terça-feira, março 19, 2019

Físico brasileiro Marcelo Gleiser ganha o Prêmio Templeton 2019


O físico e astrônomo brasileiro Marcelo Gleiser é o contemplado do Prêmio Templeton 2019, anunciou a fundação responsável pela premiação nesta terça-feira (19). Ele é o primeiro latino-americano a ganhar o prêmio, criado em 1972, e vai receber 1,1 milhão de libras esterlinas, o equivalente a R$ 5,5 milhões. A cerimônia de premiação será em 29 de maio, em Nova York. Gleiser tem 60 anos e vive atualmente nos Estados Unidos, onde ensina física e astronomia no Dartmouth College, em Hanover, New Hampshire. Ele já teve mais de cem artigos revisados e publicados até o momento e pesquisas sobre o comportamento de campos quânticos e partículas elementares e a formação inicial do Universo, a dinâmica das transições de fase, a astrobiologia e as novas medidas fundamentais de entropia e complexidade baseadas em teoria da informação. Ateu, seu trabalho se destaca por demonstrar que ciência e religião não são inimigas.

“O ateísmo é inconsistente com o método científico”, afirmou Gleiser à AFP na segunda-feira no Dartmouth College da Universidade de New Hampshire, onde é professor desde 1991. “Devemos ter a humildade para aceitar que estamos cercados de mistério.”

Sobre a teoria religiosa de criação da Terra em sete dias, Gleiser diz que não há inimigos. “Eles consideram a ciência como o inimigo, porque têm um modo muito antiquado de pensar sobre ciência e religião, no qual todos os cientistas tentam matar Deus”, disse. “A ciência não mata Deus”, completa.

Gleiser fundou em 2016 o ICE (Instituto de Engajamento à Interdisciplinariedade) em Dartmouth, com a ideia de promover o diálogo construtivo entre as ciências naturais e humanas, seja na esfera pública ou acadêmicas. O instituto tem apoio da fundação John Templeton. Em 2006, ele apresentou a série de 12 episódios “Poeira das Estrelas”, no Fantástico.

O prêmio Templeton foi criado para “servir como um catalisador filantrópico para descobertas relacionadas às questões mais profundas que a humanidade enfrenta”, de acordo com a instituição. A Fundação apoia pesquisas que vão desde a complexidade, evolução e emergência até a criatividade, perdão e livre-arbítrio.

De acordo com a fundação responsável pelo prêmio, Gleiser foi o escolhido pelo conjunto do seu trabalho que, ao longo dos anos, evoluiu para a quebra de simetria, transições de fase e estabilidade de sistemas físicos, conceitos que influenciariam sua crítica às “teorias de tudo”.

“O prêmio celebra o trabalho de muitos indivíduos maravilhosos, incluindo alguns dos grandes físicos e cientistas de nosso tempo, cujas pesquisas exploraram questões de significado e valor além dos limites tradicionais de suas disciplinas. Pensar que um dia eu seria incluído em um grupo distinto, sendo um imigrante do Brasil, é inacreditável”, disse Gleiser no site do Dartmouth College.

Além de Gleiser, a fundação já premiou 48 pessoas desde que foi criada em 1972. Entre eles estão Madre Teresa (1973), Dalai Lama (2012) e o Arcebispo Desmond Tutu (2013).


Nota: Como brasileiro, sinto-me orgulhoso pela conquista de Gleiser. Como admirador de seu primeiro livro A Dança do Universo (que li logo após seu lançamento, nos anos 1990), alegro-me com ele por essa premiação. Mas, como criacionista, não posso me esquecer das muitas críticas que ele fez ao modelo conceitual que eu advogo há quase 30 anos. A pior delas foi chamar de “criminosos” os que ensinam o criacionismo (confira). Mas tudo bem. Deixemos isso de lado agora e analisemos duas afirmações do físico publicadas no texto acima:

“O ateísmo é inconsistente com o método científico. Devemos ter a humildade para aceitar que estamos cercados de mistério.” Perfeito! De fato, ateísmo não é sinônimo de ciência. Ciência é uma caixa de ferramentas que o ser humano descobriu (e os pioneiros da ciência eram em sua maioria criacionistas) e que lhe ajuda a entender a realidade que o cerca. Para receber o prêmio (considerado o “Nobel da Espiritualidade”), Gleiser tem que manter esse discurso conciliador, obviamente.

