quinta-feira, julho 28, 2016

Pokémon Go e a “sociedade zumbi”

Mentes dominadas
O primeiro desenho animado da história a mandar crianças para o hospital – Pokémon – estreou no Brasil em uma segunda-feira de 1999, pela Rede Record. Criada no Japão, a série é cheia de efeitos especiais, e foi por causa de um deles que se deu o curioso evento. No capítulo 38, exibido no Japão no dia 16 de dezembro de 1997, o personagem Pikachu, um dos principais da série, emitiu a certa altura raios de luz colorida. Depois de assistir à cena de apenas cinco segundos, 12 mil crianças passaram mal. Pelo menos 600 foram internadas com convulsões. Mais tarde, quando trechos do programa foram exibidos nos telejornais noturnos, muitos adultos também foram afetados. O episódio foi estudado por médicos e técnicos de animação, que concluíram que as luzes intensas poderiam causar reações em crianças com olhos sensíveis ou em pessoas com predisposição à epilepsia.

A série se passa em um mundo habitado por crianças e pelos monstrinhos “pokémons” (uma abreviatura de pocket monsters, ou monstros de bolso). Como em um jogo eletrônico, o protagonista do desenho, o garoto Ash, tem que capturar a cada episódio o maior número possível de pokémons. Para isso, conta com a ajuda de Pikachu.

No livro Pokémon & Harry Potter: A Fatal Attraction, Phil Arms afirma que, “atualmente, o Pokémon é o instrutor mais popular das crianças, que ensina como entrar no campo sombrio dos poderes e práticas ocultistas. O objetivo do Pokémon é ensinar as crianças a como usar poderes para capturar e conquistar vários monstros. Depois, com seus monstros capturados em seus bolsos, eles aumentam seus próprios poderes. Basicamente, eles estão treinando nossos filhos a como entrar e participar do mundo de atividades demoníacas”.

Uma rápida investigação nas regras, termos e fraseologia do universo Pokémon mostra de modo claro que a preocupação de Arms tem seu lugar (embora possa parecer um tanto exagerada), e que o Pokémon tem mesmo raízes ocultistas. Um dos primeiros passos que uma criança que joga Pokémon deve tomar é ir em busca de um Pokémon médium chamado Kadabra. O termo “abracadabra” se originou no mundo da magia negra e era parte do seu linguajar usado para lançar encantamentos e feitiços.

O Pokémon Kadabra pertence a uma treinadora telepática muito poderosa chamada Sabrina. Ela possui grandes poderes à sua disposição, e as crianças são instruídas a também confiar em forças sobrenaturais para poder capturar Kadabra. Às crianças que se preparam para essa busca é ensinado que seus esforços contarão com a ajuda de um amigo secreto, outro Pokémon, um fantasma chamado Haunter.

O jogo continua, e a cada nova fase as crianças são levadas ainda mais fundo na aplicação prática de habilidades do ocultismo e no conhecimento de estratégias psicológicas que as conduzem a um mundo de experiências espíritas.

Arms conclui que “há uma ênfase inegável em ensinar as crianças a lutar, matar, envenenar e usar poderes ocultistas e psíquicos para atingir suas metas. Além disso, o mundo Pokémon está ensinando às crianças que a evolução, os poderes sobrenaturais e a violência são conceitos perfeitamente aceitáveis”. Evolução e espiritualismo. Essa é a essência do conteúdo ideológico de Pokémon. Ainda bem que a febre ficou no passado. Será?

Lançado para smartphones no começo deste mês, Pokémon Go se tornou rapidamente um fenômeno, e trouxe de volta o universo dos monstrinhos de bolso. Trata-se de um game gratuito de realidade aumentada para Android e iOS. O jogo utiliza o sistema de GPS dos aparelhos para fazer com que os jogadores se desloquem fisicamente para conseguir capturar os monstrinhos da franquia da Nintendo. Realidade aumentada é um tipo de mídia que mistura o mundo real com elementos criados virtualmente. No caso de Pokémon Go, o jogador visualiza seus arredores na tela do celular capturados pela câmera, e o aplicativo insere os pokémons nesses lugares.

Além de abrir a possibilidade de que a empresa tenha acesso a contas inteiras no Google, desde e-mail ao editor de textos e outros aplicativos, o aplicativo da Nintendo registra as localizações do jogador ao longo do tempo, além verificar qual o último site que ele visitou, ajudando, com isso, a diluir ainda mais o conceito de privacidade. Ao utilizar a realidade aumentada, Pokémon Go obriga os jogadores a sair de casa para capturar novos monstros, atingir objetivos e conseguir certos itens. E pode ser difícil prestar atenção no que acontece ao redor enquanto se concentra na tela do celular. Diversos jogadores relataram que se machucaram ao tropeçar enquanto estavam distraídos.

