sexta-feira, outubro 11, 2019

Terraplanista distorce palavras do Nobel de Física


O caçador de exoplanetas Michel Mayor, que recebeu o Prêmio Nobel de Física deste ano, alertou que não se deve esperar que um dia a humanidade possa emigrar para um exoplaneta, pois esses corpos celestes estão muito distantes daqui. O pesquisador suíço respondeu às perguntas da reportagem da agência AFP, e um conhecido terraplanista brasileiro deu uma conotação diferente às palavras do cientista, fazendo com que elas dessem a entender que o ser humano não pode deixar a Terra. Leia a entrevista a seguir e tire suas conclusões.

Pergunta: Qual pesquisa foi recompensada com este Nobel?

Resposta: “Há 24 anos, juntamente com um dos meus colegas (Didier Queloz, também premiado), descobrimos o primeiro planeta que girava em torno de uma estrela diferente (ao Sol). Era uma pergunta antiga debatida pelos filósofos: existem outros mundos no Universo? Desde então, cerca de 4.000 (exoplanetas) ou mais foram descobertos. Buscamos os planetas mais próximos (de nós), que possam se parecer com a Terra. Juntamente com meu colega, começamos essa busca e mostramos que era possível estudá-los.”

P: Existe vida em outra parte do Universo?

R: “Na Via Láctea, temos certeza de que existem muitos planetas rochosos com uma massa semelhante à da Terra a uma distância tal (da estrela) que a temperatura seria adequada para o desenvolvimento da química da vida, mas não sabemos mais nada. Ninguém pode oferecer uma probabilidade de vida em outro lugar [honestidade bem-vinda]. Alguns cientistas dizem que, se todas as condições forem cumpridas, a vida emergirá por conta própria, em uma espécie de emergência natural das leis do Universo. Mas outros dizem: ‘Não, não é verdade, é muito mais complicado.’ Não sabemos nada. A única maneira de conhecer é desenvolver técnicas que nos permitam detectar a vida à distância. A próxima geração terá que responder a essa pergunta!”

P: A humanidade pode emigrar para outro planeta?

R: “Se falarmos sobre planetas extrassolares, deixemos as coisas claras: não emigraremos para eles. Esses planetas estão muito, muito distantes [grifo meu]. Mesmo no caso muito otimista de um planeta habitável não muito distante, digamos algumas dezenas de anos-luz, como se fosse ‘nos arredores’, o tempo para chegar lá é considerável. Seriam centenas de milhões de dias com os meios atuais. Vamos prestar atenção ao nosso planeta. É muito bonito e ainda bastante habitável. [...] Todas as declarações do tipo ‘Um dia iremos a um planeta habitável se a vida não for possível na Terra’ devem ser descartadas. É algo completamente louco.”


Nota 1: De fato, com a tecnologia de que dispomos hoje, é impossível alcançar esses planetas distantes. No entanto, após a volta de Jesus, tudo será diferente. Veja o que escreveu Ellen White no fim do seu best-seller O Grande Conflito: “Todos os tesouros do Universo estarão abertos ao estudo dos remidos de Deus. Livres da mortalidade, alçarão voo incansável para os mundos distantes – mundos que fremiram de tristeza ante o espetáculo da desgraça humana, e ressoaram com cânticos de alegria ao ouvir as novas de uma alma resgatada. Com indizível deleite os filhos da Terra entram de posse da alegria e sabedoria dos seres não-caídos. Participam dos tesouros do saber e entendimento adquiridos durante séculos e séculos, na contemplação da obra de Deus. Com visão desanuviada olham para a glória da criação, achando-se sóis, estrelas e sistemas planetários, todos na sua indicada ordem, a circular em redor do trono da Divindade. Em todas as coisas, desde a mínima até à maior, está escrito o nome do Criador, e em todas se manifestam as riquezas de Seu poder” (p. 677, 678; grifos meus). Pois é: a Terra não é o centro do Universo, e existem, sim, estrelas e sistemas planetários longe daqui. Ellen White também sabia disso no século 19, e nos anima com a esperança de que um dia conheceremos esses mundos! [MB]

Nota 2: Como eu disse na introdução do texto acima, um dos mais famosos terraplanistas do Brasil (o pessoal que acredita que a Terra é plana e coberta por um domo sólido instransponível) valeu-se das palavras do Dr. Michel Mayor e postou um vídeo sugerindo que o cientista teria dito que ninguém pode deixar a Terra. Foi isso o que você leu nas respostas do Mayor? Ele deixou bem claro que o ser humano não poderá alcançar os exoplanetas por causa da distância, e não devido a um domo imaginário. [MB]

Nota 3: Terraplanistas adventistas (são poucos, mas lamentavelmente existem), mais uma vez vocês precisam decidir se ficam do lado dos defensores da Terra plana ou com a escritora inspirada e uma das pioneiras da igreja da qual vocês levam o nome, pois ela (Ellen White) não só afirma que nosso planeta é esférico (veja os textos abaixo), como escreveu que um dia poderemos voar para fora dele até os mundos distantes. [MB]

quarta-feira, outubro 09, 2019

Terra foi "martelada" por impacto duplo de asteroides

Todos nós já vimos filmes nos quais um asteroide vem até o nosso planeta, ameaçando a civilização. O que é menos conhecido é que, às vezes, esses pedregulhos espaciais vêm em pares. Pesquisadores encontraram algumas das melhores evidências disponíveis para um impacto espacial duplo, quando um asteroide e sua lua aparentemente atingiram a Terra um após o outro. Usando fósseis minúsculos semelhantes aos dos plânctons, eles concluíram que crateras vizinhas na Suécia têm a mesma idade: 458 milhões de anos (segundo a cronologia evolucionista). Detalhes desse trabalho foram apresentados no 45º Congresso de Ciências Planetárias e Lunares em The Woodlands, Texas (EUA), e os achados devem ser publicados no periódico científico Meteorics and Planetary Science Journal.

Porém, os cientistas chamaram a atenção para o fato de que crateras aparentemente contemporâneas podem ter sido criadas com semanas, meses ou mesmo anos de diferença entre umas e outras. Um punhado de possíveis impactos duplos ("doublets") são já conhecidos na Terra, mas o Dr. Jens Ormo diz que não existe consenso sobre a precisão das datas atribuídas a essas crateras. "Crateras de impactos duplos precisam ser da mesma idade, do contrário, elas podem ser apenas duas crateras próximas uma da outra", disse o pesquisador do Centro de Astrobiologia em Madrid (Espanha) à BBC News.

O Dr. Ormo e seus colegas estudaram duas crateras chamadas Lockne e Malingen, que repousam a cerca de 16 km de distância uma da outra no norte da Suécia. Medindo cerca de 7,5 km de diâmetro, Lockne é a maior das duas estruturas; Malingen, que está à sudoeste, é cerca de 10 vezes menor.

