terça-feira, novembro 13, 2018

A evolução é um fato? Análise de três “evidências”


[Nossos comentários seguem entre colchetes. – MB/EL] Nestes tempos de dúvida e desconfiança em relação à ciência e ao conhecimento, é importante reafirmar verdades absolutas adquiridas através de muita pesquisa e trabalho duro de cientistas. A evolução, por exemplo, não é uma hipótese. É um fato. Por mais de 150 anos, desde que Charles Darwin propôs a teoria que o tornaria uma das pessoas mais conhecidas da história da humanidade, a Teoria da Evolução passou por mais escrutínio e investigação rigorosa do que qualquer outra afirmação científica – e isso só a fortaleceu. [Pois bem, já no primeiro parágrafo tentam associar teoria da evolução com ciência, conhecimento e verdade absoluta (imagino que quem escreveu isso não seja relativista). E, para variar, são bastante generalistas, ao afirmar que a evolução – que evolução? – não é uma hipótese, é um fato. De todas as áreas da pesquisa acadêmica, essa está entre as que utilizam os métodos menos rigorosos conhecidos. Afirmar o contrário é demonstrar total desconhecimento de como se faz pesquisa rigorosa avançada. Por exemplo, podemos afirmar com 5 ou 6 sigmas de certeza que todas as espécies da Terra vieram de um acestral comum? Como exatamente os dados foram avaliados quantitativamente para afirmar isso? Que famílias de modelos matemáticos suportam essa conclusão e quais são seus limites de validade?]

Embora muitas pessoas queiram fazer parecer que a evolução não é amplamente aceita dentro da comunidade científica, isso não é verdade. Em todas as universidades, instituições de pesquisa e organizações científicas, a evolução não é apenas aceita quase que universalmente, é também a base sobre a qual estão sendo feitas pesquisas importantes. [A macroevolução naturalista ou aspectos da teoria da evolução que, de fato, são científicos, como a seleção natural? A mesma generalização de sempre.] A evolução é a base da maior parte da ciência conhecida como biologia. [A evolução é irrelevante para desvendar os mecanismos que realmente fazem funcionar os organismos vivos; ficar imaginando cenários de como eles podem ter evoluído até a presente situação tem desviado o foco do desenvolvimento de métodos de pesquisa realmente avançados, causando um atraso desnecessário; principalmente a partir da década de 1990, físicos têm começado um trabalho para ajudar a compensar esse atraso, mostrando como usar métodos matemáticos na pesquisa em Biologia.]

Caso você precise argumentar sobre o fato da evolução ser, bem, um fato, e não uma hipótese, o portal Futurism listou três evidências que podem ajudar nessa empreitada: [Evidências são usadas para provar um fato? Parece haver um problema conceitual fundamental aqui.]

Traços comuns, ancestrais comuns

“Pense na sua família. Você e seus parentes mais próximos são mais parecidos do que você e seus primos. Da mesma forma, você se parece mais com seus primos do que com parentes mais distantes e mais com parentes distantes do que com pessoas do outro lado do globo. Quanto mais próximo você estiver relacionado, em geral, mais semelhanças você compartilha. É claro que essas semelhanças se estendem muito além do nível da superfície, alcançando nossa genética”, afirma o texto.

Esse padrão de semelhanças entre parentes mais próximos se estende por toda a vida na Terra. Essas semelhanças são conhecidas como “sinapomorfias”. São características que estão presentes em espécies ancestrais e são compartilhadas exclusivamente (em forma mais ou menos modificada) pelos descendentes evolutivos dessa espécie. As sinapomorfias vêm em hierarquias aninhadas relacionadas à variedade e intensidade das semelhanças.

Isso acontece porque as semelhanças foram herdadas de ancestrais comuns, e quanto mais atrás no tempo quaisquer duas espécies compartilham um ancestral comum, mais distantes as semelhanças se tornam. Você e seus primos compartilham os mesmos ancestrais comuns nos seus avós, mas você e seus irmãos compartilham ancestrais mais próximos – seus pais. [Ancestralidade humana comum está plenamente de acordo com o que afirmam os criacionistas bíblicos, afinal, descendemos mesmo de uma família ancestral, a de Noé.]

O texto destaca que espécies com um grande número de semelhanças tendem a viver perto umas das outras. Pinguins vivem apenas no Hemisfério Sul, marsupiais vivem quase exclusivamente na Austrália, cactos quase exclusivamente nas Américas, lêmures em Madagascar, etc. “Se a evolução não fosse verdadeira, esse padrão geográfico não faria absolutamente nenhum sentido. Além disso, essas semelhanças muitas vezes parecem ser completamente arbitrárias, em vez de terem alguma vantagem seletiva.” A imagem abaixo é um bom exemplo das semelhanças adquiridas por um ancestral em comum: embora sejam incrivelmente diversos, os insetos têm seis patas. Há provavelmente várias centenas de milhares de espécies de insetos e todas têm praticamente o mesmo plano corporal. [O criacionista argumenta que essas semelhanças são a assinatura do Projetista, não evidência de macroevolução. Criacionistas não são fixistas. Acreditam que as espécies mudam e se diversificam com o tempo, até de maneira muito rápida por meio de mecanismos epigenéticos. O que os criacionistas contestam é que todos os organismos vivos possuem um ancestral comum, assim como as escalas de tempo.]

Espécies mudando com o tempo

A Teoria da Evolução de Darwin se tornou possível através da descoberta de fósseis de animais que habitavam a Terra milhões de anos atrás [segundo a cronologia evolucionista], mas que deixaram de existir. Os primeiros paleontólogos perceberam que espécies que viviam no passado são muitas vezes drasticamente diferentes de qualquer coisa viva hoje. Trilobites, dinossauros, preguiças gigantes, entre outros, sugerem que a vida na Terra mudou com o tempo. [Não é correto usar como exemplo de animais atuais animais extintos. A ideia do parentesco é forçada. Quanto aos preguiças gigantes, são exatamente iguais aos seus parentes modernos, só que... gigantes.]

Quanto mais voltamos no tempo, mais diferentes as espécies são quando comparadas com as espécies de hoje. [Não é o que se vê quando são encontrados seres vivos que têm correspondentes atuais. Tirando algumas características morfológicas e o tamanho, insetos, peixes, anfíbios, aves de “milhões de anos” são praticamente idênticos aos descendentes modernos.] Essas tendências gerais também podem ser vistas no nível individual, já que as linhagens podem ser vistas mudando com o tempo. [Diversificação de baixo nível é um fenômeno defendido pelos criacionistas.]

