domingo, setembro 24, 2017

O “fim do mundo” passou e ainda estamos aqui

Depois de todo o estardalhaço feito nas redes sociais apontando o dia 23 (ontem) como a nova data do fim do mundo, mais uma vez nada aconteceu. A teoria apocalíptica foi formulada pelo numerólogo David Meade, autor do livro Planeta X, que prevê a colisão de um enorme planeta misterioso com a Terra e a consequente destruição da humanidade. O criador dessa tese já havia tentado divulgar a mesma coisa em 2012, mas acabou desmentido por um cientista da Nasa, que, na época, chamou de “ridículas” as declarações sobre “um planeta que está, ao mesmo tempo, próximo e invisível”. Segundo o pesquisador, se o planeta existisse e estivesse realmente a uma distância ameaçadora, seria impossível que nenhum astrônomo tivesse notado sua presença.

sexta-feira, setembro 22, 2017

Esperança, alegria e fé em um mundo marcado por tragédias

“E eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.” Mateus 28:20

A tragédia é a marca da condição humana. C’est la vie (é a vida) diriam os trágicos à moda grega, para os quais a existência é vista como sofrimento e castigo, um drama tecido por algo maior: o cego e impessoal Destino. Ésquilo, Sófocles e Eurípedes – três grandes representantes da antiga tragédia grega – deixaram obras em que angústia, punição, conflito, vingança, desagregação e morte são as forças elementares da vida dos homens e mesmo dos deuses. Prometeu Acorrentado, Édipo Rei, Medeia, As Eumênides, Antígona são alguns exemplos literários da condição trágica que permeou, desde a antiguidade até nossa época, o pensamento de poetas, escritores e filósofos.

Sobre tragédias, o “caso Nietzsche” é interessante e problemático. O filósofo do amor fati sabendo que um tremor de terra destruíra algumas casas em Nice, não reprimiu sua “alegria”. Segundo Luc Ferry – autor de Aprender a Viver: Filosofia para os novos tempos –, diante dessa catástrofe pontual, o contentamento de Nietzsche veio acompanhado de estranha e desapiedada frustração: “Infelizmente, o desastre é menor do que o previsto. Felizmente, algum tempo depois, ele se recupera ao saber que um cataclismo arrasou a ilha de Java: ‘Duzentos mil seres aniquilados de uma só vez [diz ele ao amigo Lanzky] é magnífico! [sic!]... A destruição radical de Nice e dos nicenses é que seria necessária...’” Espantosa para nós é a reação nietzscheana perante a tragédia: reação desprovida de compaixão, moral, ética, valores, transcendência ou qualquer olhar escatológico que contemple uma solução cósmica e extramundana por meio da intervenção do Outro. De fato, nada poderíamos esperar do filósofo do martelo a não ser a “rendição heroica” ao destino fatalista, revestida de sinistra euforia.

Como expressou certo pensador, “o homem nietzscheano se compraz em cada realidade. Ele a vive vigorosa e alegremente, mesmo sob as dores mais atrozes. Mais heroico que o resignado Sísifo, o Super-homem rola a sua pedra... assobiando. O herói trágico proposto por Nietzsche é o homem dionisíaco que afirma a vida inesgotável com inalterável alegria, indo nessa afirmação até o sacrifício e aniquilamento. Mostrando-se, assim, superior ao seu destino, ele se tem por vencedor. [...] Em suma, se, para Nietzsche, o absurdo é congênito à vida, a atitude humana mais elevada só pode ser esta: assumir a tragédia da vida lucidamente (encarando-a), heroicamente (com os punhos cerrados) e ludicamente (assobiando). Esta seria, para ele, a suprema lição dos gregos, como afirma já em sua primeira obra O Nascimento da Tragédia: a vida termina em tragédia, mas o herói a enfrenta altivamente através de sua ‘vontade de potência’”.

No entanto, “sem uma escatologia transterrena, a vida seria uma procissão de ‘mortos enterrando outros mortos’ (Mt 8:22), ou seja, o mundo não passaria de um grande cemitério em que alguns são mortos-mortos e outros mortos-vivos. Visão macabra! Mas não vai nessa direção o imanentismo moderno? A resposta que lhe dão seus grandes representantes é a do herói trágico: enfrentar a aniquilação da morte ‘de viseira levantada’. Que é isso, senão pose de valentão impotente? [...] Antes, graças à esperança eterna, a vida, com todas as suas vicissitudes, fica iluminada como por uma luz de aurora. Para o homo religiosus, esta vida não é a ‘vida’, mas apenas a ‘via’ para a vida. ‘Ninguém mora na via, mas anda’”.

As tragédias persistem de século em século, configurando o mundo e a nossa forma de enxergá-lo. Diante do trágico, porém, a grandeza do homem consistiria, conforme Albert Camus, “na sua decisão de ser mais forte que a condição humana”. Pergunta-se: Somos capazes de tal fortaleza e resistência sem uma compreensão revelada acerca do que a teologia convencionou chamar de “o grande conflito” – metanarrativa na qual o bem triunfará definitivamente sobre o mal e sobre todas as formas de sofrimento? Em contraponto e antítese ao amor fati, como deve reagir e viver o cristão (que não adere ao “otimismo trágico” no sentido filosófico dessa expressão) quando se defronta com as tragédias de um mundo que soluça e chora incessantemente? A resposta é direta: com olhar profético, alegria e esperança, centrando a atenção nAquele que vem – o Filho do Homem, o Filho de Deus. Tal postura não é fácil e só pode ser adotada pelo homem de fé.

Para o homem de fé e espírito escatológico orientado pela Bíblia, o que são as tragédias globais a ocorrerem atualmente? Elas são signos ou sinais do desespero das forças do mal, mostrando que a Terra clama por uma intervenção. Quando Jesus proferiu o sermão profético no Monte das Oliveiras, procurou prender a atenção de Seus discípulos ao “sinal do Filho do Homem” (Mateus 24:30) – uma marca positiva, contrária aos sinais malignos que preencheriam o espaço histórico entre a ascensão de Cristo e Seu retorno glorioso ao planeta. Os eventos catastróficos, o desequilíbrio na natureza, os enganos religiosos, os rumores de guerra e o caos social descritos no capítulo 24 do livro de Mateus são avisos do Mestre de que viria uma insistente pregação satânica ao mundo, tentando-nos a descrer do amor de Deus e a desistir da fé e da esperança escatológica. Todavia, nesse turbilhão de forças destrutivas, Jesus não enfatiza os horrores do mundo, mas a solução divina mediante o “evangelho do reino”, o qual inclui alegria paradoxal no presente e redenção completa no porvir: “Filhos Meus de todas as épocas, não se concentrem nos sinais, mas no sinal. Vocês testemunharão muitas guerras, serão perseguidos. Verão grandes e inúmeros terremotos, as doenças proliferarão e falsos conceitos de Deus irão surgir. Tudo isso se intensificará no lapso histórico que precede o Meu retorno ao mundo. Porém, estou com vocês neste tempo confuso de angústia. Fiz a promessa de que virei outra vez; portanto, levantem a cabeça! Aprontem-se e aguardem-Me com esperançosa e ativa expectativa. No contexto das tragédias, sejam o sal e a luz deste mundo sofredor.”

