quarta-feira, julho 29, 2020

Nuvens de gafanhoto: praga bíblica?

De fato, o ano de 2020 tem se tornado pano de fundo para uma diversidade de “memes” em virtude da quantidade de catástrofes naturais que vêm ocorrendo. Agora, considerando a aproximação de nuvens de gafanhotos com o Brasil, há quem diga que as pragas do Egito estão de volta. Outros, porém, questionam sua relação com as pragas apocalípticas. Mas, afinal, o que é essa nuvem de gafanhotos? Como ela surgiu e será que existe relação com alguma praga ou profecia bíblica? Antes de tudo, vamos entender o que são esses animais e por que podem ser considerados uma ameaça.

O que são os gafanhotos?
           
São animais que possuem patas articuladas e exoesqueleto quitinoso, chamados de artrópodes.  Dentro desse Filo, a Classe dos insetos difere das demais porque seus integrantes possuem três pares de pernas, um par de antenas e três divisões do corpo (tagmas): cabeça, tórax e abdome.
           
Os gafanhotos pertencem à subordem Caelifera e à ordem Orthoptera (insetos com asas em linha reta), e estão classificados dentro da Família Acrididae em virtude de seu terceiro par de pernas saltatórias. Além dos gafanhotos, integram esse grupo as esperanças, os grilos, as paquinhas e as taquarinhas. Dentro dessa família Acrididae, a espécie Schistocerca cancellata, a mesma que está na Argentina, é considerada a mais robusta e de maior comprimento. Os machos geralmente têm quatro centímetros e as fêmeas, seis.

Aparelho bucal e alimentação
           
O aparelho bucal dos insetos foi minuciosamente projetado de acordo com o tipo de alimento que consomem. Os gafanhotos possuem um aparelho bucal do tipo mastigador, com uma mandíbula enorme, capaz de devorar um galho em segundos.
 
Labro
: forma o “céu” da boca dos insetos, articulando-se sobre o clípeo. Relaciona-se a uma função gustativa.
Mandíbulas: são duas peças dispostas lateralmente abaixo do labro, articuladas e resistentes. Sua função é mastigar, triturar ou dilacerar os alimentos
Maxila: articuladas na parte lateral inferior da cabeça, são peças auxiliares durante a alimentação.
Lábio: representa a parte inferior da boca.  
           
Em relação aos hábitos alimentares, esses insetos são polífagos (comem mais de uma variedade de alimento) geralmente consomem folhas de vários tipos de plantas tais como: citrosarrozsojapastagensalfafaeucalipto e outras. Estima-se que a quantidade diária de alimento ingerido seja equivalente ao seu peso. Em se tratando de um único inseto, não se percebem grandes alterações no ambiente, mas o problema é que algumas espécies de gafanhotos são gregárias (vivem em grupos) e podem representar uma grande ameaça para a agricultura e, indiretamente, para a agropecuária, uma vez que os rebanhos se alimentam dos vegetais.

A formação da nuvem e o deslocamento dos gafanhotos
           
A formação de uma nuvem de gafanhotos está diretamente relacionada com questões ambientais específicas. Um dos motivos para a formação dessas nuvens é o clima. Outro fator importante é a diminuição dos inimigos naturais desses insetos (sapos, pássaros, fungos e bactérias), em parte decorrente do uso abusivo e incorreto de inseticidas e agrotóxicos. Dessa forma, ao encontrarem condições favoráveis pelo caminho, como tempo quente e seco, vento e alimento, esses insetos vão se reproduzindo rapidamente, avançando pelas lavouras enquanto devoram tudo o que encontram pela frente.
           
Estima-se que haja cerca de 40 milhões de indivíduos por quilômetro quadrado da “nuvem”. Nesse caso, como não há alimento suficiente para sustentar todos os insetos do bando, o grupo se desloca em busca de comida, o que pode incluir plantações e áreas agrícolas. Das 400 espécies conhecidas, cerca de 50 são nômades, podendo percorrer uma média de 150 quilômetros por dia. Embora não transmitam doenças, o prejuízo econômico de uma nuvem de gafanhotos pode ser enorme.


As atuais nuvens de gafanhotos têm alguma relação com as pragas do Egito?

Definitivamente NÃO! O fato de uma nuvem de gafanhotos ter sido a 8ª praga do evento bíblico relacionado à libertação do povo de Israel do jugo egípcio tem dado “asas” à imaginação de muitos internautas. Porém, as dez pragas foram um evento pontual, específico, e não vão acontecer novamente. Qualquer semelhança é mera coincidência. Mantenha distância de sites que abordam tais especulações que visam atrair “likes” de curiosos e desinformados. Você pode ler a história dessa fantástica atuação de Deus para livrar seu povo no livro de Êxodo, nos capítulos 7 a 12.

