sábado, janeiro 31, 2015

Que país é este? O mesmo, mas cada vez pior

Um país movido a BBBs e Paollas
Nos anos 1980, Renato Russo vociferava nas rádios, nos toca-discos e nos toca-fitas (lembra deles?): “Que país é esse?”, em sua música na qual atacava os desmandos políticos da nação. “Nas favelas, no Senado, sujeira pra todo lado. Ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação. Que país é esse?” Três décadas se passaram (e como passaram rápido!), mas muito pouca coisa mudou no aspecto político. Houve, sim, um rodízio de cadeiras, mas a roubalheira continuou. Nosso dinheiro apenas passou a rechear outros bolsos. Mas, para quem acha que as coisas não podem piorar e que o fundo do poço não pode ser ainda mais escavado, convido-o a pensar no aspecto moral deste país. Aí bate o desânimo de vez. Vem outro carnaval aí, e o Ministério da Saúde volta a espalhar seus conselhos: transe à vontade, tudo é festa, só não se esqueça de usar a camisinha. Na TV, mais uma das não sei quantas edições do Big Brother Brasil ganha espaço na mídia, com matérias como esta, no site da maior revista semanal do País: “São apenas oito dias de confinamento, mas a carência afetiva já sobe pelas paredes da casa do Big Brother Brasil 15. Que o digam Rafael e Talita, que decidiram parar de se segurar e deram início, nesta madrugada, ao rali sexual da edição 2015 do reality show, logo após a Festa Árabe preparada pela produção. Com respiração ofegante, juras de amor e peças de roupas íntimas perdidas, ficou bastante claro: já rolando de um tudo embaixo dos edredons. Mesmo sem o devido preparo: a aeromoça teve de solicitar à produção do programa uma pílula do dia seguinte, para garantir que não venha um rebento com cara de Pedro Bial por aí.”

Bastante instrutivo, não? Mesmo quem não assiste fica sabendo do que acontece debaixo dos tais edredons. E, para a moçada desta pátria amada, fica o ensinamento: faça o que você quiser, só não deixe de se prevenir com preservativo e pílula abortiva, como se houvesse preservativo para os sentimentos e as consequências inevitáveis de uma vida desregrada. “Que país é este?”

Nas redes sociais, em lugar de debaterem seriamente a triste situação da Petrobrás, o risco iminente de que milhões de pessoas acabem sem água e no caos urbano, a perseguição e a morte de cristãos em países dominados por radicais islâmicos (imagine que alguém vai dar bola para eles... Pra que estragar nossa festa, não é mesmo?), o assunto que ganhou destaque, ficando no topo dos Trend Topics do Twitter e na boca do povo, foi uma parte anatômica da atriz Paolla Oliveira, que, fiquei sabendo depois, faz o papel de uma prostituta numa série intitulada “Felizes Para Sempre”, veiculada na maior emissora de TV do Brasil – a mesma que usa sua concessão pública para exibir o educativo BBB.

Como levar este país a sério? O carnaval está chegando. Pode até faltar água, mas não nos tirem o pão, a cerveja e o circo. Podem até roubar nosso suado dinheirinho, só não nos deixem sem a diversão garantida pelos BBBs e as Paollas da vida. Queremos distração. Queremos perversão. O maior problema não será a sede e a sujeira ocasionadas pela falta d’água. O maior problema é a sujeira moral, do coração, e a fome da alma, que estão ali, mas todos tentam ignorar, fazendo de conta que não existem.

Que país é este? O pedaço de um mundo à beira do precipício, a poucos centímetros de cair nele.

Michelson Borges

Obs.: Por que resolvi escrever este texto? Porque o barulho distante, mas irritante, do ensaio de uma escola de samba ou baile, não sei, atrapalhou meu sono.

quinta-feira, janeiro 29, 2015

“Dar a cara a tapa”

Cientista corajoso
Diretor executivo da Sociedade Brasileira de Design Inteligente explica a teoria que tem desafiado a hegemonia evolucionista

Alguns acreditam que faltava um cientista para liderar o movimento do Design Inteligente no Brasil que tivesse trânsito e respeito no meio acadêmico. Faltava. A teoria que enxerga planejamento na natureza em oposição ao acaso evolucionista, tem agora na figura do químico Marcos Eberlin seu porta-voz oficial. Eberlin foi escolhido como diretor executivo da recém-criada Sociedade Brasileira do Design Inteligente, num encontro inédito realizado em novembro, em Campinas, SP, do qual participaram mais de 300 pesquisadores. Gente de peso que decidiu dar a cara e o currículo Lattes a tapa num ambiente profissional que considera apostasia questionar o paradigma evolucionista.

Marcos Eberlin, assim como os demais pesquisadores, está ciente do “vespeiro” em que está entrando. Ele tem 55 anos, nasceu em Campinas, SP, e estudou a vida inteira – da graduação ao doutorado em Química – na Unicamp. Ali ele é professor titular e coordena o Laboratório ThoMSon de Espectrometria de Massas, área de sua especialização num pós-doutorado nos Estados Unidos. É membro da Academia Brasileira de Ciências, tem recebido vários prêmios, orientou mais de 150 pesquisas acadêmicas e publicou outros 650 artigos científicos. Currículo não lhe falta, e coragem também não. Nesta entrevista, concedida ao jornalista Michelson Borges, ele explica os pilares da TDI, suas semelhanças e diferenças com relação ao criacionismo e por que, apesar de enxergar sérias falhas na teoria da evolução, acredita que o ensino sobre ela ainda não deve ser substituído nas aulas de ciências. [Continue lendo.]

