sexta-feira, dezembro 08, 2017

Crença no fim do mundo pesou na decisão de Trump sobre Jerusalém

Pode parecer pouco usual em termos de decisão histórica de política internacional, mas o fim do mundo contou para a decisão de Donald Trump de reconhecer Jerusalém como capital de Israel. O presidente americano pagou uma promessa a seu eleitorado evangélico, que tem razões diversas para defender a existência de Israel, mas no centro de sua teologia está uma crença ligada aos dias finais da humanidade, segundo uma leitura bem literal do texto bíblico. Nada indica que Trump, presbiteriano, compartilhe das ideias, mas o financiamento e apoio desse segmento foi vital em sua campanha. Para várias denominações evangélicas americanas, e também no Brasil e em outros lugares, o Estado judeu precisa estar plenamente estabelecido para dar curso à volta de Jesus Cristo à Terra. A ideia da volta dos judeus, o povo eleito de Deus segundo o Velho Testamento, é central na crença de que o Messias retornará para protagonizar episódios narrados no livro do Apocalipse.

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Leia também: O que a decisão de Trump sobre Jerusalém tem que ver com as profecias?

quinta-feira, dezembro 07, 2017

Cientistas avistam o superburaco negro mais distante

No dia 6 de dezembro, a revista Nature publicou um artigo (doi:10.1038/nature25180) que traz uma descoberta interessante: um quasar a uma distância tão grande de nós que a imagem que recebemos dele precisa ter partido de lá poucas centenas de milhões de anos após a época atualmente estimada como sendo a da criação do universo. O que há de tão interessante nisso? Bem, quasares são fenômenos que emitem quantidades gigantescas de energia em certas direções. Trata-se essencialmente de gigantescos buracos negros atraindo material ao seu redor e acelerando uma parte desse material, expelindo-o a grandes velocidades a partir de seus polos. O problema pode ser colocado na forma da seguinte pergunta: De onde veio esse superburaco negro? A resposta típica é: estrelas muito grandes entram em colapso eventualmente, formando buracos negros relativamente pequenos. Eventualmente, esses buracos negros podem colidir entre si e formar outros cada vez maiores. Mas não haveria tempo para tudo isso desde a criação do universo.

Esse tipo de problema tende a gerar diferentes reações, dependendo da visão de mundo de cada um. No meio criacionista, esse tipo de achado é frequentemente utilizado como parte de uma cadeia de raciocínio cujo objetivo final é reforçar a ideia de que o universo é jovem (6 a 10 mil anos de idade). Essa linha inclui apresentar essas coisas como evidências de que o modelo do Big Bang é muito incorreto (geralmente se pensa que a ideia de que o universo é antigo vem do modelo do Big Bang, mas na verdade essa informação vem de observações) e que faria mais sentido imaginar que Deus já criou todo o universo grande, pronto e recentemente. Entretanto, essa ideia corresponde a uma inflação com velocidade infinita no início do tempo e entra em conflito com um sem-número de observações e até textos bíblicos.

Outras possibilidades menos problemáticas: (1) E se o universo for bem mais velho do que o estimado? (2) E se esses superburacos negros pudessem ser formados de outras maneiras mais rápidas?

A opção (1) é possível, mas improvável em função de uma série de detalhes que observamos no universo. A opção (2) corresponde a algo que se conhece, na verdade. Infelizmente, é bem comum entre os astrônomos não ter fluência em Relatividade Geral. Uma das coisas que se estudam nessa área é a diferença entre buracos negros criados essencialmente junto com o universo e buracos negros criados por colapso estelar.

A existência de um superburaco negro nos primórdios do universo não deveria representar qualquer problema, apenas indica que esses objetos não foram criados por colapso gravitacional de estrelas. Além disso, os poderosos jatos de material ejetado em seus polos podem criar condições para a formação de sistemas estelares.

Em uma visão criacionista que não seja de universo jovem, isso pode fazer parte de um mecanismo criado por Deus para gerar sistemas estelares. No criacionismo, admite-se que Deus cria algumas coisas de forma especial (ex.: os primeiros seres vivos) e outras como consequência de mecanismos que Ele criou (como descendentes dos primeiros seres vivos, lagos, rios, pedras, objetos astronômicos).

No caso de uma visão naturalista, um pouco de conhecimento de Relatividade Geral também resolve o quebra-cabeças gerado por esse superburaco negro.

A rigor, essa descoberta não representa grandes problemas nem para criacionistas nem para naturalistas. Acaba sendo apenas mais uma evidência da existência de algo sugerido pela Relatividade Geral.

(Eduardo Lütz é físico e engenheiro de software)

terça-feira, dezembro 05, 2017

Big Bang em xeque ou uma hipótese inválida?

De acordo com o site Sputnik, o físico brasileiro Juliano César Silva Neves, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), explicou que a origem do universo exclui a necessidade de um Big Bang, aceito pela maior parte da comunidade científica como melhor explicação para o início de tudo. “Antes da visão cíclica, nós temos que resolver o problema da singularidade. Por Big Bang, eu quero dizer singularidade inicial. O modelo cosmológico que eu propus aceita, claro, a expansão do universo, aceita outros dados, como a radiação cósmica de fundo. A minha questão principal é o Big Bang, o Big Bang como a chamada singularidade inicial”, disse o cientista, explicando que essa singularidade consistiria em um estado em que as grandezas físicas, geométricas, calculadas a partir da Teoria da Relatividade, de Albert Einstein, não têm um valor definido. “Como os matemáticos falam, essas grandezas tendem ao infinito.”

Neves conta que essa questão é encarada como um problema da relatividade, que a maioria dos pesquisadores acredita poder ser resolvido com uma teoria quântica da gravidade, que acabaria com a singularidade. No entanto, segundo ele, é possível resolver a singularidade inicial sem recorrer a uma teoria quântica, que foi exatamente o que ele fez em seu trabalho, publicado recentemente na revista General Relativity and Gravitation

Na verdade, a ideia de que o universo se contrai até uma alta densidade para depois se expandir até certo limite e repetir o ciclo não é novidade e tem sido discutida há décadas. Por que não foi amplamente aceita? Porque gera inconsistências. Mas antes de falar na principal dessas inconsistências, é útil discutir um pouco o principal problema que a versão proposta pelo professor Neves tenta resolver.

