quarta-feira, abril 16, 2014

Repórter dinamarquês denuncia problemas da Copa

Ele se assustou com as injustiças
Para o repórter dinamarquês Mikkel Keldorf, o sonho de cobrir a Copa do Mundo no Brasil virou pesadelo. No país desde 2013 a fim de conhecer o idioma e os costumes antes dos jogos, o jornalista relata que viu de perto as “consequências” do evento esportivo e, por isso, decidiu ir embora. “Eu não posso cobrir esse evento depois de saber que o preço da Copa não só é o mais alto da história em reais e centavos – também é um preço que eu estou convencido que inclui a vida das crianças”, disse. Em texto publicado em sua página no Facebook, Keldorf contou que, dois meses antes dos jogos, ele decidiu que não ficará mais no país. Entre o que presenciou durante os meses de hospedagem, ele afirma que viu remoções, forças armadas nas comunidades, corrupção e projetos sociais fechando. “Eu descobri que todos os projetos e mudanças são por causa de pessoas como eu – um gringo e também uma parte da imprensa internacional. Eu sou um cara usado para impressionar.”

Ele relatou que, ao conhecer Fortaleza, “a cidade mais violenta a receber os jogos da Copa”, descobriu que muitas vezes alguns moradores de rua são mortos em áreas com muitos turistas. “Por quê? Para deixar a cidade limpa para os gringos e a imprensa internacional? Por causa de mim?”, questionou.

Veja, abaixo, a íntegra do depoimento de Keldorf:

“Quase dois anos e meio atrás eu estava sonhando em cobrir a Copa do Mundo no Brasil. O melhor esporte do mundo em um país maravilhoso. Eu fiz um plano e fui estudar no Brasil, aprendi Português e estava preparado para voltar. Voltei em setembro de 2013. O sonho seria cumprido. Mas hoje, dois meses antes da festa da Copa, eu decidi que não vou continuar aqui. O sonho se transformou em um pesadelo.

“Durante cinco meses fiquei documentando as consequências da Copa. Existem várias: remoções, forças armadas e PMs nas comunidades, corrupção, projetos sociais fechando. Eu descobri que todos os projetos e mudanças são por causa de pessoas como eu – um gringo e também uma parte da imprensa internacional. Eu sou um cara usado para impressionar.

“Em Março, eu estive em Fortaleza para conhecer a cidade mais violenta a receber um jogo de Copa do Mundo até hoje. Falei com algumas pessoas que me colocaram em contato com crianças da rua e fiquei sabendo que algumas estão desaparecidas. Muitas vezes, são mortas quando estão dormindo a noite em área com muitos turistas. Por quê? Para deixar a cidade limpa para os gringos e a imprensa internacional? Por causa de mim?

“Em Fortaleza eu encontrei com Allison, 13 anos, que vive nas ruas da cidade. Um cara com uma vida muito difícil. Ele não tinha nada – só um pacote de amendoins. Quando nos encontramos ele me ofereceu tudo o que tinha, ou seja, os amendoins. Esse cara, que não tem nada, ofereceu a única coisa de valor que tinha para um gringo que carregava equipamentos de filmagem no valor de R$ 10.000 e um MasterCard no bolso. Incredível.

“Mas a vida dele está em perigo por causa de pessoas como eu. Ele corre o risco de se tornar a próxima vítima da limpeza que acontece na cidade de Fortaleza.

“Eu não posso cobrir esse evento depois de saber que o preço da Copa não só é o mais alto da história em reais e centavos – também é um preço que eu estou convencido que inclui a vida das crianças.

“Hoje, vou voltar para Dinamarca e não voltarei para o Brasil. Minha presença só está contribuindo para um desagradável show do Brasil. Um show que eu dois anos e meio atrás estava sonhando em participar, mas hoje eu vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para criticar e focar no preço real da Copa do Mundo do Brasil.

“Alguém quer dois ingressos para França x Equador no dia 25 de Junho?”

(Mikkel Jensen, jornalista independente da Dinamarca e correspondente no Rio de Janeiro, Comunique-se)

Tecnologia e estudos: como equilibrar?

Vida real x online
Seja sincero: quantas vezes você já acessou o Facebook ou o Twitter hoje? Quanto tempo gastou no videogame? Quantas vezes disse para si mesmo “só mais cinco minutinhos” antes de colocar o celular de lado e ir estudar? Hoje em dia é normal que esse tipo de situação aconteça com frequência. No entanto, é preciso tomar cuidado para que a compulsão por internet não acabe se tornando um vício que pode prejudicar não só os seus estudos, mas também toda a sua vida. Pode parecer exagero, mas não é: casos de vício em internet e redes sociais são cada vez mais frequentes. Segundo um estudo do Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo, cerca de oito milhões de pessoas são afetadas pela dependência no Brasil. Desses, a maioria é de jovens e adolescentes a partir de 14 anos, como afirma a psicóloga Dora Sampaio Góes, do Grupo de Dependências Tecnológicas do Instituto de Psiquiatria do HC. Quando se trata de vestibulandos, a situação piora. “O ano já exige muito do adolescente, que está muito vulnerável, enfrentando pressões e dúvidas de carreira”, enfatiza a psicóloga. “O vício provoca isolamento social, prejuízos nas atividades escolares, deslize nas relações familiares e falta de contato com o mundo real. É comum vermos jovens com déficit de relacionamento, que não conseguem conversar cara a cara ou mesmo paquerar alguém.”

Devido ao acesso cada vez mais fácil à internet, os números de dependentes não param de crescer. De acordo com o jornalista Pedro Burgos, em seu livro Conecte-se ao que importa: um manual para a vida digital saudável, o problema é comum porque as pessoas ficam nervosas quando não estão fazendo alguma coisa. É aí que entra o celular. “Estamos com um déficit de tédio. A minha obsessão por ficar sempre ‘informado’ ou com a mente ocupada com novas informações piorou com as redes sociais. Aquilo estava me fazendo bastante mal: tinha sono o tempo todo, estava mais irritadiço e menos saudável”, conta ele.

Para quem não está sofrendo com uma dependência séria, há maneiras simples de evitar o uso excessivo do celular ou do computador. Primeiramente: pare de enrolar. Quando temos que estudar ou fazer algum trabalho de uma matéria chata, qualquer coisa parece interessante, até o movimento das nuvens no céu. Por isso, é importante afastar qualquer distração e evitar o impulso de “ver rapidinho qual é a notificação” no celular.

“O mais importante é o estudante estar inteiro no que estiver fazendo. Desligar o computador e desativar as notificações do celular é o melhor jeito de não dispersar a atenção, porque o uso constante estimula a ansiedade por mais interações”, recomenda Dora. Mas não vá correndo para o celular ou computador assim que terminar o estudo. É importante também reservar momentos com a família e com os amigos (fora do WhatsApp e do Facebook!), [...] para que seu tempo livre não seja consumido pelo tempo online.

Procure reservar, no seu dia, os momentos adequados para acessar a internet. O planejamento anterior pode ajudar a diminuir a ansiedade e evita que aqueles pequenos acessos de cinco minutos acabem durando uma hora. Além disso, entenda que as coisas vão continuar as mesmas independentemente do quanto você entra no Facebook, e aquela notificação ou e-mail não precisam ser vistos ou respondidos agora. Ainda vão estar lá tanto dali a cinco minutos quanto em cinco horas.