Minha experiência com o vestibular

Mariane decidiu confiar em Deus
“Não passei, e agora?” Depois de ver o resultado não desejado, várias dúvidas vêm à mente, e um sentimento de inferioridade pode tomar conta do coração. Comigo foi assim, mas hoje sei que Deus tem uma mensagem muito confortante a todos os que estão vivendo essa experiência. Para que o amor de Deus por nós fique claro nesse momento de sombras, “pareceu-me bem fazer conhecidos os sinais e maravilhas que Deus, o Altíssimo, fez para comigo” (palavras de Nabucodonosor no capitulo 4, verso 2, do livro de Daniel). No ano em que concluí o ensino médio, tentei entrar no curso de Biomedicina em três faculdades. Parecia que Deus estava me abençoando, pois tinha passado para a segunda fase da Unesp e da UFPR. Mas os resultados seguintes não foram tão animadores... Continuei com esperança de ver meu nome em alguma das listas de chamadas posteriores, mas isso não aconteceu. Então, junto com meus pais, avaliei as possibilidades dali em diante.

Mesmo não havendo muitas alternativas, essa escolha merece muito mais atenção do que qualquer questão de vestibular! Fazer cursinho, tentar outro curso, começar a trabalhar, dedicar um ano para a pregação da mensagem como missionário, viajar... Avalie cuidadosamente cada opção que você tem, ouça o conselho de seus pais, e peça para Deus instrução quanto ao que fazer. “O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor” (Provérbios 16:1). “Eu é que sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais” (Jeremias 29:11).

Decidi passar três meses na casa de uma família de amigos. Na época, não sabia, mas mesmo sem o contato direto com as matérias, estava me preparando para as provas que viriam. O trabalho da casa e o cuidado da terra descansaram minha mente e proporcionaram mais vigor para estudar as lições espirituais.

Uma dica importante para ter sucesso em qualquer estudo: não fique só estudando! Praticar alguma atividade física ao ar livre, passar tempo admirando e cuidando da natureza, ler um bom livro, ajudar em casa cozinhando, limpando... Todas as atividades que promovem o crescimento aumentam a capacidade de aprender. Gosto da seguinte definição de educação: “É o desenvolvimento harmônico das faculdades físicas, intelectuais e espirituais” (Ellen G. White, Educação, p. 13). O foco exclusivo em apenas uma das áreas pode ser muito maléfico, inclusive estudar somente um assunto. Peça a Deus equilíbrio e use o tempo para melhorar sua amizade com o Criador e cuidar da saúde.

Mas ainda permaneciam algumas incertezas quanto ao curso. Orava pedindo a Deus que confirmasse Sua vontade, mas, ao invés de me mostrar uma profissão, tive a forte impressão que deveria agradecer-Lhe pelo que ainda iria acontecer. 

Quando voltei para minha casa, decidi não fazer cursinho. Gastaria bastante tempo me deslocando até outra cidade, pois na minha não era oferecido esse tipo de preparação, e havia escolhido prestar química, uma área menos concorrida. Ganhei os livros de um vizinho que havia passado no vestibular e comecei a estudar sozinha. Comparando com os programas de cursos preparatórios para vestibular, eu avançava pouquíssimo por dia, mas fui descobrindo como aproveitar ao máximo o tempo de estudo.

Mesmo que não seja possível frequentar uma escola de preparação pré-vestibular, não desanime nem desista de prestar a prova! Se prepare para que Deus possa cumprir em você os planos dEle. As aulas com professores podem ser substituídas por estudo perseverante, em casa mesmo. Não é necessária grande quantidade de recursos para aprender. Muito mais essencial é a presença do Mestre! Ore antes de cada estudo e peça a Deus sabedoria para entender e gravar o conteúdo em sua mente (Tiago 1:2-6).

Pedindo sabedoria, Deus me mostrou alguns tipos de alimentos que prejudicariam o preparo. Durante os últimos seis meses, deixei o açúcar, que afeta diretamente a clareza da mente (“Açúcar não é bom para o estômago. Causa fermentação, e isto obscurece o cérebro e ocasiona mau humor” [Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 327). O uso da carne também está relacionado à capacidade mental: “Constituímo-nos daquilo que comemos, e comer muita carne diminui a atividade intelectual. Os estudantes efetuariam muito mais em seus estudos se nunca provassem carne. Quando a parte animal do instrumento humano é fortalecida pelo uso da carne, as capacidades intelectuais enfraquecem proporcionalmente” (Mente, Caráter e Personalidade, v. 2, p. 390).

Leia sobre os conselhos alimentares deixados por Deus nesses livros, e se programe para cumpri-los. Peça a Deus que abençoe sua experiência. Ao ver as bênçãos, será mais prazeroso e menos difícil negar o apetite.

