terça-feira, janeiro 18, 2022

A precisão do Gênesis para o início do dilúvio

Quando lemos Gênesis capítulos 6 a 9, temos o relato de um evento de extinção em massa, em escala planetária, chamado dilúvio. Obviamente para grande número de pessoas esse relato não é histórico; trata-se de um mito, quando muito, e sem nenhuma base científica para apoiar a possível hipótese de sua ocorrência real. Discordo veementemente desse ceticismo sem base, pois escrevi um livro que me demandou quase nove anos de pesquisa e redação, com mais de 800 páginas, mais de 600 ilustrações e mais de duas mil referências: O Dilúvio: Impacto de asteroides, extinções em massa, as glaciações, a formação do Atlântico e a Arca de Noé. Listei dezenas de evidências da ocorrência desse evento planetário. E como eu, muitos outros pesquisadores/autores que escreveram sobre o evento do dilúvio trataram-no como um relato histórico, relatando as centenas de evidências que dão sustentação à afirmação inicial, de um evento de extinção em massa, em escala planetária.

Eis que há poucos dias do fim de 2021 uma notícia veio acrescentar mais uma evidência da ocorrência do dilúvio àquelas já relatadas por mim e outros pesquisadores/autores dessa temática. Um artigo científico foi publicado na prestigiosa revista Nature, em 8/12/2021, no Scientific Reports,[1] “Seasonal calibration of the end-cretaceous Chicxulub impact event” (“Calibração Sazonal do evento de impacto Chicxulub do fim do Cretáceo”, tradução minha) de Robert A. DePalma, et al., em que os autores conseguem precisar em qual estação do ano, no Hemisfério Norte, ocorreu o impacto de Chicxulub que levou ao evento de extinção em massa no fim do período Cretáceo-Paleogeno, e teria exterminado os dinossauros e cerca de 75%[2] da fauna e flora daquela suposta época geológica.

A mídia com interesse em descobertas científicas reproduziu a notícia aqui:[3] “Foi graças a ests recente estudo que foi possível determinar exatamente a estação do ano que transcorria no Hemisfério Norte quando ocorreu o impacto: no fim da primavera e início do verão. [...] Os pesquisadores analisaram a estrutura e o padrão único das linhas de crescimento nas espinhas de peixes fossilizados do sítio e determinaram que todos morreram durante a fase de crescimento primavera-verão” (negrito no original).

O resumo que os autores apresentaram é o seguinte e mostra que o evento ocorreu na primavera/verão do Hemisfério Norte do Planeta:[1]

“O impacto de Chicxulub do fim do Cretáceo desencadeou a última extinção em massa da Terra, extinguindo ~75% da diversidade de espécies e facilitando uma mudança ecológica global para biomas dominados por mamíferos. Detalhes temporais do evento de impacto em uma escala fina (hora a dia), importante para entender a trajetória inicial de extinção em massa, têm escapado em grande parte de estudos anteriores. Esse estudo emprega análises histológicas e histo-isotópicas de peixes fósseis que eram contemporâneos com uma assembleia de morte em massa desencadeada pelo impacto da fronteira Cretáceo-Paleogene (KPg) em Dakota do Norte (EUA). Padrões de histórico de crescimento, incluindo periodicidade de ẟ18O e ẟ13C e morfologia da banda de crescimento, além de corroborar dados da ontogenia dos peixes e comportamento sazonal dos insetos, revelam que o impacto ocorreu durante a primavera/verão boreal, logo após a temporada de desova para peixes e a maioria dos táxons continentais. A gravidade e a simetria taxonômica da resposta aos perigos naturais globais são influenciadas pela estação durante a qual ocorrem, sugerindo que perturbações pós-impacto poderiam ter exercido uma força seletiva que foi exacerbada pelo tempo sazonal. Os dados desse estudo também podem fornecer uma visão retrospectiva vital dos padrões de resposta biótica existente aos perigos em escala global que são relevantes para os biomas atuais e futuros (tradução minha; negrito acrescentado).[1]

A análise detalhada que os autores fizeram você poderá ver no artigo original.

O que quero chamar à sua atenção é que os autores chegaram à estação do impacto de Chicxulub: primavera/verão no hemisfério Norte do planeta. É claro que, pela perspectiva bíblica, as estações do ano naquele tempo antes do dilúvio eram bem menos evidentes do que as atuais, mas, com certeza, a fauna possuía períodos de reprodução razoavelmente compatíveis com os observados atualmente.

Instado por amigo interessado no assunto, fui verificar se a constatação dos autores coincidia, eventualmente, com a data do início do dilúvio, citada no Gênesis. E, para meu espanto, se a conclusão dos cientistas for historicamente correta, pelas informações bíblicas era esperado que coincidissem. E coincidiram!

Vamos aguardar para ver se haverá contestação das conclusões dos cientistas.

Eis a minha análise:

Segundo o Gênesis, o dilúvio começou no ano 600 da vida de Noé, no dia 17 do segundo mês, e terminou no dia 27 do segundo mês do ano 601 de sua vida. Segundo o calendário judeu/israelita, o calendário religioso, o segundo mês é o mês de Lyar (nome do mês de origem babilônica; pronuncia-se Yar) ou Ziv ou Zive (em hebraico), que começa em 26 de maio do nosso calendário gregoriano. Assim, o dilúvio começou em 17 de Lyar ou Ziv ou Zive, que equivale ao dia 11 de junho do nosso calendário gregoriano.

Ora, o calendário judaico/israelita mostra claramente que o dilúvio começou na primavera/verão, já que o calendário religioso começa na primavera, equivalente aos meses de março/abril do nosso calendário gregoriano.

Não vou entrar aqui nos detalhes do calendário judaico/israelita, que possui dois inícios de ano, um religioso e outro civil. O calendário que usei é o religioso, pois era o que Moisés utilizava. O calendário civil começa no mês Tishri, no dia do Rosh Hashaná, que é o dia da celebração da criação do mundo, e marca o início de um novo ano civil.[3]

A precisão histórica da Bíblia no relato do dilúvio, com dia, mês e ano de seu início e fim, tinha um propósito específico, já que foi o Espírito Santo que inspirou Moisés a assim escrever.

Será que era para este momento da história? Estou seriamente inclinado a acreditar que sim.

Agradeço ao Pastor Eleazar Domini, do canal do YouTube “Fala Sério, pastor”,[4] os esclarecimentos sobre os nomes dos meses em hebraico.

(Celio João Pires é pesquisador e autor de livros criacionistas)

Referências:

1. DePalma, R.A., Oleinik, A.A., Gurche, L.P. et al. Seasonal calibration of the end-cretaceous Chicxulub impact event. Sci Rep 11, 23704 (2021). <https://doi.org/10.1038/s41598-021-03232-9>. Disponível em: <www.nature.com/articles/s41598-021-03232-9>. Acesso em: 18/12/2021.

2. Determinado momento exato do impacto do asteroide que causou extinção dos dinossauros na Terra. Sputnik Brasil. 13/12/2021. Disponível em: <https://br.sputniknews.com/20211213/determinado-momento-exato-do-impacto-do-asteroide-que-causou-extincao-dos-dinossauros-na-terra-20662241.html>. Acesso em 18/12/2021.

3. O Calendário Judaico. Portal São Francisco. Disponível em: <www.portalsaofrancisco.com.br/historia-geral/calendario-judaico>. Acesso em 18/12/2021.

4. “Fala sério, pastor.” Domini, Eleazar. Disponível em: <www.youtube.com/c/Falasériopastor>. Acesso em: 21/12/2021.

sexta-feira, novembro 19, 2021

Telescópios e lagostas

Devemos grande parte do conhecimento que temos acerca do espaço aos telescópios. Esses objetos foram criados no século 17 e aperfeiçoados por muitos cientistas ao longo dos anos, o mais famoso deles Galileu Galilei. Usando telescópios rudimentares, se compararmos ao que temos hoje, Galileu percebeu a complexidade do Universo e fez afirmações revolucionárias para seu tempo. Ele identificou as crateras na superfície da Lua, percebeu que as estrelas não eram fixas e que, ao contrário do que foi afirmado por Aristóteles, a Via Láctea era formada de estrelas e não exalações celestiais. Além disso, ele descobriu quatro “planetas”, o que atualmente chamamos de satélites, que orbitam ao redor de Júpiter.[1]

Ao longo dos séculos, o conhecimento produzido com o auxílio dos telescópios foi sendo aperfeiçoado, assim como a tecnologia com que eles são feitos. Temos uma gama de tipos e modelos, desde aqueles que podemos ter em casa, até os incrivelmente complexos, posicionados em locais estratégicos do globo terrestre. Um deles é o Telescópio de Cosmologia de Atacama, localizado no deserto do Atacama, no Chile, que tem contribuído muito nas pesquisas astronômicas. Há até mesmo aqueles telescópios como o Hubble que foram enviados pela Nasa e outras agências espaciais ao espaço e são muito importantes para nos fornecer toda sorte de informações.