Sim, vem a hora em que o evangelho eterno – a boa notícia – se espalhará pelo mundo num alto clamor, soando acima do “sermão de Satanás” e declarando que o fim é chegado: o fim do mal e do pecado. Compreendida assim, a teologia do grande conflito nos enche de fé e confiança, descortinando os bastidores da luta titânica entre poderes grandiosos e antagônicos e revelando os esforços sacrificais de Cristo para trazer redenção e paz eterna, pois “de nada nos valeria ter nascido se não fosse para sermos redimidos”. Em vista disso, os cristãos que tomam a segura palavra profética na mente e no coração, levando-a a sério e vivendo de acordo com seus ensinamentos, não são heróis trágicos no meio de uma batalha existencial. Verdadeiramente, compreendem a origem dessa guerra milenar e sofrem no transcurso dela, aguardando o seu desfecho – o Armagedom. Compreendem que “tudo no mundo está em agitação. [...] Os acontecimentos por vir projetam sua sombra diante de si. O Espírito de Deus está sendo retirado da Terra, e calamidade segue-se a calamidade em terra e mar. Há tempestades, terremotos, incêndios, inundações, homicídios de toda espécie. Quem pode ler o futuro? Onde está a segurança? Não há certeza em coisa alguma humana ou terrena”.

Em conversa por e-mail com uma amiga sofredora, expressei-me assim: “Amiga, o sofrimento requer um livramento, uma solução, um milagre: esse é o nosso desejo. Frustramo-nos, porém, porque, como regra, o aqui e agora comportam-se como carrascos de nossa condição existencial. Em face de tal realidade, nosso consolo, na maioria das vezes, restringe-se a compartilhar o eu sofredor, dando-lhe expressão à escuta de alguém sensível. Defronta-nos o medo que, tal qual a Hidra de Lerna mitológica, corta-se uma cabeça apenas para vê-la renascer em nova ameaça. A força humana sozinha nada pode, efetivamente, contra esse monstro gigantesco. Se é dessa maneira, deveríamos parar de lutar? Não! Entretanto, precisamos de ajuda. Nesse sentido, bem apropriados aos sofredores de uma dimensão finita são o exemplo e a súplica de Jesus: ‘Meu Pai, se possível, afasta de Mim este cálice; contudo, não seja como Eu quero, mas sim como Tu queres.’ Difícil orar como Jesus orou? Claro! Todavia, não há escapatória para o cristão. Necessitamos de coragem sobrenatural para aceitar a cruz, mas também de perspectiva e confiança sobrenaturais para acreditar na ressurreição logo à frente. Embora em nosso Getsêmani só vislumbremos trevas e becos sem saída, sendo massacrados pela opressão do inimigo, somos encorajados a atravessar o caminho escuro, sustentando-nos em nosso Pai, muitas vezes oculto e misterioso para a mentalidade e visão de seres humanos fragmentados por tragédias.”

No plano individual, o cristão convive com a escuridão da cruz. Porém, na noite de sua vida, ele espera o amanhecer anunciado pela promessa de uma feliz e plena existência imortal, ainda que não descarte aqui a mudança para uma “boa sorte” concedida pelos favores da Providência. O mundo é agridoce. O forte e azedo sabor das tragédias pode ser suavizado pelo melífluo amor de Deus, que tudo transforma, redime e modifica. Certamente, as tragédias farão parte de nossa contingência até a consumação dos séculos. Contudo, por mais tenazes que sejam, o fim delas já foi profeticamente determinado. Por isso, o “otimismo cristão” enxerga além dos fatos e dos acontecimentos tristes reinantes sobre a cabeça de todos nós. Em visão antecipada, ele contempla o dia quando todas as dores do mundo se dissiparão ante Aquele que pisou o solo deste mundo sofredor, experimentando em Si mesmo uma tragédia infinita.

O presente é sombrio e trágico, mas o futuro será, definitivamente, luminoso e feliz. “Está consumado!” “Está feito!”

(Frank de Souza Mangabeira, membro da Igreja Adventista do Bairro Siqueira Campos, Aracaju, SE; servidor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Sergipe) 

quinta-feira, setembro 21, 2017

Procura-se um “ancestral comum”

Quando você está na escola, nos primeiros anos acadêmicos, desenvolve a atividade de construir sua árvore genealógica. Essa é uma atividade que requer tempo e dedicação, e o que parece simples torna-se desafiador conforme vamos subindo cada vez mais alto os galhos da família. Descobrir quais são os nomes dos antepassados mais antigos acaba se tornando tarefa impossível. Certamente, conhecer a história de nossos antecessores nos ajuda a ter mais senso de identidade, assim como a honrar a história de nossa geração.

Em 1859, Charles Darwin lançou sua obra polêmica A Origem das Espécies por Seleção Natural, na qual concluiu, após vinte anos de observações, que todos os seres vivos existentes no planeta se intrincavam num único tronco de existência. Segundo o cientista britânico, todas as formas de vida (inclusive humanos) descenderiam de um único ancestral em comum (batizado posteriormente como LUCA – do inglês last common universal ancestor [1]). Em seu livro, Darwin se propôs a descrever toda a genealogia da vida, e até mesmo desenhou uma árvore que se tornaria um ícone para a ciência.
           
Atualmente, cientistas evolucionistas têm se empenhado para desenhar a árvore genealógica da vida e responder, finalmente, à pergunta que atormenta todo ser humano: “Qual é a nossa origem, afinal de contas?” Como todo (e qualquer) conhecimento na área da Evolução acaba por terminar em um método hipotético-dedutivo,[2] não seria diferente no que diz respeito à evolução humana. Darwin não afirmou no Origem que seres humanos e símios tinham um ancestral em comum; isso ele fez em 1871, quando se sentiu mais preparado para afirmar, sem reservas, que o homem era originário de ancestrais simiescos. Mas quem deu um primeiro impulso para sua conclusão foi Thomas Huxley, em 1860.[3] O grande x da questão é que, desde os anos de Darwin e Huxley até os nossos dias, ainda assim a inexistência de espécies intermediárias ou de transição no registro fóssil é uma carta na manga para os defensores do criacionismo e do design inteligente (e os fósseis não mentem).
           
