, acrescentando que os navios usam “um moderno sistema de navegação que se chama ECDIS, que proporciona uma grande melhora na segurança da navegação”. A própria existência do GPS é outra prova de que a Terra é esférica, indica Keijer, já que o sistema se baseia em 24 satélites que orbitam a Terra. “Se fosse plana, três satélites seriam suficientes para proporcionar os dados”, argumenta.

Existem várias teorias entre os que acreditam que a Terra é plana, embora a principal, apresentada após “uma extensa experimentação, análise e investigação”, diz que a Terra é um disco gigante, com o polo norte no centro e rodeado de “um paredão de gelo: a Antártida”, segundo a sociedade terraplanista. “Até onde sabemos, ninguém conseguiu ir muito além do muro de gelo e voltou para contar. O que sabemos é que ele cerca a Terra, serve para conter os oceanos e ajuda a nos proteger do que possa haver além dele”, assegura a Flatpedia, a Wikipedia dos terraplanistas.

Os organizadores do cruzeiro advertem, portanto, que não garantem chegar ao muro, mas asseguram que os viajantes encontrarão “evidências” suficientes para dar a viagem como proveitosa. Além de navegar na beira do precipício, os terraplanistas poderão desfrutar de restaurantes e piscinas de ondas aptas para a prática do surfe. Não foi informado o custo de fretar o cruzeiro nem os preços dos camarotes. Questionada a respeito pelo The Guardian, a FEIC não respondeu.

Para começar, a organização terá que encontrar uma tripulação que não acredite que a terra é esférica, uma missão altamente complicada, segundo Keijer. “Naveguei dois milhões de milhas, mais ou menos, e nunca encontrei um capitão de navio que acreditasse que a Terra é plana”, diz, do alto de seus 23 anos de experiência nos lemes.

Nos fóruns terraplanistas já foram publicadas fotos que “demonstram a existência desse muro”. Na verdade, são grandes lâminas de gelo ártico que, ao se desprenderem de forma cada vez mais frequente devido ao aquecimento global, deixam grandes cortes verticais que se assemelham a muralhas.

A Sociedade da Terra Plana afirma que “as agências espaciais do mundo” conspiraram para falsificar “a viagem espacial e a exploração”. “Provavelmente começou durante a Guerra Fria. A URSS e os Estados Unidos estavam obcecados em serem os melhores quanto a chegar ao espaço, a tal ponto que cada um fingia seus feitos numa tentativa de seguir o ritmo dos supostos feitos do rival”, afirmam.


sexta-feira, janeiro 11, 2019

Damares Alves é criticada por defender ensino do criacionismo

Uma nova polêmica foi criada em torno da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves: sua opinião a respeito da teoria da evolução. Nas imagens de uma entrevista concedida por ela em 2013, Damares responde sobre o papel da igreja evangélica na política e observa que os cristãos perderam influência nas escolas. “A igreja evangélica perdeu espaço na história. Nós perdemos o espaço na ciência quando deixamos a teoria da evolução entrar nas escolas, quando nós não questionamos. Quando nós não fomos ocupar a ciência. A igreja evangélica deixou a ciência para lá e ‘vamos deixar a ciência sozinha, caminhando sozinha’. E aí cientistas tomaram conta dessa área”, diz a ministra no vídeo. Em nota, o ministério informou que “a declaração ocorreu no contexto de uma exposição teológica que não tem qualquer relação com as políticas públicas que serão fomentadas” pela pasta.

A teoria da evolução, reconhecida por grande parte da comunidade científica, defende que, a partir de ancestrais comuns, os seres humanos e outros tipos de vida sofrem mudanças evolutivas de uma geração para outra. No entanto, ela ainda é questionada por muitos cientistas, como o físico Adauto Lourenço, mestre em Física pela Clemson University (EUA). Ele apresenta evidências científicas que desmentem a tese defendida pelos evolucionistas.