Como sabemos, no entanto, que as progressões de fósseis não representam apenas espécies separadas e não relacionadas? Primeiro, eles têm semelhanças que sugerem que eles estão relacionados. [Assim como uma moto, um avião, um carro e uma bicicleta mostram semelhanças...] Em segundo lugar, essas progressões representam uma tendência, também conhecida como progressão de mudança. Por exemplo, ao longo do tempo, as espécies vão da baixa expressão de uma determinada característica à expressão intermediária e à alta expressão. Como a evolução das pernas, por exemplo. Não há elos perdidos na evolução. [Óbvio que não há elos perdidos! Mas queria que me explicassem como uma escama de réptil deu um salto evolutivo e se transformou em algo tão especificamente complexo como uma pena.]

“Os fósseis não são a única maneira de vermos a mudança de espécies. Podemos ver isso em um laboratório, através da distribuição geográfica como uma espécie se espalha, ou através de seleção artificial realizada por seres humanos”, ressalta o texto. [Repito: evidências de diversificação de baixo nível não provam jamais a macroevolução, a menos que se façam extrapolações filosóficas.]

Falhas genéticas

As espécies carregam marcas de onde vieram. Esses sinais de origem podem vir na forma de traços reaproveitados, características que prejudicam as chances de uma espécie sobreviver ou se reproduzir. Simplificando, as espécies são falhas, e são essas falhas que contam claramente a origem natural delas.

A maioria dos mamíferos pode produzir vitamina C. Eles não precisam se alimentar de frutas ou outros alimentos com vitamina C em sua dieta. Não é o caso para os humanos. Nós tivemos ancestrais que comeram frutas ricas em vitamina C por tanto tempo que nossos genes produtores de vitamina C sofreram mutações há muito tempo. [Olha a hipótese sem comprovação aí...] Nós, no entanto, ainda possuímos seu remanescente na forma de pseudogenes. [Quem disse que “involução”, perda de uma característica seria evidência de evolução ascendente? Pelo contrário: trata-se de evidência do criacionismo.]

Com estes três fatos [sic] em mente, temos a habilidade de olhar para qualquer espécie e perguntar algumas coisas. Por exemplo: ela compartilha semelhanças com outras espécies que podem sugerir que elas estão intimamente relacionadas? Podemos perguntar também se existem mudanças progressivas nessa espécie que podem ser vistas no registro fóssil, na história registrada ou na geografia, ou mesmo se a espécie em questão tem algum traço que seja remanescente das suas gerações passadas.
As respostas para essas perguntas mostram como a evolução é uma realidade da natureza – e uma de suas maiores belezas.

“Essas três simples perguntas podem, se você permitir, transformar a maneira como você olha para o reino biológico ao seu redor. Continue. Pergunte à vontade. A biologia nunca será a mesma”, conclui o texto do Futurism. [Sim, devemos sempre perguntar, a começar por esta pergunta: Quanto há de verdadeiramente científico nos argumentos evolucionistas e quanto disso é mera hipótese baseada em evidências mínimas? Observar coisas e ficar imaginando explicações ad hoc é um processo de pensamento pré-científico e não confiável. Quando se faz isso, frequentemente escolhe-se arbitrariamente uma entre milhares de explicações possíveis mas trata-se a possibilidade escolhida como se fosse a única. E o pior é que se tem observado uma tendência afirmar aquela possibilidade como fato em casos assim, incluindo o da hipótese da ancestralidade comum. Nas pesquisas avançadas, o processo tem sido o inverso: parte-se da expressão matemática de leis conhecidas, as quais, combinadas, formam uma teoria científica, com escopo geral. Ao ser aplicada a casos particulares, essa teoria gera modelos matemáticos que têm feito previsões que têm surpreendido os próprios pesquisadores envolvidos na elaboração dos modelos. Essas previsões têm-se confirmado por experimentos rigorosamente desenvolvidos e avaliados por métodos estatísticos que atestam alta confiabilidade. É assim que se faz pesquisa científica. O contrário disso é exatamente o que o texto propõe: conclusões ad hoc baseadas em observações interpretadas por um viés. E esse viés passa a ser chamado de “fato” e de “verdade absoluta”.]

[Se essas são as melhores evidências de que os evolucionistas dispõem, isso significa que a “coisa” está feia!]

A evolução do instinto animal

O que significa agir por instinto? Animais e seres humanos possuem instinto, mas é importante defini-lo. Primeiro, devemos compreender que os estudos do comportamento animal, o que inclui os instintos, são aprofundados por meio de uma área de pesquisa chamada Etologia. Ela é relativamente recente. Originou-se na Europa, na década de 1930, por iniciativa de Konrad Lorenz e Nico Tinbergen. Mas, antes dela, Charles Darwin já havia dado algumas contribuições para o campo do comportamento animal.[1]

É importante ter conhecimento de que os estudos em Etologia têm como base a cosmovisão evolucionista. Ser criacionista não tira de nós a necessidade de conhecer o modo como os evolucionistas interpretam as pesquisas científicas nas mais diferentes áreas. Inclusive sabemos que há alguns pontos em comum entre essas diferentes cosmovisões (o que inclui o processo de microevolução e a seleção natural, mas não nas mesmas intensidades). Um conhecimento sólido e crítico só é construído graças ao estudo de ambos os “lados da moeda”.

