quinta-feira, outubro 18, 2018

General diz que criacionismo deveria ser ensinado nas escolas


[A matéria a seguir foi escrita pelo jornalista Bruno Boghossian para a Folha de S. Paulo, e publicada no dia 16 de outubro:] “As conspirações sobre a ideologia nas escolas atingiram o insuspeito Charles Darwin [sic]. Um general que elabora propostas na campanha de Jair Bolsonaro diz que a teoria da evolução deve ser ensinada ao lado do criacionismo (a ideia de que Deus criou diretamente o homem). ‘Muito da escola está voltado para orientação ideológica […]. Houve Darwin? Houve, temos de conhecê-lo. Não é para concordar, tem de saber que existiu’, afirmou Aléssio Souto ao jornal O Estado de S. Paulo. As duas visões devem ser mantidas em esferas distintas, mas o militar segue uma linha em que a religião disputa espaço com a ciência. Ele diz que um pai ‘não está errado’ se quiser que o professor ensine teoria da criação no lugar do darwinismo.

“A sugestão causa arrepios em especialistas. ‘Esse debate deve ocorrer no campo da religião, nas aulas de filosofia ou sociologia’, afirma Priscila Cruz, do movimento Todos pela Educação. ‘Na ciência e na biologia, o criacionismo deveria ser banido.’ Ao tratar pontos do ensino científico como desvio ideológico, assessores de Bolsonaro aplicam, eles mesmos, um viés político à educação. ‘Quando você iguala ciência e ideologia, você anda para trás, ignora séculos de aprendizado’, diz Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciências. ‘A teoria da evolução não é ideológica. É resultado de percepções científicas e foi testada ao longo do tempo.’”

Nota do blog Desafiando a Nomenklatura Científica: “Davidovich cometeu dois erros:  
 
“1. A teoria da evolução é sim ideológica - quem disse foi Darwin em uma de suas cartas que pelo menos ele tinha dado um chega pra lá no criacionismo. 

“2. A teoria da evolução foi testada em nível microevolutivo; macroevolutivo, não! A descendência com modificação ao longo do tempo, por exemplo. Nunca explicaram a Explosão Cambriana. Quais são os mecanismos evolucionários? De A a Z? Qual a origem da informação genética? Por que do upgrade para a Síntese Evolutiva Ampliada/Estendida com aspectos neolamarckistas porque a Síntese Evolutiva Moderna já era em 1980 uma teoria científica falida que posava de ortodoxia científica somente nos livros-texto?

“Sim, a teoria da evolução deve continuar sendo ensinada em nossas escolas, mas deve ser ensinada objetiva e honestamente considerando as evidências a favor e contra. Do jeito que a teoria da evolução é ensinada no Brasil, não é educação, mas doutrinação ideológica do materialismo filosófico que posa como se fosse ciência!”

Leia aqui a posição da Sociedade Criacionista Brasileira quanto ao ensino do criacionismo em escolas públicas.

Mutações aumentam a informação genética?

Mutação é toda e qualquer alteração do material genético, não importando se estas ocorrem nas células somáticas ou em células germinativas (Junker e Scherer, 2002). Porém, para os processos evolutivos, mutações importantes são apenas as que alteram o material genético de células germinativas e suas células precursoras, isto porque apenas estas são transmitidas hereditariamente à geração seguinte. Mas qual é o papel que ela desempenharia no processo de macroevolução? Uma das premissas evolucionárias é a de que alguns mecanismos evolutivos, tais como a seleção natural agindo sobre mutações aleatórias, recombinação genética e duplicações gênicas produziriam variação alélica e, consequentemente, aumento de informação genética ao longo do tempo. Será que essa ideia ainda se mantém à luz dos atuais dados científicos?
Fato é que desde a “redescoberta” das leis de Mendel, por Hugo de Vries e colaboradores (Moore, 2004), no início do século 20, que então deu origem à síntese evolutiva moderna ou neodarwinismo, o DNA sempre se demonstrou incompatível com essa hipótese que defende que a vida é fruto de causas exclusivamente naturais.
Por outro lado, cientistas tedeístas e criacionistas entendem que a ideia de que mutações genéticas, quando combinadas com o processo de seleção natural, promoveriam a “evolução” – geralmente usada como sinônimo de macroevolução – é um atestado de ignorância em seu sentido literal de, ou desconhecer alguns fatos fundamentais sobre este assunto ou ignorar os dados.

quarta-feira, outubro 17, 2018

Darwin presidente: o fascismo evolucionista (parte 2)

Quais são as origens e as bases dos pensamentos que levaram ao surgimento do fascismo – uma das filosofias de resultados mais funestos já vistos na história da humanidade? Descubra na continuação da nossa série de posts sobre os fundamentos filosóficos das principais correntes políticas e sociais do mundo atual. Hitler era cristão? Judeu? Cético ateísta? Uma das mentes mais perversas e misteriosas da história humana tinha ligações mesmo com o misticismo.[1] Mas, na base de todos os seus sofismas, o fascismo era fundamentado na teoria da evolução.

Na última postagem, foi produzida uma breve descrição das principais correntes políticas e sociais que estão influenciando a política mundial na atualidade. Falou-se sobre a influência do evolucionismo no marxismo social e político do fim do século 19, e como Marx foi admirador de Darwin e promotor do que Engels chamou de “evolucionismo sociológico”. Neste post, você verá como a teoria da evolução embasou o fascismo italiano e o nazismo, e como se percebe essa influência na política atual.

O evolucionismo como fundamento do sofisma da superioridade racial

Derivada da ideia da seleção natural de Darwin, Herbert Spencer desenvolveu a ideia do Darwinismo Social.[3] De acordo com esse pensador, assim como teria acontecido com os organismos na biologia [sic], as sociedades também teriam evoluído por meio da luta que produziria a seleção natural. O próprio termo “sobrevivência do mais apto” (survival of the fittest) foi cunhado por Spencer e não por Darwin.[3] De acordo com o site History Hits, o darwinismo social teve seu trágico ápice com o desenvolvimento da política genocida nazista nos anos 1930 e 40. Na visão do movimento nazista, a raça ariana seria um subgrupo da raça caucasiana, de origem indoeuropeia, sendo que os arianos (povos alemães) representariam o que haveria de mais puro (e evoluído) dentre os povos caucasianos e, por conseguinte, do mundo todo.[4]

Os teóricos raciais Arthur de Gobineau e Houston Stewart Chamberlain foram alguns dos principais proponentes das teorias arianas de supremacia racial vastamente utilizadas pelos nazistas[5] para justificar o massacre de povos não arianos, em especial os judeus (semitas, mas classificados por Hans Günther e outros como Armenóides) e os negróides. Além desses dois teóricos racistas, Hans Günther teria identificado a emergência de cinco subtipos raciais na Europa: nórdicos, mediterrâneos, dináricos, aplinos e leste-bálticos. Não surpreendentemente, Günther identificou os nórdicos como ranqueados na mais alta posição da cadeia evolutiva.[6]

Hitler teria lido a obra de Günther, Rassenkunde des Deutchen Volkes, o que acabaria por influenciar o ditador na sua relação com os povos circunvizinhos e daria ao teórico racial um lugar assegurado no departamento de antropologia da Universidade de Jena, em 1932, onde Hitler teria assistido à aula inaugural do professor Günther.[7] Günther havia usado diversas fotografias para classificar diferentes variações dos povos europeus, e suas classificações foram embasadas em medidas corporais e habilidades mentais e traços de personalidade, incluindo a religiosidade. Os judeus foram vistos por Günther como possuindo habilidades comerciais e, segundo ele, com fortes habilidades de manipulação psicológica que os auxiliavam no comércio. De acordo com esse teórico, os habitantes do Oriente Médio teriam habilidades natas não para a conquista da natureza, mas para a conquista e exploração das pessoas.[8]

