segunda-feira, março 02, 2015

Finalmente, meu olhar 43

Só enxerguei bem quando vi a Luz
“E pra você eu deixo apenas meu olhar 43, aquele assim, meio de lado, já saindo, indo embora, louco por você.” Essa frase, cantada por Paulo Ricardo (do conjunto RPM) nos anos 1980, grudou muitas vezes na mente de muita gente (e não é que me veio de novo à memória?). Nunca entendi por que “43”, mas uma coisa a gente sabia: era o tipo de olhar que quer seduzir, que encara o pretendente demoradamente, fazendo charme. Ou algo assim. (Só sei que funcionou com minha esposa...) Mas não é sobre esse tipo de olhar que eu quero falar. Na verdade, tomei emprestada essa gíria saída do túnel do tempo para registrar que hoje, finalmente, tenho um olhar 43, ou melhor, um olhar de 43 anos. E agradeço a Deus cada um deles. Algumas rugas apareceram; tenho bem menos cabelos e sinto falta da minha franja jogada para o lado; e depois de bons anos pós-cirurgia de correção visual, voltei a usar óculos – mas posso dizer que, em outro sentido, meu olhar melhorou e muito.

Muita coisa mudou no mundo nessas quatro décadas em que estou por aqui. No dia 2 de março de 1972, dia em que nasci há exatos 43 anos, foi lançada ao espaço pela Nasa a sonda Pioneer, com o objetivo de tirar fotos do sistema solar e explorar o espaço sideral. Além disso, a sonda contém uma placa de ouro com desenhos que, na opinião do falecido astrônomo Carl Sagan, revelariam tratar-se de algo feito por seres inteligentes. Sagan cria nesse tipo de design inteligente, embora rejeitasse o design inteligente da vida (ele era ateu). Cria que 1.200 e poucos bits de informação numa placa de ouro revelariam projeto, inteligência, intencionalidade. Mas não cria que os 60 zetabytes de informação contidos nas centenas de trilhões de células do corpo humano evidenciam as digitais do Criador. Durante quase metade da minha vida eu pensei como Sagan. Mas meu olhar mudou. Tornei-me criacionista. Passei a ver na criação os “atributos invisíveis de Deus” (Romanos 1:19-21).

Na minha adolescência, o rock brasileiro fazia o maior sucesso entre a gente. Além do RPM (que eu não curtia muito), tinha também Paralamas do Sucesso, Capital Inicial, Engenheiros do Hawaii e Legião Urbana (essa, sim, eu curtia bastante). Só que as músicas me diziam coisas do tipo: “Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar que tudo era pra sempre, sem saber que o pra sempre sempre acaba?” E outras “verdades” deprimentes que nos deixavam inconformados e desanimados ao mesmo tempo. Mas mudei de visão também nesse aspecto, e passei a escutar músicas que falam de esperança; que me dizem que existe, sim, um pra sempre que nunca acaba; e que essa esperança tem nome: Jesus. Meu olhar de 43 passou a ter um brilho diferente.

Na primeira metade da minha vida eu comi e bebi praticamente de tudo: churrasco, refrigerantes, embutidos, cerveja, torresmo (ui!)... O corpo era jovem e aguentou o “tranco”. Mas não precisava ter sofrido processando tantos elementos agressores. Não precisava ter me arriscado tanto com doenças e vícios. Podia ter vivido muito mais saudavelmente, com a mente mais clara, mas eu não sabia das coisas que sei hoje. Não sabia que podia ter prazer em alimentos simples e saudáveis, e que podia ter mais vigor e disposição. Meu olhar mudou. Passei a ver os animais criados por Deus não mais como alimento, e me senti mais leve e feliz.

Na primeira metade da minha trajetória neste planeta eu assisti a um monte de bobagens e li um bocado de lixo. Filmes de terror, de ficção científica, de aventura fútil e violência gratuita, seriados e mais seriados, histórias em quadrinhos de super-heróis, livros sobre mistérios da humanidade, e por aí vai. Quanto lixo acumulado na memória! Quanta perda de tempo! Quão pouca coisa útil em meio a tanta palha. Mas eis que minha visão mudou. Meu olhar sobre o que tinha e não tinha valor foi drasticamente alterado. De repente, aquilo tudo passou a não mais ter valor para mim. Arrependi-me do tempo perdido e me apaixonei por alimento de verdade, sólido, nutritivo: a Bíblia Sagrada e livros com conteúdo edificante. Deus teve que fazer uma faxina em minha mente e mudar o meu olhar, meus gostos e minhas preferências. Mas Ele fez isso, porque eu permiti. Porque eu pedi. E meu olhar de 43 se tornou mais claro.

