segunda-feira, maio 02, 2016

Atavismo: fato ou boato?

Vestígios de evolução?
A pedido de alguns leitores, aqui estou outra vez para tratar deste tema frequentemente divulgado como “verdade científica”. É preciso esclarecer que indivíduos que acreditam na transmutação das espécies entendem o “atavismo” como o reaparecimento de uma característica primitiva em seres vivos modernos, após várias gerações de ausência. Charles Darwin foi quem inicialmente compilou em A Origem das Espécies uma lista de potenciais “atavismos”, mas ele focou em dois exemplos principais: o cavalo e seu animal favorito, o pombo.[1] Uma questão intrigante quanto ao conceito de “atavismo” foi levantada pelo cientista M.Sc. Trevor Major em um de seus artigos: “Como podem as reversões [atavismos] contribuir para a evolução das espécies, se as formas contemporâneas se mantiverem regredindo para um estado anterior? Em seus primeiros anos de pesquisa, Darwin admitiu a possibilidade de que ‘qualquer grande mudança na espécie é reduzida por atavismo’ (Barrett, et al., 1987, p. 259). Então, ao longo do tempo, a população pode sofrer ciclos de evolução e involução, sem nunca se transformar em uma espécie diferente. Reversões podem mostrar como as populações podem variar, mas elas não podem provar mudança em grande escala durante longos períodos de tempo.”[1]

Essa observação de Trevor se apoia no princípio encontrado na “Lei de Dollo”, a qual diz que “a evolução não pode caminhar para trás”. A lei de Dollo, também conhecida como lei da irreversibilidade da evolução, foi sugerida em 1890 por um naturalista belga chamado Louis Dollo. No começo do século 20, a hipótese de Dollo foi confirmada por biólogos que chegaram a uma conclusão parecida com o auxílio de análises estatísticas.

Dessa forma, a ideia ou regra de irreversibilidade, baseada em probabilidades, passou a ser conhecida como “Lei de Dollo”. Se ela estiver correta, atavismos podem ocorrer muito raramente – isso se de fato ocorrerem. Em geral, essa lei da biologia evolutiva diz que uma vez que se perde a capacidade de se fazer algo, a perda será permanente.[2] Em outras palavras, se uma mutação pequena resultar na perda de uma estrutura como os mamilos ou os dedos adicionais, então a seleção natural já não poderia atuar sobre os elementos perdidos.

Em 2007, um estudo buscou traçar a história evolutiva de duas plantas com flores (angiospermas) que os biólogos evolucionistas acreditam estar intimamente relacionadas. Foram realizados experimentos de mutagênese a fim de que as plantas revertessem traços para um estado mais “primitivo”. Segundo os autores, eles não obtiveram sucesso, pois o processo esbarra em princípios básicos do design inteligente: “Uma vez que surgem novos personagens, e não por adições simples, mas pela integração de redes complexas de funções de genes que tornam muitos sistemas irredutivelmente complexos, esses sistemas não podem – de acordo com a lei de Dollo – simplesmente reverter para o estado original sem destruir inteiramente o padrão de integração garantindo a sobrevivência de uma espécie.”[3: p. 18] Portanto, vemos que a complexidade irredutível é um grande desafio para o conceito de “atavismo”.

Atualmente, os exemplos populares de “atavismo” e “estruturas vestigiais” são mais difíceis de documentar. Isso porque os dados atuais não mais sustentam essa crendice evolutiva. Sabemos hoje que “atavismos” nada têm a ver com a evolução dos seres vivos. As características – erroneamente associadas ao “atavismo” – que surgem nada mais são que defeitos genéticos como, por exemplo, a espinha bífida. Ao longo do tempo, cientistas sérios como o bioquímico Dr. Duane Gish (in memoriam) não aceitaram a conotação dada a deformações humanas como sendo “atavismos”.[4] Logo, o que é interpretado como atavismo, nada mais é que um exemplo de desenvolvimento embrionário anormal, ou de uma doença rara.[5]

Portanto, não se engane! Não é porque um resultado fenotípico (cauda e excesso de pelos em humanos, galinhas com dentes, cavalos com dedos extras, entre outros) apresente características morfológicas de primatas ou de outros mamíferos, segundo a interpretação evolucionista, que isso realmente signifique que um gene “oculto” em nosso genoma tenha sido “desreprimido” ou “ativado”.

Como sabemos disso? Podemos citar como exemplo uma pesquisa realizada com pessoas que possuem a doença hipertricose congênita generalizada, responsável pelo surgimento do excesso de pelos em humanos.[6] Os autores do estudo, Sun e colaboradores, dizem que essa doença foi considerada no passado um exemplo de “atavismo” e uma “prova” do elo (macaco-homem) que seria necessário para comprovar a teoria de Darwin.[6] Também não podemos nos esquecer de que os europeus se utilizaram do conceito de “atavismo” para fins de discriminação racial.[5] No entanto, as conclusões do estudo de Sun e colaborares demonstraram que a origem da doença encontra-se em mutações genéticas localizadas no cromossomo 17, a saber:

“Congenital generalized hypertrichosis (CGH), a condition characterized by excessive hair growth all over the body as compared to the normal of the same age, sex, and race, has attracted a great attention from the scientific community and the general public since the Middle Ages. It was considered an example of atavism and at one time even thought to be the missing ape-human link required to prove Darwin’s theory. It is now believed that most people with CGH have an unknown genetic defect.”[6: p. 807]

Conclusão: atavismo é uma desordem genética extremamente rara, ou seja, não é uma involução, como os evolucionistas insistem em propagar nos livros didáticos. Portanto, a ciência derruba por terra mais um boato evolucionista.

Quer saber mais sobre supostos “atavismos” e “órgãos vestigiais”? Acesse gratuitamente o e-book.

(Everton Fernando Alves é mestre em Ciências da Saúde pela UEM e diretor de ensino do Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira [NUMAR-SCB]; seu e-book pode ser lido aqui: link)

Referências:
[1] Major T. Shadows of Evolution. Apologetics Press, 1994 [link].
[2] Standish TG. “Um golfinho mutante demonstra que a evolução é verdadeira... Ou talvez não.” Ciência das Origens, 2006, n 12.
[3] Lönnig WE, Stüber K, Saedler H, Kim JH. “Biodiversity and Dollo’s Law: To What Extent can the Phenotypic Differences between Misopates orontium and Antirrhinum majus be Bridged by Mutagenesis.” Biorem. Biodiv. Bioavail. 2007; 1(1):1-30 [link].
[4] Gish DT. “Evolution and the Human Tail.” Impact 1983; n 117.
 [5] Bergman J. “Darwin’s ape-men and the exploitation of deformed humans.” Journal of Creation 2002; 16(3):116-122 [link].
[6] Sun M, et al. “Copy-Number Mutations on Chromosome 17q24.2-q24.3 in Congenital Generalized Hypertrichosis Terminalis with or without Gingival Hyperplasia. ” Am J Hum Genet. 2009 Jun 12; 84(6): 807-813 [link].