segunda-feira, março 18, 2019

Crer em Deus e viver com Ele também é uma questão de lógica

Lógico que eu não creio em Deus apenas por uma questão de lógica ou porque a aposta de Pascal realmente faz sentido. Deus escreveu o Universo em linguagem matemática, como disse Galileu, mas meu relacionamento com Ele tem mais de intuição, inclinação e atração do que de dedução. Creio nEle e me relaciono com Ele porque vejo a atuação dEle em minha vida e na de outros. Sinto-O em diversas situações. Mas admito que isso é um tanto subjetivo e bem pessoal. Portanto, deixe essas ideias de lado por enquanto e me acompanhe noutra direção.
1. Deus existe. Há várias vias e vários argumentos que evidenciam isso (e não vou tratar deles aqui por falta de tempo e espaço; pesquise). Creio ser muito mais difícil provar o contrário. Talvez justamente por isso cerca de 90% da população mundial creia em algo ou alguém. Tentaram matar Deus durante vários anos, mas não conseguiram enterrá-Lo. Deus e a religião estão firmes na mente e na vida das pessoas. Na verdade, segundo pesquisas recentes, a fé cresce no mundo. Não é possível que tanta gente (nesse caso, quase todo mundo) esteja errada e que o 0,0000 alguma coisa dos descrentes estejam certos.

sexta-feira, março 15, 2019

Qual animal engoliu Jonas?

Encontramos um relato na Bíblia de que um grande animal engoliu o profeta Jonas. Ele ficou vivo no ventre do monstro marinho e depois de clamar a Deus chegou à cidade de Nínive. Será que esse relato pode ser levado a sério? Será que é possível um animal marinho engolir um ser humano adulto? Existem vários relatos e histórias de animais colossais que foram vistos e registrados na história da humanidade. Essas histórias vêm principalmente de navegadores que descrevem feras marítimas, monstros com tentáculos que eram capazes de afundar embarcações inteiras. É muito difícil saber onde fica a fronteira entre a realidade e a ilusão nesses casos.

Munidas desses relatos curiosos, muitas pessoas têm enviado perguntas acerca do animal que engoliu o profeta Jonas. Muitos têm duvidado do caráter histórico do relato pelas características singulares que encontramos no livro de Jonas. Mas o que entendemos quando lemos esse livro? Antes de discutir o relato nas áreas de conhecimento biológicas, uma análise teológica nos mostra que o Deus da Bíblia é poderoso para fazer o sobrenatural acontecer. Assim, sem fideísmo, podemos concluir que o relato é verdadeiro porque Deus é poderoso para fazer o sobrenatural acontecer. No texto bíblico vemos que Deus preparou uma situação para cumprir Seu propósito.
"Preparou, pois, o Senhor um grande peixe, para que tragasse a Jonas; e esteve Jonas três dias e três noites nas entranhas do peixe." Jonas 1:17
Consta no pensamento popular e nos desenhos de crianças que uma grande baleia teria engolido o profeta. Mas o texto não diz qual animal engoliu Jonas. O termo hebraico דג גדול (dag gadôl) diz que foi um grande animal marinho, não exclui as baleias, mas também não afirma qual animal foi. Já no grego usado no Antigo Testamento as palavras dag gadôl são traduzidas como kêtei megalô, significando “ketos de tamanho mega”.[1]

Jesus trata o relato de Jonas como literal e histórico. Em Mateus 12:39-41 lemos:
Ele respondeu: "Uma geração perversa e adúltera pede um sinal miraculoso! Mas nenhum sinal lhe será dado, exceto o sinal do profeta Jonas. Pois assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre de um grande peixe, assim o Filho do homem ficará três dias e três noites no coração da terra. Os homens de Nínive se levantarão no juízo com esta geração e a condenarão; pois eles se arrependeram com a pregação de Jonas, e agora está aqui o que é maior do que Jonas.
Para responder aos leitores, decidimos procurar alguns candidatos que poderiam tragar um homem adulto. Qual animal poderia ser capaz de ter engolido o profeta Jonas?


Serpente do mar engoliu Jonas?

O historiador Bill Cooper ajudou recentemente a responder essa pergunta em seu livro lançado em 2012, A Autenticidade do Livro de Jonas.[2] A pista principal que o Dr. Cooper seguiu foi simplesmente a palavra grega então comum que o Senhor Jesus usou em Mateus 12:40 para o monstro de Jonas, transliterado ketos. O Dr. Henry Morris escreveu: “Poderia ter sido […] um grande tubarão-baleia ou possivelmente algum réptil marinho hoje extinto.”[3]

Heracles lutando contra o Ketus - monstro marinho de Troia.


Cooper identificou um conjunto de fontes de fora da Bíblia que identificam os ketos como um "dragão do mar." Pesadas evidências históricas mostram que aqueles que mais bem conheciam o Mar Mediterrâneo consistentemente usavam ketos para descrever “uma serpente do mar”.

Estes e outros autores e historiadores antigos mencionaram os ketos
  • Homero (do século IX ao VIII a.C.)
  • Eurípides (ca. 480-406 a.C.)
  • Aristófanes (448-380 a.C.)
  • Lychophron (285-247 a.C.)
  • Marcus Terentius Varro (116-27 a.C.)
  • Diodoro da Sicília (cerca de 60 a.C.-30 d.C.)
  • Manilius (século I d.C.)
  • Pausanias (século II d.C.)
  • Cláudio Aeliano em seu De Natura Animalium (ca. 175-235 d.C.)
  • Oppian de Apamea (ca. 200 d.C.)
  • Eustáquio (ca. 300-377 d.C.)
  • Hesíquio (século 5 d.C.)
  • Johannes Moschus (6º século d.C.)
Evidências adicionais de artes visuais identificam os ketos como uma serpente marinha. Artistas de Roma, África, Turquia, Ásia e Inglaterra pintaram, esculpiram e modelaram os ketos com anatomia consistente. De novo e de novo, eles descreviam sua cabeça semelhante a um cachorro com dentes proeminentes e abas ou babados semelhantes a penas acima da cabeça e do pescoço. Eles também consistentemente descreveram seu corpo enorme como esguio e muitas vezes enrolado.