Assim, além de trazer de volta todo o universo Pokémon, esse novo aplicativo vem dando sua contribuição para criar uma “sociedade zumbi”, colada na tela de seus smartphones, alheia à vida real. Foi-se o tempo em que o jogador controlava o jogo e os personagens. Hoje o jogador é controlado. Além disso, as linhas que dividem a realidade da fantasia estão sendo apagadas.

Mikel Cid, editor do blog especializado em tecnologia Xataka, disse que a realidade aumentada “vai ganhar mais adeptos devido ao grande trampolim que deve causar um jogo com tantos seguidores como Pokémon. Passar do mundo virtual para o mundo real é um sucesso por parte de Pokémon porque os jogadores precisam mergulhar ainda mais no jogo por causa da realidade aumentada”.

“Infelizmente, acho que não vamos demorar muito para ver casos de pessoas com problemas de roubos, atropelamentos e quedas, por estarem mais focados em olhar para a tela do que realmente ao seu redor”, previu Cid. E a previsão se concretizou. Um homem bateu o carro em uma árvore na região de Nova York, nos Estados Unidos, no dia 12. A vítima estava tão concentrada na captura do pokémon que desviou a atenção e o carro saiu da estrada, colidindo com a árvore. Um dia antes do acidente, a jornalista Allison Kropff, da emissora 10 News WTSP, nos Estados Unidos, estava tão viciada no jogo que interrompeu a transmissão do programa, que estava na hora da previsão do tempo, para tentar capturar um pokémon.

Esse tipo de fenômeno mostra como as pessoas estão cada vez mais envolvidas e absorvidas pela tecnologia, com os olhos pregados nas telas e misturando o real com o imaginário. O que esse comportamento poderá fazer com a mente delas? Mais e mais envolvidas com a realidade aumentada não terão diminuída a capacidade de discernir a realidade? Só o tempo dirá, mas parece que as respostas não serão muito boas.

Michelson Borges



Cinco mentiras em que o cinema tenta nos fazer acreditar

Me engana que eu gosto
Sempre que estamos diante de um filme de ficção, temos que colocar em prática nossa capacidade de dar credibilidade à história sem ficar questionando o universo um tanto irreal do cinema, mas internamente sabemos que muito daquilo é bastante distante da realidade. Um dos maiores exemplos dos saltos que o cinema dá em direção ao universo fantasioso é o caso de Clark Kent, o famoso “Super-Homem”, que não é reconhecido como super-herói no ambiente de trabalho porque está sob o “eficiente” esconderijo de seus óculos de grau. Se a gente se preocupasse com cada escorregada cinematográfica dessas, não conseguiríamos assistir a quase nenhum filme, mas, como pura forma de divertimento, vamos destacar aqui quais são as mentiras mais comuns em que o cinema tenta fazer a gente acreditar. Estas são as cinco mentiras que o cinema tenta incansavelmente nos convencer de que são verdade.

Os óculos mágicos. De forma parecida ao que acontece com o Super-Homem/Clark Kent, em muitos filmes os óculos possuem um mágico poder de transformação, principalmente sobre as meninas. Quantas vezes já não assistimos à história de uma garota que é considerada feia e, obviamente, usa óculos, quando, de repente, ela troca as armações por lentes de contato, solta o cabelo, coloca um pouco de maquiagem e pronto: a garota feia era na verdade uma garota linda! E sua transformação deixa de boca aberta o garoto que antes só a queria como amiga. Um dos maiores exemplos é o filme “Ela é Demais” (1999), com Freddie Prinze Jr. e Rachael Leigh Cook.

A edição que transforma algo chato em épico. Ah, a magia do cinema! Basta uma edição com cortes rápidos e uma trilha sonora adequada para nos fazer acreditar que se acabar de tanto fazer exercício é a coisa mais maravilhosa do mundo. A maravilha consiste em correr muitos quilômetros diariamente, atravessando, entre outros lugares, favelas perigosas; fazes flexões, abdominais, levar golpes em todas as partes do corpo, golpear animais mortos e, por fim, celebrar o término da maratona logo depois de subir um enorme lance de escadas.