Hitler considerava perigosas as influências dos povos semitas mesmo em outras etnias caucasianas, fato é que o Führer alemão classificou mesmo os eslavos como “subumanos” (untermenschen), por entender que sofreram, em maior ou menor grau, influência dos povos armenóides ao longo da sua história.[4] Os eslavos, de acordo com Hitler, eram uma raça nascida inerentemente escrava e carente de um mestre.[9] Surpreendentemente, como o ditador considerou esse povo “subumano”, entendeu que a convenção de Genebra não se aplicava a eles.[10] Essa ideia logo se espalhou para outras etnias consideradas subumanas, e as ordens do ditador e de seus oficiais eram de aniquilar, remover ou escravizar os conquistados que não fossem considerados arianos. Joseph Goebblels, ministro da propaganda de Hitler, comparou os povos eslavos a uma família de coelhos, no sentido de serem preguiçosos e desorganizados, e referiu-se a eles, em um certo pronunciamento na mídia alemã, como uma raça primitiva de animas advindos da tundra siberinana, que pareciam “uma onda negra de imundície”.[11]

O fascismo italiano, apesar de ter surgido antes do fascismo alemão (nazismo), é explorado nesse ponto pelo fato de que incorpora, essencialmente, os mesmos preceitos do nazismo, mas com diferenças que podem ser mais bem explanadas depois de compreendidas as premissas que se tornaram notoriamente manifestas no nazismo. Distinções se destacam pelo fato de que o fascismo italiano incorporava à raça ariana a etnia mediterrânea, como não poderia deixar de ser.[14] Mas, talvez, a mais destacada dessemelhança entre o fascismo italiano e o nazismo seja a de que Mussolini considerava como elemento racial superior os aspectos culturais e espirituais associados à etnia em questão. É reportado que Mussolini rejeitou a ideia de superioridade genética per se, embora o fator biológico não tenha sido eliminado por completo do racismo fascista.[15] Mussolini via o nordicismo – aspecto fascista alemão que apregoava o arianismo como manifesto sobretudo em cabelos loiros e olhos azuis – como um complexo de inferioridade que havia sido imposto aos povos mediterrâneos, inerentemente alijados dessas características, e desejava que esse sentimento de baixa autoestima não retornasse aos corações italianos.[14] No entanto, parece que beber do próprio veneno não impediu que Mussolini participasse, em grande medida, das ideias racistas que ceifariam a vida de milhões de vidas inocentes durante as campanhas do eixo na segunda guerra mundial.

Hitler judeu?

Muita discussão foi realizada em torno dos critérios para a classificação de povos e indivíduos como arianos mas, de maneira geral, bastava que um cidadão tivesse apenas um dos avós identificado como judeu para perder sua classificação “ariana”. Curiosamente, Hitler nunca teria conseguido provar a “arianidade” de todos os seus avós, dos quais acredita-se que o avô paterno possa ter tido origem judaica, embora esse fato venha a ser contestado por outros historiadores.[12] Todavia, em 2010 um artigo do jornal britânico The Daily Telegraph publicou um estudo no qual foram coletadas amostras de saliva de 39 parentes de Hitler e não chegou à conclusão definitiva sobre a questão da ancestralidade judaica do ditador alemão. Um cromossomo, chamado Haplogroup E1b1b1, encontrado nas amostras de Hitler, é considerado raro nos povos da Europa ocidental, mas é comumente encontrado nos povos bérberos do Marrocos, Algéria, Tunísia e nos judeus Asquenazi e Sefárdicos. Esse cromossomo está presente em cerca de 20% dos cromossomos Y dos judeus Asquenazi e até 30% dos cromossomos Y dos judeus Sefárdicos. No entanto, a conclusão geral é a de que não se pode dizer se Hitler era judeu, embora não seja possível descartar completamente a hipótese de alguma influência na ancestralidade.[13]

Os evolucionistas contra-atacam

Muito embora vários defensores do evolucionismo tenham iniciado uma espécie de guerra santa para tentar desvincular o darwinismo dos fundamentos do nazismo, é notável que o pressuposto da superioridade racial, que fundamentou atrocidades vistas durante a tentativa de construção do Terceiro Reich na Alemanha hitlerista, se constrói sobre um pressuposto evolucionista. Richard Weikart, no seu livro Hitler’s Religion: The twisted beliefs that drove the Third Reich,[2] afirma que uma suposta perseguição do evolucionismo darwinista pelos nazistas foi, na verdade, limitada e bastante pontual, e, na realidade, não poderia ser chamada de perseguição. Livros darwinistas teriam sido queimados em fogueiras alemãs, mas isso ocorreu com centenas de outros títulos, de teor inclusive oposto ao evolucionismo. O autor diz que altos oficiais da SS (organização paramilitar nazista, responsável por grandes crimes de guerra), professores, políticos e filósofos empregados pelo partido eram darwinistas declarados e proeminentes. A evolução humana e biológica era tema do currículo escolar e universitário na Alemanha de Hitler. Na verdade, segundo Weikart, a real motivação para a afirmação de que o darwinismo fora banido da Alemanha nazista foi um artigo de um jornal para bibliotecários de 1935 que orientava as bibliotecas alemãs a banirem o darwinismo ultrapassado, citando Haeckel e Ostwald, mas não Darwin. De fato, tratou-se de uma orientação menor, realizada por um oficial de baixo escalão, para eliminar algumas obras de um evolucionismo muito embrionário e que jamais teve efeitos de coibir ou desincentivar o ensino do evolucionismo na Alemanha nazista.[2]

Conclusão

É possível, e mesmo provável, que o fascismo tivesse surgido mesmo sem a construção da teoria da evolução por Darwin ou por qualquer outro autor. Hitler não era um ser cético e desprovido de espiritualidade,[1] razão pela qual se pode supor que não foi, evidentemente, a razão que moveu não apenas Hitler, mas também Mussolini e outros a produzirem tal estado de coisas que culminaram com uma das maiores matanças da raça humana em vários séculos.

O fascismo não dependeria vitalmente do darwinismo para existir, mas pode-se concluir, com bastante segurança, que o darwinismo proveu uma justificativa, ainda que, na melhor das hipóteses, distorcida para que tais opositores do bem pudessem fazer prosperar seus desejos mais sórdidos de conquista e poder total. Opositores do cristianismo e diversos defensores do evolucionismo têm se reunido para dizer que Hitler era cristão e perseguiu o evolucionismo, o que dificilmente se faria em uma análise mais aprofundada e honesta.[2] Hitler e seus comparsas buscaram no misticismo qualquer centelha de esperança de obter vantagem no projeto de dominação global pelas vias mais obscuras que pudessem conceber.[1] Nem a mais abjeta interpretação das Escrituras permitiria tais comportamentos sob a alcunha de “cristianismo”.

Surpreendentemente, porém, levado em seus extremos, o pensamento evolucionista apregoa justamente isto: a sobrevivência do mais apto. Mais apto significa ser mais astuto e sagaz? Significa ser o mais fortemente armado? O mais inteligente e forte no objetivo de destruir os competidores pelos recursos escassos da natureza? Pode-se racionalizar que, assim como nos enxames de animais que vivem em coletividade, que a sobrevivência do companheiro de espécie é estratégica. No entanto, essa justificativa não é suficiente, não apenas para explicar o verdadeiro altruísmo, mas também para eliminar a possibilidade da destruição gerada pela competição pelo alimento escasso e pela reprodução dos melhores espécimes.

