terça-feira, janeiro 30, 2018

A ciência e o sobrenatural

Em estudos de Física, enfatizamos o estudo das leis físicas. Utilizamos fenômenos para descobrir leis e leis para entender fenômenos. Enquanto se fazia isso qualitativamente, muito pouco progresso foi feito em milênios. No momento em que foi colocada em prática a ideia de alguns “malucos” como Galileu, o conhecimento explodiu em quantidade, qualidade e profundidade. Que ideia foi essa? A de que Deus fez tudo usando Matemática e que só aprendendo esses elementos matemáticos impregnados pelo Criador na própria natureza e utilizando-os para estudar a criação é que podemos fazer progressos significativos. Esse entendimento implica em que a Matemática tem um caráter transcendental, algo da própria natureza divina, parte da qual se revela na natureza (Rm 1:19, 20).

Os métodos matemáticos escritos na natureza para nós pelo Criador são o que os pioneiros acabaram chamando de Ciência. A Ciência foi descoberta com base em uma ideia baseada no sobrenatural. Hoje, mesmo estudando-se Matemática e sua relação com a realidade física a partir de uma base filosófica naturalista, ainda assim pesquisadores de ponta (mesmo ateus) percebem que ela é transcendental por natureza. Percebem isso mesmo sem pressupostos metafísicos, apenas estudando objetivamente o que encontram.

Notemos: uma coisa sobrenatural (a Matemática) serve de base para a Ciência. Então não se pode dizer que os métodos da Ciência são naturalistas porque eles são incompatíveis com o naturalismo. Como fugir disso e manter uma mente naturalista e antropocêntrica? Descarta-se a definição dos pioneiros e pensa-se em pesquisa comum como se fosse ciência. Essa “ciência” passa a ser apenas mais uma atividade humana baseada em considerações filosóficas. Pronto. Agora já podemos fazer de conta que estamos usando ciência naturalista, mas essa é a “falsamente chamada ciência”. A verdadeira, infinitamente mais eficiente do que a falsa, tem desafiado a intuição, desmascarado pressupostos filosóficos aceitos como verdades fundamentais por milênios, aberto à pesquisa realidades antes inimagináveis e nas quais o raciocínio humano comum é inútil, ensinado a colocar em prática leis físicas para gerar tecnologias, e, se tudo isso não bastasse, tornou possível provar a existência de Deus e estudar Seus atributos por meio de teoremas ontológicos, baseados em métodos matemáticos fundamentados em elementos matemáticos descobertos graças a pesquisas sobre o mundo natural. Esse último detalhe pode fazer parecer que a Ciência é naturalista à primeira vista, mas ela é algo transcendental por natureza.

Não é à toa que mesmo ateus usam Matemática até para explorar a possibilidade de outros universos. Isso é uma aceitação de que os métodos matemáticos da Ciência transcendem, no mínimo, este universo.

(Eduardo Lütz é físico e engenheiro de software)

segunda-feira, janeiro 29, 2018

Cientistas usam tecnologia de ponta aliada à tecnologia antiga das plantas

As plantas têm muitas funções importantes, como nos fornecer alimentos, liberar o oxigênio que respiramos e embelezar nossos ambientes. Uma equipe de pesquisadores do MIT, nos Estados Unidos, quer tornar as plantas ainda mais úteis turbinando-as com nanomateriais. A ideia é aumentar a produção de energia das plantas e dar-lhes funções completamente novas, tais como o monitoramento de poluentes ambientais.

Juan Pablo Giraldo e seus colegas aumentaram a capacidade das plantas para capturar a energia da luz em 30% incorporando nanotubos de carbono no cloroplasto, a organela onde ocorre a fotossíntese. Usando outro tipo de nanotubo, ele também modificou as plantas para torná-las capazes de detectar o gás óxido nítrico. A equipe batizou essa nova área de pesquisas de “nanobiônica das plantas”.

“As plantas são muito atraentes como plataforma tecnológica”, disse o professor Michael Strano, acrescentando que sua equipe já está trabalhando na incorporação de dispositivos eletrônicos em plantas. “O potencial é realmente interminável.”

A ideia para as plantas biônicas surgiu de um projeto para construir células solares capazes de se autorreparar, inspiradas na captação de luz feita pelas células vegetais. A base da pesquisa foram os cloroplastos, onde fica toda a “maquinaria” necessária para a fotossíntese.

Inicialmente, pigmentos como a clorofila absorvem a luz, que excita elétrons que fluem através das membranas tilacoides do cloroplasto. A seguir, a planta capta essa energia elétrica e a utiliza para alimentar a segunda etapa da fotossíntese, a construção dos açúcares.

Normalmente as plantas usam apenas cerca de 10% da luz solar disponível, mas os nanotubos de carbono funcionam como antenas artificiais que permitem que os cloroplastos captem uma gama maior de comprimentos de onda, incluindo o ultravioleta e o infravermelho próximo. Em laboratório, essa “fotoabsorção protética” aumentou o fluxo de elétrons através dos tilacoides em 49%. Mas os cloroplastos duram muito pouco tempo fora das plantas - eles foram extraídos para a realização desses experimentos iniciais.

Os pesquisadores então usaram uma técnica chamada perfusão vascular para injetar os nanotubos diretamente na Arabidopsis thaliana, uma das plantas mais usadas em experimentos científicos. Uma vez nas plantas, os nanotubos migraram para o cloroplasto e otimizaram o fluxo de elétrons em cerca de 30%.

A equipe também demonstrou que a planta pode ser transformada em um sensor químico, bastando para isso injetar nela nanotubos capazes de detectar gases, como o óxido nítrico, um poluente ambiental produzido pela combustão.

Adaptando os sensores para alvos diferentes, os pesquisadores esperam desenvolver plantas que possam ser usadas para monitorar a poluição ambiental, pesticidas, infecções por fungos ou a exposição a toxinas bacterianas. Eles também estão trabalhando na incorporação de nanomateriais eletrônicos, como o grafeno, em plantas.


Nota: Com muita inteligência e tecnologia o ser humano está agora conseguindo fazer algumas “parcerias” com a natureza e imitar seus mecanismos complexos. Só que a tecnologia da natureza é antiga (pelos seis mil anos) e teve que funcionar bem desde o começo, ou não estaríamos aqui falando sobre isso agora. A fotossíntese é um processo incrivelmente complexo sem o qual os seres vivos não sobreviveriam – na verdade, nem poderiam vir à existência. Se há um design e um projeto é porque existe um Designer/Projetista. [MB]

Clique aqui e aqui  e leia mais sobre as maravilhas relacionadas com as plantas.

sexta-feira, janeiro 26, 2018

E-mails que nos alegram (66)

“Eu estava estudando para o Enem e cheguei ao conteúdo da evolução, que me foi apresentado como verdade absoluta e inquestionável; foi como se o chão tivesse sumido (tendo em vista que sou cristão), pois os livros que eu lia, além de pouco explicativos, atacavam diretamente o cristianismo. Então comecei a perder a fé. Chegou um momento em que eu não conseguia nem orar mais. Foi horrível, passei meses com um vazio existencial. Até que encontrei uma palestra sua no YouTube, pesquisei sobre o senhor, li o seu livro indicado e assisti à série Origens. Comecei a pesquisar e me relacionar novamente com o Pai, e graças a Deus encontrei o verdadeiro motivo da minha fé. Agora estou mais firme em Cristo do que antes. Além de adquirir fascínio e curiosidade pela natureza, penso em cursar biomedicina e me aprofundar no estudo da criação.”

