quarta-feira, agosto 16, 2017

Cosmovisão bíblica está em desarmonia com conceitos de direita e esquerda

Em maio deste ano, a Agência Adventista Sul-Americana de Notícias (ASN) publicou uma primeira entrevista com o sociólogo Thadeu de Jesus e Silva Filho a respeito de conceitos de esquerda e direita (leia aqui). A segunda parte, em que o especialista aborda conceitos como marxismo cultural e outras ideologias filosóficas, bem como teorias que têm caracterizado a discussão política mundial, pode ser lida a seguir. Thadeu é mestre e doutor em Sociologia e atual diretor do departamento de Arquivo, Estatística e Pesquisa da sede sul-americana adventista, localizada em Brasília.

Chuva antes do dilúvio?

A Bíblia nos fornece poucas informações sobre as condições climáticas pré-diluvianas. A partir de uma análise exclusivamente bíblica, portanto, não podemos afirmar se choveu ou não antes do dilúvio. O que podemos fazer é apresentar os argumentos em favor e contra a presença de chuva e verificar qual parecer é o mais sustentável a partir de uma análise em conjunto de todas as hipóteses concorrentes. Como diz o escritor e mestre em ciências Brian Thomas, “reconstruir o mundo pré-diluviano é como construir um quebra-cabeças depois que todas as suas peças foram trituradas em um liquidificador. Contudo, Gênesis nos dá um bom começo.” Abaixo apresentarei as duas posições principais acerca do tema:

terça-feira, agosto 15, 2017

Bate papo sobre ciência e religião com o casal Lütz

Eduardo Lütz é físico, mestre em Astrofísica e engenheiro de software; Graça Lütz é bióloga e mestre em Bioquímica. Ambos são colunistas deste blog. Nesta entrevista interessante, concedida ao jornalista Michelson Borges, eles falam de vários assuntos, passando pela origem do Universo e da vida, a temporalidade ou atemporalidade de Deus, o Big Bang e o significado de ciência. Sobretudo, eles mostram que a verdadeira ciência é perfeitamente compatível com a teologia bíblica. Assista agora mesmo!

segunda-feira, agosto 14, 2017

E se não existisse o pecado?

Vamos dar asas à imaginação? Que tal sonhar um pouco? Convido você a vir comigo numa viagem imaginária, por um pequeno mundo que enfrentou o mal, mas o repudiou.

Planeta Terra recém-criado. Transportados até o Jardim do Éden, somos envolvidos em esplendor que arrebata os sentidos. Tudo é perfeito e sem vestígios de decadência. Nossa atenção se volta para o casal Adão e Eva. A beleza de ambos é inexcedível, pois cada detalhe físico é a expressão máxima da estética que a mente divina poderia produzir em seres humanos. No cenário paradisíaco, ambos se encontram no pleno usufruto de sua inocência. Moral e espiritualmente, mulher e homem refletem a luz de um caráter perfeito, isentos de medo, culpa ou traumas. Adão parece dialogar com os animais, os quais, dóceis, aproximam-se dele sem nenhum temor. Eva, cheia de graciosidade, sorri para o companheiro e, suavemente, segura sua mão. Com cânticos de louvor admirável, os pais da raça humana enaltecem a santa e gloriosa Trindade.

Sem que esperassem, um ser angelical atravessa o espaço, surgindo na velocidade do relâmpago. Seu rosto denuncia apreensão pelo santo par. Chama-os à parte para contar-lhes a estranha história de alguém que vem para causar a ruína deles e do planeta. Atentamente, Adão e Eva escutam as advertências e explicações do anjo mensageiro que, logo depois, parte na mesma rapidez com a qual apareceu. Apreensivo, o casal discute o relato transmitido: “Que coisa é essa chamada mal?” – refletem.

Passam-se dias e vemos outro quadro: Eva passeando sozinha até se defrontar com uma serpente alada. “Ela fala, voa e é linda!” – exclama a mulher diante de um ser tão singular. Com linguagem persuasiva e argumentações “lógicas”, a exótica criatura tenta convencê-la a experimentar o fruto proibido por Deus. Apesar da aparente docilidade do animal, a mulher, desconfiada, mantém certa distância. Repentinamente, Adão aparece assustado e se interpõe no diálogo: “Eva, não se aproxime da serpente sagaz nem se encante com suas palavras! Ela é, na verdade, o adversário disfarçado que veio nos tentar e sobre o qual fomos advertidos.” Eva corre para o esposo e ambos deixam os domínios do anjo caído, bem longe da árvore proibida. Vencem a prova.

Que viagem! Que sonho! A “versão” de Gênesis contada acima, entretanto, é só imaginativa. Quão bom seria se o terceiro capítulo desse livro nos trouxesse uma narrativa de vitória em vez de fracasso: o pecado não teria existido para nós e a Terra seria povoada com uma raça de seres puros, perfeitos e imortais, todos descendentes do primeiro casal humano. De alguma forma, Deus eliminaria Satanás da existência sem acarretar a dúvida do Universo sobre Seu amor.

O pecado modificou tragicamente a realidade. Sem esse intruso indesejável, como seriam a cultura, o governo, as produções artísticas, a ciência e tantas outras instâncias da Terra caída? Dá para imaginar a diferença entre o estado atual e o ideal? Muitas coisas presentes agora não fariam parte do nosso triste quotidiano como dúvida, incredulidade, ódio, funerais, guerras, divórcio, traições, saudade, cansaço, frustração, acidentes ecológicos, tragédias naturais, instrumentos bélicos, e a pior de todas as consequências do pecado: a morte. Por outro lado, nada saberíamos sobre fé, redenção e graça.

Repetidas vezes se faz a pergunta: Por que foi permitido o pecado? O aparecimento do mal na criação não era condição necessária para se manifestar o lado até então desconhecido e misterioso do amor de Deus. De quanto sofrimento tanto nós quanto o próprio Criador seríamos poupados se o pecado jamais tivesse se erguido! Porém, já que o mal despontou e nos infectou, resta a esperançosa expectativa: ele aguarda sua condenação eterna. Assim será cumprida a promessa: “Não se levantará por duas vezes a angústia” (Naum 1:9).

Infelizmente, Adão e Eva sofreram a derrota. Contudo, Jesus venceu, recuperando o Éden perdido para devolvê-lo à humanidade redimida. Em Cristo, aguardamos o momento da nova criação, quando todo o Universo finalmente expressará com eterna alegria: “Desde o minúsculo átomo até ao maior dos mundos, todas as coisas, animadas e inanimadas, em sua serena beleza e perfeito gozo, declaram que Deus é amor.” 