Em oposição à morte, à destruição e frustração que são resultado certo das filosofias humanas alijadas de Deus, Cristo certa vez disse: “Eu vim para que tenham vida, e vida em abundância” (João 10:10). A Bíblia não somente oferece uma resposta adequada para os conflitos humanos, mas também a melhor resposta e a única saída completamente e mais do que satisfatória para a angústia humana.

Alexsander Silva

Referências:
[1] Knowles, C. (2008). Nossos deuses são super-heróis. Ed. Cultrix.
[2] Weikart, R. (2016). Hitler's Religion: the twisted beliefs that drove the Third Reich. Regnery History.
[3] Browne, A. (2018, august 7). Social darwinism in nazy Germany. Disponível em: https://www.historyhit.com/social-darwinism-in-nazi-germany/
[4] Longerich (2010). Holocaust: The Nazi Persecution and Murder of the Jews. Oxford; New York: Oxford University Press. 
[5] Yenne, Bill (2010). Hitler's Master of the Dark Arts: Himmler's Black Knights and the Occult Origins of the SS. Minneapolis: Zenith.
[6] Bruce David Baum. The Rise and Fall of the Caucasian Race: A Political History of Racial [7] Identity. New York, New York, USA; London, England, UK: New York University Press, 2006. P. 156.
ohn Cornwell. Hitler's Scientists: Science, War, and the Devil's Pact. Penguin, Sep 28, 2004. [1], p. 68 
[8] Alan E Steinweis. Studying the Jew: Scholarly Antisemitism in Nazi Germany. Harvard University Press, 2008. P. 28. 
[9] Marvin Perry. Western Civilization: A Brief History. Cengage Learning, 2012. P. 468. 
[10] Anne Nelson. Red Orchestra: The Story of the Berlin Underground and the Circle of Friends Who Resisted Hitler. Random House Digital, Inc., 2009. P. 212. 
[11] Richard C. Frucht (31 December 2004). Eastern Europe: An Introduction to the People, Lands, and Culture. ABC-CLIO. pp. 259 
[12] Toland, John (1992) [1976]. Adolf Hitler. New York: Anchor Books. 
(Algumas referências foram retiradas da Wikipedia) 
[13] Adolf Hitler: Was Hitler jewish? Disponível em: https://www.jewishvirtuallibrary.org/was-hitler-jewish. 
[14] Aaron Gillette. Racial Theories in Fascist Italy. London, England, UK; New York, New York, USA: Routledge, 2001. Pp. 39. 
[15] Glenda Sluga. The Problem of Trieste and the Italo-Yugoslav Border: Difference, Identity, and Sovereignty in Twentieth-Century. SUNY 

De onde veio tanta água para um dilúvio?

"O planeta Terra faz sua própria água a partir do zero no fundo do manto", foi a manchete do artigo de 27 de janeiro de 2017 da New Scientist's Daily News.[1] É irônico que os cientistas secularistas ainda procurem explicar de onde veio a água da Terra. Por muitos anos eles têm se empenhado em preencher as “lacunas” de sua “história” sobre como a nossa terra natal “surgiu” e tornou-se tão habitável para a vida ao longo de sua suposta história de bilhões de anos. Os secularistas acreditam que a Terra se condensou da matéria acumulada da nebulosa solar 4,56 bilhões de anos atrás. Inicialmente era uma bolha quente fundida que esfriava. Eles costumavam sugerir que a maior parte da água vinha de dentro dessa Terra que esfriava lentamente, mas não o suficiente para encher os oceanos que temos hoje na superfície da Terra. Uma teoria outrora popular era a de que os cometas (que são essencialmente grandes e sujas bolas de gelo) colidiam com a Terra e depositavam sua água em nossa superfície. 

Enquanto isso, esses mesmos secularistas e céticos da Bíblia têm exigido que nós, crentes na Bíblia, expliquemos de onde vieram as águas para inundar a Terra durante o cataclísmico dilúvio de Gênesis. Nossa resposta não mudou desde que o livro de Gênesis foi escrito por revelação especial de Deus: “Todas as fontes do grande abismo foram quebradas” (Gênesis 7:11). Em outras palavras, algumas das águas para o dilúvio vieram de dentro da Terra, adicionando às águas que já cobriam a Terra desde o princípio, no “dia um” da Semana da Criação (Gênesis 1:2); no terceiro dia, Deus reuniu as águas em um lugar e as chamou de mares (Gênesis 1:9, 10). Naturalmente, esses mesmos secularistas e céticos da Bíblia dizem, como previsto em 2 Pedro 3:3-6, que nunca houve um dilúvio global na Terra, embora ainda esteja 70% coberta por água. Mas, ironicamente, eles também dizem que, devido às muitas evidências da maciça erosão da água em Marte, houve uma inundação aquosa de proporções bíblicas no planeta no passado, mesmo que a superfície desse planeta esteja seca hoje! 

Então o que é essa nova evidência que os secularistas descobriram que confirma o que a Bíblia sempre disse? O enorme estoque de água da Terra pode ter se originado por meio de reações químicas no manto, ao invés de chegar do espaço graças a colisões com cometas ricos em gelo. Esse é o resultado de uma simulação computacional de reações no manto superior da Terra entre o hidrogênio líquido e o quartzo, a forma mais comum e estável de sílica nessa parte do planeta. A reação simples ocorre a cerca de 1.400 °C e pressões 20 mil vezes mais altas que a pressão atmosférica, uma vez que a sílica, ou dióxido de silício, reage com o hidrogênio líquido para formar água líquida e hidreto de silício.[2] Os resultados dessas simulações de computador acabam de ser relatados por Zdenek Futera na University College Dublin, na Irlanda, e seus colaboradores.[3] Esse último trabalho simula essa reação sob várias temperaturas e pressões típicas do manto superior entre 40 e 400 quilômetros de profundidade. Ele faz o backup de trabalhos anteriores de pesquisadores japoneses que realizaram e relataram a reação em si em 2014.[4] 

Nesse estudo anterior, Ayako Shinozaki da Universidade de Tóquio e seus colaboradores conduziram experimentos com quartzo natural (SiO2) em uma minúscula câmara colocada sob altas pressões em uma célula de bigorna de diamante na qual o hidrogênio puro (H2) foi introduzido como um fluido supercrítico. A câmara foi então também aquecida. Suas investigações da reação química nesses experimentos determinaram que o quartzo se dissolveu no fluido de hidrogênio, e água (H2O) e hidreto de silício (SiH4) se formaram. 
Eles concluíram que o hidrogênio poderia potencialmente ser oxidado para formar água no manto da Terra, quando a sílica (SiO2 componentes de minerais do manto) se dissolve no fluido de hidrogênio, ambos presentes no manto superior. Então, o que há de novo nesse último estudo? 

O membro da equipe John Tse, da Universidade de Saskatchewan, no Canadá, comentou: “Montamos uma simulação de computador muito próxima de suas condições experimentais e simulamos a trajetória da reação.”[5] Mas, surpreendentemente, eles descobriram que “o fluido de hidrogênio se difunde através da camada de quartzo, formando água não na superfície, mas na maior parte do mineral”. De acordo com Tse: “Analisamos a densidade e a estrutura da água aprisionada e descobrimos que ela é altamente pressurizada.”[6] Os autores também descobriram que a pressão pode chegar a 200.000 atm. 

