quinta-feira, dezembro 15, 2016

Carbono-14 em fósseis: um dilema cada vez mais difícil

Não deveria haver C-14, mas há
Recentemente, um artigo publicado na revista Nature afirmou que, ao contrário do que se pensava, a descoberta de tecidos moles em fósseis é um “fenômeno comum”.[1: p. 6] De fato, a presença de biomoléculas em fósseis de dinossauros é a regra, não a exceção. Mas o que dizer dos achados científicos de carbono-14 (C-14) em fósseis de dinossauros ao longo da história? Em 1990, a organização Creation Research Science Education Foundation (CRSEF), sediada em Columbus, Ohio, anunciou de forma pioneira o achado de várias datas de radiocarbono variando de 30.000 a 100.000 anos, com taxas de carbono entre 1,9% e 7,4%, obtidas a partir de ossos fósseis de dinossauros que sugeririam que “os dinossauros viveram com humanos”.[2: p. 2A] Segundo essa organização criacionista, os exemplares fósseis de dinossauros são reais, e algumas espécies foram obtidas de coleções paleontológicas do Museu Carnegie de História Natural, em Pittsburgh (EUA). Além disso, um espectrometrista de massa a laser da Universidade Estatal de Moscou (Rússia) teria confirmado a idade relativamente recente dos espécimes.[3: p. 372]

Muitas publicações seculares contestaram posteriormente os resultados criacionistas alegando ausência de rigor metodológico e contaminação das amostras.[4] Mas, como afirma um dos autores aqui, eles não receberam a chance de resposta. Independentemente da controvérsia, fato é que os criacionistas foram pioneiros no uso da técnica de datação de C-14 por espectrometria de massa a laser em fósseis de dinossauros. Segundo Bradley Lepper, curador em arqueologia na Sociedade Histórica de Ohio, no ano de 1992, “a datação por espectrometria de massa a laser era uma técnica experimental e muito nova. Seus métodos, suposições e limitações não eram bem compreendidos.”[4: p. 7] Para Lepper, “vários geoquímicos que ele havia consultado nunca tinham ouvido falar de espectrometria de massa a laser ser usado como uma técnica de datação”.[4: p. 7] Por outro lado, sabemos que hoje o espectrômetro de massas é o aparelho considerado de primeira escolha devido a sua precisão em detectar radiocarbono em fragmentos de até 100.000 anos.

Desde a década de 1990 para cá, outros resultados têm sido publicados por grupos de pesquisas espalhados pelo mundo acerca de radiocarbono identificado em fósseis de dinossauros. Em 2011, por exemplo, um grupo de pesquisa da Suécia encontrou proteínas no úmero de um mosassauro (réptil marinho gigante extinto) de supostos 80 milhões de anos atrás, alegando conservação de tecidos moles, e negando uma possível contaminação: “As fibrilas [encontradas] diferem significativamente na assinatura espectral das de potenciais contaminantes bacterianos modernos, tais como os biofilmes.”[5] Além disso, os pesquisadores encontraram quantidade significativa (5%) de C-14 nesse fóssil. No entanto, eles interpretaram esse achado de maneira inconsistente com o achado principal do artigo, alegando que o C-14 – ao contrário do tecido mole encontrado – deveria ter vindo de contaminação. O curioso é que tal alegação é incoerente com a própria conclusão do estudo. Se o C-14 tivesse vindo de contaminação, essa condição faria com que a reivindicação de sobrevivência de material biológico fosse obviamente ainda mais impossível.

Em 2012, uma equipe de pesquisadores do grupo Paleocronologia (Paleogrupo) fez uma apresentação no período de 13 a 17 de agosto em uma reunião anual de Geofísica do Pacífico Ocidental, em Cingapura, idealizada pela conferência da União Americana de Geofísica (AGU) e pela Sociedade de Geociências da Oceania Asiática (AOGS).[6] Os autores descobriram uma razão para a sobrevivência intrigante dos tecidos moles e colágeno em ossos de dinossauros. Segundo eles, os ossos são mais jovens do que tem sido relatado. Para tanto, eles utilizaram o método de datação por radiocarbono em múltiplas amostras de ossos de oito dinossauros encontrados no Texas, Alasca, Colorado e Montana. E pasme! Eles reportaram a presença do C-14 (que decai rapidamente) nos ossos, revelando que eles tinham apenas entre 22.000 a 39.000 anos de idade de radiocarbono. Para saber mais, clique aqui.

