quinta-feira, fevereiro 23, 2017

Sete planetas “Terra”: implicações de uma descoberta

O autor em visita à Nasa, na Flórida
A notícia ganhou os meios de comunicação e agitou o mundo. Finalmente, a Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) anunciou a descoberta de planetas semelhantes à Terra – sete, ao todo – que, teoricamente, poderiam conter água em estado líquido e, portanto, na opinião dos cientistas, ter ambiente favorável ao surgimento e à evolução da vida. O sistema solar descoberto está a 39 anos-luz de distância e tem no centro uma estrela anã chamada Trappist-1, similar ao sol e um pouco maior que Júpiter. Segundo a Nasa, os planetas do sistema têm massa semelhante à da Terra e composição rochosa. O estudo publicado na revista Nature sugere que há chances de os cientistas encontrarem vida nesses planetas. “Não é mais uma questão de ‘se’, mas uma questão de ‘quando’”, disse Thomas Zurbuchen, administrador da Direção de Missão Científica da Nasa, na coletiva de imprensa que anunciou a descoberta.

A esperança dos cientistas é tanta que, mesmo que não seja encontrado sinal de vida nesse sistema, eles creem que ela pode ter se desenvolvido ou se desenvolverá. “[A Trappist-1] queima hidrogênio tão lentamente que vai viver por mais dez trilhões de anos – que é, sem dúvida, tempo suficiente para a vida evoluir”, escreveu Ignas Snellen, do Observatório de Leiden, na Holanda.

Os planetas não são observados diretamente, como podem dar a entender as ilustrações publicadas em jornais e revistas. Na verdade, nada se sabe sobre a cor deles e muito pouco sobre sua composição. Eles só são percebidos porque, ao passar pela frente da estrela, acabam escurecendo um pouco sua luz. Como esse bloqueio de luz é cíclico, os astrônomos deduzem que há planetas lá. Com as observações a partir de telescópios no solo e no espaço, os cientistas calcularam que não havia apenas três exoplanetas, mas sete. E com os dados foi possível calcular o tempo de translação, a distância da estrela, a massa e o diâmetro dos sete astros. Quanto à composição atmosférica (se é que eles têm uma) e a presença de água, isso depende da análise da luz que vem de lá, submetida a espectroscópios.

O carnaval e a busca da saúde pelo motivo errado

Como editor da revista Vida e Saúde, recebo todos os dias muitos releases de assessorias de imprensa. Na semana passada, um desses me chamou a atenção de modo especial. Veja só: “Uma das datas mais aguardadas pelos brasileiros está chegando: o carnaval. Nesta época do ano, é comum as pessoas saírem para dançar, acompanhar trio elétrico ou blocos de rua e desfilar na avenida. Mas, antes de cair no samba, é preciso tomar alguns cuidados com a saúde para aguentar os dias de folia, como preparo físico e boa alimentação.” Depois vem uma lista de conselhos sobre beber bastante água, especialmente após consumo de bebida alcoólica; comer de três em três horas para “manter o pique”; diminuir o consumo de alimentos gordurosos e com muitos aditivos como fast food, para evitar uma intoxicação alimentar; fazer alongamento antes da folia; e, claro, usar preservativo.

São conselhos válidos (a maioria, pelo menos), mas que deveriam ser levados em conta sempre, não apenas em tempo de “folia”. Na verdade, o que mais se vê hoje em dia é a busca da saúde e da boa forma física pelos motivos errados. Há quem pratique exercícios (e até cometa exageros) para exibir o corpo como um troféu da vaidade. Há quem adote dietas mirabolantes e até arriscadas com o objetivo de perder peso a qualquer custo. E há os que se preocupam em manter a saúde para depois perdê-la, como vimos no release acima. Varam as madrugadas consumindo álcool e praticando sexo casual, e acham que beber mais água e cuidar do que come vai ajudar. Vai apenas minorar o problema. DSTs podem ser contraídas, ainda que se use o preservativo. O vírus HPV, por exemplo, causador de câncer de colo do útero, pode ser pego pelo contato com a pele em torno dos órgãos sexuais e de outras formas. E não se pode esquecer também da “doença do beijo”.

O cristão bíblico busca manter a saúde por motivos bem diferentes. Ele entende que seu corpo é templo do Espírito Santo e que, por isso, deve ser mantido nas melhores condições possíveis. Entende que a clareza mental depende em grande medida daquilo que come e bebe, e que a saúde do corpo se reflete na saúde mental e espiritual. Boa forma, beleza, longevidade e disposição são as consequências dessa atitude, não o alvo principal.

Quer uma alternativa realmente saudável para estes dias de folia? Participe de um retiro espiritual como os que são organizados todos os anos pelas igrejas adventistas espalhadas pelo Brasil e no mundo. Você será bem-vindo.

Michelson Borges

quarta-feira, fevereiro 22, 2017

Nasa descobre sistema solar com sete planetas “Terra”

Concepção artística do sistema
A Nasa anunciou hoje que encontrou o primeiro sistema solar com sete planetas de tamanho similar ao da Terra pela primeira vez na história. O sistema foi encontrado a cerca de 39 anos-luz de distância – uma distância relativamente pequena em termos cósmicos. Dos sete planetas, três estão dentro de uma zona habitável, onde é possível ter água líquida e, consequentemente, vida. Os astros mais próximos do seu sol devem ser quentes demais para ter água líquida e os mais distantes devem ter oceanos congelados. Os planetas orbitam uma estrela anã chamada Trappist-1, que é similar ao Sol e um pouco maior do que Júpiter. Segundo a agência espacial, os astros têm massas semelhantes à da Terra e são de composição rochosa. A expectativa da Nasa é que, na pior das hipóteses, ao menos um dos planetas tenha temperatura ideal para a presença de oceanos de água em forma líquida, assim como acontece na Terra.

As observações preliminares indicam que um dos planetas pode ter oxigênio em sua atmosfera – o que possibilitaria a realização de atividades fotossintéticas por lá. Para que haja vida como concebida por nós, no entanto, é preciso a presença de outros elementos na atmosfera, como metano e ozônio.

Segundo o estudo, que foi publicado na revista Nature, há chances de os cientistas encontrarem vida nesses planetas. “Não é mais uma questão de ‘se’, mas uma questão de ‘quando’”, disse Thomas Zurbuchen, administrador da Direção de Missão Científica da Nasa, na coletiva que anunciou a descoberta.

Telescópios na Terra e o Hubble, um telescópio espacial, poderão analisar em detalhes as moléculas das atmosferas dos planetas. Nessa exploração, o Telescópio James Webb, que será lançado ao espaço em 2018, terá papel fundamental. Ele será equipado com luz infravermelha, ideal para analisar o tipo de luz que é emitida da estrela Trappist-1.

Quando o novo telescópio da European Space Organisation começar a funcionar, em 2024, será possível saber se há realmente água nesses planetas.