Considera-se que asteroides binários são formados quando um tipo de asteroide chamado "pilha de detritos" começa a girar tão rápido sob a influência da luz do Sol que alguma rocha solta é atirada do equador do objeto para formar uma lua pequena. Observações de telescópio sugerem que 15% dos asteroides próximos à Terra são binários, mas a porcentagem [desse tipo] de crateras de impacto na Terra provavelmente seja menor.

Apenas uma fração dos [asteroides] binários que atingem a Terra vão ter a separação necessária entre o objeto e sua lua para produzir crateras separadas (aqueles que estão muito próximos uns aos outros vão produzir estruturas [de impacto no solo] superpostas).

Cálculos sugerem que em torno de 3% das crateras de impacto na Terra devem ser "doublets" - um número que condiz com a quantidade de [asteroides] candidatos já encontrados pelos cientistas.

As características geológicas não usuais, tanto das crateras Lockne quanto Malingen, têm sido reconhecidas desde a primeira metade do século 20. Mas levou até meados dos anos 1990 para que Lockne fosse reconhecida como uma cratera de impacto terrestre.

Em anos recentes, o Dr. Ormo perfurou cerca de 145 m na estrutura da cratera Malingen, através dos sedimentos que a preenchem, até as rochas esmagadas conhecidas como breccias, e ainda mais fundo, alcançando a rocha intacta que está abaixo. Análises de laboratório das rochas breccias revelaram a presença de quartzo de impacto, uma forma do mineral quartzo criada sob a pressão associada com impactos de asteroides.

Essa área era coberta por um mar raso à época do impacto relativo à cratera Lockne, então sedimentos marinhos devem ter começado a preencher quaisquer crateras de impacto imediatamente após elas terem sido criadas. [N.T.: interessantemente... os impactos ocorreram em uma área que hoje é terra, mas que à época era mar. Não é difícil imaginar esse cenário ocorrendo em um contexto de dilúvio global, como descrito na Bíblia.]

A equipe do Dr. Ormo definiu a data para a estrutura Malingen usando fósseis de criaturas marinhas minúsculas chamadas quitinozoários, encontrados em rochas sedimentares naquele local. O método da equipe, conhecido como bioestratigrafia, permite aos geólogos associar datas relativas às rochas associadas ao tipo de criaturas encontradas no meio delas. [N.T.: um método subjetivo e totalmente exposto ao viés evolucionista de interpretação da paleontologia e da geologia.]

Os resultados revelaram que a estrutura da cratera Malingen era da mesma idade que a de Lockne - cerca de 458 milhões de anos (segundo a cronologia evolucionista). Isso parece confirmar que a área foi atingida por um impacto duplo de asteroides durante o Período Ordoviciano (de acordo com a coluna geológica evolucionista).

O Dr. Gareth Collins, que estuda impactos de crateras no Colégio Imperial de Londres, e que não estava envolvido na pesquisa, disse à BBC News: "Como nos faltam testemunhas dos impactos, é impossível provar que duas crateras próximas foram formadas simultaneamente. Mas a evidência, nesse caso, é muito convincente. A proximidade e a consistência nas estimativas de idade fazem com que um impacto duplo seja a causa provável."

Simulações sugerem que o asteroide que criou a cratera Locke tinha cerca de 600 metros de diâmetro, enquanto o que produziu a cratera Malingen tinha cerca de 250 metros. Essas medidas são um pouco maiores do que o que poderia ser sugerido pelas suas crateras devido às mecânicas de impactos em ambientes marinhos.

O Dr. Ormo adicionou que as crateras Malingen e Lockne estavam na distância correta para terem sido criadas por um asteroide binário. Como mencionado, se duas rochas espaciais estão muito próximas, as crateras irão se sobrepor. Mas para serem classificadas como um "doublet", as crateras não devem estar muito longe uma da outra, porque elas excederiam a distância máxima a que um asteroide e sua lua podem estar presos por forças gravitacionais.

"O asteroide que causou o impacto Lockne era grande o suficiente para gerar o que é conhecido como uma explosão atmosférica, em que a atmosfera acima do ponto de impacto é expelida", disse o Dr. Ormo. Isso pode fazer com que o material do impacto do asteroide seja espalhado ao redor do globo, como aconteceu durante o impacto Chicxulub, considerado o que matou os dinossauros há 66 milhões de anos (sic).

O evento do Ordoviciano não foi poderoso o suficiente para que aquele material pudesse ser rastreado, pois possivelmente estava muito diluído na atmosfera. Mas o impacto teria produzido efeitos regionais; por exemplo, todas as criaturas marinhas suficientemente sem sorte para estarem nadando por ali naquele momento devem ter sido vaporizadas instantaneamente.

Outras crateras candidatas a impactos duplos incluem Clearwater Leste e Oeste, em Quebec, Canadá; Kamensk e Gusev, no sul da Rússia; e Ries e Stenheim, no sul da Alemanha.

Nota: Impressiona o fato de que a Terra foi acossada por numerosos impactos de asteroides que causaram profundas transformações no clima e na geologia do planeta, com consequências drásticas à vida em todos os lugares. O modelo criacionista do dilúvio bíblico prevê que uma das principais causas ou "ferramentas" da grande inundação tenha sido o choque de objetos espaciais com o nosso planeta. 

Impactos duplos de asteroides são evidências que fortalecem essa ideia, embora os métodos de datação evolucionistas dificultem ver como essa sequência de eventos pode ter sido produzida em um curto espaço de tempo. 


No entanto, como comentei em meio ao texto da reportagem traduzida, em todos os casos os métodos de datação evolucionista são subjetivos ou inferenciados sobre premissas naturalistas. 


De qualquer forma, o registro geológico da Terra permite concluir que esses impactos celestes foram em número e magnitude suficientes para terem produzido reações geológicas em cadeia, com potencial mais do que suficiente de eliminar a vida em escala global. 


Examinar essas evidências à luz da Bíblia não apenas satisfaz uma curiosidade do estudante das Escrituras sobre a história não contada do nosso lar terrestre, mas, também, e principalmente, fortalece a fé no relato sagrado. Relato esse que pode ser confirmado por elementos reais e que são amplamente estudados pela ciência secular. 