Tiago da Rosa (18 anos), Três Coroas

quarta-feira, janeiro 24, 2018

Se quiser rejeitar a teoria da evolução, faça-o pelo motivo correto

“Ninguém nunca viu um macaco virar homem.” Essa foi a lógica apresentada pelo Ministro da Educação da Índia [foto ao lado], em uma tentativa de “desmascarar” a teoria da evolução de Darwin. A declaração gerou piadas e um pedido de retratação feito pela comunidade indiana. “Ninguém, incluindo nossos antepassados, por escrito ou oral, disse que viu um macaco se transformar em um homem”, disse Satyapal Singh enquanto presidia uma conferência em Aurangabad, cidade no estado de Maharashtra, na sexta-feira. Ele defendeu a retirada da teoria evolucionista – aceita por unanimidade [sic] pela comunidade científica – dos livros didáticos do país. O comediante Vir Das foi um dos primeiros a brincar com o assunto.

O diretor Farhan Akhtar respondeu de forma satírica à declaração do ministro. “Macacos protestam contra a Origem das Espécies de Darwin. Eles negam envolvimento com a existência de certo homo sapiens.” No entanto, apesar da reação severa de todos os lugares, o ministro manteve o posicionamento. “Estou absolutamente de acordo com o meu comentário de que a teoria da evolução de Charles Darwin não é científica. Há poucas evidências para fundamentar a teoria. Grandes cientistas do mundo vieram dizer que não há evidências disponíveis no mundo que possam provar que a teoria da evolução está correta”, disse o ministro em outra conferência, segunda-feira, no IIT-Guwahati, uma das principais instituições técnicas da Índia.

Ele mesmo pediu uma conferência internacional para verificar a veracidade da teoria de Darwin. “Proponho, se o Ministério do Desenvolvimento e Recursos Humanos estiver pronto, patrocinar uma conferência internacional de nível mundial para decidir o que é verdadeiro e factual e que deve ser ensinado em escolas e faculdades”, disse Satyapal Singh.

Enquanto isso, cientistas de toda a Índia começaram a coletar assinaturas contra o ministro Singh e suas observações, vistas como um insulto ao verdadeiro trabalho de pesquisa. A comunidade científica pretende entregar a petição assinada ao Governo para pedir ao ministro que se retrate de sua declaração. Já são mais de 4.000 assinaturas e o texto continua recebendo apoio de cientistas e acadêmicos de mais de 25 das principais instituições educacionais do país.

A teoria evolucionista darwiniana consiste em três suposições: (1) todos os seres vivos descendem de um antepassado comum; (2) os principais mecanismos para as mudanças que dão origem a novas espécies resultam de mutação e seleção natural ou “sobrevivência do mais apto”; (3) estes são processos naturais não orientados.

Embora a pesquisa genética moderna fundamente em grande parte as ideias de Darwin, elas continuam sendo uma fonte de controvérsia, especialmente entre os devotos religiosos. A Turquia removeu todas as menções ao naturalista inglês de seus currículos didáticos em 2017, em grande parte devido à alegada incompatibilidade da teoria com a educação islâmica “baseada em valores” do país.

(Sputnik)

Nota: O Ministro da Educação da Índia falou bobagem e a mídia e os evolucionistas não perderam tempo: detonaram o homem. Evolucionistas não creem que o ser humano “veio do macaco”, e criacionistas nunca deveriam dizer que eles creem nisso. Eles pensam que humanos e macacos tiveram um ancestral comum (mas que animal seria esse, um sapo? Bem, deixemos isso pra lá...). Para ser mais preciso, o ministro poderia ter dito que não aceita a macroevolução porque informação genética não pode surgir do nada. Porque elementos inorgânicos não poderiam se agrupar em moléculas, aminoácidos, proteínas, DNA, células... tudo na ordem certa, unido à informação complexa, para então dar origem à vida – nem um cem bilhões de anos! Poderia também ter dito que não aceita a teoria da evolução porque a vida revela muitos mecanismos de complexidade irredutível sem os quais ela nem sequer teria começado a existir. Enfim, poderia dizer que a macroevolução está mais nos domínios da fé que nos da ciência empírica, e que vida só provém de vida, como Pasteur provou há muito tempo. A matéria acima tentou resumir os postulados básicos da teoria da evolução, como o de que todos os seres vivos descendem de um antepassado comum (macroevolução). Isso não está provado. É mera especulação baseada em evidências que apontam meramente para adaptações e diversificação de baixo nível (“microevolução”). O registro fóssil está aí para provar isso, com seres distintos (peixes, anfíbios, répteis, mamíferos, aves) e sem evidência de intermediários entre eles. Quando o assunto são fatos, os evolucionistas apelam para as mutações e a seleção natural, mecanismos aceitos pelos criacionistas, evidentemente. Mas o que esses mecanismos promovem? No caso das mutações, via de regra, perda de informação genética ou modificações limitadas (duvida? Pesquise aqui no blog sobre as drosophilas). No caso da seleção natural, adaptabilidade a determinadas circunstâncias ambientais, permitindo a sobrevivência do mais bem adaptado a essas circunstâncias. Mas tanto as mutações quanto a seleção natural agem sobre organismos já existentes. A seleção pode explicar como o mais “apto” sobrevive, mas nem um nem outro mecanismo é capaz de explicar como esses indivíduos mais “aptos” vieram à existência. Assim, o livro A Origem das Espécies promete, mas não entrega, pois tem a palavra “origem” no título, mas somente explica por que há diversidade na natureza. Pena que o Ministro da Educação da Índia não mencionou fatos como esses, expondo-se ao ridículo com aquele “argumento batido”. Que os criacionistas não sigam seu exemplo. Se for para rejeitar a teoria da evolução, que seja pelos motivos corretos. [MB]

segunda-feira, janeiro 22, 2018

Deus, o tempo, temporalidade e atemporalidade

Há uma discussão teológica sobre se Deus é atemporal ou não. A resposta a essa questão depende de conceitos como tempo e atemporalidade. E, dependendo de como definimos essas coisas, severas inconsistências podem ser geradas. Ainda no âmbito dessa discussão, tem sido dito que um ser atemporal não interage com o que acontece ao longo do tempo. Além disso, tempo tem sido considerado meramente como o que permite sequência de acontecimentos (correto), mas sem levar em conta o que as leis físicas descobertas desde o início do século 20 têm revelado a respeito da natureza do tempo e do espaço. A forma como esses dois conceitos têm sido usados é inconsistente e leva a conclusões equivocadas.

Teólogos cristãos têm chegado à conclusão de que Deus não pode ser atemporal porque Ele interage com a humanidade e com a criação em geral ao longo do tempo. Dado o conceito popular de atemporalidade, essa conclusão é válida. Mas o conceito de atemporalidade usado não é. O conceito de tempo usado nessas discussões também é simplista e choca-se de quando em quando com o que se sabe sobre o funcionamento do tempo.