Melhorar a relação com as redes pode te ajudar a concentrar mais nos estudos, mas, acima de tudo, pode melhorar sua vida como um todo, proporcionando experiências reais em vez de posts no Facebook que você vai esquecer em seguida. Sabe aquela hora que você nem viu passar porque estava jogando Candy Crush ou assistindo ao milésimo vídeo no YouTube? Que tal trocá-la por aquele livro que você queria conseguir terminar [...] ou mesmo pelo amigo que você não vê há um tempo? “Ao vivo, temos mais tolerância com as imperfeições, entendemos melhor o que os outros têm a dizer, relevamos erros e seguimos a conversa. [...]”, diz Burgos.

Veja os principais sintomas da dependência de internet:

- Tentar diminuir o uso e não conseguir.
- Mentir a respeito do tempo que usa o computador, as redes sociais ou o videogame.
- Precisar ficar cada vez mais tempo online para ter o mesmo prazer.
- Perceber que o humor melhora quando está conectado ou jogando.
- Usar a tecnologia como refúgio dos problemas.
- Abrir mão de sair ou passar tempo com outras pessoas para ficar na internet.
- Colocar em risco os estudos ou o trabalho.

terça-feira, abril 15, 2014

O Universo veio do nada?

Do nada veio tudo?
O mundo da cosmologia foi abalado no mês passado pelo bombástico anúncio de que um experimento norte-americano havia detectado confirmação da expansão violenta do Universo após o Big Bang [confira aqui] – um processo que teria acontecido no primeiro bilionésimo de bilionésimo de bilionésimo de bilionésimo de segundo após o nascimento do cosmos. Agora, um trio de físicos chineses diz que pode explicar o instante inicial, o momento exato do surgimento do Universo. E o cosmos inteiro, tudo que existe, teria nascido do nada. É isso mesmo. Do nada. Deixe essa conclusão assentar por alguns segundos, porque é de abalar todas as estruturas. Agora, vamos qualificar essa ideia. Nem é preciso dizer que se trata de uma afirmação para lá de controversa. Como a expansão inicial – chamada de inflação cósmica – teria “apagado” qualquer sinal de algo que aconteceu naquela minúscula fração de segundo antes dela, não existe esperança de encontrar confirmação observacional desse fato. [E existe “ciência” sem confirmação observacional? – MB]

Por outro lado, é exatamente a conclusão a que você chega quando aplica a mecânica quântica ao estudo da origem do Universo. E não existe na física uma teoria mais testada e retestada que essa. Todos os nossos estudos da física de partículas – incluindo a recente descoberta do bóson de Higgs, tão celebrada – confirmam sua solidez.

Há tempos os cientistas já sabem que o que chamamos de vácuo não é realmente a ausência completa de tudo. Isso porque a mecânica quântica nos confronta com uma ideia muito maluca: coisas podem existir e não existir ao mesmo tempo. Todas as partículas são, na verdade, ondas de probabilidade.

Isso significa que no vácuo, a cada dado momento, existe uma probabilidade não nula (ou seja, maior que zero) de que uma partícula esteja ali. E tudo bem, contanto que essa partícula só exista por uma minúscula fração de segundo antes de ser destruída, preservando assim um dos pilares da física, que é a lei de conservação de matéria/energia do Universo. É a proibição do almoço grátis, que se manifesta da seguinte maneira: a cada vez que a lei das probabilidades faz o vácuo gerar partículas, elas nascem aos pares, que logo se aniquilam e desaparecem. Por essa razão, elas são chamadas pelos físicos de partículas virtuais.

Disso tiramos duas conclusões importantes. A primeira: não existe nada de mágico no surgimento de partículas a partir do nada – o vácuo faz isso o tempo todo. [Lembre-se de que essa afirmação não está fundamentada em observação.] E a segunda: como essas partículas em geral desaparecem numa mínima fração de segundo, isso tem efeito zero no total de energia no cosmos. [Então fica claro que o “nada” dos físicos e cosmólogos não é realmente nada, mas no senso comum é isso: do nada surge tudo e esse tudo se aprimora, “evolui”. Abracadabra!]

É bom lembrar que as partículas virtuais são mais que uma hipótese. Elas são confirmadas, por exemplo, nas colisões promovidas no LHC. Ninguém duvida que o vácuo possa parir coisas do nada. Há demonstração experimental desse fato. E por isso a ideia de que o Universo nasceu do nada sempre foi atraente para os cientistas. [Perguntar não ofende: no LHC, eles colidem partículas que existem a fim d investigar subpartículas provenientes dessas colisões. Como um experimento dessa natureza poderia provar que do nada absoluto poderiam surgir partículas?]  

Uma alternativa seria supor que o Universo nasceu de outro Universo, mas isso só transfere a pergunta deste para a encarnação cósmica anterior. Uma terceira opção, menos favorecida pelos físicos [por que será?], é a de que um Criador teria concebido o cosmos, 13,8 bilhões de anos atrás. Naturalmente, não é a favorita da maioria dos cientistas, e nem é por desgostarem das religiões. O problema aí é que, quando você evoca Deus para explicar alguma coisa, a ciência termina [e quando evoca o “nada”?]. Não há como testar essa hipótese – nem por matemática, nem por observação. [Como assim não dá para “testar” por observação? E o que dizer das muitas evidências de design inteligente e de complexidade irredutível? Como na ciência forense, pode-se partir das evidências para a causa.] É um beco sem saída do ponto de vista científico. (Não quer dizer que não seja verdade; só quer dizer que a ciência jamais pode chegar a essa conclusão, por definição. E a atitude de dispensar Deus das explicações tem sido recompensadora para os cientistas durante séculos – pelo menos desde que eles decidiram que trovões não eram manifestações de uma divindade furiosa.) [Dispensar Deus faz com que os cientistas deixem de acreditar em milagres e passem a usar palavras como “singularidade”. Crer em Deus não significa se acomodar e aceitar o tal “deus das lacunas”. Crer em Deus faz com que o pesquisador sincero saia em busca de respostas para o como: Como Deus fez isso e aquilo? Assim nasceu a ciência experimental, com cientistas cristãos como Galileu, Copérnico e Newton.]

Pois bem. Por essas razões todas, a noção de que o Universo nasceu do nada é atraente. Mas ninguém havia apresentado uma prova matemática rigorosa de que podia funcionar desse modo. Até agora.

“Neste trabalho, nós apresentamos essa prova, baseados nas soluções analíticas da equação de Wheeler-DeWitt”, afirmam corajosamente Dongshan He, Dongfeng Gao e Qing-yu Cai, físicos da Academia Chinesa de Ciências, num artigo recém-publicado na rigorosa revista científica Physical Review D. O título do trabalho? “Criação espontânea do Universo a partir do nada.” [Põe corajosa nisso! Usar a palavra “prova” quando o que se tem é “apenas” uma indicação vinda de modelos matemáticos é, no mínimo, arrogância.]

A tal equação mencionada é um instrumento importante que está sendo usado no desenvolvimento das teorias de gravidade quântica – uma tentativa de reunir a relatividade geral (que descreve a gravidade) e a mecânica quântica (que explica todo o resto) no mesmo balaio. Ninguém sabe ainda qual versão dessas teorias vingará, mas aproximações ocasionais são possíveis. É o caso aqui. [“Aproximações ocasionais” são prova?]

Seguindo rigorosamente a matemática, os pesquisadores concluem que, a partir de flutuações quânticas de um “falso vácuo metaestável”, um desfecho natural é a criação de uma pequena bolha de vácuo verdadeiro, que então infla agressivamente por uma fração de segundo e então para, exatamente como previsto e confirmado nas observações que temos à disposição.

