terça-feira, julho 31, 2018

Rumo aos 100 mil! Participe da festa e ganhe um livro


Em janeiro do ano que vem meu canal no YouTube completa dez anos, quase tão “velho” quanto este blog. Trata-se de um trabalho voluntário que faço em minhas horas vagas, com muita dedicação, muito amor e responsabilidade. Procuro fazer análise de assuntos atuais sob a ótica cristã; posto entrevistas com testemunhos edificantes, sermões, palestras, estudos, sempre com o objetivo de ajudar as pessoas a fazer uma leitura diferente da realidade; uma outra leitura do mundo, capaz de enxergá-lo com as lentes do cristianismo.

Graças a Deus, ao longo de quase uma década, tem sido possível alcançar muitas pessoas com os conteúdos que posto no canal. Prova disso é que ele está com mais de 99 mil inscritos, aproximando-se do número 100 mil. E para comemorar os dez anos “de estrada” e os 100 mil inscritos, quero convidar você a participar da festa. Grave um vídeo de 30 segundos, com o celular na horizontal, e conte como o meu canal o ajudou de alguma forma ou o que o canal significa para você. Os vídeos serão analisados pela equipe de colunistas aqui do blog Criacionismo e os dez melhores serão postados em um vídeo comemorativo, quando alcançarmos a marca dos 100 mil. Esses dez escolhidos receberão de presente um exemplar autografado do meu novo livro Expedição Galápagos.

Que tal? Participe da festa! Grave seu vídeo de 30 segundos e envie para o e-mail rumo100mil@gmail.com. Desde já quero agradecer a todos vocês que têm assistido aos vídeos no canal e apoiado esse trabalho. Um grande abraço.

Michelson Borges

sexta-feira, julho 27, 2018

Quem são os ornitorrincos para os cientistas evolucionistas?

Ao observar a foto de um ornitorrinco, o que vem à sua mente? Animal que bota ovos como aves e répteis, tem bico de pato, pelos como os mamíferos e cauda achatada parecida com a de um castor. Essas são apenas algumas de suas características. Você já deve imaginar que esse animal inusitado causa muito alvoroço no mundo científico, deixando todos confusos e curiosos. No fim do século 18 alguns de seus espécimes chegaram à Grã-Bretanha. No início os naturalistas pensaram que ele seria uma falsificação e procuraram por marcas de costuras que poderiam ter sido feitas por um taxidermista no intuito de fraudar uma nova espécie. Os ornitorrincos são monotremados – mamíferos que botam ovos e pertencem à subclasse Prototheria. Eles não são os únicos que botam ovos entre a classe Mammalia; temos também algumas espécies de equidna. Eles vivem principalmente na Austrália, sendo encontrados em córregos em Nova Gales do Sul, centro e sudeste de Victoria, dentre outras regiões. Alimentam-se dentro da água.

E seu “bico”? Diferentemente do bico das aves, ele não é tão rígido; é seu principal órgão sensorial, com muitos nervos e poros sensíveis na superfície, respondendo a impulsos produzidos por criaturas subaquáticas.

Durante os mergulhos, seus olhos e ouvidos fecham automaticamente, a cabeça se movimenta de um lado para o outro captando sinais de campo elétrico que são gerados por suas presas. O bico auxilia grandemente na busca por alimento e localização embaixo d’água.

Os ornitorrincos não são animais grandes, geralmente apresentam o tamanho de um gato pequeno, medem de 40 a 50 cm e os machos são maiores que as fêmeas. Possuem esporões nas patas traseiras, sendo estes conectados a um ducto que chega a uma glândula de veneno.

As fêmeas, assim como os demais mamíferos, possuem glândulas mamárias que se estendem por toda a barriga no período de lactação, mas não possuem tetas – os filhotes mamam o leite que é rico em ferro direto dos poros da mãe.

Esses animais possuem um esqueleto aerodinâmico, bem adaptado ao seu estilo de vida. Ele é suficientemente pesado para suportar a musculatura grande que auxilia tanto na natação quanto na escavação realizada pelos membros anteriores.

Os mamíferos que pertencem ao grupo dos marsupiais (como os cangurus e gambás) e eutérios (que compõe a maior parte dos mamíferos - possuem placenta) têm na sua maioria cintura peitoral composta por dois pares de ossos - escápulas e clavículas. Nos ornitorrincos os cientistas observaram que “os ossos das cinturas peitoral e pélvica são bastante semelhantes aos de certos répteis, mas o resto de seu esqueleto é definitivamente [como o dos] mamíferos. O ouvido interno também é mamífero, tendo três ossículos de condução sonora: o martelo, a bigorna e o estribo” (p. 12).[3] A diferença na cintura peitoral dos ornitorrincos está na presença de procoracóide e ossos interclaviculares, como nos répteis.

Exemplo de cintura peitoral presente nos mamíferos – escápula e clavícula

Mais abaixo, exemplo de cintura peitoral de um réptil com a indicação dos ossos que também são encontrados nos ornitorrincos: procoracoide e interclaviculares.[3]

O posicionamento das pernas também é semelhante ao dos répteis, mas o movimento na sua base é típico de um mamífero - possuem ligamentos muito fortes entre a musculatura e os ossos. Fora da água as pernas posteriores se estendem horizontalmente promovendo um andar arrastado como o dos lagartos.

Nas vertebras cervicais (do pescoço) eles possuem costelas rudimentares como em alguns répteis. Mas a mandíbula inferior é formada por um par de ossos – assim como a de outros mamíferos, além de sete vertebras cervicais que também são características do grupo ao qual pertence. 
            
O esqueleto é adaptado para sustentar o nado, a caminhada e a escavação - atividades necessárias para a sobrevivência dele.

A calda achatada contém tecido gorduroso (sendo um meio de armazenamento de energia); cerca de metade da reserva de seu corpo encontra-se acumulada nela; é uma importante fonte de alimento extra durante o inverno. Também é utilizada pela espécie no transporte de folhas para a produção do ninho e a proteção dos ovos - mantendo-os aquecidos além de promover a estabilização do nado.

Os pelos do corpo são ótimos isolantes térmicos e ajudam a reter a água mesmo dentro dos lagos. Além dos pelos grossos, possuem também uma camada interior de pelos mais finos que aprisionam uma camada de ar sobre os pelos mais externos, e com isso ele mantém certo nível de impermeabilidade que possibilita que o animal permaneça aquecido mesmo em águas frias. Em apenas um milímetro quadrado do seu corpo há uma média de 600 a 900 pelos.

Quando jovens apresentam dentição; conforme entram na fase adulta eles vão sendo substituídos por almofadas queratinizadas.

Possuem um sistema circulatório duplo/fechado e glóbulos vermelhos anucleados; estas são mais algumas características de mamíferos.

