terça-feira, julho 17, 2018

Lançamento da CPB traz criacionismo para crianças e adolescentes


Acaba de ser lançado pela Casa Publicadora Brasileira o livro Expedição Galápagos: Uma aventura no arquipélago das iguanas, das tartarugas gigantes e outras maravilhas da criação. Escrito pelo jornalista, mestre em teologia e divulgador do criacionismo Michelson Borges, o livro se destina ao público infanto-juvenil (mas com certeza será apreciado também por adultos) e apresenta os principais argumentos criacionistas em uma linguagem simples, entrelaçados em uma história bem escrita e interessante, ambientada nas ilhas do arquipélago de Galápagos, visitado pelo autor em 2016, juntamente com uma equipe de pesquisadores sul-americanos. Michelson procura refazer os passos do naturalista inglês Charles Darwin, que também visitou Galápagos, no século 19, mas oferece uma reinterpretação de dados sob a ótica criacionista.

O texto de contracapa diz o seguinte: “O que pode acontecer quando um adolescente viaja com o pai até o arquipélago de Galápagos, conhece o ‘amor de sua vida’, faz amizade com um leão-marinho e visita lugares incríveis como a borda de um vulcão, uma ilha repleta de aves exóticas, uma caverna de lava solidificada e mergulha com tartarugas e tubarões? É só abrir este livro, começar a ler e você vai descobrir!”

Como o autor passou por todos os lugares que descreve, o texto é vívido e foi escrito num formato de diário de viagem. Leitura obrigatória para quem curte aventura, viagens e descobertas científicas!

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Estromatólitos: evidências da hidrologia pré-diluviana (parte 1)

Os estromatólitos representam alguns dos fósseis mais enigmáticos encontrados ao longo do registro geológico da Terra. Eles são bastante comuns nas rochas sedimentares mais antigas, e atualmente são encontrados exemplares vivos apenas em locais específicos do planeta. Algumas condições especiais estão atreladas ao seu “florescimento”, incluindo uma química incomum da água. Cientistas uniformitaristas têm lutado para tentar entender e explicar a abundância deles nas rochas antigas e sua escassez atualmente. O livro Glossary of Geology[1] define estromatólito como “uma estrutura organo-sedimentar produzida pelo aprisionamento, cimentação e/ou precipitação de sedimentos resultantes do crescimento e metabolismo de micro-organismos, principalmente cianobactérias.” O resultado é uma espécie de filme microbiano que aprisiona lama, que ao longo do tempo pode formar uma estrutura rochosa estratificada. Tal estrutura não é composta de bactérias em si, mas se trata de uma fina camada de sedimentos formada por “precipitação mineral induzida biologicamente”.[2]

Estromatólitos foram identificados pela primeira vez no início do século 20 em rochas do Paleoproterozóico, em Ontário, Canadá, por Charles Walcott, ex-diretor do Serviço Geológico dos EUA. Ele inicialmente idealizou que aquelas estruturas amontoadas eram algum tipo de recife antigo formado por algas. Foi na década de 1950 que os paleontólogos determinaram que os estromatólitos se tratavam, de fato, do produto de atividade biológica.[3] Essa conclusão foi confirmada pela descoberta de estromatólitos vivos na Austrália, na mesma década. Apesar disso, autores recentes têm sugerido uma possível origem não biológica para alguns desses fósseis.[4, 5]

Cientistas evolucionistas afirmam que os estromatólitos representam algumas das mais antigas formas de vida que surgiram na Terra, datando-os com cerca de 3,7 bilhões de anos.[6] Os fósseis mais antigos, do Grupo Warrawoona, na Austrália, são datados pelos cientistas evolucionistas em cerca de 3,3 a 3,5 bilhões de anos. Exemplares são encontrados ao redor do mundo em rochas carbonáticas (geralmente dolomitos) do Arqueano e Proterozóico, e, em menor extensão, em rochas do Cambriano e posteriores. Cientistas tentam explicar o rápido declínio de estromatólitos em rochas posteriores ao Cambriano, atribuindo esse fato ao súbito aparecimento de organismos pastadores, que se alimentariam das cianobactérias.[2]



O ENIGMA EVOLUCIONÁRIO DOS ESTROMATÓLITOS 

Ao acreditarem que os estromatólitos evoluíram há cerca de 3,7 bilhões de anos, os cientistas evolucionistas criam um problema para si mesmos no que se refere ao processo de origem da vida na Terra. Como as cianobactérias poderiam ter evoluído tão rápido? A vida teria que ter surgido e desenvolvido processos como a fotossíntese e colonização em menos de 1 bilhão de anos, assumindo que o planeta Terra surgiu há 4,55 bilhões de anos. Esses cientistas também acreditam que entre 4,1 e 3,8 bilhões de anos atrás a Terra foi massivamente bombardeada por meteoritos, evento denominado como Último Grande Bombardeamento.[4] Esse episódio é descrito como uma época em que muitos impactos de meteoritos atingiram a Terra e a Lua. Esses impactos teriam danificado consideravelmente a recém-formada crosta terrestre e destruído quaisquer formas de vida que existissem antes de 3,8 bilhões de anos atrás. Dessa forma, os pesquisadores colocam a si mesmos contra a parede. Como é possível explicar a formação de atmosfera, oceanos, o misterioso processo da abiogênese e a capacidade de realizar fotossíntese em uma “janela” de apenas 100 milhões de anos? A fotossíntese por si só é um processo extremamente complexo. Para a visão evolucionista, esse é um período de tempo extremamente curto para que todo esse conjunto de eventos possa ter ocorrido.[7, 8] 

OS ESTROMATÓLITOS SÃO FÓSSEIS VIVOS 

Embora os cientistas evolucionistas afirmem que eles remontam a bilhões de anos, os estromatólitos mostram pouca ou nenhuma evidência de evolução e também nenhuma indicação de longa idade. Os estromatólitos modernos são considerados fósseis vivos, como o celacanto. Eles mostram ter prosperado sem qualquer mudança evolutiva. Até o ano de 1956, os cientistas consideravam que os estromatólitos fossem formas de vida extintas. Foi quando ocorreu a descoberta de estromatólitos vivos florescendo em Shark Bay, Austrália, em ambientes de águas hipersalinas. Desde então, eles têm sido identificados em ambientes marinhos hipersalinos nas Bahamas e em atois na região do Pacífico Central. Foram também encontrados em lagos e cursos d’água na Espanha, Canadá, Alemanha, França, Austrália, Japão, etc. Embora esses sejam corpos de água doce, todos eles têm uma química da água incomum que permite que os estromatólitos prosperem.[2, 9] Pesquisadores estão encontrando colônias de estromatólitos vivos em ambientes cada vez mais diferenciados. A última descoberta identificou-os florescendo em terra na Austrália, em um ambiente caracterizado como pântanos ligados à turfa.[2]

Bernadette Proemse e seus colegas da Universidade da Tasmânia, Austrália, foram os primeiros a identificar estromatólitos vivendo como “tapetes lisos de estruturas globulares amareladas e esverdeadas crescendo na superfície molhada das barreiras de tufa”.[2] Os estromatólitos não estavam submersos em água, mas se elevavam acima dela, em um ecossistema rico em cálcio e alimentado por nascentes. Essa descoberta demonstra que estromatólitos recentes podem ser mais comuns do que se imaginava anteriormente. Pode ser que os cientistas e pesquisadores não os estejam procurando em terra, perto de nascentes de água doce. Continua...