“O problema é que o que sabemos hoje de seleção natural está ligado à quantidade de informação genética que um organismo tem. Para que a seleção natural ocorra, algo deve se transformar em outra coisa. Mas a informação genética disponível não faz com que ‘isso’ se transforme ‘naquilo’”, disse Lourenço em entrevista ao Guiame.

“Vamos pegar um exemplo prático: a boa pata de um réptil. Vamos imaginar que essa boa pata iria evoluir e, lá na frente, esse animal se tornaria uma ave. Para que essa boa pata se transforme em uma boa asa, no meio [do processo] ela não seria nem uma boa pata, nem uma boa asa. A seleção natural faria com que isso deixasse de existir. A seleção natural é um mecanismo que impede o processo evolutivo; exatamente o contrário daquilo que muitos acreditavam”, esclarece.

Lourenço lembra que o naturalista Charles Darwin, quando escreveu seu livro, disse que o maior problema com sua teoria é que não havia evidências de evolução. “A quantidade de evidências mostrando que a evolução nunca aconteceu, no registro fóssil, na genética, na biologia, nos processos naturais, é esmagadora. Continua sendo ensinado aquele mecanismo de forçar a pessoa a aceitar por intimidação. Hoje um aluno não pode mais dizer que não concorda com isso”, observa. [...]

O mestre em ciências Everton Alves, membro da Sociedade Brasileira do Design Inteligente e da Sociedade Criacionista Brasileira, disse ao Guiame que as evidências que comprovam o criacionismo são muitas, mas elas não são divulgadas pela mídia.

“A ciência, ano após ano, vem comprovando todo o relato bíblico, principalmente quanto à literalidade do livro de Gênesis, se formos tratar de Adão e Eva, Noé e sua família ou até mesmo do episódio do Dilúvio. Podemos ter dentro da própria Bíblia informações que atestam a veracidade desse primeiro livro”, Everton afirma.

Ele destaca que a veracidade da Bíblia está sendo comprovada principalmente na arqueologia. “A cada ano, vem sendo descoberta uma nova civilização, um túmulo ou objeto com nome de algum personagem que já estava descrito na Bíblia, sendo que antes eram considerados como mitológicos ou metafóricos”, explica.


Nota: Minha posição, assim como a da Sociedade Criacionista Brasileira, continua sendo pelo não ensino do criacionismo nas escolas públicas, não porque ele não merecesse ser ensinado ao lado da hipótese da evolução, mas porque o modelo seria distorcido ou mal explicado por professores que só conhecem (quando conhecem) o evolucionismo. Além disso, em um estado laico, não convém levar para as aulas de ciência e biologia uma estrutura conceitual que integra ciência e religião. Mas isso seria um grande problema? E o evolucionismo seria mesmo ciência pura? E se não, seria conveniente apresentá-lo como fato, verdade absoluta? Em outro post voltarei a essas três perguntas. Agora quero ponderar outro aspecto da celeuma.

O vídeo em que a ministra fala sobre o ensino da teoria da evolução é de cinco anos atrás e foi gravado em um contexto totalmente diferente do atual. É verdade que as palavras de Damares não têm aquele rigor científico nem filosófico, mas expressam uma opinião dela que, em partes, tem lá sua razão. Vejamos.

Ela disse: “Nós perdemos o espaço na ciência quando deixamos a teoria da evolução entrar nas escolas, quando nós não questionamos.” Damares tem razão. A ciência foi descoberta por homens de profunda convicção religiosa e fé na Bíblia Sagrada. Cientistas como Newton, Galileu, Pascal e outros nos legaram o pensamento científico e o harmonizavam bem com a religião. Faziam pesquisa científica para descobrir como Deus criou o Universo e a vida. Quando o darwinismo dominou o ambiente acadêmico, acabou impedindo a discussão ampla a respeito das origens. Os evolucionistas mais honestos e bem informados admitem que a teoria da evolução contém graves insuficiências epistêmicas e falha em responder muitas perguntas, mas procuram evitar esses questionamentos justamente para não dar espaço para a “hipótese concorrente”, o criacionismo. E por quê? Porque querem manter sua posição naturalista, dando as costas para tudo o que não pertença aos domínios do mundo dito natural.