A coreografia espontânea. Imagine a seguinte situação: você está andando pela cidade ouvindo música com seus fones de ouvido e a sua música favorita começa a tocar, muito alegre e cativante. Naturalmente, você oprime o desejo de começar a dançar e cantar loucamente no meio da rua, para evitar que você não seja enviado para um manicômio, ou seja alvo de piadas. Já no cinema, basta a personagem principal começar a dançar alegremente pela rua para que uma multidão a acompanhe, fazendo uma coreografia perfeita sem nunca ninguém ali ter ensaiado (teoricamente)!

Cuidado com o ônibus. Na vida real, os acidentes podem acontecer, sim, mas em filmes motoristas de ônibus são realmente desleixados (e assassinos). Quão comum é para o mundo do cinema uma pessoa ser atropelada por um ônibus. Esse tipo de acidente aparece frequentemente nos filmes por sua capacidade de surpreender e impressionar o público, mas também é um prato cheio para as comédias. Além disso, o ônibus normalmente vai muito mais rápido que a pessoa.

Sexo na praia. Os filmes querem que a gente acredite que fazer sexo nos lugares mais inesperados e absurdos é algo corriqueiro, colocado em prática todos os dias por casais. Desculpe decepcioná-los, mas essa é mais uma das mentiras do cinema! A realidade é que, embora pareça bem sem graça, todo mundo costuma ter relações sexuais na famosa e confortável cama. Fazer sexo na praia é a cena romântica ideal do cinema, mas a verdade é: se você tentar, vai descobrir que a areia não é algo lá muito agradável em certas partes do corpo, e que a praia pode não ser um lugar com muita privacidade. A cena mais memorável (e com o maior número de paródias) é do filme “A um Passo da Eternidade” (1953), com Burt Lancaster e Deborah Kerr.


Nota: Ainda assim, as mentiras acima não são as piores. Confira abaixo o que pode ser pior... [MB]




terça-feira, julho 26, 2016

O perigo dos anticoncepcionais para adolescentes

Comportamento de risco
A gravidez na adolescência caiu para níveis mínimos no mundo ocidental, em grande parte graças ao aumento do uso de contraceptivos de todos os tipos. Mas, estranhamente, realmente não sabemos o que os contraceptivos hormonais - das pílulas às injeções que contêm hormônios sexuais sintéticos - estão causando no corpo e no cérebro em desenvolvimento das adolescentes que os estão tomando em níveis crescentes. Assim como as pílulas anticoncepcionais - no mercado há mais de 50 anos - os demais métodos contraceptivos passaram por inúmeros testes, que atestaram sua eficácia e segurança. Ocorre que esses estudos foram feitos em mulheres adultas - pouquíssimos estudos clínicos incluíram adolescentes. E, biologicamente, há grande diferença entre uma adolescente e uma mulher adulta. É somente depois dos 20 anos que os hormônios se estabilizam e o cérebro e os ossos atingem a maturidade.

“Se uma droga vai ser dada a meninas de 11 e 12 anos de idade, ela precisa ser testada em crianças de 11 e 12 anos de idade”, explica o Dr. Joe Brierley, da Comissão de Ética Clínica do Hospital Great Ormond de Londres. Legislações introduzidas nos EUA em 2003 e na Europa em 2007 destinam-se a fazer com que isso aconteça, mas uma investigação feita pela revista britânica New Scientist revelou que ainda há poucos dados sobre o que os contraceptivos realmente causam em as garotas em desenvolvimento.

Os poucos estudos que têm sido feitos sugerem que alterar o equilíbrio do estrogênio e da progesterona durante esse período da vida pode ter efeitos de longo alcance, embora ainda não haja dados suficientes para dizer se devemos ficar alarmados. Há muitas razões pelas quais as empresas farmacêuticas, as pessoas e as organizações de financiamento continuem relutantes em testar contraceptivos em adolescentes.

A médica Andrea Bonny, por exemplo, envolvida nesses testes, afirma receber cartas iradas quando ela publica anúncios procurando participantes jovens para seus estudos, com muitas pessoas afirmando que ela está incentivando as adolescentes a terem relações sexuais: “Somos inundados com comentários negativos”, diz ela.

Outro aspecto é que, quando crianças participam em ensaios clínicos, os pais devem dar consentimento. Mas as adolescentes podem não querer contar aos pais que estão tomando anticoncepcionais. Assim, o problema existe, mas resolvê-lo está longe de ser uma questão simples.