Em considerações ateístas, encontramos argumentos segundo os quais Deus não pode existir por ser atemporal.[1] Essa linha é igualmente simplista, mas reforça a conclusão de que Deus não pode ser atemporal sob pena de não existir. Neste caso, porém, a situação fica ainda mais delicada ao se introduzir o conceito de mente sem se levar em conta diferenças entre sistemas finitos e infinitos.

Ao longo dos últimos séculos, temos visto inúmeros exemplos de ideias milenares que precisaram ser descartadas diante de descobertas proporcionadas pelo uso de métodos matemáticos (Ciência) para estudar a natureza. Uma das principais motivações para essa abordagem foi a notória insuficiência da filosofia humana para estudar a natureza. Ao tecer linhas filosóficas, frequentemente cometemos erros grosseiros sem perceber, pois a intuição humana tende a gerar muitas extrapolações bastante equivocadas em todas as áreas que se afastam ligeiramente do cotidiano. Métodos matemáticos têm permitido contornar essas limitações da mente humana e lidar mais diretamente com a realidade.

Discussões sobre temporalidade/atemporalidade de Deus têm sofrido desse mesmo problema: longos debates seguidos de conclusões aparentemente razoáveis, porém equivocadas, os quais poderiam ter sido resolvidos se houvesse um pouco mais de atenção às leis físicas. É exatamente o que o livro de Jó descreve.

Atemporalidade – A ideia de que algo que existe independentemente do tempo fica impedido de atuar ao longo do tempo não tem fundamento. É uma proposição ad hoc que se choca com fatos conhecidos. Vejamos se podemos tornar isso intuitivo. Imagine uma lei que não depende logicamente do tempo nem de características em particular deste universo. Essa seria uma entidade independente do tempo. Seria possível a essa entidade atuar ao longo do tempo? Sim. De fato, há leis físicas que possuem exatamente esse comportamento: independem do tempo mas determinam o que acontece ao longo do tempo. Aliás, mais do que uma lei física em particular, podemos citar a rainha das leis, a que gera as demais em um nível fundamental: δS=0. Esse princípio tem sido usado até mesmo para estudar a possibilidade da existência de outros universos, uma vez que ele não depende sequer de características deste universo e, em particular, de sua dimensão de tempo. Também não depende de nenhuma outra dimensão de tempo. Nesse sentido, esse princípio é atemporal. Por outro lado, ele rege o que acontece também ao longo de qualquer dimensão de tempo.

Resumo: não faz sentido associar atemporalidade com incapacidade de interferir no que acontece ao longo do tempo. Em outras palavras, não se pode negar a atemporalidade de Deus com base no fato de que Ele atua ao longo da história. Uma coisa nada tem a ver com a outra.

Tempo – O conceito de tempo como sendo o que permite sequência de acontecimentos é conveniente, mas apenas como ponto de partida. O que aprendemos com estudos de leis físicas desdobra-se em consequências que desafiam a intuição humana. Citaremos uns poucos exemplos ao longo da narrativa a seguir.

No século 19, James Maxwell reuniu resultados coletados por outros pesquisadores e descobriu que já tinha informações suficientes para formular matematicamente as leis do eletromagnetismo. As equações resultantes lançaram uma luz inesperada sobre assuntos dos quais nada se suspeitava. Essas mesmas equações serviram de base para quase todo o desenvolvimento tecnológico que ocorreu a partir da segunda metade do século 19. Graças a isso temos aparelhos elétricos e eletrônicos.[2] É nessa área que existe a maior precisão em termos de medidas e experimentos alcançada pela humanidade. E as equações do eletromagnetismo funcionam muito bem.

Mas sua utilidade não se limita e nos permitir construir esses brinquedos. As equações do eletromagnetismo também falam muito sobre fenômenos físicos em geral. Entre outras coisas, falavam da existência de uma velocidade absoluta, que teria a mesmo medida para todos os observadores. Isso tem consequências importantes sobre a natureza do tempo e do espaço. Inicialmente, os físicos não aceitaram isso, imaginando que elas poderiam ser interpretadas de outra maneira. Se essa velocidade fosse absoluta não em relação a todos os referenciais, como as equações diziam, mas em relação a um referencial em particular, que foi chamado de éter luminífero, e se essas equações fossem válidas apenas nesse referencial, então a intuição humana não estaria tão errada assim.

Experimentos subsequentes mostraram que o tal éter luminífero não existe, que as equações são válidas em todos os referenciais e que o espaço e o tempo realmente possuem as propriedades previstas pelas equações de Maxwell. A aceitação disso deu-se por meio da formulação da estrutura matemática que ficou conhecida como Relatividade Especial. Descobriu-se que o espaço é relativo, o tempo é relativo, mas o espaço-tempo é absoluto. Essa formulação também nos permitiu entender a natureza do tempo macroscópico e a identificá-lo quando aparece em leis físicas.

Mais tarde, descobriu-se ainda uma conexão entre distribuição de energia e curvatura do espaço-tempo. A formulação disso ficou conhecida como Relatividade Geral, que por sua vez abriu as portas ao estudo da Cosmologia.

Ao longo do século 20 foram realizados literalmente milhões de experimentos, muitos dos quais tentando invalidar a Relatividade Especial e/ou a Geral. Tudo o que se descobriu foi que a Relatividade não fala de tudo o que existe para saber sobre o assunto de espaço-tempo e gravidade, mas o que ela diz está correto até onde se pode observar.

Mas o que a Relatividade nos diz a respeito do tempo? Muito. Vamos apenas resumir alguns aspectos mais simples a fim de lançar alguma luz sobre a questão do tempo para Deus.

Em primeiro lugar, o tempo que passa para uma pessoa não é necessariamente igual ao tempo que passa para outra, a menos que elas estejam em situações muito parecidas. Quando existe, a diferença pode ser ínfima, imperceptível, ou gigantesca. A diferença na passagem do tempo para astronautas em órbita da Terra, por exemplo, é pequena, mas pode ser medida pelos instrumentos atuais e corresponde exatamente ao previsto pela Relatividade. Essas diferenças são grandes o suficiente para afetar em muito a precisão de instrumentos como o GPS. Sem levar em conta as previsões da Relatividade, o erro do GPS é muito grande. Com as correções impostas pela Relatividade, a margem de erro cai bruscamente, restando apenas erros intrínsecos aos aparelhos, como precisão do relógio interno.

Em segundo lugar, o que é tempo para um observador pode ser espaço para outro e vice-versa. A dimensão que é tempo fora de um buraco negro é uma direção no espaço em seu interior, e a direção do lado de fora do buraco negro é a radial, em seu interior é o tempo. Tempo é uma direção, porém com um sinal diferente na fórmula que define a geometria do universo. Esse sinal faz com que haja sequência de acontecimentos e também é responsável por outras propriedades.

Em terceiro lugar, espaço-tempo é o “material” com que foi “tecido” (katarithmeo, Hebreus 11:3) o universo. Não existe tempo sem espaço. Não existe universo sem espaço-tempo. Não existe espaço-tempo sem universo. Tempo é só mais uma das coisas que fazem parte da criação.