Damares também fala em “questionamento”. E que mal há nisso? Não deveria ser justamente na universidade que o pluralismo de ideias teria que ser aceito e promovido? Não é papel da imprensa questionar e apresentar pelo menos duas faces de uma mesma história? Mas não. Ao tornar hegemônica e inquestionável a teoria da evolução, essas mesmas pessoas blindam esse modelo conceitual e o tornam inquestionável.

A ministra (que na época não era ministra) disse também: “A igreja evangélica deixou a ciência para lá e ‘vamos deixar a ciência sozinha, caminhando sozinha’. E aí cientistas tomaram conta dessa área.’” Bem, os cientistas têm mesmo que “tomar conta” dessa “área”. Mas que os evangélicos se distanciaram da ciência, isso é verdade. Essa atitude inclusive faz com que muitos cristãos abracem crendices, desprezem o estudo profundo das Escrituras Sagradas (deixando de lado, por exemplo, a arqueologia, a hermenêutica e a exegese, por exemplo) e digam verdadeiras asneiras quando o assunto é ciência (terraplanistas e militantes antivacinação que o digam...).

Só mais um detalhe: quando os presidentes anteriores indicavam algum ministro, quase ninguém se interessava pelo assunto, a não ser quando essa pessoa era citada em alguma investigação por corrupção. É interessante e positivo o recente interesse por política e pela vida das pessoas que estão sendo indicadas para cargos públicos, mas chega a ser hipocrisia ficar vasculhando vídeos e declarações antigos para tentar minar a autoridade e o currículo dessas recém-empossadas autoridades.

Em outro post vou analisar outros aspectos dessa polêmica. [MB]

quinta-feira, dezembro 27, 2018

A falta essencial


Lendo Platão, eu me recordo de que “a natureza humana é como um jarro rachado. Mal o enchemos, ele começa a se esvaziar”. Consequentemente, surge a carência, a mãe dos desejos dos mortais. Em cada vida existe uma falta significativa. Essa ausência fundamental constitui o dínamo de todas as buscas, a força que nos impele para a frente e nos leva à realização de atos nobres ou até absurdos e reprováveis. Perseguimos aquilo de que sentimos necessidade, não é mesmo? A humanidade, de todos os séculos, há de concordar comigo. Penso eu.

Do que o ser humano realmente precisa? As respostas multiplicam-se, conforme a carência nutrida. Para uns são as necessidades básicas – alimento, roupa, abrigo, etc. Ansiar tais coisas e exigi-las é legítimo. O clamor de milhões ecoa dia a dia pelo globo, como canção pungente – um réquiem prenunciador de morte –, rogando aos abastados o direito natural de possuir o fundamental para se viver. Privada dos bens de sobrevivência, a multidão padece à míngua, cercada, entretanto, de abundância. Na expressão apocalíptica, soa o apelo desses necessitados: “Quem tem ouvidos, ouça...” E quem tem coração ajude.

Outros não saberiam sobreviver sem coisas supérfluas, colocadas pela propaganda midiática como itens dos quais não se pode prescindir: celular, joias, carro novo, roupas “de marca”, e por aí vai. A lista prossegue ad infinitum... Muitos matam e morrem em razão de artigos perecíveis que “a traça rói e os ladrões roubam e minam”, consoante as palavras de Jesus Cristo. Ele também asseverou: “A vida de um homem não consiste na abundância de bens que possui.” A geração atual seria capaz de crucificá-Lo de novo, já que Sua incômoda afirmação choca-se frontalmente contra a era narcísica de consumismo voraz na qual nos encontramos.