Mesmo que os pesquisadores não encontrem vida nesse sistema, ela pode se desenvolver lá. O estudo indica que a Trappist-1 é relativamente nova. “Essa estrela anã queima hidrogênio tão lentamente que vai viver por mais 10 trilhões de anos – que é sem dúvida tempo suficiente para a vida evoluir”, escreveu Ignas A. G. Snellen, do Observatório de Leiden, na Holanda, em um artigo opinativo que acompanha o estudo na revista Nature.

Apesar da similaridade entre a Terra e os planetas do sistema recém-descoberto, a estrela Trappist-1 é bem diferente de nosso Sol. A estrela tem apenas 1/12 da massa do nosso Sol. A sua temperatura também é bem menor. Em vez dos 10 mil graus Celsius que nosso Sol atinge, o Trappist-1 tem “apenas” 4.150 graus em sua superfície.

De acordo com o New York Times, a estrela também emite menos luz. Um reflexo disso seria uma superfície mais sombria. A claridade durante o dia, por lá, seria cerca de um centésimo da claridade na Terra durante o dia. Uma dúvida que paira sobre os cientistas é qual seria a cor emitida por pela Trappist-1. Essa cor pode variar de um vermelho profundo a tons mais puxados para o salmão.

Tudo começou em 2016, quando Michael Gillon, astrônomo na Universidade de Liège, na Bélgica, descobriu três exoplanetas orbitando uma estrela anã. Ele e seu grupo encontraram os astros após notar que a Trappist-1 escurecia periodicamente, indicando que um planeta poderia estar passando na frente da estrela e bloqueando a luz. Para estudar a descoberta mais a fundo, o pesquisador usou telescópios localizados na Terra, como o Star, da Universidade de Liège, o telescópio de Liverpool, na Inglaterra, e o Very Large Telescope da ESO, no Chile. Já no espaço, Gillon usou o Spitzer, o telescópio espacial da Nasa, durante 20 dias.

Com as observações no solo e no espaço, os cientistas calcularam que não havia apenas três exoplanetas, mas sete. A partir dessa análise, foi possível descobrir o tempo de translação, a distância da estrela, a massa e o diâmetro dos sete astros. De acordo com os pesquisadores, ainda é preciso observar o sistema solar por mais algum tempo para saber novos detalhes, como a existência de água líquida.


Nota: Você percebe como o pensamento evolucionista está entranhado em todas as áreas, inclusive na astronomia? Primeiro, os cientistas dão a entender claramente que encontraram planetas capazes de abrigar vida e que muito provavelmente ela deve estar lá. Mas, se não estiver, ela será capaz de surgir e se desenvolver em algum daqueles planetas. Então deduzem que a estrela do sistema recém-descoberto poderá existir por mais dez trilhões de anos, o que, segundo eles, “é sem dúvida tempo suficiente para a vida evoluir”. No entanto, sabe-se que nem em zilhões de anos seria possível surgir vida com toda a sua complexidade a partir de matéria não viva. Os biólogos evolucionistas evitam esse assunto, pois sabem que a matemática está contra eles (confira aqui e aqui). Mesmo aqui em nosso planeta, com todas as condições favoráveis à vida planejadas minuciosamente, a vida não poderia ter surgido e macroevoluído, sendo essa uma hipótese mais para o campo da metafísica. Se aqui na Terra o modelo evolucionista encontra suas limitações, quando o assunto é origem da informação complexa e específica e da complexidade irredutível, por que acreditar que em planetas que nem podem ser vistos diretamente (todas as ilustrações que inundaram a mídia são concepções artísticas) ela teria surgido e evoluído? É preciso realmente muita fé para crer nessa história. Mas a vontade de descobrir vida lá fora e provar a teoria da evolução é tanta que a mídia internacional está em festa. Até o Google produziu um de seus famosos doodles para comemorar o feito, como se, finalmente, tivéssemos descoberto o lar dos ETs. [MB]

Clique aqui e veja por que não é tão simples afirmar que a vida poderia surgir em algum planeta.

Cientistas afirmam que houve megatsunamis em Marte

Teve lá? E aqui não?
Contribuindo com a ideia de que Marte possuía um grande oceano de água líquida, cientistas encontraram indícios de megatsunamis, que teriam varrido grande parte da superfície do Planeta Vermelho. Apesar de Marte agora ser um local seco, frio e inóspito, existem evidências de sobra que mostram que, no passado, um grande oceano de água líquida cobria todo o planeta, bilhões de anos atrás. Como a vida é encontrada em todo lugar onde há água líquida na Terra, pesquisadores afirmam que a vida provavelmente se desenvolveu no passado de Marte, e alguns dizem até que ela pode existir ainda hoje, escondida no subsolo, por exemplo. Até agora não havia provas concretas de costas e ondas no Planeta Vermelho, portanto, parece que ainda teremos muitas discussões sobre a existência dos antigos oceanos de água líquida em Marte. E esses debates ganham destaque a cada nova descoberta.

Segundo pesquisadores, novas imagens térmicas das planícies marcianas revelam antigas cicatrizes que poderiam ter sido deixadas por megatsunamis, cerca de 3,4 bilhões de anos atrás, quando se acredita que Marte tinha um gelado oceano de água salgada.

“Nosso trabalho fornece evidências definitivas da presença de grandes oceanos de longa duração em Marte”, afirma o coautor do estudo, Alberto Fairén, cientista planetário no Centro de Astrobiologia em Madri e da Universidade de Cornell, em Nova York.

Os cientistas examinaram antigos litorais marcianos em busca de anomalias, e descobriram grandes modificações dessas encostas. “São grandes curvas e projeções arredondadas, formadas por depósitos de sedimentos”, disse Fairén. Esses objetos são enormes, chegando a centenas de quilômetros de comprimento, segundo o autor do estudo, Alexis Rodriguez, cientista planetário do Instituto de Ciência Planetária em Tucson, nos EUA. Essas grandes curvaturas também são vistas aqui na Terra após ondas catastróficas, porém, lá em Marte elas são muito maiores.

Os pesquisadores sugeriram então que as evidências apareceram após dois tsunamis gigantes, que se estenderam por uma vasta região elevada, atingindo inclusive grandes picos. O tsunami mais antigo inundou uma área de 800.000 quilômetros quadrados, enquanto o outro megatsunami teria devastado uma região de um milhão de quilômetros quadrados, disseram os pesquisadores.

O tsunami mais antigo arrastou pedras de até dez metros de diâmetro. Após a ocorrência de um tsunami, a gravidade puxa rapidamente toda a água de volta para o oceano, o que veio a esculpir diversos canais com cerca 200 metros de largura e 20 km de comprimento. Esses canais também são criados aqui na Terra após a ocorrência de tsunamis.

