quinta-feira, abril 14, 2022

Deslumbrante Deus

Certa vez, ouvi a história de um homem que, à beira da morte, aconselhou um amigo a não perder o deslumbramento pelas coisas da vida. Achei esse conselho inusitado. Não entendi direito o que significava, mas guardei na memória. Vez ou outra, esse conselho voltava à minha mente, como algo que eu deveria considerar importante, mas, tal qual chegava a mim, ele voava de volta ao esquecimento.

Tempos depois, eu me tornei mãe de duas crianças. Na primeira filha, eu não soube muito aproveitar a maternidade. Ficava tão preocupada com tudo, com marcos de desenvolvimento, com métodos de fazer dormir, com fraldas, pomadas e alimentação adequada, que simplesmente não curti a simplicidade de cada conquista, de cada dia, de tanto afeto.

Então veio o segundo filho, meio que no susto. E que susto bom! Agora eu já sabia que tudo ia dar certo, que o bebê ia engatinhar no tempo certo (o dele), que ia andar na hora certa (a dele), que ia aprender a comer, a dormir. Então eu relaxei e pude observar uma das coisas mais lindas que uma criança pode ensinar: o deslumbramento. Imagine para um serzinho tão pequeno como tudo é absolutamente deslumbrante e novo. Uma formiga andando perto do pé, carregando uma folha faz ele frear qualquer caminhada e se agachar para observar pelo tempo que for preciso. Um passarinho que, de repente, surge entre as folhas de uma árvore e se lança ao céu faz seus olhos brilharem. Deve se perguntar: “Como ele faz isso? Quem ensinou? E a árvore, tão grande, com folhas penduradas. Como ela pode crescer tanto? Quem faz ela ser assim?”

Outra coisa deslumbrante, que motivou uma de suas primeiras palavras: a luz, que se acende e se apaga – como isso é possível? É absolutamente impressionante. Dá para ficar horas acendendo e apagando sem deixar de se impressionar. E a água – que coisa deslumbrante é a água – escorrendo entre os dedos? Que frescor inquietante, que substância maravilhosa. E ainda dá para beber e jogar para cima e para todo lado e molhar o corpo todo. Aliás, o corpo também é fascinante. Os olhos (como ele tenta por os dedos nos meus olhos, como que querendo segurar nas mãos essas bolinhas que se fecham tão rápido), os cabelos (que legal puxar os cabelos da mamãe também!), as pernas, o umbigo (uau, um buraco no meio da barriga!) e os dedos – que coisa fantástica são os dedos das mãos e dos pés. Como podem se mover assim, de forma tão ágil?

Mas o deslumbre não tem limite. O fogo! Gente, o fogo brilha, é colorido, dança ao vento. Que coisa linda é o fogo! Que vontade de pegar! E o céu? Existe coisa mais deslumbrante que o céu? Tanto azul, nuvens brancas, nuvens negras... Opa, parem tudo! Que barulho é esse no céu? Um helicóptero! Todo mundo precisa ver isto, um helicóptero. Isso é legal demais! Esse barulho é incrível! E o bebê corre para a janela, implorando com grunhidos para ser erguido para ver esse “bicho” tão fantástico e curioso.

Ah, mas ainda falta a coisa mais deslumbrante de todas para o meu bebê: a Lua! Ele não fala da Lua, ele não mostra a Lua, ele grita sem parar; aponta com os braços, com as pernas. Ele se inclina todo e se projeta porque é tão importante que todos vejam a coisa mais maravilhosa do mundo. E, se a gente não vê, ele grita mais. Se estiver na rua, melhor ainda, porque ele quer que as outras pessoas também parem e vejam e se deslumbrem com algo que lhe causa tanto fascínio.

Meu bebê só tem um ano. Acabou de fazer. E, no meio da sua lalação, ele grita: “Olha! Ah lá, a lula, a luna, a lala!” Faz tanto esforço porque está absolutamente deslumbrado! E por algo que a gente vê todas as noites (e dias também) e não dá a menor importância.