De acordo com Charles Darwin, “um ato que para nós exigiria experiência para desempenhar é em geral considerado instintivo quando é desempenhado por um animal, mais ainda se for um animal jovem sem experiência, ou por muitos indivíduos que da mesma forma não conheçam sua finalidade” (p. 321). Os instintos são importantes para o bem-estar das espécies, quando suas condições de vida são alteradas podem ocorrer pequenas modificações nelas.[2]

Podemos citar a formiga saúva. Existem mais de 200 espécies delas. Elas vivem em colônias e apresentam subdivisões de tarefas entre os membros do formigueiro. Os bitus são os machos, eles acasalam com as fêmeas e morrem logo após. As cortadeiras cortam folhas e carregam para o formigueiro; os soldados protegem a colônia contra a invasão; as enfermeiras cuidam dos ovos, dos casulos e das pupas; e a tanajura (fêmea) realiza o voo nupcial com os bitus na primavera, sendo fertilizada. Depois desse episódio ela cai no solo, arranca as próprias asas e inicia a formação de uma nova colônia.[3]

Haja organização! Com certeza, há uma quantidade imensa de informação sobre esses organismos; apenas pincelamos de leve. Como teria surgido toda essa estrutura organizada entre a colônia das formigas saúva? Cada uma sabe sua função e a faz com perspicácia. De onde veio toda essa informação? Como a tanajura teria desenvolvido a “técnica” de arrancar as próprias asas no momento certo para reiniciar o processo de construção de uma nova colônia?

Para Darwin, mesmo os instintos mais complexos surgiram a partir de pequenas variações, conforme a necessidade da espécie às modificações do ambiente. Essas variações seriam acumuladas até onde se mostrassem vantajosas pela ação da seleção natural.[2] Como ações necessárias para a sobrevivência de uma espécie poderiam surgir lenta e gradualmente (milhões de anos)?

Richard Dawkins, biólogo evolutivo e etólogo (proeminente crítico do criacionismo), defende a ideia de que o instinto tenha surgido a partir do aprendizado pela observação. Em entrevista ele cita uma família de aves – Turdidae, nela estão aquelas popularmente conhecidas como sabiás ou tordos. Para se alimentar de certos caramujos, essas aves são capazes de esmagar conchas. Conforme Dawkins, um ancestral da espécie teria aprendido a maneira correta de esmagar uma concha. Esse comportamento teria sido copiado, as aves foram aprendendo e o comportamento foi sendo repetido pelas gerações seguintes por meio da observação.[5]

Como esse comportamento aprendido teria sido transmitido para uma próxima geração? O que seria transmitido não é a informação de como quebrar a concha, mas uma tendência genética capaz de acelerar o aprendizado desse comportamento. Assim, a seleção natural selecionaria os genes por muitas gerações, criando um “pool genético” (conjunto de genes presentes em uma população).[5] No caso, não haveria origem de novos genes que expressem tais comportamentos, mas a seleção daqueles que se adaptam às condições de sobrevivência da espécie pela seleção natural.

Outro exemplo dado por Dawkins foi acerca do comportamento aprendido por observação de uma espécie de ave conhecida por “tits”, pertencente à família Paridae (que inclui muitas espécies de chapim). Ele conta que, quando era criança, época em que havia entregadores de leite de porta em porta, as garrafas de leite tinham tampas de papelão ou papel laminado. Essas aves descobriram meios de abrir as tampas e tomar o leite do interior das garrafas. Por meio da observação, outras aves foram aprendendo e adquirindo esse hábito. Com isso, as gerações que aprendessem com mais rapidez teriam mais alimento disponível, havendo mais proles desses indivíduos para transmitir esses genes às gerações seguintes. Conforme citado acima, a transmissão seria de genes que possibilitem o rápido aprendizado para essa característica [5].

A aprendizagem por experiências específicas pode gerar alterações no comportamento do organismo, mas “a capacidade para aprender depende da organização do sistema nervoso estabelecida durante o desenvolvimento, seguindo instruções codificadas no genoma [conjunto de genes presente em uma espécie]. A aprendizagem em si envolve a formação de memórias por mudanças específicas na conectividade neuronal” (p. 1.138).[6]

Caso a hipótese do instinto surgido a partir da aprendizagem pela observação seja real. Como instintos complexos presentes em organismos “mais simples” teriam se estabelecido? De onde veio a informação genética que possibilitasse o desenvolvimento de tais comportamentos? A capacidade neural de uma aranha obviamente não será a mesma que a de um mamífero ou ave, por exemplo.

Como a aranha é capaz de fabricar a seda para a sua teia com características que intrigam tanto os cientistas? Alto nível de resistência, elasticidade e mais forte que o aço (nas mesmas dimensões)?[7] Essa ação não é pensada, é instintivamente realizada. Como compreender a origem da informação complexa e especificada presente na carga genética das aranhas?

Moema Patriota

Referencias:

[1] BERTELLI, Isabella. As contribuições da Etologia paraa Psicologia. 2008.  

 

[2] DARWIN, Charles. 1809-1882. A origem das espécies; tradução Carlos Duarte e Anna Duarte. São Paulo: Martin Claret, 2014.

 

[3] SOUZA, Ricardo. Formiga saúva/Atta spp. 2010. 

 


[6] REECE, J.B... [et al.]. Biologia de Campbell. 10ed. Porto Alegre: Artmed, 2015.

[7] MONTENEGRO, R. V. D. A teia da aranha.

sexta-feira, novembro 09, 2018

A verdadeira história de Moisés. É a Super que sabe?


Mais uma vez a revista Superinteressante, que adora tratar de temas bíblicos de um jeito polêmico e questionador, quase sempre perto do Natal (pois assim vende mais), traz um título avassalador para uma de suas matérias: “A verdadeira história de Moisés”, acompanhado do subtítulo: “Como um rei megalomaníaco, muita geopolítica e uma farsa de proporções bíblicas criaram a saga de Moisés – o herói que foi sem nunca ter sido”. Agora, sim! Esqueça a Bíblia, pois a Super tem a verdadeira história – como sempre. O texto afirma, entre outras coisas, que os israelitas jamais moraram no Egito, que Moisés não escreveu a Torá, e por aí vai. Vou deixar aqui o link para você conferir por si mesmo. Providencialmente, o Dr. Rodrigo Silva, apresentador do programa “Evidências”, da TV Novo Tempo, e doutor em Arqueologia Clássica pela USP, tratou desse tema em seu último programa. Está aí para você assistir e comparar com a “verdade” da Superinteressante. [MB]


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segunda-feira, novembro 05, 2018

Novo núcleo da SCB inicia atividades em Criciúma, SC


O Núcleo Criciumense da Sociedade Criacionista Brasileira (Nucri-SCB) iniciou suas atividades na cidade sul-catarinense de Criciúma. O pontapé inicial foi a participação de três representantes da cidade no 1º Encontro de Núcleos da SCB na região Sul, realizado entre os dias 28 e 30 de setembro, no Centro Adventista de Treinamento e Recreação (Catre-SC), em Governador Celso Ramos, SC. Na ocasião, esses representantes puderam trocar experiências com diretores de núcleos já consolidados e receber informações úteis para o estabelecimento de um núcleo, processo que passa antes pelo estágio de grupo.