A equipe de pesquisa, portanto, sugeriu que essa nova água pode estar sob tanta pressão que pode provocar terremotos a centenas de quilômetros abaixo da superfície da Terra, tremores cujas origens até agora permaneceram inexplicadas. “Observamos que a água está sob alta pressão, o que pode levar à possibilidade de terremotos induzidos”, diz Tse.[7] Os terremotos podem ser desencadeados quando a água finalmente escapa dos cristais. A ocorrência de terremotos profundos na litosfera do manto superior sob crátons estáveis (os núcleos fundamentais dos continentes) é conhecida, mas permanece enigmática em sua origem.[8] 

Por exemplo, o terremoto de 2013 no Rio Wind (Wyoming) ocorreu a 7,5 ± 8 quilômetros, bem abaixo da base da crosta, sugerindo que ele representava falhas frágeis em altas temperaturas em rocha próximas ao manto. No entanto, o mecanismo desencadeador de tal falha frágil próxima ao manto estável permaneceu um mistério. Essas novas simulações feitas por computador por essa equipe de pesquisadores mostraram agora que a água pressurizada da reação entre sílica e hidrogênio poderia ser um possível gatilho para iniciar terremotos profundos na litosfera, próximo ao manto, abaixo dos continentes. 

Outros pesquisadores concordam, como John Ludden, diretor executivo da British Geological Survey.[9] Mas, obviamente, mais pesquisas são necessárias para quantificar a quantidade de água liberada que seria necessária para desencadear terremotos tão profundos. 

No entanto, o que é ainda mais significativo é que essa equipe de pesquisa sugere que suas descobertas também podem nos informar sobre como nosso planeta conseguiu sua água no princípio. "Enquanto o fornecimento de hidrogênio puder ser sustentado, pode-se especular que a água formada a partir desse processo poderia ser um contribuinte para a origem da água durante a acreção inicial da Terra", diz Tse. “A água formada no manto pode alcançar a superfície através de múltiplas formas, por exemplo, carregadas pelo magma em atividades vulcânicas.”[10] E também é possível que a água ainda esteja sendo formada no interior da Terra hoje. Esse “estudo destaca como os minerais que compõem o manto da Terra podem incorporar grandes quantidades de água, e como a Terra é provavelmente 'molhada' de certo modo até o seu centro”, diz Lydia Hallis, da Universidade de Glasgow, Reino Unido.[11] 

No entanto, esse último anúncio não é novo, considerando que numerosos estudos publicados ao longo de mais de duas décadas e meia encontraram evidências de vários oceanos de águas confinadas em rochas e minerais do manto. Mesmo recentemente, em novembro de 2016, houve notícias sobre a descoberta de água em uma inclusão dentro de um diamante que teria chegado à superfície da Terra a partir de mil quilômetros de distância no manto.[12] Uma equipe internacional havia estudado um diamante encontrado no sistema do rio São Luís, em Juína, Brasil, e encontrou uma inclusão mineral selada que ficou aprisionada durante a formação do diamante.[13] Quando os pesquisadores examinaram mais de perto essa inclusão com microscopia de infravermelho, viram a presença inconfundível de íons de hidroxila (OH-), que normalmente vêm da água. Eles identificaram o mineral como ferropericlase, que consiste em óxido de ferro e magnésio e também pode absorver outros metais, como cromo, alumínio e titânio, à temperaturas e pressões ultra-altas do manto inferior. 

De acordo com o membro da equipe Steve Jacobsen, da Universidade Northwestern, em Evanston, Illinois, o argumento decisivo foi que, uma vez que a inclusão foi aprisionada no diamante durante todo o tempo, a assinatura de água só pode ter vindo do lugar de formação do diamante no manto inferior.[14] “Essa é a mais profunda evidência para a reciclagem de água no planeta”, disse Jacobsen. “A grande mensagem para levar para casa é que o ciclo da água na Terra é maior do que jamais imaginamos, estendendo-se para o manto profundo. A água claramente tem um papel na tectônica de placas, e nós não sabíamos antes qual o efeito dela no processo. Isso tem implicações para a origem da água no planeta.”[15] 

Em 2014, reportamos outro estudo similar.[16] Nesse caso, foi encontrada água em um mineral conhecido como ringwoodita, descoberta como uma inclusão em outro diamante brasileiro.[17] Em uma reportagem, baseada em um estudo relacionado relevante,[18] foi até sugerido que um reservatório de água três vezes o volume de todos os oceanos havia sido descoberto a 700 quilômetros abaixo da superfície da Terra, o que é uma boa evidência de que pelo menos parte da água da Terra veio de dentro.[19] Além disso, todos esses estudos publicados recentemente resultam de uma longa história de investigações de amostras de rochas do manto e minerais trazidos para a superfície da Terra pelo vulcanismo, juntamente com estudos de terremotos profundos.[20] A conclusão coletiva é que existem grandes quantidades de água armazenadas no manto da Terra dentro de seus minerais. E essa água não apenas auxilia na convecção do manto, nos movimentos das placas e no vulcanismo, como também pode ser liberada na superfície da Terra por meio de atividade vulcânica. “Na verdade, a mais de 400 quilômetros dentro da Terra pode haver água suficiente para substituir os oceanos superficiais mais de dez vezes!”[21] 

No entanto, Raymond Jeanloz, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, não consegue entender “um súbito derramamento de água, no modelo de Noé... mesmo que a balança incline para uma saída maior”.[22] Assim, é apenas seu viés evolucionário que o impede de aceitar que uma explosão catastrófica de água sob pressão no manto poderia ter ocorrido como no “modelo de Noé ”, assim como a Bíblia descreve. Portanto, é óbvio que a declaração do relato de Gênesis de que o cataclísmico dilúvio global começou com “as fontes do grande abismo” sendo quebradas (Gênesis 7:11). É uma descrição vívida de uma explosão catastrófica de água na superfície da Terra. 

Também é óbvio que a água foi armazenada sob alta pressão no manto durante a era pré-diluviana. Tal explosão de água teria acompanhado um afloramento de plumas de materiais do manto que se fundiam à medida que subiam para entrar em erupção e produzir um vulcanismo catastrófico. Sob os oceanos, as lavas em erupção produziram um novo fundo oceânico. Nos continentes, as explosões de fluxos de lava e explosões de camadas de cinzas vulcânicas foram depositadas entre camadas sedimentares que rapidamente se acumulavam e enterravam fósseis. A água extra que escorria das fontes aumentava o nível do mar por causa do impulso ascendente do novo e quente leito oceânico, de modo que a água do oceano era capaz de inundar os continentes. Além disso, as explosões de água do manto através de uma vasta rede global de fraturas dividiram o supercontinente pré-diluviano original em “placas tectônicas”.[23] 

A água dentro do manto reduziu a viscosidade do material do manto (tornou o material menos “espesso”) de modo que ajudou a mover as placas tectônicas pela superfície da Terra, produzindo a tectônica de placas de movimento rápido, evento Flood.[24] 

Assim, as águas que vieram de dentro da Terra, combinadas com as águas do original, criaram oceanos para produzir o dilúvio de Gênesis. A descrição da Bíblia desse evento explosivo é meramente confirmada pelas últimas descobertas dos cientistas seculares. 

