quinta-feira, novembro 17, 2016

Adão cromossomial-Y

Uma origem comum
Em genética humana, o Adão cromossomal-Y – relativo ao cromossomo que determina o sexo masculino, passado de pai para filho – é definido como o ancestral comum mais recente de quem todas as pessoas vivas são descendentes por meio da linhagem paterna em sua árvore genealógica. A propósito, alguns de seus genes podem ser encontrados em toda a humanidade atual. Em 1995, a revista Science publicou os resultados de um estudo em que analisou um segmento do cromossomo Y humano a partir de 38 homens de diferentes grupos étnicos.[1] O segmento do cromossomo Y consistiu em 729 pares de bases. Para a surpresa dos pesquisadores, eles não encontraram nenhuma variação (polimorfismo). A conclusão foi a de que a raça humana deve ter experimentado um gargalo genético em algum momento no passado não muito distante. Uma pesquisa adicional foi feita, e foi determinado que cada homem vivo hoje, na verdade, descende de um único homem a quem os cientistas agora se referem como “Adão cromossomial-Y”.

Segundo um estudo da Escola de Medicina da Universidade Stanford (EUA) publicado na revista Science,[2] os novos dados contrariam estimativas anteriores, diminuindo a “idade” dos primeiros hominídeos. David Poznik, líder da pesquisa, explicou que eles conseguiram estimar a época em que o suposto ancestral comum paterno viveu. Por meio de sequenciamento dos cromossomos Y de homens que habitam diversas partes do mundo e de uma fórmula que calcula a mutação do cromossomo Y, foi possível estabelecer um relógio molecular mais confiável ao estimar que o ancestral comum tivesse vivido entre 120.000 e 156.000 anos atrás. Já a data para a origem da mulher seria entre 99.000 e 148.000 anos atrás.

Essa nova cronologia é um marco porque derruba a pesquisa anterior que sugeria que o mais recente antepassado do homem teria vivido há apenas 50.000 a 60.000 anos atrás.[3, 4] Além disso, mais uma vez confirma-se que houve um ancestral comum universal, de onde todas as linhagens humanas derivaram, independentemente da cor da pele.

Além disso, o resultado do estudo não desmente a origem de Adão e Eva como tendo ocorrido há cerca de 6.000 a 10.000 anos, pois esses estudos foram fundados sob um conjunto de pressupostos inválidos.[5] Por exemplo, em vez de medir diretamente taxas de mutação em várias etnias, os autores assumiram uma taxa constante dessas mutações nas etnias. Pesquisa publicada anteriormente mina essa suposição.[6]

Os autores também assumiram uma taxa constante de mudança através do tempo. No entanto, as mudanças ambientais associadas com o modelo catastrofista (vulcanismo intenso e emissões de CO2)[7-9] e possível deterioração radiométrica acelerada[10], por exemplo, podem ter afetado as taxas de variação no DNA. Além disso, nos 4.000 anos que decorreram aproximadamente desde o dilúvio, por que deveríamos supor que a taxa de mutação genética humana teria sido uniforme?

Ademais e, por fim, os autores calibraram seus dados moleculares para “datas” arqueológicas. Essas atribuições de idade dependem notoriamente de técnicas de datação radiométrica não confiáveis e, portanto, sendo consideradas validações não independentes para os dados moleculares.[7]

Não é difícil compreender que todos os cálculos do relógio molecular exigem que o observador especule sobre o passado, e os autores do estudo da Science selecionaram suposições baseadas em seu modelo de tempo evolutivo, resultando em um raciocínio circular. Claramente, as datas de 100.000 anos ou mais para o “Adão cromossomial-Y” não são suportadas sob escrutínio cuidadoso.

Principalmente se levarmos em conta os recentes estudos filogenéticos que nos permite inferir a partir de seus resultados a idade de origem do primeiro homem (ancestral Y) há cerca de 6.000 a 10.000 anos atrás. Trata-se da data estimada de detecção molecular da ancestralidade comum recente entre os indígenas siberianos e os nativos americanos que se deu por meio do fluxo de imigração e expansão que ocorreu na América do Norte, Central e do Sul após a rápida imigração a partir da região da Beringia [11, 12]. 

Se essa detecção molecular indica o tempo máximo pregresso de sua colonização nessas diferentes regiões, isso nos sugere que essa época de migração foi, portanto, o tempo em que os humanos eram de fato humanos em toda sua potencialidade, conforme diz o relato bíblico, a fim de que pudessem migrar e colonizar a terra após o Dilúvio. Caso contrário, por que eles não migraram antes para essas regiões, se eles supostamente já possuíam a capacidade de migração há dezenas de milhares de anos conforme prevê o modelo evolutivo "out-of-Africa"?

(Everton Fernando Alves é mestre em Ciências da Saúde pela UEM e diretor de ensino do Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira [NUMAR-SCB]; seu e-book pode ser lido aqui)

Referências:
[1] Dorit RL, Akashi H, Gilbert W. Absence of polymorphism at the ZFY locus on the human Y chromosome. Science. 1995; 268:1183-1185.
[2] Poznik GD, et al. Sequencing Y Chromosomes Resolves Discrepancy in Time to Common Ancestor of Males Versus Females. Science. 2012;341(6145):562-565.
[3] Underhill PA, et al. Y chromosome sequence variation and the history of human populations. Nature Genetics 2000; 26:358-61.
[4] Ke Y, et al. African Origin of Modern Humans in East Asia: A Tale of 12,000 Y Chromosomes. Science. 2001; 292(5519):1151-3.
[5] Nathaniel T. Jeanson. Does 'Y-Chromosome Adam' Refute Genesis? Acts & Facts. 2013; 42 (11).
[6] Conrad, D. F. et al. Variation in genome-wide mutation rates within and between human families. Nature Genetics. 2011; 43(7):712–714.
[7] Vardiman, L., A. A. Snelling and E. F. Chaffin, eds. Radioisotopes and the Age of the Earth: Results of a Young-Earth Creationist Research Initiative. El Cajon, CA: Institute for Creation Research, and Chino Valley, AZ: Creation Research Society, 2005.
[8] Graven HD. Impact of fossil fuel emissions on atmospheric radiocarbon and various applications of radiocarbon over this century. Proc Natl Acad Sci U S A. 2015;112(31):9542-5.

[9] Pasquier-Cardin A, Allard P, Ferreira T, Hatte C, Coutinho R, Fontugne M, Jaudon M. Magma derived CO2 emmisions recorded in 14C and 13C content of plants growing in Furnas caldera, Azores. Journal of Volcanology and Geothermal Research 1999; 92: 195-207.
[10] Jenkins JH, et al. Additional experimental evidence for a solar influence on nuclear decay rates. Astroparticle Physics 2012; 37:81–88.
[11] Dulik MC, et al. Mitochondrial DNA and Y Chromosome Variation Provides Evidence for a Recent Common Ancestry between Native Americans and Indigenous Altaians. Am. J. Hum. Genet. 2012; 90:229–246.
[12] Battaglia V, et al. The First Peopling of South America: New Evidence from Y-Chromosome Haplogroup Q. PLoS ONE 2013; 8(8):e71390.