quarta-feira, fevereiro 03, 2016

Pesquisa desafia tese da evolução ave-dinossauro

Fóssil de um Scansoriopteryx
Artigo científico publicado no Journal of Ornithology informa que uma análise com microscopia eletrônica digital de um fóssil de Scansoriopteryx, uma espécie pré-arqueoptérix do tamanho de um pardal datada do período Jurássico, fornece novas evidências que desafiam a hipótese amplamente aceita e trombeteada ao longo dos anos em publicações científicas e na mídia popular de que aves teriam evoluído a partir de dinossauros. Ao contrário das interpretações anteriores em que o  Scansoriopteryx foi considerado um dinossauro celurossauro terópode, a ausência de características fundamentais de dinossauros demonstra que ele não derivou de um ancestral dinossauro e não deve ser considerado como um dinossauro terópode.

Trata-se de um artigo científico com revisão por pares, mas duvido que será divulgado na grande imprensa, em revistas como Veja, Galileu e Superinteressante. É o tipo de assunto que mereceria uma capa na National Geographic, mas revistas como essas, comprometidas com o naturalismo filosófico e com o evolucionismo, geralmente não dão destaque (no máximo uma matéria interna ou uma nota) para pesquisas que colocam em xeque a história da evolução.

Em 2008, num estudo publicado na revista PLoS One, pesquisadores alegavam ter descoberto um dinossauro que respirava como as aves. O artigo é quase todo baseado em mera especulação, mas o estudo foi promovido pelos meios de comunicação populares como um fato irrefutável. Foi até capa de revistas! Mas uma pesquisa mais recente, publicada no Journal of Morphology, conduzida por cientistas da Universidade Estadual de Oregon, nos Estados Unidos, analisou a capacidade pulmonar das aves e sugeriu que é improvável que elas descendam de algum tipo de dinossauro. Segundo os pesquisadores, “as conclusões juntam-se a outras evidências que podem, finalmente, forçar muitos paleontólogos a reconsiderar a longa crença segundo a qual as aves modernas seriam descendentes diretos de muitos dinossauros carnívoros”.

Conforme informa o mestre em Saúde Pública Everton Fernando Alves, em artigo publicado aqui no blog, “as aves necessitam cerca de 20 vezes mais oxigênio do que os répteis, e é sua estrutura pulmonar única que lhes permite absorver tanto oxigênio. O fêmur delas fixo é o esteio dos pulmões e previne seu colapso. Acerca disso, os pesquisadores fazem a seguinte alegação: ‘Há muito que os cientistas sabem que o fêmur dos pássaros é fixo, ao contrário do fêmur dos animais terrestres, que é móvel. O que até hoje ainda ninguém tinha descoberto é que é o fato de o fêmur das aves ser estático que impede que seus sacos aéreos entrem em colapso cada vez que elas respiram.’ Como vemos, basta deslocar um pouco que seja a posição do fêmur da ave e ela morrerá.”

Mas, então, por que a persistência nessa relação dinossauro-ave? John Ruben cita algumas razões: “Francamente, há muita política de museu envolvida nesse assunto, muitas carreiras comprometidas com um ponto de vista particular, mesmo se novas evidências científicas levantem questões.”

É bem como escreveu Thomas Kuhn, em seu ótimo A Estrutura das Revoluções Científicas: alguns paradigmas só se sustentam pela teimosia dos que os defendem, e é preciso que muitas evidências contrárias se acumulem até que a comunidade científica admita que estava pensando de maneira errada sobre certo modelo.

Será que veremos esse dia chegar, no que diz respeito à teoria da macroevolução?

Michelson Borges