Outra questão representou uma prova de fé. Conhecia o conselho de Deus quanto aos livros obrigatórios dos vestibulares. No livro A Ciência do Bom Viver, página 447, está escrito: “Nunca deveriam ser colocados nas mãos da infância e da juventude livros que contenham uma perversão da verdade. Não permitamos que nossos filhos, no próprio processo de adquirir educação, recebam ideias que se demonstrarão sementes de pecado.” Minha mãe já havia lido algumas dessas obras literárias e me contou que muitos princípios ali apresentados são totalmente contrários aos ensinos de Cristo. Baseando-me nessa luz, e devido à falta de tempo para cobrir os demais conteúdos, combinei com o Senhor que não teria contato com esses livros.

Pode ser que você já tenha lido alguns durante o ensino médio; talvez, ao entrar na faculdade, se depare com textos que apresentam ideias falsas; ou pense que as leituras fictícias imorais são inocentes e um gostoso passatempo. Em cada caso, não tenha medo de saber o que Deus disse sobre esse assunto (sugiro os capítulos “O falso e o verdadeiro na educação”, e “A importância de buscar o verdadeiro conhecimento”, do livro A Ciência do Bom Viver; e o capítulo “Educação e caráter”, do livro Educação). Ele quer proteger você, por isso peça compreensão para lidar com o problema.
   
Quanto à escolha do curso, não estava totalmente certa. Tinha desejo de prestar para Medicina. Então, mesmo sabendo que a minha chance era mínima, me inscrevi para concorrer a uma vaga na Unesp e na UFRGS.

As provas chegaram. E depois de um tempo, os resultados também... Para Medicina não passei. Para Farmácia, na Unicamp, não fui selecionada nem para a segunda fase. Para minha surpresa, o único resultado positivo foi ter passado para a segunda fase da USP, onde havia prestado Química (lembro-me de que, na primeira fase da Fuvest, deixei as questões de literatura para o final e acabei marcando alternativas aleatórias no gabarito). Mas, ao sair a lista dos aprovados, meu nome não estava lá.

Pela nota do Enem, consegui uma vaga para química na UTFPR, uma universidade em Pato Branco. Mesmo não conhecendo ninguém, decidi ir para lá, sabendo que Deus estava guiando tudo. Mas esse também não era o plano dEle.

Quando vi que estava na oitava posição da lista de espera da USP, voltou a esperança. Mas pedi a Deus que me mostrasse um texto que me ajudasse a tomar a decisão certa, caso passasse, pois sabia que encontraria muitos problemas em uma cidade como São Paulo. Na mesma semana, li o texto: “Achar-Lhe-emos os vestígios dos passos ao lado do leito do enfermo, nas choças da pobreza, nas regurgitantes avenidas das grandes cidades, e em todo lugar em que há corações humanos necessitados de consolação” (A Ciência do Bom Viver, p. 106).

Agradecida, mas com a fé vacilante, pedi ainda outro sinal: que eu fosse chamada na segunda lista na USP. E assim foi! Deus me deu um dos maiores presentes que já recebi: colocou-me no curso de Química da USP e me deu a certeza de que estaria comigo ali.

Neste ano, vou começar o quinto semestre. Quanto mais aprendo, mais certeza tenho de que é nessa área que devo estar. Realizo-me com as oportunidades que me fazem crescer, e vejo que os meus planos não eram melhores. Por morar em São Paulo, sofro os problemas das cidades grandes, e vejo quão graves são as consequências quando o povo se afasta dos planos de Deus. Mas em muitas ocasiões pude contar do carinho e cuidado divinos para um desconhecido na rua, no trem, ou no ônibus. As amizades feitas na faculdade já se mostraram grandes bênçãos. Por várias vezes agradeci por Deus intervir para ajudar a mim e aos meus colegas.

Na USP, já enfrentei algumas situações que provaram minha fé, mas, com a ajuda dEle, elas se tornaram milagres! Também sou grata por Deus manter ali um grupo muitíssimo especial: o GEA. O Grupo de Estudantes Adventistas se reúne uma vez por semana, e cada encontro é como um bálsamo para nós. Agradeço por poder encontrar pessoas queridas que confiam no amor de Deus e me ajudam muito no preparo para entrar na melhor de todas as universidades: o Céu!

Coloque-se nas mãos dEle. Como Pai, Ele sempre tem um propósito excelente para cada um. Se você não entrou na faculdade neste ano, tente ver como isso pode ser uma grande bênção. E, desde já, agradeça,

“Quão grandes são os Seus sinais, e quão poderosas as Suas maravilhas! O Seu reino é um reino sempiterno, e o Seu domínio é de geração em geração” (Daniel 4:3).