Apesar de toda a tecnologia disponível, ainda assim o alcance dos telescópios é limitado, especialmente seu campo visual. Os telescópios tradicionais vasculham apenas uma parte do céu por vez, o que não é muito interessante para registrar fenômenos inesperados ou que acontecem fora da região de alcance do telescópio.

Inspiração da natureza

Para resolver esse problema, os cientistas encontraram respostas e soluções na natureza com um animal que vive no fundo do mar e possui adaptações incríveis para viver em um lugar com dificuldades de visão: a lagosta. As lagostas são animais bentônicos. Isso quer dizer que elas vivem no fundo do mar, na areia, procurando comida ou um parceiro para acasalar. Por essa razão, possuem olhos poderosos adaptados para viver entre águas turvas, e muitas vezes não há luz suficiente. Seus olhos, brilhantemente desenhados, permitem que elas possam avistar potenciais presas ou até mesmo fugir de possíveis predadores. Eles estão localizados no topo de duas hastes na cabeça e são compostos por milhares de tubos quadrados e cônicos que funcionam como espelhos. Ao contrário dos nossos olhos, que usam o fenômeno da refração da luz para projetar a imagem na retina, nas lagostas a luz é refletida de quase todas as direções, ampliando seu campo de visão para 180°.[2, 3]

Em 1977, um cientista da Universidade do Arizona chamado Roger Angel teve a ideia de aplicar o que se conhecia sobre os olhos das lagostas aos telescópios espaciais usados para o estudo do espaço profundo. Assim como nos olhos daqueles animais, esses telescópios são cobertos por pequenos cubos que refletem a radiação de raio x (radiação abundante no espaço profundo) para um único ponto onde a imagem é formada. Essa estrutura é organizada de forma curva, para que o campo de visão do telescópio seja ampliado e alcance todos os ângulos. Essa tecnologia, inclusive, deixa os telescópios mais leves, o que pode ser extremamente vantajoso, já que esses equipamentos serão enviados ao espaço. Atualmente, muitos centros de pesquisas ao redor do mundo desenvolvem telescópios com essa tecnologia.[2, 3]

Inspiração vinda da natureza não é algo novo e tem que ver com uma área da ciência chamada biomimética. A biomimética estuda os modelos e processos encontrados no ambiente natural para imitá-los ou aperfeiçoar tecnologias existentes. Um exemplo muito famoso é o de um pássaro chamado martim-pescador que inspirou engenheiros japoneses a aperfeiçoar o trem-bala.

Essa área da ciência tem se mostrado um grande argumento a favor do Design Inteligente, sendo uma forma de detecção de design. Se a tecnologia, os materiais e processos são criações de uma mente inteligente, por que a natureza, que muitas vezes é usada como fonte de inspiração para construí-los, pode ser fruto de processos naturais não guiados? Não faz sentido! A mesma complexidade existente em equipamentos desenvolvidos por mentes humanas pode estar presente até mesmo em maior grau nos animais que os inspiraram, já que as estruturas desses animais, como as lagostas, são mais eficientes do que aquelas construídas por humanos, como o telescópio.

(Maura Brandão é bióloga e doutora em Ciências)


Referências:       

[1] https://novaescola.org.br/conteudo/1150/por-que-o-telescopio-inventado-por-galileu-revolucionou-a-astronomia

[2] https://www.bbc.com/portuguese/media-59252351

[3] Lobsters and space telescopes. Podcast: 30 Animals That Made Us Smarter – BBC World Service. Disponível em https://open.spotify.com/episode/32ufG6DWJL118CMAhlTO8a?si=e9676c1e62d24195

quarta-feira, outubro 27, 2021

Decepcionado com William Lane Craig

Há muito tempo aprecio o ministério apologético de William Lane Craig. Quando soube, entretanto, que ele estava pesquisando o Adão “histórico” – isto é, o Adão real em contraste (supostamente) com o Adão “literário” como ele aparece nas Escrituras – fiquei preocupado. Eu tinha boas razões para estar. Referindo-se a muitas disciplinas díspares – do Pseudo-Philo à Paleoneurologia, do Enuma Elish ao gene ARHGAP11B, da globularização craniana a 1 Enoch –, Dr. Craig afirma ter descoberto o Adão “histórico”. “Adão e Eva”, escreve ele em seu novo livro In Quest of the Historical Adam (2021, Eerdmans), “podem ser plausivelmente identificados como pertencentes ao último ancestral comum do Homo sapiens e dos neandertais, geralmente denominado Homo heidelbergensis”.[1] Esse casal existiu, escreve ele, há centenas de milhares de anos.

Mas e quanto a Adão e Eva de Gênesis 1-3, ou do Novo Testamento, especialmente Romanos e 1 Coríntios? E quanto à criação em seis dias, ou Deus criando Adão do pó, ou a queda no Éden, ou o dilúvio, ou a Torre de Babel? Essas são, ele escreve, “mitologias”,[2] belas histórias que retratam verdades espirituais e teológicas, mas não são eventos reais e, em muitos casos, são “palpavelmente falsas”.[3]

Ele nega que Deus criou Adão do pó da terra e “soprou em suas narinas o fôlego de vida” (Gênesis 2:7); ou que Deus andou no Jardim (Gênesis 3:8); ou que Ele desceu para ver a Torre de Babel (Gênesis 11:7). Por quê? Porque, escreve o Dr. Craig, eles apresentam “uma divindade humanóide incompatível com o Deus transcendente da história da criação”.[4]

Uma “divindade humanóide” incompatível com o Criador transcendente? João 1:1-3 não é sobre o Criador transcendente ter Se tornado uma “divindade humanóide”? E mesmo que a Encarnação seja um evento único, o que dizer de Gênesis 18, quando três homens aparecem a Abraão e conversam face a face com ele? O problema para a “mitologia” do Dr. Craig começa no versículo 13, que diz: “E o Senhor disse a Abraão...” A palavra traduzida como “o Senhor” é o Tetragrama, as quatro letras hebraicas (Yod Heh Vav Heh) para Yahweh, o nome do próprio Deus Criador! (ver Gênesis 2:4). Alguns versos depois, Yahweh diz: “Eu irei descer agora e ver” (Gênesis 18: 21) Sodoma, uma coisa muito “humanóide” para Yahweh fazer. Gênesis 18:33 diz: “O Senhor seguiu o Seu caminho”. Aqui aparece um verbo hebraico comum que significa, simplesmente, “andar”. A menos que o Dr. Craig estenda sua hipótese de “mito-história” para Gênesis 18 (o que ele pode fazer), seu argumento de que a história da criação, se tomada literalmente, faz o Senhor parecer uma “divindade humanóide digna de mitos politeístas”[5] é em si falso.

No início de seu livro, eu sabia que estávamos em apuros quando me deparei com esta frase: “Alternativamente, podemos sustentar que, embora os autores das Escrituras possam muito bem ter acreditado em uma criação de seis dias, um Adão histórico, um dilúvio mundial e assim por diante, eles não ensinaram tais fatos.”[6] E este: “Poderíamos talvez da mesma forma sustentar que Jesus, embora não acreditasse que Adão era uma pessoa histórica, no entanto, como condição de Sua encarnação, aceitou esta e muitas outras falsas crenças de Seus conterrâneos.”[7]

O resultado de tal expulsão das Escrituras? Depois de bilhões de anos de evolução, cerca de 750.000 anos atrás, “Adão e Eva emergiram de uma população mais ampla de hominíneos”.[8] Então, ele explica, “podemos imaginar uma mutação regulatória que aumenta radicalmente a capacidade cognitiva do cérebro além do que outros hominídeos desfrutam”.[9] Ou, ele escreve, “Deus pode ter induzido mutações, não neles, mesmo em um estágio embrionário, mas nos gametas de seus pais, de modo que Adão e Eva eram humanos desde o momento da concepção.”[10] Independentemente de como se tornaram humanos, esse primeiro casal, usando seu livre-arbítrio, pecou, ​​afirma Craig. Tendo se corrompido moralmente, eles precisaram do amor e do perdão de Deus.