De maneira perceptível, o consumidor pós-moderno, em seu estado crítico de carência, devora não só produtos, mas também informação, ideologias, tecnologia, ciência, filosofia e múltiplas espiritualidades. Ainda assim, permanece faminto, insatisfeito, um eterno glutão empanturrado de vazio. A realidade evidencia que o homem contemporâneo, imerso em seu conturbado processo histórico, assemelha-se ao mítico rei grego Erisícton. Somos acometidos de uma fome insaciável tanto pela matéria física quanto pelo material simbólico. Essa ânsia ameaçadoramente destrutiva, se não for controlada, tem o potencial de aniquilar o próprio eu.

Voltemos aos necessitados. Existem aqueles agrupados numa categoria sui generis, os quais não vivem sem o brilho do status. E o status assume variadas e disfarçadas feições: o mais inteligente, o mais poderoso, o mais influente, o mais conquistador, o mais bonito, o mais... Não devemos nos esquecer também dos indivíduos sob constante excitação e adrenalina. Prazeres, festas, luzes, sons e badalação, eis o alvo e referência desse grupo. Eu poderia inventariar outras classes de seres carentes; contudo, vou parar por aqui com mais uma afirmativa categórica de Jesus: “Filho, uma coisa te falta.” A carapuça que Sua declaração traz ajusta-se na cabeça de todos nós.
 
Entre inúmeras coisas importantes, pressinto a falta de uma que é suprema. Você, leitor, seria capaz de identificá-la em mim, em ti, em nós? Ai! A visão humana é tão míope, finita, embaçada, sempre desviando o olhar para outros elementos mais aparentes, mais atraentes, mais “necessários”. Eu vou lhe dizer em que consiste a falta essencial. Podemos classificá-la como um princípio latente, inconsciente, subjacente à estrutura do Homo sapiens (sapiens?). Não estranhe o eco (-ente) nos três adjetivos: enfatiza a insistência humana em querer ter sua carência basilar satisfeita.

A quintessência presente nas grandes almas não é algo além do alcance da frágil natureza humana. Está disponível a qualquer desejante em potencial, bastando apenas que se tenha boa vontade e decisão em adotá-la como princípio norteador da vida. Encontra-se por trás do silêncio; no inaudito diz tudo, mas também se revela nas palavras simples ou eloquentes. Esconde-se em ações pequenas e GRANDES e oculta-se à sombra de declarações corriqueiras e aparentemente envelhecidas pela banalidade dos superficiais. “Posso fazer algo por você? Eis aqui minha mão estendida”; “Choro com o seu sofrimento”; “Eu o entendo e o acolho, embora tenhamos diferenças”. Tais frases, entremeadas com a semântica da vida, afugentam o egoísmo natural que dá voltas em torno do próprio umbigo. Não se desgastam com o passar dos dias, não desaparecem diante das provas do quotidiano nem evaporam sob o calor massacrante da rotina; elas se renovam em cada enunciação e ação.

Apresento-lhe a falta essencial, a palavra-chave realçada e repetida, implícita ou explicitamente, neste texto: o amor, energia poderosa capaz de transformar o mais rígido e empedernido ser. Ele ultrapassa o sentimentalismo barato, indo além do discurso morto dos conceitos abstratos a fim de salvar a experiência humana do niilismo com seu abismo existencial. Em nossa contingência abissal, o amor é a corda lançada no poço sem fundo para de lá resgatar quem está caindo. Ou no pensamento que só a pessoa encharcada de poesia poderia expressar: “Tudo que sabemos do amor é que o amor é tudo que existe. É o tudo e o nada, o momento que passa e o infinito que fica, a transfiguração dos mundos.”

