sexta-feira, abril 20, 2018

Dilema ovo-galinha: Quem veio primeiro?

Um leitor nos enviou uma pergunta: Quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?

A pergunta pode até parecer engraçada e sem sentido, porém, o assunto tem tudo a ver com os modelos evolucionista e criacionista. Para os criacionistas, que acreditam que Deus é o Criador de todos os seres, o tipo básico original que deu origem a galinha veio primeiro. Sim, criacionistas não são fixistas e aceitam o mecanismo de diversificação das espécies. Portanto, Deus criou os tipos básicos e depois eles se diversificaram. A nossa galinha doméstica é resultado dessa diversificação. Mas, para defensores da macroevolução, os seres vivos compartilham ancestrais comuns, foi o ovo que veio primeiro. E o ovo podia ser até de um dinossauro. Em geral, a cosmovisão darwiniana nos diz que o mais simples deu origem ao mais complexo, nessa ordem.

O dilema "ovo-galinha" é útil para testarmos a evolução darwinista. Se conseguirmos de algum modo provar que o ovo veio antes da galinha, a evolução de fato estará no caminho certo.

No entanto, uma nova descoberta aponta para o fato de que a galinha veio primeiro. Segundo os cientistas, a formação da casca do ovo depende de uma proteína que só é encontrada nos ovários desse tipo de ave. Portanto, o ovo só existiu depois que a primeira galinha foi criada. A proteína – chamada ovocledidin-17 (OC-17) – atua como catalisadora para acelerar o desenvolvimento da casca. A sua estrutura rígida é necessária para abrigar a gema e seus fluidos de proteção enquanto o filhote se desenvolve lá dentro. A descoberta foi publicada sob o título “Structural control of crystak nuclei by eggshell protein – em tradução livre: Controle estrutural de núcleo de cristais pela proteína da casca do ovo.[1]

Nessa pesquisa, foi utilizado um supercomputador para visualizar de forma ampliada a formação de um ovo. A máquina, chamada de HECToR, revelou que a OC-17 é fundamental no início da formação da casca. Essa proteína é que transforma o carbonato de cálcio em cristais de calcita, que compõem a casca do ovo. Dr. Colin Freeman, do departamento de Engenharia Material da Universidade de Sheffield, constatou: “Há muito tempo se suspeita que o ovo veio primeiro, mas agora temos a evidência de que, na verdade, foi a galinha.”

Para o professor John Harding, o estudo poderá servir como base para outras pesquisas: “Entender como funciona a produção da casca de ovo é interessante, mas também pode ser pista para a concepção de novos materiais e processos”, disse ele. “A cada dia a natureza [leia-se Deus] nos mostra suas soluções inovadoras para todo o tipo de problema que ela encontra. Isso só comprova que podemos aprender muito com ela”, finalizou o professor.

Como falamos no início do texto, esse dilema serve de teste para o evolucionismo darwinista. Testamos, e nessa situação ele foi reprovado. Podemos citar outros dilemas “ovo-galinha” a fim de que o evolucionismo darwinista seja posto à prova. Exemplos:

  1. Quem veio primeiro: DNA/RNA ou a proteína? Se você não tem DNA não tem proteína, e o contrário também é um problema.
  2. Oxigênio ou a capacidade do ser vivo de processar esse oxigênio?
  3. Homoquiralidade se refere à propriedade de um grupo de moléculas que têm a mesma quiralidade. Uma substância é considerada homoquiral se todas as unidades constituintes são moléculas da mesma forma quiral[2] (enantiômero). A vida requer polímeros com todos os blocos com a mesma forma quiral, como DNA e RNA tendo apenas açúcares “destros” e proteínas sendo formadas apenas por aminoácidos “canhotos”.[3] A homoquiralidade é uma propriedade única da matéria viva e gradualmente desaparece após a morte da matéria viva. A homoquiralidade representa um desafio para os materialistas que precisam explicar a origem da vida por meio de mecanismos puramente naturais.
Existem inúmeras situações em que podemos colocar à prova o mecanismo de evolução ocasional. Será mesmo que os organismos evoluíram de simples para complexos, ou foram criados prontos e funcionais ? Pare, pense e analise.


Referências:  
[1] Freeman CL, et al. Structural control of crystal nuclei by an eggshell protein. Angew Chem Int Ed Engl 2010 Jul;49(30):5135-7. 
[2] Dembski, William A. The Design of Life: Discovering Signs of Inteligence in Biological Systems. Dallas: The Foundation for Thought and Ethics, 2008. p. 227. ISBN 978-0-9800213-0-1 
[3] Sarfati, Jonathan. By Design. Australia: Creation Book Publishers, 2008. p. 175. ISBN 978-0-949906-72-4

quarta-feira, abril 18, 2018

A “evolução” em Gênesis 1: das origens à nova criação


Quando era estudante universitário, lembro-me bem de uma aula de crítica literária em que o professor tomou tempo para comentar acerca do primeiro capítulo do livro de Gênesis. Para ele, um cristão católico acostumado às interpretações metafóricas da criação ao modo de Santo Agostinho e da tradição escolástica, Gênesis 1 não deveria ser interpretado literalmente. “Por que não?” – eu indagava em pensamento. Enquanto o inteligente professor falava, eu observava com atenção os argumentos apresentados dos quais já tinha certo conhecimento; porém, percebia o quanto eram insustentáveis diante da força do próprio texto escriturístico. Além de refletir os esquemas interpretativos da teologia liberal e do método histórico-crítico, a argumentação ecoava a noção pós-moderna de obra literária, que, sutilmente, mina a autoridade do texto e impõe os pressupostos e a visão de mundo do leitor. Prudentemente, para não suscitar qualquer debate, naquele momento da aula não me posicionei. Todavia, tomando a declaração do professor, dita em sala, de que “para você defender uma interpretação literal de Gênesis é preciso ter argumentos consistentes”, no encontro seguinte ofereci-lhe um extenso artigo no qual era apresentada sólida defesa em favor da literalidade dos dias da criação, desmontando, assim, a interpretação figurativa. Se meu professor leu o artigo, deve ter notado que a compreensão literal de Gênesis 1 é coerente e faz justiça ao texto, sendo, portanto, bíblica e condizente com o caráter e os propósitos do Criador.