Mas e quanto a Paulo escrever que Adão trouxe a morte? O Dr. Craig argumenta que o contraste Adão-Jesus em Romanos 5 – “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Romanos 5:12) – não foi, realmente, morte física, mas espiritual. Mas como Adão poderia ter criado a morte quando bilhões de anos de morte são, ele acredita, o que criou Adão em primeiro lugar?

Enquanto isso, com relação ao contraste Adão-Cristo em 1 Coríntios 15, tal como “Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” (1 Coríntios 15:22) – Dr. Craig escreve: “Embora possamos pensar que a morte física é o resultado do pecado de Adão, Paulo não afirma isso.”[11] Para o Dr. Craig, Paulo não pode afirmar isso porque isso significaria que bilhões de anos de algum tipo de processo evolutivo – o aparente modelo a partir do qual o Dr. Craig interpretou a Bíblia – era falso.

Como um homem tão brilhante e que fez tanto bem chegou a isso? Estas próximas palavras, eu acho, explicam quase tudo: “Além disso, é ainda mais fantástico que a Terra tenha sofrido um dilúvio mundial que varreu toda a humanidade, não a bordo da arca, assim como todos os animais terrestres. A geologia e a antropologia modernas tornaram essa catástrofe quase impossível.”[12]

Duas disciplinas humanas, geologia e antropologia – com seus pontos fortes e fracos, especulação e suposições não comprovadas – são aceitas sobre os ensinamentos explícitos de quatro capítulos (Gênesis 6-9) na Palavra de Deus. Gênesis 6-9 não faz sentido se não for sobre um dilúvio mundial (por que, por exemplo, construir um barco para uma inundação local? Basta sair da zona de inundação). [A pesquisa científica] é um esforço humano baseado em duas grandes suposições – apenas as causas naturais podem explicar os efeitos naturais e a continuidade da natureza; duas suposições que, no que diz respeito às origens, estão erradas.

O que aconteceu? O Dr. Craig infelizmente caiu no grande metamito de nossa era: que a “verdade” científica [humana] supera todas as outras formas de conhecimento, incluindo a Revelação. Ele parece ter aceitado, a priori e sem questionar, o modelo evolucionário das origens. Ele termina escrevendo um livro que descarta verdades bíblicas explícitas como “mito-história” em favor de especulações sobre uma mutação que transformou dois hominídeos em humanos há cerca de 750.000 anos.

[...] O que o Dr. Craig fez será [...] prejudicial. Quem sabe quantos milhares agora pensarão que o cristianismo é compatível com a evolução, quando mesmo a maioria dos evolucionistas ateus pode ver que não é. Quantas pessoas, lógicas demais para aceitar tanto a evolução quanto o cristianismo, rejeitarão totalmente a fé?

Não estou julgando William Lane Craig. Estou julgando esse livro, que – representando a entrega da revelação divina à especulação feita pelo homem – afirma a advertência de Paulo: “Porque a sabedoria deste mundo é loucura para com Deus” (1 Coríntios 3:19).

(Clifford Goldstein é editor da Lição da Escola Sabatina; Adventist Review)

Nota: Aos poucos, os adventistas do sétimo dia vão ficando mais e mais isolados como grupo religioso que sustenta a historicidade/factualidade de relatos inspirados como o da criação da vida na Terra em seis dias literais de 24 horas cada; do dilúvio universal; da Torre de Babel; da destruição de Sodoma e Gomorra; etc. Assista ao vídeo abaixo para entender as incoerências da ideia da evolução teísta, defendida por Craig e por entidades religiosas aqui no Brasil, também, como a ABC2. [MB]

Referências:

1. Craig, William Lane. In Quest of the Historical Adam: A Biblical and Scientific Exploration (p. 522). Wm. B. Eerdmans Publishing Co., Kindle Edition.

2. Ibid. p. 283.

3. Ibid. p. 139.

4. Ibid. p. 283.

5. Ibid. p. 136.

6. Ibid. p. 30.

7. Ibid. p. 33.

8. Ibid. p. 537.

9. Ibid.

10. Ibid. p. 538.

11. Ibid. p. 334.

12. Ibid. p. 151.




quarta-feira, outubro 20, 2021

Cientista de Harvard sugere que o Universo foi criado em laboratório

Um cientista de Harvard publicou uma teoria [melhor seria dizer “ideia”] inusitada sobre como o Universo foi formado. Segundo sua tese, ele teria sido criado em um laboratório por uma “classe superior” de forma de vida. Avi Loeb, autor de best-sellers e ex-presidente do Departamento de Astronomia de Harvard, escreveu um artigo na Scientific American nesta semana postulando que o Universo poderia ter sido formado em um laboratório por uma “civilização tecnologicamente avançada”. Ele disse que, se confirmada, a história da origem do Universo unificaria a ideia religiosa de um criador com a ideia secular da gravidade quântica. “Como nosso Universo tem uma geometria plana com energia líquida zero, uma civilização avançada poderia ter desenvolvido uma tecnologia que criou um universo bebê do nada por meio de um túnel quântico”, escreveu Loeb.

Uma das ideias postas pelo cientista diz respeito ao sistema de classificação de civilização. Loeb explicou que, como uma civilização tecnológica de baixo nível, os humanos pertenceriam à classe C, que, em outras palavras, representa uma civilização dependente de sua estrela hospedeira, o Sol. “Se e quando nossa tecnologia progredir a ponto de nos tornarmos independentes do Sol, estaremos na classe B”, acredita. “Se pudermos criar nossos próprios universos bebês em um laboratório (como nossos criadores teóricos), estaremos na classe A.”

(Tilt UOL)

Nota: Posso concluir pelo menos duas coisas básicas ao ler sobre essa ideia de Loeb: (1) a proposta de que o Universo teria surgido do nada e por acaso parece incomodar mesmo os cientistas não religiosos mais renomados; (2) a teimosia em admitir que o Criador seja o Deus da Bíblia é tanta, que preferem supor que uma “raça superior” teria nos criado, não importando quem tenha criado essa raça, nem o loop infinito que essa ideia gera. Pelo menos a ideia do design inteligente passa a ser considerada uma proposta aceitável. [MB]

Leia também: “Was our Universe created in a laboratory?”


segunda-feira, setembro 13, 2021

A descoberta da cidade de Babilônia

O livro bíblico de Daniel é um dos textos mais importantes do antigo testamento. Suas páginas estão repletas de profecias e histórias que falam sobre o terrível cativeiro do povo de Israel em Babilônia. Durante muito tempo, acadêmicos e arqueólogos diziam que Babilônia era uma lenda criada pela imaginação dos escritores da Bíblia, e que essa cidade nunca tinha existido. No entanto, essa visão cética foi colocada por terra quando, no fim do século 19, Robert Koldewey, arqueólogo e arquiteto alemão, descobriu as ruínas da antiga capital imperial de Nabucodonosor.

É interessante dizer que antes de essa descoberta acontecer, Heródoto, famoso historiador grego da antiguidade, já havia relatado e documentado sua visita à cidade em um passado longínquo. Em sua passagem pela metrópole, Heródoto descreveu as dimensões e características da cidade com detalhes.[1] Mesmo com esses textos extrabíblicos, muitos historiadores ainda insistiam em negar a existência de Babilônia. Uma das lições dessa descoberta arqueológica é que a ausência de evidência não é, necessariamente, evidência de ausência. Nem sempre a falta de comprovações empíricas sobre determinados fatos históricos significa que aqueles objetos não existiram.

Foi justamente na virada do século 20, mais especificamente a partir de 1899, que o tiro saiu pela culatra. Em uma incessante escavação nas regiões de Bagdá, atual Iraque, Koldewey se deparou com um tesouro milenar que estava coberto havia séculos. A partir desse momento, a arquitetura de Babilônia estava revelada e aberta para pesquisa e estudo – pesquisa essa que foi feita por muitos céticos que antes se referiam à cidade como mitológica.

A descoberta não tinha sido feita antes porque muitas pessoas procuravam escavar à beira do Eufrates, já que os relatos falavam que a cidade fazia divisa com o rio. O problema é que ao longo dos anos o Eufrates foi desviado diversas vezes; sendo assim, uma pesquisa próxima ao rio já não era uma opção interessante. Ao andar pela região, Koldewey percebeu que os beduínos locais sempre visitavam a área montanhosa de Hillah para pegar tijolos e usa-los como matéria-prima de construção.[2] Durante muito tempo, esses habitantes locais utilizaram os tijolos da antiga Babilônia (figura 1) para construir residências e outras estruturas vernaculares. Isso já aconteceu em outras ocasiões na história da arquitetura. Muitos habitantes que viveram em locais em que o Império Romano foi pujante usavam o mármore das construções imperiais para praticar sua arquitetura local – o Coliseu, por exemplo, foi utilizado como “jazida” pelos romanos que viviam em suas proximidades.