É possível aprender tanto com as crianças, com os filhos. Eles nos obrigam a parar e olhar as coisas pequenas (será?) da vida e redescobrir como são deslumbrantes. A criação de Deus é algo tão imenso, tão extraordinário, tão impressionante, mas nós nos acostumamos com ela e a vemos como comum, ordinária. É como o quadro da Monalisa. Já vimos tanto que não enxergamos nenhuma beleza mais naquilo, nada que instigue qualquer sentimento. Podemos até ter o original na nossa frente que não fará diferença. Até imagino um bocejo ao ver a imagem. Só que Deus criou um mundo fantástico para provocar em nós esse deslumbramento. Isso revira a alma, traz felicidade, nos tira da acomodação, da mesmice, da rotina sem sentido. Precisamos parar e ver. Ver esse presente maravilhoso.

Era isso que o homem da história que eu li queria dizer em seu leito de morte. O conselho era para não deixar de se surpreender com os presentes de Deus, porque Deus é surpreendente, é fascinante, é deslumbrante. Se perdermos isso, a vida vai passar, assim como a maternidade, e vamos estar tão ocupados com coisas que nos dizem ser importantes que vamos perder a simplicidade de cada conquista, de cada dia, o afeto, a beleza – coisas que realmente nos enchem de vida.

A Bíblia nos convida a ser como crianças. “Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos céus” (Mt 18:33). Além da simplicidade, da humildade, da dependência, hoje eu acrescento às características das crianças a capacidade de deslumbramento. E tenho pedido a Deus para reviver isso em mim. Ele pode fazer renascer. Quero me espantar com os milagres da Bíblia, quero sentir horror e amor pelo Calvário toda vez que ler o relato da morte de Cristo. Quero que não seja algo rotineiro, comum, ordinário. Quero que o amor de Cristo verdadeiramente me cause constrangimento.

Sei que meu filho vai crescer e vai deixar de se deslumbrar, como todos nós. Mas eu peço a Deus que tudo que diz respeito ao Céu, ao divino, à criação, ao transcendente, mesmo depois de ele crescido, ainda cause espanto nele, e em mim também.

Que sejamos essa criança boba vendo o que Deus fez e faz por nós, sem vergonha de parar tudo para observar ou de gritar para todo mundo saber que o nosso Deus é deslumbrante.

(Danivia Mattozo Wolff é Revisora de Textos | Assembleia Legislativa de Minas Gerais)

quinta-feira, março 31, 2022

Criacionismo: respostas para o passado, sentido no presente, esperança para o futuro

Abandonei a ideia da macroevolução e o naturalismo filosófico quando estudava no curso técnico de química, nos anos 1990. Sempre fui amante da ciência. Era leitor voraz de autores como Carl Sagan, Stephen Hawking, Isaac Asimov e outros. Por isso mesmo, sempre fui naturalmente cético. Quando soube que o darwinismo tinha graves insuficiências epistêmicas, fiquei surpreso e passei a estudar o assunto mais a fundo. Resolvi colocar em prática meu ceticismo até as últimas consequências.

Deparei-me com o argumento da complexidade irredutível, de Michael Behe, e com a tremenda dificuldade que o darwinismo tem em explicar a origem da informação complexa e específica. De onde surgiu a informação genética necessária para fazer funcionar a primeira célula? De onde proveio o acréscimo de informação necessária para dar origem a novos planos corporais e às melhorias biológicas? O passo seguinte foi buscar um modelo que me fornecesse respostas ao enigma do código sem o codificador, do design sem o designer, da informação sem a fonte de informações.

Fiquei aturdido com a complexidade física do Universo e com a complexidade integrada da vida, ao constatar uma vez mais que, para existir, a realidade depende de leis e constantes finamente ajustadas. Nessas pesquisas, descobri que o criacionismo é a cosmovisão que associa coerentemente conhecimento científico e conhecimento bíblico.