A iconografia do ketos grego foi estabelecida no período arcaico (ca. 600-480 a.C.) e permaneceu incrivelmente consistente durante séculos, durante os tempos do Império Romano

O livro A Autenticidade do Livro de Jonas descreve uma pintura do século I de uma catacumba romana mostrando Jonas sendo jogado para um monstro marinho. Este ketos tinha cabeça de cachorro e pescoço flexível. Numerosos artefatos mostram um animal semelhante, incluindo mosaicos de azulejos, madeira, pedra, esculturas de marfim e até mesmo moedas. Os cetos parecem nada comuns hoje em dia, mas isso não significa que os répteis marinhos não tenham sido comuns no passado. Afinal, os livros de Jó e Salmos se referem ao grande leviatã que era um réptil marinho provavelmente extinto.

Mosaico com um ketos encontrado em Caulonia (Monasterace) na Casa del Drago, terceiro século a.C.

Megaladonte engoliu Jonas?



Carcharodon megalodon é um excelente candidato para o peixe que engoliu Jonas. A boca dele é certamente grande o suficiente para engolir um homem e os tubarões são capazes de controlar o sistema digestivo. Às vezes a comida que eles engolem permanece não digerida por muitos dias. Por outro lado, o megalodonte tem dentes afiados, então Jonas teria que passar exatamente no meio da boca do bicho para evitar ser machucado. A permanência de Jonas no grande peixe foi definitivamente um evento milagroso; não apenas natural, mas extremamente incomum. Se quiser saber mais sobre o megalodonte, confira o nosso vídeo sobre o assunto. 


Um cachalote engoliu Jonas?


No SeaWorld, em Orlando, na Flórida, conversamos com dois biólogos responsáveis pelos animais. Keith Robinson e Donna Parham concordaram em especular sobre o mistério. Dificilmente uma baleia poderia engolir um homem, pois o esôfago delas é muito pequeno. Um homem seria triturado antes de chegar ao estômago. Uma espécie de "baleia" que tem o esôfago grande o suficiente é o cachalote, que atormentou o capitão Ahab na obra-prima do século 19 chamada Moby Dick. Sabemos que o cachalote não é uma baleia, mas de forma geral todos chamamos assim. O mesmo ocorre com as "baleias" orcas.

Robinson disse que grandes cachalotes têm esôfago que mede até 50 centímetros, e podem ser encontrados no Mediterrâneo. Cachalotes não precisam mastigar a comida; eles podem movê-la para o estômagos por ação peristáltica ou muscular - então Jonas poderia ter sido engolido inteiro. O cachalote, portanto, é um grande "candidato".

Imagem rara mostra uma fêmea de cachalote carregando os restos de uma lula gigante das Ilhas Bonin, cerca de mil quilômetros ao sul de Tóquio, em 15 de outubro de 2009. Estas lulas gigantes podem medir 13 metros e pesar mais de 270 Kg

O homem que foi engolido por um cachalote


Era o ano de 1891, quando o baleeiro Estrela do Oriente cruzava o Atlântico Sul, próximo às Ilhas Maldivas, carregando pela primeira vez um jovem marinheiro inglês chamado James Bartley, de apenas 21 anos. O baleeiro inglês saía à caça de um cachalote, muito precioso, na época, pelo azeite extraído dele, que era usado para fazer perfumes. Quando os caçadores do Estrela do Oriente encontraram um cachalote no mar, lançaram e acertaram-lhe um arpão em cheio. A fim de concluir a caça, desceram ao mar dois botes. No entanto, mesmo preso pelo arpão, o cachalote ainda lutava pela vida e se debatia nas águas. A força do monstro marinho foi tão grande que virou os botes. Os marinheiros conseguiram resgatar seus tripulantes, porém, dois deles haviam sumido, entre eles, o jovem inglês James Bartley.

Finalmente, os caçadores conseguiram abater o cetáceo gigante. Trouxeram o animal para perto da embarcação e começaram a abri-lo. Em busca do azeite precioso, retiraram o estômago, e logo perceberam uma figura estranha dentro dele. Quando abriram o estômago, lá estava o jovem James Bartley, ainda vivo, mas desacordado.

Cachalote que engoliu James Bartley

Bartley ficou cerca de 15 horas dentro do cachalote. Para o acordarem, jogaram água nele, mas tiveram de mantê-lo preso em uma cabine, atado a uma cama por algumas semanas, pois ele tinha perdido momentaneamente o juízo. Ele se debatia enlouquecidamente. O marinheiro inglês sofreu danos. Dizem que o encontraram com a pele pálida, devido ao suco gástrico do cetáceo. Ele também tinha perdido todos os pêlos do corpo e permaneceu cego pelo resto da vida. James Bartley relatou que, após ser engolido, se lembra apenas de deslizar por um canal branco e viscoso, sentir muito calor, e rapidamente desmaiar, devido ao odor quente e fétido do estômago do animal.
Leia o relato dele:
“Quando fui lançado para fora do barco, vi uma imensa boca aberta diante de mim. Gritei e me engasguei. Eu sentia fortes dores enquanto escorregava entre os dentes e para um tubo viscoso que me levou para dentro do estômago da baleia. Eu podia respirar, mas o odor quente e fétido me deixou inconsciente. E a última coisa de que me lembro é que eu chutava o mais forte que podia nas paredes do estômago, até que fiquei inconsciente e só acordei quase um mês depois.”
Recentemente um mergulhador foi engolido por uma baleia enquanto filmava animais marinhos. Rainer Schimpf, defensor do meio ambiente, relatou que mergulhava em Port Elizabeth, cidade da África do Sul, quando tudo aconteceu. "Eu estava filmando golfinhos, tubarões, pinguins e aves que se alimentam de sardinhas, quando, das profundezas, uma baleia Bryde surgiu, engolindo tudo em seu caminho", contou ele.

Segundo Schimpf, ele sentiu a pressão ao redor da cintura e soube de imediato o que estava acontecendo. "Foi apenas uma questão de segundos antes que a baleia percebesse seu erro e abrisse a boca para me cuspir". A esposa do mergulhador e um fotógrafo estavam presentes e, embora estivessem assustados, registraram o acontecimento.