Na percepção de quem ama, a Terra vem saindo de sua “órbita” porque a força da gravidade do amor enfraqueceu-se, deixando de exercer controle sobre nós. Estranhamente, no planeta da abundância falta o tudo. Apesar de tal constatação desanimadora, em sinal de esperança e resgate da vida, o amor, sempre aqui conosco, paira sobre cada ser necessitado, oferecendo plenitude, querendo resgatar o sentido trans-histórico ofuscado e deixado para trás. Sendo o poder mantenedor do equilíbrio universal, como palavra na boca dos humanos, o amor, todavia, constitui um grande problema de interpretação. Talvez por isso ele se apresente simples e complexo, perfeito e imperfeito, ambivalente. Uma coisa é certa, porém: sem amor perde-se o espírito comunicativo e desponta a carência do bom, do belo, do que dizer.

Quando o epílogo de tudo um dia chegar, o amor permanecerá como o “amém do Universo”, a palavra final, pois estamos informados mediante as reveladoras declarações inspiradas de que, ao término do grande conflito da vida, com a extinção do pecado – o opositor do amor –, o Universo inteiro será purificado. Nesse cenário de nova realidade, “uma única palpitação de harmonioso júbilo vibra por toda a vasta criação. DAquele que tudo criou emanam vida, luz e alegria por todos os domínios do espaço infinito. Desde o minúsculo átomo até ao maior dos mundos, todas as coisas, animadas e inanimadas, em sua serena beleza e perfeito gozo, declaram que Deus é amor”.

O amor – a alma do mundo – configura-se no caminho mais excelente e seguro a percorrer, sendo a prova da ligação do homem com o Transcendente. Somos capazes de viver sem muitas coisas, exceto sem o amor. Não se pode existir sem o desiderato da vida. Tem carência dele, caro leitor? O mundo inteiro tem.

Frank de Souza Mangabeira

Anel de dois mil anos ajuda a comprovar veracidade dos evangelhos


Pôncio Pilatos é, sem dúvida, um dos oficiais romanos mais conhecidos no mundo, especialmente por ter sido responsável pela sentença de morte de Jesus Cristo. Além dos relatos descritos nos Evangelhos, pouco se sabe sobre ele. A maioria das informações existentes referentes a ele provém do trabalho dos antigos historiadores Flávio Josefo e de Tácito.[1, 3] Nesse sentido, devido à escassez de documentos que comprovassem sua existência, para os céticos esse personagem que “lavou as mãos” não passava de lenda cristã.[1] Entretanto, no fim de novembro, a mídia internacional divulgou uma descoberta inesperada, especialmente no mundo arqueológico:[1] foi decifrada a inscrição de um artefato histórico que pode comprovar a existência desse procurador romano, ligado à morte de Jesus de Nazaré. Um intrigante anel de liga de cobre com dois mil anos de idade, com a inscrição “de Pilatus”, é indicado como o segundo artefato que atesta a historicidade do Pôncio Pilatos mencionado nas Escrituras.[4] Descoberto há 50 anos pelo arqueólogo israelense Gideon Förster, que liderou uma escavação na Colina do Herodion, a leste de Belém, o anel foi negligenciado até recentemente, quando o atual diretor de escavações Roi Porat solicitou que o artefato recebesse uma limpeza adequada e um olhar diferenciado. Através de câmeras especiais, com melhores recursos tecnológicos, o anel revelou seu segredo: além da imagem de um krater (vaso para armazenar vinho), pôde-se perceber a inscrição do nome Πιλᾶτο (Pilato) escrito em grego.[2, 3] A análise científica do anel foi publicada em 29 de novembro, no célebre Israel Exploration Journal.[2]

Existem ainda algumas especulações quanto à ligação do anel de vedação à figura de Pilatos, devido ao fato de o artefato ser de cobre e não de ouro, como era esperado, em virtude da posição hierárquica de Pilatos, mas, mesmo diante desse questionamento, o próprio Porat indica outra perspectiva: “E se, talvez, Pilatos tivesse um anel de ouro para tarefas cerimoniais e um simples anel de cobre para uso diário?” Os especialistas também avaliam a possibilidade de o anel ter sido usado por um membro da corte de Pilatos para assinar documentos em seu nome, como uma espécie de carimbo oficial.[2]