O que parece é que alguns cientistas se tornaram reféns da atividade da infância e buscam, insanamente, encontrar um fóssil qualquer a quem possam chamar de “parente comum” entre homem e macaco e preencher os espaços vazios da árvore evolutiva. Entretanto, as descobertas feitas por paleantropólogos do passado até os dias de hoje não mostraram um único fóssil capaz de confirmar nosso suposto passado primata (mas isso, de modo algum, é convincente o suficiente para negar tal ideia, não é mesmo?). Basta olharmos para as inferências equivocadas realizadas[4] que identificamos um desespero muito grande por parte dos evolucionistas para dar um fim à questão do “elo perdido” entre seres humanos e primatas.
           
O século 20 foi marcado como o século das descobertas paleontológicas em diferentes regiões do globo terrestre. Foram encontradas várias espécies fossilizadas, como plantas, animais vertebrados e a própria espécie humana, o que intensificou a expectativa de se encontrar o “ancestral comum” proposto no século anterior. Em 1925, Raymond Dart encontrou um crânio infantil da espécie Australopithecus africanus no sul da África e concluiu que aquela provavelmente fosse uma espécie intermediária entre símios e humanos.[5] Reinou durante muito tempo a teoria de que a raça humana se originou nessa região do planeta cerca de 2 ou 3 milhões de anos atrás. Mas décadas de estudo provaram que o fóssil possuía grandes diferenças com humanos e que podia muito bem pertencer a um gorila extinto.[6]
           
O A. africanus ficou para trás após a descoberta em 1974 de uma parte da tíbia e um pedaço do fêmur da Lucy (Australopithecus afarensis) por Donald Johanson e Tom Gray, em Hadar, na região de Afar, na Etiópia, tornando-se um marco para a paleantropologia.[7] A junção dessas duas peças mais um cálculo do ângulo da junção da articulação do joelho fizeram a dupla concluir que se tratava de uma espécie de andar bípede e que tivera sido um hominídeo há 3,2 milhões de anos.[8] Os evolucionistas comemoraram a descoberta e deduziram que enfim tinham a solução final para um antigo problema. Todavia, comemoraram antes da hora, porque um estudo da fisiologia de Lucy[9] demonstrou que ela provavelmente tenha sido simplesmente um macaco extinto, mais próximo a chimpanzés e gorilas, pertencente ao grupo Pongidae e não Hominidae. E muito menos andar ereta Lucy sabia... Outra análise da anatomia completa do fóssil anulou a bipedalidade nessa espécie.[10]
           
O próximo da lista foi o Darwinius masillae, encontrado em 1983 numa pedreira desativada na Alemanha. Jens L. Franzen e sua equipe[11] estudaram a morfologia do animal e concluíram, em 2009, que a espécie poderia ser o elo perdido entre prossímios e símios. O fóssil foi então exposto no Museu de História de Nova York com o título de “a oitava maravilha do mundo”, e ficou como protagonista por pouco tempo, pois um estudo mais apurado realizado pela Nature descartou a possibilidade de ele ser um ancestral desses grupos, descrevendo-o como mais próximo dos lêmures atuais que dos macacos, dos grandes primatas ou de nós.[12] Interessantemente, sua exclusão não recebeu tanto alarde quanto seu anúncio equivocado. O Ida, como foi carinhosamente apelidado pela equipe de Franzen, deveria ter características evolutivas antropoides depois que o grupo se separou dos lêmures e demais macacos menores, mas falhou miseravelmente nessa questão.
           
Até o século 21, a separação da espécie humana não ultrapassava mais que 3 milhões de anos hipotéticos. Mas logo em 2001 isso mudou bruscamente com o achado de um crânio com idade estimada em 7 milhões de anos, que pertencia ao Sahelanthropus tchadensis, denominado de Toumai.[13] O mais curioso é que a idade estimada da camada fossilífera não corresponde ao relógio molecular, o que aconteceu na maioria das vezes em que os fósseis foram estimados como tendo idades muito longas.[14, 15, 16]
           
Até o final do século 20 cria-se que os Australopithecus de aproximadamente 3 milhões de anos atrás, particularmente a Lucy, fossem os antepassados imediatos do clado Hominidae, unindo assim homem e macaco. Mas a descoberta dos Ardipithecus ramidus, S. tchadensis e Ardipithecus kadabba, todos datados do Plioceno médio, anulou essa ideia, revolucionando as perspectivas da evolução do homem e do desemaranhamento das espécies hoje vistas.[17] Por exemplo, o A. ramidus foi diagnosticado como tendo uma relação filogenética com o Australopithecus e o gênero Homo com base em poucas amostras de dentes caninos e um pequeno pedaço do crânio.[18] Esses recentes fósseis desconfiguraram toda a árvore genealógica dos hominídeos e empurraram a suposta separação de homens e macacos para mais de 5 milhões de anos,[19] além de levantar mais centenas de dúvidas acerca da paleobiologia dos primeiros seres humanos na Terra, dentre as quais a questão do reconhecimento de espécies por dedução com base em amostras de pequeno tamanho e a falta de uma demonstração clara da diversidade ecológica do período proposto.[19] A despeito disso, ainda assim é possível chegar a conclusões precipitadas, como fez Tim D. White (que parece estar com a síndrome de Lucy): “Nem chimpanzé nem humano, Ardipithecus revela a ascendência surpreendente de ambos.”[17, tradução do autor]
           
A descoberta do A. ramidus provocou uma convergência no pensamento do século 21 logo nos primeiros anos, exigindo uma revisão radical de como os primeiros antepassados prepararam o cenário para nossa chegada posterior.[20, 21] O número de espécies antropoides coexistindo num único período fez com que antropólogos como Haile-Sessalie chegassem à conclusão de que estão vivendo em uma época de “escuridão de informações” em relação à origem humana.[19] “Embora não haja dúvida de que essas novas descobertas fósseis abriram novas janelas em nosso passado evolutivo, elas também complicaram nossa compreensão da taxonomia hominiana precoce e das relações filogenéticas”, escreveu ele no artigo.[19, tradução do autor]
           
As fendas na teoria evolutiva da humanidade só aumentam a cada ano, como a recente descoberta de um fóssil de Homo sapiens no Marrocos[22] que, além de acrescentar cem mil anos à nossa suposta origem (antes tínhamos apenas 200 mil anos, agora temos 300 mil![sic]), também descartou a ideia (que perdurava havia tempos) de que o berço da raça humana fosse na região leste do continente africano. Essa revelação sacudiu a comunidade científica de modo geral, pois está ficando cada vez mais complicado encaixar as peças desse quebra-cabeça.
           