(Texto original: Tim Clarey, PhD. Tradução e adaptação: Hérlon Costa e Thiago Soldani)

sábado, julho 14, 2018

A criação das plantas antes da luz (parte 2)

Uma leitura superficial dos primeiros capítulos de Gênesis pode trazer algumas dúvidas interessantes. Uma dessas dúvidas é com relação à existência das plantas antes da luz solar. Se o Sol teria sido criado no quarto dia, como as plantas sobreviveram sem a luz dele, sendo que elas foram criadas no terceiro dia e precisam de luz para sobreviver?

Gênesis 1:11, 12: "Então disse Deus: 'Cubra-se a terra de vegetação: plantas que deem sementes e árvores cujos frutos produzam sementes de acordo com as suas espécies.' E assim foi. A terra fez brotar a vegetação: plantas que dão sementes de acordo com as suas espécies, e árvores cujos frutos produzem sementes de acordo com as suas espécies. E Deus viu que ficou bom."

Como já explicamos na primeira parte desta série, Deus cria todas as plantas no terceiro dia da criação. E seguindo a narrativa bíblica temos a impressão de que as plantas não poderiam existir nem sobreviver sem a luz solar (ou qualquer outra fonte de luz) nesse terceiro dia da criação.

Sabemos que Deus é onipotente e poderia manter a criação em perfeito estado, dependendo somente Dele (Ap 21:23, 24). Porém, na narrativa bíblica vemos que as plantas ficaram no máximo 24 horas sem luz solar, já que essa luz apareceu somente no quarto dia. Não há problema nenhum em ficar um dia sem luz solar; na verdade, o período "sem luz" é essencial para a floração da planta.[1] Por meio de experimentos com fotoperíodo, deduziu-se que o estímulo para a floração resulta de determinado tempo ininterrupto no escuro e não da duração do dia. Algumas experiências provaram que a reação ao fotoperíodo é provocada pela folha.

Variação estacional do fotoperíodo em diferentes latitudes do Hemisfério Sul. Adaptado de Bergamaschi (2009)

Os fitocromos são pigmentos protéicos das células vegetais, que respondem pela absorção da luz, exercem influência na floração, na germinação de alguns tipos de semente. O fitocromo R, inativo, absorve luz de comprimento de onda de 660 nm; é a forma mais estável do pigmento. O fitocromo F absorve a luz vermelha de comprimento de onda mais longo: 730 nm, e é o pigmento ativo.

A Zamioculca (Zamioculcas zamiifolia) é uma planta que precisa de pouca luz solar para se desenvolver. Geralmente é cultivada em ambientes fechados e usada para ornamentação
Ou seja, o período escuro é tão importante quanto o período de luz em que a planta é exposta. Isso nos mostra que Deus preparou todos os detalhes da criação em perfeito estado de funcionamento. Todas as coisas foram criadas funcionando do jeito que era para funcionar.

Apesar de já termos a elucidação do problema de forma simples pelo texto, queremos dar outra explicação para essa criação das plantas "sem a luz do sol". Vamos ler o texto que se segue, Gênesis 1:14-19: "Disse Deus: 'Haja luminares no firmamento do céu para separar o dia da noite. Sirvam eles de sinais para marcar estações, dias e anos, e sirvam de luminares no firmamento do céu para iluminar a terra.' E assim foi. Deus fez os dois grandes luminares: o maior para governar o dia e o menor para governar a noite; fez também as estrelas. Deus os colocou no firmamento do céu para iluminar a terra, governar o dia e a noite, e separar a luz das trevas. E Deus viu que ficou bom. Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o quarto dia."

Evidentemente que no momento da criação já havia matéria presente na Terra antes do primeiro dia. Havia água, e água em estado líquido. Água cobrindo um planeta rochoso que estava sem forma e vazio. Sabemos que para haver água ou qualquer outra matéria é necessário que haja fótons. A água, como qualquer outra substância, é feita de moléculas. Moléculas são feitas de átomos conectados por forças eletromagnéticas. A própria estrutura do átomo existe por causa de forças eletromagnéticas, pois é esse tipo de interação que mantém a eletrosfera (nuvem eletrônica) presa ao núcleo do átomo. As interações eletromagnéticas consistem em fótons virtuais e reais. Não existem interações eletromagnéticas sem fótons. Sem interações eletromagnéticas, não há átomos, nem moléculas e nem matéria como a conhecemos.

O Sol já existia no momento da criação das plantas. Porém, do ponto de vista de um observador, ainda não era visto. Deus ainda não tinha "revelado" o Sol ao ponto de vista da Terra. Quem sabe os gases da atmosfera ainda cobrissem a face da Terra impedindo que a luz solar chegasse de forma plena. Quando Deus separa as águas da criação a narração nos diz que "apareceu a terra seca". E a mesma narrativa acontece no quarto dia da criação, quando o Sol "aparece" para a Terra. Devemos ter cuidado em analisar o texto, pois a expressão do versículo 16 "fez também as estrelas" não está explícita no original. Esse trecho apenas foi inserido para dar sentido ao texto.

Gênesis 1:16, onde podemos verificar que "fez também as estrelas" não pertence ao texto original
A teoria criacionista do intervalo-passivo dá conta de que o Universo é antigo, foi criado em um período anterior, em um tempo indeterminado. E a vida na Terra é jovem. Em seu livro Origens, o zoólogo e paleontólogo Dr. Ariel Roth, ex-diretor do Geoscience Research Institute, nos informa que esse modelo é considerado uma variação do criacionismo da Terra Jovem.[2: p. 330] O modelo defende que Deus criou o Universo (espaço-tempo), estrelas e sistemas planetários, incluso a matéria da Terra (partículas elementares) em eras anteriores (época indeterminada), mas preparou a Terra para a vida e criou a vida somente poucos milhares de anos atrás, em seis dias (note a semelhança com o modelo geral da Terra Jovem).[3]

Comparando os modelos da Terra jovem e do intervalo passivo

Nesse caso, a semana da criação relatada em Gênesis corresponde, portanto, somente ao período de modelagem da Terra (que sucedeu o período indeterminado desde a criação do Universo) para ter as condições necessárias para a existência da vida, bem como a própria vida em todas as suas manifestações.[4, 5] Nesse segundo caso, ainda, os demais planetas e luas do Sistema Solar teriam permanecido em seu estado original, sem forma e vazios, como eram desde o início da época indeterminada que precedeu a semana da criação.[1: p. 23]

Mais informações sobre o universo antigo e o intervalo passivo podem ser encontradas em outros artigos aqui no blog.