(Mariane Schulz é estudante de Química na USP e mantém o blog Química e Salvação)

Adventistas e travestis: direitos desiguais

Prefeito Fernando Haddad
Em Belo Horizonte, estudantes adventistas têm direitos negados; em São Paulo, travestis ganham até bolsa de estudos especial

O prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), vetou a Proposição de Lei º 2/15, que pretendia instituir a dispensa de atividades curriculares aos estudantes das escolas municipais que são membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Conforme a publicação no Diário Oficial do Município (DOM), a proposta especifica que são consideradas adventistas todas as pessoas que, por respeito à religião, guardarem a sexta-feira depois das 18h [na verdade, depois do pôr do sol] e o sábado. No ato da matrícula, os alunos teriam que identificar sua condição de adventista por meio de uma declaração da igreja onde são congregados. “Os estabelecimentos de ensino da Rede Pública Municipal de Educação definirão, em calendário escolar extraordinário, os dias em que os alunos adventistas realizarão as atividades a que não se submeterem nas sextas-feiras e nos sábados”, estabelece o texto da proposição, originária de um projeto de lei do vereador Juliano Lopes. 

Ao justificar o veto, Lacerda explica que a competência para legislar sobre educação é concorrente entre o governo federal, estados e o Distrito Federal. As prefeituras são responsáveis somente pela competência legislativa suplementar. Ele ainda diz que, conforme a Secretaria Municipal de Educação, atualmente não há amparo legal federal para a dispensa dos alunos e definição de um calendário escolar extraordinário para reposição de conteúdo em razão das convicções religiosas. 

Em respeito à liberdade religiosa dos estudantes, a Secretaria orienta as escolas municipais a não proporem avaliações e apresentações de trabalho aos sábados para reduzir o prejuízo de quem precisa se ausentar. Além disso, conforme a Lei de Diretrizes de Base da Educação Nacional, o aluno pode ter 25% de ausência, o equivalente a 50 dias letivos, sem prejuízo formal. (Estado de Minas)

[Enquanto isso, em São Paulo:] A Prefeitura de São Paulo planeja oferecer bolsas de R$ 840 para travestis e transexuais completarem seus estudos ou fazerem cursos profissionalizantes. A gestão Fernando Haddad (PT) vai também oferecer tratamento hormonal em unidades básicas de saúde com o objetivo de evitar que pessoas desse grupo arrisquem sua saúde colocando, por exemplo, silicone industrial para deixar o corpo mais feminino. As medidas fazem parte do programa Transcidadania, que será lançado pela Prefeitura ainda neste mês. A ideia é atender inicialmente cem pessoas, mas ampliar o programa no segundo semestre.

O investimento total previsto é de R$ 2 milhões para 2015. A bolsa de R$ 840 será oferecida por um período de dois anos, e os participantes terão que comprovar presença nas aulas para receber o valor. [...]

Um dos objetivos é, portanto, elevar o nível de escolaridade dos participantes. Eles serão inseridos em duas escolas na região central que terão uma estrutura especial com a presença de psicólogos e pedagogos para ajudar na resolução de possíveis conflitos.

Outras metas são oferecer a qualificação profissional para que as participantes já tenham chances de deixar o programa empregadas e dar a elas cursos de cidadania e direitos humanos. (G1 Notícias)

Nota: No Enem já se verifica distorção (e, por que não dizer, injustiça) semelhante. Enquanto os guardadores do sábado têm que ficar confinados numa sala durante horas, até o pôr do sol, a fim de começar a prova (obviamente em condições desfavoráveis devido ao cansaço), detentos podem fazer a mesma prova em dias da semana. Não quero aqui discutir, também, a legitimidade das bolsas de estudo para travestis e transexuais – há outros grupos que são alvo de discriminação e que têm dificuldades para a inserção social e obtenção de escolaridade e emprego –, quero apenas contrastar as distorções evidentes quando o assunto são direitos humanos e de consciência. [MB] 

quarta-feira, janeiro 28, 2015

Religião provoca violência?

Culpa da religião ou dos homens?
Nos últimos dez anos, 101 torcedores morreram em brigas de estádio no Brasil. O número é cinco vezes o de mortos em ataques de terroristas muçulmanos na França e o dobro das vítimas da Inglaterra no mesmo período. Podemos então dizer que esporte mata? Que o futebol provoca violência? Pois é exatamente o que fazemos quando culpamos a religião pelo terrorismo. A crueldade do ataque aos jornalistas do Charlie Hebdo faz muita gente ligar os pontos e afirmar que religião causa violência. Gente graúda pensa assim – como Richard Dawkins, na minha opinião um dos gênios vivos da ciência [na opinião de Narloch, fique claro]. Também parece haver bons argumentos para essa ideia. As cruzadas, as carnificinas entre protestantes e católicos nos séculos 16 e 17, os conflitos entre hindus e muçulmanos na Índia: banhos de sangue em nome da fé são frequentes na história.

Mas isso é um mito. Religião não provoca violência, ou melhor: provoca tanta violência quanto qualquer identidade de grupo. O homem mata em nome da fé, mas também em nome de ideologias políticas, da nação, de etnias, da escolha sexual, do estilo de roupas e músicas (como as gangues de Nova York dos anos 80) ou em nome de times de futebol. O problema não é a religião, mas a tendência humana à hostilidade entre grupos [portanto, os que matam em nome da religião, pelo menos os “cristãos”, não estão verdadeiramente seguindo a religião que dizem seguir].

