sexta-feira, março 30, 2012

Quando chegar o pôr do sol...

Encanta-me o entardecer! / Não o das cidades, dos grandes centros urbanos; / mas o das colinas e campos, / onde sinto a paz crepuscular.

Sempre que posso, gosto de apreciar o pôr do sol, sobretudo em meio a paisagens naturais. Para mim, constitui um instante de descanso e êxtase que me conduz à reflexão sobre coisas além deste mundo passageiro. Fica-me na mente a impressão da eternidade. Eu me deleito diante de um pôr do sol – tão belo quanto o amanhecer. Ao olhar para o astro-rei e acompanhar seu lento ocaso, principalmente nos crepúsculos estivais, encho-me de admiração pelo espetáculo diário pintado na imensa tela do céu. No silêncio da contemplação, desligo-me da vida apressada imposta pelo materialismo humano. É quando penso nas palavras do poeta que disse ter a noite mil olhos e o dia somente um: “a luz de todo o mundo morre com o pôr do sol.”

O astro “nasce” esplendoroso e “falece” quando sua hora chega. No rápido encontro da noite com o dia, naquele breve e momentoso instante, a natureza nos revela as duas grandes faces da realidade de todo vivente: ser e não ser, o percurso do nascimento à extinção. O ocaso nos fala com dupla linguagem. Ao mesmo tempo em que desperta poesia na alma, traz também nostalgia e saudade. Anuncia-nos a chegada da despedida, a entrada na escuridão da noite. Assim é a vida: parece imitar a trajetória do Sol. Um dia teremos a nossa “hora do pôr do sol”. E aqui não existe encanto, poesia, nem metáforas suavizantes, mas saudade, separação e pranto. Contudo, há esperança! Esperança? Exatamente. Quando o manto escuro da noite cobre os céus, podemos discernir os “mil olhos” brilharem quais diamantes. Eles nos sinalizam que nem tudo são trevas, havendo luz no negror. As trevas são temporárias, porquanto está previsto o amanhecer.

A ceifeira cruel, filha do pecado, é implacável. Com algumas pessoas, ela consegue ser ainda mais cruel. Apropriadamente, o sábio rei Salomão filosofou ao registrar que “o homem não sabe a sua hora: Como os peixes que se pescam com a rede cruel, e como os passarinhos que se prendem com o laço, assim se enlaçam também os filhos dos homens no mau tempo, quando este cai de repente sobre eles” (Ec 9:12). Daí a recomendação: “Em todo o tempo sejam alvas as tuas vestes [o caráter], e nunca falte o óleo [a unção divina] sobre a tua cabeça” (Ec 9:8). Salomão tem motivos para nos aconselhar em tom grave, porquanto tudo na vida corre para a morte, lenta ou apressadamente. Morrer faz parte desta existência imperfeita e infectada pelo mal. No entanto, ao sermos afogados no oceano da noite, precisamos levar conosco a brancura nas vestes e a aprovação de Deus sobre nosso ser. Caso contrário, nosso pôr do sol poderá ser eterno e baixaremos numa noite sem fim, sem contar com a luminosidade das estrelas.

Diante do declinar da vida, muitos lançam perguntas em todas as direções. É mais desabafo do que um anelo por explicações. E eu sei que você também indaga, com angústia de alma, o porquê do “mau tempo” cair inesperadamente. Perguntar é natural, normal e legítimo. Todavia, “há perguntas que não têm resposta, o que é uma lição dificílima de aprender”. E por que é tão difícil?  Porque vivemos sob um mistério quase insondável, como bem disse o personagem de um interessante livro, ao se dirigir a uma jovem: “Minha filha, já vivi cento e nove invernos e jamais encontrei uma coisa chamada sorte. Há algo de misterioso no que está acontecendo, mas, esteja certa, se precisamos saber o que é, saberemos.” E o mesmo personagem, um velho e sábio eremita, arremata: “Eu, que sei muitas coisas do presente, pouco sei das coisas futuras. Por isso não sei se qualquer homem ou mulher ou animal, em todo o mundo, estará ainda vivo quando anoitecer hoje. Mas incline-se à esperança.” E eu completo a fala do eremita: incline-se à esperança cristã de que “os teus mortos viverão” (Is 26:19).

Não sabemos o momento exato de nosso ocaso. E da mesma forma como o Sol pode se pôr mais cedo ou mais tarde, a vida pode terminar na aurora ou um pouco mais adiante. Contudo, inclinemo-nos à esperança e ao consolo cristão. “Nossos queridos falecem. Encerram-se suas contas com Deus. Mas conquanto consideremos coisa séria e solene o morrer, devemos, entretanto, considerar coisa muito mais séria o viver. [...] Devemos encontrar nosso consolo em Jesus Cristo. Precioso Salvador! Ele sempre Se condoeu da desgraça humana. [...] Apegai-vos à Fonte de vossas forças” – são as palavras sensíveis de alguém que experimentou a perda de pessoas queridas e passou pelo vale da sombra da morte; todavia, pôde afirmar confiantemente: “Eu sei em Quem tenho crido.”

Não nos esqueçamos de que Deus também está nas sombras, no momento em que o Sol se põe. Quando chegar o entardecer, choremos e perguntemos. Tenhamos, entretanto, forças para cantar em meio à dor, lembrando-nos da terna afirmação de que “preciosa é à vista do Senhor a morte dos Seus santos” (Sl 116:15). Deus guarda Seus filhos em Sua lembrança; a memória divina não falha. No tempo indicado pelo Pai, o poder da ressurreição tomará conta deste mundo e varrerá a morte para sempre da realidade. Basta esperar, com fé, o cumprimento da promessa e viver em esperança.

Ainda que eu aprecie muito o pôr do sol, convido você a cantar comigo o trecho de um hino que fala do amanhecer. Cantemos, então:

“Guarda, vê se muito falta para o dia alvorecer. / Vai a noite ainda alta, ou já vem o amanhecer? / Viajor, ó, sim, desperta ao romper do arrebol! / Fica em pé e põe-te alerta. Eia, pois que surge o Sol!”

(Frank de Souza Mangabeira, membro da Igreja Adventista do Bairro Siqueira Campos, Aracaju, SE; servidor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Sergipe)  

A célebre frase de Dobzhansky está errada

“Talvez o problema tenha começado com Theodozius Dobzhansky, um dos pais da moderna teoria evolucionária, que famosamente disse que nada faz sentido em biologia a não ser à luz da evolução (a frase, de fato, é citada com aprovação por Pross). O problema é que Dobzhansky estava escrevendo para uma audiência de professores de ciência do ensino médio, e sua afirmação está patentemente errada. Por exemplo, os biólogos de desenvolvimento embrionário fizeram bastantes pesquisas altamente produtivas por todo o século 19 e século 20, até mesmo quando ignoraram Darwin. E os biólogos moleculares fizeram progresso espetacular a partir dos anos 1950, apesar do início do século 21, e mais uma vez ignorando completamente a evolução. Isso não quer dizer que a teoria evolucionária não ajude na compreensão dos sistemas de desenvolvimento embrionário e molecular, mas é forçar a barra fazer afirmações assim como a de Dobzhansky. (Seria o mesmo que dizer, por exemplo, que nada em Física faz sentido a não ser à luz da mecânica quântica. Muitas coisas em Física fazem perfeito sentido até quando alguém põe a mecânica quântica entre colchetes e a considera como uma teoria de plano secundário.)”


Tecnologias possibilitam espionagem da vida alheia

Quando ativistas ambientais começam a usar aviões-robô para monitorar embarcações baleeiras japonesas, como fizeram em dezembro, tem-se um sinal indubitável de que o uso desses veículos não é mais prerrogativa somente das forças armadas. Forças policiais pelo mundo estão dispostas a usar pequenos aviões não tripulados para localizar criminosos em fuga e monitorar cenas de crimes do alto. Com preços que vão de um pouco mais (e às vezes um tanto menos) do que os US$ 40 mil de um carro policial, uma nova geração de micro aviões-robô está sendo recrutada para substituir helicópteros policiais que podem custar até US$ 1,7 milhão.

Além de ensejar a imposição da lei, qualquer atividade civil que possa ser aprimorada por uma vista de cima – monitoramento de tráfego, checagem de cabos elétricos e tubulações, pesquisa de florestas e lavouras, patrulha de áreas silvestres à procura de focos de incêndio – pode se beneficiar pelo uso de aviões-robô. O fator limitador não é tecnológico, mas regulatório. Nos EUA, a Federal Aviation Administration (FAA) atualmente permite o uso recreativo de aviões-robô, mas não comercial: no início do ano corretores imobiliários de Los Angeles foram impedidos de usar aviões-robô para fotografar propriedades sendo vendidas por eles, por exemplo.