Tiago Moreti foi um dos participantes do encontro em Governador Celso Ramos. Ele é biólogo e mestre em Biotecnologia, e afirma que “a importância dos núcleos criacionistas está, em primeiro lugar, em fazer com que as pessoas observem, contemplem a natureza, este mundo maravilhoso na perspectiva de que elas se voltem para Aquele que criou tudo isso, e assim possam se assegurar de que nossa vida está sob o controle de um Deus criador e não à deriva do acaso. O segundo ponto, que complementa o primeiro, é de lançar ao mundo secularizado, que coloca os resultados científicos como fatos contra Deus, uma observação mais minuciosa. De que a ciência com ‘C’ maiúsculo aponta para o criacionismo, porque os resultados mostram um ajuste fino do Universo, um planeta com uma perfeita ordem inexplicável e seres com uma complexidade biológica que não poderia existir por acaso e por modificações lentas apoiadas em criação de variabilidade aleatória”. Tiago foi eleito diretor de ensino e extensão do grupo Nucri-SCB.

O coordenador do futuro núcleo, Edson Carlos Rodrigues, licenciado em Matemática e mestre em Educação, crê que nos últimos dias o debate sobre a criação estará no centro do grande conflito, “daí a importância de se estabelecerem núcleos no maior número possível de cidades. É urgente que nos aprofundemos no estudo, na pesquisa e na propagação do criacionismo”.

Para a diretora-executiva do Nucri-SCB, a bacharel em Direito e licenciada em História Emanuela dos Santos Borges, “é importante difundir a teoria criacionista para o maior número de crianças, adolescentes, jovens e adultos, em idade escolar ou não, acadêmicos e estudantes de nossa região, que necessitam entrar em contato com esse rico conhecimento tão menosprezado. Precisamos estar bem fundamentados a fim de estar ‘sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que nos pedir a razão da esperança que há em nós’ (1Pd 3:15)”. Emanuela é irmã do pastor e jornalista Michelson Borges, segundo vice-presidente da SCB e incentivador da criação do núcleo criacionista em sua cidade natal.

O Nucri-SCB teve sua primeira reunião no dia 7 de outubro e, em seguida, os membros se organizaram para dirigir a programação do dia 27, o Sábado da Criação. “A programação foi muito boa; creio que cumpriu o propósito. O objetivo era divulgar o Sábado da Criação, comemorado mundialmente sempre no último sábado de outubro, com o intuito de divulgar o criacionismo nas igrejas e comunidades. Fizemos toda a programação, desde a recepção, direção da Escola Sabatina, informativo, louvores, adoração infantil, mensagens musicais, sermão, e apresentamos à igreja o recém-formado Nucri-SCB”, relata Emanuela.

Para a data, foi feita uma decoração especial, com planetas e estrelas, o sistema solar, e houve projeção de imagens do espaço sideral em um telão. “Na apresentação do núcleo, contamos um pouquinho da história e dos propósitos da SCB, e dissemos qual o objetivo principal da organização de núcleos pelo Brasil. Depois convidamos todos os que quisessem se unir a nós. A programação uniu mais o grupo e observamos que nosso trabalho em equipe deu um resultado muito bom”, finaliza a diretora.

Com a ajuda do designer Alexandre Kretzchmar, de Blumenau, foi produzido um banner para o núcleo e um marca-páginas com o logo do Nucri-SCB (também criado pelo Alexandre), o qual foi distribuído para todas as pessoas que estiveram na programação.

quarta-feira, outubro 31, 2018

Terremoto quebra placa tectônica ao meio e faz geólogos “tremerem”


Em 7 de setembro de 2017, um terremoto de 8,2 na escala de magnitude atingiu a região sul do México, matando dezenas e ferindo centenas de pessoas. Embora os terremotos sejam bastante comuns na região, esse impactante acontecimento não foi exatamente um tremor corriqueiro. E o motivo disso é que parte da placa tectônica responsável pelo terremoto, de quase 60 km de espessura, foi totalmente dividida ao meio, conforme revela novo estudo publicado na revista científica Nature Geoscience. Tudo isso aconteceu em questão de segundos, coincidindo com uma colossal liberação de energia. “Se entendida como um imenso bloco de vidro, essa ruptura causou uma enorme fenda exposta”, diz o autor principal Diego Melgar, professor assistente de sismologia de terremotos na Universidade de Oregon. “Todos os indícios apontam que a placa se quebrou em toda a sua espessura.”

Fragmentações de tamanha dimensão foram observadas anteriormente em poucos lugares do mundo, tendo todos esses épicos terremotos algo em comum: ninguém sabe de verdade como acontecem. E essa lacuna de conhecimento é grave, porque enormes populações, desde a costa oeste das Américas até os litorais lestes do Japão, podem estar sob a ameaça desses enigmáticos terremotos.

Uma coisa é certa, esses tremores profundos podem causar forte estremecimento de uma ampla área e destruir diversos prédios de vários andares. Um deles ocorreu na cidade chilena de Chillán, em 1939, por exemplo, e matou pelo menos 30 mil pessoas. E, quando ocorrem em área próxima à linha costeira, o potencial destrutivo pode ser exponencial.

“Minha maior preocupação com esse tipo de acontecimento é o tsunami”, diz Melgar.
As placas tectônicas, também conhecidas como placas litosféricas, são compostas da crosta do planeta e do manto superior, que é quente, embora sólido. Elas se movem constantemente pela superfície terrestre, seja raspando uma na outra, encavalando-se uma na outra e formando montanhas ou descendo para baixo de outra placa, no que se denomina zona de subducção.

Nessas diversas fronteiras entre placas, os terremotos ocorrem quando a fricção gera uma tensão que acaba sendo liberada. Mas também podem acontecer tremores em locais distantes dessas fronteiras, na parte da placa que estiver sendo empurrada através de uma zona de subducção e para dentro do manto inferior. “Ao entortarmos uma régua, pode-se ver a metade superior se estendendo e esticando, enquanto a parte inferior se aperta e se comprime”, observa Melgar. O mesmo vale para essas placas. Esse entortamento pode ativar falhas dentro da placa e ocasionar os chamados terremotos intraplacas.

