sexta-feira, agosto 28, 2015

Ao atacar fanatismos dietéticos, Veja publica bobagens

Professor Alan Levinovitz
A revista Veja desta semana publicou uma entrevista com o professor de religião e filosofia na Universidade James Madison Alan Levinovitz, que lança no mês que vem um livro sobre as “mentiras a respeito do glúten”. Levinovitz embarcou na onda denuncista contra o glúten e Veja comprou (ou vendeu espaço...) a ideia, concedendo as amarelas para Levinovitz dar seu recado. A parte em que ele denuncia os que fazem da alimentação uma verdadeira religião até que é aproveitável, mas Levinovitz também falou um monte de leviandades. Convidei o neurologista e nutrólogo Elias Oliveira Lima para comentar a entrevista aqui no blog. Veja o que ele escreveu:

De uma forma geral, o professor Alan apresenta tantos equívocos em sua entrevista que, para abordar todos, eu teria que se reescrevê-la, com os respectivos comentários.  Comentarei alguns pontos apenas, já que ele chamou de “mantra religioso” as orientações do Instituto Nacional do Câncer sobre uso de alimentos orgânicos para prevenir o câncer, denominando-as “ridículas”; estou certo de que os profissionais do INCA responderão com presteza e propriedade essas colocações descabidas.

Ele tropeça logo na primeira resposta, ao afirmar: “A ciência já superou a máxima: você é o que você come.” Que ciência? Fisicamente, não há outro meio de construção do corpo a não ser com o alimento. A relação de causa e efeito da boa e da má alimentação nunca esteve tão patenteada como na atualidade, exatamente por estudos científicos.

Ele mesmo cita, abordando o sentimento de culpa, um estudo que revelou que, entre japoneses, franceses e americanos, estes são os mais “conscientes no que diz respeito à nutrição, os que se sentem mais culpados pelas escolhas alimentares e os que mais sofrem com obesidade e são os menos saudáveis”. Atribuir esses resultados ao sentimento de culpa é distorcer grotescamente o óbvio.

A partir de comportamentos sectaristas de pequenos nichos da população, ele projeta práticas e ideias para setores ou grandes grupos populacionais. Quando diz que conhece gente que “deixa de ir a reuniões familiares por não saber a origem do que será servido”, ou “por medo do açúcar colorido artificialmente”, ele se refere a um comportamento extremista que está restrito a pequenas parcelas da população, mas coloca como padrão dos que “vivem com medo de ser impuros”, que quer dizer “medo de estar doente”.

Ele menciona como objetivo de comer “divertir-se com os amigos, desfrutar cultura e história”. E quem disse que não há diversão com amigos quando a refeição é saborosa e saudável? Haja preconceito e desinformação! A frase “para aproveitar a vida o importante é ser flexível e não ficar impondo regras a si próprio” me lembrou uma psicóloga que frequentava um grupo de estudos em saúde de que eu participava, que dizia pensar diante de um prato da mais gordurosa comida baiana: “Isto aqui vai me fazer muito bem”, e o devorava. Embora estivesse convicta de seu poder mental transformador, ele não foi suficiente para livrá-la de doenças tão destruidoras de sua saúde que a certa altura teve que se retirar da cidade e de seu exercício profissional, indo para o campo para se cuidar de forma radical.

A afirmação de Levinovitz de que “não podemos transformar os alimentos em remédios” abalroa um dos maiores pilares da alimentação de todos os tempos. Foi Hipócrates, o pai da medicina, quem disse na Grécia, cinco séculos antes de Cristo: “Seja o teu alimento o teu remédio.” De lá para cá, educadores e profissionais de saúde, bem como importante parcela dos cientistas têm procurado aprimorar as condições de aproveitamento das melhores qualidades dos alimentos, buscando preencher esse axioma ao máximo, em benefício das novas gerações. Isso é tão verdadeiro e importante que hoje já se formulam os nutracêuticos, remédios criados a partir das vantagens nutricionais dos alimentos.

Levinovitz acha que, “se uma pessoa acredita que sua fé faz bem e proporciona uma vida melhor, é positivo convencer os outros a se juntarem a ela”, mas condena quem “aplica o mesmo entusiasmo religioso à comida e aos exercícios”. Onde está a diferença? Até se poderia dizer o contrário, já que comer de forma frugal e exercitar-se diariamente traz resultados palpáveis e rápidos, enquanto abraçar outros dogmas religiosos é muito mais complexo e intangível, fora o fato de que escolher uma religião é uma decisão de foro muito íntimo.

Finalmente, como professor de religião, ele deveria levar em conta os ensinamentos do apóstolo Paulo que, em sua primeira carta aos Coríntios, menciona: “Quer comais, quer bebais [...], fazei tudo para a glória de Deus”, e “não sabeis que sois templo do Espírito Santo?” O Criador planejou objetivos muito mais nobres e elevados para os alimentos que ingerimos, além da simples diversão.

quinta-feira, agosto 27, 2015

Espermatozoides usam arpões para se fixar ao óvulo

O milagre da vida
Uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade da Virgínia, nos EUA, constatou a presença de proteínas na ponta dos espermatozoides de mamíferos que lembram pequenos arpões. Os estudiosos supõem que esses pequenos filamentos existem para ajudar o espermatozoide a se fixar na parede do óvulo e fecundá-lo. A pesquisa levou 14 anos para ser concluída, e foi publicada no periódico científico Andrology. O trabalho foi liderado pelo biólogo John Herr, especialista em reprodução da Escola de Medicina da Universidade da Virgínia. Há anos, ele e sua equipe descobriram uma proteína na ponta dos espermatozoides, a SLLP1 [imagem abaixo]. Estudá-la era tarefa complicada – era difícil determinar qual o formato da SLLP1 e, sem essa observação, não era possível construir hipóteses quanto a sua função. Para isso, Herr precisou da ajuda de Wladek Minor, pesquisador do departamento de biologia celular da mesma universidade. Minor utilizou uma técnica que cristalizou a SLLP1. Feito isso, o cristal formado foi resfriado a temperaturas criogênicas, de modo a preservar seu formato sem quebrar. Ele então foi bombardeado com raios-x. Observando a refração dos raios-x, os pesquisadores conseguiram calcular qual o formato da proteína. A SLLP1 tem formato de filamento, forma pequenos arpões. A equipe de Herr acredita que a estrutura, localizada na ponta do espermatozoide, existe para ajudar na penetração do óvulo. A descoberta pode mudar a forma como compreendemos a fecundação nos mamíferos.