Então passei a estudar mais detidamente a Bíblia Sagrada, que me diziam ser a Palavra de Deus. Fiquei igualmente surpreso ao constatar que a arqueologia comprova a veracidade histórica desse livro milenar, e que as profecias detalhadamente cumpridas são outra evidência de sua origem singular. Só que essa leitura, esse estudo fez mais por mim do que apenas fornecer informações. À medida que eu estudava o Livro Sagrado, alguma coisa estava mudando em mim, em meu coração, em minha mente...

Nesse estudo, nessa busca, me descobri em boa companhia ao saber que grandes cientistas como Galileu, Copérnico, Newton, Pascal, Pasteur e outros não viam contradição entre a verdadeira ciência e a teologia bíblica. Usei meu ceticismo, fui atrás das evidências – levassem aonde levassem – e me surpreendi com uma interpretação simples e não anticientífica para as origens. Resultado? Tornei-me criacionista.

Minha busca não terminou ali. A fonte de conhecimento que se abriu diante de meus olhos é eterna como eterno é meu Criador. Encontrá-Lo foi a maior descoberta da minha vida! Às vezes, é preciso duvidar para crer. Mas vale a pena. 

Evidências

Como o evolucionismo, o criacionismo é um modelo que procura entender e explicar a origem e o desenvolvimento da vida em nosso planeta. Evolucionistas apresentam as evidências deles, criacionistas fazem o mesmo. Cabe às pessoas analisar tudo à luz da verdadeira ciência. Veja algumas evidências e pressuposições relacionadas ao modelo criacionista:

1. O argumento criacionista é coerente com o que se observa nos fósseis encontrados na coluna geológica e diz que a criação deu origem a tipos básicos (“espécies”) de seres vivos e que eles “evoluíram” de forma mais ou menos limitada (diversificação de baixo nível ou “microevolução”). Os criacionistas não creem, no entanto, que todos os seres vivos descendem de um mesmo ancestral unicelular comum, pois é algo que, por experimentação e observação, não é possível ser demonstrado.

2. O criacionismo apresenta três evidências básicas da existência de um Criador: (1) o ajuste fino do Universo (teleologia), (2) a existência de estruturas irredutivelmente complexas nos seres vivos, que tinham de funcionar perfeitamente desde que foram criadas, ou não chegariam aos nossos dias, e (3) a informação complexa especificada existente no material genético, que só a inteligência obviamente pode originar.

3. Os criacionistas entendem que, embora alguns aspectos do evolucionismo sejam fundamentados e úteis para a compreensão de muitos fenômenos naturais, há lacunas nesse modo de pensar. Como ocorre com toda hipótese, há alguns pontos no evolucionismo que não são cientificamente sustentáveis e podem ser analisados e apresentados aos estudantes.

4. Atualmente, há vários cientistas criacionistas que fazem boa ciência e apresentam argumentação lógica e importante para ser transmitida. Destacam-se dois biólogos norte-americanos: Leonard Brand e Harold Coffin. Ambos têm artigos publicados nos mais prestigiados periódicos científicos, respectivamente, sobre baleias fossilizadas da Formação Pisco (Peru) e sobre as florestas petrificadas de Yellowstone (EUA). No Brasil, destaca-se o químico e professor da Unicamp, Dr. Marcos Eberlin, criador do Laboratório Thomson de Espectrometria de Massas, membro da Academia Brasileira de Ciências e o terceiro cientista brasileiro mais citado em publicações científicas de renome.

5. O modelo da evolução apresenta lacunas e deve ser confrontado com outras formas de pensar. Por exemplo, o evolucionismo não consegue explicar a origem da vida por processos naturais a partir de matéria não viva. Também não consegue explicar a origem da informação genética de sistemas irredutivelmente complexos, nem o aumento de complexidade que teria acontecido nos organismos durante o processo evolutivo, ou seja, não consegue explicar a origem de novos órgãos, sistemas de órgãos e novos planos corporais que surgem sem formas ancestrais bem definidas.