Os tremores intraplacas acontecem o tempo inteiro, em magnitudes baixas ou médias, normalmente em falhas que envolvam movimentação lateral ou o empurramento ascendente de um bloco. Ocasionalmente, ocorrem alguns incrivelmente fortes nas chamadas falhas normais, quando a movimentação de um pedaço de rocha é conduzido pela gravidade e cai.

Melgar aponta o terremoto de Sanriku, em 1933, no Japão, que ocorreu a uma magnitude de 8,5, como bom exemplo desses tremores normais intraplacas. Outro exemplo seria o terremoto de Tarapaca, no norte do Chile, em 2005, com 7,8 de magnitude. Às vezes, assim como ocorreu no sul do México, a ruptura pode cortar a placa ao meio. Acredita-se que o mesmo aconteceu no subsolo do Irã, em 2013, num tremor de magnitude 7,7.

Apresentando ou não esse nível de gravidade, esses potentes terremotos são, em essência, misteriosos. Os levantamentos sísmicos utilizados para visualizar os movimentos tectônicos não chegam a penetrar em tamanha profundidade. O mapeamento das placas oceânicas também está no início, não havendo muitos dados históricos em alta resolução. Isso significa que os geocientistas estão ávidos por formas de explicar melhor o que acontece. [...]

Bem mais problemático é o inacreditável alcance da ruptura, que chegou a uma profundidade de cerca de 75 quilômetros. Nesse ponto, as temperaturas ultrapassam 1.100 ºC, o que é quente o suficiente para que a placa rochosa se comporte mais como um plástico mole. Um tremor como o de Tehuantepec requer que a rocha esteja mais fria e, portanto, mais dura, para ficar mais quebradiça. [...]

Parte da solução, de acordo com a equipe de Melgar, pode envolver os lençóis freáticos. Movimentando-se para dentro da zona de subducção abaixo da placa norte-americana, a placa de Cocos entorta e quebra. Isso dá origem a falhas normais, que recebem água do mar. Ao passar por dentro da zona de subducção em direção ao manto inferior, a placa se aquece e se desidrata. Essa desidratação cria fraquezas mecânicas e pode causar um fraturamento quebradiço, criando pequenos tremores ou até mesmo um grande terremoto. A mesma teoria vale nos casos dos terremotos de 2013 no Irã e de 2005 no Chile. [...]


Nota: Se um único evento sísmico é capaz de quebrar uma placa inteira, imagine um cenário catastrófico global, com múltiplos terremotos e extensos derrames de lava. Toda a crosta terrestre poderia ser fragmentada em pouco tempo. [MB]

segunda-feira, outubro 29, 2018

A sensação escatológica


Escatologia é uma palavra de origem grega, peculiar ao vocabulário teológico. Ela diz respeito ao estudo dos eventos finais relacionados à história da Terra e do gênero humano. Marcada por forte semântica de sobrenaturalidade, a escatologia, embora negada e combatida pelo racionalismo, faz-se sentir de forma universal como aura misteriosa a circundar o mundo. 

Pressente-se um intenso “clima de fim” envolvendo os sentimentos, os pensamentos e os discursos (políticos, religiosos, científicos, filosóficos, etc.) da sociedade em geral. Estamos tomados por algo que eu chamo de “sensação escatológica”: certa intuição de insegurança, instabilidade e incerteza que se apossou de quase todos. É como se os acontecimentos da vida, na esfera individual e coletiva, rumassem descontroladamente para o precipício, sendo conduzidos até à consumação. O que está acontecendo?

Desde tempos muito remotos, formas de apocalipse sempre se fizeram presentes no inconsciente coletivo da humanidade. A sensação escatológica perpassou crenças, sistemas e ideologias, sem nunca nos abandonar. No mundo mítico, por exemplo, com raras exceções, a consciência era permanentemente lembrada acerca do “fim do mundo”, do Ragnarök ou juízo final em que o céu e a Terra passariam por perturbações catastróficas, a fim de darem lugar a uma nova realidade. Sob eventos cíclicos ou lineares, as coisas, os seres e mesmo os deuses permaneceriam sujeitos à fatalidade, à vontade do cego e inexorável Destino.

Já no plano filosófico, inaugurando a era da “morte de Deus”, Nietzsche trouxe para a imanência o elemento escatológico do niilismo. Com sua parábola do homem louco no mercado bradando “Deus morreu! Deus permanece morto!”, o filósofo do martelo – um tipo de profeta secular e fenomenólogo certeiro – ao arremessar seu martelo esmiuçador até mesmo nos píncaros da transcendência, pretendera vaticinar o colapso das grandes estruturas da civilização ocidental. Assim, moral cristã, metafísica, ciência e a própria filosofia, na voz nietzscheana, fitaram o abismo cara a cara. “Naturalmente”, pondera George Siegmund em O Ateísmo Moderno – História e Psicanálise, “com o desmoronamento da fé em Deus desaba também todo o chão sobre o qual até então descansavam os valores; o abismo do niilismo que se abre ameaça tragar tudo [...]. O homem viajante perde assim toda a meta, todo o caminho; vê-se cercado pela noite purpúrea da loucura”. 

Ainda em tempos de grande luz no campo do saber, os cientistas descrevem cenários nada promissores, imagens do fim que lançam sombras sobre o nosso planeta e o Universo. Livros e revistas populares de divulgação científica estão cheios de “profecias” acerca da consumação de todas as coisas, a exemplo de O Fim da Terra e do Céu: O apocalipse na ciência e na religião, obra na qual o físico brasileiro Marcelo Gleiser expõe, numa linguagem meio romanceada e quase religiosa, que “o fim está próximo!” e “os céus estão caindo”. Afinal, não foi o grande cientista Stephen Hawking quem declarou: “Apesar de serem baixas as possibilidades de um desastre no planeta Terra em um ano qualquer, isso vai se acumulando com o tempo e se transforma em uma quase certeza para os próximos mil ou dez mil anos”? Seja na concepção científica materialista ou na crença hindu do Bhagavad Gita, ecoa a voz escatológica: “Eu sou o Tempo, o grande destruidor.”

