segunda-feira, dezembro 22, 2014

Deus e a história de dois soldados

Com o casal Jorge e Ide Malty
Na última sexta-feira, tive o privilégio de conhecer o pracinha (ex-combatente brasileiro na Segunda Guerra Mundial) Jorge Levy Malty, um simpático senhor de 92 anos, perfeitamente lúcido e bem saudável. Fui até a casa dele, em Gaspar (perto de Blumenau, SC), e passei quase duas horas ouvindo as histórias dele. Malty nasceu em 1923, no município de São José, SC. Passou a infância no bairro Estreito e, como o pai (um dos fundadores da Igreja Adventista Central de Florianópolis), trabalhou nos Correios. Com 18 anos, ele decidiu participar de um concurso para um cargo melhor na empresa, mas precisava da carteira de reservista. Foi até o batalhão, alistou-se e não voltou mais para casa. Era o ano de 1942 e o Brasil havia declarado guerra contra a Alemanha, devido aos ataques injustificados de submarinos alemães contra barcos comerciais brasileiros. Malty ficou um ano e quatro meses na Itália, e participou de muitas batalhas, inclusive da famosa batalha de Monte Castelo. Praticamente perdeu a fé que havia tido na infância e na juventude. “A guerra embrutece”, disse-me ele. A única lembrança da experiência com Deus que ele havia tido se resumia a uma Bíblia que a mãe havia colocado entre seus pertences e às poucas orações que ele fazia pedindo para não morrer.

Quando voltou da guerra, Malty começou outra batalha, dessa vez contra os vícios do álcool e do cigarro, e contra os pesadelos e os muitos traumas que passou a carregar e que o atormentaram por vários anos. Longe de Deus, a vida começou a mudar mesmo com o nascimento do filho Jorge Malty Júnior. Maltynho não tinha um rim e sofreu com insuficiência renal por muito tempo. Foi ele que começou a levar a família de volta para Deus e para a religião dos avós. Com 16 anos, Maltynho faleceu com a certeza de que iria se encontrar com seu Salvador. E sua vida tocou a do pai. Malty, o soldado cansado, entendeu que somente em Deus encontraria paz. E na década de 1980, pediu para ser batizado. Os pesadelos nunca mais o atormentaram e ele sentiu o poder curador do perdão de Deus. De lá para cá, leu a Bíblia mais de 40 vezes, e seu maior sonho é poder um dia colocar aos pés de Jesus todas as medalhas que ganhou como soldado na Segunda Guerra Mundial.

A história de Jorge Levy Malty (que é irmão do criador da revista Nosso Amiguinho) tem muitos outros detalhes interessantes. É uma verdadeira inspiração e rende, sem dúvida, um bom livro. Dei-me conta de que havia arranjado mais trabalho para as férias (rsrs).

Ontem, meu sogro me convidou para visitar um policial militar aposentado que mora no mesmo bairro dele, a Barra do Aririú, em Palhoça. Fomos até a casa do senhor João e pude ouvir parte da história dele. Depois de viver distante de qualquer religião, ele começou uma busca pelo caminho de Deus. Visitou algumas igrejas. Leu alguma coisa. Mas ficou feliz mesmo foi de ouvir os sermões do Pr. Luís Gonçalves e outros pregadores adventistas, na rádio Novo Tempo. Identificou-se com a mensagem adventista e nos disse que “essa igreja ensina o que está na Bíblia”, o que, para ele, é o mais importante. Foi então que decidiu pedir uma visita ao meu sogro. Na casa dele, oramos pela família e o convidei para ir à igreja adventista do bairro, no culto daquela noite. Ele aceitou de pronto. Às 20h, ele estava lá, sentado com a esposa e a filhinha. No início do sermão, contei rapidamente a história do Sr. Malty, sabendo que João se identificaria com o soldado de Gaspar, pois também está em busca de paz. No fim do culto, fiz um apelo e João foi à frente, com a família. Ele vai começar um estudo bíblico com meu sogro.

A história do Sr. Malty e do Sr. João, ambos militares aposentados que carregam cicatrizes das batalhas que enfrentaram, me mostra que nunca é tarde para alguém entregar a vida a Deus, Aquele que é capaz de curar as feridas da vida e trazer a verdadeira paz.

Você já conhece esse Deus?

Michelson Borges

domingo, dezembro 21, 2014

Isaac & Charles: casal no espaço

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Robô da Nasa identifica “arrotos” de metano em Marte

Muito barulho e pouca evidência
[Os comentários entre colchetes são do estudante de química Hilton Bastos.] O robô Curiosity – criado pela Nasa para explorar a superfície de Marte – identificou metano [o gás metano - CH4 - é o hidrocarboneto mais simples; um átomo de carbono e quatro de hidrogênio] no planeta “vizinho” à Terra, o que poderia ser um sinal de vida  por lá no passado ou mesmo no presente. [Puxa, legal! Uma molécula de um gás que pode vir de fontes não biológicas e já existe vida em Marte!] O robô detectou a presença constante de níveis bastante baixos do gás, mas também registrou “picos” de concentração bem mais elevada. O fato de existir metano em Marte é intrigante porque, na Terra, 95% desse gás vem de organismos microbiais, como bactérias. Pesquisadores também levantaram a hipótese de que a presença dessas moléculas em Marte possa ser um sinal de existência de vida no planeta. [Basta um pouco de metano, que fontes não biológicas também produzem, para despertar hipóteses de vida em outro planeta. Animação mais que justificada! rs]

A equipe do Curiosity não conseguiu identificar de onde vinha exatamente o metano encontrado, mas a maior probabilidade é de que tenha vindo dos estoques subterrâneos que são periodicamente vasculhados pelo robô. O cientista do projeto Sushil Atreya disse que era possível que os chamados hidratos de metano estivessem envolvidos.

