segunda-feira, setembro 18, 2017

Equívocos e conceitos mal compreendidos

Na controvérsia entre evolução e criação, que muitos tendem a pensar, equivocadamente, como sendo uma controvérsia entre ciência e religião, conceitos mal compreendidos costumam confundir e prejudicar os argumentos de ambos os lados desse debate. Em vista disso, tomei algum tempo procurando esclarecer alguns desses conceitos que costumam ser obstáculos para o bom entendimento das questões envolvidas nesse tipo de discussão.

Existem alguns conceitos que parecem mal compreendidos por diferentes pessoas, independentemente do grau de instrução. É o caso do entendimento de “definição” como significando a mesma coisa que “caracterização”. Alguns confundem evolução com melhoria; outros, origem da vida com origem das espécies, ou como fazendo parte da Teoria da Evolução. É comum tomarem-se conclusões oriundas de um estudo ou de consenso acadêmico como sendo ciência, e matemática como sendo uma linguagem, algo que foi inventado pela raça humana. E é bastante generalizada a convicção de que crença no sobrenatural implica em misticismo.

1. Definição vs. caracterização. É importante estabelecer a diferença entre definição e caracterização, pois a confusão entre esses dois termos pode levar a outros equívocos na compreensão de temas importantes. É bastante comum a confusão entre definição e caracterização, mesmo em meios acadêmicos. Um exemplo é o de “definição” de vida. A maioria das definições parte de características de seres vivos encontrados no planeta Terra. O problema de procurar definir vida a partir de características (caracterização), tais como capacidade de se reproduzir, sistema químico autossustentável, etc., é que dessa forma se acaba perdendo a essência das coisas. Definição é definir, definir é delimitar, diferenciar de todo o resto.[1, 2, 3]

Existem pelo menos dois problemas que podem ocorrer quando caracterizações são assumidas como sendo definições. Um deles é o de coisas que não pertencem à definição estarem incluídas na caracterização. Exemplo: cristais se reproduzem e não são seres vivos. O outro é o de coisas que deveriam estar incluídas na definição, mas que, pela caracterização, acabam sendo excluídas. Exemplo: um ser vivo que não fosse feito de um sistema químico como o nosso, que fosse de outro planeta e funcionasse de outra forma. Definições precisam abstrair características e extrair o que delimita a natureza essencial do que está definindo. Não existe um meio mais preciso de se definir coisas do que se utilizar de definições matemáticas, pois isso permite que se tenha consciência clara do que pode ou não pode estar incluído na definição. E possibilita a exploração de conexões lógicas e consequências não triviais que frequentemente ultrapassam os domínios das abordagens qualitativas.

2. Evolução significa melhoria? Um argumento muito frequente entre criacionistas, principalmente, é o de que a teoria de Darwin, de evolução das espécies, refere-se a um progresso que envolve melhoria dos seres vivos e de que o que constatamos, na prática, é uma degradação dos seres vivos no nosso planeta.

De forma geral, partindo-se das definições, nem “progresso” nem “evolução” significam necessariamente melhoria. Progresso pode simplesmente significar um avanço em direção a um objetivo. Evolução seria um processo de mudança ao longo do tempo.[4, 5]

Não é precisa a ideia de que a Teoria da Evolução de Darwin, ou a Síntese Evolutiva Moderna (Neodarwinismo), prediz uma gradual melhoria das espécies. Ela apenas prevê mudanças graduais ao longo do tempo. Se essas mudanças permitem ao organismo estar mais adaptado ao seu ambiente, ou são neutras, serão mantidas pelo mecanismo de seleção natural. Isso significa que essa melhor adaptação ou neutralidade pode mudar com o tempo quando o ambiente se modificar.

3. Origem das espécies e origem da vida. Darwin escreveu sobre a origem das espécies, ou seja, como os diferentes organismos teriam surgido a partir de modificações lentas e graduais em organismos primitivos que teriam se originado a partir de um único ancestral comum. Ele não chegou a escrever sobre a origem da vida, embora tenha mencionado alguma coisa a respeito em correspondência pessoal.
Os estudos sobre origem da vida dizem respeito ao que teria ocorrido antes do surgimento do ancestral comum. Que tipos de processos químicos, físicos e geológicos teriam dado origem às moléculas orgânicas que compõem os atuais seres vivos.

4. Matemática é uma linguagem? Uma linguagem é um conjunto de símbolos munido de regras sintáticas que permitem combinar símbolos básicos para representar significados complexos. A matemática, por sua vez, vai muito além disso. Um dos fatos que deixa isso muito claro é que se podem usar inúmeras linguagens para representar as mesmas estruturas matemáticas. Um exemplo disso é a aritmética com os números e suas operações sendo representados por linguagens diferentes em diferentes culturas. Além disso, linguagem é apenas um dos assuntos tratados pela matemática.