É importante salientar que “Pilatos” não era um nome comum na província da Judeia. “Eu não conheço nenhum outro Pilatos da época, e o anel mostra que ele era uma pessoa de estatura e riqueza”, diz o professor Danny Schwartz, da Universidade Hebraica.[4] Outro ponto importante é que o selo inscrito indica status de cavalaria na sociedade romana, levando os historiadores a acreditar que o anel realmente pertencia ao Pôncio Pilatos bíblico.[1, 2, 4] Na época em que Jesus foi crucificado, Pilatos era o “prefeito” romano da Judeia, o quinto da linha hierárquica, tendo respaldo legal para sentenciar penas de morte, como no caso de Jesus, que foi executado em seu governo.[2, 4]

Outro fator que também reforça a conexão do anel com a figura do governador romano bíblico está no local onde o anel foi encontrado. Sabe-se que ele usou os antigos palácios de Herodes, como suas próprias residências em Cesareia e em Jerusalém, portanto, há fortes razões para acreditar que o palácio de Herodes em Herodium tenha sido usado como centro administrativo romano.[3] 

A repercussão dessas informações também foi forte no Brasil, tendo destaque no programa “Fantástico” do domingo, dia 23. Mas, afinal, o que torna a descoberta do significado das escritas desse anel tão importante? Esse novo fato corrobora outros dados encontrados anteriormente, como a  Pedra de Pilatos, descoberta em 1961 nas escavações em Cesareia, relatos do historiador Josefo e a própria Bíblia, indicando que havia de fato um governador romano na Judeia, na época de Jesus, chamado Pilatos.[2]

Nota: Apesar das muitas evidências arqueológicas encontradas que relacionam fatos históricos mencionados na Bíblia, a veracidade das Escrituras Sagradas ainda é contestada por muitos céticos. A confirmação da existência de Pilatos é, de fato, extraordinária porque, por meio dessa informação, pode-se constatar a autenticidade dos Evangelhos bíblicos, bem como a existência de seus personagens. Esse simples anel de cobre, outrora esquecido, é responsável por dar credibilidade à existência do personagem principal de toda a Bíblia Sagrada, e autor de toda a vida: nosso Senhor Jesus Cristo. Resta o sentimento de que esse seja somente o primeiro capítulo das muitas descobertas que virão intensificar a concepção de que ciência e fé estão intrinsecamente conectadas, e que por meio das Escrituras podem-se obter não apenas genuínos dados históricos, mas também informações imprescindíveis à compreensão da origem da vida na Terra e da existência do plano de salvação.

(Liziane Nunes Conrad Costa é presidente do Núcleo Cascavelense da SCB [Nuvel-SCB], bacharel e licenciada em Ciências Biológicas com ênfase em Biotecnologia [UNIPAR], especialista em Morfofisiologia Animal [UFLA] e mestranda em Biociências e Saúde [UNIOESTE])

Referências:
2.Shua Amorai-Stark, Malka Hershkovitz, Gideon Foerster, Yakov Kalman, Rachel Chachy, and Roi Porat, “An Inscribed Copper-Alloy Finger Ring from Herodium Depicting a Krater,” Israel Exploration Journal 68:2 (2018), p. 217.

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Norte-americano cruza a Antártica a pé pela primeira vez na História


Um aventureiro norte-americano completou nesta quarta-feira (26) uma travessia inédita da Antártica. Colin O’Brady, de 33 anos, atravessou o continente sozinho e a pé, sem qualquer tipo de assistência – o primeiro na história a cumprir a tarefa. O norte-americano demorou 54 dias para percorrer 1,6 mil quilômetros. O aventureiro tinha a posição definida por um GPS, e podia ser conferida diariamente em seu site na Internet, colinobrady.com. O’Brady partiu em 3 de novembro, junto com o militar britânico Louis Rudd, de 49 anos, da geleira Union, na Antártica. Os dois competiram para ver quem conseguia completar a façanha de cruzar a pé, só e sem ajuda o continente gelado.