Mas o físico não se segura quando o alvo são os criacionistas. Sobre a teoria religiosa de criação da Terra em sete dias, ele diz que não há inimigos. “Eles consideram a ciência como o inimigo, porque têm um modo muito antiquado de pensar sobre ciência e religião, no qual todos os cientistas tentam matar Deus. A ciência não mata Deus.” Quem disse que os criacionistas consideram a ciência inimiga? Repito: os pioneiros da ciência criam no relato bíblico das origens, e Gleiser deve saber disso (se leu meu livro que ganhou de presente há oito anos, ele deve saber também que os criacionistas “fazem boa ciência” e se pautam, sim, pelo método científico).

Desde 1972 o Prêmio Templeton é entregue a pessoas que, na opinião dos juízes, deram “uma contribuição excepcional para a afirmação da dimensão espiritual da vida, seja por meio de introspecção, descoberta ou trabalhos práticos”. O valor monetário do prêmio é ajustado de maneira que exceda o montante dado pelo Prêmio Nobel, uma vez que Templeton dizia que a espiritualidade era ignorada nos prêmios Nobel.

Bem, mais uma vez digo parabéns ao Gleiser e espero que ele continue aberto para a possibilidade de Deus existir (o que faz dele mais agnóstico do que ateu), mas fico pensando se não há pessoas importantes por aí que têm feito muito mais para afirmar a “dimensão espiritual da vida”... [MB]

segunda-feira, março 18, 2019

Crer em Deus e viver com Ele também é uma questão de lógica

Lógico que eu não creio em Deus apenas por uma questão de lógica ou porque a aposta de Pascal realmente faz sentido. Deus escreveu o Universo em linguagem matemática, como disse Galileu, mas meu relacionamento com Ele tem mais de intuição, inclinação e atração do que de dedução. Creio nEle e me relaciono com Ele porque vejo a atuação dEle em minha vida e na de outros. Sinto-O em diversas situações. Mas admito que isso é um tanto subjetivo e bem pessoal. Portanto, deixe essas ideias de lado por enquanto e me acompanhe noutra direção.
1. Deus existe. Há várias vias e vários argumentos que evidenciam isso (e não vou tratar deles aqui por falta de tempo e espaço; pesquise). Creio ser muito mais difícil provar o contrário. Talvez justamente por isso cerca de 90% da população mundial creia em algo ou alguém. Tentaram matar Deus durante vários anos, mas não conseguiram enterrá-Lo. Deus e a religião estão firmes na mente e na vida das pessoas. Na verdade, segundo pesquisas recentes, a fé cresce no mundo. Não é possível que tanta gente (nesse caso, quase todo mundo) esteja errada e que o 0,0000 alguma coisa dos descrentes estejam certos.

sexta-feira, março 15, 2019

Qual animal engoliu Jonas?

Encontramos um relato na Bíblia de que um grande animal engoliu o profeta Jonas. Ele ficou vivo no ventre do monstro marinho e depois de clamar a Deus chegou à cidade de Nínive. Será que esse relato pode ser levado a sério? Será que é possível um animal marinho engolir um ser humano adulto? Existem vários relatos e histórias de animais colossais que foram vistos e registrados na história da humanidade. Essas histórias vêm principalmente de navegadores que descrevem feras marítimas, monstros com tentáculos que eram capazes de afundar embarcações inteiras. É muito difícil saber onde fica a fronteira entre a realidade e a ilusão nesses casos.

Munidas desses relatos curiosos, muitas pessoas têm enviado perguntas acerca do animal que engoliu o profeta Jonas. Muitos têm duvidado do caráter histórico do relato pelas características singulares que encontramos no livro de Jonas. Mas o que entendemos quando lemos esse livro? Antes de discutir o relato nas áreas de conhecimento biológicas, uma análise teológica nos mostra que o Deus da Bíblia é poderoso para fazer o sobrenatural acontecer. Assim, sem fideísmo, podemos concluir que o relato é verdadeiro porque Deus é poderoso para fazer o sobrenatural acontecer. No texto bíblico vemos que Deus preparou uma situação para cumprir Seu propósito.
"Preparou, pois, o Senhor um grande peixe, para que tragasse a Jonas; e esteve Jonas três dias e três noites nas entranhas do peixe." Jonas 1:17
Consta no pensamento popular e nos desenhos de crianças que uma grande baleia teria engolido o profeta. Mas o texto não diz qual animal engoliu Jonas. O termo hebraico דג גדול (dag gadôl) diz que foi um grande animal marinho, não exclui as baleias, mas também não afirma qual animal foi. Já no grego usado no Antigo Testamento as palavras dag gadôl são traduzidas como kêtei megalô, significando “ketos de tamanho mega”.[1]