Entre o tsunami mais antigo e o mais novo, o clima de Marte aparentemente se tornou mais frio, uma vez que as fissuras arredondadas do segundo tsunami eram ricas em gelo. “O gelo não voltou para o oceano, o que mostra que o grande oceano já estava repleto de gelo naquela época”, comenta Fairén.

Os cientistas sugerem que os dois megatsunamis foram causados por dois grandes impactos de rochas espaciais [leia mais sobre a teoria do grande bombardeamento aqui]. Os pesquisadores calcularam que os meteoritos criaram crateras de 30 km de largura, desencadeando ondas gigantescas, de aproximadamente 50 metros de altura. Uma pesquisa anterior sugeria que há 3,4 bilhões de anos, impactos dessa magnitude aconteceram a cada 30 milhões de anos em Marte.

Pesquisas futuras devem olhar mais atentamente os litorais marcianos em busca de novos indícios de tsunamis e depósitos de gelo. “Gostaríamos de investigar esses locais para coletar amostras de gelo, e entender qual era a composição do oceano”, disse Rodriguez.

Segundo os cientistas, esses novos achados fornecem indícios importantes sobre a possibilidade de vida no Planeta Vermelho. “Se a vida existiu em Marte, essas estruturas de gelo golpeadas pelos tsunamis são ótimos candidatos para buscarmos por assinaturas biológicas”, disse Fairén.

Outro fato interessante é que, segundo os cientistas envolvidos no estudo, as praias de Marte não deveriam ser nada parecidas com as que temos aqui na Terra. Longe de serem praias ideais para curtir as férias, elas mais se pareciam com lagos congelados ou com litorais polares, repletas de gelo. Contudo, até mesmo nas regiões mais remotas da Terra, onde o ser humano não seria capaz de viver sem a ajuda da tecnologia, é possível encontrar formas de vida microbiana. Portanto, se realmente existiu um oceano de água salgada em Marte, a vida provavelmente se proliferou, expandiu e dominou, pelo menos, uma grande parte do antigo Planeta Vermelho.


Comentário do amigo Marcus Vinicius de Paula Moreira: “Teve dilúvio em Marte, mas na Terra não? As evidências de dilúvio e megatsunamis na Terra estão por todos os lados. Esses crentes ateus são divertidos! Depois dizem que cristão é que tem fé... Vai ter fé assim lá em Marte!”


Deus conosco: qual o tamanho do seu Deus e como Ele é?

terça-feira, fevereiro 21, 2017

Dieta materna altera DNA do bebê

Hábitos que afetam gerações
Toda gestante deve receber alimentação rica em ácido fólico para prevenir anencefalia e diferentes graus de deficiência mental no futuro bebê. Mas de que maneira essa vitamina atua sobre o DNA e define o funcionamento dos genes no organismo em gestação? A busca de respostas para essa questão fez uma equipe da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto (SP) estudar a ação do ácido fólico em genes ligados a doenças cardiovasculares e diabetes mellitus tipo 2. Os resultados da pesquisa mostraram que mudanças no fornecimento da vitamina a gestantes e lactantes interferem no controle da expressão gênica das proles para essas doenças. Os filhotes - os experimentos foram feitos em animais de laboratório - gestados com dieta deficiente da vitamina apresentaram maior expressão dos genes envolvidos com essas doenças, enquanto os filhotes de mães que receberam suplemento de ácido fólico, ao contrário, apresentaram pouca expressão desses genes.

Os resultados revelam mecanismos moleculares envolvidos na “reprogramação epigenética fetal” dos genes ligados a doenças cardiovasculares e diabetes mellitus tipo 2. Essa “reprogramação epigenética” corresponde a mudanças observadas nas expressões dos genes que não dependem da hereditariedade. É o próprio ácido fólico, vitamina normalmente retirada de alimentos, que atua no nível genético por meio das reações de metilação do DNA, conta a geneticista Paula Lumy Takeuchi, responsável pelo estudo.

A alteração da quantidade de ácido fólico fornecida pela alimentação das mães modificou o “ciclo da metionina, principal aminoácido doador de grupos metil para as reações de metilação do DNA e de proteínas”. Esse é um dos mecanismos pelo qual os genes são “ligados e desligados”; o que vale dizer que eles podem estar ativos ou inativos no organismo.

Embora não se possa fazer uma correlação direta entre esses resultados experimentais, em animais de laboratório, com o organismo humano, a pesquisadora lembra que as mulheres gestantes devem ingerir ácido fólico por várias razões, incluindo o fato de que ele é importante para a multiplicação celular e, portanto, importante para o desenvolvimento do embrião em formação, principalmente do tubo neural.

É do tubo neural, explica Paula, que se originam o eixo central do sistema nervoso, na cabeça e a coluna vertebral do feto. A recomendação do Conselho Federal de Medicina é de que as mulheres usem o ácido fólico antes da concepção e nos três primeiros meses de gravidez. A ingestão diária de 400 microgramas dessa vitamina pode reduzir em até 75% o risco de má formação no tubo neural do feto, o que previne casos de anencefalia, paralisia de membros inferiores, incontinência urinária e intestinal nos bebês. Isso, além de diferentes graus de deficiência mental e de dificuldades de aprendizagem escolar.


Nota: Cada vez mais fica clara a importância dos fatores epigenéticos sobre a nossa vida e de nossos descendentes. No começo do ano passado, participei de um simpósio de saúde e estilo de vida, em Orlando, nos EUA. Tive a oportunidade de conversar com alguns especialistas na área e pude entrevistar um cientista que trabalha com epigenética. A matéria foi publicada na revista Vida e Saúde. A certa altura da conversa, ele me disse algo que me chamou muito a atenção: hábitos de vida ruins (tabagismo, alcoolismo, sedentarismo, etc.) podem afetar, além de quem os têm, até a terceira e quarta geração. É claro que imediatamente me veio à mente o texto de Êxodo 20. De igual maneira, hábitos saudáveis podem afetar muitas gerações. Portanto, aquilo que os futuros pais fazem de sua vida terá reflexos na prole, e especialmente as gestantes devem ter muito cuidado com a alimentação e com os sentimentos que nutrem nessa fase importante e especial da vida. Pra variar, sempre à frente de seu tempo, no século 19 Ellen White já falava sobre as influências que os pais legam aos filhos. Ela não usou a palavra epigenética, evidentemente, mas o conceito já estava ali. Experimente ler O Lar Adventista, por exemplo. [MB]

“A felicidade da criança será afetada pelos hábitos da mãe. Seus apetites e paixões devem ser regidos por princípios. Existem coisas que lhe convém evitar, coisas a combater, se quer cumprir o desígnio de Deus a seu respeito ao dar-lhe um filho” (Ellen G. White, A Ciência do Bom Viver, p. 372).