Em 1996-97, um explorador norueguês, chamado Borge Ousland, atravessou pela primeira vez a Antártica sozinho, mas recebeu ajuda de terceiros, sendo impulsionado com velas ao longo de sua travessia. O’Brady e Rudd, por sua vez, usaram somente trenós, chamados pulks, que pesam 180 quilos. O’Brady chegou ao Pólo Sul em 12 de dezembro. E, nesta quarta-feira (26), chegou à meta, no ponto Ross Ice Shelf do Oceano Pacífico, após percorrer um total de 1.482 km. Rudd está atrás, a um ou dois dias de distância do rival.

O’Brady percorreu os últimos 125 km em 32 horas após decidir, enquanto tomava o café da manhã, fazer a última etapa de uma vez. “Enquanto fervia a água para preparar meu café da manhã, uma pergunta aparentemente impossível surgiu na minha mente”, escreveu O’Brady no Instagram. “Me perguntei: seria possível fazer o caminho que me resta até a meta de uma só vez? Enquanto amarrava as botas, o plano impossível tinha se tornado um objetivo consolidado”, disse. “Vou fazer um esforço e tentar percorrer os quilômetros que me faltam de uma vez.”

O jornal The New York Times descreveu o esforço de O’Brady como um dos “feitos mais notáveis da história polar”, à altura da “corrida para conquistar o Pólo Sul”, do norueguês Roald Amundsen e do inglês Robert Falcon Scott em 1911.

Em 2016, um oficial do Exército inglês, o tenente-coronel Henry Worsley, tentou realizar a mesma proeza, mas morreu buscando terminar a travessia sem assistência.


Nota: Pois é... O Pólo Sul não é uma barreira de gelo circundando a hipotética Terra plana. Mas os terraplanistas vão dizer mais uma vez que é tudo mentira. [MB]


quarta-feira, dezembro 19, 2018

Dinosaur Research Project: pesquisa criacionista inovadora

O projeto intitulado Dinosaur Research Project é realizado na formação Lance, dentro do rancho da família Hanson em Wyoming. O sítio Hanson possui uma das camadas de fósseis de dinossauros mais ricas do mundo, com dimensão de cerca de um metro de espessura que se estende por muitos quilômetros quadrados, com milhares de fósseis já escavados. Inicialmente, o dono do rancho, o senhor Hanson, contatou um grupo de pesquisa evolucionista em Paleontologia para que fosse conhecer a formação rica em fósseis. O grupo se interessou e pediu um arrendamento das terras por meio de um contrato de 99 anos. Porém, o Sr. Hanson percebeu que os alunos estavam sendo ensinados apenas por meio de uma perspectiva evolucionista. Incomodado, ele propôs uma cláusula no contrato de que aos alunos fosse ensinada também a perspectiva criacionista.

O grupo não aceitou, a parceria foi concluída e o grupo deixou pichado na parede de um galpão, antes de sair, o seguinte: “Este é o ultimo dia em que a ciência verdadeira está sendo feita no rancho Hanson.” Em seguida, o dono do rancho entrou em contato com o Institute for Creation Research (ICR), que enviou os paleontólogos de vertebrados Dr. Lee Spencer e a sumidade Dr. Kurt Wise. A estação de pesquisa Hanson foi então configurada como uma organização sem fins lucrativos, com um conselho consultivo para garantir que a maior qualidade de pesquisa paleontológica fosse mantida.

No entanto, a ICR não conseguiu dar continuidade às escavações no local e entrou em contato com o geólogo e paleontólogo Dr. Arthur Chadwick, da Southern Adventist University que, juntamente com o Dr. Lee Spencer, elaboraram uma proposta de pesquisa sobre Tafonomia dos fósseis, que foi aprovada pela diretoria da estação de pesquisa Hanson, e então nasceu o Dinosaur Research Project.