Meu olhar adolescente/jovem não sabia o que era amor. Apaixonei-me umas poucas vezes, mas foi tudo passageiro. Até que o Deus a quem entreguei minha vida e que mudou meu olhar me apresentou àquela a quem eu daria meu coração. Aí, sim, pude descobrir o amor. Pude olhar para uma mulher com o olhar de Deus – não aquele “assim meio de lado”, mas aquele que vê dentro dos olhos; que vê o ser todo, não apenas um corpo; que vê sentimentos, sonhos, projetos, sinceridade. Que vê uma pessoa e pode concluir, com a aprovação do Senhor: “É com ela que eu quero dividir o restante dos meus dias aqui e os milênios infindos na eternidade.” Meu olhar mudou, e descansou nela. Meu olhar mudou, pois descobriu o verdadeiro amor e o maravilhoso plano do Criador para um homem e uma mulher casados. Meu olhar mudou, pois descobri que é possível amar cada vez mais, à medida que o tempo passa.

Ao olhar para trás através dessas quatro curtas décadas (sim, passou rápido!), arrependo-me de muitas coisas, gostaria que algumas não tivessem acontecido, revivo certas dores e carências, mas também sinto saudades de bons momentos e pessoas queridas. Ao olhar para trás, agora com o olhar de 43, consigo ver as falhas dos meus pais – até porque muitas vezes acabo incorrendo em erros semelhantes –, mas também consigo ver ainda mais evidentes suas virtudes. Hoje sou pai e consigo avaliar o peso dessa palavra. Ao olhar para eles com meu olhar de 43 percebo que os amo tanto quanto não tinha me dado conta antes. E minhas irmãs? Com o olhar de 43, a gente percebe que são pessoas mais do que especiais. Pessoas que, se a gente pudesse, pegaria no colo sempre que sofrem ou se machucam pela vida. Pessoas que a gente não quer que estejam ausentes do Céu por nada neste mundo. Não importam o tempo e a distância, pais e irmãos marcam nossa vida para sempre e estão sempre pertinho do coração.  

Meu olhar de 43 é o de olhos que sabem que já viveram metade de uma existência humana, e que somente existe esperança se olharem mais para frente do que para trás. Se olharem mais para o alto do que para baixo.

Meu olhar de 43 mudou em muitos outros aspectos. E sabe por quê? Porque o fixei em Jesus Cristo, a luz verdadeira.

Michelson Borges

Leia também: "Entrei para o grupo dos 'enta'" 

Vantagens do exercício físico para o cérebro

Perguntas simples podem trazer respostas que fazem grande diferença para a saúde. Por exemplo, você já se perguntou se o filtro – o que você tem em casa mesmo – realmente purifica a água que você está bebendo? Ou: Você já parou para observar se o seu comportamento alimentar está à beira de um transtorno? E quando descansa, você sabe exatamente por que se sente melhor? Estas são algumas situações que vivemos “no automático”, mas que não sabemos bem dizer por que acrescentam ou diminuem nossa qualidade de vida.
           
A revista Vida e Saúde tem se preocupado em proporcionar informações práticas, isto é, aquelas com as quais as pessoas de modo geral se identificam. Não basta falar das novidades da ciência para a saúde, se elas não puderem ser aplicadas na vida do leitor. É por isso que a Vida e Saúde de março trata de temas que fazem parte da nossa rotina, sem que ao menos percebamos sua influência sobre nosso bem-estar.
           
É o caso do exercício físico (matéria de capa): existe grande apelo para que nos exercitemos devido às vantagens para o corpo. Mas o que poucos sabem é que os exercícios fazem bem também para a mente. A memória que o diga!
           
Segredinhos assim podem ajudar a fortalecer nossa decisão por uma vida mais saudável. Parece bem melhor saber o porquê de se fazer algo do que simplesmente acompanhar a onda do momento.
           
Jejum terapêutico, treinamento funcional e receitas deliciosas são outros destaques da revista deste mês. Além disso, o comportamento exagerado ou a capacidade de dar a volta por cima são temas trabalhados por psicólogos e psiquiatras e que fazem parte da revista.

Tem muita coisa boa na edição de março, mas não dá pra contar tudo aqui. Que tal abrir já sua revista Vida e Saúde e conferir você mesmo?

