terça-feira, janeiro 16, 2018

Modelos ou “forçação de barra”?

Recentemente li em uma matéria publicada pelo jornal O Globo sobre uma fraude no Museu Nacional da Holanda, envolvendo uma amostra de rocha que, supostamente, seria uma “pedra lunar”. A amostra teria sido doada, na ocasião, pelo embaixador norte-americano na Holanda, Willian Middendorf, ao primeiro-ministro holandês Willem Drees. Segundo o jornal, a doação teria sido feita por ocasião de uma “turnê mundial” dos três astronautas norte-americanos que integraram a missão Apollo 11. O fato curioso teria sido descoberto por um especialista em questões espaciais que afirmou achar “estranho” e até mesmo duvidoso que a Nasa, a agência espacial americana, teria um desprendimento assim tão grande de abrir mão de uma raríssima amostra de material lunar somente para agradar ao primeiro-ministro holandês. Mas foram os geólogos da Universidade de Amsterdã que, mediante análises microscópicas, descobriram que, na verdade, se tratava de uma amostra de madeira petrificada e nem de perto teria procedência lunar. O mais curioso é que, segundo o museu, somente o seguro da tal pedra teria custado 50 mil euros. Hoje, após a descoberta, a amostra poderia ser vendida no máximo por 50 euros.

Esse fato me fez lembrar de uma aula muito interessante que tive durante meu mestrado sobre a formação das grandes províncias magmáticas do mundo. Lembro-me bem de que minha professora relatou sobre uma então recente discussão que estava ocorrendo durante os congressos de geofísica e de geologia a respeito de outra suposta fraude em alguns modelos geológicos que serviram de base para muitos artigos científicos.

Segundo alguns geofísicos, muitos pesquisadores que criaram modelos para a formação de ilhas oceânicas a partir de “hotspot” teriam usado de muita “criatividade” para a explicação dos processos vulcânicos associados. Alguns chegam até mesmo a achar que as tomografias mantélicas, feitas muitos anos atrás para sustentar essas hipóteses, foram manipuladas. Um grande grupo de geólogos simplesmente desacredita nessas informações, deixando essa discussão longe de ter um fim. Em virtude disso, alguns cientistas até propõem outros modelos para a formação de vulcanismo, como o pesquisador Don Anderson, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos Estados Unidos. Segundo ele, os tradicionais modelos que mostram estreitos jatos de magma vindo das profundezas da Terra e disparando pelo meio de uma montanha em formato de cone, devem ser banidos dos livros-textos.

“Mas esse quadro está errado”, garante o professor Anderson. Segundo ele e seu colega James Natland (Universidade de Miami), esses estreitos canais de magma que dariam origem aos vulcões não existem nem fazem sentido – não existe, por exemplo, uma explicação da energia necessária para trazer o material até a superfície.

“Plumas vindas do manto nunca tiveram uma boa base física ou lógica”, diz Anderson, referindo-se ao formato de pena frequentemente usado pelos livros-textos para ilustrar os jatos de lava que alimentam os vulcões. Segundo o autor, para tentar detectar as hipotéticas plumas, os geólogos analisam a atividade sísmica medida por várias estações espalhadas por uma grande área. O tipo de material que essas ondas atravessam altera suas propriedades, o que pode ser usado para deduzir o tipo de material atravessado. Mas ninguém detectou os canais estreitos de lava em pesquisas feitas em áreas repletas de vulcões – no Havaí, no Parque de Yellowstone e na Islândia.

Agora, em parte graças a estações sísmicas melhores e mais adensadas, a análise de sismologia do planeta é boa o suficiente para confirmar que não existem “plumas mantélicas” estreitas, garantem Anderson e Natland. Em vez disso, os dados revelam que há grandes pedaços do manto, em movimento ascendente lento, com mais de mil quilômetros de largura, afirma o pesquisador.

O fato é que hipóteses podem ser comprovadas ou não. Modelos podem ser refeitos, abandonados, substituídos... Isso normalmente faz parte das pesquisas científicas. O grande problema reside na má-fé de alguns “pesquisadores” que manipulam imagens e/ou dados para comprovar suas teorias e embasar suas pesquisas. Não será difícil você achar na internet várias outras matérias abordando as fraudes cometidas por esses supostos pesquisadores para sustentar suas teorias. O fato é que precisamos ter os olhos bem abertos! Vejo que, quando falamos de criacionismo, parece que estamos falando de algo extremamente bizarro e sustentado em cima de mentiras. Mas será que tudo o que os cientistas lhe mostram como verdade é, de fato, verdade? O bom senso não serve somente ao estudarmos o planeta segundo a ótica criacionista; o bom senso serve ao usarmos qualquer lente para estudar a criação.

