domingo, outubro 27, 2013

Deus existe? Testemunho da Dra. Wanessa Machado

Anos de busca e, por fim, a paz
A fé em Deus pode ser alcançada de diferentes maneiras. Algumas pessoas já nascem com ela. Outras se tornam crentes pelo testemunho de colegas, amigos, celebridades. Algumas pessoas presenciam acontecimentos ou até têm revelações que as levam a crer em Deus. Outras pessoas, como eu, só conseguem alcançar a fé através do estudo, da lógica e da razão. Eu faço parte desse último grupo de pessoas. Fui criada em uma família católica e aprendi desde cedo a acreditar em Deus. No entanto, talvez por conhecer maus cristãos, ou por ser muito curiosa, estudar e ler muito (provavelmente as duas coisas), aos poucos fui perdendo a minha fé em Deus. Por outro lado, eu nunca me contentei com as explicações evolucionistas que aprendi na escola sobre as questões elementares da vida. De onde viemos, para onde vamos, como tudo o que conhecemos surgiu. Vivi, pois, durante muitos anos, em um conflito interno solitário e silencioso.

E o mais engraçado é que esse pensamento me acompanhava desde a infância, desde muito cedo mesmo. Me lembro da primeira vez que eu descobri o que é a morte. O fim da minha vida aqui na Terra. O fim do meu eu, de tudo o que eu era. Eu tinha por volta de cinco, seis anos, não sei ao certo. Mas desde então o mundo mudou para mim.

Às vezes, eu sentia um vazio enorme dentro de mim, diante da cruel realidade de que minha vida era insignificante e nula, breve como um piscar de olhos na eternidade. E que após esse piscar de olhos eu não mais existiria, para todo o sempre. Com sorte seria lembrada por filhos e netos. E só. Em duas ou três gerações já não mais se lembrariam do meu nome completo e com mais alguns anos, se eu tivesse sorte, a única coisa que restaria de mim seria algum registro histórico e nada mais.

Eu me apagaria para sempre. E o mais aterrorizante, isso aconteceria também com as pessoas que eu mais amava. E com o tempo, com o planeta e com todo o Universo. E tudo voltaria a ser o vazio e o nada que fora um dia.

Esse sentimento era tão atordoante que não raras vezes eu me perguntava: Por quê? Por que isso foi acontecer? Tão melhor seria se nada tivesse existido, nunca. De que adianta existir todo este Universo se ele veio do nada e para o nada irá voltar?

No fim da minha infância e início da adolescência, comecei a desacreditar da religião ainda com mais vigor. No começo, sentia muita culpa por não mais crer em Deus. Era um sentimento confuso, constrangedor, pois se eu não acreditava em mais nada, contra quem eu estaria pecando?

Mas essa culpa foi se atenuando a cada dia. Eu me tornei adulta e com o passar dos dias, meses e anos, fui me acostumando com o fato de não acreditar em nada. Sempre ficava, porém, aquele vazio lá no fundo, aquela saudade da época em que eu era criança e o mundo parecia mais rico e colorido, e eu nunca estava sozinha.

Com o tempo, fui me ocupando com os afazeres do dia a dia e deixando essas questões um pouco de lado. Quanto mais avançava em minha vida acadêmica mais ateísta eu me tornava. Já quando cursava meu mestrado na Unicamp, uma das melhores universidades públicas do Brasil, comecei a perceber um vasto abismo que separava pessoas religiosas de pessoas, digamos, inteligentes e racionais, que liam e se informavam, que tinham uma boa relação com a ciência. Pra mim, o conflito entre ciência e religião estava cada vez mais evidente. Eu acompanhava de perto todos os avanços da ciência, acreditava muito na autoridade daqueles que eu imaginava serem os porta-vozes da verdade. E fui me acostumando com a ideia de que eu teria que me contentar com as explicações toscas que eu recebia da mídia convencional acerca da origem da vida e do Universo.

Mas, como mencionei acima, sempre fui muito curiosa, muito estudiosa e sempre adorei pesquisar sobre todos os assuntos. Decidi que eu queria saber a verdade sobre Deus, mesmo que a resposta correta fosse me desagradar. Não queria viver pela metade, sem acreditar em Deus, mas também sem acreditar na geração espontânea e toda a historia dos meus livros de ciência. Decidi de uma vez por todas: “Quero saber a verdade, mesmo que isso me faça muito triste.”

Mas como descrobrir a verdade? Já que a questão “Deus existe?” nunca tinha sido respondida antes, pelo menos não satisfatoriamente, no meu ponto de vista, nem por cientistas nem por religiosos.

Nessa época eu já estava quase terminando meu doutorado. Comecei a pesquisar com a ajuda da internet vários sites de notícias e blogs, de físicos, psicólogos, religiosos. Todos defendiam o seu lado, o seu ponto de vista, talvez todos cegos pelos seus próprios argumentos bestas e sem sentido. E ninguém conseguia me responder o que eu procurava.

Foi quando por acaso li a manchete de uma notícia da Folha: “Por que duvidam da evolução?” Pensei na hora: “Poxa, isso serve para mim!” Cliquei mais do que depressa no link, mas a notícia era apenas para assinantes (naquela época). Então aconteceu o milagre, a inspiração divina, o segundo que me fez alterar o rumo da minha vida toda. Copiei e colei o título da notícia no Google para ver se achava algum comentário a respeito e o primeiro link do Google me levou até o blog do Michelson Borges. Foi um achado. O blog reunia notícias de várias fontes, todas sobre o assunto evolução x criação, e quase sempre trazia um comentário do Michelson.

É claro que a minha, digamos, conversão, não ocorreu somente por causa dessa notícia. Levou ainda muito tempo para que eu pudesse finalmente afirmar para mim mesma: “Deus existe! E Ele me ama!” Mas o site do Michelson foi a porta de entrada, o início de uma linha de pesquisa que eu trilhei para encontrar a minha fé em Deus. Tempo depois troquei algumas mensagens com o Michelson, que me indicou excelentes livros. Concomitantemente, comecei a seguir as publicações de Olavo de Carvalho, Reinaldo Azevedo e outros jornalistas e cientistas cristãos.

Hoje me sinto feliz e em paz, de verdade. Sei que minha busca foi orientada por Deus, mas me sinto grata por aqueles que foram o Seu veículo para que eu encontrasse Deus em mim. Quero deixar o meu testemunho como um marco, não do fim, mas do início de uma nova vida e de um novo trabalho. Assim como fui gentilmente guiada por aqueles que trilharam o mesmo caminho que eu, antes de mim, quero que meus atos e palavras sejam testemunhos para que, quem sabe, eu possa ajudar as pessoas como eu a também se encontrarem com Deus.

O site do Michelson tem várias dicas de livros (inclusive alguns de sua autoria). Mas de todos os livros que eu li e que me fizeram acreditar, cito o livro Em guarda, de William Lane Craig. Além do livro, os vídeos do autor na internet, com suas palestras e debates com escritores ateus (sim, isso existe fora do Brasil!) estão disponíveis no YouTube.

(Wanessa Machado, mestre e doutora em Engenharia da Computação pela Faculdade de Engenharia Elétrica da Unicamp. Atualmente leciona no Instituto Federal de São Paulo, campus Piracicaba)