 Na máxima pós-moderna, “conhecer é sempre interpretar”. Nesse sentido, em relação à controvérsia acerca das origens, o texto bíblico, como um todo, encontra-se no centro de uma batalha de interpretações, muitas das quais acabam culminando em superinterpretações. Em muitas leituras, a exegese acaba se transformando em eisegese, pois “enquanto a exegese consiste em extrair o significado de um texto qualquer, mediante legítimos métodos de interpretação; a eisegese consiste em injetar em um texto alguma coisa que o intérprete, quer que esteja ali, mas que na verdade não faz parte dele. Em última instância, quem usa a eisegese força o texto mediante várias manipulações, fazendo com que uma passagem diga o que na verdade não se acha lá”. Por isso, fazer hermenêutica de textos considerados sagrados é um grande desafio que precisa seguir princípios seguros de interpretação; no entanto, como pondera David K. Naugle, será que “existe algum código-mestre interpretativo que forme um horizonte final para toda interpretação textual? Existe algum sistema final de sinais que determine o significado de todos os demais sinais com adequada certeza? Existe alguma metanarrativa, uma Weltanschauung definitiva, que explique todas as demais cosmovisões? Resulta a hermenêutica em nada mais que um intercâmbio perpétuo de sinais e símbolos que finalmente e efetivamente banem o significado do Universo? A resposta, ao que parece, depende da cosmovisão da pessoa”.

“Quem quer compreender um texto, em princípio, está disposto a deixar que ele diga alguma coisa por si. Por isso, uma consciência formada hermeneuticamente tem que se mostrar receptiva, desde o princípio, para a alteridade do texto. Mas essa receptividade não pressupõe nem ‘neutralidade’ com relação à coisa nem tampouco autoanulamento, mas inclui a apropriação das próprias opiniões prévias e preconceitos, apropriação que se destaca destes. O que importa é dar-se conta das próprias antecipações, para que o próprio texto possa apresentar-se em sua alteridade e obtenha assim a possibilidade de confrontar sua verdade com as próprias opiniões prévias”, adverte Hans-Georg Gadamer.

Em relação à Bíblia - considerada pelo cristianismo uma obra divino-humana, e não uma peça de literatura aberta a subjetividades interpretativas -, todo cuidado é pouco, porquanto “em interpretação, a criação é sempre maior que a criatura”. Para o leitor consciencioso das Escrituras, a pergunta bíblica se faz pertinente: “Entendes tu o que lês?” (Atos 8:30); ela o coloca perante o mais sério desafio hermenêutico. Nossas interpretações serão fracas ou fortes a depender da importância e do valor atribuídos ao texto e às intenções primárias de Seu autor divino, que inspirou autores humanos a escrever com base no “Assim diz o Senhor”.     

Voltando ao primeiro capítulo da Bíblia, qual tipo de interpretação seria mais consistente com a “alteridade” e natureza do texto? O relato ali expresso constituiria uma expressão mitológica da cultura judaica? Quem sabe uma descrição metafórica da criação, simples alegoria, parábola ou mesmo uma visão espiritual de Moisés? Ou Gênesis 1 é uma história (fato) entremeada de ricos simbolismos? Aposto nessa última opção hermenêutica, considerando que o texto bíblico é o seu próprio intérprete.   

Quando entregou os Dez Mandamentos por intermédio de Moisés, Deus escreveu em um elemento da criação - na pedra - a sólida e inapagável verdade: “Em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há...” (Êxodo 20:11). Contudo, a maioria das pessoas instruídas na ciência e nas correntes filosóficas e teológicas modernas vê no primeiro capítulo da Bíblia mera alegoria e simbologia, e nas “tardes e manhãs” ali descritas, em vez de dias de vinte e quatro horas, enxergam eras de milhares ou milhões de anos. Para tais indivíduos, nossas origens conforme as Escrituras não correspondem a um fato, não possuem historicidade, não são literais; consequentemente, precisam ser reinterpretadas de acordo com as “descobertas” da ciência moderna.

Confrontando essa visão, certo estudioso do Antigo Testamento esclarece: “O relato é um registro histórico em prosa, escrito em estilo rítmico, registrando factualmente e acuradamente ‘o que’ aconteceu na criação ‘dos céus e da terra’, retratando o tempo ‘em que’ ela ocorreu, descrevendo os processos de ‘como’ ela foi feita, e identificando o Ser divino que (‘quem’) a executou.”

Os versos do relato se assemelham a poesia, segundo William H. Shea, por causa do “paralelismo de pensamento, característica da poesia hebraica. Mas a Gênesis 1 falta a métrica poética, podendo o texto do capítulo ser mais precisamente descrito como prosa poética”. Outros destacados eruditos, muitos adeptos do método histórico-crítico, admitem honestamente, embora a contragosto, que “o autor bíblico intencionou que seu relato fosse entendido factualmente ou literalmente”. Alguns vão além: “Apesar de alegações em contrário (frequentemente no interesse de combater o fundamentalismo), esses textos indicam que os pensadores de Israel perseguiram cuidadosamente questões a respeito do como da criação, e não apenas questões de quem e por quê.” Por conseguinte, a interpretação literal desse capítulo controverso resulta da leitura “lisa”, “franca”, “óbvia”, “evidente”, “plana”.

Para os que só enxergam mitos no relato da criação, outro teólogo esclarece: “Embora as interpretações não literais devam ser rejeitadas no que negam (a saber, a natureza literal e histórica do relato de Gênesis), não obstante possuem um elemento de verdade no que afirmam. Gênesis 1-2 tem que ver com mitologia – não para afirmar uma interpretação mitológica, mas como polêmica contra a antiga mitologia do Oriente Próximo. Os versículos de Gênesis 1:1 a 2:4 provavelmente são estruturados de um modo semelhante à poesia hebraica (paralelismo sintético), mas poesia não nega historicidade (ver, por exemplo, Êxodo 15, Daniel 7 e aproximadamente 40% do Antigo Testamento, que são poesia). Escritores bíblicos frequentemente escrevem em poesia para afirmar historicidade. Os versículos de Gênesis 1-2 apresentam uma teologia profunda. Mas nas Escrituras teologia não se opõe à história. Com efeito, teologia bíblica tem sua raiz na história. De igual modo há um simbolismo profundo em Gênesis 1. Por exemplo, a linguagem do Jardim do Éden e a ocupação de Adão e Eva claramente aludem ao simbolismo do santuário e ao trabalho dos levitas (ver Êxodo 25-40). Mas porque aponta para uma realidade diferente não diminui sua realidade literal”. Por conseguinte, a literalidade salta da estrutura do texto e permite o aparecimento do simbólico, assim como o conotativo segue o denotativo. A Bíblia traz algo sobre a letra e o espírito da lei, sem desprezar nem um nem outro. Aqueles que guardam o espírito da lei vão muito além da sua letra, não pela desconsideração da letra, mas por ver na letra significado maior. Nesse aspecto, Gênesis combina muito bem letra e espírito, literalidade e simbologia.