Invasões de gafanhotos são novidade?
           
Não estamos acostumados a ouvir noticiários sobre “bandos” de gafanhotos invadindo lavouras, mas o fenômeno tem se tornado cada vez mais frequente. Na América do Sul, há registros de nuvens de gafanhotos atacando cultivos de mandioca na província de Buenos Aires em 1538. Em 2004, uma nuvem de gafanhotos chegou ao Cairo e as imagens dos insetos tapando a visão das Pirâmides de Gizé correram o mundo. Em janeiro de 2016 houve uma infestação no noroeste da Argentina, sendo considerado o maior ataque em 50 anos.

Infestações por gafanhotos no Brasil já causaram grandes perdas às lavouras de arroz na região Sul do País, nas décadas de 1930 e 1940. Desde então, o controle tem sido eficiente, mantendo-os em sua fase “isolada”, evitando a formação “nuvens”. Atualmente a única espécie nômade que vive regularmente no País e causa problemas é a Rhammatocerus schistocercoides, encontrada no Mato Grosso. Recentemente vemos uma ameaça em virtude de manifestações dos insetos no Paraguai e na Argentina.
           
Por outro lado, a praga está há meses assolando parte da África, do Oriente Médio e Sudeste Asiático, regiões já vulneráveis. Entre o fim de 2019 e o início de 2020, gafanhotos geraram alertas da FAO a países do leste da África para as piores infestações dos últimos 70 anos. A situação foi pior no Quênia, na Somália e na Etiópia, e fazendeiros relataram preocupação com a fome depois que os insetos comeram plantações inteiras de produtos como milho e feijão.

De fato, os noticiários mencionam que as atuais infestações são as piores em décadas. Diante disso, muitos têm voltado os olhos para o livro do Apocalipse, considerando que esse livro também faz menção a pragas no fim dos dias da Terra. Vimos que as infestações de gafanhotos nada têm que ver com as dez pragas do Egito, mas pode haver alguma relação com as pragas do Apocalipse ou com suas profecias?
           
Gafanhotos e o Apocalipse
           
Quando analisamos o cenário mundial, temos a percepção de que tudo ao nosso redor parecer estar em convulsão, prestes a ruir. Os noticiários do mundo todo estão repletos de rumores de guerras, manifestações públicas cheias de intolerância e ódio, causando depredação de patrimônios culturais, públicos e privados, incêndios que esforços humanos custam para controlar e apagar, terremotos, ciclones, disseminação de doenças (pestes) que causam danos físicos, sociais, econômicos e emocionais, além da crescente preocupação com pragas, como a dos gafanhotos. Cenários comuns em locais distintos, acontecendo em períodos próximos e cuja intensidade tem sido classificada como “a pior em décadas” nos fazem pensar se estamos mesmo vivendo o “fim dos tempos”, assim como descrito em Mateus 24.
           
Não bastasse isso, alguns recorrem à Bíblia e se deparam com o texto em que João também vê as guerras e pragas derramadas durante o sétimo selo, em Apocalipse 9:1-3: E o quinto anjo tocou a sua trombeta, e vi uma estrela que do céu caiu na terra; e foi-lhe dada a chave do poço do abismo. E abriu o poço do abismo, e subiu fumaça do poço, como a fumaça de uma grande fornalha, e com a fumaça do poço escureceram-se o sol e o ar. E da fumaça saíram gafanhotos sobre a terra; e foi-lhes dado poder, como o poder que têm os escorpiões da terra.”
           
Apesar disso, é preciso atentar para o fato de o livro do Apocalipse ser simbólico, e a única relação com as atuais nuvens de gafanhotos se dá pela característica voraz desse animal, e não ao inseto propriamente dito.  Você pode ler mais sobre os gafanhotos do apocalipse aqui.
             
Embora não seja uma das sete pragas apocalípticas, a Bíblia menciona que a maior frequência no aparecimento das “pragas” seria um dos sinais de que o mundo estaria, sim, chegando ao fim. E agora?

Uma boa notícia
           
Parece impossível conciliar os atuais eventos com qualquer boa nova, não é mesmo? Mas acredite, é exatamente o que tudo isso representa: o fim do sofrimento e da dor e a proximidade de uma vida eterna e feliz. Como assim? Tudo faz parte do plano de salvação elaborado por Deus para nos livrar da morte decorrente do pecado.
           