Assine já Vida e Saúde por um ano. Clique aqui.

domingo, março 01, 2015

“Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos”

Às vezes, realmente, papel aceita tudo
Enquanto lia o capítulo 1 da carta de Paulo aos Romanos (leitura do dia 27/2/15, no projeto Reavivados por Sua Palavra), não pude deixar de pensar na recente notícia a respeito da publicação de um artigo científico na revista Quanta Magazine. O autor, Paul Rosenberg, trabalha no famoso Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos. Mas de que trata o tal artigo e que descoberta bombástica é essa? Nada de novo, na verdade. Apenas o velho esforço naturalista de tentar provar que tudo teria surgido do nada, sem a necessidade de um Criador. Prova disso é que Rosenberg foi correndo escrever no site da Fundação Richard Dawkins, do conhecido biólogo ateu inimigo dos religiosos. Mas vamos à “descoberta”.

Rosenberg afirma que sua nova teoria poderá colocar Deus “na geladeira” e aterrorizará os cristãos (Uau!). Segundo ele, a vida não teria surgido de um acidente nem teria sido resultado de sorte, em uma “sopa primordial”, mas teria surgido “por necessidade”, resultado das leis da natureza, e seria “tão inevitável quanto rochas rolando ladeira abaixo”. É interessante notar que cientistas como ele admitem que a teoria da “sopa primordial” é frágil e ficam imaginando formas de driblar o acaso. Mas aqui cabe uma pergunta: Se já havia leis e matéria antes de a vida “surgir”, quem as criou e planejou para serem tão finamente ajustadas a fim de manter a integridade da realidade e favorecer a manutenção da vida?

Lei determina fechamento do comércio aos domingos

Numa sessão ordinária da Câmara de Vereadores do município mineiro de Manhuaçu, realizada no fim do ano, foi aprovado o Projeto de Lei nº 072/2014, que trata do fechamento do comércio aos domingos. Após a análise das comissões e a adição de emenda parlamentar, regulamentando a vigência da Lei a partir de Janeiro de 2015, o projeto, de autoria dos vereadores Gilson César da Costa e Fernando Gonçalves Lacerda, foi aprovado por unanimidade. No plenário, houve expressiva presença de trabalhadores do comércio, principalmente dos supermercados da cidade, além de representantes do Sintracom (Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Manhuaçu), inclusive do presidente da entidade, Adalto de Abreu. A reivindicação feita pelos trabalhadores, pelo sindicato e pelos vereadores baseia-se na ideia de que essa mudança possibilitará aos trabalhadores do comércio um tempo de descanso junto aos familiares no domingo, evitando situações de depressão e outros transtornos decorrentes do desencontro ocasionado pelo cenário atual. Ou seja, se todos descansam aos domingos, há o encontro entre pais e filhos, marido e mulher, etc., considerando que a família é o principal pilar da sociedade e é preciso haver ações para protegê-la, evitando, assim, as mais diversas mazelas sociais.

O vereador Gilson ressaltou que outras cidades da região e até mesmo capitais também alteraram a legislação para não haver funcionamento do comércio aos domingos. Ele citou como exemplo a cidade universitária de Viçosa, MG, e Vitória, capital do Espírito Santo. Ele ainda pontuou as mobilizações feitas pela Igreja Católica, com o papa Francisco – que defende o descanso aos domingos para o fortalecimento da família –, e a Igreja Presbiteriana de Manhuaçu – que recentemente lançou publicação sobre o tema.


Nota: A ideia está pegando... E ai dos que discordarem dessa coligação envolvendo políticos, religiosos, sindicatos e povo! Quando os Estados Unidos assinarem uma lei mundial nesse sentido, todo mundo já estará convencido de que parece ser algo bom para o mundo. Não haverá oposição. [MB]

O jornal da padaria

Simulacro da realidade
Na padaria, pego um jornal popular, desses que salvam as gráficas da inatividade, e formulo uma regra de ouro: “Quanto mais a gente distrair o trabalhador e esconder o que de fato importa, melhor para o capital.” Daí, tanta mulher de vitrine. Não de verdade, mas aquelas fabricadas na academia, na iluminação e no Photoshop (“Se a modelo é baixinha, a gente diminui o tamanho da cadeira, da mesa, do que aparece”, ensinou-me, há mais de 40 anos, o fotógrafo da Manchete. “As baixinhas ficam muito gostosas quando parecem maiores.”)

E futebol. Tem sempre um campeonato, senão a gente inventa. E um craque, senão a gente cria. (Conheci um editor que viajava pelo interior do fim do mundo; quando encontrava um garoto bom de bola, arrumava contrato de gaveta, trazia para a capital, enfiava num time qualquer; logo, na matéria do jornal, o rapaz era o maior craque. Deu duas tacadas certas e ficou rico.)