Rainer Schimpf fotografado na boca da baleia Bryde

Tubarão-baleia engoliu Jonas?


Este é um grande candidato, pois um homem poderia tranquilamente passar pela abertura de boca desse enorme peixe. A boca dele pode chegar a um metro e meio de comprimento e sugar 600 metros cúbicos de água a cada hora. Parham disse que a barriga de um peixe é uma possibilidade muito mais hospitaleira para uma habitação humana do que a de uma baleia. O metabolismo da baleia "é muito mais rápido para digerir sua comida" do que o dos peixes, disse Parham. "Os peixes são de sangue frio, então as coisas se movem a uma taxa diferente".

Tubarão-baleia
Robinson contou ter visto a fotografia "de um grande tubarão branco abrindo a boca, e tinha dentro da garganta um tubarão azul inteiro. "Você podia ver a cabeça de um tubarão azul de dois metros, para que ele pudesse engolir facilmente um homem." Parham acrescentou que "na água fria, com o metabolismo de um tubarão, o corpo de um homem pode durar três dias sem se deteriorar."


Dagon, o homem peixe


Os críticos duvidam do arrependimento dos habitantes de Nínive, descrito no livro de Jonas. Mas se analisarmos no contexto mitológico faz todo o sentido, quando levamos em consideração a chegada extraordinária de Jonas nas costas do Mediterrâneo e a proeminência da adoração de Dagon nessa área em particular do mundo antigo. Dagon era um deus-peixe que gostava de popularidade entre os panteões da Mesopotâmia e da costa oriental do Mediterrâneo. Ele é mencionado várias vezes na Bíblia em relação aos filisteus (Jz 16:23, 24; 1Sm 5:1-7; 1Cr 10:8-12). Imagens de Dagon têm sido encontradas em palácios e templos em Nínive e por toda a região. Em alguns casos, ele foi representado como um homem vestindo um peixe. Em outros, ele era parte homem, parte peixe - um tipo de tritão.

Dagon, Deus dos Filisteus

Alguns estudiosos têm especulado que a aparência de Jonas, sem dúvida branqueada devido à ação dos ácidos digestivos do peixe, teria sido de grande ajuda para a sua causa. Se tal fosse o caso, os ninivitas teriam sido recebidos por um homem cuja pele, cabelos e roupas tinham sido branqueados a algo fantasmagórico - um homem acompanhado por uma multidão de seguidores frenéticos, muitos dos quais alegavam ter presenciado Jonas sendo vomitado na praia por um grande peixe (mais quaisquer exageros coloridos que talvez tenham acrescentado).


Milagre


O milagre maior não foi ser engolido por um grande animal marinho. Isso é fisicamente possível. O milagre foi ter sobrevivido três dias dentro da criatura. Se houver algum gás dentro de uma baleia, provavelmente seja metano, e isso não vai ajudar muito. Sabemos que as baleias podem ser flatulentas, então existe algum gás. Elas têm bolsos vazios, mas não é ar, não é bom para respirar.

Deus preparou a situação em todos os sentidos para que esse fato pudesse ocorrer. Houve uma intervenção divina e o milagre ocorreu. Como o texto não nos aponta o animal que engoliu Jonas, só podemos especular e imaginar qual o melhor candidato. 

Alex Kretzschmar






Referências

[1] Jonas 1 (King James Version). A Bíblia da letra azul. Postado em blueletterbible.org, acessado em 11 de abril de 2013.

[2] Cooper, B. 2012. A Autenticidade do Livro de Jonas. Amazon Digital Services, Inc.
[3] Morris, H. 2012. A Bíblia de Estudo Henry Morris. Green Forest, AR: Master Books, 1319.
[4] Thomas, B. 2013. O que realmente engoliu Jonas? Atos e Fatos. 42 (6): 16.

segunda-feira, março 11, 2019

Aprender com o terraplanismo?


Está disponível no Netflix o documentário “A Terra é Plana”, que merece ser visto por educadores e por todos os que se preocupam com o ataque crescente, em pleno século 21, ao pensamento científico. O mérito maior do filme é que seu principal objetivo não é ridicularizar personagens que acreditam numa teoria bizarra, mas sim entender as razões que levam um grupo de pessoas a contestar um conhecimento científico tão consolidado quanto o formato esférico do planeta. Uma das características dos personagens do documentário é que não são ignorantes no sentido original da palavra. Nenhum deles é astrônomo, mas tiveram aulas de ciências na escola (um dos retratados é inclusive engenheiro), se formaram, e vivem suas vidas normais. Em comum a eles está o fato de terem maior propensão a acreditar em teorias da conspiração, como, por exemplo, as de que o 11 de Setembro, a viagem do homem à Lua ou o Holocausto são farsas. Alguns ganharam certo status de celebridade ao exporem suas ideias no YouTube, em vídeos que são vistos hoje por milhões de pessoas.

Um dos fenômenos psicológicos citados por cientistas no filme para explicar por que pessoas sem especialização num assunto se julgam mais capazes do que especialistas no tema é o efeito Dunning-Kruger. Num estudo publicado em 1999, os pesquisadores Justin Kruger e David Dunning, ambos da Universidade Cornell, aplicaram testes de variados temas e depois pediram aos participantes para estimarem seu desempenho nos exames em comparação com a média.

Os autores confirmaram primeiro que, em geral, temos a tendência de superestimar nossa habilidade ou conhecimento sobre algum assunto. Essa superioridade ilusória, no entanto, foi muito maior entre os indivíduos de pior desempenho nos testes. Para os pesquisadores, isso faz com que essas pessoas tenham mais dificuldade de admitir sua incompetência no assunto, levando-as a fazer escolhas ruins a partir de conclusões próprias equivocadas, descartando a opinião ou evidência apresentada por pessoas ou fontes mais qualificadas. No outro extremo, os autores identificaram que, quanto maior o conhecimento sobre um assunto, mais conscientes são as pessoas sobre a limitação de suas habilidades.

Outro fenômeno citado é o viés de confirmação, ou seja, nossa tendência de buscar confirmar aquilo em que acreditamos e rejeitar evidências, mesmo quando sólidas, que não estejam em acordo com nossas ideias pré-concebidas. E o filme mostra também o quanto é difícil, pelo alto custo social envolvido, pessoas mudarem de opinião ou admitirem que estão equivocadas uma vez que façam parte de um grupo que comunga as mesmas crenças.