Linguagens foram desenvolvidas ou concebidas por seres humanos, mas se o mesmo fosse verdade com relação à matemática, então ela seria algo mágico, já que suas estruturas podem prever coisas que acabam sendo encontradas na realidade física. Como foi o caso da descoberta de novas geometrias pelo matemático Bernhard Riemann, na década de 1850, que vieram a ser justamente as ferramentas apropriadas para Einstein na Teoria da Relatividade Geral, em 1915. E o caso do espaço de Hilbert que implicava em fenômenos surpreendentes do mundo quântico que foram confirmados experimentalmente (antimatéria, emaranhado quântico, “princípio” da exclusão de Pauli, princípio da incerteza, tunelamento quântico, etc.). Para citar apenas dois exemplos dentre muitos.

A matemática fornece métodos específicos o suficiente para prever em detalhes fenômenos previamente desconhecidos, como os exemplos citados anteriormente. Por outro lado, esses mesmos métodos nos falam de coisas além do universo. Se esses métodos falam de coisas além do universo, eles são mais gerais do que a física deste universo.

5. Ciência. Já escrevi anteriormente sobre como ocorreu a descoberta da ciência, portanto, aqui pretendo resumir alguns dos pontos já tratados.

Vimos que pioneiros da ciência como Galileu, Da Vinci e Newton, por exemplo, acreditavam que o que define ciência são métodos matemáticos. E a própria Enciclopédia Britânica reconhece que o que alavancou todas as áreas de conhecimento foi a descoberta do Cálculo por Newton.[6]

O protocolo comumente chamado de método científico (observação, formulação de uma hipótese, experimentação, interpretação dos resultados e conclusão) não foi o que ocasionou a Revolução Científica nos séculos 17 e 18, pois, de forma ainda incipiente, esse método já era utilizado por Aristóteles.

Então, embora pessoas possam empregar a palavra “ciência” para se referir ao protocolo citado acima ou a áreas do conhecimento (física, química, biologia, etc.), conclusões de cientistas, estudos sendo realizados, entre outras coisas, foram as ferramentas matemáticas utilizadas por diferentes pesquisadores que fizeram a diferença em termos da explosão de conhecimento. Em termos de definição mais útil, a de que ciência é um conjunto infinito de métodos matemáticos que podem ser utilizados para estudar qualquer assunto é a que melhor resume o que faz a diferença.

6. Crença no sobrenatural vs. misticismo. A palavra “misticismo” vem da palavra grega μυω, com o sentido de “manter em segredo ou encobrir”. E a palavra μυστικός (místico) significa segredo.[6, 7] No mundo helenístico ela se referia a rituais religiosos secretos. A experiência mística teria a ver com “intuição” ou “insight”, uma crença sem uma base sólida.[8] A crença no sobrenatural é incluída, por muitos, entre as coisas místicas. No entanto, a palavra sobrenatural significa apenas “além da natureza” ou “não sujeito a explicação de acordo com as leis naturais”.[9]

Quero ressaltar que existem coisas que estão além da natureza e que não se encaixam na não explicação de acordo com as leis naturais. Esse é exatamente o caso da matemática, por exemplo, que é mais geral do que a física deste universo (além da natureza), mas que é indicada pelas leis naturais. Neste caso, a matemática seria sobrenatural, mas não mística.

A existência do sobrenatural apenas aponta para uma realidade além do nosso universo conhecido. Por essa razão, comparar a crença em Deus com a crença em Papai Noel ou Coelhinho da Páscoa não é adequado. Assim como a pergunta: Se Deus criou tudo, quem criou Deus? Porque esse tipo de pergunta, relacionada a causas e efeitos, pressupõe uma estrutura de tempo e espaço que pertence ao domínio da física. Contudo, tempo, espaço e a nossa física surgiram, fora deles não se pode falar em causas e efeitos. Na realidade de Deus, nossa física é inadequada, mas não a matemática. É por isso que foi possível ao matemático Kurt Gödel provar seu teorema ontológico sobre a necessidade da existência de Deus. Outros matemáticos, mais recentemente, encontraram formas alternativas de confirmar esse teorema.[11,12]

Quando falamos em coisas místicas estamos nos referindo a coisas que não podem ser provadas como falsas nem verdadeiras; coisas que escapam à lógica. Com relação a Deus ocorre justamente o contrário: é a lógica (matemática) que nos mostra que Ele existe.