Ok, para tudo. Meu reflexo aqui foi: bacana, mas que diabos é um “falso vácuo metaestável”, o suposto fabricante do Universo? Perguntei a Qing-yu Cai, e ele me explicou que é chamado de falso porque ele teria mais energia do que a presente num vácuo verdadeiro (embora ainda fosse vácuo), e metaestável porque é um estado que não se sustenta por muito tempo. “Ele pode decair para um estado de vácuo verdadeiro por flutuações quânticas”, afirma Qing-yu Cai. “No artigo, demonstramos [matematicamente, não se esqueça] que uma vez que uma pequena bolha de vácuo verdadeiro seja criada por flutuações quânticas de um falso vácuo metaestável, ela pode expandir exponencialmente. Quando a pequena bolha de vácuo verdadeiro se torna grande, a expansão exponencial termina, e o Universo-bebê aparece.”

Incrível, não é? Mas ainda falta uma coisinha. Descobrimos [descobrimos?!] aí de onde veio o espaço-tempo em que habitamos – é a tal pequena bolha de vácuo verdadeiro que se expandiu durante o período de inflação cósmica. Mas não está faltando alguma coisa, não? E toda a matéria do Universo? Sem ela, isso aqui não teria a menor graça. De onde ela pode ter vindo?

Os pesquisadores explicam isso de maneira graciosa ao final de seu artigo. E a chave está nas partículas virtuais, que já mencionamos anteriormente. Veja o que eles dizem: “Em razão do princípio da incerteza de Heisenberg, deve haver pares de partículas virtuais criadas por flutuações quânticas. Falando de maneira geral, um par de partículas virtuais irá se aniquilar logo após seu nascimento. Mas duas partículas virtuais de um par podem ser separadas imediatamente antes da aniquilação pela expansão exponencial da bolha. Logo, haveria uma grande quantidade de partículas reais criadas conforme a bolha de vácuo se expande exponencialmente.”

Ou seja, a expansão súbita (lembre-se, por uma mínima escala de tempo, o Universo cresceu mais depressa que a velocidade da luz!) converteria os pares de partículas virtuais em reais, ao separá-las e levá-las a cantos opostos do cosmos. Eis aí a matéria-prima para tudo que existe, inclusive você e eu. Vamos combinar que pode até não ser verdade, mas é uma história convincente e bem fundamentada. [A mim não convence, pois partem de uma hipótese, criam-se modelos matemáticos para testar a hipótese crida a priori e depois afirmam a hipótese com os resultados da modelagem. Além disso, a linguagem empregada neste artigo que você está lendo também me soa suspeita. Começam usando termos que sugerem uma ideia hipotética para, depois, dar a impressão de que se trata de quase um fato.]

Ao navegar por essas águas complicadas, contudo, o Mensageiro Sideral ficou com uma preocupação. Se o vácuo pode parir um Universo inteiro do nada, quem garante que não vai acontecer agora, neste instante, e rasgar o nosso espaço-tempo em favor desse novo bebê cósmico? Perguntei a Qing-yu Cai, mas ele me tranquilizou. “Quando a bolha de vácuo se torna suficientemente grande, seu potencial quântico é tal que a energia para expansão exponencial será muito pequena, e portanto a expansão exponencial irá parar. O escalar do vácuo atual é muito grande, e seu potencial quântico é negligenciável”, disse. “Em minha opinião, se o espaço pudesse ser dividido em pequenas partes diferentes, isso iria rasgar o nosso Universo. Mas o espaço-tempo é um todo, não pode ser separado arbitrariamente. Isso impede nosso vácuo atual de passar por esse processo de novo.”

Ótima notícia. Seja lá qual for sua crença a respeito da origem do Universo, todas as alternativas apontam para o fato de que ele foi feito para durar.

(Mensageiro Sideral, Folha)

Comentário do Dr. Marcos Eberlin, da Unicamp: “Nunca vi uma afirmação mais tabajara e desprovida de qualquer lógica ou precisão filosófica que a feita por esse tal de Salvador Nogueira no lixo de artigo acima. De onde esse sujeito tirou essa? Onde ele estudou filosofia da Ciência? Na universidade Tabajarense, só pode ser... Comprou seu diploma? Bota essa cara aí, senhores e senhores, para estudar um pouco e deixar de falar asneira na Folha de S. Paulo. Ai, caramba! No dia em que a Ciência descobrir a resposta certa, a Ciência termina. Pode? Pode só terminar o domínio do materialismo filosófico, e de suas definições tabajaras de ciência, que só servem para eles de consolo. Não sabe esse tal de Salvador Nogueira que foi exatamente a noção de que Deus existe, e que Ele governava seu Universo com leis, e que assim seu Universo seria racional e consistente, que fez a Ciência nascer? Que a Existência de Deus é o único pressuposto científico? Que redescobrir Deus é redescobrir a própria Ciência livre e sem pré-conceitos? Que essa noção nada prejudica, de que Deus existe, alia purifica a Ciência de besteiróis como esse que acabei de ler? Vade retro ignorância científica de repórter que se acha no direito de definir ciência e de decretar a morte dela! Ou seja, na opinião do ilustre ‘jornalista científico’, e só na dele, vamos que vamos na Ciência nos enganando procurando a resposta errada. Que besteirol mas besteirento esse repórter tem coragem de falar. A ciência é paga por mim e por você para encontrar a resposta certa, e se alguém deixa de fazê-lo, você e eu devemos demiti-lo, pois então iria torrar nossos suados impostos em busca de uma ilusão naturalista. Chamem o Procon, se assim for! A ciência jamais pode chegar a essa conclusão, por definição! Vade retro ignorância, de novo! Que definição seria essa que nos proibiria de concluir pela resposta certa? Reproduzo aqui o que li e que me irou ao extremo, pois foi ignorância demais, petulância demais, e conhecimento de menos, de nada: ‘Naturalmente, não é a favorita da maioria dos cientistas, e nem é por desgostarem das religiões. O problema aí é que, quando você evoca Deus para explicar alguma coisa, a ciência termina. Não há como testar essa hipótese – nem por matemática, nem por observação. É um beco sem saída do ponto de vista científico. (Não quer dizer que não seja verdade; só quer dizer que a ciência jamais pode chegar a essa conclusão, por definição.)’”

Lua de sangue é sinal da volta de Jesus?

Coloração causada pelos raios do Sol
O continente americano viu nesta terça-feira (15) um eclipse lunar, ou a “Lua de sangue”, quando a Lua fica na sombra da Terra em relação ao Sol e ganha um tom avermelhado. No Brasil, o eclipse total poderia ser visto a partir das 3h, por cerca de 78 minutos, nas regiões Norte e Centro-Oeste, se as condições meteorológicas permitissem. Os eclipses totais da Lua, quando o satélite cruza o cone de sombra da Terra, são pouco frequentes. O último ocorreu no dia 10 de dezembro de 2011. A última vez que aconteceu uma série de quatro eclipses lunares totais foi entre 2003 e 2004, segundo a agência espanhola EFE. Este é primeiro de uma série de quatro eclipses lunares que deve ocorrer, aproximadamente, a cada seis meses e se repetirá apenas sete vezes neste século. O próximo eclipse total está previsto para o dia 8 de outubro. Ainda neste ano, também será possível observar dois eclipses do Sol - um em abril e outro em outubro.

A agência espacial americana (Nasa) explicou que a Lua de sangue ocorre quando a região periférica da Lua ingressa no centro da sombra da Terra, que é de cor âmbar. É durante esse período que o satélite é visto da Terra com uma cor avermelhada, causada pela luz do Sol e matizada por sua passagem pela atmosfera terrestre - algo similar à coloração que a luz solar adquire nos crepúsculos.