Conta um mito popular que o modelo do Big Bang diz que o universo surgiu a partir de uma singularidade inicial. Mas o que é uma singularidade? Seria um ponto em que parâmetros de interesse, como densidade, tornam-se infinitos.

É comum encontrarmos singularidades em estudos matemáticos. Por exemplo, a função f(x)=1/x possui uma singularidade em x=0. Elas são úteis para resolver problemas reais e existem métodos que utilizamos em áreas como a Teoria Quântica de Campos que se baseiam em propriedades matemáticas das singularidades. Entretanto, quando uma fórmula prevê uma singularidade física associada a algo mensurável, isso é mau sinal. Tipicamente, indica que a fórmula está sendo utilizada fora dos seus limites de validade.

Voltemos agora ao referido mito. A Relatividade Geral (RG) é a teoria por trás tanto do modelo do Big Bang quanto da descoberta dos buracos negros e suas propriedades, das ondas gravitacionais e mesmo como parte integrante de soluções tecnológicas como GPS e outras. Há quem diga que, de acordo com a RG, existe uma singularidade no centro de cada buraco negro. Também há quem afirme que o próprio universo teria nascido de uma singularidade, pois essa seria uma das predições do modelo do Big Bang. Vamos tentar explicar por que essa concepção é falsa.

Para esclarecer esse assunto, vamos tratar de outro mais fácil primeiro. No Ensino Médio (ou Segundo Grau), ensina-se aos estudantes uma fórmula que descreve um aspecto do comportamento dos gases: pV=kNT, sendo p a pressão de um gás, V seu volume, N o número de moléculas, T a temperatura absoluta e k uma constante (de Boltzmann). Essa fórmula foi deduzida a partir de algumas aproximações. Por exemplo, supõe-se que a distância média entre as moléculas é muito grande comparada com seus volumes. Isso é verdade em muitos casos, mas não em todos.

Podemos usar a fórmula dos gases para, por exemplo, calcular a densidade de um gás em função da temperatura se a pressão for constante. Reorganizando os elementos da fórmula, obtemos a seguinte fórmula para a densidade (N/V): N/V = p/(kT).

O que acontece quando a temperatura absoluta é zero? Densidade infinita, isto é, uma singularidade. Podemos afirmar então que gases no zero absoluto formam singularidades? De maneira nenhuma. O que realmente acontece nessa situação é que tentamos usar a fórmula fora de sua região de validade. Com a redução da temperatura a pressão constante, o volume diminui. Quando esse volume se torna muito pequeno, pelo menos uma das hipóteses utilizadas para deduzir a fórmula se torna falsa: o volume de cada molécula não é mais tão pequeno quando comparado com a distância média entre elas. Isso invalida a fórmula.

Algo muito semelhante ocorre com a equação da RG a densidades muito altas. Ela perde a validade. Isso significa que as equações que constituem o modelo do Big Bang, que se baseiam na equação da RG, também se tornam inválidas a densidades muito altas. O que o modelo do Big Bang descreve é a expansão do universo, não sua criação. Ele nem mesmo pode ser usado para se afirmar que o universo veio de uma singularidade porque o modelo simplesmente não vale a densidades tão altas.

Como o modelo do Big Bang é incapaz de prever uma singularidade no início do tempo, quem tenta eliminar essa singularidade simplesmente tenta resolver um problema que não existe.

Agora voltemos à questão da inconsistência principal gerada pela ideia de que o universo sofre intermináveis ciclos de contração e expansão. Um dos motivos pelos quais a RG não funciona a densidades muito altas está ligado à instabilidade do próprio espaço-tempo nessas condições que levaria qualquer flutuação quântica a gerar inúmeros miniburacos negros, cada um com sua linha de tempo interna, fazendo o espaço-tempo parecer uma “espuma” sem uma direção definida que pudéssemos chamar de tempo. Em outras palavras, o conceito de espaço-tempo se perde nessas circunstâncias. Com isso, conceitos como “antes” e “depois” deixam de ser válidos. Isso torna sem sentido afirmações do tipo “o universo sofreu uma contração, chegou a uma situação de alta densidade e veio a expandir-se em seguida”. Isso não faz sentido porque, além da descontinuidade na validade da RG que acontece no meio do processo, perdem-se também informações ligadas a identidade e causalidade, o que nos proíbe de dizer se o universo que entrou em colapso é o mesmo que se expande. Além disso, não temos como conectar o tempo clássico de um com o do outro.

Para tratar propriamente desse tipo de questão é preciso utilizar uma teoria consistente de gravitação quântica (M-Theory?) e mesmo assim é bem provável que simplesmente se confirme que o tempo clássico realmente não existe nesse regime.

(Eduardo Lütz é físico e engenheiro de software)

segunda-feira, dezembro 04, 2017

A incrível eficiência energética da vida – e ainda falam em evolução...

Toda a vida na Terra executa cálculos e todos os cálculos parecem requerer energia. Esse assunto tem sido alvo de bastante controvérsia ultimamente, envolvendo o chamado Limite de Landauer. Alguns afirmam que pode ser possível fazer computação sem consumo de energia, enquanto outros acreditam que o Limite de Landauer não é tão limitador assim. Polêmicas teóricas à parte, Christopher Kempes se reuniu com colegas do visionário Instituto Santa Fé, nos EUA, para pesquisar o custo energético da computação biológica. Da ameba unicelular aos organismos multicelulares, como os seres humanos, um dos cálculos biológicos mais básicos, comuns em toda a vida, é a “tradução” – processar a informação em um genoma e escrevê-la na forma de uma proteína. Embora de fato consuma energia, a equipe conseguiu demonstrar que a tradução é um processo altamente eficiente do ponto de vista energético.

Para entender como a vida evoluiu na Terra, Kempes defende que precisamos primeiro entender as restrições dessa evolução. Uma restrição que não foi amplamente estudada até agora é como as leis da termodinâmica restringem a função biológica, o que poderá nos dizer se a seleção natural favoreceu organismos com alta eficiência computacional.