Os cientistas ouvidos no documentário defendem que a pior maneira de combater o negacionismo é isolar e ridicularizar esses grupos, assumindo uma postura de arrogância científica. “É difícil não olhar essas pessoas com desprezo e concluir que o melhor jeito de fazê-las mudarem de opinião é pela vergonha. É o mesmo que dizer que se uma criança não entende uma matéria, é culpa dela. Mas talvez você simplesmente não desenvolveu empatia suficiente para entender por que eles não entendem”, afirma o cientista Spiros Michalakis, no filme.

O argumento central do documentário não é alertar para um suposto risco de o terraplanismo passar a ser a explicação mais aceita pela maioria da população. A questão é que esses mesmos mecanismos que levam pessoas a acreditarem numa teoria tão absurda também explicam por que há grupos com capacidade de influência política fazendo campanhas contra a vacinação de crianças, o ensino da teoria da evolução, ou contestando a evidência científica de que vivemos um processo de aquecimento global agravado pelo impacto da atividade humana na Terra.

(Antônio Gois, O Globo)

Nota 1: De fato, o documentário da Netflix é bem interessante. Mas o que devemos analisar com atenção no texto acima é o balaio de gato que se cria com ideias variadas, colocadas todas no mesmo patamar (releia o último parágrafo). Criacionistas verdadeiros, se posso dizer assim, valorizam a boa ciência (que está de acordo com a Bíblia Sagrada). Não são contra a vacinação de crianças, pois entendem que Deus nos dotou de inteligência para minorar as mazelas deste mundo de pecado. E admitem que possa haver um aquecimento global, embora não deixem de perceber que há interesses escusos por trás dessa bandeira ecológica. Também não são necessariamente contra o ensino da teoria da evolução; o que defendem é um ensino crítico dessa estrutura conceitual. O problema é que a opinião pública está sendo levada a associar criacionismo com terraplanismo, e isso é grave. Defender a criação da vida na Terra em seis dias literais de 24 horas e a historicidade dos primeiros capítulos de Gênesis já é bastante difícil em um mundo cético, anticristão e relativista; agora imagine se a confusão ficar estabelecida e as pessoas em geral pensarem que criacionistas são terraplanistas... Aí, sim, nossos esforços serão elevados à enésima potência e teremos que gastar tempo e energia para desfazer mal-entendidos. Um tempo que poderia ser mais bem aproveitado para divulgar a verdade essencial para o nosso tempo. Situação lamentável e orquestrada a gente sabe por quem. [MB]

Nota 2: Vi na semana passada o documentário da Terra plana no Netflix e verifiquei algumas questões bem interessantes (ou hilárias?) que foram apresentadas. Em certo momento do vídeo o apresentador vai a um monte e aponta a cidade e Seattle lá longe. E diz: “Eles têm a matemática... nós temos isto. Não deveríamos ver a cidade de Seatlle desta distância.” Primeiro que ele não fala a sua localização nem a distância de medição. Eu diria que ele está em Blake Island. Esse ponto fica mais ou menos a 13 ou 14 km daqueles prédios. Se ele estiver um pouco mais longe, deve ser Manchester, mas acho improvável por causa do que se vê ao redor. Se estiver em Manchester, são uns 16 km. Vou optar por este porque é o que mais favorece o argumento dele. Quanto se espera que a curvatura da água se erga a meio caminho de uma distância de 16 km entre o observador e um ponto que ele observa, geometricamente, sem levar em conta a refração da luz (efeito de lente)? Dá para deduzir a fórmula com trigonometria do ensino médio: H = (1-cos(d/(2R)))R, sendo “d” a distância entre o observador e o objeto, “R” o raio da Terra e “H” a altura da água a meio caminho. Resultado, neste caso: 5 m. Como estamos observando objetos com centenas de metros de altura (1201 Third Avenue tem 235,31 m de altura, e mesmo sua base está bem acima do nível do lago), 5 m não fazem diferença. Não é possível nem notar um tamanho minúsculo como esse. [EL/AK]

segunda-feira, março 04, 2019

A Caixa Preta de Darwin está de volta!

Vinte anos atrás eu li um livro que causou profundo impacto em minha mente recém-convertida ao criacionismo: A Caixa Preta de Darwin, do bioquímico norte-americano Michael Behe. Dez anos depois, publiquei aqui no blog uma resenha da obra (confira). Depois da primeira edição (1996), sucesso de vendagem e de público, a editora Jorge Zahar não quis produzir uma segunda tiragem, e a obra ficou esgotada desde então. Por isso, a notícia de que a editora Mackenzie estava preparando uma segunda edição ampliada do clássico de Behe me deixou muito feliz. E finalmente o livro voltou! Leia a apresentação que consta no site da editora:

"Em 1996, A Caixa Preta de Darwin lançou ao mundo a Teoria do Design Inteligente: o argumento de que a natureza exibe evidências de design que vão muito além do acaso darwinista. O livro catalisou um debate bastante acalorado sobre a evolução, que continua cada vez mais a se intensificar nos Estados Unidos e no mundo, incluindo o Brasil. Em um amplo espectro científico, a obra se estabeleceu como o texto básico e fundamental do design inteligente (DI), o argumento que precisa ser considerado para determinar se a evolução, segundo propôs Darwin, é mesmo suficiente para explicar a vida da forma que hoje a conhecemos. No posfácio da edição comemorativa do 10º aniversário do livro, Behe explica como a complexidade descoberta por microbiologistas cresceu drasticamente desde a publicação de seu livro e como essa complexidade irredutível tem sido um desafio contínuo ao darwinismo, que, sistematicamente, tem falhado em explicá-la. No posfácio comemorativo desta edição de 2019, Behe reforça o poder crescente de seus argumentos – tão atuais e devastadores em 2019 quanto eram em 1996 – e comemora o crescimento do DI no Brasil e no mundo. A Caixa Preta de Darwin é histórico, indispensável e ainda mais importante hoje do que era em 1996!

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segunda-feira, fevereiro 25, 2019

Podemos confiar nas traduções bíblicas?