Tratando-se da cosmovisão cristã, a escatologia assume proporções tão grandes que só pode ser apresentada por meio de símbolos, metáforas e representações apocalípticas. Os sinais do Armagedom - “a guerra das guerras” - anunciam o fim de tudo não por causa de colisões cósmicas, morte térmica do Universo ou algo parecido. O eskhaton, no pensamento e profecia bíblicos, acontece em razão da direta interferência divina na História: imperiosa necessidade e única solução para os dramas humanos globais, pois “os ecologistas observam a desintegração de nosso planeta, mas parece que ninguém está disposto a fazer alguma coisa a respeito. Os economistas não conseguem superar seu pessimismo. O desemprego mundial está crescendo. Parte da população do mundo enfrenta o perigo real de morrer de fome. É claro, estamos simplesmente acostumados demais com esses números; eles já não nos incomodam mais. [...] A situação política repousa em solo instável. A paz é de fato um objetivo quando os poderes mundiais se reúnem. Mas as armas continuam debaixo da massa de tratados e organizações. Vivemos à sombra de nuvens atômicas. Não há país que, de alguma forma, não esteja envolvido em algum tipo de conflito. Todas as ações políticas têm repercussão no cenário internacional. Quanto ao estado moral da nossa sociedade, é quase irreconhecível, tão desfigurado se tornou pelo crime, violência, drogas, álcool e doenças. Ninguém é poupado, pois essa condição afeta todos os níveis da sociedade. Simultaneamente, tem surgido uma nova raça de homens e mulheres: os profissionais de sucesso. Quaisquer que tenham sido os nossos ideais artísticos e morais, eles foram substituídos pelo ideal da nossa sociedade, o único pelo qual vale a pena lutar: o dinheiro. A virtude agora é proporcional ao desempenho. A humanidade contemporânea deseja, com todas as forças, se tornar cada vez mais eficaz e cada vez menos humana. Nossa civilização incita os piores desastres, mas ainda assim estamos sãos e salvos. Ainda andamos pelas ruas de nossas cidades. A televisão ainda sussurra as palavras e imagens encorajadoras de nossa prosperidade; e se isso não acontece, não haveria problema, pois seria só um filme mesmo! Nós reciclamos. Fazemos exercícios. Fechamos os olhos e meditamos, recusando enfrentar a lenta putrefação de nossa sociedade decadente e preferindo ignorar os slogans de uns poucos excêntricos. Afinal de contas, todos os nossos líderes falam de uma forma que tranquiliza , e o povo acaba pegando no sono. E as flores do mal germinam por todos os lados. [...] Não há terra, não há ilha, não há tribo remota que possa escapar. É um verdadeiro ‘tempo de angústia’.”

Parece que nos achamos perante o dobre de finados da história; contudo, para o teólogo cristão, “a cortina não desce na tragédia”. Embora o próprio Jesus tenha discursado escatologicamente ao afirmar que “os homens desmaiarão de terror, apreensivos com o que estará sobrevindo ao mundo”, Ele conclui em tom de esperança: “Quando começarem a acontecer estas coisas, levantem-se e ergam a cabeça, porque estará próxima a redenção de vocês” (Lucas 21:26, 28). Em síntese, arrisco afirmar, sob pena de ser considerado supersticiosamente religioso, que somos seres com uma fixação pelo fim. Nossa natureza mortal e o peso da finitude geram e desenvolvem em nós esse sentimento escatológico.

Numa longa entrevista transformada em livro, respondendo à pergunta que lhe fora feita, o filósofo alemão Martin Heidegger asseverou: “A filosofia não pode provocar nenhuma alteração imediata do atual estado do mundo. Isso não é válido apenas em relação à filosofia, mas também a todas as meditações e anseios meramente humanos. Já só um deus nos pode ainda salvar.” Otimistas ou pessimistas, teístas ou não, somos todos escatológicos. Imbuídos de tal sensação, a perspectiva da esperança apoiada em Deus faz toda a diferença.

Frank de Souza Mangabeira

sexta-feira, outubro 26, 2018

Imprinting genético: até o embrião sabe o papel diferente de pai e mãe


Não costumo escrever sobre assuntos biológicos, mas esse me chamou atenção. Há pouco mais de dez dias, vi um artigo com o seguinte título em um site nacional: “Camundongos do mesmo sexo geram filhotes por meio de edição genética”, baseado no artigo “Generation of bimaternal and bipateral mice from hypomethylated haploid ESCs with imprinting region deletions” (Cell Stem Cell). No artigo, os cientistas contam que conseguiram, graças à manipulação genética, fazer um embrião de camundongo se desenvolver a partir de dois conjuntos genômicos provenientes de indivíduos do mesmo sexo; nesse caso duas fêmeas de camundongo. No entanto, isso não poderia ocorrer a não ser com uma edição genética de ponta.

Para entender melhor, analisemos a fecundação humana. Nela, um conjunto genômico de 23 cromossomos e outro de 23 cromossomos devem se juntar para haver formação de um zigoto e posterior embrião com 46 cromossomos, 46 XX ou 46 XY. Algumas variações são possíveis, naturalmente, e acarretam algumas síndromes de origem genética, como 45,X0 (síndrome de Turner), 47,XXouXY +21 (síndrome de Down), 47, XXY (Kleinefelter), entre outras.

Em relação aos gametas, o espermatozoide carrega 22 cromossomos autossômicos e um sexual podendo ser ele X ou Y. E o óvulo irá carregar 22 cromossomos autossômicos e um sexual, esse sendo sempre X. A combinação de um espermatozoide com um óvulo acarreta na formação de um indivíduo 46 XX ou 46 XY.

Assim, na teoria, poderia se obter o mesmo resultado combinando dois óvulos, tendo uma combinação 46 XX, o que acarretaria em um indivíduo feminino. Ou combinar dentro de um óvulo dois pró-núcleos provenientes de espermatozoides, acarretando indivíduos 46 XX ou 46 XY (46 YY seria inviável).

A questão é: Por que isso não ocorre naturalmente ou em uma fecundação in vitro?