Nota: Os detalhes que vão sendo descobertos sobre a fecundação e as especificidades do espermatozoide e do óvulo apenas aumentam a noção da complexidade do processo. São tantos detalhes irredutivelmente complexos que deveriam estar presentes já na primeira relação sexual que, caso não existissem, não estaríamos aqui, agora, falando sobre isso. Leia os textos a seguir para saber mais sobre essa engenharia da reprodução. [MB]

Explosão de fraudes em estudos deixa ciência em xeque

Aumentam os retracts
Observação e formulação de hipótese, realização de testes e experimentos, compilação e interpretação dos resultados, construção de teoria, redação de artigo, análise dos pares, publicação em um periódico reconhecido e replicação. Um breve resumo do método científico moderno mostra o rigor que as pesquisas devem seguir. Mesmo assim, a expansão da pesquisa veio acompanhada de uma explosão no número de estudos retirados da literatura, seja por erros sistemáticos ou de modelagem, má conduta ou mesmo má-fé, formada pela infame trinca plágio, manipulação e fraude. Um levantamento da revista Nature mostrou que, só na primeira década deste século, o índice de anúncios dos temidos retracts, palavra em inglês que define o envio dos artigos para o esquecimento dos anais da ciência, multiplicou-se por dez, muito acima da alta de 44% na produção científica. Para além de apenas manchar ou destruir reputações, os casos de fraude são os que mais preocupam os especialistas por colocar em risco o próprio futuro da ciência, tanto pela má distribuição dos já limitados recursos investidos em pesquisas quanto por minar a confiança da sociedade nos seus cientistas, o que pode se traduzir em ainda menos investimentos. [Continue lendo]

Nota do químico da Unicamp Dr. Marcos Eberlin: “Sou um grande fã da ciência, minha casa e minha vida (profissional), e respeito muito os muitos que tentam contribuir por meio dela, com sinceridade, para uma sociedade e um mundo melhores - eu faço o que posso -, e jamais venderia a minha ‘alma’ por um artigo que fosse, pois dou contas, sobretudo, a um Deus que tudo vê e tudo sabe, e é bom, mas justo. Lembrei-me do versículo “maldito o homem que confia no homem”, e de tantos artigos que leio, às vezes na Nature, Science e outras, sobre provas da ‘coisa horrorosa’. Lembrei-me de elos perdidos, vida em sopa escaldante, dinos & canários, semelhança genética... a foto acima me lembrou dos embriões de Haeckel, sem falar das mariposas de Manchester, dos bicos de tentilhões. Olha o estrago à ciência que uma cosmovisão equivocada tem feito. Se fossem todos retratados, aí, caramba, a porcentagem de retracts explodiria!”

Desenhos mostram a triste realidade do mundo

Para Cutts, o trabalho não deveria ser uma corrida de ratos sem alma pelo todo-poderoso dinheiro. Consumismo não deveria ser tão importante em nossa vida. E os meios de comunicação social, bem, são em muitos casos algemas que ansiosamente colocamos em nós mesmos. Sendo assim, o criativo ilustrador e animador de Londres, Inglaterra, faz imagens que criticam a vida moderna. Segundo ele, a insanidade da humanidade é uma piscina infinita de inspiração.

(Bored Panda, via Hypescience)












Revista Vida e Saúde de setembro

quarta-feira, agosto 26, 2015

Holocausto: traumas foram passados para gerações futuras

Dor de pais para filhos: retrato da vida
Uma pesquisa em torno de pessoas que descendem de vítimas do Holocausto revelou grandes descobertas relacionadas à transmissão genética humana [leia mais aqui]. Segundo a pesquisa, foram encontrados vestígios de trauma transmitidos para os genes dos mais novos. As informações são do The Guardian. Realizada por um time do hospital Mount Sinai, em Nova York, nos Estados Unidos, a pesquisa analisou material genético de 32 judeus, homens e mulheres, que ficaram presos em campos de concentração nazistas, onde eram submetidos aos mais variados tipos de tortura psicológica e física. Logo após essa análise preliminar, foram analisados também os genes dos filhos dessas pessoas e comparados com os de famílias judias que viviam fora da Europa durante a Segunda Guerra. O que se encontrou foram desordens de estresse muito agudas, todas promovidas por mudanças genéticas.

Esse é um dos trabalhos mais claros em relação à transmissão de traumas para uma criança, em uma área chamada de “herança epigenética”. Basicamente, a tese defende que influências ambientais, como tabagismo, dieta e estresse podem afetar genes de gerações futuras.

A importância do estudo se dá principalmente pelo fato de que a ideia ainda gera muita controvérsia dentro da ciência. Durante muitos anos o impacto da sobrevivência ao Holocausto em gerações futuras tem sido estudado a fundo. Os especialistas, agora, comemoram a evolução.

“Esse estudo fez algum progresso útil. O que nós estamos começando aqui é o primórdio de uma compreensão de como uma geração responde às experiências de seus antepassados, descobrindo de que forma os genes interagem com o mundo e as mudanças constantes que acontecem”, afirma Marcus Pembrey, professor do University College of London e um dos entusiastas do tema.


Nota: Em Êxodo 20:5 e 6, lemos o seguinte: “Eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que Me odeiam. E faço misericórdia a milhares dos que Me amam e aos que guardam os Meus mandamentos.