Jesus trata o relato de Jonas como literal e histórico. Em Mateus 12:39-41 lemos:
Ele respondeu: "Uma geração perversa e adúltera pede um sinal miraculoso! Mas nenhum sinal lhe será dado, exceto o sinal do profeta Jonas. Pois assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre de um grande peixe, assim o Filho do homem ficará três dias e três noites no coração da terra. Os homens de Nínive se levantarão no juízo com esta geração e a condenarão; pois eles se arrependeram com a pregação de Jonas, e agora está aqui o que é maior do que Jonas.
Para responder aos leitores, decidimos procurar alguns candidatos que poderiam tragar um homem adulto. Qual animal poderia ser capaz de ter engolido o profeta Jonas?


Serpente do mar engoliu Jonas?

O historiador Bill Cooper ajudou recentemente a responder essa pergunta em seu livro lançado em 2012, A Autenticidade do Livro de Jonas.[2] A pista principal que o Dr. Cooper seguiu foi simplesmente a palavra grega então comum que o Senhor Jesus usou em Mateus 12:40 para o monstro de Jonas, transliterado ketos. O Dr. Henry Morris escreveu: “Poderia ter sido […] um grande tubarão-baleia ou possivelmente algum réptil marinho hoje extinto.”[3]

Heracles lutando contra o Ketus - monstro marinho de Troia.


Cooper identificou um conjunto de fontes de fora da Bíblia que identificam os ketos como um "dragão do mar." Pesadas evidências históricas mostram que aqueles que mais bem conheciam o Mar Mediterrâneo consistentemente usavam ketos para descrever “uma serpente do mar”.

Estes e outros autores e historiadores antigos mencionaram os ketos
  • Homero (do século IX ao VIII a.C.)
  • Eurípides (ca. 480-406 a.C.)
  • Aristófanes (448-380 a.C.)
  • Lychophron (285-247 a.C.)
  • Marcus Terentius Varro (116-27 a.C.)
  • Diodoro da Sicília (cerca de 60 a.C.-30 d.C.)
  • Manilius (século I d.C.)
  • Pausanias (século II d.C.)
  • Cláudio Aeliano em seu De Natura Animalium (ca. 175-235 d.C.)
  • Oppian de Apamea (ca. 200 d.C.)
  • Eustáquio (ca. 300-377 d.C.)
  • Hesíquio (século 5 d.C.)
  • Johannes Moschus (6º século d.C.)
Evidências adicionais de artes visuais identificam os ketos como uma serpente marinha. Artistas de Roma, África, Turquia, Ásia e Inglaterra pintaram, esculpiram e modelaram os ketos com anatomia consistente. De novo e de novo, eles descreviam sua cabeça semelhante a um cachorro com dentes proeminentes e abas ou babados semelhantes a penas acima da cabeça e do pescoço. Eles também consistentemente descreveram seu corpo enorme como esguio e muitas vezes enrolado.

A iconografia do ketos grego foi estabelecida no período arcaico (ca. 600-480 a.C.) e permaneceu incrivelmente consistente durante séculos, durante os tempos do Império Romano

O livro A Autenticidade do Livro de Jonas descreve uma pintura do século I de uma catacumba romana mostrando Jonas sendo jogado para um monstro marinho. Este ketos tinha cabeça de cachorro e pescoço flexível. Numerosos artefatos mostram um animal semelhante, incluindo mosaicos de azulejos, madeira, pedra, esculturas de marfim e até mesmo moedas. Os cetos parecem nada comuns hoje em dia, mas isso não significa que os répteis marinhos não tenham sido comuns no passado. Afinal, os livros de Jó e Salmos se referem ao grande leviatã que era um réptil marinho provavelmente extinto.

Mosaico com um ketos encontrado em Caulonia (Monasterace) na Casa del Drago, terceiro século a.C.

Megaladonte engoliu Jonas?