Cristo selou Seu pacto com a humanidade na cruz do calvário, mas o fim do pecado se dará somente com a segunda vinda de Cristo. Ele prometeu e vai cumprir. É aí que se encaixam as peças de toda desgraça que temos visto. Cristo sabia que o ser humano se esqueceria do “manual de instruções” deixado por Ele nos dez mandamentos, e consequentemente os hábitos destrutivos humanos refletiriam no caos que vemos hoje.
           
Por isso ele deixou na Bíblia os sinais de Sua volta para que pudéssemos nos preparar e poder ter “paz em meio à tempestade”. Um desses sinais é que a frequência de pagas e pestes iria aumentar com o passar do tempo, e estamos vendo isso diante de nossos olhos. Os sinais são muitos, mas o cenário da gloriosa volta de nosso Criador está quase completo.
           
Você sabe quais são os sinais da volta de Jesus? O que ainda falta acontecer? Não se deixe enganar por fontes duvidosas e especulativas. As respostas estão na Bíblia e vamos deixar links de estudo abaixo. Ore, peça orientação divina, estude e reparta essas boas-novas com as pessoas que você ama.
           
Quando tudo parecer ruir, lembre-se das palavras de Jesus: “Eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos.”

(Liziane Nunes Conrad Costa é formada em Ciências Biológicas com ênfase em Biotecnologia [UNIPAR], especialista em Morfofisiologia Animal [UFLA] e mestranda em Biociências e Saúde [UNIOESTE]. É diretora-presidente do Núcleo Cascavelense da SCB [Nuvel-SCB])

Referências:
MARTINEZ, Natasha Macias; ROCHA-LIMA, Ana Beatriz Carollo. A importância dos insetos e as suas principais ordens. Unisanta BioScience, v. 9, n. 1, p. 1-14, 2020.
MEDINA, HECTOR E.; CEASE, A.; TRUMPER, E. The resurgence of the South American locust (Schistocerca cancellata). Metaleptea, v. 37, n. 3, p. 17-21, 2017.
Canal Rural

LEIA MAIS SOBRE O ASSUNTO EM:

SÉRIE “AS PROFECIAS DE DANIEL”:

ESTUDOS SOBRE O APOCALIPSE:

domingo, julho 19, 2020

O ataque ao destróier HMS Sheffield e a curvatura da Terra

Há 38 anos, na manhã de 4 de maio de 1982, o sofisticado destróier Tipo 42 HMS Sheffield (D80) da Royal Navy, foi atingido mortalmente pouco acima da linha d’água por um míssil AM39 Exocet, lançado por um jato Super Étendard da Armada Argentina. O navio de escolta britânico atuava como “piquete-radar” e era responsável pela defesa antiaérea de área de unidades maiores da FT britânica, cujo principal objetivo era a retomada das Falklands com um desembarque anfíbio. Mesmo sendo equipado com um radar de busca aérea de longo alcance e mísseis antiaéreos Sea Dart capazes de atingir um alvo a pelo menos 20 milhas de distância (37 km), o Sheffield não conseguiu detectar a aproximação de dois jatos Super Étendard, nem se proteger do míssil Exocet.

O fantasma da vulnerabilidade de navios de escolta ainda está presente hoje, quase 40 anos depois daquele ataque, apesar dos avanços tecnológicos. A causa disso é uma limitação natural: a curvatura da Terra. Devido a essa curvatura, a partir da linha do horizonte, forma-se uma zona cega à baixa altura, não atingida pelo radar. Assim, o alcance do radar de um navio é limitado pela linha do horizonte, contra alvos voando rente ao mar. Essa vulnerabilidade também está presente nos radares terrestres e é usada por pilotos de aviões do tráfico de drogas, por exemplo, para escapar à detecção.


A tática argentina para atingir embarcações importantes da RN empregava aeronaves de patrulha marítima, como o P-2 Neptune, que repassavam por rádio os contatos às aeronaves de ataque. [...]

Os jatos prosseguiram para as coordenadas, sempre “colados” na água, elevando-se a poucos metros a mais para realizar algumas varreduras com seu próprio radar de busca, a fim de localizar os alvos, sem alertar os equipamentos MAGE/ESM britânicos. Ambos os pilotos detectaram um alvo grande e três medianos, travaram seus Exocet no alvo maior e, quando estavam a cerca de 50 km de distância, lançaram os mísseis. [...]

O HMS Sheffield sofreu um incêndio após o impacto do míssil que matou 20 tripulantes. O navio acabou afundando no dia 10 de maio de 1982 quando era rebocado.