Muitas vezes, atribuem-se a Deus consequências que Ele não evita e que derivam de nossas escolhas. Não estaria aí, nessas palavras do decálogo, uma prefiguração da epigenética? De qualquer forma, essa pesquisa da equipe do hospital Mount Sinai é mais um alerta, especialmente àqueles que pretendem ser pais, de que seus hábitos de vida podem influenciar os filhos e até os netos.

Há mais de um século, Ellen White escreveu: “Pai e mãe transmitem aos filhos suas características, mentais e físicas, e suas disposições e apetites” (Temperança, p. 173, 174). “Se antes do nascimento de seu filho, ela [a mãe] é condescendente consigo mesma, egoísta, impaciente e exigente, esses traços se refletirão na disposição da criança. Assim, muitas crianças têm recebido como herança quase invencíveis tendências para o mal” (A Ciência do Bom Viver, p. 372, 373). “Onde quer que os hábitos dos pais sejam contrários à lei física, o dano causado a si mesmos repetir-se-á nas gerações futuras” (Temperança, p. 173, 174).

Mas a boa notícia é esta: “Cristo deu Seu Espírito como um poder divino para vencer toda tendência hereditária e cultivada para o mal, e gravar Seu próprio caráter em Sua igreja” (O Desejado de Todas as Nações, p. 671; grifo acrescentado).

Como a pornografia cria o “cliente”

Atores do filme Uma Linda Mulher
Hoje eu quero falar sobre a construção social da masculinidade, especificamente da construção social do cliente. Vamos partir do princípio de que homens não “são assim mesmo”. Na verdade, são socializados para serem clientes, estupradores, agressores de mulheres e cafetões. Mas o que temos que entender e nos perguntar é: De onde vem isso? O que faz um homem chegar ao ponto de pagar por sexo com uma mulher que ele nunca viu na vida? Uma mulher que ele sabe muito bem que prefere estar em qualquer lugar do que ali e que provavelmente está nessa situação por ter sido abusada sexualmente, por ser pobre e estar desesperada. Um dos fatores – não o único – mas um fator-chave que leva os homens a procurarem prostitutas é a pornografia. A pornografia é a principal fonte de “educação sexual” nos dias de hoje; não há nada mais poderoso como educação sexual do que ela, e vou falar de como a pornografia, a mídia e a cultura pop criam os clientes. Mas como a mídia e a cultura pop fazem isso? Glamourizando a prostituição e ignorando, polindo e reabilitando clientes. Vamos começar lembrando do filme Uma Linda Mulher

Pense na história: um cliente que se apaixona pela prostituta e eles vivem felizes para sempre. Todos concordam que foi um sucesso, não? Faturou milhões. Bilhões, provavelmente. E o que Hollywood faz sempre que um filme fatura milhões? Faz de novo, faz a parte 2. Minha pergunta é: Cadê Uma Linda Mulher 2?  Vamos imaginar como seria: eles fazem um lindo casamento entre a prostituta e o cliente e eles vão viver em uma linda casa. E um dia eles brigam, e então do que ele vai xingá-la? “Sua p...!”
“Sua p... imunda!” “Não discuta comigo porque, senão, adivinha, te jogo de volta na rua de onde você veio!” Me responda uma coisa: Quantas prostitutas você acha que vivem felizes para sempre com seus clientes? Está vendo por que eles não podiam fazer Uma Linda Mulher 2?

Mulheres foram assistir a isso, não foram? E todo mundo amou, certo? Esse é um sinal de quanto as mulheres estão colonizadas, de como o patriarcado está nas nossas mentes e molda quem somos.

Outra pergunta: Que ator estrela de Hollywood bateu tanto em uma mulher que ela acabou no hospital e o processou? Saiu em todos os jornais britânicos, mas nos EUA nem uma palavra: Jack Nicholson.[1] Se você não acredita em mim, existe um laudo que está no processo feito pela prostituta. E o laudo diz como ele bateu e jogou ela de cabeça no chão porque não queria pagar pelo programa depois de ter feito sexo com ela e outra mulher. Viu como a mídia colabora com o silêncio para manter isso invisível? E naquele mesmo ano, depois disso ter acontecido, ele estava na primeira fila do Oscar e ninguém tocou no assunto.

Conhece Eliot Spitzer, o cliente mais famoso dos Estados Unidos?[2] Sabe o que ele era antes de ser desmascarado como um cliente? Governador de Nova York. Antes de ser pego gastando 10.000 dólares por mês com prostitutas, sabe o que ele estava prestes a lançar? Uma campanha anti-prostituição. Ele era tão violento como cliente que era difícil achar prostitutas que aceitassem sair com ele. Ainda descobriram que ele traficava mulheres de um estado para outro. Ele foi “reabilitado” e agora tem um programa de TV. E sua esposa o apoia.

Mas o que leva homens como Charlie Sheen, Tiger Woods, Eliot Spitzer, Hugh Grant, Jerry Springer e Eddie Murphy a se tornarem clientes? Vamos analisar uma das forças sociais que constroem a masculinidade: a pornografia.

1. É a legitimação cultural da compra e venda de mulheres.
2. É a prostituição filmada: mulheres sendo pagas para fazer sexo. A diferença entre prostituição e pornografia é que você pode continuar vendendo a mulher quantas vezes quiser, mesmo depois de morta você pode vender sua imagem várias e várias vezes. Não existe limitação física das mulheres na pornografia, pois o sexo prostituído está gravado.
3. É a representação visual do sexo prostituído.
4. É o uso de mulheres traficadas sexualmente.
5. É criadora de demanda.

Vou explicar como ela cria a demanda explicando como a indústria pornográfica funciona. Sempre que falo sobre pornografia, me dizem que ela sempre existiu, e eu concordo com isso. Desde o início dos tempos, sempre existiu pornografia. Mas o que eu quero falar é sobre a indústria pornográfica.

A industrialização do sexo

É necessário conhecer e entender a indústria pornográfica para mudar a visão que temos sobre o assunto. A indústria pornográfica começou em 1953 com a primeira edição da Playboy. Nunca antes na história uma revista pornográfica tinha circulado pelo mainstream do capitalismo. É por isso que temos que pensar nisso como uma indústria. Temos que analisar como um plano de negócios de um pequeno grupo de administradores de empresas pensando em como criar demanda e construir mercado.