Percebemos então que, nas Escrituras, a convivência entre o literal e o simbólico nunca foi um problema insolúvel para a hermenêutica, principalmente em Gênesis, não classificado como um livro poético. As imagens do caos primitivo, do pairar do Espírito sobre o abismo, do aparecimento da luz, organização da vida, da função pedagógica das duas árvores paradisíacas, da serpente falaz, da queda da humanidade, etc. evocam estimulantes interpretações. Apesar disso, a historicidade do relato jamais poderá ser negada ou desprezada pelo simbolismo nele incutido. Logo, no exercício da hermenêutica não se pode desnaturar o texto para acomodá-lo a interpretações carentes de qualquer fundamentação ou justificativas semânticas, lexicais e linguísticas.

Alguém poderia levantar a seguinte possibilidade: A literalidade do primeiro capítulo de Gênesis não poderia se dar pelo viés da interpretação evolucionista, uma vez que no pensamento científico majoritário a evolução é considerada fato? Não seria essa uma proposta plausível para o acontecimento da criação do mundo: harmonizar ciência e fé cristã, aparentemente colocadas em lados opostos? Nesse caso, cabe aqui a adoção de uma hermenêutica de suspeita ou atitude de prudência e cuidado quanto ao “cavalo de Troia” que procura se apresentar como um presente à teologia, quando, na verdade, é um funesto ataque ao teísmo bíblico. Além do mais, nas próprias linhas de Gênesis 1 encontra-se argumentação contrária a esse entendimento.


A nosso ver, o evolucionismo teísta apresenta-se como a pior tentativa na história do pensamento de combinação da filosofia do naturalismo com a religião. Por trás dessa “boa intenção” está embutido um insistente e visceral apelo ao naturalismo metafísico. Além do mais, ler o relato da criação sob a ótica do modelo conceitual evolucionista constitui um dos modismos interpretativos atuais mais danosos ao cristianismo. O fato é que a teologia liberal, tentando ser politicamente “correta”, baixou a cabeça para esse dogma sem sequer questioná-lo. Cegados pela eisegese, os defensores da evolução teísta constroem um labirinto teológico para si mesmos. Consequentemente, comprometem doutrinas cardeais do cristianismo como a queda humana em pecado, o sacrifício expiatório de Cristo, a perpetuidade do sábado e da lei divina, a segunda vinda de Jesus, etc. Dessa forma, a tentativa de unir pensamentos inconciliáveis termina por gerar uma aberração monstruosa: um “frankenstein teológico” que vai de encontro à real harmonia entre ciência e fé cristã. É preciso ter cuidado com essa interpretação, pois a compreensão acertada do primeiro capítulo da Bíblia é fundamental para se entender corretamente seus ensinos posteriores, inclusive a literalidade da nova criação. Entretanto, apropriando-se do termo “evolução”, não o rejeitemos de todo. Procuremos dar a ele um significado bem criacionista, unindo-o à simbologia presente no âmago da narrativa de Gênesis. Assim:

Cada dia da criação é um “verso” escrito pelo Construtor de mundos perfeitos. Os sete dias “poéticos” constituem as sete criações progressivas de Elohim. Da luz proveniente do Senhor (abrindo o parêntese da semana e anunciando a verdade acerca de nossas origens) ao sábado (que coloca o mundo, o homem e toda a matéria numa perspectiva especial) está implícito o sublime sermão da vida: Deus é amor! Ou nas palavras de um intérprete sensível à mensagem da criação:

“O 1º dia, a luz: nos traz uma esperança, com grande velocidade e clareza que essa mesma criação transmite; o 2º dia, o firmamento: abre as portas de conhecimento e caminhos infindos, dando espaço suficiente para conquistar e acolher todas as coisas; o 3º dia, a natureza: as formas se encontram, sobressaindo as metragens, as planagens, a divisão organizada para o surgimento de uma beleza multiplicadora; o 4º dia, os luzeiros: as luzes se acendem para mostrar a grande obra multicor que se combina conforme a forma de olhar, a força e potência do Sol, e suavidade romântica da Lua; o 5º dia, os seres vivos: oportunidade de conhecer, de ver, de viver um imenso cenário vivo, podendo alcançar os grandes opostos: o voar das aves e o descer dos peixes; o 6º dia, o homem: a mais bela e perfeita criação, alguém semelhante ao Criador, de uma simetria perfeita e consciência múltipla, para reconhecer e admirar a grande criação e o Criador; o 7º dia, o descanso: após a grande corrida para dividir, organizar e criar, surge a oportunidade de apreciar e sentir a suavidade dessa criação. Apreciação renovada que nos mostra um grande amor.” 

Tristemente, porém, a realidade paradisíaca dos tempos primordiais sofreu uma queda descomunal causada pelo fenômeno do pecado. Agora, depois de milênios de trágica história, habitamos em um mundo de ruínas com a vaga lembrança do que foi, outrora, nosso planeta não caído. A Terra clama por recomeço, outro princípio onde Deus esteja presente para reordenar as coisas e seres afetados pelo mal. O mundo espera a sua recriação total, uma vez que “toda a criação geme” aguardando o instante em que “será libertada do cativeiro da corrupção” (Romanos 8:21, 22). Nessa esperançosa expectativa, existimos dentro de parênteses, submetidos ao processo de redenção em que as forças destrutivas são contidas pelo onipotente Deus Restaurador.

“Eis que faço novas todas as coisas” (Apocalipse 21:5). A nova criação já começou e assemelha-se às origens de Gênesis, pois tem nela incutido o “Princípio da criação de Deus” (Apocalipse 3:14) - o reconhecimento da sobrenaturalidade do Espírito sobre a força da matéria; mas começa silenciosa e quase imperceptivelmente: não com os elementos inorgânicos terrestres; tampouco com plantas, astros e animais; inicia-se com a luz espiritual alcançando a escura vida do homem (2 Coríntios 4:6). Pois se a Queda principiou com a humanidade e se estendeu por tudo o mais, a restauração tem o ponto de partida em cada pessoa disposta a renascer espiritualmente. Tal renascimento não é instantâneo como foi quando a palavra divina organizou a matéria pesada, criou os seres e formou o homem. Na nova criação o processo de restaurar exige um tempo mais longo, porquanto envolve o respeito às liberdades individuais perante a Vontade recriadora. Para Deus é muito fácil criar do nada, bastando uma palavra Sua. No entanto, redimir ou reconstruir o ser humano caído exige não só poder infinito, mas igualmente paciência infinita combinada com amor sacrifical. Por essa razão, o “nascer de novo” não se pode dar em semanas, meses ou mesmo anos. Constitui um “processo evolutivo” demorado - não aleatório e cego -, no qual a graça vai erguendo, pouco a pouco, a humanidade decaída. Como se expressou Edna Saint-Vicent Millay:

“Não estou muito impressionada com o trabalho que Deus desempenhou ao criar o mundo. Claro, é impressionante olhar a criação de onde estou. Mas seria simples e rotineiro fazer tal truque se o nosso poder fosse semelhante ao de Deus. Deus manipulou a matéria, essa coisa pesada e obstinada que usou - para não dizer teimosa. Deve ter sido fácil e divertido para mãos como as de Deus, dar forma a essa massa, jogar um planeta aqui, colocar uma estrela acolá e montar uma galáxia para colocá-los dentro e, então, concentrar-Se em nosso pequeno globo, decorando sua crosta com vida! Não, se eu tivesse a sabedoria, a perícia e a força do Todo-Poderoso, tenho certeza de que poderia fazer um mundo pelo menos tão lindo e tão assustador e triste como o nosso. Mas o outro problema em que Deus Se envolveu é o que me encanta! Criar o coração humano e em seguida deixá-lo livre, respeitando suas escolhas, observando-o seguir seus próprios caminhos e tentando sempre nos ganhar de volta novamente para aquilo que Ele havia planejado. Deus lê nosso coração como ele é agora, camadas sobre camadas de erros que envolvem nossa alma e então tenta arrancar tudo isso sem nos forçar! Entende tudo sem nos odiar! Pune nossos erros sem nos destruir! E ainda continua tentando persuadir nosso comportamento maldoso a escolher Seu estilo de bondade. Há um grande problema: eu não posso entender por que Ele Se preocupa tanto, e não vejo por um só momento se obterá algum resultado positivo. Mas como eu O respeito por ousar tentar.”

Os sete dias do tempo formaram a semana literal, na qual o espaço foi preenchido com os feitos maravilhosos do Criador, resultando em um mundo de extrema beleza; e se há obras da criação, existem também as “obras da redenção”. Na recriação, Deus, pelo Seu Espírito e consentimento humano, um dia de cada vez, modela a “matéria” bruta, caótica e abismal que é a natureza humana. Entretanto, ao invés de ordenar, a voz de Deus soa à consciência do homem, convidando-o para acrescentar “à fé a bondade, e à bondade o conhecimento, e ao conhecimento o domínio próprio, e ao domínio próprio a perseverança, e à perseverança a piedade, e à piedade a fraternidade, e à fraternidade o amor” (2 Pedro 1:5-7). Essas características virtuosas, desenvolvidas nele pelo divino poder, fazem-no novamente imagem e semelhança do seu Criador. Então, debaixo da vigilância de Deus, repleto do fôlego do Espírito, solidificado no terreno da verdade para um contínuo crescimento, iluminado pelo “Sol da Justiça”, guiado pela “Estrela da Manhã”, e vivendo em harmonioso relacionamento com os demais seres, o ser humano completa os seus dias no descanso. Forma-se na humanidade um mundo perfeito! Criado e redimido, ele segue em eterno desenvolvimento. Eis a “divina evolução”!

(Frank de Souza Mangabeira, membro da Igreja Adventista do Bairro Siqueira Campos, Aracaju, SE; servidor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Sergipe)

terça-feira, abril 17, 2018

Big Bang é ciência ou dogma científico?

O blog inovação tecnológica publicou um questionamento (confira) levantado por Jayant Narlikar, professor do Centro Inter-Universitário de Astronomia e Astrofísica em Pune, na Índia, sobre o status do atual modelo cosmológico padrão. Infelizmente, Narlikar parece ter familiaridade bastante limitada com temas pertinentes à Cosmologia. De fato, existem muitas especulações nessa área, bem como evidências fracas, fortes e teorias bem fundamentadas. Infelizmente, aos olhos do público leigo, assim como aos olhos de Narlikar, todas essas coisas parecem ser componentes de uma única teoria: a do Big Bang.

Na verdade, muito pouco do que ele menciona tem a ver diretamente com modelos de Big Bang. Ele menciona, por exemplo, a falta de evidências em favor do que ele pensa serem pressupostos básicos do Big Bang, a saber: matéria escura não bariônica, inflação e energia escura. Essa é talvez a principal dica de que Narlikar não faça ideia do que seja realmente o modelo do Big Bang. Tentaremos explicar rapidamente o que são essas coisas e por que o modelo mais aceito do Big Bang não depende delas.

O que é matéria escura não bariônica?

Primeiro, precisamos entender o que são bárions. Trata-se de uma família de partículas subatômicas capazes de interagir por meio de uma das quatro forças fundamentais conhecidas: a interação nuclear (forte). Os dois exemplos mais conhecidos são prótons e nêutrons. Nós, juntamente com toda a matéria que nos cerca, somos feitos de matéria bariônica, já que a massa dos átomos que nos compõem é quase toda devida a prótons e nêutrons em seus núcleos. Elétrons, que formam o corpo de cada átomo, também possuem massa, mas muito menor, quase insignificante comparada com a dos prótons e nêutrons.

Matéria escura não bariônica seria composta de um tipo de partícula hipotética, não prevista nos modelos matemáticos, que praticamente não interage com a matéria normal. De onde veio essa ideia? Do fato de que as órbitas das estrelas em torno de suas galáxias sugerem que há muito mais matéria compondo essas galáxias do que podemos ver (ver, por exemplo [1]), ou que a gravidade tem um comportamento diferente do esperado em certas circunstâncias. Por alguma razão, a hipótese da matéria escura acabou sendo preferida em relação à outra hipótese.

A hipótese da matéria escura surgiu muitas décadas após a publicação do modelo do Big Bang.

O que é inflação?

Nesse contexto, não se trata de economia. Trata-se de uma suposta expansão acelerada do espaço logo após sua criação. Essa hipótese [2] também surgiu muitas décadas após a publicação do modelo do Big Bang e foi apenas uma tentativa de fazer um “puxadinho” no modelo para explicar o excesso de homogeneidade do Universo. Aliás, esse é um ponto importante que vale a pena ser mencionado.

A Cosmologia possui uma vantagem interessante em relação a outras áreas que usam informações sobre o passado: tudo o que vemos ao observar o Universo é o passado. Na Geologia e na Paleontologia, por exemplo, só podemos imaginar o passado com base em pistas. Em Cosmologia, podemos ver o passado com os próprios olhos graças à velocidade finita da luz e às grandes distâncias entre objetos visíveis no Universo. Quando olhamos para a constelação de Órion, por exemplo, não vemos o que acontece lá agora, mas o que acontecia há mais de 1.300 anos. Quando vemos fenômenos em andamento na vizinha galáxia de Andrômeda, testemunhamos eventos que ocorreram há mais de 2,5 milhões de anos, pois esse é o tempo que as imagens que recebemos agora demoraram para chegar até nós.

Quando dirigimos nossa atenção ao limite do que podemos observar, vemos o Universo logo após seu nascimento. Ele era extremamente homogêneo, exceto por pequenas variações na medida exata para formar galáxias e aglomerados de galáxias.