[Depois de um blá-blá-blá evolucionista em busca da origem da violência, Narloch conclui:] Basta uma olhadela na história mundial para perceber que boa parte dela se resume a hordas, gangues, tropas, tribos, times, bandos, exércitos – enfim, coalizões de homens jovens cooperando entre si – lutando contra outras coalizões de homens jovens. A religião, nessa história, é mais um pretexto para justificar uma antiga tendência humana ao antagonismo entre grupos.

Não nego que algumas crenças incitem os fiéis à violência e sejam mais problemáticas que outras. Mas achar que guerras e atentados diminuiriam se as religiões acabassem é ser otimista demais com o homem. Como mostrou o século 20, não é preciso religião para haver massacres e genocídios.

(Leandro Narloch, Veja)

Nota: Faltou Narloch mencionar que os regimes comunistas ateus levaram à morte muito mais pessoas que a Inquisição, as Cruzadas e todos os atentados terroristas juntos. Seria certo dizer que o ateísmo provoca violência? [MB]

terça-feira, janeiro 27, 2015

Papa Francisco faz apelo a favor da união dos cristãos


“A vasta diversidade de crenças nas igrejas protestantes é por muitos considerada como prova decisiva de que jamais se poderá fazer esforço algum para se conseguir uma uniformidade obrigatória. Há anos, porém, que nas igrejas protestantes se vem manifestando poderoso e crescente sentimento em favor de uma união baseada em pontos comuns de doutrinas. Para conseguir tal união, deve-se necessariamente evitar toda discussão de assuntos em que não estejam todos de acordo, independentemente de sua importância do ponto de vista bíblico” (Ellen White, O Grande Conflito, p. 444).

Ellen White escreveu isso há mais de um século. Ou o papa leu isso e seguiu à risca, ou Alguém revelou isso a ela. É de deixar qualquer um (dos que estão atentos às profecias) espantado. Mas espantado mesmo ficaria Lutero, se soubesse que, em 2017, luteranos e católicos vão celebrar juntos os 500 anos da Reforma Protestante e recordar com alegria os 50 anos de diálogo ecumênico oficial conduzido em nível mundial, na esteira do Concílio Vaticano II.

Segundo o site católico Frates in Unum, “a Comissão Internacional de Diálogo Luterano-Católica pela Unidade já há alguns anos organizou uma programação com vistas a uma possível declaração comum por ocasião do ano da comemoração da Reforma, em 2017. Nos últimos 50 anos, o diálogo ecumênico realizou grandes esforços buscando relacionar a teologia dos reformadores às decisões do Concílio de Trento e do Vaticano II, avaliando se as respectivas posições se excluem ou se completam mutuamente. [...]

“O caminhar da história tem levado luteranos e católicos a tornarem-se sempre mais conscientes de que a origem de acusações recíprocas não subsiste mais, mesmo que ainda não exista um consenso em todas as questões teológicas. [...] Em 2013, diversas delegações luteranas encontraram-se com o papa Francisco. Em 2014, uma delegação do Conselho da Igreja Protestante da Alemanha foi recebida em 8 de abril pelo papa Francisco, encontrando-se sucessivamente com o Cardeal Koch.”

Realmente, estes são tempos solenes. [MB]

Por que os seres humanos têm lábios?

Design ou mutações casuais?
[Meus comentários seguem entre colchetes. – MB] Observando a natureza, é fácil surgir a pergunta: Para que servem os lábios? Os pássaros vivem muito bem sem eles, os lábios das tartarugas são rígidos como bicos e, mesmo com os lábios existindo na maioria dos mamíferos, o homem é o único a tê-los permanentemente voltados para fora. Os cientistas dizem que os lábios são tão importantes que até compensam o fato de, às vezes, serem mordidos enquanto mastigamos. Usar os lábios para sugar é uma das primeiras habilidades que temos ao nascer. Essa aptidão fundamental para nossa sobrevivência é conhecida como “reflexo primitivo”. Todos nós nascemos sabendo sugar e não precisamos aprender. E isso vale para quase todos os mamíferos. E é esse reflexo que, combinado com outra resposta primitiva, o reflexo de busca, permite aos recém-nascidos mamar.

O reflexo de busca funciona ao se girar a cabeça do bebê para estar de frente para qualquer coisa que toque sua boca ou sua bochecha. Assim que ele agarra algo com seus lábios, seu reflexo de sucção é ativado. Apesar de a língua fazer boa parte do trabalho na mamada, os lábios são essenciais para manter um lacre que permite ao bebê engolir o leite. Isso significa que mamar, seja no peito ou na mamadeira, não é um comportamento passivo do bebê. É quase como uma conversa, com cada lado fazendo sua parte em uma dança cuidadosamente coreografada pela evolução [e antes que essa “dança evoluísse”, como os bebês sobreviviam?]. E os lábios estão no centro dessa dança.

Os lábios também são importantes no ato de comer e na fala. Em linguística, os lábios representam um dos muitos pontos de articulação – partes da boca e da garganta que ajudam a bloquear o ar que vem dos pulmões e formar os fonemas. A fala é um aspecto crucial da vida humana, mas talvez não tão divertida quanto o beijo.