Fica claro que estamos longe de ter uma resposta evolutiva sobre nossas origens, porque até a bola da vez, o Ardipithecus, não tinha um andar bipedal antes de ser extinto e muito menos era um humano – havia mais semelhanças em seus fósseis com macacos do que com o ser humano, e a única semelhança estaria nos ossos dos dedos da mão,[23] o que levou os evolucionistas mais uma vez a forçar a barra em relação a uma nova descoberta fóssil. Como numa crise da infância, os defensores da evolução não têm conseguido passar para os galhos mais altos (nesse caso, mais baixos) da nossa ancestralidade e muito menos nos aproximar dos macacos. Nem estimar nossa idade estão conseguindo,[22] que dirá dizer quem é o nosso “tataravô primata”.
           
Concluindo, a tentativa desesperada de encontrar a resolução para as dúvidas da origem humana tem levado cientistas a resultados equivocados e conclusões precipitadas. Evolutivamente estamos muito longe de obter uma resposta plausível e um parentesco convincente com os símios. A árvore da vida parece existir somente na Bíblia mesmo.

(W. Augusto Gomes é estudante de Biologia em Curitiba, PR)

Referências:
[1] Para mais informações sobre o LUCA, leia o seguinte artigo: Weiss, M. C. et al (2016). The physiology and habitat of the last universal common ancestor. Nature Microbiology, 1, 16116.
[2] Mayr, E. (1998). O Desenvolvimento do Pensamento Biológico. Brasília: Ed. UnB. 349-352 pp.
[3] Mayr, E. (1998). O Desenvolvimento do Pensamento Biológico. Brasília: Ed. UnB. p. 490.
[4] Vide Lopes, R. J. Folha de São Paulo Blog [Internet]. São Paulo: Reinaldo José Lopes. 2015 set. [citado em 19 set. 2017]. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2015/09/1676679-no-afa-cientistas-tem-classificado-fosseis-de-simios-como-hominideos.shtml
[5] Dart, R. A., & Salmons, A. (1925). Australopithecus africanus: the man-ape of South Africa. A Century of Nature: Twenty-One Discoveries That Changed Science and the World, edited by Laura Garwin and Tim Lincoln, 10-20.
[6] Kuhn, B. F. et al (2016). Renewed investigations at Taung; 90 years after the discovery of Australopithecus africanus. Disponível em: http://wiredspace.wits.ac.za/bitstream/handle/10539/21251/2016.V51.KUHN_ET_AL_Taung.pdf?sequence=3&isAllowed=y
[7] Johanson, D. C. et al (1978). A new species of the genus Australopithecus (Primates: Hominidae) from the Pliocene of eastern Africa. Cleveland Museum of Natural History.
[8] Johanson, D., & Edey, M. A. (1990). Lucy: The beginnings of humankind. Simon and Schuster.
[9] Stern Jr, J. T., & Susman, R. L. (1983). The locomotor anatomy of Australopithecus afarensis. American Journal of Physical Anthropology, 60(3), 279-317.
[10] Spoor, F., Wood, B., & Zonneveld, F. (1994). Implications of early hominid labyrinthine morphology for evolution of human bipedal locomotion. Nature, 369(6482), 645-648.
[11] Franzen, J. L. et al (2009). Complete primate skeleton from the middle Eocene of Messel in Germany: morphology and paleobiology. PloS one, 4(5), e5723.
[12] Seiffert, E. R. et al (2009). Convergent evolution of anthropoid-like adaptations in Eocene adapiform primates. Nature, 461(7267), 1118.
[13] Brunet, M. et al (2002). A new hominid from the Upper Miocene of Chad, Central Africa. Nature, 418(6894), 145.
[14] Ksepka, D. T. et al (2014). Flying rocks and flying clocks: disparity in fossil and molecular dates for birds. Proceedings of the Royal Society of London B: Biological Sciences, 281(1788), 20140677.
[15] Lee, M. S. (1999). Molecular clock calibrations and metazoan divergence dates. Journal of Molecular Evolution, 49(3), 385-391.
[16] Sanders, K. L., & Lee, M. S. (2007). Evaluating molecular clock calibrations using Bayesian analyses with soft and hard bounds. Biology letters, 3(3), 275-279.
[17] White, T. D. et al (2015). Neither chimpanzee nor human, Ardipithecus reveals the surprising ancestry of both. Proceedings of the National Academy of Sciences, 112(16), 4877-4884.
[18] Kimbel, W. H. et al (2014). Ardipithecus ramidus and the evolution of the human cranial base. Proceedings of the National Academy of Sciences, 111(3), 948-953.
[19] Haile-Selassie, Y. et al (2016). The Pliocene hominin diversity conundrum: Do more fossils mean less clarity?. Proceedings of the National Academy of Sciences, 113(23), 6364-6371.
[20] Lovejoy, C. O. (2014). Ardipithecus and Early Human Evolution in Light of Twenty-First-Century Developmental Biology. Journal of Anthropological Research, 70(3), 337-363.
[21] White, T. D. et al (2014). Ignoring Ardipithecus in an origins scenario for bipedality is… lame. Antiquity, 88(341), 919.
[22] Richter, D. et al (2017). The age of the hominin fossils from Jebel Irhoud, Morocco, and the origins of the Middle Stone Age. Nature, 546(7657), 293-296.
[23] Mastropaolo, J. An objective ancestry test for fossil bones. TJ 16(3) 2002: 84-88.

segunda-feira, setembro 18, 2017

Equívocos e conceitos mal compreendidos

Na controvérsia entre evolução e criação, que muitos tendem a pensar, equivocadamente, como sendo uma controvérsia entre ciência e religião, conceitos mal compreendidos costumam confundir e prejudicar os argumentos de ambos os lados desse debate. Em vista disso, tomei algum tempo procurando esclarecer alguns desses conceitos que costumam ser obstáculos para o bom entendimento das questões envolvidas nesse tipo de discussão.

Existem alguns conceitos que parecem mal compreendidos por diferentes pessoas, independentemente do grau de instrução. É o caso do entendimento de “definição” como significando a mesma coisa que “caracterização”. Alguns confundem evolução com melhoria; outros, origem da vida com origem das espécies, ou como fazendo parte da Teoria da Evolução. É comum tomarem-se conclusões oriundas de um estudo ou de consenso acadêmico como sendo ciência, e matemática como sendo uma linguagem, algo que foi inventado pela raça humana. E é bastante generalizada a convicção de que crença no sobrenatural implica em misticismo.