(Frank de Souza Mangabeira, membro da Igreja Adventista do Bairro Siqueira Campos, Aracaju, SE; servidor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Sergipe)

sexta-feira, agosto 11, 2017

Lagarto brasileiro evoluiu em apenas 15 anos ou apenas se adaptou?

A evolução não precisa demorar milhões de anos para acontecer. E um dos exemplos mais extraordinários de que a chamada “evolução rápida” é possível vem de um réptil brasileiro. Uma espécie de lagarto no Brasil desenvolveu uma cabeça maior em apenas 15 anos - muito pouco tempo em termos evolutivos -, segundo um novo estudo publicado na PNAS, a revista da Academia de Ciências dos Estados Unidos. E ainda que se conheçam outros exemplos de evolução rápida, o caso do lagarto é excepcional, porque mostra o impacto da atividade humana na transformação das espécies. Em 1996, a criação da Usina Hidrelétrica Serra da Mesa inundou uma área de cerrado na cidade de Minacu, em Goiás. A inundação criou cerca de 300 pequenas ilhas nas partes mais altas do terreno. Muitas espécies de lagartos desapareceram delas, provavelmente porque não havia comida suficiente para suas necessidades energéticas. Mas uma espécie de lagarto menor, Gymnodactylus amarali, que se alimenta de insetos, continuou presente em algumas das ilhas. Os cupins maiores, antes consumidos apenas por répteis grandes, agora passaram a ficar “disponíveis” para esses animais menores.

Só que havia um grande problema. A cabeça pequena dos lagartos, de apenas um centímetro de largura, eram quase do mesmo tamanho dos cupins. Para eles, comer esses insetos era um desafio tão grande quanto um gato comer um esquilo. Para determinar se os lagartos realmente haviam evoluído, alguns animais foram capturados em cinco das ilhas que surgiram no meio da represa da hidrelétrica pela equipe da bióloga brasileira Mariana Eloy de Amorim, da Universidade de Brasília (UnB). Em seguida, foram comparados com lagartos que viviam em cinco áreas em volta da represa - zonas que não estavam isoladas. Os pesquisadores mediram o tamanho da cabeça dos lagartos e, depois de sacrificá-los, abriram seus estômagos para ver o que haviam comido. Os resultados foram surpreendentes. Apesar de apenas 15 anos terem se passado desde a criação da represa, os lagartos que viviam nas ilhas tinham cabeças 4% maiores que seus vizinhos.

Esses 4% podem não parecer uma mudança significativa, mas foram suficientes para que os lagartos agora pudessem consumir os cupins. Mas por que o corpo todo não cresceu? O motivo é que corpos maiores demandam mais energia para se manter. Assim, esses répteis perderiam a vantagem potencial de ter mais alimento disponível se tivessem que consumir mais comida, explicou Janet Hoole, professora de biologia da Keele University, na Inglaterra.

Uma das coisas mais interessantes é que os lagartos de todas as cinco ilhas estudadas desenvolveram cabeças maiores, ainda que estivessem isolados uns dos outros. Para Hoole, “isso sugere que aumentar o tamanho da cabeça, sem crescer o tamanho do corpo, é a forma mais eficiente de aproveitar a oportunidade de uma dieta mais variada que a usual para essa espécie”.

Outros casos de evolução rápida são as aves fringilídeos das Ilhas Galápagos, que Charles Darwin estudou para formular a teoria da evolução das espécies, afirmou Hoole em uma coluna para o site acadêmico The Conversation. Uma espécie de fringilídeo de Darwin (nome que inclui 15 espécies) reduziu o tamanho médio de seu bico em apenas 22 anos, depois que um competidor com um bico maior colonizou sua ilha, de acordo com um estudo de 2006 dos pesquisadores Peter e Rosemary Grant. O competidor comia as sementes maiores com cascas duras. Assim, ter um bico grande sem poder competir era uma desvantagem. Por isso, os fringilídeos com bicos menores começaram a prosperar. “É um princípio da biologia: se não precisa de uma estrutura particular, então não vale a pena mantê-la, e é melhor economizar essa energia”, assinalou Hoole.

Outro caso de evolução rápida apontado por Hoole é o que ocorreu com uma espécie de lagartixa na Flórida, a anolis verde (Anolis carolinensis), com a chegada de outra espécie muito maior, o anolis marrom cubana. O anolis verde rapidamente se retirou para viver nas copas das árvores e, em um período de 20 gerações, desenvolveu patas maiores e com maior capacidade de se aderir em uma superfície, características úteis para a vida nas plantas.

A evolução rápida também foi constatada nas ovelhas da raça soay. A raça é nativa da ilha de Soay, no arquipélago de St. Kilda, na Escócia. Em um período de 25 anos, o tamanho dos animais diminuiu. Uma das possíveis explicações é que os invernos menos frios devido ao aquecimento global permitiram a sobrevivência de cordeiros menores, o que diminuiu o tamanho médio de toda a população desse animal.

Os três casos acima, no entanto, não foram acompanhados de estudos genéticos. E esses estudos são necessários, segundo alguns pesquisadores, para constatar se são casos de evolução ou de um fenômeno chamado “plasticidade fenotípica” - mudanças em resposta a alterações no meio ambiente que não são acompanhadas de modificações genéticas.

Um caso de evolução rápida comprovada por estudos genéticos foi publicado nesta semana na revista Science e outra vez os protagonistas são os anolis verdes. Neste caso, os anolis mudaram sua resposta muscular e nervosa ao frio em um período de apenas alguns meses.

Shane Campbell Staton, então estudante de pós-graduação em Harvard, investigou durante muitos anos cinco populações de anolis que viviam em diferentes latitudes. Quando o ambiente é muito frio, esses animais perdem a coordenação necessária para se endireitar. Após um período de frio intenso no Texas em 2013-2014, os lagartos que só conseguiam fazer isso a partir dos 11 °C passaram a ter essa capacidade a uma temperatura menor, de 6 °C. E essa mudança se refletiu a nível genético.

Campbell-Staton, atualmente na Universidade de Illinois, Estados Unidos, e seus colegas constataram que o repertório de genes ativos no fígado dos animais se assemelhava mais ao de espécies que viviam mais ao norte. E incluía também genes que influem no funcionamento dos sistemas muscular e nervoso.

Janet Hoole assinala que poderemos ver muito mais exemplos de evolução rápida devido ao aquecimento global. “O novo estudo sobre lagartos no Brasil mostra que a atividade humana também pode interferir no processo de evolução.”