Como era de se esperar, embora o trabalho tivesse sido aceito, os cientistas foram censurados e o resumo foi removido do site da conferência por dois presidentes, porque não podiam aceitar as conclusões. Quando os autores questionaram, eles receberam uma carta. Mas qual seria o motivo para isso? O pressuposto dos presidentes era o de que o C-14 não poderia estar presente em tais fósseis “velhos”. Negativas como essa têm impedido a realização de testes com a datação por carbono e prejudicado o progresso da ciência. Isso porque os evolucionistas sabem que, se uma análise fosse feita utilizando esse método de datação, seria altamente provável que mostraria uma idade de radiocarbono de milhares de anos, e não de “milhões de anos”, como na previsão evolutiva.

Além disso, o grupo de Paleogrupo publicou outros trabalhos acerca da descoberta de C-14 em ossos de dinossauros. Em 2009, um artigo revisado por pares já havia sido aceito e publicado em italiano em uma conferência realizada pelo Conselho de Pesquisas Nacionais da Itália, na cidade de Roma.[7] O mesmo artigo foi publicado em inglês em uma conferência posterior realizada pela Gustav Siewerth Academie, no sul da Alemanha.[8] Esse artigo trouxe uma descrição minuciosa da metodologia adotada pelos pesquisadores.

Como pode ser visto, ano após ano o Paleogrupo tem sido autorizado a apresentar seus resultados em conferências internacionais na área de Ciências Geofísicas. No dia 17 de dezembro de 2014, por exemplo, o Paleogrupo apresentou informações na forma de pôster na reunião da American Geophysical Union (AGU), em San Francisco (EUA).[9] Em 5 de agosto de 2015, por sua vez, apresentou-se na reunião da Asia Oceania Geosciences Society (AOGS), em Cingapura.[10]

Em 2015, pesquisadores norte-americanos publicaram na forma de artigo científico os resultados de seu projeto Investigation of Dinosaur Intact Natural Osteo-tissue (iDINO), cujo objetivo é a investigação da permanência de tecidos moles (fibrilar) em ossos de dinossauros.[11] Os autores encontraram quantidades mensuráveis de C-14 em 16 amostras a partir de 14 espécimes fósseis de peixes, madeira, plantas e animais de toda a coluna geológica, Mioceno a Permiano, de todas as três eras: Cenozoica, Mesozoica e Paleozoica. As amostras vieram de diferentes locais do planeta (Canadá, Alemanha e Austrália). Cerca de metade eram de ossos de dinossauros (sete espécimes). Todas as amostras foram preparadas por processos padrão para eliminar a contaminação e, em seguida, foram submetidas à análise de espectrometria de massa atômica por cinco laboratórios. As idades variaram entre 17.850 a 49.470 anos de radiocarbono. Para saber mais, clique aqui.

Pelo exposto, percebemos que, até agora, nenhum cientista evolucionista sugeriu a datação de C-14 em fósseis de dinossauros, pois eles acreditam que esses fósseis tenham milhões de anos de idade, e ossos mais antigos que 100.000 anos supostamente não deveriam conter nenhum C-14 devido à sua meia-vida de 5.730 anos, conforme vemos no Relógio do Tempo (abaixo). No entanto, até pouco tempo atrás eles também acreditavam que os fósseis de dinossauros não podiam conter tecidos moles!


Interpretando as idades obtidas por radiocarbono

Para compreendermos as idades resultantes de datação por C-14, muitas vezes apresentadas em dezenas de milhares de anos, temos que analisar dois fatores essenciais: o enfraquecimento do campo magnético da Terra e o período do dilúvio de gênesis. A Terra tem um campo magnético ao seu redor que a protege da radiação nociva do espaço exterior. Esse primeiro fator a ser analisado – o campo magnético – está comprovadamente ficando mais fraco.[12, 13] Quanto mais forte é o campo em torno da Terra, menor será a quantidade de raios cósmicos capazes de atingir a atmosfera. Isso resultaria em uma menor produção de C-14 na atmosfera no passado da Terra. Se a taxa de produção de C-14 na atmosfera fosse menor no passado, as datas identificadas pelo uso do método C-14 deveriam indicar incorretamente que mais C-14 tivesse decaído do que realmente ocorreu.[14] Ou seja, isso resultaria em datas mais antigas do que a idade verdadeira do espécime que está sendo analisado.