Link para a matéria original: https://www.bbc.com/news/science-environment-26172181

Terraplanistas são destruidores de reputação

Ao assistir (muito a contragosto, admito) a alguns canais defensores da ideia da Terra plana, tenho percebido um padrão na argumentação deles: (1) a Terra plana é um “fato inquestionável”, tornando-se praticamente uma religião; (2) como a Terra, para eles, é plana, a força da gravidade não pode existir; (3) Isaac Newton e outros cientistas demonstraram a existência da gravidade, logo, são impostores; (4) como matemática e ciência profunda não interessam aos terraplanistas e seus seguidores, é preciso destruir a reputação dos cientistas “globalistas”; (5) por outro lado, quem defende a Terra plana, independentemente do que pense sobre outros assuntos, está no grupinho e é defendido a todo custo.
Aconteceu de novo recentemente. O canal terraplanista e negacionista da ida do homem à Lua “Inteligentista” apresentou uma defesa de Isaac Newton e contestou o geofísico terraplanista Afonso Vasconcelos, afirmando que ele teria exagerado em suas opiniões sobre o cientista inglês descobridor do cálculo e responsável por avanços científicos em diversas áreas do conhecimento e da tecnologia. Afonso gravou um vídeo novo com mais forçação de barra para tentar “provar” que Newton não teria sido um cristão sincero (como se pudesse ler o coração de alguém), depois de ter insinuado em um vídeo anterior que ele seria mais inteligente que Newton, pois este não sabia programar computadores como ele (!).

quinta-feira, outubro 03, 2019

O criacionismo e o novo espetáculo paralelo de Satanás

Em meados do século 19, Deus despertou pessoas em várias religiões com uma mensagem de advertência ao mundo: Jesus estava voltando e Seu juízo era iminente. Homens e mulheres sinceros e dedicados a Deus se puseram a estudar a Bíblia. Nos Estados Unidos, o ex-deísta e pregador batista William Miller foi figura de destaque. No Chile, o padre jesuíta Manuel Lacunza escreveu um livro sobre a volta de Jesus. Na Europa também houve os que tiveram a atenção voltada para as profecias apocalípticas. O mundo (especialmente a América) experimentou um verdadeiro reavivamento espiritual. Multidões aguardavam com expectativa a segunda vinda de Cristo (de acordo com a revista Reader’s Digest, cerca de um milhão de pessoas, só nos Estados Unidos, que na época tinham uma população na casa dos 17 milhões). O estudo das profecias de Daniel levou os mileritas (como ficaram conhecidos os seguidores de Miller) a concluir corretamente que algo especial ocorreria em 22 de outubro de 1844. Eles acertaram a data, mas erraram o evento. E disso decorreu grande decepção – o evento que passou para a história como o Grande Desapontamento de 1844.

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Isaac Newton era ocultista?

Já escutou que Isaac Newton, que para muitos foi o maior cientista de todos os tempos, não era cristão? Há bons esclarecimentos no vídeo abaixo (essa moça cursou doutorado em Física na França e faz pós-doutorado no CERN do Japão). Ela não é religiosa, mas é mais equilibrada que muitos ditos cristãos, inclusive não vendo problema nos estudos que Newton fez da Bíblia. Chega mesmo a comentar a visão dele de buscar unir ciência e religião como não sendo algo anticientífico, mas uma motivação pela curiosidade, pelo rigor e pela busca por desenvolver tudo que fez em direção à verdade. Ela também comenta a acusação de que Newton era da Rosa-Cruz.

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sábado, setembro 28, 2019

Folha entrevistou Michelson Borges: criacionismo e aquecimento global

No dia 4 de março de 2010, Reinaldo José Lopes, então repórter do jornal Folha de S. Paulo, procurou o jornalista Michelson Borges, propondo uma entrevista sobre criacionismo, ambientalismo e mudanças climáticas. A matéria (clique aqui para lê-la) e a entrevista foram publicadas no caderno Mais! da Folha do dia 7 de março. Leia aqui na íntegra a entrevista concedida por Michelson há nove anos e que, neste momento, se mostra mais atual do que nunca:

Reinaldo: Você me disse que concordava que havia uma aproximação entre as duas posições – a favor do criacionismo e contra a tese da mudança climática antropogênica. Por que você acha que essa convergência está ocorrendo?

Michelson: A convergência se dá simplesmente pelo fato de que os criacionistas, no esforço por se pautarem por pesquisas fidedignas e dados concretos, se deram conta, já há algum tempo, de que estava havendo certo exagero na questão do aquecimento antropogenicamente causado. Na verdade, entendo ser esse o exercício do bom ceticismo: não aceitar certos consensos até que haja evidências seguras. No entanto, é bom que fique claro que os criacionistas não negam a mudança climática, tampouco a parcela de contribuição humana nisso. Contudo, os que têm estudado o assunto perceberam que o aquecimento global não é totalmente provocado pelo ser humano. Trata-se de um fenômeno natural para o qual a ciência ainda não tem um modelo que possa ser corroborado pelas evidências ou não. Recentemente, parece que certos veículos da grande imprensa também estão se dando conta disso.

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sexta-feira, setembro 27, 2019

Uma doce complexidade


Muito pequenas, com o cérebro menor do que uma semente de gergelim e realizando atividades cotidianas tão bem estruturadas e complexas que deixam qualquer um de boca aberta! Existem mais de 20 mil espécies de abelhas. Abordar a quantidade de atividades realizadas por elas com tamanha precisão obviamente não é possível aqui. Então, vamos nos fixar em uma ação específica: a produção do mel.

O mel contém nutrientes, minerais e vitaminas; além disso, possui antioxidantes – especialmente em suas variedades mais escuras. Ele é uma solução concentrada dos açúcares glicose e frutose, com porcentagens menores de mais de 20 açúcares complexos. Apresenta também vestígios de minerais essenciais.

Em tempos antigos, o mel era usado para curar feridas e infecções. Povos da Birmânia utilizavam-no em cadáveres, para preservar o corpo pelo tempo necessário – até que os custos para o funeral fossem arranjados.

O mel cru (aquele não tratado termicamente) apresenta componentes com características antibacterianas. Um exemplo é a enzima glicose oxidase; ela é adicionada ao mel pelas abelhas (como um conservante). Quando colocada em contato com a água, promove (a partir da glicose) a liberação lenta de peróxido de hidrogênio (H2O2), que oxida os componentes externos das bactérias, formando buracos na membrana celular e causando a morte do micro-organismo.

O mel produzido a partir da Manuka (Leptospermum scoparium), um arbusto da Nova Zelândia, é conhecido como “mel que cura”. Ele possui uma enzima chamada metilglioxal – com características antibacterianas e virais únicas. Ensaios clínicos com a forma do mel não tratado termicamente foram realizados em hospitais, demonstrando que vírus e bactérias (incluindo as superbactérias resistentes aos antibióticos produzidos pelo ser humano) não são capazes de sobreviver às concentrações elevadas desse mel. Ele também foi testado em processos de cicatrização de feridas de pacientes com o sistema imune comprometido. Os resultados são iniciais, mas promissores.

