terça-feira, dezembro 13, 2016

Cauda de dinossauro(?) é preservada em âmbar

Mais perguntas que respostas
Nestas primeiras semanas de dezembro de 2016, a revista Current Biology[1] publicou um artigo informando que a primeira cauda de dinossauro com penas foi encontrada preservada no âmbar. A descoberta foi datada com impressionantes 99 milhões de anos. A pesquisa, conduzida pelo paleontólogo Lida Xing, da Universidade de Geociências da China, causou grande impacto e comentários nas redes sociais. Também recebemos diversos e-mails e mensagens sugerindo que a descoberta é a prova final de que dinossauros evoluíram para aves. Então a equação é de fácil entendimento. Se a cauda é de um dinossauro e se ela tinha penas, isso prova que dinossauros evoluíram para aves. Se isso aconteceu, a teoria geral da evolução está certa, e criacionistas estão errados. Porém, essa é uma falsa interpretação da belíssima “joia” encontrada no âmbar. Claro que compreendemos o desespero neodarwinista em desvirtuar as descobertas científicas fazendo com que elas provem algo que não é real. Mas queremos chamar a atenção dos leitores para alguns detalhes dessa descoberta:

1. Era uma cauda de dinossauro ou de uma ave?

O artigo da Current Biology cita “o arranjo espacial dos folículos e penas no corpo, e recursos em escala micrométrica da plumagem. Muitas penas exibem uma curta raque, esguio, com alternância de farpas e uma série uniforme de bárbulas contíguas”.[2] Por que os autores não explicam a estreita semelhança dessas penas com as de aves que vivem hoje? De fato, essa descoberta em âmbar prova que as penas encontradas no registro fóssil são iguais às de hoje em dia, sem transição.

Sabemos que aves já foram classificadas erroneamente como dinossauros. Um caso clássico é o Archaeopteryx que, erroneamente, é apresentado como fóssil transicional da evolução dinossauro-ave. Porém, as evidências mostram que ele é apenas uma ave extinta e não um dinossauro. Os fósseis mostram que o Archaeopteryx tinha uma cauda longa e ossuda como o fóssil apresentado no âmbar. Outra ave extinta que tinha cauda com muitas vértebras é o Shenzhouraptor sinensis, com cerca de 25 vértebras, e nem por isso podemos classificá-la como dinossauro.[2]

2. Seria um réptil com penas?

Olhando para as espécies atuais, não encontramos nenhum réptil com penas. Mas, num olhar no passado, encontramos fósseis de répteis que tinham penas. Não se trata de “fósseis transicionais” nem de “elos perdidos”, mas, sim, de espécies extintas. Um exemplo de réptil empenado é o Longisquama insignis.[4]

3. O que mais o fóssil de âmbar pode nos revelar?

O interessante do texto na revista Current Biology é que eles citam que as amostras foram encontradas com “tecidos moles” e bem preservados. Sugere que vestígios de hemoglobina primário e ferritina permanecem presos dentro da cauda. Como poderiam tecidos moles ser preservados depois de 99 milhões de anos? 

Outra questão que nos chama a atenção é a “sujeira” que foi encontrada junto com as amostras de âmbar. Podemos encontrar detritos e até insetos, como foto acima: uma formiga inteiramente preservada. A pergunta que não podemos deixar de fazer é: Será que essa espécie de formiga não sofreu quase nenhuma evolução em 99 milhões de anos, já que é similar às espécies atuais?

E o que dizer destes outros insetos em amostras de âmbar? Por que são tão semelhantes aos que encontramos na atualidade? Será que os quase 100 milhões de anos de evolução só teriam atingido as demais espécies sobre a Terra ?

4. De onde veio a amostra de âmbar?

A origem do fóssil encontrado é duvidosa. Enquanto fazia compras em um mercado de âmbar em Myanmar (antiga Birmânia), a amostra foi encontrada. Isso é muito preocupante quando falamos em “transicionais”, pois sabemos que a credibilidade da amostra é muito importante. Já tivemos problemas com anúncios desse tipo de amostras duvidosas.[5]

Conclusão: antes de considerarmos o achado um “elo perdido” ou “fóssil transicional”, temos que fazer um verdadeiro estudo sobre a evidência encontrada. Neodarwinistas tendem a pregar o evolucionismo como se fosse religião, ignorando até as leis mais óbvias da ciência.

A amostra provavelmente é de uma ave extinta com cauda, e isso não tem nenhum segredo evolutivo ou transicional escondido. O que criacionistas podem comemorar é o fato de mais uma vez evidências científicas mostrarem que não houve a macroevolução mitológica pregada. A descoberta mostra tecidos moles preservados, penas e insetos que não demostram evolução nem sinal de transição.

(Alexandre Kretzschmar é formado em Teologia pela FAETAD e é redator/idealizador do projeto Onze de Gênesis)

Referências: 
1. PUBLICAÇÃO CURRENT BIOLOGY - http://www.cell.com/current-biology/fulltext/S0960-9822(16)31193-9
2. Xing, L. et al. 2016. A Feathered Dinosaur Tail with Primitive Plumage Trapped in Mid-Cretaceous Amber. Current Biology. 26: 1-9.
3. Qiang J, et al. An Early Cretaceous Avialian Bird, Shenzhouraptor sinensis from Western Liaoning, China. Acta Geologica Sinica 2003; 77(1):21-27.
4. Longisquana Insignis  - Jones TD, Ruben JA, Martin LD, Kurochkin EN, Feduccia A, Maderson PF, Hillenius WJ, Geist NR, Alifanov V. Nonavian Feathers in a Late Triassic Archosaur. Science. 2000 Jun 23;288(5474):2202-5.
5. Austin, S. A. 2000. Archaeoraptor: Feathered Dinosaur from National Geographic Doesn't Fly. Acts & Facts. 29 (3). 

Outros artigos relacionados com o assunto: 
Shenzhouraptor sinensis - http://paleoglot.org/files/Ji&_02.pdf