Para medir a eficiência energética da tradução – o processo biológico pelo qual a sequência de uma molécula de RNA mensageiro é utilizada para ordenar a síntese da sequência de aminoácidos que forma uma proteína –, a equipe partiu justamente do Limite de Landauer. “O que descobrimos é que a tradução biológica é cerca de 20 vezes menos eficiente do que o limite físico inferior absoluto. E isso é cerca de 100.000 vezes mais eficiente do que um computador”, contou Kempes.

A replicação do DNA, outra computação básica comum em toda a vida, consome cerca de 165 vezes mais energia do que o Limite de Landauer. “Isso não é tão eficiente quanto a tradução biológica, mas ainda é incrivelmente bom em comparação com os computadores”, acrescentou.

Agora a equipe pretende ampliar seus cálculos para verificar a eficiência termodinâmica de cálculos biológicos de alto nível, como o pensamento, e, finalmente, tentar entender a importância que a eficiência energética tem para a seleção natural. “Em última análise, nós queremos conectar tudo isso com a teoria da ciência da computação, não só para explorar esse tipo de coisa para a ciência da computação, mas também para ver se a teoria da ciência da computação tem algo a nos dizer sobre as células”, disse o professor David Wolpert, coautor da pesquisa.


Nota: Se você não soubesse que o computador teve um criador e visse, de repente, em sua frente um PC de última geração, o que concluiria? Que aquele monte de componentes eletrônicos, cabos, peças metálicas e de plástico com utilidade planejada poderia ser fruto do acaso? Depois de ligar o aparelho e testar suas “habilidades” impressionantes, você teria coragem de pensar que os programas que rodam nele, que a informação complexa de que eles dependem para funcionar teriam simplesmente aparecido em algum momento no passado e se tornado espontaneamente mais complexa com o tempo? Tenho certeza de que você naturalmente elogiaria os criadores de uma máquina tão maravilhosa e útil. Como, então, os pesquisadores citados acima podem estudar mecanismos biológicos e “maquinário” tremendamente mais complexo que os nossos melhores computadores e ainda falar em evolução? Todos sabemos que a tese da macroevolução pressupõe o surgimento da informação e da vida por acaso. É ou não é muita incoerência? [MB]


domingo, dezembro 03, 2017

O cérebro humano já nasce predisposto a acreditar em Deus

[Veja como a Superdescrente Superinteressante descreve esse fenômeno:] O cérebro nasce programado para acreditar em algum tipo de deus, e a fé não é opção pessoal nem chamado divino: é uma tendência biológica, que se desenvolveu ao longo de milhares de anos de evolução. Essa ideia, que desagrada a crentes e ateus e é uma das teorias mais polêmicas entre os cientistas, parece ter sido finalmente comprovada por um estudo, realizado por pesquisadores do Instituto de Saúde dos EUA (NIH). Eles monitoraram o cérebro de pessoas religiosas e descobriram que, quando elas pensam em deus [sic], ativam os mesmos neurônios que todo mundo (crente ou não) usa para formar a chamada “teoria da mente” – a capacidade de entender o que outras pessoas estão sentindo e simpatizar com elas. E essa habilidade é primordial para as relações humanas: se cada pessoa fosse alheia aos sentimentos das outras, a sociedade como a conhecemos não existiria, seria apenas uma multidão de psicopatas. Quando o homem começou a formar sociedades complexas, quem tinha o cérebro mais crente se dava melhor – pois, além de acreditar em mitos, também era mais sociável. E isso ajudaria a explicar por que hoje, mesmo com todos os avanços da ciência, a crença no sobrenatural ainda é tão forte. Acreditar está no nosso DNA.

“Se um grupo de crianças fosse deixado numa ilha deserta, elas acabariam se tornando religiosas”, afirma o psicólogo Justin Barrett, da Universidade de Oxford. Ele é diretor de um projeto ambicioso, que passou os últimos anos investigando uma dúvida perene: Por que algumas pessoas acreditam em deus [sic] e outras não? Barrett não antecipa os resultados do estudo, que deve ser concluído em 2010, mas já tem um palpite. As pessoas não escolhem acreditar ou não; elas já nascem acreditando. “As crianças são propensas a acreditar na criação divina. Já a ideia de evolução não é natural para elas”, diz. É como se você saísse de fábrica com um cérebro crédulo, e só conseguisse transformá-lo em cético depois de muito tempo. Amém.


Nota: Note o desespero ateu e darwinista para reconhecer o óbvio: fomos criados para crer e identificar intuitivamente aquilo que também deveria ser óbvio, ou seja, que se existe informação, existe uma fonte informante; se existem leis, existe um legislador; se existe vida, existe um doador da vida (afinal, vida só provém de vida); se existe algo é porque alguém o fez (afinal, do nada nada provém). Tempo, espaço, matéria e informação jamais poderiam aparecer do nada. Negar essas obviedades é um esforço que vai contra a natureza e a lógica e que deve ser reafirmado constantemente, daí porque muitos ateus dizem não crer em Deus, mas vivem incomodados com a ideia de Deus, necessitando repetir para si mesmos e para os outros que Deus não existe. Se não existe, por que se incomodar com isso? A Bíblia e a ciência respondem: fomos criados para crer; está em nosso DNA; está em nosso íntimo. Portanto, as evidências estão dentro e fora de nós. A vida só faz realmente sentido quando se dá atenção a esse componente espiritual da natureza humana. Como os darwinistas não conseguem negar essa realidade, o jeito é usar o próprio darwinismo para tentar explicá-la. E o resultado é uma explicação estapafúrdia. Evoluímos para crer porque a crença nos é vantajosa na sobrevivência. Quem crê vive mais e melhor. Então, essa característica foi selecionada para nossa espécie. Dá para acreditar nisso? Nisso não, afinal, mesmo sendo crente, não deixo de ser cético. [MB]





sexta-feira, dezembro 01, 2017

O conceito de espécie em questão

[Artigo escrito em reação à notícia veiculada pela revista Veja e vários outros meios de comunicação.]