Nota: “É somente depois dos 20 anos que os hormônios se estabilizam e o cérebro e os ossos atingem a maturidade.” Na verdade, a maturidade sexual, tanto no que diz respeito ao órgão sexual quanto ao cérebro, só é atingida mesmo após os 20 anos. Antes dos 20, as células que revestem a parede interna da vagina são muito mais suscetíveis a infecções (confira aqui e aqui). E antes dos 20 o lóbulo pré-frontal ainda está imaturo, daí por que os conselhos dos mais velhos sempre são bem-vindos na adolescência. Por um lado, o adolescente precisa confiar no bom senso dos mais velhos e evitar agir por impulso, colocando-se em situações de risco; por outro, os adultos/responsáveis precisam construir uma relação de confiança com os menores, a fim de que eles possam confiar e aceitar os conselhos. Seria coincidência o fato de a maturidade cerebral coincidir com a sexual/física? Não creio nisso. Creio que Deus nos criou para desfrutar do sexo de maneira madura e em um contexto abençoado, com a pessoa certa e no momento certo. Traduzindo: no casamento, instituição edênica abençoada por Deus. O que se tem visto é uma preocupação das autoridades unicamente com dois fatores: gravidez precoce e doenças sexualmente transmissíveis, isso porque esses problemas representam despesas para os órgãos públicos. Quando às sequelas emocionais advindas do sexo irresponsável, ninguém se preocupa com isso. Na verdade, a permissividade é até incentivada em novelas, séries e filmes, com a única advertência de que se usem preservativos e pílulas anticoncepcionais, como se houvesse um preservativo para a mente e anticoncepcionais seguros para crianças. Tremenda hipocrisia que tem cobrado seu preço! E quem paga? As crianças que têm encarado o sexo como mera diversão e os bebês inocentes advindos desse comportamento deplorável. [MB]

Além de porta para as drogas, álcool causa câncer

Desgraça tolerada. Até quando?
O vício em drogas tem começado cada vez mais cedo e, ao contrário do que muitos pensam, a dependência inicia a partir de uma droga “aceitável”, com baixo custo e de fácil acesso: o álcool, muitas vezes também associado ao cigarro. A psicóloga Andrea Hamasaki comenta que a maioria dos pacientes em tratamento de drogas ilícitas contam que tudo começou com o álcool. Os pacientes relatam que “bebem e perdem um pouco a questão do julgamento e vão no embalo, não pensam se é bom ou não, não estão preocupados com regras”. De acordo com pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (ABEAD), o consumo crônico de doses elevadas de álcool muda o funcionamento do cérebro, altera a estrutura e aumenta a atividade de uma área cerebral associada ao comportamento impulsivo e à formação de hábitos. Com o tempo, o funcionamento dessa região passa a prevalecer sobre a tomada de decisão consciente.

Quanto aos motivos para começar a beber, são inúmeros e variam bastante, mas muitas vezes passa a funcionar como aceitação. Pode ser por falta de estrutura familiar, algum problema pontual na família, falta de educação, de carinho, entre outros. “Crianças saem de casa e se envolvem com drogas como uma fuga. Muitas vezes no meio em que ela se insere o consumo de drogas acaba sendo a forma de se sentir acolhida”, comenta a psicóloga.

E como se não bastasse o problema das drogas, há também o câncer. Após analisar vários estudos publicados ao longo de décadas, a pesquisadora Jennie Connor, da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, concluiu que existe um elo entre a ingestão de bebidas alcoólicas e o surgimento de tumores em pelo menos sete regiões do corpo: laringe, esôfago, fígado, cólon, reto, mama e orofaringe. Mais: de acordo com a investigação, ocorreram aproximadamente 500 mil mortes por câncer em 2012 devido a cervejas, uísque e companhia. Segundo a autora do trabalho, as descobertas em relação aos nódulos de mama são especialmente preocupantes. “Cerca de 60% de todas as mortes por câncer atribuídas ao álcool nas mulheres da Nova Zelândia vêm desse tipo de tumor”, disse.

Outro dado para ficar de olho: o diagnóstico da doença muitas vezes aconteceu entre quem tomava doses até então consideradas aceitáveis. Ou seja, não haveria limite seguro para esse hábito. Ainda assim, pessoas que abusam se beneficiariam bastante caso maneirassem nas doses.   

