segunda-feira, outubro 31, 2016

A “Era do Gelo”: uma perspectiva bíblico-científica

Aconteceu mesmo? Como foi?
Antes de adentrarmos diretamente no assunto, é necessário entender que o conceito de “era do gelo” é utilizado por geólogos ou glaciologistas uniformitaristas para designar um período geológico de longa duração, isto é, de centenas de milhares a milhões de anos. Por sua vez, o modelo criacionista tem dado preferência ao uso dos termos “época do gelo ou “idade do gelo”, porque esses termos caracterizarem melhor sua proposta. Mas a pergunta que permanece é a seguinte: Houve realmente uma “era do gelo”? De fato, há evidências convincentes de que, em certa época, o gelo cobriu grande parte do Canadá, as regiões norte e central dos Estados Unidos, Norte da Europa, Noroeste da Ásia, muitas cadeias montanhosas da Eurásia e do hemisfério sul e dos trópicos.[1: p.65, 2] O modelo uniformitarista afirma que houve pelo menos cinco grandes “eras do gelo” em nosso planeta. Já o modelo criacionista entende que houve apenas uma época do gelo.[3] Realmente são encontradas características da Idade do Gelo em mais de 30% da massa terrestre, indicando cobertura passada por camadas de gelo ou glaciares, ao passo que, hoje, apenas 10% são glaciadas (principalmente Groenlândia e Antártida).[4]

Principais categorias de evidências de uma época glacial

Geológicas. Caracterizada pela presença atual de glaciares nas regiões Ártica e Antártica. Contagem de camadas anuais no núcleo de gelo (por exemplo, na Groenlândia).[5] Evidências nas rochas de marcas de abrasão, sinais de desgaste e arrasto.[1: p. 65] Morenas de glaciares, que são depósitos de fragmentos de pedras empurrados pelo gelo.[1: p. 64] Fiordes, que são grandes entradas de mar entre altas montanhas rochosas que sofreram erosão devido ao gelo e que podem ser vistas, principalmente, na Groenlândia, Islândia e Noruega. Blocos erráticos.[1: p. 65] Entre outros.

Químicas. Caracterizada principalmente pelas variações nas proporções de isótopos em fósseis, sedimentos (inclusive marinhos) e rochas. Assim, pode-se chegar a uma temperatura aproximada do ambiente naquela época.

Paleontológicas. Caracterizada pelas evidências de associações desarmônicas, isto é, alterações na distribuição geográfica dos fósseis que são a regra e não a exceção. As associações desarmônicas podem ser entendidas, por exemplo, através de animais de ambientes quentes quando encontrados em outras regiões geográficas mais frias.[6]

Causas da época do gelo (cenário uniformitarista)

Atualmente, existem mais de 60 teorias sobre as causas dessa época do gelo. Diante de um número tão grande de teorias, percebemos que os uniformitaristas não sabem exatamente como aconteceu e não há uma explicação amplamente aceita sobre o que teria causado essa “era do gelo”. Isso porque não há eventos dessa proporção acontecendo hoje para que possamos utilizá-los a fim de explicar o passado. Os mantos de gelo, por exemplo, não estão atualmente se desenvolvendo e derretendo em grandes proporções.

Assim, não temos uma maneira eficiente de realmente observar como eles se formaram no passado.[2] Portanto, nesse contexto fica evidente que o “presente não é a chave para o passado”.

O cenário uniformitarista apresenta algumas dificuldades em interpretar as evidências disponíveis sobre a época do gelo. Esse cenário em que a geleira se expandisse cada vez mais por cem mil anos ou mais se torna impossível, pois ficaria cada vez mais frio, e quanto mais frio, menos evaporação de água e, portanto, um clima muito seco. Logo, faltariam dois requisitos necessários para que se estabelecesse uma “era do gelo”: umidade e neve, simultaneamente.

Além disso, o uniformitarismo tem dificuldades em explicar as evidências de grandes lagos e rios em regiões atualmente áridas e semiáridas de todo o planeta. Foram encontradas redes de drenagem extintas no deserto do Saara e restos de animais como elefante, hipopótamo, crocodilo, girafa, antílope e rinoceronte ao longo desses rios agora secos.[7] Outro grande problema que permanece é o fato da extinção em massa de milhares ou milhões de mamutes na Sibéria e no Alasca. As hipóteses correntes são as de que as extinções devem ter ocorrido devido à matança humana ou à mudança climática; todavia, ainda não há um consenso.