Porque no momento da fecundação em mamíferos placentários, para que o padrão de metilação do DNA seja transmitido aos descendentes, é necessário que ele seja estabelecido nos gametas, durante a gametogênese. Ou seja, o zigoto recém-formado sabe quais conjuntos gênicos foram herdados do pai (sexo masculino) e quais conjuntos gênicos são herdados da mãe, sexo feminino, para assim continuar seu desenvolvimento. É como uma etiqueta ou impressão genômica (imprinting genético). Portanto, o reconhecimento e a manutenção de impressões são muito importantes na reprogramação do genoma. Ao reconhecer que os dois conjuntos genômicos são provenientes do mesmo sexo, o desenvolvimento do embrião é interrompido.

A última etapa do ciclo de vida da impressão é o apagamento das impressões epigenéticas nas células germinativas primordiais, e isso garante o estabelecimento da impressão dependente do sexo em estágios posteriores do desenvolvimento. Ou seja, o embrião descarta as etiquetas de pai e mãe de seus cromossomos e coloca sua etiqueta ou impressão própria. Portanto, os genes “etiquetados” sofrem desmetilação do DNA nas células germinativas primordiais, e o padrão de metilação específico da origem parental volta a ser restabelecido durante a gametogênese, no gameta maduro. Assim funciona a natureza e é como ela foi criada: os sexos sendo determinados biologicamente não somente pela presença dos cromossomos sexuais, mas em todo um conjunto genômico por uma marcação “invisível” reconhecida pelo próprio embrião, no qual também etiquetará seu sexo em seus clusters de genes.

Mas, voltando ao artigo, como os cientistas então conseguiram “ludibriar” o embrião? Os pesquisadores, usando tecnologia de edição genética, excluíram três conjuntos de impressões genéticas de um gameta feminino e juntaram com uma célula-tronco embrionária. Assim, para torná-los compatíveis, os fragmentos de DNA que carregavam os conjuntos gênicos “etiquetados” foram deletados para tornar os filhotes viáveis. No caso de descendentes de ratos fêmeas, dos 210 embriões, 14% sobreviveram e se tornaram adultos normais e até férteis. Já no caso de embriões provenientes exclusivamente de ratos machos, os filhotes nasceram debilitados e toda a ninhada morreu em dois dias.

E assim, mesmo com um resultado longe de ser um sucesso em termos de viabilidade desses indivíduos, com esse artigo são geradas as especulações de testes semelhantes com outras espécies, inclusive a humana. “Mas há uma expectativa grande em torno das possibilidades de levar essas técnicas para outros animais, até um dia chegar aos seres humanos. Essa pesquisa mostra o que é possível”, afirma Wei Li, pesquisador do mesmo instituto.

Outros pesquisadores renomados também falaram sobre essa possibilidade: “O risco de anomalias severas é elevado demais, e levaria anos de pesquisas em vários modelos animais para compreender plenamente como fazê-lo de modo seguro”, afirmou o especialista em células-tronco Dusko Ilic, do King’s College de Londres.

O que se destaca é que, naturalmente, a vida humana é proveniente da junção de um indivíduo masculino e um feminino, sendo que o próprio embrião identifica por meio de mecanismo epigenéticos diferenças funcionais entre os genomas paterno e materno, mas o ser humano não aceita esta condição idealizada há muito tempo: “Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne” (Gênesis 2:24).

(Tiago Moreti é biólogo e mestre em Biotecnologia)

O papel das plantas na criação

Não temos nenhuma dúvida de que plantas são seres vivos porque participam de todo o ciclo da vida: nascem, desenvolvem-se, reproduzem-se, envelhecem e morrem. Outras características dos seres vivos incluem a presença de células, a capacidade de reagir a estímulos, como luz e temperatura, e a capacidade de evolução (no sentido correto da palavra). Mas, do ponto de vista bíblico, qual função as plantas desempenhavam na criação? Esta é a terceira e última parte desta série sobre as plantas. Então recomendo a leitura anterior dos textos sobre a criação das plantas e a problemática de elas estarem prontas antes de a luz solar chegar livremente ao nosso planeta.

Quando definimos o que é vida, entramos em uma discussão de larga escala. A princípio, biologicamente falando, ser vivo é qualquer coisa capaz de se reproduzir, evoluir e manter um metabolismo.[1] E aqui não temos dúvidas de que ácaros, bactérias, fungos de queijo gorgonzola, protozoários e algas são seres vivos. O "super ser vivo" tardígrado, que é capaz de sobreviver de -270 ºC até 150 ºC, é um dos mais notáveis nessa imensa lista.

Tardígrado, o super ser vivo

Segundo Mayr, tentativas para definir a “vida” são feitas com frequência. Tais esforços são simplesmente fúteis, pois hoje está perfeitamente claro que não há uma substância especial, um objeto ou uma força que possam ser identificados com a vida. Contudo, os processos da vida podem ser definidos. Não há dúvida de que os organismos vivos possuem certos atributos que não se encontram - ou não se encontram da mesma forma - nos objetos inanimados.[2]

Porém, falando em um sentido bíblico, a definição das Escrituras soa um pouco diferente. Os animais e o ser humano são considerados "almas viventes". As plantas são consideradas “alimento". Para a Bíblia, a planta não morre quando é ingerida. Apenas cumpre seu papel na criação, que é o de alimentar o ser humano e os animais.

Veja o que diz Eclesiastes 3:19, 20: "Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais, e lhes sucede a mesma coisa; como morre um, assim morre o outro; e todos têm o mesmo fôlego, e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são vaidade. Todos vão para um lugar; todos foram feitos do pó, e todos voltarão ao pó."

O texto de Eclesiastes não inclui as plantas como “seres viventes”. Isso não é um erro científico, pois a intenção do autor não era tratar esses conceitos cientificamente dentro dos padrões de definições que usamos atualmente. A intenção dele é mostrar a função criativa de cada coisa.

O autor de Gênesis também faz isso. Ele escreve que tudo o que voa são aves e tudo o que está nos mares é peixe. Sabemos que o morcego, o pterossauro, os golfinhos e as baleias não entram nessa classificação. Porém, o autor não queria fazer uma divisão taxonômica moderna dos seres vivos. Não devemos entender essas passagens com uso de anacronismos, mas, sim, olhar pela ótica do escritor. Qual era a intenção de quem escrevia? 

Em Gênesis a função dos animais é se reproduzir, do homem é se reproduzir e dominar, e das plantas alimentar o homem e o animal. Isso fica claro em Gênesis 9:3, quando Deus diz que a partir da saída da arca, além da erva verde que Deus havia dado anteriormente, os homens poderiam ingerir a carne de certos tipos de animais também.

