quinta-feira, março 09, 2017

A Virgem de Fátima, a Europa e os muçulmanos

Seria ela o elo que falta?
O artigo abaixo foi escrito por Luis Dufaur, escritor, jornalista, conferencista de política internacional e colaborador da Agência Boa Imprensa (Abim). Inicialmente, o texto me chamou a atenção porque trata de um tema atual e preocupante: a islamização da Europa e a extinção do cristianismo no continente. Mas o que me deixou surpreso, mesmo, foi a proposta do arcebispo emérito de Pompeia, Carlo Liberati, para resolver o problema europeu. A ideia dele me fez lembrar de outro artigo, mais antigo, que trata do papel da Virgem de Fátima em relação aos católicos e aos muçulmanos. No ano em que se comemoram os cem anos da aparição de Nossa Senhora de Fátima, esse assunto se torna ainda mais relevante. Leia o texto de Dufaur e depois eu volto:

“O monsenhor Carlo Liberati, arcebispo emérito de Pompeia (Itália), condenou incisivamente durante uma palestra a chegada massiva de imigrantes islâmicos à Europa. O arguto prelado identificou a maior culpa pelo drama não nos invasores, mas nos europeus cristãos que lhes abrem não somente os portos e postos de fronteira, mas também as portas da sociedade, produzindo vazios populacionais e de fé que os seguidores do Corão preenchem com o auxílio de líderes religiosos e civis. ‘Em mais dez anos, vamos ficar todos muçulmanos por culpa da nossa estultice. A Itália e a Europa vivem no ateísmo, fazem leis contra Deus e promovem tradições próprias do paganismo’, disse. ‘Toda essa decadência moral e religiosa favorece o Islã’, acrescentou o bispo emérito de Pompeia. ‘Temos uma fé cristã débil. A Igreja não age bem e os seminários estão vazios. Tudo isso pavimenta a estrada para o Islã. Eles têm filhos e nós não. Estamos numa decadência total’, prosseguiu.

“Segundo as estatísticas oficiais, em 1970 só havia dois mil muçulmanos na Itália. Hoje eles são mais de dois milhões. O bispo questionou as ajudas econômicas que organizações eclesiásticas, estatais, europeias e ONGs estão fornecendo aos invasores, enquanto os italianos pobres católicos não são auxiliados. ‘Ajudamos logo os que vêm de fora e esquecemo-nos de muitos anciãos italianos que catam alimento nas lixeiras. Eu, se não fosse sacerdote, estaria protestando nas praças. Como pode ser que tantos imigrantes, em vez de agradecer pela comida que lhes damos, jogam-na na rua e passam horas mexendo em seus celulares e até organizam distúrbios?’, perguntou.

“Em entrevista ao jornal católico online La Fede Quotidiana, Dom Liberati lembrou que o bispo polonês Pieronek também afirma que a ‘Europa corre o risco de ser islamizada’. Qual é então a solução? É uma, aliás, a única. Ela encoleriza os falsos cristãos, mas o arcebispo emérito de Pompeia defendeu-a corajosamente: ‘Para deter o Islã, que é uma ameaça, devemos todos lembrar aquele glorioso espirito de Lepanto e de Viena que nos permitiu salvar o Ocidente pela mediação de Maria e recitação do Rosário. Nós estamos aqui tentando fazer um diálogo impossível e fantasioso com aqueles que querem nos submeter porque nos tratam de infiéis. O Islã se baseia no Corão, que prega a submissão dos infiéis. Eu não quero morrer islâmico e sustento que todos nós deveremos empunhar a espada da fé e da verdade. O Islã é violento porque o Corão é violento; acabemos com a crença de que existe um Islã moderado’, concluiu.”

Percebeu? A solução, segundo o arcebispo, está em clamar pela ajuda de Maria. E os que não concordam com isso ele os chama taxativamente de “falsos cristãos”. Dom Liberati erra em um ponto: se Maria fizer parte da solução, não será preciso combater o Islã.