(Hérlon Costa é geólogo formado pela UFPA e mestre em Geologia Exploratória pela UFPR)

Fontes:
http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1284661-5603,00-PEDRA+LUNAR+DE+MUSEU+HOLANDES+ERA+NA+VERDADE+MADEIRA+PETRIFICADA.html

Mantle updrafts and mechanisms of oceanic volcanism, Don L. Anderson, James H. Natland, Proceedings of the National Academy of Sciences, vol. published online: DOI: 10.1073/pnas.1410229111

Um tempo antes de haver tempo?

Há quem defenda que houve uma eternidade passada antes da criação do Universo. Ateus tendem a pensar assim para evitar recair no conceito de um Criador do Universo. Que problemas existem com essa ideia? Vários. Comento só dois a seguir, os quais costumam ser difíceis de ser entendidos por pessoas da maioria das áreas do conhecimento, mas são importantes.

1. O tempo que experimentamos neste Universo não pode ser infinito para o passado. As leis físicas conhecidas não o permitem. Foi exatamente isso que levou físicos, embora profundamente contrariados, a aceitar que o Universo foi criado (Big Bang). É importante repetir até cair a ficha: criação do universo é sinônimo de criação do tempo (e isso se encaixa com Hebreus 11:3). O universo é o espaço-tempo, não a matéria nele contida. Independentemente de imaginar-se que o Universo seja jovem ou antigo, é importante entender que aceitar que ele foi criado implica em aceitar que o tempo foi criado, teve um início e não existe uma eternidade passada.

2. Se houver muita vontade de acreditar em uma eternidade passada, pode-se postular a existência de outro universo a partir do qual este foi criado. Seria algo análogo à formação de um buraco negro neste Universo, algo que ocorre em um momento específico deste universo. Mas a dimensão de tempo dentro de um buraco negro é a direção radial,[1] o que torna o tempo finito em uma das pontas internamente. No caso do buraco negro, haveria um big crunch, contração do espaço culminando com o fim do tempo no centro do buraco negro; no caso do buraco branco, haveria um big bang partindo temporalmente do centro (início do tempo) seguido de expansão do espaço. Em qualquer desses casos, para quem estivesse dentro do buraco negro ou branco, o universo local pareceria ilimitado. Há quem afirme que Deus esperou por um tempo infinito antes de criar este Universo, mas isso não pode referir-se à mesma dimensão de tempo que experimentamos neste momento. Seria uma dimensão de tempo em outro universo. Além disso, alguns poderiam postular que esse outro universo não foi criado, mas que sempre existiu ao longo de sua linha de tempo. Nesse caso, Deus não seria o criador daquele universo.

No caso de se postular a existência de um universo preexistente no qual este em que estamos foi criado, e postular que ele é eterno (para que haja um passado infinito nele), seria importante demonstrar que aquele universo pai possui propriedades tais que lhe conferem estabilidade. Com uma dimensão de tempo e três de espaço, isso não é possível.

[1] Nota técnica: basta observar os sinais dos coeficientes de dt² e dr² da métrica de Schwarzchild para constatar que, do ponto de vista de um observador afastado do buraco negro, a direção radial em seu interior é uma dimensão de tempo, e a que é a dimensão de tempo fora de um buraco negro, passa a ser uma das dimensões de espaço em seu interior. 

(Eduardo Lütz é físico e engenheiro de software)

sexta-feira, janeiro 12, 2018

“Há evidências abundantes que mostram que Gênesis é verídico”

Embora seja possível comprovar muitos relatos bíblicos por meio das evidências científicas, muitos cristãos lidam com alguns questionamentos a respeito da origem humana quando são confrontados com argumentos do evolucionismo. O mestre em ciências Everton Alves, membro da Sociedade Brasileira do Design Inteligente e da Sociedade Criacionista Brasileira, contou ao Guiame que mesmo tendo sido criado com os princípios cristãos, também já enfrentou uma fase de dúvidas. “Quando você tem sua fé contestada dentro da universidade, parece que o turbilhão de sentimentos é muito maior: ‘Será que o que eles estão falando agora é verdade e tudo o que eu aprendi é mentira?’”, disse ele em entrevista ao Guiame, durante o Encontro Nacional de Universitários. “Eu passei por isso, principalmente na fase do mestrado, quando trabalhava num laboratório de imunogenética cheio de geneticistas ateus e agnósticos. Eu entrei em contato com algumas evidências, principalmente na área da origem humana. Isso tudo me trouxe muitas dúvidas e eu tive que pesquisar”, Everton conta.