Fica a dúvida: à medida que aumenta o impacto do ser humano na natureza, podem ocorrer mais casos de evolução rápida? Apesar da mudança no tamanho da cabeça e na boca dos lagartos parecer algo positivo, “devemos nos lembrar de que isso ocorreu devido à extinção de outras quatro espécies devido às inundações provocadas pela represa”, adverte Hoole. “É um lembrete oportuno de que a mudança climática não é o único desafio para a biodiversidade e os processos evolutivos.”


Nota: Embora os evolucionistas defendam com unhas e dentes o conceito filosófico de macroevolução (a ideia segundo a qual de uma célula primordial teriam evoluído todas as formas de vida conhecidas), quando apresentam exemplos concretos, estes se referem unicamente a adaptações ou diversificação de baixo nível (também chamadas por alguns de “microevolução”). O que aconteceu com essa espécie de lagarto brasileira também foi observado em Galápagos, em algumas espécies de tentilhões. Em um período de escassez de alimento, essas aves sofriam modificações epigenéticas limitadas. Passado o período de seca, elas voltavam ao “normal”. Tudo isso em relativamente pouco tempo. São fatos que mostram pelo menos duas coisas: (1) os seres vivos são dotados de capacidade limitada de variação por via epigenética, o que lhes permite sobreviver em um mundo em constante mudança, e (2) os limites entre as espécies são mais ou menos rígidos, a tal ponto que a tendência sempre é retornar ao “estado original”. [MB]

quinta-feira, agosto 10, 2017

Uma semana difícil para os ateus

Richard Dawkins é conhecido por ser um defensor intransigente do ateísmo e do darwinismo. Já postei muita coisa sobre ele aqui no blog (confira). Mas houve uma situação em que ele se deu muito, muito mal, durante um programa de rádio da BBC de Londres, ao vivo, debatendo com um sacerdote da Catedral de St. Paul. Com seu tom tipicamente beligerante, o autor de Deus um Delírio afirmou arrogantemente que os cristãos são muito despreparados, pois a maioria deles não seria sequer capaz de mencionar o nome dos evangelhos. A resposta do sacerdote foi impressionante. Assista.

Os dias da criação não foram literais? Como assim, William Craig?

Admiro muito o trabalho do filósofo e teólogo norte-americano William Lane Craig e já postei algumas coisas sobre ele aqui no blog (confira). Os livros dele são muito bons, especialmente quando ele defende apologeticamente a existência de Deus e a ressurreição de Jesus (a especialidade dele). Mas há um vídeo no YouTube em que ele se esforça para demonstrar que os dias da criação não seriam literais, de 24 horas, e usa argumentos muito fracos para alguém do nível dele (confira abaixo). Confesso que fiquei negativamente surpreso. O que ele faz é uma exegese defeituosa e injusta para com o texto bíblico. É muito contorcionismo hermenêutico: a intentio operis e a intentio auctoris são desprezadas pela intentio lectoris, como disse meu amigo Frank Mangabeira. Ellen White estava certa:

“As interpretações vagas e imaginosas das Escrituras, as muitas teorias contraditórias concernentes à fé religiosa, as quais se encontram no mundo cristão, são obra de nosso grande adversário para confundir o espírito de tal maneira que não saiba distinguir a verdade. E a discórdia e divisão que há entre as igrejas da cristandade são em grande parte devidas ao costume que prevalece de torcer as Escrituras, a fim de apoiar uma teoria favorita.

“Com o intuito de sustentar doutrinas errôneas ou práticas anticristãs, alguns apanham passagens das Escrituras separadas do contexto, citando talvez a metade de um simples versículo, como prova de seu ponto de vista, quando a parte restante mostraria ser bem contrário o sentido. Muitos assim voluntariamente pervertem a Palavra de Deus. Outros, possuindo ativa imaginação, lançam mão das figuras e símbolos das Escrituras Sagradas, interpretam-nos de acordo com sua vontade, tendo em pouca conta o testemunho das Escrituras como seu próprio intérprete, e então apresentam suas fantasias como ensinos da Bíblia” (O Grande Conflito, p. 521).

“Quando quer que o estudo das Escrituras se inicie sem espírito de oração, humildade e docilidade, as passagens mais claras e simples, bem como as mais difíceis, serão torcidas do seu verdadeiro sentido. A Bíblia inteira deveria ser dada ao povo tal qual é. Melhor lhe seria não ter nenhuma instrução bíblica do que receber os ensinos das Santas Escrituras tão grosseiramente desvirtuados” (O Grande Conflito, p. 52).

LEIA SOBRE a literalidade dos dias da criação aqui, aqui, aqui e aqui.

quarta-feira, agosto 09, 2017

“Ancestral” das flores era mais complexa que as atuais

Embora a maioria das espécies de plantas na Terra as tenha, a origem evolutiva das flores é envolta em mistério. Sabemos que elas são os órgãos sexuais de mais de 360 ​​mil espécies de plantas vivas hoje, todas derivadas de um único [e suposto] antepassado comum em um passado distante. Essa planta ancestral, viva em algum momento entre 250 e 140 milhões de anos atrás [segundo a cronologia evolucionista], produziu as primeiras flores em um momento em que o planeta estava mais quente e mais rico em oxigênio e gases de efeito estufa do que hoje, um momento em que os dinossauros vagavam por paisagens primitivas. Mas, apesar do fato de os dinossauros terem sido extintos há [supostos] 65 milhões de anos, temos uma ideia melhor de como era um Tiranossauro do que a forma dessa flor ancestral. Isso acontece em parte porque essas primeiras flores não deixaram vestígios. As flores são estruturas frágeis que somente nas circunstâncias mais sortudas podem ser transformadas em fósseis. E como nenhum fóssil que remonta a 140 milhões ou mais anos foi encontrado, os cientistas só tinham uma ideia limitada de como esse antepassado teria parecido. Até agora.

Um novo e importante estudo realizado por uma equipe internacional de botânicos alcançou a melhor reconstrução até hoje dessa flor ancestral. A pesquisa, publicada na Nature Communications, não se baseia tanto nos fósseis, mas sim no estudo das características de 800 de suas espécies vivas descendentes. Ao comparar as semelhanças e diferenças entre as plantas floridas relacionadas, é possível inferir as características de seus ancestrais recentes.