“Essas coisas são como gaiolas moleculares de água-gelo, onde o gás metano está aprisionado. De vez em quando, essas moléculas poderiam ser desestabilizadas, talvez por alguma tensão mecânica ou térmica, e o gás metano seria liberado para encontrar o seu caminho através de fendas ou fissuras na rocha para entrar na atmosfera”, explicou o professor da Universidade de Michigan à BBC News.

A questão que ainda permanece no ar é como o metano teria chegado às reservas de hidrato. Pode ter vindo de micro-organismos; pode também ter vindo de um processo natural, como reações químicas decorrentes da interação de água com alguns tipos de formações rochosas [como disse, o metano é uma substância formada por moléculas simples; basta água interagir com uma rocha que contém olivina, 
um mineral presente no planeta vermelho em quantidade significativa, e pronto, metano será formado por meio de reações químicas que envolvem dióxido de carbono e hidrogênio, também presentes em Marte. Quanto à água, acredita-se que o nosso vizinho possua água subterrânea]. Até o momento, tudo é especulação. Mas pelo menos o Curiosity já identificou o gás. [Ah! Que alívio! O dinheiro não foi jogado fora.]

O fato de o robô ter demorado para detectar o gás - que já vinha sendo observado por satélites em órbita em Marte e por telescópios na Terra - causou um certo estranhamento. O Curiosity se encontra em uma cratera na superfície de Marte chamada Cratera Gale. Ele tem sugado o ar de Marte para investigar seus componentes desde que aterrissou no planeta, em agosto de 2012. Para gases que têm concentrações muito baixas na atmosfera, o robô utiliza uma técnica especial que expele a molécula mais abundante – dióxido de carbono – antes de analisar a amostra. Isso tem o efeito de enriquecer e ampliar qualquer resíduo químico.

E ao fazer isso com o metano, o Curiosity descobriu que há uma presença constante de algo perto de 0,7 parte de bilhão por volume (ppbv). [Isso significa que o volume é muito pouco, comparado com o da Terra.] “O pano de fundo sugere que há cerca de 5.000 toneladas de metano na atmosfera”, disse o Dr. Chris Webster, do Jet Propulsion Laboratory da Nasa, que liderou a investigação. “Você pode comparar isso com a Terra, onde há cerca de 500 milhões de toneladas. A concentração aqui na Terra é de cerca de 1.800 ppbv.”

Os picos de metano detectados pelo Curiosity ocorreram em quatro ocasiões durante no curso de um período de dois meses. Eles variaram entre cerca de 7 e 9 partes de bilhão por volume. É provável, segundo a equipe, que o gás esteja sendo liberado em um lugar relativamente perto do robô, seja no interior da cratera [eis um local por onde o gás pode estar escapando do subterrâneo] ou do lado de fora. A estação climática do Curiosity sugere que o gás está vindo do norte, na direção da borda da cratera.

Uma forma de investigar se o metano de Marte tem origem biológica ou geológica seria estudar os tipos, ou isótopos, de átomos de carbono no gás. [Nada confirmado, só especulado, e as fontes geológicas podem produzir metano, como já vimos.] Na Terra, a vida favorece uma versão mais leve do elemento (carbono-12) sobre uma mais pesada (carbono-13). Uma proporção alta de C-12 em relação a C-13 em rochas antigas da Terra foi interpretada como prova de que existia atividade biológica no nosso mundo quatro bilhões de anos atrás. [Segundo a cronologia evolucionista.]

Se os cientistas descobrirem provas similares em Marte, seria surpreendente. Mas, infelizmente, os volumes de metano detectados pelo Curiosity são simplesmente pequenos demais para fazer esse tipo de experimento. “Se tivéssemos enriquecido nossa amostra durante um dos picos, poderíamos ter tido uma chance de examinar esses isótopos”, explicou o Dr. Paul Mahaffy, investigador-chefe de Análise de Superfície do Curiosity em Marte (SAM). “Eu acho que ainda há alguma esperança. Se o metano voltar, e pudermos enriquecê-lo, vamos certamente estar tentando.” [Você não acha que tem coisa melhor para fazer do que apostar em uma hipótese que parece furada?]

Outra grande descoberta do Curiosity é que o robô também confirmou a existência de compostos orgânicos (ricos em carbono) em amostras de rochas. [Compostos orgânicos são formados por carbono. Estranho seria se compostos formados por carbono só existissem na Terra.] É a primeira vez que são identificados elementos orgânicos em materiais da superfície do Planeta Vermelho. O robô encontrou evidências de clorobenzeno em um pedaço de rocha pulverizada extraído de um lamito (tipo de rocha sedimentar) apelidado de Cumberland.