Sua fé foi fortalecida quando se deparou com o livro Por Que Creio, de Michelson Borges (Casa Publicadora Brasileira), que fez o mestre em ciências encarar a Bíblia de uma forma nova. “Esse livro me apresentou evidências que eu nunca tinha visto. Na grande mídia, não vemos essas evidências sendo mostradas, porque a mídia tem essa tendência de blindar tudo o que é relacionado à Darwin.”

Everton observa que nas escolas e universidades os estudantes são ideologicamente doutrinados dentro do contexto do evolucionismo. “Nós temos contato desde crianças com livros didáticos que nos fornecem uma história que na verdade não é a história real das nossas origens. Quando vamos estudar a fundo por conta própria ou com a ajuda de de literaturas específicas de pessoas intelectualmente honestas, temos evidências abundantes que nos mostram que o relato de Gênesis é verídico e histórico”, aponta.

A veracidade da Bíblia está sendo comprovada principalmente na arqueologia, conforme observa Everton. “A cada ano, vem sendo descoberta uma nova civilização, um túmulo ou objeto com nome de algum personagem que já estava descrito na Bíblia, sendo que antes eram considerados como mitológicos ou metafóricos”, explica.

“A ciência, ano após ano, vem comprovando todo o relato bíblico, principalmente quanto à literalidade do livro de Gênesis, se formos tratar de Adão e Eva, Noé e sua família ou até mesmo do episódio do dilúvio. Podemos ter dentro da própria Bíblia informações que atestam a veracidade desse primeiro livro”, Everton afirma.


quinta-feira, janeiro 11, 2018

“Prova matemática da evolução darwiniana” é falsa

Devido à tradição da escrita científica profissional, grandes desenvolvimentos em literatura científica geralmente chegam abafados por uma linguagem tão maçante ou técnica que acabam passando despercebidos pelo leitor regular. Isso, junto com o hábito da mídia de dar suporte à evolução, faz com que rachaduras enormes na fundação do Darwinismo se espalhem despercebidas pelo público, que continua acreditando que a ciência [humana] está totalmente estabelecida e se manterá sempre assim.

Um bom exemplo é o recente artigo do Jornal de Biologia Matemática, uma significativa publicação de revisão por pares feita pelo influente site de publicações Springer. O título do artigo anuncia: “O teorema fundamental da seleção natural com mutações”.

Incluir um verbo seria, presumidamente, concessão demais para o sensacionalismo populista. Ainda assim a conclusão, se não sensacional, é certamente notável.

Gerações de estudantes de biologia e evolução aprenderam sobre o trabalho pioneiro de Ronald A. Fisher (1890-1962). Um fundador da estatística moderna e genética populacional, ele publicou seu famoso teorema fundamental de seleção natural em 1930, lançando uma das pedras fundamentais do neodarwinismo ao conectar genética mendeliana com a seleção natural. A Wikipédia sumarizad “Isso contribuiu para o renascimento do Darwinismo na revisão da teoria da evolução do início do século 20, conhecida como a síntese moderna.”

O teorema de Fisher, tido como o equivalente à “prova matemática de que a evolução darwiniana é inevitável”, agora é considerado falso. Sua ideia é relativamente fácil de descrever. Ela afirma: “A velocidade de aumento na aptidão de qualquer organismo a qualquer tempo é igual a sua variância genética em aptidão naquele momento.”

Sua comprovação para isso não foi da maneira comum da matemática; aptidão não é rigorosamente definida, e seu argumento é mais intuitivo que qualquer outra coisa. O teorema aborda apenas os efeitos da seleção natural. Fisher não abordou diretamente nenhum outro efeito (mutação, deriva genética, mudança ambiental, etc.), pois ele os considerou insignificantes. Matemáticos posteriores discordaram da falta de rigor de Fisher, alguns de forma bem detalhada. Mas a omissão dos efeitos de mutação foi o que mais chamou a atenção.