E a produção do mel, como acontece? As abelhas apresentam dois estômagos, um responsável pela digestão e outro pela retenção do néctar (saco de mel). Entre eles há uma válvula que não permite a mistura do conteúdo dos dois estômagos. Para encherem o estômago com néctar, as abelhas forrageiras visitam até 1.500 flores, e, no retorno para a colmeia, adicionam enzimas a ele (iniciando o processo de conversão em mel). O néctar tem elevada concentração de água (80%); ele passa por um processo de desidratação, decaindo a uma média de 18% de água em seu conteúdo para a produção do mel.

Para que o néctar perca uma porcentagem tão elevada de água algo precisa ser feito. Ao ser depositado nas células (favos), ele fica exposto para alcançar taxas de evaporação mais rápidas. De noite, as coletoras auxiliam nesse processo, batendo as asas vigorosamente na entrada da colmeia e acelerando o processo de evaporação. Parte delas permanece de um lado, aspirando ar, e a outra metade soprando o ar carregado de vapor d’água. Depois de prontas, as células de mel são vedadas com uma tampa de cera. É no inverno que ele será utilizado como fonte de energia para a sobrevivência das abelhas.

Os favos onde o mel é armazenado na colmeia são compostos de cera. Eles possuem o formato hexagonal – design especial que possibilita o acúmulo máximo de mel, com o uso mínimo de cera em sua produção. A resistência dos favos é tanta, que eles já foram recuperados intactos da tumba de faraós e resgatados do fundo do mar sem danos.

Em uma colmeia típica, a quantidade necessária de mel para a manutenção da população no inverno é em média de 27 quilos. A distância média percorrida pelas abelhas, para essa produção, é de cinco milhões de quilômetros de voo.

As abelhas apresentam um biotermostato interno, sendo capazes de identificar quando a colmeia está sob ameaça térmica. Para que a rainha bote ovos, a temperatura da colmeia precisa estar próxima a 34 ºC. Temperaturas muito elevadas levam ao derretimento do favo de mel; muito frias provocam a morte da ninhada.

Quando as temperaturas estão baixas, as abelhas amontoam-se para aquecer a colmeia com seus corpos; quando ela está elevada demais, um alerta é acionado e transmitido para a colônia. Assim, as forrageiras largam seus trabalhos, enchem a boca de água advinda das fontes mais próximas e retornam, espalhando-a nos locais apropriados. O restante delas ventila a colmeia abanando as asas, acelerando, assim, a evaporação da água que ajudará no resfriamento do ambiente.

Como todas essas ações inteligentes e organizadas tiveram início? Qual foi a primeira abelha a iniciar essa dinâmica? Como foi a incorporação dessas ações no padrão genético e a transmissão às futuras gerações? Os processos evolutivos aleatórios, destituídos de propósito (que teriam levado milhões de anos para se desenvolver), seriam capazes de explicar a origem das abelhas com toda essa bagagem?

Moema Rúbia Patriota

Referências:
Revista: Creation 21(4):48–50, September 1999. A sweet revelation, autor: Tom Hennigan. Retirado de: https://creation.com/a-sweet-revelation This article is from
Revista: Creation 37(1):14–17, January 2015. Honey: A healing gift from the Creator, autor: Patrick Clarke. Retirado de: https://creation.com/gods-healing-gift-of-honey

quinta-feira, setembro 26, 2019

Duas terraplanistas demonstram em vídeo que a Terra NÃO é plana


Vi seus comentários no vídeo de duas terraplanistas que alegam ter observado a Lua cheia no Brasil no mesmo momento que ela era observada no Japão. Elas apresentaram essas observações como prova de que a Terra é plana. Eu não entendo a razão de na Terra plana tal ser possível. Além disso, gostaria que o senhor explicasse a razão de ter afirmado nos comentários do vídeo que elas apresentaram evidências sobre a esfericidade da Terra.

A esdrúxula concepção da Terra plana coloca a Lua e o Sol em órbitas paralelas à superfície da Terra e a poucos milhares de quilômetros da superfície (os terra-chatos não conseguiram e não conseguirão determinar a distância que o Sol está da pizza onde imaginam viver pelas razões expostas em Distância ao Sol na mítica Terra Plana: a razão de as diversas estimativas serem conflitantes). Dessa forma, tanto o Sol quanto a Lua nunca atingem o horizonte, estando ambos sempre acima da face do disco, que é a Terra como bem ilustra a histórica figura de 1893, do fundamentalista religioso Orlando Ferguson. (Wikipedia)

Desse modelo decorre singelamente que não pode haver noite na Terra plana. Entretanto, os terra-chatos criam “argumentos” para justificar a noite, exercitando sempre forte dissociação cognitiva para bem de sustentar essa ideia anacrônica. Não é meu objetivo nesta postagem tratar especificamente da impossibilidade de noite nesse estapafúrdio modelo, mas apenas notar que na Terra plana a Lua e o Sol deveriam ser visíveis no mesmo instante de quaisquer dois pontos da “pizza”, em particular aqui e no Japão, e em qualquer momento do mês lunar, e não apenas na Lua cheia.

A Lua cheia de fevereiro de 2017 foi registrada em diversos vídeos aqui no Brasil e lá no Japão. Se de fato os dois vídeos citados pelo canal das terraplanistas foram feitos exatamente no mesmo momento, não há informações disponíveis para responder e muito certamente não o foram (possivelmente foram quase simultâneos). Entretanto segundo a Astronomia, dado que a Terra tem forma de globo – quase esférica –, é possível ver a Lua cheia no mesmo momento em pontos da Terra diametralmente opostos, em horários locais que correspondem ao anoitecer ou noite em um ponto (quando então a Lua está próxima de seu nascente) e ao amanhecer no outro ponto (quando a Lua está próxima do seu poente).

A diferença de fuso horário daqui para o Japão é de 12 horas, e como a Lua cheia é visível a partir do cair da noite, por toda a noite até o amanhecer, é fácil concluir que ela pode ser vista, por exemplo, aqui ao amanhecer e lá no Japão no final do dia ou início da noite; entretanto, isso somente pode acontecer na Lua cheia. Lembremos que na fase quarto crescente (quarto minguante) a Lua se encontra elevada no céu ao entardecer (amanhecer). Veja na postagem seguinte uma foto da Lua minguante cedo pela manhã: É possível ver a Lua na fase Nova?

Então, o pretenso fato de terem ocorrido observações simultâneas ou quase simultâneas da Lua cheia aqui e no Japão é uma trivialidade para a Astronomia que opera desde a Antiga Grécia com a concepção bem corroborada da Terra em forma de globo.

