quarta-feira, janeiro 13, 2016

Os tentilhões se adaptaram, não “megaevoluíram”

Simples adaptação
Os tentilhões são um grupo de espécies de pássaro das Ilhas Galápagos apresentado por Charles Darwin e utilizado como um clássico exemplo de evolução. O naturalista estudou pessoalmente essas espécies ao passar pela América do Sul, em 1835.[1] Ele notou que cada ilha do arquipélago tinha suas próprias espécies de tentilhões, cada uma com um formato de bico próprio. No entanto, Darwin não conseguiu tirar nenhuma conclusão com base nas espécies de pássaros - os quais ele pensara ser corruíras (wrens), melros e tentilhões - do arquipélago antes de recorrer à ajuda de um especialista em aves na Inglaterra. Em março de 1837, o ornitólogo John Gould - a quem Darwin confiou as espécies para serem identificadas – informou que as três cópias dos tentilhões, entre os pássaros capturados das Ilhas Galápagos, eram, na verdade, tentilhões, mas cada um de uma espécie distinta.

Muitos livros didáticos procuram induzir os estudantes a crer que a variação dos tentilhões de Darwin aponta para a origem das espécies por meio da seleção natural. Mas o fato é que não ocorreu nenhuma megaevolução (especiação). Os tentilhões, apesar da variedade de bicos e costumes alimentares, continuavam sendo tentilhões. Por exemplo, nunca foram encontrados fósseis de pré-tentilhões (fóssil de transição) ou observada uma espécie se transmutando em outra espécie. O que foi observado de mais notável, até hoje, é a redução do tamanho médio de bicos em uma população de tentilhões-da-terra-médios (Geospiza fortis) que já possuíam naturalmente bicos pequenos.[2] Isso é chamado de “deslocamento de caráter” (character displacement), quando uma espécie adquire características diferentes em razão da competição com outra.

Em 1982, uma população de tentilhões-da-terra-grandes (Geospiza magnirostris) de uma ilha vizinha invadiu a ilha de Daphne Maior, competindo devido à seca por comida com a população dominadora de tentilhões-da-terra-médios (G. fortis).[3] A espécie Geospiza fortis estava bem estabelecida na ilha de Daphne, e tinha sido estudada em profundidade. Seu bico era perfeitamente adequado para quebrar nozes grandes. Esses tentilhões maiores (invasores) poderiam afastar os tentilhões médios de sua terra natal e comer todas as nozes de grande porte. Durante o período de estudo, os tentilhões médios da ilha de Daphne desenvolveram (variações limitadas) bicos menores e mais adequados para nozes menores, ignoradas pelos tentilhões invasores. No caso dos tentilhões de Galápagos, a profundidade média dos bicos reverteu ao normal após a seca.[4] Como pode ser observado, não houve especiação.

Mesmo assim, Jerry Coyne escreveu em seu livro Why Evolution Is True que “tudo que nós exigimos da evolução por seleção natural foi amplamente documentado” pelas pesquisas dos tentilhões.[5: p. 134] Uma vez que as teorias científicas permanecem ou caem devido à evidência, a tendência de Coyne a extrapolar as evidências não é algo correto para a teoria que ele está defendendo.[4] Em 1999, um livreto publicado pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos chamou a mudança de bicos dos tentilhões de “um exemplo particularmente convincente de especiação”.[6: p. 10] Devido a isto, o professor de Direito Phillip E. Johnson escreveu no The Wall Street Journal: “Quando nossos principais cientistas têm que recorrer ao tipo de distorção que colocaria um corretor da Bolsa na cadeia, você sabe que eles estão em dificuldades.” [7]

Em 2015, um estudo sequenciou o genoma de 120 tentilhões e encontrou uma correspondência com uma sequencia do gene ALX1 – responsável pelo controle do desenvolvimento da forma do bico dos tentilhões.[8] De fato, esse estudo contribui para a compreensão do fator adaptabilidade (microevolução). Infelizmente, ele também é um exemplo de deturpação da ciência pelos neodarwinistas. Os autores descreveram uma partilha (transferência) de genes entre as espécies de tentilhões através de eventos de hibridização. Em 1992, outro estudo já havia demonstrado que diversas espécies de tentilhões pareciam estar se misturando por hibridização, em vez da diversificação através da seleção natural.[9]

Uma vez que uma bem-sucedida e contínua hibridização na natureza só ocorre dentro da mesma espécie, ambas as evidências apontam para uma única espécie de tentilhões. Essa situação está em desacordo com a teoria de Darwin a qual refere que “uma espécie [foi] tomada e modificada”.[10: p. 345-356] Embora, Lamichhaney e colaboradores afirmem que os tentilhões de Darwin “constituem um modelo icônico para estudos de especiação e evolução adaptativa”[8: p. 371], seus resultados estão diretamente opostos às expectativas da teoria evolutiva. O processo evolutivo deveria ser lento e gradual, não rápido. O processo deveria construir novos projetos, não escolher de entre os preexistentes. O processo deveria continuar em uma direção e chegar a novas espécies, não oscilar para trás e para frente.