A Biologia é a ciência que se aventura na busca por respostas à compreensão do fenômeno vida. Nessa busca, perguntas importantes têm sido feitas na tentativa de compreender como esses mecanismos funcionam. Uma dessas perguntas tem que ver com a origem das espécies. Desde os filósofos gregos, a ideia de processos evolutivos conduzindo à vida já permeava a história da Terra. Com Darwin, a partir de 1859, surge uma proposta de mecanismo explicativo para esse processo evolutivo. Numa coletânea de ideias (de outros cientistas, inclusive), ele, de maneira organizada e por isso fácil de ler, estabeleceu esse mecanismo e usou em 1868, em seu livro Variação de Plantas e Animais Domesticados, as bases da pangênese (genética baseada nos conceitos de Hugo de Vries) para explicar esse processo.

Assim, o conceito mais básico e biológico de espécie (existem outros à disposição) é o de indivíduos de populações que cruzam – ou tem o potencial de cruzar – naturalmente. Mas existem alguns equívocos no desenrolar desse pensamento.

Alguns organismos podem ser anatomicamente diferentes e, ainda assim, serem da mesma espécie. Isso é verificável, por exemplo, em formigas. A espécie Pheidole barbata possui forma anatômica distinta, dependendo das funções que os indivíduos desempenham na colônia.

Pode-se ver também, quanto à coloração, no vegetal hortênsia, que dependendo do pH do solo ele pode ser azul ou mesmo rosa.

Alguns organismos podem ter uma aparência muito próxima e, no entanto, serem de espécies diferentes. Podemos observar isso em cascudos (grupo Corydoradinae), também conhecidos dos aquaristas como peixes limpa fundo de aquários. Esses seres conseguem mimetizar (“copiam” a imagem, adotando padrões e cores similares), burlando os predadores, mas não se reproduzindo entre si.

Se achou isso complicado, imagine a seguinte situação: um grupo de muitos coelhos vivia numa localidade e, de repente, uma autoestrada isolou-os em dois grupos. Ao longo do tempo, esses grupos isolados poderiam ganhar características adaptativas distintas. Seriam duas espécies diferentes? Quanto tempo, geneticamente falando, deveria regredir esses grupos para saber se são parentes ou não?

E não é só isso. O que fazemos com organismos que se reproduzem de maneira assexuada? Ou ainda com aqueles que, de vez em quando, formam seres híbridos uns com os outros? Seriam novas espécies?

Essas são apenas algumas situações em que o termo pode ser “flexionado”. Poderíamos lidar, ainda, com o problema das espécies em anel, na tentativa de marcar o ponto de especiação; ou ainda das cronoespécies, na tentativa de dividi-las em espécies distintas.

Toda essa situação tem sido produzida pelo fato de o conceito biológico de espécie, até o presente momento, ter funcionado bem para muitos organismos e melhor ainda em sua influência para o crescimento da teoria da evolução.

A matéria publicada na revista Veja se refere a um fato que ocorre na ilha Daphne Major, em Galápagos. Tive a oportunidade de passar ao lado dela e conhecer esse estudo quando de minha visita à Estação Darwin, em Galápagos. O tentilhão de Darwin, chamado de Big Bird, parece estar mudando suas características morfofisiológicas, inclusive não cruzando mais com outros grupos, dando início, segundo o conceito discutido até aqui, a uma “nova espécie”.

Todo o problema reside no conceito. Ele é imprescindível ao processo evolutivo que depende de que uma nova espécie esteja surgindo a todo instante, caso contrário, a teoria “faria água”, ou seja, afundaria.

Esse caso é tão sério que mesmo biólogos famosos entendem essa carência, e já apostam no conceito filogenético de espécie para “resolver o problema”. Esse conceito informa que espécies são identificadas inferindo-se a filogenia de populações intimamente relacionadas e procurando-se o grupo monofilético mais restritivo. Esse exibiria, no mínimo, uma característica distintiva e unificadora, seja esta de caráter estrutural, bioquímico ou molecular. Tais características são chamadas de sinapomorfias.

Mas mesmo esse conceito não é consenso. Tanto que, provavelmente, você não o estudou em seu livro do Ensino Médio.

E se todos esses seres não evoluíram? E se todos são variações adaptativas às mais diversas situações da natureza? Essas são perguntas válidas que não são feitas, pois nesse estudo somente o evolucionismo é aceito. Não porque não são inferidas, mas porque não são permitidas. Esse problema se agrava quando todos os esforços são feitos no sentido de “provar” o processo Macroevolutivo.

Talvez o modelo de estudo de mecanismos genéticos mais estudado nesse sentido seja o das moscas-da-fruta (Drosophila melanogaster). Elas possuem em seus 14 mil genes muita similaridade mecânica com os humanos. Por isso seu estudo é tão importante para compreender a ação dos mecanismos moleculares de doenças humanas. Essa espécie vive entre 15 e 25 dias, o que permite um quadro de variação gênica muito rico por estar dentro de um tempo programado. Desde 1910 essas variações vem sendo estudadas e, por mais que se deseje, nenhuma característica evolutiva surgiu após esses anos todos, no sentido de aprimoramento genético ou macroevolutivo.

Todas as mutações estudadas evidenciaram destruição de patrimônio gênico, sendo altamente deletérias. Prejuízo no rendimento, aptidão/função (fitness), mostrando que, ao alterar um gene para melhor, outro pode ficar pior, resultando num empate ou perda final.

Mesmo que muitos neodarwinistas tenham comemorado o aparecimento de “novas espécies”, isso só foi possível levando em conta o conceito biológico de que espécie é um conjunto de indivíduos de uma “população reprodutivamente isolada”. Ampliando esse estudo, foram realizadas manipulação de genes em busca de uma característica evolutiva significativa. Mais uma vez os seres híbridos possuíam características degenerativas.

Do que se pode apreender, a entropia genética colabora com as evidências de que existe maior acúmulo de mutações prejudiciais, provocadas ou especiadas, e que esse acúmulo ocorre tão rapidamente que a própria seleção natural seria incapaz de deter.

Muito deveria ser o patrimônio genético inserido para gerar uma nova informação. Aliás, é preciso lembrar outro problema: De onde vem essa informação?

Bom, o que podemos analisar disso tudo? Muito tempo, esforço e dinheiro têm sido gastos na tentativa de “provar” que novas espécies aparecem em todos os cantos, “justificando” um processo macroevolutivo. Mas o que temos até agora, desde os testes em laboratório até as pesquisas de campo, é que a seleção natural só atua em variações e padrões morfofisiológicos que já existem nessa população, e qualquer estudo comprova que, ainda assim, de forma limitada.