Clique aqui e assista a vídeos que refutam a ideia da Terra plana.

quinta-feira, julho 09, 2020

Provérbios 8:26 e o tempo em que a Terra não existia

O capítulo 8 de Provérbios fala da sabedoria como uma pessoa. Embora a linguagem contenha elementos metafóricos, há grande semelhança entre o que é comentado nesse capítulo com o que autores do Novo Testamento dizem sobre Cristo. Um exemplo disso é 1 Coríntios 1:24, que retrata Cristo como personificação do poder e da sabedoria de Deus. É interessante comparar Provérbios 8:22-30 também com João 1, outra referência a Cristo de maneira bastante semelhante à de Provérbios. João afirma que absolutamente tudo foi criado por meio dEle.

Em Hebreus (1:2 e 11:3), lemos que até mesmo o tempo (eras) foi feito por Deus. Ao compararmos essas declarações com João 1, concluímos que até mesmo o próprio tempo, com sua intrincada estrutura matemática, foi feito por meio de Cristo, o que significa que Ele próprio não pode ter sido criado. “Criação do tempo” é um abuso de linguagem que requer outro nível de tratamento lógico, o que escapa ao nosso escopo atual, mas cuja pesquisa tem trazido à tona informações fascinantes sobre o funcionamento da realidade. Ainda assim, vale o conceito de que Deus está por trás até mesmo dessa estrutura matemática por meio de Cristo.

Nos versos 22 a 30 de Provérbios 8, lemos sobre o papel da Sabedoria na criação. Um dos aspectos mencionados é o de que ela já existia antes de tudo o que a humanidade conhece.

Provérbios 8:26 faz parte de uma progressão de ênfases: antes que existisse terra (a palavra hebraica aqui não se refere ao planeta, mas ao solo), ou campos (a palavra hebraica dá a ideia de espaço fora dos limites das paredes da casa; espaço exterior?), antes mesmo que existisse o que deu origem ao pó do mundo, a Sabedoria já existia.

Notemos que a linguagem do texto nos diz que houve um tempo em que a Terra não existia (nem mesmo o que deu origem ao seu pó). Mas o tempo é um dos atributos do Universo. Não existe tempo sem espaço, e espaço-tempo é o que chamamos de Universo. A matéria (pó do mundo) é apenas o conteúdo do Universo, não sua essência.

Dizer-se que havia tempo antes da criação da Terra é sinônimo de dizer-se que havia Universo antes da criação da Terra. Esse é um entre vários comentários que encontramos na Bíblia que apontam que o Universo é mais antigo do que a Terra. Isso desarma a doutrina segundo a qual a Terra e o Universo teriam sido criados ao mesmo tempo, que é o que está por trás da crença de que o Universo seria jovem. Essa doutrina tem induzido muitos criacionistas a proporem argumentos incompatíveis tanto com ensinamentos bíblicos quanto com o que observamos no mundo físico, degradando ainda mais a fama do criacionismo por meio de argumentos tecnicamente indefensáveis.

(Eduardo Lütz é bacharel em Física e mestre em Astrofísica Nuclear pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul)

sábado, julho 04, 2020

Morre aos 96 anos Orlando Ritter, pioneiro do criacionismo no Brasil

Devido à falência múltipla de órgãos como consequência de uma pneumonia, faleceu na noite de sábado, 27, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, o pastor e educador Orlando Ruben Ritter. Conhecido por suas contribuições à Educação Adventista e ao pioneirismo no estudo e divulgação do criacionismo no Brasil, deixa a esposa, Edda, quatro filhos, oito netos e quatro bisnetos. Ritter, que tinha 96 anos, dedicou 60 deles ao ensino e ajudou a formar gerações de profissionais que serviram e ainda servem à Igreja Adventista do Sétimo Dia. Seu pai, o pastor e administrador Germano Ritter, “transferiu” para o filho a paixão pela educação. O patriarca ajudou a fundar instituições como o Instituto Adventista Paranaense (IAP) e o hoje Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), campus Hortolândia, e levou o filho em muitas de suas viagens a trabalho.




domingo, junho 28, 2020

Série “Raça e as Escrituras”

A morte de George Floyd, em 25 de maio de 2020, iniciou um movimento mundial de protestos que levou pessoas a se ajoelharem nas ruas de Nova York a São Paulo, removeu estátuas de proprietários de escravos dos Estados Unidos à Inglaterra e evidenciou uma manifestação de solidariedade que transcende as divisões raciais tradicionais. Diferentemente das três grandes ondas de protestos que marcaram os anos 1919, 1943 e 1968 nos Estados Unidos, nas últimas semanas, milhares de manifestações em várias partes do planeta demonstraram ser interraciais. Negros, asiáticos, brancos e pardos foram às ruas e inundaram as redes sociais com postagens indicando que, aparentemente, uma nova fase de oposição ao racismo sistêmico esteja iniciando.