(Com informações de Anti-Drogas, HuffPost Brasil e Saúde)

A bandeira criacionista na terra de Darwin

Paleontólogo fala aos pesquisadores
Historicamente, as ilhas Galápagos, no Equador, são tidas como um reduto darwinista, embora a maioria dos turistas que vão para lá o façam simplesmente por causa das belezas do lugar e da fauna e flora exclusivas dali. Nesse contexto, Darwin é uma figura útil, já que ajuda a movimentar o turismo e tornar famoso o arquipélago “perdido” no meio do Pacífico, a cerca de mil quilômetros do continente. Mas a crença no Criador e a religião estão longe de ser extintas nas ilhas. E se depender da sede sul-americana da Igreja Adventista, o criacionismo será defendido com cada vez mais força na “terra de Darwin”. A igreja já tem duas escolas na ilha de Santa Cruz, a mais populosa do arquipélago, mas os planos são mais audaciosos. A ideia é construir na avenida Charles Darwin um templo maior, reformar a escola e estabelecer um centro criacionista de pesquisas e visitação. A avenida é a mais frequentada do local e por ali passam milhares de turistas todos os dias, que se dirigem à Estação Científica Charles Darwin. A intenção é que além da utilidade primária desses prédios, eles sejam “testemunhas” permanentes de que a visão evolucionista não é a única explicação para a origem e desenvolvimento da vida no planeta. [Continue lendo a matéria que escrevi para o site da Revista Adventista. – MB]

domingo, julho 24, 2016

O que Darwin não viu em Galápagos

Uma nova geração de criacionistas

Os biólogos Wellington e Orlando
Para quem pesquisa ou se interessa por criacionismo, no Brasil, nomes como Ruy Vieira, Orlando Ritter e Nahor Neves de Souza Júnior são referência. Alguns desses e outros ainda estão na ativa, mas é inegável que já contribuíram muito, partilhando seus conhecimentos, os resultados de suas pesquisas em incontáveis palestras e cursos, aqui e no exterior, e, mais importante, a inspiração que sua vida e carreira representam. Para muita gente, uma pergunta que fica no ar é a seguinte: Quem fará parte da nova geração de criacionistas que unirá esforços com os mais velhos e continuará levando avante a causa? Se depender do biólogo Orlando Ruben Ritter Neto, essa nova geração já está despertando. Ele cresceu em uma família de educadores criacionistas. O avô, Orlando Ruben Ritter, é um dos maiores pioneiros do criacionismo no Brasil e foi o primeiro autor de uma apostila de ciência e religião utilizada no curso de Teologia do antigo Colégio Adventista Brasileiro, hoje Unasp, campus São Paulo. Orlando Neto é um dos cem participantes do Encontro Sul-Americano de Fé e Ciência, com o tema “História da Vida”, realizado de 18 a 23 de julho, na ilha de Santa Cruz, no arquipélago de Galápagos, no Equador. O biólogo ficou incumbido de, com seu grupo, produzir um artigo científico como pré-requisito para participar do evento. Ao todo, todos os pesquisadores, organizados em grupos, produziram dez artigos que serão publicados posteriormente. [Continue lendo minha matéria publicada no site da Revista Adventista. - MB]

terça-feira, julho 19, 2016

No santuário do darwinismo

Criacionistas mais capacitados
Pesquisadores e educadores criacionistas se reúnem em Galápagos para fazer ciência

Uma das acusações que os evolucionistas geralmente dirigem aos criacionistas é a de que estes não fazem pesquisa de campo, nem produzem artigos científicos. Evidentemente que se trata de uma acusação infundada, apesar de que pesquisadores criacionistas têm muito menos recursos e oportunidades que os evolucionistas, quando o assunto é pesquisa científica. De qualquer forma, para ajudar a desfazer essa falsa impressão e para promover a capacitação de um grupo de cem educadores adventistas de oito países, a Divisão Sul-Americana da Igreja Adventista do Sétimo Dia está promovendo, entre os dias 18 e 23 deste mês, o Encontro Sul-Americano de Fé e Ciência, com o tema “História da Vida”. E o local escolhido não poderia ser mais emblemático: a ilha de Santa Cruz, no coração do arquipélago de Galápagos, a cerca de mil quilômetros da costa do Equador, no Oceano Pacífico. Simplesmente um dos lugares mais importantes para os darwinistas, afinal, Charles Darwin em pessoa visitou, durante cinco semanas, em 1835, quatro das dezenas de ilhas, nas quais pesquisou e recolheu amostras que foram levadas para a Inglaterra a bordo do navio H.M.S. Beagle.