Então não vemos nenhuma contradição no relato da criação. Além da soberania de Deus, que é o Sol da justiça e poderia ter mantido a criação em pleno funcionamento até o surgimento dos "luzeiros", temos os fotoperíodos vitais para as plantas e que foram respeitados em Gênesis. Mas tudo indica que o Sol e todas as estrelas e astros do Universo já estavam presentes antes do primeiro dia da criação, conforme o modelo do intervalo passivo.

Alex Kretzschmar 


Referências:

[1] Zadoks, J.C., T.T. Chang, and C.F. Konzak. 1974. A decimal code for the growth stages of cereals. Weed Res.
[2] Roth AA. Alternativas entre a Criação e a Evolução. Capítulo 21, pp.328-41. In: Roth AA. Origens. 2. Ed. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2016.
[3] Sanghoon J. Interpretations of Genesis 1:1. Journal of Asia Adventist Seminary 2011; 14(1): 1-14.
[4] Coffin HG. Origin by Design. Hagerstown, MD: Review and Herald, 1983, 292–293.
[5] Widmer M. Older than creation week? Adventist Review 1992; 169(4):454-62.

sexta-feira, julho 13, 2018

E Deus nos abençoou com o surfactante pulmonar

O dilema de quem nos ensinou a respirar continua a ser uma pedra no sapato dos evolucionistas, pois todo e qualquer bebê, sob condições naturais, já nasce respirando e assim vai até o fim da vida; é como um instinto já programado para acontecer, que é acionado após a separação entre o feto e a mãe. E o que dizer da “época” em que nosso suposto ancestral estava desenvolvendo seus pulmões adaptados a uma vida terrena? Como ele teria sobrevivido sem um sistema respiratório tão complexo e irredutível quanto o do presente? Essas questões intrigam qualquer um que saiba pensar um pouco. A respiração é o mecanismo fundamental que permite aos seres vivos extrair a energia química armazenada nos alimentos e utilizá-la nas diversas atividades metabólicas do organismo. Para isso, os mamíferos contam com um sistema respiratório constituído por um par de pulmões e vários órgãos que conduzem o ar para dentro e para fora das cavidades pulmonares. São eles as fossas nasais, a faringe, a laringe, a traqueia, os brônquios, os bronquíolos e os alvéolos pulmonares, sendo os três últimos localizados nos pulmões. 

É nos alvéolos que toda a mágica acontece. Lá ocorre a hematose, onde o gás oxigênio difunde-se para os capilares sanguíneos, penetra nas hemácias e se combina com a hemoglobina. A partir daí será distribuído pelos tecidos, alimentando as células do organismo. Enquanto isso, o gás carbônico é expulso pelos pulmões através da expiração. 

Em média, um ser humano efetua 23 mil ciclos respiratórios por dia.[1] Entretanto, para que isso ocorra perfeitamente, muita coisa precisa operar nos devidos conformes. Os alvéolos apresentam certa tendência ao colabamento, isto é, o ato de comprimir sua estrutura tubular, fazendo com que suas paredes se toquem e se liguem umas às outras; isso resultaria no colapso alveolar que causaria dificuldade respiratória e hipóxia (baixa concentração de oxigênio no sangue), sendo fatal.[2] O grande fator responsável pela tendência ao colabamento dos alvéolos é um fenômeno conhecido por tensão superficial, que acontece devido à grande quantidade de moléculas de água revestindo a parede interna das estruturas pulmonares. Todavia, a tensão superficial no interior dos alvéolos seria bem maior do que já é se não fosse a presença, nos líquidos que os revestem, de uma substância lipoproteica chamada surfactante pulmonar, cuja função primária é minimizar essa tensão na interface alveolar, otimizando a mecânica da respiração e evitando o colapso alveolar, especialmente no fim da expiração. Isso facilita o funcionamento do sistema respiratório, aumentando a complacência dos pulmões e consequentemente diminuindo o esforço para se respirar, além de favorecer a entrada e circulação do oxigênio no sangue. Um verdadeiro milagre! 

Na ausência desse eficiente mecanismo, a vida de muitos seres vivos estaria comprometida, pois toda vez que um mamífero fosse respirar, seus alvéolos literalmente grudariam como grudam superfícies molhadas de papel, e ele morreria asfixiado. Quando há uma quantidade inadequada de surfactante nos alvéolos, ocorre a síndrome do desconforto respiratório, principalmente associada a recém-nascidos muito prematuros que não têm produção suficiente da substância para garantir uma respiração eficiente, o que causa uma enorme dificuldade para respirar.[2]

O surfactante é produzido ao longo do amadurecimento dos pulmões do embrião, após cerca de 28 semanas. Por isso, um nascimento prematuro pode causar a síndrome e mesmo a fatalidade.[3] Floros e colegas[4] demonstraram que a síndrome leva a atelectasia alveolar, edema e lesão celular; subsequentemente, proteínas que inibem a função do surfactante extravasam para dentro dos alvéolos aumentando o conteúdo de líquido no local. Esses mecanismos associados à imaturidade pulmonar do recém-nascido prematuro são incapazes de remover esse líquido adequadamente, e a baixa área de superfície para troca gasosa pode gerar importante dificuldade respiratória nos pacientes neonatais. 

Algo semelhante pode acontecer em vítimas do tabagismo, pois ratos cronicamente expostos à fumaça de cigarro apresentaram decréscimos significativos na quantidade de surfactante pulmonar.[5] 

Também anormalidades nos níveis de surfactante podem provocar doenças respiratórias, como a pneumonia causada por Pneumocystis carinii.[6] 

O mais curioso é que os surfactantes pulmonares precisam estar finamente ajustados para cumprirem seu funcionamento plenamente, foi o que relatou Jon Goerke, professor do Departamento de Fisiologia da Universidade da Califórnia.[2] Isso exemplifica a importância dos surfactantes em manter os pulmões sempre ativos e capazes de realizar as trocas gasosas adequadamente. Sem esse mecanismo, eu não estaria aqui para lhe contar esta bela história, nem você para ler. Agora, portanto, respire fundo e tente responder este novo (antigo) dilema: Quem veio primeiro, o surfactante ou os alvéolos pulmonares? 

(W. Augusto Gomes é biólogo e diretor de ensino e pesquisa do Núcleo Curitibano da SCB)

Referências:
[1] Hall, J. E. & Guyton, A. C. (2000) Textbook of Medical Physiology 10th Edition. W. B. Saunders Company. 
[2] Goerke, J. (1998). Pulmonary surfactant: functions and molecular composition. Biochimica et Biophysica Acta (BBA)-Molecular Basis of Disease, 1408(2-3), 79-89. 
[3] Friedrich, L. et al (2005). Prognóstico pulmonar em prematuros. J Pediatr (Rio J.), 81(1 Suppl), S79-88. 
[4] Floros, J. et al (1995). Dinucleotide repeats in the human surfactant protein-B gene and respiratory-distress syndrome. Biochemical Journal, 305(Pt 2), 583. 
[5] Subramaniam, S. et al (1996). Alteration of pulmonary surfactant proteins in rats chronically exposed to cigarette smoke. Toxicology and applied pharmacology, 140(2), 274-280. 
[6] Hoffman, A. G. (1992). Reduction of pulmonary surfactant in patients with human immunodeficiency virus infection and Pneumocystis carinii pneumonia. Chest, 102, 1730-1736.

quarta-feira, junho 13, 2018

A criação das plantas (parte 1)

A criação das plantas ocorreu no terceiro dia da criação, e foi algo bem simples. Deus ordenou e a Terra se encheu de vegetação. Essa narrativa simples tem despertado a curiosidade de muitos leitores e tem deixado detalhes interessantes sobre como isso ocorreu. O texto bíblico nos diz o seguinte: "Então disse Deus: 'Cubra-se a terra de vegetação: plantas que deem sementes e árvores cujos frutos produzam sementes de acordo com as suas espécies.' E assim foi. A terra fez brotar a vegetação: plantas que dão sementes de acordo com as suas espécies, e árvores cujos frutos produzem sementes de acordo com as suas espécies. E Deus viu que ficou bom" (Gênesis 1:11,12, Nova Versão Internacional).