Por outro lado, a crença na não existência do sobrenatural leva ao misticismo ao tentarmos entender certos fatos. Por exemplo, se a Matemática não é algo transcendental, se é apenas uma construção do pensamento humano, então a constatação de que a Matemática permite prever fenômenos desconhecidos em seus detalhes finos induz à conclusão de que a mente humana tem poderes mágicos que permitem um incrível grau de acerto em adivinhações a respeito da existência de fenômenos desconhecidos e seus detalhes quantitativos finos, o que reflete um pensamento místico.

7. Conclusões. Equívocos ou má compreensão de conceitos pode complicar as discussões sobre temas relacionados à controvérsia Criacionismo x Evolucionismo.

O principal problema de se confundir caracterização com definição é o de excluirem-se coisas que deveriam estar incluídas na definição e incluirem-se coisas que deveriam estar excluídas. As caracterizações não costumam distinguir precisamente o que está sendo caracterizado de outras coisas que possuam características em comum nem prever outras coisas que partilham da mesma essência, mas não de todas as características.

O termo “evolução”, em seu uso corriqueiro, tem o sentido de melhoria, contudo, em relação à evolução das espécies, significa, resumidamente, modificações e maior ou menor adaptação ao ambiente. A expressão “origem das espécies” refere-se a esse tipo de evolução, enquanto origem da vida tem a ver com o surgimento das primeiras moléculas orgânicas que são básicas para a vida.

Matemática não pode ser considerada uma linguagem porque ela pode ser expressa por muitas linguagens diferentes com os mesmos significados. Ela é também muito mais geral do que a física (natureza) e, portanto, sobrenatural, mas não mística.

Rotineiramente pessoas usam a palavra “ciência” para se referir a muitas coisas diferentes, mas de todos esses usos o mais útil é o que implica na definição de que ciência é um conjunto infinito de métodos matemáticos que podem ser utilizados para estudar qualquer assunto. E isso porque esse tipo de definição posto em prática por pioneiros da ciência possibilitou o grande boom da Revolução Científica.

Embora seja comum acreditar-se que crença no sobrenatural e misticismo andem juntos, eles, na verdade, podem significar coisas opostas, com misticismo sendo ilógico, ao passo que algo sobrenatural como a matemática (e Deus) são essencialmente lógicos.

(Graça Lütz é bióloga e bioquímica)

Referências:
1. Diário Oficial. Definição. http://www.dicionarioinformal.com.br/defini%C3%A7%C3%A3o/; acessado em 11/09/2017
2. Dicionário Online de Português. Definir. https://www.dicio.com.br/definir/; acessado em 11/09/2017.
3. Merriam-Webster Dictionary. Definition. https://www.merriam-webster.com/dictionary/definition; acessado em 11/09/2017
4. The Free Dictionary. Progress. http://www.thefreedictionary.com/in+progress; acessado em 11/9/2017.
5. Collins Dictionary. Evolution. https://www.collinsdictionary.com/us/dictionary/english/evolution; acessado em 11/09/2017.
6. Williams, L. Pearce. History of Science. https://global.britannica.com/science/history-of-science; acessado em 18/10/2016.
7. Stanford Encyclopedia of Philosophy. Mysticism. https://plato.stanford.edu/entries/mysticism/; acessado em 11/09/2017.
8. Dicionário Grego Português online. Μυστικός. http://www.etranslator.ro/pt/dicionario-grego-portugues-online.php; acessado em 11/9/2017.
9. Merriam-Webster Dictionary. Mysticism. https://www.merriam-webster.com/dictionary/mysticism; acessado em 11/9/2017.
10. Vocabulary.com. Supernatural. https://www.vocabulary.com/dictionary/supernatural; acessado em 11/9/2017.
11. Benzmuller, C., Paleo, B.W. Automating Godel’s Ontological Proof of God’s Existence with Higher-order Automated Theorem Provers. http://page.mi.fu-berlin.de/cbenzmueller/papers/C40.pdf
12. Benzmuller, C., Weber, L., Paleo, B.W. Computer-Assisted Analysis of the Anderson-H’ajek Ontological Controversy. http://page.mi.fu-berlin.de/cbenzmueller/papers/J32.pdf

Núcleo de estudos criacionista será inaugurado em Blumenau, SC

Nos dias 6 e 7 de outubro será realizada na cidade de Blumenau, SC, a I Jornada Criacionista do Núcleo Blumenauense da Sociedade Criacionista Brasileira (NBLU-SCB). O evento tem o objetivo de fundar o terceiro núcleo de estudos da SCB e, assim, iniciar suas atividades de divulgação do criacionismo no estado de Santa Catarina. O criacionismo é uma interpretação alternativa da natureza a partir da cosmovisão bíblica nas discussões acadêmicas sobre a origem da vida. Serão dois dias de muita informação abertos a toda a comunidade, com palestras de cientistas e pesquisadores do Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira (Numar-SCB).