Para quem crê que o Universo foi planejado, isso faz todo o sentido. Porém, para quem crê que o Universo nasceu de uma espécie de acidente, essa homogeneidade não faz sentido, pois o Universo não teria tempo de se tornar homogêneo logo após sua criação, a menos que já nascesse homogêneo, o que seria uma coincidência incrível. Buscam-se então possíveis mecanismos que poderiam, talvez, explicar tamanha homogeneidade. Uma das hipóteses propostas é a da inflação.

O que é energia escura?

Uma propriedade do espaço que faz com que ele tenda a se expandir com o tempo, mais ou menos como a superfície de um balão ao ser inflado. Esse também não é um pressuposto do modelo do Big Bang.

Quando deduzimos a equação que rege a gravidade e o comportamento do espaço-tempo (a equação da Relatividade Geral), a mesma que usamos como base para o software que faz o GPS funcionar, emerge desses cálculos uma entidade que chamamos de constante de integração (quem está familarizado com cálculo integral reconhecerá essa expressão) chamada de constante cosmológica. Tanto a equação quanto a constante são consequência da combinação de duas coisas: a lei da conservação de energia e um teorema da Geometria Diferencial. O ponto da equação onde aparece essa constante tem o comportamento de energia escura.

Assim, a energia escura não é exatamente uma hipótese para explicar algo, mas uma decorrência natural de leis bem conhecidas e testadas. Ainda assim, ela não faz parte das hipóteses usadas na fomulação do modelo do Big Bang.

Outros fenômenos

O que o modelo do Big Bang nos diz sobre a formação de estrelas, galáxias e outras estruturas do Universo? Nada. Esse não é o assunto do modelo. E sobre o surgimento da vida? Nada. Isso está ainda mais longe do escopo do modelo.

O que é o modelo do Big Bang?

É um sistema de equações deduzido por Georges Lemaître[3] e outros a partir das seguintes premissas:

A Relatividade Geral é suficientemente exata.

As leis da Termodinâmica são válidas.

O universo é aproximadamente homogêneo em uma escala suficientemente grande.

Combinando-se matematicamente esse sistema de hipóteses, obtemos um sistema de equações cujas soluções nos mostram um Universo que foi criado (pelo menos a forma como o conhecemos hoje) e passou a expandir-se desde então. Expansão aqui se refere à expansão do próprio espaço, independentemente da matéria contida nele.

Lemaître era um religioso católico e cria que o Universo foi criado por Deus, mas ateve-se somente a leis conhecidas e à hipótese da homogeneidade aproximada do Universo para gerar o modelo.

Há quem imagine o Big Bang como uma grande explosão desorganizada que teria dado origem a tudo, até a vida. Isso é um disparate! Em primeiro lugar, Big Bang é um modelo que parte de algo que parece ser uma criação muito organizada do Universo (como vimos acima) e então trata da expansão do espaço ao longo do tempo. Apenas isso.

Causas de controvérsia

Os resultados do Big Bang foram tratados inicialmente com muito ceticismo. Graças a uma cultura materialista, acreditava-se que a matéria fosse eterna, que o Universo sempre existiu. O fato de que o Big Bang sugeria fortemente uma criação foi visto como um problema.

Durante décadas houve grande resistência no mundo acadêmico, mas as evidências tornaram-se cada vez mais abundantes. A primeira foi a do avermelhamento de aglomerados de galáxias em função da distância, previsto pelo modelo. Depois, a radiação cósmica de fundo (um resultado da Física Nuclear no contexto do modelo) foi confirmada e tinha exatamente o formato previsto. Essa radiação demonstrou também a alta homogeneidade do Universo logo após sua criação. Depois foram detectados sinais de ondas gravitacionais exatamente como esperado no universo primordial. Com o tempo, o conjunto de evidências combinado com o melhor entendimento do modelo levaram a uma maior aceitação do modelo. Ainda assim, continua sendo uma pedra no sapato da qual o mundo acadêmico gostaria de se livrar na primeira oportunidade.

Curiosamente, apesar de o Big Bang ser um aliado do criacionismo, muitos cristãos têm trabalhado arduamente para desacreditá-lo. Há grupos que procuram desesperadamente falhas no modelo para usá-las em argumentos de que o modelo está totalmente errado. O principal motivo parece ser a crença de que o Universo possui apenas de 6 a 10 mil anos de idade e que o modelo do Big Bang afirma que possui cerca de 13,8 bilhões de anos.

Dois dos principais problemas com essa ideia são os seguintes:

1. Não é possível provar pela Bíblia que o Universo é jovem sem violar regras de exegese e hermenêutica. Pelo contrário, a Bíblia dá indicações de que o Universo é mais antigo do que a Terra, embora não especifique sua idade.

2. O modelo do Big Bang por conta própria não estabelece a idade do Universo. Ele apenas fornece meios de estimá-la com base no que se observa. Quem diz que o Universo é antigo são as observações, não o modelo do Big Bang.

O Big Bang faz parte do cenário imaginado atualmente pela maioria dos cosmologistas, mas não é o cenário todo. Quanto à resistência contra o modelo, amenizou nas últimas décadas, mas permanece o desconforto causado por ele por não se encaixar na cosmovisão de muitas pessoas.

(Eduardo Lütz é físico e engenheiro de software)

Referências:
1. Rubin, Vera C.; Ford, W. Kent, Jr. (February 1970). “Rotation of the Andromeda Nebula from a Spectroscopic Survey of Emission Regions.” The Astrophysical Journal. 159: 379–403. Bibcode:1970ApJ...159..379R. doi:10.1086/150317.
2. Guth, Alan H. “Inflationary Universe: A possible solution to the horizon and flatness problems.” Physical Review D. 23 (2): 347–356. Bibcode:1981PhRvD..23..347G. doi:10.1103/PhysRevD.23.347.
3. Lemaître, G. (1927). “Un univers homogène de masse constante et de rayon croissant rendant compte de la vitesse radiale des nébuleuses extragalactiques.” Annalsof the Scientific Society of Brussels (em francês). 47A: 41

Por que entender o que significa Criacionismo?

A pergunta acima é relevante por dois motivos: primeiro, porque alguns criacionistas acham que não precisam saber disso; quem precisa saber é quem não é criacionista. Eles já sabem o que significa. Segundo, porque os que não são criacionistas acham que já sabem porque não são. Quem é criacionista é que precisa entender porquê o criacionismo não faz sentido. Obviamente ninguém tem o monopólio do que significa ser criacionista, pois existem muitas versões diferentes de criacionismo. Porém, muitas pessoas que se dizem criacionistas e muitas das que acham que ideias criacionistas são absurdas no mundo de hoje também não conhecem alguns fatos cruciais relacionados ao criacionismo.