Clorobenzeno é um anel de carbono com cinco átomos de hidrogênio e um átomo de cloro ligados. A equipe não consegue ter certeza se o elemento químico estava especificamente presente no Cumberland ou se foi produzido durante o aquecimento na análise. Mas mesmo que seja o último caso, os cientistas parecem confiantes de que a molécula seria, no mínimo, derivada de estruturas de carbono maiores que as que estavam no local. [Quanta especulação!]

Mais uma vez, os cientistas estão interessados em confirmar a existência de tais produtos orgânicos porque a vida como a conhecemos só pode existir onde há capacidade de troca de moléculas de carbono. [Sim, é verdade. No entanto, não é tão simples (carbono e pronto, a vida surgiu), pelo contrário, a vida é tão complexa que até hoje ninguém sabe como ela “surgiu”. O que existe por aí são só teorias, e só. Nada confirmado.]

Se elas não estão presentes, então não poderá haver biologia. No entanto, assim como com a identificação do metano, isso por si só não é um indício automático de vida em Marte, agora ou no passado, porque há uma abundância de processos abióticos [quer dizer, sem vida] que irá produzir estruturas de carbono complexas também. [Então, por que tanta animação e tanta divulgação? Só para causar alvoroço nas pessoas de que há vida extraterrestre?]

“É um grande dia para nós - é uma espécie de coroamento de 10 anos de trabalho duro -, em que relatamos que há metano na atmosfera e também existem moléculas orgânicas em abundância sob a subsuperfície”, comentou o cientista do projeto Curiosity John Grotzinger. [Realmente, estou muito animado, existe metano em Marte!]


Note: Conforme destacou o amigo Hilton, tudo nessa pesquisa e nesse texto é muito especulativo e baseado em evidências mínimas, no entanto, para justificar uma década de (muito) investimento, os pesquisadores, apoiados pela mídia sensacionalista, sempre procuram sugerir que existem prováveis evidências de vida em Marte. Mas até agora nada de vida lá. Note o sensacionalismo já no título dessa matéria da BBC, que preservei na postagem: "Robô da Nasa identifica 'arrotos' de metano em Marte". Seres vivos é que arrotam. E na cabeça no povo fica a ideia de que já encontraram sinais inequívocos de vida no planeta vermelho. Quanta irresponsabilidade! [MB]

sexta-feira, dezembro 19, 2014

Num berço de palha, dormia...

"Ele" ainda nasce assim
Nesta época do ano, as pessoas gostam de recontar a história do casal pobre que buscou um lugarzinho para dormir em Belém, na Judeia, mas só encontrou portas fechadas e estalagens lotadas. A esposa do carpinteiro estava prestes a dar à luz um menino, mas nem isso pareceu sensibilizar os moradores daquela cidadezinha agitada pelo recenseamento romano. Até que foi cedida a José e Maria uma estalagem para que pudessem passar a noite com um mínimo de conforto, pelo menos abrigados do relento e do frio. E foi lá, na companhia de animais, que nasceu o Salvador do mundo, o Rei do Universo em forma humana. Pouca gente sabia do milagre tremendo que estava acontecendo naquela noite especial. A maioria dos moradores da cidade dormia indiferente aos eventos grandiosos previstos nas profecias, séculos antes. E o Criador do Universo foi colocado numa manjedoura. Aquele que Se assentava num trono de ouro foi envolto em panos e colocado em um “berço” improvisado, uma manjedoura forrada com palha. Em cada Natal, em milhões de lares, essa história é relembrada com festa, muita comida, troca de presentes e estatuazinhas em presépios. Mas, de certa forma, essa história continua se repetindo bem debaixo do nosso nariz. Veja só o que escreveu minha sobrinha [Ester Borges Nunes], no Facebook:

“Nos últimos meses, chegaram em massa haitianos e africanos em Criciúma, SC, em busca de emprego [só para lembrar, o Haiti é aquele país que foi devastado por um terremoto em 2010]. Alguns concordam com a permanência deles aqui, outros não. Concordando ou não, cabe a nós, criciumenses, acolhê-los da melhor forma possível na nossa cidade, assim como acolheríamos qualquer pessoa que aqui chegasse, em minha opinião. Essas pessoas no geral estão de peito aberto e felizes pelas oportunidades de emprego que estão encontrando por aqui. Minha mãe conhece um casal de haitianos que vai ter um bebê na próxima semana (ele está trabalhando na pintura do Hospital São José e ela vai procurar emprego após ganhar o bebê) e que, mesmo tendo muito pouco, agradece a todos pelo pouco que tem recebido de doações. Hoje mesmo minha mãe foi à casa deles e viu a situação extrema do berço de vime e do carrinho de bebê que eles receberam de doação, praticamente inutilizáveis, e decidiu comprar esses dois itens para dar para o casal. Ela está aceitando doações para fazer uma ‘vaquinha’ e comprar esses itens. Deixo aqui o apelo para que, quem puder ajudar, com o mínimo que for, seja com dinheiro (posso passar a conta da minha mãe), ou com algum item que tenha, que ajude. Quem puder me chame inbox ou mesmo deixe um comentário aqui. Acho que é uma ótima maneira de terminar o ano!”