“Nossos antepassados legaram-nos costumes e apetites que estão enchendo o mundo de doenças. Os pecados dos pais, através de desejos pervertidos, são, com poder assustador, visitados sobre os filhos até a terceira e quarta geração. A maneira incorreta de alimentar-se, de muitas gerações, a glutonaria e os hábitos de condescendência própria das pessoas, estão enchendo as casas de misericórdia, as prisões e os hospícios. A intemperança, a ingestão de chá, café, vinho, cerveja, rum e conhaque, e o uso do fumo, ópio e outros narcóticos têm resultado em grande degeneração física e mental, e esta degenerescência está em constante crescimento” (Ellen G. White, Review and Herald, 29 de julho de 1884; Conselhos Sobre Saúde, p. 49).

“Os anjos estão sempre presentes onde mais são necessitados. Eles estão com os que têm as mais árduas batalhas a ferir, com os que têm de combater contra a inclinação e as tendências hereditárias, cujo ambiente doméstico é o mais desanimador” (Review and Herald, 16 de abril de 1895).

Leia mais sobre epigenética aqui.

Infográfico: Qual a idade do universo?


Clique na imagem para vê-la ampliada. A arte é uma cortesia do designer Alexandre Kretzschmar, idealizador do site Onze de Gênesis.

segunda-feira, fevereiro 20, 2017

LHC provou a inexistência de fantasmas?

A descoberta está certa e errada
O Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês) é uma das experiências científicas mais incríveis do mundo, e ele já foi capaz de provar muitas teorias emocionantes, testemunhar a criação do plasma quark-glúon (a matéria mais densa fora dos buracos negros), encontrar evidências-chave contra a supersimetria e descobrir o famoso bóson de Higgs, resultado que gerou um Prêmio Nobel de Física. Muitas pessoas, no entanto, não têm sequer conhecimento de todas essas maravilhas que o LHC está desempenhando, em geral, porque mal podem soletrar “quark-glúon”. Porém, uma certa conclusão que o LHC nos permite tirar pode agarrar a atenção do público: pelo menos um físico sustenta que ele, de fato, refutou a existência de fantasmas. O físico em questão é Brian Cox, pesquisador de física de partículas na Universidade de Manchester, no Reino Unido.

Em uma transmissão recente feita pela BBC, os convidados do programa “The Infinite Monkey Cage” estavam discutindo a ciência e o paranormal, quando Cox afirmou o seguinte: “Antes de fazermos a primeira pergunta, vou dar uma declaração: não estamos aqui para debater a existência de fantasmas porque eles não existem. Se queremos que algum tipo de padrão que carrega informações sobre nossas células vivas persista, então precisamos especificar exatamente qual meio carrega esse padrão e como ele interage com as partículas de matéria a partir das quais os nossos corpos são feitos. Temos que, em outras palavras, inventar uma extensão para o Modelo Padrão de Física de Partículas que escapou à detecção no Grande Colisor de Hádrons. Isso é quase inconcebível nas escalas de energia típicas das interações de partículas em nossos corpos.”

Não entendeu nada? Pois é. Cox usou alguns termos científicos que podem confundir leigos como nós, de forma que o astrofísico Neil deGrasse Tyson, que também estava no programa, pressionou o cientista para esclarecer sua declaração. “Se eu entendi o que você acabou de declarar, você afirmou que o CERN, o Centro Europeu de Pesquisa Nuclear, refutou a existência de fantasmas.” “Sim”, respondeu Cox.

O físico explicou que, se houvesse algum tipo de substância “dirigindo” nossos corpos (algo que poderia virar um fantasma depois da nossa morte, e mover nossas pernas e braços), então deveria interagir com as partículas das quais nossos corpos são feitos. Dado o fato de que o LHC já fez medidas de alta precisão sobre as maneiras como as partículas interagem, Cox concluiu: “Minha afirmação é que não pode haver nada, tipo uma fonte de energia, que está dirigindo nossos corpos.”

Embora existam inúmeras explicações científicas que refutam e desacreditam o paranormal, a declaração de Cox parece nova. A ideia é mais simples do que sua explicação sugere: se fantasmas existem, eles são feitos de partículas, não é mesmo? Logo, se eles estivessem mesmo invadindo o mundo físico, então certamente seus “rastros” seriam detectados pelo LHC. Isso não aconteceu.


Nota: Duas coisas me ocorreram quando li a matéria acima: (1) fantasmas, de fato, não existem (confira), e (2) quem disse que o LHC é tão adequado assim para sondar todos os recantos da realidade? Se existe uma realidade “espiritual”, em outra dimensão ou em outro universo, de fato um artefato humano possivelmente terá dificuldades em detectar isso, dadas as suas limitações óbvias. Quanto à inexistência dos “fantasmas”, nem seria preciso utilizar o LHC para demonstrar isso. A Bíblia já o afirma. Segundo o Livro Sagrado, fantasmas ou espíritos desencarnados são, na verdade, anjos caídos (anjos maus rebelados contra Deus) que se fazem passar por pessoas mortas com o objetivo de ecoar a mentira original proferida no Éden: “Vocês não morrerão e serão como Deus.” E anjos são seres físicos. O ser humano também, e se trata de uma criatura composta de corpo e fôlego de vida, os quais, juntos, compõem a alma vivente. Nada é dito nas Escrituras a respeito de alguma entidade imaterial que habitaria o corpo humano. Essa ideia se desenvolveu no paganismo espiritualista e acabou por “contaminar” alguns ramos do cristianismo. Portanto, a “descoberta” do LHC está certa e errada ao mesmo tempo, em minha avaliação. Certa porque, de fato, fantasmas não existem; e errada porque o que vemos aqui em nosso planeta não se trata da realidade toda. [MB

domingo, fevereiro 19, 2017

Carta de uma psiquiatra sobre “Cinquenta Tons de Cinza”

Relação doentia
Não há nada de cinza sobre os “Cinquenta Tons de Cinza”. É tudo preto. Deixe-me explicar. Eu ajudo pessoas que estão quebradas por dentro. Ao contrário dos médicos que utilizam raios x ou exames de sangue para determinar por que alguém está com dor, as feridas que me interessam estão ocultas. Faço perguntas e ouço atentamente as respostas. É assim que eu descubro por que a pessoa na minha frente está “sangrando”. Anos de escuta atenta me ensinaram muito. Uma coisa que eu aprendi é que os jovens são totalmente confusos sobre o amor – para achá-lo e mantê-lo. Eles fazem escolhas erradas e acabam sofrendo muito. Eu não quero que você sofra como as pessoas que vejo em meu escritório, por isso estou avisando sobre um novo filme chamado “Cinquenta Tons de Cinza”. Mesmo se você não vir o filme, sua mensagem tóxica está se infiltrando na nossa cultura e poderia plantar ideias perigosas em sua cabeça.