Podemos sempre confiar totalmente na veracidade do relato do Gênesis sobre o cataclísmico dilúvio global do tempo de Noé e sua história de volta à criação em seu primeiro verso. Assim, a maior parte das águas oceânicas da Terra não veio originalmente do manto, mas foram criadas por Deus já no lugar “no princípio”. 

(Texto original: Dr. Andrew A. Snelling [Answers in Genesis]. Tradução e adaptação: Hérlon S. Costa)

domingo, outubro 14, 2018

Encontrados ovos de dinossauro com embriões no sul da Argentina

Foram encontrados ovos de dinossauro com embriões dentro com 70 milhões de anos [segundo a cronologia evolucionista]. O lugar em que foi descoberto fica na província patagônica de Neuquén, na Argentina, por pessoas locais, informou a mídia argentina. Os ovos foram encontrados por um criador de ovelhas na área chamada Auca Mahuevo, perto da Aguada San Roque, 160 quilômetros a noroeste da cidade de Neuquén. Eles são semelhantes aos encontrados em 1997 em outro ponto da província do sul, disse a diretora provincial do Patrimônio Cultural de Neuquén, Claudia Della Negra, à agência estatal Télam.

“Auca Mahuevo é um lugar onde os ovos de dinossauros aparecem em ninhos, por sua vez associados a esses restos aparece a fauna, animais que eram aqueles que comiam os ovos”, disse o funcionário. [...]

A pesquisa recebeu contribuições da National Geographic, do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (CONICET) e da província espanhola de Zaragoza.


Leia mais sobre ovos de dinossauros. Clique aqui.

quinta-feira, outubro 04, 2018

Vencedores do Nobel de química provaram a evolução?


O Prêmio Nobel de Química deste ano ficou com três cientistas: a norte-americana Frances Arnold, o norte-americano George Smith e o britânico Gregory Winter. Jornais por aí dizem que os premiados assumiram o controle da evolução e usaram a mudança genética e a seleção para desenvolver proteínas que resolvem os problemas químicos da humanidade. “Os métodos que os premiados desenvolveram servem para promover uma indústria química mais verde, amiga do ambiente, produzir novos materiais, fabricar biocombustíveis sustentáveis, tratar doenças e, assim, salvar vidas”, disse o comitê do Nobel.

Entre as mais ufanistas está a reportagem da BBC. Ali é dito que “a evolução foi premiada pelo prêmio Nobel de Química de 2018”. Mas, afinal, o que os premiados fizeram? Eles finalmente provaram que a teoria da evolução é um fato?

Obviamente, o que foi realizado por Frances, Smith e Winter não foi pouca coisa. E isso não está em questão. O que quero discutir é o oportunismo dos evolucionistas em promover sua ideologia macroevolutiva com base em fatos que, na realidade, não a provam.

terça-feira, outubro 02, 2018

Darwin presidente: o evolucionismo na base (de toda) política (parte 1)

Com a corrida eleitoral 2018 no Brasil, incendiaram-se os debates entre os candidatos (e entre a população). No entanto, poucas pessoas sabem que as ideologias de esquerda, direita e terceira posição (extrema-direita) têm algo em comum: adotam na sua base os princípios evolucionistas, não importa se incluem ou não Deus no discurso. E isso traz consequências para você. Esta é a primeira de uma série de três posts nos quais discorreremos sobre como o evolucionismo influencia todas as visões políticas que fundamentam os partidos não apenas do Brasil mas também do mundo.

Quais são as principais correntes ideológicas políticas da atualidade

Antes de partir para a questão do evolucionismo na política e sociologia, precisamos rapidamente entender os pressupostos das grandes correntes políticas que governam o mundo no século 21:

1. Marxismo. O movimento político mais bem delimitado não só no Brasil como no mundo é o Marxismo, origem dos partidos da assim chamada "esquerda". É mais bem delimitado porque, mais do que nos outros movimentos, é fácil identificar os partidos e seus integrantes, não apenas pelo vermelho que seus defensores usam, mas, principalmente, pelas pautas que eles apresentam, que seguem fielmente a cartilha dos pensadores alemães Karl Marx e Friedrich Engels em tópicos sobre capital e distribuição de renda, estrutura da família, papel do Estado, direitos das minorias, dos trabalhadores e do "proletariado", frequentemente reivindicados dos "burgueses". O Marxismo prega a distribuição da renda entre todos, a eliminação das classes sociais, a relativização do conceito de propriedade privada, a liberdade total da sexualidade humana e se opõe ao modelo familiar definido na Bíblia como sendo de criação divina, modelo esse que constitui o fundamento das sociedades ocidentais capitalistas. O marxismo influenciou fortemente a política mundial ao longo do século 20, tendo expoentes nomes como os dos ditadores Joseph Stalin, na Rússia, e Mao-Tsé Tung, na China. Houve diversos países que tentaram implantar as premissas marxistas no movimento Socialista, como Rússia, China, Vietnã, Coreia do Norte, a antiga Alemanha Oriental e outros. Na América Latina encontra forte amparo nos movimentos revolucionários que surgiram em países como Cuba e Venezuela, tendo passagens menores mas significativas em vários outros países sul-americanos.

2. Capitalismo liberal. Porém, o Marxismo surge como reação a uma configuração social mais antiga, a do capitalismo que era praticado como derivação da burguesia comercial da Europa no fim da Idade Média. Essa burguesia, por sua vez, tinha se originado da distribuição de recursos e poder nos feudos dos antigos reinos europeus, e substituiu a relação de senhorio e vassalagem que era ubíqua no Velho Continente até então. O Capitalismo não segue uma cartilha tão estreita como a do Marxismo, mas se baseia fortemente na visão  do Estado mínimo, do livre comércio, do direto à propriedade e da garantia dos contratos. Ou seja, o Capitalismo se interessa em condições favoráveis à prosperidade econômica. Ainda apregoa que a oferta e a demanda equilibram a distribuição de riquezas a preços justos, que seriam definidos por um mercado em que todos os agentes tivessem plena liberdade para estabelecer o valor de seus produtos. Estes pressupostos são obtidos na visão da "Mão Invisível" de Adam Smith e outros, e desde então vêm avançando com força até atingir o estado do chamado neoliberalismo, que bebeu fundo no poço do Tatcherismo inglês dos anos 1980. A maioria das sociedades ocidentais segue o modelo capitalista em maior ou menor grau, com destaque aos Estados Unidos que são, notadamente, a maior economia do mundo e considerados os grandes campeões dessa visão. Por ser uma espécie de rebelião contra o Capitalismo, denunciando as explorações e injustiças deste, o Marxismo é considerado "esquerda". Por inferência, então, o capitalismo passou a ser considerado "direita".