 

Figura 1: escavação em Babilônia, Iraque. Fonte: Wikimedia Commons (domínio público)

Durante as escavações, muitos artefatos importantes foram encontradas, tais como manuscritos cuneiformes, objetos religiosos e edificações que testemunhavam de uma civilização rica e próspera. O Portal de Ishtar (figura 2), entrada principal da cidade e que hoje fica no Pergamum Museum de Berlin, é uma das partes mais bem preservadas do complexo. No portal é possível observar tijolos de lápis-lazúli, material raro encontrado apenas na Mesopotâmia e em algumas partes do Chile.[3] A fachada do portal é composta por desenhos de leões alados, dragões e bois em alto-relevo. Todas essas características são uma demonstração clara da glória da antiga Babilônia.

 

Figura 2: Portal de Ishtar, Pergamum Museum, Berlin. Fonte: Wikimedia Commons (domínio público)

O portal também possui uma entrada com um grande arco semicircular. Essa é uma das evidências mais antigas dos arcos na história da arquitetura. Os romanos fizeram uso abundante dos arcos em seus aquedutos,[4] mas graças à incrível descoberta do Portal de Ishtar é possível concluir que essa técnica foi, possivelmente, uma invenção dos povos que habitaram a região do crescente fértil, principalmente os mesopotâmicos.

O interessante é que o livro de Daniel possui diversas passagens que trazem, de maneira simbólica e profética, esses mesmos animais encontrados no Portal de Ishtar. Na profecia, o leão com duas asas representa o próprio reino de Babilônia, cujo rei mais conhecido foi Nabucodonosor. O leão é sempre visto como o rei dos animais e a águia, a rainha das aves. Esse animal é um leão que tem duas asas de águia (figura 3), simbolizando a rapidez avassaladora que o reino de Babilônia teria diante de seus inimigos. Mas esse poder não duraria para sempre, segundo a profecia: suas asas seriam arrancadas, ou seja, seu poder lhe seria retirado. A história mostra que essa glória foi tirada por Ciro, o persa, no ano 539 a.C.

 

Figura 3: leão Alado no Caminho Processional, Pergamum Museum, Berlin. Fonte: Unsplash

Durante o governo de Sadam Hussein, várias edificações foram reconstruídas na busca por fortalecer o nacionalismo do regime ditatorial.[5] O ditador se considerava herdeiro de Nabucodonosor e, para tornar isso ainda mais claro, passou por cima de diversos princípios e práticas de restauro e conservação. Hussein recebeu várias críticas de entidades internacionais por sua maneira de lidar com o patrimônio local.

Com essa descoberta, todos os livros de história da arquitetura publicados nos anos que sucederam a escavação tiveram que trazer Babilônia como um fato histórico. Hoje muitas escavações ainda continuam sendo feitas na região. O objetivo é procurar por fatos que não só demonstrem os costumes e as tradições dos mesopotâmicos, mas que também comprovem ainda mais a veracidade histórica da Bíblia Sagrada.

(Bruno Perenha é arquiteto [Unicesumar, Maringá] e especialista em História da Arquitetura [Birkbeck, University of London]; conheça mais sobre o trabalho dele no Instagram: @brunoperenha e no YouTube: https://www.youtube.com/channel/UC4jx8wH1THB-0Usc7ryzUHQ)

Referências:

[1]  STRASSLER, Robert B. The Landmark Herodotus. London: Quercus Publishing Plc, 2008.

[2]  LYON, David Gordon. In: Vo. 11 (3). Recent Excavations at Babylon. The Harvard Theological Review: 1918. Pag. 307-321.

[3]  FELSTINER, John & Neruda, Pablo. In: Vol. 32 (No. 4). Lapis Lazuli in Chile. The American Poetry Review. Philadelphia: Old City Publishing, Inc, 2003. Pag. 6.

[4]  GLANCEY, Jonathan. A História da Arquitetura. São Paulo: Edições Loyola, 2001. Pag. 30-32.

[5]  MACFARQUHAR, Neil. Hussein's Babylon: A Beloved Atrocity. The New York Times, Aug. 19, 2003. Section A, Pag 11. Available in: <https://www.nytimes.com/2003/08/19/world/hussein-s-babylon-a-beloved-atrocity.html>. Access: Aug. 20, 2021.

quarta-feira, setembro 08, 2021

Não! Vocês não fazem parte da família

A ideia de que o homem moderno (Homo sapiens sapiens) compartilha um ancestral comum com grandes macacos (e.g. orangotangos, gorilas e chimpanzés) tem sido difundida como uma verdade inquestionável desde a ampla adoção da teoria darwinista nos círculos acadêmicos no fim do século 19 e início do século 20. A temática da evolução humana engloba várias disciplinas, como antropologia, arqueologia, primatologia e genética. No entanto, com o advento de tecnologias de sequenciamento genômico, as análises genéticas passaram a ter proeminência em estudos filogenéticos humanos, pois elas fornecem dados objetivos e mensuráveis, tanto no âmbito quantitativo quanto qualitativo. Dentre essas análises, destacam-se as relacionadas ao campo de pesquisa biológico denominado de genômica comparada.

Como o próprio nome sugere, a genômica comparada é um campo de pesquisa biológica em que as características genômicas de diferentes seres vivos são comparadas. Infelizmente, na prática, esse campo de pesquisa acabou sendo mesclado com a teoria evolucionista de tal forma que todas as diferenças genéticas verificadas entre os organismos são interpretadas como havendo surgido durante a história evolucionária. Nesse contexto, a premissa da ancestralidade comum muitas vezes se sobrepõe à objetividade dos dados analisados. Os dados genéticos que têm sido utilizados de forma mais recorrente para respaldar nosso suposto parentesco evolutivo com os grandes macacos e justificar a inserção deles na família hominidae são os oriundos da comparação do genoma humano (Homo sapiens sapiens) com o genoma do chimpanzé (Pan troglodytes).[1]

As primeiras análises de comparação genômica realizada pelo Chimpanzee Sequencing and Analysis Consortium apontaram uma diferença de apenas 1,23% para o genoma humano.[2] Entretanto, essa porcentagem refletia apenas as substituições de bases e não considerava os muitos trechos de DNA que estavam ausentes ou presentes em apenas um genoma. Posteriormente, uma análise computacional dirigida pelo cientista Matthew Hahn considerou as diferenças do número de cópias gênicas e chegou a uma diferença de 6,4% entre os genomas do Homo sapiens sapiens e Pan troglodyte.[3]

Ou seja, a diferença genômica de 1 a 2%, ensinada e difundida por diversas instituições de ensino ao redor do mundo até os dias de hoje, não passa de um mito. Além disso, a apresentação dessa diferença em termos de porcentagem acaba mascarando sua real magnitude. Há por volta de 40-45 milhões de bases presentes em humanos que estão ausentes em chimpanzés, e aproximadamente o mesmo número presente nos chimpanzés e ausentes em humanos; 689 genes são encontrados apenas no genoma humano e 86 genes são exclusivos do genoma do chimpanzé.[3] As diferenças incluem diferenças no tipo e número de DNA genômico repetitivo e transposons, abundância e distribuição de retrovírus endógenos, presença e extensão de polimorfismos alélicos, polimorfismos de nucleotídeo único (SNPs), diferenças de sequência gênica, duplicações gênicas, diferenças de expressão gênica e variações de splicing de RNA mensageiro.[4]

Além disso, ao se realizar uma análise comparativa da estrutura e do número de cromossomos das duas espécies, as seguintes diferenças são verificadas: (a) a região dos telômeros (sequências repetitivas de DNA no final dos cromossomos) é muito maior em chimpanzés do que em humanos;[5] (b) os genes e marcadores nos cromossomos 4, 9 e 12 não estão na mesma ordem em humanos e chimpanzés;[6] (c) a análise do mapa do cromossomo 21 permite identificar várias regiões que são específicas do genoma humano;[7] (d) o cromossomo Y possui tamanhos diferentes e muitos marcadores que não se alinham entre humanos e chimpanzés;[8] (e) o chimpanzé tem 24 pares de cromossomos, enquanto os humanos têm apenas 23 pares.