Resumindo: milhões de experimentos e observações de todos os tipos imagináveis têm mostrado que a Relatividade está correta, mesmo sendo incompleta, inclusive quanto à exatidão do que ela diz sobre como funciona o tempo. E ela diz coisas que chocam a intuição usual, mas tudo o que se observa mostra que a intuição usual está completamente enganada em certos aspectos e que a Relatividade é que está com a razão.

Quem acredita que Deus criou o universo deve também crer que Ele criou o tempo. E se essa crença incluir a ideia de que Ele depende de alguma dimensão de tempo para existir, então também implica que Ele vive em um universo (com espaço-tempo) que Ele não criou.

Resumo geral: a ideia de que Deus é atemporal no sentido de existir além do tempo e independentemente dele não implica que Ele seja incapaz de agir ao longo da história. Se Ele é o criador de todas as coisas, então Ele é necessariamente atemporal. Tempo é só um dos atributos do universo. Se existem muitos universos independentes, cada um possui sua dimensão de tempo independente das dimensões de tempo dos demais.[3]

(Eduardo Lütz é físico e engenheiro de software)

Notas:
[2] Aparelhos eletrônicos são os que processam informações utilizando fenômenos eletromagnéticos para isso. Todos os seres vivos podem ser considerados aparelhos eletrônicos (naturais), pois processam informações e o fazem com base em fenômenos eletromagnéticos. A Química existe e funciona com base em fenômenos eletromagnéticos
[3] Na Teoria das Cordas, chegamos à conclusão de que cordas abertas precisam existir em um espaço-tempo de 26 dimensões, e cordas fechadas (laços) precisam existir em um espaço-tempo de 11 dimensões. Há quem entenda isso como significando que o universo existe em um ambiente multidimensional. Nesse mesmo ambiente existiria uma infinidade de universos. Mas isso não é necessariamente verdade. O que parece emergir da Teoria das Cordas é que essas dimensões têm a ver com graus de liberdade das cordas, e seu efeito coletivo em um mar de cordas resultaria no espaço-tempo macroscópico com todas as suas características (incluindo dimensões compactas, simetrias de Lorentz, etc.).

terça-feira, janeiro 16, 2018

Modelos ou “forçação de barra”?

Recentemente li em uma matéria publicada pelo jornal O Globo sobre uma fraude no Museu Nacional da Holanda, envolvendo uma amostra de rocha que, supostamente, seria uma “pedra lunar”. A amostra teria sido doada, na ocasião, pelo embaixador norte-americano na Holanda, Willian Middendorf, ao primeiro-ministro holandês Willem Drees. Segundo o jornal, a doação teria sido feita por ocasião de uma “turnê mundial” dos três astronautas norte-americanos que integraram a missão Apollo 11. O fato curioso teria sido descoberto por um especialista em questões espaciais que afirmou achar “estranho” e até mesmo duvidoso que a Nasa, a agência espacial americana, teria um desprendimento assim tão grande de abrir mão de uma raríssima amostra de material lunar somente para agradar ao primeiro-ministro holandês. Mas foram os geólogos da Universidade de Amsterdã que, mediante análises microscópicas, descobriram que, na verdade, se tratava de uma amostra de madeira petrificada e nem de perto teria procedência lunar. O mais curioso é que, segundo o museu, somente o seguro da tal pedra teria custado 50 mil euros. Hoje, após a descoberta, a amostra poderia ser vendida no máximo por 50 euros.

Esse fato me fez lembrar de uma aula muito interessante que tive durante meu mestrado sobre a formação das grandes províncias magmáticas do mundo. Lembro-me bem de que minha professora relatou sobre uma então recente discussão que estava ocorrendo durante os congressos de geofísica e de geologia a respeito de outra suposta fraude em alguns modelos geológicos que serviram de base para muitos artigos científicos.

Segundo alguns geofísicos, muitos pesquisadores que criaram modelos para a formação de ilhas oceânicas a partir de “hotspot” teriam usado de muita “criatividade” para a explicação dos processos vulcânicos associados. Alguns chegam até mesmo a achar que as tomografias mantélicas, feitas muitos anos atrás para sustentar essas hipóteses, foram manipuladas. Um grande grupo de geólogos simplesmente desacredita nessas informações, deixando essa discussão longe de ter um fim. Em virtude disso, alguns cientistas até propõem outros modelos para a formação de vulcanismo, como o pesquisador Don Anderson, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos Estados Unidos. Segundo ele, os tradicionais modelos que mostram estreitos jatos de magma vindo das profundezas da Terra e disparando pelo meio de uma montanha em formato de cone, devem ser banidos dos livros-textos.

“Mas esse quadro está errado”, garante o professor Anderson. Segundo ele e seu colega James Natland (Universidade de Miami), esses estreitos canais de magma que dariam origem aos vulcões não existem nem fazem sentido – não existe, por exemplo, uma explicação da energia necessária para trazer o material até a superfície.

“Plumas vindas do manto nunca tiveram uma boa base física ou lógica”, diz Anderson, referindo-se ao formato de pena frequentemente usado pelos livros-textos para ilustrar os jatos de lava que alimentam os vulcões. Segundo o autor, para tentar detectar as hipotéticas plumas, os geólogos analisam a atividade sísmica medida por várias estações espalhadas por uma grande área. O tipo de material que essas ondas atravessam altera suas propriedades, o que pode ser usado para deduzir o tipo de material atravessado. Mas ninguém detectou os canais estreitos de lava em pesquisas feitas em áreas repletas de vulcões – no Havaí, no Parque de Yellowstone e na Islândia.

Agora, em parte graças a estações sísmicas melhores e mais adensadas, a análise de sismologia do planeta é boa o suficiente para confirmar que não existem “plumas mantélicas” estreitas, garantem Anderson e Natland. Em vez disso, os dados revelam que há grandes pedaços do manto, em movimento ascendente lento, com mais de mil quilômetros de largura, afirma o pesquisador.

O fato é que hipóteses podem ser comprovadas ou não. Modelos podem ser refeitos, abandonados, substituídos... Isso normalmente faz parte das pesquisas científicas. O grande problema reside na má-fé de alguns “pesquisadores” que manipulam imagens e/ou dados para comprovar suas teorias e embasar suas pesquisas. Não será difícil você achar na internet várias outras matérias abordando as fraudes cometidas por esses supostos pesquisadores para sustentar suas teorias. O fato é que precisamos ter os olhos bem abertos! Vejo que, quando falamos de criacionismo, parece que estamos falando de algo extremamente bizarro e sustentado em cima de mentiras. Mas será que tudo o que os cientistas lhe mostram como verdade é, de fato, verdade? O bom senso não serve somente ao estudarmos o planeta segundo a ótica criacionista; o bom senso serve ao usarmos qualquer lente para estudar a criação.