Em 2015, outro estudo corroborou os achados de Lamichhaney e colaboradores ao demonstrar as capacidades adaptativas de espécies como os tentilhões.[11] Observou-se que as várias espécies desse pássaro têm, sim, capacidades de adaptação fantásticas, mas não é fato o surgimento de novas espécies a partir destas que ocorre por meio de sucessivas mutações acumuladas e selecionadas naturalmente. Em vez disso, os autores observaram que há uma mudança rápida entre modelos pré-existentes, e ativados por mecanismos também pré-existentes. Isto é, as aves são rápidas em se adaptar, mas elas estão simplesmente seguindo o ambiente e a oferta de alimentos. Devido à escassez de comida (sementes e insetos) nas ilhas, os tentilhões são obrigados a alargar (mudar) seus hábitos alimentares. Eles exploram os recursos florais e agem como polinizadores potenciais em todo o arquipélago, tornando mais generalizada sua rede de contatos pássaro-flor do que seus homólogos presentes no continente. O resultado disso é sua flexibilidade e adaptabilidade. Como afirmou o pós-doutor Willemoes, do Museu de História Nacional da Dinamarca, “não houve evolução especializada em longo prazo”.[12]

Assim, é possível constatar que a adaptação (microevolução) não está relacionada ao surgimento de novas espécies (especiação).

(Everton Fernando Alves é mestre em Ciências da Saúde pela UEM e diretor de ensino do Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira [NUMAR-SCB]; seu e-book pode ser lido aqui)

Referências:
[1] Mayr E. Historia do pensamento biológico: diversidade, evolución, herdanza (tradução de Emilio valadé del Río). Santiago de Compostela: Universidade, Servícios de Publicacións e Intercambio Científico, 1998.
[2] Almeida Filho, EE. “A evolução é ‘fato, Fato, FATO’! Como? Os bicos dos tentilhões encolheram!” [jul. 2006]. Blog Desafiando a Nomenklatura Científica, 2006. Disponível em: http://pos-darwinista.blogspot.com.br/2006/07/evoluo-fato-fato-fato-como-os-bicos.html
[3] Grant PRGrant BR. “Evolution of Character Displacement in Darwin’s Finches.” Science. 2006; 313(5784):224-6.
[4] Almeida Filho, EE. “Por que o darwinismo é falso” – parte 3/3. [abr. 2012]. Blog Desafiando a Nomenklatura Científica, 2012. Disponível em:
[5] Coyne JA. Why Evolution Is True. Oxford: Oxford University Press, 2009.
[6] Capítulo “Evidence Supporting Biological Evolution”, p. 10. In: National Academy of Sciences. Science and Creationism: A View from the National Academy of Sciences. 2. ed., Washington, DC: National Academy of Sciences Press, 1999. Disponível em: http://www.nap.edu/openbook.php?record_id=6024&page=10
[7] Johnson PE. The Church of Darwin. The Wall Street Journal (august 16, 1999): A14. Disponível em: http://www.arn.org/docs/johnson/chofdarwin.htm
[8] Lamichhaney SBerglund JAlmén MSMaqbool KGrabherr MMartinez-Barrio APromerová MRubin CJWang CZamani NGrant BRGrant PRWebster MTAndersson L. “Evolution of Darwin’s finches and their beaks revealed by genome sequencing.” Nature. 2015; 518(7539):371-5.
[9] Grant PR, Grant BR. “Hybridization of Bird Species.” Science. 1992; 256:193-197.
[10] Darwin C. Journal of Researches into the Natural History and Geology of the Countries visited during the Voyage of H. M. S. Beagle. London: Murray, 1845.
[11] Traveset AOlesen JMNogales MVargas PJaramillo PAntolín ETrigo MMHeleno R. “Bird–flower visitation networks in the Galápagos unveil a widespread interaction release.” Nat Commun. 2015; 6:6376.
[12] Entrevista concedida por Mikkel Willemoes. “Birds on the Galápagos Islands have developed new eating habits” [mar. 2015]. Entrevistador: Johan Skov Andersen. ScienceNordic, 2015. Disponível em: http://sciencenordic.com/birds-gal%C3%A1pagos-islands-have-developed-new-eating-habits-0