3. Terceira posição. Mas não é tão simples. Chamar de direita o que não é esquerda causa um problema de super-simplificação. Existem outras visões que não se alinham totalmente com o capitalismo liberal econômico que vimos acima. Dentre essas visões não marxistas, vamos destacar aquela que causou maior impacto no cenário geopolítico no século 20: a "extrema-direita" ou fascismo. A titulação de fascismo vem do movimento fascista italiano que surge com o general Benito Mussolini no início do século 20, seguido logo após pelo seu espelho alemão, o Nazismo, cujo expoente principal foi o ditador alemão Adolf Hitler. A história do fascismo se confunde com a das duas grandes guerras, e não dá tanta importância às questões econômicas quanto o liberalismo. A extrema direita geralmente arrebanha adeptos em torno da causa da luta contra a ameaça externa à nação, que é reverenciada como valor supremo (nacionalismo). Os Estados, na visão fascista, estariam constantemente em guerra, declarada ou não, e apenas um governo forte, mantido geralmente por um líder visionário, seria capaz de mobilizar a população, os recursos econômicos e a tecnologia para dar combate aos inimigos nacionais. Controle rígido da ordem, poder total do Estado (totalitarismo) e legitimação do uso da violência  são práticas onipresentes nos movimentos fascistas. Geralmente remetem à superioridade do povo (raça, etnia) e  ao culto às armas. Por ter pouca coisa em comum com o capitalismo liberal que vimos no tópico 2, alguns autores chamam esse movimento de "terceira posição", ou seja, o mesmo não se enquadraria totalmente nem nas premissas do capitalismo liberal, nem nas do marxismo, embora as práticas fascistas tenham muito em comum com o encontrado nas ditaduras de esquerda do século 20 e seus idealizadores tenham se posicionado como pertencendo à direita.

A Evolução e o Marxismo

A filosofia marxista é, admitidamente, um racional ateísta no qual a religião não passaria de um estratagema finamente concebido para manter as classes oprimidas (trabalhadores, pobres) debaixo do poder das classes dominantes (capitalistas, os burgueses) através do medo de um inferno e da cobiça de uma vida melhor no pós-morte. Marx chamou então a religião de "ópio do povo".[1] Na verdade, a teoria da Origem das Espécies através da Seleção Natural, do naturalista inglês Charles Darwin, foi fundamental para o desenvolvimento da teoria de Marx.[2] Marx teria enviado um exemplar da segunda edição alemã da obra O Capital ao próprio Darwin com uma nota de agradecimento e reconhecimento da valiosa contribuição da obra do naturalista britânico para a sua teoria. Engels, amigo de Marx, chegou a afirmar que Darwin "descobriu" a Evolução na biologia [sic] e que Marx havia descoberto a evolução na história social [sic].[2]

Seria, de fato, inconcebível que a filosofia marxista fosse, de alguma forma, tolerante a qualquer ideia que pudesse admitir a existência e soberania do Deus cristão, haja vista seus pressupostos. Marx rejeitava qualquer interpretação espiritual da realidade, afirmando que o presente estado de coisas nada mais é do que uma luta de agentes humanos regidos por leis físicas em busca do controle dos recursos da natureza, dando força à visão materialista da existência.[5]

Juntamente com a exclusão de Deus do racional marxista vem o alijamento das estruturas sociais judaico-cristãs tidas como sagradas no cânon bíblico. A família, na visão de Marx, era nada mais do que uma construção social que havia sido artificialmente implantada por grupos dominantes e que servia ao sistema opressor do capitalismo europeu. Marx afirmou que:
"A família moderna contém em germe não apenas a escravidão (servitus), mas também a servidão, [e] desde o princípio esta está relacionada aos serviços agrícolas. Esta contém, em miniatura, todas as contradições que mais tarde se estendem através de toda a sociedade e o seu Estado."[6, tradução livre]
Engels, possivelmente o segundo maior nome no desenvolvimento da filosofia socialista, via a família como um arranjo evolucionário ditado pelas circunstâncias dos grupos primitivos humanos que lutavam pela sobrevivência nas eras remotas. Para Engels, as famílias ocidentais se originaram e se mantêm graças à dominação masculina, que se dá através do exercício do poder econômico. Com a extinção da supremacia masculina, para o filósofo, viria paralelamente a ruína do modelo monogâmico, através da proliferação dos casos de divórcio e da prática de formas mais "livres" de "amor".[7]

A teoria da evolução, no entanto, não deixaria de produzir seus efeitos mais explícitos e funestos no pensamento marxista. Se o ateísmo, que se apropriou indevidamente de uma parte do método científico para tentar "provar" seus pressupostos materialistas e existencialistas, obteve alguns trunfos racionalistas para se estabelecer como uma verdade plausível, também abriu as portas para a miséria da não existência de um código moral universal e atemporal. Esse código seria encontrado apenas no conceito da Divindade monoteísta que tanto foi atacada por esse movimento. Também deu passagem para a consideração da moralidade (ou, ao menos, da racionalidade) do domínio do mais forte sobre o mais fraco, e também para a ideia de que existam diferenças qualitativas entre humanos e suas raças em termos evolutivos.

Curiosamente, Marx se mostrou um racista notável (ou detestável). Em 1862, sua aversão aos judeus e desprezo às raças negras levou-o a declarar a respeito de um de seus inimigos políticos:
"É agora perfeitamente claro para mim, como a forma de sua cabeça e o crescimento dos seus cabelos indicam, que ele é um descendente de negros que se uniram à fuga de Moisés do Egito (a menos que sua mãe ou avó no lado do pai tenha cruzado com um negro). Essa união de judeu e alemão em uma base negra foi de forma a produzir um híbrido extraordinário."[4, tradução livre]
Marx era adepto da frenologia, uma filosofia surgida no século 19 e que examinava a forma do crânio das pessoas para tentar definir características de personalidade e inteligência.[4] Sua declaração esboça um pensamento que dificilmente seria aceito por um indivíduo socialista do século 21.

O marxismo alegadamente defende as minorias e as classes mais baixas da sociedade, razão pela qual encontra tantos adeptos desses grupos. Mas o que não produz é a percepção de que a igualdade inerente dos homens foi destruída ao eliminar a figura do Criador como o originador da vida e das raças humanas. Esse é o aspecto normativo da igualdade do homem: respeitamos (amamos) o próximo porque ele é nosso igual, e porque isto é moral, ou seja, correto à vista do Criador.

Pode-se alegar, no entanto, que a teoria da evolução social de Marx leva não ao racismo e à intolerância, à exploração do mais fraco pelo mais forte, pelo fato de que todos os indivíduos de uma sociedade são importantes para o grupo, e podem executar uma função em prol da coletividade. No entanto, mesmo que desconsideremos que essa seja uma interpretação restrita e forçada dos pressupostos da evolução, essa visão define uma moralidade utilitarista, em um aspecto instrumental ou pragmático. Isso significa dizer que, de acordo com a sociologia evolucionista, um indivíduo só terá valor na medida em que for útil para o grupo. Na melhor das hipóteses, a sociedade humana seria um enxame de abelhas, ou talvez um pouco menos do que isso.

No próximo post da série discutiremos sobre o evolucionismo no capitalismo liberal. Não perca!

Alexsander Silva

Referências:

creation.com
The Doctrine of Fascism by Benito Mussolini (1932) (in English
Authorized translation of Mussolini's "The Political and Social Doctrine of Fascism" (1933)
Readings on Fascism and National Socialism by Various – Project Gutenberg
"Eternal Fascism: Fourteen Ways of Looking at a Blackshirt"Umberto E
(1) MARX, Karl. Crítica da Filosofia do Direito de Hegel. Introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel. Marxists Internet Archive
(2) Engels, F., Selected Works, 3 vols., International Publishers, New York, p. 153, 1950.
(3) Kirschke, S., Darwin Today, Geissler, E. and Scheler, W. (Eds.), Akademie-Verlag, Berlin, p. 55, 1983.
(4) Marx and Engels, 41, p. 388-390, in: The making of modern economics: The lives and ideas of the great thinkers, p. 146. 
(5) Kelly, J.M., A Short History of Western Legal Theory, Oxford University Press, Oxford, p. 309, 2007.
(6) Marx, K. in: Engels, F.  Origins of the family. Marxists Internet archive.
(7) Engels, F.  Origins of the family. Marxists Internet archive.