Em relação ao segundo fator, o dilúvio, teria havido intensos e frequentes vulcanismos durante esse período e grandes quantidades de gases sendo emitidas para a atmosfera teriam alterado a taxa de carbono na biosfera. Estudos científicos sugerem que emissões vulcânicas de CO2 podem resultar até mesmo em idades artificiais de radiocarbono (idades excessivamente antigas) causadas por excesso de concentração de CO2 em terras vulcânicas.[15] Ademais, o dilúvio teria enterrado grandes quantidades de carbono de organismos vivos (plantas e animais) para formar os combustíveis fósseis de hoje (carvão, óleo, etc.).

A quantidade de combustíveis fósseis indica que deveria ter existido uma quantidade muito maior de vegetação antes do dilúvio do que existe hoje. Isso significa que a biosfera anterior ao dilúvio teria contido muito mais C-12 em organismos vivos do que hoje, cerca de 500 vezes mais.[16-18] Assim, mesmo que os níveis de C-14 anteriores ao dilúvio fossem semelhantes aos que existem no mundo hoje, a relação C-14/C-12 teria sido muito diferente do que a atual.

Assim, quando o dilúvio é levado em conta juntamente com o enfraquecimento do campo magnético e as evidências de que a proporção de C-14/C-12 ainda está aumentando, é razoável acreditar que a hipótese uniformista da constância da taxa de decaimento é falsa e que essa razão foi consideravelmente menor no passado.[14] Consequentemente, qualquer análise em que se use C-14, particularmente o C-14 anterior ao dilúvio, dará datas mais antigas do que a idade verdadeira. A propósito, a datação por C-14 é útil ainda hoje, mas daqui a alguns anos ela já não mais será confiável. Conforme pesquisa baseada em uma projeção, a queima contínua de combustíveis fósseis e esse CO2 adicional mudarão em 2050 a composição de carbono da atmosfera e afetarão, assim, a capacidade dos cientistas de encontrar datas precisas de radiocarbono para nada menos do que 1.000 anos aparentemente mais antigas.[19]

Portanto, conforme discutido anteriormente, “anos de radiocarbono” não necessariamente indicam idades verdadeiras dos espécimes porque isso depende de suposições sobre as condições atmosféricas do passado. O modelo criacionista prevê que houve fatores no passado que influenciaram essa “constância” e, consequentemente, as proporções de C-14. Diante disso, disponibilizamos a coluna corretiva (ao lado) que, com base na formulação de uma relação matemática, possibilita a conversão entre a idade radiocarbônica e idade tempo real, proposta pelo físico Dr. Robert Brown, e traduzida para o Brasil pelo biólogo MSc. Roberto César de Azevedo.[20, 21]

É necessário mencionarmos também que os achados de C-14 em fósseis de dinossauros têm sido duramente criticados pela comunidade uniformitarista, sendo relacionados a: 1) erros de fundo da máquina, 2) síntese nuclear de C-14 in situ, 3) contaminação in situ, 4) contaminação durante o processamento da amostra, e 5) improbabilidade de haver carbono-14 residual. Porém, todas essas alegações podem ser eliminadas em termos teóricos [22]. Além disso, se for levado em conta a divulgação emitida recentemente pela revista científica Nature de que tecido mole em fósseis de dinossauros é “comum” e que o “tecido é susceptível de conter carbono abundante”,[1: p. 2] cientistas de ambos os modelos das origens serão “estimulados” a encontrar mais do mesmo.

(Everton Fernando Alves é mestre em Ciências [Imunogenética] pela UEM e diretor de ensino do Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira [NUMAR-SCB]; seu e-book pode ser lido aqui)