Mudanças estão a caminho, todavia. A Comissão Europeia realizou diversas audiências sobre o assunto, a mais recente em 9 de fevereiro, para determinar o arcabouço regulatório que permitirá o amplo uso de aviões-robô por civis. Nos EUA, uma lei aprovada pelo Senado em 6 de fevereiro e atualmente esperando aprovação presidencial requer que a FAA determine novas regras para que os céus possam ser franqueados de modo seguro a voos de aviões-robô a partir de outubro de 2015.


Nota: Aos poucos, a tecnologia vai possibilitando a quem interessa um maior patrulhamento da vida das pessoas. É o fortalecimento da ideia de um Big Brother global (nada a ver com aquele lixo televisivo, por favor). Será que esses aviões também serão usados no futuro para caçar fugitivos ou algo assim?...[MB]

quinta-feira, março 29, 2012

William Craig concede entrevista à Gazeta do Povo

William Lane Craig é muito conhecido por seus livros e, especialmente, por seus debates com nomes importantes do ateísmo militante (e também pelos debates que não ocorreram, como a ocasião recente em que Richard Dawkins recusou um convite). Em sua passagem recente pelo Brasil, Craig conversou com o Tubo de Ensaio (blog do jornal Gazeta do Povo) por alguns minutos, por telefone, e defendeu que os filósofos sejam mais ativos nos debates sobre a relação entre ciência e religião.

Por muitos séculos a relação entre ciência e fé foi vista como harmônica, mas hoje o discurso dominante é o do antagonismo. Como isso ocorreu?

Estamos vendo o resultado de um esforço deliberado, iniciado no fim do século 19, de reescrever a história da ciência de acordo com esse modelo de conflito. Até aquela época, o relacionamento entre ciência e teologia era descrito como uma aliança; os melhores cientistas eram cristãos. Mas, entre o fim do século 19 e o início do século 20, houve um forte esforço para reescrever a história da ciência de modo que ela mostrasse a existência de um antagonismo histórico. Nesse sentido, Andrew Dickson White criou o paradigma desse modelo de conflito com seu livro Uma História da Guerra Entre a Ciência e a Tecnologia na Cristandade. Hoje, os historiadores da ciência veem essa obra como uma piada, uma peça de propaganda; os que realmente conhecem a história sabem que o conflito não é uma representação adequada do relacionamento histórico entre ciência e religião [clique aqui para ler sobre outro mito “científico”]. É verdade que essa noção de antagonismo persiste na cultura popular, mas não é mais presente no trabalho acadêmico, nem na Teologia, nem na história da ciência. Neste século 21, estamos no limiar de uma era de mais abertura, por parte da ciência, à possibilidade de um criador e designer do Universo. É uma abertura que não tem precedentes nas últimas décadas.

Se na academia a percepção já é outra, por que na cultura popular o discurso do conflito ainda persiste? E como trazer para o público em geral aquilo que já está espalhado entre os especialistas?

Sempre existe uma defasagem entre o que ocorre na academia e o que chega à cultura popular. Obviamente é um processo que leva tempo. É necessário haver popularizadores: pessoas que escrevam livros e artigos de jornal direcionados ao público em geral, aos que não têm formação nem em ciência, nem em teologia, para explicar o diálogo entre ciência e religião que está havendo na academia. Os ateus militantes fazem isso muito bem; cientistas como Richard Dawkins e Lawrence Krauss escrevem e vendem livros que são populares e defendem o ateísmo. Precisamos de gente que seja igualmente bem-sucedida nesse trabalho, mas defendendo a harmonia entre ciência e fé.

Quem seriam hoje esses “popularizadores” da harmonia entre ciência e fé?

John Polkinghorne é um ótimo exemplo, pois ele é físico quântico e também clérigo anglicano, tendo escrito uma série de livros sobre ciência e religião. Outro muito conhecido é Francis Collins, chefe do Projeto Genoma, um biólogo cujas obras também são dirigidas para o público em geral. Alister McGrath é um teólogo que também tem formação em Química, mas escreve mais do ponto de vista teológico. Esses três são mais conhecidos, mas eu também queria destacar o cosmólogo Alexander Vilenkin, da Tufts University. Ele não é cristão; se não me engano, é agnóstico. Seu trabalho de popularização da ciência é muito bom e não tem o preconceito antirreligioso que observamos em outros autores como os já mencionados Dawkins e Krauss.

Algum deles teria o potencial para se tornar um “ícone pop” como foi Carl Sagan?

Sagan teve a grande vantagem de fazer a série “Cosmos”, que fez dele extremamente popular; ele usava muito bem os meios de comunicação. Entre as vozes que defendem a harmonia entre ciência e fé, não vejo ninguém fazendo algo na escala de Sagan. Esse tipo de presença exige uma pessoa que não apenas seja um expert na área, mas também saiba aparecer na mídia muito bem.

Já que falamos dos meios de comunicação, qual sua avaliação da maneira como a imprensa vem retratando as questões sobre as quais estamos conversando aqui?

A maneira como a mídia popular lida com a popularização da ciência é bem frustrante para mim. Ela segue um roteiro previsível na hora de mostrar a ciência moderna: tenta empurrar interpretações da ciência que são radicais, contrárias ao bom senso e altamente especulativas, em vez de se apoiar nas descobertas sólidas da ciência moderna. O que eu vejo é um esforço deliberado de fazer a ciência moderna parecer metafísica, o que leva a uma abordagem sensacionalista. Isso normalmente é feito com uma série de expressões metafóricas que não ajudam no bom entendimento dos assuntos científicos; chega a ser cansativo. Eu até entendo por que os veículos de comunicação agem assim, já que é da natureza da imprensa buscar o extraordinário, o extremo, o que desafia as concepções arraigadas, porque é o que atrai interesse. Mas não acho que isso ajude a entender o que a ciência moderna realmente diz sobre o mundo.

Como estará a discussão sobre ciência e religião em cinco ou dez anos?

Não creio que teremos mudanças radicais no caminho que estamos trilhando. Agora cientistas, filósofos e teólogos têm um diálogo saudável em que uns estão abertos ao que os outros oferecem, mas espero que a discussão envolva mais os filósofos. Agora estamos começando a perceber que as áreas que se sobrepõem no diálogo entre ciência e religião estão muito ligadas à Filosofia; como nem teólogos, nem cientistas são muito treinados nesse campo, o diálogo tem interferências porque está ocorrendo entre pessoas que, em geral, são “filosoficamente ingênuas”. Um diálogo realmente frutuoso precisa envolver mais filósofos, especialmente os que conheçam filosofia da ciência e a metafísica teológica. Os filósofos serão os mediadores entre os cientistas e os teólogos – é um “triálogo”, não um diálogo.

Na América Latina em geral, as questões bioéticas normalmente são mais relevantes que o debate sobre as origens do Universo ou do homem...

O que eu acabei de dizer sobre a importância da Filosofia se aplica aqui também. A ciência é eticamente neutra, não tem nada a dizer sobre o que é bom, mau, certo ou errado. Você não acha valores num tubo de ensaio. Assim, em questões bioéticas é necessário trazer pessoal da Ética, que é justamente uma área da Filosofia. A ciência proporciona a informação – por exemplo, sobre o status biológico do embrião ou do feto; mas não podemos buscar nela valores éticos. Aí precisamos da Filosofia e da Teologia para nos guiar em relação ao que é eticamente permissível. Sem isso caímos no utilitarismo, na ideia de que o tecnicamente viável é moralmente permissível, o que é absurdo, sem justificativa; foi o que levou ao nazismo, o mesmo tipo de raciocínio que justificou a engenharia genética para criar uma super raça e se livrar dos indesejados e exterminá-los, já que era tecnicamente possível. As pessoas mais sensatas percebem que isso é altamente antiético. [...]

Se pensarmos no ateísmo militante e nos criacionistas, qual dos extremos deveria ser considerado mais preocupante?

A maior ameaça vem da filosofia do naturalismo científico; ainda vivemos à sombra do Iluminismo, em que o único árbitro da verdade e fonte do conhecimento é a ciência natural, e por isso algo que não pode ser provado não existe ou não é verdadeiro. Essa filosofia permeia a cultura ocidental moderna.

Qual a sua opinião sobre as recentes tentativas de Stephen Hawking e Lawrence Krauss de demonstrar que o Universo surgiu do nada, sem a necessidade de um criador?