Ao longo da história, os eclipses solares e lunares estiveram rodeados de muitas superstições e referências a profecias sobre desastres naturais de grande magnitude (com informações do site G1). E não faltaram pessoas que especulassem sobre a possível relação dessa Lua de sangue com as profecias de Mateus 24 e Joel 2, que diz: “O Sol se converterá em trevas, e a Lua em sangue, antes que venha o grande e temível dia do Senhor.” Afinal, será que há alguma relação? O texto abaixo, escrito pelo teólogo Dr. Alberto Timm, é bastante esclarecedor a esse respeito:

O texto bíblico declara que a segunda vinda de Cristo seria precedida por um grande terremoto, bem como por sinais cósmicos no Sol, na Lua e nas estrelas (ver Jl 2:31; Mt 24:29; Mc 13:24, 25; Lc 21:25; Ap 6:12, 13). Os adventistas creem que esses sinais se cumpriram respectivamente com o terremoto de Lisboa, no dia 1º de novembro de 1755; o escurecimento do Sol e a Lua em cor de sangue, em 19 de maio de 1780; e a queda das estrelas, na noite de 13 de novembro de 1833. Mas pelo menos três argumentos básicos têm sido usados contra tais identificações. Um dos argumentos é que esses acontecimentos não passariam de fenômenos naturais, reincidentes e explicáveis cientificamente, que não poderiam ser considerados cumprimentos proféticos. Devemos reconhecer, no entanto, que esses fenômenos são “sinais” (Lc 21:25) mais importantes pelo seu significado do que pela sua própria natureza. Além disso, em várias outras ocasiões Deus usou meios naturais com propósitos espirituais. Por exemplo, o dilúvio envolveu água e uma arca (Gn 6-8); e entre as pragas do Egito havia rãs, piolhos, moscas, pestes, úlceras, saraiva, gafanhotos e trevas (Êx 7–12). De modo semelhante, os sinais cósmicos, mesmo podendo ser explicados cientificamente, apontavam para importantes realidades espirituais.

Outro argumento usado contra as identificações acima mencionadas é que elas já estão demasiadamente distantes da segunda vinda de Cristo para ainda ser consideradas sinais desse evento. Mas Cristo deixou claro que esses sinais deveriam ocorrer “logo em seguida à tribulação daqueles dias” (Mt 24:29), ou seja, próximo ao término dos 1.260 anos de supremacia papal (Dn 7:25). Apocalipse 6:12-14 esclarece que a sequência terremoto/sol/lua/estrelas ocorreria no contexto da abertura do sexto selo, e não do sétimo selo, que é a segunda vinda de Cristo.

William H. Shea, em seu artigo “A marcha dos sinais”, Ministério, maio-junho de 1999, p. 12, 13, identifica a seguinte sequência profética: (1) o grande terremoto de 1755; (2) o dia escuro de 1780; (3) o juízo sobre a besta em 1798; (4) a queda das estrelas em 1833; e (5) o início do juízo investigativo pré-advento em 1844. Assim como o grande terremoto e o dia escuro precederam o juízo sobre a besta, a queda das estrelas antecedeu o início do juízo investigativo.

Um terceiro argumento contra tais identificações é que o terremoto de Lisboa em 1755 não foi o mais intenso abalo sísmico já registrado. Independentemente de sua intensidade, o terremoto de Lisboa foi o mais significativo, em termos proféticos. Como prenúncio do término dos 1.260 anos de supremacia papal, o terremoto ocorreu em um domingo, Dia de Todos os Santos, quando os devotos católicos estavam reunidos em suas igrejas, e nenhum dos supostos santos os conseguiu proteger.

Otto Friedrich, em sua obra O fim do mundo (Rio de Janeiro: Record, 2000), p. 227-271, afirma que alguns padres e freiras anteviram em sonhos e visões que Lisboa seria destruída. A posição tradicional adventista é confirmada em Nisto Cremos: as 28 Crenças Fundamentais da Igreja Adventista do Sétimo Dia, 8ª ed. (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2008), p. 417-419; e no Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia (Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2012).

Ellen G. White, em O Grande Conflito, p. 636, 637, reconhece que, por ocasião da segunda vinda de Cristo, “o Sol aparecerá resplandecendo” à meia-noite e um “grande terremoto” abalará a Terra (Ap 16:18). Mas na mesma obra (p. 304-308, 333-334), a Sra. White assegura que os sinais cósmicos mencionados especificamente pelo profeta Joel (Jl 2:31), por Cristo (Mt 24:29; Mc 13:24, 25; Lc 21:25) e pelo apóstolo João (Ap 6:12, 13) se cumpriram respectivamente em 1755, 1780 e 1833. Portanto, a Igreja Adventista do Sétimo Dia aceita os eventos ocorridos nessas datas como sendo os sinais preditos em Mateus 24:29.

(Alberto Timm, Centro White)

segunda-feira, abril 14, 2014

Russell Crowe teve educação adventista na infância

O ator neozelandês Russell Crowe
Russell Ira Crowe [ator principal do filme “Noé”] nasceu em Wellington, Nova Zelândia, mas tem ascendência britânica, norueguesa e maori. Dois de seus tios, Martin e Jeff Crowe, são antigos capitães da seleção de críquete neozelandesa. Crowe cresceu seguindo as orientações da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Quando tinha quatro anos, seus pais se mudaram para a Austrália, onde frequentou a Sydney Boys High School. Aos 14, retornou à Nova Zelândia, onde não completou a educação secundária, abandonando os estudos para ajudar financeiramente sua família. Crowe voltou à Austrália aos 21 anos, para ingressar no Instituto Nacional de Arte Dramática, plano do qual desistiu, passando a trabalhar como ator de teatro mambembe. Depois de aparecer nas séries de televisão “Neighbours” e “Living With the Law”, Crowe obteve seu primeiro papel em um filme: “The Crossing”, dirigido por George Ogilvie.

Em 1992, Crowe protagonizou o primeiro episódio da segunda temporada da série “Police Rescue”. No mesmo ano, atuou em “Romper Stomper”, um filme australiano dirigido por Geoffrey Wright.

Depois de seu êxito na Austrália, Crowe começou a aparecer em filmes norte-americanos. Primeiro, esteve ao lado de Denzel Washington em “Assassino Virtual”, de 1995. Mas Crowe tornou-se uma estrela depois de trabalhar com Kevin Spacey, Guy Pearce e Kim Basinger no filme “Los Angeles - Cidade Proibida”, em 1997.
 
Nos anos seguintes, Crowe receberia três indicações ao Oscar de melhor ator: por “O Informante”, “Gladiador” e “Uma Mente Brilhante”. Ganhou o prêmio, em 2001, por sua atuação em “Gladiador”. Seu trabalho em “Uma Mente Brilhante” lhe valeu um prêmio Bafta. Em 2005, voltou a filmar sob a direção de Ron Howard, em “A Luta Pela Esperança”. E foi dirigido por Ridley Scott em dois filmes: “Um Bom Ano” e “American Gangster”.

Na maior parte do ano, Crowe mora na Austrália. Ele também é cantor e compositor. Foi vocalista e guitarrista da banda de rock “30 Odd Foot of Grunts” e hoje colabora na banda canadense “Great Big Sea”. Publicou um álbum no iTunes, intitulado “My Hand, My Heart”.

Russell Crowe também é co-proprietário da South Sydney Rabbitohs, uma equipe da Liga Nacional de Rugby da Austrália.