Na ilha de Santa Cruz, está a Estação Científica Charles Darwin (fundada em 1959), para onde se dirigem todos os anos milhares de pessoas de todas as partes do mundo, a fim de unir turismo com aprendizado, numa espécie de peregrinação. Boa parte desses visitantes se declara fã do naturalista inglês, “pai” da teoria da evolução. É o caso de Julia Huls e Taylor Barrios, estudantes de biologia da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos. Ambas estavam visivelmente impressionadas e, ao ser abordadas pela reportagem da Revista Adventista, não pouparam palavras como “maravilhoso” e “empolgante”. “Todos os estudantes de biologia deveriam ter esse privilégio que estamos tendo de estar aqui”, disse Taylor. [Continue lendo o texto que escrevi para o site da Revista Adventista - MB]

Lei dominical na Argentina e superecumenismo nos EUA

Apenas um "ensaio"
Andam circulando pela internet comentários a respeito de um “decreto dominical” na Argentina. Tudo leva a crer que, num futuro próximo, a profecia relacionada com esse evento terá cumprimento, mas é preciso que se evitem certos exageros e certas distorções devidos, possivelmente, à falta de compreensão do que realmente a profecia anuncia. Primeiro ponto: o decreto dominical será uma lei promulgada nos Estados Unidos, com a anuência e o apoio direto do Vaticano (e se você duvida disso, aguarde para ver). Antes que isso aconteça, haverá ampla divulgação do assunto na mídia secular, uma vez que uma lei de tamanha importância não será aprovada sem que haja discussões (e quando isso começar a acontecer, lembre-se do que eu disse aqui e tome uma decisão do lado certo). Segundo, os que insistirem em guardar outro dia de repouso que não o domingo certamente serão alvo de interesse dos jornais, o que lhes dará uma boa oportunidade de testemunhar de sua fé e prática - de que são criacionistas e adoradores do Deus Criador que fez o céu, a Terra, o mar e tudo o que neles há (Apocalipse 14:6, 7). Terceiro, leis dominicais locais, em cidades, estados e até outros países, podem ser vistas como um ensaio do que virá, uma espécie de teste e de condicionamento da opinião pública. Isso já aconteceu no Parlamento Europeu, que apoia o movimento European Sunday Alliance, e até mesmo em cidades brasileiras, nas quais o comércio não mais abre aos domingos (confira). O que está acontecendo na Argentina é exatamente isso. É uma questão que envolve províncias e não o país todo. E mesmo que fosse uma lei federal, não se trataria do decreto dominical, ainda que fosse mais uma peça importante no panorama profético.

Precisamos acompanhar com atenção o que vem acontecendo em nosso planeta – com um olho na Bíblia e outro nos sinais –, mas é preciso, também, evitar alarmismos que apenas criam sensacionalismo e que, no fim das contas, quando tudo passa, deixam um rastro de frustração. Lembremo-nos sempre de que, mais importante do que os sinais em si é a pessoa para a qual os sinais apontam: Jesus Cristo. Devemos amar a vinda dEle, mas sem descuidar da nossa comunhão com Ele agora e da missão de falar do amor e da salvação que Ele ainda oferece. Ele voltará em breve? Sim, eu creio nisso. Mas minha vida pode ser ainda mais breve do que esse grande evento, posto que tão frágil e incerta. Isso é um lembrete de que nosso preparo tem que ser diário; nossa ligação com Deus tem que ser constante, e não dependente de acontecimentos e circunstâncias. 

Mas falemos de algo factual e significativo, a respeito do que até já gravei um vídeo (confira abaixo): o megaencontro ecumênico “Together”, realizado nos Estados Unidos no último dia 16, por evangélicos, com o apoio do papa Francisco. Com os recentes atentados terroristas que, mais uma vez, abalaram o mundo, o clamor pela paz e pela união se agiganta. Todos querem viver em um mundo de paz, mas parecem se esquecer de que a paz real somente será uma realidade quando Jesus vier buscar Seu povo e quando Deus recriar este planeta à semelhança do Éden perdido. Devemos orar pela paz, sim, mas sem nos esquecer de que este mundo vai piorar muito antes de melhorar definitivamente. A união ecumênica despreza as verdades bíblicas. É um together em torno de alguns poucos pontos em comum. E aqueles que insistirem em ser verdadeiramente fieis à Palavra de Deus serão finalmente culpados de trazer desgraça ao mundo. Os fundamentalismos serão nivelados por baixo e colocados no mesmo saco chamado medo e intolerância. Nesse tempo, poderemos ver sendo usado novamente um argumento aplicado a Jesus: “É melhor que um pereça do que toda a nação.” [MB]