6. Conforme escreveu Ellen White, “é a obra da verdadeira educação desenvolver essa faculdade, preparar os jovens para que sejam pensantes e não meros refletores do pensamento de outrem” (Educação, p. 17). Assim, as escolas adventistas entendem que o ensino do contraditório e o contraste de ideias promovem o pensamento crítico. Por isso, são expostos comparativamente nas aulas de ciências os modelos criacionista e evolucionista.

7. O criacionismo, embora tenha um componente religioso, pode ter suas premissas discutidas no contexto científico e ser considerado em sala de aula. Além disso, atualmente, mais do que em outra época, trata-se de um fenômeno cultural, com muitos defensores, mesmo em países cientificamente avançados como os Estados Unidos. Por isso, o criacionismo merece ser conhecido pelos alunos.

8. Os criadores do método científico, cientistas do quilate de Copérnico, Galileu e Newton, não viam contradição entre a ciência experimental e a religião bíblica. Portanto, os criacionistas de hoje se consideram em boa companhia.

Legado adventista

No livro The Creationists, Ronald Numbers afirma que o criacionismo se espalhou rapidamente durante o século 20, desde seu humilde começo “nos escritos de Ellen White”. Mark Noll também afirma que o criacionismo moderno emergiu dos esforços dos adventistas do sétimo dia. Para George Marsden, o adventista George McCready Price é o “principal precursor” da abordagem de uma Terra jovem e de um dilúvio universal.

O conhecido engenheiro batista Henry Morris, em seu livro História do Criacionismo Moderno, igualmente reconhece que “o escritor criacionista mais importante da primeira metade do século [20] foi um notável homem [...] chamado George McCready Price (1870-1963). [...] seu vasto conhecimento científico e bíblico, sua lógica cuidadosa e seu belo estilo de escritor causaram-me profunda impressão quando comecei a estudar esse interessante tema, no início da década de 1940”.

Entre 1902 e 1955, Price escreveu 25 livros sobre a geologia do dilúvio, apologética geral e até um comentário sobre o livro de Daniel. Publicou também um compêndio escolar de 510 páginas sobre ciências. Mas seu projeto mais importante foi, sem dúvida, um livro de 726 páginas publicado em 1923 com o título The New Geology.

Price publicou inúmeros artigos em revistas cristãs importantes, tais como Sunday School Times, Moody Monthly e Princeton Theology Review, além de ter alguns artigos publicados em periódicos de divulgação científica, como Panamerica Geologist e Scientific American. Sem dúvida, foi um grande divulgador do criacionismo.

“Com certeza, ele era de longe mais bem educado, no verdadeiro sentido da palavra, do que 90% dos PhDs e ThDs manipulados pela metodologia rotineira das instituições escolares”, escreveu Henry Morris.

Muitos dos alunos de Price continuaram a contribuir com a causa criacionista. Entre eles incluem-se Harold Clark, Frank Marsh, Ernest Booth e Clifford Burdick. Clark foi aluno de Price no curso de Geologia no Pacific Union College, em 1920, e escreveu dois importantes livros sobre geologia e dilúvio: The New Diluvialism, publicado em 1946, e Fossils, Flood and Fire, em 1968. Frank Lewis Marsh (1899-1992) obteve um PhD em Biologia pela Universidade de Nebraska. Ele também lecionou em diversas escolas adventistas e escreveu uma série de excelentes livros criacionistas, começando com o Fundamental Biology, publicado em 1941.

Em 1957, os líderes da Igreja Adventista do Sétimo Dia decidiram criar uma organização em que se pudessem estudar assuntos relacionados à ciência. Foi então inaugurado o Geoscience Research Institute (GRI), e Frank Marsh foi indicado para o cargo de diretor (até 1964).

Assim, a Igreja Adventista tem se destacado desde a sua origem por defender o criacionismo bíblico e a literalidade/historicidade dos primeiros capítulos da Bíblia.