Por exemplo, uma vez que todas as espécies de orquídeas têm flores em que metade é a imagem espelhada da outra (simetria bilateral), podemos supor que seu antepassado deve ter flores bilaterais. Comparando esses ancestrais recentes entre si, é possível avançar um pouco mais atrás no tempo, e assim por diante, até que possamos alcançar a base da árvore genealógica das plantas com flores.

Em alguns aspectos, a flor original se assemelha a uma magnólia moderna: tem múltiplas “pétalas” indiferenciadas (tecnicamente tépalas), dispostas em anéis concêntricos. No seu centro, existiam várias fileiras de órgãos sexuais, incluindo estames produtores de pólen e ovários portadores de óvulos. É difícil resistir à tentação de imaginar polinizadores antigos rastejando nessa flor, coletando grãos de pólen, ajudando inconscientemente a planta a produzir sementes.

O novo estudo ajuda a resolver a controvérsia sobre se as flores iniciais tinham sexos separados ou se os órgãos reprodutivos masculinos e femininos estavam combinados na mesma flor. As evidências anteriores apontavam respostas diferentes. Por um lado, uma das primeiras linhagens divergentes das plantas com flores, representada hoje em dia apenas por um arbusto raro da ilha do Pacífico da Nova Caledônia chamada Amborella, possui flores que são masculinas ou femininas. Por outro lado, a maioria das espécies modernas combina ambos os sexos na mesma flor.

Os autores do estudo resolveram a questão e mostraram que a flor ancestral era uma hermafrodita. Isso significa que as plantas de floração precoce poderiam se reproduzir tanto como macho quanto como fêmeas.

Os sexos combinados podem ser vantajosos para a colonização de novos ambientes, já que um único indivíduo pode ser seu próprio companheiro – muitas espécies de plantas que colonizam ilhas oceânicas remotas tendem a ser hermafroditas.

Apesar da aparente semelhança com algumas flores modernas, este antepassado tem algumas surpresas na manga. Por exemplo, os botânicos acreditavam há muito tempo que as flores iniciais tinham partes florais dispostas em uma espiral ao redor do centro da flor, como pode ser visto em espécies modernas, como a estrela-de-anis. A nova reconstrução, porém, sugere fortemente que as flores iniciais tiveram seus órgãos dispostos não em espiral, mas em uma série de círculos concêntricos, como na maioria das plantas modernas. A flor inicial tinha esses círculos mais numerosos, no entanto, sugerindo que as flores se tornaram mais simples ao longo do tempo.

Paradoxalmente, essa arquitetura mais simples pode ter dado às plantas modernas uma base mais estável sobre a qual evoluir e desempenhar tarefas mais complexas, como a interação sofisticada com certos insetos como nas orquídeas, ou a produção de “cabeças de flores” feitas de dezenas ou centenas de flores mais simples como na família dos girassóis.

Embora agora tenhamos uma boa ideia de como uma das primeiras flores pode ter sido, ainda sabemos pouco sobre como essa flor surgiu. Os passos detalhados que levam à sua evolução são desconhecidos. Talvez devamos aguardar a descoberta de novas flores fósseis que abrangem o buraco de tempo em torno de 250 a 140 milhões de anos atrás antes que possamos entender a própria origem da estrutura sexual mais diversificada do planeta.


Nota: “Inferir”, “supor”, “sugere fortemente” são palavras usadas no texto acima. Note que não foi encontrado nenhum fóssil. A tal flor ancestral foi imaginada com base nas características de suas supostas descendentes. Isso é ciência? Não, isso é exercício de imaginação. No entanto, mais ou menos como acontece quando descobrem um fragmento de mandíbula ou mesmo um dente e já divulgam ilustrações de um corpo inteiro, a figura ilustrativa da flor foi espalhada na mídia como se a própria tivesse sido descoberta. Entretanto, desconversam quando são descobertos, por exemplo, sangue em uma garra de dinossauro com supostos milhões de anos e tecidos moles em fósseis nos quais não deveria haver tecido algum a não ser material mineralizado. Há muito mais evidências concretas que respaldam o criacionismo, infelizmente o preconceito faz com que elas sejam ignoradas em detrimento de “descobertas” como a dessa flor que não existe. A verdade é que um exame dos restos reais de plantas que foram preservadas revela coisas diferentes e um tanto embaraçosas para os evolucionistas. Um dos grupos de plantas que mais perplexidade causa é o das angiospermas (ou plantas com flores) que aparecem repentinamente nos sedimentos cretáceos. “Vários grupos de flores que aparecem nas rochas do Cretáceo são semelhantes àqueles que existem agora. Nenhum registro de sua evolução foi encontrado” (Leonard Brand, Fé, Razão e História da Terra, p. 178). Mesmo no texto acima os pesquisadores admitem que as flores do passado eram mais complexas que as atuais. A pergunta que fica no ar, então, é: Como uma estrutura tão complexa quanto uma flor pode simplesmente ter surgido neste planeta, já funcional e sem ancestrais que revelem uma evolução gradual, em etapas sucessivas? Seria por que os tipos básicos das plantas foram criados por Deus já complexos no terceiro dia da criação, muitos deles com flores que esbanjam beleza e bom gosto? Tire suas conclusões. [MB]

Fórmula matemática revela como o espermatozoide nada

Pesquisadores das universidades de York, Birmingham, Oxford e Kyoto, Japão, descobriram que a cauda dos espermatozoides cria um ritmo característico que empurra o espermatozoide adiante, mas também puxa a cabeça para trás e para os lados de maneira coordenada. A fertilização bem-sucedida depende de como um espermatozoide se move através do fluído, mas a captura dos detalhes desse movimento é uma tarefa complicada. A equipe objetivou usar essas novas descobertas para compreender como grandes grupos de espermatozoides se comportam e interagem, uma tarefa que pode ser impossível usando as técnicas atuais de observação. O trabalho pode prover novas considerações no tratamento da infertilidade masculina.

O Dr. Hermes Gadêlha, do departamento de Matemática da Universidade de York, disse: “De forma a observar, em microescala, como um espermatozoide alcança a propulsão avante através de um fluído, foram empregadas técnicas sofisticadas de microscopia de alta precisão. As medidas da batida da cauda do espermatozoide são alimentadas em um modelo computacional, que então ajuda a compreender os padrões do fluxo do fluído que resultam desse movimento. Simulações numéricas são usadas para identificar o fluxo ao redor do espermatozoide, mas as estruturas do fluído são tão complexas que os dados são particularmente desafiadores de compreender e usar. Em torno de 55 milhões de espermatozoides são encontrados em uma dada amostra, então é compreensível que seja muito difícil modelar como eles se movem simultaneamente. Nós desejamos criar uma fórmula matemática que poderia simplificar como abordamos esse problema e facilitar a predição de como um grande número de espermatozoides nadam. Isso poderia nos ajudar a compreender por que alguns espermatozoides têm sucesso e outros falham.”