Referências:
[1] Bertazzo, et al. Fibres and cellular structures preserved in 75-million-year-old dinosaur specimens. Nature Communications 2015; 6(7352):1-8.
[2] Lafferty, M. B. 1991. Creationists Say Dinosaurs Lived with Man. The Columbus Dispatch, 3 November 1991, pp. 1B-2B.
[3] Dahmer, L., D. Kouznetsov, a. Ivanov, J. Whitmore, G. Detwiler and H. Miller. 1990. Report on Chemical Analysis and Further Dating of Dinosaur Bones and Dinosaur Petroglyphs. In Proceedings of the Second International Conference on Creationism held July 30–August 4, 1990, Volume 2, technical symposium sessions and
additional topics, edited by R. E. Walsh and C. L. Brooks, pp. 371–374. Christian Science Fellowship, Inc., Pittsburgh.
[4] Lepper BT. Radiocarbon Dates for Dinosaur Bones? A Critical Look at Recent Creationist Claims. Creation/Evolution 1992; 12(1):1-9.
[5] Lindgren J, et al. Microspectroscopic Evidence of Cretaceous Bone Proteins. PLoS ONE 2011; 6(4): e19445.
[6] Miller H, Owen H, Bennett R, De Pontcharra J, Giertych M, Taylor J, Van Oosterwych MC, Kline O, Wilder D, Dunkel B. A comparison of δ13C&pMC Values for Ten Cretaceous-jurassic Dinosaur Bones from Texas to Alaska, USA, China and Europe. In: AOGS 9th Annual General Meeting. 13 to 17 Aug 2012, Singapore. Disponível em: http://4.static.img-dpreview.com/files/p/E~forums/50713079/dfdc0a3fdc564435bb159bce43a40d77
[7] Holzschuh J, Pontcharra J, Miller H. Datazioni recenti al C-14 di fossili comprendenti collagene provenienti da ossa di dinosauro. Roma, giugno 2009, pp. 32-34. Disponível em: http://www.siewerth-akademie.de/cms/
[8] Holzschuh J, Pontcharra J, Miller H. Recent C-14 Dating of Fossils including Dinosaur Bone Collagen. Science vs Evolution, 2010. Disponível em: http://www.sciencevsevolution.org/Holzschuh.htm
[9] Miller H, Bennett R, de Pontcharra J, Giertych M, Kline O, van Oosterwych MC, Owen H, Taylor J. A comparison of δ13C & pMC values for ten Cretaceous-Jurassic dinosaur bones from Texas to Alaska USA, China, and Europe with that of coal and diamonds presented in the 2003 AGU meeting. AGU Fall Meeting 2014, 15 to 19 Dec, 2014, San Francisco, Abstract #B31E-0068. Disponível em: https://agu.confex.com/agu/fm14/meetingapp.cgi/Paper/29800
[10] Miller H, Bennett R, Owen H, de Pontcharra J, Giertych M, van Oosterwych MC, Kline O, White B, Taylor J. Soft Tissue, Collagen and Significant 14C Content in Dinosaur Bones - What Does it Mean? AOGS 12th Annual Meeting, 2 to 7 Aug, 2015, Singapore, Abstract BG01-D3-PM2-P-006 (BG01-A013). Disponível em: http://www.dinosaurc14ages.com/singabs.pdf
[11] Thomas B, Nelson V. Radiocarbon in Dinosaur and Other Fossils. CRS Quarterly 2015; 51(4):299-311. Disponível em: https://creationresearch.org/index.php/extensions/crs-quarterly/s5-frontpage-display/item/117
[12] Humphreys DR. The mystery of earth’s magnetic Field. Acts & Facts. 1989;18(2). Disponível em: http://www.icr.org/article/292
[13] Roach J. Earth's Magnetic Field Is Fading. National Geographic News (09/09/2004). Disponível em: http://news.nationalgeographic.com/news/2004/09/0909_040909_earthmagfield.html
[14] Gift J. Carbon-14 in Dinosaur Bones Challenges Evolution Theory and Supports Genesis Flood Account. Triangle Association for the Science of Creation 2015:1-5. Disponível em: http://tasc-creationscience.org/sites/default/files/newsletter_pdf/aug2015.pdf
[15] Pasquier-Cardin A, Allard P, Ferreira T, Hatte C, Coutinho R, Fontugne M, Jaudon M. Magma derived CO2 emmisions recorded in 14C and 13C content of plants growing in Furnas caldera, Azores. Journal of Volcanology and Geothermal Research 1999; 92: 195-207.
[16] Brown RH. C-14 age profiles for ancient sediments and peat bogs. Origins 1975a; 2(1):6-18.
[17] Brown RH. Can we believe radiocarbon dates? Creation Research Society Quarterly 1975b; 12 (1): 66-68.
[18] Brown RH. The interpretation of C-14 dates. Origins 1979; 6(1):30-44.
[19] Graven HD. Impact of fossil fuel emissions on atmospheric radiocarbon and various applications of radiocarbon over this century. Proc Natl Acad Sci U S A. 2015;112(31):9542-5.
[20] Brown RH. Correlation of C-14 age with the biblical time scale. Origins. 1990; 17(2):56-65.
[21] De Azevedo RC. ABC das Origens. São Paulo, SP: Kits, 2006, p.61-62.
[22] Giem P. Carbon-14 content of fóssil carbon. Origins. 2001; 51:6-30.