Por mais que se force a “nova espécie”, ela ainda evidencia outro fator importantíssimo: esses seres continuam sendo eles mesmos. Pássaros “viram” “novas espécies” de pássaros. Moscas viram “novas espécies” de moscas, bactérias viram “novas espécies” de bactérias, e assim por diante.

Daí, fica outra pergunta: Cadê a megaevolução em que um anfíbio viraria réptil? Parece que isso fica mais facilmente elucidado em livros de Biologia mesmo!

E a luta, companheiro, continua – por ciência que siga dados e evidências, não dogmas. Dados para cima deles!

(Dr. Márcio Fraiberg Machado é biólogo e biotecnologista)

Referências:
ALVES, E.F. Design Inteligente. E-book. 2015. de: https://www.widbook.com/ebook/teoria-do-design-inteligente, acessado em 15/3/2017.
CAPONI, G. Las raíces del programa adaptacionista. Scientiae Studia. v. 9, n 4. São Paulo. 2011. p. 705-738.
CRUZ, Waldenor Barbosa. Herança e evolução: Aventuras da biologia no século XX. In: SIMOM, Samuel (Org.). Um século de conhecimento. Brasília: Ed. Universidade de Brasília, 2011. p. 195-288.
DODD, D.M.B. Reproductive Isolation as a Consequence of Adaptive Divergence in Drosophila pseudoobscura. Evolution, v. 43, p. 1308-1311, 1989.
EBERLIN, M. Fomos planejados: A maior descoberta científica de todos os tempos. E-book. 2014. de https://pt-br.widbook.com/ebook/fomos-planejados ,acessado em 15/03/2017.
FEDER, J.L.; CHILCOTE, C.A.; BUSH, G.L. The geographic pattern of genetic differentiation between host associated populations of Rhagoletis pomonella (Diptera: Tephritidae) in the eastern United States and Canada. Evolution, v. 44, p. 570-594, 1990.
IRWIN, D. E., IRWIN, J. H.; PRICE, T. D. Ring species as bridges between microevolution and speciation. Genetica, v. 112-113, p. 223-243, 2001. MARGULIS, L. O Planeta Simbiótico – Uma Nova Perspectiva para a Evolução. Rio de Janeiro: Rocco, 2001.
MAYR, E. O Desenvolvimento do pensamento biológico: diversidade, evolução e herança. Brasília, DF: Editora Universidade de Brasília, 1998.



terça-feira, novembro 28, 2017

Pra que serviam os bracinhos do T-Rex? Senta que lá vem história

Um dos maiores e mais aterrorizantes predadores a pisar na Terra foi o Tiranossauro Rex, aquele dinossauro enorme com bracinhos desproporcionais. Esses minibraços podem até parecer inúteis, mas eram máquinas matadoras. De acordo com o paleontólogo Steven Stanley da Universidade do Havaí (EUA), os bracinhos de um metro podem até parecer pequenos em relação ao resto do seu corpo, mas serviam para golpear e rasgar suas vítimas que estavam encurraladas. Em um artigo apresentado recentemente na conferência anual da Sociedade Americana de Geologia (GSA), Stanley argumenta que o comprimento curto dos braços poderia ser vantajoso para ele em lutas com pouco espaço. “Seus membros superiores curtos e garras grandes podem ter permitido ao T-Rex montar nas costas da vítima ou então para golpeá-la enquanto a segurava com os dentes, para infligir cortes de mais de um metro de comprimento e vários centímetros de profundidade em apenas alguns segundos”, diz Stanley.

Para dar suporte à sua hipótese, Stanley destaca a força dos pequenos braços, indicada pelos ossos que formam os membros e pelo grande osso dos ombros que ajudam a controlar o movimento dos braços. A cabeça do úmero, o local em que o osso do braço do T-Rex encontra o encaixe do ombro, tem um formato que oferecia grande mobilidade para fazer o movimento de golpe.

Além disso, cada braço tinha apenas duas garras, o que aumentava a pressão em 50% em cada unhada que ele dava. Os outros terópodes tinham três garras. Cada garra tinha 10 centímetros de comprimento, com formato de foice.

Outros pesquisadores, porém, não têm tanta certeza disso. “Eu acredito que isso causaria grande estrago se atingisse as vítimas, mas para lançar o braço o Tiranossauro teria que basicamente empurrar seu peito para cima, contra o corpo da vítima”, diz o paleontólogo Thomas Holtz, da Universidade de Maryland (EUA), ao National Geographic.

Outra hipótese é que os braços possam ter sido mais úteis aos filhotes e jovens do que nos adultos. “Pode ser que os braços fossem mais funcionais em T-Rex jovens, e reduziram sua utilidade conforme eles cresciam”, diz Holtz. “A zona de golpe seria proporcionalmente maior em um T-Rex jovem, e perseguir uma presa menor significaria que a força necessária para matar a vítima seria menor.”

O artigo do pesquisador Steven Stanley foi apresentado no encontro da GSA que aconteceu em Seattle, Washington, no mês de outubro de 2017.



Nota: Fico admirado como alguns pesquisadores conseguem publicar artigos científicos com empirismo quase zero. Note como estão de volta aí as palavras “poderia”, “acredito” e afins. Já que se pode dizer em que se acredita, lá vai minha versão: acredito que os braços do T-Rex eram muito desproporcionais, assim como seu cabeção, e que provavelmente esse réptil possa ter sido resultado de algum processo degenerativo ou mesmo de hibridização (amalgamação) ou algo assim. [MB] 

Leia mais sobre T-Rex aqui.



Vaticano assume evoteísmo e deve reabilitar padre evolucionista

Em seu blog “Darwin e Deus”, no site do jornal Folha de S. Paulo, o jornalista Reinaldo José Lopes informou recentemente que será reabilitada a obra de Pierre Teilhard de Chardin (1881-1955), jesuíta francês que também foi paleontólogo e realizou uma série de estudos pioneiros sobre evolução humana na China. “Desde os anos 1960, as obras de Chardin estão marcadas com um ‘monitum’, ou advertência, da Congregação para a Doutrina da Fé, órgão responsável pela pureza doutrinária do catolicismo”, explica Reinaldo. “O que acontece é que diversos livros do religioso, que analisam o fenômeno evolutivo por um prisma teológico e religioso, fazem uma espécie de fusão ousada do cristianismo com o evolucionismo, o que deixou parte da Igreja Católica contrariada.”