Em um artigo publicado pela revista Nature,[1] o sequenciamento do DNA de uma fêmea de ornitorrinco foi realizado e comparado com o genoma de outros mamíferos e do frango. O interesse estava em encontrar famílias de genes envolvidos na biologia que ligaria os monotremados aos répteis através de características como postura de ovos e visão, além de atributos típicos dos mamíferos (lactação, por exemplo) e outras específicas dos ornitorrincos como o forrageamento subaquático. Como resultado, nas sequências do genoma encontraram traços de répteis e de mamíferos - “os ornitorrincos possuem características ancestrais reptilianas e derivadas de mamíferos”. Seu genoma seria considerado um amálgama (mistura de características de diferentes classes em um mesmo indivíduo).

Os ornitorrincos são classificados como mamíferos primitivos. De acordo com um documentário da Discovery Channel[5] eles são “criatura[s] altamente sofisticada[s] em fina sintonia com seu meio ambiente”, além disso “teria[m] sobrevivido por tanto tempo não apesar das suas estruturas arcaicas, mas justamente por causa delas”.

De acordo com a bióloga Rebecca Young, da Universidade do Texas[2]: “[...] eles estão em algum lugar entre um lagarto e o que pensamos ser um mamífero placentário semelhante a um humano, mantendo algumas características reptilianas e mamíferas.”

Em 2010, em um estudo liderado por Warren,[2] encontraram 83 toxinas no veneno do ornitorrinco. Eles possuem genes “que se assemelham aos genes de veneno de outros animais, incluindo cobras, estrelas-do-mar e aranhas. É provavelmente um exemplo de evolução convergente, em que espécies não relacionadas evoluem características semelhantes.”

“O ornitorrinco [seria] o único remanescente de um ancestral que divergiu de todos os outros mamíferos há cerca de 150 milhões de anos [sic].”[6]

Essas são as considerações feitas por cientistas evolucionistas, obtidas a partir da interpretação e especulação de resultados de pesquisas. Tais interpretações também podem ser influenciadas pela cosmovisão do pesquisador – seja ela evolucionista ou criacionista. Qual seria a maneira correta de interpretar os resultados obtidos pelas análises do fenótipo do indivíduo e também do sequenciamento do seu DNA? Não são questões simples.

Há muito para ser explorado e aprendido sobre essa temática; é necessário conhecer além do exposto para tirarmos algum tipo de conclusão.

Partindo da citação retirada do documentário da Discovery Channel (“Criatura[s] altamente sofisticada[s] em fina sintonia com seu meio ambiente”) e analisando tudo o que foi colocado sobre a espécie, é nítido que os ornitorrincos são extremamente bem adaptados ao seu ambiente. Possuem corpo completamente funcional e complexo, com diversas peculiaridades. São animais singulares e muito curiosos.

Embora possuam uma aparência diferente daquela com a qual estamos acostumados, eles são eficientes e muito bem estruturados. Qual a probabilidade de esse “indivíduo” com toda a sua complexidade ter se originado sem qualquer direcionamento ou designer?

Moema Rubia Patriota

Referências:
[1] Genome analysis of the platypus reveals unique signatures of Evolution
[2] How the Venomous, Egg-Laying Platypus Evolved
[3]Fauna of Australia: ORNITHORHYNCHIDAE. https://www.environment.gov.au/system/files/pages/a117ced5-9a94-4586-afdb-1f333618e1e3/files/16-ind.pdf
[4] Australian Natural History Serie – Platypus, fourth edition, 2008, Tom Grant 
[5] Ornitorrinco: Um Sobrevivente Silencioso (Dublado) Documentário Discovery Channel
[6] Which Animals Have Barely Evolved?

quarta-feira, julho 25, 2018

No princípio: por uma explicação das origens que inclua Deus

Vivemos ainda na tão proclamada pós-modernidade, sob o guarda-chuva conceitual do “Deus está morto” nietzschiano, seja qual for a interpretação dada a esse pensamento. Sendo assim, esta é uma época caracterizada pela incerteza e, como tal, um tempo de pluriontologias em que – na opinião das pessoas guiadas pelo nietzscheísmo ou por outras filosofias relativistas – não há resposta última, absoluta ou definitiva para explicar a realidade. A impressão que se tem, no entanto, é a de que as metanarrativas não morreram com a suposta morte de Deus, mas continuam por aí competindo entre si e guerreando com as “espadas” da ciência, da filosofia e da teologia.

O pluralismo ontológico - estranho desafio à metafísica - “sustenta que realmente não há uma resposta certa para muitas perguntas ontológicas. De acordo com o pluralista ontológico, há apenas maneiras diferentes de descrever a realidade, e nenhuma delas é mais correta ou mais precisa do que a outra. Não há nenhuma verdade absoluta em resposta a essas perguntas”. Em resumo, tudo é provisório, e estar convicto de algo seria o mesmo que se autoenganar ou, quando muito, participar de um jogo de linguagens. Consequentemente, a pergunta “o que é a verdade?” perde o sentido, restando apenas a crença de que a verdade é um construto da mente humana. Todavia, há um impulso por respostas profundas agitando o íntimo do homem, sempre incomodando-o. Ele não abre mão, sobretudo, de tentar entender a origem do Universo e do mundo nos quais está inserido. Inquieta e curiosa, a humanidade lança o olhar ao longínquo e nebuloso passado e indaga: “Qual ontologia poderia me dizer de onde eu vim e quem eu sou?”

Na concepção científica majoritária, a teoria geral da evolução (nas suas modalidades de evolução cósmica, química e biológica) constitui o fator explanatório por excelência “capaz” de apresentar respostas acerca das origens. O discurso de seus porta-vozes mais dogmáticos propõe: “Darwin efetivamente varreu o propósito para o lado no mundo vivo”, e “todas as reimposições do propósito são artifícios dos religiosos para alimentarem a sua fé”. Pensando assim, Peter Atkins, químico de Oxford, não vê nenhuma contribuição a ser oferecida pela religião, pois ela só apresenta “soluços vazios e flatulência verbal que passa por exposição teísta”. Na imaginação radical desse cientista ateu, “a humanidade deve aceitar que a ciência eliminou a justificação para crer no propósito cósmico”. Em seu livro Creation Revisited, Atkins acredita que o Universo surgiu porque “por acaso houve uma flutuação no vazio”: tese mais espantosa e fantástica do que apelar para o Criador!