E crime. Aí é uma questão de moda e o trato com a polícia uma relação em que todos ganham, com rusgas de vez em quando. Tem temporada de assalto, de sequestro, de vigaristas... Agora, a moda é estupro. Mas sempre pinta um bom crime passional, caso que estica duas, três semanas... ouro puro! Aí, basta pegar o que sobra dos grandes jornais. (Na verdade, os crimes que ficam na memória das gentes são aqueles que revelam aspectos inéditos da sociedade ou da alma humana, do Febrônio a Aída Curi, de Claudia Lessin a Suzana Richtoffen.)

E fofocas. Os famosos: o que fazem, o que vestem, com quem andam, principalmente com quem dormem. Há famosos para todos os gostos e ninguém mais criativo do que assessor de imprensa de famoso. A televisão é um mostruário deles; pega-se carona nos humorísticos e nas novelas das seis, sete, no máximo, das nove (depois, os trabalhadores estão dormindo). No caso, interessam os famosos bem bregas. 

Nada deprimente, exceto os crimes que dão ao veículo o indispensável “efeito de real” de que fala Barthes. A vida, para esse público, já é bastante.

Um perigo nesse tipo de edição, é ir longe demais no desprezo pela inteligência dos leitores. Não se pode agredir a percepção que eles têm da realidade imediata; apenas se fala pouco dela e a toma como fato consumado. Também não se pode engrossar muito as piadas: eles levam o jornal para casa e não gostam que as crianças leiam sacanagem.

(Nilson Lage, via Facebook)

sexta-feira, fevereiro 27, 2015

Isaac & Charles: Vida num facho de luz?

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Cinco mitos sobre a “Bíblia manipulada”

Preservação impressionante
A Bíblia Sagrada é totalmente confiável. Dizer o contrário é ignorar os fatos

[Geralmente discordo do que Reinaldo José Lopes escreve sobre evolucionismo em seu blog. Mas sempre o respeitei, desde o momento em que tivemos contato, quando, como editor de Ciência da Folha, ele me entrevistou para uma reportagem sobre aquecimento global (confira aqui e aqui). Ele é um católico sincero. Quanto ao texto “Cinco mitos sobre a ‘Bíblia manipulada’”, escrito por ele e reproduzido aqui de forma resumida, posso dizer que concordo em mais de 90% com tudo o que ele diz. Realmente, Reinaldo foi muito feliz e honesto ao postar isso. Que os céticos da Bíblia e evolucionistas roxos se acertem com ele. – MB]

É impressionante a quantidade de lendas urbanas, preconceito e desinformação que grassa por aí quando o assunto é a maneira como a Bíblia foi escrita, editada e transformada num cânone, ou seja, num conjunto (mais ou menos) fechado de livros adotado por muitas religiões como algo dotado de autoridade religiosa. Mas nada tema, mui gentil leitor – este post abordará (e desmontará) cinco grandes mitos sobre o tema e, espero, trará alguma luz ao debate. Vamos a eles?

Mito 1: a Bíblia que temos hoje foi “inventada” no Concílio de Niceia.

Nananinão, dileto leitor. O Primeiro Concílio de Niceia, realizado no ano 325 d.C. na cidade romana de mesmo nome (localizada na atual Turquia), foi uma grande reunião de bispos (cerca de 300) convocada pelo imperador Constantino. Seu principal tema foi a cristologia, ou seja, debates sobre a exata natureza de Jesus Cristo e sua relação com Deus Pai. O concílio deu o passo decisivo para definir que Jesus compartilhava da mesma natureza de Deus e existia desde o princípio dos tempos, não tendo sido “criado” em qualquer sentido ordinário. A agenda do concílio incluía várias questões menores, como a data correta da celebração da Páscoa cristã. Mas em NENHUM momento incluiu discussões sobre os livros que deveriam ou não ser incluídos na Bíblia. Repito: esse tema simplesmente NÃO foi debatido em Niceia. Mito puro, portanto. [...]

Mito 2: ao longo dos séculos, a Bíblia foi constantemente manipulada e alterada. Não fazemos a menor ideia de quais eram os textos originais.

Esse mito é mais complicado porque contém alguns elementos de verdade. Vamos examinar a questão, pensando primeiro no cânone judaico (o nosso Antigo Testamento) e depois no cânone cristão. Primeiro, o fato é que a tradição de manuscritos do Antigo Testamento é muito antiga e bastante bem documentada. Os famosos Manuscritos do Mar Morto, achados na Cisjordânia nos anos 1940 e 1950, remontam até o século 2º a.C., em alguns casos, e vão até o século 1º da Era Cristã, ou seja, têm cerca de 2.000 anos de idade. A maior parte desses manuscritos corresponde a trechos de quase todos os livros da Bíblia hebraica, ou Tanakh, como também é conhecida – só não há na coleção trechos do livro de Ester.