É lamentável que esses cientistas tenham representado tão mal a ciência moderna para o público em geral. Se uma pessoa religiosa fizesse isso, seria acusada de distorção, mas com os cientistas isso passa batido. Quando esses homens usam o termo “nada”, usam de forma equivocada, em vez de empregar o significado de “não ser”. Se me perguntam o que tenho na geladeira, e eu respondo “nada”, não significa que existe algo na geladeira, e esse algo seja o nada. Quero dizer é que não há nada. Se você me pergunta o que comi no almoço e respondo “nada”, você não me pergunta “e que gosto tem?” (risos). Seria ridículo. Mas esses homens usam o termo “nada” para se referir a algo. O vácuo quântico, um espaço vazio preenchido com energia, é algo, é uma realidade física com propriedades físicas, bem como certo estado do Universo em que as concepções clássicas de espaço e tempo ainda não se aplicam. Krauss chega a dizer que há diferentes tipos de “nada”, o que já indica que ele está usando o termo de forma equivocada. O nada não tem nenhuma propriedade, é ridículo falar em diferentes tipos de nada. Isso é uma grotesca distorção da linguagem, uma representação errada da ciência moderna em uma tentativa de convencer leigos de que a ciência pode explicar a origem última do Universo.

Eles agem assim por ignorância filosófica ou estão deliberadamente distorcendo o conceito?

Cientistas como Hawking e Krauss não são treinados em Filosofia e são bem ingênuos nesse campo. Eles não entendem as implicações metafísicas do que dizem e caem em uma armadilha criada por suas próprias palavras. Hawking, no começo de seu livro The Grand Design, diz que a Filosofia está morta e que ela não acompanhou os desenvolvimentos da ciência moderna; agora, cabe aos cientistas conduzir a luz do conhecimento. Essa, por si só, é uma afirmação filosófica – e o resto do livro vai fazendo uma afirmação filosófica após outra. Hawking faz filosofia em vez de ciência e não percebe. [E muitos darwinistas, ao abraçar cegamente o naturalismo filosófico e defender a macroevolução, também fazem filosofia sem se dar conta. – MB.]

“Acreditar que não acreditamos em nada é crer na crença do descrer” (MillôrFernandes, 16 de agosto de 1923 – 27 de março de 2012).

Dez motivos para odiar o Big Brother Brasil

A 12ª edição do Big Brother Brasil chega ao fim nesta quinta-feira. Além da definição do novo milionário coroado pelo programa, a final traz também o alívio para muitos telespectadores que não fazem a mínima questão de “dar aquela espiadinha”. São muitos os motivos que inspiram a formação de um grupo que não torce para nenhum participante, mas sim para que o BBB acabe mais cedo do que o previsto. Os discursos indecifráveis de Pedro Bial somados às ações excessivas de merchandising e os gritos de “uhuu”, que dominam o programa, são apenas alguns dos elementos que fazem parte da longa lista de motivos para odiar o BBB. Outras explicações são a hegemonia das mulheres siliconadas e as personalidades narcisistas que povoam a casa. [No texto disponível no link abaixo estão os dez motivos.]


Nota: Se há dez motivos para odiar o BBB (creio que a Veja ainda pegou leve), há milhares de motivos para mudar de canal e assistir à TV Novo Tempo.[MB]

Corante à base de insetos cria polêmica nos EUA

A intenção, diz a Starbucks, era das melhores: diminuir o uso de ingredientes artificiais. Mas a decisão de trocar o corante químico da bebida Frappuccino sabor morango por extrato de cochonilha, extraído de insetos, acabou em polêmica para a empresa nos Estados Unidos. A rede de cafeterias passou a adotar o corante natural em suas bebidas neste ano. Mas o método de extração da cor rosa, resultado da trituração de milhares de cochonilhas, não agradou o grupo de consumidores veganos. Os ativistas boicotam qualquer produto de origem animal. O “suco de inseto”, como tem sido chamado, está sendo apontado como não vegano em fóruns de discussão e comunidades de adeptos da dieta, como o ThisDishIsVegetarian.com. Os grupos chegaram a propor um boicote à cafeteria, apelidada de “Starbugs” (trocadilho com bug, “inseto” em inglês). As informações são da ABC News.

A rede chegou a se defender em um comunicado à imprensa. Segundo o texto, “ainda que o Frappuccino de Morango não seja vegano”, o produto faz parte de “um esforço por refeições mais naturais” e que a companhia “se esforça para abarcar todos os tipos de opções alimentares”.

Com o aumento da controvérsia, a empresa admitiu, por fim, ser impossível garantir a venda de algum produto 100% vegetal. "”Muitos dos produtos da Starbucks podem ser combinados para criar bebidas livres de derivados de animais; no entanto, não temos capacidade de dar garantias, diante do potencial de contaminação cruzada com outros produtos em nossos locais de funcionamento”, escreveu em comunicado.

Ainda que tenha gerado reações negativas, o uso de extrato de cochonilha não é incomum. O corante é aprovado pelos órgãos de controle de saúde em todo o mundo, como o americano FDA (Food and Drug Administration), e utilizado em iogurtes, sorvetes, recheios de bolachas e cosméticos. A cor vermelha é extraída da fêmea do inseto, originário do México e da América do Sul. Para cada quilo do pigmento, são trituradas 150 mil cochonilhas.

(Info)

Nota: Se não quiser consumir cochonilha esmagada, é bom você ficar atento a alimentos e sucos de coloração laranja, rosa ou vermelha. Basta ler o rótulo. Se nos ingredientes houver algo como “corante natural carmim” ou “cochonilha”, trata-se do inseto esmagado.[MB]

Michael Behe não foi refutado sobre o flagelo bacteriano

Nós que temos lido a literatura em torno da controvérsia Design Inteligente/Evolução por algum tempo, já estamos bem familiarizados com a resposta incisiva padrão darwinista com respeito ao argumento “Beheano” da complexidade irredutível, até onde diz respeito ao flagelo bacteriano. Parece haver esta unanimidade de opinião entre os teóricos darwinistas de que as afirmações de complexidade irredutível com respeito ao flagelo bacteriano já foram refutadas, e que nós, proponentes do Design Inteligente, estamos mudando constantemente os marcos teóricos, enterrando a cabeça na areia, e geralmente apelando para quaisquer argumentos. Na verdade, uma pessoa no Facebook destacou recentemente:

“Minha queixa principal com os proponentes do Design Inteligente é que eles parecem nunca desistir. Quantas vezes alguém precisa lhes dizer que algo está errado antes que você admita? Quantas vezes o Design Inteligente precisa ser refutado na mídia com revisão por pares antes que você desista dela como uma causa perdida? A estória da complexidade irredutível do flagelo bacteriano está completa e totalmente morta. Está errada. Acostumem-se com isso.”

Recentemente, levantei a questão do flagelo bacteriano como sendo um exemplo documentado de complexidade irredutível numa sessão de perguntas e respostas num colóquio sobre a interseção da ciência e religião, e recebi respostas nesse mesmo sentido.

Mas essa afirmação é realmente verdadeira? Esse argumento tem sido refutado pelos críticos? Cerca de um ano atrás, li o livro Why Intelligent Design Fails - A Scientific Critique of the New Creationism [Por que o Design Inteligente falha - Uma crítica científica do neo-criacionismo] (editado por Matt Young e Taner Edis). O capítulo 5 desse livro foi contribuição de Ian Musgrave e tem como título “Evolution of the Bacterial Flagellum” [Evolução do flagelo bacteriano]. Direcionado como uma resposta a Michael Behe e William Dembski, Musgrave tenta, de uma vez por todas, demonstrar ser errada a noção de complexidade irredutível. Lendo esse capítulo, eu me lembro de ter ficado profundamente não impressionado. Na página 82 do livro, Musgrave nos oferece o seguinte argumento:

“Eis aqui um possível cenário [sic] para a evolução do flagelo bacteriano: primeiro surgiu um sistema de secreção, baseado ao redor do bastão SMC e do complexo de formação de poros, que foi o ancestral comum do sistema de secreção tipo III e do sistema flagelar. A associação de uma bomba de íon (que mais tarde se tornou a proteína do motor) a essa estrutura melhorou a secreção. Até hoje, as proteínas do motor, parte de uma família de proteínas que dirige a secreção, podem, livremente, desassociar-se e reassociar-se com a estrutura flagelar. O complexo do bastão e a formação de poros pode até ser rotacionado nesse estágio, como faz em alguns sistemas de deslizamento-mobilidade. O filamento protoflagelar surgiu em seguida como parte da estrutura de secreção de proteína (compare o Pseudomonas pilus, os apêndices filamentosos da Salmonella e as estruturas filamentosas da E. coli). A mobilidade em deslizar e contrair surgiu nesse estágio ou mais tarde, e depois foi refinada em mobilidade natatória. A regulação e a capacidade de manobrar podem ser adicionadas mais tarde, porque existem eubactérias modernas que não têm esses atributos, mas funcionam bem em seu ambiente (Shah e Sockett, 1995). Em cada estágio há um benefício para as mudanças na estrutura.”