PALESTRAS
6/9 (19h30) – O Criador e o Método Científico
Com o Dr. Agrinaldo Jacinto do Nascimento Júnior, químico, professor do Instituto Federal do Paraná (IFPR) e diretor-presidente do Numar-SCB.
7/9 (9h30) – Um panorama sobre as atividades criacionistas no Brasil
Com o MSc. Everton Fernando Alves, cofundador e editor associado da Origem em Revista e diretor executivo do NBLU-SCB.
7/9 (10h30) – Evidências bíblicas do Dilúvio
Com o MSc. Everton Fernando Alves, mestre em Ciências e pós-graduando em Biotecnologia (Biologia Molecular, UEM) e rditor-chefe da Origem em Revista.
7/9 (16h) – Mitos sobre a evolução dos dinossauros
Com o MSc. Everton Fernando Alves.

MAIS SOBRE O EVENTO
O Simpósio está sendo organizado pelo Núcleo Blumenauense da Sociedade Criacionista Brasileira (NBLU-SCB) e conta com o apoio da Sociedade Criacionista Brasileira, com sede em Brasília, DF, e do Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira (Numar-SCB). O evento contará com certificação emitida pelo NBLU-SCB.

De acordo com o MSc. Emerson Lubitz, professor do Departamento de Engenharia Civil da FURB e diretor-presidente do NBLU-SCB, “a I Jornada Criacionista de Blumenau é o evento inaugural do recém-formado Núcleo Blumenauense da Sociedade Criacionista Brasileira (NBLU-SCB), criado por um grupo de entusiastas desse tema tão controverso quanto fascinante. Pretende-se, a partir desse começo, unir esforços a outros núcleos formados e em formação na obra de apontar a narrativa bíblica como fundamento real e preciso da origem da vida, enfatizando a atuação de um Ser de infinitas magnificência, sabedoria e excelência, que conhecemos simplesmente por Deus. A Ele daremos honra através de cada ação, cada palavra, cada esforço, enfim, nesta jornada que ora se inicia”.

INSCRIÇÕES:
As inscrições serão gratuitas (com certificação) e deverão ser feitas online através do seguinte link: https://goo.gl/GiJw6v
DATA: 6 e 7 de outubro
LOCAL: Espaço Vida & Saúde. Rua Gustavo Salinger, 500 – Bairro Itoupava Seca, Blumenau, SC.
Mais informações sobre o evento:
Alexandre Kretzschmar
47 99149-0208
alexandre.kretzschmar@gmail.com
Diretor executivo do NBLU-SCB

domingo, setembro 17, 2017

Parabéns, terraplanistas brasileiros! Vocês conseguiram!

“Globalista, Terraplanista ou neutro?” “Você consegue provar que a Terra é um globo, uma bola?” “Você tem conhecimento de que o Sol e a Lua estão próximos da nossa Terra e ‘dentro’ da nossa atmosfera (ou no firmamento) e são menores, bem menores que a Terra?” É com perguntas como essas que grupos brasileiros de “terraplanistas” – pessoas que acreditam que a Terra é plana – no Facebook avaliam a solicitação de entrada de um novo membro no fórum virtual. Na rede social, há pelo menos 30 grupos do tipo em português. Há também diversas páginas sobre o tema no Facebook – a maior delas, “A Terra é plana”, tem mais de 77 mil membros. Os terraplanistas também estão no YouTube, com vários canais dedicados a mostrar experimentos e discutir o que chamam de “falácias” dos “globalistas” – e versões alternativas para a explicação de fenômenos como fusos horários, estações e eclipses.

No fim de agosto, os movimentos que negam o formato em globo da Terra ficaram em evidência nos Estados Unidos por apontarem supostas “falhas” nas explicações sobre o eclipse solar total que percorreu 113 quilômetros, de costa a costa, no país. Apesar de discordâncias internas nesses grupos, em geral, os terraplanistas acreditam que a Terra é coberta pelo “firmamento”, em formato de domo; Sol e Lua fariam seus percursos dentro desse espaço, e seriam corpos muito menores do que acreditam os “globalistas”; já a Antártida ocuparia as bordas do disco da Terra.

Heliocentrismo (o fato de que o Sol está no centro do Sistema Solar e que os planetas giram em torno dele), a existência do espaço sideral e até mesmo de uma força invisível como a gravidade são questionados – só não “voaríamos” do solo por características dos corpos, como densidade, flutuabilidade e magnetismo. A gestão territorial internacional da Antártida, inclusive, seria uma prova, para os terraplanistas, de uma conspiração que impediria a revelação da “verdade”.