Como cristãos, não podemos fazer de conta que as discussões relacionadas ao tema raça e cor não dizem respeito a nós ou ao dia-a-dia dos nossos irmãos. Ao mesmo tempo, é importante lembrar que eventos bíblicos como a marca de Caim (Gênesis 4:15) e a maldição de Cam (Gênesis 9:27) têm desempenhado um papel central no processo de moldar atitudes raciais nos últimos quatro séculos e têm sido utilizados para justificar a escravatura e a segregação.

Na série "Raça e as Escrituras", o pastor Silvano Barbosa, PhD, apresenta cinco episódios nos quais aborda o tema “Raça e Cor” à luz da Palavra de Deus. Assista aos vídeos abaixo.
  




segunda-feira, junho 15, 2020

Fundador da SCB completa 90 anos

O Dr. Ruy Carlos de Camargo Vieira nasceu em 1930, é natural de São Carlos, SP, e é engenheiro mecânico e eletricista, formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Dedicou-se à carreira docente, lecionando Mecânica dos Fluidos, de 1954 a 1956, no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Em julho de 1956, foi lecionar Física Técnica (nome italiano dado à cadeira de Mecânica dos Fluidos, Transmissão de Calor e Aplicações Tecnológicas) na Universidade de São Paulo (USP), Campus de São Carlos, onde fez a livre docência e tornou-se catedrático. Em 1970, assumiu a chefia do departamento de Hidráulica e Saneamento naquela universidade, fundando a pós-graduação que é considerada a melhor na área no Brasil. Foi convidado, em 1972, a integrar a Comissão de Especialistas do Ensino de Engenharia do Ministério da Educação e Cultura, responsável pelas escolas de engenharia, currículos, formação de professores, reconhecimento de cursos, etc.

Segundo o Dr. Ruy Vieira, após a aposentadoria (em 1986) é que ele começou a trabalhar “de verdade”. Representou o MEC no Conselho da Agência Espacial Brasileira, participando de suas reuniões periódicas e empreendendo viagens por locais onde se desenvolvem atividades espaciais. De três em três meses participava, também, de reuniões na Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), da qual foi diretor-tesoureiro.

Além dessas ocupações, durante meio período, o Dr. Ruy atuava como consultor do Plano das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUDE) junto à Secretaria de Educação Tecnológica do MEC. No outro meio período, dedicava-se a traduções de livros e editava a Revista Criacionista, publicação da Sociedade Criacionista Brasileira (SCB), da qual é presidente e fundador.

No vídeo abaixo, gravado em 2018, o jornalista Michelson Borges fala um pouco sobre a vida e a carreira desse grande pioneiro do criacionismo no Brasil.



Leia também: Empunhando a bandeira criacionista

quarta-feira, junho 03, 2020

Darwinismo social e racismo

"O darwinismo social tem origem na teoria da seleção natural de Charles Darwin, que explica a diversidade de espécies de seres vivos através do processo da evolução. O sucesso da teoria da evolução motivou o surgimento de correntes nas ciências sociais baseadas na tese da sobrevivência do mais adaptado, da importância de um controle sobre a demografia humana. De acordo com esse pensamento, existiriam características biológicas e sociais que determinariam que uma pessoa é superior à outra e que as pessoas que se enquadrassem nesses critérios seriam as mais aptas. Geralmente, alguns padrões determinados como indícios de superioridade em um ser humano seriam a habilidade nas ciências humanas e exatas em detrimento das outras ciências, como a arte, por exemplo, e a raça da qual ela faz parte" (Wells, D. Collin. 1907. "Darwinismo social". American Journal of Sociology, v. 12, n° 5, p. 695-716).

"O darwinismo social foi empregado para tentar explicar a inconstância pós-Revolução Industrial, sugerindo que os que estavam pobres eram os menos aptos (segundo interpretação da época da teoria de Darwin) e os mais ricos que evoluíram economicamente seriam os mais aptos a sobreviver, por isso, os mais evoluídos. Durante o século 19, as potências europeias também usaram o darwinismo social como justificativa para o imperialismo" (Spencer, Herbert. 1860. "O organismo social", publicado originalmente em The Review Westminster. Reproduzido em (1892) de Spencer Ensaios: científico, político e especulativo. Londres e Nova York).



quinta-feira, maio 28, 2020

Máquinas moleculares: moléculas que fabricam moléculas


Segundo o site Inovação Tecnológica, “uma nova revolução industrial começa a ser preparada de forma silenciosa e invisível no interior de vários laboratórios de nanotecnologia ao redor do mundo. São as nanofábricas, onde as linhas de montagem, que só podem ser vistas pelo microscópio, imitam a forma como as moléculas são feitas na natureza. E uma das máquinas moleculares artificiais mais avançadas já construídas acaba de ser apresentada pela equipe do Dr. David Leigh, da Universidade de Manchester, no Reino Unido”. Disse o pesquisador: “Essa máquina usa moléculas para fazer moléculas em um processo sintético que é similar à linha de montagem robotizada dos automóveis. Essas máquinas poderão tornar os processos de fabricação de moléculas muito mais eficientes e baratos. Isso irá beneficiar todos os tipos de fábricas, já que a maioria dos produtos feitos pelo homem começa no nível molecular. Por exemplo, nós atualmente estamos modificando nossa máquina para que ela possa fabricar penicilina.”