Carcharodon megalodon é um excelente candidato para o peixe que engoliu Jonas. A boca dele é certamente grande o suficiente para engolir um homem e os tubarões são capazes de controlar o sistema digestivo. Às vezes a comida que eles engolem permanece não digerida por muitos dias. Por outro lado, o megalodonte tem dentes afiados, então Jonas teria que passar exatamente no meio da boca do bicho para evitar ser machucado. A permanência de Jonas no grande peixe foi definitivamente um evento milagroso; não apenas natural, mas extremamente incomum. Se quiser saber mais sobre o megalodonte, confira o nosso vídeo sobre o assunto. 


Um cachalote engoliu Jonas?


No SeaWorld, em Orlando, na Flórida, conversamos com dois biólogos responsáveis pelos animais. Keith Robinson e Donna Parham concordaram em especular sobre o mistério. Dificilmente uma baleia poderia engolir um homem, pois o esôfago delas é muito pequeno. Um homem seria triturado antes de chegar ao estômago. Uma espécie de "baleia" que tem o esôfago grande o suficiente é o cachalote, que atormentou o capitão Ahab na obra-prima do século 19 chamada Moby Dick. Sabemos que o cachalote não é uma baleia, mas de forma geral todos chamamos assim. O mesmo ocorre com as "baleias" orcas.

Robinson disse que grandes cachalotes têm esôfago que mede até 50 centímetros, e podem ser encontrados no Mediterrâneo. Cachalotes não precisam mastigar a comida; eles podem movê-la para o estômagos por ação peristáltica ou muscular - então Jonas poderia ter sido engolido inteiro. O cachalote, portanto, é um grande "candidato".

Imagem rara mostra uma fêmea de cachalote carregando os restos de uma lula gigante das Ilhas Bonin, cerca de mil quilômetros ao sul de Tóquio, em 15 de outubro de 2009. Estas lulas gigantes podem medir 13 metros e pesar mais de 270 Kg

O homem que foi engolido por um cachalote


Era o ano de 1891, quando o baleeiro Estrela do Oriente cruzava o Atlântico Sul, próximo às Ilhas Maldivas, carregando pela primeira vez um jovem marinheiro inglês chamado James Bartley, de apenas 21 anos. O baleeiro inglês saía à caça de um cachalote, muito precioso, na época, pelo azeite extraído dele, que era usado para fazer perfumes. Quando os caçadores do Estrela do Oriente encontraram um cachalote no mar, lançaram e acertaram-lhe um arpão em cheio. A fim de concluir a caça, desceram ao mar dois botes. No entanto, mesmo preso pelo arpão, o cachalote ainda lutava pela vida e se debatia nas águas. A força do monstro marinho foi tão grande que virou os botes. Os marinheiros conseguiram resgatar seus tripulantes, porém, dois deles haviam sumido, entre eles, o jovem inglês James Bartley.

Finalmente, os caçadores conseguiram abater o cetáceo gigante. Trouxeram o animal para perto da embarcação e começaram a abri-lo. Em busca do azeite precioso, retiraram o estômago, e logo perceberam uma figura estranha dentro dele. Quando abriram o estômago, lá estava o jovem James Bartley, ainda vivo, mas desacordado.

Cachalote que engoliu James Bartley

Bartley ficou cerca de 15 horas dentro do cachalote. Para o acordarem, jogaram água nele, mas tiveram de mantê-lo preso em uma cabine, atado a uma cama por algumas semanas, pois ele tinha perdido momentaneamente o juízo. Ele se debatia enlouquecidamente. O marinheiro inglês sofreu danos. Dizem que o encontraram com a pele pálida, devido ao suco gástrico do cetáceo. Ele também tinha perdido todos os pêlos do corpo e permaneceu cego pelo resto da vida. James Bartley relatou que, após ser engolido, se lembra apenas de deslizar por um canal branco e viscoso, sentir muito calor, e rapidamente desmaiar, devido ao odor quente e fétido do estômago do animal.
Leia o relato dele:
“Quando fui lançado para fora do barco, vi uma imensa boca aberta diante de mim. Gritei e me engasguei. Eu sentia fortes dores enquanto escorregava entre os dentes e para um tubo viscoso que me levou para dentro do estômago da baleia. Eu podia respirar, mas o odor quente e fétido me deixou inconsciente. E a última coisa de que me lembro é que eu chutava o mais forte que podia nas paredes do estômago, até que fiquei inconsciente e só acordei quase um mês depois.”
Recentemente um mergulhador foi engolido por uma baleia enquanto filmava animais marinhos. Rainer Schimpf, defensor do meio ambiente, relatou que mergulhava em Port Elizabeth, cidade da África do Sul, quando tudo aconteceu. "Eu estava filmando golfinhos, tubarões, pinguins e aves que se alimentam de sardinhas, quando, das profundezas, uma baleia Bryde surgiu, engolindo tudo em seu caminho", contou ele.