Ao analisar os movimentos da cabeça e da cauda do espermatozoide, os pesquisadores agora mostraram que o espermatozoide move o fluído em uma forma coordenada e rítmica, que pode ser capturada para formar uma fórmula matemática relativamente simples. Isso significa que simulações computacionais complexas e caras não são mais necessárias para se compreender como o fluído se move ao o espermatozoide nadar.

A pesquisa demonstrou que o espermatozoide deve fazer muitos movimentos contraditórios, como se mover para trás, de forma a se impulsionar em direção ao óvulo. O movimento de chicote tem um ritmo particular que puxa a cabeça para trás e para os lados para criar um fluxo de fluído brusco, contra-atuando uma parte da intensa fricção que é criada devido ao seu tamanho diminuto.

O Dr. Gadêlha diz: “É uma verdade quando os cientistas dizem que é um milagre que um espermatozoide consiga alcançar o óvulo, mas o corpo humano tem um sistema muito sofisticado de se certificar de que as células corretas prossigam juntas. Você pode assumir que os movimentos bruscos do espermatozoide teriam tido um impacto muito aleatório no fluído ao redor dele, tornando ainda mais dificultoso aos espermatozoides competidores navegar através dele, mas, de fato, você vê padrões definidos formando-se no fluído ao redor do espermatozoide. Isso sugere que para alcançar [seu objetivo] o espermatozoide agita o fluído ao redor [de si], em uma locomoção com uma forma muito coordenada, não muito diferente da maneira pela qual campos magnéticos se formam ao redor de magnetos. Então, embora o arrasto do fluído torne muito difícil para o espermatozoide fazer o movimento de deslocamento avante, ele o coordena com seus movimentos rítmicos para assegurar que apenas uns poucos selecionados consigam propulsão adiante.”

Agora que a equipe possui uma fórmula matemática que pode predizer o movimento fluídico de um espermatozoide, o próximo passo é usar o modelo para predições sobre um maior número de células. Eles também acreditam que isso terá implicações para inovações no tratamento de infertilidade.


Leia mais sobre o “milagre” dos espermatozoides. Clique aqui.

terça-feira, agosto 08, 2017

Evolucionistas admitem: houve uma inundação catastrófica

Por um século após Charles Lyell (popularizador do princípio do uniformitarismo), não foi dispensada séria consideração às interpretações catastróficas dos dados geológicos. O acúmulo de dados finalmente forçou uma reconsideração, e a tendência recente no sentido de aceitar mais interpretações catastróficas se movimenta na direção predita por catastrofistas.[1]

Na década de 1920, o geólogo J. Harlan Bretz iniciou seu estudo dos Channeled Scablands, no estado de Washington, o qual culminou no enfraquecimento do rígido uniformitarismo de Lyell.[1] Essa região está situada na parte oriental de Washington e corresponde a um terreno plano elevado profundamente marcado por uma rede de cerca de 150 canais entalhada no Basalto do Rio Colúmbia, atingindo mais de uma centena de metros de profundidade.[2, 3]

O pensamento padrão insistia que a água em movimento no decorrer de longas eras era o único agente conhecido que poderia erodir profundamente uma rocha dura. Mas, respondendo aos dados, Bretz concluiu que a feição em questão era o resultado de uma inundação cataclísmica.[4] A resistência à sua hipótese foi firme por mais de duas décadas. Finalmente se tornou claro que Bretz estava certo – os canais dos Scablands foram escavados pelo escoamento repentino de dois quatrilhões de litros de água do Lago Missoula quando uma represa glacial rompeu.[1, 3] Um paredão de água de mais de uma centena de metros de altura foi formado, o qual levou tudo em seu caminho em uma questão de dias.[3]

O fluxo de água dessa megainundação foi tão grande quanto o fluxo combinado de todos os rios no mundo inteiro vezes dez, tendo atingido um fluxo máximo de aproximadamente 11 milhões de metros cúbicos por segundo. Para comparação, o fluxo do maior rio do mundo, o Amazonas, é de apenas 170 mil metros cúbicos por segundo.[3,5] Geólogos calculam que essa inundação causou seus próprios terremotos enquanto cruzava a paisagem. A evidência mais dramática deixada foram as Dry Falls (Quedas Secas), que correspondem a um penhasco de mais de 5,5 km de largura e 120 m de altura. Em seu pico as águas inundantes possivelmente alcançaram 240 m de profundidade no topo dos penhascos formados, de maneira que o volume de água, icebergs e pedregulhos do tamanho de uma casa colidindo com os penhascos em formação naquele momento deve ter sido inimaginável.[3]

Outra feição marcante desenvolvida por essa inundação são as “marcas onduladas gigantes”, que se formaram em muitos lugares. Elas são em tudo similares às marcas onduladas de centímetros de altura que podem ser observadas em qualquer praia, como resultado da ação das ondas, a não ser pelo tamanho. Cobrindo uma área de mais de 6 km quadrados, elas medem de 6 a 9 m de altura e de 60 a 90 m de largura. Alguns desses cordões ondulados individuais alcançam aproximadamente 3 km de comprimento.[5]

A aceitação da realidade desse evento, a grande inundação de Spokane, abriu o caminho para o reconhecimento de outros eventos catastróficos na história geológica previamente ignorados.[1] Nada como isso acontece hoje. A erosão acontece, mas ela comumente não é observada escavando profundamente as rochas. No entanto, os cientistas descobriram que a água fluindo sobre uma superfície rochosa em um fluxo rápido pode erodir mesmo rocha dura em um curto intervalo de tempo. Moléculas de água movendo-se rapidamente sobre as superfícies rugosas formam bolhas de vácuo que verdadeiramente “implodem” com grande força e fraturam a rocha adjacente, acelerando dessa forma a erosão (um processo chamado cavitação).[4]

Na década de 1960, Bretz ganhou o dia e convenceu os geólogos de que, ao menos nessa ocasião, processos catastróficos ocorreram. Se tanto dano assim resultou de um grande, porém local lago rompido fluindo sobre um canto do continente, qual dano poderia ser esperado do grande dilúvio de Noé?[4]

Para os geólogos evolucionistas os Channeled Scablands foram formados por sucessivas megainundações, como a descrita acima, resultantes do rompimento da mesma represa glacial várias vezes, no decorrer de milhares de anos, ao longo de repetidos ciclos de glaciação e deglaciação.[3, 5] Para os criacionistas, porém, houve uma só era do gelo, que ocorreu após o dilúvio de Noé[6] e, portanto, a feição geológica em questão deve ter se originado a partir de um só evento catastrófico pós-dilúvio. Apesar dessa divergência, é interessante notar o que há em comum nessas hipóteses: uma grande inundação ocorreu. Isso demonstra claramente que muitas feições geológicas atualmente interpretadas a partir da cosmovisão uniformitarista podem, talvez, ser reinterpretadas sob o prisma criacionista diluviano.