É difícil ter estatísticas exatas, mas é uma indústria que movimenta aproximadamente 97 bilhões de dólares no mundo todo. E lembre-se de que 97 bilhões de dólares compram muitos políticos na América. O montante de dinheiro que os pornógrafos investiram para o desenvolvimento da internet foi crucial para a sua criação. A internet não comanda a pornografia, a pornografia comanda a internet:

- 37% da internet é pornografia.
- Existem mais de 26 milhões de sites pornôs.
- A indústria pornográfica fatura 3.000 dólares por segundo.
- 40 milhões de usuários consomem pornografia regularmente nos EUA.
- Uma a cada quatro buscas do Google são por pornografia.
- Mais de um terço de todos os downloads feitos são pornografia.
- A cada ano são lançados mais de 13.000 filmes pornôs.

Numa conferência recente, os pornógrafos anunciaram que estão investindo em desenvolvimento de celulares, pois em países em desenvolvimento muitas famílias têm apenas um computador em casa e os homens não conseguem baixar pornografia no meio da sala. Já com um celular, os homens podem achar um lugar sozinhos para assistir pornografia. E onde a pornografia chega, o tráfico de mulheres e a prostituição vão atrás.

Esse é o nível de pesquisa que eles fazem para entrar em países superpopulosos. “A ‘corporatização’ da pornografia não é algo que acontece ou que vai acontecer, é algo que já aconteceu – e se você ainda não se ligou nesse fato, não há mais lugar nessa mesa para você. É Las Vegas acontecendo de novo: os independentes, mafiosos renegados e empreendedores visionários sendo varridos pelas grandes corporações” (Adult Video News, 2009).

Pornografia não é um amontoado de imagens aleatórias, não é fantasia – fantasia acontece na cabeça, pornografia acontece nos bancos internacionais do capitalismo. Dois lugares completamente diferentes. O que significa fazer parte da indústria pornográfica hoje:

- Aumentar o capital.
- Contratar gerentes e contadores.
- Fazer fusões e aquisições.
- Fazer exposições comerciais.
- Fazer negócios com outras empresas (bancos, empresas de cartão de crédito, operadoras de TV a cabo, etc.).

Cada vez que um homem compra pornografia, isso vai para um cartão de crédito. Agora imagine quanto dinheiro as empresas de cartão de crédito ganham com isso. Agora pense nas conexões entre a mídia mainstream e a pornografia. Um exemplo de como essa conexão funciona são as RealDolls, mulheres de silicone “anatomicamente corretas”, cuja lista de espera para comprar é de seis meses. Todos os anos em Las Vegas acontece uma convenção pornô. Eu fui lá e entrevistei o cara que estava no estande da RealDolls e perguntei: “Por que você acha que os homens compram essas bonecas?” Ele me olhou direto nos olhos e disse: “Isso os ajuda a desenvolver relacionamentos com mulheres.” Ok. Então perguntei: “Você já assistiu ao filme A Garota Ideal (Lars and the real girl)? Sabe, o filme em que um cara se apaixona por uma boneca? Estrelando Ryan Gosling, uma grande estrela de Hollywood.” Ele me respondeu: “Se eu já assisti? Nós fomos os consultores do filme e no dia do lançamento nosso site caiu de tanto que os homens acessaram.”

Quando lidamos com a indústria pornográfica, estamos lidando com um poder cultural, social e político que tem a capacidade de definir o panorama sexual, pois trabalha como qualquer outra indústria. Concordamos que a indústria de alimentos molda a maneira como comemos, que a indústria da moda molda a maneira como nos vestimos, então como é possível que a indústria do sexo seja a única que não molda o comportamento humano? Se a indústria pornográfica não molda a maneira como nos comportamos, então tudo que sabemos sobre sociologia e psicologia está errado. Teríamos que concordar que todos nós nascemos com certa sexualidade e que ela se mantém intocada pela cultura, e sabemos que isso é impossível; sabemos que a sexualidade é construída pela cultura.

Quando falo em pornografia, que imagens vêm a sua cabeça? Revista Playboy? Pessoas fazendo sexo? A revista Playboy está falida e só sobrevive porque vende sua marca e investe em outras empresas mais hardcore sob outros nomes para manter sua marca “limpa”. A Penthhouse faliu e a Hustler se diversificou. [...]

É assim que a pornografia é hoje: não existe mais soft-porn (pornô leve) e hardcore (pornô pesado), o que existe é feature-porn (pornô “longa metragem”) e gonzo-porn (pornô “sem roteiros”). O soft-core não existe mais porque migrou para a cultura pop. O nível de hipersexualização das artistas pop atuais seria considerado soft-porn 15 anos atrás. Hoje olhamos para a mídia e ficamos dessensibilizados a um nível de hipersexualização que é totalmente novo. E por causa dessa hipersexualização da cultura pop a pornografia teve que ficar mais hardcore para se diferenciar da MTV, por exemplo.

Para a indústria, o feature-porn é o que eles chamam de “mercado para casais”. É um filme de uma hora e meia, música suave, às vezes tem história, mas o sexo é hardcore. Os homens costumam mostrar esses filmes para as namoradas para elas se acostumarem com sexo hardcore.

No documentário The price of pleasure (O preço do prazer), por exemplo, um rapaz fala sobre como ele quer apresentar sexo anal para sua namorada, mas não sabe como fazer. Então ele pega um filme feature-porn, que sempre tem sexo anal, e espera o momento certo para propor sexo anal a ela: o momento em que ela não fizer mais careta para as cenas. Ou seja, quando um homem sugere assistir um feature-porn com uma mulher, geralmente ele quer que ela se anime a fazer sexo hardcore com ele. Resumindo, é esse tipo de pornô que homens e mulheres costumam assistir juntos. Mas quando homens estão sozinhos, o que eles assistem mesmo é gonzo-porn (pornô “sem roteiros”): é assim que eles chamam o pornô pesado sem história nenhuma. O “pai” desse tipo de pornô é um homem chamado Max Hardcore. [...] Ele é um sádico sexual e um dos donos da indústria gonzo. Ele, na verdade, inventou a pornografia com vômito. Esse homem usa espéculos como instrumento de tortura em vaginas e ânus de mulheres.