“Cinquenta Tons de Cinza” está sendo lançado no Dia dos Namorados, então você vai pensar que é um romance, mas não caia nessa. O filme é realmente sobre uma relação doentia e perigosa, preenchido com abuso físico e emocional. Parece glamouroso, porque os atores são lindos, têm carros caros e aviões, e Beyonce está cantando. Você pode concluir que Christian e Ana são legais e que seu relacionamento é aceitável.

Não se permita ser manipulado! As pessoas por trás do filme só querem o seu dinheiro; eles não se preocupam nem um pouco com você ou seus sonhos. Abuso não é glamouroso ou legal. Nunca é Ok, sob quaisquer circunstâncias. Isso é o que você precisa saber sobre “Cinquenta Tons de Cinza”: Christian Grey foi terrivelmente negligenciado quando era uma criança. Ele está confuso sobre o amor, porque ele nunca experimentou a coisa real. Em sua mente, o amor está emaranhado com sentimentos ruins como dor e o constrangimento. Christian gosta de machucar mulheres de formas bizarras. Anastasia é uma menina imatura que se apaixona pelos olhares e pela riqueza de Christian, e tolamente segue seus desejos.

No mundo real essa história iria acabar mal, com Christian na cadeia e Ana em um abrigo – ou morgue. Ou Christian continuaria batendo em Ana, e ela sofreria como nunca. De qualquer maneira, as suas vidas não seriam um conto de fadas. Confie em mim.

Como médica, estou lhe pedindo: não assista “Cinquenta Tons de Cinza”. Se informe, conheça os fatos e explique aos seus amigos por que eles não devem assitir também. Aqui estão algumas das ideias perigosas promovidas em “Cinquenta Tons de Cinza”:

1. As meninas querem caras como Christian: grosseiro e que mande nela. Não! Uma mulher psicologicamente saudável evita dor. Ela quer se sentir segura, respeitada e cuidada por um homem em quem ela possa confiar. Ela sonha com vestidos de casamento, não algemas.


2. Homens querem uma garota como Anastasia: calma e insegura. Errado. Um homem psicologicamente saudável quer uma mulher que sabe se defender por si mesma. Ele quer uma mulher que o corrija quando ele sair da linha.

3. Anastasia exerce livre escolha quando ela consente em ser machucada, então ninguém pode julgar a decisão dele. Lógica falha. Claro, Anastasia tinha livre escolha – e ela escolheu mal. A decisão autodestrutiva é uma má decisão.

4. Anastasia faz escolhas sobre Christian de forma racional e distante. Duvidoso. Christian constantemente serve álcool a Anastasia, prejudicando seu julgamento. Além disso, Anastasia se torna sexualmente ativa com Christian – sua primeira experiência – logo após conhecê-lo. O sexo é uma experiência poderosa – particularmente na primeira vez. Finalmente, Christian manipula Anastasia para assinar um acordo que a proíbe de falar a alguém que ele é um abusador. Álcool, sexo e manipulação – dificilmente seriam os ingredientes de uma decisão racional.


5. Os problemas emocionais de Christian são curados pelo amor de Anastasia. Apenas em um filme. No mundo real, Christian não mudaria de forma significativa. Se Anastasia quisesse ajudar pessoas emocionalmente perturbadas, ela deveria ter se tornado uma psiquiatra ou uma psicóloga.

A principal questão: as ideias de “Cinquenta Tons de Cinza” são perigosas e podem levar à confusão e más decisões sobre o amor. Existem grandes diferenças entre os relacionamentos saudáveis e não saudáveis, mas o filme borra essas diferenças, de modo que você começa a se perguntar: “O que é saudável em um relacionamento? O que é doentio? Há tantos tons de cinza… Eu não tenho certeza.”

Ouça, é da sua segurança e do seu futuro que estamos falando aqui. Não há margem para dúvidas: uma relação íntima que inclui violência, consensual ou não, é completamente inaceitável. É preto e branco. Não existem tons de cinza aqui. Nem mesmo um.

sábado, fevereiro 18, 2017

O mistério dos cromossomos “perdidos”

A refutação de um mito
A ideia de que todas as formas de vida em torno de nós são descendentes de um ancestral comum não é nova. Para os neodarwinistas, a mais famosa evidência a favor da ancestralidade comum é molecular. Simplificando, a evolução prevê que os organismos estão mais estreitamente relacionados entre si em termos genéticos e utilizam como evidência o sequenciamento de genomas de espécies diferentes na tentativa de “provar” que esse é realmente o caso. Um caso, em especial, é a insistente e tediosa comparação da homologia (semelhança) de cromossomos de seres humanos com os de espécies de símios estreitamente relacionados. Humanos e grandes símios diferem em número de cromossomos – humanos possuem 23 pares (46, no total) de cromossomos, enquanto símios possuem 24 deles (48). A diferença entre o número de cromossomos nessas espécies é atribuída à hipótese do “modelo de fusão do cromossomo 2”. Esse tem sido o principal argumento para a explicação da evolução humana a partir de um ancestral comum com os chimpanzés, no qual os cromossomos 2A e 2B de um suposto ancestral comum símio teriam se fundido ponta-a-ponta (dos telômeros) em um passado distante, formando o atual cromossomo humano 2.

Fonte: Yunis e Prakash, 1982
Essa ideia foi inicialmente proposta por pesquisadores que exploraram técnicas de coloração e perceberam que humanos e chimpanzés compartilham padrões similares de marcação de bandas cromossômicas quando observados em um microscópio. Em 1982, por exemplo, um estudo publicado na revista Science apresentou uma imagem fotográfica (ao lado) altamente ampliada dos cromossomos dos seres humanos, chimpanzés, gorilas, orangotangos, alinhados em ordem.[1] Para os autores do estudo, os quatro cromossomos são notavelmente similares, mostrando uma “extensa homologia”. Mas é claro que a análise dos dados não pôde ser conclusiva.

Em 1991, os dados de outro estudo foram então usados como uma suposta prova para a alegada fusão dos cromossomos.[2] Os pesquisadores descobriram uma sequência de DNA com cerca de 800 bases de comprimento no cromossomo 2 humano. O problema é que essa sequência estava inesperadamente pequena em tamanho e extremamente degenerada. Além disso, essa nova sequência semelhante a uma fusão não era o que os pesquisadores estavam esperando encontrar, pois continha uma assinatura nunca vista, isto é, uma (suposta) fusão telômero-telômero e, se real, poderia ser o primeiro caso já documentado na natureza.

Em 2002, por sua vez, 614 mil bases de DNA localizadas ao redor dessa fusão foram totalmente sequenciadas, revelando que a sequência de fusão estava no meio de um gene até então classificado como pseudogene (considerado pelos evolucionistas como desprovido de função).[3, 4] A pesquisa também mostrou que os genes ao redor do local dessa fusão não existiam no cromossomo 2A ou 2B do chimpanzé – a suposta localização para a origem símia.