Recentemente, o matemático William F. Basener e o geneticista John C. Sanford vieram propor uma expansão do teorema fundamental, incluindo mutações. Basener é professor no Instituto de Tecnologia de Rochester e um acadêmico visitante no Instituto de Dados da Ciência da Universidade da Virgínia. Sanford é um geneticista botânico que foi professor associado na Universidade Cornell por muitos anos. Ele é editor do volume Biological Information: New Perspectives (World Scientific, 2013). O Jornal de Biologia Matemática é a publicação oficial da Sociedade Europeia para Biologia Matemática e Teórica.

Basener e Sanford expandiram o modelo de Fisher permitindo mutações tanto benéficas quanto danosas, seguindo e estendendo o trabalho anterior. Eles usaram níveis de mutação zero para testar a concordância de seu modelo com o de Fisher. Eles estabeleceram que existe um nível de aptidão de equilíbrio em que a seleção balanceia os efeitos mutacionais. Entretanto, se mutações em níveis biológicos plausíveis ocorrem, a aptidão geral é comprometida. Em alguns casos isso leva à “falha mutacional”, onde o efeito de mutações acumuladas suplanta a habilidade populacional de se reproduzir, resultando na extinção.

Extinção é o oposto de evolução. Eles concluem: “Nós reexaminamos o teorema fundamental de Fisher da seleção natural, focando na questão de novas mutações e consequentes implicações para populações biológicas reais. A tese primária de Fisher era que variação genética e seleção natural trabalham juntas num caminho fundamental que garante que as populações naturais irão sempre crescer em aptidão. Fisher considerou seu teorema essencialmente como uma prova matemática da evolução darwiniana, e a comparou com uma lei natural. Nossa análise mostra que a tese primária de Fisher (aumento contínuo e universal da aptidão) não está correta. Isso se dá por ele não ter incluído novas mutações como parte de sua formulação matemática, e por conta de seu corolário informal se basear numa premissa que agora se sabe ser falsa.”

“Nós mostramos que o Teorema de Fisher, como formalmente definido pelo próprio Fisher, é de fato antitético à sua tese geral. Além de novas mutações, o Teorema de Fisher simplesmente aperfeiçoa variações de aptidão alélica pré-existentes levando ao equilíbrio. Fisher se deu conta de que precisaria de novas mutações formadas para que seu teorema suportasse sua tese, mas ele não incorporou mutações em seu modelo matemático. Fisher apenas considerou novas mutações utilizando experimentos mentais informais. Para analisar o Teorema de Fisher, nós julgamos ser necessário denominar o elemento mutacional informal de seu trabalho como o Corolário de Fisher, o qual nunca foi de fato comprovado. Nós mostramos que enquanto o Teorema de Fisher é verdadeiro, o Corolário é falso.”

“Neste artigo, nós derivamos um modelo de mutação-seleção melhorado, que é construído sobre o modelo de base de Fisher, assim como em outros modelos pós-Fisher. Comprovamos um novo teorema, que é uma extensão do teorema fundamental de Fisher de seleção natural. Este novo teorema permite a incorporação de novas mutações formadas no Teorema de Fisher. Nós nos referimos a este teorema expandido como ‘O teorema fundamental de seleção natural com mutações’.”

“Após termos reformulado o modelo de Fisher, permitindo a análise dinâmica e a incorporação de novas mutações surgidas, nós subsequentemente fizemos uma série de simulações dinâmicas envolvendo populações grandes, porém finitas. Nós testamos as seguintes variáveis no tempo: (a) populações sem novas mutações; (b) populações com mutações que apresentam distribuição simétrica de efeitos de aptidão; e (c) populações com mutações que apresentam uma distribuição mais realística de efeitos mutacionais (com a maior parte das mutações sendo danosas). Nossas simulações mostram que (a) à parte de novas mutações, a população rapidamente se move em direção ao equilíbrio; (b) com mutações simétricas, a população passa por aptidão rápida e contínua; e (c) com uma distribuição mais realística das mutações, a população geralmente passa por declínio perpétuo da aptidão.”

É isso injusto com uma figura histórica? E quanto aos modelos desenvolvidos após Fisher?