quinta-feira, julho 14, 2016

Igrejas e novela ajudam a destruir conceito de casamento

Quebrado o último tabu
No último sábado, um pastor evangélico de 33 anos se “casou” com um cabeleireiro e diácono de 31 anos, com quem já vivia fazia cinco anos. A cerimônia religiosa foi realizada na Igreja Cristã Contemporânea, localizada no Barro Preto, região Centro-Sul de Belo Horizonte, a única da cidade. “Quando me descobri gay na adolescência, acabei me afastando da igreja por muito tempo, mas sempre ficou aquele vazio. Sou de uma família tradicional evangélica. Nessa época, nem a igreja nos aceitava nem a legislação. Ao encontrar a Igreja Cristã Contemporânea, no Rio, me encontrei como pessoa e como cristão. Casar na igreja sempre foi um sonho meu, mas eu sempre me senti privado disso”, conta o pastor. A novidade atraiu novos e antigos fiéis que haviam desistido de suas crenças por não se sentirem aceitos. Atualmente, a Igreja Cristã Contemporânea em Belo Horizonte conta com a primeira diaconisa transexual da cidade.

Para o pastor, que é de origem presbiteriana, a Igreja Cristã Contemporânea é tão evangélica quanto qualquer outra. “A igreja tem todo o formato da igreja evangélica, com exceção de não fazer distinção dos fiéis por orientação sexual”, explica.

A Contemporânea já conta com 14 templos espalhados pelo Brasil. O “casal” que criou a igreja no Rio tem três filhos adotados, um de 13 anos, um de dez e a caçula, de oito meses. Antes de ser pastor na Contemporânea, o fundador dela foi pastor da Igreja Universal por dez anos. 

O pastor fundador diz que Jesus nunca condenou a homossexualidade, e diz ter certeza de que, se Ele estivesse em seu lugar, faria a mesma coisa, ou seja, “celebraria o amor”. E apela (para a ignorância): “A Bíblia não condena isso; em Eclesiastes, por exemplo, ela diz que é melhor serem dois do que um. Mas não diz que é melhor que seja um homem e uma mulher.”

Fora do Brasil, uma notícia relacionada a isso também chamou atenção. Uma denominação protestante britânica com cerca de 60 mil seguidores decidiu no sábado passado permitir a celebração de “casamentos gays” em suas igrejas. Integrantes da United Reform Church (URC), que surgiu da união de duas outras congregações em 1972 e tem raízes no Presbiterianismo, tomaram a decisão em uma assembleia-geral realizada em Southport, nos arredores de Liverpool (noroeste da Inglaterra).

De volta ao Brasil, quem colaborou, mais uma vez, para que o público aos poucos se acostume definitivamente com as relações homoafetivas mostradas na tela foi a maior emissora de TV do país, com cenas exibidas na novela “Liberdade, liberdade”. Na terça-feira, dia 12, dois personagens do folhetim (um deles coronel) protagonizaram cenas de sexo, tornando o assunto um dos mais comentados nas redes sociais (onde fiquei sabendo do caso) e, como era esperado e desejado, elevando às alturas o ibope da novela. Assim, o último tabu acabou de ser quebrado, contando com a total dessensibilização dos telespectadores. Foi um processo gradual, desde a primeira exibição de beijo lésbico no SBT (confira), anos atrás, passando por outra cena dessa natureza, na novela “Babilônia” (confira), e culminando com a cena levada ao ar nesta semana.

Detalhe: há alguns sábados, a mesma emissora que trata a relação homoafetiva com tanto respeito e tenta candura ironizou a volta de Jesus em um programa humorístico.

A que ponto chegamos? O conceito bíblico de casamento (a união heteromonogâmica criada e celebrada por Deus) está sendo totalmente destruído, e com o consentimento de pessoas que se dizem cristãs; que chegam ao ponto de supor que Jesus celebraria um “casamento” gay! É óbvio que Jesus nunca condenou homossexuais. A Bíblia não faz isso. Deus não faz isso, e ninguém tem o direito de fazer. Mas Jesus condenou – como toda a Bíblia faz – as relações sexuais ilícitas, como a fornicação (sexo antes do casamento), o adultério (sexo fora do casamento), o incesto e outras distorções sexuais pecaminosas, como as relações íntimas entre pessoas do mesmo sexo. Aqueles que persistem nesse tipo de pecado, acabam condenados com seu pecado. É preciso diferenciar as pessoas dos atos, mas não se pode passar por alto a pecaminosidade dos atos. Todos são livres para escolher o caminho que querem trilhar e a vida que querem viver, só não podem violentar o texto bíblico nem a pessoa de Jesus, fazendo com digam o que nunca disseram.