Acontece que os membros do Conselho Pontifício para a Cultura, do Vaticano, acabaram de votar em peso em favor do fim do “monitum”, o que significa que o pensamento e a obra de Chardin realmente poderão ser reabilitados. “É de se esperar que o papa Francisco siga a recomendação porque fez uma menção elogiosa ao trabalho de seu colega jesuíta em sua encíclica ambiental, a Laudato Si”, prevê Reinaldo.

E assim vemos revelada claramente a posição ideológica católica evolucionista teísta segundo a qual Deus teria Se valido de processos evolutivos para trazer a vida à existência e ao seu estágio atual – sendo Deus, então, o criador da cruel seleção natural, do conceito de sobrevivência do mais apto e, claro, da morte como fator de “purificação” e seleção das formas de vida.

Ao esposar essa ideia, o Vaticano e o papa lançam por terra o relato da criação e, consequentemente, o santo sábado, memorial dessa criação realizada em seis dias literais de 24 horas. Isso sem contar que comprometem também a obra redentora de Jesus, afinal, se a história do pecado igualmente se encontra no relato alegórico do Gênesis, o que Jesus veio fazer aqui? Por que Ele morreu na cruz para expiar a culpa por algo que não aconteceu de fato? Por que Ele é considerado o segundo Adão, se o primeiro nem existiu?

Eu sua encíclica Laudato Si, o papa Francisco dedica um capítulo à defesa do descanso dominical como uma das possíveis soluções para o aquecimento global. Evidentemente que, para defender um dia que não é verdadeiramente um dia de repouso, o papa precisa tirar para escanteio o verdadeiro dia de repouso. Assim, nada mais conveniente que a teoria da evolução para contestar o relato bíblico e relativizá-lo a tal ponto que qualquer doutrina possa ser relida e redefinida ao bel-prazer dos teólogos evolucionistas do Conselho Pontifício para a Cultura.

A polarização se tornará cada vez mais evidente: de um lado estarão o “fundamentalistas” teimosos em sua defesa da interpretação literal dos primeiros capítulos da Bíblia e da vigência da lei de Deus (o que inclui o quarto mandamento); de outro estarão os teólogos liberais que relativizam e mitologizam o relato da criação, defendendo um dia de descanso criado pelo homem.

De que lado você estará?

Michelson Borges




segunda-feira, novembro 27, 2017

Descoberta sugere que humanos conviveram com megafauna

Ferramentas de pedra, fogueiras e adornos recém-encontrados no Mato Grosso e datados de quase 30 mil anos [segundo a cronologia evolucionista] têm dado combustível a uma discussão histórica na arqueologia moderna: a data de chegada dos seres humanos às Américas. Há diferentes teorias, desde as que afirmam que o evento ocorreu há cerca de 12 mil anos até as que apostam em 100 mil anos ou mais [idem]. A descoberta recente foi feita no sítio arqueológico de Santa Elina, a 80 km de Cuiabá. Os arqueólogos responsáveis pelas escavações, Denis Vialou e Águeda Vilhena Vialou, do Museu Nacional de História Natural da França, afirmam que essa região brasileira já era habitada há pelo menos 27 mil anos.

Uma prova é a presença de mais de 300 objetos de pedra lascada, com serrilhados e retoques, que só poderiam ter sido feitos pela mão do homem, afirma Águeda, que realiza escavações na região da Serra das Araras desde 1995.

Outra prova da presença humana, segundo ela, são restos de fogueiras. O material encontrado foi datado por três métodos diferentes, envolvendo desde radiocarbono 14 até luminescência ótica. Segundo Águeda, o sítio de Santa Elina traz uma tripla raridade:“A primeira é que ocupações humanas pleistocênicas (entre 2,588 milhões e 11,7 mil anos atrás) são raras e por enquanto lá é o único local descoberto no centro do continente sul-americano.”

A segunda e a terceira raridades dizem respeito aos adornos encontrados: alguns foram feitos com ossos de preguiças-gigantes do gênero Glossotherium, já extinto. “É o primeiro caso no Brasil de uma perfeita associação do homem com a megafauna extinta”, explica ela. “Há a confecção de objetos simbólicos com ossos da megafauna, transformando-os em adornos.”

A discussão sobre a data de chegada da Humanidade às Américas remete aos tempos de Cristóvão Colombo, quando desembarcou no Caribe em 12 de outubro de 1492. Ele foi recebido pelos tainos, um povo amistoso, que o navegador genovês a serviço da Espanha achou que fossem indianos, pois estava convencido que havia chegado à Índia – e permaneceu com essa convicção até a morte. O descobridor da América não sabia, mas sua chegada ao continente marcou, na verdade, o reencontro de duas linhagens evolutivas do Homo sapiens, que estavam separadas havia pelo menos 50 mil anos [sic]: a sua própria, europeia, e a dos primeiros americanos, mongoloides, aparentados com os povos asiáticos. Desde então, persiste o mistério: Como e quando os povos encontrados por Colombo chegaram às Américas?

Teorias não faltam. A mais antiga e resistente é o modelo conhecido em inglês como Clovis-first (Clóvis-primeiro). Deve seu nome a um sítio arqueológico assim denominado, descoberto em 1939, no Novo México, Estados Unidos.

No local, foram encontrados artefatos de pedra lascada, datados de 11,4 mil anos. Segundo essa teoria, defendida principalmente pela comunidade arqueológica americana, a chegada teria ocorrido há cerca de 12 mil anos. Já o chamado “modelo das três migrações”, sugerido em 1983 por Christy Turner, se baseia num amplo levantamento de diversidade dentária, que concluiu ter havido três levas migratórias da Sibéria para a América.