Sabemos que o autor do livro de Gênesis não tinha intenção de classificar taxonomicamente toda a diversidade de flora e fauna criadas por Deus. A classificação se deu de forma muito simples e seguindo a limitação do autor. Podemos notar que temos três tipos de plantas criadas: A erva verde (דֶּ֔שֶׁא deshe), a erva que dê semente (עֵ֚שֶׂב eseb) e as árvores frutíferas (עֵ֣ץ פְּרִ֞י ets peri). O autor descreveu a vegetação rasteira em geral, as árvores e as árvores frutíferas resumidamente. 

Essa ordem criativa já nos desperta uma curiosidade tremenda do que aconteceu. Por uma dessas "coincidências" comuns no livro de Gênesis, temos na criação das plantas a mesma ordem em que as plantas teriam surgido segundo a teoria da evolução: Briófitas, Gimnospermas e Angiospermas. Esse detalhe faz com o texto bíblico tenha crédito até entre os mais céticos. 


Briófitas, Gimnospermas e Angiospermas

Na história evolutiva das plantas, sabemos que as "primeiras sementes" apareceram durante o Devoniano superior, o que tornou as plantas que as produziam independentes da umidade. Mas só no período Carbonífero é que podemos verificar melhor o surgimento dessas estruturas. Isso ocorreu, segundo a cronologia evolutiva, há 300 milhões de anos.[1]

Porém, o registro fóssil nos mostra alguns detalhes que não conferem com essa informação. Encontramos a pteridospermatophyta, uma ordem extinta de samambaias com sementes. Isso demonstra que houve uma "involução", pois hoje sabemos que as samambaias não têm sementes. Criacionistas sustentam que as espécies primordiais de plantas foram criadas prontas e após isso houve diversificação. O relato evolutivo e criacionista se confunde nesse desenvolvimento, pois, apesar de os surgimentos serem contraditórios, a microevolução posterior se seguiu normalmente com todas as espécies se adaptando nas regiões a que foram chegando após o dilúvio.


Fóssil de pteridospermatophyta

Porém, no segundo capítulo de Gênesis, temos algo intrigante. O texto diz o seguinte: "Ainda não tinha brotado nenhum arbusto no campo, e nenhuma planta havia germinado, porque o Senhor Deus ainda não tinha feito chover sobre a terra, e também não havia homem para cultivar o solo" (Gênesis 2:5, Nova Versão Internacional). Se as plantas foram criadas no terceiro dia, como o autor diz que nada havia brotado? 

Em Gênesis 2:5, não encontramos as três classes criadas anteriormente (deshe, eseb e ets peri), o que nos faz entender que aqui não se trata da criação das plantas. O texto fala claramente que por causa da chuva, e por falta de pessoas para cultivar o solo, essa planta não podia crescer. Que planta é essa que foi traduzida como "arbusto", e em outras versões como "planta do campo" ou "planta da terra"? É bem simples a resposta, que já está implícita no texto. Esse trecho se refere à agricultura. As palavras sadeh (הַשָּׂדֶ֗ה)  e  siach (שִׂ֣יחַ) Indicam que é um campo cultivado, um espaço reservado para o plantio. Ou seja, no capítulo 1 Deus criou as plantas e no capítulo 2 temos o relato do ato de cultivar essas plantas.

Então, concluímos que não há contradição entre os capítulos 1 e 2 de Gênesis. A narrativa e o texto original em hebraico nos fazem entender que os trechos são coisas distintas. Que a criação das plantas de forma resumida e simples se deu no capítulo primeiro e o começo da agricultura se deu no segundo capítulo.

Nas próximas postagens abordaremos detalhes de como essas plantas puderam se espalhar por todo o globo; e também falaremos do conceito das plantas no relato bíblico. Será que havia o ciclo biológico antes da queda do homem? Havia "morte" celular antes do pecado? Qual o papel das plantas nesse contexto?

[Alex Kretzschmar - Onze de Gênesis]

[1] SIMPSON, M.G. 2010. Plant Systematics. 7ª ed. London: Elsevier Academic Press.

quinta-feira, junho 07, 2018

Estudo revela que 90% dos animais surgiram ao mesmo tempo


Uma nova pesquisa que envolve a análise de milhões de códigos de barra de DNA desmascarou muito do que sabemos hoje sobre a evolução das espécies. Em um imenso estudo genético, o pesquisador associado sênior Mark Stoeckle do Programa para o Ambiente Humano na Universidade Rockefeller e o geneticista David Thaler da Universidade de Basel descobriram que 90% de todos os animais da Terra surgiram ao mesmo tempo. Mais especificamente, eles descobriram que 9 em cada 10 espécies de animais no planeta surgiram ao mesmo tempo que os humanos, cerca de 100.000 a 200.000 anos atrás (segundo a cronologia evolutiva). “Essa conclusão é muito surpreendente e eu lutei contra ela o máximo que pude”, afirma Thaler.

Durante a última década, centenas de cientistas coletaram cerca de 5 milhões de códigos de barra de DNA de 100.000 espécies de animais em diferentes partes do globo. Stoeckle e Thaler analisaram essas 5 milhões de impressões genéticas para chegar a uma das descobertas mais surpreendentes sobre evolução até agora.

Existem dois tipos de DNA. A maioria das pessoas conhece o DNA nuclear. Esse é o DNA que contém o esquema genético para cada indivíduo único. É passado dos pais para os filhos. O genoma é feito de tipos de moléculas arranjados em pares. Existem 3 bilhões desses pares, que são usados então para formar milhares de genes.

O outro tipo de DNA, menos familiar, é encontrado na mitocôndria das células. A mitocôndria gera energia para a célula e contém 37 genes. Um desses é o gene COI, que é usado para criar códigos de barra de DNA. Todas as espécies têm um DNA mitocondrial muito similar, mas seu DNA é também suficientemente diferente para distinguir entre as espécies.

Paul Hebert, diretor do Instituto de Biodiversidade de Ontário, desenvolveu uma nova forma de identificar espécies estudando o gene COI.