Conforme notei acima, do anacrônico modelo de Terra plana se deriva que a Lua (e o Sol também!) deveria ser visível em pontos diametralmente opostos (e em todos os pontos da Terra) em qualquer momento do ciclo lunar, e não apenas na Lua cheia. Os terra-chatos poderiam tentar (obviamente sem êxito) observar a Lua simultaneamente aqui e no Japão, por exemplo, na fase crescente ou minguante. Portanto, a observação da Lua cheia nos dois locais nada prova sobre ter a Terra a forma de pizza. Fica aqui o desafio para os terra-chatos demonstrarem com vídeos sérios que é possível se ver simultaneamente a Lua aqui e no Japão, por exemplo, em quarto crescente.

Um ótimo vídeo discutindo todas essas possibilidades é  Vídeos da Lua no Brasil e no Japão NÃO provam que a Terra é plana.

Vou agora me deter na prova positiva que as terraplanistas fizeram da esfericidade da Terra por meio do seu vídeo.

A figura que segue representa dois antípodas, o Tanaka e o João, observando simultaneamente um objeto celeste que, para fins de entendimento, possui um sistema de eixos ortogonais (azul e vermelho). O Tanaka e o João se encontram de costas nessa representação para nós que olhamos a figura; portanto, se transita de um dos antípodas para o outro através de uma rotação de 180 graus. O eixo vermelho no objeto celeste observado tem a orientação da vertical para cima para o Tanaka e da vertical para baixo para o João. Já o eixo azul aponta da direita (D) para a esquerda (E) do Tanaka e da esquerda para a direita do João. Portanto, se os dois observarem o mesmo objeto celeste, eles o verão de maneira diferente, isto é, com uma rotação de 180 graus. Mesmo não concordando que a Terra possua a forma de globo, um terra-chato entende essa discussão (será mesmo que ele entende?).

Tomei imagens de dois vídeos excelentes, um feito no Japão e outro no Rio de Janeiro, na Lua cheia de fevereiro de 2017. O vídeo que as terraplanistas fizeram é de péssima qualidade, mas elas, apesar disso, notaram aquilo que vou mostrar a seguir.

A próxima figura apresenta a imagem da Lua no Japão (superior) e no Rio de Janeiro (inferior). Indiquei nas duas imagens três estruturas na superfície da Lua com setas de cores diversas, usando a mesma cor nas duas imagens para identificar a mesma estrutura.


Como se pode observar, as duas imagens diferem por uma rotação de aproximadamente 180 graus conforme o previsto.

As terraplanistas alegaram que tal observação da Lua virada era consistente com a esdrúxula Terra plana. Entretanto, a Lua virada refuta a o modelo da Terra plana! Se a Lua dos terra-chatos é esférica (sobre isso há dúvidas entre eles, pois alguns dizem que a Lua também tem forma de “pizza”), e dado que ela apresenta o mesmo tamanho angular de aproximadamente 0,5 grau aqui ou no Japão (em qualquer parte do globo, como é bem sabido desde a Antiga Grécia), então ela deve estar igualmente distante do Rio de Janeiro e do Japão (no meio) e, portanto, deveriam ser registradas estruturas diferentes sobre a face avistada aqui e lá. Ou seja, ou os brasileiros ou os japoneses veriam a face da Lua que NUNCA é visível.

E se a Lua fosse apenas um disco como querem alguns terra-chatos? Então ela não poderia ser vista como um disco simultaneamente nos dois locais. Ou aqui, ou lá, ou em ambos os locais sua borda NÃO apareceria circular (como se vê em ambas as imagens), mas em forma de elipse, como quando qualquer disco é observado não frontalmente.

A aparência da Lua em qualquer dia do mês lunar em que se faça a observação em dois locais da Terra sempre diferirá por uma rotação em um ângulo que depende da distância angular entre os dois locais de observação e do momento da observação, pois a distância Terra-Lua é grande quando comparada com o raio da Terra. Daqui de Torres, no RS, para Roma, na Itália, temos um deslocamento angular em latitude e longitude, ambos em cerca de 70 graus. No ano passado, o professor Adriano Barcellos (IFSUL) me enviou fotos feitas da Lua crescente de agosto de 2016. Na próxima figura vemos fotografias da Lua crescente em Torres (abaixo) e em Roma (acima, feita por Daniel Varella Salvador). Conforme a expectativa, observamos a Lua crescente rotacionada de uma imagem para a outra.


Dessa forma fica demonstrado que as terraplanistas conseguiram uma bela prova de que a Terra continua como sempre com a forma (quase) esférica. Parabéns às terraplanistas! Sobre a forma da Terra, veja O formato da Terra e Teste sobre a forma da Terra.

Um sítio muito elucidativo sobre diversos aspectos de nosso satélite, e em particular sobre as fases da Lua é MoonConnection.com.

Alguns aspectos usualmente não abordados em textos elementares sobre a órbita da Lua e os intervalos de tempos entre as fases principais está disponível em ResearchGate.

Um progarma na Rádio da Universidade da UFRGS pode ser ouvido em Terra Plana.

Vide a palestra realizada na UNISNOS em 31/5/2017: Sobre a forma da Terra

Vide também o artigo publicado na revista Física na EscolaSobre a forma da Terra.

Outras postagens do CREF sobre o terraplanismo: Mítica Terra Plana.

(Fernando Lang da Silveira, Centro de Referência para o Ensino de Física – UFRGS)


terça-feira, setembro 24, 2019

Terra plana: resposta ao Afonso Vasconcelos


Recentemente, publiquei em meu canal no YouTube um vídeo com o título “Desafio aos terraplanistas”, no qual ofereço uma resposta a um engenheiro que me escreveu em privado questionando o formato redondo (globo) da Terra. Em respeito a esse terraplanista, pedi que meu amigo astrofísico e engenheiro de software Eduardo Lütz escrevesse alguma coisa, e ele se empolgou: redigiu um documento de 118 páginas, disponível aqui. O único terraplanista de destaque que afirma ter lido o artigo do Lütz foi o geofísico Afonso Vasconcelos, cujo canal é citado por onze de cada dez terraplanistas brasileiros. Agradeço-o por ter dedicado tempo para analisar um material que foi preparado com dedicação e de maneira respeitosa. Que outros defensores da Terra plana sigam esse exemplo do Afonso.

Não conheço pessoalmente o geofísico youtuber, mas o respeito como ser humano e só resolvi responder ao vídeo dele porque, em lugar de começar analisando os argumentos técnicos do Lütz, ele tenta descredibilizar tanto a mim quanto ao meu amigo físico, num típico exemplo de argumentação ad hominem, em que se ataca a pessoa, deixando suas ideias em segundo plano. Há vários vídeos sobre Terra plana em meu canal (confira), e em nenhum deles me dirijo a pessoas, tratando unicamente de ideias. Esta será a única vez que abro uma exceção.