Ao ler a Bíblia, corremos o risco de entender errado seus ensinamentos por vários motivos. Se não cremos nela, tentaremos entender tudo da pior forma possível e concluiremos que ela está cheia de contradições e absurdos. Se cremos na Bíblia, mas temos várias ideias pré-concebidas sobre o que ela ensina, tenderemos a prestar atenção às passagens que parecem confirmar essas ideias e a ignorar as que a ponderam. Na verdade, isso ocorre na forma como tendemos a lidar com evidências também. Basta observar os intelectuais que dizem não haver a menor sombra de evidência da existência de Deus, quando existem teoremas que provam que Ele existe.

Diante desse quadro, precisamos tomar cuidado para não deixar nossa teologia obscurecer o que os textos realmente dizem. Ou, no caso mais geral, obscurecer nossa atenção às evidências. Quando estudamos a Bíblia, precisamos levar a sério a opinião dos profissionais que trabalham nas traduções. A opinião de quem é da área tem muito mais peso do que as demais. Ainda assim, há espaço para conferir as coisas. Quando falo algo nas áreas que domino, gosto muito quando as pessoas vão além do que eu disse e se aprofundam no assunto. Um teólogo pode questionar uma tradução por causa de uma preferência de interpretação.

Por outro lado, eu gostaria de defender um pouco os teólogos. Ao trabalhar em ambientes multidisciplinares e ao observar artigos de pesquisadores de outras áreas, de vez em quando vejo colocações claramente equivocadas. Mas como é possível ver que a colocação de um especialista de outra área é equivocada? Primeiro, existe certa arbitrariedade na delimitação de áreas. Existem métodos válidos em todas elas, existem métodos que só funcionam em um contexto restrito e outros que funcionam mais ou menos no mesmo contexto restrito, mas vão mais longe em alguma direção. São como mapas: um mostra apenas um bairro, outro mostra aquele bairro e partes de bairros vizinhos, outro mostra a cidade toda, mas com menos detalhes, outro mostra a cidade inteira com muito mais detalhes, mas é enorme e mais difícil de manipular, e assim por diante. É muito interessante comparar esses mapas, até porque isso nos dá uma perspectiva mais realista e detalhada das coisas.

Melhor do que só comparar mapas é conferir os mapas indo aos locais mapeados, especialmente nas fronteiras, para ter uma ideia do que está além deles. Isso é algo que gosto muito de fazer. Mas cada um de nós tende a se especializar em um mapa. E circula por aí uma versão ultra simplificada desse mapa que frequentemente é usada por pesquisadores de outras áreas.

Pois bem, nesses passeios por mapas e territórios reais (continuo falando figuradamente de áreas do conhecimento), de vez em quando encontro erros: uma rua mapeada que não existe na realidade, uma que existe, mas não aparece no mapa, uma avenida com ângulo errado em um dos mapas, e assim por diante. Às vezes, o especialista em um bairro não nota o ângulo errado com que representa a avenida porque não está preocupado em encaixá-la no mapa vizinho. Se observasse o mapa vizinho, veria que aquela avenida não pode chegar à fronteira do seu bairro naquele ponto

Eis um exemplo: em um livro-texto de Bioquímica, bastante respeitado e usado em cursos de pós-graduação, foi dito que a quebra da molécula de ATP libera energia. Essa é uma afirmação falsa feita por profissionais da área a respeito de algo em sua própria área de conhecimento. Só que isso viola leis físicas que eles parecem não conhecer. O que ocorre de fato é que a quebra de ATP consome energia, mas gera radicais que se combinam rapidamente com moléculas do seu ambiente e essa combinação libera muito mais energia do que a quebra do ATP consumiu. No fim, fica a impressão de que a energia veio da quebra da molécula, o que em si seria um absurdo do ponto de vista físico.

Assim também ocorre com traduções. Às vezes, o conhecimento da época permite mais de uma tradução para uma expressão, uma parece mais provável, é usada e fica como precedente que será consultado pelos futuros tradutores. Um conhecimento prático de Hermenêutica Bíblica (ou Arqueologia, ou Física, etc.) às vezes deixa evidente que determinada tradução não faz sentido ou é improvável, ainda que linguisticamente pareça a melhor.

Cito dois exemplos:

Lucas 24:43: “‘μήν ⸂σοι λέγω⸃ σήμερον μετʼ ἐμοῦ ἔσῃ ἐν τῷ παραδείσῳ.” Essa frase é ambígua. A escolha usual entre tradutores é: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.” Mas isso é improvável hermeneuticamente em função de muitas outras passagens bíblicas, inclusive o que Jesus disse no domingo, que ainda não tinha subido ao Pai.

Hebreus 11:3: “πίστει νοοῦμεν κατηρτίσθαι τοὺς αἰῶνας ῥήματι θεοῦ.” Essa frase praticamente não é ambígua. Ela diz que Deus construiu o tempo. Mas isso não fez sentido para os tradutores por causa de sua falta de conhecimento de Física. Muitos traduzem isso da seguinte maneira: “Pela fé, entendemos que os mundos foram criados pela palavra de Deus.” A palavra traduzida por “mundos” aqui não tem nenhuma conotação nesse sentido em grego, em nenhuma circunstância que eu já tenha visto. Essa simplesmente não é uma das traduções possíveis. Mas é extremamente popular. De onde saiu isso? Há expressões no Novo Testamento que falam da presente era, a era do pecado, como 2 Timóteo 4:9, por exemplo: “Δημᾶς γάρ με ⸀ἐγκατέλιπεν ἀγαπήσας τὸν νῦν αἰῶνα...” A expressão “νῦν αἰῶνα” refere-se à era atual, mas é traduzida muitas vezes por “este mundo”. Nesse contexto, até faz sentido uma tradução assim. O problema é que esse tipo de uso treina a mente das pessoas para imaginar que “αἰῶνας” pode significar mundos. Nesse ponto em particular, a ISV 2.0 é mais fiel: “By faith we understand that time was created by the word of God...” Mas é raro encontrarmos uma tradução assim.

Moral da história: é interessante levar muito a sério as opiniões dos profissionais da área, mas é muito melhor pesquisar os assuntos importantes da forma mais profunda possível e, de preferência, conversar sobre seus achados com profissionais.