Ao analisar o COI de 100.000 espécies, Stoeckle e Thaler chegaram à conclusão de que a maioria dos animais apareceu simultaneamente. Eles descobriram que a mutação neutra entre espécies não era tão variada quanto se esperava. A mutação neutra se refere a pequenas mudanças no DNA que ocorrem ao longo das gerações. Eles podem ser comparados aos anéis das árvores, já que podem informar qual a idade de certa espécie ou indivíduo.

Quanto a como isso deve ter acontecido, é incerto. Uma provável possibilidade é a ocorrência de um evento abrupto. Um trauma ambiental em larga escala pode ter erradicado a maioria das espécies da Terra.

“Vírus, eras glaciais, novos competidores bem-sucedidos, perda de presas – tudo isso pode causar períodos em que a população de um animal reduz bruscamente”, argumenta Jesse Ausubel, diretor do Programa para o Ambiente Humano. Tais momentos dão origem a mudanças genéticas generalizadas pelo planeta, causando o aparecimento de novas espécies. No entanto, a última vez que tal evento ocorreu foi há 65 milhões de anos [segundo a cronologia evolucionista], quando um asteroide atingiu a Terra e (acredita-se) dizimou os dinossauros e metade de todas as outras espécies no planeta.

O estudo foi publicado no periódico Human Evolutionneste link.


Nota: Tudo indica que houve um “gargalo” na história da Terra, e que em algum momento dessa história os seres vivos simplesmente apareceram sobre o planeta, quase como num passe de mágica. O que isso lhe sugere? Cuidado! Você pode estar pensando em hipóteses perigosamente criacionistas... [MB]

Núcleo da Sociedade Criacionista Brasileira é fundado em Curitiba

No dia 12 de maio foi realizado o 1º Simpósio Criacionista do Núcleo Curitibano da Sociedade Criacionista Brasileira (NC-SCB). O evento marcou a inauguração das atividades do núcleo criacionista na cidade de Curitiba. O simpósio foi realizado no Espaço Bem pelo Bem, um centro de influência mantido pela Igreja Adventista do Sétimo Di Central de Curitiba. A Sociedade Criacionista Brasileira tem um projeto de expansão da divulgação do criacionismo pela América do Sul por meio da implantação de núcleos regionais. Os médicos da Clínica Adventista de Curitiba, a psiquiatra Karen Aguirres Guerra Lenz Betz e o neorologista Roberto Lenz Betz já haviam participado da fundação de um núcleo criacionista na cidade de Blumenau, SC. Chegando à Curitiba, resolveram juntar-se a um grupo de pesquisadores, como o estudante de biologia Weliton Augusto Gomes, a estudante de engenharia ambiental Tatielli Machado Pereira Costa, o geógrafo André Luiz Marques, o doutorando em Geologia Exploratória Hérlon Costa e o doutor em agronomia Jetro Turan Salvador, que já vinham somando esforços para fundar um núcleo na capital paranaense. O evento contou com a participação de 130 pessoas de diversas denominações religiosas, incluindo ateus. 

Os temas abordados foram a Cosmovisão Bíblica, com palestra apresentada por Alexandre Kretzschmar, diretor executivo do Núcleo Blumenauense da SCB (NBLU-SCB). Alexandre é teólogo, fundador do projeto Onze de Gênesis e autor do livro de mesmo nome. O outro tema foi a respeito dos dinossauros, apresentado pelo mestre em Imunogenética Everton Fernando Alves, membro fundador do Núcleo Maringaense da SCB (NUMAR) e autor de dois livros na área: Revisitando as Origens e Teoria do Design Inteligente

“Numa época em que a intelectualidade humana é rotineiramente colocada acima das Escrituras, o criacionismo se torna uma ferramenta importantíssima para apresentar Deus e Seus atributos ao mundo. Sendo Deus o Criador, é de se esperar que a natureza esteja repleta de Suas digitais, e o NC-SCB faz justamente isto: mostra por meio de evidências científicas que a Bíblia está com a razão”, disse Roberto Lenz, que coordena o núcleo. 

 O próximo evento do NC-SCB será a temporada "Descobertas", que também será realizada no Espaço Bem pelo Bem e inicia no dia 9 de junho. Interessados em participar dos eventos e também colaborar ativamente com o núcleo podem entrar em contato através do WhatsApp pelo número (48) 98403-4563, e também acompanhar o NC-SCB através do Instagram: Nucleocuritibanoscb, e pelo Facebook: Núcleo Curitibano-SCB. 

(Bruna Portes é jornalista da Clínica Adventista de Curitiba)

terça-feira, junho 05, 2018

Evolucionistas admitem: vida não poderia surgir na Terra


Essa não dá para perder! Trata-se de um novo artigo científico, “Causa da Explosão Cambriana – Terrestre ou Cósmica?”, que argumenta em favor da panspermia. Em outras palavras, a semeadura da vida na Terra vinda do espaço sideral. Publicado na revista Progress in Biophysics and Molecular Biology (Progresso em Biofísica e Biologia Molecular), ele vem trazendo uma impressionante lista de mais de trinta autores de instituições renomadas em volta do mundo. Os próprios editores do periódico são altamente confiáveis, incluindo Denis Noble da Universidade de Oxford. Darwinistas responderão com a usual risada sem graça da hiena. Mas não se trata de uma piada. Os proponentes do design inteligente falarão sobre o artigo por muito tempo, já que ele aborda os mesmos problemas que teoristas como Stephen Meyer do Instituto Discovery buscam resolver – a origem da informação biológica, a origem da vida, a origem de novos genes, a Explosão Cambriana, a aparição abrupta de outras vidas complexas na Terra, e até mesmo as origens humanas.

Discutimos outras explanações materialistas propostas do enigma Cambriano – a teoria do oxigênio, a teoria do lodo, a teoria do ponto da virada, a teoria do câncer, mais recentemente a teoria da pipoca. Esta, a teoria do espaço sideral, pelo menos tem a virtude de levar a sério o problema da informação biológica. As outras são absurdas. O apelo à panspermia é extremamente exagerado, mas interessante. Sim, eles estão tentando substituir teorias de origem terrestre com algo vindo de um filme de ficção científica. (De fato um muito divertido, Prometheus, de Ridley Scott.) Do Resumo do artigo:

“A vida pode ter sido semeada aqui na Terra por cometas que transportam vida assim que as condições na Terra permitiram que ela florescesse (por volta ou próximo de 4,1 bilhões de anos atrás); e organismos vivos resistentes ao espaço como bactérias, vírus, células eucariontes complexas, ovos fertilizados e sementes têm sido continuamente entregues desde sempre à Terra, sendo portanto um importante meio de evolução terrestre, a qual resultou em considerável diversidade genética e a qual levou ao surgimento da humanidade.”

Ao tratar da aparição abrupta dos animais, o artigo propõe que “ovos criopreservados de lula e/ou polvo chegaram em meteoritos centenas de milhões de anos atrás”, e que isso ajuda a explicar “o rápido surgimento do polvo por volta de 270 milhões de anos atrás”. Isso mesmo: eles argumentam, entre outras propostas extraordinárias, em prol de polvos e lulas alienígenas, vindos das estrelas.