“Com base no trabalho de Fisher, e os problemas associados a ele, nós também examinamos os modelos pós-Fisher do processo de mutação-seleção. No caso dos modelos de população infinita, o que foi comumente observado é que populações vão rotineiramente ao equilíbrio ou a um limite definido – como uma órbita periódica. Eles não mostram aumento ou declínio perpétuo em aptidão, mas se restringem pelo comportamento, por conta da estrutura do modelo (uma população infinita com mutações apenas ocorrendo entre variedades genéticas pré-existentes). De forma prática, todas as populações biológicas são finitas. No caso dos modelos de população finita, o foco tem sido em se medir a acumulação de mutações, como afetadas pela seleção. Modelos finitos claramente mostram que populações naturais podem tanto aumentar quanto diminuir em aptidão, dependendo de muitas variáveis. Outros modelos matemáticos finitos de população não somente mostram que aptidão pode diminuir – eles geralmente mostram que apenas uma faixa estreita de parâmetros podem de fato evitar o declínio na aptidão. Isso é consistente com muitos experimentos de simulação numérica, com diversos experimentos de acumulação de mutações, e com observações onde sistemas biológicos têm ou um alto índice de mutação ou um pequeno tamanho de população. Mesmo quando grandes populações são modeladas, minúsculas mutações danosas (VSDM em inglês) podem teoricamente levar ao contínuo declínio da aptidão.”

O golpe final vem embrulhado em elogios: “Fisher foi inquestionavelmente um dos maiores matemáticos do século vinte. Seu teorema fundamental de seleção natural foi um enorme passo à frente, no qual ele, pela primeira vez, relacionou seleção natural com genética mendeliana, o que pavimentou a via para o desenvolvimento do campo da genética populacional. Entretanto, o teorema de Fisher estava incompleto de forma a não permitir a incorporação de novas mutações. Em adição, o corolário de Fisher estava seriamente falho pelo fato de presumir que mutações apresentam um efeito final de aptidão que é essencialmente neutro. Nossa reformulação do Teorema de Fisher completou e corrigiu efetivamente o teorema, de forma que ele pode agora refletir a realidade biológica.”

O que eles quiseram dizer está descrito de forma mais franca anteriormente no artigo: “Graças à premissa que fundamenta o corolário de Fisher ser agora reconhecido como inteiramente errado, o corolário de Fisher é falso. Consequentemente, a crença de Fisher de que ele desenvolveu uma prova matemática de que a aptidão deve sempre aumentar também é falso.”

Esta é a “realidade biológica”. O trabalho de Fisher é geralmente interpretado como significando que a seleção natural leva ao aumento da aptidão. Apesar de isso por si só ser verdade, mutações e outros fatores podem e de fato reduzem a aptidão média da população. De acordo com Basener e Sanford, em níveis reais de mutação, o teorema original de Fisher, compreendido como sendo uma prova matemática de que a evolução darwiniana é inevitável, está derrubado.

Parabéns a Basener e Sanford por demonstrar esse importante ponto. Agora os livros e artigos das enciclopédias online tomarão nota?

(Evolution News, com tradução de Leonardo Serafim)

Adão tinha umbigo?

Essa questão simples e que parece irrelevante já criou muitos problemas. Na Idade Média e no Renascimento, por exemplo, os pintores e artistas ficavam com dúvidas se deviam retratar Adão com ou sem umbigo. Muitos resolviam o problema pintando uma enorme folha na região pélvica. Além de esconder as partes genitais, escondia-se com isso o umbigo também. O teólogo John MacArthur afirma que Michelangelo, ao pintar seu mais famoso afresco na capela Sistina, “A Criação de Adão”, teria exagerado no umbigo do primeiro pai terrestre, o que lhe valeu observações repressivas por parte de alguns teólogos da época.

O umbigo é uma cicatriz resultante da queda natural do cordão umbilical, e costuma manifestar-se como uma depressão na pele. A partir do modelo criacionista, Adão jamais esteve em um útero e foi criado já adulto e pronto, conforme a Bíblia expõe em Gênesis 2:7: “Então o Senhor Deus formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego de vida, e o homem se tornou um ser vivente.”

A questão surge ao entendermos a seguinte asserção: Adão não nasceu, logo não teve umbigo. No entanto, alguns teólogos defendem que Deus criou um ser perfeito e completo, como um ser adulto. Então Adão teria sido criado com umbigo. Deus fez isso para deixar Adão igual aos demais homens e mulheres que dele seriam descendentes. O que parece confirmar esse argumento é o fato de que sendo criados já adultos, Adão e Eva não tiveram, provavelmente, de enfrentar as mudanças da puberdade, o nascimento de pelos, cabelos e dentes. Estes últimos já estavam lá para eles partilharem da primeira refeição.