A Bíblia ensina que a Terra é plana com um domo sólido em cima?

Os terraplanistas – defensores da ideia de uma Terra plana – afirmam que o disco terrestre é coberto por um domo sólido intransponível, o que torna ilusórios meteoritos, satélites e viagens espaciais. Para eles, a palavra hebraica רקיע (raqia), que aparece em Gênesis1:6-8, deve ser compreendida como “firmamento” ou “domo”, embora o próprio verso 8 defina raqia como “céus”. A Bíblia de Estudo Palavra-Chave explica que raqia é um “substantivo masculino que [...] literalmente [...] se refere a uma grande expansão e, em particular, à abóbada dos céus acima da terra. O termo indica o céu literal que se estende de um lado a outro do horizonte” (p. 1.936). Então de onde veio a ideia de que raqia poderia significar um domo sólido? Resposta: de uma tradução inapropriada.


Quando traduzia as Escrituras Sagradas do hebraico para o latim clássico (versão que ficou conhecida como Vulgata), Jerônimo (347-420) verteu a palavra raqia para firmamentum ou para o grego steréoma, que significa “construção sólida”. Estava lançada a semente da confusão, já que algumas traduções posteriores em espanhol e português tiveram como base a Vulgata e perpetuaram a palavra e o conceito de “firmamento”. Os terraplanistas atuais se prendem a essa tradução de raqia e parecem ignorar o sentido original do vocábulo.


No ótimo livro The Genesis Creation Account (Andrews University Press), organizado por Gerald A. Klingbeil, há um capítulo intitulado “The myth of the solid heavenly dome: another look at the hebrew רקיע (raqîa‘)” (“O mito do domo celestial sólido: outra visão sobre o hebraico רקיע [raqîa‘]”), escrito pelos renomados teólogos adventistas Randall W. Younker e Richard M. Davidson. Os autores analisam as concepções de Terra e céu babilônica, grega, judia, do cristianismo primitivo e medieval, renascentista e dos séculos 18 e 19, para concluir que foi somente em tempos mais recentes que alguns críticos da Bíblia tentaram construir uma narrativa segundo a qual os antigos autores bíblicos teriam sido terraplanistas e defensores de um domo sólido sobre a superfície do planeta, adotando, obviamente, a tradução “firmamento” em lugar de “expansão”.


Conclusão geral dos autores: “A ideia de que os antigos hebreus acreditavam que o céu consistia em uma abóboda sólida apoiada em uma Terra plana parece ter surgido no início do século 19, quando foi apresentada como parte de uma concepção de Terra plana por Irving e Letronne. Os estudiosos que apoiam essa reconstrução argumentaram que a Terra plana e a abóbada celestial sólida foram mantidas ao longo dos períodos cristãos antigo e medieval, e que eram ideias originárias da antiguidade, especialmente entre os antigos mesopotâmios e hebreus.


“No entanto, pesquisas recentes mostraram que a ideia de uma Terra plana não era defendida nem pela igreja cristã antiga nem por estudiosos medievais. De fato, a evidência é esmagadora de que eles acreditavam em uma Terra esférica, cercada por esferas concêntricas (às vezes duras, às vezes moles) que carregavam as estrelas em suas órbitas ao redor da terra. Além disso, pesquisas de documentos astronômicos antigos da Babilônia mostram que eles não tinham o conceito de um domo celestial. [...]


“Uma revisão dos argumentos linguísticos para mostrar que os hebreus acreditavam na ideia de uma Terra plana e de um domo celestial mostra que eles não têm base. Derivam de passagens claramente figurativas por natureza. [...] A forma substantiva da palavra traduzida como ‘firmamento’ [raqia] nunca está associada a substâncias duras em nenhuma de suas ocorrências no hebraico bíblico. [...] O substantivo pode ser traduzido como ‘expansão’ em todos os seus usos, e se refere ao céu em Gênesis 1.