“O Tratado da Antártica é rigorosíssimo. Um turista não pode dormir na Antártica, por exemplo”, disse por telefone, em entrevista à BBC Brasil, o eletrotécnico Bruno Alves, de 37 anos, proprietário do canal no YouTube “Mistérios do Mundo” e presidente do Centro de Pesquisas Terra Plana Brasil. O grupo de pesquisas, criado recentemente, tem se reunido virtualmente, mas planeja um encontro offline em 2018 e expedições para fazer experimentos como os “testes de curvatura” – nos quais são usadas câmeras com alto grau de aproximação para “provar” que o horizonte seria sempre reto, independentemente da altura do observador. Para esse e outros experimentos, há campanhas de crowdfunding que tentam angariar recursos. [...] “Não temos como competir com a Nasa em investimentos, mas estamos fazendo pesquisa do nosso próprio bolso”, diz Alves.

Nos grupos de terraplanistas aos quais a BBC Brasil teve acesso, alguns membros admitiram que estavam nos fóruns por curiosidade ou até para se divertir com as teorias conspiratórias ali fomentadas – mas reconheceram que a maioria dos participantes leva o assunto a sério. [...]

Mundialmente, talvez a maior representação dos terraplanistas seja a Flat Earth Society (Sociedade da Terra Plana), que planeja uma conferência internacional em novembro nos Estados Unidos e denuncia os interesses do “sistema” na afirmação de que a Terra é um globo. Aliás, nos EUA há algumas pessoas famosas que já afirmaram publicamente que a Terra é plana, como os jogadores de basquete Shaquille O’Neal e Kyrie Irving. [...]

Samuel Trovão, pseudônimo usado pelo administrador da página “A Terra é plana”, aponta para uma motivação financeira e ateia por trás do “sistema” – mas cita o nome daquele que talvez seja o maior alvo dos terraplanistas e principal promotor da teoria “globalista”: a Nasa. “A Nasa é uma agência de efeitos especiais. Ela é uma pequena fatia do todo. Se não existe satélite, espaço, alguém ficou com bilhões. A motivação é sempre o dinheiro. Por outro lado, a teoria do globo exclui a ideia de Deus. O Big Bang nunca foi provado pelo método científico: ninguém consegue reproduzi-lo, observá-lo e medi-lo. Então, é uma teoria filosófica, e não científica”, afirmou por telefone Trovão, que conta ter 35 anos e trabalhar também como técnico de informática. [...]

Ao lado da Nasa e de outras agências espaciais, as escolas e a mídia são frequentemente apontadas pelos terraplanistas como perpetuadores da “farsa” sobre o globo. Grandes nomes da ciência como Einstein, Copérnico e Newton chegam a ser chamados de “mentirosos” e terem suas imagens expostas em memes. Enquanto isso, referências ao filme Matrix servem para valorizar o discurso dos terraplanistas. [...]

Segundo Bruno Alves e Samuel Trovão, parte significativa dos terraplanistas é criacionista (negam a teoria da evolução proposta por Darwin e explicam a origem do planeta e dos homens como criação divina). Acreditam na Bíblia e em escrituras antigas, sem seguir uma religião específica. [...]

A ideia do formato em globo veio bem antes da Nasa. O filósofo grego Aristóteles, no livro Do Céu, defendeu a esfericidade da Terra com base nas mudanças de configuração das estrelas dependendo da posição na Terra, na sombra circular de nosso planeta durante eclipses lunares e até na semelhança entre elefantes de regiões distantes. Séculos mais tarde, entre 1519 e 1522, ao circunavegar o planeta, o português Fernão de Magalhães não apenas trouxe um forte argumento ao formato de globo do planeta como também abriu caminho para a descoberta de novas e mais rápidas rotas marítimas.

Depois vieram os enunciados pioneiros de Copérnico, Galileu, Kepler e Newton sobre a mecânica de posicionamento dos planetas no Sistema Solar. Newton previu um achatamento da Terra nos polos, além de ter publicado, em 1687, a Lei da Gravitação Universal. A lei explica a influência gravitacional (a força de atração exercida entre as massas de dois objetos) entre corpos espaciais, como entre a Lua e a Terra e os planetas que compõem o Sistema Solar (orbitando ao redor do Sol). Segundo apontou Newton, dois corpos se atraem segundo uma força que é diretamente proporcional a suas massas e inversamente proporcional ao quadrado da distância que os separa.