E minha irmã, Michela Borges Nunes, escreveu:

“Amigos do Face, conheço um casal [adventista] do Haiti que ganhará um bebê agora próximo do Natal. Eles não têm berço ainda e ganharam um carrinho de bebê enferrujado e rasgado. Estou pensando em comprar os dois itens no bom negócio e mais um colchãozinho, e peço ajuda através de uma ‘vaquinha’ para que possamos ajudar esse casal necessitado. Posso passar minha conta por inbox e mantenho todos informados. Abraços!”

Aí está uma ótima oportunidade (entre tantas) de manifestar o verdadeiro “espírito do Natal”.

Se você tem Facebook, é só clicar aqui. Se não, envie-me um e-mail através do “Contato”, aí no menu do blog, que eu encaminho para minha irmã. Muito obrigado!

Michelson Borges

Espiritualidade ateísta: a nova moda

Grande esforço para negar o óbvio
[A propósito da entrevista com o ateu militante Sam Harris, publicada no site da revista Veja, o amigo Frank Mangabeira escreveu o texto as seguir para este blog.] Se um ateu, um agnóstico ou qualquer pessoa indiferente a assuntos religiosos pudesse fazer uma oração, talvez seria esta: “Deus, que Tu existas!” É a impressão que me vem à mente neste clima de “morte de Deus”, tão hegemônico na academia e nos círculos intelectuais ateus. Foi também a sensação que tive ao ler O Espírito do Ateísmo, do filósofo André Comte-Sponville – pequena obra em que o conhecido autor discorre acerca de uma espiritualidade não religiosa, uma “mística ateia”. Essa é a nova proposta de “transcendência” que surge como um tipo de consolação amenizadora da cinzenta e fria visão de mundo propugnada pelo “espírito do ateísmo”. Satisfaz? É a pergunta. Acho meio difícil. Que os ateus (como o radical Sam Harris e cia, ou os mais “espiritualizados” e tolerantes, à maneira de Sponville e Alain de Botton) o digam. A prova da experiência terá a palavra final.

Conforme o conceito de Rahner, “em cada ser humano existe uma carência pelo existencial sobrenatural e esse é o princípio fenomenológico da fé. Nessa concepção, há um vazio com a forma de Deus no coração dos seres humanos. Quando esse vazio não é preenchido por Ele, a tendência é preenchê-lo com elementos alternativos que não satisfazem cabalmente a necessidade humana”. Ou na expressão do escritor russo Dostoievski: “O homem não pode viver sem se ajoelhar. Não o poderia suportar. Ninguém seria capaz disso. Se rejeita Deus, ajoelhar-se-á diante de um ídolo de lenho ou de ouro, ou um ídolo imaginário.”

O Homo sapiens, essencialmente Homo religiosus, parece sentir “saudades” do Ser, ao mesmo tempo em que foge dEle. Como diria uma amiga filósofa: “Eu acho graça dos ateus que buscam sentido para suas reflexões na repetição deste mantra: ‘Deus não existe.’ Eles são semelhantes à criança que, no final do passeio no parque, no meio da multidão, larga a mão do pai; e ao ser questionada por outro adulto: ‘Cadê seu pai?’, ela mente dizendo: ‘Estou só.’ No entanto, não consegue se entregar às brincadeiras, pois perde tempo se esgueirando para não se encontrar com o pai, ao mesmo tempo em que tem medo de perdê-lo de vista para não ficar realmente só.”

A meu ver, ateísmo nada mais é do que uma fuga do Absoluto sobrenatural, mas, ao mesmo tempo, uma forma estranha de não se fugir dele. As afirmações enfáticas sobre a inexistência de Deus não são mais do que sintomas dessa maneira paradoxal de buscá-Lo, negando-O. Os ateus, por meio da transcendência da consciência, deveriam reconhecer nessa “voz” a presença ignorada de Deus. Alguns já reconheceram; outros continuam lutando contra, largando a mão do Pai.

“DEle fugi, noites e dias adentro;
 DEle fugi, pelos arcos dos anos;
 DEle fugi, pelos caminhos dos labirintos
 De minha própria mente; e no meio de lágrimas
 DEle me ocultei, e sob riso incessante.
 Por sobre esperanças panorâmicas corri;
 E lancei-me, precipitado,
 Para baixo de titânicas trevas de temores abissais,
 Para longe daqueles fortes Pés que seguiam, seguiam após mim.
 Mas com desapressada perseguição,
 E com inabalável ritmo,
 Deliberada velocidade, majestosa urgência,
 Eles marcavam os passos – e uma Voz insistia
 Mais urgente que os Pés –
 ‘Todas as coisas traem a ti, que traíste a Mim.’
[...]
Meu Deus, Tu não sabes
O quão pouco digno de qualquer amor Tu és!
A quem encontrarás que Te ame, ignóbil,
Salva-me, salva só a mim?
[...]
Tudo o que tirei de ti, obstante tirei,
Não por tuas injúrias,
Mas para que tão somente pudesses buscá-lo em Meus
braços...
Levanta-te, segura a Minha mão, e vem!