“As águas acima e as janelas, portas ou comportas dos céus são referências figurativas para as nuvens, que produziram chuva durante e após o dilúvio de Noé. No segundo dia da criação, Deus realizou ações criativas materiais e funcionais. Ele fez o céu e também lhe atribuiu a função de separar as águas atmosféricas superiores contidas nas nuvens das águas acima da superfície da Terra” (p. 55, 56).


A Lição da Escola Sabatina (guia mundial trimestral de estudos bíblicos dos adventistas do sétimo dia) do dia 24 de maio de 2020 tratou brevemente do tema “Terra plana”. A Casa Publicadora Brasileira, que publica esse guia em língua portuguesa, convidou o pastor e doutor em Teologia Isaac Malheiros para escrever um comentário adicional à lição. Pela precisão e objetividade do material, resolvi reproduzi-lo aqui. [MB]


“Como a lição desta semana mostra, a Bíblia não ensina que a Terra é plana. No entanto, de fato, há textos que podem dar a impressão de que a Terra tenha formatos diferentes. Ou seja, a Bíblia não parece conter uma ‘doutrina’ sobre o formato exato da Terra. Mas é preciso destacar que quase todo texto bíblico que se refere a algum formato da Terra está em livros sapienciais, poéticos e proféticos – literaturas com muita figura de linguagem e expressões idiomáticas. Além disso, o objetivo da maioria desses textos (se não de todos eles) não é necessariamente ensinar sobre o formato da Terra.


“Precisamos reconhecer que, além da linguagem poética e metafórica, a Bíblia usa muitas vezes uma linguagem ‘fenomenológica’, ‘observacional’ ou ‘de percepção’. Todos nós usamos esse tipo de linguagem até hoje, quando falamos em ‘pôr do sol’ (literalmente, o Sol não se põe), nos ‘quatro cantos’ da Terra (literalmente, o planeta não tem quatro cantos). Porém, isso não implica uma cosmologia geocêntrica ou uma Terra plana.


“Referindo-se à chuva, Gênesis 7:11 afirma que ‘as comportas dos céus se abriram’, e Deus promete abrir ‘as janelas do céu’ para abençoar os fiéis (Ml 3:10, ACF). Mas isso não significa que haja literalmente comportas ou janelas no céu. Ao ler que Deus levaria Israel para uma ‘terra que mana leite e mel’ (Lv 20:24), não imagine literalmente rios de leite e de mel em Canaã. Tudo isso é um modo de falar, uma figura de linguagem ou expressão idiomática.


“O poeta Fernando Pessoa afirmou, lamentando: ‘Ó mar salgado, quanto do teu sal / São lágrimas de Portugal!’ Ao ler isso, você jamais levaria água do mar ao laboratório para confirmar se, de fato, ela é composta por lágrimas portuguesas!



“Portanto, a Terra é um geoide, com formato arredondado, superfície irregular, um leve achatamento nos polos, e a Bíblia não contradiz isso. No entanto, em nosso estudo da Palavra, esse não é um tema que deveria nos ocupar mais do que o necessário.


“Certamente você já ouviu que ‘o cristianismo ensinava que a Terra era plana!’ Ou: ‘Cristóvão Colombo desmentiu a igreja e sua teoria de uma Terra plana ao navegar para a América em 1492’. Essas afirmações são um equívoco já fartamente comprovado e refutado.

“A origem desse mito está na ‘tese Draper-White’ (também conhecida como ‘Tese do Conflito’): a ideia de que há um conflito histórico inevitável entre ciência e religião, em que a ciência é o bem, a iluminação; e a religião é sempre o mal, a ignorância, oposta aos avanços científicos. Esses mitos surgiram no século 19 com a publicação das obras de John William Draper e Andrew Dickson White, que criaram essa narrativa com o objetivo de difamar a religião. Trata-se de uma campanha difamatória, uma propaganda antiteísta e antirreligiosa.


“Nunca houve um período em que o cristianismo ensinasse que a Terra fosse plana. Esse nunca foi um conteúdo do ensino cristão. Resumidamente: os poucos cristãos que falaram que a Terra era plana eram figuras irrelevantes ou de menor importância (como Lactâncio, Cosme Indicopleustes e Severiano de Gabala), e não vozes representativas da posição cristã. Na verdade, pouca gente dava atenção para a teoria da Terra plana na época de Colombo. Isso não era ensino cristão, e os poucos defensores da ideia eram ignorados ou ridicularizados.


“Jeffrey Burton Russell, um especialista em história medieval, escreveu sobre o assunto no livro Inventing the Flat Earth [Inventando a Terra Plana], e é injustificável a insistência em jogar o mito da Terra plana na conta do cristianismo. No livro Galileu na Prisão”, Ronald Numbers (um agnóstico), especialista em história da ciência, também aborda esse e outros mitos. Incrivelmente, universitários e pesquisadores brasileiros continuam fazendo eco a tais acusações sem nenhum fundamento, nenhuma evidência.