Tem variação quando comparamos os textos bíblicos dos Manuscritos do Mar Morto com os textos hebraicos preservados pela comunidade judaica, os chamados textos massoréticos, que datam do século 9º d.C.? Tem variação sim, e considerável – trechinhos a mais ou a menos, trocas de letras, confusões de significado, etc. Isso é especialmente verdade em textos de natureza poética, que possuem vocabulário mais complexo e de difícil interpretação. Mas há relativamente pouca coisa que tenha algum significado teológico ou histórico muito importante nessa variação. [...]

Resumindo: no caso do Antigo Testamento, apesar das muitas variantes, estamos falando de uma tradição de manuscritos que manteve considerável estabilidade ao longo de muitos séculos. Não há sinal de nenhuma conspiração para manipular em larga escala o conteúdo desses textos. No geral, os antigos judeus (e samaritanos) parecem ter respeitado o conteúdo tradicional de tais textos.

E no caso do Novo Testamento? Bem, os mais antigos fragmentos em grego desses livros que chegaram até nós são do começo do século 2º d.C. – cerca de um século, portanto, depois da morte de Jesus. Mas textos maiores só aparecem no século 3º d.C. O consenso entre os historiadores, no entanto, é que a maior parte do Novo Testamento foi escrita bem antes, entre 65 d.C. e 100 d.C. Mais uma vez, existem variantes? Sim, centenas de milhares, mas a grande maioria delas não tem grande significado. [...] No geral, porém, vale o mesmo que dizemos sobre o Antigo Testamento: quando comparamos todos os manuscritos que chegaram até nós, não há sinais de manipulações de larga escala dos textos.

O importante aqui, eu acho, é pensar no contexto e na maneira como funcionavam as tradições religiosas na Antiguidade. Os textos que acabaram compondo o cânone da Bíblia já circulavam e eram venerados havia séculos quando o cristianismo se consolidou. Eram lidos, comentados, estudados e muito bem conhecidos. Alterá-los totalmente provocaria muitas brigas e não serviria a grandes propósitos. [...]

Mito 3: os Manuscritos do Mar Morto contêm evangelhos apócrifos que revelam verdades chocantes sobre Jesus.

Esse mito é fácil de derrubar, em contraposição ao anterior. Não há NENHUM texto cristão em meio a esses manuscritos, gente. A única relevância deles para o estudo do Jesus histórico é o fato de que eles nos ajudam a entender como era o judaísmo na época em que Cristo viveu. Fora isso, nada.

Mito 4: os evangelhos apócrifos são uma fonte mais confiável sobre a figura histórica de Jesus do que os que foram incluídos na Bíblia.

Outro mito que vai ao chão com relativa facilidade. Hoje, quase todos os historiadores concordam que é preciso ler com muito cuidado os Evangelhos canônicos – Mateus, Marcos, Lucas e João – se a ideia é buscar informações historicamente confiáveis, porque o interesse dos evangelistas era fazer teologia, e não história no sentido moderno. Mas, e esse é um grande mas, a maioria dos historiadores também concorda que, se esses textos têm problemas do ponto de vista histórico, os evangelhos apócrifos, ou seja, não incluídos na Bíblia, são ainda mais problemáticos, em geral. Isso porque tais textos foram, em geral, escritos bem depois dos Evangelhos canônicos e estão cheios de material lendário e especulações teológicas ainda mais ousadas do que os textos presentes na Bíblia. São quase “fan-fic” – aqueles textos escritos por fãs de um livro ou de um filme usando personagens criados por outra pessoa em suas próprias histórias. [...]

Mito 5: as Bíblias católicas e ortodoxas incluem textos apócrifos que não fazem parte do cânone “correto” do Antigo Testamento.

Esse é outro mito com nuances, como o mito 2. De fato, o que a Bíblia das igrejas protestantes inclui em seu Antigo Testamento é um conjunto de livros exclusivamente traduzidos do hebraico para as línguas modernas. São os mesmos livros incluídos pelos judeus atuais em seu Tanakh desde mais ou menos o ano 100 d.C. As Bíblias católicas e ortodoxas incluem ainda outros livros, como Judite, Sabedoria e Eclesiástico, que foram traduzidos do grego e a respeito dos quais se acreditava que tinham sido escritos originalmente em grego e/ou nunca teriam feito parte do cânone de qualquer grupo judaico.

