quarta-feira, dezembro 19, 2018

Dinosaur Research Project: pesquisa criacionista inovadora

O projeto intitulado Dinosaur Research Project é realizado na formação Lance, dentro do rancho da família Hanson em Wyoming. O sítio Hanson possui uma das camadas de fósseis de dinossauros mais ricas do mundo, com dimensão de cerca de um metro de espessura que se estende por muitos quilômetros quadrados, com milhares de fósseis já escavados. Inicialmente, o dono do rancho, o senhor Hanson, contatou um grupo de pesquisa evolucionista em Paleontologia para que fosse conhecer a formação rica em fósseis. O grupo se interessou e pediu um arrendamento das terras por meio de um contrato de 99 anos. Porém, o Sr. Hanson percebeu que os alunos estavam sendo ensinados apenas por meio de uma perspectiva evolucionista. Incomodado, ele propôs uma cláusula no contrato de que aos alunos fosse ensinada também a perspectiva criacionista.

O grupo não aceitou, a parceria foi concluída e o grupo deixou pichado na parede de um galpão, antes de sair, o seguinte: “Este é o ultimo dia em que a ciência verdadeira está sendo feita no rancho Hanson.” Em seguida, o dono do rancho entrou em contato com o Institute for Creation Research (ICR), que enviou os paleontólogos de vertebrados Dr. Lee Spencer e a sumidade Dr. Kurt Wise. A estação de pesquisa Hanson foi então configurada como uma organização sem fins lucrativos, com um conselho consultivo para garantir que a maior qualidade de pesquisa paleontológica fosse mantida.

No entanto, a ICR não conseguiu dar continuidade às escavações no local e entrou em contato com o geólogo e paleontólogo Dr. Arthur Chadwick, da Southern Adventist University que, juntamente com o Dr. Lee Spencer, elaboraram uma proposta de pesquisa sobre Tafonomia dos fósseis, que foi aprovada pela diretoria da estação de pesquisa Hanson, e então nasceu o Dinosaur Research Project.

Temporadas de escavações e suas descobertas

Em junho de 1997, quando começaram as primeiras escavações anuais com alunos, professores e outros voluntários, foram escavados cerca de cem fósseis por temporada. De lá pra cá, já são mais de cem voluntários que escavam cerca de mil fósseis por temporada.

Em 2019, alcançou o número histórico de 20 mil fósseis escavados. Em especial, ali foram descobertos fósseis de ossos e dentes desarticulados do Cretáceo superior, de dinossauros como Tiranossauro rex, Edmontossauro, Triceratops, misturados com fósseis de outros animais, como jacarés, crocodilos, tubarões, raias e plantas. Também foram descobertos alguns fósseis muito raros de Nanotyrannus e um dos maiores fêmures já descobertos na América do Norte de outros terópodes. Ademais, encontrou-se a fúrcula de um pequeno raptor.

Tecnologia utilizada

A fim de preservar o maior número de dados possíveis, o grupo de pesquisa criacionista, liderado pelo paleontólogo adventista Dr. Arthur Chadwick, decidiu que faria algo a mais em relação ao que os outros paleontólogos já haviam feito até aquele momento, em termos de controle de dados. Passaram a utilizar, então, uma tecnologia própria que usa alta resolução de GPS para mapear cada osso encontrado, de acordo com as posições exatas, e usando também o Geographical Information System (GIS), em que as imagens fotografadas em 3D são integradas com os pontos reais para facilitar a recuperação de todos os dados e reconstruir a formação do jeito que os ossos realmente estavam no chão (veja a imagem abaixo)


Um dos pontos que torna esse projeto único e de última geração é a tecnologia de ponta desenvolvida pelo astrofísico Dr. Larry Turner especialmente para esse trabalho, a fim de que fosse o método ideal a ser usado para mapear os fósseis. Essa tecnologia de alta precisão chamada “GPS Rover” passou a ser usada oficialmente no ano 2000, três anos após o início do projeto, tornando o grupo de pesquisa pioneiro em pesquisa de GPS e visualização das peças em 3D podendo o catálogo de fósseis inclusive ser consultado online por meio da base web de dados da estação de pesquisa Hanson por paleontólogos de qualquer lugar do mundo.

Em 2004, o Dr. Arthur Chadwick e o Dr. Turner foram convidados para uma escavação arqueológica na Jordânia, durante a qual eles ajudaram a implantar essa técnica inovadora e pioneira no campo da Arqueologia. Essa técnica foi publicada e apresentada na forma de artigos, pôsteres e resumos na Sociedade de Paleontologia de Vertebrados e na Sociedade Americana de Geologia (clique aqui e aqui).

Atualmente, ela é usada também por esses profissionais, tornando-se um padrão nesse campo. Isso faz com que aquela ideia de que “criacionistas não fazem boa ciência” caia por terra diante do desafio à inovação nesse projeto bem-sucedido. Parece que aquela frase deixada na parede do rancho por um grupo de pesquisa evolucionista de que ali não mais seria feita “ciência verdadeira” foi uma falácia diante do novo padrão estabelecido de excelência no campo fóssil em Tafonomia geológica e paleontológica, estratigrafia e sedimentologia.

Hoje a Southern Adventist University é referência nessa área. Devido à importância de suas pesquisas, o Dr. Arthur Chadwick chegou a ser entrevistado no documentário Is Genesis History? Caso você tenha interesse em fazer escavações de dinossauros em alguma temporada anual em Wyoming, basta acessar o site do Dinosaur Research Project. Quer saber mais sobre a história e as descobertas feitas por meio desse projeto? Leia a matéria intitulada “DiscoveringDinosaurs”. Para mais informações, assista aos vídeos abaixo:




Everton Alves é escritor e divulgador de ciência.