segunda-feira, março 21, 2016

Vegetarianismo e leis dietéticas: o que a ciência diz?

Bíblia e ciência de mãos dadas
Os adventistas do sétimo dia são orientados desde cedo a seguir o padrão alimentar estabelecido por Deus na semana da criação: “Eis que vos dou todas as plantas que nascem por toda a terra e produzem sementes, e todas as árvores que dão frutos com sementes: esse será o vosso alimento” (Gn 1:29, King James Atualizada). Esse era o plano para que o ser humano vivesse um estilo de vida saudável que lhe proporcionasse mais saúde e longevidade, pois o propósito do Criador para o ser humano era o de que tivesse “vida e vida com abundância” (Jo10:10), e esse propósito nunca mudou. Porém, após o dilúvio, devido a um conjunto de fatores, tais como o pecado e a permissão da passagem da alimentação natural (vegetais, legumes e sementes) para o consumo temporário (emergencial) de carne, devido à escassez de vegetação pós-diluviana (Gn 9:3), a duração da vida humana encolheu drasticamente (compare Gênesis 5 com Gênesis 11:24, 25) e, eventualmente, chegou até cerca de 70 anos de idade, como no caso do rei Davi (2Sm 5:4, 5; Sl 90:10). O fato é que a permissão temporária de carne (após o dilúvio) fez com que o ser humano sentisse tanto prazer em sua ingestão, que desde então não parou mais.

Vendo Deus que as gerações pós-diluvianas se distanciaram das orientações dietéticas dadas por Ele na semana da criação, foram instituídas, por meio de Moisés, ordenanças alimentares para o Seu povo a fim de que se minimizasse, assim, o impacto da ingestão cárnea sobre a saúde humana. As leis dietéticas do Antigo Testamento são encontradas em Levítico 11 e Deuteronômio 14. Essas leis tiveram, e ainda hoje têm o propósito de separar os animais limpos e comestíveis dos animais imundos e não comestíveis (Lv 11:47). Mas quais seriam as evidências que dariam o respaldo necessário para afirmarmos que essas leis vigoram ainda hoje? A ciência certamente pode nos “dar uma mãozinha”!

Em 1953, um estudo realizado pelo médico farmacologista David I. Match, publicado pela John Hopkins University School of Medicine, realizou três experimentos com as categorias de animais quadrúpedes, aves e peixes.[1] Os resultados demonstraram que todos esses animais descritos em Levítico 11 e Deuteronômio 14 como sendo impuros (proibidos como alimentos) foram considerados tóxicos para o ser humano, ao passo que todos os animais descritos na Bíblia como limpos (liberados como alimentos) não ofereceram risco algum de toxicidade à saúde humana. Esse estudo forneceu provas científicas sólidas de que as carnes declaradas imundas em Gênesis realmente poluem nosso corpo com toxinas prejudiciais. Essas toxinas, com o tempo, se acumulariam no organismo fazendo-o adquirir todos os tipos de doenças.

Nós, criacionistas adventistas, entendemos que a morte de Cristo na cruz eliminou o significado cerimonial das leis dietéticas das Escrituras, não sendo a ingestão de carnes o motivo de salvação ou perdição, no entanto, o sacrifício na cruz em nada mudou a anatomia do ser humano ou a anatomia de um porco ou outro animal imundo. Animais impuros e insalubres para a saúde humana daquela época continuam sendo em nossa época também.