Os opositores do modelo bíblico das origens acentuam a superioridade da teoria da evolução como o melhor modelo apresentado pela ciência, caso Deus seja excluído das explicações. Entretanto, conforme salienta o zoólogo criacionista Ariel Roth, “a perseverança que os evolucionistas têm demonstrado é altamente elogiável. Mas, após dois séculos de uma busca essencialmente infrutífera, chegou a hora de os cientistas considerarem com seriedade alternativas não naturalistas. O planejamento da vida por uma inteligência racional como Deus parece necessário para explicar aquilo que a ciência está continuamente descobrindo”. Porém, esclarece Roth, “essencialmente Deus é excluído dos compêndios e revistas científicos. Como atualmente praticada, a ciência é uma combinação peculiar de pesquisa em busca da verdade sobre a natureza, e de filosofia secular excludente de Deus. Lidamos hoje com uma comunidade científica que tem esse forte compromisso materialista (mecanicista, naturalístico), que considera anticientífico incluir Deus como fator explanatório na ciência. Não é permitida a presença de Deus no cardápio das possíveis explanações científicas. Isso desmente o quadro usual da ciência, que é apresentada como pesquisa aberta da verdade, que segue os dados da natureza para onde eles possam conduzir”.

De várias maneiras, há esforços poderosos a fim de eliminar Deus da paisagem do mundo natural. É “pecado” mencioná-Lo. Quanto a decifrar o enigma das origens, a ciência materialista proclama sua total confiança na razão humana e em suas ferramentas de laboratório. Nada contra a tentativa, uma vez que “pode ser inofensivo pesquisar além do que a Palavra de Deus revelou, se nossas teorias não contradizem fatos encontrados nas Escrituras; mas aqueles que deixam a Palavra de Deus e procuram explicar Suas obras criadas por meio de princípios científicos, estão vagando sem mapa nem bússola em um oceano desconhecido”, adverte Ellen G. White.

O orgulhoso cientificismo não reconhece a existência de uma fronteira demarcada pela Revelação, além da qual não podemos passar; limite imposto pelo “está escrito”. Em palavras mais exatas: “Precisamente como Deus realizou a obra da criação, jamais Ele o revelou ao homem; a ciência humana não pode pesquisar os segredos do Altíssimo. Seu poder criador é tão incompreensível como a Sua existência”. Essa declaração de Ellen G. White encontra eco em Phillip Johnson, um dos proponentes do Design Inteligente: “A investigação científica da origem da vida está efetivamente fechada como se Deus tivesse reservado o assunto apenas para Si mesmo.” Seria isso arbitrariedade divina, capricho, tal como a mítica ação de Zeus que acorrentou Prometeu nos rochedos do Cáucaso porque o titã roubou o fogo dos deuses e levou o conhecimento aos homens? Por que então a porta da explicação última continua fechada? Quem sabe para levar o homem ao reconhecimento de suas limitações; para mostrar-lhe que o domínio total da matéria é de outro Ser; para conscientizá-lo de que não é um deus, mas criatura; para frear o seu poder destruidor sobre a natureza e até para lhe permitir avançar no conhecimento. E o mais importante: deixar viva no homem a necessidade de adoração. Por isso, o Criador pergunta aparentemente em tom de desafio:

 

Onde você estava


Quando os elétrons bailaram pela primeira vez / E o Universo ferveu, aceso, no calor da criação?
Por acaso, assistiu / Quando as bolhas de fogo giraram em rodas amarelas, / E romperam, com chamas, os limites da escuridão?

Você não viu./ Nem contemplou o esplendor, / Pois seus olhos humanos / Não suportariam o calor. / Mas Eu vi!

E foi você / Quem escreveu a melodia que ressoou em ondas, / Chamando os átomos para dançar com as estrelas? / Certamente não foi, / Pois essa música foi escrita em tons maiores, / E veio autenticada com as Minhas chancelas.

Você não a compôs. / Nem seguiu a melodia, / Pois sua voz humana / Não alcança a escala. / Mas Eu cantei.

E como se atreve a dizer, / (Você, fraco, frágil e passageiro) / “Eu sou quem observa: sem mim nada existe!”? / Tolo! Como se vivesse para sempre! / Nem viu seu filho se formar no útero da mãe. / Ao nascimento do Cosmos, há Um só que assiste.

Sim, Eu observei. / Eu fiz os traços / E dirigi os passos / Eu sou o Senhor da Dança / Sou Eu.

No estudo da natureza não precisa haver duelo entre Deus e homem. As sentenças poéticas acima podem ser entendidas como um convite à investigação, ao raciocínio e à pesquisa, os quais levem em consideração o Agente divino como o fundamento da realidade material. Vemos desafio semelhante nos capítulos 38 a 41 do livro de Jó, onde Deus Se apresenta como o “grande Inquisidor”, levantando perguntas sobre o mundo natural perante o sofrimento inexplicável de Sua criação. O texto mostra um Pai que cuida do mundo, especialmente dos seres humanos (Mateus 10:29-31), evidenciando o controle e a soberania divina sobre todos os fenômenos e acontecimentos, mesmo os mais dramáticos.

Investigar a natureza, dominando-a benignamente, significa encontrar a Fonte espiritual da matéria, porquanto “qualquer que seja o ramo de investigação a que procedamos com um sincero propósito de chegar à verdade, somos postos em contato com a Inteligência invisível e poderosa que opera em tudo e através de tudo”. As coisas criadas estão aí para nos ensinar não apenas sobre elas mesmas, mas também acerca do seu Autor. Esta é a tese de Jó ao declarar: “Mas, pergunta aos animais, e cada um deles te ensinará, e às aves dos céus, e elas te farão saber; ou fala com a terra, e ela te instruirá, até os peixes do mar te informarão. Qual dentre todas essas coisas não sabe que a mão do Senhor fez isto?” (Jó 12:7-9). Igual pensamento tinha o teólogo e filósofo medieval Boaventura. Ele acreditava ser a criação um guia para o Criador: “Todas as criaturas deste mundo sensível conduzem a alma da pessoa sábia e contemplativa para o Deus eterno, já que são as sombras, ecos e efígies, os vestígios, imagens e manifestações desse primeiro princípio mais poderoso, sábio e melhor que há; dessa origem eterna, luz e plenitude, dessa Arte produtiva, exemplar e ordenadora. São postos diante de nós para que conheçamos Deus; são sinais divinamente dados. Pois toda criatura é, por natureza, um tipo de retrato e semelhança dessa Sabedoria eterna.”

No tocante a processos empíricos e laboratoriais, explicar o funcionamento das leis da natureza permitiu à ciência grande desenvolvimento. Contudo, a ciência humana ainda é uma criança assustada e impotente quando se depara com o “início dos tempos”. Sonhar, conjecturar, hipotetizar e construir modelos teóricos é o máximo que ela consegue. Verdadeiramente, “pensar os pensamentos de Deus de acordo com Ele”, consoante o ilustre astrônomo Johannes Kepler, deveria ser o objetivo do empreendimento científico, já que “o principal objetivo de todas as investigações do mundo exterior deveria ser o de descobrir a ordem racional nele imposta por Deus e por ele revelada na linguagem da matemática”.

No princípio...