A relação “oxigênio e gigantismo” antes do dilúvio

Os paleontólogos sempre se perguntaram por que os animais e vegetais gigantes se limitam ao registro fóssil. Como os níveis de oxigênio no tempo influenciaram a evolução dos seres vivos? Essa é outra questão evolutiva recorrente. Enquanto evolucionistas, a partir de uma cosmovisão naturalista, fazem pesquisas nessa área para interpretar a evolução das espécies ao longo da história do planeta – que supostamente teria passado por concentrações diferentes de oxigênio em sua atmosfera durante o fenerozóico1 – os criacionistas, a partir da cosmovisão bíblica, também entendem a importância e o papel que o oxigênio, em maiores concentrações, teve durante o período pré-diluviano e o impacto causado, agora sob menor concentração, após o dilúvio. Há certo consenso de que no passado a atmosfera do planeta tinha cerca de 50% mais oxigênio do que hoje (35% de O2 no passado comparados aos 21% atuais).2-4 A única diferença entre evolucionistas e criacionistas é em termos de interpretação da época em que isso ocorreu.Por outro lado, um parêntese deve ser feito. Existem algumas poucas evidências que contestam essa ideia.5

Controvérsias à parte, a National Geographic descreveu o cenário evolucionista da seguinte forma:

"Para os insetos gigantes que vagavam pela Terra há 300 milhões de anos [sic], havia algo especial no ar. Uma concentração maior de oxigênio na atmosfera permitia que as libélulas crescessem ao tamanho de gaviões e alguns insetos semelhantes a milípedes alcançassem cerca de 1,80 m (dois metros) de comprimento [...]. Durante o período carbonífero tardio (354 a 290 milhões de anos atrás [sic]), os níveis de oxigênio eram muito mais elevados do que são agora, em parte porque os pântanos de carvão que liberavam o gás no ar eram muito comuns. ‘Naquela época, havia entre 31 e 35% de oxigênio no ar’, disse Kaiser, principal autor do estudo. ‘Agora, temos cerca de 21%. Isso significava que os insetos precisavam de quantidades menores de ar para suprir suas demandas de oxigênio, permitindo que as criaturas crescessem muito mais.’"6



Figura 1: representação de um milípede que viveu no passado, com cerca de 2 metros.



Figura 2: representação de uma libélula que viveu no passado, com mais de 70 cm de diâmetro.

Em 2010, uma pesquisa criou insetos em câmaras hiperbáricas que simulavam as condições de oxigênio da suposta atmosfera da Terra há 300 milhões de anos (durante a Era Paleozóica).8 Sob variadas concentrações de oxigênio os autores do estudo analisaram as mudanças no crescimento corporal e no tamanho da traqueia. Assim como nem todos os insetos eram grandes no passado alguns deles também não crescem muito hoje, mesmo coma presença de maior concentração de oxigênio.

O motivo de essas mudanças acontecerem pode estar nos tubos traqueais ocos dos insetos. As baratas não cresceram mais do que o normal sob diferentes condições de oxigênio, mas as libélulas crescem 20% quando são criadas com um aumento de 10% no oxigênio. A pesquisa oferece mais apoio à ideia de que grandes animais antigos e altas concentrações de oxigênio não eram meras coincidências.

Figura 3: Megaloprepus caerulatus, a maior espécie de libélula existente (esquerda) e Macropanesthia rhinoceros, a maior espécie de barata existente (direita).



Outro estudo feito com as larvas da mosca-pedra sugeriu que o motivo para os insetos do passado crescerem tanto na presença de mais oxigênio possa estar relacionado ao fato de os insetos na forma larval precisarem crescer mais para evitar o envenenamento por oxigênio.9 "Achamos que não é só porque o oxigênio afeta os adultos, mas porque o oxigênio tem um efeito maior sobre as larvas", disse o co-autor Wilco Verberk, da Universidade de Plymouth, no Reino Unido.

No entanto, muitos podem pensar: mas o oxigênio não é letal em condições hiperóxidas? Um estudo foi conduzido em 2007 com Drosophilas (moscas-das-frutas) submetendo-as, em laboratório, a uma atmosfera com 90% de O2.10 Esses níveis deveriam ser letais em moscas que não foram submetidas à seleção, pois tais condições hiperóxidas levam a níveis muito altos de estresse oxidativo. 

Porém, essas moscas sobreviveram e se tornaram 20% mais pesadas com corpos e envergaduras maiores em relação às moscas normais. Os pesquisadores descobriram mudanças na expressão de alguns de seus genes, por exemplo, regulando positivamente dois genes que produzem um peptídeo antibacteriano e diminuindo a expressão de alguns genes envolvidos em vias metabólicas. Ademais, estudos foram feitos com diferentes espécies de besouros e a associação entre oxigênio e gigantismo também foi confirmada.11

Aves
Outro estudo descobriu que os efeitos físicos da densidade variável de gases que compõem a atmosfera – isto é, mais concentração de O2 e pressão atmosférica – também podem influenciar adaptações morfológicas e fisiológicas de aves durante o voo.12 Para os autores, “a variação global na composição atmosférica durante o Paleozóico tardio também pode ter influenciado a evolução inicial e a subsequente diversificação dos pterigotos ancestrais”.

Mamíferos
Quando partimos para a investigação do mundo celular também encontramos associação com o crescimento de células na presença de mais O2, principalmente células de mamíferos (macacos e ratos).13 O conhecimento popular em relação ao oxigênio é o de que, embora essencial para o crescimento de células de mamíferos in vitro e in vivo, é considerado tóxico em concentrações iguais ou acima da concentração de oxigênio em meio de cultura (cerca de 200 microM). 

No entanto, como afirmam os pesquisadores, “ficamos surpresos ao notar que uma linha de células B humanas diplóides (TK6) foi capaz de proliferar normalmente enquanto exposta a 380 microM de oxigênio [ou seja, o dobro da concentração de O2]. Nenhum efeito adverso do oxigênio na sobrevivência das células foi observado para concentrações variando de 60 microM a 410 microM”.

Outro estudo analisou camundongos machos com cinco semanas de idade estimulados a beber livremente água de um bebedouro contendo nanobolhas de oxigênio ou de água normal por 12 semanas.14 As nanobolhas de oxigênio aumentaram significativamente a concentração de oxigênio dissolvido na água. A da água oxigenada promoveu significativamente o aumento do peso e o comprimento de camundongos, comparado ao da água normal.

Outro estudo publicado em 2005 na Science encontrou evidências de que desde o suposto limite Triássico-Jurássico até o presente momento houve variações – de 10% para 23% – no nível de oxigênio atmosférico.15 Numa perspectiva evolucionista, os primeiros mamíferos que surgiram há cerca de 190 milhões de anos atrás eram minúsculos. O estudo sugere que a abundância de oxigênio, que veio logo após a extinção dos dinossauros, poderia ter contribuído para a radiação adaptativa de mamíferos placentários gigantes, como a preguiça de 3 metros.

Os dados vêm de núcleos de sedimentos de águas profundas, datados de 205 milhões de anos atrás, que contêm minerais inorgânicos ricos em carbono, assim como os restos orgânicos do fitoplâncton marinho unicelular. De acordo com a perspectiva evolutiva, esses organismos teriam gerado oxigênio através da fotossíntese e, no processo, deixaram uma assinatura química alterando a proporção dos dois isótopos estáveis ​​de carbono - carbono 13 e carbono 12 - nos sedimentos. Ao comparar a quantidade de carbono 13 nas partículas inorgânicas com a ausência de carbono 13 na matéria orgânica, os cientistas podem estimar quanto oxigênio estava presente na atmosfera naquele momento.