Relacionado com esse tema seria interessante perguntar: Adão tinha mamilos? No processo de desenvolvimento do feto, os mamilos aparecem em machos e fêmeas. Mas o homem não apresentará o complexo fisiológico da produção do leite – o qual é mediado pela ação da oxitocina. Nas mulheres, esses complexo hormonal começa a ser fabricado horas depois do parto. O que se percebe é projeto inteligente que determina a diferenciação entre os sexos e suas funções.

Assim, os hormônios fazem com que os homens tenham mamilos diferenciados das mulheres. Entendemos que homem e mulher foram criados com estruturas anatômicas, genéticas e hormonais prontas “para o uso com sucesso”.

(Alexandre Kretzschmar, Onze de Gênesis)

Clique aqui para ler mais sobre a questão dos mamilos masculinos.

sexta-feira, janeiro 05, 2018

Folha concede espaço a ateu militante raivoso e a blasfemador

[Meus comentários seguem entre colchetes. – MB] Cadê seu Deus agora? Em lugar nenhum – a trabalheira é convencer os 98% da população que dizem acreditar na ideia do Criador, segundo pesquisa Datafolha de setembro, e assegurar “a verdadeira laicidade do Estado”. Eis as bandeiras da Atea (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos), que representa um de cada dez brasileiros, somando ateus (1%) e quem se declara sem religião ou agnóstico (8%). [Conheço agnósticos e até ateus que têm vergonha da Atea e não se sentem minimamente representados pela entidade, mas a Folha não quis tocar nesse assunto.] Em nome dessas causas, o grupo ajuizou dezenas de ações civis públicas contra o que considera serem atentados ao princípio de um Estado imune à interferência religiosa. A maioria desses processos questiona iniciativas evangélicas respaldadas pelo poder público. Caso, por exemplo, de uma ação contra o prefeito Marcelo Crivella e a cidade que gere, o Rio, “pela realização de eventos religiosos nas escolas da rede municipal”. Há outra contrária à instalação de um templo evangélico na sede do Bope, tropa de elite da PM-RJ. [Quando não se pode vencer no argumento, o jeito é partir para a truculência, para o sensacionalismo que garante espaço na mídia, para o deboche e o escárnio e para os processos judiciais.]

A investida judicial se estende a outros credos, como o católico (“doação de um terreno para imagens em Aparecida, SP”) e a umbanda (“construção de monumento à Iemanjá em Cidreira, RS”).

Mas a Atea também está na outra ponta da espada – como alvo do Ministério Público paulista, que já pediu a instauração de inquérito policial por postagens no Facebook da associação consideradas ofensivas e que poderiam incorrer na “prática de crime de ultraje a culto”. [Sim, eles são especialistas em atacar a fé dos cristãos e dos seguidores de religiões de matriz africana, mas nunca os vi apontando as armas para Maomé, por exemplo...] Em outras palavras: intolerância religiosa. É isso mesmo, admite o presidente da Atea, o engenheiro Daniel Sottomaior, 46 [foto acima]. “A gente quer odiar a religião, ela merece. Querem nos culpar por memes religiosos? Pois nos declaramos culpados desde já.” [O ódio nunca faz bem a ninguém, religiosos ou ateus. Pregar o ódio em uma sociedade já tão machucada por ele é um verdadeiro desserviço. Infelizmente, Sottomaior é um instigador de guerras e não promotor de diálogo. E como a imprensa precisa de “sangue” para vender jornais, concede-lhe espaço. A revista Veja também já fez o mesmo. Confira.]

Publicação recente traz a reportagem de um museu em Amsterdã com “a maior coleção de deformidades humanas” (fetos com deficiências guardados em jarros). A legenda: “Obrigado, Senhor!!!” [A velha tática satânica de culpar Deus pelo que Ele não causou: o pecado. Se uma mulher grávida, usando seu livre-arbítrio, consome drogas pesadas e o filho nasce com deformidades, de quem é a culpa? Obviamente que o exemplo é extremo e meramente ilustrativo, pois ocorrem problemas também com pessoas que não consomem substâncias perigosas. Ocorre que este mundo não é o ideal e justamente por isso Jesus prometeu voltar para nos devolver à condição de perfeição edênica. Mas se Deus não existe e o pecado é uma ilusão, por que os ateus da Atea vivem atribuindo a Ele o mal que há no mundo? É tipo assim: Deus não existe, mas eu O odeio! Os ateus não podem sequer ficar indignados com as mazelas do mundo e com o sofrimento das pessoas, afinal, são consequências naturais da evolução humana e da sociedade.]