Nota: No Brasil, Luana Piovani também teve começo semelhante ao do ator neozelandês (confira aqui e aqui) e Angus Jones fez caminho inverso ao dos dois (confira). [MB]

Confira abaixo o ator Russell Crowe, bem jovem, num antigo comercial do colégio adventista australiano de Avondale:

domingo, abril 13, 2014

O sexo como ele (não) é

Ideias distorcidas sobre sexo
Na era “analógica”, eram os papos entre amigos, os parcos e entrecortados conselhos dos pais e, principalmente, a prática - sempre repleta de muitas tentativas e muitos erros. Na era digital, são os filmes pornográficos. Numa sociedade cuja educação sexual é falha, cercada de tabus, a internet de alta velocidade inundou computadores, tablets e smartphones de adolescentes e jovens com uma quantidade sem precedentes de filmes de conteúdo explícito, tornando as distorções, os estereótipos e a performance espetacularizada dessas obras, muitas vezes, a referência principal de quem está começando a vida sexual. A objetificação da mulher, a supremacia do contato genital sobre as trocas afetivas e o raro uso de camisinha são características dos filmes pornô que se reproduzem na vida real, atestam especialistas.

A publicitária e empresária inglesa Cindy Gallop, de 54 anos, foi das primeiras “autoridades” no tema a observar o fenômeno global. Criadora de um site [...] de vídeos e textos com um contraponto “mais humano” à robótica pornografia tradicional, ela diz ter notado um crescente comportamento sexual caricato nos homens com quem sai, a maioria na casa dos “vinte e poucos anos”. “O que eu estava encontrando eram as ramificações da onipresença do pornô hardcore na nossa cultura”, lembra essa filha de pai britânico e mãe chinesa, criada em Brunei e, hoje, moradora de Nova York.

Cindy não é, nem de longe, uma puritana. No seu site, em palestras mundo afora e no livro de 2011 Make Love Not Porn: Technology’s Hardcore Impact on Human Behavior (Faça amor, não pornografia: O impacto do pornô hardcore no comportamento humano, em tradução livre), ela usa linguagem e conceitos libertários. Mas critica a exposição de crianças e adolescentes desde cedo ao material pornográfico da web: “Está se formando uma geração inteira de meninos que crescerá acreditando que aquilo que veem nos vídeos é a forma como se deve fazer sexo. Os programas de educação sexual são precários, e os pais continuam tendo dificuldade de tratar desse assunto com os filhos. Isso não é nada bom.”

De acordo com levantamento da consultoria Nielsen, dois em cada três consumidores de pornografia na internet são homens. Assim, não é raro que as fantasias masculinas extrapolem o mundo digital e acabem na rotina sexual dos casais. O programador carioca Rodrigo, de 27 anos, conta ser um consumidor assíduo de pornô. E admite que isso influencia as relações com a namorada. “Com certeza em algum momento da vida rola aquele instante em que você percebe que a pornografia está para o sexo como (o filme) ‘Velozes e furiosos’ está para dirigir”, compara o jovem, para quem o caráter espetacular e emocionante dos filmes pornô pode tornar frustrantes as relações reais. “Vale mais uma boa masturbação do que uma transa ruim.”

As mulheres já estão se adaptando aos desejos dos parceiros sob influência dos filmes. Com isso, formam-se casais que só sentem prazer se seguirem o roteiro do mercado pornô, explica a inglesa Cindy: “No mundo real, uma das coisas mais prazerosas é o contato de pele. É uma delícia transar com os braços envolvendo o parceiro, com os corpos apertadinhos. Só que isso é inadmissível no hardcore, pois estaria obstruindo o olhar da câmera, que quer focar bem o famigerado ponto de entrada. Se tomarmos a regra desses filmes, todos os homens gostam de dar tapas, todas as mulheres gostam de sexo anal e de xingamentos, e basta uma mínima estimulação do clitóris para que elas estejam prontinhas. Sem falar no clichê de que elas têm orgasmos o tempo todo, e nas mais esdrúxulas posições.”

O estudo “Pornografia, desigualdade de gênero e agressão sexual contra mulheres”, feito pela pesquisadora brasileira Lylla Cysne Frota D’Abreu, da Universidade de Potsdam, na Alemanha, lançou um outro olhar sobre a questão. Para o trabalho, publicado ano passado, Lylla entrevistou estudantes universitários brasileiros do sexo masculino e revelou que 99,7% deles já haviam acessado conteúdo pornô on-line, 54,3% o faziam com frequência e, entre os mais assíduos, eram maiores os casos de agressões sexuais contra mulheres. “O fenômeno inclui uma ampla variedade de comportamentos, desde passar a mão e tirar peças de roupa, passando por coerção sexual e até estupro”, ela define. [...]

Uma pesquisa recente revelou que, no Reino Unido, um terço das crianças de até 10 anos já havia acessado algum tipo de conteúdo pornográfico on-line. Mais de 80% dos adolescentes de 14 a 16 anos o faziam regularmente, dois terços deles por meio de smartphones. Ao mesmo tempo, 70% dos entrevistados disseram nunca ter feito sexo, o que torna a experiência na internet sua única referência sexual.

Segundo Junia de Vilhena, psicanalista do Departamento de Psicologia da PUC-Rio, a visão distorcida sobre o sexo tem raízes antigas e só foi agravada pela disseminação do pornô on-line. “Essa pressão sobre a mulher, que tem que satisfazer o homem na cama, é fruto da educação machista comum em vários países. A maior característica da pornografia é suprimir a fase de sedução. Pornografia é a antítese do erotismo”, diz Junia. “A pressão pelo desempenho faz com que rapazes de menos de 19 anos consumam Viagra, com medo de falhar.” [...]

X., 23 anos, [escreveu anonimamente a site]: “A partir dos 13 anos, quando comecei a usar computador, virei uma ávida consumidora de pornografia em vídeo. Lentamente subi na escala, assistindo a perversões mais doentias, até chegar ao que poderia definir como meu limite final. Nunca tive uma relação sexual funcional. Nem creio que um dia terei. Ninguém me leva ao orgasmo. Só chego ao clímax sozinha e me envergonho das minhas fantasias. Pré-adolescentes precisam de educação sexual de verdade, para não virar capachos ou vítimas inconscientes dos caprichos alheios.”


Isaac & Charles: ceticismo seletivo

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quinta-feira, abril 10, 2014

“Noé” é um show de cabala e gnosticismo

Noé cabalístico
Em “Noé”, a nova e épica produção cinematográfica de Darren Aronofsky, Adão e Eva são apresentados como seres luminescentes e descarnados, até o momento em que comem do fruto proibido. Essa versão não é a da Bíblia, é claro. E, em meio a muitas outras licenças imaginativas de Aronofsky, como os monstros gigantes de lava, essa imagem levou muitos críticos de cinema a coçar a cabeça. Evangélicos conservadores se queixaram de que o filme toma muitas liberdades com o texto do Gênesis. Grupos mais liberais concederam suas indulgências ao diretor: afinal de contas, não devemos esperar que um ateu professo tenha as mesmas ideias de um crente a respeito dos textos sagrados. O caso é que os dois grupos se perderam na avaliação. Aronofsky não tomou liberdade alguma com o texto bíblico. O filme simplesmente não foi baseado na Bíblia.

Aliás, em defesa do diretor, devemos reconhecer que o filme nem sequer foi anunciado como se fosse. “Noé” não é uma adaptação do Gênesis. O filme nunca foi anunciado como “Noé da Bíblia” ou como “A História Bíblica de Noé”. Os escombros da cristandade continuam quentes o suficiente em nossos dias para que, quando alguém diz que vai fazer “Noé”, todo o mundo já presuma que vai ser uma versão da história da Bíblia. Eu tenho certeza de que Aronofsky ficou muito feliz em deixar seu estúdio pressupor isso mesmo, porque se o estúdio soubesse o que ele realmente pretendia, nunca teria permitido que ele fizesse o filme. Aronofsky tinha outras coisas em mente.