Ataques ao criacionismo

O criacionismo faz parte da mensagem dos três anjos (Ap 14:6-12), que constitui o conteúdo mais importante que os adventistas devem partilhar com o mundo. Por isso mesmo o inimigo de Deus tem feito de tudo para anular o poder dessa proclamação. De início, ele tentou destruir a Bíblia por meio de perseguições e fogueiras – queimando o Livro e seus tradutores e divulgadores. Isso não deu certo. A Bíblia continua sendo o livro mais lido e difundido no mundo.

Então, Satanás mudou de tática: após o Iluminismo, valendo-se especialmente da Alta Crítica, passou a relativizar e questionar o texto inspirado. O alvo preferencial sempre foi o relato da criação em Gênesis e os capítulos subsequentes, que tratam da queda no pecado e do dilúvio universal. Colocando dúvidas sobre esses capítulos, o inimigo consegue derrubar verdades essenciais que atravessam as páginas da Bíblia: a semana literal da criação, o sábado como memorial dessa criação, o casamento heteromonogâmico, a origem e a malignidade do pecado, o plano da redenção e a factualidade do dilúvio global.

Teologias identitárias e o evolucionismo teísta fazem o mesmo, quando o assunto é a credibilidade da Palavra de Deus. Para os teólogos liberais da libertação, a Bíblia é apenas a palavra de homens que andaram com Deus. Não deve ser encarada como a Palavra inspirada e infalível. Para os defensores da evolução teísta, seria possível harmonizar Darwin e Deus – havendo a necessidade, novamente, de se alegorizarem os primeiros capítulos de Gênesis.

No gráfico abaixo é possível ver a total inconsistência entre a cosmovisão criacionista bíblica e as ideologias e teologias que relativizam o relato das origens.

Um chamado urgente

No livro Testemunhos Seletos, volume 3, página 288, Ellen White escreveu: “Em sentido especial foram os adventistas do sétimo dia postos no mundo como vigias e portadores de luz. A eles foi confiada a última mensagem de advertência a um mundo a perecer. Sobre eles incide maravilhosa luz da Palavra de Deus. Confiou-se-lhes uma obra da mais solene importância: a proclamação da primeira, segunda e terceira mensagens angélicas. Nenhuma obra há de tão grande importância. Não devem eles permitir que nenhuma outra coisa lhes absorva a atenção.”

O criacionismo faz parte do pacote de verdades essenciais contidas na mensagem dos três anjos, e a Igreja Adventista do Sétimo Dia precisa continuar erguendo bem alto essa bandeira, já que são pouquíssimos os que fazem isso atualmente. É preciso chamar a atenção do mundo para o fato de que existe um Criador que prometeu recriar este planeta e devolvê-lo à sua condição edênica. Mas se não cremos que Ele foi capaz de criar a vida neste planeta em seis literais de 24 horas, por que creremos que ele será capaz de repetir o feito? Se não cremos que a árvore da vida mencionada no início da Bíblia é real, o que faremos com a árvore da vida prometida no Apocalipse? Se Adão e Eva não pecaram, a morte é um elemento natural da criação de Deus? E Jesus veio fazer o que aqui? Liderar uma revolução?

A verdade é que a cosmovisão criacionista bíblica nos ajuda a compreender o passado, nos dá um sentido para o presente (não somos um acidente cósmico; temos um propósito) e nos enche de esperança quanto ao futuro.

(Michelson Borges, jornalista, mestre em Teologia e pós-graduado em Biologia Molecular)

sexta-feira, março 04, 2022

Pesquisadores encontram fósseis de 11 dinossauros na Itália

Pesquisadores descobriram fósseis de uma manada de 11 dinossauros em Villaggio del Pescatore, uma antiga pedreira de calcário próxima da cidade portuária de Trieste, na Itália.  Um deles, denominado “Bruno”, é o maior e mais completo esqueleto de dinossauro da história do país. A pesquisa foi publicada na revista Scientific Reports. Apesar de terem sido encontrados restos de dinossauros isolados na Itália desde a década de 1990, a descoberta de vários esqueletos em um único lugar é significativa.