Já no que diz respeito à evolução, teoria consagrada com a obra de Charles Darwin A Origem das Espécies e contestada pelos criacionistas, evidências apontam para um longo processo adaptativo das espécies – percurso do qual fazem parte os seres humanos. Tal teoria, reforçada por evidências genéticas e geográficas, explica a variedade, adaptação e extinção de milhares de espécies ao longo dos milênios [sim, a teoria da evolução explica a diversidade, a adaptação e a extinção de espécies, e os criacionistas aceitam bem tudo isso. O problema é quando os evolucionistas começam a citar suas fictícias árvores evolutivas e seus argumentos macroevolutivos naturalistas. Aí a discussão passa a ser filosófica. Mas esse é outro assunto... (MB)].


Nota: Parabéns, terraplanistas! Vocês conseguiram em muito menos tempo fazer o que os evolucionistas ateus têm tentado há décadas: associar o criacionismo a ideias absurdas e insustentáveis. Estão conseguindo fazer com que os desavisados encarem a Bíblia como um livro terraplanista, afastando ainda mais os seres pensantes. Exatamente do jeito que o diabo quer. Não conheço um criacionista sério que defenda essa insanidade. A Sociedade Criacionista Brasileira, entidade reconhecida por suas pesquisas e publicações respeitadas, com uma história de quase meio século em nosso país (da qual faço parte como membro fundador), é frontalmente contrária a qualquer ideia terraplanista. Este blog, que há mais de dez anos vem defendendo a estrutura conceitual criacionista, igualmente repudia o terraplanismo. Finalmente, é bom que se diga que o principal nome desse movimento defensor da Terra plana é, na verdade, um evolucionista. Parece realmente o tipo de coisa feita propositalmente para denegrir a reputação dos criacionistas, como já aconteceu no passado. [MB] 

Leia a NOTA DE ESCLARECIMENTO da Sociedade Criacionista Brasileira.

Leia mais textos sobre terraplanismo aqui.



Terra plana: nota de esclarecimento da Sociedade Criacionista Brasileira

A Sociedade Criacionista Brasileira (SCB) tem sido citada por pessoas descompromissadas com a busca imparcial da verdade como uma das entidades que estariam defendendo a tese de que o planeta Terra, ao contrário de ter um formato esférico, teria forma plana. Nada mais falso. Essa inverdade certamente vem sendo divulgada com intenções indesculpáveis de denegrir a posição séria e apoiada em evidências com sólido embasamento científico que a SCB tem defendido no decorrer de seus 45 anos de atividades de divulgação das teses criacionistas em oposição às evolucionistas, no contexto da controvérsia entre as duas estruturas conceituais que partem de diferentes pressupostos para a interpretação da natureza na qual estamos inseridos.

Bastaria citar, a respeito da questão da “Terra plana”, o fato de que, ainda no século passado, foi a SCB que se encarregou das medidas iniciais para a publicação do livro Inventando a Terra Plana, de autoria de Jefrey Burton Russel, preparando a tradução para o Português e conseguindo a publicação pela Editora da Universidade de Santo Amaro, sediada na capital paulista. Esse livro resgata a história do surgimento e da propagação do erro sobre a forma geométrica da Terra, esclarecendo a verdadeira causa desse processo: denegrir o Cristianismo e a Bíblia e afirmar que a ignorância e o obscurantismo medievais teriam sido responsáveis pelo modelo de uma Terra plana.

Mais recentemente, em 2016, a SCB publicou o livro Tempo Astronômico, Histórico e Profético, em três partes, das quais as duas primeiras expõem com clareza a verdadeira questão da Terra plana com os subtítulos “A esfericidade da Terra – Da revelação bíblica aos nossos tempos” e “A geometria do sistema Sol-Terra-Lua”, este último destacando as “Inferências de filósofos gregos há mais de 22 séculos sobre diâmetros e distâncias”, e esclarecendo que, mesmo antes dos filósofos gregos, os próprios textos bíblicos já deixavam transparecer o fato de que nosso planeta tem o formato esférico.

Tudo indica que o envolvimento do nome da SCB como entidade “retrógrada”, “ignorante” e “obscurantista” que, em pleno século 21, estaria defendendo a causa de uma Terra plana tem objetivo semelhante ao descrito por Russel em seu livro.

Por essas razões, a SCB repudia com veemência qualquer envolvimento que lhe imputem como defensora de teses espúrias sem qualquer apoio em textos bíblicos e muito menos em evidências verdadeiramente científicas.

Sociedade Criacionista Brasileira  
Brasília, 17 de setembro de 2017
www.scb.org.br

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Animais podem ser homossexuais?