Vamos voltar à versão luminescente dos nossos primeiros pais. Eu reconheci o “motif” instantaneamente: é uma visão típica da antiga religião gnóstica. Eis uma descrição, do século 2 d.C., de algo em que a seita dos chamados ofitas acreditava: “Adão e Eva, originalmente, possuíam corpos sutis, luminosos e, por assim dizer, espirituais. Mas, quando chegaram aqui, seus corpos se tornaram escuros, pesados e desidiosos” (descrito por Irineu de Lyon, em Contra Heresias, I, 30,9).

Ocorreu-me que uma tradição mística mais estreitamente relacionada com o judaísmo, chamada cabala (que a cantora Madonna popularizou há cerca de uma década), teria certamente conservado uma visão semelhante, já que ela é, essencialmente, uma forma de gnosticismo judaico. Eu sacudi o pó do meu exemplar da obra The Kabbalah, escrita no século 19 por Adolphe Franck, e confirmei rapidamente as minhas suspeitas: “Antes de serem seduzidos pela sutileza da serpente, Adão e Eva não apenas eram isentos da necessidade de um corpo, mas sequer tinham corpo; ou seja, eles não eram da Terra.”

Franck cita o Zohar, um dos textos sagrados da cabala: “Quando nosso pai Adão habitava o Jardim do Éden, ele vestia, como todos no Céu, uma roupa feita de luz superior. Quando foi expulso do Jardim do Éden e obrigado a submeter-se às necessidades deste mundo, o que aconteceu? Deus, dizem as Escrituras, fez para Adão e para a sua esposa túnicas de pele e os vestiu; antes disso, eles vestiam túnicas de luz, da luz mais alta que havia no Éden...” [Até aí, tudo bem. Ellen White também diz que Adão e Eva usavam “vestes de luz”, mas não que fossem espíritos ou coisa parecida. – MB]

Isso é uma coisa obscura, eu sei. Mas a curiosidade tomou conta de mim e eu fui a fundo. Descobri que o primeiro longa de Darren Aronofsky foi “Pi” (de 1998; não confundir com “Life of Pi”, que não tem nada a ver com isso). Quer saber qual era o assunto? Tem certeza? Cabala. Consegui chamar a sua atenção? Ótimo.

O universo do “Noé” de Aronofsky é completamente gnóstico: um universo com graus “superiores” e “inferiores”. O “espiritual” é bom, e muito, muito, muito elevado: é lá onde mora o deus inefável; e o “material” é ruim, e muito, muito, muito inferior: é aqui, onde os nossos espíritos estão presos em carne material. Isto vale não apenas para os filhos e filhas decaídos de Adão e Eva, mas também para os anjos caídos, descritos explicitamente como espíritos aprisionados em “corpos” materiais feitos de lava derretida resfriada.

O filme criou personagens muito bacanas, mas sua evocação gnóstica também é notória. Os gnósticos os chamam de arcontes, seres divinos ou angelicais de menor escalão, que ajudam “O Criador” na formação do universo visível. E a cabala tem um panteão todo próprio de seres angelicais que sobem e descem pela “escada do ser divino”. E anjos caídos nunca são totalmente caídos nesse tipo de misticismo. Para citar de novo o Zohar, um texto central da cabala: “Todas as coisas de que este mundo é composto, tanto o espírito quanto o corpo, voltarão ao princípio e à raiz de onde vieram.” Engraçado: é exatamente o que acontece com os monstros de lava de Aronofsky. Eles se redimem, mudam até de pele e voam de volta para os céus. Aliás, eu notei que, no filme, quando a família de Noé vai caminhando por uma terra desolada, Sem pergunta ao pai: “Esta é uma mina Zohar?” Pois é: o nome do texto sagrado da cabala.

O filme inteiro é, figurativamente, uma mina Zohar.

E, se havia alguma dúvida sobre os “Vigilantes”, Aronofsky dá nome a vários deles: Samyaza, Magog e Ramil. Todos são demônios conhecidos da tradição mística judaica, não só da cabala, mas também do Livro de Enoc.

O quê? Demônios redimidos? Adolphe Franck explica a cosmologia da cabala: “Nada é absolutamente mau; nada é maldito para sempre, nem mesmo o arcanjo do mal ou, como ele é chamado às vezes, a fera venenosa. Chegará um tempo em que até ele recuperará o seu nome e a sua natureza angelical.”

Sim, isso é estranho, mas, por outro lado, todo mundo no filme parece adorar “O Criador”, certo? E isso é um ponto a favor do filme, não é? Não.

Acontece que, quando os gnósticos falam do “Criador”, eles não estão falando de Deus. Aqui, em nosso mundo que colhe os frutos da cristandade, o termo “Criador” geralmente denota o Deus vivo e verdadeiro. Mas, no gnosticismo, o “Criador” do mundo material é um filho bastardo de uma divindade de baixo nível, ignorante, arrogante, ciumento, exclusivista, violento e rasteiro. Ele é o responsável pela criação do mundo “não espiritual”, de carne e matéria, e ele mesmo é tão ignorante do mundo espiritual que se imagina como o “único Deus” e exige obediência absoluta. Os gnósticos geralmente o chamam de “Javé”. Ou de outros nomes, como Ialdabaoth, por exemplo.

Este “Criador” tenta manter Adão e Eva longe do verdadeiro conhecimento do divino e, quando eles desobedecem, fica furioso e os escorraça do paraíso.

Em outras palavras, caso você tenha se perdido no enredo: a serpente estava certa o tempo todo. Esse “deus”, “O Criador”, a quem eles adoram, está retendo para si algo que a serpente poderia lhes proporcionar: nada menos que a própria divindade.

O universo do misticismo gnóstico tem uma desconcertante infinidade de variedades. Mas, em geral, elas têm em comum o fato de chamar a serpente de “Sophia” [Sabedoria, em grego] ou “Mãe”. A serpente representa o divino verdadeiro. As declarações do “Criador” é que são falsas. Então a serpente é um personagem importante no filme?

Vamos voltar ao filme. A ação começa quando Lamec está prestes a abençoar seu filho, Noé. Lamec, de modo muito estranho para um patriarca de uma família que segue a Deus, puxa uma relíquia sagrada, a pele da serpente do Jardim do Éden. Ele a enrola no braço e estende a mão para tocar no seu filho; neste momento, um bando de saqueadores interrompe a cerimônia. Lamec é morto e o “vilão” do filme, Tubal-Caim, rouba a pele da serpente. Noé, em resumo, não recebeu o suposto benefício que a pele da serpente lhe concederia.

A pele não se acende magicamente no braço de Tubal-Caim: aparentemente, ele também não fica “iluminado”. E é por isso que todo mundo no filme, incluindo o protagonista Noé e o antagonista Tubal-Caim, adora “O Criador”. Todos eles estão enganados.

Vou esclarecer uma coisa: muitos críticos manifestaram perplexidade ao ver que não há nenhum personagem “apreciável” no filme e que, de quebra, todos parecem adorar o mesmo Deus. Tubal-Caim e seu clã são maus e do mal, mas o próprio Noé também se mostra muito mau quando abandona a namorada de Ham e quase mata duas crianças recém-nascidas. Alguns acharam que essa passagem era uma espécie de profunda reflexão sobre o mal que existe em todos nós. Mas aqui vai outro trecho do Zohar, o texto sagrado da cabala: “Dois seres [Adão e Nachash, a serpente] tiveram relações com Eva [a segunda mulher] e ela concebeu de ambos e deu à luz dois filhos. Cada um seguiu um dos progenitores masculinos e seus espíritos se separaram, um para um lado, o outro para o outro, assim como, similarmente, seus caráteres. No lado de Caim estão os da espécie do mal; no de Abel, uma classe mais misericordiosa, mas não ainda totalmente benéfica: são vinho bom misturado com vinho ruim.” Soa familiar?