(Francis Thompson)

quarta-feira, dezembro 17, 2014

Papa intermedeia acordo histórico EUA-Cuba

Papel importante do Vaticano
Os presidentes Barack Obama e Raúl Castro anunciaram nesta quarta-feira (17) o restabelecimento das relações dos Estados Unidos com Cuba. Obama confirmou que Cuba libertou nesta quarta o prisioneiro americano Alan Gross e, em troca, três agentes de inteligência cubanos que estavam presos nos Estados Unidos voltaram à ilha. O presidente norte-americano anunciou algumas medidas que deverão restabelecer a relação entre os EUA e a ilha. Ele disse que espera um debate sério do Congresso norte-americano para que levante o embargo a Cuba. Obama disse que a normalização das relações com Cuba encerram uma “abordagem antiquada” da política externa americana. Ao justificar a decisão, o presidente disse que a política “rígida” dos EUA em relação a Cuba nas últimas décadas teve pequeno impacto. [...]

Segundo Obama, o papa Francisco [sempre ele...] teve papel importante na negociação, pressionando pela libertação do americano Alan Gross. Raúl Castro também mencionou a participação do Vaticano nas negociações, e agradeceu o apoio do papa Francisco para “ajudar a melhorar as relações entre Cuba e os EUA”. Ele também agradeceu ao Canadá pelo apoio logístico.

(G1 Notícias)

Nota: A influência e o poder político do papa Francisco crescem numa velocidade espantosa. Se ele conseguiu motivar o reatamento de uma relação que não existia fazia mais de 50 anos, de que mais não será capaz? Quem deixará de ouvi-lo, quando tratar de outros temas relevantes para o mundo? Pelo menos Cuba (comunista) e os Estados Unidos (capitalistas) terão uma eterna dívida com ele. E creio que ela será cobrada com juros, num futuro próximo. [MB]

Leia também: "O milagre de Francisco"

segunda-feira, dezembro 15, 2014

“Êxodo”: mais um filme bíblico antibíblico

Moisés e a maré baixa
“Êxodo: Deuses e Reis”, o filme do diretor Ridley Scott, que chega aos cinemas brasileiros em 25 de dezembro, vai mostrar, é claro, o mais famoso de todos os milagres bíblicos: a travessia do Mar Vermelho. Mas sua representação será bem diferente daquela feita no clássico “Os Dez Mandamentos”, de Cecil B. DeMille. No filme de 1956, Charlton Heston, que fez o papel de Moisés, divide o mar em duas grandes muralhas de água, entre as quais os filhos de Israel cruzam o leito seco do mar até a praia oposta. O exército do faraó persegue os fugitivos e acaba sendo engolido pelo mar, quando Moisés faz um sinal para as águas se fecharem novamente. Scott disse que sua nova versão da história terá uma explicação mais realista e natural sobre o que aconteceu e não dependerá de Moisés para pedir a intervenção miraculosa de Deus. O diretor decidiu que as águas se “abrirão” em consequência de um tsunami provocado por um terremoto. Antes de um tsunami ser deflagrado, as águas costeiras geralmente recuam, deixando o leito do mar praticamente seco até a onda gigante chegar.

Mas há problemas com essa versão da história também. O tempo em que as águas recuam antes da chegada de um tsunami geralmente dura apenas 10 ou 20 minutos, muito pouco para que todos os filhos de Israel cruzassem o leito temporariamente seco. E também não haveria jeito de Moisés saber que um terremoto e um tsunami iriam acontecer, a menos que Deus contasse a ele. Nesse caso, porém, a história manteria algum elemento milagroso.

Há uma explicação natural muito melhor de como uma passagem através do Mar Vermelho pode ter ocorrido. Essa teoria envolve a maré, fenômeno natural que poderia ter se encaixado perfeitamente no plano de Moisés, porque ele seria capaz de prever sua ocorrência.

Em certos lugares do mundo, a maré pode deixar o leito do mar seco durante horas e depois voltar com ímpeto. De fato, em 1798, Napoleão Bonaparte e um pequeno grupo de soldados a cavalo cruzaram o Golfo de Suez, na ponta norte do Mar Vermelho, quase no mesmo local onde Moisés e os hebreus teriam atravessado. Numa extensão de mais de um quilômetro de águas baixas, a maré voltou repentinamente, quase afogando Napoleão e seus soldados.

Na versão bíblica, os filhos de Israel estavam acampados na costa ocidental do Golfo de Suez quando avistaram as nuvens de poeira geradas pelas bigas do Faraó. Os hebreus estavam encurralados entre o exército do Faraó e o Mar Vermelho. Por outro lado, as nuvens de poeira foram provavelmente um sinal importante para Moisés, que pôde calcular quanto tempo o exército levaria para chegar à praia.

Na infância, Moisés havia vivido no deserto próximo e sabia onde as caravanas atravessavam o Mar Vermelho na maré baixa. Ele conhecia o céu noturno e os métodos antigos de prever a maré, baseado na localização da lua e sua fase. O faraó, ao contrário, vivia ao longo do Rio Nilo, que é conectado ao Mar Mediterrâneo, onde praticamente não há marés. Assim, o exército faraônico provavelmente tinha pouco conhecimento das marés do Mar Vermelho e de seus perigos.

Com o conhecimento das marés, Moisés pôde planejar a fuga dos hebreus. Ao escolher a lua cheia para a fuga, ele sabia que a maré baixa seria maior e o leito do mar ficaria seco por mais tempo, dando tempo para os hebreus atravessarem. A maré alta também seria maior, podendo mais facilmente submergir o exército do faraó.