Ao tratar da origem da vida, eles dizem que um “milagre” seria necessário para que isso ocorresse na Terra: “A transformação de um amontoado de monômeros biológicos apropriadamente selecionados (por exemplo, aminoácidos, nucleotídeos) em uma célula viva primitiva capaz de evoluções adicionais parece requerer a superação de uma barreira de informação de proporções superastronômicas, um evento que não poderia ter acontecido dentro da linha do tempo da Terra exceto, acreditamos, por um milagre (Hoyle and Wickramasinghe, 1981, 1982, 2000). Todos os experimentos de laboratório que tentaram simular tal evento até agora levaram a deprimentes fracassos (Deamer, 2011; Walker and Wickramasinghe, 2015). Parece então razoável irmos ao maior ‘local’ disponível com relação a espaço e tempo.”

A solução? “Uma origem da vida cosmológica parece então plausível e esmagadoramente provável para nós.”

E a origem de novas informações genéticas? É oriunda de vírus, segundo eles, “dentre os sistemas naturais mais ricos em informação do Universo conhecido”, tendo, novamente, sido transportados à Terra a partir espaço:

“Devemos então plausivelmente considerar os vírus dentre os sistemas naturais mais ricos em informação no Universo conhecido. Seu tamanho os define como alvos muito pequenos, minimizando a probabilidade de destruição por ondas de calor ou radiação ionizadora (Hoyle and Wickramasinghe [1979], Capítulo 1). Suas dimensões nanométricas plausivelmente permitem fácil transporte e dispersão em grãos de poeira micrométricos e outras matrizes protetivas físicas de tamanho similar. Eles são então vetores genéticos de tamanho de nanopartículas que contêm toda a informação essencial para assumir e liderar a fisiologia de qualquer célula-alvo com a qual eles entram em contato. Seu crescimento replicante significa que eles são produzidos, e existem em números enormes em escalas cósmicas; de tal forma que eles (e em menor escala quantitativa seus reservatórios celulares) podem sofrer grandes perdas por inativação ao mesmo tempo em que deixam resíduos de milhões de partículas sobreviventes ainda potencialmente infecciosas. O vírus é então um tipo de módulo comprimido em contato com a totalidade da habilidade da célula de crescer e dividir para produzir a prole de células e dessa forma evoluir.”

Eles então argumentam que a informação necessária para construir vida complexa chegou à Terra antes que a vida complexa surgisse: “Em outras palavras, podemos agora plausivel e cientificamente argumentar que uma característica-chave de sistemas genéticos de informação densa para fazer organismos mais complexos já estava presente na Terra antes da aparição de fato da maior complexidade terrestre subsequente.”

Assim como o design inteligente, esse é um argumento de informação pré-existente. E eles aplicam a mesma forma de explicação à origem de humanos, plantas e animais, os quais eles dizem terem sido infectados por “vírus ricos em informação”, que fizeram com que eles evoluíssem: “Os genes cruciais mais relevantes para a evolução de hominídeos, assim como de todas as espécies de plantas e animais, parecem ser prováveis em muitos aspectos de origem externa, sendo transferidos ao longo da galáxia por vírus ricos em informações.”

E quanto à questão mais importante de todas: De onde essas informações nesses vírus viajantes do espaço vieram originalmente? Eles nem mesmo mencionam isso. E quem pode culpá-los? Então enquanto dão a impressão de explicar a origem da complexidade biológica, eles estão apenas deixando a questão para trás. Isso é o que a panspermia geralmente faz.

Bem, de certa forma, a abordagem faz total sentido se você for um materialista e, como eles afirmam, você “não encontrar teoria científica alternativa ao modelo de Wickramasinghe de Panspermia Cósmica (Cometária) como o maior condutor de vida na Terra”. O artigo é uma admissão de que as teorias Cambriana e outras antigas falharam. Enquanto bizarra, literalmente, a solução do espaço sideral sugere que o materialismo pode estar no caminho de dar seus últimos suspiros.

(Evolution News & Science Today; tradução de Leonardo Serafim)

Criacionismo amplifica importância de preservar o meio ambiente


Os crescentes e violentos golpes contra o meio ambiente, principalmente em nome do capitalismo, têm fragilizado o planeta e o levado a enfrentar condições críticas. Isso foi reconhecido pelos 195 países que assinaram, no final de 2015, o Acordo de Paris sobre mudanças climáticas. Na ocasião, eles se comprometeram a trabalhar para restringir os níveis do aquecimento global para 1,5 °C. Hoje, dez nações são responsáveis por 70% da emissão dos gases de efeito estufa, incluindo o Brasil. A flora e a fauna também sentem os efeitos diretos das ações humanas: as mudanças climáticas têm aumentado a incidência de furacões e tsunamis, como lembra o geólogo Marcos Natal, que nesta entrevista pontua não apenas os desafios que isso representa para a população mundial, mas o que ela pode fazer para ajudar a amenizar tal situação. Atual presidente da Sociedade Criacionista Brasileira e diretor do Instituto de Pesquisa em Geociência para oito países da América do Sul, Natal ainda sublinha o papel que o criacionismo desempenha para incentivar a preservação da Terra

terça-feira, maio 29, 2018

Sobre elefantes e homens



Havia elefantes no Brasil! Bem, os mastodontes são primos dos elefantes e mamutes e essa manchete pode parecer bem interessante no contexto de nossa fauna atual. Inicialmente os mastodontes eram encontrados somente na América do Norte e acredita-se que sua extinção ocorreu no fim do pleistoceno, entre 10 mil e 11 mil anos atrás. Os mastodontes viviam em manadas e eram predominantemente animais de floresta, e possuíam um comportamento de forrageamento semelhante aos do elefantes atuais. Porém, nos últimos anos, muitos fósseis de mastodonte foram encontrados na América do Sul, principalmente no Brasil. No fim do mês de abril de 2018, pescadores catarinenses fisgaram uma mandíbula do animal no litoral sul-brasileiro.[1] O pesquisador Jules Soto, curador do Museu Oceanográfico da Univali disse: "É um grande achado. Não só por causa da espécie, mas por ser um lado da mandíbula quase inteiro. Isso é muito difícil de achar. Temos mais de 100 fósseis similares na coleção, vindos do Sul do Rio Grande do Sul, e nenhum deles está inteiro. Essa é uma peça enorme, que impressiona."

Com a mandíbula havia algumas vértebras: uma de preguiça-gigante (Lestodonte) e outra de uma espécie parecida com um hipopótamo (Toxodonte), o que indica que o ponto localizado pelos pescadores é um “sítio fossilífero”, local onde estão reunidos diversos fósseis.

Já haviam sido localizados nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, em Minas Gerais e no Sul do Rio Grande do Sul.[2] No período glacial, após o dilúvio, os animais já dividiam espaço com os primeiros seres humanos que migraram para a América do Sul. Provavelmente descendentes de Cam, filho de Noé. Há fósseis que comprovam, inclusive, que eram caçados e serviam de alimento. Um fóssil de elefante descoberto na Cordilheira dos Andes, por exemplo, indica que ele foi parcialmente assado de baixo para cima. Um gigantesco “churrasco” pré-histórico.