O consenso acerca das bases do mundo moderno é de que houve a Antiguidade Clássica em que gregos e romanos foram sociedades prósperas que desenvolveram a filosofia, as artes, as leis e então o mundo ocidental se tornou cristão. A volta aos ideais gregos e romanos resultou em valorização da razão, em humanismo e direitos humanos e em progresso novamente. Que o cristianismo lançou o mundo nos séculos da Idade Média em que, apesar da influência da cultura greco-romana, a sociedade mergulhou no obscurantismo e na superstição. Embora, hoje, muitos tentem argumentar que a Idade Média não foi exatamente um período de trevas intelectuais em que não houve progresso, ainda há a tendência de se atribuir à religião a responsabilidade pela ignorância e pouco desenvolvimento da época.

Sabe-se que nos séculos medievais a cultura grega não estava esquecida, pois os filósofos e teólogos baseavam seus ensinos em autores gregos e temas da Bíblia. O fato é que tanto os autores gregos quanto os temas da Bíblia não eram ensinados verdadeiramente. Os livros eram escassos, tanto obras gregas e romanas quanto Bíblias, pois a imprensa não havia sido ainda inventada. Uns poucos eruditos detinham algum conhecimento para ler obras traduzidas e menos deles ainda para ler em línguas originais.

A religião do período medieval era o que resultou da fusão do cristianismo, desde o tempo de Constantino, com as práticas e crenças religiosas greco-romanas acrescidas de ideias filosóficas dessas culturas.

O Renascentismo não foi um reaparecimento e valorização da cultura grega-romana, já que, de certa forma, elas já eram valorizadas; apenas permitiu que essa cultura se tornasse mais plenamente conhecida e divulgada. Se tudo o que tivesse ocorrido fosse somente esse despertar para os valores clássicos, o mundo de hoje poderia não ter tido a Declaração Universal dos Direitos Humanos nem progresso da Ciência. Por que afirmo isso? Porque muitos dos que foram famosos renascentistas não tinham intenções de mudar o status quo (confira); quem desejava que ele mudasse eram os reformadores, pois os eruditos renascentistas eram patrocinados pelo clero e a realeza da época.

Os reformadores descobriram na Bíblia o sacerdócio de todos os crentes (1 Pedro 2:9, 15-16) e defendiam a liberdade de consciência e educação para todos (“A verdadeira riqueza de uma cidade, sua segurança e sua força, é ter cidadãos instruídos, sérios, dignos e bem-educados”, Lutero, History of the Reformation of the Sixteenth Century, Livro 10, capítulo 9. Tradução livre). Foi quando pessoas pobres e humildes começaram a descobrir que podiam pensar por si mesmas sem a mediação dos sacerdotes.

Além disso, a redescoberta dos clássicos pode ter fomentado a filosofia, mas não foi o que desencadeou a Revolução Científica. O que fez a diferença na explosão de conhecimentos foi a percepção da necessidade da matemática para estudar a natureza.

“A [verdadeira] filosofia está escrita neste grandioso livro que está sempre aberto à nossa contemplação (refiro-me ao Universo), mas que não pode ser entendido sem que primeiro se aprenda a língua, e conheçam-se os caracteres com os quais está escrito. Ele está escrito em linguagem matemática, e seus caracteres são triângulos, círculos, e outras figuras geométricas sem as quais é humanamente impossível entender sequer uma de suas palavras; sem estes [caracteres] fica-se a vagar por um escuro labirinto.

“Deixando de lado as sugestões, falando abertamente e tratando a Ciência como um método de demonstração e raciocínio humanamente alcançável, sustento que quanto mais isso participa da perfeição, menor será o número de proposições que prometerá ensinar, e menos ainda provará conclusivamente. Consequentemente, quanto mais perfeita é [a metodologia], menos atrativa será e menos seguidores terá” (Galileu Galilei, Il Saggiatore, 1624. Grifos acrescentados).

“Nenhuma investigação humana pode ser chamada de científica se não passar no teste das demonstrações matemáticas” (Leonardo da Vinci, citado em W. J. Meyer, Concepts of Mathematical Modeling. Grifo acrescentado).

A descoberta do Cálculo por Newton e seu estudo das leis do movimento e da ótica permitiram a “investigação do calor, da luz, eletricidade, magnetismo e química dos átomos” (confira), levando ao desenvolvimento da Química, Biologia, Medicina, Revolução Industrial, Revolução Tecnológica, etc.

Esses pais da Ciência era todos cristãos e Newton gastou tanto tempo estudando a Bíblia quanto a natureza (confira).

Maupertuis, o matemático e filósofo francês que descobriu o princípio da ação mínima, do qual todas as leis básicas da Física podem ser deduzidas, extraiu esse princípio do que ele aprendeu na Bíblia sobre as características de Deus (confira).

Dessa forma, o que teve como resultado a ideia de liberdade e igualdade dos seres humanos e o progresso científico e tecnológico do mundo atual foi o estudo da mensagem bíblica não misturada com a religião e a cultura greco-romana, como acontecia durante a Idade Média. Mas a humanidade ainda prossegue culpando o cristianismo pelo atraso moral e intelectual do período medieval.

(Graça Lütz é bióloga e bioquímica)

segunda-feira, abril 16, 2018

Aviões com asas metamórficas se parecerão mais com pássaros


Os aviões do futuro terão certamente asas morfológicas, ou metamórficas, asas que mudam de formato para cada situação de voo. Modificar a forma das asas para atingir o máximo desempenho aerodinâmico deverá ajudar a reduzir os custos de combustível e reduzir as emissões dos aviões. Essa capacidade de adaptação ajudará ainda a reduzir o ruído e a vibração, aumentando o conforto e a segurança dos passageiros. E essa tecnologia inteligente também terá aplicações em setores muito diferentes da aviação: sistemas sensoriais eletroativos incorporados podem ser instalados, por exemplo, em turbinas eólicas, hélices de navios e até em carros.

O projeto SMS, financiado pela União Europeia, está começando um teste tecnológico de asa morfológica instalando sensores baseados em uma nova geração de fibras ópticas que fazem medições de pressão em tempo real durante o voo, coletando os dados necessários para que as asas se adaptem às condições sempre variáveis no céu.

O veículo de testes é nada menos do que um Airbus A320, que irá coletar dados em voo. Esses dados servirão para fundamentar o projeto de novas asas com extremidades móveis. O primeiro protótipo deverá ser capaz de atingir pelo menos 1% de redução no consumo de combustível e cerca de 0,5% nas emissões de CO2, segundo as simulações.