Segundo Schimpf, ele sentiu a pressão ao redor da cintura e soube de imediato o que estava acontecendo. "Foi apenas uma questão de segundos antes que a baleia percebesse seu erro e abrisse a boca para me cuspir". A esposa do mergulhador e um fotógrafo estavam presentes e, embora estivessem assustados, registraram o acontecimento.

Rainer Schimpf fotografado na boca da baleia Bryde

Tubarão-baleia engoliu Jonas?


Este é um grande candidato, pois um homem poderia tranquilamente passar pela abertura de boca desse enorme peixe. A boca dele pode chegar a um metro e meio de comprimento e sugar 600 metros cúbicos de água a cada hora. Parham disse que a barriga de um peixe é uma possibilidade muito mais hospitaleira para uma habitação humana do que a de uma baleia. O metabolismo da baleia "é muito mais rápido para digerir sua comida" do que o dos peixes, disse Parham. "Os peixes são de sangue frio, então as coisas se movem a uma taxa diferente".

Tubarão-baleia
Robinson contou ter visto a fotografia "de um grande tubarão branco abrindo a boca, e tinha dentro da garganta um tubarão azul inteiro. "Você podia ver a cabeça de um tubarão azul de dois metros, para que ele pudesse engolir facilmente um homem." Parham acrescentou que "na água fria, com o metabolismo de um tubarão, o corpo de um homem pode durar três dias sem se deteriorar."


Dagon, o homem peixe


Os críticos duvidam do arrependimento dos habitantes de Nínive, descrito no livro de Jonas. Mas se analisarmos no contexto mitológico faz todo o sentido, quando levamos em consideração a chegada extraordinária de Jonas nas costas do Mediterrâneo e a proeminência da adoração de Dagon nessa área em particular do mundo antigo. Dagon era um deus-peixe que gostava de popularidade entre os panteões da Mesopotâmia e da costa oriental do Mediterrâneo. Ele é mencionado várias vezes na Bíblia em relação aos filisteus (Jz 16:23, 24; 1Sm 5:1-7; 1Cr 10:8-12). Imagens de Dagon têm sido encontradas em palácios e templos em Nínive e por toda a região. Em alguns casos, ele foi representado como um homem vestindo um peixe. Em outros, ele era parte homem, parte peixe - um tipo de tritão.

Dagon, Deus dos Filisteus

Alguns estudiosos têm especulado que a aparência de Jonas, sem dúvida branqueada devido à ação dos ácidos digestivos do peixe, teria sido de grande ajuda para a sua causa. Se tal fosse o caso, os ninivitas teriam sido recebidos por um homem cuja pele, cabelos e roupas tinham sido branqueados a algo fantasmagórico - um homem acompanhado por uma multidão de seguidores frenéticos, muitos dos quais alegavam ter presenciado Jonas sendo vomitado na praia por um grande peixe (mais quaisquer exageros coloridos que talvez tenham acrescentado).


Milagre


O milagre maior não foi ser engolido por um grande animal marinho. Isso é fisicamente possível. O milagre foi ter sobrevivido três dias dentro da criatura. Se houver algum gás dentro de uma baleia, provavelmente seja metano, e isso não vai ajudar muito. Sabemos que as baleias podem ser flatulentas, então existe algum gás. Elas têm bolsos vazios, mas não é ar, não é bom para respirar.

Deus preparou a situação em todos os sentidos para que esse fato pudesse ocorrer. Houve uma intervenção divina e o milagre ocorreu. Como o texto não nos aponta o animal que engoliu Jonas, só podemos especular e imaginar qual o melhor candidato. 

Alex Kretzschmar






Referências

[1] Jonas 1 (King James Version). A Bíblia da letra azul. Postado em blueletterbible.org, acessado em 11 de abril de 2013.

[2] Cooper, B. 2012. A Autenticidade do Livro de Jonas. Amazon Digital Services, Inc.
[3] Morris, H. 2012. A Bíblia de Estudo Henry Morris. Green Forest, AR: Master Books, 1319.
[4] Thomas, B. 2013. O que realmente engoliu Jonas? Atos e Fatos. 42 (6): 16.

segunda-feira, março 11, 2019

Aprender com o terraplanismo?