1. Definição vs. caracterização. É importante estabelecer a diferença entre definição e caracterização, pois a confusão entre esses dois termos pode levar a outros equívocos na compreensão de temas importantes. É bastante comum a confusão entre definição e caracterização, mesmo em meios acadêmicos. Um exemplo é o de “definição” de vida. A maioria das definições parte de características de seres vivos encontrados no planeta Terra. O problema de procurar definir vida a partir de características (caracterização), tais como capacidade de se reproduzir, sistema químico autossustentável, etc., é que dessa forma se acaba perdendo a essência das coisas. Definição é definir, definir é delimitar, diferenciar de todo o resto.[1, 2, 3]

Existem pelo menos dois problemas que podem ocorrer quando caracterizações são assumidas como sendo definições. Um deles é o de coisas que não pertencem à definição estarem incluídas na caracterização. Exemplo: cristais se reproduzem e não são seres vivos. O outro é o de coisas que deveriam estar incluídas na definição, mas que, pela caracterização, acabam sendo excluídas. Exemplo: um ser vivo que não fosse feito de um sistema químico como o nosso, que fosse de outro planeta e funcionasse de outra forma. Definições precisam abstrair características e extrair o que delimita a natureza essencial do que está definindo. Não existe um meio mais preciso de se definir coisas do que se utilizar de definições matemáticas, pois isso permite que se tenha consciência clara do que pode ou não pode estar incluído na definição. E possibilita a exploração de conexões lógicas e consequências não triviais que frequentemente ultrapassam os domínios das abordagens qualitativas.

2. Evolução significa melhoria? Um argumento muito frequente entre criacionistas, principalmente, é o de que a teoria de Darwin, de evolução das espécies, refere-se a um progresso que envolve melhoria dos seres vivos e de que o que constatamos, na prática, é uma degradação dos seres vivos no nosso planeta.

De forma geral, partindo-se das definições, nem “progresso” nem “evolução” significam necessariamente melhoria. Progresso pode simplesmente significar um avanço em direção a um objetivo. Evolução seria um processo de mudança ao longo do tempo.[4, 5]

Não é precisa a ideia de que a Teoria da Evolução de Darwin, ou a Síntese Evolutiva Moderna (Neodarwinismo), prediz uma gradual melhoria das espécies. Ela apenas prevê mudanças graduais ao longo do tempo. Se essas mudanças permitem ao organismo estar mais adaptado ao seu ambiente, ou são neutras, serão mantidas pelo mecanismo de seleção natural. Isso significa que essa melhor adaptação ou neutralidade pode mudar com o tempo quando o ambiente se modificar.

3. Origem das espécies e origem da vida. Darwin escreveu sobre a origem das espécies, ou seja, como os diferentes organismos teriam surgido a partir de modificações lentas e graduais em organismos primitivos que teriam se originado a partir de um único ancestral comum. Ele não chegou a escrever sobre a origem da vida, embora tenha mencionado alguma coisa a respeito em correspondência pessoal.
Os estudos sobre origem da vida dizem respeito ao que teria ocorrido antes do surgimento do ancestral comum. Que tipos de processos químicos, físicos e geológicos teriam dado origem às moléculas orgânicas que compõem os atuais seres vivos.

4. Matemática é uma linguagem? Uma linguagem é um conjunto de símbolos munido de regras sintáticas que permitem combinar símbolos básicos para representar significados complexos. A matemática, por sua vez, vai muito além disso. Um dos fatos que deixa isso muito claro é que se podem usar inúmeras linguagens para representar as mesmas estruturas matemáticas. Um exemplo disso é a aritmética com os números e suas operações sendo representados por linguagens diferentes em diferentes culturas. Além disso, linguagem é apenas um dos assuntos tratados pela matemática.

Linguagens foram desenvolvidas ou concebidas por seres humanos, mas se o mesmo fosse verdade com relação à matemática, então ela seria algo mágico, já que suas estruturas podem prever coisas que acabam sendo encontradas na realidade física. Como foi o caso da descoberta de novas geometrias pelo matemático Bernhard Riemann, na década de 1850, que vieram a ser justamente as ferramentas apropriadas para Einstein na Teoria da Relatividade Geral, em 1915. E o caso do espaço de Hilbert que implicava em fenômenos surpreendentes do mundo quântico que foram confirmados experimentalmente (antimatéria, emaranhado quântico, “princípio” da exclusão de Pauli, princípio da incerteza, tunelamento quântico, etc.). Para citar apenas dois exemplos dentre muitos.

A matemática fornece métodos específicos o suficiente para prever em detalhes fenômenos previamente desconhecidos, como os exemplos citados anteriormente. Por outro lado, esses mesmos métodos nos falam de coisas além do universo. Se esses métodos falam de coisas além do universo, eles são mais gerais do que a física deste universo.

5. Ciência. Já escrevi anteriormente sobre como ocorreu a descoberta da ciência, portanto, aqui pretendo resumir alguns dos pontos já tratados.

Vimos que pioneiros da ciência como Galileu, Da Vinci e Newton, por exemplo, acreditavam que o que define ciência são métodos matemáticos. E a própria Enciclopédia Britânica reconhece que o que alavancou todas as áreas de conhecimento foi a descoberta do Cálculo por Newton.[6]

O protocolo comumente chamado de método científico (observação, formulação de uma hipótese, experimentação, interpretação dos resultados e conclusão) não foi o que ocasionou a Revolução Científica nos séculos 17 e 18, pois, de forma ainda incipiente, esse método já era utilizado por Aristóteles.

Então, embora pessoas possam empregar a palavra “ciência” para se referir ao protocolo citado acima ou a áreas do conhecimento (física, química, biologia, etc.), conclusões de cientistas, estudos sendo realizados, entre outras coisas, foram as ferramentas matemáticas utilizadas por diferentes pesquisadores que fizeram a diferença em termos da explosão de conhecimento. Em termos de definição mais útil, a de que ciência é um conjunto infinito de métodos matemáticos que podem ser utilizados para estudar qualquer assunto é a que melhor resume o que faz a diferença.

6. Crença no sobrenatural vs. misticismo. A palavra “misticismo” vem da palavra grega μυω, com o sentido de “manter em segredo ou encobrir”. E a palavra μυστικός (místico) significa segredo.[6, 7] No mundo helenístico ela se referia a rituais religiosos secretos. A experiência mística teria a ver com “intuição” ou “insight”, uma crença sem uma base sólida.[8] A crença no sobrenatural é incluída, por muitos, entre as coisas místicas. No entanto, a palavra sobrenatural significa apenas “além da natureza” ou “não sujeito a explicação de acordo com as leis naturais”.[9]

Quero ressaltar que existem coisas que estão além da natureza e que não se encaixam na não explicação de acordo com as leis naturais. Esse é exatamente o caso da matemática, por exemplo, que é mais geral do que a física deste universo (além da natureza), mas que é indicada pelas leis naturais. Neste caso, a matemática seria sobrenatural, mas não mística.