E como explicar as evidências de planícies não glaciadas, do Alasca, da Sibéria e do leste da Ásia? Isso tem sido outra dificuldade para a modelagem com base em uma escala de longo tempo em que supostamente deveria haver tempo suficiente para que até mesmo essas regiões ficassem totalmente cobertas por gelo. Outra pedra no sapato do modelo uniformitarista têm sido as associações desarmônicas, ou seja, presença de fósseis de animais aparentemente incompatíveis com a região geográfica em que foram encontrados.

E o que dizer das evidências massivas de vulcanismos intensos na maioria das regiões do planeta? Os uniformitaristas até reconhecem o vulcanismo intenso que ocorreu no Pleistoceno (suposto período na escala evolutiva compreendida entre 2,6 milhões de anos e 11.700 anos atrás, em que teria ocorrido uma “era do gelo”), porém, o vulcanismo não é tido como mecanismo principal para o estabelecimento dessa mesma “era do gelo”, devido à escala de tempo de longa duração de cem mil anos ou mais. Dado o tempo longo, é simples de entender que o vulcanismo se tornaria insignificante.

Causas da época do gelo no cenário criacionista

O modelo criacionista ou catastrofista apresenta o cenário ideal para explicar como e por que teria acontecido a época do gelo, pois descreve a ação simultânea de alguns requisitos essenciais: vulcanismo intenso e muita umidade e neve, simultaneamente. Apresentarei a seguir as etapas que, de acordo com o modelo, teriam dado início e mantido a época do gelo:

1. Vulcanismo intenso. Atualmente, existem 1.500 vulcões conhecidos e as estimativas é a de que existam mais de 50.000 vulcões em terra e no fundo dos oceanos. Logo, atividade vulcânica intensa é o primeiro requisito que teria ocorrido no período do dilúvio. Ao fim do dilúvio, o mundo estaria coberto por vasta quantidade de gases e cinzas vulcânicas aprisionados na estratosfera, que causariam a reflexão dos raios solares de volta para o espaço.

2. Menor incidência de radiação solar. Como menos radiação solar penetrando esse escudo, resultaria no resfriamento da Terra, e manteria os verões frios. Mas será que existem evidências de que isso teria acontecido? As grandes erupções modernas podem servir de evidência para entendermos que elas normalmente resfriam uma região em cerca de 1 ºC, e esse resfriamento dura cerca de três anos até que as cinzas e os gases precipitem, considerado tempo suficiente para iniciar uma “era do gelo”.[1: p. 66, 2] Nos anos 536 e 540, ocorreram duas erupções de grande magnitude e o efeito combinado baixou em 2 ºC a temperatura, o que produziu a década mais fria em dois mil anos, e afetou todo o mundo.[8] A erupção do vulcão Laki em 1783-1784 é considerada por muitos geólogos como uma pequena inundação por erupção de basalto que criou um campo de fluxo de lava de cerca de 15 km3 em 8 meses (tamanhos comuns de erupções modernas são <0 km="" span="">3) e lançou cerca de 120 milhões de toneladas de dióxido de enxofre (cerca de três vezes a produção industrial anual na Europa, em 2016) e provocou a queda de temperatura na Europa de cerca de 1-3 °C [9]; o resfriamento resultou em invernos e verões rigorosos que conduziram à pobreza e à fome na Europa e a morte de milhares de pessoas [10]. A erupção do Monte Tambora, em 1815, na Indonésia, baixou a temperatura em cerca de 1 ºC e foi a maior já registrada, sendo responsável por provocar no ano seguinte aquilo que foi chamado de um “ano sem verão”.[11] Em 1883, por sua vez, a erupção do vulcão Krakatoa, na Indonésia, baixou a temperatura em cerca de 0,5 °C por 5 anos consecutivos.[12]