Está disponível no Netflix o documentário “A Terra é Plana”, que merece ser visto por educadores e por todos os que se preocupam com o ataque crescente, em pleno século 21, ao pensamento científico. O mérito maior do filme é que seu principal objetivo não é ridicularizar personagens que acreditam numa teoria bizarra, mas sim entender as razões que levam um grupo de pessoas a contestar um conhecimento científico tão consolidado quanto o formato esférico do planeta. Uma das características dos personagens do documentário é que não são ignorantes no sentido original da palavra. Nenhum deles é astrônomo, mas tiveram aulas de ciências na escola (um dos retratados é inclusive engenheiro), se formaram, e vivem suas vidas normais. Em comum a eles está o fato de terem maior propensão a acreditar em teorias da conspiração, como, por exemplo, as de que o 11 de Setembro, a viagem do homem à Lua ou o Holocausto são farsas. Alguns ganharam certo status de celebridade ao exporem suas ideias no YouTube, em vídeos que são vistos hoje por milhões de pessoas.

Um dos fenômenos psicológicos citados por cientistas no filme para explicar por que pessoas sem especialização num assunto se julgam mais capazes do que especialistas no tema é o efeito Dunning-Kruger. Num estudo publicado em 1999, os pesquisadores Justin Kruger e David Dunning, ambos da Universidade Cornell, aplicaram testes de variados temas e depois pediram aos participantes para estimarem seu desempenho nos exames em comparação com a média.

Os autores confirmaram primeiro que, em geral, temos a tendência de superestimar nossa habilidade ou conhecimento sobre algum assunto. Essa superioridade ilusória, no entanto, foi muito maior entre os indivíduos de pior desempenho nos testes. Para os pesquisadores, isso faz com que essas pessoas tenham mais dificuldade de admitir sua incompetência no assunto, levando-as a fazer escolhas ruins a partir de conclusões próprias equivocadas, descartando a opinião ou evidência apresentada por pessoas ou fontes mais qualificadas. No outro extremo, os autores identificaram que, quanto maior o conhecimento sobre um assunto, mais conscientes são as pessoas sobre a limitação de suas habilidades.

Outro fenômeno citado é o viés de confirmação, ou seja, nossa tendência de buscar confirmar aquilo em que acreditamos e rejeitar evidências, mesmo quando sólidas, que não estejam em acordo com nossas ideias pré-concebidas. E o filme mostra também o quanto é difícil, pelo alto custo social envolvido, pessoas mudarem de opinião ou admitirem que estão equivocadas uma vez que façam parte de um grupo que comunga as mesmas crenças.

Os cientistas ouvidos no documentário defendem que a pior maneira de combater o negacionismo é isolar e ridicularizar esses grupos, assumindo uma postura de arrogância científica. “É difícil não olhar essas pessoas com desprezo e concluir que o melhor jeito de fazê-las mudarem de opinião é pela vergonha. É o mesmo que dizer que se uma criança não entende uma matéria, é culpa dela. Mas talvez você simplesmente não desenvolveu empatia suficiente para entender por que eles não entendem”, afirma o cientista Spiros Michalakis, no filme.

O argumento central do documentário não é alertar para um suposto risco de o terraplanismo passar a ser a explicação mais aceita pela maioria da população. A questão é que esses mesmos mecanismos que levam pessoas a acreditarem numa teoria tão absurda também explicam por que há grupos com capacidade de influência política fazendo campanhas contra a vacinação de crianças, o ensino da teoria da evolução, ou contestando a evidência científica de que vivemos um processo de aquecimento global agravado pelo impacto da atividade humana na Terra.