Acontece, porém, que na época de Jesus o cânone judaico ainda estava “semiaberto”, e ao menos alguns grupos de judeus parecem, sim, ter considerado que tais livros eram canônicos. Trechos do Eclesiástico, por exemplo, foram achados entre os Manuscritos do Mar Morto, e em hebraico. A mesma coisa vale para o livro de Tobias – trechos em hebraico e aramaico também constam da “coleção” do Mar Morto. Isso significa que esses livros “devem” fazer parte do cânone? Depende. É claro que, no fundo, essa é uma discussão cultural e teológica. Mas o que claramente não funciona muito é dizer que o judaísmo nunca aceitou esses livros como parte das Escrituras – em alguns casos, essa informação parece não proceder.

(Reinaldo José Lopes, Darwin e Deus)

Câmara de vereadores veta comércio aos domingos

Um projeto de lei da Câmara de Vereadores de Jaraguá do Sul, SC, que permitiria a abertura do comércio aos domingos, foi arquivado. Sob a ótica profética relacionada com o futuro decreto dominical, o que chama a atenção no vídeo abaixo são os motivos usados pela população (de maioria católica e luterana) para defender a ideia de que o domingo seja preservado. Note, também, o que dizem os cartazes. A preservação da família é uma causa muito forte. A justiça social (além da proteção ao meio ambiente), também. No fim da matéria, uma trabalhadora menciona a crise financeira para justificar o direito de trabalhar aos domingos, mas, como a legislação caminha cada vez mais no sentido de preservar esse dia, os outros seis dias da semana serão obrigatoriamente dedicados ao trabalho. Assim, os que guardam o sábado bíblico terão crescente dificuldade para ser fiéis aos mandamentos de Deus. Mas isso não é novidade para quem estuda a Bíblia. [MB] 



Membros do Estado Islâmico destroem estátuas milenares

O Estado Islâmico divulgou ontem (26/02) um vídeo em que integrantes do grupo jihadista aparecem destruindo diversas estátuas e esculturas com mais de três mil anos. Os artefatos eram parte do patrimônio cultural da civilização assíria, que habitou o norte do Iraque e da Síria desde o 10º século a.C. Cidadãos assírios, que compõem a minoria católica no Iraque, também estão sendo perseguidos. Nesta semana, o Estado Islâmico sequestrou mais de 200 cristãos da Síria, sem contar as várias pessoas que têm sido decapitadas por eles. O que esses loucos fanáticos estão conseguindo fazer é unir o mundo em ódio contra um tipo de religião fundamentalista execrável. Eles não respeitam a cultura alheia, a liberdade religiosa, nem tampouco os direitos humanos. O problema é a polarização crescente entre a religião tolerante, ecumênica, inclusiva versus a religião dita “fundamentalista”, que também vem sendo interpretada como aquela que faz uma leitura literal dos textos sagrados. Dias difíceis estes...

quinta-feira, fevereiro 26, 2015

Nova teoria tenta explicar origem da vida sem Deus

E da luz surgiu a vida...
[Meus comentários seguem entre colchetes, porque não resisto esperar até o fim do texto para escrever uma nota. – MB] Um cientista do Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, escreveu para o website da Fundação Richard Dawkins [ou seja, é amiguinho, fã, bajulador ou algo assim do ateu que hoje é o maior combatente da fé, Richard Dawkins] dizendo que a nova teoria poderá colocar Deus “na geladeira” e aterrorizará os cristãos [uau! Tanta gente já tentou isso na passado, mas sem sucesso...]. Segundo o estudo, a vida não teria surgido de um acidente, ou teria sido resultado de sorte de uma “sopa primordial”, mas ela teria surgido por necessidade [de quem?] – resultado das leis da natureza e seria “tão inevitável quanto rochas rolando ladeira abaixo” [eles mesmos admitem que a teoria da “sopa primordial” é frágil e ficam imaginando formas de driblar o acaso. Uma pergunta: Se já havia leis e matéria, quem as criou?]. O problema para os cientistas que tentam entender como a vida começou é apreender como os seres vivos – que tendem a ser muito melhores em tirar energia do ambiente e dissipá-la como calor – poderiam acontecer vindo de seres sem vida [“seres” sem vida?]. Porém, de acordo com a teoria de Paul Rosenberg, do MIT, reportada na revista científica Quanta Magazine [quando se trata de defender o naturalismo filosófico, quase qualquer hipótese encontra espaço em certas revistas científicas], quando um grupo de átomos é submetido por um longo tempo a uma fonte de energia [e esta, surgiu do nada?], ele irá se reestruturar para dissipar mais energia. Assim, a emergência da vida não poderia ter sido por sorte de arranjos atômicos, mas sim de um inevitável evento se as condições fossem corretas [e aí, te convenceu?].