(Hérlon Costa é geólogo formado pela UFPA e mestre em Geologia Exploratória pela UFPR)

Fontes:
http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1284661-5603,00-PEDRA+LUNAR+DE+MUSEU+HOLANDES+ERA+NA+VERDADE+MADEIRA+PETRIFICADA.html

Mantle updrafts and mechanisms of oceanic volcanism, Don L. Anderson, James H. Natland, Proceedings of the National Academy of Sciences, vol. published online: DOI: 10.1073/pnas.1410229111

Um tempo antes de haver tempo?

Há quem defenda que houve uma eternidade passada antes da criação do Universo. Ateus tendem a pensar assim para evitar recair no conceito de um Criador do Universo. Que problemas existem com essa ideia? Vários. Comento só dois a seguir, os quais costumam ser difíceis de ser entendidos por pessoas da maioria das áreas do conhecimento, mas são importantes.

1. O tempo que experimentamos neste Universo não pode ser infinito para o passado. As leis físicas conhecidas não o permitem. Foi exatamente isso que levou físicos, embora profundamente contrariados, a aceitar que o Universo foi criado (Big Bang). É importante repetir até cair a ficha: criação do universo é sinônimo de criação do tempo (e isso se encaixa com Hebreus 11:3). O universo é o espaço-tempo, não a matéria nele contida. Independentemente de imaginar-se que o Universo seja jovem ou antigo, é importante entender que aceitar que ele foi criado implica em aceitar que o tempo foi criado, teve um início e não existe uma eternidade passada.

2. Se houver muita vontade de acreditar em uma eternidade passada, pode-se postular a existência de outro universo a partir do qual este foi criado. Seria algo análogo à formação de um buraco negro neste Universo, algo que ocorre em um momento específico deste universo. Mas a dimensão de tempo dentro de um buraco negro é a direção radial,[1] o que torna o tempo finito em uma das pontas internamente. No caso do buraco negro, haveria um big crunch, contração do espaço culminando com o fim do tempo no centro do buraco negro; no caso do buraco branco, haveria um big bang partindo temporalmente do centro (início do tempo) seguido de expansão do espaço. Em qualquer desses casos, para quem estivesse dentro do buraco negro ou branco, o universo local pareceria ilimitado. Há quem afirme que Deus esperou por um tempo infinito antes de criar este Universo, mas isso não pode referir-se à mesma dimensão de tempo que experimentamos neste momento. Seria uma dimensão de tempo em outro universo. Além disso, alguns poderiam postular que esse outro universo não foi criado, mas que sempre existiu ao longo de sua linha de tempo. Nesse caso, Deus não seria o criador daquele universo.

No caso de se postular a existência de um universo preexistente no qual este em que estamos foi criado, e postular que ele é eterno (para que haja um passado infinito nele), seria importante demonstrar que aquele universo pai possui propriedades tais que lhe conferem estabilidade. Com uma dimensão de tempo e três de espaço, isso não é possível.

[1] Nota técnica: basta observar os sinais dos coeficientes de dt² e dr² da métrica de Schwarzchild para constatar que, do ponto de vista de um observador afastado do buraco negro, a direção radial em seu interior é uma dimensão de tempo, e a que é a dimensão de tempo fora de um buraco negro, passa a ser uma das dimensões de espaço em seu interior. 

(Eduardo Lütz é físico e engenheiro de software)

sexta-feira, janeiro 12, 2018

“Há evidências abundantes que mostram que Gênesis é verídico”

Embora seja possível comprovar muitos relatos bíblicos por meio das evidências científicas, muitos cristãos lidam com alguns questionamentos a respeito da origem humana quando são confrontados com argumentos do evolucionismo. O mestre em ciências Everton Alves, membro da Sociedade Brasileira do Design Inteligente e da Sociedade Criacionista Brasileira, contou ao Guiame que mesmo tendo sido criado com os princípios cristãos, também já enfrentou uma fase de dúvidas. “Quando você tem sua fé contestada dentro da universidade, parece que o turbilhão de sentimentos é muito maior: ‘Será que o que eles estão falando agora é verdade e tudo o que eu aprendi é mentira?’”, disse ele em entrevista ao Guiame, durante o Encontro Nacional de Universitários. “Eu passei por isso, principalmente na fase do mestrado, quando trabalhava num laboratório de imunogenética cheio de geneticistas ateus e agnósticos. Eu entrei em contato com algumas evidências, principalmente na área da origem humana. Isso tudo me trouxe muitas dúvidas e eu tive que pesquisar”, Everton conta.

Sua fé foi fortalecida quando se deparou com o livro Por Que Creio, de Michelson Borges (Casa Publicadora Brasileira), que fez o mestre em ciências encarar a Bíblia de uma forma nova. “Esse livro me apresentou evidências que eu nunca tinha visto. Na grande mídia, não vemos essas evidências sendo mostradas, porque a mídia tem essa tendência de blindar tudo o que é relacionado à Darwin.”

Everton observa que nas escolas e universidades os estudantes são ideologicamente doutrinados dentro do contexto do evolucionismo. “Nós temos contato desde crianças com livros didáticos que nos fornecem uma história que na verdade não é a história real das nossas origens. Quando vamos estudar a fundo por conta própria ou com a ajuda de de literaturas específicas de pessoas intelectualmente honestas, temos evidências abundantes que nos mostram que o relato de Gênesis é verídico e histórico”, aponta.

A veracidade da Bíblia está sendo comprovada principalmente na arqueologia, conforme observa Everton. “A cada ano, vem sendo descoberta uma nova civilização, um túmulo ou objeto com nome de algum personagem que já estava descrito na Bíblia, sendo que antes eram considerados como mitológicos ou metafóricos”, explica.

“A ciência, ano após ano, vem comprovando todo o relato bíblico, principalmente quanto à literalidade do livro de Gênesis, se formos tratar de Adão e Eva, Noé e sua família ou até mesmo do episódio do dilúvio. Podemos ter dentro da própria Bíblia informações que atestam a veracidade desse primeiro livro”, Everton afirma.


quinta-feira, janeiro 11, 2018

“Prova matemática da evolução darwiniana” é falsa

Devido à tradição da escrita científica profissional, grandes desenvolvimentos em literatura científica geralmente chegam abafados por uma linguagem tão maçante ou técnica que acabam passando despercebidos pelo leitor regular. Isso, junto com o hábito da mídia de dar suporte à evolução, faz com que rachaduras enormes na fundação do Darwinismo se espalhem despercebidas pelo público, que continua acreditando que a ciência [humana] está totalmente estabelecida e se manterá sempre assim.

Um bom exemplo é o recente artigo do Jornal de Biologia Matemática, uma significativa publicação de revisão por pares feita pelo influente site de publicações Springer. O título do artigo anuncia: “O teorema fundamental da seleção natural com mutações”.

Incluir um verbo seria, presumidamente, concessão demais para o sensacionalismo populista. Ainda assim a conclusão, se não sensacional, é certamente notável.

Gerações de estudantes de biologia e evolução aprenderam sobre o trabalho pioneiro de Ronald A. Fisher (1890-1962). Um fundador da estatística moderna e genética populacional, ele publicou seu famoso teorema fundamental de seleção natural em 1930, lançando uma das pedras fundamentais do neodarwinismo ao conectar genética mendeliana com a seleção natural. A Wikipédia sumarizad “Isso contribuiu para o renascimento do Darwinismo na revisão da teoria da evolução do início do século 20, conhecida como a síntese moderna.”