O cálculo do tempo foi crucial. O último hebreu tinha que cruzar o leito seco antes de a maré voltar, atraindo o exército do faraó para o leito exposto do mar, onde eles se afogariam quando as águas da maré voltassem. Se as bigas chegassem antes de a maré voltar, Moisés teria planejado alguma maneira de retardá-las. Se o exército chegasse depois de a maré ter voltado, ele teria atravessado os hebreus e depois, na próxima maré baixa, enviado alguns de seus melhores homens através do leito seco para atrair as bigas do faraó. [...]


Nota: Uau! Se essa é a explicação natural, me soou bem milagrosa! Quase mais que o relato bíblico. Em primeiro lugar, é bom lembrar que não foi Moisés quem escolheu o dia de os hebreus deixarem o Egito. O faraó é quem os deixou ir, depois de ter o filho primogênito morto. Interessante que Scott aceita tudo o mais que o relato Bíblico conta (será que vai mencionar que existem provas arqueológicas das pragas ou vai dizer que também são mito?), menos o relato da travessia milagrosa. O Êxodo foi um evento sobrenatural em si. Os poderosos egípcios jamais deixariam um povo escravo humilhá-los e abandonar suas terras, deixando o reino desprovido de mão-de-obra útil. Como se já não bastasse o estrago do filme “Noé”, que não tinha nada de bíblico, mas fez de conta que tinha para atrair cristãos incautos e curiosos em geral (confira aqui), agora vem mais essa peça hollywoodiana querendo reler a história bíblica, causando mais distorção. E sempre na época no Natal, valendo-se do oportunismo de sempre. Curiosamente, quando hollywood produz algum filme baseado em quadrinhos ou em literatura e se distancia das fontes originais, um monte de gente reclama. Mas, quando certos roteiristas e produtores resolvem distorcer a Bíblia, os defensores dessa "arte" dizem que é só entretenimento. [MB]

O verdadeiro presente

domingo, dezembro 14, 2014

Isaac & Charles: pulador de cerca

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Carl Sagan e o design inteligente


Placa enviada ao espaço na Pioneer 10
Carl Sagan teria dito: Não é possível convencer um crente de coisa alguma, pois suas crenças não se baseiam em evidências; baseiam-se numa profunda necessidade de acreditar.” Mas o próprio Carl Sagan tinha a necessidade de crer que só poderia acreditar em evidências e, mesmo assim, não acreditava nas suas próprias evidências. Nos anos 1970, enviou uma “imagem” ao espaço. Ela continha um casal humano e o sistema solar. Foi feita com 1.271 bits de informação. Sagan dizia que quem a encontrasse “saberia que aquela imagem havia sido feita por alguém inteligente, pois demonstrava que fora planejada e executada”. Não era possível que uma imagem como aquela não tivesse um construtor (Hebreus 3:4). Então, aquela simples imagem mostrava que havia um criador que a havia feito. No entanto, ele achava que o ser humano não havia sido criado por Deus. Se aquela simples imagem de 1.271 bits de informação exigiu um criador, que dizer do ser humano, com muitos milhões de bits em suas células? (confira) O ser humano é um projeto muito mais complexo. Muito mais elaborado. Portanto, a imagem exige um criador e o ser humano não? Ele queria acreditar que não.

Assim, a frase de Sagan poderia ser corrigida e ficaria assim: “Não é possível convencer um cético da existência de Deus, pois suas crenças não se baseiam em evidências lógicas, defendidas por eles próprios.” Eles dizem que os religiosos “acham”, “creem” e “querem acreditar”, mas eles fazem a mesma coisa e não se baseiam em evidências. Parece que “coam o mosquito e engolem o camelo”, como Jesus disse em Mateus 23:24. Ou seja, “coam” (ou não aceitam) Deus e a Bíblia, por considerá-los “besteira”, mas “engolem” (ou aceitam) besteira muito maior, como a existência de algo ou de alguém sem que tenha havido um Criador que os tenha feito (Hebreus 3:4).

(Pergres, Antineoateísmo, no Facebook)

O átomo de hidrogênio, a distância de 14 pulsares e o sistema solar
A sonda Pioneer 10 foi lançada no dia 2 de março de 1972

sábado, dezembro 13, 2014

Cachorros vão para o Céu? Para o papa, sim

A Bíblia nada diz sobre o destino deles
É fato que praticamente tudo o que o sai da boca do líder da Igreja Católica vira tópico para longos debates. Ainda mais quando uma figura popular como a do papa Francisco é quem está diante dos fiéis, sem medo de tocar em temas tabus. Imagine então o alvoroço causado por uma fala de Francisco envolvendo animais? A fala fez parte de uma recente catequese na Praça de São Pedro, na qual Francisco falou: “É bom pensar no Céu. Todos nos encontraremos lá, todos. [...] A Sagrada Escritura nos ensina que o cumprimento desse projeto maravilhoso não pode deixar de abranger tudo o que está ao nosso redor e que saiu do pensamento e do coração de Deus. O apóstolo Paulo afirma isso de forma explícita, quando diz que ‘também ela (a criação) será libertada do cativeiro da corrupção, para participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus’.”

O pontífice falou ainda da renovação do universo e ressaltou: “Não se trata de aniquilar o cosmos e tudo o que nos circunda, mas de levar todas as coisas à sua plenitude de ser, de verdade e de beleza.” O jornal Corriere della Sera destacou que as palavras do pontífice “ampliaram a esperança de salvação e beatitude escatológica dos animais e de toda a criação”.