Na verdade, Mark Pallen e Nick Matzke apresentaram argumento muito semelhante no artigo deles na
Nature Reviews, em 2006 (artigo levantado por alguém no auditório durante o tour recente de Behe na Grã-Bretanha). Ken Miller também é reputado em fazer, rotineiramente, afirmações semelhantes concernentes à evolução do flagelo com o Sistema de Secreção Tipo III baseado largamente em considerações das homologias das sequências de proteínas.

Então, esses pontos tiveram sucesso em sepultar de uma vez por todas essa questão irritante do design inteligente? Bem, na verdade, não; eles não tiveram êxito. De fato, sugiro que os argumentos de todos esses cavalheiros há pouco mencionados trivializam fundamentalmente diversas questões importantes.

Primeiramente, trivializam a complexidade transparente e a sofisticação do sistema flagelar – tanto seu aparato de montagem quanto seu “motif” de design em seu nível mais alto de desenvolvimento – estado-da-arte. Na verdade, o processo de automontagem do flagelo bacteriano dentro da célula é tão sofisticado que tenho me esforçado há tempos para descrevê-lo de um modo acessível para leigos. Seus conceitos fundamentais são notoriamente difíceis de entender para aqueles que não estão acostumados a pensar sobre o sistema ou para aqueles que o estão encontrando pela primeira vez. Mas, ao mesmo tempo, a base mecanicista da montagem flagelar é tão elegantemente empolgante e mesmerizante que a transparente e esplêndida engenharia do motor flagelar – e, na verdade, a magnitude do desafio que ele traz para o darwinismo – não pode ser apreciada adequadamente sem um mínimo de conhecimento superficial de suas operações estruturais fundamentais. Vamos dar uma olhada.

A síntese do flagelo bacteriano requer a expressão orquestrada de mais de 60 produtos de genes. Sua biossíntese dentro da célula é orquestrada por genes que são organizados em uma cascata bem ordenada na qual a expressão de um gene em um determinado nível exige a expressão anterior de outro gene em outro nível muito maior. O paradigma, ou modelo, de organismo para a montagem flagelar é a Salmonella, uma bactéria da família Enterobacteriaceae. Minha discussão, pois, pertence principalmente à Salmonella, a menos que seja indicada de outro modo.

O sistema flagelar na Salmonella tem três classes de promotores (os promotores são parecidos com um tipo de interruptor molecular que pode iniciar a expressão do gene quando reconhecido pelo RNA polimerase e uma proteína especializada associada chamada de “fator sigma”). Essas três classes de promotores são simplesmente chamadas de “Classe I”, “Classe II” e “Classe III”. Essa transcrição sequencial é acoplada ao processo de montagem flagelar. A Classe I contém apenas dois genes em um operon (chamado de FlhD e FlhC). A Classe II consiste de 35 genes ao longo de oito operons (inclusive genes envolvidos na montagem do corpo basal enganchado, e outros componentes do flagelo, bem como o aparato de exportação e dois genes reguladores chamados FliA e FlgM). Esses genes envolvidos na síntese do filamento são controlados pelos promotores da Classe III.

O promotor da Classe I dirige a expressão de um regulador mestre (particular às Enterobacteriaceae, da qual a Salmonella é membro) chamado FldH4C2 (não se preocupe se não se lembrar!). Esse regulador entérico mestre liga então os promotores da Classe II em associação com um fator sigma, σ70 (lembre de que eu disse que fator sigma é um tipo de proteína que capacita a união específica do RNA polimerase aos promotores de genes. Os promotores Classe II ficam então responsáveis pela expressão do gene das subunidades do corpo basal enganchado e seus reguladores, inclusive outro fator sigma chamado σ28 (que é codificado por um gene chamado FliA) e seus fatores antissigma, FlgM (os fatores antissigma, como seu nome sugere, se acoplam aos fatores sigma para inibir sua atividade transcricional). O fator sigma σ28 é exigido para ativar os promotores Classe III. Mas aqui nós, potencialmente, entramos num problema. Não faz, absolutamente, nenhum sentido começar a expressar os monômeros flagelinos antes de terminar a construção do corpo basal enganchado. Assim, a fim de inibir o σ28, o fator antissigma (FlgM) aludido acima inibe sua atividade e proíbe-o de interagir com o complexo holoenzimático da RNA polimerase. Quando a construção do corpo basal enganchado é completada, o fator antissigma FlgM é secretado através das estruturas flagelares que são produzidas pela expressão de genes de corpo basal enganchado Classe II. Os promotores da Classe III (que são responsáveis pela expressão dos monômeros flagelinos, do sistema de quimiotaxia e dos geradores de força motor) são finalmente ativados pelo σ28, e o flagelo pode ser completado.

Mas a coisa fica muito melhor. O sistema de exportação flagelar (isto é, o meio pelo qual o FlgM é removido da célula) tem dois estados substratos de especificidade: substratos tipo bastão/gancho e substratos tipo filamento. Durante o processo de montagem flagelar, esse interruptor de substrato-especificidade tem que se mover rapidamente daqueles estados anteriores para os últimos estados. As proteínas que formam parte do gancho e do bastão precisam ser exportadas antes que esses formem o filamento. Mas como surge esse interruptor no substrato-especificidade?

Uma proteína ligada à membrana chamada FlhB é a principal agente nesse processo. Há também uma proteína flagelar do tamanho do gancho que é responsável em se certificar de que o tamanho do gancho seja do tamanho correto (cerca de 55 nm) chamada FliK. Essa proteína também é responsável na ativação do interruptor de especificidade do substrato de exportação. Como se constata, sem a FliK, a capacidade de alternar e exportar filamento e o controle de tamanho do gancho são completamente perdidos. A FliK tem dois domínios principais, i.e. os domínios N-terminal e C-terminal. Durante a montagem do gancho, a FliKN funciona como um sensor molecular e transmissor de informação sobre o tamanho do gancho. Quando o gancho atinge o tamanho correto, a informação é transmitida à FliKC e à FliKCT, resultando numa mudança conformacional, que por sua vez resulta  na ligação da FliKCT à FlhBC. Isso, por sua vez, resulta na mudança conformacional no FlhBC. E isso provoca a alternância do substrato de especificidade.

A montagem flagelar começa na membrana citoplásmica, avança pelo espaço periplásmico e, finalmente, se estende para fora da célula. Basicamente, o flagelo consiste de duas partes principais: o sistema de secreção e a estrutura axial. Os principais componentes da estrutura axial são a FlgG para o bastão, a FlgE para o gancho e a FliC para o filamento. Todas elas se reúnem com a assistência de uma proteína tampão (FlgJ, FlgD e FliD respectivamente). Dessas, somente a FliD permanece na ponta do filamento no produto final. Outros componentes da estrutura axial (chamados de FlgB, FlgC e FlgF) conectam o bastão ao complexo do anel MS. O gancho e o filamento são conectados pela FlgK e a FlgL.

Quando o anel C e o bastão C se acoplam ao anel M em sua superfície citoplásmica, o complexo do anel M – que é fundação estrutural do aparato – pode começar a secretar proteínas flagelares.

A estrutura do bastão é construída pela camada de peptidoglicano. Mas seu crescimento não é capaz de avançar além da barreira física apresentada pela membrana externa sem ajuda. Assim, o complexo do anel externo faz um buraco na membrana de modo que o gancho possa crescer por debaixo da base FlgD até que atinja o tamanho crítico de 55 nm. Então os substratos que estão sendo secretados podem alternar do modo bastão-gancho para o modo flagelino, o FlgD pode ser substituído por proteínas associadas ao gancho e o filamento continua a crescer. Sem a presença da proteína tampão FliD, esses monômeros flagelinos se perdem. Essa proteína tampão é essencial para que o processo ocorra.

Por que a evolução do flagelo do T3SS não funciona 

Alguém pode ter pensado que a descrição dada acima seria mais do que suficiente para reduzir a nada os gestos de mão abanando das trivializações de Kenneth Miller et al. Mas fica cada vez pior para a estória darwinista. Por que a biossíntese do flagelo é tão precisamente regulada e orquestrada? Não somente as demandas de energia fazem do flagelo um sistema extremamente dispendioso para funcionar, mas a expressão inoportuna de proteínas flagelares pode induzir uma forte reação de imunização no sistema hospedeiro, algo que nenhuma bactéria quer sofrer.