Quando comecei minhas pesquisas 15 anos atrás e entrevistei pornógrafos da indústria, nenhum deles queria chegar perto do Max Hardcore; ninguém queria ser dono dessa empresa; ele era considerado muito extremo. Da última vez que estive em Las Vegas, ele tinha o maior estande no centro da convenção pornô e tinha a maior fila de autógrafos lá.  Ele agora é o centro da indústria pornográfica. 

Não existe um jeito melhor de contar a história da pornografia do que contar a história da marginalização de Max Hardcore até sua chegada ao topo. [...] Você não pode deixar que o cara que vai se masturbar assistindo aquele sexo violento veja qualquer sinal de humanidade naquelas mulheres; porque na maioria das vezes os homens que chegam até esses filmes pornôs não são sádicos. Mas a questão é como fazer homens que não são sádicos sexuais se masturbarem vendo sexo sádico? Isso é um problema na indústria, porque você concorda que a maioria dos meninos de 13 anos não é sádico sexual ainda, não é mesmo?

Isso é muito importante. Porque quando você faz tráfico de mulheres, você tem que mostrar que aquelas mulheres “são diferentes das que você conhece”. Você faz essa divisão porque, quando chega a hora de assistir tortura sexual, ninguém vai olhar nos olhos daquela mulher e ver um ser humano, mas sim uma p.... Homens com frequência discutem comigo dizendo que as mulheres que fazem esse tipo de filme amam o que estão fazendo, e eu sempre rebato: “Você já pesquisou? Conversou com as atrizes?” E eles respondem: “Dá para ver que elas gostam.” E o mais interessante é que, na verdade, você vê o contrário. Elas são péssimas atrizes. Podemos ver que elas estão chorando, que elas estão chateadas e que, no final, elas estão completamente acabadas. [...]

Agora imagine um menino de 11 anos, hormônios aflorando, ele digita “pornô” no Google imaginando que vai ver alguns seios e é isso que ele encontra. Como eles o mantêm no site? Os pornógrafos pensaram nisso muito bem: “Sabe o que a gente diz sobre romance e preliminares? A gente diz [...]! Esse site não é para meias-bombas tentando impressionar vadias metidas. A gente pega lindas p... e faz o que todo homem realmente gostaria de fazer. A gente faz elas engasgarem até a maquiagem borrar e... [impublicável]” (texto de um site pornográfico).

Imagine um menino de 12 anos, ele não sabe que vai assistir isso e se assusta, mas os pornógrafos planejaram isso muito bem, eles dizem: “Faça o que todo homem realmente gostaria de fazer.” Essa é a isca. Eles estão dizendo para o menino: “Você é um homem de verdade? Porque se você for, é isso que você realmente gostaria de fazer.” E o que você acha que um menino de 12 anos vai fazer? Vai fugir assustado porque não é um “homem de verdade”? Claro que não! Ele está construindo sua masculinidade. E como você a constrói? Você vaga pela cultura se perguntando o que significa ser um homem. É assim que eles conquistam os meninos. Assim como as mulheres vagam pela cultura se perguntando “O que significa ser uma mulher?”, e encontram Beyoncé, Lady Gaga e Rihanna, eles vagam pela cultura e encontram isso. É como uma aranha espalhando a teia.

Os meninos acabam excitados e traumatizados. Essas crianças são vítimas da indústria pornográfica porque fazer isso com um menino de 12 anos é vitimá-lo e traumatizá-lo, pois não é isso que ele procura. Essa é a idade em que ele desenvolve suas preferências sexuais, e quanto mais ele desenvolve suas preferências sexuais pela pornografia, mais a pornografia define quem ele é. Quanto mais a pornografia define quem ele é, mais provavelmente ele vai se tornar um cliente. Porque quantas mulheres ele vai encontrar que vão fazer esse tipo de coisa? Ele vai querer fazer essas coisas. E é assim que a pornografia cria demanda. [...] Ninguém precisa ser PhD para entender o que isso significa: nojo e ódio às mulheres numa idade em que os meninos estão desenvolvendo suas preferências sexuais. [...]

Você tem noção de que um pequeno grupo de homens em Los Angeles está construindo a preferência sexual dos meninos pré-adolescentes no mundo todo? Isso é o que eu chamo de colonização cultural na sua pior forma. Porque quando você coloniza sexualmente uma cultura, você a coloniza por completo.

Um relatório médico da indústria pornográfica mostrou que atualmente as atrizes estão contraindo gonorreia na garganta e nos olhos e clamídia no ânus. Você acha justo que a cada ano um grupo de mulheres de cada geração tenha que lidar com isso? Você acha que elas são diferentes de mim e de você?

Antigamente, o que os meninos adolescentes faziam quando os hormônios começavam a agir? Roubavam a Playboy do pai. Você tinha acesso limitado à pornografia. Por pior que a Playboy fosse, ela não chegava aos pés do que a pornografia é hoje. Nunca antes uma geração de meninos foi criada com acesso 24 horas à pornografia pesada. Esse tipo de experimento social nunca foi feito antes. E esses meninos vão crescer e se tornar políticos, advogados, médicos, ou seja, os líderes da próxima geração, pois quando eles crescerem ainda viveremos numa sociedade patriarcal. E eu pergunto: Que tipo de pais, advogados, juízes vão se tornar esses homens criados pela pornografia gonzo? Esse tipo de pergunta não está sendo feita. E como socióloga e estudiosa de pornografia, posso garantir que haverá implicações que você ainda nem pode entender. Porque assim que você perde a habilidade de se conectar emocionalmente com alguém, que tipo de ser humano você se torna?