“A Itália não é conhecida pelos dinossauros e, embora tivéssemos alguns golpes de sorte no passado, agora temos um rebanho inteiro em um sítio de dinossauros”, relatou ao The Guardian Federico Fanti, professor da Universidade de Bolonha e pesquisador-chefe do local.

Esse local ganhou a atenção dos pesquisadores de dinossauros em 1996, após a descoberta de um esqueleto que os paleontólogos chamaram de Antonio, e inicialmente acreditaram ser uma espécie de dinossauro anã. Mas as últimas descobertas contestam isso, com Antonio agora sendo considerado um jovem dinossauro que fazia parte do mesmo rebanho que morreu junto. O maior dos restos fossilizados do grupo se chama Bruno.

“Bruno é o maior e mais antigo do grupo e o mais completo esqueleto de dinossauro já encontrado na Itália”, disse Fanti. “Sabíamos que havia dinossauros no local depois da descoberta de Antonio, mas até agora ninguém verificou quantos. O que temos agora são vários ossos pertencentes ao mesmo rebanho.”

Os restos fossilizados dos 11 dinossauros pertencem à espécie Tethyshadros insularis, que viveu há 80 milhões de anos [sic] e alcançava até cinco metros de comprimento.

Os resultados da pesquisa desafiam hipóteses anteriores que sugeriam eventos de nanismo entre ornitísquios durante o Cretáceo Superior e apoiam a presença de hadrossauroides plesiomorficamente de tamanho médio no domínio Tethyan da Eurásia, e fornecem dados incomparáveis ​​para inferir tendências do tamanho do corpo em dinossauros do Mesozóico.

Restos fossilizados de pequenos crocodiliformes, um único osso de pterossauro, peixes parciais, vários crustáceos, coprólitos raros, pólen e alga também foram encontrados no local. “Isso é muito legal, pois podemos descobrir o tipo de ambiente em que os dinossauros viveram e morreram”, acrescentou Fanti. “Naquele período, a área ficava muito próxima ao litoral em um ambiente tropical, quente e úmido, capaz de alimentar rebanhos de dinossauros.”

Alguns dos fósseis encontrados até agora em Villaggio del Pescatore, uma área protegida, estão em exibição no museu cívico de história natural em Trieste, e os especialistas esperam abrir parte do local ao público.

(Liziane Nunes Conrad Costa é formada em Ciências Biológicas com ênfase em Biotecnologia [UNIPAR], especialista em Morfofisiologia Animal [UFLA] e mestre em Biociências e Saúde [UNIOESTE]. É vice-presidente do Núcleo Cascavelense da SCB [Nuvel-SCB])

Nota: Além de essa incrível descoberta ser um verdadeiro deleite para qualquer amante dos dinos, o artigo revela que no mesmo local foram encontrados sepultados dinossauros, outros répteis, peixes, crustáceos, pólen e algas. Apesar de os pesquisadores não pontuarem a causa da morte de toda essa diversidade de seres vivos, você consegue imaginar um evento catastrófico hídrico que permitiu fossilização deles em um mesmo período? Se você não sabe, eu lhe convido a ler sobre o assunto na Bíblia Sagrada, no livro de Gênesis, a partir do capítulo 7.

Ressalto que existem pesquisas não criacionistas que já admitem inundações catastróficas (confira aquiaqui e aqui).

Fontes:

The Guardian

Artigo original

CHIARENZA, Alfio Alessandro et al. An Italian dinosaur Lagerstätte reveals the tempo and mode of hadrosauriform body size evolution. Scientific reports, v. 11, n. 1, p. 1-15, 2021.