Essa definição das plantas vai muito além de mera curiosidade. E aqui eu chego ao ponto especulativo do texto. Havia morte antes do pecado de Adão e Eva? Se eles comiam alimentos de origem vegetal, ingeriam alimento. E esse processamento de alimentos gera morte celular? Havia função do sistema excretor?

Biologicamente falando, morte é o cessamento das atividades biológicas necessárias à caracterização e manutenção da vida em um sistema outrora classificado como vivo.

Quando comemos uma fruta, “matamos células” dessa fruta. O material ingerido deve ser devolvido à terra para reciclagem - ciclo biológico. Cada átomo que ingerimos ou é excretado ou é mantido no organismo. Nenhum átomo é desintegrado. Os átomos circulam entre o organismo e o ambiente.[3]
Sistema digestivo humano e sua complexidade

A conclusão desse problema é bem simples. Do ponto de vista biológico, as plantas são seres vivos e a ingestão delas causa "morte" do alimento ingerido. Do ponto de vista das Escrituras, a função das plantas é alimentar os seres vivos (homem e animais), e por isso a ingestão delas não causaria morte no sentido estritamente bíblico. Quando uma planta era ingerida, não era sinal de morte antes do pecado, mas sim de algo natural criado para aquela função.

Alex Kretzschmar

Referências:
[1] Margulis, Lynn, Dorian Sagan. 2002. O Que É Vida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.
[2] MAYR, Ernst. O desenvolvimento do pensamento biológico: diversidade, evolução e herança. Tradução de Ivo Martinazzo. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1998. 
[3] Rubim, M. A. L. 1995 Ciclo de vida, biomassa, e composição química de duas espécies de arroz silvestre da Amazônia Central. Dissertação de mestrado, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia/ Fundação Universidade do Amazonas. Manaus, Amazonas. 126 p.

quinta-feira, outubro 18, 2018

General diz que criacionismo deveria ser ensinado nas escolas


[A matéria a seguir foi escrita pelo jornalista Bruno Boghossian para a Folha de S. Paulo, e publicada no dia 16 de outubro:] “As conspirações sobre a ideologia nas escolas atingiram o insuspeito Charles Darwin [sic]. Um general que elabora propostas na campanha de Jair Bolsonaro diz que a teoria da evolução deve ser ensinada ao lado do criacionismo (a ideia de que Deus criou diretamente o homem). ‘Muito da escola está voltado para orientação ideológica […]. Houve Darwin? Houve, temos de conhecê-lo. Não é para concordar, tem de saber que existiu’, afirmou Aléssio Souto ao jornal O Estado de S. Paulo. As duas visões devem ser mantidas em esferas distintas, mas o militar segue uma linha em que a religião disputa espaço com a ciência. Ele diz que um pai ‘não está errado’ se quiser que o professor ensine teoria da criação no lugar do darwinismo.

“A sugestão causa arrepios em especialistas. ‘Esse debate deve ocorrer no campo da religião, nas aulas de filosofia ou sociologia’, afirma Priscila Cruz, do movimento Todos pela Educação. ‘Na ciência e na biologia, o criacionismo deveria ser banido.’ Ao tratar pontos do ensino científico como desvio ideológico, assessores de Bolsonaro aplicam, eles mesmos, um viés político à educação. ‘Quando você iguala ciência e ideologia, você anda para trás, ignora séculos de aprendizado’, diz Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciências. ‘A teoria da evolução não é ideológica. É resultado de percepções científicas e foi testada ao longo do tempo.’”

Nota do blog Desafiando a Nomenklatura Científica: “Davidovich cometeu dois erros:  
 
“1. A teoria da evolução é sim ideológica - quem disse foi Darwin em uma de suas cartas que pelo menos ele tinha dado um chega pra lá no criacionismo. 

“2. A teoria da evolução foi testada em nível microevolutivo; macroevolutivo, não! A descendência com modificação ao longo do tempo, por exemplo. Nunca explicaram a Explosão Cambriana. Quais são os mecanismos evolucionários? De A a Z? Qual a origem da informação genética? Por que do upgrade para a Síntese Evolutiva Ampliada/Estendida com aspectos neolamarckistas porque a Síntese Evolutiva Moderna já era em 1980 uma teoria científica falida que posava de ortodoxia científica somente nos livros-texto?

“Sim, a teoria da evolução deve continuar sendo ensinada em nossas escolas, mas deve ser ensinada objetiva e honestamente considerando as evidências a favor e contra. Do jeito que a teoria da evolução é ensinada no Brasil, não é educação, mas doutrinação ideológica do materialismo filosófico que posa como se fosse ciência!”

Leia aqui a posição da Sociedade Criacionista Brasileira quanto ao ensino do criacionismo em escolas públicas.

Mutações aumentam a informação genética?

Mutação é toda e qualquer alteração do material genético, não importando se estas ocorrem nas células somáticas ou em células germinativas (Junker e Scherer, 2002). Porém, para os processos evolutivos, mutações importantes são apenas as que alteram o material genético de células germinativas e suas células precursoras, isto porque apenas estas são transmitidas hereditariamente à geração seguinte. Mas qual é o papel que ela desempenharia no processo de macroevolução? Uma das premissas evolucionárias é a de que alguns mecanismos evolutivos, tais como a seleção natural agindo sobre mutações aleatórias, recombinação genética e duplicações gênicas produziriam variação alélica e, consequentemente, aumento de informação genética ao longo do tempo. Será que essa ideia ainda se mantém à luz dos atuais dados científicos?
Fato é que desde a “redescoberta” das leis de Mendel, por Hugo de Vries e colaboradores (Moore, 2004), no início do século 20, que então deu origem à síntese evolutiva moderna ou neodarwinismo, o DNA sempre se demonstrou incompatível com essa hipótese que defende que a vida é fruto de causas exclusivamente naturais.
Por outro lado, cientistas tedeístas e criacionistas entendem que a ideia de que mutações genéticas, quando combinadas com o processo de seleção natural, promoveriam a “evolução” – geralmente usada como sinônimo de macroevolução – é um atestado de ignorância em seu sentido literal de, ou desconhecer alguns fatos fundamentais sobre este assunto ou ignorar os dados.