“Uma coisa que torna o projeto SMS único é o grau em que o sistema sensorial em desenvolvimento está ligado à ativação em tempo real. É assim que as aves de rapina operam em voo. Seus sistemas sensoriais internos capturam flutuações de pressão, que são instantaneamente analisadas e usadas através de seu sistema de penas, ailerons e asas em múltiplas escalas, para otimizar o desempenho aerodinâmico em tempo real. Isso permite que essas aves mergulhem rapidamente sobre a presa de forma silenciosa e eficiente, aumentando a sustentação e diminuindo o arrasto. Adaptar a forma e o comportamento vibratório das asas de um avião em tempo real tem o mesmo efeito”, explicou Marianna Braza, do Instituto Nacional Politécnico de Toulouse, na França.

Os sensores de fibra óptica inéditos lançados pelo projeto fazem parte de um sistema conhecido como “morfologia eletroativa híbrida” – ligeiras variações de pressão captadas pelos sensores são transmitidas para um flap deformável na asa, projetado para controlar o nível de sustentação para cada situação, como decolagem, cruzeiro e pouso.

As mudanças na forma do flap são feitas por ligas com memória de forma - também conhecidas como músculos artificiais - que estão incorporadas na estrutura. Essas ligas lembram sua forma original e, quando deformadas, podem retornar à sua forma inicial - recentemente, a agência espacial alemã (DLR) demonstrou um dos protótipos de flap biônico que deverão ser testados pela equipe, inspirado em uma planta carnívora.

“Esse comportamento imita o desempenho das penas dos pássaros em voo”, prosseguiu Braza. “É claro que os pássaros nunca voam em velocidade de cruzeiro, então o projeto SMS é apenas parcialmente bioinspirado.”

A Nasa também já está testando sua asa que muda de formato.


Nota: Cientistas investem tempo, inteligência e recursos para projetar e desenvolver tecnologias avançadas inspiradas na tecnologia ainda mais avançada de seres vivos que não foram projetados, surgiram por acaso... [MB]

Clique aqui e leia mais sobre aves, voo e evolução.

sexta-feira, abril 13, 2018

Obras do Centro Criacionista em Galápagos iniciam em agosto


Um grande projeto de incentivo à pesquisa científica deve começar a se tornar realidade nos próximos meses no Arquipélago de Galápagos, a 1.200 quilômetros da costa do Equador. Anunciado durante um evento realizado em julho de 2016, o Centro Criacionista, mantido pela Igreja Adventista do Sétimo Dia por meio de suas instituições, começará a ser construído no mês de agosto. Quem assegurou a data do início das obras do centro, nesta semana, foi o presidente da Igreja no Equador, Geovanny Izquierdo. Em um terreno de 741 metros quadrados, localizado bem no centro da Ilha de Santa Cruz, a mais povoada do arquipélago, a edificação abrigará inicialmente o Centro Criacionista, algumas salas administrativas do Colégio Adventista Loma Linda e uma futura nova sede da igreja adventista central.

Galápagos é uma ilha com controles muito rígidos de ingresso de pessoas por conta de questões ambientais. Todos os turistas, além de pagar várias taxas para entrar no local, ainda passam por uma revista minuciosa com a finalidade de impedir que sejam levadas até sementes de árvores frutíferas. O mesmo rigor se dá para edificações nas ilhas. Há limites de altura e uma série de orientações que precisam ser seguidas. Por essa razão, conforme explica Izquierdo, somente agora as obras começarão a ser feitas. “Temos, ainda, o desafio de contar com poucos meses para trazer todos os materiais e otimizar o tempo de construção. Esperamos concluir a obra em quatro meses”, comenta.

O custo aproximado dessa primeira fase de construção do Centro Criacionista será de 300 mil dólares, com ajudas da sede mundial adventista, sede sul-americana, sedes locais do Equador e doadores individuais. O diretor do Instituto de Pesquisa de Geociência na América do Sul, Marcos Natal, comenta que a expectativa é positiva para esse Centro, pois a ideia é que seja um espaço para pesquisadores, de vários países, que desejam estudar mais a ciência sob o ponto de vista criacionista. Izquierdo acrescenta que o ambiente também contará com um local em que haverá exposição de materiais capazes de explicar didaticamente aos visitantes um pouco do modelo criacionista.

O vice-alcalde da Ilha de Santa Cruz, o equivalente a um vice-prefeito, Lenin Rogel, diz que, em média, até 900 turistas desembarcam ali por dia, e pelo menos uns 15% são ligados a pesquisas na área científica. Esse é um público que se espera atrair com o Centro Criacionista, ironicamente localizado na Avenida Charles Darwin [foto acima], via simbólica por onde passou o famoso naturalista sistematizador da teoria da evolução das espécies.

(Felipe Lemos, Notícias Adventistas)


Superlançamento do Editorial Numar-SCB: Revisitando as Origens


Em seu recém-lançado livro Revisitando as Origens, Everton Fernando Alves, mestre em Ciências, escritor, editor e palestrante, nos convida a conhecer e explorar assuntos atualizados sobre as origens, organizados em dois núcleos temáticos que se complementam, a saber, História Geológica da Terra e História da Vida na Terra, que têm gerado muita controvérsia, até mesmo dentro da própria comunidade criacionista. O livro foi escrito a partir de pedidos de leitores para a elaboração de conteúdos específicos que ainda hoje suscitam muitas dúvidas. Outro aspecto importante dessa obra está relacionado ao termo derivado do verbo “revisitar”, presente no título. Nesse contexto, o uso de tal palavra adiciona uma mensagem profunda à discussão. Segundo o dicionário, significa uma segunda visita, um novo exame mais minucioso, ou seja, é o ato de revisitar a história de nossas origens que, até então, tem sido parcialmente contada por meio dos livros didáticos ofertados nos ensinos fundamentais e médios de nossas escolas.

Revisitando as Origens foi pensado com muito carinho para você, leitor. Em sua obra, Everton incorporou uma pesquisa sistemática que vinha fazendo ao longo de vários anos a fim de construir um referencial bibliográfico de peso, no fim de cada capítulo – a maior parte desse referencial é composta por artigos revisados por pares e publicados em revistas de alto impacto acadêmico. O objetivo da obra é fazer com que mais pessoas tenham acesso a essas evidências científicas difíceis de ser encontradas por pessoas leigas, e que amparam o relato bíblico em várias áreas do conhecimento humano.

O livro foi prefaciado pelo jornalista e pastor Michelson Borges, que faz a seguinte declaração: “Um desses integrantes da nova geração é... Everton Fernando Alves. Seus trabalhos primam pela boa pesquisa acadêmica ao mesmo tempo em que ele procura utilizar uma linguagem acessível, popularizando assim os conteúdos relacionados com a controvérsia entre o criacionismo e o evolucionismo. Este livro é um bom exemplo disso.

Revisitando as Origens é, na verdade, uma coletânea de estudos relacionados à origem da vida. Porém, o que o diferencia dos demais livros já publicados sobre o assunto é que o autor tenta reconstruir o cenário de como teria sido nossa origem à luz das mais recentes evidências científicas, bem como por meio de análises bíblicas, contando, para isso, com o apoio de teólogos.