E qual é o futuro da pornografia? Bom, a pornografia está num beco sem saída. Sabe por quê? O problema que eles enfrentam hoje é o seguinte: eles já fizeram tudo o que podiam com o corpo de uma mulher, até quase matá-la. Não sobrou mais nada. E porque a pornografia é tão rentável, acessível e anônima, e porque tantos homens a usam todos os dias, se instaurou uma total dessensibilização. O que faz o sexo ser interessante? A pessoa com a qual você está fazendo sexo e a conexão que tem com ela. Mas a pornografia destruiu toda essa conexão e deu lugar ao nojo e ao puro ódio às mulheres.

Veja o que disse um diretor de filmes gonzo: “O problema com o mercado de sexo extremo, o sexo gonzo, é que tantos fãs querem ver coisas cada vez mais extremas que estamos sempre procurando novos caminhos para fazer coisas diferentes.” Bom, e sabe para onde a indústria pornográfica está indo?

Em 2003, a lei que proibia pornografia com mulheres de 18 anos que aparentavam ter menos de 18 anos foi derrubada. Do dia para a noite, houve uma explosão do que eu chamo de “pornografia infantil legalizada”. Estão na sessão “teen” dos sites pornográficos. O tipo de filme que temos hoje em dia é: Primeira vez com o papai, P... do papai, Tudo bem, ela é minha enteada 7. Você sabe quantas enteadas são estupradas? Isso não é coincidência. Pedófilos costumam ir atrás de mulheres com filhos. E aonde tudo isso está nos levando?

Um tempo atrás entrevistei estupradores de crianças que não eram pedófilos. Explico: nenhum deles se encaixava na descrição do que é um pedófilo – homens que em média aos 14 anos começam a molestar crianças e quando chegam à fase adulta deixam um rastro de centenas de vítimas. Esses homens que entrevistei estavam presos por posse de pornografia infantil e por estuprar uma criança depois dos 50 anos, e quando eu perguntei se eles eram pedófilos, eles ficaram ofendidos e disseram: “Claro que não! A gente prefere sexo com mulheres adultas!” Então eu perguntei: “Mas se vocês não são pedófilos, por que estupraram crianças?” E a resposta que eles me deram foi: “Ficamos entediados com a pornografia adulta e queríamos tentar algo novo.” E sabe quanto tempo eles levaram para estuprar uma criança depois de ver pornografia infantil? Um ano.

É isto o que a sociedade fez: abriu as portas para uma nova geração de homens que nunca antes havia considerado uma criança como vítima, e agora considera.

Você conhece o termo aliciamento, não? Aliciamento é quando um molestador foca numa vítima criança, mas ele não bate ou violenta, ele diz o quanto ela é especial, o quanto ela é legal, ele compra presentes, ele diz o quanto ela é gostosa até que chega um ponto em que a criança acredita que a coisa mais importante na vida dela é o quanto ela é atraente.

Nesse dia das entrevistas, eu aprendi uma lição valiosa sobre a nossa cultura, e ela não me foi dada por um acadêmico, mas por um estuprador que estava preso por violentar a enteada de 10 anos. Vou chamá-lo de Dick. Quando entrevistei Dick e perguntei como ele estuprou a criança, ele disse: “A cultura fez boa parte do aliciamento por mim.” Foi aí que a minha ficha caiu. Vivemos numa sociedade aliciadora. Não existe mais um único aliciador aliciando uma única criança de cada vez; o que existe é uma cultura inteira aliciando nossas meninas a se comportarem inapropriadamente de maneira sexual e aliciando nossos meninos a serem fãs de pornografia gonzo. Nossa cultura se tornou um aliciamento coletivo.

(Gail Dines, FestivalMarginal)

terça-feira, agosto 25, 2015

É possível prolongar a vida com qualidade?

Dicas milenares que funcionam
A ciência já comprovou: adventistas que adotam um estilo de vida saudável – incluindo o vegetarianismo, o descanso sabático, a abstenção de drogas lícitas e ilícitas e a prática de atividades físicas – vivem até dez anos a mais do que as pessoas não vegetarianas.[1-5] Mas como isso é possível? Esses dados me fizeram pensar se há a possibilidade de decidirmos se vamos viver mais ou se morreremos mais cedo. A escolha realmente estaria em nossas mãos? Ou haveria uma predestinação quanto ao dia em que iremos morrer? É certo que Deus é onisciente e conhece tanto o dia de nosso nascimento quanto o dia de nossa morte, e até mesmo “os fios de cabelo [da nossa cabeça] estão contados” (Lc 12:7). Devido a isso, parece haver certo consenso entre muitos cristãos de que exista um [suposto] dia já traçado para a nossa morte. Mas o que a Bíblia diz a respeito disso? Existem indícios da possibilidade de vivermos mais, caso queiramos? Numa breve investigação, encontrei algumas respostas.

Podemos encontrar no capítulo 5 do livro de Gênesis que, antes do dilúvio, o ser humano vivia centenas de anos (Adão, por exemplo, viveu 930 anos). Após o dilúvio, possivelmente devido a um conjunto de fatores, tais como o pecado e a passagem da alimentação natural para o consumo temporário (emergencial) de carne, devido à escassez de vegetação pós-diluviana (Gn 9:3), a duração da vida humana encolheu drasticamente (compare Gênesis 5 com Gênesis 11:24, 25) e, eventualmente, chegou até cerca de 70 anos de idade, como no caso do rei Davi (2Sm 5:4, 5; Sl 90:10).

É preciso deixar claro que essas passagens não são limites ordenados por Deus à idade máxima da humanidade (pois vemos alguns personagens bíblicos vivendo além dessas idades). Atualmente, avanços na ciência, nos tratamentos de saúde e em outros campos que se utilizam de técnicas modernas, têm auxiliado o ser humano a viver mais. Mesmo assim, pouquíssimas pessoas vivem mais de 120 anos.