Nas últimas semanas uma notícia foi compartilhada por milhares de internautas e reproduzida em diversos sites jornalísticos e de curiosidades do Brasil e do mundo. A chamada da maioria dos sites dizia: “Leões machos são flagrados copulando e intrigam internautas.”[1] Alguns mais pretensiosos chegaram a dizer que definitivamente estava provado que o comportamento homossexual é uma característica normal, inata, natural em animais, logo, também em humanos. Bem, o que me deixou particularmente intrigado com isso é que, na verdade, a observação de comportamento homossexual em animais “não humanos” não é exatamente uma novidade. Em 1999, o biólogo canadense Bruce Bagemihl publicou o livro Biological Exuberance: Animal Homosexuality and Natural Diversity,[2] no qual lista pelo menos 300 espécies animais que apresentam comportamento homossexual. Na verdade, muito antes disso, no início dos anos 1980, o psicólogo norte-americano W. J. Gadpaille, que trabalhava com sexualidade em adolescentes, afirmou em publicação na Archives of General Psychiatry[3] que não existia nenhuma espécie animal em que já havia sido estudado o comportamento sexual que não apresentasse casos de homossexualismo. Seguindo essa lógica, parece-me não haver necessidade de discutir o assunto, pois cientistas já comprovaram (nesses e em outros artigos – diversos outros, mais recentes, podem ser citados[4]) que o comportamento homossexual em animais é real. 

Interessante é perceber que para outros assuntos (como, por exemplo, o design inteligente) a maioria dos cientistas faz questão de exigir o máximo possível de certeza, cobrando uma metodologia impecável e mais clareza nas afirmações. Não estou dizendo necessariamente que esses artigos não sejam bons, mas que é necessário lê-los com critério científico e entender as diversas nuances de direcionamento forçado, ou seja, parece que existe a intenção de impor uma ideia, mesmo que para isso se forjem informações não tão científicas assim. Vejamos:

Em geral, desconsiderando o livro de Bagemihl e outro importante livro utilizado na defesa da ideia de que o comportamento animal homossexual pode explicar o humano, que é o livro Animal Homosexuality: A Biosocial Perspective (2010),[5] do ecologista australiano Aldo Poiani, a grande maioria dos artigos que utilizam esse conceito foi publicada em revistas um tanto direcionadas e no mínimo suspeitas, como, por exemplo, a Archives of Sexual Behavior,[6] assim como nas Australian Feminist Studies, The Journal of Sex Research, Journal of Homosexuality, entre outras, além de uma série de artigos especificamente no periódico Animal Behavior[7] e publicações da Cambridge University Press[8] (o livro citado de Aldo Poiani e outras publicações online do mesmo autor, além de alguns outros livros e artigos na mesma linha). De forma alguma intento minimizar a importância dessas revistas (especialmente as duas últimas, de grande impacto no meio científico), mas é interessante perceber que em todas (observe bem, todas) as demais revistas em que encontrei artigos tratando desse assunto[9] (em uma exaustiva pesquisa em periódicos PubMed) os autores fizeram questão de deixar clara a incerteza e a inconsistência de dados no que se refere a comparar os comportamentos homossexuais dos animais com o que se vê na espécie humana.

Dito isso, considero necessário lembrar que os animais realmente apresentam comportamento homossexual, porém, é importante perceber que se trata de um comportamento visualmente homossexual, algo, pelo menos a princípio, aparente. A verdade é que animais criam laços e isso independe de sexo. Para tal associação, por vezes, eles se utilizam de um comportamento que é a encenação do ato sexual.

Com exceção de alguns poucos grupos, como os bonobos (macacos da espécie Pan paniscus, também chamados de chimpanzés-pigmeus), nenhum animal pratica de fato sexo com outro indivíduo do mesmo sexo. Nesse sentido estou considerando o coito como o ato sexual de fato, já que muitos podem argumentar que apenas a preferência pelo mesmo sexo já configura homossexualidade. Nos animais em geral não há penetração; trata-se de uma encenação e tem como objetivo a demonstração de poder, de hierarquia. É simplesmente improvável que qualquer um dos dois leões vistos na imagem acima, por exemplo, deixe de cruzar com uma fêmea, se puder, para ficar fazendo essa cena sem conotação sexual de fato. O próprio autor das imagens (o fotógrafo Russ Bridges) e o proprietário do parque onde as fotos foram feitas (Cheryl Williams) afirmaram posteriormente que os leões em questão são irmãos e que a leoa ao lado é a mãe deles.[10]

Eu mesmo, enquanto primatólogo, tive a oportunidade de trabalhar com vários animais, entre os quais dois macacos-prego que representavam quase diariamente o comportamento homossexual. Acontece que, no caso deles, estavam sós num recinto de cativeiro, não havia fêmeas e era possível perceber que esse comportamento denotava hierarquia e comando, assim como também, em todo o tempo que os estudei, nunca houve penetração, simplesmente um dos animais subia no outro e fazia o movimento do ato de coito.