Qual é o significado disso do ponto de vista da razão evolucionária? Bem, os monômeros flagelinos são algo tipo indutores de citoquinas. Se você fosse um organismo Yersinia, de posse de um Sistema de Secreção Tipo-III, a última coisa que você gostaria de fazer é apresentar esses peptídeos flagelinos aos macrofágos. Tal coisa, sem dúvida, seria prejudicial aos mecanismos anti-inflamatórios da Yersinia.

Conclusão

Minha descrição, dada acima, realmente somente tocou a superfície desse assunto espetacular de nanotecnologia (para mais detalhes, veja
aqui). Por questão de brevidade, eu sequer discuti os processos impressionantes de quimiotaxia, dois componentes do circuito de transdução de sinal, o acoplamento rotacional, e a força motivo de próton pelo qual o flagelo é energizado (para detalhes disso, vide minha discussão aqui ou, para maiores detalhes, vide este artigo crítico). Mas a consideração mais importante é que a moderna teoria darwinista - como é classicamente entendida - não chegou nem perto de explicar a origem dessa máquina motor extraordinariamente complexa e sofisticada. Assim como as “explicações” darwinistas para o olho podem, a princípio, parecer convincentes para os não iniciados, grandemente não familiarizados com a absoluta maravilha de engenharia da bioquímica e da base molecular da visão, assim também as “explicações” evolucionárias do flagelo se tornaram rapidamente vazias de qualquer persuasão quando se consideram os detalhes moleculares do sistema. Quando alguém junta os detalhes acima com as demonstrações nítidas da impotência de o neodarwinismo produzir novas dobraduras de proteínas e novos sítios de ligação proteína-proteína, você pensa realmente que esse sistema pode ser ajuntado por virtude de leves, sucessivas modificações, um pequeno passo de cada vez? Considerando-se que o ponto importante de convencimento do neodarwinismo depende de sua suposta eficiência em invalidar a extraordinária aparência de design, não é óbvio que sua impotência demonstrável lança o postulado de design de volta à mesa como uma viável e respeitável proposição científica?

Douglas Axe, do Biologic Institute, demonstrou em artigo recente na revista Bio-complexity que o modelo de duplicação e recrutamento de gene somente funciona se algumas poucas mudanças forem necessárias para adquirir nova utilidade selecionável ou nova funcionalidade. Se um gene duplicado for neutro (em termos do seu custo para o organismo), então o número máximo de mutações que uma nova inovação numa população bacteriana pode exigir fica em torno de seis mutações. Se o gene duplicado tiver um custo adaptativo levemente negativo, o número máximo cai para dois ou menos (não incluindo a duplicação em si).

Parece que o flagelo bacteriano continua sendo - e talvez seja - um desafio muito maior ao darwinismo desde quando Behe escreveu o livro A Caixa Preta de Darwin, em 1996.

(Evolution News, via Desafiando a Nomenklatura Científica)

Cientistas desmentem aquecimento global

Deu no DBO Agrotecnologia: “Vimos publicando na DBO Agrotecnologia inúmeras matérias sobre meio ambiente e as mudanças climáticas, até recentemente chamadas de ‘aquecimento’, pois é um tema que atinge diretamente a atividade agrícola. Uma das que mais impacto teve junto aos leitores foi ‘IPCC – e se os cientistas estiverem enganados?’, publicada após o International Panel Climatic Changes, IPCC, anunciar o início do fim do mundo, em fevereiro de 2007. Contestávamos as causas da ameaça do aquecimento naquela matéria. Desde então, lutamos para que a ciência dê respostas incisivas a essa questão das mudanças climáticas. Com isso, enfatizamos e registramos, pela própria omissão da maioria dos cientistas brasileiros, que corremos o grave risco de que se estabeleça o pensamento único na área científica, e, por consequência, na própria sociedade, devido à pressão política dos ambientalistas e da mídia acrítica, e ainda das empresas verdes, afora os interessados nas questões econômicas dessa febre mundial das ‘mudanças climáticas’, que se mostra uma autêntica paranoia coletiva. Felizmente, lá fora, alguns cientistas criaram coragem e, antes tarde do que nunca, estão contestando de forma veemente o proselitismo e a agenda política do IPCC. Reproduzimos, a seguir, um dos manifestos mais eloquentes daquilo que temos divulgado e contestado. É um manifesto público de 16 proeminentes cientistas, veiculado no mais importante jornal de economia dos EUA. Esperamos que tenha continuidade.”

[Clique aqui para ler o manifesto e aqui para ver o original em inglês.]

Eles não querem datar o T-Rex



Lembra-se daquele fóssil de Tiranossauro rex no qual encontraram proteínas? Eles não querem submetê-lo a testes de Carbono-14! Ouça a entrevista com Jack Horner.

Leia também: "Proteínas endógenas em lagarto de '70 milhões de anos'"

terça-feira, março 27, 2012

Professor se espanta com crentes instruídos

Enquanto que em alguns países, que encabeçam o ranking de melhor qualidade de vida (IDH), medido pela ONU (Holanda, Austrália, Irlanda, Suíça, Reino Unido, Suécia, Finlândia, Canadá e Noruega), o número de pessoas que se declaram religiosas está diminuindo, noutras regiões do mundo esse número cresce aceleradamente. Quem está desde muitos anos no meio religioso, ou acompanha sua história, se lembra dos anos 1960-80, quando muitos jovens desistiam do cristianismo de seus pais para se juntarem aos novos grupos de misticismo oriental, pois muitos destes jovens tomavam essa decisão porque acreditavam que o cristianismo era uma religião decadente, destinada a desaparecer em breve.  Então, é curioso observar como nos países do topo do ranking do IDH a onda de misticismo oriental diminuiu para dar lugar a um crescente secularismo, enquanto que nos outros países, nas posições seguintes do ranking, o misticismo oriental diminuiu para dar espaço ao ressurgimento do cristianismo, com exceção dos seguintes países: China, Cuba e Coreia do Norte.

Agora, um fato intrigante: nos países onde a religiosidade está crescendo não é só a velocidade desse crescimento, mas, surpreendentemente, também o aumento do número de religiosos com alta escolaridade.  O Brasil é um deles. Enquanto muitos pensam que religião é assunto para os desinformados, espanta testemunhar atualmente pessoas de alta formação acadêmica, ou mesmo profissionais de sucesso, envolvidos com as religiões tradicionais que, para os jovens das gerações de algumas décadas anteriores, eram instituições moribundas. O resultado é uma polaridade que coloca de um lado os elevados conhecimentos científicos e tecnológicos que fazem as pessoas exercerem suas profissões com brilhantismo, e, do outro lado, uma visão de mundo com base em uma mentalidade obsoleta [sic], que as leva a assumir um modo de vida religioso correspondente. O interessante é que, quando conversamos com essas pessoas, é curioso notar o contraste entre o alto nível das suas ideias seculares e das suas conquistas profissionais, com o baixo nível das suas concepções pessoais e da sua visão de mundo, sobretudo quando falam de valores e de religião. Até parece que são pessoas que vivem em duas épocas distintas, ou seja, que profissionalmente vivem no século 21, mas religiosamente vivem na Antiguidade ou na Idade Média. Elas falam de assuntos seculares com racionalidade e com cientificidade, no entanto, acreditam, ao mesmo tempo, em crenças tão infantis e ingênuas que até parece que não são as mesmas pessoas que estão falando. [Mais abaixo comentarei sobre a estupefação do autor deste texto.]

Um dos exemplos mais intrigantes na comunidade científica é o de Francis S. Collins, um dos mais respeitados cientistas da atualidade, foi diretor do Projeto Genoma nos anos 2000, porém, um cristão devoto [e ex-ateu, faltou dizer]. Em seu livro, A Linguagem de Deus (Editora Gente, 2007), é possível notar o brilhantismo de Collins quando fala de Biologia em contraste com a ingenuidade das suas ideias quando fala de suas convicções religiosas. Daí que é curioso questionar por que essas pessoas não transferem seus conhecimentos científicos, recebidos na sua formação escolar, bem como seus conhecimentos técnicos de profissão, para a formação de sua visão de mundo e da consequente escolha do seu modo de vida. E quando transferem, como no caso de Collins e outros, afirmam não encontrar nenhum conflito. Outros chegam até a fazer conciliações entre as ideias científicas e as crenças religiosas. [...]

