sexta-feira, janeiro 11, 2019

Damares Alves é criticada por defender ensino do criacionismo

Uma nova polêmica foi criada em torno da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves: sua opinião a respeito da teoria da evolução. Nas imagens de uma entrevista concedida por ela em 2013, Damares responde sobre o papel da igreja evangélica na política e observa que os cristãos perderam influência nas escolas. “A igreja evangélica perdeu espaço na história. Nós perdemos o espaço na ciência quando deixamos a teoria da evolução entrar nas escolas, quando nós não questionamos. Quando nós não fomos ocupar a ciência. A igreja evangélica deixou a ciência para lá e ‘vamos deixar a ciência sozinha, caminhando sozinha’. E aí cientistas tomaram conta dessa área”, diz a ministra no vídeo. Em nota, o ministério informou que “a declaração ocorreu no contexto de uma exposição teológica que não tem qualquer relação com as políticas públicas que serão fomentadas” pela pasta.

A teoria da evolução, reconhecida por grande parte da comunidade científica, defende que, a partir de ancestrais comuns, os seres humanos e outros tipos de vida sofrem mudanças evolutivas de uma geração para outra. No entanto, ela ainda é questionada por muitos cientistas, como o físico Adauto Lourenço, mestre em Física pela Clemson University (EUA). Ele apresenta evidências científicas que desmentem a tese defendida pelos evolucionistas.

“O problema é que o que sabemos hoje de seleção natural está ligado à quantidade de informação genética que um organismo tem. Para que a seleção natural ocorra, algo deve se transformar em outra coisa. Mas a informação genética disponível não faz com que ‘isso’ se transforme ‘naquilo’”, disse Lourenço em entrevista ao Guiame.

“Vamos pegar um exemplo prático: a boa pata de um réptil. Vamos imaginar que essa boa pata iria evoluir e, lá na frente, esse animal se tornaria uma ave. Para que essa boa pata se transforme em uma boa asa, no meio [do processo] ela não seria nem uma boa pata, nem uma boa asa. A seleção natural faria com que isso deixasse de existir. A seleção natural é um mecanismo que impede o processo evolutivo; exatamente o contrário daquilo que muitos acreditavam”, esclarece.

Lourenço lembra que o naturalista Charles Darwin, quando escreveu seu livro, disse que o maior problema com sua teoria é que não havia evidências de evolução. “A quantidade de evidências mostrando que a evolução nunca aconteceu, no registro fóssil, na genética, na biologia, nos processos naturais, é esmagadora. Continua sendo ensinado aquele mecanismo de forçar a pessoa a aceitar por intimidação. Hoje um aluno não pode mais dizer que não concorda com isso”, observa. [...]

Everton Alves, escritor e divulgador de ciência, disse ao Guiame que as evidências que comprovam o criacionismo são muitas, mas elas não são divulgadas pela mídia.

“A ciência, ano após ano, vem comprovando todo o relato bíblico, principalmente quanto à literalidade do livro de Gênesis, se formos tratar de Adão e Eva, Noé e sua família ou até mesmo do episódio do Dilúvio. Podemos ter dentro da própria Bíblia informações que atestam a veracidade desse primeiro livro”, Everton afirma.

Ele destaca que a veracidade da Bíblia está sendo comprovada principalmente na arqueologia. “A cada ano, vem sendo descoberta uma nova civilização, um túmulo ou objeto com nome de algum personagem que já estava descrito na Bíblia, sendo que antes eram considerados como mitológicos ou metafóricos”, explica.


Nota: Minha posição, assim como a da Sociedade Criacionista Brasileira, continua sendo pelo não ensino do criacionismo nas escolas públicas, não porque ele não merecesse ser ensinado ao lado da hipótese da evolução, mas porque o modelo seria distorcido ou mal explicado por professores que só conhecem (quando conhecem) o evolucionismo. Além disso, em um estado laico, não convém levar para as aulas de ciência e biologia uma estrutura conceitual que integra ciência e religião. Mas isso seria um grande problema? E o evolucionismo seria mesmo ciência pura? E se não, seria conveniente apresentá-lo como fato, verdade absoluta? Em outro post voltarei a essas três perguntas. Agora quero ponderar outro aspecto da celeuma.

O vídeo em que a ministra fala sobre o ensino da teoria da evolução é de cinco anos atrás e foi gravado em um contexto totalmente diferente do atual. É verdade que as palavras de Damares não têm aquele rigor científico nem filosófico, mas expressam uma opinião dela que, em partes, tem lá sua razão. Vejamos.

Ela disse: “Nós perdemos o espaço na ciência quando deixamos a teoria da evolução entrar nas escolas, quando nós não questionamos.” Damares tem razão. A ciência foi descoberta por homens de profunda convicção religiosa e fé na Bíblia Sagrada. Cientistas como Newton, Galileu, Pascal e outros nos legaram o pensamento científico e o harmonizavam bem com a religião. Faziam pesquisa científica para descobrir como Deus criou o Universo e a vida. Quando o darwinismo dominou o ambiente acadêmico, acabou impedindo a discussão ampla a respeito das origens. Os evolucionistas mais honestos e bem informados admitem que a teoria da evolução contém graves insuficiências epistêmicas e falha em responder muitas perguntas, mas procuram evitar esses questionamentos justamente para não dar espaço para a “hipótese concorrente”, o criacionismo. E por quê? Porque querem manter sua posição naturalista, dando as costas para tudo o que não pertença aos domínios do mundo dito natural.

Damares também fala em “questionamento”. E que mal há nisso? Não deveria ser justamente na universidade que o pluralismo de ideias teria que ser aceito e promovido? Não é papel da imprensa questionar e apresentar pelo menos duas faces de uma mesma história? Mas não. Ao tornar hegemônica e inquestionável a teoria da evolução, essas mesmas pessoas blindam esse modelo conceitual e o tornam inquestionável.

A ministra (que na época não era ministra) disse também: “A igreja evangélica deixou a ciência para lá e ‘vamos deixar a ciência sozinha, caminhando sozinha’. E aí cientistas tomaram conta dessa área.’” Bem, os cientistas têm mesmo que “tomar conta” dessa “área”. Mas que os evangélicos se distanciaram da ciência, isso é verdade. Essa atitude inclusive faz com que muitos cristãos abracem crendices, desprezem o estudo profundo das Escrituras Sagradas (deixando de lado, por exemplo, a arqueologia, a hermenêutica e a exegese, por exemplo) e digam verdadeiras asneiras quando o assunto é ciência (terraplanistas e militantes antivacinação que o digam...).

Só mais um detalhe: quando os presidentes anteriores indicavam algum ministro, quase ninguém se interessava pelo assunto, a não ser quando essa pessoa era citada em alguma investigação por corrupção. É interessante e positivo o recente interesse por política e pela vida das pessoas que estão sendo indicadas para cargos públicos, mas chega a ser hipocrisia ficar vasculhando vídeos e declarações antigos para tentar minar a autoridade e o currículo dessas recém-empossadas autoridades.

Em outro post vou analisar outros aspectos dessa polêmica. [MB]