O beijo não é universal, mas aparece em 90% das culturas. Suas raízes estão na biologia, talvez uma combinação de impulsos natos com um comportamento adquirido. Sabemos que outras espécies também se beijam. Os chimpanzés fazem isso para se reconciliar após uma briga e os bonobos usam a língua.

Em uma edição da publicação Scientific American Mind de 2008, o escritor Chip Walter argumentou, citando o zoólogo britânico Desmond Morris, que o beijo pode ter se originado do costume primata de mastigar alimentos e passá-los para a boca dos filhotes. O encontro dos lábios pode então ter se tornado uma maneira de aliviar a ansiedade. [Quanta imaginação, não acha?]

Alguns estudos de condicionamento sugerem que, após estimular os lábios com comidas, o simples ato de tocá-los já provoca sentimentos de prazer. Acrescente aí a grande presença de terminações nervosas dos lábios, e você terá a receita do êxtase.

Os lábios são tecidos especialmente sensíveis. A parte do cérebro responsável por detectar o toque é chamada de córtex somatossensorial e fica no topo do cérebro, em uma área chamada de giro pós-central. [Pensando na tese da complexidade irredutível, vem a pergunta: O que surgiu primeiro, as terminações nervosas táteis dos lábios ou a área específica do cérebro responsável por detectar o toque? Uma delas teria utilidade sem a outra?]

Todas as sensações de tato são enviadas para serem processadas aqui, e cada parte do corpo tem sua própria subdivisão dentro do giro pós-central. Seu tamanho reflete a densidade de receptores. [E aí, o que lhe sugere: design inteligente ou mutações acidentais filtradas pela seleção natural?]

A parte que recebe sensações do peito e da barriga é relativamente pequena, enquanto as que processam as sensações das mãos e dos lábios são enormes.

Segundo o pesquisador Gordon Gallup, nas culturas em que não existe o beijo, “parceiros sexuais podem assoprar os rostos um do outro, ou ainda lamber, sugar ou esfregar o rosto do outro antes do ato sexual”. Já o chamado “beijo de esquimó” não se limita a esfregar os narizes, mas sim trocar odores. É possível que o ato de beijar tenha surgido como uma maneira prazerosa de sentir e filtrar possíveis parceiros.

Gallup estudou o comportamento de um grupo que deveria saber bastante sobre o beijo: estudantes universitários americanos. Ele e seus colegas descobriram que uma das principais maneiras de as mulheres determinarem se um parceiro era ou não um bom beijador usava pistas químicas, como o gosto e o cheiro. Elas também disseram que provavelmente não fariam sexo com um homem sem antes beijá-lo.

Outra pesquisa de Gallup perguntou a voluntários se já tinham perdido o interesse em alguém que consideravam atraente após o primeiro beijo. Entre os homens, 59% disseram que sim e 66% das mulheres concordaram.

Mesmo tendo se concentrado em estudantes americanos, os estudos de Gallup, quando comparados com dados multiculturais e com evidências de pesquisas com animais, mostram que o contato íntimo propiciado pelo beijo pode nos ajudar a julgar a possível adequação de um parceiro.

É por isso que vale a pena ter lábios - mesmo que de vez em quando eles rachem com o vento ou acabem mordidos sem querer.


Nota:Beije-me ele com os beijos da sua boca; porque melhor é o teu amor do que o vinho” (Cânticos 1:2). Explicação mais simples: o beijo é um presente de Deus criado para ser desfrutado por duas pessoas comprometidas em amor. [MB]

UFPA dá exemplo de respeito à religião

Primeiro colocado é adventista
Universidade não vai mais divulgar lista dos aprovados durante as horas do sábado

A Universidade Federal do Pará (UFPA) pode mudar o dia de divulgação do listão do vestibular nos próximos anos. De acordo com a Universidade, a mudança se faz necessária para atender a solicitação de sabatistas que não podem acompanhar o resultado no sábado. Segundo a assessoria da UFPA, na última quinta-feira (22), três candidatos sabatistas entraram em contato com a Universidade, solicitando alteração da data de divulgação. Entretanto, como já estava tudo programado, não havia possibilidade dessa mudança. O principal motivo para a data ter sido mantida foi o fato de que a lista de aprovados não poderia ficar guardada muito tempo após estar pronta. Ela deve ser divulgada o quanto antes por questões de segurança.

O 1º colocado no PS 2015, Fernando Silveira, calouro de Medicina, é adventista do sétimo dia e não comemorou a aprovação no sábado. Ele recebeu uma ligação da Universidade informando a colocação e, mesmo contente com a aprovação, comemorou apenas após as 18h daquele dia.

A partir do ano que vem será feito um esforço para que o listão não seja mais divulgado aos sábados. De acordo com a UFPA, uma das formas de fazer isso é diminuindo a equipe que trabalha na apuração e preparo da relação de aprovados, fazendo com que ela fique pronta um pouco depois do que normalmente acontece.

A UFPA diz respeitar a diversidade das religiões e se preocupar em atender os sabatistas: “As autoridades do Centro de Processos Seletivos (CEPS) da UFPA responsáveis pela divulgação do resultado vêm discutindo a possibilidade de, nos próximos anos, excluir os sábados como dias prováveis para a saída do Listão dos Aprovados em processos seletivos, em respeito e consideração pela diversidade das religiões dos candidatos e seus familiares. A universidade, ao longo dos anos, preza o apoio a todos os envolvidos nos mais diversos certames realizados pela instituição, procurando, sempre, melhorar no que for necessário, com relação ao atendimento à sociedade.”