[O autor deste texto segue analisando o papel da educação em construir uma ponte entre o conhecimento secular capaz de “superar” o obscurantismo da religião e as pessoas que, segundo ele, estão iludidas. Para ele,] esse trabalho tem de ser feito pela Filosofia, uma vez que a Ciência não é um empreendimento de formação e de julgamento de valores, essa tarefa é da Filosofia, portanto é ela quem tem que construir essa ponte entre o conhecimento científico e a formação de visão de mundo de cada indivíduo, através do juízo de valores seculares. Do jeito que está a situação atual, as pessoas instruídas sabem fazer uso da Ciência e da tecnologia em assuntos seculares, mas na hora de fazer juízo de valores, elas ainda recorrem à religião, pois não aprenderam a fazer esses juízos a partir da cultura secular que receberam na escola, pois essa função cabe à Filosofia. [Isso quer dizer que gente do calibre de Collins e muitos outros teístas ainda não aprenderam a pensar direito? Falta-lhes filosofia para aprender a pensar de maneira secular?]

Por exemplo, segundo levantamentos, o número de pessoas que ainda acredita que o mundo foi criado por deus [sic] é muito maior do que o número daquelas que acreditam que o mundo é produto da evolução. Surpreende quando encontramos muitos diplomados em universidades que ainda acreditam na criação divina [a mim não surpreende, pois esses intelectuais estão pensando a partir da causa para o efeito, ao passo que os naturalistas, como o autor deste texto, lidam apenas com os efeitos sem se preocupar com as causas ou a Causa]. A razão da sobrevivência de tal crença pode ser que, ao analisarem a criação do mundo, essas pessoas a associam à vida e, consequentemente, a um significado, a um sentido e a uma finalidade para a existência humana, de maneira que não separam o mundo e a vida de um lado e o destino humano de outro [na verdade, muitos cientistas e pensadores chegam à conclusão de que o evolucionismo está equivocado simplesmente por concluir que na base do acaso e da aleatoriedade a complexidade específica da vida e as leis do Universo jamais teriam surgido; e essa reflexão nada tem que ver com religião, necessariamente]. [...]

A Racionalist International, uma associação secular sediada na Índia, mantém um programa, com autorização do governo, através de agentes dessa associação que visitam regularmente as escolas secundaristas daquele país, para falar do valor e da importância do pensamento racional e da Ciência, uma vez que lá a Filosofia Ocidental não é ensinada nas escolas. Agora, será que, mesmo com o ensino da Filosofia nas escolas aqui, a implantação de um mesmo programa será necessária e conseguirá reverter a situação? Será possível um dia erradicar a carolice do ambiente filosófico? Bem… só a Evolução sabe! [Era só o que faltava: criar um grupo de missionários ateus para evangelizar as crianças nas escolas... Se depender de Dawkins, é exatamenteisso o que será feito.]


Nota: Embora discorde da argumentação central de Botelho em seu artigo acima, reconheço que ele apresenta dados interessantes que merecem uma análise mais acurada. Por exemplo: segundo ele, países com alto IDH são mais secularizados. Mas isso é óbvio, uma vez que esses países têm dinheiro e conforto de sobra, acham-se autossuficientes e é exatamente isso, principalmente, o que alimenta o secularismo. O consumismo e as múltiplas opções de lazer distraem as pessoas, dificultando o pensamento filosófico/teológico; o pragmatismo da vida orientada para o acúmulo de bens e a ilusão de que a ciência e a tecnologia são capazes de resolver todos os problemas levam as pessoas desses países a postergar a busca de respostas para as perguntas fundamentais: De onde vim? Para onde vou? Por que estou aqui? Qual o sentido da vida? Elas simplesmente não pensam nisso ou não têm tempo para pensar nisso. No fim da vida, muitas delas acabam se voltando para essas questões, como fizeram muitos filósofos na velhice, a exemplo de Heinrich Heine e outros. Cuba, China e Coreia do Norte ainda vivem sob a sombra do comunismo anacrônico e de fortes cores ateístas (regimes tão impostos quanto o das teocracias ditatoriais), praticamente o mesmo regime que foi à bancarrota na Rússia, permitindo a abertura para o cristianismo que cresceu bastante por lá. Portanto, ainda não dá para tomar como exemplo esses três países exceções. Os países (ou as gerações) que antes haviam abraçado o misticismo e hoje se voltam novamente para o cristianismo por certo devem ter percebido que, de fato, não conheciam o cristianismo verdadeiro; conheciam apenas aquele cristianismo empoeirado pelas tradições da igreja dominante; religião que lhes foi imposta por herança. Mas, quando se depararam com o vácuo existencial que o misticismo cria, se voltaram para a única religião que pode satisfazer o anseio da alma, posto que fundada pelo Deus verdadeiro e ressurreto; o Criador do Universo e do ser humano (único que conhece e supre nossas necessidades); o Alfa e o Ômega. Botelho se espanta com a conciliação entre ciência e religião feita pelo Dr. Collins, mas poderia ter mencionado, também, os próprios pais da ciência que fizeram uma conciliação ainda mais estreita entre essas duas áreas do conhecimento: Isaac Newton, Galileu Galilei, Copérnico, ou mesmo Blaise Pascal, Pasteur e tantos outros nomes da ciência que foram profundamente religiosos. No presente, ele poderia citar Antony Flew, tido como o maior filósofo ateu do século 20, mas que, no entanto, depois de muito refletir, poucos anos antes de morrer abraçou o cristianismo. O que dizer também de filósofos doutores como o ex-ateu Ravi Zacharias e William Lane Craig? Não sabem pensar? Não conhecem a filosofia? Botelho acredita que as pessoas precisam fazer juízos de valores numa base secular sem recorrer à religião. Mas qual seria, nesse caso, o ponto de referência para esses valores? A mutável filosofia humana? Sem uma verdade absoluta, uma moral superior às quais recorrer, como poderíamos definir o que é certo e o que é errado? E, ainda que pudéssemos definir algo parecido com isso, o que nos garante que esses valores serão os mesmo daqui a alguns anos? Francis Bacon tinha razão: “Pouca filosofia nos afasta da religião; muita filosofia nos aproxima dela.”[MB]

Na Mira da Verdade

O livro Na Mira da Verdade, fruto do programa televisivo da TV e rádio Novo Tempo, apresenta três seções que abordam (1) a apologética (defesa racional da fé), (2) alguns dos principais argumentos da Bíblia Apologética de Estudos, elaborados para refutar os adventistas, e (3) respostas a perguntas frequentes.

No capítulo sobre apologética, o jornalista, pós-graduado em jornalismo científico e mestrando em teologia Leandro Quadros demonstra biblicamente a importância da defesa da fé, como a apologética é utilizada no cenário brasileiro contemporâneo, oferece dicas para você agir num debate e argumentos para refutar a acusação de que o adventismo é uma “seita” herética.

Já no capítulo 2, são analisados alguns dos textos usados pelos adventistas e “reexplicados” pela Bíblia Apologética de Estudos, para que o leitor perceba que a referida Bíblia de Estudos apresenta sérias distorções quanto às doutrinas fundamentais das Escrituras.

E no capítulo 3, o leitor encontra uma série de respostas objetivas a alguns dos principais questionamentos apresentados pelos telespectadores e ouvintes do programa “Na Mira da Verdade”.

O volume 2 já está sendo preparado, mas, enquanto isso, você pode adquirir o Na Mira da Verdade (volume 1) pelo site www.leandroquadros.com.br. Acesse e conheça também o sumário do que é apresentado na obra. E, assim como muitos cristãos, incluindo pastores protestantes e líderes católicos e espíritas, conheça mais sobre as verdades bíblicas “que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus” (2Tm 3:15).

Para cientistas, aquecimento é quase irreversível

O aquecimento global está próximo de se tornar irreversível, o que torna esta década crítica nos esforços para preveni-lo, disseram cientistas nesta segunda-feira (26). As estimativas científicas diferem, mas é provável que a temperatura mundial suba até 6 ºC até 2100, caso as emissões de gases do efeito estufa continuem aumentando de forma descontrolada. Mas, antes disso, haveria um ponto em que os estragos decorrentes do aquecimento – como o degelo das camadas polares e a perda das florestas – se tornariam irrecuperáveis. “Essa é uma década crítica. Se não revertermos as curvas nesta década, vamos ultrapassar esses limites”, disse Will Steffen, diretor-executivo do instituto para a mudança climática da Universidade Nacional Australiana, falando em uma conferência em Londres. Apesar dessa urgência, um novo tratado climático obrigando grandes poluidores como EUA e China a reduzirem suas emissões só deve ser definido até 2015, para entrar em vigor em 2020.

“Estamos no limiar de algumas grandes mudanças”, disse Steffen. “Podemos... limitar o aumento das temperaturas a 2 ºC, ou cruzar o limite além do qual o sistema passa para um estado bem mais quente.”