Dois posts em particular provocaram ira ao pegar carona em momentos de comoção global para questionar a fé de bilhões. Ante a foto de um menino sírio de três anos de rosto enterrado na areia, após se afogar tentando chegar à Grécia, a Atea fustigou: “Se Deus existisse, seria um canalha.” Dois dias após a tragédia aérea com a Chapecoense, nova provocação: uma foto do time rezando em campo e outra do avião destroçado, mais a legenda “pode confiar, amiguinho, Deus é fiel”. [Puro oportunismo insensível. Curiosamente, são as pessoas que mais sofrem as que mais manifestam fé e solidariedade. É muito fácil para o engenheiro Sottomaior, em sua sala refrigerada, ficar discorrendo nas redes sociais sobre Deus, a dor e o sofrimento humanos. Pergunte-se a um refugiado cristão que foge de terroristas islâmicos, ou a um africano que luta entre a vida e a morte por falta de alimento. Estes, sim, poderão lhe falar sobre a fé e o sofrimento.]

A Atea se desculpou depois “por não ter mostrado mais claramente como a religião se aproveita de momentos de dor como este para impedir o pensamento racional”. [Em outra evidência de total insensibilidade.]

À Folha Sottomaior lança uma metáfora para explicar sua birra com a “ficção divina”. “Digamos que um belo dia alguém evoque o Supremo Enxugador de Gelo, um ser incorpóreo. O movimento dá crias, começam as desavenças entre os grupos, o enriquecimento com enxugamento de gelo alheio, a ideia de que quem não enxugar gelo é mau. E, no fim, enxugar gelo não vai ajudar ninguém.” [Comparação descabida que ignora as muitas evidências da existência de Deus e de que a Bíblia é a revelação dEle. Danem-se a arqueologia, as profecias cumpridas, a história, a física, a biologia, as provas de que a religião faz bem à saúde, de que fomos criados para crer e de que os religiosos operam obras assistenciais em todo o mundo. Enxugar gelo é brigar com um Deus em quem não se crê e jogar para baixo do tapete os méritos da boa religião.] [...]

Sottomaior prega o ódio contra religiões e acha que isso não é sinônimo de intolerância contra seus adeptos (“ideias não têm direito, pessoas sim”). Ao mesmo tempo, critica o que julga ser preconceito contra os descrentes. [É preciso admitir que esse preconceito existe, mas não é promovendo um preconceito que se combate outro.]

Exemplos não faltam. O estudante paraense Jhonatas, 18, prefere omitir o sobrenome para não se indispor ainda mais com a família – que por pouco não o expulsou de casa por ser ateu. “Assistimos a uma reportagem sobre o terror do Estado Islâmico. Disse: ‘Fazem isso em nome de um deus que nem existe.’ Para eles era fase, eu tomaria jeito. Mas perceberam que eu não ia mudar e começaram a falar que quem não tem Deus no coração não ama ninguém.” [...] [Outro mal exemplo de tomar o todo pela parte. Quem disse que os membros do Estado Islâmico representam a totalidade dos religiosos? Muito pelo contrário: esse tipo de radical é a minoria. E se eu usar o mesmo argumento para dizer que o ditador da Coreia do Norte – ou outro doido comunista – representa os ateus de todo o mundo?]

“É preciso ter presente que o Estado é laico, mas a cultura brasileira é marcada pela religiosidade. O próprio Estado deve garantir a liberdade de expressão religiosa, não somente privada, mas também pública”, diz dom Sergio da Rocha, presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). “Quem combate as manifestações religiosas não contribui para a construção de uma democracia madura.”

Para Sottomaior, haverá sempre uma boia de salvação na América Latina: o Uruguai, onde 4 a cada 10 habitantes dizem não ter religião e os prédios públicos não exibem imagens religiosas. Definitivamente não graças a Deus. [Sottomaior devia falar também dos inúmeros prêmio Nobel judeus, da pujança científica e tecnológica de um dos maiores países cristãos do mundo (EUA) e por aí vai. A culpa de o Brasil ser o que é não é da religião cristã, mas isso todo mundo deveria saber.]