Em se tratando das origens, sempre nos sustentaremos em argumentos de autoridade: ou no que afirmam os cientistas e filósofos com suas controversas especulações ou no que declara a Revelação. Com Gênesis ou sem o fiat divino, essa busca por explicações só indica uma coisa: queremos saber! Não há objetivo filosófico e científico mais nobre. Entretanto, a resposta última e mais adequada terá características sempre metafísicas e religiosas: Deus fez! Quando os cientistas, com seus processos de investigação, reconhecerem tal fato, terão realizado sua maior descoberta e dado o maior salto de humildade da história.

Frank de Souza Mangabeira

terça-feira, julho 24, 2018

Descoberto portão bíblico relacionado com as 12 tribos de Israel

Arqueólogos em Israel afirmam ter desenterrado o portão de entrada de Zer, uma cidade Bíblica do Antigo Testamento que eles afirmam ter sido conhecida posteriormente como Betsaida, no Novo Testamento. A descoberta na região das Colinas de Golã foi anunciada no domingo [8 de julho] pelo Conselho Regional de Golã, de acordo com o Jerusalém Post. Zer é mencionada em Josué 19:35 como sendo uma das cidades fortificadas para o povo de Naftali, uma das 12 tribos de Israel. No verso se lê: “As cidades fortificadas eram: Zidim, Zer, Hamate, Racate, Quinerete.” Os arqueólogos dizem que Zer era conhecida como Betsaida no Novo Testamento. Betsaida foi onde Jesus curou um homem cego (Marcos 8) e alimentou o cinco mil (Lucas 9). Também é de onde André, Pedro e Felipe eram (João 1:44).

A descoberta do portão foi feita por cerca de 20 arqueólogos trabalhando com o Hebrew Union College, reportou o Post. Rami Arav, diretor do Projeto Betsaida, está ajudando a liderar o trabalho. “Não há muitos portões neste país datados desse período. Betsaida era o nome da cidade durante o período do Segundo Templo, mas durante o período do Primeiro Templo era a cidade de Zer”, disse Arav.

Turistas têm visitado a região de Betsaida há anos para ver um local onde Jesus operou milagres. Avi Lieberman, diretor do parque onde Betsaida está localizada, disse que ele espera que a nova descoberta ajude a atrair ainda mais turistas.

“A equipe no Parque do Jordão e o Turismo de Golã estão felizes pelas dezenas de milhares de visitantes que visitam o parque todos os dias”, disse Lieberman. “O maravilhoso parquet é também um sítio arqueológico impressionante. Eu me surpreendi todas as vezes pela chegada de milhares de visitantes evangélicos a Betsaida. Estou confiante que as últimas descobertas trarão mais visitantes ao parque vindos de todo o mundo, e de Israel.”

(Christian Healines; tradução de Leonardo Serafim)

segunda-feira, julho 23, 2018

Qual é o melhor candidato dinossauriano para o Leviatã?

No capítulo 41 do livro de Jó vemos Deus fazendo perguntas retóricas e assim descrevendo para Jó o monstro Leviatã (Liwyathãn, em hebraico) como sendo um grande animal aquático. A maioria das versões bíblicas traduz o nome do Leviatã como “crocodilo”. Seria realmente um crocodilo ou um dinossauro? Se tomarmos os dinossauros como reais potenciais candidatos para o personagem Leviatã, qual deles se encaixaria na maioria das descrições literais do livro de Jó, desconsiderando apenas certa licença poética, em algumas das características em uso nesse capítulo? À luz das atuais evidências científicas e recentes estimativas encontradas, o espinossauro, por exemplo, está sendo considerado o maior dinossauro predador que já viveu sobre o planeta terra, conforme entrevista na New Scientist. O espinossauro supera o maior exemplar do Tiranossauro rex já descoberto, tendo até 18 metros de comprimento e um peso de 20 toneladas[1] (veja a figura abaixo). Curiosamente, a Bíblia descreve o Leviatã como sendo um animal diferente do Beemote (que era pacífico), citando características de predação e/ou de ataque: “Põe a tua mão sobre ele e sempre te lembrarás da luta; nunca mais tentarás fazer isso de novo!” (Jó 41:8).
Muitos têm tentado encaixar o Leviatã mencionado no livro de Jó como sendo uma figura de linguagem. O texto não permite entendermos que era apenas ou um exemplo alegórico da parte de Deus ou se referindo à antiga serpente chamada Satanás, mas, sim, um animal real que Jó teria observado. Apesar de alguma licença poética ter sido empregada na descrição do animal (v.18-21), isso não significa que Jó e seus amigos não tivessem verdadeiramente observado animais gigantescos. É importante destacar que ambas as criaturas mencionadas nos capítulos 40 (Beemote) e 41 (Leviatã) e em Salmo 104:26 (Leviatã) são animais reais, enquanto as três vezes em que o mesmo nome, Leviatã, aparece em outros livros são usos simbólicos (Jó 3:8; Isaías 27:1 e Salmo 74:14).
Em relação à localização desse animal avistado por Jó, os comentaristas bíblicos deduzem que o personagem Jó – o qual a Bíblia diz que viveu em Uz –, teria habitado provavelmente em regiões onde hoje aproximadamente estariam países como a Síria, Jordânia ou Arábia, ambos situados no norte do continente africano. Já o candidato dinossauriano em potencial escolhido e mencionado no início deste texto, o espinossauro, também foi encontrado em diversas localidades do mesmo continente. Embora ele tenha sido encontrado, por exemplo, em 1912 no Egito,[2] em 2002 na Tunísia[3] e em 2005 no Marrocos,[4] ele também foi encontrado em 1996 no Brasil[5] e na Europa (Inglaterra, Portugal e Espanha),[2] entre outras localidades, mostrando que sua distribuição pelo globo pode ter sido bem ampla.
Ainda em relação à localização, alguns teólogos defendem que a autoria do livro de Jó pertenceria a Moisés. Teria sido Moisés quem escreveu o livro de Jó, talvez sob sua perspectiva e cultura? Bem, a discussão sobre a autoria não é o objetivo deste texto. Entretanto, se foi Moisés o autor do livro de Jó, ele teria vivido no Egito e escrito o livro enquanto estava no deserto do Sinai. O argumento de quem defende que Leviatã era um crocodilo está associado também a essa questão da localização de Moisés. Moisés viveu no Egito e lá existia a cultura de adoração a animais, inclusive aos crocodilos do rio Nilo. E isso é verdade. Quando observamos uma figura dos deuses do Egito vemos neles cabeças de animais. Deus faz algumas perguntas retóricas interessantes a Jó ao questionar o seguinte: “Poderás atingir o seu couro com vários arpões e encher sua cabeça com lanças de pesca?” (v. 7), e “Quem poderia arrancar sua couraça externa?” (v. 13)
Fato é que temos evidências históricas e arqueológicas de que na região do Nilo havia o costume, sim, de os habitantes locais caçar e matar os crocodilos desde o século I a.C, podendo ser evidenciado no Mosaico do Nilo, encontrado no local do antigo Templo da Fortuna, na cidade de Palestrina. Além disso, mais antiga é a evidência de um historiador chamado Heródoto, que no século 5 a.C. afirmou o seguinte: “Para alguns egípcios, os crocodilos são sagrados, mas outros os tratam como inimigos. As pessoas da área de Elefantina, ao contrário, comem crocodilos e não os consideram sagrados… Crocodilos são frequentemente caçados e em muitos aspectos”[6] (veja abaixo as figuras).

