sexta-feira, agosto 07, 2015

A construção da arca de Noé foi possível

Projeto de engenharia viável
O registro da construção da arca de Noé em Gênesis 6:14-22 levanta sérias questões na mente dos críticos da Bíblia, entre elas: Como essa pequena arca poderia carregar 70 mil animais? Como um navio de madeira flutuaria numa tempestade tão violenta? Por que uma arca retangular ao invés de uma embarcação arredondada, como os atuais navios? Com base na engenharia de construção naval moderna e nos filmes que Hollywood apresenta, muitos céticos argumentam que não se podiam construir embarcações enormes como a de Noé a partir de madeira, mesmo utilizando a tecnologia avançada de hoje. Porém, argumentos como esse apenas exibem ignorância diante dos achados históricos. Isso porque documentos antigos descrevem embarcações de madeira que se aproximavam do tamanho da especificação do Gênesis, fornecendo uma confirmação acerca da capacidade dos povos antigos para a construção naval.[1]

Há centenas de relatos diluvianos espalhados pelo mundo, indicando que muitos povos relembram o dilúvio. Há, inclusive, documentos arqueológicos antigos (Épico de Gilgamesh) contendo a descrição técnica da obra de engenharia naval que foi a construção da arca de Noé.[2] São relatos que reescreveram de forma similar a história original da arca, evidenciando uma fonte comum.

Atualmente, engenheiros, programadores e especialistas em animais selvagens já consideram que a arca era suficiente e segura para a tarefa.[3] A arca era, na verdade, uma estrutura enorme - do tamanho de um navio moderno −, com três níveis de convés (Gn 6:16), que triplicavam seu espaço para mais de 45.000 metros. Isso é equivalente a 569 vagões de trem.

A arca era feita de um material forte e flexível - madeira de Gofer - que hoje seria semelhante ao cedro (Gn 6:14). O cedro cede sem quebrar. A carga pesada dava estabilidade à arca. Além do mais, arquitetos navais relatam que um vagão retangular flutuante, como a arca, é o tipo de embarcação mais estável em águas turbulentas. Em 1971, cálculos preliminares foram feitos pelo Dr. Henry Morris sobre a estabilidade da Arca.[4] Em 1977, cálculos adicionais foram realizados por um arquiteto naval, David Collins, que levou em conta as condições climáticas adversas que a arca teria encontrado. Collins concluiu: “A arca de Noé era extremamente estável, mais estável, na verdade, que os navios modernos.”[5: p. 86] 

Em relação à carga dentro da arca, cientistas acreditam que a embarcação de Noé teria levado mais de 35.000 animais individuais, isto é, mais de 70 mil animais ao considerar o casal de cada espécie.[6] Mas vale lembrar que as espécies diferentes dentro de cada espécie teriam surgido somente nos séculos após o dilúvio (note que o surgimento de novas espécies é devido à variação, a partir de material genético já existente, e não teria exigido novas informações genéticas, logo, não dá suporte à ideia de evolução).[7]

Portanto, o conceito atual de “espécies” não significa o mesmo que o termo “tipo” na Bíblia. Mas, ainda que fosse, haveria provavelmente cerca de 70 mil tipos diferentes de animais terrestres que teriam de embarcar. Dentre eles, 58 tipos básicos de dinossauros entraram na arca.[8, 9] Sem contar que as espécies marinhas permaneceram no mar. E muitos dos animais que embarcaram seriam filhotes em estado de torpor (hibernação) durante o tempo que ficaram na arca. Assim, “com suas funções corporais reduzidas ao mínimo, a carga de seus cuidados teria sido grandemente aliviada”.[4]

Em 2013, cientistas da área de Física da Universidade de Leicester calcularam as dimensões relatadas na Bíblia para a construção da arca de Noé e descobriram que ela não poderia navegar, mas poderia flutuar com segurança (assim como a proposta original era apenas flutuar durante o dilúvio), devido à sua forma retangular, e acomodaria perfeitamente todas as espécies.[10]

Os autores ingleses começaram tomando por base as medidas de côvado usadas pelos hebreus e egípcios. Estabeleceram uma média para tentar descobrir com exatidão o quanto ele mediria. Os hebreus adotavam a medida de 44,5 centímetros, enquanto o côvado egípcios era de 52,3 centímetros. Os pesquisadores adotaram a média, ou seja, 48,2 centímetros. Segundo eles, a arca teria 144,6 metros de comprimento por 14,1 metros de altura e 24,1 metros de largura (Gn 6:15). Isso seria semelhante ao tamanho dos grandes navios cargueiros que existem hoje, como o Ark Royal. Por fim, os cientistas afirmam que “o que está relatado [na Bíblia] definitivamente funciona”.[11]

Conclusão: mesmo estando continuamente atrasada e cega (por opção), a ciência moderna acaba confirmando o relato bíblico de Gênesis. Confira por si só e verá que o livro de Gênesis é uma fonte de informações científicas precisa e legítima.

(Everton Fernando Alves é mestre em Ciências da Saúde pela UEM e diretor de ensino do Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira [NUMAR-SCB]; seu e-book pode ser lido aqui)

Referências:
[1] Pierce L. “The large ships of antiquity.” Journal of Creation 2000; 22(3):46-48. http://creation.com/the-large-ships-of-antiquity
[2] Sarfati J. “Noah’s Flood and the Gilgamesh Epic.” Journal of Creation 2006; 28(4):12-17. http://creation.com/noahs-flood-and-the-gilgamesh-epic
[3] Hong SW, Na SS, Hyun BS, Hong SY, Gong DS, Kang KJ, Suh SH, Lee KH, Je YG. “Safety investigation of Noah’s Ark in a seaway.” Journal of Creation 1994; 8(1):26–36. http://creation.com/safety-investigation-of-noahs-ark-in-a-seaway
[4] Morris HM. “The Ark of Noah.” Creation Research Society Quarterly 1971; 8:142-4.
[5] Collins DH. “Was Noah’s Ark stable?” Creation Research Society Quarterly 1977; 14:83-7.
[6] Whitcomb JC, Morris HM. The Genesis Flood: The Biblical Record and its Scientific Implications. 50th Anniversary Edition. Phillipsburg, NJ: Presbyterian & Reformed Publishing, 2011.
[7] Wieland C. “Darwin’s finches: Evidence supporting rapid post-Flood adaptation.” Journal of Creation 1992; 14(3):22-23. http://creation.com/darwins-finches
[8] Czerkas SJ, Czerkas SA. Dinosaurs: A Global View. New York: Bdd Promotional Book Co, 1991, p. 151.
[9] Norell et. al., Norell M. “Discovering Dinosaurs: in the American Museum of Natural History.” New York: Knopf, 1995. figure 56, p. 86, 87.
[10] Youle O, Raymer K, Jordan B, Morris T. “P2-9 The animals float two by two, hurrah!” Journal of Physics Special Topics 2013; 12(1):1-2. http://physics.le.ac.uk/journals/index.php/pst/article/view/676/475
[11] Entrevista concedida por Thomas Morris. “Noah’s Ark would have floated... even with 70,000 animals.” [Abr. 2014]. Entrevistadora: Sarah Knapton. Science News. The Telegraph, 2014. http://www.telegraph.co.uk/news/science/science-news/10740451/Noahs-Ark-would-have-floated...even-with-70000-animals.html