O teorema de Fisher, tido como o equivalente à “prova matemática de que a evolução darwiniana é inevitável”, agora é considerado falso. Sua ideia é relativamente fácil de descrever. Ela afirma: “A velocidade de aumento na aptidão de qualquer organismo a qualquer tempo é igual a sua variância genética em aptidão naquele momento.”

Sua comprovação para isso não foi da maneira comum da matemática; aptidão não é rigorosamente definida, e seu argumento é mais intuitivo que qualquer outra coisa. O teorema aborda apenas os efeitos da seleção natural. Fisher não abordou diretamente nenhum outro efeito (mutação, deriva genética, mudança ambiental, etc.), pois ele os considerou insignificantes. Matemáticos posteriores discordaram da falta de rigor de Fisher, alguns de forma bem detalhada. Mas a omissão dos efeitos de mutação foi o que mais chamou a atenção.

Recentemente, o matemático William F. Basener e o geneticista John C. Sanford vieram propor uma expansão do teorema fundamental, incluindo mutações. Basener é professor no Instituto de Tecnologia de Rochester e um acadêmico visitante no Instituto de Dados da Ciência da Universidade da Virgínia. Sanford é um geneticista botânico que foi professor associado na Universidade Cornell por muitos anos. Ele é editor do volume Biological Information: New Perspectives (World Scientific, 2013). O Jornal de Biologia Matemática é a publicação oficial da Sociedade Europeia para Biologia Matemática e Teórica.

Basener e Sanford expandiram o modelo de Fisher permitindo mutações tanto benéficas quanto danosas, seguindo e estendendo o trabalho anterior. Eles usaram níveis de mutação zero para testar a concordância de seu modelo com o de Fisher. Eles estabeleceram que existe um nível de aptidão de equilíbrio em que a seleção balanceia os efeitos mutacionais. Entretanto, se mutações em níveis biológicos plausíveis ocorrem, a aptidão geral é comprometida. Em alguns casos isso leva à “falha mutacional”, onde o efeito de mutações acumuladas suplanta a habilidade populacional de se reproduzir, resultando na extinção.

Extinção é o oposto de evolução. Eles concluem: “Nós reexaminamos o teorema fundamental de Fisher da seleção natural, focando na questão de novas mutações e consequentes implicações para populações biológicas reais. A tese primária de Fisher era que variação genética e seleção natural trabalham juntas num caminho fundamental que garante que as populações naturais irão sempre crescer em aptidão. Fisher considerou seu teorema essencialmente como uma prova matemática da evolução darwiniana, e a comparou com uma lei natural. Nossa análise mostra que a tese primária de Fisher (aumento contínuo e universal da aptidão) não está correta. Isso se dá por ele não ter incluído novas mutações como parte de sua formulação matemática, e por conta de seu corolário informal se basear numa premissa que agora se sabe ser falsa.”

“Nós mostramos que o Teorema de Fisher, como formalmente definido pelo próprio Fisher, é de fato antitético à sua tese geral. Além de novas mutações, o Teorema de Fisher simplesmente aperfeiçoa variações de aptidão alélica pré-existentes levando ao equilíbrio. Fisher se deu conta de que precisaria de novas mutações formadas para que seu teorema suportasse sua tese, mas ele não incorporou mutações em seu modelo matemático. Fisher apenas considerou novas mutações utilizando experimentos mentais informais. Para analisar o Teorema de Fisher, nós julgamos ser necessário denominar o elemento mutacional informal de seu trabalho como o Corolário de Fisher, o qual nunca foi de fato comprovado. Nós mostramos que enquanto o Teorema de Fisher é verdadeiro, o Corolário é falso.”

“Neste artigo, nós derivamos um modelo de mutação-seleção melhorado, que é construído sobre o modelo de base de Fisher, assim como em outros modelos pós-Fisher. Comprovamos um novo teorema, que é uma extensão do teorema fundamental de Fisher de seleção natural. Este novo teorema permite a incorporação de novas mutações formadas no Teorema de Fisher. Nós nos referimos a este teorema expandido como ‘O teorema fundamental de seleção natural com mutações’.”

“Após termos reformulado o modelo de Fisher, permitindo a análise dinâmica e a incorporação de novas mutações surgidas, nós subsequentemente fizemos uma série de simulações dinâmicas envolvendo populações grandes, porém finitas. Nós testamos as seguintes variáveis no tempo: (a) populações sem novas mutações; (b) populações com mutações que apresentam distribuição simétrica de efeitos de aptidão; e (c) populações com mutações que apresentam uma distribuição mais realística de efeitos mutacionais (com a maior parte das mutações sendo danosas). Nossas simulações mostram que (a) à parte de novas mutações, a população rapidamente se move em direção ao equilíbrio; (b) com mutações simétricas, a população passa por aptidão rápida e contínua; e (c) com uma distribuição mais realística das mutações, a população geralmente passa por declínio perpétuo da aptidão.”

É isso injusto com uma figura histórica? E quanto aos modelos desenvolvidos após Fisher?

“Com base no trabalho de Fisher, e os problemas associados a ele, nós também examinamos os modelos pós-Fisher do processo de mutação-seleção. No caso dos modelos de população infinita, o que foi comumente observado é que populações vão rotineiramente ao equilíbrio ou a um limite definido – como uma órbita periódica. Eles não mostram aumento ou declínio perpétuo em aptidão, mas se restringem pelo comportamento, por conta da estrutura do modelo (uma população infinita com mutações apenas ocorrendo entre variedades genéticas pré-existentes). De forma prática, todas as populações biológicas são finitas. No caso dos modelos de população finita, o foco tem sido em se medir a acumulação de mutações, como afetadas pela seleção. Modelos finitos claramente mostram que populações naturais podem tanto aumentar quanto diminuir em aptidão, dependendo de muitas variáveis. Outros modelos matemáticos finitos de população não somente mostram que aptidão pode diminuir – eles geralmente mostram que apenas uma faixa estreita de parâmetros podem de fato evitar o declínio na aptidão. Isso é consistente com muitos experimentos de simulação numérica, com diversos experimentos de acumulação de mutações, e com observações onde sistemas biológicos têm ou um alto índice de mutação ou um pequeno tamanho de população. Mesmo quando grandes populações são modeladas, minúsculas mutações danosas (VSDM em inglês) podem teoricamente levar ao contínuo declínio da aptidão.”

O golpe final vem embrulhado em elogios: “Fisher foi inquestionavelmente um dos maiores matemáticos do século vinte. Seu teorema fundamental de seleção natural foi um enorme passo à frente, no qual ele, pela primeira vez, relacionou seleção natural com genética mendeliana, o que pavimentou a via para o desenvolvimento do campo da genética populacional. Entretanto, o teorema de Fisher estava incompleto de forma a não permitir a incorporação de novas mutações. Em adição, o corolário de Fisher estava seriamente falho pelo fato de presumir que mutações apresentam um efeito final de aptidão que é essencialmente neutro. Nossa reformulação do Teorema de Fisher completou e corrigiu efetivamente o teorema, de forma que ele pode agora refletir a realidade biológica.”