“Tenho tido o prazer de ler e revisar todos os artigos do Everton publicados em meu blog ao longo dos últimos três anos – verdadeiras pérolas criacionistas. Temos trocado muitas ideias desde então e pensado em estratégias de divulgação do criacionismo em nosso país. Posso garantir que o ‘Tom’, além de pesquisador profundo, é muito criativo e automotivado. Um amigo que ‘caiu do céu’ e que tem sido um grande instrumento de Deus.”

Mas toda a dedicação empregada na elaboração desse livro possui uma história muito mais antiga e profunda na qual o próprio autor compartilha com seus leitores, a saber: “Assim como eu fui despertado para trabalhar levando a mensagem da Criação por meio dessa jornada bíblico-científica, que mais pessoas também façam do criacionismo um ministério pessoal”, convida o autor. “Acredito que, assim, estarei dando minha contribuição para o criacionismo brasileiro e contribuindo, principalmente, para levar mais pessoas ao conhecimento pleno do caráter do Criador”, conclui.

O lançamento de Revisitando as Origens também se configura em um marco histórico, visto que assinala uma nova fase para o Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira (Numar-SCB): a inauguração de seu selo editorial próprio.

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A esquerda é o arco, a direita é a flecha

Com todas essas mudanças políticas e econômicas que o Brasil e o mundo estão enfrentando, muitos se perguntam aonde a humanidade vai chegar. Será que o caos está próximo mesmo? Será o “fim do mundo”? Os ânimos estão se acirrando e principalmente a polarização política se intensifica cada dia mais. No meio dessa confusão toda, surgem vozes destoantes e antagônicas, e a violência cresce assustadoramente. De um lado estão os adeptos da ideologia política de esquerda, com seu discurso de inclusão e justiça social, defesa de minorias e pautas progressistas como o aborto e a legalização das drogas. De outro lado, estão os adeptos da ideologia política de direita, com sua oratória moralizante e intolerante, de preservação de uma tradição religiosa e de instituições antigas. Em meio a esse fogo cruzado, qual deve ser a postura cristã pautada por princípios bíblicos?

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quinta-feira, abril 12, 2018

Origem da vida e ciclos metabólicos (novamente)

Como a vida pode ter-se originado de forma espontânea, no sentido de uma evolução das moléculas de acordo com as leis da química, é um problema que tem preocupado muitos pesquisadores praticamente desde que Darwin lançou a teoria da evolução das espécies. Começando por Oparin (1924), o primeiro a postular uma evolução química das moléculas, passando por Miller (1953), que procurou simular a atmosfera primitiva na produção de aminoácidos, e chegando aos estudos atuais, que buscam demonstrar a origem genética da vida por meio de moléculas semelhantes ao RNA (a partir da década de 1980) ou, alternativamente, mediante algum ciclo metabólico primitivo, a busca por uma origem natural (sem intervenção) da vida continua não premiando os esforços dos químicos (Futuyma, 1993).

Um estudo publicado em janeiro de 2010 (PNAS) já havia concluído contra a hipótese da origem da vida a partir de ciclos metabólicos simplificados: “A replicação da informação de compostos é tão imprecisa que os mais ajustados genomas de compostos não se mantêm pela seleção e, portanto, falta-lhes capacidade de evolução. Concluímos que essa limitação fundamental de conjuntos de replicadores adverte contra teorias de origem da vida de metabolismo primeiro.”

Depois disso, alguns pesquisadores se empenharam em revitalizar a hipótese genética e tentar demonstrar a origem da vida por meio de moléculas como o RNA. Em 2009, a revista Nature publicou um artigo com o título “Synthesis of activated pyrimidine ribonucleotides in prebiotically plausible conditions” (Síntese de ribonucleotídeos ativados em condições plausíveis prebioticamente, por Powner, Gerland e Sutherland).

Entre outros problemas, havia o de produtos que competiam com aqueles desejados e as condições extremas e diferentes nas várias etapas que seriam necessárias para que essa síntese se concretizasse.

Em março de 2015, a Nature Chemistry publicou outro estudo de Sutherland e colaboradores que abordava a questão da origem da vida através de uma origem comum de RNA, proteínas e lipídios. Os problemas enfrentados por esse estudo, em termos de condições variando de um passo para outro nas etapas da rede de reações, superaram em muito os problemas das outras abordagens.

Então, recentemente (8 de janeiro de 2018), a Nature Communications divulgou um estudo (“Linked cycles of oxidative decarboxylation of glyoxylate as protometabolic analogs of the citric acid cycle”, por Greg Springsteen e colaboradores) que trouxe à baila novamente a hipótese da origem da vida através de metabolismo.

“Nós mostramos aqui a existência de um análogo protometabólico do TCA [ciclo do ácido cítrico ou dos ácidos tricarboxilícos] envolvendo dois ciclos ligados que convertem glioxilato em CO2 e produzem ácido aspártico na presença de amônia.”

Curiosamente, a introdução do artigo mencionado acima cita Leslie Orgel (12 de janeiro de 1927 – 27 de outubro de 2007), célebre químico e pesquisador da origem da vida, considerado um dos pais do mundo de RNA. Em novembro de 2000, em seu artigo “Self-organizing biochemical cycles” (Ciclos bioquímicos auto-organizantes, PNAS), Leslie Orgel diz, entre outras coisas, o seguinte sobre ciclos metabólicos simplificados ou sem catalisadores enzimáticos: “É necessária muita habilidade sintética para desenvolver mesmo o mais simples dos ciclos. [...] O problema levantado por reações que não prosseguem rápido o suficiente para tornar um ciclo prático é usualmente o menor de dois problemas para qualquer ciclo, exceto os mais simples de primeira ordem. Em quase qualquer ciclo complexo, são possíveis reações alternativas que complicariam ou interromperiam o ciclo.”

O problema de reações que não prosseguem rápido o suficiente é justamente uma das dificuldades que surgiu no estudo mencionado mais acima. Um dos ciclos interligados, o do malonato, leva 24 horas para se completar. É uma dificuldade proveniente do fato de que não se podem utilizar enzimas em um ciclo protometabólico em um ambiente prebiótico.

Outra dificuldade é que a temperatura entre as etapas diferentes desses ciclos precisa ficar variando entre 23 oC e 50 oC, várias vezes em etapas sucessivas. Em um laboratório, esse cenário é viável, mas não é provável que isso acontecesse no ambiente natural. Lembrando que o ciclo precisa ficar se repetindo e a temperatura variando sempre nas etapas corretas, com o valor correto.

Enfim, às vezes parece que as pesquisas sobre origem da vida seguem a máxima de que “situações desesperadoras exigem medidas desesperadas”.

(Graça Lütz é bióloga e bioquímica)