A existência do sobrenatural apenas aponta para uma realidade além do nosso universo conhecido. Por essa razão, comparar a crença em Deus com a crença em Papai Noel ou Coelhinho da Páscoa não é adequado. Assim como a pergunta: Se Deus criou tudo, quem criou Deus? Porque esse tipo de pergunta, relacionada a causas e efeitos, pressupõe uma estrutura de tempo e espaço que pertence ao domínio da física. Contudo, tempo, espaço e a nossa física surgiram, fora deles não se pode falar em causas e efeitos. Na realidade de Deus, nossa física é inadequada, mas não a matemática. É por isso que foi possível ao matemático Kurt Gödel provar seu teorema ontológico sobre a necessidade da existência de Deus. Outros matemáticos, mais recentemente, encontraram formas alternativas de confirmar esse teorema.[11,12]

Quando falamos em coisas místicas estamos nos referindo a coisas que não podem ser provadas como falsas nem verdadeiras; coisas que escapam à lógica. Com relação a Deus ocorre justamente o contrário: é a lógica (matemática) que nos mostra que Ele existe.

Por outro lado, a crença na não existência do sobrenatural leva ao misticismo ao tentarmos entender certos fatos. Por exemplo, se a Matemática não é algo transcendental, se é apenas uma construção do pensamento humano, então a constatação de que a Matemática permite prever fenômenos desconhecidos em seus detalhes finos induz à conclusão de que a mente humana tem poderes mágicos que permitem um incrível grau de acerto em adivinhações a respeito da existência de fenômenos desconhecidos e seus detalhes quantitativos finos, o que reflete um pensamento místico.

7. Conclusões. Equívocos ou má compreensão de conceitos pode complicar as discussões sobre temas relacionados à controvérsia Criacionismo x Evolucionismo.

O principal problema de se confundir caracterização com definição é o de excluirem-se coisas que deveriam estar incluídas na definição e incluirem-se coisas que deveriam estar excluídas. As caracterizações não costumam distinguir precisamente o que está sendo caracterizado de outras coisas que possuam características em comum nem prever outras coisas que partilham da mesma essência, mas não de todas as características.

O termo “evolução”, em seu uso corriqueiro, tem o sentido de melhoria, contudo, em relação à evolução das espécies, significa, resumidamente, modificações e maior ou menor adaptação ao ambiente. A expressão “origem das espécies” refere-se a esse tipo de evolução, enquanto origem da vida tem a ver com o surgimento das primeiras moléculas orgânicas que são básicas para a vida.

Matemática não pode ser considerada uma linguagem porque ela pode ser expressa por muitas linguagens diferentes com os mesmos significados. Ela é também muito mais geral do que a física (natureza) e, portanto, sobrenatural, mas não mística.

Rotineiramente pessoas usam a palavra “ciência” para se referir a muitas coisas diferentes, mas de todos esses usos o mais útil é o que implica na definição de que ciência é um conjunto infinito de métodos matemáticos que podem ser utilizados para estudar qualquer assunto. E isso porque esse tipo de definição posto em prática por pioneiros da ciência possibilitou o grande boom da Revolução Científica.

Embora seja comum acreditar-se que crença no sobrenatural e misticismo andem juntos, eles, na verdade, podem significar coisas opostas, com misticismo sendo ilógico, ao passo que algo sobrenatural como a matemática (e Deus) são essencialmente lógicos.

(Graça Lütz é bióloga e bioquímica)

Referências:
1. Diário Oficial. Definição. http://www.dicionarioinformal.com.br/defini%C3%A7%C3%A3o/; acessado em 11/09/2017
2. Dicionário Online de Português. Definir. https://www.dicio.com.br/definir/; acessado em 11/09/2017.
3. Merriam-Webster Dictionary. Definition. https://www.merriam-webster.com/dictionary/definition; acessado em 11/09/2017
4. The Free Dictionary. Progress. http://www.thefreedictionary.com/in+progress; acessado em 11/9/2017.
5. Collins Dictionary. Evolution. https://www.collinsdictionary.com/us/dictionary/english/evolution; acessado em 11/09/2017.
6. Williams, L. Pearce. History of Science. https://global.britannica.com/science/history-of-science; acessado em 18/10/2016.
7. Stanford Encyclopedia of Philosophy. Mysticism. https://plato.stanford.edu/entries/mysticism/; acessado em 11/09/2017.
8. Dicionário Grego Português online. Μυστικός. http://www.etranslator.ro/pt/dicionario-grego-portugues-online.php; acessado em 11/9/2017.
9. Merriam-Webster Dictionary. Mysticism. https://www.merriam-webster.com/dictionary/mysticism; acessado em 11/9/2017.
10. Vocabulary.com. Supernatural. https://www.vocabulary.com/dictionary/supernatural; acessado em 11/9/2017.
11. Benzmuller, C., Paleo, B.W. Automating Godel’s Ontological Proof of God’s Existence with Higher-order Automated Theorem Provers. http://page.mi.fu-berlin.de/cbenzmueller/papers/C40.pdf
12. Benzmuller, C., Weber, L., Paleo, B.W. Computer-Assisted Analysis of the Anderson-H’ajek Ontological Controversy. http://page.mi.fu-berlin.de/cbenzmueller/papers/J32.pdf

Núcleo de estudos criacionista será inaugurado em Blumenau, SC

Nos dias 6 e 7 de outubro será realizada na cidade de Blumenau, SC, a I Jornada Criacionista do Núcleo Blumenauense da Sociedade Criacionista Brasileira (NBLU-SCB). O evento tem o objetivo de fundar o terceiro núcleo de estudos da SCB e, assim, iniciar suas atividades de divulgação do criacionismo no estado de Santa Catarina. O criacionismo é uma interpretação alternativa da natureza a partir da cosmovisão bíblica nas discussões acadêmicas sobre a origem da vida. Serão dois dias de muita informação abertos a toda a comunidade, com palestras de cientistas e pesquisadores do Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira (Numar-SCB).