Eduardo Lütz

sexta-feira, fevereiro 22, 2019

Gordura fossilizada é encontrada pela primeira vez em ictiossauro


Os ictiossauros constituem uma ordem de répteis marinhos, já extintos, que retratam certa semelhança morfológica com os golfinhos.[1] Esses animais, possuidores dos maiores olhos de todos os vertebrados, às vezes excedendo 25 cm de diâmetro, habitaram os mares no mesmo período em que os pterossauros e os dinossauros viveram na terra. O primeiro esqueleto de ictiossauro foi descoberto em 1811, em Lyme Regis, uma das mais ricas localidades fósseis da Inglaterra por Mary Anning. Na época, o enigmático crânio foi relacionado a um “monstro marinho”. Mais tarde, em 1819, o esqueleto foi vendido para Karl Dietrich Eberhard Koenig, do Museu Britânico de Londres, que sugeriu o nome Ichthyosaur (“lagarto peixe”) em 1817.[2] A ordem foi nomeada em 1835, por Henri Blainville, zoólogo francês que cunhou o termo “paleontologia” em 1822. Desde então, vários fósseis bem preservados foram encontrados, ajudando-nos a entender um pouco mais acerca desses misteriosos animais. Hoje conhecem-se cerca de 50 gêneros desse vertebrado marinho, encontrados em diferentes continentes. Apesar disso, ainda existem alguns fatores que têm dividido opiniões no meio científico, especialmente quando o assunto é a ancestralidade desses répteis.

Repensando teorias

Anteriormente, os paleontólogos pensavam que apenas um subconjunto de ictiossauros havia sobrevivido ao período Cretáceo, de 145 milhões a 66 milhões de anos atrás (segundo propostas evolucionistas).[4] Até recentemente pensava-se que os ictiossauros houvessem declinado gradualmente na diversidade por causa de múltiplos eventos de extinção durante o período Jurássico. Segundo darwinistas, esses eventos sucessivos mataram todos os ictiossauros, exceto aqueles fortemente adaptados à vida de natação rápida em mar aberto. Devido a esse padrão, supunha-se que os ictiossauros estivessem em constante e rápida evolução para se tornar nadadores de águas abertas cada vez mais rápidos.

Porém, uma equipe internacional de pesquisadores divulgou recentemente uma nova espécie de ictiossauro que revoluciona a compreensão da evolução e extinção desses antigos répteis marinhos. Essa descoberta foi publicada na renomada revista científica Nature, em dezembro de 2018, na qual um fóssil de ictiossauro de 185 milhões de anos (conforme a cronologia evolucionista) foi encontrado e, para a surpresa dos pesquisadores, apresentava tecidos moles excepcionalmente preservados.[1]

Stenopterygius foi encontrado “primorosamente” fossilizado nas pedreiras de Holzmaden, no sul da Alemanha.[2] Grande foi a surpresa dos pesquisadores ao perceberem a presença de ondulações e pregas na pele do fóssil desse vertebrado marinho. Não bastasse isso, verificaram, também, células contendo parte da pigmentação do animal e vestígios químicos de gordura fossilizada. A alegação mais polêmica do estudo está no fato de os cientistas relatarem que o conteúdo possui traços de suas proteínas originais.[3]




Representações fotográficas (superior) e diagramáticas (inferior) exibem detalhes do Stenopterygius examinado no novo estudo. O crânio do animal está à esquerda.

A equipe analisou as amostras em um laboratório onde tecidos de animais modernos são proibidos, para evitar qualquer tipo de contaminação. “Podemos diferenciar os locais de ligação desses anticorpos, e as ligações não são aleatórias”, diz Schweitzer. “Você não vê [anticorpos] de queratina se ligarem a qualquer coisa. Eles apenas se ligam àquilo que interpretamos como pele”.[3]     “Não só é possível olhar para essas estruturas e identificá-las em nível celular, como também encontrar traços das proteínas originais – essa é a ponta do iceberg”, relata Benjamin Kear, paleontólogo da Universidade de Uppsala e coautor do estudo.[3] Os cientistas têm encontrado fósseis de ictiossauros contendo tecidos moles há mais de um século. Para eles, isso é possível tendo em vista o local onde esses animais ficaram enterrados: no fundo do mar, em sedimentos com pouco oxigênio.[3] Nesse ponto, me vem à mente, automaticamente, “certo evento aquático”, catastrófico que seria capaz de promover esse rápido soterramento, envolvendo tanta lama e elevada pressão, e que por ter ocorrido em uma Terra “jovem”, justificaria coerentemente a presença dos tecidos moles encontrados em excepcional estado de preservação.

Outro estudo com ictiossauro, “nadador fora do tempo”, sugere uma revisão das teorias sobre a “evolução” e extinção das espécies desse gênero. Valentin Fischer, da Universidade de Liège, na Bélgica, e seus colegas descreveram em 2013 uma espécie com características arcaicas: Malawania anachronus, um fóssil de 1,5 metro de comprimento.“O reconhecimento dessa ‘linhagem fantasma’ revela que dois grupos distantes de ictiossauros viviam no Cretáceo. Isso desafia os pressupostos de que o baixo número e a diversidade de ictiossauros durante esse período contribuíram para sua extinção.”[6] Os resultados dessa pesquisa contradizem teorias anteriores, as quais sugerem que os ictiossauros do período cretáceo foram os últimos sobreviventes de um grupo em declínio.

A novidade é que Malawania representa o último membro conhecido de um tipo de ictiocossauro que os cientistas acreditavam ter sido extinto durante o início do Jurássico (mais de 66 milhões de anos antes, via cronologia darwinista). 

A grande revolução que envolve esse ictiossauro arcaico relaciona-se à sua estática evolucionária: “Eles parecem não ter mudado muito entre o início do Jurássico e o Cretáceo, um feito muito raro na evolução dos répteis marinhos”, relata o Dr. Fischer. “A descoberta de Malawania é semelhante à do celacanto nos anos 1930: representa um animal que parece estar fora do tempo para a sua idade. Este ‘fóssil vivo’ de seu tempo demonstra a existência de uma linhagem que nunca tínhamos sequer imaginado”, acrescenta o pesquisador.

