segunda-feira, julho 27, 2015

Dinossauros e humanos conviveram após o dilúvio?

Entraram na arca?
Alguns criacionistas acreditam que os dinossauros foram extintos no dilúvio de Noé devido perceberem esses répteis como sendo gigantes, agressivos e predadores tal como retratados pela comunidade evolutiva e mídia secular. Sob essa perspectiva, seria lógico pensar que Deus não criou os dinossauros, pois ao final do sexto dia da semana da criação, o Criador exclamou que tudo que havia sido criado “era muito bom” (Gen 1:31). Mas se Deus então não criou os dinossauros (segundo essa visão), como essas criaturas vieram a existir? É ai que entra a hipótese da “amalgamação”. Segundo essa ideia, houveram relações sexuais entre homens e animais que teriam produzido raças híbridas inferiores de animais ou espécies confusas (como os dinossauros). E, por isso, Deus os teria destruídos a todos durante o dilúvio. Essa hipótese teve sua origem na interpretação  − equivocada, diga-se de passagem − dos escritos da educadora cristã Ellen White. Porém, atualmente, nenhum honesto intelectual afirmaria que Ellen realmente cria nisso durante seu tempo.[1, 2]


Não existem razões científicas para acreditar que os dinossauros não tivessem sido criados por Deus, especialmente quando consideramos que a maioria deles era, em média, criaturas pequenas, que pareciam estar bem adaptadas aos seus ambientes (aliás, em comunidades complexas), provavelmente belas, e a sua maioria era vegetariana.[3-5]

Também não existe apoio bíblico para se acreditar que os dinos não fossem obras de um Criador. Como cristãos, entendemos que aquilo que não é bom dentro da Criação deve ter se degenerado, pois o pecado auto-degenera as coisas. Além disso, não podemos ignorar a possível contribuição maligna a fim de degradar obra da Criação de Deus e O acusá-lo. Entendemos a origem do mal na natureza ou a sua degradação localizada temporalmente após a “queda” do ser humano.

A partir daí, as interações que antes eram perfeitas teriam mudado. E, como resultado, o tipo de nova ecologia que vemos após o dilúvio é mais semelhante da que temos hoje. No mundo moderno, são necessárias as interações de predador e presa a fim de sustentar a vida. Isto é o oposto do que teria sido a criação original ou a forma como Deus criou os animais e disse que “era bom”.


Portanto, o dilúvio veio devido a dois motivos reais: 1) a Terra estava repleta de violência (Gen 6:11); e 2) toda a carne havia corrompido o seu caminho (v.12). Nesse contexto, a corrupção da carne significa que os animais provavelmente haviam mudado (tornaram-se corrompidos) desde que Deus os criou. Parte do efeito dessa corrupção era que eles teriam se tornado violentos. Assim, caso Deus não não tivesse intervindo com o dilúvio, provavelmente a Terra, os animais e os humanos teriam se auto-destruído. Logo, não foram preservados na arca a maioria daqueles seres que Deus não criou, mas que foram degenerados e que representariam uma ameaça para a sobrevivência humana e dos demais seres. Por outro lado foram preservados aqueles que, embora com alguns hábitos não originais, mais se aproximavam do plano do criador.

O motivo principal que leva os criacionistas a entenderem que os dinossauros foram extintos durante o dilúvio é o fato de os fósseis serem encontrados na coluna geológica até o período evolutivo Cretáceo-Paleogeno (correspondente ao período bíblico diluviano). O que geralmente não é levado em consideração é que há evidências que apontam para a sobrevivência dos dinos após o período do dilúvio, como afirma Gênesis 6:19 e 20. Nesse trecho, vemos que “todas as espécies” entraram na arca (exceto os aquáticos). Possivelmente, alguns dinossauros de pequeno porte e/ou filhotes tenham entrado e permaneceram em estado de hibernação. Os capítulos 40 e 41 do livro de Jó descrevem os monstros beemote e leviatã, respectivamente. Algumas traduções atuais da Bíblia deram a eles os nomes de hipopótamo e crocodilo, mas uma análise mais aprofundada revela que os detalhes contidos nas descrições do livro de Jó fazem menção, sem dúvida alguma, aos dinossauros. Isso quer dizer que Jó conviveu com esses animais, cuja maioria era herbívora.

Alguns criacionistas também argumentam que esses capítulos apresentariam uma linguagem poética, portanto, não condizente com características realísticas. Não vou me ater aos fatos, pois não é o objetivo desse texto, mas há um grande perigo teológico em considerar essas descrições como totalmente poéticas, sem base histórica. Para quem quiser saber mais sobre o tema, há uma infinidade de materiais disponíveis na literatura especializada. Mas adianto que, entre todas as descrições magníficas e detalhistas da fisionomia e do comportamento desses animais dadas por Deus a Jó, e que de modo algum diriam respeito a tão singelos animais como o hipopótamo e o crocodilo, uma delas que me chama a atenção é a seguinte: “obra-prima de Deus” (Jó 40:19), a qual sugere que aquele era o maior animal que Deus havia feito.