No caso das camadas de gelo, cruciais para desacelerar o aquecimento, esse limiar provavelmente já foi ultrapassado, segundo Steffen. A capa de gelo da Antártida ocidental já encolheu na última década, e a região da Groenlândia perde 200 quilômetros cúbicos de cobertura por ano desde a década de 1990.

A maioria dos especialistas prevê também que a Amazônia se tornará mais seca em decorrência do aquecimento. Uma estiagem que tem matado muitas árvores motiva temores de que a floresta também poderia estar perto de um ponto irreversível, a partir do qual deixará de absorver emissões de carbono e passará a contribuir com elas.

Cerca de 1,6 bilhão de toneladas de carbono foram perdidas em 2005 na floresta tropical, e 2,2 bilhões de toneladas em 2010, o que reverte cerca de dez anos de atividade como “ralo” de carbono, disse Steffen.

Um dos limites mais preocupantes e desconhecidos é do “permafrost” (solo congelado) siberiano, que armazena carbono no chão, longe da atmosfera. “Há cerca de 1,6 trilhão de toneladas de carbono por lá – cerca do dobro do que existe hoje na atmosfera –, e as latitudes setentrionais elevadas estão experimentando a mudança de temperatura mais severa em qualquer parte do planeta”, disse ele.

No pior cenário, 30 a 63 bilhões de toneladas de carbono por ano seriam liberadas até 2040, chegando a 232 a 380 bilhões de toneladas por ano até 2100. Isso é um volume bem mais expressivo do que os cerca de 10 bilhões de toneladas de CO2 liberadas por ano pela queima de combustíveis fósseis.


Nota: Que a natureza está sendo degradada, ninguém pode negar. É profético, inclusive. Mas o papel preponderante do ser humano no que diz respeito ao aquecimento global ainda é alvo de debates. Seria mesmo o homem o maior culpado ou isso teria mais que ver com a intensa atividadesolar? O fato é que, quando o assunto é ECOmenismo (e tudo o que está por trás dessa bandeira), quanto mais medo, melhor. E que medo pode ser maior do que o da extinção da nossa espécie? Que medo pode ser mais motivador de grandes mudanças (comportamentais, jurídicas, etc.), quando convenientemente utilizado por uma elite político-religiosa que é craque no uso da engenharia social?[MB]

segunda-feira, março 26, 2012

William Lane Craig na Veja online: é um bom começo

Ontem, a Veja online publicou uma entrevista com o filósofo e teólogo cristão William Lane Craig. Clique aqui para saber por que considero esse um bom começo. Agora só falta a semanal abrir espaço para um apologista cristão em suas páginas amarelas da edição impressa, como já fez com muitos pensadores ateus.

O texto de abertura da entrevista com Craig começa assim: “Quando o escritor britânico Christopher Hitchens, um dos maiores defensores do ateísmo, travou um longo debate nos Estados Unidos, em abril de 2009, com o filósofo e teólogo William Lane Craig sobre a existência de Deus, seus colegas ateus ficaram tensos. Momentos antes de subir ao palco, Hitchens – que morreu em dezembro de 2011, aos 62 anos – falou a jornalistas sobre a expectativa de enfrentar Craig. ‘Posso dizer que meus colegas ateus o levam bem a sério’, disse. ‘Ele é considerado um adversário muito duro, rigoroso, culto e formidável’, continuou. ‘Normalmente, as pessoas não me dizem ‘boa sorte’ ou ‘não nos decepcione’ antes de um debate – mas hoje, é o tipo de coisa que estão me dizendo.’ Difícil saber se houve um vencedor do debate. O certo é que Craig se destaca pela elegância com que apresenta seus argumentos, mesmo quando submetido ao fogo cerrado.

“O teólogo evangélico é considerado um dos maiores defensores da doutrina cristã na atualidade. Craig, que vive em Atlanta (EUA) com a esposa, sustenta que a existência de Deus e a ressurreição de Jesus, por exemplo, não são apenas questões de fé, mas passíveis de prova lógica e racional. Em seu currículo de debates estão o famoso químico e autor britânico Peter Atkins e o neurocientista americano Sam Harris (veja lista com vídeos legendados de Craig). Basta uma rápida procura no YouTube para encontrar uma vastidão de debates travados entre Craig e diversos estudiosos. Richard Dawkins, um dos maiores críticos do teísmo, ainda se recusa a discutir com Craig sobre a existência de Deus. [...]

“Autor de diversos livros – entre eles Em Guarda – Defenda a fé cristã com razão e precisão (Ed. Vida Nova), lançado no fim de 2011 no Brasil –, Craig é doutor em filosofia pela Universidade de Birmingham, na Inglaterra, e em teologia pela Universidade de Munique, Alemanha. O filósofo esteve no Brasil para o 8º Congresso de Teologia da Editora Vida Nova, em Águas de Lindóia, entre 13 e 16 de março. Durante o simpósio, Craig deu palestras e dedicou a última apresentação a atacar, ponto a ponto, os argumentos de Richard Dawkins sobre a inexistência de Deus.

Por que deveríamos acreditar em Deus?

Porque os argumentos e evidências que apontam para Sua existência são mais plausíveis do que aqueles que apontam para a negação. Vários argumentos dão força à ideia de que Deus existe. Ele é a melhor explicação para a existência de tudo a partir de um momento no passado finito, e também para o ajuste preciso do Universo, levando ao surgimento de vida inteligente. Deus também é a melhor explicação para a existência de deveres e valores morais objetivos no mundo. Com isso, quero dizer valores e deveres que existem independentemente da opinião humana.

Se Deus é bondade e justiça, por que Ele não criou um universo perfeito onde todas as pessoas vivem felizes?

Acho que esse é o desejo de Deus. É o que a Bíblia ensina. O fato de que o desejo de Deus não é realizado implica que os seres humanos possuem livre-arbítrio. Não concordo com os teólogos que dizem que Deus determina quem é salvo ou não. Parece-me que os próprios humanos determinam isso. A única razão pela qual algumas pessoas não são salvas é porque elas próprias rejeitam livremente a vontade de Deus de salvá-las.

Alguns cientistas argumentam que o livre-arbítrio não existe. Se esse for o caso, as pessoas poderiam ser julgadas por Deus?

Não, elas não poderiam. Acredito que esses autores estão errados. É difícil entender como a concepção do determinismo pode ser racional. Se acreditarmos que tudo é determinado, então até a crença no determinismo foi determinada. Nesse contexto, não se chega a essa conclusão por reflexão racional. Ela seria tão natural e inevitável como um dente que nasce ou uma árvore que dá galhos. Penso que o determinismo, racionalmente, não passa de absurdo. Não é possível acreditar racionalmente nele. Portanto, a atitude racional é negá-lo e acreditar que existe o livre-arbítrio.

O senhor defende em seu site uma passagem do Velho Testamento em que Deus ordena a destruição da cidade de Canaã, inclusive autorizando o genocídio, argumentando que os inocentes mortos nesse massacre seriam salvos pela graça divina. Esse não é um argumento perigosamente próximo daqueles usados por terroristas motivados pela religião?

A teoria ética desses terroristas não está errada. Isso, contudo, não quer dizer que eles estão certos. O problema é a crença deles no deus errado. O verdadeiro Deus não ordena atos terroristas e, portanto, eles estariam cometendo uma atrocidade moral. Quero dizer que se Deus decide tirar a vida de uma pessoa inocente, especialmente uma criança, a Sua graça se estende a ela.

Se o terrorista é cristão o ato terrorista motivado pela religião é justificável, por ele acreditar no Deus “certo”?

Não é suficiente acreditar no deus certo. É preciso garantir que os comandos divinos estão sendo corretamente interpretados. Não acho que Deus dê esse tipo de comando hoje em dia. Os casos do Velho Testamento, como a conquista de Canaã, não representam a vontade normal de Deus.

O senhor está querendo dizer que Deus também está sujeito a variações de humor? Não é plausível esperar que pelo menos Ele seja consistente?

Penso que Deus pode fazer exceções aos comandos morais que dá. O principal exemplo no Velho Testamento é a ordem que ele dá a Abraão para sacrificar seu filho Isaque. Se Abraão tivesse feito isso por iniciativa própria, isso seria uma abominação. O Deus do Velho Testamento condena o sacrifício infantil. Essa foi uma das razões que O levou a ordenar a destruição das nações pagãs ao redor de Israel. Elas estavam sacrificando crianças aos seus deuses. E, no entanto, Deus dá essa ordem extraordinária a Abraão: sacrificar o próprio filho Isaque. Isso serviu para verificar a obediência e fé dele. Mas isso é a exceção que prova a regra. Não é a forma normal com que Deus conduz os assuntos humanos. Mas porque Deus é Deus, Ele tem a possibilidade de abrir exceções em alguns casos extremos, como esse.