Um olhar atento de volta ao passado, mais especificamente para os seres humanos que viveram antes do dilúvio, evidencia o enorme potencial que os homens e as mulheres tinham para a longevidade. O propósito de Cristo para o ser humano é o de que ele tenha “vida e vida com abundância” (Jo 10:10), e esse propósito nunca mudou. Em Êxodo 20:12, é possível ver uma dica valiosa para que vivamos por mais tempo, ainda nesta vida terrena: “Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá.”

Além disso, há outras dicas relatadas na Bíblia relacionadas a um estilo de vida saudável (dieta vegetariana) para o ser humano – assim como estabelecido por Deus na semana da criação – relatadas em Gênesis 1:29. Outro exemplo é encontrado no antigo Egito. A expectativa de vida dos hebreus no antigo Egito era de cerca de 40 anos.[6-8] No entanto, quando Moisés libertou os hebreus e os conduziu para Canaã, o líder (instruído por Deus) orientou o povo a seguir as recomendações divinas relacionadas à saúde. Com isso, a média de vida deles foi aumentada para mais de 70 anos.

Assim, é possível perceber que podemos, sim, decidir viver mais – longe da doutrina da predestinação de um dia marcado para a morte –, a partir do momento que seguimos as orientações de saúde contidas em um livro milenar chamado Bíblia. Decida você também adotar a dieta vegetariana e o estilo de vida saudável, e descubra por si mesmo os benefícios da longevidade (com qualidade) de que desfrutam de igual modo os amigos adventistas do sétimo dia praticantes daquilo que sabem.

(Everton Fernando Alves é enfermeiro e mestre em Ciências da Saúde pela UEM; seu e-book pode ser lido aqui)

Referências:
[1] Fraser GE. Associations between diet and cancer, ischemic heart disease, and all-cause mortality in non-Hispanic white California Seventh-day Adventists. Am J Clin Nutr 1999; 70(Suppl):532S–8S.
[2] Fraser GE, Shavlik DJ. Ten years of life: is it a matter of choice? Arch Intern Med 2001; 161:1645–52.
[3] Buettner D. The secrets of long life. (Cover story). Nat Geogr. 2005; 208:2-27.
[4] Buettner D. The Blue Zones: Lessons for Living Longer from the People Who've Lived the Longest. Washington, D.C.: National Geographic Society, 2009.
[5] Lee JW, Morton kr Walters J, Bellinger DL, Butler TL, Wilson C, Walsh E, Ellison CG, McKenzie MM, Fraser GE. Cohort Profile: The biopsychosocial religion and health study (BRHS). Int J Epidemiol. 2009; 38(6): 1470–1478.
[6] Entrevista concedida por John Taylor. “Múmias, uma arte em busca da eternidade.” Entrevistadora: Carin Petti Homonnay. Arqueologia, Revista Galileu, 2007. Disponível em: http://revistagalileu.globo.com/Galileu/0,6993,ECT510867-1942,00.html
[7] Filer JM. “Health Hazards and Cures in Ancient Egypt.” Ancient History. BBC, 2011. Disponível em: http://www.bbc.co.uk/history/ancient/egyptians/health_01.shtml
[8] Borges M. A História da Vida: de onde viemos, para onde vamos. 4ª Ed. Tatuí, SP: CPB, 2011.

Fé no clima: o ECOmenismo ganha força

Todos pela Terra
À primeira vista, a diversidade de participantes faz até a gente pensar naquelas piadas clássicas (“um padre, um rabino e um pastor evangélico entram num boteco e...”), mas a conversa é séria. Nesta terça, dia 25 de agosto, um grupo variado e bastante representativo de lideranças religiosas do Brasil e do exterior vai se reunir no Rio de Janeiro para manifestar o apoio de suas denominações à luta contra as mudanças climáticas causadas pela ação humana. Estou falando do Encontro Internacional Fé no Clima, organizado pelo Iser (Instituto de Estudos da Religião), em parceria com o GIP (Gestão de Interesse Público). Como os leitores mais assíduos deste blog devem imaginar, a ação conjunta inter-religiosa se inspira no exemplo da encíclica Laudato Si, uma espécie de chamado às armas do papa Francisco para evitar os piores efeitos da mudança climática, e tem a intenção de influenciar os debates da Conferência do Clima da ONU em Paris, que acontece no fim deste ano.

Os 12 participantes devem falar tanto da visão que suas tradições religiosas possuem sobre a necessidade de respeitar o ambiente quanto das ações concretas que suas comunidades estão tomando em relação aos problemas ambientais. No fim das contas, deverão assinar um documento de consenso, a Declaração Fé no Clima, que será encaminhada ao governo federal.

Confira a lista de participantes: André Trigueiro (espírita e jornalista), Ariovaldo Ramos (pastor evangélico), Mãe Beata de Yemanjá (Iyalorixá do Ilê Omi Ojuarô), Dolores (Inkaruna) Ayay Chilón, professor de Quechua, da tradição Andina, Mãe Flávia Pinto (umbandista), Rv. Fletcher Harper (pastor episcopal norte americano), Pe. Josafá Carlos de Siqueira S.J (Igreja Católica), Kola Abimbola (Babalorixá Yorubá e acadêmico nigeriano), Léo Yawabane (tradição indígena Huni Kuin, do Acre), Lama Padma Samten (monje budista), Rabino Nilton Bonder (tradição judaica) e Timóteo Carriker (pastor presbiteriano).

Espero voltar a esse assunto em breve, até porque algumas das visões expressas pelo papa Francisco em sua encíclica ambiental chegam perto de ser revolucionárias. De qualquer modo, conseguir juntar tantas crenças juntas em favor de um objetivo no qual a ética e o conhecimento científico caminham lado a lado já merece comemoração.