Figura 2: um caçador egípcio com crocodilo amarrado[7]

Em relação ao seu ecossistema, algumas pessoas afirmam que Leviatã era exclusivamente marinho porque a Bíblia diz que ele “deixa atrás de si um rastro cintilante, como se o mar tivesse…” (v. 32). Porém, algumas versões trazem um significado diferente para a mesma sentença: “Após ele alumia o caminho; parece o abismo tornado em…” (ARC), ou “deixa atrás de si um rastro cintilante; como se fossem os cabelos brancos do abismo” (NVI). Mas mesmo que esse animal vivesse realmente no mar, a Bíblia descreve outro tipo de ambiente no qual o mesmo dinossauro vivia: a lama (v. 30). Isso mostra que o animal também frequentava a beira da água, a lama ou pântano (ex.: pântanos de água doce), e não apenas as águas profundas que são mencionadas nos versos 31 e 32.
A figura do espinossauro, portanto, se encaixa bem nessa descrição bíblica sobre os diferentes habitats desse animal, uma vez que estudo publicado na revista Science[8] e veiculado na National Geographic explica que os espinossauros “espreitavam as margens dos lagos e rios do Cretáceo”, e “esses carnívoros se prendiam a habitats de água doce”, além de andarem também por sobre a terra firme. Outra matéria veiculada na New Scientist diz que “o norte da África [um dos locais onde fósseis desse animal foram encontrados] era um enorme pântano tropical. O espinossauro habitou uma floresta de mangue de baixa altitude”. Isso significa que o espinossauro é o único dinossauro semiaquático, até agora descoberto (com exceção de um pequeno dinossauro apresentado recentemente e ainda em discussão), que passava a maior parte de seu tempo na água. Essa descoberta deixa para trás (ou apenas abre um parênteses) a antiga noção de que para ser considerado "dinossauro" o animal deveria viver exclusivamente em ambiente terrestre.
Sobre as escamas nas costas, Deus descreve para Jó essas escamas do Leviatã como fileiras de escudos, hermeticamente selados de modo que nenhum ar poderia passar entre eles e que não poderiam ser separados (v. 15-17). Essa descrição possui muitas características compatíveis com as velas que conhecemos – embora ainda seja um conhecimento científico incipiente – acerca dos espinossaurídeos (note que estou falando da família de dinossauros da qual o espinossauro faz parte) (veja a figura abaixo).
Como eu disse acima, o conhecimento que os evolucionistas têm acerca desse animal reptiliano, inclusive sobre suas velas nas costas, ainda é muito superficial e tal fato é admitido pelos próprios paleontólogos evolucionistas ao afirmarem na National Geographic: “a função e a evolução das velas dos espinossauros continuarão a ser debatidas” (isso significa que ainda não existe um consenso).
Em relação à forma de locomoção do Leviatã, vemos o seguinte no livro de Jó: “Quando ele se ergue…” (v. 25). Provavelmente, esse animal poderia alternar sua posição entre bípede e quadrúpede. Curiosamente, o espinossauro também foi relatado na National Geographic pelos paleontólogos evolucionistas como sendo ou bípede ou quadrúpede: “o espinossauro deve ter andado de quatro quando estava na terra” (veja a figura abaixo).
No entanto, levando em consideração que o conjunto de dados a favor desse espécime é cíclico/temporário, assim como tudo dentro da ciência, não podemos afirmar categoricamente que o dinossauro Leviatã seja, sem dúvida alguma, um espinossauro, mesmo porque não temos como voltar no tempo e comprovar tal fato. Quando lidamos com o passado (ciência histórica) só podemos criar boas hipóteses, baseados em um conjunto de dados, aplicar alguns métodos (que possuem limitações) e calcular probabilidades. Ou seja, não podemos bater o martelo e dizer que já “comprovamos” ou que já temos certeza absoluta disso ou daquilo.
O Leviatã pode até mesmo ser algum tipo de dinossauro que ainda não foi descoberto, com características parecidas com as do espinossauro. Portanto, só nos resta aguardar os próximos capítulos das futuras descobertas para ver se essa minha hipótese continuará firme ou não. Por enquanto, ela segue bem firme. Inclusive, os dados recentes da ciência mostram que tradutores da Bíblia para o português não estavam de todo errados. Segundo matéria veiculada na New Scientist, o espinossauro “parece que era mais como um crocodilo”, porém, dinossauriano.
Espero que você, leitor, tenha conseguido enxergar fatos, que você não enxergaria sozinho, a partir das análises (escriturística e científica) levantadas aqui de que existem, sim, evidências robustas de que Jó tenha visto dinossauros, embora o texto bíblico não esteja escrito na linguagem científica que muita gente espera.
(Everton Fernando Alves é criacionista bíblico literal, mestre em Ciências [Imunogenética] pela UEM e autor dos livros Revisitando as Origens e Teoria do Design Inteligente)
Texto originalmente publicado em 28/6/2018, na Origem em Revista.
Referências:
[1] Therrien F, Henderson DM. My theropod is bigger than yours … or not: estimating body size from skull length in theropods. Journal of Vertebrate Paleontology 2007; 27(1):108-115. Disponível em: https://goo.gl/EyZz2W
[2] Candeiro CRA, Brusatte SL, de Souza AL. Spinosaurid Dinosaurs from the Early Cretaceous of North Africa and Europe: Fossil Record, Biogeography and Extinction. Anuário do Instituto de Geociências 2017; 40(3):294-302. Disponível em: http://www.anuario.igeo.ufrj.br/2017_3/2017_3_294_302.pdf
[3] Buffetaut E, Ouaja M. A new specimen of Spinosaurus (Dinosauria, Theropoda) from the Lower Cretaceous of Tunisia, with remarks on the evolutionary history of the Spinosauridae. Bulletin de la Société Géologique de France 2002; 173(5): 415-421. Disponível em: https://goo.gl/p1i7NB
[4] Dal Sasso C, et al. New information on the skull of the enigmatic theropod Spinosaurus, with remarks on its size and affinities. Journal of Vertebrate Paleontology 2005; 25(4):888-896. Disponível em: https://goo.gl/Tbqy95
[5] Martill DM, et al. A new crested maniraptoran dinosaur from the Santana Formation (Lower Cretaceous) of Brazil. Journal of the Geological Society 1996; 153(1):5-8. Disponível em: https://goo.gl/twEPAG
[6] Herodotus, Histories, II, 440 a.C, ref. 12, p. 69–70.
[7] Keel O. Zwei Klein Beiträge zum Verständnis de Gottesreden im Buch Ijob (xxxviii 36f, xl 25), VT 31 : 223-225, 1981.
[8] Ibrahim N, et al. Semiaquatic adaptations in a giant predatory dinosaur. Science. 2014;345(6204):1613-6. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25213375