Mamute, elefante e mastodonte: comparativo de tamanho

O fato é que estamos encontrando evidências de que essa megafauna coexistiu com humanos e que esses humanos não eram nem de longe primitivos. Trocando em miúdos, estamos cada vez mais aproximando as descobertas paleontológicas com o modelo criacionista bíblico. Ora, se todos os animais originais saíram da arca em um período no passado é de fato muito comum encontrar essa interação entre humanos e animais "pré-históricos". Outra descoberta interessante que nos faz entender essa relação humana com os animais pré-históricos foi publicada na Science Advances[3] recentemente. Os preguiças gigantes não somente viveram com os seres humanos, mas eram caçados por eles.


Ilustração da preguiça gigante sendo caçada, exibida na Science Advances

Conseguimos seguir o rastro dessas migrações humanas seguindo os grandes bandos de animais em busca de sobrevivência em um período glacial após o dilúvio. Alguns até pintando em cavernas os objetivos de sua caça e outros esculpindo em ossos os animais que faziam parte dessa dieta "pré-histórica".


Escultura de um mastodonte em um pedaço de osso fossilizado, encontrado em Vero Beach, na Flórida

E as descobertas parecem não parar. Toda semana encontramos mais uma peça desse quebra-cabeça "pré-histórico" nos mostrando que pouco sabemos sobre o que ocorreu após o dilúvio. Em Curitiba, foram encontrados diversos ossos dessa "megafauna" que viveu no Sul do Brasil.[4] Uma variedade imensa de animais agrupada em um único local. Desde preguiças e tatus gigantes, crocodilos, marsupiais, animai de cascos (semelhantes a cavalos), aves do terror e até sparassodontes. O que mais chamou a atenção nessa recente descoberta foi a datação desses fósseis: de 39 a 42 milhões de anos. Sabemos que mastodontes e preguiças estiveram aqui muito antes disso e talvez essa "faixa de tempo" seja algo tão mágico que tudo pode acontecer nesse período. 

Estamos muito longe ainda de saber o que de fato aconteceu em nosso território brasileiro. E a cada dia a história nos conta mais alguns trechos. Descobertas, estudos e apontamentos cada vez mais próximos de montarmos essa maravilhosa história. Nas palavras do professor e paleontólogo da UFPR Fernando Sedor: "Há uma série de controvérsias sobre as rotas migratórias de animais e sobre como no passado eles estavam inseridos."

Os homens americanos estão cada vez mais civilizados e seus rastros apontam para respostas pós-diluvianas que estamos recentemente encontrando. Será que teremos que reescrever a história a partir dessas descobertas? Ou apenas devemos ignorar como eventos isolados sem conectividade nenhuma ?

Bem, estamos de olho!

(Alex Kretzschmar)


Referências:

[1] Achado do fóssil de mastodonte. Disponível em: http://dc.clicrbs.com.br/sc/estilo-de-vida/noticia/2018/04/pescadores-de-sc-acham-fossil-de-mastodonte-pre-historico-10323826.html. Acessado em 17 mar. 2018


[2] Mastodontes em território brasileiro. Disponível em: http://tatyoliveira24.blogspot.com.br/2016/08/fossil-de-mastodonte-e-encontrado-em.html. Acessado em 17 mar. 2018

[3] Preguiças gigantes sendo caçadas por humanos. Disponível em: http://advances.sciencemag.org/content/4/4/eaar7621. Acessado em 17 mar. 2018

[4] Fósseis Pré-históricos em Curitiba - https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2018/05/fosseis-pre-historicos-sao-achados-em-area-de-invasao-em-curitiba.shtml. Acessado em 21 mai.2018

Meu vídeo foi alvo do “ministério das fake news”


É impressionante ver como há pessoas que se divertem com a mentira, promovendo um verdadeiro “ministério das fake news”. Neste texto (confira) eu falo um pouco sobre essas notícias mentirosas e relembro aos esquecidos quem é o pai da mentira. Esses imitadores do inimigo já fizeram o Dr. Rodrigo Silva parecer terraplanista, já espalharam mentiras sobre pastores e líderes, e em tempos de crise se deleitam em criar alarde.

Anda circulando pelo WhatsApp uma versão editada de um vídeo que postei no dia 26/10/2017, no qual uso de humor para ironizar um boato espalhado na época (assista ao vídeo abaixo para saber do que se trata). Ocorre que um “ministro” da inverdade cortou meu vídeo e o está espalhando por aí, dando a impressão de que eu disse exatamente aquilo que tentei desmentir. Simplesmente lamentável.

Se você se deparar com essa versão editada/cortada do meu vídeo, por favor, não a encaminhe e avise a pessoa que lhe enviou que se trata de uma brincadeira de muito mal gosto. Seja um defensor da verdade. Antes de compartilhar qualquer conteúdo, seja foto, áudio ou vídeo, tenha certeza de que se trata de algo verdadeiro.

Michelson Borges

sábado, maio 26, 2018

Criacionismo e esperança


Quando pensa, o homem pensa guiado por algum tipo de estrutura conceitual complexa e abrangente. Por trás de suas ideias existe um pano de fundo, certo ponto de partida na forma de dogma, nem sempre fácil de explicar ou definir, mas fortemente poderoso, que lhe serve de orientação existencial. Por intermédio dessa lente, o homem enxerga a si mesmo, a realidade e o mundo, interpretando-se e interpretando o exterior mediante o instrumento da linguagem. Em outras palavras, “todo pensamento teórico tem como ponto de partida pressupostos fundacionais indemonstráveis, designados como axiomas, modelos, paradigmas, matrizes discursivas, epistemas, mundividências (ou cosmovisões), crenças, ideologias, etc.”. Evocando Blaise Pascal, no centro e no recôndito do pensamento humano pulsa um coração que “tem razões que a própria razão desconhece”.

Na esfera filosófico-científica, dois “corações” batem com vigor, cada um impactando o mundo de maneira diferente. Um deles pulsa concedendo vida a teses que concebem o Universo e a humanidade como resultados do mero acaso, acidente ou sorte, excluindo o propósito cósmico e pessoal do cenário da vida: este é o evolucionismo na sua forma mais radical. Outro “coração”, o criacionismo, insiste em bater com base no fato da Criação especial, imprimindo significado transcendente a tudo que existe e não excetuando de suas considerações o problema do mal e do sofrimento. Se ambos podem ser classificados como modelos ou estruturas conceituais, qual deles bate no ritmo certo da realidade e possui maior poder explanatório perante os fatos da história, as leis da natureza e as anomalias e absurdidades do mundo? Outra pergunta de grande importância: Como tais modelos podem estar relacionados com o anseio por esperança que o ser humano traz no íntimo?