“O premiado físico Marcelo Gleiser, por exemplo, lamentavelmente faz eco ao mito da Terra plana: ‘A situação se tornou tão terrível que, por aproximadamente setecentos anos, de 300 d.C. (santo Lactâncio) até o ano 1000 (papa Silvestre II), se acreditava novamente que a Terra era plana!’ (A Dança do Universo, p. 84). O fato é que, nesse período, praticamente todos os grandes eruditos cristãos acreditavam que a Terra fosse esférica. Macróbio (séc. 5), Basílio de Cesaréia (séc. 4), Agostinho de Hipona (séc. 4 e 5), João Damasceno (séc. 7 e 8), o bispo Virgílio de Salzburg (séc. 8), John Scotus (séc. 9), Tomás de Aquino (séc. 13), Dante Alighieri (séc. 13 e 14), Francis Bacon (séc. 16), todos defendiam uma Terra esférica.


“O Venerável Beda, na obra De Temporum Ratione (séc. 7 e 8) já ensinava que a Terra é uma esfera. No século 5, autoridades civis e religiosas usavam o globus cruciger, que é uma cruz sobre um globo, simbolizando o domínio de Cristo (a cruz) sobre o mundo (o orbe). Isidoro de Sevilha (séc. 7) fez uma estimativa da circunferência terrestre; além disso, mais de mil mapas da Terra produzidos do século 8 ao século 15 consideram uma Terra esférica. Marcelo Gleiser citou indevidamente o papa Silvestre II, pois esse papa foi um grande estudioso de astronomia que acreditava numa Terra esférica, que também gostava de pintar mapas da Terra sobre esferas de madeira, e fabricar esferas armilares,”

Se quiser obter mais informações que refutam a ideia da Terra plana, assista aos vídeos abaixo.






terça-feira, maio 19, 2020

Ravi Zacharias: morre um gigante da apologética

Muitas vezes achamos que a dor da perda será sentida de verdade apenas quando ocorre com os de perto, familiares ou amigos próximos. Mas há momentos em que sentimos o coração dilacerar quando, mesmo nunca as tendo encontrado, perdemos pessoas que admiramos e temos como inspiração. Hoje esse foi o caso, pois nesta data de 19/5/2020, o grande mensageiro do cristianismo Ravi Zacharias, palestrante, escritor e defensor da fé cristã, descansou no Senhor. Meu coração está esmagado pelo dor. Esse homem sempre foi minha inspiração em sua forma inteligente e amorosa de falar de Jesus. Com sua inteligência sensível – creio ser a melhor expressão para ele -, sempre teve acesso a grandes centros acadêmicos, como Harvard e Oxford, falando do amor e da sabedoria de Deus.
Ravi nasceu na Índia e se converteu ao cristianismo na juventude. Emigrou para o Canadá e construiu uma carreira como mensageiro do cristianismo de uma forma inteligente, racional, mas ainda assim repleta de amor. Foi autor de vários livros, dentre os quais destaco o premiado Pode o Homem Viver ser Deus?, o primeiro que li e já me encantou, porque mescla de forma harmoniosa argumentos racionais a favor da fé cristã, sem perder o apelo à sensibilidade e ao coração. Ravi possuía um programa de rádio chamado “Let My People Think” (“Vamos pensar, meu povo”), transmitido a muitas partes do globo. Foi o fundador do Ministério Internacional Ravi Zacharias, que desenvolve evangelismo em todo o mundo. Mas, infelizmente hoje, aos 74 anos, vitimado por um câncer que fora anunciado apenas dois meses antes, Ravi descansou no Senhor.
É muito estranho sentir tanta dor pelo falecimento de alguém tão distante. Mas os livros e vídeos dele me fizeram sentir como se ele fosse meu mentor. Pois tudo o que eu imaginei ser como pregador do evangelho tinha Ravi Zacharias como referência. Já li C. S Lewis, William Craig, Nancy Pearcey, Francis Schaeffer e outros, mas o Ravi era meu referencial de mensageiro do evangelho. Minha dor é maior, talvez, porque no fundo eu ainda nutria a esperança de encontrá-lo e ter uma longa conversa. Portanto, minha oração a Deus é que eu possa glorificar a Deus e honrar esse grande homem, sendo ao menos uma unha do que foi Ravi Zacharias.
(Rafael Christ Lopes é físico e doutor em Cosmologia)
Entre os livros apologéticos que indico nesta lista, há um do Ravi. [MB]