sexta-feira, maio 27, 2016

O estupro da menor e o mundo violentado

Até quando?
Sabe aquelas notícias que jogam na cara da gente que o mundo já passou do prazo de validade e que o amor esfriou no coração de muita gente, conforme profetizado por Jesus, na Bíblia? Ontem foi um dia desses. Um dia em que, mais uma vez, dá vontade de não viver neste planeta. Dá vergonha de ser humano. Dá vontade de chorar e clamar pela volta de Jesus, a fim de que a justiça definitiva seja feita e que inocentes não mais tenham que sofrer. O que aconteceu é que uma jovem de 16 anos foi estuprada no Morro São João, em Praça Seca, no Rio de Janeiro. Alguns mais dessensibilizados pela constante veiculação de notícias dando conta de estupros aqui e acola talvez nem se espantem mais com isso. Afinal, não acontece todos os dias? Todos os dias centenas de mulheres não são violentadas no mundo? Enquanto a realidade é expressa apenas em números, é mais fácil permanecer na indiferença. Mas, quando os números têm rosto, têm idade, tem uma história e têm fotos reveladas nas redes sociais, aí choca. Aí a realidade sai debaixo do tapete da frieza e revela sua cara feia e o submundo de uma realidade que nos rodeia e que muitos insistem em ignorar. Só que, desta vez, não deu para ignorar, pois os próprios bandidos fizeram questão de publicar a barbaridade.

A menina foi estuprada por mais de 30 homens! Além disso, está passando pelo constrangimento de ter imagens dela machucada e nua publicadas na internet. Os dois homens que divulgaram as imagens estão sendo investigados pela Polícia Civil por participação no crime. O pai da menor disse que ela havia ido a um baile no Morro São João. “Bagunçaram minha filha. Quase mataram ela. Estava gemendo de dor. Ficou tão traumatizada que só conseguia chorar”, disse ele.

No vídeo divulgado por um dos agressores, ele confirma que havia mais de 30 homens envolvidos e ainda debocha da vítima. A avó disse que a neta tem o hábito de frequentar comunidades e passar alguns dias sem dar notícias, desde os 13 anos. A família, no entanto, nunca teve notícias de que a moça sofresse abusos. A vítima é mãe de um menino de três anos.

A publicação e o compartilhamento das imagens da jovem violentada causaram revolta nas redes sociais e a notícia ganhou o mundo. A ONU se manifestou cobrando justiça. Imediatamente, alguns passaram a fazer comparações com a Índia, onde os estupros coletivos se tornaram frequentes. E eu me lembrei de uma pesquisa feita com universitários nos Estados Unidos. Perguntaram a alguns jovens, caso eles tivessem certeza de que nunca seria pegos, se estuprariam uma mulher. A maioria respondeu que sim. Às vezes, o crime só não ocorre por falta de oportunidade ou por medo da punição – e isso pode ser aqui, na Índia ou nos Estados Unidos.

Tenho duas filhas mocinhas e muito medo deste mundo. Tenho raiva de uma mídia hipócrita que glamouriza o sensualismo, incentiva o sexo sem compromisso e depois finge espanto com notícias bárbaras como essa que deixou as redes sociais em polvorosa, mas que, alguns dias depois, ficará no passado e voltará para debaixo do tapete. E só a menina e seus familiares mais próximos é que terão que lidar com a dor que insistirá em permanecer ali por muito tempo.

Se você tem filhos, cuide muito bem deles! Saiba com quem se relacionam e aonde vão. Seja amigo e presente. Neste mundo, todo cuidado é pouco! Se você insiste em frequentar lugares perigosos onde ninguém gostaria de estar quando Jesus vier, saiba pelo menos que há muita gente má neste mundo; gente que vem colocando drogas em bebidas a fim de violentar vítimas dopadas. Há diversões muito melhores, mais sadias e seguras do que essas. Há ambientes infinitamente melhores do que esses em que o pecado se alastra. Pense nisso.

Mais uma menina foi estuprada. Culpa da mídia erotizada? Culpa dos pais que não souberam cuidar de uma garota de 13 anos que frequentava lugares perigosos? Culpa dos bandidos insensíveis? Uma coisa é certa: a culpa não é da vítima. Vítima é vítima. Crime é crime. A verdade é que todos somos vítimas de uma tragédia chamada pecado, que só vai terminar quando seu originador e seus aderentes forem destruídos para sempre. Até lá, infelizmente, muitas notícias terríveis irão nos deixar alarmados e nos lembrarão dolorosamente de que nosso lar não é aqui, onde mulheres e crianças são tratadas como objetos de prazer para ser desfrutadas por arremedos de humanidade no coração dos quais o amor já foi embora faz tempo.

Vem logo, Senhor Jesus!

Michelson Borges