Para Nancy Pearcey, estudiosa das cosmovisões, “todo sistema de pensamento inicia-se em algum princípio último. Se não começa com Deus, começa com uma dimensão da criação – o material, o espiritual, o biológico, o empírico ou o que quer que seja. Algum aspecto da realidade criada será ‘absolutizado’ ou proposto como base e fonte de tudo o mais – a causa não causada, o existente por si mesmo”. Dessa forma, conforme Langdon Gilkey, “quer o deseje, quer não, o homem como criatura livre deve moldar sua vida de acordo com algum fim último, deve centrar sua vida em alguma realidade última escolhida e deve submeter sua segurança a algum poder de confiança. O homem é, portanto, essencialmente, não acidentalmente, religioso, pois sua estrutura básica, como dependente e, todavia, livre, inevitavelmente enraíza sua vida em algo último”.

Enquanto na mentalidade cientificista as leis naturais são consideradas o fato bruto e último do Universo - concorrentes de Deus -, o pensamento criacionista aponta em direção à Causa pessoal não causada - o Criador eterno. Aqui há enorme diferença de concepções, pois, metafisicamente, o criacionismo sustenta-se sobre uma base supranatural não reducionista, conferindo à existência o sensus divinitatis. Entretanto, em sua visão limitada e encantados pelas leis da natureza, os cientistas materialistas acham inadmissível qualquer Presença pessoal por trás do cosmos. Por quê? Porque as leis naturais realmente nos causam espanto, a ponto de querermos torná-las os “deuses da matéria”. Aqueles que têm o privilégio de estudá-las a fundo ficam assombrados com a linguagem matemática dessas leis. Quem sabe o maravilhamento para com o Universo tenha sido o elemento responsável para conduzir alguns homens ao processo de “divinização” da natureza. Assim, a postura de muitos cientistas indica que, sutilmente, a natureza é “deificada”, mas de maneira bem diversa daquela do passado mitológico. O endeusamento atual é consequência do deslumbramento humano em face das leis físicas, químicas e biológicas, “adoradas” pela maioria daqueles que investigam os misteriosos e grandes segredos da vida. Nesse processo de investigação, infelizmente, o Legislador vem sendo ostracizado e desconsiderado por uns, e até zombado pelos mais acérrimos inimigos da ideia de um Deus pessoal – indivíduos competentes em sondar e descobrir coisas incríveis que olhos não treinados não são capazes de enxergar. Admiram-se diante da maravilha, mas olvidam o Maravilhoso; ou, como expressou A. W. Tozer, “o cientista moderno perdeu a Deus no meio das maravilhas do mundo de Deus”.

Porém, é difícil não perceber “o rumor de algo invisível por trás da Criação (...). Cada descoberta traz consigo novas perguntas que têm multiplicado os mistérios que nos cercam. O que está cada vez mais claro, porém, é que o movimento da descrição para a explanação está além da esfera da pesquisa científica unicamente. Do infinitesimal para o infinito, o design e a estrutura da natureza apontam inexoravelmente para as maravilhas de coisas ainda não vistas. A ciência continua a revelar a infraestrutura oculta da natureza. E com cada nova descoberta, surgem mais evidências de um tecido supranatural, que não somente abastece e anima o cosmo, mas também detém as derradeiras respostas acerca do Universo e da realidade propriamente dita. (...) Há alguma coisa não totalmente natural acerca da ‘natureza’”.

“No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gênesis 1:1). O coração do criacionismo bate nessa esperança fundamental. Crendo-se nas linhas iniciais de Gênesis, renuncia-se a pseudoconcepções que só deixam o homem ainda mais perdido e incompleto, entre as quais: “O ateísmo, inequívoca negação da existência de Deus, é falso porque Deus é. O materialismo, que pretende explicar todas as experiências da vida em termos das leis físicas, e nega a necessidade de crer em Deus como a Causa eficiente de todas as coisas, é falso porque aqui se vê que a matéria um dia começou a existir. O dualismo, ensinando que há dois princípios eternos, até mesmo dois seres divinos – um mau e outro bom – em oposição mútua, é falso porque no princípio havia Deus somente. O panteísmo, que afirma que tudo é Deus e Deus é tudo, identificando Deus e natureza, insistindo na eternidade da matéria, e asseverando que a matéria pode de si própria originar vida, é falso porque Deus estava fora de Sua criação. O politeísmo, que é culto a muitos deuses, é falso porque só havia um Deus criando. O evolucionismo, definido como a teoria de que, mediante processos naturais e por transformação gradual, todas as coisas derivam de materiais preexistentes, é falso porque céus e terra foram criados.”

Encontrar a verdade nos discursos mais extraordinários constitui uma possibilidade aberta ao teste da investigação histórica e científica. Afirmações suprarracionais que parecem não fazer sentido por causa de leituras enviesadas e interpretações enganosas, conhecimento fragmentário, pressupostos filosóficos, limitações do pensamento ou preconceito, podem ser encaradas como antigas verdades que ainda encontram correspondência na mente científica. Na procura por nossas origens, pela "ancestralidade comum universal", teremos de adotar algum discurso extraordinário, admitir certa metanarrativa, crendo e vivendo pelas evidências buscadas em todos os campos do conhecimento. É assim que formamos nossa visão de mundo, a qual precisa ser testada no laboratório da experiência humana.

Talvez para aqueles que analisam superficialmente as teses criacionistas, aos seus olhos estas não passem de obscurantismo alimentado pela superstição e arrogante pretensão dogmática. Nada mais equivocado! Visto mais de perto sem o olhar do preconceito e da ignorância, o criacionismo não só permite decifrações mais consistentes diante do enigma de “por que existe algo ao invés de nada?”, mas também incute fôlego cognitivo ao ser humano desejante de respostas que o salvem do seu “peso existencial”. Dessa forma, se a crença na evolução mecanicista causa incertezas e o desencantamento do mundo, aceitar os fundamentos essenciais do criacionismo significa receber um impacto de esperança: esperança que se traduz no passado originado pelo fiat divino, na realidade presente guiada pela Providência e no futuro em que a criação será renovada e revestida de glória inimaginável. Assim, o criacionista sente-se amparado pela benevolente Consciência supervisionadora que se encontra além da natureza e de suas leis. Para ele, explicar regularidades e fenômenos não é suficiente; constitui apenas uma parte do processo de investigação que começa com o mundo material, mas prossegue em trajetória até Deus. Nesse percurso, o visível e o invisível se entrelaçam, e o mundo da ciência encontra-se com o universo da fé. Logo, o criacionismo é uma cosmovisão permeada de esperança, porquanto, através de suas lentes, toda a realidade é observada e estudada sob o enfoque da criação e da redenção.

Como bem disse João Calvino: “O que seria de nós se não nos apoiássemos na esperança, e se nossos sentidos não se dirigissem para fora deste mundo, no caminho iluminado pela Palavra e pelo Espírito de Deus em meio a essas trevas?” O caráter extraordinário do criacionismo constitui um tremendo desafio à mente que procura por luz e sentido, e não somente por ciência e explicações. De mãos dadas com a fé, o criacionismo abre uma janela de perspectivas capaz de direcionar nossos pensamentos e afetos para além do mundo contingente; ele é uma ponte de esperança que une o “como” ao “porquê”. 

(Frank de Souza Mangabeira, membro da Igreja Adventista do Bairro Siqueira Campos, Aracaju, SE; servidor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Sergipe)