No entanto, essas muitas diferenças não bastam para que os cientistas darwinistas questionem o paradigma da ancestralidade comum entre humanos e chimpanzés. Como exemplo dessa recusa pode ser citada a explicação dada para a diferença de 48 para 46 cromossomos verificada entre chimpanzés e humanos, respectivamente. Segundo os evolucionistas, o cromossomo humano 2 teria sido formado pela fusão de dois cromossomos pequenos em um ancestral simiesco da linhagem humana. No entanto, essa explicação levanta os seguintes questionamentos: (a) Qual seria o mecanismo pelo qual uma anormalidade cromossômica poderia se tornar universal em uma linhagem tão grande como a humana?; (b) Qual seria a vantagem seletiva de se possuir um cromossomo resultante de uma fusão?

As respostas práticas e viáveis para essas perguntas são um desafio para os cientistas que continuam sustentando a evolução humana. Ademais, mesmo se houvesse evidências concretas que sustentassem a origem do cromossomo 2 humano a partir de uma fusão de dois cromossomos menores, ela não poderia ser utilizada para respaldar a ideia de que humanos e chimpanzés compartilharam um ancestral comum há cinco milhões de anos. Essa fusão teria que haver surgido depois que a linhagem humana se separou da dos chimpanzés, ou seja, ela só forneceria evidências para ligar os indivíduos que a compartilhassem.

Ao me deparar com explicações meramente especulativas e falácias lógicas como a supracitada, as quais muitas vezes são utilizadas para sustentar o edifício epistemológico da teoria evolucionista, lembro-me da declaração do biólogo evolucionista Richard Lewontin:

“Nós ficamos do lado da ciência, apesar do patente absurdo de algumas de suas construções, apesar de seu fracasso para cumprir muitas de suas extravagantes promessas em relação à saúde e à vida, apesar da tolerância da comunidade científica em prol de teorias certamente não comprovadas, porque temos um compromisso prévio, um compromisso com o materialismo. Não é que os métodos e as instituições da ciência de algum modo nos compelem a aceitar uma explicação material dos fenômenos do mundo, mas, ao contrário, somos forçados por nossa prévia adesão à concepção materialista do Universo a criar um aparato de investigação e um conjunto de conceitos que produzam explicações materialistas, não importa quão contraditórias, quão enganosas e quão mitificadas para os nãos iniciados. Além disso, para nós o materialismo é absoluto, não podemos permitir que o ‘pé divino’ entre por nossa porta.”[9]

A adesão de muitos cientistas a uma concepção materialista os impede de reconhecer a obviedade de que somos muito diferentes de qualquer animal e que processos evolutivos não podem originar essas diferenças. A narrativa do livro de Gênesis escancara o abismo que há entre o ser humano e outros organismos. Plantas, aves e animais terrestres e aquáticos foram criados “conforme a sua espécie” (Gênesis 1:11-25), mas o ser humano foi criado “à imagem e semelhança de Deus” (Gênesis 1:26). Obviamente há semelhanças entre o ser humano e outros organismos, que podem ir desde o genótipo até o fenótipo, mas essas semelhanças podem ser entendidas como padrões utilizados pelo Criador – a assinatura de um Deus criativo e todo-poderoso – e não necessariamente como evidências de ancestralidade comum. Dessa forma, tomando por base a Bíblia Sagradas e diversas evidências científicas, podemos dizer para orangotangos, gorilas e chimpanzés: “Não! Vocês não fazem parte da família Hominidae!”

(Tiago Alves Jorge de Souza é doutor em Ciências Biológicas na área de concentração em Genética)

Referências:

1. Cohen,  J.  News Focus on Evolutionary Biology, Relative Differences: The Myth of 1%, Science, v. 316., n. 5833, p. 1836, 2007.

2. Khaitovich, P., Hellmann, I., Enard, W., et al.. "Parallel patterns of evolution in the genomes and transcriptomes of humans and chimpanzees". Science, v. 309, n. 5742. p. 1850–4, 2005.

3. Demuth, J. P. , Bie, T. D., Stajich, J. E., Cristianini, N., Hahn, M.W. The Evolution of Mammalian Gene Families. PLoS ONE 1(1): e85, 2006.

4. Gagneux,, P., Varki, A.. ‘Genetic differences between humans and great apes.’ Mol Phylogenet Evol. v. 18, p. 2-13,  2001.

5. Kakuo, S., Asaoka, K.,  Ide, T. ‘Human is a unique species among primates in terms of telomere length.’ Biochem Biophys Res Commun , v. 263, p. 308-31, 1999.

6. Gibbons, A.. ‘Which of our genes make us human?’ Science, v. 281, p. 1432-1434, 1998.

7. Fujiyama, A., Watanabe, H., Toyoda, A., et al. ‘Construction and analysis of a Human-Chimpanzee Comparative Clone Map.’ Science v. 295, p. 131-134., 2002.

8. Archidiacono, N., Storlazzi, C.T., Spalluto, C., Ricco, A.S., Marzella, R., Rocchi, M. ‘Evolution of chromosome Y in primates.’ Chromosoma, v.  107, p. 241-246, 1998.

9. Lewontin R. C. Billions and Billions of Demons. The New York Review of Books, 1997.

terça-feira, agosto 10, 2021

O design inteligente do sexo original

Sob a ótica criacionista, o ato sexual original (conforme apresentado no relato da criação, em Gênesis) é uma das grandes evidências de design inteligente na natureza. Para os evolucionistas, um mistério não resolvido, segundo admitiu Richard Leakey, na introdução de uma das edições do livro A Origem das Espécies; ou então um “grande paradoxo”, na definição de Richard Dawkins. E não é pra menos, afinal, quando são formados os gametas (espermatozoides e óvulos), uma divisão meiótica ocorre e metade dos genes é removida. Então, quando o espermatozoide fecunda o óvulo, o descendente contém a integralidade dos genes. No cenário darwiniano, a reprodução assexuada é duplamente mais eficiente e “simples” que a sexuada, pois todos os genes são transferidos para cada um dos descendentes. Por isso, evolutivamente falando, é difícil explicar o surgimento da reprodução via ato sexual, afinal, pra que “inventar” um meio de reprodução tão complexo e dispendioso do ponto de vista do gasto de energia e dos riscos envolvidos no processo todo? Por isso os evolucionistas evitam tocar no delicado e difícil tema da origem da reprodução sexuada e da complexidade envolvida na interdependência dos órgãos sexuais feminino e masculino, que precisariam ter evoluído separadamente e, mesmo assim, ser perfeitamente compatíveis – um tipo de mutação dupla independente, na mesma geração e funcional.

Mas tem mais; muito mais!

O design inteligente da vagina

O “surgimento” da vagina (assim como o de qualquer outro órgão complexo) é um grande problema para os evolucionistas. Os defensores do darwinismo afirmam que a vagina é uma estrutura completamente nova na suposta história evolutiva – ela não tem homólogo em anfíbios nem répteis. Se é completamente nova, foi necessário o acréscimo de grande quantidade de informação genética para que passasse a existir. De onde teria vindo essa informação? Além disso, como qualquer outro sistema de complexidade irredutível, o sistema reprodutor feminino, para funcionar bem, depende de vários mecanismos interligados que não poderiam “surgir” aos poucos, já que são interdependentes. O sistema reprodutor feminino não se trata apenas de um tubo de carne. Ele é de uma complexidade maravilhosa, com seus músculos especializados, glândulas, terminações nervosas (que presenteiam a mulher com o prazer do sexo) e a capacidade de abrigar uma (ou mais de uma) nova forma de vida, suprindo-lhe as necessidades por nove meses.

Alguns anos atrás, o portal de informações norte-americano sobre saúde Healthline afirmou que o uso do termo médico/biológico “vagina” não é “linguagem inclusiva de gênero”, e então usou intercambiavelmente a expressão “orifício frontal”. “É imperativo que guias sexuais seguros se tornem mais inclusivos para as pessoas LGBTQIA e não binárias”, afirmou o guia da Healthline. “Para os fins deste guia, vamos nos referir à vagina como o ‘orifício da frente’, em vez de usar apenas o termo médico ‘vagina’”, diz o documento. “Essa é uma linguagem inclusiva de gênero que considera o fato de que algumas pessoas trans não se identificam com os rótulos [sic] que a comunidade médica atribui aos genitais.”

 

O guia diz ainda que algumas pessoas trans e não binárias designadas como femininas ao nascer podem gostar de ser participantes do “sexo penetrativo”, mas não se sentem confortáveis quando essa parte de seu corpo é mencionada usando uma palavra que a sociedade e as comunidades profissionais associam com feminilidade. “Uma alternativa que está se tornando cada vez mais popular em comunidades trans e queer é o ‘buraco’ ou ‘orifício’ da frente.” E então, renomeando-a, a vagina deixa de ser vagina e passa a ser comparada ao “orifício de trás”.