Árvore genealógica com treze milhões de pessoas


Segundo reportagem do Fantástico exibida na edição do dia 22/7/2018, o professor israelense Yaniv Erlich conseguiu montar uma árvore genealógica com 13 milhões de pessoas. Tudo pela internet, da casa dele, em Tel Aviv. Ele reuniu informações de diversos bancos genéticos, nos quais pessoas compartilharam informações para saber mais sobre as suas origens. "Os dados foram compilados por geneticistas do mundo inteiro. Na internet, dá para conectar as árvores genealógicas se tiver algum parente em comum. E assim conseguimos criar árvores enormes”, explicou Yaniv. Os cientistas acreditam que, se voltarmos 75 gerações, vamos descobrir que todos os sete bilhões de humanos do planeta têm alguma ligação familiar. Vou repetir a última frase: "Os cientistas acreditam que, se voltarmos 75 gerações, vamos descobrir que todos os sete bilhões de humanos do planeta têm alguma ligação familiar."

Os dados foram compilados por geneticistas de todo o mundo e as árvores genealógicas foram conectadas pela internet. Assim se construiu uma árvore gigantesca com todos os dados. Segundo o professor Yaniv: "Todos somos meio primos."

Uma continha básica é multiplicarmos esses números para saber até onde chegamos. Para Heráclito, "a duração de uma geração é de trinta anos, espaço de tempo no qual o pai vê seu filho capaz de engendrar”. Na Bíblia encontramos informações de que o período de uma geração é de 40 anos. Esses limites seriam determinados pela duração da vida das pessoas da respectiva época ou população. A vida das dez gerações de Adão a Noé tinha em média a duração de mais de 850 anos cada uma (Gn 5:5-31; 9:29). Mas, depois de Noé, a duração da vida do ser humano diminuiu abruptamente. Por exemplo, Abraão viveu apenas 175 anos (Gn 25:7). 

Atualmente, bem similar ao que ocorria no tempo de Moisés, as pessoas que vivem em condições favoráveis talvez atinjam a idade de 70 ou 80 anos. Vamos assumir um número médio de 50 anos para uma geração. Sendo assim, temos 3.900 anos (78 x 50). Dessa forma retornamos ao ano 1882 a.C. Por volta dessa época os hebreus deixaram a palestina e migraram para o Egito. O fato é que estamos chegando perto!

De acordo com Mateus 1:17, temos 42 gerações de Abraão até Jesus. Veja que são catorze gerações de Abraão até Davi, catorze de Davi até o exílio na Babilônia e catorze do exílio na Babilônia até Cristo. Se considerarmos que de Noé até Abraão temos mais dez gerações (Gn 1:10-26), isso nos leva ao momento do dilúvio quando houve um funil genético na histórica da humanidade. Note que são 52 gerações, segundo a Bíblia, contanto do dilúvio em diante.

Na pesquisa do professor, a maioria das árvores é composta de descendentes europeus. Ainda falta muita informação de outros povos, mas à medida que os números são inseridos uma maior precisão das informações existe. Seria possível chegar perto da cronologia bíblica?

Agora puxando a sardinha para a nossa brasa, de fato isso é previsto no modelo criacionista. Todos somos descendentes de uma mesma família. Lá na base da árvore genealógica estão Adão e Eva criados por Deus, e depois disso você já conhece a história. Quem sabe se avançarmos um pouco no tempo poderemos dizer que todas as famílias da planeta descendem dos três filhos de Noé: Cam, Sem e Jafé. 

Mas isso não é defendido apenas no contexto bíblico. Temos evidências de DNA mitocondrial de que isso é verdade. Através de análises e pesquisas desenvolvidas nas últimas décadas conseguimos descobrir que todos os seres humanos são descendentes de uma mesma mulher. 

Claro que, na visão evolucionista, a Eva mitocondrial teria vivido entre 100 e 200 mil anos, na África. Essa "Eva africana símia" teria sido a única mulher que conseguiu produzir uma linhagem direta de descendentes.

A pesquisa do professor israelense mostra que a tecnologia pode nos auxiliar a resolver essa questão genética. E cada vez que olhamos o que está atrás da cortina percebemos que o relato bíblico é verdadeiro. Não temos como negar que as evidências nos levam a comprovar a historicidade de Gênesis e que estamos cada vez mais munidos de evidências de uma criação especial.

Convido você a ouvir o podcast "Origem em Revista", no qual entrevistamos a Dra. Rogéria Ventura, que é bióloga, doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutora em Biologia pelo Instituto de Ciências Biomédicas da USP. Ela também atua como professora do Departamento de Biomedicina das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU). Falamos sobre a Eva mitocondrial, que é o nome pelo qual é conhecido o mais recente ancestral comum feminino. Teríamos todos vindos de uma mesma mulher?

Alex Kretzschmar

terça-feira, julho 17, 2018

Lançamento da CPB traz criacionismo para crianças e adolescentes


Acaba de ser lançado pela Casa Publicadora Brasileira o livro Expedição Galápagos: Uma aventura no arquipélago das iguanas, das tartarugas gigantes e outras maravilhas da criação. Escrito pelo jornalista, mestre em teologia e divulgador do criacionismo Michelson Borges, o livro se destina ao público infanto-juvenil (mas com certeza será apreciado também por adultos) e apresenta os principais argumentos criacionistas em uma linguagem simples, entrelaçados em uma história bem escrita e interessante, ambientada nas ilhas do arquipélago de Galápagos, visitado pelo autor em 2016, juntamente com uma equipe de pesquisadores sul-americanos. Michelson procura refazer os passos do naturalista inglês Charles Darwin, que também visitou Galápagos, no século 19, mas oferece uma reinterpretação de dados sob a ótica criacionista.

O texto de contracapa diz o seguinte: “O que pode acontecer quando um adolescente viaja com o pai até o arquipélago de Galápagos, conhece o ‘amor de sua vida’, faz amizade com um leão-marinho e visita lugares incríveis como a borda de um vulcão, uma ilha repleta de aves exóticas, uma caverna de lava solidificada e mergulha com tartarugas e tubarões? É só abrir este livro, começar a ler e você vai descobrir!”

Como o autor passou por todos os lugares que descreve, o texto é vívido e foi escrito num formato de diário de viagem. Leitura obrigatória para quem curte aventura, viagens e descobertas científicas!