O que eles quiseram dizer está descrito de forma mais franca anteriormente no artigo: “Graças à premissa que fundamenta o corolário de Fisher ser agora reconhecido como inteiramente errado, o corolário de Fisher é falso. Consequentemente, a crença de Fisher de que ele desenvolveu uma prova matemática de que a aptidão deve sempre aumentar também é falso.”

Esta é a “realidade biológica”. O trabalho de Fisher é geralmente interpretado como significando que a seleção natural leva ao aumento da aptidão. Apesar de isso por si só ser verdade, mutações e outros fatores podem e de fato reduzem a aptidão média da população. De acordo com Basener e Sanford, em níveis reais de mutação, o teorema original de Fisher, compreendido como sendo uma prova matemática de que a evolução darwiniana é inevitável, está derrubado.

Parabéns a Basener e Sanford por demonstrar esse importante ponto. Agora os livros e artigos das enciclopédias online tomarão nota?

(Evolution News, com tradução de Leonardo Serafim)

Adão tinha umbigo?

Essa questão simples e que parece irrelevante já criou muitos problemas. Na Idade Média e no Renascimento, por exemplo, os pintores e artistas ficavam com dúvidas se deviam retratar Adão com ou sem umbigo. Muitos resolviam o problema pintando uma enorme folha na região pélvica. Além de esconder as partes genitais, escondia-se com isso o umbigo também. O teólogo John MacArthur afirma que Michelangelo, ao pintar seu mais famoso afresco na capela Sistina, “A Criação de Adão”, teria exagerado no umbigo do primeiro pai terrestre, o que lhe valeu observações repressivas por parte de alguns teólogos da época.

O umbigo é uma cicatriz resultante da queda natural do cordão umbilical, e costuma manifestar-se como uma depressão na pele. A partir do modelo criacionista, Adão jamais esteve em um útero e foi criado já adulto e pronto, conforme a Bíblia expõe em Gênesis 2:7: “Então o Senhor Deus formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego de vida, e o homem se tornou um ser vivente.”

A questão surge ao entendermos a seguinte asserção: Adão não nasceu, logo não teve umbigo. No entanto, alguns teólogos defendem que Deus criou um ser perfeito e completo, como um ser adulto. Então Adão teria sido criado com umbigo. Deus fez isso para deixar Adão igual aos demais homens e mulheres que dele seriam descendentes. O que parece confirmar esse argumento é o fato de que sendo criados já adultos, Adão e Eva não tiveram, provavelmente, de enfrentar as mudanças da puberdade, o nascimento de pelos, cabelos e dentes. Estes últimos já estavam lá para eles partilharem da primeira refeição.

Relacionado com esse tema seria interessante perguntar: Adão tinha mamilos? No processo de desenvolvimento do feto, os mamilos aparecem em machos e fêmeas. Mas o homem não apresentará o complexo fisiológico da produção do leite – o qual é mediado pela ação da oxitocina. Nas mulheres, esses complexo hormonal começa a ser fabricado horas depois do parto. O que se percebe é projeto inteligente que determina a diferenciação entre os sexos e suas funções.

Assim, os hormônios fazem com que os homens tenham mamilos diferenciados das mulheres. Entendemos que homem e mulher foram criados com estruturas anatômicas, genéticas e hormonais prontas “para o uso com sucesso”.

(Alexandre Kretzschmar, Onze de Gênesis)

Clique aqui para ler mais sobre a questão dos mamilos masculinos.

sexta-feira, janeiro 05, 2018

Folha concede espaço a ateu militante raivoso e a blasfemador

[Meus comentários seguem entre colchetes. – MB] Cadê seu Deus agora? Em lugar nenhum – a trabalheira é convencer os 98% da população que dizem acreditar na ideia do Criador, segundo pesquisa Datafolha de setembro, e assegurar “a verdadeira laicidade do Estado”. Eis as bandeiras da Atea (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos), que representa um de cada dez brasileiros, somando ateus (1%) e quem se declara sem religião ou agnóstico (8%). [Conheço agnósticos e até ateus que têm vergonha da Atea e não se sentem minimamente representados pela entidade, mas a Folha não quis tocar nesse assunto.] Em nome dessas causas, o grupo ajuizou dezenas de ações civis públicas contra o que considera serem atentados ao princípio de um Estado imune à interferência religiosa. A maioria desses processos questiona iniciativas evangélicas respaldadas pelo poder público. Caso, por exemplo, de uma ação contra o prefeito Marcelo Crivella e a cidade que gere, o Rio, “pela realização de eventos religiosos nas escolas da rede municipal”. Há outra contrária à instalação de um templo evangélico na sede do Bope, tropa de elite da PM-RJ. [Quando não se pode vencer no argumento, o jeito é partir para a truculência, para o sensacionalismo que garante espaço na mídia, para o deboche e o escárnio e para os processos judiciais.]

A investida judicial se estende a outros credos, como o católico (“doação de um terreno para imagens em Aparecida, SP”) e a umbanda (“construção de monumento à Iemanjá em Cidreira, RS”).

Mas a Atea também está na outra ponta da espada – como alvo do Ministério Público paulista, que já pediu a instauração de inquérito policial por postagens no Facebook da associação consideradas ofensivas e que poderiam incorrer na “prática de crime de ultraje a culto”. [Sim, eles são especialistas em atacar a fé dos cristãos e dos seguidores de religiões de matriz africana, mas nunca os vi apontando as armas para Maomé, por exemplo...] Em outras palavras: intolerância religiosa. É isso mesmo, admite o presidente da Atea, o engenheiro Daniel Sottomaior, 46 [foto acima]. “A gente quer odiar a religião, ela merece. Querem nos culpar por memes religiosos? Pois nos declaramos culpados desde já.” [O ódio nunca faz bem a ninguém, religiosos ou ateus. Pregar o ódio em uma sociedade já tão machucada por ele é um verdadeiro desserviço. Infelizmente, Sottomaior é um instigador de guerras e não promotor de diálogo. E como a imprensa precisa de “sangue” para vender jornais, concede-lhe espaço. A revista Veja também já fez o mesmo. Confira.]

Publicação recente traz a reportagem de um museu em Amsterdã com “a maior coleção de deformidades humanas” (fetos com deficiências guardados em jarros). A legenda: “Obrigado, Senhor!!!” [A velha tática satânica de culpar Deus pelo que Ele não causou: o pecado. Se uma mulher grávida, usando seu livre-arbítrio, consome drogas pesadas e o filho nasce com deformidades, de quem é a culpa? Obviamente que o exemplo é extremo e meramente ilustrativo, pois ocorrem problemas também com pessoas que não consomem substâncias perigosas. Ocorre que este mundo não é o ideal e justamente por isso Jesus prometeu voltar para nos devolver à condição de perfeição edênica. Mas se Deus não existe e o pecado é uma ilusão, por que os ateus da Atea vivem atribuindo a Ele o mal que há no mundo? É tipo assim: Deus não existe, mas eu O odeio! Os ateus não podem sequer ficar indignados com as mazelas do mundo e com o sofrimento das pessoas, afinal, são consequências naturais da evolução humana e da sociedade.]