Nota: Causa-me revolta ver a Folha de S. Paulo concedendo tanto espaço para ateus militantes irados e até blasfemadores (confira aqui). A atitude de certos setores da mídia é a de dar um megafone às minorias e ignorar a voz da maioria. [MB]

Clique aqui e leia mais sobre as ideias e ações de Sottomaior. Leia também a crítica de um ateu ex-membro da Atea e sobre a tremenda insensibilidade da Atea quando do acidente envolvendo a equipe da Chapecoense.

Ciência e religião: duas faces da mesma moeda

Ele estende os céus do norte sobre o espaço vazio; suspende a terra sobre o nada. Jó 26:7, NVI

Muitos cientistas contemporâneos argumentam que é impossível crer em Deus e ser um profissional sério. Entretanto, vários pesquisadores que ajudaram a lançar as bases da ciência moderna eram criacionistas. Um exemplo clássico é Isaac Newton, nascido em Woolsthorpe, Inglaterra, no dia 4 de janeiro de 1643. Considerado por muitos o cientista mais influente de todos os tempos, ele ajudou a desenvolver conceitos sobre física, astronomia, matemática e ciências naturais. Além disso, é extremamente conhecido pela Lei da Gravitação Universal, pelas Três Leis do Movimento e por seus estudos sobre a refração da luz.

Em 1676, Newton confessou: “Se consegui ver além dos outros, é por estar de pé sobre os ombros de gigantes.” Posteriormente, acrescentou: “Não sei como pareço para o mundo; mas, para mim, sou apenas como um menino brincando na praia e me divertindo de vez em quando, ao encontrar uma pedra mais lisa ou uma concha mais bonita do que de costume, enquanto o grande oceano da verdade permanece intocado à minha frente.”

Contrariando pesquisadores modernos que acreditam que a ciência tem a palavra final sobre a origem e a complexidade do Universo, Newton afirmou: “A gravidade consegue explicar o movimento dos planetas, mas não explica o que colocou os planetas em movimento.” E mais: “A gravidade pode colocar os planetas em movimento, mas, sem o poder divino, ela nunca seria capaz de colocá-los em uma órbita tão circular quanto a que têm em volta do Sol. Logo, por esse e outros motivos, sou compelido a atribuir a estrutura desse sistema a um Ser inteligente.”

Ciente das limitações da ciência e da razão humana [humanas], Newton nunca perdeu de vista a confiança em Deus como Criador e “Governante Universal”. Ele inclusive escreveu mais sobre religião do que sobre ciência. Em 1733, sua célebre obra As Profecias de Daniel e o Apocalipse foi publicada postumamente, em Londres.

Para o célebre cientista, “a oposição à fé em Deus é ateísmo em profissão e idolatria na prática”. Em outras palavras, não existe ateísmo de verdade, somente uma transferência de adoração. Aqueles que não adoram a Deus acabam adorando a si mesmos ou criando os próprios deuses preferidos, a despeito de quem ou do que eles sejam.”

(Alberto Timm, Um Dia Inesquecível)

quarta-feira, janeiro 03, 2018

Descoberto selo de 2,7 mil anos que pertenceu a governador de Jerusalém

Arqueólogos israelenses revelaram na segunda-feira uma impressão de carimbo em argila de 2.700 anos que acreditam ter pertencido a um governador bíblico de Jerusalém. O artefato, que traz inscrições em hebraico antigo dizendo “pertence ao governador da cidade”, provavelmente estava anexado a uma entrega ou foi enviado como um presente em nome do governador, autoridade local mais proeminente de Jerusalém na época, afirmou a Autoridade Israelense de Antiguidades. O carimbo, do tamanho de uma pequena moeda, representa dois homens de pé, de frente um para o outro de forma semelhante a um espelho e vestindo roupas listradas até os joelhos. Foi descoberto perto do Muro Ocidental da Cidade Velha de Jerusalém.

“Ele apoia a interpretação bíblica da existência de um governador da cidade em Jerusalém há 2.700 anos”, declarou Shlomit Weksler-Bdolah, da Autoridade Israelense de Antiguidades. Os governadores de Jerusalém, nomeados pelo rei, são mencionados duas vezes na Bíblia: no segundo livro de Reis, que se refere a Joshua que ocupa a posição, e no segundo livro de Crônicas, que menciona Messias na postagem durante o reinado de Josiah.

O anúncio da Autoridade das Antiguidades ocorreu várias semanas depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu Jerusalém como a capital de Israel, uma decisão que anulou uma política de décadas sobre o status da cidade e gerou protestos palestinos e preocupação internacional.

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