Por outro lado, a ciência tem nos ajudado a entender que os planos originais de Deus para o ser humano – a dieta vegetariana – ainda são, em nossos dias, a melhor opção para uma vida mais saudável e longeva. Em 2014, um estudo demonstrou que o consumo de carne está diretamente associado ao desenvolvimento da Doença de Alzheimer.[3] O líder da pesquisa é o Dr. Neal Bernard, professor de medicina na Universidade George Washington e presidente do comitê de Medicina Responsável dos Estados Unidos. Para ele, “comer carne e queijo é como ir adicionando balas num revolver para brincar de roleta russa, no que diz respeito à doença de Alzheimer”.[4]

Foi observado no estudo que pessoas que ingeriam gorduras saturadas e gorduras trans tinham entre 2 e 3,5 vezes maior chance de desenvolver a doença de Alzheimer do que aqueles que consumiram menor quantidade dessas gorduras. O estudo sugeriu também que os alimentos bons para o coração são igualmente bons para a cabeça. “Se você tem colesterol alto, o risco de contrair a doença de Alzheimer foi demonstrado muito maior”, disse Barnard.[4] Além disso, “as pessoas que tiveram mais vitamina E em sua dieta tiveram uma redução de cerca de 50% do risco da doença de Alzheimer”, disse Barnard. A vitamina E deve vir de alimentos como nozes, vegetais de folhas verdes e cereais integrais, em vez de suplementos, de acordo com as orientações.

Ademais, está bem estabelecido que, à medida que uma pessoa envelhece, o organismo usa um mecanismo de compensação para que a multiplicação celular continue a acontecer, ao passo que os telômeros (ponta dos cromossomos) vão se desgastando e encurtando. Em 2013, um estudo já havia descoberto que é possível reverter esse processo e fazer com que os telômeros voltem a crescer.[5] Ou seja, tornando o ser humano literalmente mais jovem. A amostra do estudo (10 idosos) foi submetida a uma dieta controlada, com apenas 10% de gordura e rica em alimentos saudáveis (verduras, legumes e grãos integrais). Também tinham que fazer exercícios diários. Cinco anos depois, seus telômeros haviam crescido 10% – quando o normal seria encolherem 3%.

Assim, é possível perceber que podemos, sim, decidir viver mais. A Bíblia nos diz onde estão os limites. Se ignorarmos suas diretrizes, vamos pagar o preço em nosso corpo e em nossa vida; mas, se vivermos de acordo com as orientações bíblicas, teremos vida em abundância.

(Everton Fernando Alves é mestre em Ciências da Saúde pela UEM e diretor de ensino do Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira [NUMAR-SCB]; seu e-book pode ser lido aqui: link)

Referências:
[1] Macht DI. “An experimental pharmacological appreciation of Leviticus XI and Deuteronomy XIV.” Bull Hist Med. 1953 Sep-Oct;27(5):444-50. Disponível em: http://www.friendsofsabbath.org/Further_Research/Health/-Appreciation%20of%20Leviticus%20XI%20and%20Deuteronomy%20XIV.pdf
[2] Barnard ND, Bush AI, Ceccarelli A, Cooper J, de Jager CA, Erickson KI, Fraser G, Kesler S, Levin SM, Lucey B, Morris MC, Squitti R. “Dietary and lifestyle guidelines for the prevention of Alzheimer’s disease.” Neurobiol Aging. 2014 Sep;35 Suppl 2:S74-8.
[3] Barnard ND, et al. “Dietary and lifestyle guidelines for the prevention of Alzheimer’s disease.” Neurobiol Aging. 2014 Sep;35 Suppl 2:S74-8.
[4] Condon S. “Aspen Institute speaker: Go vegan to reduce Alzheimer’s risk.” The Aspen Times, 2015. Disponível em: http://www.aspentimes.com/news/17559443-113/aspen-institute-speaker-go-vegan-to-reduce-alzheimers
[5] Ornish D, Lin J, Chan JM, Epel E, Kemp C, Weidner G, Marlin R, Frenda SJ, Magbanua MJ, Daubenmier J, Estay I, Hills NK, Chainani-Wu N, Carroll PR, Blackburn EH. “Effect of comprehensive lifestyle changes on telomerase activity and telomere length in men with biopsy-proven low-risk prostate cancer: 5-year follow-up of a descriptive pilot study.” Lancet Oncol. 2013 Oct;14(11):1112-20.