A primeira, há 11 mil anos, teria dado origem a todos os índios das Américas Central e do Sul e à maioria dos povos nativos norte-americanos. A segunda teria chegado há 9 mil anos e originou os índios ancestrais dos Apaches e Navajos, sobretudo na costa pacífica do Estados Unidos e Canadá. A última seria bem mais recente, há 4 mil anos, e composta pelos ancestrais dos esquimós e povos aleutas (no Círculo Polar Ártico). [...]

Há ainda uma terceira teoria sobre a ocupação da América. Bem mais polêmica, ela foi proposta pela arqueóloga Niéde Guidon, com base em suas descobertas em vários sítios arqueológicos no sul do Piauí. Para ela, o homem chegou à região há nada menos que 100 mil anos[sic], vindo diretamente da África, cruzando o Atlântico, numa época em que o planeta também estava num período glacial, com o mar 120 metros abaixo de seu nível atual. [...]


Nota: Deixando de lado as hipóteses para o povoamento das Américas (porque nem os cientistas chegam a um consenso), é interessante notar a evidência não muito considerada de que seres humanos foram contemporâneos da megafauna, um tipo de vida maior, mais forte e exuberante que a atual e que alguns pesquisadores relacionam com o período antediluviano. Por enquanto foram encontrados apenas artefatos humanos. Quem sabe quando chegará o dia em que serão descobertos fósseis provando que o ser humano fazia parte dessa megafauna, sendo mais forte e mais alto que seus descendentes atuais? [MB]

Lembra quando a Nasa encontrou água em Marte? Parece que era areia

A presença de água, seja onde for, aumenta bastante a probabilidade de que exista, ou tenha existido, alguma forma de vida naquele lugar. Quando a Nasa anunciou ter descoberto vestígios de água na superfície de Marte, em 2015, a notícia mexeu com a comunidade científica e atiçou a imaginação do público. Mas um novo estudo sugere que pode ter sido tudo em vão. Talvez os rastros da água marciana tenham sido formados por outra coisa: areia. A alegação é do US Geological Survey, que analisou imagens captadas pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) e concluiu que as linhas deixadas na superfície do planeta, suposta evidência da presença de água, na verdade podem ter sido formadas pela movimentação de areia.

Os cientistas analisaram 151 linhas do tipo, em dez pontos do planeta vermelho, e notaram que todas elas terminam mais ou menos do mesmo jeito e nos mesmos ângulos, o que é compatível com a movimentação de areia (e acontece com as dunas em Terra), mas dificilmente ocorreria com água – por causa da maneira como ela se dispersa.   

A própria Nasa republicou o estudo, descrevendo detalhadamente suas descobertas, mas não jogou a toalha: segundo a agência, as linhas de Marte “continuam sendo um mistério”.  


Leia mais sobre Marte aqui.

quinta-feira, novembro 23, 2017

Novas certidões criam brecha para legalização da poligamia

A partir desta terça-feira (21) começaram a valer as novas regras para as certidões de nascimento, casamento e óbito no Brasil. Entre as novas medidas está a inclusão obrigatória do número de CPF nos documentos e a autorização para o registro de maternidade e paternidade socioafetiva, que antes só era permitido em poucos estados que possuíam normas específicas para isso ou por meio de decisões judiciais. As mudanças constam no Provimento nº 63/2017, editado pela Corregedoria Nacional de Justiça, órgão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Outra alteração é que os documentos não deverão conter quadros preestabelecidos para o preenchimento dos genitores. Ou seja, isso permite que um recém-nascido tenha duas mães, dois pais ou até mesmo uma filiação entre três pessoas, como dois pais e uma mãe.

Já os casais que tiveram um filho por meio de técnicas de reprodução assistida, como é o caso da barriga de aluguel e da doação de material genético, o oficial de registro civil não poderá exigir a identificação do doador. No entanto, será indispensável a declaração do diretor técnico da clínica onde o procedimento foi realizado. [...]


Nota: As novas certidões de nascimento, casamento e óbito adotaram configurações que, na prática, tornam-se um reconhecimento oficial do governo ao “casamento” gay e à poligamia, que era proibida por lei. Em lugar dos campos “pai” e “mãe” haverá espaços para a colocação de nomes, independentemente do sexo de quem esteja assinando ou de quantos estejam assinando.

Na visão criacionista bíblica, Deus criou homem e mulher para uma relação monogâmica de fidelidade matrimonial. Infelizmente, com o tempo, esses princípios estão sendo destruídos e as pessoas estão sendo convencidas pela mídia e por um intenso marketing antifamília tradicional. Na base de tudo isso está a destruição da crença criacionista segundo a qual é literal o relato da criação no Gênesis.

Esse processo passou a ganhar força no século 19, com o fortalecimento da cosmovisão evolucionista a partir da publicação de A Origem das Espécies. Paradoxalmente, a Igreja Católica e algumas protestantes ajudaram a pavimentar o caminho para o que estamos vendo hoje, justamente ao adotarem a sincrética visão evolucionista-teísta, que igualmente relativiza o relato da criação. Se a origem bíblica do ser humano é metafórica, que argumento resta para defender a santidade do casamento heteromonogâmico? O inimigo de Deus nem precisou mais tentar queimar e destruir a Bíblia (já que esse método não deu certo mesmo). Tudo o que ele precisou fazer foi lançar dúvidas sobre os primeiros capítulos da Bíblia. Assim, ele conseguiu derrubar todo o edifício, lançando por terra instituições sagradas como o casamento e o sábado. E o pior: com a anuência não apenas dos evolucionistas, dos marxistas, dos militantes LGBT e outros, mas das próprias igrejas ditas liberais e dos cristãos relativistas.

Agora que aguentem as consequências! Uma vez aberta a porta, sabe-se lá o que passará por ela. [MB]

quarta-feira, novembro 22, 2017

Ateus têm mente menos aberta que pessoas religiosas

Um estudo com 788 pessoas no Reino Unido, França e Espanha concluiu que ateus e agnósticos pensam em si próprios como tendo mente mais aberta que aqueles com fé, mas são de fato menos tolerantes a opiniões e ideias discordantes. Crentes religiosos “aparentam melhor perceber e integrar perspectivas divergentes”, de acordo com pesquisadores em psicologia da Universidade Católica privada de Louvain (UCL), a maior universidade Francofônica da Bélgica. Filip Uzarevic, coautor do artigo, disse que sua mensagem é a de que “mentalidade fechada não é necessariamente encontrada apenas entre os religiosos”. Ele afirmou ao Psypost: “Em nosso estudo, o relacionamento entre religião e mentalidade fechada dependeu do aspecto específico da mente fechada. De forma surpreendente, quando se tratou de inclinações medidas sutilmente para integrar visões que eram divergentes e contrárias às perspectivas da pessoa, eram os religiosos que mostravam maior abertura.”