Farei a seguir uma breve análise do vídeo de 31 minutos em que ele comenta a introdução do texto do Lütz: 

sexta-feira, setembro 20, 2019

Pesquisadores israelenses descobrem o reino bíblico de Edom


Pesquisadores israelenses descobriram evidências que corroboram o relato bíblico do antigo reino de Edom, informou a CBN News. O reino de Edom existiu durante os séculos 12 a 11 a.C. e foi fundado pelo filho mais velho de Isaac, Esaú. Estava localizado na Transjordânia, entre Moabe (a nordeste), Arabah (a oeste), e o vasto deserto da Arábia (ao sul e leste). O capítulo 36 do livro de Gênesis mostra que Edom era uma terra próspera, muito antes de “qualquer rei israelita reinar”. Mas, durante anos, os especialistas não encontraram praticamente nenhum registro arqueológico confirmando quando e onde Edom existiu. Um estudo inovador publicado pelo PLOS One, por uma equipe de cientistas israelenses e americanos, descobriu que Edom realmente existiu na época e no local que a Bíblia descreve.

“Usando a evolução tecnológica, fomos capazes de identificar e caracterizar o surgimento do reino bíblico de Edom. Nossos resultados provam que o reino surgiu antes do que se pensava anteriormente e de acordo com a descrição bíblica”, explicou o professor Ben-Yosef, do Central Timna Valley Project, da Universidade de Tel Aviv.

Ben-Yosef, o professor Tom Levy, da Universidade da Califórnia, em San Diego nos EUA, e sua equipe foram ao deserto de Arava, no atual Israel e na Jordânia, para analisar a fonte da riqueza do reino: o cobre. Especificamente, a equipe analisou o resíduo restante da extração de cobre, para determinar que Edom não só existiu no momento em que a Bíblia descreve, mas também que era um reino poderoso e tecnologicamente avançado.

“Com técnicas avançadas de análise química, análise arqueológica e investigação microscópica, conseguimos entender como as pessoas produziam cobre. Os resultados são surpreendentes e eles nos dizem que algo grande estava acontecendo muito cedo, pelo menos no século 11 a.C.”, disse Ben-Yosef à CBN News.

A análise do cobre data o reino de Edom cerca de 300 anos antes do que se pensava – exatamente na época em que a Bíblia diz e antes de qualquer rei governar os filhos de Israel. “Isso apoia a noção de que de fato não só havia pessoas na região naquele período, mas um reino forte. Que foi responsável por realizar uma indústria de larga escala na produção de cobre. Você não pode exagerar na importância do cobre naquela época”, disse Ben-Yosef.

O cobre era um material precioso, usado nos tempos antigos para criar armas, escudos de defesa, ferramentas agrícolas e muito mais. “Se você quisesse ser forte, precisava ter cobre”, disse Ben-Yosef.

A equipe também encontrou evidências ligando Edom a outro grande evento bíblico: a invasão da Terra Santa pelo faraó Sheshonk I – o bíblico rei Sisaque, citado em 2 Crônicas 12:2 –, que invadiu Jerusalém no século 10 a.C.


Ben-Yosef disse que o faraó não estava interessado em destruir os edomitas, mas os apresentou à tecnologia de cobre que transformou completamente a região. “Como consumidor de cobre importado, o Egito tinha um grande interesse em agilizar a indústria. Parece que, através de seus laços de longa distância, eles foram um catalisador de inovações tecnológicas em toda a região. Por exemplo, o camelo apareceu pela primeira vez na região imediatamente após a chegada de Sheshonk I”, disse Ben-Yosef.

O professor Ben-Yosef explicou que suas novas descobertas comprovam fortemente a veracidade da Bíblia, mesmo quando as evidências arqueológicas originais não pareciam somar. “Nossas novas descobertas contradizem a visão de muitos arqueólogos de que o Arava foi povoado por uma aliança frouxa de tribos, e elas são consistentes com a história bíblica de que havia um reino edomita aqui”, concluiu Ben-Yosef.

A Pré-História em filmes: "O Bom Dinossauro"

Em diversas áreas do conhecimento existe uma espécie de círculo viciante que nos empurra a pré-definir algumas coisas. Quando eu falo de dinossauros, a agressividade e a violência desses animais já me vêm a mente. E, assim, o cinema deu aquele "empurrãozinho" para nos viciar em certas ideias que muitas vezes são visões opostas do que de fato ocorreu. No exemplo dos dinossauros, os animais selvagens atualmente não se comportam da forma que vemos nos filmes. Grande parte deles nem carnívora era. Desconstruir a ideia de "dinossauros são do mal" dá muito trabalho. Existem vários conceitos pré-formados que insistem em estampar a capa dos livros. A "evolução do homem" é um dos grandes exemplos. A tentativa constante de "macaquizar" o homem e humanizar os macacos está sempre na mídia.

Decidimos comentar alguns filmes que retratam a Pré-História e falar sobre alguns pontos desses círculos viciantes. Segundo Kindersley:[1]

"A Pré-História corresponde ao período da História que antecede a invenção da escrita, desde o começo dos tempos históricos registrados até aproximadamente 3500 a.C. É estudada pela antropologia, arqueologia e paleontologia."

Assim, podemos entender que a Pré-História se deu em momentos diferentes nos continentes. Quando os portugueses chegaram a nossas praias, encontraram o continente vivendo uma pré-história. Porém, na Europa e Ásia a pré-história já tinha ficado para trás dezenas de séculos antes.

Nas palestras do Onze de Gênesis, fizemos uma sequência de seis semanas, comentando filmes da Pré-História sob a ótica criacionista. Os detalhes que separei flertam com a cosmovisão criacionista e por isso achei interessante colocar essas cartas sobre a mesa para debate. Separei os seguintes filmes:

A Era do Gelo (2002) 
Apocalypto (2006) 
10.000 a.C. (2008) 
Os Croods (2013) 
O Bom Dinossauro (2015) 
Alfa (2018)

Claro que existem muitos outros bons, como o "Ao: The Last Hunter", ou a série "Elo Perdido", mas focamos em filmes mais populares. O primeiro dessa série é o filme "O Bom Dinossauro".

Numa linha do tempo alternativa, os dinossauros escaparam da extinção quando o asteroide passou diretamente pela Terra, sem atingi-la. Milhões de anos mais tarde, numa fazenda, um casal de Apatossauros agricultores, Henry e Ida, tem três filhos de 11 anos: Buck, Libby, e o último a chocar, Arlo. As crianças têm que deixar sua marca no silo da fazenda por algo grande que fizeram.