Dois posts em particular provocaram ira ao pegar carona em momentos de comoção global para questionar a fé de bilhões. Ante a foto de um menino sírio de três anos de rosto enterrado na areia, após se afogar tentando chegar à Grécia, a Atea fustigou: “Se Deus existisse, seria um canalha.” Dois dias após a tragédia aérea com a Chapecoense, nova provocação: uma foto do time rezando em campo e outra do avião destroçado, mais a legenda “pode confiar, amiguinho, Deus é fiel”. [Puro oportunismo insensível. Curiosamente, são as pessoas que mais sofrem as que mais manifestam fé e solidariedade. É muito fácil para o engenheiro Sottomaior, em sua sala refrigerada, ficar discorrendo nas redes sociais sobre Deus, a dor e o sofrimento humanos. Pergunte-se a um refugiado cristão que foge de terroristas islâmicos, ou a um africano que luta entre a vida e a morte por falta de alimento. Estes, sim, poderão lhe falar sobre a fé e o sofrimento.]

A Atea se desculpou depois “por não ter mostrado mais claramente como a religião se aproveita de momentos de dor como este para impedir o pensamento racional”. [Em outra evidência de total insensibilidade.]

À Folha Sottomaior lança uma metáfora para explicar sua birra com a “ficção divina”. “Digamos que um belo dia alguém evoque o Supremo Enxugador de Gelo, um ser incorpóreo. O movimento dá crias, começam as desavenças entre os grupos, o enriquecimento com enxugamento de gelo alheio, a ideia de que quem não enxugar gelo é mau. E, no fim, enxugar gelo não vai ajudar ninguém.” [Comparação descabida que ignora as muitas evidências da existência de Deus e de que a Bíblia é a revelação dEle. Danem-se a arqueologia, as profecias cumpridas, a história, a física, a biologia, as provas de que a religião faz bem à saúde, de que fomos criados para crer e de que os religiosos operam obras assistenciais em todo o mundo. Enxugar gelo é brigar com um Deus em quem não se crê e jogar para baixo do tapete os méritos da boa religião.] [...]

Sottomaior prega o ódio contra religiões e acha que isso não é sinônimo de intolerância contra seus adeptos (“ideias não têm direito, pessoas sim”). Ao mesmo tempo, critica o que julga ser preconceito contra os descrentes. [É preciso admitir que esse preconceito existe, mas não é promovendo um preconceito que se combate outro.]

Exemplos não faltam. O estudante paraense Jhonatas, 18, prefere omitir o sobrenome para não se indispor ainda mais com a família – que por pouco não o expulsou de casa por ser ateu. “Assistimos a uma reportagem sobre o terror do Estado Islâmico. Disse: ‘Fazem isso em nome de um deus que nem existe.’ Para eles era fase, eu tomaria jeito. Mas perceberam que eu não ia mudar e começaram a falar que quem não tem Deus no coração não ama ninguém.” [...] [Outro mal exemplo de tomar o todo pela parte. Quem disse que os membros do Estado Islâmico representam a totalidade dos religiosos? Muito pelo contrário: esse tipo de radical é a minoria. E se eu usar o mesmo argumento para dizer que o ditador da Coreia do Norte – ou outro doido comunista – representa os ateus de todo o mundo?]

“É preciso ter presente que o Estado é laico, mas a cultura brasileira é marcada pela religiosidade. O próprio Estado deve garantir a liberdade de expressão religiosa, não somente privada, mas também pública”, diz dom Sergio da Rocha, presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). “Quem combate as manifestações religiosas não contribui para a construção de uma democracia madura.”

Para Sottomaior, haverá sempre uma boia de salvação na América Latina: o Uruguai, onde 4 a cada 10 habitantes dizem não ter religião e os prédios públicos não exibem imagens religiosas. Definitivamente não graças a Deus. [Sottomaior devia falar também dos inúmeros prêmio Nobel judeus, da pujança científica e tecnológica de um dos maiores países cristãos do mundo (EUA) e por aí vai. A culpa de o Brasil ser o que é não é da religião cristã, mas isso todo mundo deveria saber.]


Nota: Causa-me revolta ver a Folha de S. Paulo concedendo tanto espaço para ateus militantes irados e até blasfemadores (confira aqui). A atitude de certos setores da mídia é a de dar um megafone às minorias e ignorar a voz da maioria. [MB]

Clique aqui e leia mais sobre as ideias e ações de Sottomaior. Leia também a crítica de um ateu ex-membro da Atea e sobre a tremenda insensibilidade da Atea quando do acidente envolvendo a equipe da Chapecoense.

Ciência e religião: duas faces da mesma moeda

Ele estende os céus do norte sobre o espaço vazio; suspende a terra sobre o nada. Jó 26:7, NVI

Muitos cientistas contemporâneos argumentam que é impossível crer em Deus e ser um profissional sério. Entretanto, vários pesquisadores que ajudaram a lançar as bases da ciência moderna eram criacionistas. Um exemplo clássico é Isaac Newton, nascido em Woolsthorpe, Inglaterra, no dia 4 de janeiro de 1643. Considerado por muitos o cientista mais influente de todos os tempos, ele ajudou a desenvolver conceitos sobre física, astronomia, matemática e ciências naturais. Além disso, é extremamente conhecido pela Lei da Gravitação Universal, pelas Três Leis do Movimento e por seus estudos sobre a refração da luz.

Em 1676, Newton confessou: “Se consegui ver além dos outros, é por estar de pé sobre os ombros de gigantes.” Posteriormente, acrescentou: “Não sei como pareço para o mundo; mas, para mim, sou apenas como um menino brincando na praia e me divertindo de vez em quando, ao encontrar uma pedra mais lisa ou uma concha mais bonita do que de costume, enquanto o grande oceano da verdade permanece intocado à minha frente.”

Contrariando pesquisadores modernos que acreditam que a ciência tem a palavra final sobre a origem e a complexidade do Universo, Newton afirmou: “A gravidade consegue explicar o movimento dos planetas, mas não explica o que colocou os planetas em movimento.” E mais: “A gravidade pode colocar os planetas em movimento, mas, sem o poder divino, ela nunca seria capaz de colocá-los em uma órbita tão circular quanto a que têm em volta do Sol. Logo, por esse e outros motivos, sou compelido a atribuir a estrutura desse sistema a um Ser inteligente.”

Ciente das limitações da ciência e da razão humana [humanas], Newton nunca perdeu de vista a confiança em Deus como Criador e “Governante Universal”. Ele inclusive escreveu mais sobre religião do que sobre ciência. Em 1733, sua célebre obra As Profecias de Daniel e o Apocalipse foi publicada postumamente, em Londres.

Para o célebre cientista, “a oposição à fé em Deus é ateísmo em profissão e idolatria na prática”. Em outras palavras, não existe ateísmo de verdade, somente uma transferência de adoração. Aqueles que não adoram a Deus acabam adorando a si mesmos ou criando os próprios deuses preferidos, a despeito de quem ou do que eles sejam.”

(Alberto Timm, Um Dia Inesquecível)