3. Vulcanismo contínuo. Para que se prolongasse o resfriamento e mantivesse a “era do gelo”, seria necessário que o vulcanismo intenso também fosse contínuo, não podendo ficar mais do que alguns anos sem erupções constantes, a fim de que os aerossóis fossem reabastecidos na atmosfera por centenas de anos após o dilúvio.[2] E, de fato, existem evidências científicas de que houve vulcanismo intenso por toda a Terra no Pleistoceno.[13] Foram encontradas numerosas camadas de cinzas, às vezes cobrindo grandes áreas. Somente no oeste dos Estados Unidos houve pelo menos 68 grandes quedas de cinzas durante a época glacial.[14]

4. Neve e a reflexão dos raios solares. Quando o chão ficou coberto de neve, passou a refletir (como espelho) a radiação solar (90% de reflexão). Isso teria esfriado ainda mais o ar, acelerando o processo.

5. Oceanos quentes. Para que muita neve (segundo requisito necessário) caísse, seria preciso muita umidade para que ela se condensasse e cobrisse todas as áreas afetadas naquela época. Gênesis 7:11 nos diz que as fontes do grande abismo se romperam. Logo, muita água quente subiu e se derramou sobre os oceanos pré-diluvianos, os quais provavelmente eram mais quentes do que os atuais. Sabe-se que a crosta terrestre aquece 30 °C a cada km de profundidade. Assim, o oceano estaria aquecido após o dilúvio, com uma temperatura máxima de 30 ºC para não ameaçar a vida marinha.[3]

6. Umidade em grande quantidade. O vapor de água se formaria nos oceanos mornos, e migraria para os continentes por meio de correntes de convecção, e aí precipitaria na forma de neve, principalmente nas regiões altas e nos polos. Outra parte dessa umidade viria de grandes lagos formados nos continentes, quando a terra emergiu vagarosamente das águas do dilúvio, sendo represados atrás de barreiras de material empilhado.[1: p. 67]

7. Máxima glacial. O ápice do resfriamento (máxima glacial) deve ter ocorrido 500 anos após o início da expansão do gelo. Depois disso, o oceano se esfriaria e diminuiria a precipitação de mais neve.[7]

8. Oscilação da atividade vulcânica. A atividade vulcânica também oscilaria, apresentando picos e vales, seguindo uma tendência geral ao declínio e derretimento do gelo.[1: p. 68, 69] Esses picos e vales formariam camadas que corresponderiam ao que os pesquisadores identificam hoje como as várias “eras do gelo”; mas que corresponderiam apenas às fases de avanço e recuo de geleiras durante essa época, dando a aparência de mais de uma.[15] De acordo com Flori e Rasolofomasoandro, uma evidência direta está relacionada à “pequena glaciação do século 18, nas regiões árticas e no norte da Europa, que fez oscilar o limite do gelo em torno de alguns milhares de quilômetros, de norte a sul. Essa oscilação ocorreu em um intervalo de tão-somente 150 anos”.[15: p. 275] Além disso, estudo publicado em 1994 por cientistas uniformitaristas mostrou que a ideia de várias “eras glaciais” é apenas suposição.[16] Acreditava-se que três ou quatro “eras do gelo” teriam ocorrido no Canadá. Porém, os cientistas concluíram que houve apenas uma. Ademais, fósseis do Pleistoceno são raros em áreas glaciais, o que é curioso, pois se houvesse muitos interglaciais, deveria haver mais fósseis. Praticamente todas as extinções da megafauna foram após a última.

O que teria acontecido antes da época do gelo?

A temperatura era parcialmente uniforme. De acordo com o modelo criacionista, o clima era quente antes da chegada dessa época do gelo. Antártida, Ártico e os oceanos do Pacífico Norte (EUA), por exemplo, ainda não eram cobertos por gelo.[17] Mas será que existem realmente evidências para essa afirmação? Têm sido encontradas florestas subtropicais no Ártico e na Antártica antes que o gelo tivesse se formado nessas regiões. Cientistas descobriram embaixo do gelo uma floresta subtropical, com palmeiras e árvores de macadâmia.[18, 19] Outra evidência se concentra nos mamutes da Sibéria fossilizados com capim florido na boca e no estômago.[20, 21]