O abandono da cosmovisão criacionista e a relativização pós-moderna estão, finalmente, dando seus frutos já maduros. A minoria que insistir em defender os valores e os princípios bíblicos será cada vez mais considerada deslocada desta “Babilônia” em que se transformou o mundo que só pensa em “Liberdade, liberdade”. E isso é mais um sinal de que este planeta está com seus dias contados. [MB]

quarta-feira, julho 13, 2016

Pais devem ler para os filhos. Mas cuidado!

Hábito importante, mas com critério
Um estudo da Universidade de Nova York, em colaboração com o IDados e o Instituto Alfa e Beto, mostra um aumento de 14% no vocabulário e de 27% na memória de trabalho de crianças cujos pais leem para elas pelo menos dois livros por semana. O estudo concluiu ainda que a leitura frequente dos pais para as crianças leva à maior estimulação fonológica, o que é importante para a alfabetização, à maior estimulação cognitiva em casa e a um aumento de 25% de crianças sem problemas de comportamento. “Esses dados são bastante impressionantes. Estamos comparando dois grupos que estão dentro do sistema de creches, dentro de um sistema com professores treinados para ler para as crianças. Acrescentamos a leitura dos pais e, quando isso é feito, da forma como foi feito, tem grande impacto”, diz o presidente do Instituto Alfa e Beto, João Batista Oliveira.

Ele explica que a leitura em família é também um momento importante de interação entre pais e filhos. “Esse é o ponto central, levar os pais a conversar com os filhos. Eles podem também levar as histórias para o real, quando estiverem na rua, podem mostrar para os filhos algo que apareceu na história. Essa forte interação tem impacto em outras dimensões cognitivas.”

Mas há que se tomar cuidado com os conteúdos. Não basta ler, tem que saber escolher bem o que se lê. E escolher bem também o que se assiste. Outra pesquisa, intitulada “Pretty as a Pricess”, feita pela universidade Brigham Young, nos Estados Unidos, concluiu que as famosas princesas da Disney viraram uma referência para a construção da feminilidade entre as crianças. Segundo os responsáveis pelo estudo, a realeza dos clássicos infantis reforça estereótipos de gênero e ainda afeta a autoestima e a segurança relacionada à forma física. “As princesas sugerem um padrão estético e econômico que é muito difícil de ser alcançado, o que não é saudável. É como uma pequena bomba relógio: uma hora as crianças não vão aguentar. Não é coincidência que os índices de depressão na infância estejam tão altos”, diz a psicóloga e professora da Faculdade dos Guararapes Letícia Scorsi. E ela acrescenta: “É preciso que pais e profissionais que trabalham com os pequenos prestem atenção na importância dada aos personagens, pois é na infância que construímos nossa identidade. E não queremos crianças frustradas, pensando que só serão felizes se atingirem essa referência.”

Conceitos questionáveis
Fica claro que a leitura é importante, mas que a seleção dos conteúdos, tanto do que se lê quanto do se assiste é igualmente importante.

Há mais de cem anos, Ellen White escreveu: “Pais e mães, obtenham todo o auxílio que puderem, por meio do estudo de nossos livros e publicações. Tomem tempo para ler para seus filhos nos livros de saúde bem como nos livros que tratam mais particularmente de assuntos religiosos” (Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, p. 138).

Se puder encontrar livros que mesclem um texto agradável com conteúdos edificantes e que ajudem a construir o caráter, tento melhor. Deixo para você como dica de leitura os ótimos livros da Casa Publicadora Brasileira, cujo site é o cpb.com.br.

Boa leitura e bons momentos em família! [MB]

Atriz de The Big Bang Theory defende ciência e religião

Mayim Bialik, a Amy de The Big Bang Theory, ganhou a internet com um vídeo em que aborda ciência e religião. A atriz, que também é cientista, fala sobre como as duas áreas, que parecem tão diferentes, podem andar juntas. “Você pode estar se perguntando: Como você pode ser uma cientista e também uma pessoa religiosa? Os cientistas supostamente acreditam naquilo que pode ser visto, coisas quantificáveis que eles possam provar por meio da física. Ser religioso, basicamente, não é se opor a tudo que ser um cientista se trata? Essas são boas perguntas”, diz a atriz no vídeo. 


Nota: Apesar do tom levemente panteísta em dado momento da fala dela, não deixa de ser interessante notar que a única atriz realmente cientista no seriado acredita em Deus. Jim Parsons, que interpreta o físico Sheldon Cooper, é gay e ateu. [MB]