Leia mais sobre fósseis de origem marinha:

http://www.criacionismo.com.br/2021/08/pesquisadores-encontram-estromatolicos.html

http://www.criacionismo.com.br/2013/01/pesquisador-diz-que-encontrou-novas.html

http://www.criacionismo.com.br/2011/01/diluvio-universal-e-suas-implicacoes.html

terça-feira, janeiro 18, 2022

A precisão do Gênesis para o início do dilúvio

Quando lemos Gênesis capítulos 6 a 9, temos o relato de um evento de extinção em massa, em escala planetária, chamado dilúvio. Obviamente para grande número de pessoas esse relato não é histórico; trata-se de um mito, quando muito, e sem nenhuma base científica para apoiar a possível hipótese de sua ocorrência real. Discordo veementemente desse ceticismo sem base, pois escrevi um livro que me demandou quase nove anos de pesquisa e redação, com mais de 800 páginas, mais de 600 ilustrações e mais de duas mil referências: O Dilúvio: Impacto de asteroides, extinções em massa, as glaciações, a formação do Atlântico e a Arca de Noé. Listei dezenas de evidências da ocorrência desse evento planetário. E como eu, muitos outros pesquisadores/autores que escreveram sobre o evento do dilúvio trataram-no como um relato histórico, relatando as centenas de evidências que dão sustentação à afirmação inicial, de um evento de extinção em massa, em escala planetária.

Eis que há poucos dias do fim de 2021 uma notícia veio acrescentar mais uma evidência da ocorrência do dilúvio àquelas já relatadas por mim e outros pesquisadores/autores dessa temática. Um artigo científico foi publicado na prestigiosa revista Nature, em 8/12/2021, no Scientific Reports,[1] “Seasonal calibration of the end-cretaceous Chicxulub impact event” (“Calibração Sazonal do evento de impacto Chicxulub do fim do Cretáceo”, tradução minha) de Robert A. DePalma, et al., em que os autores conseguem precisar em qual estação do ano, no Hemisfério Norte, ocorreu o impacto de Chicxulub que levou ao evento de extinção em massa no fim do período Cretáceo-Paleogeno, e teria exterminado os dinossauros e cerca de 75%[2] da fauna e flora daquela suposta época geológica.

A mídia com interesse em descobertas científicas reproduziu a notícia aqui:[3] “Foi graças a ests recente estudo que foi possível determinar exatamente a estação do ano que transcorria no Hemisfério Norte quando ocorreu o impacto: no fim da primavera e início do verão. [...] Os pesquisadores analisaram a estrutura e o padrão único das linhas de crescimento nas espinhas de peixes fossilizados do sítio e determinaram que todos morreram durante a fase de crescimento primavera-verão” (negrito no original).

O resumo que os autores apresentaram é o seguinte e mostra que o evento ocorreu na primavera/verão do Hemisfério Norte do Planeta:[1]

“O impacto de Chicxulub do fim do Cretáceo desencadeou a última extinção em massa da Terra, extinguindo ~75% da diversidade de espécies e facilitando uma mudança ecológica global para biomas dominados por mamíferos. Detalhes temporais do evento de impacto em uma escala fina (hora a dia), importante para entender a trajetória inicial de extinção em massa, têm escapado em grande parte de estudos anteriores. Esse estudo emprega análises histológicas e histo-isotópicas de peixes fósseis que eram contemporâneos com uma assembleia de morte em massa desencadeada pelo impacto da fronteira Cretáceo-Paleogene (KPg) em Dakota do Norte (EUA). Padrões de histórico de crescimento, incluindo periodicidade de ẟ18O e ẟ13C e morfologia da banda de crescimento, além de corroborar dados da ontogenia dos peixes e comportamento sazonal dos insetos, revelam que o impacto ocorreu durante a primavera/verão boreal, logo após a temporada de desova para peixes e a maioria dos táxons continentais. A gravidade e a simetria taxonômica da resposta aos perigos naturais globais são influenciadas pela estação durante a qual ocorrem, sugerindo que perturbações pós-impacto poderiam ter exercido uma força seletiva que foi exacerbada pelo tempo sazonal. Os dados desse estudo também podem fornecer uma visão retrospectiva vital dos padrões de resposta biótica existente aos perigos em escala global que são relevantes para os biomas atuais e futuros (tradução minha; negrito acrescentado).[1]

A análise detalhada que os autores fizeram você poderá ver no artigo original.