Na Bíblia, há ainda outra referência importante no período pós-diluviano de uma serpente voadora: as “áspides voadoras” (Isaías 30:6). Isso poderia estar se referindo a um dos pterodáctilos, que são populares como dinossauros voadores, tais como o pteranodonte, o ramforinco ou ornitocheiro.[6] Esse verso menciona, inclusive, vários outros animais conhecidos, tais como leões, víboras, burros, etc. Aparentemente, as serpentes voadoras eram animais tais como os outros, existentes naquela região do mundo e durante aquele tempo. Possivelmente, daí derivaram as lendas de dragões presentes em muitas culturas.

Mas como um amante da ciência e um pesquisador curioso, vou apresentar algumas evidências científicas que contestam a ideia de que todos os dinossauros foram extintos há 65 milhões de anos  pelo impacto de um cometa em um evento chamado extinção Cretáceo-Paleogeno (K-Pg), ou seja, período este condizente com o dilúvio bíblico. Em 2009, um estudo sugeriu que alguns dinossauros não aviários sobreviveram até o Paleoceno e, portanto, a extinção dos dinossauros teria sido gradual.[7] Muitos céticos argumentaram que os fósseis analisados pudessem ter sido reformulados geologicamente, isto é, lavados e arrastados por córregos e rios para fora de seus locais originais e, em seguida, reenterrados em sedimentos muito posteriores.

Em 2012, outro estudo usou um novo método de datação para analisar diretamente uma amostra de osso (não a rocha onde ele foi encontrado) de um dinossauro saurópode (Alamosaurus sanjuanensis) e determinou que esse osso tem 64,8 ± 0,9 milhão de anos, portanto, 700 mil anos mais jovem do que qualquer outro osso de dinossauro conhecido (relativo ao Paleoceno, primeira época do Paleogeno).[8] A fim de evitar novas alegações de reformulação geológica, os autores confirmaram que as áreas de amostragem dos ossos analisados representaram sistemas geoquímicos fechados a partir do momento da sua mineralização original até o presente.

Ademais, a teoria da extinção dos dinossauros devido ao impacto de um asteroide com a Terra tem sido contestada por cientistas evolucionistas. Em 2009, um estudo sugeriu que o impacto do asteroide (Península de Yucatan) não teve o efeito dramático na diversidade de espécies, como se pensava.[9] Durante escavações na cratera de Chicxulub, na região de El Penon, México, o grupo encontrou registros de 52 espécies em sedimentos abaixo da camada do período do impacto (fronteira K-Pg) e as mesmas 52 em sedimentos acima, ou mais recentes. Segundos os cientistas, “não encontramos sinal de uma única espécie que foi extinta como resultado do impacto de Chicxulub”.

Existem outros artigos publicados que também relatam achados de dinossauros que sobreviveram ao suposto período da extinção K-Pg (ou período exato do dilúvio bíblico universal), no entanto, decidi apresentar apenas as principais evidências científicas. Como vemos, mais uma vez a ciência tem confirmado as narrativas bíblicas pós-diluvianas da sobrevivência de dinossauros, tais como apresentadas em Jó 40:15-24, Jó 41:1-34, Salmo 74:13, Isaías 27:1 e Malaquias 1:3.

(Everton Fernando Alves é mestre em Ciências [Imunogenética] pela UEM e diretor de ensino do Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira [NUMAR-SCB]; seu e-book pode ser lido aqui)

Referências:
[1] Gordon Shigley. Amalgamation of Man and Beast: What Did Ellen White Mean? Spectrum. 1982; 12(4):10-19. Disponível em: http://www.perguntas.criacionismo.com.br/2007/01/amalgamao.html?m=1
[2] Amalgamação de homens e animais. Centro de Pesquisas Ellen White (UNASP). Disponível em: http://centrowhite.org.br/perguntas/perguntas-sobre-ellen-g-white/declaracoes-singulares-a-respeito-de-questoes-cientificas/
[3] Clarey T, Tomkins JP. Settling the Dinosaur Weight Debate. Acts & Facts. 2015;44(5).
[4] Clarey TL, Tomkins JP. Determining Average Dinosaur Size Using the Most Recent Comprehensive Body Mass Data Set. Answers Research Journal 2015; 8:85–91.
[5] Zanno LE, Makovicky PJ. Herbivorous ecomorphology and specialization patterns in theropod dinosaur evolution. Proc Natl Acad Sci U S A. 2011; 108(1): 232–237.
[6] Wellnhofer P, Sibbick J. Pterosaurs: The Illustrated Encyclopedia of Prehistoric Flying Reptiles. New York: Barnes and Noble Books, 1996.
[7] Fassett JE. “New geochronologic and stratigraphic evidence confirms the Paleocene age of the dinosaur-bearing Ojo Alamo Sandstone and Animas Formation in the San Juan Basin, New Mexico and Colorado.” Palaeontologia Electronica 2009; 12(1):3A:146p. Disponível em: http://palaeo-electronica.org/2009_1/149/149.pdf
[8] Fassett JE, Heaman LM, Simonetti A. “Direct U-Pb dating of Cretaceous and Paleocene dinosaur bones, San Juan Basin, New Mexico.” Geology. 2012; 40(4):e260-e261. Disponível em: http://geology.gsapubs.org/content/40/4/e260.full
[9] Keller G, Adatte T, Juez AP, Lopez-Oliva JG. “New evidence concerning the age and biotic effects of the Chicxulub impact in NE Mexico.” Journal of the Geological Society 2009; 166(3):393-411.