PALESTRAS
6/10 (19h30) – O Criador e o Método Científico
Com o Dr. Agrinaldo Jacinto do Nascimento Júnior, químico, professor do Instituto Federal do Paraná (IFPR) e diretor-presidente do Numar-SCB.
7/10 (9h30) – Um panorama sobre as atividades criacionistas no Brasil
Com o MSc. Everton Fernando Alves, cofundador e editor associado da Origem em Revista e diretor executivo do NBLU-SCB.
7/10 (10h30) – Evidências bíblicas do Dilúvio
Com o MSc. Everton Fernando Alves, mestre em Ciências e pós-graduando em Biotecnologia (Biologia Molecular, UEM) e rditor-chefe da Origem em Revista.
7/10 (16h) – Mitos sobre a evolução dos dinossauros
Com o MSc. Everton Fernando Alves.

MAIS SOBRE O EVENTO
O Simpósio está sendo organizado pelo Núcleo Blumenauense da Sociedade Criacionista Brasileira (NBLU-SCB) e conta com o apoio da Sociedade Criacionista Brasileira, com sede em Brasília, DF, e do Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira (Numar-SCB). O evento contará com certificação emitida pelo NBLU-SCB.

De acordo com o MSc. Emerson Lubitz, professor do Departamento de Engenharia Civil da FURB e diretor-presidente do NBLU-SCB, “a I Jornada Criacionista de Blumenau é o evento inaugural do recém-formado Núcleo Blumenauense da Sociedade Criacionista Brasileira (NBLU-SCB), criado por um grupo de entusiastas desse tema tão controverso quanto fascinante. Pretende-se, a partir desse começo, unir esforços a outros núcleos formados e em formação na obra de apontar a narrativa bíblica como fundamento real e preciso da origem da vida, enfatizando a atuação de um Ser de infinitas magnificência, sabedoria e excelência, que conhecemos simplesmente por Deus. A Ele daremos honra através de cada ação, cada palavra, cada esforço, enfim, nesta jornada que ora se inicia”.

INSCRIÇÕES:
As inscrições serão gratuitas (com certificação) e deverão ser feitas online através do seguinte link: https://goo.gl/GiJw6v
DATA: 6 e 7 de outubro
LOCAL: Espaço Vida & Saúde. Rua Gustavo Salinger, 500 – Bairro Itoupava Seca, Blumenau, SC.
Mais informações sobre o evento:
Alexandre Kretzschmar
47 99149-0208
alexandre.kretzschmar@gmail.com
Diretor executivo do NBLU-SCB

domingo, setembro 17, 2017

Parabéns, terraplanistas brasileiros! Vocês conseguiram!

“Globalista, Terraplanista ou neutro?” “Você consegue provar que a Terra é um globo, uma bola?” “Você tem conhecimento de que o Sol e a Lua estão próximos da nossa Terra e ‘dentro’ da nossa atmosfera (ou no firmamento) e são menores, bem menores que a Terra?” É com perguntas como essas que grupos brasileiros de “terraplanistas” – pessoas que acreditam que a Terra é plana – no Facebook avaliam a solicitação de entrada de um novo membro no fórum virtual. Na rede social, há pelo menos 30 grupos do tipo em português. Há também diversas páginas sobre o tema no Facebook – a maior delas, “A Terra é plana”, tem mais de 77 mil membros. Os terraplanistas também estão no YouTube, com vários canais dedicados a mostrar experimentos e discutir o que chamam de “falácias” dos “globalistas” – e versões alternativas para a explicação de fenômenos como fusos horários, estações e eclipses.

No fim de agosto, os movimentos que negam o formato em globo da Terra ficaram em evidência nos Estados Unidos por apontarem supostas “falhas” nas explicações sobre o eclipse solar total que percorreu 113 quilômetros, de costa a costa, no país. Apesar de discordâncias internas nesses grupos, em geral, os terraplanistas acreditam que a Terra é coberta pelo “firmamento”, em formato de domo; Sol e Lua fariam seus percursos dentro desse espaço, e seriam corpos muito menores do que acreditam os “globalistas”; já a Antártida ocuparia as bordas do disco da Terra.

Heliocentrismo (o fato de que o Sol está no centro do Sistema Solar e que os planetas giram em torno dele), a existência do espaço sideral e até mesmo de uma força invisível como a gravidade são questionados – só não “voaríamos” do solo por características dos corpos, como densidade, flutuabilidade e magnetismo. A gestão territorial internacional da Antártida, inclusive, seria uma prova, para os terraplanistas, de uma conspiração que impediria a revelação da “verdade”.

“O Tratado da Antártica é rigorosíssimo. Um turista não pode dormir na Antártica, por exemplo”, disse por telefone, em entrevista à BBC Brasil, o eletrotécnico Bruno Alves, de 37 anos, proprietário do canal no YouTube “Mistérios do Mundo” e presidente do Centro de Pesquisas Terra Plana Brasil. O grupo de pesquisas, criado recentemente, tem se reunido virtualmente, mas planeja um encontro offline em 2018 e expedições para fazer experimentos como os “testes de curvatura” – nos quais são usadas câmeras com alto grau de aproximação para “provar” que o horizonte seria sempre reto, independentemente da altura do observador. Para esse e outros experimentos, há campanhas de crowdfunding que tentam angariar recursos. [...] “Não temos como competir com a Nasa em investimentos, mas estamos fazendo pesquisa do nosso próprio bolso”, diz Alves.

Nos grupos de terraplanistas aos quais a BBC Brasil teve acesso, alguns membros admitiram que estavam nos fóruns por curiosidade ou até para se divertir com as teorias conspiratórias ali fomentadas – mas reconheceram que a maioria dos participantes leva o assunto a sério. [...]

Mundialmente, talvez a maior representação dos terraplanistas seja a Flat Earth Society (Sociedade da Terra Plana), que planeja uma conferência internacional em novembro nos Estados Unidos e denuncia os interesses do “sistema” na afirmação de que a Terra é um globo. Aliás, nos EUA há algumas pessoas famosas que já afirmaram publicamente que a Terra é plana, como os jogadores de basquete Shaquille O’Neal e Kyrie Irving. [...]

Samuel Trovão, pseudônimo usado pelo administrador da página “A Terra é plana”, aponta para uma motivação financeira e ateia por trás do “sistema” – mas cita o nome daquele que talvez seja o maior alvo dos terraplanistas e principal promotor da teoria “globalista”: a Nasa. “A Nasa é uma agência de efeitos especiais. Ela é uma pequena fatia do todo. Se não existe satélite, espaço, alguém ficou com bilhões. A motivação é sempre o dinheiro. Por outro lado, a teoria do globo exclui a ideia de Deus. O Big Bang nunca foi provado pelo método científico: ninguém consegue reproduzi-lo, observá-lo e medi-lo. Então, é uma teoria filosófica, e não científica”, afirmou por telefone Trovão, que conta ter 35 anos e trabalhar também como técnico de informática. [...]