Rápido repovoamento após o dilúvio. Outro ponto interessante teria sido o rápido repovoamento da terra após o dilúvio. Existem evidências de que tanto a flora quanto a fauna podem se restabelecer rapidamente em uma região atingida por catástrofes. A ilha vulcânica de Surtsey, no sul da Islândia, por exemplo, surgiu no meio do oceano em 1963, com mais de 2 km, e em 50 anos já havia fauna e flora exuberantes.[22, 23] Em 1973, a ilha vulcânica de Nishinoshima foi vista pela primeira vez em erupção no meio do oceano pacífico, a cerca de 1.000 km ao sul de Tóquio.[24] Dentro de um mês, a ilha subiu 25 metros acima do nível do mar e, em apenas 40 anos de existência, já existia ali vegetação. Em 1980, o vulcão do Monte Santa Helena entrou em erupção e destruiu grande parte da vida vegetal e animal daquela região. Em apenas 25 anos, a fauna e a flora voltaram a tomar conta do lugar.[25]

Ademais, sabe-se que os elefantes, em apenas 300 anos, poderiam chegar a seis milhões de outros exemplares.[21] Os seres humanos, por sua vez, em apenas 1.200 anos, usando a taxa de crescimento atual (1,7-1,8), poderiam chegar a bilhões de outros indivíduos. De igual modo, os coelhos, em apenas 76 anos, poderiam chegar a dez bilhões.

Megafauna extinta. Após o dilúvio, houve o estabelecimento de uma megafauna. Os animais cresceram em tamanho (gigantismo), pois havia muita oferta de alimento e pouca competição (predadorismo). Dessa forma, haveria maior chance de esses animais gigantes sobreviverem ao frio durante a migração que viria a seguir. E hoje temos evidências dessa megafauna extinta por meio da paleontologia (fósseis) e dos achados arqueológicos (artes rupestres).

Migração humana e animal após o desembarque no Ararat. A migração de animais e humanos que ocorreu logo após a saída deles da arca na região do Ararat, hoje conhecida como Turquia, se deu por caminhos de terra entre os continentes. Mas alguns podem perguntar: Como isso pode ter acontecido, visto que hoje vemos extensões de água entre alguns continentes? O modelo criacionista pode explicar facilmente esse cenário ao entendermos que boa parte da água foi atraída pelo gelo da glaciação; logo, o nível dos mares certamente baixaria em vários metros, criando corredores muito extensos de terra seca em algumas regiões. Assim, rebanhos de animais atravessariam uma planície gramínea com 1.609 km de largura que se estenderia da Ásia pelo Estreito de Bering para a América do Norte.[26] E, de fato, existem evidências dessas migrações, ao levarmos em consideração as associações desarmônicas entre os fósseis encontrados nessas regiões. Ao norte da Sibéria, por exemplo, foram descobertos mamutes e mastodontes fósseis em gelo. O que estavam fazendo lá? Provavelmente, eram regiões de climas temperados, mesmo na época do gelo, devido ao fato de essa região ficar próxima à costa do oceano, que estava quente logo após o dilúvio.

Na região da Beringia, por sua vez, foram encontrados lobo, raposa, leão, camelo, cervos, preguiça, alces, castor gigante, lemming, porco, coiote, antílope, ovelhas, ratazanas, lebre e coelho, além de muitas espécies de aves, roedores, cavalos e bisões.[21] No sul da Inglaterra, também foram descobertos fósseis de hipopótamo, rinoceronte lanudo, boi-almiscarado, veados e crocodilos.[7]

Início e duração da época do gelo

De acordo com o naturalista Harry Baerg, “a formação e o desaparecimento dos lençóis de gelo devem ter ocorrido entre o tempo do dilúvio e o começo da história registrada”.[1: p. 70] É, portanto, razoável admitirmos que o início da idade do gelo coincida com a história da Torre de Babel, construída no vale do Sinar (atual Iraque) entre 100 e 130 anos após o dilúvio. E o que dizer da Bíblia? Existem relatos bíblicos sobre essa época do gelo? Podemos perceber na narrativa do livro de Jó, nos capítulos 6:16; 38:22, 29-30, um clima mais frio no princípio da história bíblica, datado entre 300-500 anos após o dilúvio.