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Estromatólitos: evidências da hidrologia pré-diluviana (parte 1)

Os estromatólitos representam alguns dos fósseis mais enigmáticos encontrados ao longo do registro geológico da Terra. Eles são bastante comuns nas rochas sedimentares mais antigas, e atualmente são encontrados exemplares vivos apenas em locais específicos do planeta. Algumas condições especiais estão atreladas ao seu “florescimento”, incluindo uma química incomum da água. Cientistas uniformitaristas têm lutado para tentar entender e explicar a abundância deles nas rochas antigas e sua escassez atualmente. O livro Glossary of Geology[1] define estromatólito como “uma estrutura organo-sedimentar produzida pelo aprisionamento, cimentação e/ou precipitação de sedimentos resultantes do crescimento e metabolismo de micro-organismos, principalmente cianobactérias.” O resultado é uma espécie de filme microbiano que aprisiona lama, que ao longo do tempo pode formar uma estrutura rochosa estratificada. Tal estrutura não é composta de bactérias em si, mas se trata de uma fina camada de sedimentos formada por “precipitação mineral induzida biologicamente”.[2]

Estromatólitos foram identificados pela primeira vez no início do século 20 em rochas do Paleoproterozóico, em Ontário, Canadá, por Charles Walcott, ex-diretor do Serviço Geológico dos EUA. Ele inicialmente idealizou que aquelas estruturas amontoadas eram algum tipo de recife antigo formado por algas. Foi na década de 1950 que os paleontólogos determinaram que os estromatólitos se tratavam, de fato, do produto de atividade biológica.[3] Essa conclusão foi confirmada pela descoberta de estromatólitos vivos na Austrália, na mesma década. Apesar disso, autores recentes têm sugerido uma possível origem não biológica para alguns desses fósseis.[4, 5]

Cientistas evolucionistas afirmam que os estromatólitos representam algumas das mais antigas formas de vida que surgiram na Terra, datando-os com cerca de 3,7 bilhões de anos.[6] Os fósseis mais antigos, do Grupo Warrawoona, na Austrália, são datados pelos cientistas evolucionistas em cerca de 3,3 a 3,5 bilhões de anos. Exemplares são encontrados ao redor do mundo em rochas carbonáticas (geralmente dolomitos) do Arqueano e Proterozóico, e, em menor extensão, em rochas do Cambriano e posteriores. Cientistas tentam explicar o rápido declínio de estromatólitos em rochas posteriores ao Cambriano, atribuindo esse fato ao súbito aparecimento de organismos pastadores, que se alimentariam das cianobactérias.[2]



O ENIGMA EVOLUCIONÁRIO DOS ESTROMATÓLITOS 

Ao acreditarem que os estromatólitos evoluíram há cerca de 3,7 bilhões de anos, os cientistas evolucionistas criam um problema para si mesmos no que se refere ao processo de origem da vida na Terra. Como as cianobactérias poderiam ter evoluído tão rápido? A vida teria que ter surgido e desenvolvido processos como a fotossíntese e colonização em menos de 1 bilhão de anos, assumindo que o planeta Terra surgiu há 4,55 bilhões de anos. Esses cientistas também acreditam que entre 4,1 e 3,8 bilhões de anos atrás a Terra foi massivamente bombardeada por meteoritos, evento denominado como Último Grande Bombardeamento.[4] Esse episódio é descrito como uma época em que muitos impactos de meteoritos atingiram a Terra e a Lua. Esses impactos teriam danificado consideravelmente a recém-formada crosta terrestre e destruído quaisquer formas de vida que existissem antes de 3,8 bilhões de anos atrás. Dessa forma, os pesquisadores colocam a si mesmos contra a parede. Como é possível explicar a formação de atmosfera, oceanos, o misterioso processo da abiogênese e a capacidade de realizar fotossíntese em uma “janela” de apenas 100 milhões de anos? A fotossíntese por si só é um processo extremamente complexo. Para a visão evolucionista, esse é um período de tempo extremamente curto para que todo esse conjunto de eventos possa ter ocorrido.[7, 8] 

OS ESTROMATÓLITOS SÃO FÓSSEIS VIVOS 

Embora os cientistas evolucionistas afirmem que eles remontam a bilhões de anos, os estromatólitos mostram pouca ou nenhuma evidência de evolução e também nenhuma indicação de longa idade. Os estromatólitos modernos são considerados fósseis vivos, como o celacanto. Eles mostram ter prosperado sem qualquer mudança evolutiva. Até o ano de 1956, os cientistas consideravam que os estromatólitos fossem formas de vida extintas. Foi quando ocorreu a descoberta de estromatólitos vivos florescendo em Shark Bay, Austrália, em ambientes de águas hipersalinas. Desde então, eles têm sido identificados em ambientes marinhos hipersalinos nas Bahamas e em atois na região do Pacífico Central. Foram também encontrados em lagos e cursos d’água na Espanha, Canadá, Alemanha, França, Austrália, Japão, etc. Embora esses sejam corpos de água doce, todos eles têm uma química da água incomum que permite que os estromatólitos prosperem.[2, 9] Pesquisadores estão encontrando colônias de estromatólitos vivos em ambientes cada vez mais diferenciados. A última descoberta identificou-os florescendo em terra na Austrália, em um ambiente caracterizado como pântanos ligados à turfa.[2]

Bernadette Proemse e seus colegas da Universidade da Tasmânia, Austrália, foram os primeiros a identificar estromatólitos vivendo como “tapetes lisos de estruturas globulares amareladas e esverdeadas crescendo na superfície molhada das barreiras de tufa”.[2] Os estromatólitos não estavam submersos em água, mas se elevavam acima dela, em um ecossistema rico em cálcio e alimentado por nascentes. Essa descoberta demonstra que estromatólitos recentes podem ser mais comuns do que se imaginava anteriormente. Pode ser que os cientistas e pesquisadores não os estejam procurando em terra, perto de nascentes de água doce. Continua...

(Texto original: Tim Clarey, PhD. Tradução e adaptação: Hérlon Costa e Thiago Soldani)

sábado, julho 14, 2018

A criação das plantas antes da luz (parte 2)

Uma leitura superficial dos primeiros capítulos de Gênesis pode trazer algumas dúvidas interessantes. Uma dessas dúvidas é com relação à existência das plantas antes da luz solar. Se o Sol teria sido criado no quarto dia, como as plantas sobreviveram sem a luz dele, sendo que elas foram criadas no terceiro dia e precisam de luz para sobreviver?

Gênesis 1:11, 12: "Então disse Deus: 'Cubra-se a terra de vegetação: plantas que deem sementes e árvores cujos frutos produzam sementes de acordo com as suas espécies.' E assim foi. A terra fez brotar a vegetação: plantas que dão sementes de acordo com as suas espécies, e árvores cujos frutos produzem sementes de acordo com as suas espécies. E Deus viu que ficou bom."