O artigo antigo ao qual me referi lá no começo foi escrito pelo arcebispo norte-americano Fulton Sheen, em 1952. Sheen está em processo de canonização e seu artigo, intitulado “Maria e os muçulmanos”, foi reeditado em 2001 e publicado no Brasil pelo blog católico “Fratres in Unum” (leia aqui o artigo de Sheen). Segundo o arcebispo norte-americano, a Virgem de Fátima pode ser o elo perfeito entre católicos e muçulmanos, pois ambas as religiões a veneram.

Conforme Sheen, o Corão tem muitas passagens relativas à Virgem. Primeiramente, o Corão apresenta a dita Imaculada Conceição de Maria e também seu parto virginal. “O terceiro capítulo do Corão cita a história da família de Maria em uma genealogia que remonta a Abraão, Noé e Adão. Quando se comparam os relatos do Corão e do evangelho apócrifo sobre o nascimento de Maria, somos tentados a crer que Maomé dependia muito deste último. Os dois livros descrevem a avançada idade e a esterilidade da mãe de Maria. Quando, apesar de tudo, concebe, a mãe de Maria proclama, segundo o Corão: ‘Senhor, ofereço-vos e consagro-vos o que fizestes em mim. Aceitai-a.’ […] No décimo nono capítulo do Corão, há 41 versos sobre Jesus e Maria. Há tal defesa da virgindade de Maria que o Corão, em seu quarto livro, atribui a condenação dos judeus à monstruosa calúnia deles contra a Virgem Maria.”

No Islã, a única rival de Maria seria a filha de Maomé, cujo nome era Fátima. Só que, depois da morte de Fátima, Maomé escreveu: “Sereis a mais bendita entre todas as mulheres do paraíso, depois de Maria.”

As três crianças de Fátima
Sheen faz a pergunta óbvia: Por que Maria teria decidido aparecer no começo do século 20 para algumas crianças na aldeia de Fátima, em Portugal, sendo, depois disso, conhecida como Nossa Senhora de Fátima? A Virgem apareceu pela primeira vez no dia 13 de maio de 1917, deixando três segredos para três crianças da vila (um dos quais tem que ver justamente com o reavivamento da veneração da Virgem). E as aparições, segundo Lúcia, uma das crianças, envolviam fenômenos sobrenaturais. Sheen especula que Maria teria escolhido estrategicamente uma vila com o nome da filha de Maomé a fim de ampliar o vínculo com os muçulmanos e levá-los a Cristo. O arcebispo apela a que os “missionários do futuro” aproveitem mais esse elo mariano para quebrar a barreira que ainda existe entre católicos e muçulmanos.

Agora vamos nos unir a Sheen e especular um pouquinho mais, só que não com base na tradição e nos dogmas católicos, mas do ponto de vista profético/bíblico. Imagine que a Virgem de Fátima volte a aparecer cem anos depois, com manifestações sobrenaturais, e dirija mensagens não apenas aos católicos, mas também aos muçulmanos, que já a respeitam. Imagine que ela anuncie que Jesus em breve voltará, preparando, assim, o caminho para a contrafação de Satanás, que vai simular a segunda vinda de Cristo (você já leu o livro O Grande Conflito?). Enquanto isso, o mundo todo vem sendo preparado para aceitar o descanso dominical, por meio de discursos pró-natureza e pró-família (confira aqui). Esse decreto será um tremendo ato de apostasia, ao obrigar todas as pessoas a descansar em um dia que nada tem que ver com o Criador; um dia que representa a petulância humana ao mudar um mandamento divino, substituindo-o por um mandamento humano. Agora imagine também que os radicais do Estado Islâmico realizem um atentado no Vaticano (algo que eles já prometeram). Isso teria um tremendo poder de catalisar os eventos finais no sentido de unir ainda mais os cristãos e os muçulmanos ditos moderados. Todas as religiões, com o apoio da Virgem de Fátima, estarão unidas pela paz no mundo, e os “fundamentalistas” dissidentes e exclusivistas passarão a ser hostilizados. E, “quando disserem: ‘Paz e segurança’, então, de repente, a destruição virá sobre eles” (1Ts 5:3).

Bem, como disse, são apenas especulações... Mas que vivemos em dias solenes, isso vivemos. [MB]