(Antônio Gois, O Globo)

Nota 1: De fato, o documentário da Netflix é bem interessante. Mas o que devemos analisar com atenção no texto acima é o balaio de gato que se cria com ideias variadas, colocadas todas no mesmo patamar (releia o último parágrafo). Criacionistas verdadeiros, se posso dizer assim, valorizam a boa ciência (que está de acordo com a Bíblia Sagrada). Não são contra a vacinação de crianças, pois entendem que Deus nos dotou de inteligência para minorar as mazelas deste mundo de pecado. E admitem que possa haver um aquecimento global, embora não deixem de perceber que há interesses escusos por trás dessa bandeira ecológica. Também não são necessariamente contra o ensino da teoria da evolução; o que defendem é um ensino crítico dessa estrutura conceitual. O problema é que a opinião pública está sendo levada a associar criacionismo com terraplanismo, e isso é grave. Defender a criação da vida na Terra em seis dias literais de 24 horas e a historicidade dos primeiros capítulos de Gênesis já é bastante difícil em um mundo cético, anticristão e relativista; agora imagine se a confusão ficar estabelecida e as pessoas em geral pensarem que criacionistas são terraplanistas... Aí, sim, nossos esforços serão elevados à enésima potência e teremos que gastar tempo e energia para desfazer mal-entendidos. Um tempo que poderia ser mais bem aproveitado para divulgar a verdade essencial para o nosso tempo. Situação lamentável e orquestrada a gente sabe por quem. [MB]

Nota 2: Vi na semana passada o documentário da Terra plana no Netflix e verifiquei algumas questões bem interessantes (ou hilárias?) que foram apresentadas. Em certo momento do vídeo o apresentador vai a um monte e aponta a cidade e Seattle lá longe. E diz: “Eles têm a matemática... nós temos isto. Não deveríamos ver a cidade de Seatlle desta distância.” Primeiro que ele não fala a sua localização nem a distância de medição. Eu diria que ele está em Blake Island. Esse ponto fica mais ou menos a 13 ou 14 km daqueles prédios. Se ele estiver um pouco mais longe, deve ser Manchester, mas acho improvável por causa do que se vê ao redor. Se estiver em Manchester, são uns 16 km. Vou optar por este porque é o que mais favorece o argumento dele. Quanto se espera que a curvatura da água se erga a meio caminho de uma distância de 16 km entre o observador e um ponto que ele observa, geometricamente, sem levar em conta a refração da luz (efeito de lente)? Dá para deduzir a fórmula com trigonometria do ensino médio: H = (1-cos(d/(2R)))R, sendo “d” a distância entre o observador e o objeto, “R” o raio da Terra e “H” a altura da água a meio caminho. Resultado, neste caso: 5 m. Como estamos observando objetos com centenas de metros de altura (1201 Third Avenue tem 235,31 m de altura, e mesmo sua base está bem acima do nível do lago), 5 m não fazem diferença. Não é possível nem notar um tamanho minúsculo como esse. [EL/AK]

segunda-feira, março 04, 2019

A Caixa Preta de Darwin está de volta!

Vinte anos atrás eu li um livro que causou profundo impacto em minha mente recém-convertida ao criacionismo: A Caixa Preta de Darwin, do bioquímico norte-americano Michael Behe. Dez anos depois, publiquei aqui no blog uma resenha da obra (confira). Depois da primeira edição (1996), sucesso de vendagem e de público, a editora Jorge Zahar não quis produzir uma segunda tiragem, e a obra ficou esgotada desde então. Por isso, a notícia de que a editora Mackenzie estava preparando uma segunda edição ampliada do clássico de Behe me deixou muito feliz. E finalmente o livro voltou! Leia a apresentação que consta no site da editora:

"Em 1996, A Caixa Preta de Darwin lançou ao mundo a Teoria do Design Inteligente: o argumento de que a natureza exibe evidências de design que vão muito além do acaso darwinista. O livro catalisou um debate bastante acalorado sobre a evolução, que continua cada vez mais a se intensificar nos Estados Unidos e no mundo, incluindo o Brasil. Em um amplo espectro científico, a obra se estabeleceu como o texto básico e fundamental do design inteligente (DI), o argumento que precisa ser considerado para determinar se a evolução, segundo propôs Darwin, é mesmo suficiente para explicar a vida da forma que hoje a conhecemos. No posfácio da edição comemorativa do 10º aniversário do livro, Behe explica como a complexidade descoberta por microbiologistas cresceu drasticamente desde a publicação de seu livro e como essa complexidade irredutível tem sido um desafio contínuo ao darwinismo, que, sistematicamente, tem falhado em explicá-la. No posfácio comemorativo desta edição de 2019, Behe reforça o poder crescente de seus argumentos – tão atuais e devastadores em 2019 quanto eram em 1996 – e comemora o crescimento do DI no Brasil e no mundo. A Caixa Preta de Darwin é histórico, indispensável e ainda mais importante hoje do que era em 1996!

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