 

Embora o site afirme que não se trata de uma redefinição de palavras, admite usar no guia a expressão “front hole” (“orifício da frente”) em lugar de vagina, a fim de não ofender pessoas transgêneros com uma palavra tipicamente feminina.

 

A vagina, órgão projetado por Deus para permitir a união abençoada entre um homem e uma mulher, e o órgão por onde o bebê chega ao mundo, acaba sendo comparada ao órgão excretor por onde são evacuados os resíduos digestivos.

 

Cabe aqui uma boa reflexão sobre o design inteligente da vagina e do ânus e as enormes diferenças que há entre uma e o outro. Pedi ajuda aos amigos médicos Ivan Stabnov e Angela Andrade. Ele é gastroenterologista e endoscopista digestivo e ela é ginecologista e obstetra. Vamos às comparações:

 

Reto e ânus:

 

1. O reto é um local com muitos microrganismos, ou seja, potencialmente infectante.

2. Apesar de ser um local preparado para enfrentar resistência a micro-organismos, a estrutura é mais frágil porque só tem uma camada de células.

3. Como há mais linfócitos na região é mais fácil adquirir a infecção pelo HIV, já que os linfócitos são células-alvo.

4. Como a função do local é de absorção de fluidos, a junção disso com presença de linfócitos e maior risco de fissuras torna bem maior a chance de se adquirir uma doença séria como a Aids.

5. Pela presença de fezes aumenta o risco de infecção urinária no penetrante.

6. O risco de fazer fissuras (pequenas feridas) é maior no reto pela falta de lubrificação e maior atrito.

7. A cobertura de células colunares é mais delgada que na vagina e isso torna maior o risco de fissuras.

8. Em caso de sexo anal e a seguir vaginal, sem a devida higiene, há riscos para a mulher de infecções vaginais e urinárias.

9. Pela manipulação anal há o aumento de transferência de bactérias fecais para a uretra, aumentando também a incidência de infecção do trato urinário.

10. O ânus e o reto são órgãos de excreção, portanto, o caminho natural é para fora.

11. A presença de válvula (ânus) confere maior possibilidade de traumas durante a penetração.

 

Vagina:

 

1. O epitélio vaginal é descamativo, epitélio pavimentoso estratificado não queratinizado. Isso significa que há várias camadas de células uma sobre a outra, o que forma uma barreira natural.

2. Por ser o epitélio vaginal mais espesso (tem espessura de 150 a 200 µm) o vírus da Aids, quando chega ali, encontra um ambiente desfavorável; ele não consegue entrar no epitélio vaginal, a não ser que haja lesões nesse epitélio, chegando ao conjuntivo.

3. A vagina é um órgão preparado fisiologicamente para recepção do pênis, adaptada a fricção pela síntese de muco pelas glândulas ali presentes, o que garante lubrificação.

4. As dobras da mucosa vaginal permitem que ela se distenda e fique maior e mais larga no caso de uma penetração, o que diminui a possibilidade de traumas.

5. A vagina não possui válvula, o que facilita a penetração e também diminui traumas.

 

Resumindo: o reto foi projetado para duas funções básicas: a primeira é armazenar fezes para que o ser não necessite evacuar a cada momento; a segunda é absorver água para que as fezes não sejam diarreicas, ou melhor, tenham formato e consistência confortáveis para a realização do ato da evacuação. O ânus é um esfíncter com dupla válvula, uma de controle externo – ou seja, temos o controle dela –, e outra de controle interno, autorregulado pelo organismo. A função do ânus é de regular a saída das fezes. Ambas as estruturas têm seu caminho habitual, seu vetor, no sentido interno para o externo. A introdução de algo pelo ânus até o reto é contrária à fisiologia.

 

A vagina tem mais funções. Serve como conduto para a saída do feto após a gestação. É o local utilizado pelo organismo para expulsar o conteúdo menstrual após a maturação do endométrio, sem que haja gravidez. Também é o órgão sexual feminino que recebe o órgão sexual masculino, portanto, tem fisiologia normal tanto para entrada quanto para saída de algo.

 

Podem redefinir as palavras e os conceitos o quanto quiserem, mas vagina continuará sendo vagina e ânus continuará sendo ânus, com suas funções especificamente projetadas por Deus. Nenhuma ideologia do mundo mudará isso.

 


O design inteligente do pênis

Estudo desenvolvido na Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, desvendou os processos químicos que levam o homem a manter uma ereção. A pesquisa foi publicada no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) e confirmou que a liberação de óxido nítrico, neurotransmissor produzido no tecido nervoso, provoca a ereção, pois relaxa os músculos, permitindo que o sangue chegue ao pênis. “Sabíamos que esse era apenas um estímulo inicial. Por isso, queríamos descobrir o que permite que a ereção se mantenha”, disse o coordenador do estudo, Arthur Burnett.

Burnett e sua equipe descobriram que o sistema nervoso, depois de liberar com estímulos físicos e do cérebro ondas de óxido nítrico, produz uma cascata de substâncias químicas geradas com a ereção. Isso faz com que a liberação do neurotransmissor continue por mais tempo, dentro de um modelo cíclico. 

Vamos à pergunta de sempre: O que “surgiu” primeiro, o pênis ou o neurotransmissor que causa a ereção? Para que serviria tanto um quanto o outro, antes que todo o sistema estivesse pronto, interconectado e funcional? E mais: Para que serviria esse neurotransmissor (e o pênis), se o indivíduo fosse incapaz de manter a ereção graças à tal “cascata de substâncias químicas”? Note que a ereção e a manutenção dela não dependem de apenas uma substância química. A verdade é que cada célula, cada tecido, cada órgão e cada sistema dos seres vivos revelam as digitais, a assinatura de Quem os criou.


O design inteligente dos seios

A revista Veja alguns anos atrás publicou a reportagem “Adeus aos grandes, é a vez dos pequenos!”, sobre um novo padrão estético que predomina nas clínicas de cirurgia plástica: o uso de próteses de silicone em tamanho menor. A matéria segue por aí, mencionando, inclusive, atrizes que retiraram próteses grandes e as substituíram por pequenas. Mas o que chamou minha atenção não foi o assunto da reportagem, em si. Foi seu último parágrafo: “A maioria dos mamíferos só desenvolve seios durante o aleitamento dos filhotes. Os humanos são a exceção, com peitos salientes desde a adolescência. Uma das explicações mais aceitas para essa fascinante particularidade é o fato de os seios servirem de atrativo sexual. Na pré-história, antes da descoberta do fogo, o homem muitas vezes dependia do tato para escolher uma parceira dentro das cavernas escuras. Os seios, portanto, seriam primordiais. Eles ainda o são e sempre serão – com ou sem silicone. E independentemente do tamanho.

Tem horas, quando leio certas coisas, que tenho vontade de me beliscar para ver se estou acordado. Em primeiro lugar, esse parágrafo final é totalmente dispensável e serve apenas para reforçar a doutrinação evolucionista. Está fora de contexto. Imagine se o repórter terminasse assim sua matéria: “A maioria dos mamíferos só desenvolve seios durante o aleitamento dos filhotes. Os humanos são a exceção, com peitos salientes desde a adolescência. Uma das explicações mais aceitas para essa fascinante particularidade é o fato de os seios servirem de atrativo sexual. Deus não criou o homem e a mulher apenas para procriar. Ele os criou para se unir numa relação de amor. E criou o sexo também para dar prazer aos cônjuges. Criou o homem para considerar a mulher esteticamente atraente e a mulher para considerar o homem esteticamente atraente. E é exatamente isso o que ocorre.”

Outra peculiaridade humana é a inexistência do cio, o que evidencia uma vez mais que o sexo, nos humanos, não foi feito simplesmente para procriação, sendo uma resposta a instintos previamente programados. Em nós, o sexo é algo muito mais complexo. Mais belo.

O autor do artigo da semanal afirma que, “na pré-história [sic], antes da descoberta do fogo, o homem muitas vezes dependia do tato para escolher uma parceira dentro das cavernas escuras. Os seios, portanto, seriam primordiais”. Não sabemos muita coisa sobre como os seres humanos funcionam hoje em dia, mas alguns se atrevem, com base apenas em especulação, a afirmar coisas sobre supostos comportamentos ancestrais. E a ficção é aceita sem questionamento.