O artigo do Dr. Uzarevic, intitulado “são os ateus adogmáticos?”, afirma que “irreligião se tornou a norma” em alguns países ocidentais. Ele inspecionou três aspectos de rigidez mental em 445 ateus e agnósticos, 255 cristãos, e um grupo de 37 budistas, muçulmanos e judeus. O estudo afirma que os resultados dos não crentes foram mais baixos que os de pessoas religiosas em “dogmatismo autoavaliado”, mas foram mais altos em “intolerância sutilmente medida”.  

O Dr. Uzarevic afirmou: “A ideia começou com a percepção de que, em discursos públicos, apesar de ambos os grupos religiosos/conservadores e liberais/seculares demonstrarem forte animosidade contra o grupo ideologicamente oposto, de alguma forma o primeiro grupo era mais comumente intitulado como ‘de mente fechada’. Adicionalmente, tal visão do secular sendo mais tolerante e aberto parecia ser dominante na literatura da psicologia.” 

As descobertas também afirmam que a força de uma crença das pessoas tanto em ateísmo quanto em religião é diretamente relacionada com quão intolerantes elas são.

(Independent, com tradução de Leonardo Serafim)

sexta-feira, novembro 17, 2017

Novos fósseis comprovam que a Antártida era coberta de florestas

Você se lembra de ter aprendido sobre o Gondwana nas aulas de geografia? Estamos falando de quando o planeta Terra era dividido em apenas dois supercontinentes, sendo que Gondwana incluía a maior parte dos continentes do hemisfério sul hoje. Ou seja, a Antártida fazia parte desse supercontinente. E cerca de 400 milhões a 14 milhões de anos atrás [segundo a cronologia evolucionista], era muito diferente: árvores floresciam perto do Polo Sul. Um novo estudo de colaboração internacional descobriu, inclusive, fósseis detalhados de algumas dessas árvores, que podem nos ajudar a entender como o local se tornou o mundo gelado que conhecemos atualmente.

Quando olhamos para a paisagem branca da Antártida, é difícil imaginar florestas exuberantes. Porém, a verdade é que a região possui um longo histórico de vida vegetal. “A Antártida preserva uma história ecológica de biomas polares que varia em cerca de 400 milhões de anos [sic], basicamente toda a história da evolução das plantas” [sic], disse Erik Gulbranson, paleoecologista da Universidade de Wisconsin-Milwaukee, nos EUA.

No passado, o continente era muito mais verde e muito mais quente, embora as plantas que viviam nas baixas latitudes do Sul tivessem que lidar com invernos de 24 horas de escuridão por dia, e verões durante os quais o sol nunca se punha, exatamente como é hoje.

Gulbranson e sua equipe querem estudar, em particular, um período de cerca de 252 milhões de anos atrás [sic], durante a extinção em massa do Permiano-Triássico. Durante esse evento, quase 95% das espécies da Terra morreram. A extinção provavelmente foi conduzida por emissões maciças de gases de efeito estufa vindos da atividade de vulcões que aumentaram as temperaturas do planeta para níveis extremos e causaram a acidificação dos oceanos. [Cenário que não explica a fossilização em massa que depende do soterramento imediato dos animais e das plantas sob lama.] [...]

No ano passado, Gulbranson e sua equipe encontraram a floresta polar mais antiga registrada na região antártica. Eles ainda não dataram precisamente essa floresta, mas ela provavelmente floresceu há cerca de 280 milhões de anos [sic], até que foi soterrada de repente em cinzas vulcânicas, que a preservaram até o nível celular. As plantas estão tão bem conservadas que alguns dos blocos de construção de aminoácidos que compõem as proteínas das árvores ainda podem ser extraídos.

Gulbranson, um especialista em técnicas de geoquímica, afirmou ao portal Live Science que estudar esses blocos de construção químicos pode ajudar a esclarecer como as árvores lidavam com as estranhas condições de luz solar das latitudes do Sul, bem como os fatores que permitiram que essas plantas prosperassem.

Antes da extinção em massa, as florestas polares da Antártida eram dominadas por um tipo de árvore do gênero Glossopteris. As Glossopteris dominavam toda a paisagem abaixo do paralelo 35 S – um círculo de latitude que atravessa duas massas terrestres, a ponta sul da América do Sul e a ponta sul da Austrália.

De acordo com Gulbranson, essas plantas gigantes tinham entre 20 a 40 metros de altura, com folhas largas e planas mais longas do que o antebraço de uma pessoa.

Os pesquisadores vão retornar em breve à Antártida para realizar mais escavações em dois locais, que contêm fósseis de um período abrangente de antes a após a extinção do Permiano. Nesse período posterior, as florestas não desapareceram, e sim simplesmente mudaram. Glossopteris se extinguiu, mas uma nova mistura de árvores de folhas perenes e decíduas, incluindo parentes das árvores Ginkgo atuais, passou a embelezar a paisagem.

“O que estamos tentando pesquisar é o que causou exatamente essas transições. É isso que não sabemos muito bem”, disse Gulbranson.

A resposta provavelmente está nos afloramentos escarpados dos Montes Transantárticos, onde as florestas fósseis foram encontradas. Uma equipe que inclui membros dos Estados Unidos, Alemanha, Argentina, Itália e França vai acampar nesse local por meses, realizando inúmeros passeios de helicóptero para os afloramentos, conforme o clima impiedoso da Antártida permitir.


Nota: Um planeta com clima ameno e com florestas até nos polos; plantas gigantes e vegetação mais exuberante que a atual; extinção em massa em um momento específico da história; vulcanismo catastrófico como nunca mais se viu; fossilização instantânea. Que cenário lhe vem à mente ao ler isso tudo? [MB]

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