O que quero chamar à sua atenção é que os autores chegaram à estação do impacto de Chicxulub: primavera/verão no hemisfério Norte do planeta. É claro que, pela perspectiva bíblica, as estações do ano naquele tempo antes do dilúvio eram bem menos evidentes do que as atuais, mas, com certeza, a fauna possuía períodos de reprodução razoavelmente compatíveis com os observados atualmente.

Instado por amigo interessado no assunto, fui verificar se a constatação dos autores coincidia, eventualmente, com a data do início do dilúvio, citada no Gênesis. E, para meu espanto, se a conclusão dos cientistas for historicamente correta, pelas informações bíblicas era esperado que coincidissem. E coincidiram!

Vamos aguardar para ver se haverá contestação das conclusões dos cientistas.

Eis a minha análise:

Segundo o Gênesis, o dilúvio começou no ano 600 da vida de Noé, no dia 17 do segundo mês, e terminou no dia 27 do segundo mês do ano 601 de sua vida. Segundo o calendário judeu/israelita, o calendário religioso, o segundo mês é o mês de Lyar (nome do mês de origem babilônica; pronuncia-se Yar) ou Ziv ou Zive (em hebraico), que começa em 26 de maio do nosso calendário gregoriano. Assim, o dilúvio começou em 17 de Lyar ou Ziv ou Zive, que equivale ao dia 11 de junho do nosso calendário gregoriano.

Ora, o calendário judaico/israelita mostra claramente que o dilúvio começou na primavera/verão, já que o calendário religioso começa na primavera, equivalente aos meses de março/abril do nosso calendário gregoriano.

Não vou entrar aqui nos detalhes do calendário judaico/israelita, que possui dois inícios de ano, um religioso e outro civil. O calendário que usei é o religioso, pois era o que Moisés utilizava. O calendário civil começa no mês Tishri, no dia do Rosh Hashaná, que é o dia da celebração da criação do mundo, e marca o início de um novo ano civil.[3]

A precisão histórica da Bíblia no relato do dilúvio, com dia, mês e ano de seu início e fim, tinha um propósito específico, já que foi o Espírito Santo que inspirou Moisés a assim escrever.

Será que era para este momento da história? Estou seriamente inclinado a acreditar que sim.

Agradeço ao Pastor Eleazar Domini, do canal do YouTube “Fala Sério, pastor”,[4] os esclarecimentos sobre os nomes dos meses em hebraico.

(Celio João Pires é pesquisador e autor de livros criacionistas)

Referências:

1. DePalma, R.A., Oleinik, A.A., Gurche, L.P. et al. Seasonal calibration of the end-cretaceous Chicxulub impact event. Sci Rep 11, 23704 (2021). <https://doi.org/10.1038/s41598-021-03232-9>. Disponível em: <www.nature.com/articles/s41598-021-03232-9>. Acesso em: 18/12/2021.

2. Determinado momento exato do impacto do asteroide que causou extinção dos dinossauros na Terra. Sputnik Brasil. 13/12/2021. Disponível em: <https://br.sputniknews.com/20211213/determinado-momento-exato-do-impacto-do-asteroide-que-causou-extincao-dos-dinossauros-na-terra-20662241.html>. Acesso em 18/12/2021.

3. O Calendário Judaico. Portal São Francisco. Disponível em: <www.portalsaofrancisco.com.br/historia-geral/calendario-judaico>. Acesso em 18/12/2021.

4. “Fala sério, pastor.” Domini, Eleazar. Disponível em: <www.youtube.com/c/Falasériopastor>. Acesso em: 21/12/2021.