“Você começa com um grupo aleatório de átomos; se você brilhar a luz sobre ele por muito tempo, não deve ser tão surpreendente que você obtenha uma planta”, explica Rosenberg. [Não acredito que li uma coisa dessas!!!!! Então basta acender uma lanterna sobre um monte de qualquer coisa inanimada que, depois de algum tempo, surge vida?! E eu sou o crente?! Que espécie de pensamento científico é esse que contraria a própria ciência, segundo a qual a ordem e a complexidade não podem provir da desordem? E tem mais: o cientista parece se esquecer convenientemente de mencionar que para se ter vida é preciso informação genética. Esse facho de luz teria fornecido também toda a informação necessária para o “surgimento” do primeiro DNA?]

Como observa Rosenberg, a ideia de que a vida poderia ter evoluído a partir de coisas não vivas tem sido afirmada há algum tempo, tendo sido descrita por filósofos pré-socráticos. [Será que ele, percebendo o absurdo de sua proposta, resolveu apelar para o argumento ad hominem? Tipo: “Não se esqueça de que os sábios filósofos gregos já defendiam o surgimento da vida a partir do nada.” Sim, e muitos deles também acreditavam em Zeus, Apolo e Afrodite; defendiam a existência de uma alma imortal; e muitas outras ideias “científicas”. Curiosamente, séculos depois, os verdadeiros fundadores do método científico – Copérnico, Galileu, Newton e outros – defenderiam a visão teísta bíblica segundo a qual tudo o que tem um começo tem que ter uma causa, e se essa causa criou tudo o que é natural, ela só pode ser sobrenatural. Pelo visto, alguns cientistas de hoje precisam fazer a lição de casa com seus predecessores e parar de querer aparecer na mídia divulgando ideias estapafúrdias.

Campanha: comer carne é promover a morte

Como se libertar da pornografia

Escravidão para homens e mulheres
Acredito que a pornografia é o pior vício de todos. Assim como vícios socialmente aceitos, mas que não têm a benevolência que recebe o glutão ou o preguiçoso... Seria muita hipocrisia minha dizer que é só orar para Deus e blá, blá, blá. Mas se eu fosse dar umas dicas, seriam estas:

1. Não fique próximo do que sacia seu vício; não permita possibilidades... 

2. O vício acontece porque temos um tipo de compensação com ele, tente reconhecer essa compensação e tente tratá-la. O vício é o sintoma e não o problema. Por exemplo: todo mundo sabe que fumar faz mal (menos o Olavo de Carvalho), e todo viciado, hoje em dia, tem capacidade de se questionar sobre sua vida. Se é assim, por que eles simplesmente não param de fumar? Ora, porque o cigarro tem alguma compensação, de alguma forma. Alguma coisa boa acontece quando o cara fuma, ou seja, ele coloca na balança a coisa boa (prazer) contra a coisa ruim (morrer de enfisema), e verifica que o prazer vale a pena, e morrer de enfisema nem é tão ruim... A questão da masturbação ou da pornografia segue a mesma linha. Tem uma coisa boa e uma coisa ruim envolvida. No caso do fumante, ele precisa substituir essa coisa boa por outra melhor que faça com que o prazer de fumar não seja assim tão vantajoso, ou então que ele mude o foco e pare de pensar nisso. Na pornografia/masturbação, é a mesma coisa.

3. Ocupe sua cabeça de outras coisas; seja como for, una esta dica à primeira.

4. Saiba que você vai fracassar nas primeiras tentativas, então, não chute o balde se não conseguir parar com isso de uma hora pra outra. Cada dia você vence um pouquinho, até abandonar completamente, mas esse completamente pode ser daqui a algum tempo.

5. Última e mais fundamental: peça a ajuda de Deus.


quarta-feira, fevereiro 25, 2015

Série Origens: Origens do Universo

Há várias segundas leis da termodinâmica em nanoescala

Ordem a partir do caos?
No ano passado, uma equipe de físicos causou furor na academia ao defender que a Segunda Lei da Termodinâmica falha em nanoescala. Agora, outra equipe foi além, garantindo que, em nanoescala, ou no reino da física quântica, não existe uma, mas várias “segundas leis da termodinâmica”, que complementariam a clássica Segunda Lei da Termodinâmica. O trabalho foi liderado pelo brasileiro Fernando Brandão, atualmente na Universidade College de Londres. A Segunda Lei da Termodinâmica clássica estabelece que o Universo está em um estado de desordem crescente, resultando em coisas como uma xícara de café quente em um ambiente frio vai esfriar, e nunca esquentar, ou que mesmo as máquinas mais eficientes vão perder alguma energia na forma de calor. Isso parece bastante trivial e previsível, mas as “segundas leis” dessa termodinâmica quântica vão resultar em fenômenos bem mais bizarros.