Segundo matéria publicada em página vinculada ao movimento do design inteligente, outro problema relacionado à suposta fusão do cromossomo está relacionado ao fato de que “o ancestral comum de humanos e primatas supostamente existiu há seis milhões de anos. O que evolucionistas dizem é que essa fusão cromossômica tenha ocorrido há recentes 50.000 anos. Sob esse ponto de vista, esse evento de fusão cromossômica não tem, portanto, nada a ver em nos tornar humanos em contraste com os primatas superiores. Claramente esse evento de fusão cromossômica está muitos milhões de anos distante de qualquer suposta ancestralidade com os primatas superiores.”[5, 6]

Mas deixando esse ponto acima de lado, concordo que a evidência sugere fortemente que o cromossomo humano 2 parece ser um produto de fusão. A propósito, não é incomum que os cromossomos se fundam, quando estão rompidos.[7] Incomum é a fusão sob a forma com a qual os neodarwinistas descrevem o processo que teria ocorrido, ou seja, uma fusão a partir de cromossomos intactos com a presença de telômeros. Para o bioquímico Dr. Fazale Rana, ex-cientista sênior em pesquisa e desenvolvimento na Procter & Gamble e atual vice-presidente da Reasons to Believe, os telômeros são projetados para impedir que os cromossomos se submetam à fusão com fragmentos cromossômicos.[7] Portanto, após uma reflexão cuidadosa, observamos que não há apoio para a noção de descendência comum, mas, sim, para a obra de um designer. Mesmo que o cromossomo humano 2 pareça surgir por meio de um evento de fusão, seria improvável que sua gênese fosse resultado de processos naturais não direcionados.

Para que isso realmente acontecesse, seria “preciso encontrar uma parceira que também tivesse um evento de fusão cromossômica idêntico. Mas a pesquisa de Valentine e Erwin implica que tais eventos seriam altamente improváveis de acontecer: ‘A possibilidade de dois indivíduos mutantes raros idênticos surgir em suficiente proximidade a fim de produzir descendentes parece demasiado pequena para se considerar como um evento evolutivo significativo’ (Erwin, D. H., e Valentine, J. W. “Hopeful monsters, transposons, and the Metazoan radiation”, Proc. Natl. Acad, Sci. USA, 81:5482-5483, Sep. 1984)”.

Em 2013, foi publicada uma pesquisa sobre o local da fusão alegado, revelando dados genéticos que desacreditam completamente as alegações evolucionistas.[8] A análise feita pelo geneticista Dr. Jeffrey Tomkins, diretor do departamento de ciências da vida do Institute for Creation research (ICR), confirmou que o local da fusão alegado está dentro de um gene chamado DDX11L2 no cromossomo humano 2. O curioso é que a sequência de fusão alegada contém uma característica funcional genética chamada local de ligação de “fator de transcrição”, que é localizado no primeiro intron (região não codificadora) do gene.[9] Fatores de transcrição são proteínas que ligam locais regulatórios dentro e ao redor dos genes para controlar suas funções, atuando como interruptores. O gene DDX11L2 tem três dessas áreas, uma das quais é codificada no local da fusão alegada.

Os cromossomos são moléculas de DNA de cadeia dupla e contêm genes nas duas cadeias codificados em direções opostas.[9] Devido ao gene DDX11L2 ser codificado na cadeia orientada reversamente, ele é lido na direção reversa. Então, a sequência de fusão alegada não é lida na direção avante tipicamente utilizada na literatura como evidência para uma fusão – ao contrário, ela é lida na direção reversa e codifica um interruptor regulatório chave.

O suposto local de fusão é atualmente uma parte-chave do gene DDX11L2. O gene em si mesmo é parte de um grupo complexo de genes RNA helicase DDX11L que produz longos RNAs regulatórios não codificantes.[9] Esses transcritos RNA DDX11L2 são produzidos em 255 tipos diferentes de células e tecidos humanos, destacando a função biológica onipresente do gene, ou seja, ao contrário do que pensavam os neodarwinistas ao chamá-lo de “pseudogene”, essa região do gene possui uma função específica: a de ser um segundo promotor (sequência de DNA que controla a produção da expressão gênica).

As fusões de cromossomos não seriam esperadas para formar a complexidade de múltiplos éxons e splicing alternativo dos transcritos de genes. Por isso, o autor afirma que genes funcionais como DDX11L2 não surgem pela fusão mítica dos telômeros. Essa evidência genética clara, de acordo com o autor, combinada com o fato de que o registro de uma região genômica de 614 kb em torno do suposto local de fusão apresenta falta de sintenia (correspondência gênica) com chimpanzé nos cromossomos 2A e 2B (suposta origem do local de fusão). Em suma, isso refuta completamente a alegação de que o cromossomo humano 2 é o resultado de uma fusão ancestral telomérica ponta-a-ponta.

Mas não pense que a controvérsia parou por aí. Desde 2013, ano em que o Dr. Tomkins publicou seu artigo, tem aparecido uma série de tentativas de refutação de sua pesquisa publicadas em vários blogs na internet. Para o Dr. Tomkins, embora nenhum desses esforços tenha refutado os fatos centrais que envolvem a negação da fusão, eles tentam minimizar ou questionar aspectos do cenário ou moldá-los para se ajustarem ao modelo evolucionário.[10] Porém, de lá pra cá, os dados que invalidam a hipótese de fusão do cromossomo 2 tornaram-se ainda mais convincentes com a adição de mais informações de bancos de dados (ENCODE e FANTOM) em relação ao local de fusão alegado.

(Everton F. Alves é mestre em Ciências [Imunogenética] pela UEM e diretor de ensino do Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira [NUMAR-SCB]; seu e-book pode ser lido aqui)