Como já explicamos na primeira parte desta série, Deus cria todas as plantas no terceiro dia da criação. E seguindo a narrativa bíblica temos a impressão de que as plantas não poderiam existir nem sobreviver sem a luz solar (ou qualquer outra fonte de luz) nesse terceiro dia da criação.

Sabemos que Deus é onipotente e poderia manter a criação em perfeito estado, dependendo somente Dele (Ap 21:23, 24). Porém, na narrativa bíblica vemos que as plantas ficaram no máximo 24 horas sem luz solar, já que essa luz apareceu somente no quarto dia. Não há problema nenhum em ficar um dia sem luz solar; na verdade, o período "sem luz" é essencial para a floração da planta.[1] Por meio de experimentos com fotoperíodo, deduziu-se que o estímulo para a floração resulta de determinado tempo ininterrupto no escuro e não da duração do dia. Algumas experiências provaram que a reação ao fotoperíodo é provocada pela folha.

Variação estacional do fotoperíodo em diferentes latitudes do Hemisfério Sul. Adaptado de Bergamaschi (2009)

Os fitocromos são pigmentos protéicos das células vegetais, que respondem pela absorção da luz, exercem influência na floração, na germinação de alguns tipos de semente. O fitocromo R, inativo, absorve luz de comprimento de onda de 660 nm; é a forma mais estável do pigmento. O fitocromo F absorve a luz vermelha de comprimento de onda mais longo: 730 nm, e é o pigmento ativo.

A Zamioculca (Zamioculcas zamiifolia) é uma planta que precisa de pouca luz solar para se desenvolver. Geralmente é cultivada em ambientes fechados e usada para ornamentação
Ou seja, o período escuro é tão importante quanto o período de luz em que a planta é exposta. Isso nos mostra que Deus preparou todos os detalhes da criação em perfeito estado de funcionamento. Todas as coisas foram criadas funcionando do jeito que era para funcionar.

Apesar de já termos a elucidação do problema de forma simples pelo texto, queremos dar outra explicação para essa criação das plantas "sem a luz do sol". Vamos ler o texto que se segue, Gênesis 1:14-19: "Disse Deus: 'Haja luminares no firmamento do céu para separar o dia da noite. Sirvam eles de sinais para marcar estações, dias e anos, e sirvam de luminares no firmamento do céu para iluminar a terra.' E assim foi. Deus fez os dois grandes luminares: o maior para governar o dia e o menor para governar a noite; fez também as estrelas. Deus os colocou no firmamento do céu para iluminar a terra, governar o dia e a noite, e separar a luz das trevas. E Deus viu que ficou bom. Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o quarto dia."

Evidentemente que no momento da criação já havia matéria presente na Terra antes do primeiro dia. Havia água, e água em estado líquido. Água cobrindo um planeta rochoso que estava sem forma e vazio. Sabemos que para haver água ou qualquer outra matéria é necessário que haja fótons. A água, como qualquer outra substância, é feita de moléculas. Moléculas são feitas de átomos conectados por forças eletromagnéticas. A própria estrutura do átomo existe por causa de forças eletromagnéticas, pois é esse tipo de interação que mantém a eletrosfera (nuvem eletrônica) presa ao núcleo do átomo. As interações eletromagnéticas consistem em fótons virtuais e reais. Não existem interações eletromagnéticas sem fótons. Sem interações eletromagnéticas, não há átomos, nem moléculas e nem matéria como a conhecemos.

O Sol já existia no momento da criação das plantas. Porém, do ponto de vista de um observador, ainda não era visto. Deus ainda não tinha "revelado" o Sol ao ponto de vista da Terra. Quem sabe os gases da atmosfera ainda cobrissem a face da Terra impedindo que a luz solar chegasse de forma plena. Quando Deus separa as águas da criação a narração nos diz que "apareceu a terra seca". E a mesma narrativa acontece no quarto dia da criação, quando o Sol "aparece" para a Terra. Devemos ter cuidado em analisar o texto, pois a expressão do versículo 16 "fez também as estrelas" não está explícita no original. Esse trecho apenas foi inserido para dar sentido ao texto.

Gênesis 1:16, onde podemos verificar que "fez também as estrelas" não pertence ao texto original
A teoria criacionista do intervalo-passivo dá conta de que o Universo é antigo, foi criado em um período anterior, em um tempo indeterminado. E a vida na Terra é jovem. Em seu livro Origens, o zoólogo e paleontólogo Dr. Ariel Roth, ex-diretor do Geoscience Research Institute, nos informa que esse modelo é considerado uma variação do criacionismo da Terra Jovem.[2: p. 330] O modelo defende que Deus criou o Universo (espaço-tempo), estrelas e sistemas planetários, incluso a matéria da Terra (partículas elementares) em eras anteriores (época indeterminada), mas preparou a Terra para a vida e criou a vida somente poucos milhares de anos atrás, em seis dias (note a semelhança com o modelo geral da Terra Jovem).[3]

Comparando os modelos da Terra jovem e do intervalo passivo

Nesse caso, a semana da criação relatada em Gênesis corresponde, portanto, somente ao período de modelagem da Terra (que sucedeu o período indeterminado desde a criação do Universo) para ter as condições necessárias para a existência da vida, bem como a própria vida em todas as suas manifestações.[4, 5] Nesse segundo caso, ainda, os demais planetas e luas do Sistema Solar teriam permanecido em seu estado original, sem forma e vazios, como eram desde o início da época indeterminada que precedeu a semana da criação.[1: p. 23]

Mais informações sobre o universo antigo e o intervalo passivo podem ser encontradas em outros artigos aqui no blog.

Então não vemos nenhuma contradição no relato da criação. Além da soberania de Deus, que é o Sol da justiça e poderia ter mantido a criação em pleno funcionamento até o surgimento dos "luzeiros", temos os fotoperíodos vitais para as plantas e que foram respeitados em Gênesis. Mas tudo indica que o Sol e todas as estrelas e astros do Universo já estavam presentes antes do primeiro dia da criação, conforme o modelo do intervalo passivo.

Alex Kretzschmar 


Referências:

[1] Zadoks, J.C., T.T. Chang, and C.F. Konzak. 1974. A decimal code for the growth stages of cereals. Weed Res.
[2] Roth AA. Alternativas entre a Criação e a Evolução. Capítulo 21, pp.328-41. In: Roth AA. Origens. 2. Ed. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2016.
[3] Sanghoon J. Interpretations of Genesis 1:1. Journal of Asia Adventist Seminary 2011; 14(1): 1-14.
[4] Coffin HG. Origin by Design. Hagerstown, MD: Review and Herald, 1983, 292–293.
[5] Widmer M. Older than creation week? Adventist Review 1992; 169(4):454-62.