O resultado pôde logo ser verificado nas associações de defesa dos animais. “Minha caixa de mensagens ficou lotada”, disse ao jornal The New York Times Christine Gutleben, diretora da Sociedade Humana, maior grupo de proteção animal dos Estados Unidos. “Quase imediatamente, todo mundo estava falando sobre isso.”

Charles Camosy, professor de ética cristã da Universidade Fordham, em Nova York, considera difícil saber com precisão o que Francisco quis dizer, uma vez que ele falou “em linguagem pastoral que não é realmente feita para ser dissecada por acadêmicos”. No entanto, questionado se as palavras do sumo pontífice haviam provocado debate sobre se os animais têm ou não têm alma e vão ou não vão para o Céu, respondeu sem relutar: “Com certeza.”

Contudo, teólogos advertiram para a animação em torno da fala de Francisco. “Todos nós dizemos que haverá uma continuidade entre este mundo e um mais alegre no futuro, mas também uma transformação”, disse ao jornal britânico The Guardian Gianni Colzani, professor emérito de teologia na Pontifícia Universidade Urbaniana, em Roma. “O equilíbrio entre as duas coisas é que nós não estamos em condição de determinar. Por esta razão, eu acho que nós não devemos fazer o papa dizer mais do que ele disse.”

Corriere lembra que o tema é recorrente na Igreja Católica, e que o papa Paulo VI teria consolado um menino pela morte de seu cachorro dizendo que “um dia, vamos rever nossos animais na eternidade de Cristo”. Por outro lado, o papa Bento XVI disse em uma homilia em 2007 que “em outras criaturas que não são chamadas à eternidade, a morte significa apenas o fim da vida sobre a Terra”.

O debate também envolve certa dose de oportunismo, com Sarah Withrow, diretora da organização pró-animais Peta, dizendo que as palavras de Francisco podem influenciar os hábitos de consumo dos católicos. “Eu não sou uma historiadora católica, mas o mote da Peta é que os animais não são nossos, e os cristãos concordam com isso. Os animais não são nossos, são de Deus”, disse ao NYT.

Dave Warner, porta-voz do Conselho Nacional de Produtores de Suínos, rebateu: “Como aconteceu com outras coisas que o papa Francisco disse, seus comentários recentes sobre todos os animais irem para o Céu foram mal interpretados. Eles certamente não significam que abater e comer animais é pecado.”

(Veja.com)

Nota: (1) É impressionante como qualquer declaração do papa Francisco tem o poder de girar o mundo quase instantaneamente e gerar discussão; imagine quando ele começar a falar mais abertamente sobre a guarda do domingo e contra os que ele considera fundamentalistas...; (2) o papa disse: “É bom pensar no Céu. Todos nos encontraremos lá, todos.” Com essas palavras, ele parece anular a necessidade de um Salvador e minimizar o problema do pecado. A Bíblia é clara em afirmar que “todo aquele que nEle [em Jesus] crer será salvo” (João 3:16), e que muitos ficarão fora do Céu por livre e espontânea vontade. Todos aqueles que desejarem e aceitarem os termos de Deus estarão no Céu; (3) a discussão enveredou para a questão: Animais têm ou não têm alma? A Bíblia é clara em dizer que tanto os seres humanos quanto os animais são alma e não têm alma; que tanto seres humanos (Gênesis 2:7) quanto animais (Gênesis 1:30; 6:17; 7:15,22) têm o sopro da vida. A diferença fundamental entre seres humanos e animais é que o homem é feito à imagem e semelhança da Deus (Gênesis 1: 26, 27) e possui espiritualidade. Assim, mais uma vez, a declaração papal levou a discussão para longe da Bíblia e para perto do espiritualismo; (4) a Bíblia afirma que na Nova Terra haverá, sim, animais, chegando a mencionar o lobo, o leão, o cordeiro e serpentes. Mas nada diz sobre a ressurreição de animais de estimação. Nem o papa nem ninguém pode ir além do que as Escrituras revelam e afirmar que nossos animaizinhos estarão ou não lá. No entanto, tenho minha “teoria”, que se trata apenas de uma opinião: para Jesus, devolver à vida o animalzinho de estimação de uma pessoa salva, em resposta ao pedido dela, não seria dificuldade alguma. Assim, resta-nos chegar lá para saber se isso será possível, e confiar na justiça e na bondade de Deus; (5) finalmente, quanto à declaração do porta-voz dos produtores de suínos, é lógico que eles se defenderão dizendo que matar animais para comer não é pecado, mas será que é necessário em todos os lugares e para todas as pessoas? Ou se trata apenas (no caso da maioria das pessoas) da satisfação de um mero prazer gastronômico? [MB]

Leia também: “Amigo animal”