De qualquer forma, todo mundo está adorando a “divindade do mal”, que quer destruir a todos (na cabala, diga-se de passagem, acredita-se que muitos mundos já foram criados e destruídos). Tanto Tubal-Caim quanto Noé tem cenas idênticas, olhando para o céu e perguntando: “Por que não falas comigo?” “O Criador” abandonou a todos porque tem a intenção de matar a todos.

Noé tinha tido uma visão da vinda do dilúvio. Ele está se afogando, mas vê animais que flutuam na superfície, na segurança da arca. Não há nenhuma indicação de que Noé se salvará. Ele não sabe como explicar as coisas para a sua família: afinal, ele está afundando enquanto os animais, “os inocentes”, se salvam. “O Criador”, que proporciona essa visão a Noé, quer que todos os seres humanos morram.

Muitas resenhas críticas estranharam a mudança de Noé, que, na arca, se torna um maníaco homicida querendo matar as duas netas recém-nascidas. Não há nada de estranho nisso. Na opinião do diretor, Noé está adorando um deus falso que também é um maníaco homicida. Quanto mais Noé se torna fiel a esse deus, mais ele se torna homicida. Ele vai se transformando cada vez mais na “imagem do deus”, a mesma “imagem do deus” constantemente mencionada (e encarnada) pelo vilão Tubal-Caim.

Mas Noé decepciona “O Criador”. Ele não acaba com todas as vidas, do jeito que seu deus quer que ele faça. “Quando eu olhei para aquelas duas meninas, meu coração se encheu somente de amor”, diz ele. Agora Noé tem algo que “O Criador” não tem: amor. E misericórdia. Mas de onde ele tirou isso? E por que agora?

Na cena imediatamente anterior, Noé matou Tubal-Caim e recuperou a relíquia da pele de cobra: “Sophia”, a “Sabedoria”, a verdadeira luz do divino. Apenas uma coincidência, claro...

Bom, estou quase terminando.

Falemos do arco-íris. Ele não aparece no final só porque Deus faz uma aliança com Noé. O arco-íris aparece quando Noé fica sóbrio e abraça a serpente. Ele enrola a pele em volta no braço e abençoa a família. Não é Deus que os encarrega de se multiplicar e encher a Terra, mas sim Noé, em primeira pessoa, usando o talismã-serpente (a propósito, não é casual que os arco-íris sejam todos circulares. O círculo do “Um”, o Ein Sof, na cabala, é o sinal do monismo).

Observe esta mudança: Noé estava bêbado na cena anterior. Agora ele já está sóbrio e “iluminado”. Um cineasta nunca monta uma sequência dessas por acidente. Noé transcendeu e superou aquela divindade ciumenta e homicida.

Faço algumas advertências depois de tudo isso.

Primeiro, a especulação gnóstica tem várias perspectivas. Alguns grupos se mostram radicalmente “dualistas”, com “O Criador” sendo de fato um “deus” completamente diferente. Outros são mais “monistas”, com Deus existindo em uma série de emanações descendentes. Outros, ainda, consideram que a divindade inferior pode “crescer”, “amadurecer” e ascender na “escala” do ser, rumo a maiores alturas. Noé, provavelmente, se encaixa um pouco em cada categoria. É difícil dizer.

Minha outra advertência é esta: há uma tonelada de imagens, citações e temas da cabala neste filme e eu não conseguiria citar todas elas neste único texto. Por exemplo: a cabala geralmente se baseia em letras e números hebraicos; os “Vigilantes” pareciam ter, deliberadamente, a forma de letras hebraicas.

Eu não veria este filme de novo para escavar detalhadamente todas essas referências, nem sequer se você me pagasse (até porque, de um mero ponto de vista cinematográfico, achei a maior parte do filme insuportavelmente chata). O que posso dizer, tendo visto a produção somente uma vez, é o seguinte: Darren Aronofsky produziu uma releitura da história de Noé sem embasamento algum na Bíblia. É uma releitura totalmente pagã da história de Noé, baseada em fontes gnósticas e da cabala. Para mim, não resta simplesmente nenhuma dúvida sobre isso.

Agora deixem-me dizer qual é o verdadeiro escândalo em tudo isso.

Não é o fato de que o filme foge à versão bíblica. Não é o fato de que os críticos cristãos, decepcionados, tinham expectativas altas demais. O escândalo é este: de todos os líderes cristãos que fizeram um grande esforço para endossar esse filme (pelo motivo que fosse: “Porque é um início de diálogo”, “Porque Hollywood está pelo menos fazendo alguma coisa ligada à Bíblia”, etc.) e de todos os líderes cristãos que o condenaram por “não seguir a Bíblia”, nenhum conseguiu identificar uma subversão flagrantemente gnóstica da história bíblica, por mais que ela estivesse bem debaixo dos seus narizes.

Eu acho que Aronofsky se propôs a experiência de nos fazer de bobos: “Vocês são tão ignorantes que eu sou capaz de colocar Noé (Russell Crowe!) nas telas e retratá-lo literalmente como a ‘semente da serpente’ e, mesmo assim, todos vocês vão assistir e apoiar.”

Aronofsky está dando risada. E todos os que caíram no trote deveriam se envergonhar. E olhem que foi uma experiência gnóstica impressionante! No gnosticismo, somente a “elite” possui “o saber” e o conhecimento secreto. Todo o resto das pessoas é um bando de ingênuos e tolos ignorantes. O “grande evento” desse filme é ilustrar esta premissa gnóstica: nós, “o resto”, somos ingênuos e tolos.

Será que a cristandade poderia acordar, por favor?

Em resposta, eu tenho uma sugestão simples: de hoje em diante, nenhum seminarista deveria avançar de etapa se não demonstrasse que leu, digeriu e entendeu o texto Contra Heresias, de Irineu de Lyon. Afinal de contas, estamos novamente no século 2 d.C.

Post scriptum: alguns leitores podem achar que eu estou sendo duro demais com as pessoas porque elas não perceberam o gnosticismo no coração desse filme. Eu não espero que os espectadores em geral percebam essas coisas. O que eu esperava deles, aliás, era exatamente o que vimos: uma confusão de coçar a cabeça. Mas espero, sim, uma reação muito diferente dos líderes cristãos: professores de seminários e de universidades, párocos, doutores. Se uma pele de serpente enrolada no braço de um personagem bíblico não dispara nenhum alarme diante deles... eu não sei nem o que dizer.

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quarta-feira, abril 09, 2014

Astrônomos do Vaticano procuram “irmão extraterrestre”

Funes, no Observatório do Vaticano
Porque cargas d’água o Vaticano está em busca de vida extraterrestre? Será que a hierarquia católica sabe algo sobre a vida alienígena que o resto de nós não sabe? Por que a maior organização religiosa do planeta está gastando tanto tempo e energia à procura do “irmão extraterrestre”? No início deste mês, o Observatório do Vaticano copatrocinou uma grande conferência sobre vida extraterrestre que reuniu 200 dos principais astrobiólogos do mundo. Um dos organizadores afirmou que um dos objetivos da conferência era descobrir “como podemos encontrar a vida entre as estrelas dentro das próximas duas décadas” (confira). Certamente não seria incomum para um grupo de astrônomos e astrobiólogos se reunir para discutir essas coisas. Mas por que o Vaticano está aparentemente obcecado com esse assunto? Como você verá abaixo, há alguns astrônomos do alto escalão do Vaticano que parecem bastante confiantes de que há “algo” lá fora. De fato, um afirmou que, uma vez que isso seja revelado, “tudo o que pensamos que sabemos” deverá “ser jogado fora”.