Referências:
[1] Yunis JJ, Prakash O. The origin of man: a chromosomal pictorial legacy. Science. 1982; 215(4539):1525-1530. Disponível em: http://science.sciencemag.org/content/215/4539/1525
[2] Ijdo JW, et al. Origin of human chromosome 2: an ancestral telomere-telomere fusion. Proceedings of the National Academy of Sciences. 1991; 88(20):9051-9055.
[3] Fan, Y. et al. Genomic Structure and Evolution of the Ancestral Chromosome Fusion Site in 2q13-2q14.1 and Paralogous Regions on Other Human Chromosomes. Genome Research. 2002;12(11):1651-1662.
[4] Fan, Y. et al. Gene Content and Function of the Ancestral Chromosome Fusion Site in Human Chromosome 2q13-2q14.1 and Paralogous Regions. Genome Research. 2002;12(11):1663-1672.
[5] Luskin C. And the Miller Told His Tale: Ken Miller's Cold (Chromosomal) Fusion. Evolution News and Views (10/10/2005). Disponível em: http://www.evolutionnews.org/2005/10/and_the_miller_told_his_tale_ken_miller_001067.html
[6] Varki A, Altheide TK. Comparing the human and chimpanzee genomes: Searching for needles in a haystack. Genome Res. 2005. 15:1746-1758.
[7] Rana F. Chromosome 2: The Best Evidence for Evolution? Reasons to Believe, (01/06/2010). Disponível em: http://www.reasons.org/articles/chromosome-2-the-best-evidence-for-evolution
[8] Tomkins JP. Alleged Human Chromosome 2 “Fusion Site” Encodes an Active DNA Binding Domain Inside a Complex and Highly Expressed Gene—Negating Fusion. Answers Research Journal 2013; 6: 367-375. Disponível em: https://assets.answersingenesis.org/doc/articles/pdf-versions/arj/v6/human-chromosome-fusion.pdf
[10] Tomkins FP. Debunking the Debunkers: A Response to Criticism and Obfuscation Regarding Refutation of the Human Chromosome 2 Fusion. Answers Research Journal  2017; 10:45–54. Disponível em: https://assets.answersingenesis.org/doc/articles/pdf-versions/arj/v10/human_chromosome_2_fusion.pdf

sexta-feira, fevereiro 17, 2017

Enem em um só dia pode gerar economia de R$ 646 mil

Faça valer seu direito
Termina às 23h59 desta sexta-feira (17) o prazo para responder às perguntas da consulta pública sobre as mudanças no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Com a consulta, no ar desde o dia 18 de janeiro, o Ministério da Educação (MEC) quer referendar a possibilidade de aplicar o exame em apenas um dia, no domingo, e não mais em dois. Caso isso ocorra, o governo vai atender a uma antiga reclamação dos sabatistas, candidatos que por questão religiosa só podem estudar ou trabalhar no sábado após o sol se pôr. Todos os anos eles entram para as provas às 13h (pelo horário de Brasília) junto com os demais candidatos, e ficam isolados em uma sala para começar o exame somente às 19h. No Acre, por conta do fuso horário, o tempo de espera chega a 9h. Segundo o Inep, responsável pela aplicação do exame, cada candidato sabatista custa para o governo R$ 16,39 a mais do que os demais participantes, por conta das despesas extras de ter de aplicar o exame no período noturno. Como o custo médio de cada participante é R$ 68,71, o sabatista gera uma despesa de R$ 85,10 para o MEC. Se a regra estivesse vigorando no ano passado, o governo teria economizado cerca de R$ 646 mil com os 76 mil sabatistas que fizeram as provas. No total, o exame de 2016 foi o mais caro da história com custo de R$ 788 milhões e arrecadação de R$ 136 milhões com inscrições.

Além da pergunta sobre se a aplicação do Enem deve manter o formato atual, em dois dias, ou ser realizada em apenas um, com uma prova de até 100 questões e redação, e 5 horas e 30 minutos de duração, a consulta possui mais outras três questões. A segunda questão complementa a anterior.

Caso o exame continue sendo aplicado em dois dias, ela pergunta aos cidadãos que dias deveriam ser adotados: domingo e segunda-feira (que se tornaria um feriado escolar), dois domingos seguidos ou a manutenção do formato atual, com provas no sábado e domingo. Em todos os casos será mantida a redação, segundo o governo.

Na última atualização, até as 8h desta quinta-feira (16), segundo o Inep, a consulta havia recebido 570 mil respostas. As perguntas podem ser respondidas pelo portal www.inep.gov.br

O governo anunciou que o edital do Enem 2017 com as possíveis mudanças será divulgado no mês de março.



Carnaval gospel tem “abadeus” e até cover de Mamonas

Cadê a linha divisória?
Dá para ser evangélico e curtir o Carnaval? Igrejas mais tradicionais costumam chiar. A praxe, afinal, é enviar seus fiéis para retiros bem afastados dos pecados da carne purpurinada. Outras aproveitam a multidão para pregar a palavra – caso de uma igreja metodista carioca que já estendeu na fachada um cartaz para os foliões do bloco Sovaco de Cristo, no Jardim Botânico, bairro aos pés do Cristo Redentor: “Não fique só no sovaco! Conheça Cristo por inteiro!” A Bola de Neve Church preferiu cair no samba. No domingo (12), levou à sua sede de Guarulhos (SP) a Batucada Abençoada, bateria da igreja famosa por usar pranchas de surf como púlpito. Com abadás à venda por R$ 30 (dinheiro) ou R$ 35 (cartão), dezenas de fiéis entoam adaptações evangelizadoras de sambas e também de hits pop. Em “Pelados em Santos”, do Mamonas Assassinas, não é mais a mina do corpão violão que enlouquece o cara. “Jesus me deixa doidããããão”, diz o refrão reformulado.

Há também versão para “Seven Nation Army”, o rock do White Stripes que virou hino de torcidas organizadas. É delas que vieram 80% dos batuqueiros da Bola, calcula o corintiano Rodney Lopez, 35. Ele era da Gaviões da Fiel antes de se converter e entrar no primeiro time da bateria, em 2006. “Quando conheci Deus, algo fazia falta. Queria fazer o que fazia no mundo, mas dentro da igreja.”

O Carnaval evangélico, com muito batuque e zero álcool e azaração, ganha força nas ruas do país. Santos instituiu, via lei municipal de 2014, o Dia do Evangelismo de Carnaval Bola de Neve. Todo sábado desse feriado, a bateria da igreja percorre cerca de 10 km da orla santista. Atraiu em 2016, segundo o Corpo de Bombeiros, 18 mil pessoas.

A arena deste ano, no dia 25, terá food truck, palco com música eletrônica e 12 camarotes para 14 pessoas (R$ 3.000 cada espaço), diz o pastor Eric Viana, 40, idealizador da Batucada Abençoada. No sermão, brinca com a plateia: “Quem é solteiro aqui? Então compra logo dois [abadás]!” À Folha ele conta por que começou a bateria: não fazia sentido se isolar num retiro enquanto cidades eram tomadas por “toda a negatividade do Carnaval mundano”. Cita como reveses gravidez indesejada, motoristas alcoolizados, latinhas de cerveja na rua, namoros que terminam.

“A gente se sentiu bastante egoísta em viver a alegria de Deus refugiado disso tudo”, diz Viana, um ex-fã de cocaína e Iron Maiden que vendeu o cabelo comprido na Galeria do Rock, em São Paulo, para comprar um terno ao encontrar Jesus, 25 anos atrás. “Só depois percebi que a transformação não era por fora.” Ele agora combina jeans com blusa justa no muque e usa expressões como “os pastores são top mesmo”.

Salvador também tem seu bloco evangélico, organizado no Pelourinho pela Igreja Batista Missionária da Independência. Para 2017, a novidade é o funkeiro gospel Tonzão, do hit “Passinho do Abençoado” (“Invés de dançar igual homem / Ele deu uma reboladinha / Que isso, varão vigia / Ele vai pra igreja de olho nas irmãzinhas / Que isso, varão vigia”). [...]