1. Extinção dos dinossauros

Cena do filme que mostra o meteoro que extinguiu os dinossauros errando a rota de colisão com a Terra

Na narrativa do filme, a extinção dos dinossauros dada por um impacto de asteroide não acontece. O comentário que quero destacar aqui neste trecho é o fato de a maioria dos paleontólogos concordar que houve uma extinção em massa no fim do período Cretáceo.  A teoria que é mais aceita pela comunidade científica é a de que um asteroide com aproximadamente 10 km de diâmetro tenha atingido a superfície da Terra, gerando uma explosão semelhante a 100 trilhões de toneladas de TNT.[2] Outra teoria é a de que certos movimentos sofridos pelos continentes provocaram mudanças nas correntes marítimas e também no clima do planeta. Isso fez a temperatura baixar, o que causou invernos mais rigorosos, consequentemente levando ao desaparecimento dos seres vivos que habitavam a Terra.[3]

Sob o ponto de vista criacionista, dinossauros existiram, foram criados por Deus e desapareceram da face da Terra. Um dos motivos do desaparecimento dos dinossauros pode ter sido o dilúvio bíblico, como é defendido por alguns criacionistas. O dilúvio bíblico e o grande asteroide que atingiu a Terra no fim do Cretáceo parecem ser eventos diferentes, mas podemos traçar uma convergência de dados. O evento pode ter sido o mesmo, narrado sob óticas diferentes.

Sobre o modelo da extinção dos dinossauros, Everton Fernando Alves escreveu:[4]
O modelo criacionista prevê que apenas um meteorito provavelmente não seria capaz disso nem responderia pela existência de tantos fósseis no mundo inteiro. Mas pense numa enxurrada de meteoritos caindo em terra e mar há bem menos tempo do que supõe a esticada cronologia evolutiva. Os que caíram na terra acabaram rachando a crosta, dando origem aos deslocamentos de placas tectônicas, aos terremotos e aos derrames de lavas. Os que caíram em mar poderiam gerar tsunamis de centenas de metros de altura, varrendo os continentes e destruindo tudo pela frente, sepultando quantidades incríveis de rochas, plantas e animais.
Então, tanto criacionistas quanto evolucionistas podem estar narrando o mesmo evento no caso da extinção dos dinossauros.

2. Montanhas e gelo

Cena do filme que mostra altas montanhas com gelo

O filme retrata a Terra antes do dilúvio, e no modelo criacionista a geologia do planeta é bem diferente dessa cena. Não há altas montanhas e existe um clima ameno. A Terra era uma grande estufa, havia um só continente com pequenas elevações. As grandes montanhas e formações com gelo são previstas apenas após o dilúvio.

Cena do filme que mostra altas montanhas com gelo

O dilúvio realizou um grande trabalho geológico. Corroer sedimentos aqui, reposicioná-los ali, elevar continentes, elevar planaltos, desnudar terrenos, etc., para que a Terra hoje fosse bem diferente de antes. Hoje, mesmo as cadeias de montanhas se elevam acima do mar.[5] A Bíblia relata que todas as montanhas foram cobertas; montanhas que existiam no momento do dilúvio, pois as montanhas atuais não existiam. Na geologia atual, algumas montanhas perderam altitude nos últimos anos e outras ganham a cada ano. Então, comparando a cena do filme com o cenário criacionista, vale a pena entender que de fato isso não ocorreu nesse período.

3. Dieta vegetariana

Cena do filme que mostra o humano caçando insetos para alimentar o dinossauro.


Cena do filme que mostra o humano caçando animais para alimentar o dinossauro

Cena do filme que mostra o dinossauro aceitando a dieta vegetariana

No filme, o personagem principal é um apatossauro. O apatossauro (do grego "lagarto enganoso") viveu na América do Norte durante o período Jurássico, e esse dinossauro saurópode chegava, em média, a mais de 23 metros de comprimento e 30 toneladas. O apatossauro se alimentava de plantas como samambaias, cavalinhas e gimnospermas, e devia comer em torno de 400 kg de vegetação por dia, engolindo junto pequenas pedras para ajudar a moer o alimento (gastrólitos).

Logicamente que o personagem do filme não comeria nada diferente da sua dieta. Mas o curioso é que, quando vemos os filmes de dinossauros, os ditos carnívoros é que chamam mais atenção. Eles são indômitos e saem devorando tudo o que está na frente deles. Será mesmo que os animais na natureza expressam esse comportamento?

Grande parte dos dinossauros era herbívora. Até alguns terópodes (família dos tiranossauros) eram herbívoros. Um estudo de paleontólogos americanos do Museu Field, em Chicago, indica que a maior parte dos dinossauros terópodes, exceto pelo Tiranossauro Rex e pelo Velociraptor, era herbívora e não carnívora, como se acreditava.[6]

Lindsay Zanno e Peter Makovicky concluíram com base em análises estatísticas que o regime alimentar de 90 espécies de dinossauros terópodes era constituído por plantas. Esses resultados contradizem a visão comum entre os paleontólogos de que quase todos os dinossauros terópodes caçavam para se alimentar, especialmente os antepassados mais próximos das aves.

"Grande parte dos terópodes estava claramente adaptada a uma vida de predador mas, em certo momento da evolução até as aves, esses dinossauros se tornaram herbívoros", explicou Lindsay Zanno. Os dois pesquisadores encontraram cerca de meia-dúzia de traços anatômicos que, estatisticamente, ligam a maior parte dos terópodes ao comportamento herbívoro, incluindo um bico desprovido de dentes.

Aplicando essa análise, os pesquisadores determinaram que 44% dos terópodes, distribuídos em seis grandes linhagens, eram herbívoros. Já que o número de terópodes herbívoros era tão importante, super-carnívoros como o Tiranossauro rex e o Velociraptor deveriam ser vistos "mais como uma exceção do que como uma regra", concluem os pesquisadores.

4. Serpente com patas

Cena do filme que mostra a serpente com patas



Logo nos vem a mente a narrativa bíblica, onde a punição da serpente foi de rastejar sobre o próprio ventre. Em Gênesis 3:14, 15 lemos:
“Porque fizeste isso, serás maldita entre todos os animais e feras dos campos; andarás de rastos sobre o teu ventre e comerás o pó todos os dias de tua vida. Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar.”
A maioria dos cristãos tenta imaginar o que era esse animal chamado de serpente. Alguns tentam especular o fato de as serpentes terem pernas e as perdido após a punição de Deus.

O fato é que temos evidências de serpentes com patas no registro fóssil. O fóssil, encontrado na Formação Crato, na Bacia do Araripe, interior do Ceará, está circundado por fezes de peixes igualmente fossilizadas, o que sugere que o animal morreu soterrado por água e lama. Segundo os pesquisadores, essa cobra de quatro patas vivia no supercontinente Gondwana, integrante da parte sul da Pangea. Leia mais sobre isso aqui.