(Hérlon Costa é geólogo formado pela UFPA e mestre em Geologia Exploratória pela UFPR)

Referências:
[1] Brand, L. (2009). Faith, reason, and earth history: a paradigm of earth and biological origins by intelligent design. Andrews University Press; p. 245 e 246.
[6] Oard M. The Ice Age and the Genesis Flood. Acts & Facts. 1987; 16(6)

segunda-feira, agosto 07, 2017

O cérebro e a lei de Deus: poderosa evidência da criação

“Porei Minhas leis em sua mente e as escreverei em seu coração. Serei o seu Deus, e eles serão o Meu povo.” Hebreus 8:10.

O que esse texto bíblico tem a ver com a origem da vida e o criacionismo? Para explicar, quero chamar sua atenção para a área destacada na figura do cérebro, aí ao lado. Essa área ocupa praticamente um quarto de todo o córtex cerebral e emite conexões para quase todas as regiões encefálicas, exercendo controle sobre várias funções neurais, em especial sendo responsável pelo nosso comportamento inteligente. As informações sobre a função da área pré-frontal foram obtidas por meio da observação de casos clínicos em que houve lesão nessa área.

Um caso que se tornou famoso foi o de Phineas Gage, em 1868, que aos 25 anos de idade saiu para mais um dia comum de trabalho. Era conhecido por suas virtudes de companheirismo, liderança, eficiência e responsabilidade, tanto é que havia sido nomeado capataz de um grupo de trabalhadores responsáveis pela construção de ferrovias nos EUA. Para abrir caminho era necessário explodir algumas rochas, e Phineas utilizava uma barra de ferro para empurrar dinamite em direção às rochas. Mas, para sua infelicidade, naquele dia a dinamite explodiu e lançou a barra de ferro como um projétil contra o seu rosto. A barra entrou por baixo do osso zigomático, empurrou o olho esquerdo para fora e atravessou completamente o crânio saindo pela parte superior frontal da cabeça.

Por incrível que pareça, o jovem sobreviveu ao acidente e após quatro meses já estava trabalhando novamente! Não apresentava nenhuma perda de memória, as faculdades intelectuais estavam preservadas, tudo certo com os movimentos e os sentidos (com exceção da visão do olho esquerdo). Entretanto, logo as pessoas perceberam que ele não era mais o Phineas que conheciam. Mudanças drásticas haviam ocorrido em sua personalidade: ele passou a ser irresponsável, grosseiro e falava blasfêmias, conforme os relatos. Se revoltava com qualquer coisa que não condizia com seus desejos, era desrespeitoso, obsceno, impaciente, não conseguia executar tarefas longas e vivia mudando de emprego. Após a morte, seu corpo foi exumado e verificado que a área cerebral lesionada tinha sido o córtex pré-frontal.

Além das lesões traumáticas, existem doenças que podem afetar essa região causando sintomas semelhantes. Para explicar melhor algumas funções dessa região cerebral, podemos dividi-la em duas áreas:

1. Área pré-frontal dorsolateral (representada em azul escuro na imagem ao lado): é responsável por diversas funções, dentre elas o planejamento e a execução de estratégias comportamentais frente a uma determinada situação, capacidade de alterar o comportamento de acordo com a mudança das situações, e também avaliar as consequências das atitudes. Essas funções são desempenhadas a partir de fibras emitidas dessa área até outra região chamada tálamo, as quais passam antes por outra estrutura cerebral chamada corpo estriado. Do tálamo, fibras retornam ao córtex pré-frontal dorsolateral fechando o circuito (é um pouco complexo, mas não desista da leitura. Você entenderá os conceitos que apresentarei depois desta parte sobre anatomia. Aliás, complexidade já é a primeira evidência criacionista apresentada neste texto).

2. Área pré-frontal orbitofrontal (representada em azul claro na imagem): é responsável por supressão de comportamentos inadequados, manutenção da atenção e participa do processamento de emoções. Emite fibras para o núcleo dorsomedial talâmico, as quais passam antes pelo núcleo caudado e o globo pálido. Do núcleo dorsomedial talâmico, as fibras retornam ao córtex pré-frontal dorsolateral fechando o circuito.

Outra região com funções relacionadas, mas que não está localizada no lobo frontal, é o córtex insular anterior, responsável pela capacidade de se sensibilizar e de reconhecer o estado emocional dos outros, responsável também pelo conhecimento próprio (diferenciar a si mesmo dos outros), pela percepção de alguns componentes subjetivos das emoções e também pela sensação de nojo.

Na descrição acima, fiz questão de ressaltar a existência de alguns circuitos para mostrar que essas estruturas sozinhas não são capazes de exercer sua função. Há completa interdependência com diversas áreas encefálicas, que precisariam ter evoluído todas de forma perfeitamente correta ao mesmo tempo para possibilitar a vida. Há muito mais coerência em assumir que essas estruturas estavam inicialmente prontas, e em seguida começou a vida (semelhança com o relato bíblico da criação seria mera coincidência?).

Outro fator que chama a atenção é que lesões nessas áreas resultam em comportamentos imorais, demonstrando que somos originalmente programados para agir de forma moral. Quem teria nos programado e nos dotado da consciência?

Outra novidade nos congressos de neurociências é a de que nascemos com tendências imorais devido à fragilidade genética maior ou menor de algumas dessas áreas. Entretanto, essas tendências não determinam se um indivíduo terá ou não condutas imorais. O que determinará serão as experiências vividas ou sofridas e as decisões realizadas pela pessoa, que poderão melhorar ou prejudicar ainda mais essas áreas. Escolhas imorais de forma repetitiva podem inativar progressivamente a função de algumas regiões de tal forma a se poder chegar a um estado de incapacidade de reativação, lesão irreversível, causando a impossibilidade de optar moralmente naquele tipo de situação. O interessante é que milênios antes dessas descobertas científicas, a Bíblia já dizia que a consciência pode ser cauterizada e corrompida (1 Timóteo 4:2 e Tito 1:15). E será que a perda da capacidade de optar moralmente teria alguma relação com o pecado contra o Espírito Santo, após sucessivamente “endurecer o coração” à Sua voz? Se o afastamento de Deus trouxe a morte, não se relacionar com Ele deve atrofiar o cérebro, pelo menos é isso que a ciência parece estar descobrindo.