O senhor disse que não é suficiente ter o deus certo, é preciso fazer a interpretação correta dos comandos divinos. Como garantir que a sua interpretação é objetivamente correta?

As coisas que digo são baseadas no que Deus nos deu a conhecer sobre Si mesmo e em preceitos registrados na Bíblia, que é a palavra dEle. Refiro-me a determinações sobre a vida humana, como “não matarás”. Deus condena o sacrifício de crianças, Seu desejo é que amemos uns ao outros. Essa é a Sua moral geral. Seria apenas em casos excepcionalmente extremos, como o de Abraão e Isaque, que Deus mudaria isso. Se eu achar que Deus me ordenou a fazer algo que é contra Seu desejo moral geral, revelado na Escritura, o mais provável é que eu tenha entendido errado. Temos a revelação do desejo moral de Deus e é assim que devemos nos comportar.

O senhor deposita grande parte da sua argumentação no conteúdo da Bíblia. Contudo, ela foi escrita por homens em um período restrito, em uma área restrita do mundo, em uma língua restrita, para um grupo específico de pessoas. Que evidência se tem de que a Bíblia é a palavra de um ser sobrenatural?

A razão pela qual acreditamos na Bíblia e sua validade é porque acreditamos em Cristo. Ele considerava as escrituras hebraicas como a Palavra de Deus. Seus ensinamentos são extensões do que é ensinado no Velho Testamento. Os ensinamentos de Jesus são direcionados à era da Igreja, que o sucederia. A questão, então, se torna a seguinte: temos boas razões para acreditar em Jesus? Ele é quem ele diz ser, a revelação de Deus? Acredito que sim. A ressurreição dos mortos, por exemplo, mostra que Ele era quem afirmava.

Existem provas que confirmem a ressurreição de Jesus?

Temos boas bases históricas. A palavra “prova” pode ser enganosa porque muitos a associam com matemática. Certamente, não temos prova matemática de qualquer coisa que tenha acontecido na história do homem. Não temos provas, nesse sentido, de que Júlio César foi assassinado no senado romano, por exemplo, mas temos boas bases históricas para isso. Meu argumento é que se você considera os documentos do Novo Testamento como fontes da história antiga – como os historiadores gregos Tácito, Heródoto ou Tucídides –, o Evangelho aparece como uma fonte histórica muito confiável para a vida de Jesus de Nazaré. A maioria dos historiadores do Novo Testamento concorda com os fatos fundamentais que balizam a inferência sobre a ressurreição de Cristo. Coisas como Sua execução sob autoridade romana, a descoberta das tumbas vazias por um grupo de mulheres no domingo depois da crucificação e o relato de vários indivíduos e grupos sobre os aparecimentos de Jesus vivo após Sua execução. Com isso, nos resta a seguinte pergunta: Qual é a melhor explicação para essa sequência de acontecimentos? Penso que a melhor explicação é aquela que os discípulos originais deram – Deus fez Jesus renascer dos mortos. Não podemos falar de uma prova, mas podemos levantar boas bases históricas para dizer que a ressurreição é a melhor explicação para os fatos. E como temos boas razões para acreditar que Cristo era quem dizia ser, portanto temos boas razões para acreditar que Seus ensinamentos eram verdade. Sendo assim, podemos ver que a Bíblia não foi criação contingente de um tempo, de um lugar e de certas pessoas, mas é a Palavra de Deus para a humanidade.

Os textos da Bíblia passaram por diversas revisões ao longo do tempo. Como podemos ter certeza de que as informações às quais temos acesso hoje são as mesmas escritas há dois mil anos? Além disso, como lidar com o fato de que informações podem ser perdidas durante a tradução?

Você tem razão quanto à variedade de revisões e traduções. Por isso, é imperativo voltar às línguas originais nas quais esses textos foram escritos. Hoje, os críticos textuais comparam diferentes manuscritos antigos de modo a reconstruir o que os originais diziam. O Novo Testamento é o livro mais atestado da história antiga, seja em termos de manuscritos encontrados ou em termos de quão próximos eles estão da data original de escrita. Os textos já foram reconstruídos com 99% de precisão em relação aos originais. As incertezas que restam são trivialidades. Por exemplo, na Primeira Epístola de João, ele diz: “Estas coisas vos escrevemos, para que o vosso gozo se cumpra.” Mas alguns manuscritos dizem: “Estas coisas vos escrevemos, para que o nosso gozo se cumpra.” Não temos certeza se o texto original diz “vosso” ou “nosso”. Isso ilustra como esse 1% de incerteza é trivial. Alguém que realmente queira entender os textos deverá aprender grego, a língua original em que o Novo Testamento foi escrito. Contudo, as pessoas também podem comprar diferentes traduções e compará-las para perceber como o texto se comporta em diferentes versões.

É possível explicar a existência de Deus apenas com a razão? Qual o papel da ciência na explicação das causas do Universo?

A razão é muito mais ampla do que a ciência. A ciência é uma exploração do mundo físico e natural. A razão, por outro lado, inclui elementos como a lógica, a matemática, a metafísica, a ética, a psicologia e assim por diante. Parte da cegueira de cientistas naturalistas, como Richard Dawkins, é que eles são culpados de algo chamado “cientismo”. Como se a ciência fosse a única fonte da verdade. Não acho que podemos explicar Deus em Sua plenitude, mas a razão é suficiente para justificar a conclusão de que um Criador transcendente do Universo existe e é a fonte absoluta de bondade moral.

Por que o cristianismo deveria ser mais importante do que outras religiões que ensinam as mesmas questões fundamentais, como o amor e a caridade?

As pessoas não entendem o que é o cristianismo. É por isso que alguns ficam tão ofendidos quando se prega que Jesus é a única forma de salvação. Elas pensam que ser cristão é seguir os ensinamentos éticos de Jesus, como amar ao próximo como a si mesmo. É claro que não é preciso acreditar em Jesus para se fazer isso. Isso não é o cristianismo. O evangelho diz que somos moralmente culpados perante Deus. Espiritualmente, somos separados dEle. É por isso que precisamos experimentar Seu perdão e graça. Para isso, é preciso ter um substituto que pague a pena dos nossos pecados. Jesus ofereceu a própria vida como sacrifício por nós. Ao aceitar o que Ele fez em nosso nome, podemos ter o perdão de Deus e a limpeza moral. A partir disso, nossa relação com Deus pode ser restaurada. Isso evidencia por que acreditar em Cristo é tão importante. Repudiá-Lo é rejeitar a graça de Deus e permanecer espiritualmente separado dEle. Se você morre nessa condição, você ficará eternamente separado de Deus. Outras religiões não ensinam a mesma coisa.

A crença em Deus é necessária para trazer qualidade de vida e felicidade?

Penso que a crença em Deus ajuda, mas não é necessária. Ela pode lhe dar uma fundação para valores morais, propósito de vida e esperança para o futuro. Contudo, se você quiser viver inconsistentemente, é possível ser um ateu feliz, contanto que não se pense nas implicações do ateísmo. Em última análise, o ateísmo prega que não existem valores morais objetivos, que tudo é uma ilusão, que não há propósito e significado para a vida e que somos um subproduto do acaso.

Por que importa se acreditamos no deus [sic] do cristianismo ou na “mãe natureza”, se na prática as pessoas podem seguir, fundamentalmente, os mesmos ensinamentos?

Deveríamos acreditar em uma mentira se isso for bom para a sociedade? As pessoas devem acreditar em uma falsa teoria, só por causa dos benefícios sociais? Eu acho que não. Isso seria uma alucinação. Algumas pessoas passam a acreditar na religião por esse motivo. Já que a religião traz benefícios para a sociedade, mesmo que o indivíduo pense que ela não passa de um “conto de fadas”, ele passa a acreditar. Digo que não. Se você acha que a religião é um conto de fadas, não acredite. Mas se o cristianismo é a verdade – como penso que é – temos que acreditar nele independentemente das consequências. É o que as pessoas racionais fazem, elas acreditam na verdade. A via contrária é o pragmatismo. “Isso Funciona?”, perguntam elas. “Não importa se é verdade, quero saber se funciona.” Não estou preocupado se na Suécia alguns são felizes sem acreditar em Deus ou se há alguma vantagem em acreditar nEle. Como filósofo, estou interessado no que é verdade e me parece que a existência desse Ser transcendente que criou e projetou o Universo, fonte dos valores morais, é a verdade.