No entanto, algo mais real pode estar por trás disso. A serpente do Éden poderia ter patas ou poderia ter asas. Praticamente todas as culturas do mundo referenciaram monstros sobrenaturais em seus contos folclóricos - e alguns desses monstros assumem a forma de répteis escamosos, alados e que cospem fogo. "Dragões", como são conhecidos no oeste, geralmente são retratados como enormes, perigosos e ferozmente antissociais, e quase sempre acabam sendo mortos pelo proverbial "cavaleiro de armadura brilhante" ao fim de um ataque violento. 

Antes de explorarmos o vínculo entre dragões e dinossauros, é importante estabelecer exatamente o que é um dragão. A palavra "dragão" vem do grego dracon, que significa "serpente" ou "cobra d'água" - e, de fato, os primeiros dragões mitológicos se parecem mais com cobras do que com dinossauros ou pterossauros (répteis voadores). Também é importante reconhecer que os dragões não são exclusivos da tradição ocidental; esses monstros aparecem fortemente na mitologia asiática, onde recebem o nome chinês de "longo".

A serpente do Éden era um dragão? Um dinossauro? Ou uma espécie de serpente extinta? Leia mais sobre isso em nosso texto sobre o dragão de Da Vinci.

5. Pterossauros

Cena do filme que mostra os pterossauros caçadores

Nessa parte do bate-papo abordamos a grande verdade que a maioria dos espectadores não sabe: pterossauros não eram dinossauros. Eram répteis voadores. E sempre trago algumas curiosidades sobre esses animais lindos. Uma delas é que a região onde eu moro (Sul do Brasil) é rica em fósseis de pterossauros.

O pterossauro Keresdrakon vilsoni, o mais recente deles, foi apresentado em um artigo publicado em agosto de 2019 na revista da Academia Brasileira de Ciências. Segundo os paleontólogos, o pterossauro viveu "em um ambiente desértico periférico, onde existiam oásis com água e certa vegetação".

Keresdrakon é a junção de "keres", que, segundo a mitologia Grega, são espíritos que personificaram a morte violenta e estão associados à fatalidade; e "drakon", palavra para dragão no grego antigo. Já vilsoni foi uma homenagem a Vilson Greinert, um voluntário que dedicou centenas de horas preparando a maioria dos espécimes do "cemitério dos pterossauros" que fazem parte do acervo do Cenpaleo.

6. Tiranossauros bonzinhos

Cena do filme que mostra os tiranossauros bonzinhos

Nesta parte do filme vemos a interação do personagem principal com os tiranossauros. E para minha surpresa, não contribuíram com a má fama dos tiranossauros. No filme, eles são bonzinhos e ajudam o apatossauro a voltar para casa. Claro que eles cuidam da "comida", que é o "gado". São carnívoros, mas não demonstram aquele comportamento voraz, destruidor a que estamos acostumados.

Temos que desconstruir a imagem da agressividade extrema desses animais. Deus criou tudo bom e perfeito, e após o pecado muitas deformidades vieram a acontecer na criação. Não conseguimos ainda determinar direito como isso ocorreu, mas, comparando com os animais selvagens atuais, é fato que o cinema ás vezes exagera.

Cena do filme que mostra o "gado" cuidado pelos tiranossauros

8. Raptores emplumados

Raptores emplumados

Nessa cena representaram os raptores com algumas plumas saindo da cauda. E, de fato,  encontramos isso no registro fóssil. Existiram dinossauros com penas.

Para a cosmovisão criacionista, existe um fator que é discutido com polêmica. O fato de se admitir que dinossauros tinham penas pode corroborar com a evolução de dinossauros para aves. No entanto, isso é uma falsa premissa. Existiam répteis emplumados, e as aves fazem parte de outra categoria. É comum os seres vivos compartilharem características. E isso não comprova a macroevolução, mas comprova o design comum.

Cena do filme que mostra aves vivendo com dinossauros

Encontramos no registro fóssil aves vivendo com os dinossauros, e até antes de alguns deles.[7] Não encontramos de forma contundente no registro fóssil essa transição de dinossauros para aves. Não temos muitos fósseis dessa época na América do Norte, e menos ainda apresentam características que nos dão uma boa ideia de como eram na vida, mas sabemos que eles definitivamente existiam de alguma forma. O oxpickers, nativos da África, são especializados em comer parasitas sugadores de sangue de animais grandes, é um exemplo de ave que se acredita habitou com os dinossauros.

Na cosmovisão criacionista, cremos que Deus criou todos os seres vivos com aporte necessário para sofrer mutações. No entanto, dentro da mesma família. Sem saltos evolutivos que mudariam a espécie/família. Então, as aves variam e continuam aves. Dinossauros variam e continuam dinossauros. Algumas estruturas (como escamas, garras e penas) são compartilhadas.

Alex Kretzschmar

Referência:

[1] Série de autores e consultores, Dorling Kindersley, History (título original), 2007, ISBN 978-989-550-607-1, pág 15 

[2] Hildebrand AR, Pilkington M, Connors M, Ortiz-Aleman C, Chavez RE. Size and structure of the Chicxulub crater revealed by horizontal gravity gradients and cenotes. Nature. 2002; 376:415-417. 

[3] Price GD, Nunn EV. Valanginianisotopevariation in glendonitesandbelemnitesfromArctic Svalbard: Transient glacial temperaturesduringtheCretaceousgreenhouse. Geology. 2010;38(3):251-254. 

[4] ALVES, Everton Fernando; BORGES, Michelson. A extinção dos dinossauros: semelhanças entre as propostas evolucionista e criacionista. In:________. Revisitando as Origens. Maringá: Editorial NumarSCB, 2018, p.79-87. 

[5] Batten, D. (Ed.), Catchpoole, D. , Sarfati, J. e Wieland, C., Capítulo 11, E a deriva continental? O Livro de Respostas da Criação , Publicadores de Livros da Criação, 2006. 

[6] Lindsay E. Zanno e Peter J. Makovicky. Ecomorfologia herbívora e padrões de especialização na evolução de dinossauros terópodes . Anais da Academia Nacional de Ciências , 2010; DOI: 10.1073 / pnas.1011924108 

[7] Xing, Lida, et al. “Reanálise de Wupus Agilis (início do Cretáceo) de Chongqing, China, como um grande traço aviário: diferenciando entre grandes faixas de aves e pequenas faixas de terópodes não aviárias.” Plos One, vol. 10, n. 5, 2015, doi: 10.1371 / journal.pone.0124039.