CORREÇÃO: Na verdade, conforme apontou o jornal USA Today (confira), a história não foi bem como está escrita aí em cima. Foi uma "barrigada" do The New York Times, reproduzida por vários outros jornais, incluindo a revista Veja e este blog. Mas as minhas opiniões expressas na nota acima não mudam por isso. [MB]

sexta-feira, dezembro 12, 2014

As várias formas de estupro

Deputada Maria do Rosário
Nada, absolutamente nada justifica as palavras grosseiras ditas pelo deputado Jair Bolsonaro para a deputada Maria do Rosário. Bolsonaro afirmou em discurso no plenário da Câmara na terça (9) que só não a estupraria porque ela “não merece”. Isso é ridículo e, sem dúvida, caracteriza quebra de decoro parlamentar, humano e de qualquer tipo. Diferenças ideológicas não podem ser tratadas nesse nível. Nenhuma mulher merece ser estuprada! Nenhuma mulher merece ouvir palavras desse nível. Mas há um detalhe interessante e sórdido nisso tudo: a desproporção das reações ao absurdo. Veja só: (1) ex-assessor de Gleise Hoffmann foi condenado por estupro (silêncio da esquerda); Lula falou que tentou estuprar um colega de prisão na cadeia, alegando-se depois se tratar de brincadeira (silêncio da esquerda); Paulo Ghiraldelli falou que Rachel Sheherazade deveria ser estuprada (silêncio da esquerda). Mas no caso Bolsonaro-Rosário o estardalhaço foi e está sendo grande. Todos esses casos mereciam ser tratados com o devido rigor. Com essas coisas não se brinca!

Mudando de assunto (para depois fazer a relação de uma coisa com a outra), Maria do Rosário está entre os nomes da lista de doações de campanha da Engevix, apreendida pela PF na sede da empreiteira, em São Paulo. Ou seja, faz parte da polêmica operação Lava Jato. É corrupção. E corrupção é, também, um tipo de “estupro”. Com sua atitude, os corruptos estupram o país. Atrapalham seu desenvolvimento. Impedem que preciosos e suados reais sejam investidos em educação, saúde, saneamento, etc. Com o desvio de verbas (especialmente as públicas), pessoas sofrem. Menos merenda vai para as escolas. menos escolas são construídas. Menos leitos são disponibilizados nos hospitais. Pessoas têm seus direitos “estuprados”, espezinhados.

Quando é que o sujo vai parar de atirar pedra no mal lavado? Só quando toda sujeira deixar de existir...

Michelson Borges

Sexo oral é a maior causa de câncer de garganta

Colhendo as consequências
O tabaco, substância presente no cigarro, e o consumo de bebidas alcoólicas sempre foram apontados como um dos principais fatores para desenvolvimento de câncer na região da garganta. Pois agora cientistas afirmam que o sexo oral ocupa o topo da lista entre os comportamentos de risco. Pesquisa realizada pela Universidade do Estado de Ohio, nos Estados Unidos, descobriu que o vírus HPV atualmente é a principal causa da doença em pessoas com menos de 50 anos. O papiloma vírus humano pode provocar lesões de pele ou em mucosas. Existem mais de 200 variações com menores e maiores graus de perigo. Um deles é o causador de verrugas no colo do útero, consideradas lesões pré-cancerosas.Homens com mais de 50 anos costumavam ser as principais vítimas do câncer de garganta. Principalmente aqueles com histórico de fumo e consumo de bebida alcoólica. Mas o problema tem crescido em faixas etárias mais baixas, e dobrou nos últimos 20 anos nos Estados Unidos em homens com menos de 50 anos, devido ao vírus.

Outros países como Inglaterra e Suécia também identificaram aumento da doença devido ao HPV. Na Suécia, apenas 25% dos casos tinham relação com o vírus na década de 1970 e, agora, o índice chega a 90%, de acordo com uma das pesquisadoras, a professora Maura Gillison.

Segundo ela, alguém infectado com o tipo de vírus associado ao câncer de garganta tem 14 vezes mais chances de desenvolver a doença. “O fator de risco aumenta de acordo com o número de parceiros sexuais e especialmente com aqueles com quem se praticou sexo oral”, afirmou a pesquisadora.

Os resultados do levantamento vão ao encontro de outros já feitos sobre o mesmo tema, como o realizado pela Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos. Realizado no ano passado, o estudo apontou que pessoas que tiveram mais do que seis parceiros com quem praticaram sexo oral tinham nove vezes mais chances de desenvolver câncer de garganta. Nos que já haviam tido algum tipo de infecção provocada pelo HPV, o risco subia para 32 vezes.

Os médicos que realizaram o levantamento sugeriram que homens também sejam vacinados contra o vírus, como é recomendado para as mulheres. Em países como Inglaterra, meninas de 12 e 13 anos recebem a vacina contra HPV e, segundo dados, previne até 90% dos casos de infecções.

No Brasil, há dois tipos de vacinas disponíveis, contra os tipos mais comuns de câncer do colo do útero, mas o governo alerta que não há evidência suficiente da eficácia da vacina, o que só poderá ser observado depois de décadas de acompanhamento. O governo também recomenda a prática de sexo seguro como a melhor maneira de se prevenir.


Nota: Independentemente de se concordar ou não com o sexo oral, uma coisa fica mais uma vez certa: o sexo antes e fora do casamento expõe a pessoa a muitos riscos que seriam evitados caso se seguisse a prescrição bíblica para a sexualidade humana – essa, sim, garantia de verdadeiro sexo seguro. Se homens e mulheres se mantivessem castos até o casamento, não haveria riscos de contaminação com DSTs. Infelizmente, essa parece ser uma realidade cada vez mais utópica neste mundo libertino. E cada vez mais pessoas colhem os péssimos frutos de suas escolhas (i)morais. [MB]