Com os conceitos expostos acima, a pergunta que surge é: Por que precisamos de uma área tão grande para esse tipo de decisões? Aliás, por que existe uma área para decisões morais? Do ponto de vista evolucionista é tudo tão simples: basta decidir por aquilo que traga mais vantagem ao indivíduo. Não parece ser algo difícil, tanto é que todos os animais precisam decidir frente às situações. Mas os humanos são espetacularmente mais desenvolvidos nesse aspecto, e frequentemente optam por uma conduta moral, e não pela mais adequada naquele momento para sobreviver ou se destacar. Por que agir contra o próprio instinto de sobrevivência? Por que é o certo? O certo não seria sobreviver, se dar bem? É comum vermos pessoas honestas terem pior desempenho do que as corruptas. Porém, seres humanos parecem estar programados para agir de forma diferente do padrão evolutivo (mesmo que muitas vezes alguns se comportem de tal forma que até parecem ter evoluído de suínos).

Esse fato se torna uma verdadeira dor de cabeça para os evolucionistas. Como um método baseado em carnificina sucessiva privilegiaria a existência de um código moral? O próprio fato de existir uma estrutura em nosso corpo para reger nossas atitudes com base moral por si só já torna o evolucionismo uma teoria inconsistente com a realidade observada.

Apesar dessa clara incoerência, evolucionistas tentariam argumentar alegando que em algum momento da evolução viver em sociedade tornou-se mais vantajoso para a manutenção da espécie, e que sociedades com princípios morais tinham vantagem sobre as que não tinham. Vale lembrar que essa alegação não é válida como argumento ou evidência favorável à evolução, uma vez que se trata somente de uma suposição baseada no modelo evolucionista. Da mesma forma posso alegar, com base no modelo criacionista, que vivemos em sociedade e temos princípios morais porque fomos criados à imagem e semelhança de Deus.

Para resolver essa questão, basta uma breve análise da sociedade para perceber o óbvio, de que gradativamente comportamentos como corrupção, violência, indiferença, promiscuidade, individualismo, compulsões, entre outros comportamentos imorais, tornam-se cada vez mais comuns e até mesmo “naturais”. E nem é necessário analisar grandes estatísticas (que existem) para evidenciar esses dados, basta ler e assistir diariamente às notícias e recordar-se de como era viver poucos anos atrás.

Estranho uma característica tão importante para a sobrevivência e uma das que tanto diferencia humanos de animais, que teria levado centenas de milhares de anos para evoluir, estar simplesmente desaparecendo de forma tão rápida que se torna perceptível até mesmo durante o período de uma única geração; e humanos apresentarem comportamento cada vez mais animalesco, caracterizando um processo de “involução”. Deveria ser justamente o oposto, se a evolução é um processo contínuo e o comportamento moral foi selecionado como vantagem – cada vez mais deveriam surgir seres humanos com mais capacidade moral, e a sociedade caminhar rumo à harmonia perfeita.

A constatação mais plausível é de que essa característica já foi melhor no passado e está “involuindo”. Curiosamente, isso está de acordo com a posição defendida pelo livro dos criacionistas (2 Timóteo 3:1-9), e que descreve também um Ser de caráter perfeitamente moral que programou esse código (informação, Lei) no cérebro humano. Desde que os humanos se afastaram do Programador, a consciência presente nessas estruturas cerebrais se tornou incompleta e defeituosa (justamente pela falta do Programador/Criador), degradando progressivamente (Romanos 3:23).

Prefiro ficar com o que diz o Livro Sagrado, que traz todas essas novidades científicas já antecipadas há milênios, e revela quem é esse grande Criador moral! A comunhão com Deus por meio da oração, do estudo e da prática de Sua Palavra possui capacidade de reverter esse processo de involução moral, até mesmo em alguns desses casos já determinados como irreversíveis pela ciência humana. Se para o desenvolvimento de princípios morais Deus é necessário, então a evolução precisa de Deus. Mas um Deus moral nunca Se utilizaria do imoral método evolucionista, logo, temos o criacionismo bíblico como verdade.

Para completar, os benefícios da fé em Deus para melhoria das emoções e dos comportamentos humanos já são comprovados pelo método científico, e até mesmo médicos e psicólogos ateus são obrigados a reconhecer esse fato. Que algum evolucionista explique isso! Não tenho fé suficiente para acreditar em teorias incoerentes e inconsistentes; prefiro crer no Criador moral, o Deus verdadeiro da Bíblia, que em breve restaurará Seu código moral neste planeta!

(Dr. Roberto Lenz Betz é neurologista e é membro do Grupo Criacionista de Blumenau)

Leia mais sobre as maravilhas do cérebro aqui.

domingo, agosto 06, 2017

A chegada do adventismo ao Brasil

Era o ano de 1995 e eu precisava decidir o tema do meu trabalho de conclusão de curso (TCC) a fim de obter o grau de bacharel em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina. Eu não queria criar um jornal, produzir uma videorreportagem ou um programa de rádio para simplesmente alcançar a nota necessária. Não. Eu queria fazer algo mais. Queria, de alguma forma, exaltar o nome do meu Deus e tornar conhecida a linda história da igreja que eu havia abraçado havia cinco anos. Assim nasceu a ideia de escrever um livro-reportagem sobre a chegada do adventismo ao Brasil. Seria um projeto bem mais trabalhoso, mas a história era tão boa que merecia ser contada. E quer saber mais? Descobrir o que eu descobri acabou mudando minha vida e minha visão do adventismo. Algum tempo depois, esse livro foi publicado pela Casa Publicadora Brasileira com o título A Chegada do Adventismo ao Brasil. A boa notícia é que esse livro será atualizado e republicado em breve. O vídeo abaixo conta um pouco dessa história inspiradora. 

sexta-feira, agosto 04, 2017

Arqueólogos revelam provas da destruição de Jerusalém pelos babilônios

Os arqueólogos que escavam o sítio arqueológico da Cidade de Davi, localizado no Parque Nacional dos Muros de Jerusalém, capital de Israel, descobriram madeira carbonizada, sementes de uva, pedações de cerâmica, escamas de peixes, ossos e inúmeros artefatos raros que remontam à queda da cidade nas mãos dos babilônios há mais de 2.600 anos. Entre as descobertas, feitas neste ano no local, há dezenas de jarros usados ​​para armazenar grãos e líquidos. Muitos deles têm alças e selos marcados que retratam uma roseta. Eles comprovam a riqueza da antiga Jerusalém, capital do reino da Judeia. “Esses selos são característicos do final do período do Primeiro Templo e foram usados ​​pelo sistema administrativo que se desenvolveu no final da dinastia da Judeia”, explicam Ortal Chalaf e Joe Uziel, diretores de escavações da Autoridade de Antiguidades de Israel.