Normalmente, uma conferência que reúne várias centenas de cientistas não vai gerar manchetes. O que torna esta diferente é o envolvimento do Vaticano. O que se segue é a forma como essa conferência foi descrita no site da NASA: “Motivado pelo crescente número conhecido de planetas do tamanho da Terra, o aumento da gama de condições extremas em que a vida na Terra pode persistir, e o progresso em direção a uma tecnologia que acabará por permitir a busca de vida em exoplanetas, o Observatório do Vaticano e o Observatório Steward anunciam uma grande conferência intitulada ‘A busca por vida além do sistema solar: exoplanetas, bioassinaturas & instrumentos’ (confira).

“O objetivo da conferência é reunir a comunidade interdisciplinar necessária para enfrentar este desafio multifacetado: especialistas em observações de exoplanetas, vida primitiva e extrema na Terra, bioassinaturas atmosféricas, e telescópios que procuram planetas.”

Nos últimos anos, o Vaticano tem realmente adotado uma posição de liderança na busca por vida extraterrestre. O atual chefe do Observatório do Vaticano, José Gabriel Funes, não acredita que haja qualquer conflito entre sua fé e sua busca por vida além deste mundo.

José Gabriel Funes, um padre jesuíta e astrônomo argentino, e atual diretor do Observatório do Vaticano, diz que não há conflito entre acreditar em Deus e na possibilidade de civilizações extraterrestres, talvez mais evoluídas do que os humanos. “Em minha opinião, essa possibilidade existe”, disse o reverendo Funes, que também foi conselheiro científico do papa Bento XVI, referindo-se à vida em outros planetas. De fato, Funes soa bastante otimista sobre a possibilidade de encontrar o “irmão extraterrestre” algum dia.

Questionado se ele estava se referindo a seres semelhantes aos humanos ou até mesmo mais evoluídos do que os humanos, ele disse: “Certamente, em um universo tão grande, você não pode excluir essa hipótese. Assim como existe uma multiplicidade de criaturas na Terra, pode haver outros seres, até mesmo inteligentes, criados por Deus. Isso não está em contraste com a nossa fé porque não podemos colocar limites à liberdade criadora de Deus. Por que não podemos falar de um ‘irmão extraterrestre’? Ele ainda seria parte da criação.”

Funes, que administra o observatório localizado ao sul de Roma e no Arizona, sustenta a possibilidade de que a raça humana possa realmente ser a “ovelha perdida” do Universo. Poderia haver outros seres “que permaneceram em plena amizade com o seu criador”, disse ele. Uau!

Então Funes está realmente sugerindo que, quando encontrarmos seres extraterrestres, eles podem [ser criaturas] que não caíram em pecado como a humanidade. As implicações disso são enormes. Basta verificar o que o pesquisador Tom Horn recentemente disse sobre isso: “Esse é um argumento que eles continuam a sustentar e eles estão se tornando mais e mais inflexíveis sobre isso, que o que sabemos sobre nós mesmos é que estamos caídos, certo? Mas não podemos assumir necessariamente a mesma coisa sobre nossos irmãos do espaço. E se eles não são caídos, eles estão mais perto de Deus do que nós. Portanto, eles têm uma melhor compreensão do Evangelho e da Divindade e da natureza de Deus.”

E quando eles começaram há três anos, Funes dizia: “Eu gostaria de batizar um alienígena na fé católica.” Bem, isso não é o que eles estão dizendo hoje. O que eles estão dizendo agora é que eles [os alienígenas] estão vindo para cá e eles vão nos batizar em sua fé e irão nos obrigar a fazer mudanças em nosso conhecimento, em nossa compreensão do Evangelho. Na verdade, alguns de seus mais profundos teólogos têm dito: “Talvez tudo o que pensamos que sabemos sobre o Evangelho vai ter que ser jogado fora.”

Outro destacado astrônomo do Vaticano, Guy Consolmagno, sugeriu publicamente que os alienígenas poderiam realmente ser os “salvadores da humanidade”.

Comentários cativantes dos padres jesuítas, como Consolmagno, um astrônomo que muitas vezes aparece nos meios de comunicação como um porta-voz do Vaticano, que já trabalhou na NASA e lecionou em Harvard e no MIT, e que atualmente divide seu tempo entre o Observatório do Vaticano e o laboratório (Specola Vaticana), com sede na residência de verão do papa em Castel Gandolfo, Itália, e MT Graham, no Arizona. Ao longo dos últimos anos, ele tem concentrado tanto de seu tempo e esforço na tentativa de conciliar ciência e religião em fóruns públicos, especificamente no que se refere ao tema da vida extraterrestre e seu potencial impacto sobre o futuro da fé, que decidimos contatá-lo. Ele concordou em ser entrevistado a partir de Roma, e ao longo das inúmeras trocas que se seguiram, ele nos contou algumas coisas que pareciam fora do escopo. Ele até mesmo nos enviou uma cópia de um PDF privado, uma literal mina de ouro do que ele e o Vaticano estão considerando sobre as ramificações da astrobiologia e especificamente a descoberta de extraterrestres avançados, em que ele admite como as sociedades contemporâneas irão em breve “olhar para os alienígenas como os salvadores da humanidade”.

Então, se os alienígenas aparecerem e quiserem nos mostrar um “novo caminho”, estaria a sociedade disposta a aceitá-lo? Bem, a verdade é que até mesmo o ateu convicto Richard Dawkins está disposto a teorizar que os alienígenas poderiam ter “semeado” a vida neste planeta (confira).

Então, o que aconteceria se um dia “alienígenas” aparecessem e alegassem que eles semearam a vida neste planeta, guiaram nossa evolução e agora estão aqui para nos levar a uma nova era de ouro? E o que aconteceria se a Igreja Católica desse aos alienígenas seu selo de aprovação? Isso soa absolutamente bizarro, mas há funcionários importantes do Vaticano que aparentemente estão pensando muito seriamente sobre essas coisas.

(Michael Snyder, InfoWars; tradução: Eliézer Militão)

Nota: Isso é realmente impressionante! No que diz respeito à compreensão de que os extraterrestres podem ser criaturas de mundos não caídos, parece que os astrônomos do Vaticano andaram lendo Ellen White... Mas note como se fundem aí ideias evolucionistas (os extraterrestres poderiam ser seres mais evoluídos do que nós) e um tanto perigosas, como a de que essas criaturas poderiam chegar aqui e nos ensinar um novo evangelho (no livro O Grande Conflito, Ellen White diz que o último engano de Satanás será personificar Jesus e afirmar, entre outras coisas, que mudou o dia de guarda do sábado para o domingo). Seria realmente uma união de esforços bem conveniente entre a besta e os “extraterrestres” que nada mais são do que anjos caídos. O falecido pastor George Vandeman, fundador do programa de TV Está Escrito, já dizia que os OVNIS são os “brinquedos de um anjo caído”. Seriam essas constantes “aparições” uma preparação para a aceitação do engano final? Um evento dessa natureza (a chegada dos “extraterrestres”) seria tão espetacular que inebriaria todas as pessoas do mundo – crentes e ateus, judeus e muçulmanos, secularistas e espiritualistas. Caso isso aconteça, quem estará então solidamente firmado nas Escrituras para suportar a prova? Ou alguém pensou que os últimos dias seriam fáceis? [MB]