Isso indica que o suposto fim do evento de extinção jurássico (via linha evolutiva) nunca ocorreu para os ictiossauros, conjuntura que torna seu registro fóssil bem diferente do de outros grupos de répteis marinhos. Quando visto em conjunto com a descoberta de outro ictiossauro pela mesma equipe em 2012 e denominado Acamptonectes densus, a descoberta do Malawania constitui uma “revolução” no modo como os cientistas imaginam a suposta “evolução” e a extinção do ictiossauro. 

“Existe em todas as coisas visíveis uma totalidade oculta” (Thomas Merton).
             
Nota: Diante dos estudos recentemente publicados, fica evidente que a extinção final dos ictiossauros é ainda mais confusa para a ciência do que se supunha previamente. Os resultados relatados pelos cientistas fazem o dilúvio global, relatado em Gênesis, ser um acontecimento ainda mais evidente. Ele responde de forma harmônica à questão da formação desses fósseis, possibilitando o rápido soterramento e ausência de oxigênio, além de ser compatível com uma cronologia não tão remota, em que seria coerente encontrar nos registros fósseis tecidos moles contendo constituintes celulares, sub-celulares e biomoleculares – verdadeiramente incompatíveis com a cronologia proposta pela linha evolutiva, especialmente tendo em vista o tempo estimado para a degradação dessas estruturas celulares e biomoleculares.

Até quando pesquisadores vão se deparar com a verdade sem reconhecer os fatos expostos diante de seus olhos?

Gostaria de acreditar num futuro em que os pesquisadores fossem compromissados com a verdade, seguindo as evidências aonde quer que elas possam levá-los.

Concluo com o pensamento de um saudoso cientista: “O que sabemos é uma gota; o que ignoramos é um oceano” (Sir Isaac Newton).

(Liziane Nunes Conrad Costa é formada em Ciências Biológicas com ênfase em Biotecnologia [UNIPAR], especialista em Morfofisiologia Animal [UFLA] e mestranda em Biociências e Saúde [UNIOESTE]. É diretora-presidente do Núcleo cascavelense da SCB [Nuvel-SCB])

Referências:

Leituras sugeridas:

quinta-feira, fevereiro 21, 2019

Ao grande e eterno Criador

Ao olhar para o céu, num dia sem nuvens / A imensidão consigo contemplar / De belezas incomparáveis / Que meu Senhor decidiu criar

O Sol e a Lua Ele fez / Os planetas com Seu poder formou / E apenas ao suspirar / Imensas galáxias pôs a girar

As estrelas nem posso contar / Numerosas são como a areia do mar / Ao pensar que as fez com amor / Ao meu Deus quero render louvor

Meu Rei, meu Senhor / Eu Te adoro com tudo o que sou / Pelo que fez para mim / Pelo Seu infinito amor

Todas as nações / Adorem ao grande Criador / Todos os seres / Que vivem na / terra, no céu e no mar / Todas as criaturas / A Ti vão adorar

Com ternura a Terra formou / Como os pais que preparam o bercinho / Vales, montanhas criou com carinho / Para receber os filhos de Seu amor

Animais fez aparecer / Para povoar a natureza / Aves coloridas pintaram o céu / Peixes encheram os mares de beleza

E todos os seres Te louvam, Senhor / Pelo Seu tremendo poder / E porque me criou com amor / Nunca deixarei de reconhecer

Meu Rei, meu Senhor / Eu Te adoro com tudo o que sou / Pelo que fez para mim / Pelo Seu infinito amor

Todas as nações / Adorem ao grande Criador / Todos os seres / Que vivem na terra, no céu e no mar / Todas as criaturas / A Ti vão adorar

No sexto dia ao homem Deus fez / E para ele a mulher preparou / Depois de tudo feito e acabado / O homem e a mulher completados / Com um sorriso nos lábios de lado a lado / Deus disse: “É muito bom!”

De mãos dadas no jardim o casal andava / E no sétimo dia a festa era grande / Sentados aos pés do Criador / Sem pressa nem preocupação / Adão, Eva e Jesus contemplavam a criação

Meu Rei, meu Senhor / Eu Te adoro com tudo o que sou / Pelo que fez para mim / Pelo Seu infinito amor

Todas as nações / Adorem ao grande Criador / Todos os seres / Que vivem na terra, no céu e no mar / Todas as criaturas / A Ti vão adorar

Do macro ao micro, ao Deus infinito / Iremos louvar para sempre / Amém!

Letícia Borges Nunes, 15 anos

terça-feira, fevereiro 12, 2019

A foto que é o cúmulo da nerdice

Em 2015, fui convidado a apresentar palestras criacionistas em Zurique e Genebra, na Suíça. Na segunda cidade, aproveitei para conhecer a famosa Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN, na sigla em inglês), onde fica o maior acelerador de partículas do mundo, o LHC, do inglês Large Hadron Collider (Grande Colisor de Hádrons), com seus 27 km de circunferência (parte da estrutura está em território francês). Fiz uma visita guiada juntamente com um grupo de turistas de vários países (confira o vídeo aqui). Depois de conversar um pouco mais com o guia, fui até uma pequena loja e comprei algumas lembranças, entre as quais uma camiseta azul com uma ilustração que representa uma colisão de partículas. Conhecer o CERN foi algo muito significativo para mim, já que na minha adolescência acompanhei com muito interesse a construção desse laboratório que tem trazido muito conhecimento na área de física de partículas. Lia tudo o que podia sobre isso na época.

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segunda-feira, fevereiro 11, 2019

Livro do ano dos Desbravadores


O que pode acontecer quando um adolescente viaja com o pai até o arquipélago de Galápagos, conhece o “amor de sua vida”, faz amizade com um leão-marinho e visita lugares incríveis como a borda de um vulcão, uma ilha repleta de aves exóticas, uma caverna de lava solidificada e mergulha com tartarugas e tubarões? Escrito pelo jornalista Michelson Borges, o livro Expedição Galápagos traz uma história empolgante, com personagens interessantes, ambientada nas famosas ilhas Galápagos, no Equador. Em 2016, o autor visitou o arquipélago com um grupo de cientistas e pesquisadores e descreve essa experiência no livro que foi escolhido como leitura do ano para os juvenis e os desbravadores de todo o Brasil.