Lagosta
Um estudo analisou a lagosta (Jasus lalandii) sob efeito da exposição em longo prazo a vários níveis de oxigênio em condições de laboratório durante um período de 11 meses. A tendência geral foi uma diminuição no crescimento com níveis decrescentes de saturação de oxigênio.16

Peixes
Um estudo utilizou nanobolhas de ar ou gás oxigênio a fim de investigar o crescimento de peixes.14 O peso total do peixe de água doce aumentou de 3,0 para 6,4 kg em água normal, enquanto aumentou de 3,0 para 10,2 kg em água com nanobolhas de oxigênio. Além disso, o peso total do peixe aumentou de 50 para 129,5 kg em água normal, enquanto aumentou de 50 para 148,0 kg em água com nanobolhas de oxigênio. 

Vegetais
Em, 1997, foi feita uma pesquisa com tomates na qual as plantas de tomateiro foram cultivadas sob alta concentração de O2.17 O resultado foi um aumento acentuado no crescimento das plantas, medido pelo peso da parte aérea e da raiz. Os cientistas perceberam que as plantas altamente oxigenadas permaneceram saudáveis ​​durante todo o experimento e mostraram uma diminuição significativa na colonização da raiz por patógenos em relação aos grupos de plantas submetidas a diferentes condições.

Em 2010 foi feita uma aplicação de oxigênio puro de alta pressão (95% O2) em cultivos da alface.18 O crescimento das plantas de alface tratadas pelo oxigênio altamente concentrado (23 mg/l) foi 2,1 vezes maior que o tratado pela aeração do ar ambiente. Assim, constatou-se que o fornecimento de maior concentração de O2 foi efetivo para melhorar o crescimento das plantas de alface.

Por que o mundo pré-diluviano continha mais oxigênio? E de onde vinha essa concentração maior de oxigênio? Bem, pode ser porque o mundo pré-diluviano apresentava muito mais vegetação produtora de oxigênio, possivelmente, devido a maior área de terra e 'florestas flutuantes', muitas das quais foram enterradas durante o dilúvio.19


 Figura 4: representação diagramática de uma floresta flutuante.

Fato é que, embora o mecanismo que faz com que os insetos cresça na presença de mais O2 ainda esteja sendo investigado, as evidências de associação positiva entre maior concentração de O2 (além de pressão atmosférica) e gigantismos apresentam implicações bíblicas e são mais bem explicadas pelo modelo criacionista de um mundo pré-diluviano mais próximo da perfeição e mais degenerado após o episódio do dilúvio global que teria influenciado os fatores relacionados à atmosfera terrestre. Cada vez mais as peças vão sendo encaixadas nesse enorme quebra-cabeça da real história das nossas origens.

Entretanto, esse tema exige mais pesquisas aprofundadas e a sugestão para os próximos pesquisadores é a de que desvendem uma importante questão que, até onde sei, não foi investigada pela comunidade criacionista: a combustão. A partir de uma perspectiva evolutiva, o Dr. Ian J Glasspool do The Field Museum explicou que "a concentração atmosférica de oxigênio está fortemente relacionada à inflamabilidade. Em níveis abaixo de 15%, os incêndios florestais não poderiam ter se espalhado. Entretanto, em níveis acima de 25%, plantas úmidas poderiam ter queimado cerca de 30 a 35%, como foi proposto para o Paleozóico tardio, e os incêndios florestais teriam sido freqüentes e catastróficos".20 Como resolver essa questão para um cenário antediluviano? Qual seria o mecanismo de regulação que o planeta, com sua atmosfera diferenciada, apresentaria para evitar essa possível combustão?

(Everton Fernando Alves é mestre em Ciências [Imunogenética] pela UEM)


Referências:
1. Berner RA, et al. Phanerozoic atmospheric oxygen. Annual Review of Earth and Planetary Sciences 2003;31:105-134.2. Berner RA, Landis GP. Gas bubbles in fossil amber as possible indicators of the major gas composition of ancient air. Science. 1988; 239(4846):1406-9.
3. Bellis D, Wolberg DL. Analysis of gaseous inclusions in fossil resin from a late cretaceous stratigraphic sequence. Global and Planetary Change 1991; 5(1-2):69-82.
4.  Berner RA, Petsch ST. The Sulfur Cycle and Atmospheric Oxygen. Science. 2000; 282(5393):1426-7.
5.  Tappert R, et al. Stable carbon isotopes of C3 plant resins and ambers record changes in atmospheric oxygen since the Triassic. Geochimica et Cosmochimica Acta 2013; 121:240-262.
6. Hamashige H. Giant Bugs a Thing of the Past, Study Suggests. National Geographic (30/07/2007).
7.  Graham JB, et al. Implications of the later Palaeozoic oxygen pulse for physiology and evolution. Nature. 1995; 375:117-120.
8. Harrison JF, Kaiser A, VandenBrooks JM. Atmospheric oxygen level and the evolution of insect body size. Proc Biol Sci. 2010 Jul 7;277(1690):1937-46.
9. Verberk WCEP, Bilton DT. Can Oxygen Set Thermal Limits in an Insect and Drive Gigantism? PLoS ONE. 2011;6(7):e22610.
10.  Zhou D, et al. Experimental Selection for Drosophila Survival in Extremely Low O2 Environment. PLoS ONE. 2007;2(5):e490.
11.  Kaiser A, et al. Increase in tracheal investment with beetle size supports hypothesis of oxygen limitation on insect gigantism. Proc. Natl. Acad. Sci. USA. 2007; 104:13198-13203.
12.  Dudley R, Chai P. Animal flight mechanics in physically variable gas mixtures. Journal of Experimental Biology 1996; 199:1881-1885.
13.  Oller AR, et al. Growth of mammalian cells at high oxygen concentrations. J Cell Sci. 1989 Sep;94 ( Pt 1):43-9.
14.  Ebina K, et al. Oxygen and Air Nanobubble Water Solution Promote the Growth of Plants, Fishes, and Mice. PLoS One. 2013 Jun 5;8(6):e65339.
15. Falkowski PG, et al. The Rise of Oxygen over the Past 205 Million Years and the Evolution of Large Placental Mammals. Science. 2005 Sep 30;309(5744):2202-4.
16. Beyers CJB, Wilke CG, Goosen PC. The effects of oxygen deficiency on growth, intermoult period, mortality andingestion rates of aquarium-held juvenile rock lobster Jasus lalandii. South African Journal of Marine Science 1994; 14(1):79-87.
17.  Chérif M, Tirilly Y, Bélanger RR. Effect of oxygen concentration on plant growth, lipid peroxidation, and receptivity of tomato roots to Pythium F under hydroponic conditions. European Journal of Plant Pathology 1997; 103(3):255-264.
18.  Suyantohadi A, et al. Effect of high consentrated dissolved oxygen on the plant growth in a deep hydroponic culture under a low temperature. IFAC Proceedings Volumes 2010; 43(26):251-255.
19.  Scheven J. The Carboniferous floating forest an extinct pre-Flood ecosystem, Journal of Creation 1996; 10(1):70-81.
20. Glasspool IJ, Scott AC. Phanerozoic concentrations of atmospheric oxygen reconstructed from sedimentary charcoal. Nature Geoscience 2010; 3:627630.