Temporadas de escavações e suas descobertas

Em junho de 1997, quando começaram as primeiras escavações anuais com alunos, professores e outros voluntários, foram escavados cerca de cem fósseis por temporada. De lá pra cá, já são mais de cem voluntários que escavam cerca de mil fósseis por temporada.

Em 2015, já passavam de 15 mil fósseis escavados. Em especial, ali foram descobertos fósseis de ossos e dentes desarticulados do Cretáceo superior, de dinossauros como Tiranossauro rex, Edmontossauro, Triceratops, misturados com fósseis de outros animais, como jacarés, crocodilos, tubarões, raias e plantas. Também foram descobertos alguns fósseis muito raros de Nanotyrannus e um dos maiores fêmures já descobertos na América do Norte de outros terópodes. Ademais, encontrou-se a fúrcula de um pequeno raptor.

Tecnologia utilizada

A fim de preservar o maior número de dados possíveis, o grupo de pesquisa criacionista, liderado pelo paleontólogo adventista Dr. Arthur Chadwick, decidiu que faria algo a mais em relação ao que os outros paleontólogos já haviam feito até aquele momento, em termos de controle de dados. Passaram a utilizar, então, uma tecnologia própria que usa alta resolução de GPS para mapear cada osso encontrado, de acordo com as posições exatas, e usando também o Geographical Information System (GIS), em que as imagens fotografadas em 3D são integradas com os pontos reais para facilitar a recuperação de todos os dados e reconstruir a formação do jeito que os ossos realmente estavam no chão (veja a imagem abaixo)


Um dos pontos que torna esse projeto único e de última geração é a tecnologia de ponta desenvolvida pelo astrofísico Dr. Larry Turner especialmente para esse trabalho, a fim de que fosse o método ideal a ser usado para mapear os fósseis. Essa tecnologia de alta precisão chamada “GPS Rover” passou a ser usada oficialmente no ano 2000, três anos após o início do projeto, tornando o grupo de pesquisa pioneiro em pesquisa de GPS e visualização das peças em 3D podendo o catálogo de fósseis inclusive ser consultado online por meio da base web de dados da estação de pesquisa Hanson por paleontólogos de qualquer lugar do mundo.

Em 2004, o Dr. Arthur Chadwick e o Dr. Turner foram convidados para uma escavação arqueológica na Jordânia, durante a qual eles ajudaram a implantar essa técnica inovadora e pioneira no campo da Arqueologia. Essa técnica foi publicada e apresentada na forma de artigos, pôsteres e resumos na Sociedade de Paleontologia de Vertebrados e na Sociedade Americana de Geologia.

Atualmente, ela é usada também por esses profissionais, tornando-se um padrão nesse campo. Isso faz com que aquela ideia de que “criacionistas não fazem boa ciência” caia por terra diante do desafio à inovação nesse projeto bem-sucedido. Parece que aquela frase deixada na parede do rancho por um grupo de pesquisa evolucionista de que ali não mais seria feita “ciência verdadeira” foi uma falácia diante do novo padrão estabelecido de excelência no campo fóssil em Tafonomia geológica e paleontológica, estratigrafia e sedimentologia.

Hoje a Southern Adventist University é referência nessa área. Devido à importância de suas pesquisas, o Dr. Arthur Chadwick chegou a ser entrevistado no documentário Is Genesis History? Caso você tenha interesse em fazer escavações de dinossauros em alguma temporada anual em Wyoming, basta acessar o site do Dinosaur Research Project. Quer saber mais sobre a história e as descobertas feitas por meio desse projeto? Leia a matéria intitulada “DiscoveringDinosaurs”. Para mais informações, assista aos vídeos abaixo:




Everton Fernando Alves é mestre em Ciências (Imunogenética) e autor dos livros Revisitando as Origens e Teoria do Design Inteligente.