Há alguma resistência em chamar a Segunda Lei da Termodinâmica de “lei” porque ela é basicamente uma descrição estatística, que só vale quando há um número de partículas suficientemente grande em um sistema. Por isso, os físicos têm-se interessado em saber se ela se manteria válida em sistemas muito pequenos, nos quais há um número muito pequeno de partículas.

Surpreendentemente, a equipe descobriu que a desordem também tende a crescer nos sistemas em nanoescala – validando a Segunda Lei clássica nesses sistemas quânticos –, mas há “segundas leis” adicionais que restringem o modo como essa desordem pode aumentar.

“Essas segundas leis adicionais podem ser imaginadas como dizendo que há muitos tipos diferentes de desordem em pequenas escalas, e todos eles tendem a aumentar conforme o tempo passa”, disse o professor Michal Horodecki, membro da equipe.

Isso significa dizer que, em nanoescala, há medidas adicionais de desordem – todas diferentes da conhecida entropia – que quantificam os diferentes tipos de desordem. A equipe demonstrou que, além do esperado aumento da entropia, todos os outros tipos de desordem também aumentam com o tempo.

“Embora uma casa quântica vá ficar mais bagunçada, em vez de mais arrumada, como uma casa normal, nossa pesquisa mostra que as formas em que ela pode ficar bagunçada são restringidas por uma série de leis extras. Se não fosse estranho o suficiente, a forma como essas segundas leis interagem umas com as outras pode até mesmo fazer com que pareça que a Segunda Lei da Termodinâmica tradicional foi violada”, explica o professor Jonathan Oppenheim.

Nessas aparentes violações, o que ocorre é que um pequeno sistema quântico pode ficar mais ordenado quando entra em contato com outro sistema maior, mas este, por sua vez, fica mais desordenado, ainda que a desordem seja difícil de detectar porque o sistema é muito maior do que o primeiro, que se organizou. O efeito líquido, garante a equipe, é uma maior desordem.

Os pesquisadores afirmam que seu estudo permitirá um melhor entendimento de como o calor e a energia são transformados em escala quântica, com importantes aplicações no desenvolvimento de nanomáquinas, motores biológicos e computadores quânticos.


Nota: Se tanto em nano quanto em macroescala a entropia aumenta (tudo tende à desordem), como explicar a hipótese de que da desordem (ou do “nada”) teria provindo a ordem, as constantes universais e a leis físicas das quais o Universo depende para existir? Como explicar que elementos inorgânicos teriam se organizado espontaneamente num suposto mar primitivo e dado milagrosamente origem à vida – que dependeria de ordem e aporte de informação crescentes a fim de evoluir? Ao que tudo indica, a teoria da macroevolução contraria uma lei científica cada vez mais confirmada. [MB]

Jovem é preso por imitar “Cinquenta Tons de Cinza”

Aluno da "escola" de Hollywood
Um aluno da Universidade de Illinois, em Chicago (EUA), preso por violência sexual, se defendeu em uma delegacia dizendo que estava apenas representando cenas do filme “Cinquenta Tons de Cinza”. Mohammad Hossain, de 19 anos, é acusado de ter convidado uma mulher, com quem ele alega que já tivera “intimidade”, para o seu dormitório. Os dois estavam fazendo preliminares quando Mohammad assumiu o personagem sadomasô de Christian Grey e amarrou os pés e as mãos da parceira com cintos e pôs uma corda da boca da mulher. De acordo com o Chicago Tribune, Mohammad vendou a parceira e tirou o sutiã e a calcinha dela. Depois, ele passou a golpear a mulher com um cinto. A promotora Sarah Karr disse que a companheira do réu começou a reclamar de dor e, aos prantos, pediu que ele parasse. Mohammad não a atendeu e continuou a sessão sadomasô. Em determinado momento, a parceira conseguiu soltar os braços e as pernas, mas Mohammad se tornou ainda mais agressivo e investiu sexualmente contra ela. A vítima conseguiu fugir do dormitório e pediu ajuda a um amigo, que chamou a polícia. Na delegacia, Mohammad declarou que ele e a parceira haviam combinado reviver as cenas do filme, baseado na obra de E. L. James. Recentemente, em Sinaloa (México), uma mulher foi retirada de um cinema que exibia o polêmico filme após ser flagrada se masturbando.


Nota: Colocaram lenha na fogueira e agora se espantam com as labaredas... [MB]