O design inteligente do esperma

Em 2011, foi publicado na revista Scientific American um artigo sobre o estudo que concluiu que o esperma age como um remédio natural para depressão. Segundo o estudo, feito por Gallup e Rebecca Burch, em conjunto com o psicólogo Steven Platek, da Universidade de Liverpool, é possível que o esperma atue sobre as mulheres como um antidepressivo natural. Aparentemente, logo que o esperma é absorvido pela vagina, ele age sobre os hormônios femininos. O sêmen masculino é rico em componentes químicos como neurotransmissores, hormônios, endorfinas e imunossupressores, entre eles a serotonina, um dos mais famosos e conhecidos antidepressivos, e ocitocina, conhecido como o hormônio da confiança e do amor.

Segundo Gallup, as mulheres em relacionamentos estáveis que tinham relações sexuais sem preservativos foram muito mais devastadas e negativamente afetadas depois de um rompimento do que aquelas que faziam uso de preservativos, prova de que a ligação neuroquímica emocional é um fato. Isso faz pensar no conselho do apóstolo Paulo aos casados, em 1 Coríntios 7:5: “Não vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo, para vos dedicardes à oração e, novamente, vos ajuntardes, para que Satanás não vos tente por causa da incontinência.” E poderíamos adicionar: “Para que a esposa não fique deprimida.”

Cada vez as pesquisas surpreendem mais os estudantes da sexualidade humana. A interação perfeita entre os sexos masculino e feminino é algo impressionante e aponta para o design inteligente! Como explicar de outra forma a fina interação química entre o sêmen e os hormônios femininos? Como já vimos, já é difícil (senão impossível) do ponto de vista darwinista explicar a diferenciação anatômica e fisiológica compatível entre macho e fêmea (uma dupla mutação que deveria ter ocorrido numa mesma época e num mesmo espaço geográfico), agora imagine explicar na base da tentativa e erro esses requintes emocionais relacionados com neurotransmissores, hormônios, endorfinas e imunossupressores. Essa pesquisa sugere também que os órgãos sexuais anatômica e bioquimicamente projetados para o sexo são o pênis e a vagina.

O design inteligente da interação óvulo-espermatozoide

Em 16 de fevereiro de 2010, a revista Veja publicou:Os espermatozoides, as células reprodutivas masculinas [produzidas graças à ação de um único gene exclusivo dos machos, o Boule], são depositados pela ejaculação no colo do útero e dali partem numa acirrada corrida pelos 15 centímetros que os separam da trompa de Falópio, onde se encontra o óvulo. Só um deles, mais rápido e forte, conseguirá penetrar no óvulo e dar início a uma nova vida. Pensava-se que os espermatozoides, assim como os aviões e os carros de corrida, dispunham de uma reserva de combustível para ser gasta nessa viagem. Sabe-se agora que não é bem assim. Um estudo feito por pesquisadores da Universidade da Califórnia, em São Francisco, e publicado na edição [de fevereiro de 2010 da] revista Cell, revelou elementos até agora desconhecidos no processo de fecundação. O trabalho identifica e explica, pela primeira vez, o mecanismo que faz com que os espermatozoides liguem uma espécie de motor turbo na fase final de aproximação do óvulo. Esse motor não só aumenta a velocidade do espermatozoide como lhe dá vigor extra para romper a membrana celular do óvulo. [...]

“Um dos fatores cruciais para determinar a velocidade dos espermatozoides é o pH do meio onde eles se encontram. Quanto mais ácido o pH, mais lentamente eles se movimentam. Isso explica por que os gametas masculinos permanecem imóveis dentro do trato reprodutivo masculino, que é ácido, começam a mover-se quando estão no líquido seminal, que é alcalino, e se tornam agitados em contato com o aparelho reprodutor feminino, onde o pH é mais alcalino. Os pesquisadores foram além dessa constatação e descobriram que a aproximação do óvulo ativa estruturas localizadas na cauda do espermatozoide, as Hv1. Uma vez abertas, elas funcionam como comportas, pelas quais são expulsos íons de hidrogênio do interior do gameta masculino. Esse curso aumenta imediatamente o pH interno do espermatozoide, facilitando sua mobilidade. ‘O mecanismo que descobrimos é como uma mudança de marcha para que o carro ultrapasse uma barreira. Ele fornece o impulso extra que permite romper a proteção externa do óvulo’, disse a Veja a pesquisadora Polina Lishko, coautora do estudo.

“O gatilho que põe a corrente de íons em funcionamento fica nos arredores do óvulo. Nessa região, há dois fatores extremamente favoráveis à mobilidade das células masculinas. O primeiro é a baixa oferta de zinco, que em quantidade mais alta inibe a movimentação dos espermatozoides. A outra é a alta concentração de moléculas de anandamida, substância secretada pelos neurônios e presente também nas células de proteção dos óvulos.”

Se pela inibição de apenas uma chave bioquímica se impede a fecundação; se problemas com a mobilidade dos espermatozoides (mecanismo que depende de uma conjunção de fatores) impedem a fecundação; se alterações de pH no homem e na mulher atrapalham o processo; a questão é: Até que todos esses mecanismos que dependem de uma série de fatores interligados e interdependentes tivesse evoluído aos poucos, como os seres sexuados teriam se reproduzido? Estaríamos aqui hoje para estudar este assunto?

Mas tem mais...

Em 2010, cientistas do Instituto Karolinska, na Suécia, descreveram pela primeira vez a estrutura 3D de um receptor completo do óvulo que se liga ao espermatozoide no início da fecundação. A pesquisa foi publicada na revista científica Cell. No início da concepção, os espermatozoides se ligam a proteínas no revestimento extracelular do óvulo, chamado zona pelúcida (ZP). Mas os detalhes moleculares desse evento biológico fundamental permaneciam obscuros.

Luca Jovine e sua equipe conseguiram determinar a estrutura tridimensional do receptor molecular que se liga ao espermatozoide, chamado ZP3. As informações estruturais detalhadas, baseadas em dados coletados no European Synchrotron Radiation Facility (ESRF), tornaram possível começar a explorar em nível molecular como o óvulo interage com os espermatozoides no processo de fecundação.

Os resultados têm implicações importantes para a medicina reprodutiva humana, uma vez que podem explicar como mutações no gene do receptor de esperma podem causar a infertilidade. “Os resultados dão uma imagem notável do lado feminino da fecundação”, disse Jovine. “Mas esta é, naturalmente, apenas metade da história. O próximo passo será descobrir as moléculas correspondentes no espermatozoide que lhe permitem se ligar ao óvulo.”

Puro design inteligente de dois seres que foram criados um para o outro!

O design inteligente da concepção e do nascimento

No mês de outubro de 2008, numa das edições do programa de TV dominical “Fantástico”, o Dr. Dráuzio Varela abordou o tema atração sexual e gravidez. A reportagem começou informando que a atração sexual também depende do nariz, pois ele detecta a “compatibilidade genética” por meio dos feromônios. Segundo a matéria, essa substância carrega informações detalhadas sobre genes, saúde e capacidade de resistir a doenças. Depois, Varela descreveu a “química da paixão”, explicando que uma descarga de adrenalina ocorre quando vemos a pessoa amada, e isso faz o coração bater acelerado e dilata a pupila. Em seguida, a dopamina, neurotransmissor que causa o bem-estar, leva à euforia. A dependência desse coquetel químico nos faz querer ficar mais tempo perto da pessoa amada.

Com o tempo, o casal deseja algo mais duradouro: o casamento. Segundo o médico, um bom relacionamento existirá apenas se a química (entre outros fatores) for favorável. O sexo causa encantamento e reforça a relação. Durante a relação sexual é liberado o hormônio ocitocina, que aumenta a afetividade e os laços entre o casal. Ele é importante também para a sobrevivência do feto e na produção do leite materno (alimento perfeitamente projetado para atender exatamente às necessidades do bebê).

Com imagens do interior do corpo humano e recursos 3D, a reportagem prosseguiu descrevendo a maravilha da concepção. Explicou que o óvulo é a maior célula humana, ao passo que o espermatozóide é a menor. Cerca de 300 milhões deles são expelidos em cada ejaculação. Na vagina, a missão deles não é fácil, pois têm que sobreviver às condições hostis do ambiente. Milhões de espermatozóides são destruídos ali. Os mais fortes que sobrevivem e chegam ao colo do útero são beneficiados por suaves contrações musculares. Apenas uns poucos milhões chegam perto do óvulo e um único espermatozóide o fertiliza: o mais preparado e saudável. Um verdadeiro controle de qualidade!

Por fora a gravidez é inicialmente imperceptível. Em 40 semanas, uma única célula se especializa em diferentes tipos de células, tecidos, órgãos... e se transforma em um bebê.