Também convidados: o pagodeiro Waguinho, ex-Os Morenos, e Lázaro, ex-Olodum. No “abadeus” (abadá) do Sal da Terra, o mote: “Jesus é a nossa alegria.” No Rio, a Igreja Batista Atitude desfila o bloco Sou Cheio de Amor desde 2013, na orla do

Para igrejas mais tradicionais, unir fé e folia gera mais polêmica do que bênção. Olinda (PE), por exemplo, anunciou um polo gospel em seu Carnaval, um dos maiores do Brasil. Uma semana depois cancelou a novidade, a pedido dos próprios organizadores, que ficaram sob fogo amigo de colegas de credo.

A bancada evangélica da Assembleia Legislativa pernambucana não aprovou – o deputado estadual Adalto Santos (PSB) disse que conversaria com o prefeito (que é da mesma fé) sobre o “prejuízo espiritual” do evento.

Para o teólogo Marcelo Rebello, 44, “o cristão não pode ser um alienado”. E, uma vez no Carnaval, tem que prevalecer o bom senso: “O crente não tem que ir para o meio do povo e dizer que [os que bebem e se pegam] vão pro inferno.” Fora os “pecados da carne”, a festa “muito atrelada a candomblé e umbanda” também incomoda o segmento, diz Rebello, presidente da Associação Brasileira de Empresas e Profissionais Evangélicos. O crente, afirma, “serve a um Deus único”, e as múltiplas entidades (como os orixás) seriam uma afronta a evangélicos.

Em 2016, um dos patronos do Império Serrano declarou ao jornal O Dia que cairia fora se a escola de samba carioca apostasse num enredo ligado a religiões afrobrasileiras. “Já fui espírita e não tenho nada contra, mas me encontrei na palavra do Deus vivo. O dia em que o Império quiser falar sobre o espiritismo, cabe a mim querer ficar ou não. Mas certamente, eu não ficarei”, disse Rildo Seixas, da Igreja Batista.

Procurada pela Folha, a assessoria de imprensa da agremiação respondeu que “a determinação é para não falarmos mais nesse assunto, pois já causou muito mal-estar para a nossa comunidade”.


Nota: Quanto mais se afastam da Bíblia e do Deus da Bíblia, mais os cristãos perdem a noção da linha divisória entre o sagrado e o profano. Esquecem-se das palavras enfáticas de Paulo: “Não se ponham em jugo desigual com descrentes. Pois o que têm em comum a justiça e a maldade? Ou que comunhão pode ter a luz com as trevas? Que harmonia entre Cristo e Belial? Que há de comum entre o crente e o descrente? Que acordo há entre o templo de Deus e os ídolos? Pois somos santuário do Deus vivo. Como disse Deus: ‘Habitarei com eles e entre eles andarei; serei o seu Deus, e eles serão o Meu povo.’ Portanto, ‘saiam do meio deles e separem-se’, diz o Senhor. ‘Não toquem em coisas impuras, e Eu os receberei” (2 Coríntios 6:14-18). Jesus nos salva do pecado e não no pecado. Ele nos propõe uma nova forma de viver, muito superior à que antes tínhamos, e deseja que sejamos testemunhas vivas de que esse tipo de vida plena é a melhor, e que nossa vida de santidade atraia as pessoas até Ele. Se formos em tudo iguais aos que vivem sem Deus, que diferença haverá? Cristãos têm que ser sal da terra; têm que se misturar com as pessoas, mas de forma sábia, levando sua “atmosfera” até elas e não absorvendo a “atmosfera” em que elas vivem. Jesus vivia entre pecadores, mas, quando Ele chegava aos locais aonde ia, o ambiente mudava. Se os cristãos não forem capazes de mudar o mundo ao seu redor, tornam-se sal sem sabor. E o inimigo de Deus vence a batalha. [MB]

segunda-feira, fevereiro 13, 2017

A mãe zumbi e a jogada de mestre satânica

Domesticando o mal
O inimigo de Deus sabe muito bem o que faz – quem nem sempre sabe o que ele faz são os seres humanos desavisados e, pior, os cristãos cegos. Não é de hoje que Satanás mistura o sagrado com o profano e a verdade com a mentira. E é justamente por causa dessa mistura que ele obtém tanto êxito, especialmente quando ilude os incautos. A novidade nesse gênero é a série “Santa Clarita Diet”, da Netflix. Trata-se da história de uma família tradicional – pai, mãe e filha – que vive no subúrbio de Los Angeles, num local em que a maioria das pessoas é politicamente correta e tem hábitos naturebas. Mas tudo muda quando a mãe se transforma em uma zumbi comedora de carne humana. O pior de tudo é que, apesar da transformação da mãe (interpretada por Drew Barrymore), o pai faz de tudo para que a família continue sua vida “normal”, inclusive acobertando os crimes da esposa que busca saciar a forme canibalesca. Salvar a família, nesse caso, é o objetivo acima de qualquer objetivo, o fim que justifica os meios, custe o que custar – ainda que o custo seja conviver com um ser demoníaco.  

Não bastasse a questão dos crimes e a ilusão de que quem os comete pode ser boa pessoa, há também o conteúdo satânico da obra. Ou você não conhece a origem dessa onda zumbi? (Clique aqui para saber mais.) Produções como “Santa Clarita Diet” fazem o que outras séries, e filmes, e desenhos animados, e videogames já fizeram e vêm fazendo há um bom tempo: “domesticaram” o demônio; transformaram o mal em brincadeira de crianças, aproximando as últimas gerações de temas como reencarnação, bruxaria, vampirismo, ocultismo, magia e afins - tudo o que vai contra o conceito bíblico de vida após a morte (confira).

Artimanha semelhante foi usada na série “Crepúsculo”. Um vampiro bonzinho se apaixona por uma humana e chega até a respeitar a virgindade dela. Que lindo! Filmes e séries com valores cristãos e morais, até. Aí é que mora o perigo! Assim como “Crepúsculo”, que tem como pano de fundo o vampirismo (que também é satanismo), “Santa Clarita Diet” vem sendo aclamada como uma série “família”, ao passo que ajuda a fortalecer a onda de celebração da morte, do espiritualismo e do satanismo. Multidões acham que estão vendo coisa inocente, quando, na verdade, estão se envolvendo com as trevas. Levam tudo na brincadeira, do jeito que o diabo gosta.

Já passa da hora de os cristãos (pelo menos) acordarem para a vida (eterna) e pararem de brincar com o perigo (Deuteronômio 18:10-12). “Chegou a hora de vocês despertarem do sono, porque agora a nossa salvação está mais próxima do que quando cremos” (Romanos 13:11).

Michelson Borges