(Reinaldo José Lopes, Folha de S. Paulo)

Nota: Você ainda duvida do poder de coesão que a bandeira ecológica tem e da crescente influência do papa como líder incontestável desse movimento que transpõe os limites religiosos e arranca suspiros de admiração até dos jornalistas? Cinco anos atrás, concedi entrevista ao jornalista Reinaldo (autor do texto acima), na qual expus minha opinião sobre o ECOmenismo (confira aqui). [MB]

Fotomontagens mostram como é o corpo humano

Criatividade em dose dupla
Sabe aquela curiosidade de ver como o nosso corpo funciona por dentro? Nessas imagens a seguir é possível ter uma ideia. A obra chamada de Atlas de Anatomia da Moda, feita por Koen Hauser, é uma fotomontagem em que modelos têm partes do corpo trocadas por imagens dos seus músculos, órgãos, ossos e partes internas, algo parecido com os modelos utilizados em aulas de anatomia. Confira esse “atlas” do corpo humano (by Criatives):










segunda-feira, agosto 24, 2015

Design do corpo humano contraria teoria da evolução

Sabiamente planejado
O ser humano ou evoluiu lentamente a partir do lodo primordial há milhões de anos, ou foi criado à imagem de Deus. A lista de evidências que supostamente validavam a ascensão evolutiva do homem a partir de formas de vida “inferiores” tem sido eliminada por décadas de boas pesquisas científicas. Desde as suas bases, o edifício da “evolução humana” claramente tem estado em desintegração. Por exemplo, os dentistas, com uma filosofia darwiniana, podem sugerir a remoção do dente do siso devido à “evolução” da mandíbula humana. Embora alguns molares possam de facto precisar de extração, isso claramente não tem nada a ver com a evolução.[1]

Muitos evolucionistas apontam para as dores nas costas como evidência de que os seres humanos só recentemente começaram a caminhar eretos, havendo supostamente evoluído de antepassados tetrápodes. Mas não só a coluna vertebral humana parece ter sido criada para a postura ereta, como parece que a maior parte dos problemas nas costas é causada pela má postura, lesões ou outro tipo de abusos. A evolução não tem absolutamente nada a ver com as dores nas costas.[2]

Os evolucionistas continuam afirmando que o desenvolvimento embrionário espelha um passado evolutivo, quando os seres humanos [supostamente] tinham fendas branquiais como os peixes ou um saco vitelino como as galinhas. Tais sugestões não científicas são o resultado da infame “lei biogenética” do zoólogo Alemão Ernst Haeckel. Os evolucionistas têm permitido que essa ciência deficiente prospere, embora a teoria da “recapitulação” já tenha sido desacreditada há muito tempo.[3]

Muitas escolas seculares ainda ensinam o não cientifico conceito de que estruturas tais como as amígdalas, adenoides e o apêndice seriam vestígios inúteis de um passado evolutivo.[4] Mas em 2010 quatro evolucionistas qualificaram as adenoides e as amígdalas de “enormes coleções de tecido linfoide imunologicamente ativo”.[5] Ou seja, elas são partes dinâmicas dos nossos sistemas imunitários. Em 2009, um imunólogo evolucionista declarou: “Se por acaso Darwin estivesse ciente da existência de espécies que têm um apêndice ligado a um ceco enorme, e se ele soubesse da natureza difundida do apêndice, muito provavelmente ele nunca iria olhar para ele como um vestígio da evolução.[6]

Não existe qualquer tipo de evidência de que o ser humano evoluiu de uma criatura sub-humana. Tal como um escritor científico uma vez apresentou o assunto: “O último ancestral comum entre chimpanzés e os seres humanos continua a ser um santo graal da ciência”[7], usando termos que implicam uma busca em vão por um tesouro esquivo, ou algo valioso – sem qualquer chance de algum dia ser encontrado.

Descobertas de supostas evidências evolutivas invariavelmente resultam em confusão. Um subtítulo da Newsweek é típico: “Descoberta fóssil de um desconhecido ancestral humano agita as ideias relativas à evolução humana.”[8]

Pegadas recém-descobertas têm uma aparência surpreendentemente humana, o que leva os cientistas criacionistas a sugerir o impensável: talvez sejam pegadas humanas.[9] No entanto, outros escritores dançam em redor da verdade: “Criadas há cerca de 1,5 milhão de anos, elas são as mais antigas pegadas que têm a aparência de terem sido feitas pelos humanos modernos. Uma equipe de cientistas [...] descobriu essas preciosas impressões fósseis em lama seca por volta de 2009. [...] A julgar pela aparência, as impressões do pé fossilizado parecem idênticas às que fazemos quando andamos pela areia.[10]

Os evolucionistas não podem aceitar que essas pegadas tenham sido feitas por pessoas como as de hoje, e em lugar disso – e sem qualquer evidência científica – afirmam que elas foram feitas por um antepassado sub-humano, o Homo erectus.

As Sagradas Escrituras claramente ensinam em Gênesis 1 que as plantas e os animais foram criados por Deus “segundo o seu tipo” – tal como o ser humano foi criado de modo especial à imagem de Deus (Gênesis 1:27).


 Referências:
1. Sherwin, F. 2003. “The Whole Tooth about Wisdom Teeth.” Acts & Facts. 32 (3).
2. Morris, J. 1998. “Do Back Problems in Humans Prove Evolution from Animals?” Acts & Facts. 27 (12).
3. Morris, J. 1989. “Does the Human Embryo Go through Animal Stages?” Acts & Facts. 18 (8).
4. Sherwin, F. 2003. “For Every Structure There Is a Reason.” Acts & Facts. 32 (11).
5. Barrett, K. E. et al. 2010. Ganong’s Review of Medical Physiology. New York: McGraw-Hill Medical, 605.
6. Choi, C. Q. “The Appendix: Useful and in Fact Promising.”
LiveScience. Posted on livescience.com August 24, 2009, accessed November 11, 2010.
7. Viegas, J. “The Human Family Tree.” Discovery News. Posted on discovery.com, accessed November 11, 2010.
8. Begley, S. “Welcome to the Family, Missing Link.” Newsweek, April 8, 2010.
9. Thomas, B. “Human Evolution Story Stumbles over Footprints.” ICR News. Posted April 6, 2010, accessed November 10, 2010.
10. Hirji, Z. “Footprint Fossils Analyzed for Ancient Human Gait.” Discovery News. Posted on news.discovery.com July 22, 2010, accessed November 11, 2010.