Através de uma membrana, a mãe passa os nutrientes para o bebê. Ele ganha mais de 850g em 10 semanas. O útero aumenta muito para poder abrigar o feto. O corpo materno tem que se reorganizar para poder abrigar o bebê em crescimento. Os órgãos são rearranjados: eles ficam apertados nas costas ou pressionados contra o tórax. Eles também têm que trabalhar em dobro, como os pulmões e o coração.

Os músculos das costas relaxam e se curvam. O estômago gira e é “esmagado”. A mãe consegue comer pouco a cada vez, mesmo que o bebê esteja exigindo dela muito mais nutrientes do que antes.

Depois de nove meses (em média) um bebê com cerca de três quilos vai ser expulso. A musculatura pélvica relaxa e o corpo do bebê gira para passar pelos ossos da bacia da mãe (mesmo que eventualmente um homem pudesse abrigar um bebê na barriga, ele não conseguiria passar pela pelve masculina, que é diferente da da mulher). Aliás, a criança nem teria por onde nascer...

A reportagem deixou claro que a concepção, gestação e nascimento de uma nova vida depende de uma série de fatores que deveriam funcionar corretamente desde o início ou, do contrário, o primeiro bebê jamais teria vindo ao mundo. É um processo que precisou ser inteligentemente planejado para funcionar corretamente já na primeira vez. Já é difícil explicar o surgimento simultâneo de dois sexos totalmente compatíveis. Agora imagine explicar pela ótica darwinista a origem casual e por etapas sucessivas do complexo processo da concepção e da gravidez...

Em abril de 2010, a revista Ciência Hoje publicou uma matéria de capa simplesmente impressionante! Título: “Por que a mãe não rejeita o feto.” Assinado por Priscila Vianna e José Artur Bogo Chies, do Laboratório de Imunogenética da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o artigo explica os mecanismos biológicos que impedem que o feto seja identificado pelo organismo da mãe como um corpo estranho e acabe sendo rejeitado. O texto começa com inegável linguagem de design inteligente: “A evolução da gestação, o nascimento do bebê e a produção de leite para alimentá-lo compõem uma sequência natural e bem planejada, com vistas a acolher um novo ser. A interação imunológica entre mãe e filho que acontece ao longo da gestação é mantida até o período de amamentação. O aleitamento transfere anticorpos da mãe para o filho e esses anticorpos permitirão à criança reconhecer agentes causadores de doenças, protegendo-a durante seu desenvolvimento.”

O texto prossegue com explicações técnicas minuciosas e a pergunta que fica no ar e que nem de longe é tratada pela matéria é: Até que esses processos e mecanismos bioquímicos evoluíssem, como os seres humanos (ou quaisquer outros seres que se reproduzem sexualmente) sobreviveram? A complexidade irredutível envolvida em cada descrição no texto é tão grande, que em momento algum a palavra “evolução”, no contexto darwinista, é evocada – o que é curiosamente típico em pesquisas científicas que tratam de complexidade nesse nível.

Segundo os autores do artigo, “na gestação, o corpo feminino sofre diversas alterações hormonais e físicas, além de mudanças no perfil imunológico. O sistema imune materno precisa aprender a conviver com o feto, que pode ser comparado a um transplante, pois a presença de 50% de material genético paterno o torna, para o organismo da mãe, um ‘estranho’”.

Detalhe: o sistema imune materno “precisa aprender”, mas sabe exatamente o que fazer quando a mulher engravida – e precisa saber. A fim de que o feto não seja rejeitado, a placenta o isola parcialmente, para protegê-lo, atuando como um filtro semipermeável que permite a troca de oxigênio e nutrientes, assim como a comunicação imunológica ao longo da gestação. Bem, se os seres sexuados tivessem evoluído a partir de assexuados, é de se supor que a placenta não estivesse presente logo de início. O que serviria, então, de “filtro” para o feto? Como ele teria sobrevivido sem o devido aporte de oxigênio e nutrientes e sob o ataque do organismo materno?

O texto prossegue: “Para que uma gestação se desenvolva com sucesso, é importante que o sistema imune materno reconheça o feto, sem rejeitá-lo, e induza uma resposta de aceitação, gerando um ambiente adequado para a boa evolução do futuro bebê. A relação harmoniosa entre mãe e filho envolve a interação de aspectos da imunologia celular e humoral (por meio de citocinas [células que auxiliam na comunicação entre as células em um organismo] e anticorpos) e de outros componentes. Vários mecanismos protetores regulam a resposta imune materna ao feto e garantem sua aceitação, entre eles (1) a presença da placenta (tecido de origem embrionária), que isola física e imunologicamente o feto da mãe, e (2) a presença de uma resposta do tipo TH2 [célula auxiliar] na mãe, que evita um ataque do sistema de defesa ao feto.”

O interessante é que não há ligação direta entre vasos sanguíneos maternos e fetais, o que isola o feto, protegendo-o de um possível “ataque” do sistema imunológico materno. Para que a aceitação do feto ocorra, o corpo da mulher apresenta alterações imunológicas ao longo da gestação: mudanças no padrão de produção e liberação de citocinas, inibição localizada da proliferação de certas células do sistema imune (as que atacam corpos estranhos) ou indução da expressão de certas moléculas protetoras na superfície das células. Tudo de forma organizada e no tempo certo. Conforme o artigo, “é necessária uma delicada regulação de todo esse equilíbrio na produção de citocinas e na inibição de respostas celulares ao longo da gestação. Momentos distintos do tempo gestacional exigem perfis diferentes de equilíbrio entre esses vários fatores. O atraso na ativação ou inibição de qualquer uma dessas vias pode resultar em complicações da gestação, ou mesmo em aborto”.

Resumindo: além dos mecanismos certos, especificamente desenhados para funcionar corretamente desde a primeira vez, há também o fator tempo, ou seja, esses mecanismos tinham e têm que funcionar no momento exato em que eram/são necessários.

O feto também participa nesse processo todo, sendo estabelecida uma verdadeira “conversa” química entre ele e a mãe. Se eventualmente alguma célula de defesa da mulher ultrapassar a barreira placentária, o sistema imune do feto será capaz de evitar o “ataque”. “Isso é feito por meio de células T reguladoras fetais, que reagem à presença das células da mãe, liberando citocinas, que podem controlar ou inativar respostas danosas contra as células maternas, induzindo o estado de tolerância”, explicam os autores.

Mais interessante ainda: essas células do feto podem permanecer em circulação por até 17 anos após o nascimento, como memória imunológica, sendo capazes de reconhecer as células maternas. “O estudo inovador mostrou como mãe e feto mantêm um contato muito mais íntimo do que se imaginava anteriormente”, e mostrou também que o sistema imunológico do feto já é bastante ativo antes do nascimento. Eu já sabia que nunca conseguiria ser tão íntimo de meus filhos quanto minha esposa. Agora estou ainda mais conformado...

O artigo conclui falando do perigo da pré-eclâmpsia, aumento da pressão sanguínea que coloca em risco tanto o feto quanto a mãe (na primeira gestação). É a segunda causa de morte materna no mundo e a primeira no Brasil, sendo responsável por até 10% das mortes de fetos ou mães durante a gravidez. Essa doença surge quando o organismo da mãe não consegue se modificar para “aceitar” o feto e aumenta a pressão sanguínea para “eliminar” o “corpo estranho”.

Voltamos à pergunta que não quer calar: E antes que esse complexo mecanismo “evoluísse”, como se dava essa modificação dirigida e interrelacionada dos sistemas imunes da mãe e do feto, capaz de evitar a pré-eclâmpsia e outros problemas fatais?

Davi não entendia de embriologia e imunologia, mas conseguiu expressar bem o assombro que nos envolve quando pensamos no maravilhoso processo de concepção e gestação de uma nova vida: “Graças Te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as Tuas obras são admiráveis” (Salmo 139:14).

E Jó, há mais de 3.500 anos, também se maravilhou: “Não me derramaste como leite e não me coalhaste como queijo? [concepção?] De pele e carne me vestiste e de ossos e tendões me entreteceste [desenvolvimento embrionário?]. Vida me concedeste na Tua benevolência, e o Teu cuidado a mim me guardou” (Jó 10:8-12).

 Só posso concordar com o evolucionista Richard Leakey: do ponto de vista darwinista, a origem dos sexos é um mistério insondável. Mas, do ponto de vista criacionista, um presente do Criador e um tremendo projeto de design inteligente.

(Michelson Borges é jornalista, editor da revista Vida e Saúde e pós-graduado em Biologia Molecular e Celular)