De acordo com os cálculos feitos pelo mestre em Ciências Atmosféricas Michael Oard, a época do gelo pode ter durado menos de mil anos, mais especificamente 500 anos de acúmulo de gelo e 70 anos para derreter as camadas de gelo ao longo da borda, e cerca de 200 anos no interior do Canadá e da Escandinávia.[4, 27, 28] Existem evidências históricas relativas ao ano 1.454 a.C. (cerca de 300 anos após o dilúvio) em que Partholan, líder do segundo grupo a conquistar a Irlanda, teria desembarcado nessa região e registrado o número de lagos e rios existentes. Pouco tempo depois, na segunda colonização, havia um número bem maior de lagos e rios. Provavelmente, os registros irlandeses antigos evidenciaram o derretimento das camadas de gelo do norte europeu.[29] Segundo Ussher, o dilúvio ocorreu em 2.348 a.C. Portanto, a era glacial teria terminado mil anos após a grande inundação.

Fim da época do gelo

Extinção da megafauna. Existem evidências de que a megafauna que prosperou durante a época do gelo pós-dilúvio, equivalente ao período Pleistoceno na escala evolutiva de tempo, composta por exemplares do mamute lanoso (que viveu na Sibéria e no Alasca), do tigre dente-de-sabre (América do Norte) e da preguiça gigante (América do Norte), existiu nessas camadas e desapareceu no fim desse período de tempo;[26] ademais, os mamutes lanosos realmente eram adaptados ao frio.[30] A hipótese mais aceita é a de que eles prosperaram durante a época do gelo, especialmente nas planícies não glaciadas da Beringia, pois as temperaturas eram mais equânimes.[21]

Extinção dos mamutes. A extinção dos mamutes tem sido motivo de controvérsia até mesmo entre a comunidade criacionista. De acordo com a teoria das hidroplacas, do engenheiro mecânico Walter Brown, ás águas subterrâneas ejetaram da ruptura criada na crosta terrestre no início do dilúvio, e essas águas, ao chegarem à estratosfera, teriam congelado rapidamente, produzindo cristais de gelo que, ao caírem, teriam originado uma forte chuva torrencial, ao mesmo tempo em que teriam promovido o congelamento instantâneo (ultrarrápido) de animais como o mamute, encontrado na Sibéria e no Alasca.[31: p. 118] Por outro lado, amostras de tecidos de mamutes revelaram que eles morreram (deterioração) antes de serem enterrados e congelados no Permafrost das tundras.[21] As possíveis causas da morte desses mamutes têm sido atribuídas a: (1) terem ficado atolados no pântano (por serem regiões de permafrost); (2) levados pelas enchentes produzidas pelo degelo; ou (3) congelamento durante tempestades de neve com ventos soprando pó, que iriam enterrá-los ao fim da época do gelo.[19, 28]

Fase do degelo. A partir do momento em que o gelo começasse a derreter, o clima tornar-se-ia mais continental, com invernos mais frios e verões mais quentes. O oceano possivelmente se tornou mais frio do que hoje, e o clima mais seco. Os grandes mamíferos teriam sido especialmente suscetíveis à seca.[21]

Fim do degelo. As águas doces do degelo seriam menos densas que a água do mar, e formariam uma camada superficial sobre o oceano, congelando essa camada durante a noite. É nesse momento que os grandes blocos de gelo sobre o mar do norte (com vidas preservadas neles) se formariam com as evidências de fossilização desarmônicas que vemos hoje. Muitos animais eram pesados e afundavam no gelo.[32] Inclusive, há evidências de animais da megafauna apresentando características de sufocamento e membros quebrados.[21]

Animais ilhados. Para Harry Baerg, “a água resultante do degelo fez com que o nível do mar subisse e algumas pontes de terra (estreito de Beringher e Australásia), que existiam durante o período glacial, submergiram”.[1: p. 70] Isso explicaria por que alguns grupos de animais como, por exemplo, os cangurus teriam ficado ilhados na ilha continental australiana.

Formação dos desertos. Uma das consequências de uma época do gelo é o ressecamento, pois a umidade congela e resseca o ambiente (exemplo do ar condicionado). Esse ressecamento provavelmente deu origem ao processo de desertificação em algumas regiões do planeta.[7]

(Everton F. Alves é enfermeiro, mestre em Ciências da Saúde pela UEM e diretor de ensino do Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira [NUMAR-SCB]; seu e-book pode ser lido aqui)

Referências:
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