Essa roseta basicamente substituiu o selo “Para o Rei” usado no sistema administrativo anterior. “Classificar esses objetos facilitava o controle, a supervisão, a coleta, a comercialização e o armazenamento” dos judeus que cuidavam da cidade na época que ela foi atacada e destruída pelos babilônios.

Entre os artefatos que estavam sob camadas de pedra acumuladas no declive oriental da cidade de Davi está uma pequena estátua de marfim. O objeto raro representa uma mulher nua com um corte de cabelo (ou peruca) de estilo egípcio. Os diretores ressaltam que “essas descobertas da escavação mostram que Jerusalém se estendia além do limite estabelecido pelos muros da cidade antes da sua destruição”. O Antigo Testamento relata que os babilônios, liderados por Nabucodonosor, destruíram Jerusalém em 587 a.C. (Jeremias 39 e 52).

“Ao longo da Idade do Ferro, Jerusalém passou por um crescimento constante, expressado tanto na construção das diversas muralhas da cidade quanto no fato de a cidade se expandir mais tarde. As escavações realizadas no passado na área do Bairro Judeu mostraram como o crescimento da população no final do século 8 a.C. posteriormente resultou na anexação da área ocidental de Jerusalém”, afirma o comunicado da Autoridade de Antiguidades de Israel.

Chama atenção o fato de a divulgação dos estudiosos ser feita alguns dias antes do “Tisha B’Av”, a data que anualmente lembra a destruição do Primeiro e Segundo Templos judeus no Monte do Templo. A Autoridade de Antiguidades de Israel anunciou a descoberta de evidências da destruição babilônica de Jerusalém na mesma semana em que os palestinos e outros islâmicos tentam divulgar publicamente que eles são os “legítimos” donos de Jerusalém e negam o seu passado como capital do povo judeu. 

(Gospel Prime, com informações de Fox News)

quinta-feira, agosto 03, 2017

Cientista confirma modificação genética de embrião humano

Agora é oficial: estamos na era da modificação genética humana. A equipe da Universidade de Saúde e Ciência do Oregon, nos Estados Unidos, confirmou as notícias de que teriam modificado embriões humanos em laboratório, e já esperam iniciar os testes clínicos, que envolvem transplantar os embriões para estabelecer uma gravidez e monitorar o nascimento das crianças. O cientista cazaque Shoukhrat Mitalipov, que lidera o estudo, confirmou o feito, mas ele sabe que existem barreiras éticas em seu projeto, que talvez forcem a levar o estudo para fora do país. Se as leis dos Estados Unidos não permitirem os testes clínicos, ele afirma que “apoiaria a mudança da tecnologia para outros países”, ele afirmou. Mitalipov afirma que seu estudo tem como objetivo apenas trazer correções genéticas, e não aprimoramentos, como forma de tentar minimizar as implicações éticas do projeto. Os testes visavam apenas a substituir genes ligados a condições genéticas por outros saudáveis.

O cientista já vinha experimentando manipulações genéticas há bastante tempo. Em 2007, ele mostrou ao mundo os primeiros macacos clonados, e em 2013 ele clonou embriões humanos para criar células-tronco. Os embriões clonados só se desenvolveram por alguns dias antes de serem descartados.

Durante os experimentos, os cientistas modificaram dezenas de embriões humanos criados in vitro usando esperma doado de homens com doenças genéticas. Ao longo da experiência, os pesquisadores localizaram os genes responsáveis pela doença, substituíram esses genes por genes “saudáveis” e reintroduziram o genoma modificado nos embriões, efetivamente curando-os da doença.

Pesquisas semelhantes feitas na China esbarraram em dois problemas. Primeiramente, nem todas as células tinham seu DNA modificado; algumas delas mantinham o código genético antigo, resultando num problema que os cientistas chamaram de “mosaicismo”. Além disso, as alterações feitas pelos pesquisadores causaram também outros efeitos além dos desejados.

Mas a equipe de Natalipov diz ter corrigido esses dois problemas. De acordo com um cientista com conhecimento do projeto, “essa é a prova de que isso [essa técnica de edição genética] pode funcionar. Eu não acho que isso significa o começo de testes clínicos ainda, mas leva a questão mais longe do que qualquer outra pessoa já foi”.

Essa foi a primeira vez que cientistas norte-americanos utilizaram técnicas de edição genética em embriões humanos. Antes disso, técnicas desse tipo já haviam sido testadas, mas apenas na China. O país oriental já vinha experimentando a edição genética em embriões humanos desde pelo menos abril de 2015.

O motivo para a hesitação do ocidente em torno desse assunto é uma resistência da comunidade científica a pesquisas desse tipo por motivos éticos. O governo dos Estados Unidos já chegou a considerar que o CRISPR, uma ferramenta de edição genética comumente usada, pode ser considerada uma arma de destruição em massa. Além disso, há o medo de que esses experimentos possam abrir a porta para uma geração de “bebês customizados”. Uma vez que se torna possível editar o código genético dos embriões, torna-se possível também modificar as características físicas e psíquicas das pessoas, tais como aparência física e até mesmo traços de personalidade.


Nota: Embora, à primeira vista, um feito como esse apresente a possibilidade de cura de doenças genéticas e outras anormalidades, há que se considerar também as portas que se abrem para pesquisadores menos éticos e dispostos a “brincar de Deus”. Até que ponto as alterações poderão ser feitas? Quem vai regular isso, de fato? Que consequências isso pode trazer para a vida humana a longo prazo? Como pessoas geneticamente melhoradas poderão tratar as demais ou ser tratadas por elas? Quando leio sobre manipulação genética de embriões humanos me vem à mente o que Ellen White escreveu no século 19 como sendo um dos piores pecados que motivaram a destruição do mundo pelo dilúvio. Quer saber mais sobre isso? Leia este texto. [MB]