Nota: Com boa vontade e consideração, tudo é possível. Parabéns à UFPA pela lição de respeito à liberdade religiosa. [MB]

segunda-feira, janeiro 26, 2015

Via Láctea pode ser um portal para outro lugar?

Teoria mirabolante
A hipótese do momento propõe que a Via Láctea inteira possa ser um gigantesco buraco de minhoca ou um tipo de “sistema de transporte intergaláctico”, um túnel no espaço-tempo capaz de nos levar aos confins do Universo. Pelo menos é o que pensa uma equipe de físicos indianos, italianos e norte-americanos. “Se combinarmos o mapa da matéria escura na Via Láctea com o modelo mais recente do Big Bang para explicar o Universo e aventarmos a hipótese da existência de túneis no espaço-tempo, o que temos é que a nossa galáxia realmente poderia conter um desses túneis, e que o túnel poderia até mesmo ser do tamanho da própria galáxia”, explica Paolo Salucci, astrofísico da Escola Internacional de Estudos Avançados (SISSA), na Itália. “Mas há mais: nós poderíamos até mesmo viajar por esse túnel, uma vez que, com base em nossos cálculos, ele pode ser navegável, exatamente como aquele que vimos no recente filme Interestelar, acrescenta.

“O que tentamos fazer em nosso estudo foi resolver a equação fundamental na qual a astrofísica Murph [personagem do filme, interpretada por Jessica Chastain] estava trabalhando. É evidente que fizemos isso muito antes de o filme sair”, diz Salucci. “É, de fato, um problema extremamente interessante para estudos da matéria escura. Obviamente não estamos afirmando que nossa galáxia definitivamente seja um buraco de minhoca, mas simplesmente que, de acordo com os modelos teóricos, essa hipótese é uma possibilidade.” [Continue lendo.]

Vida e Saúde: páginas de bem-estar

Nunca é demais receber boas ideias para viver bem. E é pensando assim que a revista Vida e Saúde prepara mês após mês edições repletas de novidades saudáveis. Vida e Saúde do mês de fevereiro, por exemplo, traz temas de grande interesse para quem deseja cuidar bem de si.

As novas exigências dos órgãos de saúde pública no que diz respeito ao sódio alertam: enquanto a Organização Mundial da Saúde recomenda que a ingestão diária não ultrapasse os cinco gramas, o brasileiro consome mais que o dobro disso, chegando até 12 gramas por dia. Quais as implicações e possíveis saídas desse problema?

O mês de fevereiro aborda também uma preocupação típica da mulher no verão: a beleza dos cabelos. Mas como a gente não é só corpo nem aparência, Vida e Saúde preparou um texto que discute a relação do ser humano com a tecnologia, os prós e contras da tendência de um comportamento sempre conectado.

Esses são alguns destaques, entre tantos outros textos elaborados com a intenção de trazer à tona mais do que atualidades sobre saúde, antes, a reflexão sobre o que é ser integralmente saudável.
           
Mas fique tranquilo! Se ciência e saúde parecem assuntos difíceis, Vida e Saúde simplifica para você. Os textos estão numa linguagem que aproxima a ciência do leitor, naturalmente. Ilustrações, quadros e infográficos também cumprem o papel da apreensão didática do conteúdo.
           
Bom, já deu para perceber que a revista Vida e Saúde de fevereiro está mais que especial, não é mesmo? Sabe por quê? Porque você, leitor, merece o melhor! Não perca tempo, abra já suas páginas de bem-estar e receba as gotas de saúde deste mês.

(Ágatha Lemos, editora associada da revista Vida e Saúde)

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domingo, janeiro 25, 2015

sábado, janeiro 24, 2015

Lindo documentário da TV Brasil sobre a Igreja Adventista

Um dos melhores documentários que já assisti sobre a Igreja Adventista do Sétimo Dia, produzido pela TV Brasil, uma emissora pública não religiosa. Clique aqui para assistir.

sexta-feira, janeiro 23, 2015

Michelson Borges fala sobre criacionismo e o papa

Nota alta no Enem com citações de livros adventistas

O pai (esq.) o motivou à leitura
Na última semana, mais de oito milhões de estudantes receberam suas notas individuais do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Porém, poucos deles tiveram o privilégio de tirar uma nota acima da média na prova, como o estudante adventista Jefrey Sobreira Santos, de 18 anos. Ele chegou perto da nota máxima na redação, na qual utilizou citações de livros adventistas para desenvolver o tema. Ao consultar o resultado, o jovem, que concluiu o ensino médio em 2014 numa escola pública de Vitória, se deparou com a nota 920 na redação e média 700 nas objetivas. Surpreso e feliz, Jefrey comemora a possibilidade real de conseguir uma bolsa de estudos para cursar o ensino superior com 100% de gratuidade. Ele conta que teve tranquilidade para discutir o tema da redação – “Publicidade Infantil em questão no Brasil” –, mesmo o assunto não sendo destaque na mídia ultimamente. “Não foi muito abordado recentemente, mas é fruto de uma discussão intensa na sociedade há alguns anos”, avalia.