Ao lado da Nasa e de outras agências espaciais, as escolas e a mídia são frequentemente apontadas pelos terraplanistas como perpetuadores da “farsa” sobre o globo. Grandes nomes da ciência como Einstein, Copérnico e Newton chegam a ser chamados de “mentirosos” e terem suas imagens expostas em memes. Enquanto isso, referências ao filme Matrix servem para valorizar o discurso dos terraplanistas. [...]

Segundo Bruno Alves e Samuel Trovão, parte significativa dos terraplanistas é criacionista (negam a teoria da evolução proposta por Darwin e explicam a origem do planeta e dos homens como criação divina). Acreditam na Bíblia e em escrituras antigas, sem seguir uma religião específica. [...]

A ideia do formato em globo veio bem antes da Nasa. O filósofo grego Aristóteles, no livro Do Céu, defendeu a esfericidade da Terra com base nas mudanças de configuração das estrelas dependendo da posição na Terra, na sombra circular de nosso planeta durante eclipses lunares e até na semelhança entre elefantes de regiões distantes. Séculos mais tarde, entre 1519 e 1522, ao circunavegar o planeta, o português Fernão de Magalhães não apenas trouxe um forte argumento ao formato de globo do planeta como também abriu caminho para a descoberta de novas e mais rápidas rotas marítimas.

Depois vieram os enunciados pioneiros de Copérnico, Galileu, Kepler e Newton sobre a mecânica de posicionamento dos planetas no Sistema Solar. Newton previu um achatamento da Terra nos polos, além de ter publicado, em 1687, a Lei da Gravitação Universal. A lei explica a influência gravitacional (a força de atração exercida entre as massas de dois objetos) entre corpos espaciais, como entre a Lua e a Terra e os planetas que compõem o Sistema Solar (orbitando ao redor do Sol). Segundo apontou Newton, dois corpos se atraem segundo uma força que é diretamente proporcional a suas massas e inversamente proporcional ao quadrado da distância que os separa.

Já no que diz respeito à evolução, teoria consagrada com a obra de Charles Darwin A Origem das Espécies e contestada pelos criacionistas, evidências apontam para um longo processo adaptativo das espécies – percurso do qual fazem parte os seres humanos. Tal teoria, reforçada por evidências genéticas e geográficas, explica a variedade, adaptação e extinção de milhares de espécies ao longo dos milênios [sim, a teoria da evolução explica a diversidade, a adaptação e a extinção de espécies, e os criacionistas aceitam bem tudo isso. O problema é quando os evolucionistas começam a citar suas fictícias árvores evolutivas e seus argumentos macroevolutivos naturalistas. Aí a discussão passa a ser filosófica. Mas esse é outro assunto... (MB)].


Nota: Parabéns, terraplanistas! Vocês conseguiram em muito menos tempo fazer o que os evolucionistas ateus têm tentado há décadas: associar o criacionismo a ideias absurdas e insustentáveis. Estão conseguindo fazer com que os desavisados encarem a Bíblia como um livro terraplanista, afastando ainda mais os seres pensantes. Exatamente do jeito que o diabo quer. Não conheço um criacionista sério que defenda essa insanidade. A Sociedade Criacionista Brasileira, entidade reconhecida por suas pesquisas e publicações respeitadas, com uma história de quase meio século em nosso país (da qual faço parte como membro fundador), é frontalmente contrária a qualquer ideia terraplanista. Este blog, que há mais de dez anos vem defendendo a estrutura conceitual criacionista, igualmente repudia o terraplanismo. Finalmente, é bom que se diga que o principal nome desse movimento defensor da Terra plana é, na verdade, um evolucionista. Parece realmente o tipo de coisa feita propositalmente para denegrir a reputação dos criacionistas, como já aconteceu no passado. [MB] 

Leia a NOTA DE ESCLARECIMENTO da Sociedade Criacionista Brasileira.

Leia mais textos sobre terraplanismo aqui.



Terra plana: nota de esclarecimento da Sociedade Criacionista Brasileira

A Sociedade Criacionista Brasileira (SCB) tem sido citada por pessoas descompromissadas com a busca imparcial da verdade como uma das entidades que estariam defendendo a tese de que o planeta Terra, ao contrário de ter um formato esférico, teria forma plana. Nada mais falso. Essa inverdade certamente vem sendo divulgada com intenções indesculpáveis de denegrir a posição séria e apoiada em evidências com sólido embasamento científico que a SCB tem defendido no decorrer de seus 45 anos de atividades de divulgação das teses criacionistas em oposição às evolucionistas, no contexto da controvérsia entre as duas estruturas conceituais que partem de diferentes pressupostos para a interpretação da natureza na qual estamos inseridos.

Bastaria citar, a respeito da questão da “Terra plana”, o fato de que, ainda no século passado, foi a SCB que se encarregou das medidas iniciais para a publicação do livro Inventando a Terra Plana, de autoria de Jefrey Burton Russel, preparando a tradução para o Português e conseguindo a publicação pela Editora da Universidade de Santo Amaro, sediada na capital paulista. Esse livro resgata a história do surgimento e da propagação do erro sobre a forma geométrica da Terra, esclarecendo a verdadeira causa desse processo: denegrir o Cristianismo e a Bíblia e afirmar que a ignorância e o obscurantismo medievais teriam sido responsáveis pelo modelo de uma Terra plana.

Mais recentemente, em 2016, a SCB publicou o livro Tempo Astronômico, Histórico e Profético, em três partes, das quais as duas primeiras expõem com clareza a verdadeira questão da Terra plana com os subtítulos “A esfericidade da Terra – Da revelação bíblica aos nossos tempos” e “A geometria do sistema Sol-Terra-Lua”, este último destacando as “Inferências de filósofos gregos há mais de 22 séculos sobre diâmetros e distâncias”, e esclarecendo que, mesmo antes dos filósofos gregos, os próprios textos bíblicos já deixavam transparecer o fato de que nosso planeta tem o formato esférico.

Tudo indica que o envolvimento do nome da SCB como entidade “retrógrada”, “ignorante” e “obscurantista” que, em pleno século 21, estaria defendendo a causa de uma Terra plana tem objetivo semelhante ao descrito por Russel em seu livro.

Por essas razões, a SCB repudia com veemência qualquer envolvimento que lhe imputem como defensora de teses espúrias sem qualquer apoio em textos bíblicos e muito menos em evidências verdadeiramente científicas.

Sociedade Criacionista Brasileira  
Brasília, 17 de setembro de 2017
www.scb.org.br

Conheça este curso gratuito sobre a Terra plana: clique aqui.