Saiba mais sobre o livro Expedição Galápagos assistindo ao vídeo abaixo.


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O megatubarão

É comum recebermos perguntas sobre animais extintos e, normalmente, após algum filme famoso, essas perguntas crescem exponencialmente. Assistimos ao filme Meg, traduzido em português como Megatubarão, lançado em 2018, e decidimos responder algumas perguntas de leitores e fazer algum comentário sob a ótica criacionista.

Na fossa mais profunda do Oceano Pacífico a tripulação de um submarino encontra problemas, fica presa, não podendo emergir após ser atacada por uma criatura "pré-histórica" que achavam estar extinta: um tubarão de mais de 20 metros de comprimento, o megalodonte. Uma camada térmica (sulfeto de hidrogênio) isolava esse animal "pré-histórico" do restante do oceano. Quando perfuram a camada de gás, descobrem um novo mundo submarino com criaturas de "milhões de anos".

O filme não chega a ser um clássico trash como o "Sharknado", ou os demais filmes clichês de animais aquáticos que devoram tudo o que veem pela frente. É bem produzido, com alguns efeitos especiais bem encaixados. Têm duas cenas bem icônicas que merecem ser destacadas. Numa das primeiras cenas, a filha da cientista Suyin fica cara a cara com o Megalodonte, um sorriso através do vidro que mostra o tamanho da mordida do megatubarão. Outra é o peixe "pré-histórico" passando por baixo dos banhistas que curtiam um dia de sol.




Mas vamos deixar a ficção de lado. O Calycolpus megalodon ou megalodonte (dente enorme) representa o maior peixe carnívoro que já viveu, segundo informações do Museu de História Natural de São Francisco, nos EUA. Podia pesar quatro toneladas e medir de 20 a 30 metros. As informações sobre seu tamanho são extraídas de comparações com tubarões vivos e a relação entre o tamanho do dente e o comprimento total do corpo. Vértebras fósseis indicam o crescimento. Um tubarão branco tem entre cinco e seis metros de comprimento, por exemplo.[1]




O filme retrata esses animais como abissais, que habitam regiões profundas do oceano. O ponto mais fundo do oceano de que se tem conhecimento fica a 11.034 metros abaixo da superfície. Nessa profundeza seria impossível para os tubarões se alimentarem, já que animais grandes, como focas e leões marinhos, habitam regiões mais superiores. Comparando com os tubarões atuais, conhecemos cerca de 375 espécies que raramente ultrapassam dois mil metros de profundidade. O tubarão-duende, que até vive em uma região mais profunda, tem um metabolismo bem mais lento que o dos tubarões predadores. Um tubarão de 20 metros não poderia conseguir alimento suficiente em grandes profundidades como retrata o filme. Os tubarões comem cerca de 2% do peso corporal todos os dias; o megaladonte precisaria de 80 kg de alimento diariamente para sobreviver, sendo que uma foca comum pesa cerca de 60 kg.

Uma pergunta comum que os leitores fazem é se o megalodonte foi extinto ou se ainda vive ocultamente nos oceanos. Pelo fato de grande parte dos oceanos ser inexplorada, algumas pessoas acreditam que muitas criaturas ainda não foram descobertas; alguns mantêm a teoria de que elas foram extintas somente dez mil anos atrás.

Particularmente, gostaria muito que pudéssemos encontrar esses tubarões gigantes vivos, mas vejo que essas “espécies novas” se resumem a animais menores, ou espécies microscópicas. Levo em consideração o registro fóssil que nos mostra o desaparecimento dessa espécie e outros fatores comuns como condições de habitat (cadeia alimentar), avistamentos, e outras pistas credíveis para essa indagação.

Segundo informações do Museu de História Natural de São Francisco, a redução das temperaturas oceânicas no Plioceno pode ser uma razão para a extinção do megalodonte; outra possibilidade para a extinção dele é que suas espécies favoritas de presas, como as baleias, começaram a migrar para águas mais frias, onde os gigantescos tubarões não poderiam viver. Sabemos que esses tubarões comiam baleias porque temos fósseis de vértebras de baleias com dentes do megalodonte cravados.

Vértebra de baleia com dente de megalodonte

Mas existem muitas especulações sobre o quanto conhecemos dos oceanos. Pela primeira vez na história foi feito um censo da vida marinha, resultado de dez anos de pesquisa e mais de 540 expedições realizadas por 2.700 pesquisadores. Nesse censo, 120 mil espécies de animais foram documentadas, sendo que cerca de seis mil são novas descobertas.

O projeto calculou que o número total de criaturas marinhas descobertas até agora é de cerca de 250 mil. Esse número é considerado baixo, pois muitos biólogos marinhos estimam que o número de criaturas não microbianas seja de mais de um milhão. Cerca de 1.650 espécies novas são descobertas a cada ano, principalmente invertebrados e crustáceos, mas também muitos peixes.

O caranguejo “Yeti” também foi uma das descobertas: um crustáceo encontrado no Oceano Pacífico, ao sul da Ilha de Páscoa. Outras espécies como Bathykorus bouilloni (Água Viva Darth Vader) foram catalogadas na pesquisa.

Caranguejo Yeti

Água viva Darth Vader

No criacionismo, defendemos que Deus criou as espécies originais (baramins) e após isso elas se diversificaram. Dois eventos teriam colaborado de forma especial para essa mudança. O primeiro foi o evento da queda do ser humano, em que o pecado entrou no mundo, fazendo com que muitas coisas perfeitas passassem a ter outra natureza. E o segundo evento foi o dilúvio bíblico, que alterou as configurações de nosso planeta impulsionando uma série de fatores e mudanças.

O megalodonte realmente existiu; estão gravadas no registro fóssil as impressões dele. Um animal que dominava os oceanos e que era um gigante colossal.

Alex Kretzschmar

Referências:
[1] Klimley, A. Peter e David G. Ainley 1996. Grandes Tubarões Brancos: A Biologia do Carcharodon carcharias. San Diego: Academic Press.
http://www.coml.org/ – Senso da pesquisa marinha
http://www.iobis.org/ – Banco de dados de animais marinhos