Apostando em uma boa ortografia e coerência de ideias, ele utilizou dados e citações, inclusive de livros de autores adventistas. Entre outros, retirou pensamentos dos livros Nos Bastidores da Mídia, de Michelson Borges, e Como Formar Filhos Vencedores, de Nancy Van Pelt. “Tentei argumentar e expor o tema com tudo o que eu já havia lido sobre o assunto”, conta.

Com uma nota alta no Enem, o jovem aguarda a abertura das inscrições do Prouni, o que deve acontecer na próxima semana, para tentar uma bolsa de estudos para Engenharia da Computação.

É um sonho de criança de um menino que, com 10 anos, já aprendia a linguagem complexa de sistemas e hoje, com 18, trabalha como programador.

“Relógio do Apocalipse”: três minutos para o fim do mundo

Cientistas do BAS
O fim do mundo está próximo! A depender do alerta emitido nesta quinta-feira pelo Boletim de Cientistas Atômicos (BAS, na sigla em inglês), ao adiantar em dois minutos o “Relógio do Apocalipse”, que agora marca três para meia-noite, vivemos uma situação tão perigosa quanto a da Guerra Fria. A última vez em que a situação esteve tão crítica foi em 1984, num momento em que o recrudescimento das hostilidades entre os EUA e a então União Soviética ameaçavam a humanidade com uma guerra nuclear. Desta vez, a principal ameaça vem do clima. “Isto é sobre o fim da civilização como nós a conhecemos”, disse Kennette Benedict, diretora-executiva do BAS. “A probabilidade de uma catástrofe global é muito alta, e as ações necessárias para reduzir os riscos são urgentes. As condições são tão ameaçadoras que estamos adiantando o relógio em dois minutos. Agora faltam três para a meia-noite.”

A emissão de dióxido de carbono e outros gases está transformando o clima do planeta de forma perigosa, alertou Kennette, o que deixa milhões de pessoas vulneráveis ao aumento do nível do mar e a tragédias climáticas. Em comunicado, o BAS faz duras críticas aos líderes globais, que “falharam em agir na velocidade ou escala requerida para proteger os cidadãos de uma potencial catástrofe”.

O consultor e ambientalista Fabio Feldmann considera o alerta “bastante razoável” e destaca a falta de mobilização de governos e sociedades como o principal entrave.
“Se há um ano eu falasse sobre os riscos da crise hídrica em São Paulo, seria tachado de apocalíptico, mas veja a situação agora”, disse Feldmann. “A realidade está superando as previsões científicas, mas não está colocando o tema na agenda. Esse é o drama.”

Além da questão climática, o BAS alerta sobre a modernização dos arsenais nucleares, principalmente nos EUA e na Rússia, quando o movimento ideal seria o de redução no número de ogivas. Estimativas mostram a existência de 16.300 armas atômicas no mundo, sendo que apenas cem seriam suficientes para causar danos de longo prazo na atmosfera do planeta.

“O processo de desarmamento chegou a um impasse, com os EUA e a Rússia aplicando programas de modernização das ogivas – minando os tratados de armas nucleares – e outros detentores se unindo nessa loucura cara e perigosa”, informou o BAS.

A organização pede que lideranças globais assumam o compromisso de limitar o aquecimento global a dois graus Celsius acima dos níveis pré-industriais e de reduzir os gastos com armamentos nucleares. “Não estamos dizendo que é muito tarde, mas a janela para ações está se fechando rapidamente”, alertou Kennette. “O mundo precisa acordar da atual letargia. acreditamos que adiantar o relógio pode inspirar mudanças que ajudem nesse processo.”

O BAS foi fundado em 1945 por cientistas da Universidade de Chicago (EUA) que participaram no desenvolvimento da primeira arma atômica, dentro do Projeto Manhattan. Dois anos depois, eles decidiram criar a iniciativa do relógio, para “prever” quão perto a humanidade estaria da aniquilação. Na época, a principal preocupação era com o holocausto nuclear, mas, a partir de 2007, a questão climática passou a ser considerada pelo grupo. As decisões de ajustar ou não o relógio são tomadas com base em consultas a especialistas, incluindo 18 vencedores do Prêmio Nobel.

Desde a criação, o “Relógio do Apocalipse” foi ajustado apenas 22 vezes. O momento mais crítico aconteceu em 1953, com o horário marcando 23h58, por causa dos testes soviéticos e americanos com a bomba de hidrogênio. A assinatura do Tratado de Redução de Armas Estratégicas, em 1991, fez o relógio marcar 17 minutos para a meia-noite, a situação mais confortável até hoje.

O último ajuste do relógio aconteceu em 2012, para 23h55, com o BAS alertando sobre os riscos do uso de armas nucleares nos conflitos do Oriente Médio e o aumento na incidência de tragédias naturais.


Nota: Nada como o medo para motivar ações drásticas no planeta. De qualquer forma, é bom ver que há mais pessoas percebendo que este mundo é um barril de pólvora prestes a explodir. [MB]