Sabendo disso, fiz também uma busca por registros de animais representando o comportamento homossexual com o ato de penetração e foi muito difícil encontrar. Até existem alguns registros, como os dos já citados bonobos. Mas com relação a eles é importante destacar que, de acordo com o principal especialista nessa espécie, o primatólogo alemão Frans de Waal, os bonobos formam uma sociedade pansexual, apresentando diversas formas de comportamentos sexuais, tanto entre machos e fêmeas, quanto entre indivíduos do mesmo sexo, como entre adultos e filhotes, pais e filhos, etc.[11] Além desses, li relatos não documentados de equinos fazendo penetração em outros machos, como também muitos relatos de visualização de cachorros fazendo o mesmo. Mesmo desconsiderando o coito e apenas pontuando as possíveis relações estáveis e duradouras entre animais de mesmo sexo, percebi, por meio das pesquisas, que no mínimo 80% das vezes em que há a demonstração desse comportamento é como preparação para o ato sexual reprodutivo mesmo, ou por falta de parceiros durante o período não reprodutivo do sexo oposto ou por questão de dominância.9 Até em casos mais extremos, como quando dois machos ou duas fêmeas se unem, mesmo havendo animais do sexo oposto disponíveis (como acontece com macacos japoneses, pinguins e albatrozes – exemplos muito citados pelos defensores dessa ideia), ainda assim é intrigante notar que os próprios pesquisadores que os estão estudando há tantos anos deixam claro que não conseguem definir os reais motivos de tais uniões, e não se aventuram a afirmar categoricamente que se trata de homossexualidade.[9]

Enfim, mesmo que porventura, ao fazer a encenação sexual, o animal consiga realizar a penetração do pênis no ânus do outro, além de se tornar um incômodo inevitável, certamente isso não é prova de que os animais são de fato homossexuais.

O mais grave, porém, em toda essa discussão, é ver pessoas aparentemente bastante esclarecidas (biólogos, psicólogos, cientistas em geral) tentando transferir ideias de comportamentos animais para a espécie humana, como se, apenas por existir em animais, eles também fossem comuns à nossa espécie.

É importante perceber que todas as pesquisas científicas que citam a homossexualidade em animais (incluindo os livros mais utilizados como fonte desse assunto, os quais já citei no início do texto) deixam bem claro que o que ocorre em animais é um “COMPORTAMENTO homossexual”. Isso é interessante porque a comunidade LGBT faz questão de negar que a homossexualidade seja um comportamento (e por isso não aceitam que seja cunhado o termo “homossexualismo”), mas insiste em buscar argumentos na ciência sem, porém, notar que estão se comparando com os animais exatamente naquilo que tanto fazem questão de negar.

Sobre isso é bom lembrar que leões praticam infanticídio com naturalidade, faz parte de seu instinto comportamental;[12] cachorros, por vezes, regurgitam os alimentos e reingerem seus vômitos, também como um comportamento natural;[13] fêmeas de várias espécies devoram os machos depois da cópula, e isso é natural;[14] bonobos fazem sexo o tempo todo, às vezes com seus próprios filhotes, o que faz parte de seu repertório comportamental.[11, 15] Eu poderia citar uma série de outros comportamentos um tanto quanto exóticos de animais, mas que, no entanto, são naturais. Mas nem por isso qualquer cientista afirma que esses comportamentos sejam naturais aos humanos também. Esse, sem sombra de dúvidas, é o maior problema dessa tentativa de afirmação de que o comportamento homossexual em animais seja um argumento para indicar que a homossexualidade em humanos seja natural. Esse argumento não deve ser usado porque ele não é apenas fraco, é inconsistente e cientificamente desonesto, assim como o é o argumento genético (mas vamos deixar para falar disso em outra oportunidade).

(Ebenézer Lobão Cruz é biólogo/etólogo e mestre em Zoologia pela UFPE)

Referências:
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http://www.faceofmalawi.com/2017/08/homosexuals-seek-justification-after-two-male-lions-captured-mating/ 
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/mundo/2017/09/01/interna_mundo,622722/fotografo-clica-leoes-gays-e-imagem-viraliza-na-internet.shtml 
https://hypescience.com/foto-de-dois-leoes-machos-copulando-viraliza-na-internet/ 
http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/mundo/2017/09/01/interna_mundo,720575/fotografo-clica.shtml 
http://www.inspiringlife.pt/fotografia-dois-leoes-machos-terem-relacoes-ao-lado-leoa-viraliza-nas-redes-sociais/ 
http://www.superpride.com.br/2017/08/fotografo-flagra-dois-leoes-machos-cruzando-em-parque-na-inglaterra.html 
http://br.blastingnews.com/mundo/2017/09/leoes-machos-sao-flagrados-em-cenas-suspeitas-e-o-que-leoa-faz-assusta-001975349.html 
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